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Resenha

REFERÊNCIA: ​TIGRE, P. B. Inovações e teorias da firma em três paradigmas. ​Revista de


Economia Contemporânea​, nº 3, 1998.

Resenhado por: ​Rebecka Camondá Pereira - 2018.1.24.109

O artigo “Inovações e teorias da firma em três paradigmas” de Paulo Bastos Tigre


publicado pela Revista de Economia Contemporânea em 1998, tem como objetivo analisar à
partir de três paradigmas: i) revolução industrial britânica, ii) fordismo e iii) as tecnologias de
transformação; à evolução das teorias da firma considerando tais mudanças tecnológicas.
Na busca de encontrar um modelo que representa-se as realidades, a lógica e o
comportamento das empresas surgiu a teoria da firma, a qual busca elucidar tais questões.
Todavia existem grandes divergências a respeito da mesma, isso ocorre devido a falta de
análises empíricas na área, visto que há uma grande dificuldade em conciliar a teoria com a
realidade, pois esta é extremamente complexa. Devido à tal fator, na maioria das vezes os
autores não contextualizavam suas teorias as deixando em um ambiente atemporal e universal,
por isso quando os críticos ao levantarem incoerências nestas teorias também não levavam em
conta o cenário. Levando isso em conta o alvo do artigo é fazer uma revisão dessas teorias
levando em conta os seus respectivos contextos, paradigmas e impactos consequentes na
concentração de capital.
Apesar da teoria neoclássica tradicional ser simplista e longe da realidade, ainda é
largamente utilizada pois até hoje nenhum outro modelo apresenta o seu fechamento e
abrangência. Alguns dos erros desta está relacionado ao foco e as considerações que ela faz,
um dos pontos centrais à teoria dos preços e da alocação dos recursos e para tais análises se
considera que existe uma concorrência e uma difusão de informações perfeita, que as
tecnologias estão sempre disponíveis para todos, além de levar em considerar que os agentes
possuem uma racionalidade perfeita, a qual tem como objetivo a maximização dos lucros.
Todavia ao se observar o contexto dos autores é possível perceber que essas alegações
realmente são muito semelhantes ao que eles viviam na época; na ​revolução industrial
britânica os empresários nada se preocupação com a competição, seu foco era encontrar o
melhor preço para vender seus produtos e assim ampliar seus lucros o máximo possível.
Naquele período à indústria era vista como uma “caixa preta”, a qual era responsável
por transformar matéria prima em produto final, acreditava-se que se preocupar com o avanço
tecnológico era uma responsabilidade de engenheiros e cientistas, sendo algo exógeno ao
processo. Além de tais suposições, um outro fator que impedia com que os empresários
investissem em no avanço tecnológico era o regime jurídico de responsabilidade integral, nele
caso a firma viesse a falir seu dono era responsável por arcar com todas suas dívidas, mesmo
que para isso tivesse que utilizar seus bens pessoais. Juntando tal responsabilidade com os
riscos que a tecnologia trazia consigo, o mais "racional", seguro era não considerar tais
opções.
Acrescenta-se ainda como um obstáculo para essa integração da tecnologia é a noção
de deseconomias de escala, estas são decorrentes do aumento do custo de variáveis como
trabalho e insumos, podendo ser dividida em internas e externas. Nas deseconomias externas
ocorrem uma pressão sobre os preços, esta é oriunda do aumento do custo unitário devido o
crescimento da demanda dos insumos variáveis. Já nas deseconomias internas os recursos
fixos, máquinas e trabalhadores por exemplo, não conseguem se adequar o mesmo nível de
produção anterior com a mesma produtividade, por exemplo se em uma hora se produzia cem
serrotes, depois se passaria a produzir 8 serrotes no mesmo período. Mesmo que a tecnologia
pudesse auxiliar no processo produtivo, tinha-se a ideia de que ela iria atrapalhar.

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