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Orientações de ações, por Breno Perrucho – Jovens de Negócios

Observação: Nenhuma dessas orientações, conceitos ou métricas devem ser olhadas


isoladamente, elas só servem quando são olhadas juntas. “Você nunca tem uma visão
panorâmica assertiva da empresa quando você olha para uma única coisa”.

Critérios de análise

1- Rentabilidade: É basicamente a relação entre o lucro da empresa com alguma outra


métrica. Por exemplo, se for o lucro em relação ao patrimônio líquido da empresa nos temos o
ROE, e se for o lucro em relação ao capital investido, nós temos o ROIC. Vamos supor que
tenho 30 mil reais para montar uma loja de vídeo game, mas você sabe que para abrir a loja,
você precisa de 50 mil reais, pois vai precisar de produtos e estoque.

Então você junta os 30 mil que você tem, mais 20 mil emprestado de algum banco. Com isso
quer dizer que, existe um ativo de 50 mil reais, porem ao mesmo tempo, temos um passivo de
20 mil reais (empréstimo). Na contabilidade, essa diferença entre o ativo total e o passivo, se
chama de patrimônio líquido. Nesse caso, os 30 mil reais iniciais é o patrimônio líquido, ou
basicamente o quanto de capital será aportado diretamente do bolso dos sócios.

O ROE é basicamente a quantidade de Lucro que foi gerada de um empreendimento em


determinada quantidade de tempo sobre o patrimônio líquido desse empreendimento. Vamos
supor que a loja de vídeo game de 3 mil reais de lucro no mês, e o patrimônio líquido é de 30
mil reais, então quer dizer que o seu ROE é 3 mil reais sobre/ 30 mil reais, que é igual a 10% ao
mês. Quanto maior o ROE, maior é a eficiência do empreendimento em gerar valor com base
nas ferramentas que ele tem ao seu dispor.

Já o ROIC é basicamente quanto a empresa gera de valor dado a quantidade total de capital
que foi aportado no negócio. E para chegar no ROIC, a gente pega o EBIT, que é o lucro
operacional, a gente do EBIT tira os impostos e divide o capital total investido. A conta fica
basicamente assim: 3 mil reais (lucro)/ 50 mil reais do patrimônio líquido (sócios) + passivo
(empréstimo), nos dando um ROIC de 6% ao mês.

Quanto maior a rentabilidade de um negócio, melhor para o dono dela, queremos que o
ROI e o ROIC sempre sejam os maiores possíveis. Só que dito isso a gente não pode se enganar
e comparar negócios de diferentes setores achando que alguma empresa, que tem
simplesmente o ROI maior do que outra, é o melhor negócio, porque se elas estiverem em
setores diferentes, então nem tem o porquê de comparar o ROI. Sempre compare empresas
que estejam listadas no mesmo segmento de atuação.

2- Potencial de crescimento da empresa: Para identificarmos tais potenciais, a gente


consegue destrinchar a nossa análise em outros 3 critérios:

First: Velocidade do crescimento do setor onde a empresa está inserida.

Second: O crescimento de Market Share da empresa, ou o seu crescimento na participação do


mercado.

Third: Velocidade do crescimento do próprio negócio.


Analisando isso, a velocidade de crescimento de um setor é basicamente de quando de
dinheiro que aquele mercado envolvendo os consumidores e as empresas movimenta todo
anos. Então se a cada ano esse setor movimenta mais dinheiro ele da expansão e isso pode
vim a representar uma oportunidade de investimento, ao passo que, se ele está se retraindo,
se ele esta cada vez menos movimentando dinheiro, isso pode ser um indicativo que não é um
bom investimento.

Imagina um setor obsoleto, como o setor de produção de fitas cassete. Esse setor um dia
atingiu um pico, mas certamente depois disso, começou a decair. Segundo o Breno, não quer
que a opinião dele seja usada como recomendação, mas quem vai investir em uma empresa
que vai fazer fita cassete. O crescimento do Market Share é o quanto da participação de
mercado a empresa ganha dos seus concorrentes ano a ano.

Tal critério é de grande importância de se analisar, porque uma empresa que está
crescendo constantemente, ano a ano, pode passar a falsa impressão de ser um bom
investimento se todo o setor está crescendo e ela está surfando na onda. Mas se essa
empresa, só porque o setor está crescendo, mas na realidade ela está perdendo mercado,
provavelmente ela não tem um produto ou serviço diferenciado que façam seus clientes se
sentirem fidelizados, que sintam como se estivessem de fato uma qualidade superior a todos
os outros concorrentes.

O que quer dizer que quando o setor chegar no estado de maturação, ou seja, quando ele
parar de crescer na mesma velocidade, os tempos de bonança não vão conseguir se sustentar
e o seu crescimento também não vai se sustentar a longo prazo. A velocidade de crescimento
da empresa está diretamente relacionada ao potencial de crescimento futuro do negócio, e
para comprovar isto, segue um exemplo:

Se uma empresa cresceu em média 10% ao ano nos últimos três anos, a gente pode deduzir,
ou seja, não é 100% de certeza, que ela irá crescer em torno de 10% no próximo ano. E a forma
que a gente calcula essa velocidade de crescimento é através de um estudo chamado CAGR
(Compound Average Growth Rate). O CAGR é uma forma de trazer a média de crescimento de
uma determinada métrica de um negócio em um período x de tempo.

O investidor deve decidir o período em que se quer analisar aquela métrica pelo CAGR.
Vamos pressupor que queremos analisar o CAGR da receita liquida da empresa. Quanto maior
for o período que você está usando para analisar o CAGR da receita Liquida da empresa, mais
distorcido o resultado vai ser do que de fato a receita liquida deve crescer no próximo ano.

Isto acontece porque se o investidor usa um período de tempo muito grande relativo ao
tempo de vida da empresa, quando a empresa era menor, sabemos que empresas pequenas
tendem a crescer mais rápido.

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