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Introdução

Com este trabalho, pretendo abordar sobre: A essência do cidadão e da cidadania ou


seja, a ideia principal. Para tal a que responder, a perguntas chaves que são: o que é a
cidadania? Como funciona? Onde é utilizada pela primeira vez a expressão cidadania?
Quando é que o cidadão exerce a cidadania? Uma vez que o cidadão é um indivíduo que
convive em sociedade – grupo de indivíduos entre os quais existem relações recíprocas
e este por sua vez, ao ter consciência e exercer seus direitos e deveres para com a pátria
está praticando a cidadania.

Para se poder compreender tal temática dividi-a em partes para que de modo sequencial
se possa entender como se manifesta o exercício da cidadania ou seja, como o mesmo
participa na política, para também compreender como a cidadania está ligada aos
regimes democráticos assim sendo as secções são as seguintes:

 Para uma noção de participação política nesta secção se tem o objectivo de


compreender o carácter multidimensional do conceito de participação política
bem como a falta de consenso quanto aos elementos cardeais que o
caracterizam, como ocorre o envolvimento do indivíduo na política.
 Valor associado à participação política aqui, procuro falar sobre a cidadania que
é um dos valores que tem como função organizar a conduta dos cidadãos em
torno de determinadas orientações que visam a realização de fins de natureza
individual e colectiva
Origem da palavra cidadania
Do latim civitas, que significa “conjunto de direitos atribuídos ao cidadão” ou “cidade”.

Originalmente, o termo “cidadania” foi utilizado na Roma antiga para designar a


situação política de uma pessoa ou que podia exercer.

Neste aspecto, a cidadania, conforme diz Dalmo Dalari, expressa um conjunto de


direitos que dá a possibilidade de participar activamente da vida e do governo de seu
povo.

Vale destacar que o conceito de “cidadania” praticada na Roma Antiga era bastante
diferente da definição actual deste termo. Actualmente, qualquer ser humano pode ser
considerado cidadão do país em que nasceu, porém, para os antigos romanos, apenas
grandes proprietários de terra, e indivíduos que não se encontravam em situação de
submissão a terceiros podiam ser considrados cidadãos e praticar a cidadania.

1.Para uma noção de participação política

Em sentido etimológico, o termo participação (latino participatio) significa “fazer parte


de”, “tomar em parte qualquer coisa”. Nesta acepção poder-se-ia afirmar que a noção de
participação política remete para a ideia de alguém “tomar parte na vida política”.
Contudo, sendo muitas as dificuldades em delimitar a sua natureza, modos, formas,
determinantes e graus, não é possível encontrar um consenso quanto à conceptualização
operacional desta expressão.

Já de acordo com Weiner (19671:159-163), a noção de participação política é acima de


tudo um conceito contínuo e não tanto um conceito dicotómico, porquanto as
sociedades e os indivíduos divergem profundamente nas concepções acerca da verdade
natureza do acto político, bem como acerca dos valores e normas a ele associado.

Quanto aos efeitos da intervenção política, a noção varia também conforme o sucesso
ou insucesso dos esforços destinados a influenciar os governantes, pelo que em muitos
casos, só se considera participação formal a que inclui um conjunto de iniciativas
independentemente dos seus resultados (Humtiginton e Nelson, 1976). Noutra linha de
argumentação, a natureza e importância da participação política muda de acordo com as
concepções acerca do seu efeito sobre a estabilidade dos sistemas políticos, o que
explica os diversos significados atribuídos ao conceito de acção e inacção polítics, com
divergências assinaláveis quanto a inclusão de comportamentos considerados apáticos
(Lane 1959:337-346)

Também no quadro das abordagens ao fenómeno da representação política, a noção


vária consoante se aceite o mandato representativo como mecanismo mais apropriado
ao exercício dos poderes nas sociedades contemporâneas de larga escala, cabendo à
participação uma função meramente instrumental (Pitkin:1972:209-240), ou se reclame
a participação plena, directa e efectiva dos cidadãos no governo. Neste último caso, a
opção pelo mandato imperativo, que, como é sabido, elimina a intermediação dos
representantes político, encontra justificação no facto de estes integrarem
invariavelmente a elite que ocupa o trabalho de poder, acabando por deixar de
representar os interesses dos representados.

É assim que de acordo com concepções mais radicais da democracia (Barber, 1984) a
participação política é entendida como instrumento da realização plena do cidadão na
comunidade social e política, ao passo que as concepções mais moderadas sustentam
novas formas de concretização do ideal participativo, defendendo o uso do referendo, a
dinamização das pequenas comunidades, o governo local e a descentralização política e
administrativa.

1.1 Envolvimento activo e passivo


Uma das principais divergências surge a propósito do carácter activo e passivo da
intervenção dos cidadãos na vida política. Embora a tendência seja de associar a noção a
ideia de envolvimento activo, o peso que lhe é conferido varria substancialmente
conforme o significado atribuído ao termo “activo2 bem como a relação entre
participação e regime democrático. Esta variável tende a ser entendida numa acepção
ampla, dado que em alguns casos, se valoriza a máxima intervenção ao passo que nos
outros se aceita um activismo equilibrado e até envolvimento mínimo ou nulo
(Milbrath, 1976) o que as diferentes acepções reflectem, é quanto nós um acordo básico
quanto ao envolvimento do cidadão na vida política, remetendo-se o desacordo para o
grau e o âmbito em que se envolvimento é possível e desejável.

1.2 O envolvimento máximo


Na linha das teses que preconizam a construção de uma democracia participativa, a
noção é entendida como «o envolvimento máximo do povo nas decisões políticas, a
todos os níveis»; concepção que valoriza um modo de viver específico, assente na
participação plena dos cidadãos na vida pública, visando a realização do ideal
democrático do auto-governo. Assim, a participação política relaciona-se não só com a
partilha de valores comuns mas, sobretudo, com «experiências compartilhadas», uma
espécie de mecanismo que permite a identificação total dos cidadãos com o sistema
político em que se inserem (Arblaster, 1987).

É justamente neste sentido que Arblaster considera que sem o envolvimento activo dos
cidadãos e sem a preocupação dos governantes em «consultar o povo» não existe
verdadeira participação.
O requisito do máximo envolvimento é reforçado em concepções que só consideram
como participação política os actos em que o cidadão intervém de forma plena na
condição da vida política, económica e social, no sentido em que o acto de participar
corresponde a um processo no qual os cidadãos, propõem, discutem e planeiam as
decisões que afectam as suas vidas.

1.3 A participação equilibrada


Para Sartori, a participação não deve significar o envolvimento total dos cidadãos na
vida pública, mas antes ser entendida como um rácio expresso numa fracção, que
relaciona a intensidade com a sua extensão (a intensidade varia inversamente com a
respectiva extensão no espaço e no temo). Trata-se de um princípio que ganha maior
significado quando se entende a participação como um acto voluntário e directo, uma
vez que a sua intensidade, avaliada em termos de autenticidade e efectividade, se
relaciona inversamente com o número de participantes num determinado processo.

A defesa do envolvimento equilibrado situa-se na concepção de duas premissas centrais.


Por um lado, reconhece-se a capacidade de os cidadãos se envolverem nos assuntos
públicos, aceitando que cada indivíduo pode agir nos termos da sua própria razão e de
acordo com os seus interesses. Por outro lado, assume-se a preocupação com a
capacidade operativa da democracia e das respectivas instituições de governo.

1.4 A passividade como participação


Algumas abordagens entendem que a participação política não se reporta
exclusivamente a comportamentos activos, podendo também traduzir-se em
comportamentos passivos. É assim que na acepção de Lane (1959:94) a participação
representa, a um tempo, duas «forças sociais e psíquicas diferentes».

Ao comportamento activo, orientado para a mudança e transformação das decisões


políticas, acresce o comportamento passivo: um tipo de «sindroma de espectador»,
vulgarmente associado ao mero «consumo da política» é à exposição passiva a formar
matérias de participação.
2 Valores associados à participação política
Cidadania

A participação política é geralmente associada a determinados valores que, em certos


casos, se confundem com a própria noção.

Os valores são habitualmente entendidos como crenças duradouras que influenciam a


acção individual e colectiva e determinam opções relativas a determinados
procedimentos, por oposição a outras preferências de conduta Rokeach (1973:5). Como
sistemas de crenças, os valores assumem uma dimensão prescritiva, uma vez que
ordenam as atitudes e os comportamentos, e uma dimensão proscritiva, no sentido em
que eliminam valores opostos.

2.1 Participação política e cidadania

A participação política é também associada à cidadania política e social, salientando-se,


neste caso, os direitos de participação e os comportamentos e atitudes dos cidadãos face
à vida pública.

2.2 Cidadania e democracia

Numa primeira vertente a cidadania é, em muitos casos, associada à natureza intrínseca


das democracias seja pelo entendimento de que a sua institucionalização requer, em
termos ideais, a constante procura da plena igualdade de direitos económicos, sociais e
políticos dos cidadãos, seja pelo reconhecimento da necessária contribuição destes para
a realização daquele ideal.

Dahrendorf (1994:295), destaca que um dos aspectos centrais do conceito dae cidadania
é o que se refere à oportunidade de participação na vida de uma comunidade. Mais do
que o direito à defesa da integridade de uma pessoa, «trata-se do direito de participar na
concretização das condições que determinam uma comunidade ou ainda, de fazer parte
da formação das leis que obrigam todos os cidadãos. A abordagem deste autor evidencia
um duplo sentido na noção de cidadania. Por um lado, o do reconhecimento dos direitos
de participação dos cidadãos bem como dos modos e graus do seu exercício e, por
outro, o que aponta para o mecanismo de relacionamento entre cidadãos e as instituições
políticas e sociais, relevando este último sentido a ideia de que a cidadania não se
reporta meramente à condição de legitimidade do cidadão como sujeito da acção do
poder mas antes à ideia de um cidadão que também participa no seu exercício.

O reconhecimento da necessidade de intervenção do cidadão do cidadão na comunidade


política é, assim, entendido como condição da existência da democracia, embora,
historicamente tenham vigorado concepções diferentes sobre o tipo de capacidades
exigidas ao reconhecimento da qualidade de cidadão. Contudo, nas democracias
contemporâneas, a tendência é para associar a cidadania à atribuição de um conjunto de
direitos baseados no reconhecimento, a cada indivíduo, da igualdade de capacidades
para intervir livremente na sociedade (Rawls, 1996:56).
2.3 A perspectiva dos direitos de cidadania

O reconhecimento de participação política como elemento da cidadania é também


reforçado pela perspectiva que analisa o conjunto de direitos em que se consubstancia a
intervenção dos cidadãos. Neste caso, a noção de participação política associa-se à ideia
de direitos entendidos como recursos políticos que o cidadão dispõe para actuar no
sistema político, pelo que quaisquer que sejam os modos de expressão da acção política,
a tendência são para reconhecer aos indivíduos e às instituições uma posição activa e
interessada nos destinos do Estado, de forma a contribuir para a realização dos fins
públicos.

Deste ponto de vista, é possível aferir os modos e graus de participação política pela
extensão e âmbito dos direitos políticos atribuídos aos cidadãos. Trata-se de uma
concepção corroborada por Verba (1987:5), para quem as democracias se caracterizam,
nesta matéria, pela expansão dos direitos políticos e pelo número de pessoas que
acedem a esses direitos. Nas democracias, os cidadãos acedem a um conjunto
diversificado de direitos necessários à sua intervenção política. Estes direitos assumem
um carácter universal mas, sobretudo, representam oportunidades disponíveis para os
cidadãos que os podem ou não utilizar em função dos seus recursos e motivações.

Seguindo esta linha de pensamento, os direitos de cidadania tendem a ser vistos numa
lógica de mudança social e democratização das sociedades, marcada por um processo de
crescente atribuição de direitos aos cidadãos, à medida que a democracia
institucionaliza, atingindo-se a cidadania plena no momento em que concede a
atribuição efectiva do somatório de direitos civis, políticos e sociais.

Daí que, na perspectiva de Marshall (1992:18:24), a participação política possa ser


entendida como parte de um todo mais vastos que a cidadania, constituindo uma espécie
de código uniforme de direitos e deveres com os quais todos os indivíduos são
investidos em virtude da sua participação na sociedade.

A noção plena de cidadania corresponde, na acepção de Marshall, à posição concedida


aos cidadãos como membro de uma comunidade, pela atribuição generalizada de
direitos civis, políticos e económicos pelo que a junção dos três direitos possibilita
também a plena participação na comunidade. Neste caso, todos os que desfrutam da
condição de cidadão, são iguais quanto aos direitos e deveres em relação aos quais a
condição é estabelecida. O que se reforça nesta noção é que a cidadania corresponde a
um tipo ideal de igualdade humana, associada a possibilidade de participação plena
numa comunidade, não sendo incompatível com as desigualdades existentes nos níveis
económicos da sociedade.
2.4 A perspectiva das obrigações de cidadania

A perspectiva das obrigações destaca a insuficiência na análise da cidadania só ponto de


vista dos direitos, alargando a noção às responsabilidades dos cidadãos. Neste caso, a
participação política não pode estender-se, exclusivamente, no plano da atribuição de
um conjunto de direitos políticos e do seu exercício, mas também no plano dos deveres
e até das obrigações, isto porque os cidadãos, como membros de uma comunidade
política, também se devem interessar pelos destinos dessa comunidade agindo
activamente na prossecução dos interesses colectivos ( Jons e Wales, 1992:18-19).

Esse ponto de vista é reforçado por Marshall, que também destaca a vertente das
obrigações dos indivíduos, numa perspectiva de equilíbrio entre direitos e deveres, dado
que ambos são necessários para definir a cidadania.

Noutra linha de reflexão, a dimensão da responsabilidade relacionam-se com a ideia de


cooperação. Alguns autores consideram que a sociedade civil é, por um lado,
fragmentada, dado que cada indivíduo persegue separadamente os seus interesses mas,
por outro, é cooperante, já que existe um campo de colaboração e de solidariedade onde
o mesmo indivíduo aprende a trabalhar em proveito do interesse comum e a assumir a
responsabilidade da vida pública. É assim que se entende que um aumento dos níveis de
participação quer ao nível das comunidades locais quer em partidos, associações,
movimentos e sindicatos pode contribuir, para uma experiência mais realista e para
alargar o alcance da responsabilidade cívica e da vivacidade pública (Walzzer,
1996:20.21).
Conclusão
Concluo dizendo que a ideia principal da essência do cidadão e da cidadania parte de
que para que o cidadão exerça a cidadania é necessário que o mesmo tenha a
consciência que tem uma responsabilidade não só pessoal mas também colectiva no
âmbito social.

Pude também concluir que, a noção de cidadania nem sempre é entendida como uma
intervenção activa do cidadão na vida política e social. Isto porque, por um lado, a
cidadania pode ser vista como um exercício passivo de direitos ou como o desfrutar de
direitos que podem ou não, ser exercidos e mesmo significar uma participação altruísta
em organizações não políticas. Por outro lado, importa evidenciar que se podem
levantar diversos obstáculos ao exercício da cidadania, pelo que o reconhecimento dos
direitos dos direitos de cidadania não significa, por si só, que o cidadão intervenha e
participe na vida pública.
Bibliografia
MARTINS, Manuel Meirinho de 2010 Cidadania e Participação Política: temas e
perspectivas de análise, Lisboa: Edições Instituto Superior de Ciências Sociais e
Políticas.

DAHL, Robert. (1971), Pulyarchy - Participation and Opposittion, New Have, Yale
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Almond, Gabriel e Powell, Bingham. (1996), Comparative Politcs Today – A World


View, Nova Iorque, Longman Publishers.