Você está na página 1de 9

Universidade Federal do Espı́rito Santo

Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica


Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

Dimensões Extra e o Problema de Dois Corpos

Identificação:
Grande área do CNPq: Ciências Exatas e da Terra
Área do CNPq: Fı́sica/Astronomia
Tı́tulo do Projeto: Modelos do Universo Primordial
Professor Orientador: Wiliam Santiago Hipólito Ricaldi
Estudante PIVIC: Matheus Alves Tostes - 5o Perı́odo

Resumo: O subprojeto estudou efeitos que as dimensões extras causariam no pro-


blema de dois corpos. Assumir a existência de uma dimensão espacial a mais no
universo leva a correções no potencial gravitacional newtoniano. Neste subprojeto,
nos concentramos em reescrever as leis de Kepler e, principalmente, realizar um es-
tudo detalhado das órbitas de planetas usando a fı́sica clássica. Os resultados indi-
cam que as trajetórias orbitais sofrem uma deformação por conta da dimensão extra.
Usamos dados dos ângulos de precessão dos planetas do sistema solar para colocar
limites no parâmetro associado à dimensão extra.

Palavras chaves: Mecânica Orbital, Leis de Kepler, Dimensões Extras.

1 Introdução

A introdução de dimensões extras na natureza tornou-se muito comum na fı́sica atual. Inicial-
mente foram introduzidas por Kaluza e Klein [1] [2] [3] para unificar a interação gravitacional à
eletromagnética. A explicação que se dava na época, para que estas dimensões extras não pos-
sam ser observadas é que elas se encontram compactificadas tais que o raio de compactificação
é muito pequeno. Uma outra forma de incluir dimensões extras na fı́sica é mediante os modelos
tipo Randall Sundrum [4] [5] onde as dimensões extra são estendidas.
O modelo usado para este estudo é baseado no chamado Randall-Sundrum II (RS II). Este tipo de
modelo considera que nosso universo é uma brana imersa em um espaço tempo 5-dimensional
de tipo anti-De Sitter. Todas as interações e matéria, com exceção do gráviton, pertenceriam
a esta brana (3 + 1)-dimensional. Este modelo tem por objetivo encontrar uma solução para o
problema das hierarquias por métodos geométricos, sem introduzir conceitos de supersimetria [6]
e, no limite de baixas energias, encontrar que o potencial newtoniano sofre uma correção, tal
qual [6]:
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

 
Gm1 m2 1
U(r) = 1+ 2 2 , (1)
r k r

onde o parâmetro k é dado por:


s
2|Λ|
k= ,
p(p + 1)
sendo Λ a constante cosmológica pentadimensional e p a quantidade de dimensões considera-
das.
Neste trabalho estudaremos os efeitos do potencial da eq.(1) usando o formalismo lagrangiano
da mecânica clássica. Estaremos, principalmente, interessados em estudar quais são as con-
sequências das dimensões extras nas órbitas planetárias no sistema solar.

2 Objetivos

O objetivo principal neste subprojeto foi estudar de forma qualitativa e quantitativa os efeitos que
surgiriam no movimento planetário devido às dimensões extras.

3 Metodologia

Segue o conjunto de ferramentas e técnicas fı́sico/matemáticas que foram essenciais para o de-
senvolvimento da pesquisa. Todas elas foram adquiridas durante o tempo que durou a Iniciação
Cientı́fica. Na primeira metade, estudou-se o ferramental relacionado ao formalismo lagrangi-
ano da mecânica clássica. Foram revisados então os conceitos de coordenadas generalizadas,
princı́pio de Hamilton e cálculo variacional juntamente ao conceito de força central. Foram usa-
dos como bibliografia [7] [8] [9] [10] [11]. Nesta primeira parte o orientador sugeria temas a serem
estudados no decorrer das semanas e, no fim de cada tema, seminários eram realizados para
apresentar os resultados, seguidos de discussões e o encaminhamento para temas subsequen-
tes.
A segunda metade foi dividida em duas etapas. Na etapa inicial realizamos a dedução e estudo
das órbitas submetidas a um potencial newtoniano e mostramos que estas podem ser elı́pticas,
hiperbólicas ou parabólicas. Na última etapa focamos nos efeitos do potencial gravitacional modi-
ficado pelas dimensões extras e recalculamos as órbitas para este caso. Nesta segunda parte da
IC, o orientador acompanhava e compartilhava de métodos para a resolução dos problemas en-
contrados. A cada semana uma reunião era marcada para realizar a interpretação dos resultados
obtidos.

2
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

4 Resultados

O sistema estudado é formado por duas massa m1 e m2 que interagem entre si apenas gravitaci-
onalmente. Na Fig.(1), ~R indica a posição do centro de massa, ~r1 e ~r2 são as posições de ambas
as massas em relação à origem do referencial e ~r é a posição relativa entre as massas.

Figura 1: Dois corpos interagindo apenas gravitacionalmente.

4.1 Extraindo dados das equações de Lagrange

Em geral a lagrangiana de um sistema é definida por:

L = T −U ,

onde L é a função lagrangiana, T a energia cinética presente no sistema e U o potencial, que


neste caso está associado à interação gravitacional. Em todo o texto, utilizaremos ẋ para a
primeira derivada de x em relação ao tempo e ẍ para a segunda derivada. A energia cinética
para o sistema de duas partı́culas da Fig.(1) é dada por:

1 1 1
T = (m1 + m2 )~R˙ 2 + m1~r˙12 + m2~r˙22 ,
2 2 2
m1 m2
que pode ser escrita em função de ~r, M = m1 + m2 e µ = :
m1 + m2

1 1
T = M~R˙ 2 + µ~r˙2 .
2 2
Portanto a lagrangiana toma a seguinte forma:

1 1
L = M~R˙ 2 + µ~r˙2 −U . (2)
2 2
Usando o princı́pio da mı́nima ação e a eq.(2) obtemos as equações de movimento para o sis-
tema:

∂L ∂L
 
d
− = 0 −→ M R̈ = 0 , (3)
∂R dt ∂ Ṙ

3
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

∂L ∂L
 
d
− = 0 −→ µ r̈ = U,r , (4)
∂r dt ∂ ṙ

onde U,r indica uma derivada espacial em relação a r. Da eq.(3) vê-se M~R¨ = 0, mostrando que o
centro de massa do sistema se movimenta com velocidade constante, isto é, as interações dos
corpos do sistema não aceleram o centro de massa. Da eq.(4), a interação entre os dois corpos
~g . Como estamos interessados no estudo das órbitas planetárias do
é justamente uma força F
sistema solar, podemos considerar que m1 = Msol e m2 = m planeta , portanto m1  m2 , o que signi-
fica que, para todos os efeitos, µ ≈ m planeta (m p ).

O potencial modificado (1) gera uma força do tipo central F ~g = −U,r r̂, onde r̂ é um vetor unitário
˙
na direção~r. O torque agindo no corpo m p é ~τ =~r × ~F com a derivada do momento angular ~` = ~τ.
~g é colinear com ~r, o torque será nulo e o momento angular será conservado. Ou
Assim, como F
seja ~` = m p~r ×~v é sempre constante em modulo e direção. Por tanto, o movimento de m p estará
limitado a um plano e precisaremos apenas de duas coordenadas para descreve-lo.

4.2 Cálculo das órbitas

No nosso estudo vamos descrever o movimento de m p em coordenadas polares, com vetores


unitários θ̂ e r̂ como mostra-se na figura (2). Esses dois vetores unitários estão relacionados da
seguinte forma:

r̂˙ = θ̂ θ̇ θ̂˙ = −r̂θ̇ . (5)

Figura 2: As duas funções citadas anteriormente.

Vamos agora deduzir a equação que rege a trajetória do corpo m p . Para isso, substituı́mos m p
por µ na eq.(4):

U,r = m p~r¨ . (6)

4
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

O lado direito da equação acima dita a aceleração de m p . No caso mais geral, esta aceleração
tem componentes na direção radial e na direção tangencial. Para identificar essas duas compo-
nentes, calculamos a segunda derivada de ~r = r r̂ e usando a eq.(5) obtemos:

~r¨ = r̈r̂ + ṙθ̇ θ̂ + rθ̈ θ̂ − rθ̇ 2 r̂ , (7)

por conta da conservação do momento angular, os termos na direção tangencial θ̂ da eq.(8)


d(rθ̇ )
serão nulos pois [ṙθ̇ + rθ̈ ] = = `˙ = 0. Ou seja, neste caso particular, a aceleração terá
dt
apenas componente radial:

~r¨ = r̈ − rθ̇ 2 r̂ .
 
(8)

Agora, vamos reescrever a equação acima utilizando as constantes de movimento do problema.


Usaremos como constantes o momento angular por unidade de massa L = r2 θ̇ e também P =
L2
. Fazemos então a seguinte troca de variável.
Gm p

P
r= . (9)
u

Introduzindo a eq.(9) na eq.(8), temos que:

 2 2 2
L .u d u L2 .u3

¨
~r = − 3 − 3 r̂ . (10)
P dθ 2 P
Este resultado pode se usar na eq.(6) e obter a equação de movimento para o corpo m p , porém,
é necessário antes supor um tipo de potencial gravitacional. Como primeiro passo considera-
remos o potencial newtoniano inversamente proporcional ao quadrado da distância, que é bem
conhecido. Neste caso:

L2 u2
 
GMs m p
U,r = − r̂ = − r̂ . (11)
r2 P3
Com isso a eq.(6) toma a forma:

du2
+u = 1. (12)
dθ 2

Sendo a eq.(12) uma equação diferencial ordinária não homogênea e linear de segunda or-
dem, sendo que a equação homogênea associada a ela é a conhecida equação do movimento
harmônico simples, que possui solução conhecida. Desta forma, a solução da eq.(12) é u =
1 + e cos θ e a órbita de m p é dada por:

P
r= , (13)
1 + e cos θ
onde o termo e é a excentricidade da órbita. Para e = 0 a órbita tem a forma de um cı́rculo,
0 < e < 1 tem a forma de uma elipse, e = 1 tem forma de parábola e e > 1 tem forma de hipérbole.

5
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

Estamos interessados no movimento planetário, por tanto, a excentricidade aqui sera 0 < e  1,
a qual está relacionada com o afélio e periélio 1 e por [12]:

ra f elio − r perielio
e= . (14)
ra f elio + r perielio
Por outro lado, a constante P pode ser relacionada à excentricidade e ao semieixo maior da órbita
planetária [12]:

ra f elio + r perielio
P = a(1 − e2 ) , a= . (15)
2
Na Fig.(3) apresentamos valores dos afélios, periélios , excentricidades e semieixos maiores para
vários planetas do sistema solar [13].

Figura 3: Informações orbitais de alguns dos planetas do sistema solar.

4.3 O potencial modificado por dimensões extras

O interesse principal desta pesquisa é observar as consequência das dimensões extras nas
órbitas dos planetas do sistema solar. Agora consideraremos que o potencial gravitacional é
modificado conforme a eq.(1). Por tanto, a força gravitacional será dada por:

3u2
 
GMs m p
U,r = 1+ 2 2 ,
r2 k P
1
substituindo = ε e repetindo os mesmos passos da secção anterior encontraremos a equação
k2 P2
de movimento para a variável u, que resultará em:

d2u
+ u = 1 + 3εu2 . (16)
dθ 2
A equação acima é uma equação não linear em u, o que em geral, torna complicada a sua
resolução. No entanto, as órbitas planetárias parecem não ser tão diferentes daquela apre-
sentada na solução (13). Isto é, caso existisse alguma modificação das órbitas por conta das
dimensões extras, esta deveria ser pequena. Neste trabalho vamos considerar que o valor de
1
O afélio é o máximo da função que dita a órbita do planeta, enquanto periélio é o mı́nimo da mesma função.

6
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

ε tem que ser muito pequeno, ou seja, 0 < ε  1. O que permite escrever a solução para u de
forma perturbativa. Usando ε como parâmetro para a expansão:

u = u0 + εu1 + O(ε) ,

e a partir disso consideramos apenas termos de primeira ordem em ε pois, quaisquer termos
acompanhados de ε elevados à segunda potência ou mais, serão insignificantes. Com isto a
eq.(16) se separa em duas equações, uma para ordem zero e outra para primeira ordem. Da
d 2 u0
ordem zero temos + u0 = 1. Da primeira ordem temos que:
dθ 2

d 2 u1
+ u1 = 3u20 . (17)
dθ 2
A equação da ordem zero tem como solução u0 = 1 + e cos θ . Portanto, podemos reescrever a
eq.(17) de uma forma mais explı́cita:

d 2 u1 3 2 3e2
+ u 1 = (2 + e ) + 6e cos θ + cos 2θ . (18)
dθ 2 2 2
Para resolver a equação acima usaremos o seguinte ansatz 2 :

u1 = A + Bθ sin θ +C cos 2θ ,

e assim encontraremos os valores para os coeficientes A, B e C. Finalmente a solução é

3 e2
u1 = (2 + e2 ) + 3eθ sin θ − cos 2θ .
2 2
No caso em questão, a excentricidade é 0 < e < 1, o que significa que a maior contribuição virá
dos termos lineares em e. Sendo assim u1 ≈ 3 + 3eθ sinθ mas θ varia de 0 a ∞, então o termo
proporcional a θ sempre crescerá e será dominante em relação às constantes 3. Portanto:

u1 = eθ sin θ .

A solução geral para u será então:

u(θ ) = 1 + e cos θ + εθ e sin θ . (19)

A forma de u apresentada acima, pode ser reduzida mais ainda se consideramos uma expansão
em série ao redor de 0 em relação a ε até primeira ordem. Assim, cos(θ [1 − ε]) ≈ cos θ + εθ sin θ
e u(θ ) ≈ 1 + ecos(θ [1 − ε]) e a equação da órbita será:

P
r= . (20)
1 + e cos(θ [1 − ε])
Esta equação é o resultado principal da nossa pesquisa e será discutida na próxima secção.
2
Foram testados outros ansatz que eram combinações lineares de funções trigonométricas e funções tipo θ sin θ ou
θ cos θ . Com essas tentativas encontramos que a solução seria da forma apresentada.

7
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

5 Discussão e conclusões

A eq.(20) indica que a suposição de uma dimensão extra induz um deslocamento do afélio e
periélio dos planetas. Isto é, faz com que suas órbitas precessionem. Em outras palavras, seus
ciclos (ou perı́odos) não se completam em 2π, visto que são deslocados por uma quantidade
proporcional a ε. Assim o perı́odo de um ciclo completo será:


T= ≈ 2π(1 + ε) , (21)
1−ε

onde esta última aproximação tem esta forma pois estamos considerando apenas a correção
linear em ε. Portanto, a precessão é dada por:

pr = 2πε . (22)

Podemos então usar dados observados da precessão dos planetas para inferir o valor que to-
maria o parâmetro k. Estes cálculos foram realizados com base nas informações da Fig.(3) e os
resultados são apresentamos a seguir:

Figura 4: k calculados pela eq.(22).

Como para todos os planetas do sistema solar 0 < e  1 e 0 < ε  1, a precessão de uma
órbita para poucos ciclos seria quase imperceptı́vel, assemelhando-se, em curtos perı́odos, a
um cı́rculo. Então para ilustração, mostramos na Fig.(5) a órbita de um corpo com e = 0, 8 e
ε = 0, 3.

Figura 5: Órbita afetada pela modificação relativa às dimensões extras.

8
Universidade Federal do Espı́rito Santo
Programa Institucional de Iniciação Cientı́fica
Relatório Final de Pesquisa
Ciências Exatas e da Terra

No presente subprojeto concluı́mos que, com o estudo da modificação proposta pela referência
[6], somente com conteúdo de fı́sica newtoniana, podemos mostrar que a existência de di-
mensões extras podem interferir nas órbitas planetárias. O resultado final tomou forma como
precessões, exibindo uma modificação da primeira lei de Kepler.
Os resultados apresentados aqui ainda são preliminares, no sentido de que é necessário estudar
com mais detalhes órbitas hiperbólicas e parabólicas no contexto do potencial (1). Da mesma
forma, o método usado para calcular o valor de k, apresentado na Fig.(4), não considerou o
tratamento estatı́stico ideal dos dados e nem a incertezas das médias da precessão dos planetas.
Deixamos todos estes estudos mais rigorosos para um futuro subprojeto.

Referências

[1] M. Bühlmann, “Gravitational law in extra dimensions,” p. 9, 2013.

[2] T. Kaluza, Zum Unitätsproblem in der Physik. 1921.

[3] O. Klein, Quantentheorie und fünfdimensionale Relativitätstheorie. 1926.

[4] R. Randall, L; Sundrum, “Large mass hierarchy from a small extra dimension,” 1999.

[5] R. Randall, L; Sundrum, An Alternative to Compactification. 1999.

[6] I. L. J. L. Yoonbai Kim, Chong Oh Lee, “Brane world of warp geometry: An introductory
review,” p. 16, 2004.

[7] M. A. M. de Aguiar, “Tópicos de mecânica clássica,” p. 35, 2019.

[8] M. A. M. de Aguiar, “Tópicos de mecânica clássica,” p. 37, 2019.

[9] N. A. Lemos, Mecânica Analı́tica. 2000.

[10] J. S. Herbert Goldstein, Charles Poole, Classical Mechanics. 2000.

[11] N. A. Lemos, Mecânica Analı́tica. 2000.

[12] Math.ksu, “Kepler’s laws of planetary motion and newton’s law of universal gravitation,” 2019.

[13] NASA, https://nssdc.gsfc.nasa.gov/planetary/factsheet/. 2018.