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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DO JUIZADO

ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE BRAGANÇA, ESTADO DO PARÁ

PRIORIDADE: MAIOR DE 60 ANOS.

ISABEL RIBEIRO DE OLIVEIRA, brasileira, viúva, aposentada, portadora do RG


n° 2982931, SSP/PA; inscrita no CPF/MF sob o n° 399.331.642-87, residente e domiciliada na
estrada do Cacoal, “Laranjal”, CEP: 68600-000, Bragança/PA, vem respeitosamente perante Vossa
Excelência, por meio de seu advogado subscritor, com escritório profissional localizado na Tv.
Cônego Miguel, nº 336, altos, Bragança/PA, onde recebe intimações e notificações, nos termos do
art 5°, V e X da Constituição Federal c/c Lei n° 9.099/95 e art. 461 §1°, e ss do CPC, e artigo 42,
parágrafo único do CDC, e art. 186 Código Cìvil propor a presente

AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO C/C REPETICÃO DO INDÉBITO E DANOS MORAIS, PELO


RITO DA LEI N° 9.099/95.

Em face do BANCO ITAÚ BMG S/A, representado por quem seus estatutos
indicarem, instituição financeira privada, inscrita no CNPJ n° 33.885.724/0001-19, sediada na Praça
Alfredo Egydio De Souza Aranha,100, Torre Conceição, - 9º Andar - PARQUE JABAQUARA – CEP
- 04344-902, São Paulo - SP, pelos motivos de fato e direito expõe:

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Inicialmente requer a Vossa Excelência seja deferido os benefícios da gratuidade


de justiça com fulcro no 5°, LXXIV, da Constituição Federal, com as alterações introduzidas pela lei
7.510/86, por não ter o autor condições de arcar com as custas processuais e os honorários
advocatícios sem prejuízo do próprio sustento e de sua família.

DA PRIORIDADE DE TRAMITAÇÃO DECORRENTE DA IDADE DO REQUERENTE

A requerente nasceu em 16 de setembro de 1943; portanto, conta atualmente


com 74 (setenta e quatro) anos de idade.

De acordo com o artigo 1.048, I, do novo Código de Processo Civil é garantido


aos maiores de 60 (sessenta) anos a prioridade na tramitação dos processos em todas as instâncias
processuais.

Tal dispositivo foi incorporado ao processo civil após a edição do Estatuto do


Idoso (Lei n° 10 741/2003), que em seu artigo 712 também prevê a prioridade de tramitação nos
processos em que os maiores de 60 (sessenta) anos sejam partes ou intervenientes.

Diante de tal fato, requer a concessão de prioridade de tramitação à presente


demanda, a fim de que seja respeitado o disposto nos artigos supramencionados.

Tv. Cônego Miguel, nº. 336, altos. Centro. Bragança/PA.  (91) 98355-2118
DOS FATOS

A requerente conta até a presente data com 74 anos de idade, estando atualmente
aposentada junto ao INSS, recebendo o benefício n ° 114.768.074-1.

Ao consultar seu benefício junto ao INSS, por ter percebido diminuição no


valor recebido, a aposentada verificou que haviam realizado empréstimo por consignação (contrato
n. 562428895) em 04/2016, no valor de R$ 922,57 (novecentos e vinte e dois reais e cinquenta e sete
centavos), a ser pago em 72 parcelas de R$ 28,00 (vinte e oito reais).

Ocorre que a idosa não anuiu com tal empréstimo ou autorizou que terceiros
fizessem qualquer tipo de transação com bancos ou financeiras. Jamais teve seus documentos
pessoais extraviados ou os cedeu, tampouco assinou documentos ou constituiu procurador para
tanto.

Desta feita, não restou outra alternativa senão ingressar em juízo a fim de
proceder ao cancelamento do contrato fraudulento realizado pelo Banco Réu, bem como à devida
indenização em consequência do dano causado a pessoa idosa e de pouca instrução.

DO DIREITO

DANO MATERIAL — REPETIÇÃO DO INDÉBITO

Tem-se que houve clara violação da regra geral de formação dos contratos,
prevista no art. 104 e ss do Código Civil, vez que não houve qualquer precaução do banco requerido
ao efetuar empréstimo em nome de pessoa idosa, sem sua autorização. O Banco demandado, com
seu ato, causou prejuízos financeiros ao demandante, devendo responder objetivamente por tais
danos.

Por certo, sabendo da vulnerabilidade das transações que envolvem empréstimo


consignado, evidenciada pelas inúmeras ocorrências de fraudes veiculadas no noticiário1, em grande
parte motivada pela ganância de correspondentes bancários, que ludibriam idosos com a finalidade
de garantir comissão pela formalização de empréstimos realizados à margem da legalidade, as
instituições financeiras assumem os riscos do negócio e devem indenizar em dobro os descontos
indevidos realizados no benefício de idosos de pouca instrução.

Assim, por ter realizo descontos indevidos no benefício do demandante, deve


haver, por tanto, a restituição em dobro os valores descontados de seu benefício
previdenciário, nos termos do art. 42 do CDC.

Sobre a repetição do indébito, em casos dessa natureza, assim já manifestou a


Egrégia Corte Estadual:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COBRANÇA INDEVIDA.
EMPRÉSTIMO CONSIGNADO NÃO CONTRATADO. CONTRATO NULO. DANO
MORAL CARACTERIZADO. RESTITUIÇÃO EM DOBRO DA PARCELA
COBRADA INDEVIDAMENTE. DECISÃO MANTIDA. QUANTUM
INDENIZATÓRIO QUE NÃO SE MOSTRA EXORBITANTE. RECURSO
DESPROVIDO.
1. A fraude, ao integrar o risco da atividade exercida pelo banco, não possui o
condão de configurar a excludente de responsabilidade civil por culpa de terceiro,
estabelecida no artigo 14, § 3º, II, do CDC.

1
https://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/acao-por-abuso-em-emprestimos-consignados-condena-11-
bancos-pagar-total-de-11-milhoes-22072353

Tv. Cônego Miguel, nº. 336, altos. Centro. Bragança/PA.  (91) 98355-2118
2. Desconto indevido realizado em contracheque de aposentada, por empréstimo
consignado não contratado, atinge verba de natureza alimentar, comprometendo,
portanto, o sustento do consumidor, o que, por si só, ultrapassa o mero
aborrecimento decorrente dos embates da vida cotidiana, configurando os danos
morais reclamados “in re ipsa”.
3. Quantum indenizatório. Na fixação do dano deve-se ponderar sobre as condições
socioculturais e econômicas dos envolvidos, o grau de reprovabilidade da conduta
ilícita, a gravidade do dano, bem como o caráter punitivo-pedagógico e as
finalidades reparatório-retributivas da condenação, de tal forma que a quantia
arbitrada não seja tão irrisória que sirva de desestímulo ao ofensor, nem tampouco
exacerbada a ponto de implicar enriquecimento sem causa para a parte autora.
“Quantum” arbitrado com moderação que não merece reforma.
4. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à restituição dobrada do
que pagou, ressalvados os casos de engano justificável, conforme disposto no art.
42, parágrafo único, do CDC.
5. À unanimidade, nos termos do voto do Desembargador Relator, recurso
conhecido e desprovido. 1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO COMARCA DE
CASTANHAL-PARÁ APELAÇÃO CÍVEL Nº. 0001263-07.2013.8.14.0015 -
RELATOR: DES. LEONARDO DE NORONHA TAVARES

EMENTA: RECURSO INOMINADO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS.


EMPRÉSTIMO FRAUDULENTO. DESCONTOS INDEVIDOS EM BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO. DEVER DE INDENIZAR CONFIGURADO. RESTITUIÇÃO EM
DOBRO DOS VALORES INDEVIDAMENTE DESCONTADOS. DANO MORAL
CONFIGURADO. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO. TURMA RECURSAL PROVISÓRIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS
(TJPA) RECURSO Nº 0000441-77.2016.8.14.0026 - Relatora: VALDEÍSE MARIA
REIS BASTOS

Pelo todo o exposto, requer-se a condenação do banco, nos moldes do que


prevê o art. 42, parágrafo único, do CDC, a fim de que possa ter reparado o dano material sofrido
com os descontos indevidos realizados pelo banco Réu.

DO DANO MORAL

Pelo evidente dano moral que provocou o banco requerido, é de impor-se a devida
e necessária condenação, com arbitramento de indenização à requerente, que experimentou o
amargo sabor de ter sofrido descontos indevidos, de forma injusta e ilegal

Tendo em vista que o empréstimo fraudulento realizado no nome da Requerente


caracteriza ato ilícito civil, também caberia o dever de reparar com base nos arts. 186 e 187 do Código
Civil. Trata-se de reparação que cuja finalidade é a fixação de um valor que fosse capaz de
desencorajar o ofensor ao cometimento de novos atentados contra o patrimônio moral das pessoas.

Diante da disparidade do poder econômico existente entre o banco Requerido e o


Requerente, e tendo em vista o gravame produzido à honra da demandante e considerando que
sempre agiu honesta e diligentemente, mister se faz que o quantum indenizatório corresponda a uma
cifra cujo montante seja capaz de penalizar o banco Requerido, de modo a persuadi-lo a nunca mais
deixar que ocorram tamanhos desmandos contra as pessoas que, na qualidade de consumidores,
investem seu dinheiro e se relacionam com os bancos.

Mana Helena Diniz, ao lecionar sobre o dano moral, refere que

"Na avaliação do dano moral, o órgão judicante deverá estabelecer


uma reparação equitativa, baseada na culpa do agente, na
extensão do prejuízo causado e na capacidade econômica do
responsável.

Tv. Cônego Miguel, nº. 336, altos. Centro. Bragança/PA.  (91) 98355-2118
Na reparação do dano moral, o magistrado determina, por
equidade levando em conta as circunstâncias de cada caso, o
quantum da indenização devida, que deverá corresponder à lesão
e não ser equivalente por ser impossível tal equivalência.
(Indenização por Dano Moral A problemática Jurídica da fixação do
quantum, Revista Consulex, março, 2007, p.29-32)

Relativamente à fixação do quantum a ser indenizado, deve-se levar em


consideração o atendimento do binômio compensação à vítima e punição ao ofensor. Saliente-se,
ainda, que deve ser considerada a condição econômica do agente, bem como a gravidade da falta
cometida. E, de outro lado, proporcionar à vítima compensação pelo dano sofrido.

A jurisprudência dos Tribunais é dominante no sentido do dever de reparação por


dano moral, destacando-se dentre muitos, os seguintes:

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS


MATERIAIS E MORAIS C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COBRANÇA
INDEVIDA. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO NÃO CONTRATADO.
CONTRATO NULO. DANO MORAL CARACTERIZADO. RESTITUIÇÃO
EM DOBRO DA PARCELA COBRADA INDEVIDAMENTE. DECISÃO
MANTIDA. QUANTUM INDENIZATÓRIO QUE NÃO SE MOSTRA
EXORBITANTE. RECURSO DESPROVIDO. 1. A fraude, ao integrar o risco
da atividade exercida pelo banco, não possui o condão de configurar a
excludente de responsabilidade civil por culpa de terceiro, estabelecida no
artigo 14, § 3º, II, do CDC. 2. Desconto indevido realizado em contracheque
de aposentada, por empréstimo consignado não contratado, atinge verba de
natureza alimentar, comprometendo, portanto, o sustento do consumidor, o
que, por si só, ultrapassa o mero aborrecimento decorrente dos embates da
vida cotidiana, configurando os danos morais reclamados ?in re ipsa?. 3.
Quantum indenizatório. Na fixação do dano deve-se ponderar sobre as
condições socioculturais e econômicas dos envolvidos, o grau de
reprovabilidade da conduta ilícita, a gravidade do dano, bem como o caráter
punitivo-pedagógico e as finalidades reparatório-retributivas da condenação,
de tal forma que a quantia arbitrada não seja tão irrisória que sirva de
desestímulo ao ofensor, nem tampouco exacerbada a ponto de implicar
enriquecimento sem causa para a parte autora. ?Quantum? arbitrado com
moderação que não merece reforma. 4. O consumidor cobrado em quantia
indevida tem direito à restituição dobrada do que pagou, ressalvados os
casos de engano justificável, conforme disposto no art. 42, parágrafo único,
do CDC. 5. À unanimidade, nos termos do voto do Desembargador Relator,
recurso conhecido e desprovido. CNJ: 0001263-07.2013.8.14.0015 -
2017.04214033-19 Número do acórdão: 181.242. Órgão Julgador: 1ª
TURMA DE DIREITO PRIVADO - ACÓRDÃO - Relator: LEONARDO DE
NORONHA TAVARES - TJPA

APELAÇÃO CÍVEL N. 0000490-86.2013.814.0006 APELANTE: LUIS


AUGUSTO DE AVIZ ADVOGADO: TIAGO JOSE DE MORAES GOMES,
OAB/PA N. 18.026 APELADO: BANCO SANTANDER BRASIL SA
ADVOGADO: CARLOS MAXIMIANO MAFRA DE LAET, OAB/PA N.
19.832-A EXPEDIENTE: SECRETARIA DA 2º TURMA DE DIREITO
PRIVADO RELATORA: DESª MARIA DE NAZARÉ SAAVEDRA
GUIMARÃES EMENTA APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO
POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. EMPRESTIMO CONSIGNADO.
DESCONTOS INDEVIDOS. AUSENCIA DE RELACIONAMENTO DO
APELANTE COM O BANCO. FRAUDE. DANO MATERIAL
CORREPONDENTE A TODAS AS PARCELAS DESCONTADAS.

Tv. Cônego Miguel, nº. 336, altos. Centro. Bragança/PA.  (91) 98355-2118
INCLUSÃO DAS PARCELAS VINCENDAS. PERTINENCIA - DANO
MORAL CONFIGURADO - PESSOA DE RENDIMENTOS MODICOS.
DESCONTO QUE REPRESENTARAM MAIS DE ¼ DE SEU RENDIMENTO
MENSAL. CIRCUNSTÂNCIA QUE FOGE AO MERO DISSABOR -
QUANTUM INDENIZATÓRIO FIXADO EM R$6.000,00. JUROS DE 1% A
PARTIR DO EVENTO DANOSO. SUMULA 54 DO STJ - E CORREÇÃO A
PARTIR DA PRESENTE DECISÃO - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
1. restando incontroverso o desconto das parcelas vincendas, tais fazem
parte do montante devido a título de dano material. Valor alterado para R$3.
176,15. 2. Pessoa de rendimentos módicos. Descontos que corresponderam
a mais de ¼ de seus rendimentos mensais. impactos que vão além de meros
dissabores. Dano moral configurado. 3. Fixação do quantum observando os
parâmetros de razoabilidade, em R$6.000,00, com juro a partir do evento
danoso (cada desconto), de 1% ao mês e correção a partir da presente
decisão; 4. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO, reformando a sentença,
para acrescentar sejam indenizadas a titulo de dano material as parcelas
vincendas, o que perfaz um montante de R$3176,15, com juros e atualização
nos termos fixados na sentença e, condenar o banco apelado em danos
morais no valor de R$6.000,00, com juros de 1% ao mês, desde o evento
danoso (cada desconto) e correção a partir da presente decisão. Vistos,
relatados e discutidos estes autos de APELAÇÃO CIVEL. Acordam
Excelentíssimos Desembargadores, Membros da 2ª Turma de Direito
Privado deste Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Pará, à unanimidade,
em CONHECER DO RECURSO, DANDO-LHE PROVIMENTO, nos termos
do voto da Excelentíssima Desembargadora-Relatora Maria de Nazaré
Saavedra Guimarães. Belém (PA), 26 de setembro de 2017. MARIA DE
NAZARÉ SAAVEDRA GUIMARÃES Desembargadora.

Responsabilidade Objetiva

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabeleceu a responsabilidade


objetiva dos fornecedores pelos danos advindos dos defeitos de seus produtos e serviços (conf. arts.
12, 13 e 14). Ou seja, os fornecedores respondem pelos danos causados aos consumidores sem que
seja necessária a comprovação de culpa, uma vez que tal exigência oneraria deveras o consumidor,
ante sua hipossuficiência técnica.

Neste caso, deve-se aplicar a teoria do risco do negócio, pois "não se pode afastar
a prerrogativa de que os bancos correm os riscos relativos ao exercício do seu comércio. Não fora
assim, ninguém estava seguro da intangibilidade de sua previsão em bancos, porque os falsários,
mais ou menos ardilosos, poderiam levantá-la causando irreparáveis danos aos depositantes e
lamentável descrédito às instituições bancárias (Responsabilidade Civil dos Estabelecimentos
Bancários, Rio de Janeiro. Forense, 2007, p 36).

Sendo assim, o Banco-réu deve ser responsabilizado objetivamente pelas


quantias indevidamente descontadas da conta-benefício da demandante, não se podendo falar em
excludente por fato de terceiro.

DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Em regra, o ônus de provar incumbe a quem alega os fatos, no entanto, como se


trata de uma relação de consumo na qual o consumidor é parte vulnerável e hipossuficiente (art. 4°,
I do CDC), evidência corroborada pelo fato de que o Autor é pessoa idosa e de pouca instrução, o
encargo de provar deve ser revertido ao fornecedor por ser este a parte mais forte na relação de
consumo e detentor de todos os dados técnicos atinentes aos serviços e produtos adquiridos.

Sendo assim, com fundamento no Art. 6°, VIII do CDC, o Autor requer a inversão
do ônus da prova, incumbindo ao réu a demonstração de todas as provas referentes ao pedido

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desta peça, principalmente possíveis instrumentos de contrato de empréstimo falsamente assinados
em nome do requerente, para que seja comprovada a fraude na contratação do empréstimo junto ao
Réu.

DO PEDIDO LIMINAR

A relevância do pedido invocado reside nos argumentos fáticos e jurídicos acima


expostos, nomeadamente nos documentos colacionados aos autos, os quais dão lastro ao bom
direito ora vindicado

O "periculum in mora'", por sua vez, afigura-se patente, uma vez que a natural
demora do processo causará lesão de difícil reparação, uma vez que a autora, pessoa idosa, sofrerá
descontos indevidos em razão de contrato realizado à sua revelia.

Neste diapasão é que a Autora pleiteia junto a este Juízo, em sede de Liminar, a
suspensão imediata de descontos futuros decorrente do contrato questionado, tal seja, contrato
número 562428895 realizado através de fraude junto ao banco Itaú consignado S.A.

DOS PEDIDOS

Em arremate, postula o Autor

O deferimento da LIMINAR, oficiando o BANCO ITAÚ BMG CONSIGNADO S/A, para que suspenda
os descontos realizados em seu benefício;

Seja observada a preferência procedimental de atendimento do idoso, conforme preceitua a lei


transcrita acima, imprimindo o ato sumário ao feito;

CONCEDER OS BENEFÍCIOS DA JUSTICA GRATUITA uma vez que o Autor não possui condições
financeiras de arcar com as possíveis despesas do processo, bem como honorários sucumbenciais,
na forma do 5°, XXIV, da Constituição Federal;

Inversão do ônus da prova, em vista da hipossuficiência técnica do autor;

A citação do Banco Requerido, via postal, no endereço constante da primeira página, para, querendo,
comparecer à audiência conciliatória e/ou formular defesa, sob pena de confissão quanto aos fatos
aqui discorridos, apresentando cópia do suposto contrato;

DECLARE a inversão do ônus da prova (Art. 6°, VIll do CDC), essencialmente para a juntada do
alegado instrumento de contrato de empréstimo consignado por parte do Réu, uma vez que o Autor
nunca teve acesso a qualquer documento deste tipo, além da comprovação da veracidade da
assinatura do Autor, se houver o contrato, se necessário, determinado a análise por perícia judicial
especializada para produção de laudo conclusivo a respeito deste fato;

Requer, nos termos do art. 5° da Constituição Federal, a condenação do banco réu no pagamento
de verba indenizatória por dano moral causado ao autor no valor de até 40 salários mínimos;

Que seja recebida e processada e julgada procedente a presente ação em conformidade da lei
9.099/95;

Pelo exposto, digne-se Vossa Excelência julgar procedente os pedidos, anulando o contrato n.
562428895, determinando que o BANCO ITAÚ BMG CONSIGNADO S/A., liminarmente,

Tv. Cônego Miguel, nº. 336, altos. Centro. Bragança/PA.  (91) 98355-2118
suspenda os descontos no benefício da demandante oriundos do referido empréstimo
fraudulento.

Incluir na esperada condenação do Réu, a INCIDÊNCIA DE JUROS E CORRECÃO MONETÁRIA


na forma da lei em vigor, desde o ato danoso. Requer a oportuna produção de provas, sem exceção,
em direito admitidos, inclusive com os depoimentos pessoais dos (as) preposto (as) do Requerido,
sob pena de revelia, oitiva da parte Requerente e das testemunhas que comparecerão à audiência
independentemente de intimação;

Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais), para fins meramente fiscais;

São os termos em que pede e espera deferimento.

Bragança (PA), 24 de maio de 2018.

RODRIGO CARDOSO DA MOTTA


ADVOGADO
OAB/PA 19.547

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