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INDÚSTRIA DA CONSCIÊNCIA (1962)

HANZ MAGNUS ENZENSBERGER

Qualquer pessoa, mesmo a mais despersonalizada, julga-se soberana, no que se refere à sua
própria consciência. Desde que só se fala em alma quando se chama o confessor ou o
psicanalista, a consciência passa por ser o último refúgio que o sujeito procura e encontra em
si mesmo, para abrigar-se de um mundo catastrófico, como se ela fosse uma cidadela que
pudesse resistir ao cerco do cotidiano.

Também sob as condições extremas de um poder totalitário, ninguém deseja admitir que ela
talvez há muito tenha tombado.1 Não há ilusão que se defenda mais encarniçadamente, tão
profundo é o efeito da filosofia, mesmo nos que a desprezam. Pois a superstição de ser senhor
da própria consciência, já que de nada mais o somos, pertence a uma filosofia decadente
desde Descartes até Husserl, uma filosofia burguesa, idealismo de chinelas, reduzida à medida
do privado.

Em contrapartida, lemos num livro antigo: "A consciência é de antemão um produto social e
continuará sendo enquanto existirem pessoas".2 Não de antemão e a qualquer momento,
pode-se dizer o que há de verdade nessa expressão. Ela se data a si mesma. Desde o começo
da divisão do trabalho, determinou-se que poucos pensassem, julgassem e decidissem pela
maioria; mas enquanto sua mediação era evidente para todos, enquanto o professor aparecia
nitidamente diante do aluno, o falante diante do ouvinte, o mestre diante do aprendiz, o padre
diante da comunidade, a consciência transmitida permanecia como algo óbvio, invisível. Visível
é apenas o opaco; só quando assume medida industrial a indução e transmissão social da
consciência torna-se um problema.

A indústria da consciência é filha dos últimos cem anos. Desenvolveu-se tão depressa, tão
variadamente, que sua existência como um todo ainda hoje não foi concebida e parece
inconcebível. O presente está fascinado pêlos seus fenômenos e inquieto também; mas a
discussão corrente parece não estar à altura do seu objeto, porque dificilmente o percebe na
sua totalidade. Cada um de seus ramos exige novas discussões, nova crítica, como se com o
filme falado ou com a televisão aparecesse no cenário alguma coisa absolutamente nova. A
natureza dos chamados mass media não pode ser deduzida a partir de suas premissas e
condições tecnológicas.

Da mesma forma, o nome "indústria da cultura", com o qual até agora nos conformamos, não
recobre inteiramente o assunto. Ele deve ser atribuído a uma ilusão de ótica de seus críticos,
aos quais lhes agradou receber da sociedade a imputação da dita "vida cultural", por isso
adotando o nome fatal de "críticos culturais"; não raro ainda se divertindo e se orgulhando do
fato, porque tal nome atesta-lhes sua inofensividade, transformando seu trabalho em uma
simples seção de jornal.

Mas, embora indistintamente, esse nome indica a origem daquele "produto social", a
consciência. Ela situa-se além de qualquer indústria. A impotente palavra "cultura" há de
recordar isso: que a consciência, ainda que falsa, pode ser industrialmente reproduzida ou
induzida, mas não produzida. De que maneira, então? No diálogo de cada um com os demais.
Cada indivíduo age, portanto, socialmente, mas não pode ser substituído pelo trabalho de
equipe ou coletividade e, muito menos, por procedimentos industriais. Esse lugar-comum faz
parte do ser paradoxal da indústria da consciência, e nele consiste uma boa parte da sua
incompreensibilidade. A indústria da consciência é monstruosa porque nunca depende da
produção, mas sempre, apenas, da sua mediação, das derivações secundárias e terciárias, das
infiltrações e do lado fungível daquilo que ela multiplica e vende. Assim, a canção com ela se
transforma em hit e o pensamento de um Karl Marx em slogan resplandecente. Com isso,
aponta-se, contudo, o seu lugar vulnerável: a sua excessiva teimosia. Mas a indústria da
consciência prefere ignorar tal fato. Filosofia e música, arte e literatura, tudo do que vive,
embora apenas em última instância, ela coloca de lado, demarca e indica-lhes reservados onde
deverão ficar abrigados. Essa rejeição daquilo do que ela vive é auxiliada pelo nome indústria
cultural. Ela torna esse fenômeno inofensivo e obscurece as conseqüências políticas e sociais
resultantes da intermediação e transformação industrial da consciência.

Inversamente, a crítica das ideologias e a da propaganda política desconhecem o alcance da


indústria da consciência, julgando seus efeitos limitados à teoria e prática políticas no sentido
estrito; como se industrialmente só nos transmitissem soluções e como se a consciência
privada pudesse ser separada da consciência pública, em condições de formular por si mesma
seus juízos.

Enquanto se discutem os novos instrumentos técnicos como rádio, filme, televisão e indústria
de discos, a força da propaganda, do reclame, das public relations, a indústria da consciência
como um todo, permanece fora de consideração. O jornalismo, por exemplo, seu mais antigo
ramo, hoje em dia em muitos aspectos ainda o mais instrutivo, praticamente nem é
mencionado nesse contexto, presumivelmente, porque já não valeria como novidade cultural,
como sensação técnica. Moda e Gestaltung, instrução religiosa e turismo, mal se reconhecem
e pesquisam como seções da indústria da consciência; também a maneira de se induzir
industrialmente a consciência "científica" é algo que deveria ser estudado segundo o exemplo
da mais recente Física, Psicanálise, Sociologia e outras disciplinas.

Mas, principalmente, não temos clareza perfeita do fato de que a indústria da consciência
todavia não atingiu seu desenvolvimento máximo, pois ainda não pode dominar a sua fatia
central, a educação. A industrialização do ensino apenas começou em nossos dias; enquanto
nos detemos na discussão em torno de planos de ensino, sistemas escolares, falta de
professores e ensino estratificado, já se constróem os meios técnicos que tornam anacrônica
qualquer discussão sobre reforma escolar.

A indústria da consciência, muito em breve, nos obrigará a tomar conhecimento de um poder


radicalmente novo, que cresce vertiginosamente e que, devido às suas dimensões grandiosas,
será difícil de ser avaliado. Ê ele a verdadeira indústria-chave do século XX. Onde quer que hoje
se ocupe ou se liberte um país altamente desenvolvido, onde quer que haja um golpe de
Estado, uma revolução, uma derrubada de poder, o novo regime já não se apossa
primeiramente das ruas e dos centros da indústria pesada, mas das emissoras, das impressoras
e das centrais de comunicação a distância. Enquanto os administradores e peritos das
indústrias pesadas e de consumo, como dos serviços públicos, podem ser mantidos nos seus
postos, os funcionários da indústria da consciência são trocados imediatamente. Nesses casos
extremos, a sua posição-chave torna-se visível.
Ao primeiro olhar podemos descobrir e citar resumidamente quatro condições de sua
existência:

1. O esclarecimento, no sentido mais amplo, é o pressuposto filosófico de toda a indústria da


consciência. Ela depende, portanto, de pessoas emancipadas, mesmo quando se trata de as
sujeitar. Seu monopólio só pode ser construído quando estiver desfeito o da teocracia e com
ela a crença na revelação e na iluminação, no Espírito Santo intermediado pêlos padres. Essa
premissa filosófica está dada para todo o mundo, desde o apagar da teocracia tibetana.

2. O pressuposto político da indústria da consciência é a proclamação (não a realização) dos


direitos humanos, especialmente o da liberdade e da igualdade. O modelo histórico para toda
a Europa é a Revolução Francesa, para os países comunistas a Revolução de Outubro e para os
países americanos, asiáticos e africanos a libertação do colonialismo. Só a ficção de que cada
homem tem direito de dispor dos destinos da comunidade e do seu próprio torna a
consciência que o indivíduo e a sociedade têm de si mesmos um fato político, e sua indução
industrial a condição de qualquer império futuro.

3. O seu desenvolvimento pressupõe, economicamente, a acumulação primária. Nos


primórdios do capitalismo (ou em condições análogas), isto é, enquanto trabalhadores e
camponeses apenas conseguem sobreviver com os frutos do seu trabalho, a indústria da
consciência não é possível, nem necessária. Nesse estágio a franca opressão econômica
desmascara totalmente a ficção de que o proletariado possa decidir sobre si próprio e para
sustentar as minorias dominantes bastam-lhes os processos pré-industriais de intermediação
da consciência. Só quando a indústria de produtos essenciais se instala e assegura a produção
em massa de bens de consumo, pode-se desenvolver a indústria da consciência, O
refinamento de métodos de produção força um grau crescente de educação, não apenas na
camada dirigente mas na maioria de seus cidadãos. Seu padrão de vida ascendente,
combinado com a redução da jornada de trabalho, permite-lhes agora ter uma consciência
menos embotada do que anteriormente.

Assim, liberam-se energias que não são inofensivas aos poderosos. Observa-se hoje esse
fenômeno em muitos países em desenvolvimento, onde por muito tempo ele foi
artificialmente retardado; do dia para a noite cumprem-se neles as premissas políticas, mas
não as econômicas, para a indústria da consciência.

4. O processo econômico de industrialização traz consigo as últimas premissas, as tecnológicas,


sem as quais não se pode induzir industrialmente a consciência. A tecnologia do rádio, do
cinema e da televisão foi estabelecida só em fins do século XIX, .isto é, um momento em que a
eletrotécnica há muito fora introduzida na produção industrial de bens. Dínamo e motor
elétrico precederam amplificadores e câmera cinematográfica. Esse atraso histórico
corresponde à evolução econômica. Contudo as premissas técnicas da indústria da consciência
não precisam ser ainda conquistadas, elas já estão dadas, e definitivamente.

De outro lado, suas condições políticas e econômicas até hoje só se deram plenamente nos
países mais poderosos do mundo. Mas sua concretização é iminente em toda parte. Trata-se
de um processo irreversível. Conseqüentemente, qualquer crítica à indústria da consciência
que pretenda a sua eliminação, é impotente e obscura. Ela se baseia na sugestão suicida de
retroceder na industrialização, liquidando-a. O fato de que tal autoliquidação seja possível à
nossa civilização por meios técnicos torna as propostas de seus críticos reacionários uma ironia
macabra. Não foi assim que imaginaram essa reivindicação; deveriam desaparecer apenas os
tempos modernos, o homem-massa e a televisão. Mas os seus críticos pretendiam ficar a
salvo.

De qualquer forma, os efeitos da indústria da consciência foram descritos repetidamente, em


detalhe, e por vezes com grande argúcia. Em relação aos países capitalistas, a crítica ocupou-se
especialmente dos mass media e da publicidade. Com excessiva facilidade, conservadores e
marxistas concordaram em censurar o caráter comercial dessas atividades. Essas acusações
não atingem o cerne da questão. Sem falar que dificilmente seria mais imoral lucrar com a
multiplicação de notícias ou de sinfonias do que com pneus, ou seja, uma crítica desse tipo
ignora exatamente o que distingue a indústria da consciência de todas as demais. Nos seus
ramos mais evoluídos, ela nem trabalha mais com mercadorias; livros e jornais, quadros e fitas
gravadas são apenas seus substratos materiais, que se volatizam sempre mais com a crescente
maturidade técnica, desempenhando papel econômico destacado somente em seus ramos
mais antiquados, como as editoras. O rádio, por exemplo, não pode mais ser comparado a uma
fábrica de fósforos. Seu produto é totalmente imaterial. Não se produzem nem se divulgam
entre as pessoas bens, mas opiniões, juízos e preconceitos, conteúdos de consciência os mais
variados. Quanto mais recuam os seus suportes materiais, quanto mais são fornecidos de
forma abstrata e pura, tanto menos a indústria viverá da sua venda.

Se o comprador de um jornal ilustrado paga apenas um fragmento do preço de sua produção,


os receptores de rádio e televisão recebem-nos quase ou totalmente de graça; na verdade,
esses produtos lhe são impingidos e até impostos — sem falar da publicidade e da propaganda
política. Eles não têm mais preço, nem podem mais ser compreendidos a partir de um ponto
de vista comercial. Qualquer crítica à indústria da consciência, que se detenha unicamente em
sua variante capitalista, focaliza-a com mira demasiado curta e perde de vista o que lhe é
radicalmente novo e peculiar, e que constitui a sua verdadeira realização. Quem decide sobre
ela não é, em primeira instância, o sistema social que dela se serve, nem tampouco o fato dela
ser administrada pelo poder estatal, público ou privado, mas é a sua função social. Ela é hoje
mais ou menos a mesma por toda parte: perpetuar as relações de poder existentes, não
importa de que tipo sejam. Ela induz a consciência apenas para explorá-la.

Entendamo-nos, primeiro, quanto ao conceito da exploração imaterial. Durante o período da


acumulação primária, a exploração material do proletariado está no primeiro plano em todos
os países; o mesmo também vale para as sociedades comunistas, como os exemplos da Rússia
stalinista e da China Vermelha nos mostram. Mas mal esse período se aproxima do seu fim,
torna-se evidente que a exploração não é apenas um fato econômico, mas também um
fenômeno da consciência. A questão de quem é o senhor e de quem é o escravo não se resolve
apenas a partir de quem dispõe de capital, fábricas e armas, mas também, e cada vez mais, a
partir de quem dispõe das consciências alheias.

Assim que a produção de bens materiais se expandiu suficientemente, as antigas


proclamações provaram sua validade, mesmo depois de décadas de obscurecimento, devidas à
opressão econômica, crises e terror. Nada pode contestá-las. Desde que elas existem, qualquer
poder sente-se por princípio inseguro, dependendo da adesão dos seus sujeitos; ele precisa
conquistar essa adesão, precisa justificar-se incessantemente, até ali onde se apóie
unicamente no poder das armas.3 A exploração material precisa abrigar-se atrás do imaterial e
conseguir por novos meios a adesão dos dominados. A acumulação de poder político segue-se
à de riquezas. Já não se penhora apenas força de trabalho, mas a capacidade de julgar e de
decidir-se. Não se elimina a exploração, mas a consciência da exploração. Começa-se com a
eliminação de alternativas a nível industrial, de um lado através de proibições, censura e
monopólio estatal sobre todos os meios de produção da indústria da consciência, de outro
lado através de "autocontrole" e da pressão econômica. Em lugar do depauperamento
material aparece um imaterial, que se manifesta mais claramente na redução das
possibilidades políticas do indivíduo: uma massa de joões-ninguém políticos, à revelia dos
quais se decide até mesmo o suicídio coletivo, defronta-se com uma quantidade cada vez
menor de políticos todo-poderosos. Que esse estado seja aceito e voluntariamente suportado
pela maioria, é hoje a mais importante façanha da indústria da consciência.

Com seus efeitos atuais porém não se descreveu ainda a sua natureza. Assim como de uma
indústria têxtil ou siderúrgica não se pode deduzir trabalho infantil e deportação, pouco se
pode deduzir da existência de uma indústria da consciência sobre a exploração imaterial, com
a qual hoje temos que contar por toda parte. Consciência, julgamento, capacidade decisória
não são seus pressupostos apenas como direito abstrato no indivíduo; a indústria da
consciência os produz constantemente como sua própria contradição. Só podem ser
exploradas forças que existem; para domesticá-las a serviço do poder é preciso primeiro
despertá-las. Muitas vezes apontou-se o fato, sempre usado como prova da natureza
ameaçadora da indústria da consciência, de que não é possível esquivar-se ao seu ataque; mas
o fato de que ela obtém a participação de cada indivíduo no todo pode muito bem voltar-se
contra aqueles a cujo serviço isso ocorre. Ela não pode sustar seu próprio movimento; e aí
acontecem momentos necessários que contrariam a sua atual tarefa, a estabilização das
relações de poder existentes. Depreende-se desse movimento, que a indústria da consciência
não é totalmente controlável. Só ao preço de sua própria morte, ela pode se transformar em
sistema fechado, isto é, tornando-a inconsciente à força e entregando-se a seus efeitos mais
profundos. Mas nenhum poder pode mais esquivar-se desses efeitos hoje em dia. A
ambigüidade que existe nessa situação, de que a indústria da consciência precisa sempre
oferecer aos seus consumidores aquilo que depois lhes quer roubar, repete-se e aguça-se
quando se pensa em seus produtores: os intelectuais. Estes não dispõem do aparato industrial,
mas o aparato industrial é que dispõe deles; mas também essa relação não é unívoca. Muitas
vezes acusou-se a indústria da consciência de promover a liquidação de "valores culturais". O
fenômeno demonstra em que medida ela depende das verdadeiras minorias produtivas; na
medida que ela rejeita seu trabalho atual por considerá-lo incompatível com sua missão
política, ela se vê dependendo dos serviços de intelectuais oportunistas e da adaptação do
antigo, que está apodrecendo sob as suas mãos.4 Os mandantes da indústria da consciência,
não importa quem sejam, não podem lhe comunicar suas energias primárias; devem-nas
àquelas minorias a cuja eliminação ela se destina: seus autores, a quem desprezam como
figuras secundárias ou petrificam como estrelas, e cuja exploração possibilitará a exploração
dos consumidores. O que vale para os clientes da indústria vale mais ainda para seus
produtores; são eles a um tempo seus parceiros e seus adversários. Ocupada com a
multiplicação da consciência, ela multiplica suas próprias contradições e alimenta a diferença
entre o que lhe foi encomendado e aquilo que realmente consegue executar.

Toda crítica à indústria da consciência é inútil ou perigosa se não reconhecer essa


ambigüidade. Quanta insensatez se faz neste sentido, já se deduz do fato de que a maioria dos
que a analisam nem refletem sobre sua própria posição; como se a crítica cultural não fosse
ela mesma parte daquilo que está criticando, como se houvesse possibilidade de se manifestar
sem servir-se da indústria da consciência, ou melhor, sem que a indústria da consciência dela
se servisse.5
Todo o pensamento não-dialético perdeu aqui seu direito e não há retorno possível. Perdido
também estaria quem, por má vontade contra os aparatos industriais, se recolhesse a uma
suposta exclusividade, pois os padrões industriais há muito invadiram as reuniões dos
conventículos. Aliás, é preciso distinguir entre ser incorruptível e ser derrotista. Não se trata de
rejeitar cegamente a indústria da consciência, mas de entrar no seu perigoso jogo. Para isso
são precisos novos conhecimentos, uma vigilância preparada para qualquer forma de pressão.

A rápida evolução da indústria da consciência, sua ascensão à instância-chave da sociedade


moderna, modifica o papel social do intelectual. Ele se vê exposto a novos perigos e novas
possibilidades. Deve contar com novas e mais sutis tentativas de suborno e chantagem.
Voluntária ou involuntariamente, consciente ou inconscientemente, ele se torna cúmplice de
uma indústria cuja sorte depende dele como a dele depende dela, e cuja missão atual — a
consolidação do poder estabelecido — é incompatível com a sua. Independente de como se
conduza, ele não está apostando, nesse jogo, apenas aquilo que lhe pertence.

NOTAS

1. A "emigração interna" durante o domínio de Hitler na Alemanha, dá exemplos desse auto-


engano. Uma descrição muito perspicaz de fenómenos semelhantes no comunismo é dada por
Czeslaw Milosz, Verführtes Denken, Colónia, 1953.

2. MARX, Karl. A ideologia alemã, Parte I (1845-46).

3. Em nenhuma parte se leva mais a sério a "formação da consciência", a "consciência das


massas" e a sua manipulação do que nos países comunistas.

4. Compare-se por exemplo na DDR o chamado "Cultivo da herança cultural nacional".

5. Exemplos especialmente chamativos desse tipo de crítica cultural desinteressada


encontram-se em Friedrich Georg Jünger, Romano Guardini e Max Picard.

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