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Bebê sem Fralda Brasil

Higiene Natural por Fernanda Paz

2017
O presente e-book fala da Elimination Communication (EC), ou
comunicação de eliminação, uma técnica que vem ganhando espaço no
cenário mundial, proporcionando a redução ou suspensão do uso de fraldas e
aumento da conexão entre pais e filhos. No Brasil é chamada de Higiene
Natural (HN) e consiste em atender os bebês nas suas necessidades
fisiológicas de evacuação.

Trabalho autoral de produção independente. Proibida a reprodução


total ou parcial, por qualquer meio ou processo, inclusive quanto às
características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos autorais
constitui crime (Código Penal, art. 184 e Lei nº 6.895/1980)
sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei nº
9.610/98).

1
O bebê moderno

Nós temos a visão de um bebê sempre atrelada a uma chupeta, uma


mamadeira e uma fralda. Também partimos do pressuposto que bebês são
seres inanimados e que podemos moldá-los ao nosso cunho e direcioná-los
sempre aos nossos padrões, ficamos decepcionados e com a síndrome do
“meu filho não” quando algo está fora do esperado:
“-Meu filho não dorme direito”;
“-Meu filho não quis o peito”;
“-Meu filho não come nada”;
“-Meu filho não larga a chupeta”;
Ou, ainda, com a síndrome do “meu filho só”:
“-Meu filho só quer peito”;
“-Meu filho só dorme com embalo”;
“-Meu filho só faz cocô a cada três dias”;
“-Meu filho só isso”;
“-Meu filho só aquilo”;
Assim, chocados permanecemos quando um bebê não apresenta o
comportamento típico “CBD”: o famoso “come, bebe e dorme”, atribuímos
então aquela situação ao nosso filho, como se ele fosse um ser especial ou
diferentão. Afinal, porque o nosso bebê não pode simplesmente mamar e
dormir?
Não pode porque é um bebê e nenhum bebê se estiver dentro dos
“padrões normais de fábrica” vai apenas mamar e dormir. É difícil encarar essa
realidade, mas chupeta, mamadeira e fralda foram ilusões que nos venderam
para silenciarmos os comportamentos normais de um bebê e
consequentemente ignorarmos suas necessidades.
Na verdade, felizes seriamos e aos nossos bebês faríamos se
soubéssemos que recém-nascidos são mini-humanos dotados de
necessidades que só podem ser supridas por seus cuidadores. Que,
preferencialmente, o cuidador principal nos primeiros meses deve ser a mãe e
que é através do choro que se comunicam essas criaturinhas perfeitas. O
choro pode apresentar qualquer tipo de desconforto ou reivindicação do bebê,

2
desde fome, sono, uma etiqueta beliscando, uma dor de barriga, a vontade de
fazer xixi, o estresse, a necessidade de colo, a solicitação da presença da mãe,
barulho demais, luz demais, gente demais, gases, cocô, qualquer coisa.
Seríamos também menos exigentes conosco se lembrássemos de que
estamos a conhecer um novo ser que até ontem era um feto a viver num
ambiente aquático, estéril, escuro, que supria suas necessidades
automaticamente, sequer precisava respirar ou mastigar, pois era oxigenado e
alimentado pelo cordão umbilical, estava no escuro, ouvindo os batimentos
cardíacos da mãe, não sentia a gravidade e, de repente, este serzinho é
obrigado a ver a luz, respirar, mamar para não morrer de fome, ser banhado,
vestido, colocam-lhe faixas, chupetas, cheiros, produtos, fraldas, passam-lhe
de colo em colo.
Como poderíamos ser mais leves se soubéssemos desde sempre que
bebês recém-nascidos só precisam de sossego, contato pele a pele, peito,
meia luz e cochicho. Eles são, embora mini-humanos em sua perfeição física,
delicados, sensíveis, especiais, requerem cuidado redobrado, atendimento.
E, falando em atendimento, precisamos pensar que também não tem
como um bebê simplesmente mamar e dormir porque ele é dotado de mais
necessidades fisiológicas que precisam ser atendidas por outrem, pois não é
capaz de autoatendimento. Por isso um bebê não sobrevive sem um cuidador.
A necessidade de respirar, por exemplo, é autogerida, porém são os
cuidadores que precisam manter as vias aéreas livres, limpas e afastadas de
possíveis sufocamentos, enquanto a alimentação, o sono e a evacuação
precisam de mais pró-atividade dos cuidadores.
Porém, nossa sociedade ocidental, industrial e cosmopolita,
simplesmente achou por bem suprir somente a alimentação e o
descanso/sono, ignorando completamente a evacuação. Se pararmos pra
pensar, nem mais a alimentação e o sono queremos suprir.

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a) A alimentação:

A alimentação foi ferrenhamente incentivada a ser conduzida de forma


artificial, desmerecendo o leite materno e endeusando as fórmulas infantis.
Deram-nos chupetas, mamadeiras e leites artificiais como se fosse o combo
perfeito do bebê calminho e, se entrarmos no mérito dessa questão, falaremos
muito em universidades de medicina, conselhos, instituições, indústria e
interesses. Teríamos que falar sobre a sociedade em que essa mãe está
inserida, o contexto familiar e informativo, os interesses pessoais e coletivos,
precisaríamos falar também da questão estética, comercial e sexual que
envolve os seios e, invariavelmente, falaríamos de machismo, porque a
objetificação do corpo feminino pela ala masculina fez os homens pensarem
que os seios foram feitos pra eles e não para nutrirem as crias das mulheres
que as geraram.
Diante de tanta lógica física na existência das mamas e do leite materno
e de tantos estudos científicos requetebatidos que explicam tintim por tintim as
razões de amamentar exclusivamente até os 06 meses e complementando
com alimentação até “no mínimo” 02 anos.

O aleitamento materno é uma prática que existe há milhares de anos


e, como é do conhecimento de toda a população, traz benefícios
diversos, como por exemplo, nutricionais, imunológicos, cognitivos,
sociais e econômicos. Esses benefícios são melhor aproveitados
quando a criança é amamentada até os dois anos de idade, sendo
até os 6 meses indicado aleitamento exclusivo e a partir do sexto
mês, deve-se introduzir alimentos complementares (CHAVES et al.,
1
2007).

Não parece possível que ainda tenhamos tanta aderência pelos leites
artificiais e tantos desmames precoces. Dá pra entender considerando as
investidas da indústria que são muito fortes. Nossa classe médica que deveria
instruir é a primeira a disseminar o aleitamento artificial, pois existe por trás
disso muito patrocínio e desatualização, além disso, a mãe que já está sem

1
OU SEJA: introduzir alimentos complementares e manter a amamentação, e não introduzir
alimentos e romper com o aleitamento materno! A partir dos 06 meses e até os 02 anos, os
alimentos são COMPLEMENTO!!!

4
auxílio técnico capacitado, precisa encarar todas as pessoas à sua volta
dizendo que a criança chora de fome, que seu leite é (deve ser) fraco,
justamente no puerpério, quando deveria ser acolhida e incentivada, tornando-
se cada vez mais difícil de lidar com tudo isso.
Infelizmente, é a nossa realidade, não é à toa que entre 1974 e 75 a
média nacional de aleitamento materno era de apenas dois meses e meio.
Comparada entre 2006 e 2007, essa média subiu para 14 meses (Revista
Britânica The Lancet, sobre amamentação, em série especial – 2016 -
alertando a cerca dos índices mundiais de aleitamento materno exclusivo até
06 meses, que na maioria dos países nem chega a 50%) 2.
Ainda que hoje existam muitas campanhas do Ministério da saúde,
caminhamos a passos lentos para chegar aos 06 meses de aleitamento
materno exclusivo e, no mínimo 24 meses de aleitamento complementado com
alimentos conforme a recomendação da Organização Mundial da Saúde.

b) O Sono

O sono, por sua vez, foi suprido por cadeirinhas que tremem e tocam
musiquinhas, bebês chorando por horas e dias a fio até “aprenderem” (leia-se
conformarem-se) a dormir sozinhos, mães sem pegar o filho no colo pra “não
ficar baldoso”, fórmulas mágicas ditadas por livros e até programas de TV com
encantadores de sono, onde ensinam que bebezinhos devem dormir sozinhos
chorando porque assim irão se acostumar.
E essas promessas de resolver o sono dos bebês num piscar de olhos
fazem tanto sucesso, mesmo enquanto pesquisas mostram que responder às
suas necessidades torna-os mais seguros e tranquilos, deixando um
questionamento diante disso: Qual a razão de fazer com que um ser tão
pequeno durma sozinho, enquanto nem mesmo um adulto gosta de dormir só?
Bem, além das mesmas razões que levaram o aleitamento materno para
o segundo plano temos os agravantes da globalização, da vida moderna

2
http://www.brasil.gov.br/saude/2016/08/governo-lanca-campanha-sobre-amamentacao-para-
2016.

5
conectada 24 horas por dia, muita correria, muitos compromissos, pouco tempo
e a necessidade comercial de fazer um infante entender que dia é dia e noite é
noite, que deve dormir sozinho no seu quarto, porque quarto de bebê também
é um bom nicho de mercado e fazer a mãe pensar na decoração do quarto
desvia o foco do parto, mais a necessidade social de fazer uma mãe “estar
bela, recatada e do lar” no dia seguinte a uma noite mal dormida com um bebê.

C) As evacuações

Então, seguindo no raciocínio de que os bebês possuem necessidades a


serem supridas e de que são os seus cuidadores que precisam atender essas
necessidades, chegamos na evacuação e na constatação de que a nossa
“evolução” optou por simplesmente ignorar a evacuação dos bebês até que
eles possam, sozinhos, ser capazes de fazer com clareza as necessidades “no
lugar certo”. Usamos fraldas descartáveis desde o primeiro minuto de vida de
nossos bebês, todos os dias, sete dias na semana, trinta dias no mês,
ininterruptamente por dois, três, quatro e até cinco anos obrigando os bebês a
evacuarem em si mesmos e, da noite para o dia, decidimos sacar as fraldas e
dar um novo lugar para as evacuações, decidimos, que a partir daquele
momento, o lugar certo não é mais na fralda, não é mais daquele jeito que nós
os habituamos a evacuarem.
Usamos fraldas até com os bebês na praia ou piscina e junto com elas
usamos demasiadamente lenços umedecidos, pomadas antiassaduras ou pós-
assaduras, antibactericidas e fungicidas, supositórios, medicações para cólicas
e uma série de produtos que também vêm fantasiados de “soluções” para ter
um bebê “sequinho” e limpinho “por até 12 horas”.
E, afinal, quando foi que paramos de atender as necessidades
fisiológicas de evacuação dos bebês? Sim, pois não podemos pensar que
fraldas são itens indissociáveis da vida um recém-nascido. Conforme veremos
a seguir, as fraldas descartáveis chegaram de fato ao mercado apenas em
1959 e nesse curtíssimo espaço de tempo (58 míseros anos) elas tomaram
conta do dia a dia e da vida dos bebês de forma indiscriminada e sem o mínimo

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de noção ou responsabilidade, uma vez que, sequer nos questionamos para
que servem, porque usamos, do que são feitas, quais os riscos, quais as
consequências emocionais, psicológicas, físicas e econômicas de curto, médio
e longo prazos com o uso delas.
Desencadeamos, sem saber ou refletir, diversos problemas que nem
fazemos ideia de que podemos solucionar ou amenizar drasticamente de forma
absolutamente natural. Ou seja, não fazemos ideia de que podemos resolver o
choro excessivo, problemas com sono, refluxos, constipações, muitas trocas
diárias de xixi, muitas trocas diárias de cocô, irritabilidade, agressividade,
braveza, mamadas infinitas, entre muitos outros, se praticássemos a higiene
natural. Porque sim, a higiene natural resolve, em se tratando de bebês, todos
esses problemas ou pelo menos os ameniza consideravelmente.

O bebê moderno e a mãe moderna

Aderimos ao aleitamento artificial e aos utensílios que nos vendem para


o silenciamento dos bebês porque precisamos no outro dia estar com o café na
mesa, a criança limpa e alimentada no chiqueirinho, a casa arrumada, o
almoço no horário, roupas em ordem, louça lavada, sorriso no rosto,
maquiagem, asseio, vestuário apertado. Ou seja, todas essas expectativas da
sociedade sobre a maternidade, a criação e os cuidados com um bebê são
tapas na cara da recém-mãe, tudo o que não combina com a existência de um
recém-nascido dentro de casa.
Afinal, bebê precisa de colo (se não precisasse nasceria andando), de
apego, de peito, de cama compartilhada, de amamentação em livre demanda.
Bebê não precisa, aliás, simplesmente não pode dormir sozinho porque pode
ter uma morte súbita, não pode mamar na mamadeira porque isso gera
confusão de bicos e arruína a produção do leite e a amamentação. Não precisa
de chupeta porque ela entorta o céu da boca, desencadeia as “ites”, causa
dependência e também não precisa de todo o pacote bebê Nutella que vemos
por aí que mereciam ou um capítulo especial ou um livro à parte, porque é
imprescindível falar sobre essas questões.

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Não podemos em pleno ano 2017 falar em bebês sem falar nestes
assuntos, está mais do que manjado que esse atual sistema de criação é falido
e gera consequências muito negativas nas personalidades das pessoas.
Precisamos sim falar de gravidez, parto, pós-parto, puerpério, amamentação,
baby blues, criação com apego, disciplina positiva, comunicação não violenta,
instintos, naturalidade e todos os temas relacionados ao criar um mini-humano
na contemporaneidade através deste resgate às formas ancestrais de se
relacionar com os bebês de maneira muito mais empática e respeitando sua
condição peculiar de ser um bebê e, por isso, extremamente dependente até
que possa se desvencilhar de um cuidador em tempo integral.
Porém, pelas mesmas razões que os bebês tanto vêm sofrendo com as
interferências da vida moderna (falta de tempo e corrida por dinheiro) não
posso oferecer um livro sobre higiene natural e falar sobre tudo isso ao mesmo
tempo, já que o momento pede foco no tema, por isso, vou me ater, ou tentar
me ater, à higiene natural.
Uma das boas notícias que você vai encontrar nessa leitura é que “o
meu filho não” e o “meu filho só” são os mesmos bebês, porque os filhos seus
e os nossos não possuem nada de anormal ou diferente, eles simplesmente
desejam ser atendidos ao máximo em todas as suas necessidades e a prática
da higiene natural vem trazer esse atendimento e esse estreitamento de
vínculos entre pais/cuidadores e bebês.
É da necessidade de esclarecer o maior número de pessoas sobre a
Higiene Natural (HN) ou Elimination Communication (EC), uma vez que é
praticamente impossível encontrar materiais esclarecedores em português, que
surge o primeiro e-book do mundo totalmente em português sobre essa prática
ancestral que volta a ganhar voz e vez no cenário mundial.
Claro que eu não começaria um livro falando isso sem trazer para vocês
argumentos plausíveis. Então, mais do que falar sobre higiene natural eu vou
aqui explicar de forma dinâmica e concisa todas as razões físicas, emocionais,
biológicas, sensitivas, práticas e ancestrais de praticar higiene natural sem
frescuras e com muita conexão.

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A autora e a HN

Visando sintetizar minha experiência pessoal como mãe e profissional


sendo a primeira consultora de higiene natural do Brasil depois de acompanhar
centenas de bebês e estudar um bocado sobre os assuntos relacionados,
possuo firmeza no propósito de propagar a HN e com muita positividade
apresentando-a de uma forma tranquila e serena, para mostrar que não só é
possível, como é humano e natural.
A partir da minha vivência enquanto mãe gostaria de dividir que quando
descobri a Higiene Natural me pareceu uma grande loucura, algo impossível de
ser praticado. Não compreendi direito como tudo aquilo funcionava, embora
tenha ficado absolutamente curiosa.
Eu tinha uma ideia de que praticar HN demandaria muito tempo e
atenção. Desde então, não parei de ler e pesquisar sobre a tal Higiene Natural
(HN) ou Elimination Communication (EC) e quando minha filha nasceu eu tinha
literalmente em mãos a chance de colocar em prática tudo o que eu havia
estudado. Demorei, por medo e insegurança, 54 dias para iniciar a HN. De lá
pra cá minha vida se tornou falar de xixi e de cocô de bebês.
É importante contar pra vocês que eu nasci no Rio Grande do Sul, na
fronteira com a Argentina, extremo oeste do Estado, e vivi na região os meus
três primeiros setênios. Lá as famílias são “tradicionais” e a criação também.
Então todos esses assuntos que estou falando aqui são meio que tabus.
Confia-se no médico, confia-se na cesariana, confia-se na chupeta, confia-se
no deixar chorar, confia-se no berço, confia-se no castigo, enfim... Talvez por
eu ter saído de lá muito nova, abri minha mente. A meu ver, na medida em que
vamos abrindo nossa mente para determinados temas, o caminho tende a ir se
mostrando ainda mais encantador e os assuntos afins se apresentando de
maneira que se torna impossível darmos um passo à frente sem
reconhecermos as infinitas possibilidades que surgem e vão mostrando formas
mais suaves, mais plenas e mais naturais para vivemos nesta jornada terrena.
Gravidez, parto, pós-parto, amamentação, higiene natural, criação com
apego, introdução alimentar, parentalidade consciente, disciplina positiva,
alívios naturais para sintomas diversos (como dor, febre, nascimento de

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dentes), tratamentos naturais para problemas de saúde, grupos e redes de
apoio virtuais e presenciais, empreendedorismo materno, e todos esses temas
foram somados aos outros que já faziam parte da minha vida como plantio,
alimentação natural, permacultura, bioconstrução, reaproveitamento de
materiais, reciclagem, decoração, viagens, liberdade, conexão com o Divino,
feminismo e feminino, espiritualidade, reencontros, ancestralidade, etc. São
ramificações, engrenagens de uma máquina só.
Com o nascimento de minha filha Serena Paz num parto domiciliar
planejado e assistido, a página Bebê sem Fralda Brasil, as consultorias e os
grupos que participo como voluntária, moderadora, curiosa ou pitaqueira de
plantão, todo o meu universo se fez em torno dos temas que passei a conhecer
e aquilo que realmente acredito e vejo na prática, enxergo como algo a ser
propagado, pois conhecimento e coisas boas a gente tem que distribuir. Então
eu sou uma mãe moderna, rebuscando cada vez mais o conhecimento
ancestral que está arraigado em nosso DNA, tentando adequar esse resgate à
vida globalizada, fazendo uso coerente das descobertas e adaptando tudo à
minha realidade e possibilidades.
Como a ideia principal de um livro digital é que ele seja conciso e de fácil
leitura, resolvi que vou deixar essas apresentações e divagações para o livro
impresso e aqui falarei de forma didática para abordar a HN. Finalizando essa
parte introdutória gostaria de agradecer a você que chegou até aqui e dizer que
tudo o que estiver escrito neste livro é passível de contraponto e de opiniões
adversas. Para mim o mais importante sempre, seja em qual for a área da vida,
é a informação, a troca e a possibilidade de escolha consciente de posse do
conhecimento adquirido sobre determinado tema, é por isso que me proponho
a multiplicar o universo da HN diante de tantos pontos que lhe são positivos.
Ofereço este livro a todas as crianças que estão voltando para a terra
para fazerem o resgate do amor e a limpeza da natureza, a todos os povos de
todas as linhas, origens e descendências, a todas as falanges do bem e da
cura, aos espíritos guias e Orixás que me regem, guardam e protegem, minha
mãe Iemanjá, aos povos da lua, da floresta, do vento, das águas, a todas as
mães angustiadas com seus bebês, aos pais em conexão e, especialmente, ao
Pai José, que me confirmou esta belíssima e pura missão, a quem eu prometi
que seu nome aqui estaria. Vamos lá!

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SUMÁRIO
1 Fraldas – O que são, para que servem e do que são feitas? ............. 12
1.1 Por que usamos fraldas em nossos bebês? ................................... 15
1.2 Malefícios do uso contínuo de fraldas ............................................. 18
1.3 Impacto ambiental do consumo desenfreado de fraldas. ................ 25
1.4 Impacto financeiro das fraldas ........................................................ 26
2 O que é Higiene Natural .................................................................... 30
2.1 Por que praticar HN ........................................................................ 43
2.2 Como praticar HN ........................................................................... 45
3 O que não é HN ................................................................................. 50
4 Vantagens de praticar HN .................................................................. 53
4.1 Qual a idade ideal para começar a praticar HN?............................. 59
5 HN x Desfralde .................................................................................. 62
5.1 Desfralde ........................................................................................ 62
5.2 HN no desfralde. ............................................................................. 68
6 HN e verão ........................................................................................ 70
7 HN e Introdução Alimentar ................................................................. 72
8 Posições corretas e ambiente oportuno ............................................. 75
9 Creche e HN ...................................................................................... 78
9.1 A HN parcial ................................................................................... 80
10 O pai e a HN .................................................................................... 82
11 Regressões ..................................................................................... 84
12 HN Noturna ...................................................................................... 85
12.1 Problemas com o sono ................................................................. 88
13 Refluxo e HN ................................................................................... 91
14 Irritabilidade, agressividade, teimosia .............................................. 95
15 Após o xixi e o cocô ......................................................................... 97
16 Xixi, cocô e pum .............................................................................100
17 HN e Amamentação .......................................................................102
17.1 Dias sem fazer cocô em AME é normal? .....................................108
18 O que as mães dizem .....................................................................113
19 O que os profissionais atualizados dizem: ......................................117
20 Conclusão.......................................................................................119
1 Fraldas – O que são, para que servem e do que são feitas?

Os bebês se pudessem, assim como filhotinhos de cachorros ou coelhos


ou gatos ou ratinhos, sairiam da caminha, fariam xixi e cocô e voltariam se
arrastando para o ninho, antes disso, suas mamães mamíferas comem suas
fezes até que eles possam se locomover e não se vê nenhum desses filhotes
em contato com os próprios excrementos.
Infelizmente os nossos bebês humanos dependem de nós e, nós, só
porque não queremos nos sujar ou resolver de forma antecipada,
simplesmente optamos por silenciar, ignorar e nem contestar a forma de
evacuação deles, os fraldamos e resolvemos a caca só depois de feita,
explodida, depois que eles já ficaram em contato, que sujou tudo o que podia,
quando, apenas nos caberia facilitar esse processo de evacuação, usando as
fraldas de forma amigável e para possíveis escapes e não como único meio de
resolução para as evacuações, obrigando nossos bebês a fazerem suas
necessidades em si por toda sua vidinha.
Nessa hora sempre tem quem diga que não é rata, nem gata, nem
coelha pra catar cocô de filhote e que as fraldas estão aí para ajudar e blá blá
blá. Esquecem que somos mamíferos, que viemos de uma linhagem muito
antiga e que possuímos uma fisiologia e uma anatomia que nos permite, ou
melhor, que nos exige que façamos o mínimo esperado para a nossa espécie,
como é o caso da mulher que pode gerar, parir e amamentar e o caso dos
bebês que vão evacuar melhor de cócoras.
Ainda na comparação com os mamíferos, que não ficam sujos de cocô,
se observarmos os bebês índios eles também não estão. Os bebês chineses,
os bebês de comunidades isoladas, os bebês de famílias praticantes de
Higiene Natural pelo mundo todo que optaram pelo movimento zero fraldas.
Nesse sentido, é importante pensar que o homem tem cerca de 400 mil
anos, as fraldas de pano têm registros há pelo menos 200/300 anos e as
descartáveis surgiram somente em 1940, mas só chegaram ao mercado em
1959. Sendo assim, qual a verdadeira memória no DNA humano a respeito da
sua evacuação de xixi e cocô se a fralda se tornou item indissociável de um
enxoval há pouquíssimo tempo?

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 Considerando as fraldas de pano: 400.000 - 300 = 399.700.
São trezentos e noventa e nove mil e setecentos anos sem fraldas.
 Considerando as fraldas descartáveis: 2017 - 1959 = 58.
São cinquenta e oito anos (apenas) com fraldas.

O homem (e o mini-homem) por toda a sua vida evacuou de cócoras e


nunca teve como hoje tantos problemas de constipações e reincidências de
infecções do trato urinário que são afecções surgidas junto com as fraldas de
algodão que antes eram usadas por dias e apenas secas ao sol ou em
chaminés.
Povos de diferentes lugares inventaram diferentes formas de se livrar
dos escapes das evacuações dos bebês, mas eles sempre praticaram Higiene
Natural com os filhos desde recém-nascidos. Os armênios, por exemplo,
usavam um pedaço de pano recheado de fina areia, os nativos americanos
utilizavam um recheio de pasto e capim em peles de coelhos, os esquimós
utilizavam pedaços de peles de diversos animais recheadas com musgos e as
comunidades iam encontrando ao seu modo formas de driblarem os escapes
de xixi e cocô dos bebês.
Há registros de que na 2ª Guerra Mundial surgiu um serviço de lavagem
de fraldas de pano para as mães que trabalhavam na confecção de tanques,
aviões e armamentos. Justamente em função da guerra e da escassez do
algodão, nos anos 40 surgiu na Suécia aquilo que foi considerada a primeira
fralda descartável do mundo, enquanto nos Estados Unidos, a ama Marion
Donavon utilizando restos de cortinas de banheiro deu origem ao primeiro
protótipo de capas impermeáveis para as convencionais de pano.
Em 1947 o primeiro modelo industrializado era recheado com até 20
folhas finas de papel e em 1950 surgiram os absorventes femininos com a
mesma tecnologia, mas usar estes artigos representava uma vida de luxo,
poucas pessoas privilegiadas de poucos países tinham acesso a esses
produtos, somente em 1959 surgiu a primeira fralda pampers, criada por um
avô designer da empresa P&G, que pensava no conforto do netinho.
As fraldas só foram introduzidas no mercado na década de 60 e elas
sequer vinham com fitas adesivas, mas já eram recheadas por fibras de
celulose. Eram fraldas grandes, pesadas, grossas. Nos anos 70 novas

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indústrias entraram no mercado das fraldas e pela concorrência os preços
caíram, atingindo enfim a população dos EUA, da Europa, do Japão e da
América Latina, enquanto aqui no Brasil, especificamente, fralda ainda era
artigo supérfluo e utilizado em ocasiões como idas ao médico e aniversários ou
viagens.
Foi quando as fraldas ganharam adesivos, maior absorção, qualidade
noturna, elásticos e muitas melhorias cumuladas com o excesso de produtos
químicos e críticas de muitos pediatras e ortopedistas pelo risco de
deformidade dos ossinhos dos bebês. Nos anos 80 já com novo design e
liberdade para as perninhas, as queixas vieram de ecologistas pelos malefícios
à natureza uma vez que uma única fralda descartável pode levar até 500 anos
para sua decomposição.
Daí pra frente descobriu-se o gel SAP (polímero poliacrilato de sódio –
derivado do acrílico/petróleo - cancerígeno), as fraldas diminuíram de tamanho,
espessura, peso e aumentaram ainda mais a capacidade de absorção,
concomitantemente aumentando os índices de dermatites das áreas das
fraldas e de riscos que sequer são mencionados como o de cegueira e câncer
pelo contato com ingredientes hoje utilizados na produção das fraldas
descartáveis como é o caso do SAP.
O mínimo e ético esperado é que os fabricantes alertassem os usuários
os riscos do contato com esses ingredientes, não é verdade? Que pai ou mãe
em sã consciência usaria em seu bebê um utensílio que, pode causar alergias,
irritações, dermatites, fungos, assaduras e até cegueira? Pois é, mas o
interesse da indústria não é o de ser sincera e preocupada com os nossos
filhos e sim o de lucrar mais e mais e mais com a nossa submissão aos
produtos que ela nos impõe.

14
1.1 Por que usamos fraldas em nossos bebês?

A maioria dos pais, quando questionados por que usam fraldas em seus
filhos, responde que é para que os bebês não se sujem, pois eles não sabem
pedir para usar o banheiro. No entanto, as fraldas são advento da
modernidade, criadas para que os pais não se sujem. Elas servem para que
seja possível ignorar, esquecer, anular e silenciar a necessidade de evacuação
dos bebês. Porém, é socialmente construído que as fraldas são maravilhosas e
quanto mais secas ficam, melhores são, quando, na verdade, quanto maior a
capacidade de absorção, maior é o número de químicos utilizados.
De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) de 2008 o uso de fraldas descartáveis se dava em apenas 27% das
crianças de 0 a 30 meses. Em 2013, segundo a Abihpec (Associação Brasileira
da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) o mercado nacional
das fraldas cresceu cerca de 70%, totalizando US$ 2,4 bilhões de dólares,
registrando um crescimento superior ao da America Latina e do Mundo (50% e
30%, respectivamente). Hoje, o Brasil ocupa o ranking de terceiro lugar mundial
no consumo de fraldas descartáveis.
Os hábitos de consumo estão se sofisticando após melhorias nas
condições de vida dos brasileiros. Ainda, comparando os dados anteriores, por
causa da facilidade de acesso, entre 2013 e 2016 o consumo das fraldas
descartáveis cresceu em 14%, mas os ganhos da indústria representaram um
aumento de 29% porque as famílias passaram a pagar mais pelo produto,
focando nos benefícios3.

3
http://oglobo.globo.com/economia/com-aumento-da-renda-brasil-ja-o-terceiro-maior-
consumidor-de-fralda- descartavel-do-mundo-14151637

15
Neandertal

Como vivemos agora?


Como vivíamos antes?
Precisamos confiar na nossa própria espécie. Nossos instintos e
emoções já possuem 400mil anos de experiência e, por lógica, nossos filhos
herdam todo esse conhecimento intrínseco em seus DNAs. Assim como no
mundo animal, especialmente no que diz respeito aos mamíferos, os filhotes e
bebês nascem com um instinto de não "sujar o ninho” ou a si próprios.
Não pensem que é à toa que justamente na hora em que um bebê é
mudado/trocado, acontece aquele escape "com gosto" com direito a sujar
cama, parede, tapete, mãe, tudo. Parece que aquele recém-nascido 'espera'
para uma mudança de fraldas e, em seguida, faz xixi e/ou cocô por toda a
parte.
Não parece não! Ele realmente espera!
Como assim?
Exatamente! É importante sempre lembrar e relembrar que os bebês não
possuem controle esfincteriano de retenção, mas são capazes de relaxar os
esfíncteres. Dada a oportunidade e antes que tenham aprendido alguma coisa
diferente, os bebês gostam de ter seus traseirinhos livres ao ar fresco. Daí a
possibilidade real de praticar a Higiene Natural com bebês de alguns dias. Pois,
quando sentem vontade de evacuar, instintivamente têm vontade de se
comunicar (e a posição de troca de fraldas é perfeita para isso) e seus
minúsculos músculos do assoalho pélvico preferem posições que facilitem o
relaxamento. Acreditem nosso esfíncter anal funciona perfeitamente desde que
nascemos.
Além disso, não é de hoje o conhecimento de que os bebês têm suas
maneiras de se comunicar com os cuidadores, como por exemplo, quando
sentem fome, sede, sono, etc. Inclusive já foram desvendados seus sons e o
que eles querem dizer.
Rapidamente os bebês aprendem a associar seus sentimentos com a
própria ação e função corporal com a consequente reação dos seus
cuidadores. Não para fazer manha, longe disso, mas para ter suas

16
necessidades atendidas, o que permite que eles distingam os diferentes
sentimentos que possuem e a consequente reação dos seus cuidadores que
por sua vez agem de forma consistente e adequada a cada dia mais. Então, se
eles estão com fome são alimentados, se eles estão cansados são colocados
para dormir e se eles precisam "ir ao banheiro" quando ainda não caminham e
sequer sabem para que sirva um banheiro, precisarão de ajuda para isso
também.
Muitos bebês que são criados com a prática da Higiene Natural só
precisam ser colocados na posição correta após a observação dos sinais de
evacuação, e logo virá um xixi ou cocô - mesmo com algumas semanas de
vida.
Da mesma maneira, bebês que sempre usam fraldas desenvolvem uma
associação muito forte entre a fralda e a ação. Quer dizer, suas necessidades
fisiológicas e suas ações naturais sobre elas são substituídas por reação
alguma e desimportância com posição, liberdade ou comunicação. E assim
conhecemos inúmeros relatos de pais que sofrem no processo de desfralde,
com camas molhadas, escapes diários, incontinências e ou constipações, etc.
Então, nossa sociedade criou as fraldas como uma maneira dos pais
manterem-se limpos e aprimorou a técnica até chegar às fraldas que
conhecemos hoje, que levam em média 500 anos para decompor e são feitas
com a utilização de diversos produtos químicos. Não havendo questionamentos
sobre a real necessidade ou razão de tudo ir à fralda, porém, havendo um
consentimento e um consenso de que as fraldas são práticas e de que não é
possível criar um bebê sem elas.
Nossa ideia atual de recém-nascido é de um ser em miniatura usando
fraldas e isso se estende até os dois ou três anos de idade, mas é preciso
estarmos ligados na ideia natural, metabólica, histórica, relativa à própria
espécie humana. Pois, diante dos auto boicotes que o homo sapiens teima em
reproduzir na busca pela modernização da vida, pode demorar um pouco para
"desaprender" a memória recente, e "reaprender" a memória ancestral, vinda lá
do nosso parente Neandertal, mas esse resgate só traz benefícios à criação de
um bebê.

17
1.2 Malefícios do uso contínuo de fraldas

 Desconforto;
Como podemos achar normal que nossos bebezinhos tão lindinhos e
fofinhos usem fraldas o tempo todo? Nós mulheres não suportamos o
absorvente por 5, 7 ou 9 dias. Os homens usam cueca o mínimo
possível. Estamos a cada dia nos libertando de tantas amarras nas
vestimentas, desenvolvendo tecidos cada vez mais leves e versáteis na
tentativa de sermos minimamente livres e, ainda assim, continuamos
“obrigando” nossos bebês a viverem constantemente de fraldinha. Pra
completar apertamos o máximo que podemos com medo de que as
evacuações vazem.

 Bactérias e fungos:
Pelas mesmas razões que a pele do bebê se sujeita às assaduras, ela
se sujeita aos fungos e bactérias. Os fungos se apresentam de forma
persistente, como se fosse assadura, mas suas bordas são irregulares e
a região fica muito vermelha e irritada, com micro bolinhas, não sarando
com as tradicionais pomadas antiassaduras.
Os fungos gostam de lugares quentes e úmidos. Uma assadura simples
é uma porta de proliferação para os fungos, que existem por si só em
nossa pele. Se, por exemplo, uma pessoa usar sapatos fechados 24
horas por dia, 7 dias na semana, 30 dias no mês, ininterruptamente por
2, 3 ou 4 anos, com certeza terá uma proliferação de fungos ou micoses
nos pés. É isso o que fazemos com os bebês, deixando a área das
fraldas abafadas todos os dias, por anos.
Já no caso das bactérias, feridinhas purulentas aparecem, estouram e
vão migrando pela região, muitas vezes indo até as perninhas e meio
das costas dos bebês. Dificilmente vão sarar somente com pomadas e
acaba se tornando necessária uma intervenção com o uso de
antibióticos.

18
 Assaduras;
É logicamente impossível que um local que fica constantemente
fechado, abafado, escuro e úmido seja saudável. O corpo humano
embora muito adaptável, não é capaz de defender-se nessas situações,
especialmente em se tratando de um bebê, que tem a pele tão sensível.
Além disso, por diversas razões o cocozinho fica bem ácido, o xixi bem
forte e isso juntamente com a fricção ocasionada com as fraldas,
desencadeiam um ciclo interminável de assaduras na região que fica
abafada, especialmente nas dobrinhas. Além disso, utilizamos
demasiadamente lenços umedecidos industrializados ou algodões
úmidos e gastamos cada vez mais com pomadas para assaduras
enquanto impelimos nossos babys a estarem expostos aos compostos
que estão nas fórmulas dessas pomadas nunca os libertando das fraldas
que são justamente o fator desencadeante das assaduras.

 Infertilidade masculina e câncer nos testículos


Uma das causas de infertilidade e câncer nos testículos, segundo
cientistas alemães da universidade de Kiel, é o uso de fraldas
descartáveis. Em pesquisa foram monitorados os sacos escrotais de 48
meninos considerados saudáveis, que em alguns momentos utilizavam
fraldas descartáveis, em outros, fraldas de pano. A constatação é de que
o uso de fraldas descartáveis eleva em 1ºC a temperatura dos
saquinhos dos garotos, o que explica o aumento de casos de
infertilidade masculina, pois na Alemanha mesmo, o número de homens
inférteis aumentou 25% junto com o aparecimento do câncer de
testículos e demais danos no aparelho reprodutor masculino nos 25
anos anteriores à pesquisa. O fato é que 1ºC é um aumento
considerável de temperatura para os testículos dos meninos, pois tão
logo a temperatura ambiente dessa região é fator crucial no
desenvolvimento dos órgãos sexuais e da saúde e capacidade de
“fabricação” dos espermas, afinal, o saco escrotal tem justamente entre
suas funções diminuir a temperatura do local em relação ao resto do

19
corpo, para melhor armazenagem dos espermas. Inclusive, esquentar
as bolas já foi muito utilizado como método contraceptivo masculino 4.

 Pele não respira;


Se não suportamos o fato de termos que usar absorvente por uma
semana, porque a sensação é muito desconfortável e o abafamento é
ruim demais, fazemos isso com nossos bebês sem o exercício de nos
colocarmos no lugar deles, não é culpa nossa, somos condicionadas a
isso. Por isso o questionamento é sempre bem-vindo, é assim que
vamos aos poucos resgatando velhas formas de criação, desacreditando
as modernas. Enfim, não é possível que a pele do bebê respire dentro
das fraldas, sejam elas de pano ou descartáveis, especialmente se
estiverem com xixi ou cocô. Além da não respiração, a bundinha do
bebê fica em contato constante com as próprias fezes, na menina suja a
vulvinha e a entrada do canal vaginal e nos meninos as bolinhas e
pintinho, sendo também constante porta aberta para infecções urinárias
em ambos.

 Pisada errada (perna entreaberta);


Quando o bebê aprende a caminhar, ele não estará em sua anatomia
natural, porque entre as pernas terá um objeto que não permite que as
perninhas fiquem exatamente retas. Essa foi uma das primeiras críticas
recebidas pelas fraldas descartáveis e por mais anatômicas que elas
sejam o esforço dos pés e das pernas será bem diferente do esforço que
seria feito para caminhar sem as fraldas. A pisada do bebê, já nos seus
primeiros passos, não será com os pés espalmados no chão e sim
lateralmente posicionados. As pernas também, invariavelmente ficam
entreabertas, arqueadas. Por mais maleáveis que sejam as fraldas, usá-

4
O estudo pode ser encontrado em Archives of Desease in Childhood. Matéria em
português: http://www.bbc.co.uk/portuguese/omundohoje/omh00092513.htm. Matéria em
alemão: http://zeit.de/1999/11/199911.windeln_.ml

20
las nunca será melhor do que não usá-las pelo menos durante os
treinamentos de postura em pé e caminhadas.

 Cólicas;
Os recém-nascidos apresentam até mais ou menos os três primeiros
meses a famigerada “cólica”. É comum o pensamento de que por ser um
bebê, vai ter cólica. Trocam-se dicas de posições, massagens,
bicicletinha, bolsa quente, remedinhos e todo o tipo de solução que
parece tiro e queda para acabar de vez com ela. Muitas vezes ela passa
mesmo com essas alternativas, mas, ela volta. A danada da cólica
parece que nunca vai embora. Um dos conselhos que faz mais sentido é
o empático: "-É normal, vai passar". Já o argumento mais "científico" é
de que: "-O intestino do bebê é imaturo e cólicas são inevitáveis". E o
conselho do tipo de mãe pra mãe é sempre o de restringir determinados
alimentos da dieta da lactante. As cólicas são definidas pelo choro
excessivo e inconsolável do bebê, cara feia, gritos, desconforto
intestinal, inquietude, pernas elaboradas contra o abdômen,
sobrancelhas franzidas, abdômen distendido, bebê se arqueando para
trás, eliminação de gases, choro após alimentação, dificuldade de
defecar ou constipações, estufamento e gases, que geram
consequências negativas para o bebê e seus cuidadores porque esse
choro excessivo pode se apresentar em escaladas tais que aumentam
os níveis de estresse das pessoas que o escutam, especialmente se
ocorrer durante a noite, gerando privação de sono dos cuidadores e a
consequência disso pode ser o comportamento abusivo dos pais,
aumentando o risco de síndrome do bebê sacudido e de depressão pós-
parto entre outras patologias derivadas do estresse.

 Falta de consciência corporal;


A Falta de consciência se dá por uma questão bem fácil de
compreender, uma vez que a criança sente vontade de urinar ou defecar
e não sabe que sente, ela habitua-se a realizá-lo em si mesma sem

21
adquirir percepção de que aquilo que está sentindo é essa necessidade
fisiológica, pois nunca é atendida. Falarei mais sobre isso nas vantagens
da prática de Higiene Natural mais a frente.

 Muitos xixis:
Reiterando sempre: o bebê não possui controle esfincteriano de
retenção ou travamento, esses movimentos só acontecem
involuntariamente. Porém, eles possuem capacidade física e neurológica
de liberar ou relaxar os esfíncteres. Outro detalhe neste sentido, é que a
bexiguinha do bebê possui micro folículos ou sensores que emitem
sinais ao cérebro para que ele dê o comando aos ureteres para levarem
a urina para a uretra quando as comportas ainda não atingiram a
capacidade máxima, por isso os bebês fazem muitos xixis pequenos
várias vezes ao dia. Somado a isso com o uso das fraldas o bebê
precisa fazer xixi nele mesmo, de forma que molha e, num primeiro
momento aquece e no segundo momento esfria aquela superfície que
ele veste (fralda descartável ou de pano). Então, mais ou menos como
acontece com o cocô, o xixi acaba saindo em prestações, porque, além
do fato da bexiga enviar os comandos de esvaziamento antes de atingir
a capacidade máxima, o bebê libera um pouco de xixi e
involuntariamente segura o restante, fazendo disso um ciclo sem fim de
xixis eternos. Muito comum mães falando “meu filho faz xixi a cada 20
minutos”, bom, não é o seu filho, são todos os bebês fraldados.

 Falta de padrão de evacuação;


É por tudo o que foi dito que não é possível prever um padrão de
evacuação do bebê, porque ele está sendo impedido, totalmente
atrapalhado pelas fraldas e isso faz com que os xixis e os cocôs sejam
sempre surpresa. Quer ver: pensa na família inteira depois de horas,
pronta pra um evento, e o bebê fofíssimo, lindíssimo, vestido como um
mini-adulto, de repente: “Cataploft” é aquele cocô explosivo! Ou
chegando na pracinha, na mesa do restaurante, naquela saidinha que a

22
gente só vai ali na esquina e já volta! Vem com merda até no pescoço
(do bebê e nosso). Enquanto temos um bebê que tem hora pra dormir e
hora para comer, temos um bebê que faz xixis e cocôs imprevisíveis
tudo por culpa das fraldas.

 Cocô imprevisto;
O uso de fraldas não permite um padrão nas evacuações dos bebês,
então, não é possível prever quando o bebê vai evacuar. Isso significa
que ter um bebê que usa fraldas é ter cocô sempre em qualquer
situação. Formatura, casamento, dentro do ônibus, na praia, no médico,
no elevador, no trânsito, no tapete da sala, no colo da visita, qualquer
lugar, pense numa situação inusitada e pense no bebê todo cagado.
Fora o fato de que o cocô é imprevisto, costuma ser explosivo, daqueles
que vazam por todos os lados.

 Cocô durante as refeições, mamadas, sono, banho, troca;


Um dos critérios para esse “fenômeno” do cocô durante as refeições ou
mamadas é o fato de que o que entra por cima tem que sair por baixo.
Assim, ao passo que o bebê vai se alimentando, o alimento que já foi
processado segue o rumo em direção ao reto. Além disso, as
refeições/mamadas são para o bebê um momento de relaxamento total
e de atenção total dos cuidadores. Melhor ocasião impossível para soltar
o esfíncter e liberar as fezes que já estão no reto ou acabaram de
chegar lá. Os cocôs durante o sono e o banho seguem o mesmo
princípio de relaxamento total. Muitas vezes o bebê passou o dia em
situações de micro estresse, fazendo de tudo para comunicar sobre o
cocô, os cuidadores passaram o dia sem entender o que afinal aquele
bebê tinha que resmungava tanto e “ufa dormiu”, daí, “Ploft”, cocô na
fralda de madrugada! Essas situações proporcionam relaxamento, a
posição ideal para a evacuação e a atenção direta de um cuidador.

23
 Constipações;
O uso das fraldas não permite que o bebê evacue tudo o que contém no
seu reto, haja vista que a fralda funciona como um tampão. Para
compararmos, pensemos num bebê precisando vomitar e estando com
uma chupeta colada na boca? Seria impossível. No máximo vazaria um
pouco de vômito pelos cantinhos. É o que acontece com o cocô na
fralda. Essa situação provoca um travamento instintivo nos bebês.
Precisamos sempre pensar que eles não possuem controle esfincteriano
de segurar/reter, mas possuem capacidade de liberar/soltar. Por isso,
instintivamente o bebê sabe que não consegue fazer cocô daquela
forma, se comunica como pode, mas não é compreendido nem atendido,
então ele mantém os esfíncteres acuados, pressionados, no aguardo da
melhor situação para relaxar e liberar. É a razão da constipação por
dias. Claro, a alimentação balanceada da mãe lactante e do bebê que já
come também é fator importante na liberação das fezes.

 Cocô em prestações;
Se o bebê não fica trancadinho ele pode, ao contrário, ficar fazendo
vários cocôs por dia, pois é fisicamente impossível que todo o cocô que
o bebê tem pra fazer saia de uma única vez com as fraldas. Ao
contrário, naturalmente passa a ser feito em prestações porque quando
o esfíncter enfim relaxa ele libera o “máximo” de cocô que pode e esse
“máximo” é bloqueado pelas fraldas. Simples assim. Dessa forma, o
travamento do ânus é natural, instintivo, defensivo e simplesmente o
bebê segura de forma inconsciente o restante do cocô para outra
ocasião em que se sinta relaxado e livre novamente. Isso não acontece
de forma consciente já que ele não possui controle esfincteriano.

24
1.3 Impacto ambiental do consumo desenfreado de fraldas.

Uma única fralda leva em média 500 anos para se decompor. Um único
recém-nascido pode usar entre 8 a 12 fraldas em um só dia. Esse número de
consumo varia muito por diversas razões, como fatores econômicos ou sociais
e idade dos bebês que conforme crescem usam menos fraldas. Há famílias que
para economizar deixam o bebê com a mesma fralda por horas quando estiver
suja “só de xixi”. De qualquer forma, os bebês estão sendo fraldados até no
mínimo 2,6 (30 meses) ou 03 anos (36 meses).
No Brasil em 2014 nasceram 2,9 milhões de bebês representando 2,5%
a mais de nascimentos do que o ano anterior, e todas as regiões brasileiras
apresentaram aumento no número de nascimentos como é possível conferir no
gráfico a seguir:

Imagem: Registros de nascimentos no Brasil entre 2013 e 2014:

Fonte: Portal Brasil (2015)5.

Estima-se que um bebê vá utilizar 6.000 fraldas descartáveis que


equivalem a quase uma tonelada de lixo não reciclável contaminando os
aterros sanitários e parando nos rios e mananciais, poluindo encostas,
trancando bueiros, liberando seus químicos, etc.

5
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/brasil-erradica-sub-registro-civil-de-
nascimento.

25
Tudo isso sem considerar todo o ciclo de vida do produto desde a linha
de produção, partindo da extração do petróleo e madeira que conforme já
falamos compõem as fraldas descartáveis, passando por toda a linha produtiva,
depois para o transporte, armazenamento, vendas, uso e descarte – que
segundo a legislação é também responsabilidade da indústria (Lei 12.305/10)6.
Ainda que a escolha seja pelo uso das fraldas de pano que é a minha
recomendação, um único bebê precisará de pelo menos 20 fraldinhas de pano
e o dobro de absorventes, considerando que praticamente todo santo dia será
dia de lavar fraldinhas e que há um excessivo gasto de água para sua
produção e para seu uso, especialmente no que diz respeito às fraldas sujas de
cocô, são milhares de litros de água que um único bebê vai gastar até o
desfralde completo.

1.4 Impacto financeiro das fraldas

 Gasto excessivo: fraldas, produtos, lencinhos, pomadas:


O uso de fraldas não vem sozinho, ele é cumulado ao uso de diversos
outros produtos, inclusive medicamentos. São lenços umedecidos,
algodões e pomadas de diversos preços todos com custo agregado à
qualidade e uma relação de dependência com os consumidores que é
uma característica deste mercado da primeira infância. A demanda das
fraldas é cada vez mais crescente o que estimula a concorrência do
setor. Nos últimos 20 anos o preço médio de uma única fralda caiu de
US$ 1 (um dólar) por fralda para US$ 0,10 (dez centavos de dólar). Os
Estados Unidos são o primeiro país que mais consome fraldas
descartáveis totalizando US$4,4 bilhões de dólares por ano, enquanto a
China é segundo país que mais consome fraldas descartáveis em todo o
mundo, totalizando vendas de US$4 bilhões de dólares e o nosso
querido Brasil é país que lhes segue, ocupando o terceiro lugar no

6
BRASIL. Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12305.htm

26
ranking de maior consumidor de fraldas descartáveis do mundo com
volume de vendas de US$2,4 bilhões de dólares7.

 Nordeste brasileiro:
O volume de vendas cresceu 33% em valores e 13,6% em volume, e há
uma estimativa de aumento mais significativo no volume de valores, já
que o preço médio nacional em 2016 era de R$15,34 (quinze reais e
trinta e quatro centavos) contra R$11,78 (onze reais e setenta e outro
centavos) do nordeste. As fraldas Huggies, da empresa Kimberley-Clark,
representam 40% dos negócios da companhia que cresceu dois dígitos
em dois anos. Em 2015 a empresa inaugurou uma fábrica na cidade de
Camaçari na Bahia com um projeto de investimento de R$100 milhões
de reais, sendo 60% destinado à fabricação de fraldas. A Basf que é
uma indústria de insumos acrílicos fez o seu sexto complexo acrílico do
mundo e o primeiro da América do Sul, com investimento de € 500
milhões de euros, sendo vizinha desta fábrica da Kimberley-Clark em
Camaçari, comprovando o forte investimento industrial no ramo, pois
fabrica a matéria prima necessária à fabricação das Fraldas
Descartáveis que era 100% importada pelo Brasil, barateando ainda
mais o produto no país.8

 Crescimento do setor:
A indústria vem reforçando os investimentos na produção, na inovação e
na capacidade/tecnologia do produto. A P&G, por exemplo, está
ampliando seu parque fabril com investimentos de R$ 1 bilhão de reais,
dobrando de tamanho as áreas construídas em sua fábrica na cidade de
Louveira-SP. As fraldas Pampers são o carro chefe da P&G, e reduziram
consideravelmente as vendas nas linhas Supersec e Premium Care, que
são as mais caras, em contraponto aumentou quase o dobro das vendas

7
http://oglobo.globo.com/economia/com-aumento-da-renda-brasil-ja-o-terceiro-maior-consumi
dor-de-fralda-descartavel-do-mundo-14151637.
8
Ib. Idem.

27
na sua linha intermediária, a Total Comfort, permitindo uma boa noção
de mercado e condições da clientela, na relação custo-benefício,
prefere-se a fralda intermediária da melhor marca. As fraldas da
Hypermarcas (Pom Pom – Disney Cremer – Sapeca: top, intermediária e
básica, respectivamente) representam um terço dos lucros da empresa
que atua no ramo de cosméticos em geral e tem fábrica em Goiás, tendo
recentemente reorganizado e investido em sua sede pra economizar em
logística e transporte. Outro setor antenado no mercado familiar é o de
celulose, que lucra mais conforme o aumento de renda da população,
que por sua vez investe mais em produtos de higiene. A empresa
Eldorado Brasil, por exemplo, destina 45% da sua produção para a
confecção dos papéis tissues, que são ultra-absorventes usados na
produção de papéis finos, lenços, papel higiênico de folhas duplas e
representam a maior demanda do mundo para o mercado da celulose.
As matérias primas para a confecção de papéis tissues e de fraldas tem
um aumento de 10 a 12% ao ano no país9.

 Acesso à informação e melhor poder aquisitivo:


À medida que a renda aumenta e as condições de vida melhoram, a
família brasileira opta por gastar mais em fraldas e em papéis de uso
higiênico e esses produtos de categoria econômica aos poucos vão
perdendo a representatividade no mercado. A nova classe média investe
mais para consumir produtos de melhor qualidade, isso impulsiona a
indústria a iludir o consumidor com a ideia de que se ele pagar mais terá
melhor benefício. Tudo porque o consumidor está mais exigente e tem a
possibilidade de comparar preços e marcas, escolhendo sempre pelo
melhor custo benefício já que se trata do bumbum do seu bebezinho.
Além disso, as propagandas sempre em horário nobre visam reforçar a
ideia de qualidade das fraldas mais caras (que são as que justamente
podem pagar por propagandas neste horário). Ou seja, a economia
familiar é diretamente envolvida, sendo o gasto mensal direcionado ao

9
http://oglobo.globo.com/economia/com-aumento-da-renda-brasil-ja-o-terceiro-maior-consumi
dor-de-fralda-descartavel-do-mundo-14151637.

28
uso de FD em média de R$135/150 reais e a indústria monopolista
diretamente beneficiada, com lucro anual maior que US$2,4 Bi de
dólares, será que é pertinente para essa indústria, te dizer que o uso de
fraldas é dispensável ou reduzível?

Um bebê utilizará pelo menos 01 pacote de fraldas de R$45/R$50 a


cada 10 dias, o que significa R$135/R$150-mês, considerando no mínimo dois
anos (24m) são R$3.2/3.6 mil. Esses dados são flutuantes, pois uma única
unidade de fralda descartável pode custar entre R$0,40 e R$1,20. 10
Não há dúvidas que esse tópico tem muito ainda pra render, contudo,
por não ser o foco desde livro, fica apenas como alerta para que possamos
compreender que a indústria visa o lucro e todo o resto é desimportante. É por
isso que um consumidor fiel, mensal, anual e contínuo interessa muito, mas o
desgaste ambiental, a saúde deste consumidor, a economia familiar ou o bem-
estar (físico ou psicológico) dos bebês não está em posição de igualdade ao
fator lucrar a qualquer custo, porque esse é um mercado real que cresce
absurdamente à custa do sacrifício dos nossos bebês, dos pais, das finanças
familiares e da natureza também.

10
Pesquisa de mercado feita pela autora. Faça você mesmo, em uma farmácia ou mercado
compare o preço da fralda mais barata com a mais cara, dividindo o valor do pacote pelo
número de fraldas a saber o valor unitário.

29
2 O que é Higiene Natural

A Comunicação de Eliminação (Elimination Communication) ou Higiene


Natural é uma prática tradicional de ajudar os bebês a satisfazerem suas
necessidades fisiológicas de eliminação. Fácil entender quando vamos um
pouco antes das máquinas de lavar roupas, antes das fraldas descartáveis,
antes do tecido quando, não há muito tempo, este tipo de prática era comum
em todos os lugares, muito diferente de hoje em dia em que é quase uma
habilidade esquecida no mundo ocidental - embora para a maioria da
população do mundo ainda é um modo de vida.
A HN e bebês sem fraldas é de fato uma coisa absolutamente natural. Não
é, mas nos parece algo novo, e quando alguma coisa nova nos é apresentada
tendemos a ser cautelosos. Contudo, se pararmos pra pensar, podemos
entender que "novas" são as fraldas, afinal, as descartáveis possuem menos
de 100 anos e as de pano ou soluções em tecido, aproximadamente 200/300
anos.
O que é esse tempo contra todo o tempo da humanidade? Alguns estudos
dizem que o Homo Sapiens tem entre 400 e 100 mil anos. O Australopithecus,
4 milhões de anos, o Homo habilis 2,3 milhões de anos e o Homo Erectus 1,5
milhão de anos. Algumas teorias aumentam ou diminuem esse tempo. Seja
qual for a teoria certa, torna-se lógico que o corpo humano contém
conhecimentos muito mais antigos do que o uso de fraldas, não é mesmo?
A Higiene Natural permite situações absolutamente bem sucedidas, com
resultados altamente positivos para pais/cuidadores e bebês, para a natureza e
a economia familiar, fazendo com que a curiosidade sobre o tema só aumente.
Isso, nada mais é do que um resgate aos nossos conhecimentos ancestrais.
HN não é moda, não é novidade, não é coisa de um grupo isolado de pessoas,
não é bobagem nem é achismo.
HN é, simplesmente, como seu nome diz: "NATURAL".
Estamos há tempos defendendo:
** Uma gestação natural - livre de medicações e balanceada com hábitos
naturais e alimentação natural;

30
** Um parto natural - livre de intervenções desnecessárias, não
medicalizado e ao seu tempo;
** Um pós-parto natural - respeitando a lua de leite, o novo ambiente para
mãe e bebê, a ativação da rede de apoio, o respeito ao puerpério;
** Uma amamentação natural - com respaldo, livre de mamadeiras,
chupetas e leites artificiais;
** Uma criação natural - com apego, com colo, com disciplina positiva, com
carinho, com compreensão do universo infantil.
E as perguntas que ficam são:
Porque cargas d'água não possibilitamos uma evacuação natural para os
nossos bebês?
Porque, afinal, temos tanta resistência para abrir a mente, o coração e a
fralda para a higiene natural?

Ao perguntar, já respondo!
Faltam-nos informações!
Mas, cá entre nós, não é verdade que sobre a gestação, o parto, o pós-
parto e a amamentação também nos faltam informações? Aliás, nos sobram
informações erradas.
E o que nós fazemos, então?
Corremos atrás, nos unimos e buscamos por conta própria as fontes, aí,
encontramos outras mulheres, famílias e profissionais no mesmo caminho,
assim, nos fortalecemos trocando ideias, dicas, artigos, dados, entramos em
grupos, seguimos páginas e vamos caminhando em direção àquilo que
realmente queremos, uma maternagem consciente.
Contudo, de fato, sobre HN não temos muitas opções. Alguns poucos
grupos no face, pessoas com apenas a experiência pessoal para trocar, raros
artigos para ler e essa mãe que vos escreve através da página do Facebook
Bebê sem Fralda Brasil, sendo, no país, pioneira no empoderamento familiar
em massa sobre HN e pioneira na consultoria também.
Sabemos que na página é possível encontrar não apenas a experiência
pessoal, mas experiência profissional (são centenas de bebês acompanhados
em não fralde e desfralde), artigos de qualidade, links, estudos, dicas, macetes,

31
truques, informações precisas, imagens, vídeos, relatos e muita
disponibilidade.
Poucos são os estudos científicos sobre HN e ainda tem gente insistindo
por estudos. É difícil acreditar que o simples fato de seu bebê não ficar mais
em contato com as próprias fezes ainda não seja suficiente. Não posso
acreditar que o fato do seu bebê guiar o próprio desfralde com consciência
corporal, não seja o suficiente!
É quase impossível encontrar estudos sobre HN especificamente, alguns
outros com temas relacionados – como urologia e psicologia infantis - que nos
permitem concluir por dedução, porém, infelizmente a academia não está
disposta a estudar o que é natural. E, não é verdade que assim o é com todas
as esferas que aqui estamos falando?
Quantos autores vocês conhecem que estão falando sobre a gravidez, o
parto, o pós-parto, a amamentação e a criação? Por que eles estão se
tornando autoridade no assunto? Por que eles são "mal quistos" pelas
respectivas classes? Por que os médicos humanizados estão tendo seus
registros caçados?
Amigos, porque, infelizmente, a indústria farmacêutica, a indústria médica e
a mecanização humana pularam por cima de nós e por conta da nossa
abertura, ganharam força e domínio sobre os seres humanos. É contra isso
que lutamos, não é mesmo? E essa luta representa a quebra de um sistema
institucionalizado que move muito, muito dinheiro e o poder de classes
dominantes.
É preciso lembrar que a porta só abre por dentro. Por isso não falamos
com fala mansa. Por isso somos diretos. Por isso vamos ao ponto! Se abrirem
a porta é porque se interessam para o que temos a falar.
É claro que ofende quando você lê que seu filho é um portador de cocô,
que fica em contato com as próprias fezes e urina, mas ele fica em contato.
Assim como ofende quando precisamos dizer que cesariana é cirurgia de
médio porte para a extração fetal, mas está lá no dicionário este significado.
Como ofende ao dizermos que é preciso colocar a lata de leite artificial e a
chupeta no lixo quando o bebê nasce, mas está lá na embalagem desses
produtos: “O Ministério da Saúde adverte: a criança que mama no peito não
necessita de mamadeira, bico ou chupeta. O uso de mamadeira, bico ou

32
chupeta prejudica a amamentação e seu uso prolongado prejudica a dentição e
a fala da criança”.
E também ofende se pedirmos para os familiares e amigos não nos
visitarem no pós-parto, mas são as atuais recomendações para o sucesso do
aleitamento imediato.
Como agride muitas pessoas um bebê no sling bem agarradinho e não no
carrinho, mas é a forma de respeitar a anatomia de um bebê e sua
exterogestação.
Da mesma forma que choca a notícia de que um bebê dorme com os pais
e não sozinho, mas já se comprovou que isso reduz os riscos de morte súbita
na primeira infância.
Entre muitas outras coisas que nós sabemos muito bem como é!
Sabemos o quanto choca e gera polêmica, repulsa, olhares tortos e
desencadeia inimizades familiares. Também sabemos que são escolhas, mas
que para serem escolhas livres devem ser escolhas conscientes, pois não nos
tornam melhores nem piores que os pais tradicionais, nos tornam apenas
donos de nossas opções de criação e suas consequências.
Já está mais do que na hora de retomarmos o poder do nosso eu natural.
Por isso, é importante pensarmos que foi com covardia que nos tiraram o poder
de sermos inteiros e naturais e que é com ousadia que vamos resgatar esse
poder.
Nem que para isso algumas pessoas se ofendam com fotos de bebês no
penico, de fotos com penicos cheios de cocô e xixi. Nem para isso precisemos
dizer que os bebês estão portando as próprias fezes, por instantes que seja.
Porque, afinal de contas, nada disso é natural. Higiene Natural sim é, e é vida,
é fácil, é tranquilo!
HN se apresenta como solução para cólicas, refluxo, perturbações no sono,
constipações fecais, muitas eliminações diárias, assaduras, fungos,
desconfortos, choros excessivos "sem razão", entre muitos outros problemas.
Bebê que pratica HN é bebê feliz, aliviado. Praticar HN é HUMANIZAR a
EVACUAÇÃO dos nossos bebês.
Parece difícil, parece loucura, mas parir e amamentar não parecem?
Na higiene natural os bebês podem usar fraldas como qualquer bebê, a
diferença é que os pais e cuidadores, ao perceberem que o bebê pretende

33
evacuar, podendo, disponibilizam a melhor maneira/posição/forma, sem a
fraldinha, em posição fisiológica, de cócoras, com bastante tranquilidade e
relaxamento, tornando este ato parte da rotina, compreendendo o bebê como
um universo complexo que depende de um responsável para atender suas
demandas.
Não faz sentido atender a necessidade do sono e necessidade da fome de
um filho e ignorar por completo o xixi e o cocô, para passar a prestar atenção
nestas duas necessidades somente quando a criança já estiver com 2 ou 3
anos, sendo que eles nos dão nítidos sinais de que precisam evacuar, tal qual
dão sinais de fome e de sono desde o nascimento.

 Identificação dos sinais de evacuação do bebê:


Essa é a parte mais delicada da HN porque os sinais de evacuação são
muitos e cada fase que o bebê vive traz consigo o seus sinais. Porém,
existem os sinais individuais e os universais também. A grande sacada é
que os pais não esperem sinais óbvios, tipo, cara feia pra cocô e cara de
surpresa pra xixi, longe disso, é preciso se ligar nas sutilezas dos
comportamentos dos bebês.

 Sinais universais de cocô: bebê fica vermelho, solta gases, se espreme,


faz força, som de pigarro, tem cólicas, se arqueia pra trás durante a
mamada, faz biquinho.

 Sinais imperceptíveis de cocô: irritabilidade, ansiedade, choro excessivo,


cólicas, agitação, insônia, nervosismo, bebê se arqueando ou com
espasmos abdominais, agressividade, gritinhos, concentração, teimosia.

 Sinais universais de xixi: acordar do sono profundo ou soneca (aconteça


o que acontecer, bebê acorda e faz xixi), mexer demasiadamente mãos
e pernas, se mamar no peito: solta-peito-pega-peito um milhão de vezes,
ou pegar o peito forte com a boca enquanto empurra a mãe com mãos e
pés ou, ainda, trocar de peito sem fim, morder o seio, dar tapa, mamar

34
infinito (chupeitada). Se o bebê toma mamadeira, recusa a mamadeira,
se arqueia pra trás, chora na mamada.

 Sinais imperceptíveis de xixi: bebê que só quer colo, não aceita ficar no
sling, não se rende ao sono, choroso, irritadiço, ansioso, quando já come
vira a cara pra comida ou empurra a comida com a língua, chorinhos,
gritos.

Entre muitos outros sinais, mas partindo destes citados já é garantia de


captação de muitos xixis e cocôs. Cada fase do desenvolvimento apresenta um
sinal. Porém, é um assunto muito subjetivo e que vale maior aprofundamento,
por isso falarei dos sinais e suas alterações conforme as fases do bebê
somente no livro impresso.

 Facilitação da evacuação;
A HN facilita a evacuação do xixi porque o bebê se encontrará em uma
posição que lhe permitirá o relaxamento perineal e esfincteriano e a
consequente liberação do xixi todo, e do cocô especialmente, porque ela
proporciona ao bebê duas vantagens sem igual a primeira é igualmente
o que ocorre com o xixi, o esfíncter estará relaxado, a segunda é de
facilitar o ângulo anorretal que se define como:

O ângulo formado por uma reta que passa pelo eixo do canal anal e
outra que passa pela parede posterior do reto. Em indivíduos
normais, espera-se que durante a contenção fecal o ângulo anorretal
fique agudo e na evacuação fique obtuso, uma vez que nesta última
fase espera-se observar uma retificação do reto e do canal anal, com
11
o objetivo de facilitar a eliminação das fezes .

11
SOBRADO, C. W, et. al. Videodefecografia: aspectos técnicos atuais. Trabalho realizado
na Disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia do Departamento de
Gastroenterologia e no Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), SP, 2004. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sciarttext&pid=S0100-39842004000400012#nota.

35
Imagem x: À esquerda o Ângulo anorretal normalmente, à direita, em defecação.

Fonte: Incontinência Fecal: Abordagem Passo A Passo (RIBEIRO, 2013)12.

Ou seja, quando colocamos o bebê em cócoras para fazer o seu


cocozinho, já podemos lembrar a própria palavra “coco(ras)”, e da
necessidade que o corpo humano tem de estar em posição fisiológica
para enfim liberar de forma livre e desimpedida as fezes que estão
“retidas” no “reto”. Inclusive os adultos deveriam evacuar nessa posição,
e por não fazerem desta forma desencadeiam diversos problemas como
constipações fecais, incontinências fecais, hemorroidas entre outras
fissuras e dificuldades de evacuação. Para facilitar a posição, é possível
usar um banquinho em frente ao vaso sanitário para tentar pelo menos
amenizar o ângulo de 90 graus e deixar o corpo em um ângulo de 45
graus (em “V”).

12
RIBEIRO, F. S. L. Incontinência Fecal: Abordagem Passo a Passo. Dissertação de
Mestrado Integrado em Medicina submetida no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.
Artigo de Revisão Bibliográfica. Universidade do Porto, Portugal, 2013. Disponível em:
https://sigarra.up.pt/ffup/pt/pub_geral.show_file?pi_gdoc_id=596456.

36
 Conexão entre bebês e pais/cuidadores:
Essa sem dúvida é a maior e melhor vantagem da HN. Eu poderia
escrever um livro inteirinho somente pra falar da conexão que essa
prática permite. O estreitamento do vínculo é ainda mais intenso, existe
uma conversação entre o bebê e os cuidadores. É um botãozinho que se
liga dentro da percepção do cuidador ao mesmo tempo em que o bebê
ganha consciência corporal. Verdadeiramente mágico. Só quem pratica
pode falar. Não significa que os pais que não pratiquem HN sejam
desconectados dos seus bebês, não falo isso, significa que os que
praticarem experimentarão uma frequência energética de conexão com
seus bebês sem igual. Os cuidadores sabem quando um bebê sente ou
logo vai sentir fome. Sabem quando o bebê logo vai sentir sono,
conhecem seus padrões, seus horários. É por isso que não faz sentido
algum que os cuidadores ignorem por completo a necessidade de
evacuação dos bebês. No fundo, no fundo, todo cuidador (íntimo) sabe.
E todo bebê tem que ter um cuidador direto, ainda que seja mais de um
cuidador, o cuidado é contínuo e, portanto, um adulto que cuida
continuamente de um bebê sabe por A + B quando este bebê precisa
comer ou dormir e saberá, se ficar atento, se ligar os fatos, observar os
padrões, conhecer os comportamentos e compreender quando, afinal, é
hora de fazer xixi ou cocô. Isto é incrível! Desta forma, como há
atendimento a todas as demandas do bebê, ele e o cuidador ficam
inteiramente conectados.

 Bem-estar para o bebê;


Imagine que você não precisa ficar em contato com sua urina e seu cocô
nem por um minuto! Está bem, não sejamos tão otimistas. Faz de conta
que a família vai conseguir pegar apenas um cocô por semana! Isto não
seria bom? Se o bebê fizer dez xixis no dia e pegarmos dois, será
maravilhoso. Se forem três cocôs e um deles eu captar, é um cocô a
menos em contato com o meu bebê. Sempre vai ser mais gostoso, mais
limpo, mais rápido. O bebê se sente atendido, acolhido. Assim como
quando ele sente fome e ganha seu mamazinho, ele sente vontade de

37
fazer xixi e ganha posição e liberdade suficientes pra isso. É indubitável
que um bebê que não tem contato com as próprias fezes, vive em
melhor bem-estar do que um bebê que todo santo dia fica com o cocô na
bundinha. Além disso, amenizam-se os sinais/sintomas pré cocô que
geram bastante estresse na criança.

 Cocô com horário:


Essa é mais uma das principais vantagens da prática da HN. A
regularização do organismo do bebê, pois os cocôs passam a ser feitos
sempre no mesmo horário ou período e, portanto, seu organismo passa
a funcionar como um reloginho, literalmente. E isso dá para a família
uma margem de previsibilidade muito boa, é possível até programar
horário de saída conforme o ritual “cocozístico” do bebê! Por exemplo,
se meu filho costuma fazer cocô sempre após o café da manhã, eu não
vou marcar médico neste horário, da mesma forma que eu evitaria
marcar às 14h se este for o horário sagradinho da soneca dele. Isso não
quer dizer que exceções não existam, mas um mínimo de rotina que um
bebê segue, mantém tudo nos conformes. Praticamente todos os bebês
recém-nascidos fazem cocô assim que acordam. É a hora perfeita para
começar a prática da HN. Assim, com o tempo, o bebê consegue
evacuar tudo de uma vez só. Ainda que faça cocô duas a três vezes por
dia, o cocô sai de forma sincronizada, inteiro. Religiosamente será da
mesma maneira. Está aí uma coisa pra falar, muitas pessoas acham que
praticar HN é impossível ou extremamente trabalhoso porque não se
pode prever quando o bebê vai fazer cocô e porque bebês fazem cocô o
tempo todo. E isso não é verdade, ou melhor, isso é consequência do
uso de fraldas. Conforme mencionei antes, é impossível eliminar todo o
cocô estando de fraldas e mal posicionado, por isso o bebê evacua em
prestações da forma que consegue ir liberando suas fezes. Já na prática
da HN o cocô sai de uma vez só: “-Pluft!”... Pronto! Cocô no penico,
criança sequinha, limpinha, vida continua até o próximo cocô que a
gente já sabe quando vem. Um RN até três ou quatro meses, por
exemplo, faz um cocozinho em jatos explosivos, dois a três jatinhos,

38
simultâneos ou com pouco tempo entre um e outro. Um bebê em
Introdução Alimentar faz cocô sempre que comer e uma criança de um
ano fará um único cocô no dia, sempre no mesmo horário ou período.

 Xixis maiores e em maiores intervalos;


É muito esclarecedor um trecho do livro de Ingrid Bauer13 que foi uma
das precursoras no processo de nomear a Elimination Communication,
em seu livro “Sans couches c’est la Liberté!” (2006), sobre a questão da
fisiologia da eliminação dos bebês, no que tange ao xixi especialmente,
por isso transcrevo a seguir uma tradução livre retirada do livro:

Pensamos que a necessidade de fazer xixi está atrelada ao fato da


bexiga estar cheia, contudo, a bexiga não é simplesmente um
contentor que cheio transborda e provoca a micção. Tanto em adultos
saudáveis quanto em crianças, é uma dilatação progressiva da
bexiga que estimula os receptores de estiramento, gerando vontade
de fazer xixi. A primeira vontade de urinar vem quando a bexiga
atinge a metade de sua capacidade máxima, por isso, é preciso
entender a bexiga como um “dispositivo” inteligente no corpo,
sabendo que sua dilatação só é desagradável quando esse volume
triplica. Desta forma, assim como sentimos vontade de urinar antes
de atingirmos a capacidade máxima da bexiga, também podemos
eliminar essa urina assim que tivermos vontade.
Uma vez que estamos com a urina acumulada, as paredes da bexiga
começam a esticar e estimular um reflexo involuntário e o esfíncter
interno da uretra relaxa levando a urina até o esfíncter externo, que
por sua vez é composto por um músculo estirado que pode ser
controlado conscientemente (voluntariamente). Nesse ponto,
tomamos a decisão consciente de urinar, relaxando o esfíncter
externo da uretra que libera a urina. Os bebês têm essa mesma
capacidade de relaxar o esfíncter externo consciente e
voluntariamente para liberar a urina acumulada. Eles rapidamente
aprendem a associar esse relaxamento com um som sugestivo ou
uma postura familiar. Este mecanismo é a base para a Comunicação
da Eliminação (EC) (BAUER, 2006).

Neste sentido, um dos benefícios de médio prazo com a prática da HN é


o fato de que o bebê compreende que tem necessidade de urinar, mas,
no começo ele faz muitos xixis em pequenos intervalos e com o tempo,
passa a fazer poucos xixis em maiores intervalos, pois a capacidade de
13
Ingrid Bauer escreve e regularmente dá palestras sobre parentalidade consciente, saúde,
vida, comunicação natural e não violenta. "Sem fraldas, a liberdade!" É seu primeiro livro.
Ingrid estudou literatura, mas para ela, seu treinamento real vem da vida real: viajar ao redor do
mundo, nascimento e apoio aos filhos, vida na natureza, escrita, relações nutritivas com os
outros e viver com sua família em uma ilha na costa oeste de British Columbia, Canadá.

39
suportar a bexiga enchendo é maior. Quando são recém-nascidos, antes
mesmo que a bexiguinha atinja a capacidade máxima, eles já sentem
necessidade de evacuar, mas com o tempo de prática esse padrão
muda e o bebe fará seus xixis em ocasiões pré-determinadas, assim
como uma criança maior ou um adulto.

 Economia;
Não economizamos apenas em fraldas, mas em produtos e tempo
também. Por incrível que pareça, economizamos tempo porque com a
prática da HN o processo de ofertar o xixi e o cocô ao bebê se torna tão
automático e rotineiro que o fazemos rapidamente. Além disso, o cocô
não gera sujeira no corpo do bebê e por esta razão o tempo de limpeza
é, pelo menos, 50% mais rápido do que seria se o cocô tivesse ficado
em contato com a pele do bebê. A mesma razão para o xixi. Xixi feito
fora da fralda muitas vezes nem precisa de limpeza, já é limpo, papel
higiênico também é invenção moderna, mas só o papel pra absorver o
excesso ou um lencinho, já é o suficiente, no caso do cocô, lavando com
água e sabonete neutro na pia garante a tranquilidade do bebê. É por
isso que economizamos também lencinhos, pomadas e todos os outros
produtos que justamente gastamos se usarmos continuamente fraldas e
se nossos bebês estiverem em contato com as próprias fezes. Como o
xixi (ou a maioria deles) e os cocôs são feitos no penico, acabam-se
todos os problemas e os gastos relativos.

 Ecologia;
Diante de tudo o que já foi falado no sentido comercial, industrial e dos
danos que uma única fralda causa ao meio ambiente, não há dúvidas
também que com a prática da HN uma criança vai usar menos fraldas e
por menor tempo, gerando menos resíduos e menor impacto ambiental.
Fraldas descartáveis (FD) são uma ameaça ao meio ambiente, uma vez
que da produção ao descarte há uso de uma quantidade absurda de
água e de energia. Para serem produzidas, muitas árvores são

40
derrubadas que embora recurso renovável, estamos longe de plantar
uma árvore para cada uma que matamos e ainda tem os derivados de
petróleo, recurso que além de não-renovável gera guerras, exploração
humana e inúmeras mortes por todo o mundo. Compostas externamente
por polietileno sintético - derivado de petróleo – e internamente
poliacrilato de sódio e papel, a estimativa é que uma só criança gere por
apenas UM ANO o descarte pelo menos 130 quilos de plástico
(contando as embalagens), e 200 a 400 quilos de papel, sendo que em
dois anos, estima-se que um bebê utilize 6mil FD, dobrando o número
de quilos de lixo (mal) descartado. Neste ponto, entrando na seara do
descarte, essa incontável quantidade de fraldas vai parar no lixo comum
e aterros sanitários, sendo elas sozinhas responsáveis por 2 a 5% de
cada lixão que existe no país. Mais triste é saber que o tempo de
decomposição é de 400 a 600 anos (não há precisão) e que nosso país
sequer tem coleta, descarte e reciclagem correta dos resíduos (estamos
muito longe disso). A única usina de reciclagem de produtos
descartáveis está localizada na Inglaterra, a 165 km de Londres em
West Bromwich e transforma fraldas infantis e geriátricas e os
absorventes femininos em capacetes de ciclistas e telhas.
Alternativamente às FD estão de volta as fraldas de pano (FP),
ganhando uma boa aderência nas famílias conscientes. Recomendo
fortemente o uso delas na prática da HN, pois raramente haverá cocô na
fralda o que facilita demais o uso e a lavagem economizando tempo e
produtos. Porém, fora o fato de que há preconceito com seu uso e
muitas famílias acreditem que o meio ambiente em que seus bebês irão
viver não compense o tempo desprendido para a manutenção das FP,
há grande resistência em seu uso porque o desconhecimento faz muita
gente acreditar que elas não são higiênicas nem seguras, além de
também demandarem gasto excessivo de energia, água e produtos para
que fiquem limpas. Ainda assim, as FP causam menores danos ao meio
ambiente. Por tudo isso, a HN se apresenta como melhor e mais
ecológica alternativa às evacuações dos bebês.

41
 Resgate a um conhecimento ancestral;
Mesmo num mundo globalizado, cada vez mais as pessoas estão em
busca daquilo que é natural e desmedicalizado ou desindustrializado,
isso porque, simplesmente, já chegamos num patamar em que seguir
como estamos não dá mais. A cada dia surgem novas doenças e novas
“curas”, porém, com um pouquinho de pesquisa ou abertura da mente,
saberemos que ambas, doença e cura, são criadas pela indústria. Está
aí a Bayer que comprou a Monsanto para nos provar na prática esse
raciocínio. Também por causa da globalização e da descentralização
humana, onde se esvai a conexão com o eu Divino, puro e natural, que
podemos concluir que esse sistema moderno em que vivemos não tem
nos levado a lugar algum se não às cirurgias desnecessárias,
intervenções médicas, alopatização da vida e, é por isso que o resgate
aos conhecimentos ancestrais vai ganhando vez e voz no cenário social.
É na sabedoria ancestral que mora a cura do corpo, da mente, do
espírito e do perespírito e a prática da HN entra justamente neste
contexto, a proporcionar um (re) conhecimento daquilo que em verdade
sempre fez parte da vida humana, a conexão e a naturalidade do ser
com suas necessidades fisiológicas.

 Consciência corporal;
A HN favorece ao bebê consciência de eliminação desde o nascimento e
esta sensibilidade é desenvolvida com o reconhecimento de sensações
internas do corpo somados ao relaxamento dos músculos para libertar
voluntariamente a urina ou as fezes permitindo, portanto, que o bebê
tenha desde cedo consciência de que as sensações sutis que sente
indicam que a bexiga ou o reto estão cheios. Assim, o bebê pode avisar
seus pais ou os pais podem (devem) antecipar essa necessidade
utilizando um calendário ou a intuição para ajudá-lo. Quando um
cuidador segura o bebê sobre um recipiente e emite um som familiar, por
exemplo, “shiiiiiiii”, em seguida a criança relaxa e libera voluntariamente
a urina se sua bexiga estiver cheia e ele estiver desconfortável. Ao bebê
consiste em reconhecer, relaxar e soltar. A capacidade de soltar é

42
diferente da capacidade de contrair e segurar ou reter, mas ambos são
necessários para a continência completa, no entanto, a prática da HN é
muito diferente das técnicas de controle esfincteriano, sequer visa esse
controle. Mais tarde, quando de fato os músculos pélvicos estiverem
reforçados e ele desenvolver o controle consciente dos esfíncteres, aí
sim o bebê será capaz, se necessário, de conter e reter grandes
quantidades de urina por mais tempo. Esse amadurecimento
esfincteriano é feito de forma gradual, como consequência natural e
inevitável, sem a atenção ou esforço especial que o desfralde tradicional
exige. Por isso a HN gera uma grande consciência corporal no bebê e
um forte estreitamento do vínculo emocional e físico das pessoas que
praticam esse aprendizado com ele que será revertido em comunicação
muito antes da criança falar.

2.1 Por que praticar HN

Após tudo o que já foi falado, importa saber que na higiene natural
quando a gente vê o bebê fazendo força não finge que não vê. Ao contrário
antecipa-se a ele. Não se deve ignorar e obrigar a criança a defecar em si.
Atende-se a necessidade fisiológica de evacuação, tirando a fralda e o
segurando em posição de cócoras, assim ele evacua rapidinho sem sujeira
alguma, nem mesmo precisa de kit higiene pra depois. Só um papelzinho ou
lencinho em caso de xixi e água com sabonete no caso de cocô (sempre que
possível) e o melhor, coloca-se a mesma fralda de antes limpinha e cheirosa,
exatamente como o bebê fica (além de limpo: feliz). Higiene natural é vida,
vocês deveriam tentar!
Pratica-se HN especialmente porque xixi e cocô são necessidades
fisiológicas tais quais fome, sono, frio, sede, respiração. O corpo do bebê pede,
ele sinaliza de uma forma ou de outra, cabe aos pais e cuidadores atender
esse pedido. Tanto o corpo quanto a anatomia, a fisiologia e a biologia dos
bebês é exatamente igual ao adulto (aparelhos respiratório, excretório, etc.).

43
Entretanto, sabemos que no mundo da humanização todos querem
comprovação científica dos benefícios de determinados procedimentos,
ignorando que muitos deles se traduzem pela lógica natural dos fatos. Um
exemplo disso é a posição para o parto, onde sabidamente a litotomia (mulher
deitada de barriga pra cima) não ajuda em nada a fisiologia humana, enquanto
as posições verticalizadas (em pé, cócoras, banqueta, de quatro, etc.), em
comunhão com a gravidade, são potencializadoras para um bom parto.
Bem, seguindo neste raciocínio, nem precisaríamos de evidências
científicas para um melhor entendimento e aceitação de que parir deitada não é
legal e que as mulheres DEVEM ter LIBERDADE para parir nas posições que
bem entenderem e se sentirem confortáveis, seguras e relaxadas. Com a
higiene natural tem sido assim, muitas pessoas esperam ler evidências
científicas sobre benefícios ou comprovação da prática, mas, basta pararmos
para pensar um pouco e passaremos a entender que obrigar nossos bebês a
evacuarem na fralda, deitados, sentados ou em pé, em nada pode ser positivo
à criança e à lógica natural das coisas.
Os motivos são vários, um deles é o ângulo anorretal, que já mencionei
acima, ou seja, estamos falando do canal anal do ser humano e da
musculatura esfincteriana que tem a ação inibida enquanto o indivíduo tenta
defecar em posição errônea, o que inclusive pode levar à constipação fecal.
Errônea é qualquer posição que não seja em cócoras.
Precisamos considerar que o esfíncter anal externo relaxa (deve relaxar)
para que ocorra a defecação normal, e isso ocorre (deve ocorrer) por conta da
pressão intra-abdominal que aumenta e acaba por impelir as fezes em direção
ao reto.
É justamente a imposição das pernas contra a barriga (em direção à
barriga, não quer dizer que seja pra dobrar o bebê ao meio e apertar a barriga
com as pernas) que realiza o trabalho de colocar o canal anal na posição
correta para a evacuação e ainda contribui com a "força natural" necessária
para o cumprimento desta missão tão importante para o nosso corpo: A
evacuação! Em outras palavras, estamos a vida toda evacuando errado, desde
quando nascemos somos impedidos de fazer cocô na posição correta e as
consequências disso são inúmeros problemas de pequeno, médio e longo
prazos, relacionados às más evacuações, pois, mal posicionados acabamos

44
por contrair os esfíncteres anais acarretando no estreitamento do ângulo
anorretal e automática pressão errônea no canal anal.
O que leva ao entendimento de que todos nós deveríamos fazer cocô de
cócoras. Para isso, muitos médicos e fisioterapeutas sérios e atualizados já
indicam que adaptemos um banquinho frente ao vaso sanitário para que
elevemos as pernas e assim possamos evacuar da forma correta. Neste
sentido, importa saber que em busca de tratamento, as maiores queixas dos
pacientes são de dor ao defecar, evacuação parcelada e esforço excessivo.
Dito isto, com uma breve análise desta questão, podemos compreender que a
forma e a posição correta são meio caminho andado para um eficaz
atendimento às nossas necessidades fisiológicas de eliminação.
Sobre esta questão já existem muitos estudos. O que vale ter em mente
agora é que se pratica HN no intuito de permitir que nossos bebês evacuem de
forma a se sentirem confortáveis, seguros e relaxados.
O mundo da HN é encantador e nada mais é do que o retorno aos
nossos conhecimentos ancestrais e o respeito à fisiologia humana,
comungados com maior e melhor conexão com nossos bebês que, por sua
vez, ao terem suas necessidades de evacuação atendidas, tornam-se mais
tranquilos, limpos, seguros, confortáveis e livres de infecções do trato urinário,
assaduras, desconfortos, constipação, fezes parceladas, cólicas, dentre muitas
outras turbulências relacionadas ao xixi e ao cocô. Sem contar nas vantagens
paralelas, como alívio para o nosso bolso e para a mãe natureza.

2.2 Como praticar HN

Requisitos: Querer, observar, sentir, facilitar; posição correta,


comunicação, tranquilidade.

 Querer:
O querer vem primeiro, obviamente, não há como tomar nenhuma
atitude pró-ativa na vida sem a força motriz do ser humano que é a

45
vontade. Os pais e cuidadores precisam se informar conhecer o método
minimamente compreendendo suas razões e então, querendo, darão os
primeiros passos rumo à efetividade da prática da HN, que, afinal, é uma
prática porque somente praticando será possível internalizar e realizar o
processo de forma natural.

 Observar:
Quando eu digo que é preciso observar eu não estou falando pra ficar
24h/dia colado na criança sem fazer mais nada da vida. “-Ah, tem que
ter tempo!” Já me disseram tantas vezes. E um bebê não demanda
tempo? E não temos que observar tudo o que um bebê sente, vive,
precisa? Bem, a observação consiste apenas em ligar as anteninhas da
percepção, atentar, querer saber se por acaso aquele serzinho, dentre
as necessidades que pode estar sentindo, não poderia estar querendo
fazer xixi ou cocô? Simples assim! Reconhecer que não é apenas a
fome e o sono que o bebê sente.

 Sentir:
O sentir é ainda mais legal que o observar porque ele está no coração,
ele está na glândula timo, ele está no elo mãe/bebê. É mais simples do
que pensamos. Infelizmente, neste mundo globalizado, acelerado e
desligado, sentir que um bebê precisa evacuar parece mesmo coisa de
louco, mas não é. Porque afinal, uma mãe sente quando seu bebê quer
dormir ou comer e com a observação ela passa a sentir quando ele quer
evacuar também. Colocou a atenção, estará sentindo. “-Ah, mas eu não
sinto!” Calma, já ligou as anteninhas? Já observou? Um passo de cada
vez.

 Facilitar:
A facilitação da evacuação é também muito simples. Claro que parece
uma coisa impossível, pois como já falei, existe uma falsa ideia de que o

46
bebê evacua o tempo todo, como se fosse um balão furado e isso não é
verdade. A facilitação da evacuação pode e deve ocorrer somente
quando for possível, viável e, para isso, os pais e cuidadores devem
estar atentos aos sinais do bebê, achando assim, na situação em que se
encontrarem as formas de facilitar este processo fisiológico. “-Ah, mas
na rua como faço?” Faz como faria se tivesse uma criança de quatro
anos desfraldada. Busca os meios e as alternativas como o local mais
adequado (olha ao redor, procura um cantinho, um meio fio, um
banheiro, um matinho, o pé de uma árvore, que seja) para facilitar a
evacuação limpa e digna para o bebê. Tirando a fralda, ou pelo menos
soltando um pouco, abrindo o body, deixando o bebê verticalizado,
flexionando as perninhas, etc. Não existem fórmulas mágicas e cada
caso é um caso. Na rua será de um jeito, em casa de outro, num evento
de outro, na estrada de outro, o segredo é facilitar.

 Posição correta:
Há pouco falamos sobre a posição em “V”, que é o ângulo que o bebê
fará com suas perninhas, que deverá formar 45º, o que estará
proporcionando ao períneo o relaxamento, ao ângulo anorretal a
viabilidade de liberação eficaz do cocô e ao xixi, também, sua melhor
saída. Uma posição adequada no momento da evacuação fará toda a
diferença para o sucesso da HN. Porém, não adianta o bebê estar em
“V” e se sentindo inseguro, falarei melhor sobre isso em seguida.

 Comunicação:
Chegamos ao ponto: a comunicação de eliminação (Elimination
Communication). Não é uma conversa formal e anterior ao cocô, claro
que há a comunicação anterior ao posicionamento, como comunicar ao
bebê o que se está fazendo com ele, só que estou me referindo à
comunicação para a “autorização”, a liberação das necessidades, o
comando de voz. É após a percepção, o posicionamento e o
relaxamento que será hora de dizer: “-Faz xixi filho, shiiiiiiiiii”, ”-Faz cocô,

47
bruuuuuuu, ram ram (som de pigarro). É da associação dos sons ao
movimento corporal que o bebê relaxa os esfíncteres e forma consciente
e vai ganhando cada vez mais consciência corporal.

 Tranquilidade:
Bom, aqui também precisamos focar. A HN não combina com
nervosismo ou ansiedade. Não condiz com pressa nem com nada que
não seja tranquilo e sereno. A tranquilidade deve ser passada pelos pais
ou cuidadores através da respiração, da postura, da firmeza. Já
imaginaram uma mãe amamentando um bebezinho e ao mesmo tempo
estando enervada pensando que queria estar na balada? Ou porque tem
que lavar a louça e as roupas? Tudo bem, a mente da gente muitas
vezes não está focada no momento presente e isso vai refletir
diretamente no insucesso da missão. Assim é com a HN, se o cuidador
após observar, sentir, facilitar, colocar na posição correta e comunicar
não estiver tranquilo: “-Não vai rolar!”. Sabem por quê? Porque o bebê é
um ser anos luz mais sensitivo que nós e ele vem cru, dotado de sexto
sentido, de intencionalidade, de vibração. E se, na necessidade de
evacuar não sentir que o cuidador que o segura está tranquilo, por
causa do instinto de sobrevivência, irá natural e inconscientemente
travar o esfíncter. Ou seja, tranquilidade é sim um pré-requisito para a
prática da HN.

Aproveitando o gancho, importa lembrar que Higiene Natural e


ansiedade NÃO COMBINAM. Percebo que a maioria dos pais que começam a
praticar HN - especialmente as mães - sofre com a ansiedade de fazer tudo
certinho, por querer saber de cara os sinais de evacuação e se frustram
quando não os percebem!
Entendam: Nós sabemos praticar HN, porque esse conhecimento está
no nosso DNA e nossos bebês sabem ainda mais que nós, para eles, a partir

48
do momento que começamos, torna-se muito fácil se comunicarem, porque
eles simplesmente nascem crus, com todo o conhecimento biológico e, o
melhor, diferentemente de nós, que atuamos com o neocórtex cerebral e
insistimos em usar a mente ou a coerência social, anulando nossa humanidade
nua e crua.
Infelizmente, nossa sociedade não é coerente em nada e a humanidade
tornou-se robótica e industrializada, fazendo com que nossos conhecimentos
ancestrais e intuitivos sejam anulados e silenciados! É o que vemos com
relação ao parto e a amamentação, não é mesmo?
Se o mundo inteiro diz que nosso leite é fraco, o que nos faz amamentar,
se não a vontade genuína de fazê-lo? É assim com a HN, somente a vontade
genuína e a entrega desprovida de lógica que vai fazer com que liguemos as
anteninhas do instinto selvagem que carregamos em nosso DNA.
Em resumo, continuem. Não liguem para os pitacos ou ofensas ou
olhares tortos. Não liguem para os xixis que perderem, satisfaçam-se com os
xixis captados. Não se frustrem com os cocôs que não pegaram, alegrem-se
com os cocôs que conseguirem pegar! Não pensem no futuro ("ah e quando for
pra rua", "e quando tiver diarreia", "e quando estivermos fora de casa", "e se",
"e só", "mas"... esqueçam isso), preocupem-se com o momento presente!
Cada evacuação que vocês pegarem é uma conquista e um cadinho de
consciência corporal que darão aos seus bebês ao mesmo tempo em que
vocês ganham a consciência instintiva de perceber o que parece imperceptível.
Uma mãe sabe quando o filho tem fome ou sono, é por isso que uma
mãe também sabe quando o filho precisa evacuar. A única diferença nisso tudo
é que fomos OBRIGADAS, há poucas gerações, a anular e ignorar a
evacuação de nossas crias.
Só conseguiremos tentando. Higiene Natural é prática, tentativa e erro, é
querer. Não há como saber fazer aquilo que não fazemos. Somente praticando
HN de forma tranquila, sem ansiedade, sem frustração, com amor e aceitação,
chegamos à Higiene Natural e a um desfralde suave guiado pelos nossos
bebês. Precisamos internalizar isso, para então usufruirmos dos resultados.
Mas, lembrem, sem ação, não há reação! Acreditem em vocês, confiem nos
seus bebês, deixem a ansiedade pra lá!

49
3 O que não é HN

 NÃO é treinamento/adestramento de bebês.


É preparação dos pais para entenderem os sinais da criança. É
treinamento dos pais e cuidadores. Se há uma terminologia que me
deixa nervosa é essa: “treinamento de bebês”, ora, por favor, bebês não
são bichos para serem adestrados, não possuem capacidade cognitiva e
neurológica para isso e ainda que possuíssem, da mesma forma que os
animais, não merecem nem precisam ser treinados para nada. Ajudar
um bebê a evacuar não é treiná-lo a nada, ou então, amamentar
também seria um treinamento e o bebê nasce sabendo mamar, nós
mães que precisamos aprender a amamentar e sofrer as consequências
deste “treinamento”, assim o é com a HN, os bebês nascem sabendo
que precisam fazer xixi e cocô em posição privilegiada e com a bundinha
livre, nós pais e cuidadores que precisamos aprender e treinar para
ajudá-los.

 NÃO é antecipar uma fase do desenvolvimento cognitivo dos filhos.


É compreender que esse conhecimento dos bebês é ancestral, e que
também o possuímos, apenas fomos ensinados a esquecê-lo. Fraldas
não fazem parte da espécie humana, portanto, é cientificamente
impossível antecipar uma fase, que na vida natural não existe. Se
vivêssemos na floresta, sem saber da existência das fraldas, não
pensaríamos em antecipação de fases, porque não haveria fase de usar
fraldas. É assim com os bebês que praticam HN, eles não passam pelo
processo de hábito do uso de fraldas. Se pensarmos de forma coerente,
é justamente o uso das delas que causa tantas confusões nas
percepções corporais de evacuação das pessoas e problemas para
desvencilhar um bebê da necessidade de usá-las.

50
 NÃO é desfralde;
Nem mesmo visa o desfralde porque na prática da HN o esperado é
apenas a facilitação da evacuação e não o abandono do uso de fraldas.
Em verdade creio que vivemos numa sociedade que já nos exige muito
e pensar num bebezinho sem fraldas é pensar numa situação onde nos
tornamos escravas da evacuação. A HN é tão orgânica que passa longe
disso, afinal de contas, a prática pretende apenas o atendimento às
necessidades fisiológicas de um bebê e, hora ou outra, não
conseguiremos atender, porque a nossa vida é muito corrida, então as
fraldas podem sim ser usadas de forma positiva e amigável, para captar
escapes, o que é bem diferente de fazer um uso indiscriminado destes
apetrechos. Em vários lugares do mundo defendem a HN sem o uso de
fraldas, sendo assim, não haveria desfralde, porém, por estudar
bastante sobre a questão e buscar adaptá-la à nossa realidade social,
acredito que com o uso de fraldas a HN pode ser extremamente positiva
e suave, contribuindo para o estreitamento do vínculo e o ganho de
consciência corporal por parte do bebê, que, ao seu turno, guiará o
próprio desfralde.

 NÃO exige dedicação exclusiva;


A HN não precisa ser praticada de forma contínua e ininterrupta, ao
contrário, pode ser praticada de forma parcial. Se você só fica com seu
filho no período da manhã, pratique neste período, da mesma forma
como acontece com a amamentação, se estiver com seu filho à tarde, o
amamentará neste momento e nos demais horários ele será alimentado
de outra forma. Então, se o seu bebê estiver na creche com vontade de
fazer xixi, ele fará, porque ele usará fraldas desde o nascimento, mas
com você, com o pai, com os avós, por exemplo, ele utiliza o penico,
porque se sente melhor e a família prefere assim. Isso não gera
confusão nem estresse, no máximo ajusta o horário do cocô do bebê
para os períodos em que estiver com o cuidador que lhe proporciona a
prática da HN.

51
 NÃO é controle esfincteriano;
Estou a repetir isso com bastante ênfase porque essa é a maior crítica
recebida pelos praticantes de HN, porém, é biologicamente impossível
que um bebê tenha controle esfincteriano, seja qual for o esfíncter de
seu corpinho, afinal, os esfíncteres no começo da vida são imaturos por
natureza. HN não espera o controle dos esfíncteres porque:

Uma criança pode ser considerada com controle esfincteriano quando


não necessita mais de ajuda ou de supervisão para usar o vaso (ou
penico). Pode assumir a responsabilidade de um uso independente e
possui a capacidade de manter-se seca e limpa, isto é, sem urinar ou
evacuar nas calças. A criança torna-se completamente treinada a
partir do momento em que é capaz de ter consciência de sua própria
necessidade de eliminar urina e fezes e pode iniciar o ato sem um
lembrete ou um preparo por parte dos pais.
Por sua vez, o treinamento para adquirir o controle esfincteriano é
complexo e feito em etapas. A aquisição da independência para o uso
do sanitário inclui: caminhar até o vaso ou penico, baixar as calças,
sentar no vaso (ou penico), urinar ou evacuar, puxar as calças, dar a
descarga, lavar as mãos e retornar ao local onde estava. Estar
"pronto" para esta etapa é importante para torná-la mais prazerosa e
de menor duração. Adquirir independência para o uso do banheiro
requer que a criança apresente não apenas domínio de linguagem,
mas ainda motor, sensorial, bem como neurológico e social. Clima,
cultura e acesso a fraldas descartáveis são fatores importantes no
início do treinamento esfincteriano.14

Ou seja, nada do que é considerado controle esfincteriano pela literatura


está dentro das expectativas e realidades da HN, pois o bebê sempre
vai precisar de auxílio de um cuidador para a prática, assim como para
comer e para dormir. Também porque questões psicológicas,
socioculturais e fisiológicas influenciam no controle esfincteriano, sendo
a família e a creche ou escola os referenciais diretos da criança e o
treinamento esfincteriano uma das questões mais preocupantes no
desenvolvimento infantil. Na HN ainda que o bebê seja maiorzinho, não
se pretende que ele tenha autonomia de ir ao banheiro sozinho e
realizar tarefas como abaixar as calças e lavar as mãos de forma
desassistida. Definitivamente, HN não é controle esfincteriano.

14
MOTA, D. M, BARROS, A. J. Toilet training: methods, parental expectations and associated
dysfunctions (Treinamento esfincteriano: métodos, expectativas dos pais e morbidades
associadas). J Pediatr (Rio J). 2008;84(1):9-17. doi:10.2223/JPED.1752.

52
4 Vantagens de praticar HN

 Bebê sem cólica;


Poucas pessoas levam à sério quando indico HN para solucionar
cólicas. E as mães que botam fé, arriscam tirar a fraldinha e colocar o
bebê na posição correta logo aos primeiros sintomas de "cólica", voltam
pra relatar que vapt-vupt o bebê evacuou e os sinais de sofrimento
acabaram. Então, acredite, a HN é a melhor e mais natural solução para
as cólicas do bebê! Geraldine Jordan15 (2014) nos presenteou com um
(provavelmente o único) estudo científico de comprovação dos
benefícios da Higiene Natural (HN) ou Elimination Communication (EC)
especialmente no que diz respeito às cólicas dos bebês. Em seu estudo
entitulado: "Comunicação de Eliminação como terapia para a cólica”
16
(tradução livre), no resumo, define a autora:

Cólica é geralmente definida como choro excessivo no início da


infância e pode ter consequências negativas para a criança, bem
como sobre a vida familiar da criança. Choro excessivo que pode
resultar em uma escalada dos níveis de estresse dos pais, que como
resposta tornam-se cuidadores abusivo, aumenta o risco de síndrome
do bebê sacudido e aumentam os índices de depressão pós-parto.
Além de choro excessivo, sintomas e descritores de cólica infantil
incluem choro inconsolável, gritos, pernas elaboradas contra o
abdômen, sobrancelhas franzidas, abdômen distendido, arqueado
para trás, eliminação de gases, choro após alimentação e dificuldade
de defecar/constipação. Existem alguns bem concebidos,
reprodutíveis e randomizados estudos, em larga escala, que
demonstram a eficácia de qualquer método terapêutico para cólica.
Contudo, uma etiologia inexplorada é que a cólica é funcionalmente
relacionada a uma diminuição na frequência das fezes. A distensão
pode, periodicamente, resultar na intensificação do desconforto para
a criança e, concomitante choro inconsolável. Comunicação de
eliminação (EC, também conhecido como Higiene Natural Infantil-HNI
e às vezes se refere à formação em penico, ou uso assistido do
banheiro pelo bebê) envolve o uso de sinais pelos quais os bebês
demonstram aos cuidadores que querem urinar ou defecar e estes,
observando passam a conhecê-los e atendê-los. Tais sinais podem
incluir tipos de choro, contorcendo-se, esforçando-se, distendendo-
se, fazendo uma careta, agitação, vocalizando, olhar atento no

15
PHD canadense, pesquisadora de diversas áreas do conhecimento, professora assistente
em Geografia e Estudos Ambientais no TWU. Ministra cursos de Geografia e Estudos
Ambientais, incluindo ciências ambientais, sistemas de informação geográfica (SIG) e geografia
física, desenvolvendo estudos e evidências científicas que contribuem e muito com o
entendimento da evolução da nossa espécie. Seu currículo Lattes e suas publicações você
encontra aqui: https://www.twu.ca/profile/geraldine-jordan
16
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24962210

53
cuidador, rosto vermelho, gases e grunhidos, muitos dos quais são os
mesmos sintomas iniciais relacionados com o aparecimento de
estados infantis de cólica.
A MELHOR resposta para essa situação é a atenção e carinho de um
cuidador para estes sinais de uma criança, envolve a descoberta da
fenda interglúteo do bebê (bumbum ao vento) e embalando o bebê
delicadamente e não coercitivamente em uma posição de cócoras em
que ele fique seguro e suportado. Esta posição vai aumentar o ângulo
anorretal da criança facilitando assim a evacuação completa. Supõe-
se que a eliminação eficaz e em tempo irá provocar um aumento de
conforto físico para a criança e os sintomas de cólica irão
concomitantemente diminuir.
CONCLUSÃO:
A hipótese de EC como terapia para cólicas não se centra em
treinamento do banheiro em uma idade precoce, mas na
implementação do conhecimento/observação do aspecto da
criança/bebê, de modo que a micção e a defecação sejam auxiliadas.
Ao ter suas necessidades atendidas, o bebê melhor expressa sinais
de necessidade de fazer xixi e cocô, que incluem tipos de gritos e
sintomas idênticos aos conhecidos como cólicas. Quando essas dicas
são reconhecidas e o lactente está posicionado de cócoras apoiadas,
estará na posição, podendo urinar e defecar com facilidade. O
lactente terá alívio do desconforto gastroenterológico e uma redução
dos sintomas cólicos. Se os sinais não forem adequadamente
respondidas em tempo hábil por um cuidador atento, então o estresse
e o choro vão aumentar a escala. No entanto, um cuidador atento e
disposto a dar a resposta às pistas que o bebê dá, colocando-o a
posição correta, de forma gentil e não coercitiva em um ambiente
seguro, posicionando-o de cócoras, aumentará o ângulo anorretal do
bebê facilitando a defecação completa. A eliminação completa, dando
maior conforto físico para a criança ocasionando uma concomitante
diminuição dos sintomas de cólica.

Ou seja, é praticamente impossível encontrar estudos que analisem a


Higiene Natural especificamente (se não estudos relacionados ao uso e
desuso de fraldas) e esse estudo de Geraldine Jordan (2004) nos dá a
evidência científica mais tranquilizante, especialmente para as puérperas
que estão espalhadas por tantos lares, desesperadas com os sintomas
das “cólicas”, procurando a medicina tradicional e seus remédios cheios
de efeitos colaterais para “resolver” um problema que, na verdade, nem
é um problema, é apenas vontade de fazer cocô.

 Bebê sem assaduras, fungos e bactérias;


Um tanto lógico que a partir do momento em que a bundinha e as partes
íntimas do bebê não ficam mais em um ambiente fechado, escuro e
constantemente úmido ou em contato com fezes, as assaduras, os

54
fungos e as bactérias consequentemente irão sumir. Outro ponto que eu
poderia ficar horas dissertando e também trazendo evidências científicas
é sobre a relação das assaduras dos fungos e das bactérias com este
tipo de ambiente, mas penso que para você que já chegou até aqui
lendo, as ideias já estão muito mais claras e evidentes. Sem dúvidas, a
própria experiência de praticar Higiene Natural por uns dias vai ser a
melhor explicação para ter um bebê sem assaduras, cândidas e
bactérias, tente, pratique.

 Mais xixi e menos cocô:


Conforme expliquei anteriormente, a bexiga do bebê não tem
capacidade de suportar muito xixi e, além disso, raras vezes ele relaxa
de fato para eliminar essa urina que está secretada. Somado a isso, ele
libera um pouco do xixi que acaba de alguma forma lhe importunando e
por isso, instintivamente ele contrai o esfíncter e não relaxa por
completo. É basicamente assim com o cocô que ficou no intestino
grosso e no reto, o bebê em posição errônea não consegue relaxar o
suficiente para liberar o cocô, então, no aperto libera um pouco e retém
o resto e isso lhe gera vários cocôs ao dia, o que é em verdade o
mesmo cocô feito em suaves parcelas. Com a HN é muito diferente, o
hábito de fazer xixi e cocô de maneira correta, com períneo relaxado e
esfíncteres relaxados, no momento em que o bebê faz ele consegue
esvaziar a bexiga por completo e o reto também.

 Economia (fraldas, produtos, tempo);


Uma das críticas recebidas por quem toma ciência da HN, mas não quer
aceitar essa possibilidade, é que seria necessário muito tempo para
praticá-la. Porém, com a habitualidade, a economia de tempo é
indiscutível, porque não há sujeira, o bebê não fica em contato com
fezes em toda sua bundinha e suas partes íntimas. Consequentemente
o gasto com os produtos relacionados é diminuído significativamente ou
até zerado. Acaba-se o uso de lencinhos, pomadas, cremes e óleos e,

55
ainda melhor, o uso das fraldas também passa a ser apenas para os
escapes e não como algo inseparável da criança que justo pode gerar
tantos problemas no futuro. A economia familiar ganha segurança e não
fica à mercê de um comércio interminável de ciclo sem fim representado
neste esquema: fraldas + lencinhos + pomadas antiassaduras,
antimicóticas, antifúngicas e bactericidas = gasto de tempo e dinheiro =
+ fraldas + lencinhos + pomadas e por aí vai.

 Respeito à natureza;
Se eu reduzo consideravelmente o uso de fraldas e em curto ou médio
prazo até deixo de usá-las, bem como os produtos e medicamentos
relacionados ao seu uso, eu deixo de produzir quilos e quilos de
resíduos não recicláveis e litros e litros de água que seriam utilizados
desde a produção até o descarte no caso das FD e das lavagens no
caso das FP. Na natureza, o cocô pode ser “filtrado” se bem descartado.
Ele é orgânico. O xixi também. Não há forma mais integrada ao meio
ambiente do que criar um bebê sob o manto da Higiene Natural. Porque
eles já nascem sabendo que é assim que tem que ser, clamam por isso.
E nós, instintivamente também sabemos. Diante desse resgate a esse
conhecimento ancestral estaremos pais, cuidadores e filhos interligados
ao cosmos. É assim que nos (re) encontramos com o nosso verdadeiro
eu, divino, natural, buscando uma integração com a gestação, o parto, a
amamentação, a criação com apego, a disciplina positiva, a
comunicação não violenta e a higiene natural.

 Respeito a mais necessidades fisiológicas do bebê;


É sobre tudo o que estamos falando, afinal, o bebê possui necessidades
fisiológicas tal qualquer ser humano. São os pais e cuidadores que
precisam atender essas necessidades até que a criança possa fazer
tudo sozinha e, embora o uso de artifícios pareça mais fácil e mais
cômodo, esses artifícios se refletirão em problemas de curto, médio e
longo prazos tanto para os pais, quanto, principalmente, para os bebês.

56
Não faz sentido usarmos utensílios que futuramente nos trarão dores de
cabeça e desencadearão apego aos nossos filhos, como é o caso da
chupeta, da mamadeira, das fraldas, etc. Por isso, na fome
amamentamos e ou alimentamos, no sono, proporcionamos o ambiente
e respeitamos o soninho e na iminência de xixi e cocô, atendemos com
tranquilidade proporcionando acolhimento a mais essas necessidades
dos nossos pequenos que vão crescer com total consciência corporal e
segurança por serem atendidos em suas necessidades.

 Bebê confiante e comunicação estabelecida;


Como os cuidadores se mostram preocupados e atentos com as
necessidades dos bebês, estes, por sua vez, passam a sentir confiança
na relação e se esforçam para estabelecer uma comunicação. Assim
como a linguagem dos sinais para bebês é muito positiva, a
comunicação de eliminação também é, porque os pais atentos auxiliam
e expressam a comunicação no ato, o bebê reconhece aquele som
familiar e em tranquilidade elimina o xixizinho ou cocozinho que está
incomodando ou avisa nitidamente em caso de ter feito na fralda.

 Estreitamento do vínculo, conexão;


Sem dúvida toda essa comunicação entre os bebês e seus cuidadores e
todo esse atendimento oportuno, geram o estreitamento do vínculo. São
conexões na comunicação que se desenvolvem através de um olhar, um
som, um movimento ou gesto. Além, claro, do sentimento de satisfação
e gratidão de ambas as partes, tanto dos pais e cuidadores quanto dos
bebês.

 Eliminação limpa, digna e tranquila;


Conforme venho falando, a HN exige uma entrega do cuidador, no
sentido de passar a segurança e a tranquilidade para o bebê para que
ele consiga relaxar o períneo e os esfíncteres soltando o xixizinho e o

57
cocozinho que lhe incomodam. Estando sem fraldas e na posição
favorável o bebe consegue eliminar tudo o que precisa e a eliminação é
limpa porque não há contato corporal com as fezes, só anal mesmo, o
que se limpa com facilidade e rapidez, embora o recomendado seja
lavar que é muito mais prático. Por isso também a evacuação é digna.
Afinal, o bebê é atendido fazendo tudo rapidinho, fica limpo e sequinho
por muito mais tempo, o que lhe proporciona conforto, tranquilidade,
segurança e satisfação.

 Não precisa deixar o bebê sem fralda;


As fraldas não são de todo negativas, elas podem ser nossas aliadas e
aliadas dos nossos filhos. Porque não é sempre que estaremos
percebendo os sinais de evacuação (assim como nem sempre
percebemos o de fome). Então, da mesma forma, como não é possível
que o bebê mame no peito longe da mãe, pode não fazer xixi no penico
longe dela. Claro que se todos os cuidadores estiverem atentos e
ajudarem, melhor será para o bebê, mas se não for possível, em nada
vai interferir no desenvolvimento da consciência corporal e do
estreitamento do vínculo com o bebê. Estando de fralda, o bebê não fica
urinando em si mesmo, nem no chão nem no sofá e isso não gera
estresse pros cuidadores nem traumas para a criança como acontece no
desfralde forçado. Considerando um bebê praticante de HN, o desfralde
é natural e muito mais cedo, o que faz da vida útil de uso de fraldas por
aquele bebê ser bem curta e menos impactante no sentido ambiental,
financeiro e psicológico.

58
4.1 Qual a idade ideal para começar a praticar HN?

Não existe restrição de idade para começar a praticar HN, mas quanto
mais novo o bebê mais rápidas são suas respostas à HN. Atrevo-me a colocar
janelas ideais de aplicação do método.

 Os bebês menores de 12 meses respondem rapidamente à prática da


HN:

-A primeira janela ideal é de 0 a 4 meses, com resposta imediata;


-A segunda janela ideal é de 4 a 8 meses, com resposta semi-imediata;
-A terceira e última janela ideal é de 8 a 12 meses, com resposta quase
imediata.

Isso pensando que dos 00 aos 04 meses, na primeira janela ideal, o


bebê acabou de sair do útero seus movimentos são involuntários, está
totalmente dependente do cuidador é somente instinto e vibração, ele sabe que
as fraldas se apresentam como empecilho, a posição não lhe ajuda, então ele
chora, clama, se contorce, faz careta, apresenta aquilo que todos pensam que
é cólica, é medicado, silenciado, retrai, fica mais nervoso, suplica, não lhe
compreendem, mais remédio, dias sem cocô, supositório, e assim,
sucessivamente, num ciclo sem fim de problemas com as fezes. Muitos cocôs
ao dia, dias sem fazer cocô. Cocôs explosivos que vazam da fralda e vão até a
nuca. Assaduras. Cólicas, constipações, e vai. A maioria dos bebês nessa
idade aproveita a troca de fraldas, o banho e momento de brincadeira para
evacuar, que é quando instintivamente se sentem relaxados e mandam ver.
Com a HN, o bebê tem rotina de evacuação, seu corpinho funciona feito
reloginho, há comunicação evidente com o cuidador direto, que
preferencialmente será a mãe (que por sua vez precisa de uma rede de apoio
para dar conta das outras questões como casa e compromissos) porque ela
precisa amamentar e ser ao bebê um elo de transição para o mundo terreno e
ela estará atenta a todas as necessidades do seu filhinho, conhecendo sua
rotina de amamentação, de sono e também de evacuação, naturalmente. Para

59
esse bebê fazer cocô na posição correta é totalmente instintivo. Os
sintomas/sinais são choro excessivo, pegar e soltar o peito muitas vezes,
arquear-se para trás, puns, não se entregar ao sono, cólicas, barulhinhos
com a boca, olhar profundo no cuidador, mexer muito as perninhas,
segurar o peito com a boca e empurrar com mãos e pés, entre outros.
Dos 04 os 08 meses, a segunda janela ideal, o bebê já está mais ativo,
mais curioso, vira de bruços para satisfazer a própria dorzinha de barriga e
desbravar o mundo, observa e interage melhor com o seu entorno, logo inicia a
introdução de alimentos, começa a ter contato com cocô mais consistente e
isso lhe incomoda, passa a sentar, ficar de pé apoiado, está engatinhando ou
prestes a engatinhar. É fácil esse bebê entrar na rotina de usar o seu penico e
se livrar rapidinho daquele xixi e daquele cocô que lhe incomodam. Ele
apresentará comportamentos como gritos, irritabilidade, choro excessivo,
ansiedade, mamada infinita, troca peito um milhão de vezes, antes de
dormir de madrugada e de manhã vai grudar no peito, enfim, cada bebê é
único, pode ser que apresente insônia ou falta de apetite.
Dos 08 aos 12 meses o bebê encontra em outra fase do
desenvolvimento mais exigente, emite as primeiras palavras, “abua”,
“mamama”, “papapa”, ensaia passos, fica mais verticalizado, tem ainda mais
consciência de seu corpinho, apresentará comportamentos como
agressividade, irritabilidade, angústia, gritos, maior exigência de colo.
Tudo como sinais de evacuação a serem observados. Por isso também, o uso
de fralda não é necessariamente um hábito ainda, de modo que fica fácil
introduzir o hábito da HN no dia a dia desse bebê que esperto se liga nas
novidades adaptando-se de igual modo.

 Os bebês maiores de 12 meses costumam ficar mais confusos e ter uma


adaptação lenta, porém, gradual e positiva.

Situação que exige mais dos pais e cuidadores e eles costumam desistir.
Nos casos que acompanhei em que os pais persistiram, respeitando o
comportamento da criança, usando técnicas de distração, por exemplo,
obtiveram resultados satisfatórios de médio prazo.

60
No caso de bebês acima de um ano, um ano e três meses, um ano e
seis meses, por exemplo, o hábito e o costume de usar fralda faz parte da vida
daquele bebê, não lhe foi apresentada essa parte do corpo nem ensinado a
identificar suas necessidades, então, é preciso um processo gradual de
adaptação do bebê ao penico e dos à abordagem para oferecer o penico
despretensiosamente.
A HN iniciada após um ano exige muito mais dos pais e cuidadores,
assim como o desfralde exige. Porém, como a HN não é desfralde e os
cuidadores que quiserem praticar com seus bebês de um ano e pouco, farão
apenas no intuito de passar a ajudar o bebê, dando aos poucos a consciência
corporal que vai levar ao desfralde. Por isso, praticar HN desde cedinho traz
inúmeros benefícios e jamais vai se comparar aos casos em que primeiro
teremos de estabelecer um vínculo entre o bebê e a nova situação de
reconhecimento corporal e mudança de hábito.
Ou seja, embora não haja idade ideal para começar a praticar higiene
natural, quanto mais cedo começar, melhor, contudo, deve ser uma prática
encarada como benéfica, não pode ser penosa nem desgastante para os
cuidadores, deve ser, como as outras escolhas, cansativa, sim, é claro, mas
compensatória, porque o bem-estar do bebê estará em primeiro plano. Ainda
que o objetivo da família seja um desfralde de uma criança maior, a HN vai se
apresentar como ótima alternativa para auxiliar neste processo. Lembrando
sempre que HN não é desfralde, nem treinamento de penico.

61
5 HN x Desfralde

É preciso repetir inúmeras vezes até que fique claro, Higiene Natural
NÃO é desfralde. Nem visa o desfralde. Sabemos que o desfralde precoce não
é recomendado. Porém já existem estudos que refletem que o desfralde tardio
também seja maléfico para o bebê. E o que seria precoce ou tardio no que diz
respeito ao desfralde?

Questões a observar:
# Há controvérsias sobre o que é precoce. De 1 a 2 anos? De 2 a 3
anos?
# Desfraldar um bebê pode ser estressante, cansativo e traumático para
os pais e, principalmente, para o bebê;
# Estudo comprovou que desfralde tardio também é negativo, gerando
como uma das consequências a incontinência de urgência.
# Praticar Higiene Natural é recomendado no sentido de fazer uma
transição lenta para o desfralde;

5.1 Desfralde

Vamos falar de desfralde? Tenho falado muito da higiene natural para


bebês menores de 01 ano. Mas, muitas pessoas pedem dicas para o desfralde.
Tenho estudado bastante e acompanho muitas famílias que passam por esse
processo. Então, aos poucos vou falando mais sobre o tema.
Em primeiro lugar é preciso pensar que a partir de um ano se trata de
desfralde e o desfralde precoce não é recomendado por inúmeros fatores.
Contudo, especialistas divergem com relação a essa precocidade! Ou seja,
quando o desfralde é precoce? Antes dos dois anos ou antes dos três anos?
Se uma linha de profissionais considera que a criança só tem controle
esfincteriano (capacidade de segurar xixi e cocô) por volta dos 04 anos, antes
disso qualquer tentativa de desfralde não seria precoce?

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Sim! E não! Desfraldar pode ser um processo muito traumático que,
embora o bebê não tenha frustração aparente, as consequências podem surgir
a curto, médio e longo prazo. E os problemas são enurese noturna (xixi na
cama) anos a fio, constipação fecal (dias sem fazer cocô), incontinência
urinária (incapacidade de controle do xixi) e muitos outros como, por exemplo,
o caso de pessoas que já na vida adulta não conseguem fazer cocô fora de
casa e sempre que viajam sofrem com intestino preso.
Sim, tudo isso são questões que precisam ser consideradas, são
consequências de desfraldes precoces e/ou traumáticos.
Desfralde é coisa séria! Se for mal encaminhado ou forçado gera
traumas de curto, médio e longo prazo. Problemas de ordem emocional,
psicológica e física. Por isso, analise com carinho para proporcionar o melhor
ao seu bebê!
Conforme já disse antes, é muito difícil, ou praticamente impossível
encontrar estudos que falem especificamente sobre HN ou Elimination
Communication (EC). Consigo elencar como as razões alguns fatores, um
deles é o fato de que a HN é uma prática tão comum como a humanidade, em
diversas comunidades e diferentes países do mundo praticam HN ou EC como
algo normal, corriqueiro, tranquilo, como parte de suas vidas e rotinas.
Outro fator é que as fraldas descartáveis estão disponíveis em livre
acesso no mercado há pouquíssimos anos e, portanto, é mais fácil encontrar
estudos sobre o uso de fraldas do que sobre o não uso. Sobre o uso de fraldas
encontramos estudos nos mais variados temas e nas mais variadas disciplinas,
são estudos com relação à alergias, infecções do trato urinário, processo
industrial/químico, descarte e dados estatísticos, em áreas como psicologia,
urologia, pediatria, pedagogia, neurologia, etc.
Por isso, como vamos falar de desfralde, vou mencionar um estudo
relativamente recente publicado no “Journal of Pediatric Urology (2009)”
entitulado “Later toilet training is associated with urge incontinence in children” 17
(BARONE, J.G, JASUTKAR, N. e SCHNEIDER, D., 2009), que numa tradução
17
BARONE, J.G, JASUTKAR, N., SCHNEIDER, D. Later toilet training is associated with
urge incontinence in children. Jornal of Pediatric Urology, 2009. Disponível em:
http://www.jpurol.com/article/S1477-5131(09)00356-8/fulltext
***Joseph G. Barone e Niren Jasutkar são da Divisão de Urologia, Seção de Urologia
Pediátrica, Robert Wood Johnson Medical School - EUA, juntamente com Dona Schneider da
Escola Bloustein de Planejamento e Política Pública, Rutgers University - EUA.

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livre seria: “O treinamento posterior do toalete está associado com a
incontinência de urgência em crianças” e como o nome diz, foi desenvolvido
com o objetivo de determinar se o desfralde tardio está associado à
incontinência de urgência (vontade forte e repentina de urinar) em crianças
maiores, porque as crianças não têm consciência corporal não sabem que
precisam fazer xixi antes de já estarem demasiadamente apertados, o que gera
muitos escapes.
Para isso, os autores buscaram debates científicos sobre o tema, nos
ensinando que os primeiros estudos sobre treinamento de banheiro surgiram
em 1930 e os estudos mais recentes indicam que os pais estão desfraldando
seus filhos cada vez mais tarde. Os autores contam que nos anos 80 o
treinamento de banheiro ocorria por volta dos 26 meses (2 anos e 2 meses) do
bebê, comparando ao ano de 2003 que a idade indicada para desfralde era
36,8 meses (3 anos e 8 meses), a diferença é considerável. Alguns ensaios
sugeriram que o treinamento de banheiro tardio poderia estar associado ao
desenvolvimento de disfunções urinárias, comprovando que as consequências
negativas do desfralde posterior são:

- O aumento da incidência de ITU’s (infecções do trato urinário);


- O aumento da probabilidade de Pielonefrite (ITU que atinge os rins);
- A possibilidade de danos renais de curto ou longo prazo.

Por isso, BARONE, JASUTKAR e SCHNEIDER, D. (2009), buscaram


identificar se o desfralde tardio também está relacionado à incontinência de
urgência. Assim, através de um estudo de caso determinaram se a
incontinência de urgência está relacionada com o início tardio do treinamento
de banheiro. Foram analisadas crianças com idades de 04 a 12 anos que
buscaram por consulta urológica pediátrica para incontinência de urgência.
Seus pais responderam um questionário abrangente sobre demografia,
idade, sexo, etnia, número de outras crianças em casa, nível socioeconômico
(renda familiar, nível educacional dos pais e status de trabalho), frequência de
incontinência urinária, presença de sintomas monossintomáticos, enurese
noturna, história familiar de incontinência urinária ou enurese noturna
monossintomática e idade de início do treinamento do banheiro. Também

64
tiveram de identificar o método de treinamento do banheiro usado para criança.
Foram apresentadas duas opções:

a) uma abordagem para a criança: treinamento iniciado quando a


criança apareceu pronta e disposta a treinar e, a partir disso seguindo num
processo continuo de treinamento do banheiro.
b) uma abordagem para os pais: treinamento iniciado quando os pais
estão prontos para começar a treinar e alcançar a formação levando a criança
ao banheiro em intervalos regulares e definidos.

Foram analisadas 157 crianças denominadas de “controles”, pois tinham


controle esfincteriano total e 58 crianças denominadas de “casos”, pois
apresentavam incontinência de urgência. Casos e controles foram combinados
por idade, sexo, raça, renda e escolaridade da mãe.

# Casos de incontinência de urgência:


* 31,7m - idade média de iniciação do desfralde;
* 50% - abordagem orientada para os pais;
* 29,3% - abordagem orientada para a criança;
* 15,5% - combinação de ambas as abordagens;

# Casos de controle:
* 28,7m - idade média de iniciação do desfralde.
* 56,1% - abordagem orientada para os pais.
* 34,4% - abordagem orientada para a criança.
* 7% - combinação de ambas as abordagens;

É possível observar que a diferença de porcentagem entre os métodos


de abordagem utilizados não é muito grande. Quer dizer, não há associação
entre a incontinência de urgência e o método utilizado para o treinamento de
banheiro (se foi abordagem para os pais ou para as crianças). Porém, esse
estudo traz informações valiosas, pois é o primeiro a fornecer evidências sobre
o treinamento de banheiro tardio associando-o à incontinência de urgência.

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Especificamente, os dados confirmam a hipótese de que o
Treinamento/Desfralde após 32 meses (2 anos e 8 meses) está associado com
incontinência de urgência. O treinamento em higiene foi iniciado apenas 3
meses mais tarde para os casos em que as crianças apresentaram
incontinência de urgência entre 4 e 12 anos de idade. O que foi considerado
estatisticamente significativo.
A idade média do INÍCIO do treinamento do banheiro para crianças com
incontinência de urgência foi de 31,7 meses em comparação com 28,7 Meses
para as crianças que tinham controle. Os autores também mencionaram
Relatórios dos Estados Unidos, Brasil, Suíça e China indicando que a idade
média para o desfralde é de 36,8 meses, colocando a ampla disponibilidade e
conveniência das fraldas descartáveis como possível explicação para esse
desfralde tardio e a incontinência de urgência.
O desfralde tardio também está relacionado a um risco aumentado de
diarreia infecciosa entre crianças na creche (as famosas viroses). Os ensaios
também revelaram que o início do desfralde aos 27 meses (2 anos e 3 meses)
pode não ser benéfico e fornece pouca vantagem, porém, após os 32 (2 anos e
8 meses) aumenta o risco de incontinência de urgência. Esses dados podem
ser úteis para determinar quando começar o treinamento do banheiro seria a
idade ideal, então, essa janela entre os 27 e os 32 meses?
Bom, precisamos pensar que estes estudos analisam casos de crianças
que foram fraldadas. Elas tiveram o hábito das fraldas incutido nelas. Por certo
que vai ser um grande transtorno retirar esse hábito depois. Envolve fatores de
cunho emocional, psicológico, afetivo e físico. As fraldas são um apego, um
costume, uma parte de si.
Por isso, mais uma vez a HN se apresenta como vantagem já que as
fraldas não se tornam hábito para o bebê. O hábito para um bebê praticante de
HN é se comunicar com seus cuidadores e ser atendido no momento das
evacuações. Portanto, o bebê guiará o seu desfralde, de posse do
conhecimento do próprio corpinho, desde sempre.
É por isso também que eu indico a HN para o desfralde visando dar
primeiro consciência corporal ao bebê sem esperar dele uma atitude,
substituindo assim o desfralde tradicional que visa apenas um treinamento, e

66
permitindo aos bebês que antes de tudo venham a conhecer aquilo que lhes foi
ocultado por todo esse tempo.
A HN pode ser praticada por bebês de qualquer idade e vai trazer
inúmeros benefícios. Então tudo isso que vocês já leram sobe desfralde com
música, com adesivos, com festinha, com premiação e levando o bebê o tempo
todo no banheiro, deixando o bebê sem fralda urinando nas pernas e no chão.
NÃO! Esqueçam! Pratiquem higiene natural.
É preciso abrir a cabeça para pensar de uma forma mais abrangente,
entendendo que fraldas são aquisições modernas e inventadas para que os
pais e cuidadores não se sujem e que as evacuações são necessidades
fisiológicas tais quais a fome, o sono ou a sede. Mas, a nossa cultura ocidental
não nos deixa nem pensar na ideia de bebês sem fralda.

** Para exemplificar. Os pais decidem, da noite para o dia que chegou a


hora do desfralde, e este desfralde pode estar sendo precoce, o que é
contraindicado. Justamente porque não se sabe quando de fato é precoce.
Entretanto, os pais quando resolvem desfraldar, esperam resposta dos filhos.
Querem gratificar. Ficam nervosos. Querem cobrar das crianças. Se perguntam
se os filhos têm algum problema. E o maior problema está nisso. Os pais
esperam que as crianças aprendam a se desfraldar e quem precisa aprender a
desfraldar os filhos, são os pais! Os pais fraldam, os pais desfraldam!

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5.2 HN no desfralde.

Sim. É possivel praticar HN no desfralde, porém, a resposta do bebê não


é tão imediata e a prática exige adaptação, paciência, amor, e ainda mais
atenção dos pais e muita cautela. A higiene natural proporciona um desfralde
gradual e suave. A medida primordial é pegar o xixi de quando a criança
acorda. Esse é o que vai dar adaptação do bebê ao ato de ir ao penico e do
cuidador principal ao ato de fazer desse momento algo natural para o bebê.
Com a prática da HN no desfralde, esse processo será mais suave para
o bebê e para os cuidadores que passam a se colocar atentos e disponíveis
para atender as necessidades de evacuação de suas crias.
Além disso, do ponto de vista do bebê que pratica HN desde o
nascimento, ou antes do primeiro ano, e do bebê que tiver o desfralde auxiliado
pela HN, eles não passarão pelo processo de aprendizagem convencional que
consiste em aprender algo novo, recebendo e retendo as evacuações.
Quer dizer, no treinamento de aprendizagem de penico convencional a
criança precisa aprender através do raciocínio e do esforço consciente para
prestar atenção ao sentido de urgência da eliminação iminente. A criança tenta
reter o conteúdo de uma bexiga muito cheia para ir banheiro. Logo, a micção já
é muito forte e a criança se obriga a contrair o períneo ou "apertar as nádegas"
para manter tudo dentro de si.
Trata-se de um ponto de aprendizagem convencional de partida. Mais
tarde, a criança pode controlar melhor a contratação do diafragma e dos
músculos abdominais até que chegue o dia em que não seja mais capaz urinar
voluntariamente se a bexiga não estiver "completa".
Isso explica o que muitos pais não compreendem quando se trata de
crianças que passam por um desfralde tradicional por meio de um “treinamento
de controle”: os filhos usam o penico de forma independente, mas não
conseguem urinar na demanda, sendo-lhes ofertado o banheiro, por exemplo,
antes de entrar no carro, é muito comum que a criança recuse-se a ir fazer xixi
e nem 10 minutos depois solicite para fazer. Ainda que haja frustração dos
pais, é preciso entender que a criança faz o que sente e como a consciência de
eliminação vem muito tarde, ela simplesmente não sabe relaxar os músculos

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esfincterianos de forma voluntária se não estiver com a bexiga bem cheia e
com necessidade urgente.
Com a HN, no entanto, os bebês podem relaxar os músculos
voluntariamente porque essa situação lhes é proporcionada quase desde o
nascimento e eles nunca vão perder essa capacidade. Quando enfim os
músculos esfincterianos estiverem fortes o suficiente para suportar a
evacuação por mais tempo ou a conexão com os pais e cuidadores estiver
estabelecida, o desfralde acontecerá de forma natural e será guiado pelo
próprio bebê.

69
6 HN e verão

Os bebês que praticam HN (com regularidade) não fazem xixi nem cocô
na água, então você papai e você mamãe que vai levar sua cria na piscina do
condomínio, do clube, de um amigo, ou no rio, na lagoa, na praia ou numa
cachoeira, não precisa se preocupar com aquelas fraldas feitas pra usar na
água, nem obrigar seu bebê a curtir o verão de fraldas de pano ou
descartáveis, pois seu bebê vai ficar na água de boa, super de boas, de boas
meeeesmo e quando demonstrar inquietude, irritabilidade ou quiser sair da
água, leve-o pra fazer xixi: “Shiiiiiii...” E depois pode retornar o baby pra água!
Sim, sim, é fato! Bebês amam água e quando seu bebê não quiser ficar
na água, podes crer que tem xixi pra fazer!
Na praia o xixi pode ser feito num matinho (aquelas macegas, sabe?
Ótimo adubo inclusive!) e para coletar o cocô só um potinho de sorvete pode
ajudar, ou até mesmo uma sacolinha, onde seu bebê fará as necessidades
(com você segurando-o na posição de balancinho) e depois você pode
descartar, porém, a opção para quem desfruta de locais com bastante natureza
(trilha, por exemplo), é levar uma pázinha de jardinagem e fazer um buraco
com, no mínimo, um palmo de fundura, pro bebê evacuar, e depois tampar o
buraco com a terra retirada (até porquê, faz pouco sentido colocar um cocô
orgânico dentro de uma sacola e misturar no lixo comum, né?).
Assim é ecologicamente correto, assim é bem-estar pro seu bebê, assim
não contribuímos para o descarte de materiais não biodegradáveis na
natureza, assim nossos bebês aproveitam melhor o verão e confiamos na
natureza, no corpo e na conexão com nossas crias.
É como a humanidade por séculos fez, e ainda fazem as famílias
ecologicamente preocupadas e conectadas, dispostas a atender TODAS as
necessidades fisiológicas de seus filhos. Afinal, se nossos filhos possuem três
necessidades fisiológicas (alimentar-se, descansar e evacuar) qual razão para
atendermos apenas duas, obrigando-os a evacuarem em si? E no verão ainda,
na piscina, na praia, na lagoa, ninguém merece curtir com um item que absorve
toda a água e fica pesado logo na bundinha, né?

70
Então é isso, desfrutem o verão sabendo que seu bebê praticante de HN
não precisa de fraldas enquanto estiver na água. Lembrem-se de manter as
crianças bem hidratas, protegidas do sol e que lanche ideal no verão é fruta! Se
você ainda não teve coragem de praticar HN pode observar que serão nas
ocasiões que seu bebê estiver em contato com a água que ele irá evacuar
como antes, durante ou depois do banho.

71
7 HN e Introdução Alimentar

Quem aí está começando a introdução alimentar (IA) do bebê?


Qual método escolheram? Papinha, BLW, mesclando os dois?
Bom, vocês já devem ter reparado que basta sentar o bebê no cadeirão
e dar um pouco de comida que PIMBA!
Vem cocô na área! É ou não é?
Se não vem cocô durante a refeição, vem logo depois!
A grande questão é que você não precisa se preocupar, reclamar, ficar
“P” da vida porque tem que parar tudo pra limpar a cria (nossaaa, no BLW,
parar tudo pra ir trocar a cria é um “deosnosacuda” porque tem comida até na
orelha do bebê, hahahaha), você pode solucionar isso de maneira muito
tranquila e respeitosa!
Mostre ao seu bebê que você compreende que ele precisa fazer cocô,
que você entende que o estomago e o intestino dele são bem pititicos, conte
pra ele que você sabe que basta ele colocar alimentos por cima que o que está
na barriguinha precisa sair por baixo e, tudo bem, isso é normal!
Mostre ao seu bebê que você é capaz e está disposto a AJUDÁ-LO!!
Como? Olhe no fundo dos olhos do seu bebê, comunique-se, pergunte-
lhe se quer fazer cocô e leve-o ao banheiro ou penico!
Exatamente! Isso é higiene natural!
Você está vendo, você sabe que seu bebê precisa evacuar econhece o
seu bebê, você sente ele. Então ligue as anteninhas, observe, se jogue, isso
está em você, está no seu DNA materno/paterno/cuidador, está no DNA do seu
bebê, auxilie esse cocozin a sair certinho, sem um tampão na bundinha (fralda)
facilitando o ângulo anorretal (cócoras - V).
Pode ser que nas primeiras vezes o bebê "trave" um pouco, o que é
normal, imagine você se concentrando pra fazer cocô, alguém te mexe, te pega
no colo, tira sua roupa e te põe sentado noutro lugar, difícil, né?
Então, você vai evitar interromper esse processo e procurar se antecipar
ao seu bebê para levá-lo ao banheiro ou penico um pouco antes e, lá
chegando, você deve proporcionar um momento de tranquilidade (para você e
para o bebê), usando a técnica da distração, mostrando algum bichinho,

72
livrinho, ou mesmo levando um legumezinho pra cria seguir comendo enquanto
manda ver no cocozinho.
Sim, às vezes isso é preciso, pois, bebê com fome descobrindo os
alimentos não quer parar, sabia? Neste momento estão em duelo duas
necessidades fisiológicas, a fome e a evacuação. Por isso você como cuidador
atento e preocupado vai atender as duas necessidades e ao mesmo tempo se
for preciso. No penico ou troninho ou em cócoras no seu colo, o bebê vai
evacuar suavemente, em paz, com tranquilidade, o que será muito diferente de
ter de evacuar de fraldas justo um cocô que ganha consistência e incomoda
tanto para sair como é o cocô da IA.
Por isso, ofereça, diga: "-Faz cocô filho bruuuu, rum rum (som de peido
e de pigarro)!" Ofereça também o xixi: "-Faz xixi filho, shiiiiiii!"
O cocô, que com a IA passa a ficar consistente, assustar e demorar, é
feito em suaves prestações durante o dia ou fica dias sem aparecer, em
contrapartida com a HN vai sair mais rapidinho, sem dores, sem problemas e o
bebê vai preferir infinitamente essa posição, passando a te avisar quando tiver
essa necessidade, fazendo um cocozinho livre e lindo todo santo dia.
Além disso, outro detalhe muito legal e importante é que esse cocô não
faz sujeira, você não gasta muitos lencinhos (recomendo já lavar a bundinha na
pia), o bebê não fica em contato com as próprias fezes nem por um minuto,
você pode reaproveitar a fraldinha que estava usando, se você usa FP só vai
precisar lavar fraldas de xixi, seu bebê fica aliviado, tranquilo, a relação com o
cocô se torna natural e caminha para um desfralde guiado pelo bebê de forma
tranquila e saudável, entre muitos outros benefícios.
É fisiológico = lógica do físico, do corpo humano. Respeite seu bebê,
ajude-o a fazer cocô. Na imagem abaixo uma cadeira de alimentação infantil
muito funcional, com penico embutido, de 1950, uma época não tão distante
assim, 67 anos atrás. Sessenta e sete anos atrás não é nada. Os antigos
espertos que eram, inventaram essa cadeira, daí viemos nós, modernos que
somos, e obrigamos nossas crias a fazerem cocô em si próprias justo quando
estão comendo! Que sentido tem nisso?

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Imagem: Cadeira de alimentação/penico de 1950.

Fonte: Pinterest. Disponível em: https://br.pinterest.com/

Claro que não faz sentido, fralda é invenção moderna, foi feita para os
pais não se sujarem, são úteis, mas não são benéficas, usem, mas não
abusem!
Leiam sobre desfralde, leiam relatos de pais sobre desfralde, leiam
sobre enurese noturna, vejam o quanto pode ser difícil, traumático e penoso
pra criança e para a família, se informe do quanto os resultados de um
desfralde mal encaminhado pode gerar traumas de pequeno, médio e longo
prazos, problemas de ordem emocional, psicológica e física, se informem do
quanto é difícil para muitas crianças desfraldarem com o cocô (nós pais que
criamos o hábito obrigando nossas crias a defecarem em si próprias por toda a
sua vidinha, 2/3/4 anos).
Vamos nos unir pelo bem-estar das nossas crianças, pela economia,
pelo respeito à natureza, pela conexão entre cuidadores e bebês, pelo
atendimento a todas as necessidades fisiológicas dos bebês (alimentação,
descanso e evacuação). Tenham coragem de tentar a HN especialmente
durante a introdução alimentar do seu bebê, vai valer a pena!

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8 Posições corretas e ambiente oportuno

 No caso de bebês recém-nascidos tem que ter muito cuidado, a coluna


precisa estar bem firme, as mãozinhas seguras, a mãe em respiração
tranquila. É preciso pensar no reflexo que o RN tem de tentar se segurar
em alguma coisa para se sentir amparado, por isso pode funcionar dar o
dedo para o bebê segurar caso perceba que ele está muito inseguro.

Imagem: Bebê Maria Elis (+ ou - 2m) Imagem: Workshop Bebê sem Fralda

Fonte: Arquivo pessoal. Fonte: Arquivo pessoal.

 Bebês que já sentam podem explorar o penico, mas o ideal é sempre o


cuidador atrás, dando essa retaguarda, apoio, relaxamento e segurança
para o bebê.

Imagem: Xixi matutino, bebê Serena. Imagem: Xixi vespertino, bebê Serena.

Fonte: Arquivo pessoal Fonte: Arquivo pessoal

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 Redutores de assento são recomendados para maiores de 01 ano
(preferencialmente 02 anos). Bebês menores não possuem
imunoproteção para ambientes como o vaso sanitário.

Imagem: Serena 2 anos Imagem: Ariel 1 ano e 3 meses

Fonte: Arquivo pessoal. Fonte: Arquivo pessoal.

 Quando o bebê é pequeno e evacua muitas vezes enquanto mama,


ele está apenas se comunicando, pois é um momento que tem total
atenção da mãe, está relaxado e está colocando alimento por cima,
precisando liberar espaço embaixo. Neste caso a recomendação é
amamentar o bebê sem fralda, comunicando olho no olho. Com o
tempo o bebê vai parar de mamar e vai pedir claramente para fazer
cocô.

Imagem: Rosa 07 meses, mamãe Paula. Imagem: Kevin 03 meses, mamãe Bruna.

Fonte: Arquivo pessoal Fonte: Arquivo pessoal.

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 A melhor posição, válida para qualquer idade e local é com o bebê de
cócoras apoiado como for possível, coluna firme, corpo seguro,
períneo relaxado. Com essa posição você pode levar o bebê em
qualquer lugar que for necessário, variando a altura do bebê com
relação ao seu corpo, se abaixar mais o bebê pode fazer xixi no chão,
se subir mais, pode fazer na pia. Atenção para as mãos não
apertarem as perninhas nem para o bebê ficar muito “dobrado ao
meio”:

Imagem: Serena 08 meses em banheiro alheio Imagem: Kevin 02 meses

Fonte: Arquivo pessoal. Fonte: Arquivo pessoal.


Imagem: Rosa 7 meses e mãe Paula Imagem: Serena 1 ano e 5 meses no mato

Fonte: Arquivo pessoal

Fonte: Foto de Marcelo Ferrão – Argumento Digital

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9 Creche e HN

Mais uma dúvida muito comum que faz parte das mensagens que
recebo diariamente:
"-O bebê vai para a creche, é possivel praticar higiene natural?"
É possível sim. Na creche as tias não vão levar o bebê no penico ou
banheiro, de fato! Infelizmente as tias não levam mesmo. Muitas vezes nem as
fraldas trocam com frequência, não é mesmo?!
Então, como proceder? Amigos, a prática da Higiene Natural (HN) não
exige obrigatoriedade, quer dizer, como se trata de um ato dos pais e
cuidadores, pode ser praticado somente quando possível. Por exemplo, você
só fica com o bebê no turno da manhã? Tente pegar as evacuações matinais!
Você só tem tempo mesmo aos finais de semana? Pratique aos finais de
semana! “Ah, mas isso não vai causar uma confusão na criança e traumas?”
Não causa não! Explico: NÃO é treinamento de penico; NÃO é controle
esfincteriano; NÃO exige dedicação exclusiva; É somente uma prática que, ao
se observar os sinais de evacuação do bebê e, sendo possivel, neste momento
se proporciona uma evacuação digna, limpa e tranquila, estabelecendo o
estreitamento do vínculo, a segurança e o bem-estar do bebê.
Sempre podemos e devemos comparar a HN com o ato de amamentar,
tem que ser orgânico e natural e, da mesma forma que uma lactante não vai
amamentar enquanto o bebê estiver na creche, também não vai colocar o bebê
no penico nesse momento. Vantagens nestes casos:
* O intestino do bebê funciona como um reloginho e é muito provável
que ele passe a fazer cocô nos mesmos horários com os pais, fazendo cada
vez menos cocô fora de casa ou durante a madrugada e isso nada tem a ver
com treinamento e sim com um ajuste natural do relógio biológico do bebê,
assim como, por exemplo, ele pode preferir tirar as sonecas somente perto da
mãe enquanto com outros cuidadores “não se entregue”;
* É possível que o bebê estabeleça um sinal universal para xixi e cocô e
que os pais possam explicar às tias da creche que sem duvidas vão preferir
levar o bebê ao banheiro que trocar fralda cheia de cocô. Muitos bebês,
dependendo da idade, se expressam mais do que nitidamente com relação a

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vontade de fazer cocô e se o cuidador tiver uma pró atividade visando auxiliar,
a HN segue se desenrolando muito bem.
* O bebê se sente mais seguro para comunicar sobre a evacuação
sempre que estiver junto com quem de costume o leva para evacuar. Isso é
uma consequência natural e instintiva que diz respeito à confiança, o bebê
quando sente confiança ele se entrega de forma muito mais natural.
* São muitas fraldas a menos nos horários em que o bebê está em casa.
Se os pais pegarem, por exemplo, o xixi matinal, o cocô diário e o xixi de antes
de dormir, já são três fraldas a menos por dia e três possibilidades do bebê
ganhar consciência corporal. Todo modo de proporcionar a HN ao bebê é um
benefício a ele e também um benefício econômico e ambiental.
* O bebê vai evacuar normalmente nas fraldas quando estiver na creche
(caso as tias não contribuam com a HN), pois ele não tem controle
esfincteriano. Isso é o mais importante da HN saber que o bebê não possui
controle e nem buscamos isso, ele não vai ficar retendo as evacuações, se
precisar, estará de fralda e não sendo atendido, fará em si mesmo.
* O bebê usa fraldas como qualquer outro bebê. Porque neste ponto,
podemos usar as fraldas como aliadas, evitando que nos escapes os bebês
façam xixi e cocô que fica escorrendo em si mesmo e sujando tudo na sua
volta. Em todos os “manuais” de HN ou EC do mundo, indicam a prática sem o
uso de fraldas. Eu defendo o uso de fraldas por vivermos num mundo
globalizado com tantas demandas já nas costas da mulher. A HN não pode ser
mais uma forma de escravização feminina, se não uma forma de libertação da
indústria e sua tentativa de desligamento de nossos instintos selvagens.
* O bebê fica mais tranquilo e já acorda satisfeito, tendo sua primeira
necessidade fisiológica do dia atendida, se os pais focarem na primeira urina
do dia que é aquela de quando o bebê acorda, mais de meio caminho andado
estará sendo feito pela HN, porque daí em diante eles passarão a perceber
melhor e a própria criança vai se esforçar para comunicar sua vontade, aí
também passarão a captar o xixi de antes de dormir e por aí vai, trilhando um
caminho do bem em nome da consciência corporal do bebê que sozinho guiará
seu desfralde;

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9.1 A HN parcial

"-Afinal, como é essa história de Bebê sem Fralda? O bebê fica sem
fralda mesmo?" Depende! Partimos do princípio de que as fraldas são para os
pais e não para os bebês. Portanto, o bebê ficará com ou sem fralda,
dependendo da conexão/prática/disponibilidade/vontade dos pais.
Eu, por exemplo, pratico Higiene Natural (HN) com a Serena desde seus
54 dias de vida. Por muitas vezes antes do desfralde chegamos a passar
semanas sem molhar a fralda nem mesmo com o xixi noturno. Aos 11 meses
ela ficou duas semanas sem molhar a fralda, nem de dia, nem de noite foi
então que compreendi que ela havia desfraldado por conta própria.
Em dezembro de 2015 ela tinha acabado de completar seu primeiro
aninho e avisava todos os seus xixis e cocôs, como faria uma criança de 04 ou
05 anos.
"-Perfeito, né? Então era só deixar ela sem fralda, economizar e ser feliz,
esperando que ela avisasse e levando-a ao penico ou banheiro, certo?"
Errado! Como eu acabei de dizer, as fraldas são para os pais não se
sujarem. Claro que os bebês também não fariam nada nas fraldas se nós
fôssemos ensinados a identificar os seus sinais de evacuação. Mas,
infelizmente não apenas fomos ignorados nesta questão, como aprendemos a
fraldar os bebês já no nascimento e os obrigamos a evacuarem em si por 2, 3,
4 anos achando isso absolutamente normal, sem ao menos nos questionarmos
se a fralda é um utensílio necessário mesmo ou tão maléfico como a chupeta,
por exemplo, que tem a pseudo função de acalmar o bebê, enquanto, além de
silenciá-lo desencadeia uma série de problemas a curto, médio e longo prazo
como dependência, problemas bucais, nasais e até psicológicos.
Assim é com a fralda. Um utensílio que tem a pseudo função de manter
o bebê limpo enquanto, na verdade, o obriga a evacuar em si próprio (cadê a
lógica nisso?), anulando os pais na missão de compreender os sinais corporais
de evacuação dos filhos e criando no bebê uma série de dependências e
confusões na auto-consciência corporal, sabemos e vivenciamos muitos casos
de desfraldes traumáticos ou de crianças que mesmo desfraldadas só

80
conseguem fazer cocô de fraldas ou, ainda, que fazem xixi na cama por longos
anos ou que não conseguem evacuar fora de casa já na vida adulta.
Logo, sobre essa questão de deixar o bebê sem fralda, mesmo
praticando HN, nunca vai depender do bebê, já que ele não tem controle
esfincteriano. Quem é "responsável" por suas evacuações, assim como pelas
outras necessidades fisiológicas (fome, sono, sede, etc.), são os pais e
depende exclusivamente dos pais ajudarem com duas opções, se aventurando
a deixar sem fralda e ficar limpando xixi o tempo todo, fazendo deste processo
um estresse e uma pressão, ou aprendendo a conhecer os sinais de
evacuação de seus filhos, para proporcionar uma evacuação limpa e tranquila,
com muita conexão e amor, deixando com fraldas sempre ou quando
necessário!
No meu caso, por exemplo, antes dos 11 meses, hora o bebê ficava sem
fraldas, hora com fraldas. Pois, dependia da minha conexão, prática,
disponibilidade e vontade. Ou seja, não é sempre que conseguia ouvir/ver os
sinais de evacuação da Serena. Mesmo sendo praticante de HN há meses,
mesmo conhecendo todos os macetes, mesmo trabalhando em home office
com atividades que exigem muita atenção e concentração, mesmo que ela me
avisasse, mesmo sendo consultora de HN, eu sempre tive muitas outras
atividades, trabalhava fora alguns dias da semana (momentos em que
dependia da pessoa que fiaria com ela se conseguiria praticar HN ou não – na
maioria das vezes ela ia comigo aos compromissos), também sempre precisei
lavar, cozinhar, limpar, organizar, cuidar dela, de mim, da casa.
E já tive dias de pura sobrevivência (daqueles em que o raciocínio não
funciona), também precisei de um tempo pra mim, às vezes, e claro que acabei
perdendo um ou outro xixi ou cocô, oportunidade em que preferi deixar minha
pequena de fraldas (de pano ou descartáveis), usufruindo desse utensílio que é
sim muito útil, do que correr o risco de deixá-la fazendo suas necessidades que
além de já estarem sujando ela se espalhariam pela casa. Mesmo assim,
quando eu a deixava de fraldas, tão logo percebia ou era avisada que ela
precisava fazer algo, retirava a fralda, colocando-a no penico ou banheiro, ela
fazia feliz sua necessidade, voltávamos a vestir a mesma fralda e a vida seguia
com bebê sequinho e confortável até que isso se repetiu por tantas vezes que
quando notamos, não usávamos mais fraldas.

81
10 O pai e a HN

"-Ele é pai e não ajuda nem a trocar a fralda!"


Quem já ouviu isso? Ou então o contrário: “-Ele é pai e ajuda em tu-do
até a trocar fraldas!”
Bom, em primeiro lugar, pai não ajuda, pai tem a obrigação de cuidar
dos filhos e da casa, tanto quanto a mãe. A responsabilidade é de 50% para
cada. Em segundo lugar, convenhamos, trocar fralda é "uó"! Ninguém merece,
principalmente nossos bebês que sequer precisariam de fralda se nós
fôssemos ensinados a identificar os sinais de evacuação deles, tanto quanto
aprendemos a identificar os sinais de fome, sono e sede, por exemplo.
Tá certo que os pais, em sua maioria, não fazem ideia de quando o bebê
está com sono ou fome. Mas, se quiserem, com um pequeno esforço
conseguirão identificar sim as características dos filhos quando estão com
alguma necessidade fisiológica. É assim que vai se configurando uma
paternidade ativa. Com apego, com colinho, com atenção e atendimento às
necessidades.
Antigamente os homens não estavam nem aí pra isso. Papel de pai era
prover financeiramente o lar e só. Contudo, os filhos desses pais cresceram e
hoje são pais mais apegados, desconstruídos e ativos, pois sabem o vácuo que
a falta desta atenção paterna deixou em suas personalidades. E, mesmo tendo
sido impedidos de brincar de bonecas, sabem que ser um pai presente e
colaborativo não interfere em sua masculinidade, mas fará sim toda a diferença
na formação do caráter de suas crias.
O movimento é lento e progressivo. Construir uma relação empática com
bebês e crianças é um progresso para a alma e sobrepõe-se a toda carga
machista e segregadora a que os homens são esculpidos. Pais podem (e
devem) participar mais da vida dos seus filhos. Não é ajuda, é obrigação! Uma
necessidade social!
Mas, mesmo com tantos anos de paternidade desatenta para serem
recuperados por essa nova geração de pais, a boa notícia é que hoje eles
estão buscando se inteirar mais sobre as questões relativas aos filhos.
Estudando e participando mais da gestação, do parto, do pós-parto, da

82
amamentação e dos cuidados com o recém-nascido. Seguindo nesta jornada
em todos os aspectos da vida juntos de seus bebês.
É cientificamente comprovado que crianças que crescem com a
participação ativa dos pais se tornam adultos mais confiantes. Pais também
podem e devem começar a identificar as necessidades dos seus bebês.
Praticar Higiene Natural (HN) é uma ótima oportunidade para isso e vai
proporcionar uma série de benefícios pra eles e pra família toda. Aprendendo a
identificar os sinais de evacuação do seu bebê, você PAI vai:
* Evitar de trocar fralda "toda suja de cocô" que deixa o bebê também
"todo sujo de cocô";
* Dar uma folguinha pra mamãe assumindo uma tarefa fácil, fácil de ser
realizada;
* Aumentar a cumplicidade com seu filho;
* Estreitar os vínculos com seu filho;
* Dar confiança e estabelecer formas de comunicação com seu bebê
desde os primeiros dias de prática e de vida;
* Economizar muito dinheirinho;
* Evitar sujeiras extras de cocô e xixi no sofá, na cama, no banco do
carro;
* Ter um bebê que chora menos e dorme mais;
* Ter uma companheira que também vai dormir mais;
* Ter um bebê sem assaduras;
* Ter um desfralde mais rápido, seguro e tranquilo.
* Ter um momento só seu com seu bebê;
* Poder contar aos outros pais que você não troca fraldas, pois coloca
seu bebê no penico, aproveitando pra explicar do que se trata e parecer o
diferentão, descolado;
* Resgatar um conhecimento instintivo e ancestral.

Entre muitos outros benefícios. Se você é pai, pratique e verás! Lembre-


se de voltar para me contar, tá bom?

83
11 Regressões

Nos picos de crescimento e saltos de desenvolvimento, nas mudanças


de rotina, nos quadros de gripe, vacina, dentes, etc. a HN regride. Há certa
recusa do bebê. Isso é absolutamente normal, assim vai acontecer com a
alimentação, nestas ocasiões tudo vai desregular. Sono, fome, HN, rotina.
O que fazer?
-Lembrar que HN é respeito às necessidades do bebê;
-Tentar manter a rotina de HN;
-Não desistir (se o bebê não comer por alguns dias, ninguém desiste de
dar/oferecer comida, sendo xixi e cocô necessidades fisiológicas tais como a
fome e o sono, porque então, desistir de praticar HN?);
- Respeitar o tempo do bebê e as fases que ele enfrenta;
- Entender que vai passar;
- Persistir e Conversar;
- Continuar observando;
- Dar alternativas (não quer penico? Vai pro vaso! Não quer o vaso? Vai
pro box do banheiro, quintal, bacia, etc. Só quer fazer em pé? Respeite, mas
tire a fralda, facilite);
- Incentivar com os brinquedinhos, ursinhos, bonecos;
- Convidar o bebê pra ir junto ao banheiro quando for fazer o número 1
ou 2, mostrar.
- Manter a calma, sem paranoias.
Sempre, sempre comparando com a alimentação, fica muito fácil de
visualizar e saber como enfrentar os picos, saltos ou alterações que atrapalhem
a HN. Porque é bem isso, se o bebê não come uma ou duas refeições, um ou
dois dias, mas se ele está mamando está tudo bem. Se o bebê tem febre, mas
está brincando está tudo bem. Se não aceitou o penico hoje, mas tá fazendo
tudo na fralda, tudo bem. Não quis ir ao banheiro, mas aceitou molhar a
plantinha do quintal com o xixi, ótimo. Assim deve ser a HN nas regressões.
Devemos nós, cuidadores, sermos flexíveis. Persistir, acreditando na HN como
parte da rotina e do dia a dia da criança. Embora ocorram regressões, tudo em
breve continuará sendo como antes, orgânico e natural, como alimentar-se.

84
12 HN Noturna

Importante saber que é perfeitamente possível praticar HN no sono da


noite e com a prática, na maioria das vezes, o bebê faz xixi sem acordar (sendo
levado, obviamente), enquanto o bebê que não pratica HN noturna acorda com
mais facilidade justamente pela necessidade de fazer xixi e o desconforto que
sente.
O chorinho que relata a vontade de fazer xixi durante a noite é único,
específico, característico e não tem como errar é importante conhecê-lo. É
preciso sintonizar a frequência com o comportamento do seu bebê. Além do
choro, o bebê pode apresentar inquietude, é hora de ajudá-lo.
A famosa "chupeitada" sem fim pode ser vontade de fazer xixi.
Exatamente, a sucção não nutritiva dos seios durante o dia e também durante
o sono da noite, pode (e muito provavelmente é) ser vontade de fazer xixi, isso
no caso de bebês praticantes de HN e não praticantes.
Outra questão que se beneficia com a prática da HN é o fato de que o
bebê que tem suas necessidades atendidas durante o dia não faz mais cocô
dormindo e durante a noite começa a fazer cada vez menos xixi até que não
faça mais o noturno.
Contando a minha experiência pessoal, minha filha não usou mais
fraldas para dormir desde aproximadamente 09 meses e, nas raras vezes que
precisa fazer xixi no sono da noite (que para ela dura entre 12 e 13h graças à
Deusa e à prática de HN, não tenho dúvidas - bebê sequinho dorme mais), eu
a levo ao banheiro ou a coloco no penico sem que ela acorde. Depois, basta
colocá-la na cama que volta a dormir, talvez um pouquinho de peito ajude
ainda mais. Higiene Natural é tudo de bom. Bebê sem Fralda é cama seca e
garantia de sono tranquilo.

Dica sobre HIGIENE NATURAL NOTURNA para mamães


PRATICANTES e que AMAMENTAM:

85
** Sabem quando a cria está dormindo e choraminga, daí você dá o
peito e:
1. O bebê chega perto, mas recusa o peito e segue inquieto
choramingando;
2. O bebê pega o peito, solta o peito, troca o peito, pega peito, solta
peito, troca peito;
TCHARAMMM ➡ É hora de colocá-lo no penico!

** Observações importantes:
a. O bebê vai seguir choramingando, continue (com calma);

b. Explique (sussurrando) o que está fazendo e por que está mexendo


com o bebê;

c. Use sua capacidade de #mãeninja ou #paininja e não acenda a luz


(acredite, você consegue, deixe o penico à mão - tudo é prática);

d. Comunique-se:
"-Faz xixi filho(a) shiiiiii, daí você volta a dormir tranquilinho(a) shiiiiiiiii";

e. Se o bebê endurecer as pernas e recusar o penico, leve ao banheiro


em posição de balancinho (vide posições corretas), sempre comunicando (se
precisar use uma lanterna ou a luz do celular!);

f. Volte para o quarto/cama, dê teta e sinta o sono que segue;

g. Os primeiros dias podem ser tumultuados o bebê pode chorar (calma,


você está fazendo uma alteração na rotina de ambos, você está aprendendo)
tente distraí-lo;

h. Em pouco tempo essa prática vira rotina, NATURAL, como a HN


diurna;

i. Relaxe, noites inteiras de sono compensarão seu esforço inicial!!

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j. Bebê que não precisa urinar em si enquanto dorme, é mais tranquilo,
dorme mais (bem lógico, né?!);

Sempre utilizo o seguinte exemplo para ilustrar a HN noturna:


Suponhamos que você estava na rua com o bebê e ele dormiu na cadeirinha
do carro. Como faria para levá-lo ao quarto? Você tiraria o cinto com muita
parcimônia, falaria “filho, a mamãe vai te levar pra casa, fique tranquilo”,
abafaria os sons externos fazendo “shiiii, shiiii, shiiii, shiii, shiiii”, manteria a
temperatura corporal do bebê, retirando o casaco se estiver suado, por
exemplo, ou colocando uma mantinha por cima se estiver fazendo muito frio.
Enfim, você, cuidador, faria de tudo para manter o bebê dormindo. Assim deve
ser com a HN noturna, devemos praticá-la na certeza de ser um auxílio para o
bebê e não como uma forma de opressão, de acordá-lo a contra gosto ou
estressá-lo mais do que o fato de fazer xixi na fralda.
Deve ser feita com suavidade, no intuito de ajudar mesmo e aí vão
algumas dicas boas para saber se o bebê está precisando fazer xixi de noite,
mas, antes, será de grande valia atentar para pegar o xixi pré-sono que vem
naquele momento em que após toda a rotina do soninho o bebê não se entrega
para dormir. Depois disso, o sono profundo se caracteriza pela inércia do bebê,
ele fica completamente apagado e as mãozinhas provavelmente estarão
voltadas para cima, bem molinhas, conforme imagem a seguir.

Imagem: bebê em sono profundo

Fonte: foto de Vanessa de Sá – Revista Claudia18

18
http://claudia.abril.com.br/sua-vida/hora-de-dormir-como-ajudar-seu-bebe-a-ter-um-
sono-tranquilo-e-reparador/

87
I. Em caso do bebê começar a mexer muito as mãos ou pernas, é
indício de xixi;
II. Se o bebê está com o sono muito agitado, virando de um lado para
o outro, é hora de ajudar a eliminar aquele xixizinho;
III. Se o bebê acorda chorando ou gritando, tem xixi na área;
IV. Se o bebê está mamando infinitamente e não tem jeito de soltar a
teta, tem xixi também;

12.1 Problemas com o sono

Meu filho não dorme!


Você tem em casa um bebê que não dorme?
Esse bebê passa o dia irritado?
Esse bebê tem sintomas de estresse?
Vou contar uma coisinha pra vocês!
Os seres humanos possuem hormônios que regulam as ações corporais
e comportamentais.
É o Sistema Endócrino que é constituído pelas seguintes glândulas:
Hipotálamo
Hipófise Ou Glândula Pituitária
Glândula Tireóide
Glândulas Paratireóides
Glândulas Supra-Renais ou Adrenais
Glândula Pineal
Ilhotas De Langerhans (Pâncreas Endócrino)
Gônadas (Gone = Semente) (Glândulas Sexuais)

Nós, mamíferos temos o sistema nervoso e o sistema endócrino


interligados pelo hipotálamo, que regula a atividade da hipófise que por sua vez
“fabrica” e “secreta” os hormônios fundamentais ao bom funcionamento do
corpo.

88
As glândulas endócrinas são reguladas pelo sistema nervoso, e em
especial pelo hipotálamo ou por outras glândulas endócrinas, criando um
complexo e sensível mecanismo de interrelações neuroendócrinas.
Quase todos os hormônios que produzimos são armazenados na
Glândula Hipófise e de lá geram comandos ao corpo, cada um atingindo
determinado órgão e cumprindo sua função fisiológica.
Porém, dois deles, o ADH (ou vasopressina) e a Oxitocina (hormônio do
amor), excepcionalmente são fabricados e armazenados no hipotálamo, uma
glândula que fica acima da hipófise.
Como bem sabemos, o corpo humano é uma máquina perfeita e
completa e também já sabemos que bebês são mini-humanos com máquina
corpórea idêntica a de um adulto!
O que não sabemos, porque ninguém nos conta e também nem
pensamos em pesquisar, é que esses dois hormônios excepcionais regulam
inúmeras funções no corpo.
A oxitocina, por exemplo, age nas contrações uterinas para o parto e na
fabricação do leite materno para o pós parto.
Já o ADH ou vasopressina regula a condição de água no nosso corpo,
ele atua na bexiga e também na dilatação ou repressão dos vasos sanguíneos
(por isso o nome 'vasopressina'). Ou seja, o "estresse" e a "pressão"
acontecem conforme estiver regulada a fabricação do hormônio ADH
(antidiurético) no corpo, e seu controle se dá através da eliminação da urina.
Além disso,

[...] as estruturas e os mecanismos mais importantes que são


ativados pelo hipotálamo durante os estado de estresse. Podemos
observar que, por meio do Sistema Nervoso Central e do sistema
endócrino, o hipotálamo promove mudanças orgânicas fundamentais
para a manutenção da homeostasia, tais como a regulação da
glicemia e da atividade dos sistemas cardiovascular, digestivo e
respiratório. Através de suas conexões com a formação reticular (FR),
o hipotálamo participa da REGULAÇÃO DO CICLO SONO-VIGÍLIA,
influenciando no grau de atenção e expectativa do indivíduo, bem
como na graduação do tônus muscular. Além disso, por meio de
mecanismos próprios (tais como os mecanismos “da fome”, “da
sede”, do "xixi" e da regulação térmica corporal), o hipotálamo produz
subsídios que possibilitam uma atuação integrada do organismo e a
preservação da sua harmonia funcional.19

19
SILVA, D. e CORTEZ, C. M. Implicações do estresse sobre a saúde e a doença mental.
Artigo de Revisão. Arquivos Catarinenses de Medicina, Vol. 36, no. 4, 2007.

89
Em outras palavras, bebê com fome, sede ou vontade de fazer xixi não
pega no sono nem consegue dormir um sono profundo.
E você, consegue? Pense em você com muita fome e com sono, é claro
que vai fazer um esforcinho e dar uma volta na cozinha fazer um lanchinho
antes de dormir. Você com a bexiga muito cheia, sem dúvidas, por mais que se
esforce para dormir, vai acabar se obrigando a levantar para fazer xixi e só
depois disso pegar no sono de verdade.
Assim funciona com o bebê e ele na iminência de fazer xixi irá acordar
porque é a vontade de fazer que o acorda e não o xixi em si. Por isso, se sua
cria está chupeitando infinito e dormindo muito mal, além de passar o dia
estressada, ela pode só estar confundindo a necessidade que possui de
eliminar a urina e que o hormônio ADH já enviou o comando ao cérebro
pedindo para executar a tarefa, este, por ser infantil não tem domínio nem
capacidade ou autonomia de suprir a demanda, ao seu turno, essa vontade de
fazer xixi gera no bebê um comando de estresse cerebral, ou vice-versa, o
estresse pode desregular as funções hormonais do ADH, tornando-se uma bola
de neve e um ciclo sem fim de chora, acorda, chora, mama, dorme, acorda,
chora, mama...
E o uso das fraldas, com total desconhecimento dessa necessidade, faz
com que os pais condicionem o bebê a fazer na fralda e levam meses
“acostumando” o bebê a se “acostumar” com esse micro estresse. Aí entra a
Higiene Natural.
Pais atentos à todas as necessidades fisiológicas dos filhos, não passam
trabalho com o sono, pois ele regulariza com o atendimento da necessidade
que o bebê tem de fazer xixi e não sabe, mas, você que é adulto, responsável
e capaz de se informar e auxiliar, sabe e, sabendo, poderá agir de forma
diferente, ajudando sua cria.
Não pensem que vão começar a praticar Higiene Natural hoje e amanhã
a cria vai dormir um monte, HN é uma PRÁTICA. Só praticando é possível
atingir os resultados, se você espera resultados no sono, comece
imediatamente a praticar HN de dia, posteriormente de noite e, enfim, diga oi
para um sono profundo e uma nova criança, tranquila, aliviada, atendida e feliz.

90
13 Refluxo e HN

Então você acha que seu bebê tem refluxo porque ele mama e o leitinho
volta? Porque ele se contorce? Porque ele chora? Porque ele parece
incomodado?
Antes de falarmos do refluxo somado à prática da Higiene Natural,
vamos falar sobre o refluxo! Afinal, refluxo é normal?
Qual a diferença entre Regurgitação e Refluxo?
Segundo o Pediatra Mauro Batista de Morais, muitos pais e até médicos
estão confundindo regurgitação com refluxo e o pior, indicando a
descontinuidade da amamentação e medicando bebezinhos pititiquinhos sem
qualquer exame mais detalhado ou alternativas naturais para o enfrentamento
do problema:

Os adultos confundem a regurgitação comum, que ocorre com cerca


de 50% dos bebês e não interfere em seu desenvolvimento, com o
refluxo gastroesofágico, que merece atenção médica e, algumas
vezes, remédios.
[...]
O leite materno é mais leve, por isso mais fácil de voltar. Mesmo
assim, é melhor o bebê regurgitar do que perder as vantagens da
amamentação.20

Essa ansiedade da vida moderna faz com que os pais desejem que seus
bebês sejam seres que não deem trabalho. Por isso desconsideram até as
características NORMAIS de um recém-nascido. Como o choro, a necessidade
constante de colo e peito, a regurgitação, os sintomas de cólica, o sono leve,
etc.
E a primeira saída FÁCIL é a medicalização infantil e a substituição do
que é natural. Medica-se para a cólica, medica-se para o refluxo, medica-se
para dormir, substitui-se o leite materno pelo artificial, o colo pelo carrinho e
assim esvai-se a maternagem e a paternagem naturais, dando lugar à

20
REVISTA CRESCER. Refluxo: como identificar e cuidar do bebê. Muitas vezes é só uma
regurgitação normal. Veja as situações mais comuns e as mais delicadas. Por Mônica Brandão.
Edição Online. Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,ERT1606-
15326,00.html

91
terceirização da saúde e ao silenciamento das características inerentes aos
bebês.
Por isso, já que estamos falando de refluxo é importante sabermos o que
é comum (regurgitação) e o que é preocupante (refluxo) no caso da famosa
voltadinha que o leitinho dá!

Regurgitação:
É o que ocorre porque o esfíncter esofágico (uma válvula que fica entre
o esôfago e o estômago) ainda é imaturo, como todos os outros esfíncteres do
corpo do bebê. O esperado do esfíncter esofágico é que ele se feche assim
que o leite entre, segurando o líquido, mas devido à inconsciência corporal do
bebê somada à imaturidade esfincteriana, o esfíncter relaxa e não cumpre a
função, fazendo com que um pouco de leite sempre retorne após as mamadas.
Por isso, é absolutamente NORMAL que volte leite logo após o bebê
arrotar, ou aquele queijinho quando já faz um tempinho que o bebê mamou, é
um refluxo absolutamente fisiológico, uma simples regurgitação ainda que
ocorra em todas as mamadas.
Outro fator que desencadeia essa regurgitação é o excesso de leite
mesmo, pois não temos como saber se o estômago está lotado e o bebê recém
nascido também não sabe quando está satisfeito, mamando mais do que o
necessário, ao mesmo tempo em que a mãe, desesperada, quer suprir todos
os choros do bebê com o peito/mamadeira enchendo demais seu micro
estômago.
Segundo o Pediatra Glaucio Granja de Abreu: “-O amadurecimento
acontece entre os 6 meses e 1 ano. Enquanto isso, é preciso paciência e
fraldas extras”.21
Ou seja, não há consequência negativa para o bebê em caso de
regurgitação, ainda que ela seja constante. E também não há desconforto
profundo. Ao mesmo tempo, não existem medicações capazes de amadurecer
o esfíncter esofágico e nenhum outro esfíncter do corpo.

21
REVISTA CRESCER. Refluxo: como identificar e cuidar do bebê. Muitas vezes é só uma
regurgitação normal. Veja as situações mais comuns e as mais delicadas. Por Mônica Brandão.
Edição Online. Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,ERT1606-
15326,00.html

92
Como reduzir as regurgitações?
-> Primeiramente é importante que os pais se tranquilizem e
compreendam que se trata de algo absolutamente normal.
** Já viram alguém com um bebê no colo sem uma fraldinha de pano na
mão? Não né? Pois é!
-> Uma medida necessária a tomar é arrumar a pega do bebê ao seio,
assim não entra ar nas mamadas e os arrotos serão menos constantes,
reduzindo a probabilidade de retorno do leite materno.
-> Uma das medidas fáceis de tomar é colocar o bebê em pé assim que
mamar, com a cabecinha para trás do ombro do cuidador, dando levíssimas
palmadinhas nas costinhas, visualizando que os gases estomacais vão subir e
sair pelo esôfago e traqueia.
-> Uma das medidas necessárias é colocar a criança no berço ou no
carrinho ou cama viradinha para o seu lado esquerdo e sempre com o tronco
mais elevado, de modo que o corpinho não fique totalmente horizontal.

Refluxo (patológico):
Só há como saber se é refluxo se for diagnosticado por um especialista
através de EXAMES ESPECÍFICOS. Não adianta sentar na frente do pediatra
e ele ACHAR que é refluxo, receitando medicações. Essa medicação não teria
capacidade de ter outro efeito se não placebo e maior sono no bebê, porque
todos os seus esfíncteres são imaturos, inclusive o esofágico.
O tratamento do refluxo só pode ser feito com medicações que são
extremamente invasivas sendo de extrema irresponsabilidade medicar um
recém-nascido para refluxo, pois é biologicamente impossível que ele tenha o
esfíncter esofágico maduro e, por isso, defeituoso ou carente de medicação
para regularização antes dos seis meses ou um ano.
Há sim casos em que somente podem ser resolvidos por meio de
medicações ou cirurgia, mas, repetindo, sem exames específicos não há como
saber, e sem se tratar de um bebê maior e que pelo menos já come, não tem
como fechar o diagnóstico (a imaturidade é física/fisiológica, lembram? O
controle ocorre por volta do primeiro aninho de vida).
Se ao invés de pequenas e constantes regurgitações o bebê vomita de
fato, muito, pode ser um sinal de alerta para investigar o refluxo.

93
Como amenizar o refluxo?
-> Colocando o bebê para arrotar imediatamente após as mamadas e
evitar de deitá-lo logo que adormecer deixando-o ao colo em posição
verticalizada por mais tempo, quando deitá-lo, fazer com que o bebê fique de
barriga pra cima e com o tronco mais elevado - orientação da Pediatra Lucília
Santana Faria, coordenadora da UTI pediátrica do Hospital Sírio-Libanês (SP).
-> Evitar trocar a fralda imediatamente após as mamadas pois, na troca
"dobramos ao meio" o bebê, forçando seu estômago piorando o refluxo.
-> Usar sling, assim o bebê descansa bem verticalizado e no colinho da
mamãe, deixando a mamãe livre para suas atividades;
-> Praticar Higiene Natural, pois na posição de cócoras somente o
intestino é levemente forçado, auxiliando na eliminação das fezes e liberação
de espaço para mais ingestão de alimentos/leite - cuide a forma que vc está
segurando seu bebê ao penico, visite nosso banco de imagens em nossa
página no facebook, não é pra dobrá-lo ao meio;
Porque a HN pode ajudar no Refluxo?
Higiene Natural e Gastro-cólica/Refluxo:
O refluxo é um conjunto de pequenas, suaves, coordenadas e rítmicas
ondas de contrações musculares digestivas que servem para esvaziar o cólon
e abrir espaço para a próxima refeição. Este refluxo é ativado
aproximadamente entre 10 e 30 minutos após o início da ingestão de leite
materno, artificial ou outro alimento, podendo ocorrer até mesmo durante a
amamentação de Recém Nascidos, quando muitos bebês têm movimentos
intestinais intensos e acabam por evacuar. Portanto, sincronizar a oferta do
penico nestes momentos é sinônimo de sucesso para praticar HN e reduzir
todos os sintomas advindos de regurgitações e refluxos.
Além disso, a posição ideal para a evacuação ajuda também que o bebê
elimine possíveis gases estomacais que estejam lhe causando desconfortos e
contorcimentos.
Higiene Natural é vida! Não hesitem em praticar!

94
14 Irritabilidade, agressividade, teimosia

Vamos falar sobre BEBÊ IRRITADO, AGRESSIVO e TEIMOSO. Essa


dica é para todas as famílias, especialmente às praticantes de HN.
O bebê que está irritado, agressivo ou teimando, está por alguma razão.
** Dentre as razões de irritabilidade ou agressividade de um bebê estão
as necessidades fisiológicas!
** Se seu bebê está bem e, de repente, fica irritadiço ou agressivo, ele
pode ter: Fome; Sono; Sede; Vontade de fazer xixi; Vontade de fazer cocô;
** Em qualquer dos casos, antes de brigar ou reprimir esse
comportamento, é preciso lembrar que se trata de um bebê.
** O bebê não tem autonomia para: fazer sua comida; pegar sua bebida;
ir dormir por conta; ir ao banheiro sozinho, acalmar-se sozinho;
** Logo: Quem tem a capacidade e obrigação de atender tais
necessidades são os pais ou cuidadores.
** O bebê também não tem controle ou noção de que sente o que sente
e por que sente (isso só ocorre conforme o crescimento/desenvolvimento).
Por isso fica irritado, agressivo ou teimoso.
** Cada família encontra um jeito de suprir as demandas dos filhos de
forma prática como, por exemplo: Deixando frutas e biscoitos ao alcance dos
bebês/crianças para o caso de fome; Deixando o copinho sempre cheio de
água e disponível a saciar a sede; Adaptando o bebê a deitar-se e dormir
sozinho quando estiver com sono; Praticando higiene natural (ou seja,
proporcionando uma evacuação limpa, rápida e digna);
Sobre a Higiene Natural, especificamente, os pais atendendo às
necessidades fisiológicas de evacuação dos filhos, estão facilitando o processo
de eliminação (xixi/cocô) e estabelecendo uma comunicação intensa com o
bebê/criança, passando a observar mais essas necessidades e atendendo-as
antes e não depois como a maioria das famílias faz ao trocarem fraldas sujas.
Para melhor entendimento:
** Fazendo uma analogia com a fome, todos nós sabemos que uma
criança com fome fica totalmente fora do seu padrão normal e para evitar esse
desgaste buscamos atender sua fome, estabelecendo e respeitando

95
rotinas/horários de lanches e refeições e antecipando-nos à sensação crítica de
fome do bebê. Só conseguimos isso após o estabelecimento da conexão e do
conhecimento da rotina da criança.
Pois bem, na higiene natural é EXATAMENTE A MESMA COISA!
Os pais praticantes de HN antecipam-se às necessidades de evacuação
do bebê e atendem-nas, evitando que o bebê precise evacuar em si próprio.
Isso também só é possível após o conhecimento dos sinais do bebê e do
estabelecimento da conexão e da comunicação de eliminação.
Então, se você tem um bebê que "do nada" ficou irritado ou agressivo ou
praticando teimosias, atente-se para suas necessidades fisiológicas. Ajude seu
bebê. Ninguém merece ficar com fome ou sede ou sono, muito menos seu
bebezinho. Ninguém merece evacuar em si próprio e isso pode sim tirar o seu
bebê do sério, já haviam pensado por esse lado?
Até que tenha capacidade de auto-atendimento das necessidades, pais
e cuidadores são responsáveis por atender todas as necessidades dos bebês,
t-o-d-a-s (não adianta ter pressa para o desfralde); Até que tenham controle
esfincteriano, pais e cuidadores são responsáveis pelas evacuações dos filhos.
Pensem nisso e facilitem!!
Higiene Natural é estreitamento de vínculos, conexão, facilitação do
desfralde, é mais fácil praticar do que parece, é garantir que cocô na fralda
nunca mais. Bebê ficou de mal com a vida? Está com aquela carinha
enfezada? Primeiro o distraia para tirar o foco do estresse, depois vão
conversar no peniquinho. Hora de praticar a distração e o relaxamento.

96
15 Após o xixi e o cocô

O bebê acabou de evacuar, e agora? Fez só xixi, não tem problema


nenhum somente secar com papel higiênico ou passar um lencinho
(recomendo os caseiros) porque um banho por dia é o suficiente pra deixar o
xixi limpinho. Mas, se fez cocô, vamos lavar o bumbum do bebê?!
Gente! Sério, precisamos falar sobre isso! Alguma vez o cocô do bebê
respingou tipo no braço, perna ou mão de vocês?
Se sim (com certeza que sim!), como vocês se limparam?
Acredito, muito, que tenham lavado com água e sabonete. Então
pergunto: vocês já experimentaram limpar o cocô do bebê que respingou em
suas peles exatamente como os limpam? Assim, somente com lenço
umedecido, algodão com água, paninho ou seja lá qual for a alternativa de
higiene que utilizem?
Se o bebê está em amamentação exclusiva, ou só toma LA, o cocô é
doce, doce, doce, ele gruda igual melaço. Se o bebê já come além de grudar,
fede (tá certo que bebês que se alimentam saudavelmente têm o cocozin mais
cheirosin que aqueles que comem muitos industrializados e carnes e leite de
vaca), mas cocô, por ser cocô, fede!
Enfim, não é possivel que só um lencinho, um algodãozin com água ou
paninho úmido vá limpar!
E as consequências disso são assaduras, desconfortos no bebê (que
fica "pegajoso" onde sujou de cocô - muitas vezes até o meio das costas),
cândida recorrente e outras consequências negativas do tipo infecção urinária
ou cutânea por bactérias como streptococcus ou mesmo alergias e tantas
outras situações que basta pararmos pra pensar que por alguns minutos
nossos babys são portadores de cocô (sim, a fralda é um recipiente de segurar
cocô) e nos colocarmos no lugar dos babys para entendermos que pelo menos
os cocô carece de lavagem.
Tem que lavar sempre. Lencinhos e paninhos devem ser exceção.
Então o que seria legal fazermos?
Ora, cada pessoa/família vai encontrar a forma que melhor se adapta! Já
sei que uma pá de mães e pais dirá que é impossível fazer isso em todas as

97
evacuações e eu vou dizer que tudo bem mas, vou perguntar se realmente não
rola lavar o bebê pelo menos em algumas trocas de fraldas ou pelo menos
após os cocôs?
Não importa o tamanho do seu bebê, se acabou de nascer ou se já
passou dos dois anos, se ainda usa fraldas é ainda mais importante ser lavado
após as evacuações.
Se for só xixi, até não tem tantos problemas, pode ser utilizado até papel
higiênico em caso de bebês praticantes de HN e se for cocô tem que ser água
e sabonete! "Ai, mas e como faz essa logística?"
Minha dica é uma mão segura o bebê e a outra lava.

Imagem: Segurando um bebê de 14m para lavar após o cocô

Fonte: arquivo pessoal

Se você vive onde é/está calor, é só ir a pia do banheiro e usar a água


corrente (depois limpa a pia, é só a bundinha de um bebê, aliás do seu bebê,
lembre que a esmagadora maioria dos pais nem lava a bundinha e acha que
tudo bem, mas pensa que a pia não pode sujar...porém, para você que vai

98
praticar HN, a pia é um local limpo constantemente e presume-se que nenhum
usuário do banheiro tenha contato direto – pele à pele com a pia).
Se você vive onde é/está frio, é só colocar água morna numa térmica e
ter disponível um potinho que seja possível pegar a água com a mão em
concha, sabe!?! E zaz! Bumbum limpinho e cheirosinho livre de germes,
bactérias, coliformes, "grude" e tudo o mais. Bebê feliz e tranquilo!
Se você já chegou até aqui na leitura, mas ainda não se encorajou de
praticar HN, comecem ao menos a lavar o bumbum dos bebês nas trocas de
cocô e desfrutem das diferenças, proporcionando bem-estar para sua cria.

99
16 Xixi, cocô e pum

Estamos aqui falando em fisiologia humana. Falando que bebês são


mini-humanos. Lembrando que todos nós fazemos xixi, cocô e peido/pum. Para
pensar na questão biológica do corpo do bebê como uma máquina perfeita
devemos encarar a micção e a defecação como cadeias de eventos
fisiológicos. A defecação, por exemplo, se configura por eventos em cadeia de
onde os músculos de controle trabalham voluntária ou involuntariamente.
Desde a mastigação, o alimento faz um percurso que caminha no
esôfago, faz a digestão no estômago e em seguida passa pelos intestinos
delgado e grosso, já no cólon como bolo fecal vai para o reto e fica pronto para
ser eliminado. Quando o cólon está cheio, os receptores que possui com a
finalidade de emitirem sinais ao cérebro estão alongados (da mesma forma que
acontece com a bexiga, porém foram os líquidos que chegaram até ela depois
de passarem pelos rins) e são estes sinais que tornam o bebê consciente da
necessidade que tem de defecar.
Com a distensão do reto ocorre uma "resposta inibitória retoanal" que é
um reflexo involuntário onde relaxa o esfíncter anal interno, enquanto o
esfíncter externo fica contraído.

[...] é possível avaliar o reflexo inibitório reto anal, o qual é descrito


como uma rápida contração reflexa do esfíncter externo seguida de
um prolongado relaxamento do esfíncter interno ao se promover a
distenção do reto (BALDEZ, 2004).22

Momento em que, assim que o bebê relaxar e ficar tranquilo, relaxa


também o externo, eliminando as fezes e se estiver em segurança numa
posição que facilite o ângulo anorretal será ainda mais fácil.
O canal anal possui receptores sensoriais que identificam se o conteúdo
do reto são gases, diarreia ou cocô normal e logo-logo o bebê e cuidadores
estabelecem a comunicação para saber do que se trata também. Ou seja, o
bebê pode só soltar um pum e rir, desde muito cedo começando a falar e

22
BALDEZ, José Ribamar. Achados Manométricos nas Doenças Ano Reto Cólicas. Revista
Brasileira Coloproctologia, janeiro/março, vol. 24, nº 1, 2004.

100
reconhecer o punzinho, podendo pedir pra ir ao banheiro só pra soltar um pum,
assim como pode estar fazendo cocô e pedindo para ser mantido na posição
porque precisa fazer mais e também pode sinalizar todas as vezes que precisar
fazer cocô, ainda que esteja com diarreia.
Muitos pensam que os bebês não podem retardar a defecação de forma
voluntária através de contração esfincteriana e ela não apenas pode ser
retardada como será e, o bebê manterá os músculos do pavimento pélvico
travados. Essa capacidade está presente em certa medida nos primeiros
meses de vida de um bebê e fica facilmente observável se este bebê praticar
HN. Capacidade que aumenta gradativamente conforme o bebê cresce, porém,
cumpre enfatizar que essa capacidade está intimamente ligada ao instinto de
sobrevivência do bebê, ele retrai o esfíncter por estar tenso e irá soltar quando
estiver totalmente relaxado e seguro.
Ou seja, a prática da HN proporciona TOTAL consciência corporal para
o bebê e ele poderá desde muito novinho compreender as sensações que
sente, pedindo o auxílio de seus cuidadores para suprir a demanda de seu
corpinho perfeito e muitas vezes pode ser só pum. Muitas famílias não
compreendem e pensam que o bebê está com cólica, está sofrendo ou está
com dificuldades para evacuar. Canso de ouvir:
“-Não sei o que acontece, meu filho sinaliza, levo na posição e ele só
solta pum!” Bom, isso é porque o bebê realmente está precisando apenas
soltar um punzinho. Claro que, na maioria das vezes, o peido é prenuncio de
cocô, sendo, portanto, um ótimo sinal do que vem por aí, porém, não significa
que só porque o bebê está com gases que ele realmente precisa fazer cocô,
algumas vezes poderá ser apenas pum mesmo. Uma dica que eu sempre dou
é que os pais e cuidadores quando se depararem com uma situação em que o
bebê está anunciando e apenas solta punzinhos, o ideal seria posicionar o
bebê um pouco, ofertar, se não vier nada retirar da posição para realizar uma
massagem abdominal, firme e circular, fazendo movimentos que “empurrem”
as fezes do intestino grosso para o cólon e reto (na página tem vídeo
sugestivo) e, em seguida, retomar a posição para que o bebê possa evacuar de
fato. Talvez seja necessário amamentar um pouco neste meio tempo.

101
17 HN e Amamentação

Poucas pessoas sabem, mas a HN está diretamente relacionada à


amamentação. Deixei esse tema para o final, porque na verdade é uma das
chaves para a comunicação de eliminação entre lactante e lactente.
Nas imagens a seguir, são dois bebês em situações diferentes, à
esquerda, o Théo, mamando em sua mamãe Fernanda. Ele estava na época
da foto com 02 meses e, como todo RN, costumava fazer seu cocozinho
durante as mamadas. A estratégia neste caso é ofertar a evacuação enquanto
o bebê mama, olhando em seus olhos, transmitindo segurança e “autorizando”
a evacuação, assim, o bebê se sente seguro, compreendido, relaxado, libera o
esfíncter e faz seu xixi e seu cocozinho de forma tranquila, passando a
compreender que aquele desconforto que sentia era, afinal, apenas cocô e que
sua mamãe o compreende e o auxilia. Isso gera confiança e segurança,
fazendo com que em pouco tempo de prática de HN durante as mamadas, o
bebê passe a interromper a amamentação para sinalizar e enfim evacuar na
posição correta.

Théo 02 meses, mamãe Fernanda. Rosa, 09 meses, mamãe Paula

Fonte: Arquivo pessoal Fonte: Arquivo pessoal

À direita, Rosa, na época com aproximadamente 09 meses mamando


em sua mamãe Paula que começou a HN quando a pequena já tinha 07
meses. Rosa faz a introdução alimentar pelo método BLW (recomendo) e são
incontáveis as vezes que a mãe precisou interromper a alimentação para levar

102
sua filha ao banheiro, muitas vezes precisando deixá-la com algum alimento na
mão. Porém, o mais comum quando a pequena sente que precisa, mas que
“não está pronto” é o pedido de teta porque ela, mesmo tão pequena, já
compreendeu que enquanto mama em cima, o cocô vai sendo empurrado
embaixo, facilitando assim a evacuação. Por isso, ou a mãe amamenta com a
filha já no penico ou interrompem o momento do penico para que ela possa
mamar um pouquinho e assim o leite materno tem inclusive um efeito laxante
natural.
E como saber que o bebê precisa evacuar enquanto mama?
O bebê costuma ficar agitado no peito, mama um pouco, se afasta,
franze a testa, se contorce, chuta, pega o peito novamente, repete o
movimento todo. Sempre se arqueando para trás, muitas vezes chora, reclama,
suga de maneira irritadiça ou mama infinitamente. É o momento ideal para
sacar a fraldinha e ofertar um potinho embaixo (entre as pernas da mãe),
olhando nos olhos do bebê e dando o incentivo para que ele faça seu xixizinho
e seu cocozinho:
“-Faz xixi filho, shiiiiiiiiii, faz cocô, bruuuu rum rum (som de pigarro).”
O bebê eliminará o que precisa e retomará a amamentação. Se tiver
necessidade de eliminar mais, repetirá todo o procedimento de pegar teta,
soltar teta, ficar com as mãos agitadas, puxar e soltar a teta como se fosse
arrancar, poderá também morder, se contorcer, se arquear. Oportunidade para
ofertar mais uma vez a evacuação sem fraldas, sendo oportuna, muitas vezes,
uma massagem abdominal para auxiliar a descida das fezes até o reto. Feita a
evacuação o bebê volta a mamar tranquilo e muito provavelmente dormirá
aliviado.
Segurando o bebê em posição de obter algum alívio estamos
capacitando a nossa confiança sabendo mais uma maneira de responder e
AJUDAR o nosso bebê através de uma (comunic) ação.
A amamentação está intimamente ligada à HN e o peito/colo da mãe tem
a função de manter o bebê perto do coração para ser nutrido de afeto, carinho
e leite materno, também perto do coração estará para ser atendido em seu
cocozinho ou xixizinho e será ninado para dormir sereno.
A primeira janela ideal de prática da "comunicação de eliminação"
começa juntinho com a janela da amamentação. O primeiro sinal que podemos

103
aprender é a “briga” com o peito - um comportamento de amamentação
bastante comum que apenas indica o instinto do bebê de que precisa
instantaneamente de algo e não é "comer" e sim evacuar. Ele simplesmente
pode estar com muita fome, mas irá se recusar a mamar se estiver com a
bexiga completa o distraindo, há um conflito de necessidades fisiológicas e da
mesma forma que ocorreria com um adulto, precisará primeiro eliminar a urina
para depois se alimentar tranquilo.
Infelizmente esse comportamento ganha todo o tipo de interpretação.
Nem vou entrar nos méritos porque teria muito que falar de cada situação e, de
fato, o conteúdo aqui proposto já está se estendendo demais. Porém, algumas
das sugestões relacionadas a essa conduta do bebê seriam: refluxo
(provavelmente seria indicado uso de medicação), ingurgitamento mamário
(seriam abordadas iniciativas de ordenha anterior à amamentação), pega
incorreta (a mãe entraria num looping sem fim de tentativas de ajustar a pega),
gases, cólica (e essas duas teriam indicações de medicações e probióticos),
“seu leite é fraco” (e aí além do sentimento de culpa irrestrita entra uma lata
maldita de leite artificial e uma mamadeira), “esse bebê está com dor” (também
entrariam aí constantes idas ao médico e indicações de medicações de efeito
placebo ou que façam o bebê dormir mais – como é o caso dos remédios para
refluxo, dor, cólica, etc.), APLV (alergia à proteína do leite de vaca e a mãe se
desespera numa dieta totalmente restrita e rigorosa), pico de crescimento
(especialmente os dos três meses, onde o desconforto do bebê com o cocô e o
xixi é muito característico), confusão de bicos (lembrando que sim, bicos e
mamadeiras geram mesmo confusão) entre outras causas e consequências
que em nada tem a ver com o verdadeiro sintoma do bebê: vontade de fazer
xixi ou cocô.
Claro, todas essas questões são possíveis, são reais, existem, mas não
pensem que é assim que 09 em cada 10 bebês necessitam ser medicados.
Não. Está errado. Faz mal, prejudica todo o sistema físico e imunológico do
bebê, até o mental. Não pensem que seu bebê especificamente tem algum
desses problemas. A maioria dessas situações apresentam melhoria (em caso
de terem sido diagnosticadas) ou inexistência quando os bebês praticam HN
desde o nascimento.

104
Porém, como eu disse anteriormente, não é que praticar HN seja difícil,
é difícil apenas no começo e em algumas fases exigirá um pouco mais dos
cuidadores, assim como é a amamentação, pois os primeiros dias são de
descoberta, de tentativa e de erro, de ajustes e de entendimento, de
conhecimento da comunicação do bebê, de aprendizado dos sinais, de dúvidas
e de confiança. É com o compromisso inicial que toda a diferença será feita no
sucesso destas práticas tão orgânicas e necessárias para os bebês, que são a
amamentação e a higiene natural. Ainda que a HN seja iniciada em qualquer
idade que a criança esteja, o compromisso nas fases iniciais garantirá o
sucesso da prática.
Como a amamentação, os benefícios da HN são muitos - há
recompensas diárias e aos poucos tudo flui mais fácil, claro que sempre
surgirão desafios, situações inusitadas, vontade de desistir, épocas em que a
demanda será muito desgastante, exatamente como ocorre na amamentação.
Assim, terão também momentos difíceis em épocas de saltos de crescimento e
picos de desenvolvimento, onde o bebê vai virar um piercing de mamilo e
surgirão também momentos divertidos à medida que o lactente e a lactante
ganham confiança, aprendem juntos, superam fases, adaptam-se e trabalham
em parceria até que a prática da amamentação, tal qual a prática da HN, se
tornem orgânicas e naturais, crescendo ambas a partir daí e tornando-se parte
integrante do estilo de vida da mãe e do bebê, seja dia ou noite, rua ou casa,
rotina ou situação atípica.
Inicialmente, praticamente toda a vez que um bebê é amamentado, ele
fará xixi. Quer melhor sinal que este?
Assim como o desmame não é o objetivo da amamentação, o desfralde
não é o objetivo da HN, no caso da amamentação é a ligação, nutrição e
proteção que confere, com a comunicação de eliminação o objetivo é cuidar
das necessidades de higiene do bebê no momento atual "aqui e agora", esse
xixi, esse cocô e não mais tarde quando se tornar conveniente para os
cuidadores e problemático para o bebê. É muito melhor do que o uso contínuo
de fraldas, porque não se cria o hábito - o foco é aprender seus sinais de
linguagem corporal para "ir ao banheiro", da mesma forma em que aprendemos
os sinais de fome e sono.

105
A higiene natural é uma abordagem completamente diferente da higiene
com fraldas. A independência do banheiro é meramente o resultado de um
processo natural de desenvolvimento e prática desde o nascimento, assim
como o desmame é o resultado natural de uma relação de amamentação.
O bebê praticante de HN não requer "treinamento de banheiro", pois sua
consciência natural é nutrida dia após dia. Todos os bebês têm os mesmos
instintos, cabe a nós praticar e encorajar essa consciência, "sintonizando"
esses instintos durante os primeiros meses antes que desapareçam e é muito
provável que neste caso o desfralde ocorra antes do desmame.
A amamentação e a prática da HN em conjunto ajudam a mãe a
perceber as seguintes questões:

 Oferecer o penico ao bebê enquanto amamenta é a melhor


maneira de aprender os sinais que ele dá. Manter o potinho ou
penico perto permite acesso fácil aos seus portais de comida e de
evacuação favoritos. Ofertar o penico durante a amamentação
estreita a sintonia da mãe e do bebê;

 A família é uma equipe. Aleitamento materno é missão exclusiva


da mãe, mas a eliminação não. A comunicação de eliminação dá
ao pai e aos outros membros da família uma maneira de se
conectarem e se comunicarem com o bebê desde os primeiros
dias de vida.

 Os bebês não gostam de "sujar o ninho". Durante a


amamentação noturna é muito fácil de identificar os sinais de
eliminação. Com o tempo de prática o bebê nunca mais fará cocô
enquanto dorme e com a oferta do penico também após a
amamentação noturna, até a fralda pode ser dispensada, pois
será sempre sincronizada a amamentação com a urina noturna.
Com o tempo os xixis noturnos desaparecerão e as mamadas
noturnas ficam na mão de Deus, rsrsrsrs.

106
 Com a sincronização da amamentação e a prática da HN, o
desfralde natural guiado pelo bebê ocorre muito antes que o
desmame natural. No uso convencional de fraldas ocorre o
contrário, muitas vezes o bebê desmama antes de desfraldar.
Importante saber que o bebê encontra na mãe um elo de
atendimento da demanda de nutrição e higiene.

 Quando a lactante come muito leite de vaca e seus derivados,


bem como muito glúten, isso reflete diretamente no padrão de
evacuação dos bebês. Serão muitos xixis e os cocôs mais
amarelados e constantes, além de um estresse ou enfezamento
natural do bebê por conta da ingestão desses alimentos.

 Quando os dentinhos estão apontando o bebê mama muito mais,


consequentemente precisa evacuar muito mais. Com o uso de
fraldas será um bebê ainda mais irritado e nervoso, com a prática
da HN será um bebê mais tranquilo e confortado. As mordidas
também costumam coincidir com a vontade de fazer xixi.

A comunicação de eliminação tem tudo a ver com todos os guias atuais


de pediatria positiva (se este termo não existe, gostaria que passasse a existir),
que visam uma criação pautada nas formas parentais "naturais", como a
amamentação, o uso de sling, a resposta imediata ao bebê, a cama
compartilhada, o BLW e o desmame natural ou gentil.
Por isso, outra dica importante, ainda que o bebê seja maior, para
expandir sua relação de amamentação e experimentar algum tempo livre de
fraldas ou aprender outra maneira de responder a um bebê "agitado", basta
começar a observar e estar ciente de como você pode aprender mais sobre
isso que é algo primordial, maravilhoso e uma ótima maneira (viciante é
verdade) de cuidar das necessidades de evacuação do bebê. A comunicação
de eliminação é o livramento de uma grande quantidade de fraldas para trocar.
Isso é uma coisa fantástica para todos os envolvidos.

107
17.1 Dias sem fazer cocô em AME é normal?

Esse é um assunto que precisa ser muito observado e melhor discutido.


Tá certo que a digestão do leite materno se dá de forma bastante eficiente e o
organismo aproveita muito bem de todos os seus nutrientes. Os rins e o
intestino não são sobrecarregados explicando o aspecto aguado nas fezes de
um bebê que está em amamentação exclusiva (AME), são cocôs aguados
(amarelados ou esverdeados) enquanto o xixi costuma ser abundante e bem
clarinho. Conhecer as fezes e o xixi do nosso filho nos proporciona ter a
perfeita noção do padrão de evacuação e de saúde dele.

O bebê dá sinais quando há insuficiência de leite, tais como não ficar


saciado após as mamadas, chorar muito, querer mamar com
freqüência e ficar muito tempo no peito nas mamadas. O número de
vezes que a criança urina ao dia (menos que seis a oito) e
evacuações infreqüentes, com fezes em pequena quantidade,
secas e duras, são indicativos indiretos de pouco volume de leite
ingerido. Porém, o melhor indicativo de que a criança não está
recebendo volume adequado de leite é a constatação, por meio do
acompanhamento de seu crescimento, de que ela não está ganhando
peso adequadamente [sic.] (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009) (grifos
meus) 23.

Existem muitos mitos e tabus que prejudicam a amamentação e também


uma falsa ideia – ou total ignorância mesmo - de que a evacuação não tem a
ver com amamentação. Poucos textos estão relacionados. Mesmo assim,
muitas pessoas repetem que é normal um bebê em amamentação exclusiva
ficar dias sem evacuar e sobre essa questão encontrei uma menção no manual
de Promoção do Aleitamento Materno da Unicef:

AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA
Oferecer só peito nos primeiros seis meses de vida. Nesse período
não há necessidade de água ou chá, mesmo quando o tempo estiver
muito quente, seco ou o bebê estiver com cólica.
O leite materno é importante para o bebê durante esse período
porque evita muitas doenças, principalmente quando dado
exclusivamente. Além disso, contém todas as substâncias
necessárias para que o bebê cresça sadio mental e fisicamente.

23
Ministério da Saúde. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e
Alimentação Complementar. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica Série A. Normas e Manuais Técnicos. Caderno de Atenção Básica, nº 23. Brasília – DF,
2009.

108
Amamentar exclusivamente no peito evita muitas doenças, por
exemplo, diarréia, pneumonia, infecção no ouvido e muitas outras.
Quando o bebê mama só no peito, geralmente faz cocô mole,
várias vezes ao dia, ou pode ficar até uma semana sem evacuar.
Quando a criança mama no peito, aceita mais facilmente os alimentos
da família, porque o leite do peito tem sabor e cheiro conforme a
alimentação da mãe. Mamando só no peito até os seis meses os
bebês já estão se adaptando aos alimentos da família (grifos meus).24

Porém, não existe neste material referência, nem justificativa ou


explicação qualquer que respalde essa informação, apenas uma menção à
possibilidade de um bebê em AME ficar até uma semana sem evacuar. Trata
como sendo algo normal, mas não explica como e nem de onde vem essa
teoria. Na mesma frase diz que o bebê pode fazer vários cocôs por dia, o que
também por si só já é contraditório.
Além disso, parece mito essa ideia de que o leite materno é totalmente
absorvido pelo organismo e por conta disso o bebê não evacuaria diariamente
e tudo bem, pois não há evidência sobre esse discurso amplamente
reproduzido pelos pediatras e profissionais de saúde, contudo, para a
manutenção do aleitamento exclusivo é urgente que a atualização visando o
melhor conhecimento sobre os hábitos intestinais dos bebês. Pois, ao contrário
do que vem sendo propagado, o que se espera de bebês em AME são muitas
evacuações diárias e o padrão máximo reconhecido como “normal” em
crianças maiores de um ano seriam três dias sem fazer cocô, vejamos:

O hábito intestinal normal da criança pode apresentar variações. A


freqüência das evacuações é variável diferindo do adulto, assim
sendo, nas crianças maiores de um ano e no adulto as evacuações
podem variar de uma a cada setenta e duas horas até três
evacuações em vinte e quatro horas.
Nos lactentes esta freqüência é elevada e naqueles em
aleitamento materno ela varia amplamente podendo chegar até
dez ou mais evacuações/dia. De um modo geral, nos primeiros
14 dias de vida, a criança evacua entre duas a sete vezes por dia.
No quinto mês esta freqüência se reduz para uma a três vezes; e
ao redor do segundo ano esta freqüência se estabiliza em uma vez
ao dia (WERAVER, 1988)[sic.] (grifos meus).25

24
UNICEF e MINISTÉRIO DA SAÚDE. Promovendo o Aleitamento Materno. 2ª edição,
revisada. Brasília: 2007. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/pt/aleitamento.pdf
25
WEAVER, L.T. Bowel habit from birth to old age. Jornal de Pediatria Gastroenterológica
Nutricional, 1988.

109
A bem da verdade, esses estudos sempre analisam o caso de bebês
que usam fraldas, pois não existem evidências de bebês que não as usem ou
as usem de forma parcial. Na experiência da HN não acontece dessa maneira
(dias sem evacuar) e o que eu encontrei de evidências corrobora com essa
discordância. Quer dizer, os bebês que praticam HN fazem cocô(s)
religiosamente todo santo dia e muito provavelmente no(s) mesmo(s)
horário(s). Em pouco tempo passa a fazer a dois a três cocôs por dia, até que
faça apenas um muito antes dos dois anos pois, o bebê como qualquer outro
humano, respeitando a fisiologia do seu corpo que precisa de pelo menos 12
horas para fazer o percurso completo do alimento, lá da ingestão até a
eliminação, deverá fazer cocô todos os dias, da mesma forma que precisará se
alimentar e dormir diariamente.
Além disso, os casos de constipação são, na verdade, exceção. Apenas
em poucas situações o bebê poderá ficar até 10 dias sem fazer cocô, mas
quando essas fezes saírem, deverão ter um aspecto normal. Há, portanto, um
quadro característico de “Pseudoconstipacão intestinal” em lactentes em
amamentação exclusiva26.
“Dados da literatura mostram que a prevalência de pseudoconstipação
varia de 5 a 14% e que estes intervalos podem ser de 4 a 5 dias, 6 a 7 dias e
em alguns casos superior a 10 dias” (ANDRADE et. al., 2007 e FAIAL et. al.,
2006)27.

É importante ressaltar que a pseudoconstipação não é uma


condição patológica, sendo assim, não necessita de tratamento.
As evacuações líquidas e várias vezes ao dia , assim como o fato do
lactente passar até 10 dias sem evacuar, pode levar a mãe a achar
que ele apresenta diarréia ou constipação intestinal. É de
fundamental importância que o pediatra tenha conhecimento desta
situação que ocorre em crianças recebendo aleitamento materno
exclusivo, para que explique de maneira clara e objetiva a mãe,
possibilitando dessa maneira, que o aleitamento materno não seja
interrompido.

26
AGUIRRE, A.N.C.; VITOLO, M.R.; PUCCINI, R.S.; MORAIS, M.B. Constipação em
lactentes: influência do tipo de aleitamento e da ingestão de fibra alimentar. Jornal de
Pediatria, Rio de Janeiro, 2002.
27
ANDRADE, J.F.A.; AMORIM, C.S.C.; SILVA, L.; FAIAL, L. Hábito intestinal de lactentes
em aleitamento materno exclusivo. 6º Congresso Brasileiro Integrado de Pediatria
Ambulatorial, Maceió, 2007. E FAIAL, L.; AMORIM, C.S.C.; SILVA, L.; REIS, K.S.; TEIXEIRA,
J.M.; SILVA, L.M. Pseudoconstipação intestinal em lactentes em aleitamento materno
exclusivo. 33º Congresso Brasileiro de Pediatria, Recife, 2006.

110
Ou seja, embora a pseudoconstipação não seja patológica e não careça
de tratamento, não é “comum”, “normal”, uma probabilidade grande e real, ela
é, ao contrário, uma possibilidade remota - ainda mais remota que as reais
indicações de cesárea - pois abarcam apenas 5 a 14% dos bebês e esse
número é muito pequeno, não podemos achar normal que um bebê em AME
fique 10 dias sem evacuar e como já sabemos que os traços de determinados
alimentos se apresentam no leite materno, é imprescindível que a lactante
tome medidas de regulação das fezes do lactente como o aumento da ingestão
de fibras, frutas, água e oleaginosas.
Mas, a melhor e mais eficiente medida de solução da constipação fecal é
sem dúvidas a retirada das fraldas e a apresentação da posição adequada, ou
seja, a higiene natural.
O organismo foi feito para se alimentar, descansar e evacuar
diariamente. Todas as situações que saem dessa rotina implicam em
alterações hormonais, comportamentais, emocionais e de ordem física.
Técnicas de tortura, por exemplo, consistiam em deixar o prisioneiro dias sem
dormir e ou sem comer/tomar água e ou sem fazer xixi/cocô.
No caso da privação de sono, o paciente pode apresentar desde perda
da concentração até uma doença cardíaca ou pressão alta, por exemplo. No
caso da ausência de alimentos, o indivíduo por inanição tem o organismo
consumindo os próprios nutrientes buscando energia a fim de manter-se vivo, o
resultado são lesões progressivas da musculatura e dos órgãos.
Já no caso da constipação fecal, são muito características as respostas
do corpo humano (independente da idade), pois o indivíduo apresenta
desconforto abdominal e dor, inchaço, mau humor, depressão, ansiedade,
hemorroidas, fissuras anais, efeito rebote de incontinência fecal por esforço
excessivo de retenção e eliminação das fezes constipadas, nervosismo,
agitação, agressividade.
Quer dizer, a pessoa que não está eliminando as fezes da maneira
correta, diária, apresenta o típico comportamento e a cara “enfezada”, por estar
cheia de fezes!
Soma-se a esses fatores todos ainda o fato de que o bebê que não
evacua bem, não mama bem e depois não ganha peso e assim adentra num

111
ciclo desesperador de problemas com as evacuações, problemas com a
amamentação e problemas com o ganho de peso.
Por isso, para evitar desmames precoces e maiores riscos ao
aleitamento materno exclusivo, é urgente a propagação da HN, pois se um
bebê evacuar bem, ele mamará bem e ganhará peso adequadamente, fazendo
enfim um ciclo positivo de atendimento das necessidades e de crescimento
adequado.
Cabendo aos cuidadores manter os bebês em harmonia com seu
ordenamento físico e biológico, alinhando o aleitamento materno com a prática
da higiene natural e a teoria da exterogestação, os primeiros (e posteriores)
meses de vida dos bebês farão deles e de seus cuidadores indivíduos muito
mais tranquilos do que se pode imaginar.
Dediquem-se e acreditem! Os resultados aparecem a curto, médio e
longo prazos, exatamente como acontece com a amamentação, somente
quando resistimos e acreditamos, chegamos aos 06 meses de amamentação
exclusiva e fluímos, mesmo diante de tantas crises, pitacos, falta de incentivo e
dificuldades, até no mínimo os 02 anos, conforme é recomendado pela
Organização Mundial da Saúde, resistindo em prol da HN, chegaremos a um
desfralde suave, respeitoso e guiado pelo nosso bebê.

112
18 O que as mães dizem

Kevin, 5 meses, mamãe Bruna Batista:

“Vou tentar enumerar todas as razões:


-Mais higiênico;
-A posição (de cócoras) permite que o bebê
elimine tudo;
-Zero cocôs até o pescoço (ou no banho);
-Fraldas de pano pra lavar só molhadas;
-Permite uma conexão maior entre bebê e
cuidador
-Facilita o desfralde que é guiado pelo bebê;
-Permite noites mais tranquilas (por aqui com 03
meses ele já dormia 6/7/8h de seguida sendo que é
só peito sem chupetas);
-E o mais importante de tudo: o bebê fica mais
aliviado e feliz!”

Começaram aos 18 dias.

Cecília 07 meses, mamãe Tati Aguiar:

“Eu conheci a página por indicação em grupos


de mães. Passei a ler depois de observar suas
colocações pra melhorar vários aspectos do bebê
como sono e irritabilidade. No dia que ela
completou 07 meses iniciamos oficialmente no
penico porque já havia feito algumas vezes com a
fralda. O sono dela melhorou muito.”

Aurora 06 meses, mamãe Kecis Lopes:

“Aurora pratica diariamente desde seus 2 meses


de vida e eu posso garantir que são inúmeras
vantagens, uma delas é o sono. Aquele momento
que a mamãe adoraaaaa porque pode descansar
fazer alguma coisa, dormir junto, etc.
Quando levo Aurora pra fazer xixi antes da
soneca/sono profundo é uma lindeza que só.
Mama rapidinho e capota!
Quando pego o xixi na primeira vez que ela
acorda a noite, só vai acordar com os passarinhos
raiando o dia.
Se eu pegar só na segunda despertada, ela nem
mama, faz xixi de olhos fechados e se amolece
aliviada instantaneamente. É lindo!”

Começaram com 02 meses.

113
Rosa, 14 meses, mamãe Paula:

“Começamos a HN quando Rosa começou a IA


e as constipações também. Hoje ela está com 14
meses e de lá pra cá nunca mais tivemos
problemas com constipação, a qualidade do sono
dela melhorou muito e recentemente ela já
começou a verbalizar cáca (para fazer cocô).
Outro benefício da HN é em relação a
amamentação, pois hoje quando minha bebê
começa um “larga e solta o peito”, se mostra
descontente, meu primeiro reflexo não é mais de
achar que minha produção diminuiu.
Simplesmente , tiro a fraldinha dela e ofereço o
penico. Geralmente ganho de presente um xixizão
e uma carinha de alívio, como quem diz obrigada!"

Começaram aos 07 meses.

Martin, 05 meses, mamãe Wendy:

“Acredito que se o Martin pudesse falar caberia


a ele a parte das vantagens. Eu apenas enxergo
como um elo benéfico entre nós para a saúde e
bem estar dele. Consigo enxergar o seu
desconforto e logo tento proporcionar a solução.
Consigo ver no rosto dele o alívio. Não consigo
me lembrar do antes, não sei nem com quantos
dias nós iniciamos, só sei que comecei a HN
quando me senti mais segura e confortável após
as primeiras semanas tão conturbadas após o
nascimento. Nós como pais nos questionamos
todos os dias porque outros pais não conseguem
enxergar e oferecer o mesmo aos seus bebês.”

Começaram aos 02 meses

Romeu 6 meses, mamãe Janine:

“O primeiro de todos é o benefício humano de


saber que ele está sendo atendido, que não
precisa fazer as necessidades em si, se alivia
com respeito e dignidade. Em segundo lugar,
praticidade de não ter que lavar fraldas sujas de
cocô (uso FP). E com isso o ecológico, de usar
menos fraldas, consequentemente uso menos
água pra lavar.”

Começaram na primeira semana de vida.

114
Emanuel, 02 meses, mamãe Clarissa:

“Achei simplesmente maravilhoso, é fácil e


facilita a tranquilidade, a higiene e o sono do bebê.
É tão fácil que, mesmo sem explicar como
funciona, minha filha de seis anos já aprendeu e
avisa quando nota os sinais do irmãozinho
querendo xixi ou cocô. É uma satisfação imensa
saber que ele sacode as perninhas não é de
alegre, que morde o peito não é de maldoso e que
chora não é de birra ou fome, é porque está
apertado pra fazer xixi ou cocô... Aí é levar pro
penico e pronto, não vai mais ter stress, o bebê
faz logo, sem dificuldade. Bem pelo contrário, com
muita facilidade, a gente não precisa fazer mais
nada além de tirar a roupa e segurar – quanto
menos coisa fizer mais fácil será, pois o bebê
concentra e elimina tudo o que necessita. O que
mais gostei é proporcionar o que meu filho precisa
sem esperar ele falar. Atender as necessidades
hoje vai refletir no psicológico e na segurança dele
amanhã.”

Começaram com 54 dias.

Luana, 11 meses, mamãe Aline:

“Assim como muita gente, a primeira vez que


eu fiquei sabendo dessa prática pensei: "-Nossa,
isso é praticamente impossível!". Até o dia em que
eu resolvi tirar a fralda da minha filha pois sabia
que ela queria fazer cocô. Segurei ela pelas
perninhas e ela fez. Então eu percebi que o
"praticamente impossível" tinha ido pelo ralo junto
com o cocô da minha filha e junto com meu
preconceito (ou pré-conceito). Depois desse dia
pensei: "-Nossa, como foi que eu não fiz isso
antes!". Bom, tudo na vida tem seu tempo. Hoje eu
acredito que praticar a higiene natural é um ato de
respeito e amor. Atender as necessidades da
minha filha me faz uma pessoa muito mais
conectada com ela e com o mundo. É na sutileza
do olhar, do gesto e do som que a gente se
compreende. O momento em que eu percebo, a
pego no colo, tiro a fralda, converso, canto, emito
sons, vibro, limpo e coloco a fralda novamente é
único. É a hora onde o mundo pára. Onde nada é
mais importante. Isso é respeito e amor. Isso é
natural. Isso é o que toda criança merece! E a
natureza também.”

Liv, 14 meses, mamãe Tali:

“É ecológico, prático, econômico, humano,


saudável, natural, respeitoso com o cocozinho e
xixizinho sagrado. E da pra ter um controle da
quantidade e qualidade dos resíduos que indicam
doenças ou saúde. Conforto!!! Alívio!!! Qualidade
de vida!! Apego cuidador-bebê... Não esse jeito
mecânico desconectado, bota a fralda e larga o
bebê e depois de horas troca com nojinho e ainda
reclama que está assado affff O motivo essencial
é a alegria da minha filha de ser atendida.”

Começaram aos 02 meses

115
Lara, 02 anos e 03 meses, mamãe Gisa:

“Higiene natural foi uma das melhores coisas


que proporcionamos para nossa filha e para nós
também. Poder identificar as necessidades dela
desde tão pequena foi fantástico. Além da
economia, minha filha nunca teve assaduras ou
intestino preso. E quando ficava agitada, inquieta,
sabia exatamente do que precisava.
O desfralde ocorreu aos 22 meses, foi natural,
tranquilo e guiado por ela, facilitado pela técnica e
pela rotina. Eu já não precisava direcioná-la. Ela já
ia sozinha. Felizes!!
É muito emocionante falar sobre isso.”

Começaram aos 04 meses.

Maria Flor, mamãe Greice:

“Começamos a prática da higiene natural muito


cedo após constatar que Maria Flor esperava a
troca de fraldas para fazer xixi e cocô peladinha.
Logo passamos a prestar atenção nos sinais e
ajudá-la a fazer as necessidades no penico se
tornou cotidiano. Hoje, Flor tem 01 ano, nunca teve
cólicas, prisão de ventre ou assaduras severas.
Para nós, higiene natural é tão natural - e
necessária - quanto alimentá-la.”

Começaram aos 09 dias.

Lorenzo, mamãe Tainara:

“Higiene natural pra mim foi uma das coisas


mais incríveis e com mais conexão entre pais e
filho que a maternidade me trouxe. Começamos a
praticar e conseguia identificar todos os sinais de
cocô e sempre recebia um xixi de brinde e todo xixi
matinal, assim que acorda. Foi uma experiência
incrível, que eu indico pra todos, sem exceção. Um
dos muitos benefícios é a economia, usava apenas
02 fraldas de pano por dia, enquanto bebês que
não praticam HN usam em média de 5 a 8 fraldas.
Outro ponto incrível é sair de casa sem
preocupação com mil roupas e fraldas, quando a
conexão está estabelecida, é muito difícil não
perceber o sinal.
O desfralde ocorreu naturalmente. Com 1ª7m
comecei a deixar sem fralda e em uma semana
meu filho avisava todos os xixis e cocôs. Foi uma
surpresa pra todos!”
Começaram aos 04 meses.

116
19 O que os profissionais atualizados dizem:

“Recomendo que a prática da higiene


natural seja conhecida e encorajada, pois é
fisiologicamente correta, isenta de riscos e
traz consigo o empoderamento da infância. A
H.N. traz, entre seus benefícios, a redução da
frequência de várias condições como cólicas
e dermatites, além de propiciar conforto ao
bebê. Criança sem fraldas é opção de
infância com mais saúde e menos
consumismo. Embora técnica muito antiga, a
H.N. apresenta-se hoje como uma ferramenta
aliada na luta contra a patologização da
infância.”

Valéria Zorzi, médica graduada pela


UFSM/RS; com pós graduação e
especialização em pediatria clínica, pela
U.N.A./Asunción/Py; Especialista em
medicina da família e comunidade, pela UNA-
SUS UFCSPA. Atuando como médica em
ESF, pelo Programa Mais Médicos e
plantonista em Urgência e Emergência.

“Percebi que muitas das queixas em torno


da amamentação que as minhas pacientes
puérperas relatavam eram na verdade sinais
que o bebê estava dando da necessidade de
eliminação. Passei a oferecer para os
cuidadores a alternativa da prática de H.N e
como resultado bebê realiza uma eliminação
satisfatória e retorna para a amamentação
mais calmo e receptivo às intervenções de
correção de pega e posição, por exemplo.
Hoje, para mim, se tornou impossível dissociar
a prática de H.N do cuidado global que ofereço
em um atendimento. Percebi que, eu não
posso simplesmente auxiliar uma mãe e um
bebê na amamentação e ignorar os sinais da
necessidade de eliminação.”

Marília Borges, enfermeira graduada pela


UnB; pós-graduada em Enfermagem
Obstétrica pelo Programa de Residência em
Enfermagem Obstetrica SES/DF. Atua como
enfermeira obstétrica na assistência ao parto
domiciliar, parto hospitalar e como consultora
de amamentação.

117
“Em nossa vida industrializada caminhamos para um
precipício que ameaça a sobrevivência do planeta, cada
vez mais distantes da natureza. Esse distanciamento tem
começado muito cedo nas novas gerações, e causa um
forte impacto na maneira como mulheres e crianças tem
vivenciado o nascimento e o desenvolvimento humano na
primeira infância. Nossos aspectos primitivos, ou melhor,
instintivos, tem sido silenciados, vários deles relacionados
com nossas eliminações e manutenção da higiene. Diante
dessa tragédia humana é muito valoroso contar com uma
obra que cientifica, esclarece e difunde para profissionais
e leigos como devemos lidar com os bebês no
desenvolvimento de suas capacidades biológicas para
urinar, defecar e na aprendizagem da higiene corporal e
da segurança emocional, pois tudo isso está conectado
em nossa psique (pessoas medrosas e indecisas ou
aguerridas e afoitas, passaram por dificuldades no
processo de higienização e controle dos esfíncteres
durante a infância).

Kaelly Virgínia Saraiva (à esquerda), Graduada em


Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (1999),
com mestrado em Enfermagem Comunitária em 2003 e
doutorado em Enfermagem em 2008, bolsista da Funcap.
Especialista em Enfermagem Obstétrica, desenvolveu o
projeto da casa de parto do CEDEFAM/UFC. É professora
substituta da UFC/Departamento de Enfermagem; foi
professora da Faculdade Católica de Quixadá (FCRS) e
coordenadora do cursos de Enfermagem da Faculdade
Santa Maria (em Cajazeiras, PB) e da Faculdade de
Ensino e Cultura do Ceará (FAECE). Membro fundadora
da ABENFO no Ceará (Assoc. Bras. de Obstetrizes e
Enferm. Obstetras e Neonatais).

“Higiene Natural é escutar e entender o


corpo do seu bebê. É pura sintonia, é deixar
aflorar o lado natural e fisiológico do corpo.
Melhora o ritmo intestinal do bebê, acalmando
e deixando-o mais seguro.”

Amanda Ibagy, médica Pediatra formada


pela Universidade Federal de Santa Catarina,
UFSC, trabalhou no Hospital Infantil Joana de
Gusmao e Blantyre Adventist Hospital, atende
em consultório particular em Florianópolis -
SC. Amanda ainda amamenta sua filha de 3
anos e 3 meses.

118
20 Conclusão

Parece difícil e, para falar a verdade, HN é mesmo difícil, não pelas


posições ou tarefas como lavar a bundinha, mas pela dedicação e intenção que
exige. Tem que realmente querer praticar a HN para ter resultados e somente a
prática leva à perfeição! Pois, a dificuldade está só no começo, no ajuste da
sintonia e passadas as fases de adaptação, a prática se torna fluída.
É como tocar violão ou andar de bicicleta, vai exigir treino, performance,
querer. Sim, pois praticar HN exige muita dedicação. Não é assim, pegar um ou
outro cocô e achar que dali para frente será fácil. Não será. Como a
amamentação, vai exigir esgotamento, mas amamentar é a única tarefa que
não pode ser dividida, conquanto a HN pode, então ela pode ser ainda mais
tranquila se for praticada por todos os cuidadores.
Vai ter dias em que pensaremos:
“-Ahh, penico de novo?!”
Vai ter dias em que pensaremos que seria melhor que a cria fizesse na
fralda. Mas, é um caminho sem volta, depois que começamos a captar cocôs e
os xixis vendo a sensação de alívio do nosso bebê e de notarmos o crescente
esforço que ele faz pra nos avisar, não tem como ignorar a HN. Porém, quem
usa fraldas também passa por isso:
“-Ah, não, outra vez trocar a fralda?”
Ou se estiver na rua: “-Onde será eu vou conseguir trocar a fralda?”
Muda o discurso, as razões e as escolhas, lidar com as evacuações
antes/durante ou depois? Porque ter um bebê por si só é trabalhoso. A rotina
de uma família que usa fraldas será: “alimentar, brincar, fazer dormir e trocar
fraldas” e de uma família que pratica HN será: “alimentar, brincar, fazer dormir
e levar ao penico/banheiro”. Ainda dentro das vantagens de praticar HN, uma
delas é justamente a economia de tempo e a facilidade em todos os casos
típico e atípicos de cocô e xixi, pois se torna mais rápido atender essa
demanda.
Muitas pessoas antes de começar já têm a dúvida de como será na rua,
como será durante a noite, como será em casas alheias, enfim, e eu posso
afirmar com certeza que a prática se torna tão orgânica que nós passamos a

119
internalizar todas as necessidades da cria como algo a ser atendido e damos
um jeito. Da mesma forma que não deixamos de amamentar ou alimentar ou
fazer dormir em situações alheias à rotina, também não deixaremos de atender
a vontade de xixi ou cocô do nosso bebê. Além disso, é importante primeiro
começar, curtir, desfrutar e deixar as situações que ainda nem chegaram, para
quando chegarem.
A prática da HN vai melhorar a vida do bebê e de toda a família,
ajudando-o a evacuar na posição correta e sem fraldas. Proporcionando
economia, liberdade, conexão, redução do uso de produtos químicos,
confiança, melhor saúde, melhor padrão de sono, melhor padrão de
alimentação, comportamento, etc.
A título de curiosidade, no meu caso, até os 11 meses da minha filha,
quando a desfraldei dia e noite, ela fez cocô na fralda, no máximo, 5 vezes.
Vocês conseguem imaginar um bebê que durante nove meses só fez cocô em
si por 05 vezes? Pois, toooooodas as outras vezes, ou seja, 30 dias por mês,
durante 9 meses, foram pelo menos, 270 cocôs que minha filha fez de forma
limpa e digna, fora da fralda, na posição adequada e no mesmo horário! Dá pra
acreditar?!
Isso é muito legal. Tenho uma bebê que nunca teve assaduras e que
somente durante seus dois primeiros meses de vida (e algumas outras
eventuais vezes) fez cocô em si. Dos 11 meses até hoje, 2 anos e 05 meses,
ela nunca mais fez cocô nela/na roupa e xixi tivemos raríssimos e eventuais
escapes sempre diante de situações adversas.
Isso não lhes parece DEMAIS?
Sim, isso é DEMAAIS!!!
E o xixi? Bom, o xixi requer mais atenção, técnicas, conexão, prática. E
o melhor, o próprio bebê passa a avisar que quer fazer xixi! Vocês acham eu
não tive perdas de xixi? Claro que tive, assim como minha filha já se recusou a
comer, já se recusou a usar o penico e pouco depois fez na roupa. Eu sempre
procedi de forma natural, compreendendo que eu perdi aquele xixi por alguma
razão, ou por ter me antecipado demais, ou por ter demorado muito, ou por ter
pressionado muito, ou sido leve demais... Que seja, com o tempo, a prática, o
estudo, o trabalho com HN e o próprio desenvolvimento da minha filha, fui
realizando os ajustes necessários para desfrutar desta prática da melhor

120
maneira possível. É sobre isso que eu quero falar com vocês. Para deixarem a
HN fluir. Sem pressão. Sem paranoia nem cobranças nem culpa.
Claro que tivemos regressões, claro que tivemos fases difíceis, claro que
já perdi xixis, e em determinadas fases perdi também cocôs, claro que ela é um
docinho e se esforça para avisar quem está perto. Claro que vieram (e imagino
que ainda virão) muitas fases depois do desfralde e claro que não tive
pretensão alguma de desfraldá-la, mas não tive nem tenho NENHUMA
DÚVIDA de que fiz e faço o melhor por ela.
Nós já viajamos de carro, de ônibus, de Ferry Boat e de avião. Já
estivemos em hotéis, pousadas, casa de amigos, casa de estranhos, casa de
parentes, cidades, campo, frio intenso, calor, praia e interior e todo o tipo de
situação imaginável e a HN esteve sempre dentro da nossa articulação e
logística diante dessas situações. Com dois anos e dois meses a Serena
frequentou por 03 meses uma escolinha e nunca teve escape algum, sempre
fazendo o cocô em casa antes de ir e o xixizinho na escolinha no vaso.
E, foi diante de tanta experiência boa que passei a divulgar a técnica
com mais afinco, queria gritar aos quatro cantos que é possível não sermos
escravos das fraldas. Que nossos bebês são muito mais capazes do que
julgamos. Que eles realmente carregam no DNA muitos conhecimentos e que
nós não somos ensinados a nos conectar com nossas crias, mas carregamos
no instinto esse saber. Foi assim, diante de tanto conhecimento adquirido, da
prática e da propagação da HN, que resolvi fazer a página Bebê sem Fralda
Brasil, passei a ensinar amigas a praticarem e de 10 bebês conhecidos que
passaram a fazer suas necessidades no peniquinho, o número aumentou pra
20, de 20 para 30, e a página bombando e as mensagens chegando, e as fotos
de bebês felizes nos penicos lotando a caixa de entrada de mensagens, foi
assim, que decidi prestar consultorias, afinal, a HN estava me tomando muito
tempo, tanto porque eu fiquei sedenta por informações e conhecimentos e varei
muitas noites lendo todo o tipo de fonte e estudos que se pode imaginar,
quanto porque vi de perto a técnica trazendo inúmeros benefícios para os
bebês e suas famílias (são quase três anos de estudos DIÁRIOS) e muitas
consultorias extremamente bem sucedidas, nunca parei para contar, mas creio
que diretamente eu já tenha auxiliado centenas de bebês e indiretamente
milhares e minha meta é atingir cada mãe de bebezinho, cada gestante, cada

121
família que busca a forma de criar suas crias da maneira mais natural e
orgânica possível.
Estou aqui para a troca de dicas, ideias, macetes e informações. Hoje,
realizando Workshops Brasil à fora, concluo este livro digital com muito orgulho
no coração. E o número de bebês e famílias felizes só aumenta! Da mesma
forma passei a estudar o desfralde e já são muitas crianças se livrando das
fraldas de maneira lenta, gradual e com o auxílio da HN e de seus pais. Por
isso, te convido a vir comigo e virar esse jogo e recuperar os valores
impagáveis na nossa relação com nossos bebês!
HN é vida, conexão, sintonia e harmonia entre pais e filhos. É
conhecimento ancestral, está no nosso DNA também. Vamos todos juntos
nessa! Depois que ligamos a anteninha da percepção das evacuações somos
contemplados com um estágio de sintonia que era inimaginável antes da
prática da HN.
Quase toda a literatura ocidental sobre o treinamento do banheiro
espalha a ideia de que a capacidade de reter a eliminação não se desenvolve
até 18 meses - 3 anos. O que está em total contradição com a experiência de
milhões de bebês no mundo. No entanto, pode ser verdade que os músculos
não estejam suficientemente desenvolvidos em crianças que dependem de
fraldas porque eles nunca são usados. A consciência é perdida e as crianças
ficam sujas.
É importante lembrar que a HN é baseada no relaxamento dos
esfíncteres e não na contração ou retenção e esta é a grande diferença em
relação ao desfralde convencional, que além de muitos outros pontos negativos
como a não relação com as eliminações corporais, “treina” a criança para reter
tanto as fezes que ela foca na retenção e tem imensa dificuldade na liberação
esfincteriana.
Ao usar os músculos voluntariamente para relaxar e desenvolver um
bom tom dos esfíncteres, o bebê vai aprender a reter os excrementos quando
quiser, de forma natural e voluntaria. A HN respeita a capacidade da criança de
fazê-lo. Por isso, depois de dado o hábito do uso de fraldas e da não
consciência de evacuação, forçar uma criança a reter a urina ou fezes usando
de pressão, vergonha, punição, ou recompensas e parabéns, é desrespeitoso e

122
potencialmente perigoso para desencadear traumas de curto, médio e longo
prazos e não tem nada a ver com a prática que eu defendo.
É difícil ou impossível encontrar estudos sobre o método, conseguimos
encontrar muitos livros, uma ou outra pesquisa antropológica de campo, que
justamente se tornam os livros e muitos relatos pessoais em blogs e sites de
diversos lugares do mundo: Portugal, França, EUA, Japão.
Mas, aqui no Brasil somos muito carentes de conteúdo, temos a página
Bebê sem Fralda cuidada com muito amor e carinho para vocês, alimentada
com muito estudo e vivências minhas na área tanto como mãe, como amiga de
muitas mães, como moderadora ou participante de diversos grupos maternos e
especialmente como profissional da área, a única consultora do Brasil,
palestrante e divulgadora oficial do método, além, claro, dos depoimentos na
rede de mães praticantes.
Após o acompanhamento de tantos bebês e pelo meu trabalho já ter
ultrapassado as fronteira do país e eu já estar prestando consultorias
internacionais, estou aqui pra dizer pra vocês que sim, higiene natural é bom,
fácil, possível, lindo, natural e lógico, portanto, com certeza vai ajudar o seu
bebê seja qual for o problema de ordem física ou comportamental que ele
estiver enfrentando. Sendo necessário apenas querer e proporcionar a posição
certa no momento certo pra ajudá-lo a evacuar.
E, para você que ainda nem está com o bebê nos braços, sinta no
coração e receba de mente aberta essa que é a informação mais acolhedora
que já chegou até você no tocante ao sentimento de dúvida que lhe cabe
quando o assunto é o uso de fraldas.
Acreditem na Higiene Natural, permitam que esse sentimento invada o
coração de vocês e aceitem essa prática como a mais respeitosa e orgânica
quando o assunto é xixi e cocô dos nossos bebês e vocês podem comprovar
essa teoria nas diversas imagens de bebês no penico que demonstram alivio,
alegria e satisfação.
Com tudo isso:

Não é preciso ir mais longe. Não vamos nos perder na floresta


encantada da dialética.
Recusemo-nos a argumentar. Ou nos provariam muito rapidamente
que a lebre é incapaz de alcançar a tartaruga.

123
As coisas são simples, apenas o espírito é complicado. Quando uma
criança vem ao mundo, a primeira coisa que faz é gritar. E o grito
alegra a assistência.
“Ouçam, ouçam como ele grita!”, diz a mãe toda contente, encantada
de que uma coisinha tão pequena faça tanto barulho.
O que significam os gritos dos recém-nascidos?
Que têm reflexos normais. Que a máquina está em funcionamento.
Os homens são apenas máquinas?
Os gritos não falam de sofrimento?
Para gritar como grita, será que o bebê não sente imensa dor?
Nascer seria doloroso para a criança, assim como o parto era,
antigamente, para a mãe?
E se é assim, quem se preocupa com isto?
Ninguém, ao que parece, tendo em vista a pouca consideração que é
dispensada ao bebê quando ele chega.
Infelizmente, a ideia de que os recém-nascidos não sentem nada, não
ouvem, não veem, é um postulado solidamente estabelecido...
Como poderia o bebê tão pequenininho sofrer? É uma “coisinha” que
grita, que protesta, e ponto final, é tudo. Em suma, é um objeto.
E se as coisas não forem assim tão simples?
Se se tratar, de fato, de uma pessoa?
O recém-nascido é uma pessoa! Isto contraria tudo o que pensamos
a respeito.
Mas, apesar de tudo... Devemos ter consciência de que é preciso
desconfiar do que pensamos.
Como saber?
A razão diz que, antes de mais nada, precisamos nos ater aos fatos.
E os fatos, neste caso, não falam.
[...]
O recém-nascido não fala?
Espera aí, preste atenção.
Ainda é preciso fazer comentários?
Essa fonte trágica, olhos fechados, sobrancelhas erguidas, tensas...
Essa boca que grita, a cabeça que se vira e tenta escapar...
Essas mãos que se estendem, imploram, suplicam, depois se dirigem
à cabeça, o próprio gesto de calamidade...
Esses pés que empurram furiosamente, as pensas que procuram
proteger o frágil ventre...
Essa carne que não é senão espasmo, sobressaltos, tremores...
Então, não fala o recém-nascido?
É todo o seu ser que grita, todo o seu corpo que se manifesta:
“Não me toquem! Não me toquem!”
E, ao mesmo tempo, implora, suplica:
“Não me deixem! Ajudem-me! Ajudem-me!”
Alguém já fez apelo tão enternecedor?
E esse apelo feito pela criança depois de tanto tempo, no momento
de sua chegada, quem o compreende, quem o entende, quem
apenas o escuta?
Ninguém.
Não é um grande mistério?
O recém-nascido não fala?
Não, não. Nós é que não escutamos (LEBOYER, 1974)28.

28
LEBOYER, Frédérick. Nascer Sorrindo. 1ª edição 1974 ; 8ª ed., Brasiliense, 1982. O autor
faleceu no dia 25/05/17, deixando um forte legado para a história da humanização do
nascimento!

124
Imagem: Nascimento de Serena Paz em parto domiciliar planejado

Fonte: arquivo pessoal, Foto de Vivian Scaggiante, Alem D’Olhar.

Então é por aí, precisamos ter em mente que diante de nós há um mini-
humano com fisiologia idêntica a nossa e que carece de atenção e
atendimento. Temos que juntos (re)construir um mundo onde os bebês possam
nascer sorrindo e sem intervenções, com as parturientes sendo tratadas com
dignidade, garantindo a hora de ouro, que é a primeira hora pós nascimento de
colinho e tetinha de mamãe para fortalecer o vínculo e garantir o ponta pé
inicial da amamentação, temos que falar mais sobre a lua de leite, sobre o
puerpério, o baby blues, a depressão pós parto, sobre a importância do
aleitamento materno exclusivo até os seis primeiros meses de vida e estendido
até no mínimo os dois primeiros anos. Temos que falar mais sobre maternidade
em carreira solo, sobre paternidade (in)ativa, sobre rede de apoio, sobre
disciplina positiva, comunicação não violenta (aprender), temos que falar de
curas através das plantas medicinais, dos chás, das ervas e das conexões.
Falar de como acontecem as somatizações e enfermidades, conhecer nosso
organismo como vivo e em consonância com as energias interplanetárias.
Temos que falar de todos esses assuntos e por estarmos focados nas
próximas gerações e sabermos que apenas estamos arando a terra para que
eles possam plantar, é imprescindível falar também da higiene natural
desmistificando a prática e quebrando definitivamente os paradigmas que

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afastam as famílias e as crianças saudáveis da conexão que é permitida
através da HN.
Já sabemos que muitos dos “males” para os quais os bebês estão sendo
medicados mais são criações da indústria do que de fato patologias. É o caso
do refluxo, do sono picado, da hiperatividade infantil, das cólicas, das
constipações. Por isso, se atendermos todas as necessidades das crianças,
demonstrando desde sempre que estamos dispostos, consequentemente,
evitaremos que nossos bebês sejam mais um dos tantos bebês seduzidos pela
indústria farmacêutica e sendo medicados para tudo aquilo que seria facilmente
solucionado através do simples atendimento das demandas dos bebês,
especialmente da demanda de evacuação que não pode ser ignorada.
Não pode porque estamos em vias de construir um novo mundo onde as
crianças são vistas como indivíduos a serem respeitados nas suas
peculiaridades, com maior liberdade criativa e maior respeito às suas fases do
desenvolvimento. Por isso, nós, como sujeitos responsáveis por essa nova
geração que vem trazendo a cura e a renovação para o planeta terra, o
faremos através das decisões nos padrões de criação respostas para muitas
questões que sempre pareceram inexplicáveis. Afinal de contas, já está
constatado que as formas de criação tradicionais não surtiram um efeito
positivo na humanidade.

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