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do Código Penal.

ISBN 9788553618194

Prática forense : prática civil / Ana Carolina Victalino...[et al.]. – 2. ed. – São Paulo : Saraiva
Educação, 2020. (Coleção Prática Forense / coordenada por Darlan Barroso e Marco Antonio
Araujo Junior)
408 p.
Bibliografia
1. Direito 2. Direito civil - Brasil 3. Prática forense I. Título. II. Coleção
20-0226
CDD 340

Índices para catálogo sistemático:


1. Direito civil : Brasil : OAB 344.7(81)(079.1)

Direção executiva Flávia Alves Bravin

Direção editorial Renata Pascual Müller

Gerência editorial Roberto Navarro

Gerência de produção e planejamento Ana Paula Santos Matos

Gerência de projetos e serviços editoriais Fernando Penteado

Consultoria acadêmica Murilo Angeli Dias dos Santos

Planejamento Clarissa Boraschi Maria (coord.)

Novos projetos Melissa Rodriguez Arnal da Silva Leite

Edição Daniel Pavani Naveira | Estevão Bula Gonçalves

Produção editorial Luciana Cordeiro Shirakawa


Arte e digital Mônica Landi (coord.) | Amanda Mota Loyola | Camilla Felix Cianelli Chaves |
Claudirene de Moura Santos Silva | Deborah Mattos | Fernanda Matajs | Guilherme H. M.
Salvador | Tiago Dela Rosa | Verônica Pivisan Reis

Planejamento e processos Clarissa Boraschi Maria (coord.) | Juliana Bojczuk Fermino | Kelli
Priscila Pinto | Marília Cordeiro | Fernando Penteado | Mônica Gonçalves Dias | Tatiana dos
Santos Romão

Projetos e serviços editoriais Juliana Bojczuk Fermino | Kelli Priscila Pinto | Marília
Cordeiro | Mônica Gonçalves Dias | Tatiana dos Santos Romão

Diagramação (Livro Físico) Markelangelo Design e Projetos Editoriais

Revisão Amélia Kassis Ward

Capa Aero Comunicação

Livro digital (E-pub)

Produção do e-pub Guilherme Henrique Martins Salvador

Data de fechamento da edição: 17-12-2019

Dúvidas?

Acesse sac.sets@somoseducacao.com.br
Sumário

Sobre os Coordenadores

Apresentação da Coleção Prática Forense

1. Tutela Provisória
1. Introdução
2. Tutela provisória e liminar
3. Tutela provisória
3.1. Tutela provisória de urgência
3.1.1. Tutela provisória de urgência antecipada
3.1.1.1. Tutela provisória de urgência antecipada antecedente
3.1.1.2. Modelo de peça prática de tutela provisória de urgência
antecipada antecedente
3.1.1.3. Estrutura básica do aditamento da petição inicial com
requerimento de tutela provisória de urgência antecipada
antecedente
3.1.1.4. Modelo de aditamento do requerimento de tutela provisória
de urgência antecipada antecedente
3.1.1.5. Estabilização da tutela provisória de urgência antecipada
antecedente
3.1.2. Tutela provisória de urgência cautelar
3.1.2.1. Tutela provisória de urgência cautelar antecedente
3.1.2.2. Estrutura básica de tutela provisória de urgência cautelar
antecedente
3.1.2.3. Modelo de peça prática de tutela provisória de urgência
cautelar antecedente
3.2. Tutela provisória de evidência
3.3. Artigos relevantes e Quadro Sinótico

2. Competência
1. Competência internacional e interna
1.1. Competência interna exclusiva
1.2. Competência interna concorrente
1.3. Competência internacional exclusiva
2. Competência interna
2.1. Competência funcional
2.2. Competência territorial
2.3. Competência objetiva
2.3.1. Em razão da matéria
2.3.2. Em razão do valor da causa
2.3.3. Em razão da pessoa
3. Regra prática de fixação de competência
4. Modelos de endereçamento de peças processuais

3. Honorários Advocatícios
1. Parâmetros de fixação dos honorários advocatícios
2. Sucumbência recursal
3. Honorários advocatícios em cumprimento de sentença
4. Modelos de requerimentos de fixação de honorários advocatícios
5. Processos sem incidência de honorários e artigos relevantes

4. Intervenção de Terceiros
1. Assistência
1.1. Assistência simples
1.2. Assistência litisconsorcial
1.3. Modelo de pedido de assistência
2. Denunciação da lide
2.1. Modelo de pedido de denunciação da lide
3. Chamamento ao processo
3.1. Modelo de pedido de chamamento ao processo
4. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica
4.1. Modelo de incidente de desconsideração da personalidade jurídica
5. Amicus curiae
6. Quadro-resumo das modalidades de intervenção de terceiros

5. Petição Inicial
1. Como identificar que a peça é uma petição inicial
2. Qual o nome que deve constar no preâmbulo da petição inicial para
indicar a ação?26
3. Requisitos da petição inicial
3.1. Endereçamento (art. 319, I, do CPC)
3.2. Qualificação (art. 319, II, do CPC)
3.3. Fatos e fundamentos jurídicos (art. 319, III, do CPC)
3.4. Fundamentos jurídicos (DO DIREITO)
3.5. Pedido (art. 319, IV, do CPC)
3.6. Requerimentos
3.7. Valor da causa
3.8. Encerramento da peça
4. Modelo de peça prática de ação de conhecimento pelo procedimento
comum com pedido de tutela provisória de urgência antecipada
5. Artigos importantes
6. Contestação
1. Como identificar que a peça é uma contestação
2. Prazo para oferecer contestação
3. Contestação
3.1. Preliminares
3.2. Mérito
3.3. Questões incidentais
3.3.1. Intervenção de terceiros
3.3.2. Reconvenção
3.3.2.1. Modelo de peça prática de contestação com reconvenção

7. Razões Finais
1. Noções gerais
2. Modelo de peça de razões finais

8. Emenda de Petição Inicial


1. Noções gerais
2. Estrutura da peça e requisitos
3. Modelo

9. Aditamento de Petição Inicial e Reconvenção


1. Noções gerais
2. Estrutura da peça e requisitos
3. Modelo

10. Pedido de Cancelamento de Audiência


1. Noções gerais
2. Estrutura da peça e requisitos ao réu
3. Modelo simples para o réu
11. Réplica
1. Introdução
2. Identificação da peça
3. Estrutura básica da peça
4. Modelo de réplica
5. Principais artigos de direito processual e de direito material

12. Procedimentos Especiais


1. Introdução
2. Ação de consignação em pagamento
2.1. Espécies de consignação
2.2. Estrutura básica da ação de consignação em pagamento
2.3. Modelo de peça prática de ação de consignação em pagamento com
pedido de tutela provisória de urgência antecipada
3. Ações possessórias
3.1. Introdução
3.2. Diferença de possessória (reintegração, manutenção ou interdito
proibitório), reivindicatória e imissão na posse
3.3. Modalidades das ações possessórias
3.3.1. Reintegração de posse
3.3.2. Manutenção de posse
3.3.3. Interdito proibitório
3.4. Disposições gerais das ações possessórias
3.5. Procedimento da reintegração e manutenção de posse: liminar ou
tutela provisória de urgência antecipada?
3.6. Estrutura básica das ações de reintegração e manutenção de posse
3.7. Modelo de ação de reintegração de posse
3.8. Estrutura básica do interdito proibitório
3.9. Modelo de peça prática de interdito proibitório
3.10. Artigos relevantes
4. Ação monitória
4.1. Estrutura básica da ação monitória
4.2. Modelo de peça prática de ação monitória
4.3. Artigos relevantes
5. Oposição
5.1. Introdução
5.2. Estrutura básica da oposição
5.3. Modelo de peça prática de oposição
6. Embargos de terceiro
6.1. Introdução
6.2. Estrutura básica dos embargos de terceiro
6.3. Modelo de peça prática de embargos de terceiro
6.4. Artigos relevantes
7. Ação de exigir contas
7.1. Introdução
7.2. Procedimento
7.3. Identificação da peça
7.4. Estrutura básica da peça
7.5. Modelo de ação de exigir contas
7.6. Principais artigos de direito processual e direito material
8. Divisão e demarcação de terras particulares
8.1. Introdução
8.2. Ação demarcatória
8.3. Ação de divisão
8.4. Estrutura da peça e requisitos
8.5. Modelo de demarcação de terras
8.6. Modelo de divisão de terras
9. Ação de dissolução parcial de sociedade
9.1. Introdução
9.2. Procedimento
9.3. Identificação da peça
9.4. Estrutura básica da peça
9.5. Modelo de ação de dissolução parcial de sociedade
9.6. Principais artigos de direito processual e direito material
10. Inventário e partilha
10.1. Introdução
10.2. Extrajudicial
10.3. Inventário tradicional ou comum
10.3.1. Estrutura básica da peça
10.3.2. Modelo de peça de inventário
10.4. Arrolamento sumário
10.4.1. Estrutura básica da peça
10.4.2. Modelo de peça de inventário pelo rito de arrolamento
sumário
10.5. Arrolamento comum
10.5.1. Estrutura básica da peça
10.5.2. Modelo de peça de inventário pelo rito de arrolamento comum
11. Ações de família
11.1. Introdução
11.2. Estrutura da ação de divórcio litigioso
11.3. Modelo de petição inicial de divórcio litigioso
11.4. Estrutura da ação de divórcio consensual
11.5. Modelo de petição inicial de divórcio consensual
11.6. Estrutura da ação declaratória de reconhecimento e dissolução de
união estável
11.7. Modelo de ação de reconhecimento e dissolução de união estável
11.8. Estrutura de ação de alimentos
11.9. Modelo de ação de alimentos
11.10. Estrutura de ação de revisional de alimentos
11.11. Estrutura de ação de exoneração de alimentos
11.12. Estrutura da ação de alimentos gravídicos
11.13. Modelo da ação de ação de alimentos gravídicos
11.14. Estrutura de ação de regulamentação de guarda e convivência
familiar (visitas)
11.15. Modelo de ação de regulamentação de guarda e convivência
familiar
11.16. Estrutura de ação de investigação de paternidade cumulada com
alimentos
11.17. Modelo de ação de investigação de paternidade cumulada com
pedido de alimentos
12. Alteração do regime de bens
12.1. Introdução
12.2. Estrutura da ação para a alteração de regime de bens61
12.3. Modelo de ação para a alteração de regime de bens
13. Alienação parental
13.1. Introdução
13.2. Estrutura da ação de alienação parental
13.3. Modelo de ação declaratória de alienação parental
14. Alienação judicial de bens de crianças, adolescentes, tutelados ou
curatelados
14.1. Introdução
14.2. Estrutura da ação de alienação de bens de criança ou adolescente
14.3. Modelo da ação de alienação de bens de criança ou adolescente
15. Testamento
15.1. Introdução
15.2. Estrutura da ação de registro de testamento
15.3. Modelo de peça de ação de registro de testamento público
16. Interdição
16.1. Introdução
16.2. Estrutura da ação de interdição
16.3. Modelo da ação de interdição
17. Homologação de penhor legal
17.1. Introdução
17.2. Estrutura da peça e requisitos
17.3. Modelo de homologação de penhor legal
18. Ação de regulação de avaria grossa
18.1. Introdução
18.2. Procedimento
18.3. Estrutura básica da peça
18.4. Modelo de ação de regulação de avaria grossa
18.5. Principais artigos de direito processual e direito material
19. Ações locatícias (Lei n. 8.245/91)
19.1. Introdução
19.2. Disposição da legislação: direito material e processual
19.3. Direito material
19.3.1. Partes no contrato de locação
19.3.2. Sucessão e sub-rogação locatícia
19.3.3. Aluguel
19.3.4. Deveres do locador e do locatário
19.3.5. Alienação do imóvel com contrato de locação em vigência
19.3.6. Benfeitorias
19.3.7. Garantias locatícias
19.3.8. Das penalidades civis e criminais e das nulidades
19.3.9. Das modalidades de locação de imóvel urbano
19.4. Direito processual
19.4.1. Ação de despejo
19.4.1.1. Fundamentos da ação de despejo
19.4.1.2. Estrutura básica da ação de despejo
19.4.1.3. Modelo de ação de despejo
19.4.2. Ação de consignação em pagamento
19.4.2.1. Estrutura básica da ação de consignação em pagamento
19.4.2.2. Modelo de peça prática de ação de consignação de
pagamento de aluguéis e acessórios da locação
19.4.3 Ação revisional de aluguel
19.4.3.1. Estrutura básica da ação revisional de aluguel
19.4.3.2. Modelo de peça prática de ação revisional de aluguel
19.4.4. Ação renovatória
19.4.4.1. Estrutura básica da ação renovatória de aluguel
19.4.4.2. Modelo de peça prática de ação renovatória
20. Ação de Busca e Apreensão
20.1. Introdução
20.2. Procedimento
20.3. Estrutura básica da peça
20.4. Modelo de ação de busca e apreensão
20.5. Principais artigos de direito processual e direito material

13. Mandado de Segurança


1. Introdução
2. Competência para o mandado de segurança
3. Recursos no mandado de segurança
4. Estrutura básica da peça
5. Modelo de mandado de segurança
6. Principais artigos de direito processual e de direito material:

14. Ação Civil Pública


1. Introdução
2. Estrutura da peça e requisitos
3. Modelo de ação civil pública

15. Cumprimento Provisório e Definitivo de Pagar Quantia Certa


1. Introdução
2. Estrutura da peça e requisitos
3. Modelo de cumprimento provisório
4. Modelo de cumprimento definitivo

16. Cumprimento de Sentença de Obrigação de Fazer ou Não Fazer


1. Introdução
2. Modelo de peça prática de cumprimento de sentença de obrigação de
fazer
17. Execução
1. Introdução
2. Endereçamento
3. Modelo de peça prática de execução de título executivo extrajudicial
4. Artigos importantes

18. Petição de Parcelamento


1. Introdução
2. Procedimento
3. Estrutura básica da peça
4. Modelo de requerimento de parcelamento
5. Artigo importante

19. Embargos à Execução


1. Introdução
2. Estrutura da peça e requisitos
3. Modelo de embargos à execução

20. Processos de Competência Originária dos Tribunais


1. Introdução
2. Homologação de Sentença Estrangeira e Concessão de Exequatur à
Carta Rogatória
2.1. Estrutura básica de ação de homologação de sentença estrangeira
2.2. Modelo de peça prática de ação de homologação estrangeira
3. Ação rescisória
3.1. Estrutura básica da ação rescisória
3.2. Modelo de ação rescisória
4. Reclamação
4.1. Estrutura básica de reclamação
4.2. Modelo de peça prática de reclamação
5. Quadro sinótico das ações de competência originária dos tribunais
6. Incidentes processuais em julgamento no Tribunal
6.1. Incidente de assunção de competência
6.2. Incidente de arguição de inconstitucionalidade em controle difuso
6.3. Incidente de conflito de competência
6.4. Incidente de resolução de demandas repetitivas

21. Recursos
1. Aspectos práticos gerais
1.1. Como identificar que a peça é um recurso
1.2. Pronunciamentos judiciais
1.3. Atos x recursos
1.4. Situações peculiares
1.5. Questões práticas comuns a todos os recursos
1.6. Recurso adesivo – art. 997 do CPC
1.7. Efeito suspensivo nos recursos
1.8. Recursos nos Juizados
1.9. Recursos em mandado de segurança
2. Apelação
2.1. Aspectos gerais
2.2. Estrutura da peça
2.3. Modelo de apelação
2.4. Efeito suspensivo em apelação
2.4.1. Modelo de pedido de efeito suspensivo em apelação
3. Embargos de declaração
3.1. Aspectos gerais
3.2. Modelo de embargos de declaração
4. Agravos
4.1. Agravo de instrumento
4.1.1. Cabimento
4.1.2. Efeito suspensivo ou tutela antecipada recursal?
4.1.3. Modelo de agravo de instrumento
4.2. Agravo interno
4.2.1. Aspectos gerais
4.2.2. Modelo de agravo interno
4.3. Agravo em recurso especial e extraordinário
4.3.1. Aspectos gerais
4.3.2. Modelo de agravo em recurso especial e extraordinário
5. Recursos no STJ e no STF
5.1. Recurso ordinário constitucional
5.1.1. Aspectos gerais
5.1.2. Modelo de recurso ordinário constitucional
5.2. Recurso extraordinário
5.2.1. Aspectos gerais
5.2.2. Modelo de recurso extraordinário
5.3. Recurso especial
5.3.1. Aspectos gerais
5.3.2. Modelo de recurso especial
5.4. Embargos de divergência
5.4.1. Aspectos gerais
5.4.2. Modelo de embargos de divergência
22. Técnica de Resolução de Questões
1. Introdução
2. Orientações iniciais
3. Composição das questões discursivas
3.1. Identificando a problemática
3.2. Identificando o tema
3.3. Elaborando a resposta

Referências
Sobre os Coordenadores

DARLAN BARROSO

Advogado. Sócio-fundador do MeuCurso. Mestre em Direito. Especialista


em Direito Processual Civil pela PUC-SP. Professor de Direito Processual
Civil e Coordenador de Pós-graduação em Processo Civil no MeuCurso. Foi
Coordenador de cursos preparatórios na Rede LFG, Diretor Pedagógico no
Damásio Educacional, Autor e Coordenador de obras na Editora Revista dos
Tribunais. Atualmente, é Autor e Coordenador de obras na Editora Saraiva.
MARCO ANTONIO ARAUJO JUNIOR

Advogado. Mestre em Direitos Difusos e Coletivos. Especialista em


Direito das Novas Tecnologias pela Universidad Complutense de Madrid.
Atuou como Conselheiro Seccional da OAB/SP (2013/2015 e 2016/2018),
Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/SP (2013/2015 e
2016/2018) e Membro da Comissão Nacional de Defesa do Consumidor do
Conselho Federal da OAB (2013/2015 e 2016/2018). Diretor Adjunto da
Comissão Permanente de Marketing do Brasilcon. Membro do Conselho
Municipal de Defesa do Consumidor do Procon Paulistano. Atuou também
como Presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio ao Concurso
Público (Anpac) de 2015/2016 e 2017/2018, e atualmente atua como Vice-
Presidente (2019/2020). Foi Professor, Coordenador do Núcleo de Prática
Jurídica, Coordenador Acadêmico e Diretor do Curso de Direito da
Uniban/SP; Professor e Coordenador do Curso Prima/SP; Professor e Diretor
Acadêmico da Rede LFG; Professor, Coordenador da Graduação e Pós-
graduação da Faculdade Damásio; Vice-Presidente Acadêmico, Diretor
Executivo do Damásio Educacional; e Diretor Acadêmico do IBMEC/SP.
Atualmente, é Professor e Sócio-fundador do MeuCurso, Autor e
Coordenador de obras na Editora Saraiva.
Apresentação da Coleção Prática
Forense

Apresentamos a coleção Prática Forense agora consolidada pelo selo


Saraiva Jur. Um projeto gráfico moderno e atualizado, proporcionando uma
leitura mais agradável com a inclusão de quadros-resumos, destaques e
modelos, facilitando a fixação e o aprendizado dos temas mais recorrentes em
concursos e exames.
Com a aplicação do conhecimento e da didática de professores experientes
e especializados na preparação de candidatos para concursos públicos e
Exame de Ordem, os textos refletem uma abordagem objetiva e atualizada,
essencial para auxiliar o candidato nos estudos dos principais temas da
ciência jurídica.
Esta coleção propicia ao candidato o aprendizado e uma revisão completa,
pois terá à sua inteira disposição material totalmente atualizado, de acordo
com as diretrizes da jurisprudência e da doutrina dominantes sobre cada tema.
Esperamos que a coleção Prática Forense continue cada vez mais a fazer
parte do sucesso profissional de seus leitores, celebrando suas conquistas e
construindo carreiras.
Darlan Barroso
Marco Antonio Araujo Junior
Coordenadores
1

Tutela Provisória

1. Introdução
A tutela provisória, prevista nos arts. 294 a 311 do Código de Processo
Civil, constitui provimento jurisdicional de caráter provisório concedido para
amenizar o efeito tempo do processo, isso porque, quando a parte aciona o
Poder Judiciário, ela busca a obtenção da tutela jurisdicional e, pela regra
geral, essa tutela jurisdicional somente será concedida com a sentença.
Ocorre que a prolação da sentença, após todo o trâmite legal, acaba por
demorar meses ou anos, assim, em determinadas situações, o legislador prevê
medida judicial para que as partes, dede que cumpridos os requisitos, possam
dela fazer uso, a fim de não tornar inútil ou sem efeito o resultado do
processo.
E essa medida judicial existente, cujo objetivo é não tornar sem efeito ou
inútil o processo, é nominada de tutela provisória.
2. Tutela provisória e liminar
No sentido lato da palavra, liminar é todo provimento jurisdicional
concedido de plano ou em momento anterior àquele que seria comum. Na
verdade, todas as tutelas provisórias, no sentido lato da palavra, são
consideradas espécies de liminares. Todavia, no sentido estrito, cada medida
apresenta um cabimento próprio e dotado de requisitos específicos, com
características práticas que dependem do momento do requerimento e do
objetivo pretendido pela parte.
Abaixo destacamos os artigos em que o Código de Processo Civil destaca a
existência de tutela provisória e liminares, bem como artigos da legislação
especial que expressamente tratam da terminologia liminar:

CPC – TUTELA CPC – LEGISLAÇÃO ESPECIAL –


PROVISÓRIA LIMINAR LIMINAR

84, § 3º, do CDC


555, II | 562
59, § 1º, da Lei n. 8.245/91 (locação)
678
4º da Lei n. 5.478/68 (alimentos)
9º | 294 | 300 | 311 695
22-A e 22-B da Lei n. 9.307/96
519 | 932, II 525, § 6º | 911, §
(arbitragem)
969 1º
1º da Lei n. 8.397/92 (cautelar fiscal)
955
7º, III, da Lei n. 12.016/09 (MS)
989, III
10 da Lei n. 9.868/99 (ADI e ADC)

O examinando deverá utilizar na sua peça a terminologia liminar quando o


Código de Processo Civil ou a legislação especial assim nominar ou contiver
requisitos específicos mencionando que o juiz concederá sem ouvir a parte
(art. 678 do CPC).
Por sua vez, não havendo menção ao termo liminar ou requisitos
determinados, utilizará tutela provisória de urgência [antecipada ou cautelar]
ou evidência, a depender do caso.
3. Tutela provisória
A tutela provisória é gênero, sendo suas espécies: urgência e evidência (art.
294 do Código de Processo Civil). A tutela de urgência, cautelar ou
antecipada, será concedida quando a situação em juízo envolver situação de
risco de dano à parte ou ao resultado útil do processo.
Por sua vez, a tutela de evidência será concedida independentemente da
existência de risco, todavia, há necessidade de comprovação da probabilidade
do direito, podendo este ser em razão da existência de decisões judiciais
consideradas precedentes obrigatórios e vinculativos, bem como até em razão
de próprio ato realizado pela parte contrária, ou seja, abuso de defesa,
manifesto propósito protelatório etc. (art. 311 do Código de Processo Civil).
Portanto, a organização da tutela provisória no Código de Processo Civil
pode ser assim definida:

A tutela provisória de urgência poderá ser concedida em caráter


antecedente ou incidental, isto é, antes da petição inicial ou como capítulo da
petição inicial ou durante o trâmite do processo, sendo esta última nominada
de incidental.

ANTECEDENTE INCIDENTAL
§ Petição inicial: requerimento da tutela antecipada ou cautelar e à
indicação do pedido de tutela final, com a exposição da lide, do
direito que se busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao § Capítulo da petição
resultado útil do processo; inicial ou a qualquer
momento no processo por
§ Competência: juízo competente para conhecer do pedido
meio de petição simples;
principal;
§ Desnecessidade de
§ Valor da causa: autor terá de indicar o valor da causa, que deve
recolher custas.
levar em consideração o pedido de tutela final;
§ Custas: necessidade de recolhimento de custas.

Os termos antecedente e incidental consistem tão somente no momento de


requerimento do pleito da tutela provisória de urgência, tanto antecipada
como cautelar. Importante ressaltar que não há previsão de requerimento de
tutela de evidência na forma antecedente, portanto, esta poderá ser requerida
somente de maneira incidental.
A tutela provisória, seja ela de urgência ou de evidência, está adstrita a
algumas disposições gerais, a saber:
• Eficácia: a tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do
processo, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada;
• Medidas coercitivas: o juiz poderá determinar as medidas que
considerar adequadas para efetivação da tutela provisória, por exemplo,
multa, busca e apreensão, força policial etc.
• Motivação: na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a
tutela provisória, o juiz motivará seu convencimento de modo claro e
preciso;
• Recurso: da decisão que versa sobre tutela provisória cabe recurso de
agravo de instrumento (art. 1.015, I, do CPC), salvo se ela for decidida em
sentença, quando então caberá apelação (art. 1.013, § 5º, do CPC). Se for
decidida pelo relator no tribunal, caberá agravo interno (art. 1.021 do
CPC).
3.1. Tutela provisória de urgência
A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo. Esses dois requisitos, probabilidade do direito e o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo, devem ser cumpridos
tanto para a tutela de espécie antecipada quanto para a cautelar.
A concessão da tutela provisória de urgência (antecipada ou cautelar) pode
ser condicionada à prestação de garantia para ressarcir os danos que a outra
parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte
economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la.
A tutela de urgência poderá ser concedida liminarmente, sem ouvir a parte
contrária (art. 9º, parágrafo único, I, do CPC) ou após justificação prévia
(quando o juiz ainda não está convencido e designa audiência de justificação
para ouvir a parte e formar seu convencimento).

Importante: Somente será concedida TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA


ANTECIPADA se a medida for reversível, isso porque o art. 300, § 3º, do CPC veda a concessão de
tutela de urgência antecipada quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.

Por fim, dispõe o art. 302 do Código de Processo Civil que,


independentemente de se tratar de tutela antecedente ou incidental, cautelar
ou antecipada, poderá o requerente ser responsabilizado, sem prejuízo do
dano processual (litigar de má-fé – arts. 79 a 81 do CPC), pela reparação dos
prejuízos causados à parte contra quem foi proferida a decisão, nas seguintes
hipóteses: (a) quando a sentença lhe for desfavorável (ao requerente); (b)
obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios
necessários para a citação do requerido no prazo de 5 (cinco) dias; (c) ocorrer
a cessação da eficácia da medida; e (d) o juiz acolher a alegação de
decadência ou prescrição da pretensão do autor.
3.1.1. Tutela provisória de urgência antecipada
A tutela provisória de urgência antecipada tem por finalidade antecipar os
efeitos da sentença (tutela definitiva). Em outras palavras, trata-se de uma
medida satisfativa, isso porque, com a concessão da tutela provisória de
urgência antecipada, a parte recebe o bem da vida, aquilo que obteria por
ocasião da prolação da sentença.
Modelo de tutela de urgência antecipada incidental: ver capítulo da petição
inicial no procedimento comum (a tutela antecipada incidental pode ser
requerida na petição inicial, como um capítulo, ou em qualquer outra peça
oportuna).

Importante: Sempre que requerer uma medida de urgência ou provisória no processo,


nossa sugestão é que seja aberto um capítulo para justificativa do preenchimento dos requisitos
legais para a sua concessão.

3.1.1.1. Tutela provisória de urgência antecipada antecedente


Além da forma incidental, o Código de Processo Civil, nos arts. 303 e 304,
prevê a tutela provisória de urgência antecipada antecedente. Como
determinado no caput do art. 303 do CPC, essa modalidade (antecedente) de
tutela provisória somente tem cabimento na espécie urgência, ou seja, em
regra, não é autorizado o pedido de tutela provisória antecedente de
evidência.
Ademais, seu requerimento ocorrerá em situações de urgência
contemporânea, ou seja, situação de urgência que estiver ocorrendo quando
da propositura da ação, isto é, na prática forense, quando o autor ainda não
obteve toda documentação necessária para propositura da ação, mas necessita
da concessão de determinada providência urgente.
Assim, existentes os requisitos da tutela provisória de urgência
(probabilidade do direito e risco de dano ou risco ao resultado útil do
processo), pode o autor, nessa situação de urgência que ainda não tenha toda
a documentação necessária para propositura da ação (urgência
contemporânea), limitar-se ao requerimento da tutela antecipada, com a
indicação do pedido da tutela final, exposição da lide e do direito que se
busca realizar, além de demonstrar o perigo de dano ou do risco ao resultado
útil do processo.
Além do cumprimento desses pressupostos, deve o autor indicar na petição
inicial que pretende valer-se desse benefício (tutela antecipada antecedente)
e, ainda, indicar o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido
de tutela final (art. 303, §§ 4º e 5º, do CPC).
Estrutura básica do pedido de tutela provisória de urgência antecipada
antecedente:

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 299 do CPC

PREÂMBULO

Autor
Réu
Partes Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA ANTECEDENTE

Fundamento
Arts. 303 e 304 do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação entre as partes.


Causa: urgência contemporânea.
Consequência: necessidade de concessão da tutela de urgência antecipada.
II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual (arts. 303 e 304 do CPC). Abordar
o cumprimento dos requisitos: probabilidade do direito e o perigo de dano e o
Fundamento risco ao resultado útil do processo.
legal Informar que o caso não é de irreversibilidade (art. 300, § 3º, do CPC).
Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) a concessão da tutela provisória de urgência antecipada antecedente para o


Pedidos
fim de ...., nos termos do art. 303 do Código de Processo Civil;

b) a citação e intimação do Réu para comparecer em audiência de conciliação e


mediação, conforme art. 303, § 1º, II, do Código de Processo Civil, e recorrer,
se quiser, sob pena de estabilização da demanda, nos termos do art. 304, caput,
do Código de Processo Civil;
c) a informação de que o Autor está se valendo do pedido de tutela provisória
antecipada antecedente previsto no caput do art. 303 do Código de Processo
Civil;
d) a juntada do comprovante de recolhimento das custas iniciais de acordo com
Requerimentos
o pedido final, conforme determinação do art. 303, § 4º, do Código de Processo
Civil;
e) informar que que no prazo de 15 dias aditará a petição inicial com o pedido
de tutela final de ..., conforme determina o art. art. 303, § 1º, I, do CPC;
f) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos termos do
art. 1.048 do CPC (se for o caso);
g) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC (se for
o caso).

Valor da
Art. 303, § 4º, do CPC (valor do pedido da tutela final).
Causa

O requerimento de prioridade de tramitação e intimação do Ministério Público


ATENÇÃO somente deverá constar na peça se o enunciado trouxer elementos que
evidenciem a necessidade de tais requerimentos.

3.1.1.2. Modelo de peça prática de tutela provisória de urgência antecipada


antecedente

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE VOTUPORANGA

03

04

05

06

07

08 ELIZA BATISTA, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF n. ...,

09 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...., vem por meio do seu

10 advogado, com endereço profissional na Rua ...., onde recebe intimações

11 (procuração anexa), com fundamento nos arts. 303 e 304 do Código

12 de Processo Civil, requerer TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

13 ANTECIPADA ANTECEDENTE em face do MUNICÍPIO DE VOTUPO-

14 RANGA, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ n. ...,

15 endereço eletrônico ... , com endereço na Rua ..., representada por sua

16 Procuradoria com endereço na Rua ....., conforme razões de fato e de

17 direito abaixo expostas.

18
19 I. EXPOSIÇÃO DA LIDE

20

21 A autora está muito doente e necessita fazer uso contínuo do

22 medicamento XYZ para sobreviver. Embora, durante os últimos anos,

23 tenha obtido os medicamentos no único hospital público da cidade em

24 que reside, no início da semana não teve o medicamento fornecido pelo

25 Poder Público e desmaiou por três vezes.

26 Em consulta médica no pronto-socorro, o diagnóstico foi a falta de

27 medicamento, tendo o Poder Público recusado em conceder novamente,

28 mesmo com a Autora internada.

29 Assim, diante da necessidade do uso contínuo do medicamento, não

30 restou outra alternativa à autora a não ser a propositura da presente

Folha 2/4

31 medida.

32

33 II. DO DIREITO

34

35 A Constituição Federal, em seu art. 5º, determina que o direito à vida

36 é inviolável e o bem maior a ser tutelado pelo Poder Público, devendo

37 este assegurar a toda população o direito à saúde.

38 Nesse sentido, o art. 196 da Constituição Federal dispõe que:


39 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido

40 mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de

41 doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e

42 serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

43 Assim, denota-se que a saúde é direito de todos e dever do Poder

44 Público, não podendo este se eximir da prestação de assistência universal

45 aos cidadãos; portanto, o medicamento XYZ deve ser imediatamente

46 fornecido para a autora.

47

48 III. DO RISCO DE DANO

49

50 Além da presença do direito da Autora, o art. 300 do Código de

51 Processo Civil dispõe que a tutela de urgência será concedida se presente

52 o risco de dano.

53 No presente caso, se a Autora não iniciar a ingestão do medicamento

54 imediatamente, sofrerá outros desmaios, havendo, inclusive, risco de

55 morte, tendo em vista a doença da qual é portadora, CID n. ...

56 Some-se a isso que a medida é absolutamente reversível, já que, se o

57 pedido da autora sucumbir, esta pagará os prejuízos sofridos pelo Poder

58 Público, portanto, cumprido o requisito do art. 300, § 3º, do Código


59 de Processo Civil.

60 Assim, presentes os requisitos da tutela de urgência, probabilidade do

Folha 3/4

61 direito e risco de dano, impõe-se a concessão do pedido da tutela.

62

63 IV. DOS PEDIDOS

64

65 Em face do exposto, é a presente para requerer:

66 a) a concessão da tutela provisória de urgência antecipada antecedente

67 para o fim de fornecer o medicamento XYZ, nos termos do art.

68 303 do Código de Processo Civil;

69 b) a citação e intimação do Réu, por meio eletrônico ou oficial de

70 justiça (art. 246, § 2º, e 247, III, do CPC), para comparecer

71 em audiência de conciliação e mediação, conforme o art. 303, §

72 1º, II, do Código de Processo Civil, e recorrer, se quiser, sob pena

73 de estabilização da demanda, nos termos do art. 304, “caput”, do

74 Código de Processo Civil;

75 c) a informação de que o Autor está se valendo do pedido de tutela

76 provisória antecipada antecedente previsto no “caput” do art. 303

77 do Código de Processo Civil;


78 d) a juntada do comprovante de recolhimento das custas iniciais de

79 acordo com o pedido final, conforme determinação do art. 303,

80 § 4º, do Código de Processo Civil; ou pedido de justiça gratuita;

81 e) informar que no prazo de 15 dias aditará a petição inicial com o

82 pedido de tutela final de obrigação de fazer de fornecimento do

83 medicamento XYZ pelo tempo que a autora necessitar, conforme

84 determina o art. 303, § 1º, I, do Código de Processo Civil;

85 f) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

86 nos termos do art. 1.048 do CPC (se for o caso);

87 g) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

88 CPC (se for o caso).

89

90 Valor da causa: R$.... (Art. 303, § 4º, do CPC).

Folha 4/4

91

92 Termos em que

93 pede deferimento.

94

95 Local e data ...

96

97 Advogado ...
98 OAB n. ...

Atenção: Requerida a tutela antecipada antecedente, ao magistrado são dadas duas


oportunidades: conceder ou negar o pedido. Se conceder, determinará o aditamento da petição
inicial, sob pena de extinção do processo sem resolução do mérito, com a complementação de sua
argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final no prazo
de 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior se necessário, ainda, citará e intimará o réu para a
audiência de conciliação ou de mediação na forma do art. 334 do CPC. Nesse aditamento não há
incidência de novas custas processuais (art. 303, § 3º, do CPC).

3.1.1.3. Estrutura básica do aditamento da petição inicial com requerimento


de tutela provisória de urgência antecipada antecedente

ENDEREÇAMENTO

Competência Juízo em que tramita o pedido de tutela provisória antecipada antecedente

PREÂMBULO

Autor
Réu
Partes
Não há necessidade de qualificação completa, todos eles já estão qualificados.
Já há número de processo, portanto, indicar: Processo n. ....

Nome da ação ADITAMENTO A PETIÇÃO INICIAL

Fundamento
Art. 303, § 1°, I, do CPC
legal

I) DOS FATOS

Abordar as informações da petição inicial, como, por exemplo: conforme exposto na petição inicial;
tutela provisória de urgência antecipada antecedente deferida às fls. .... etc.

II) DO DIREITO
Reiterar os artigos de lei incidentes sobre o caso e, se for necessário, inserir
novos artigos para novos pedidos. Já que se trata de aditamento, o autor pode
Fundamento
alterar os pedidos e causa de pedir.
legal
Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) a procedência do pedido de obrigação de fornecer de ..., com a condenação


Pedidos do réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios, confirmando-se a
tutela provisória de urgência antecipada antecedente deferida anteriormente;

b) a juntada de novos documentos (se for o caso), nos termos do art. 303, § 1º, I,
Requerimentos
do CPC, e a produção de todos os meios de prova em direito admitidos.

Valor da Não há, tendo em vista que deve ser informado na petição com requerimento de
Causa tutela provisória de urgência antecipada antecedente (art. 303, § 4º, do CPC).

3.1.1.4. Modelo de aditamento do requerimento de tutela provisória de


urgência antecipada antecedente

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 7ª VARA

02 CÍVEL DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE VOTUPORANGA

03

04

05

06

07

08 Processo n. ....
09

10

11 ELIZA BATISTA, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem

12 por meio do seu advogado, já constituído nos autos, com fundamento

13 no art. 303, § 1º, I, do Código de Processo Civil, ADITAR a petição

14 inicial com requerimento de tutela provisória de urgência antecipada

15 antecedente para AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, que move em face

16 do MUNICÍPIO DE VOTUPORANGA, também já qualificado, conforme

17 razões de fato e direito abaixo expostas.

18

19 I. DOS FATOS

20

21 Conforme já exposto na petição inicial de fls. ..., a autora teve negado

22 o fornecimento do medicamento XYZ, e por essa razão precisou propor

23 o pedido de tutela provisória de urgência antecipada antecedente.

24 O caso em análise trata-se de obrigação de fazer, razão da recusa de

25 fornecimento do medicamento. Às fls. ..., foi deferida a tutela antecipada

26 na modalidade antecedente, com cumprimento realizado (ou até o

27 momento sem cumprimento).

28 Assim, deve ser a tutela antecipada confirmada ao final, juntamente


29 com a obrigação condenatória de fazer, a fornecer o medicamento XYZ

30 pelo tempo que a autora dele necessitar.

Folha 2/3

31

32 II. DO DIREITO

33

34 Como sumariamente exposto às fls. ..., o caso trata de obrigação do

35 Poder Público em fornecer medicamento a autora.

36 É inaceitável a recusa ao fornecimento do medicamento pelo fato de

37 que a saúde, conforme o art. 196 da Constituição Federal, deve ser

38 garantida pelo Estado.

39 Assim, com fundamento no direito fundamental à saúde e o dever

40 da prestação integral à saúde pelo Estado, deve o município réu ser

41 condenado à obrigação de fornecer o medicamento XYZ à autora pelo

42 tempo que esta dele necessitar.

43

44 III. DO PEDIDO

45

46 Em face do exposto, é a presente para requerer:

47 a) a procedência do pedido de obrigação de fornecimento do medica-

48 mento XYZ, com a condenação do réu ao pagamento de custas


49 e honorários advocatícios, confirmando-se a tutela provisória de

50 urgência antecipada antecedente deferida anteriormente;

51

52 b) a juntada de novos documentos (se for o caso), nos termos do

53 art. 303, § 1º, I, do CPC, e a produção de todos os meios de

54 prova em direito admitidos.

55

56 Termos em que

57 pede deferimento.

58

59 Local e data ...

60

Folha 3/3

61 Advogado ...

62 OAB n. ...

Por sua vez, se o juiz não conceder a tutela antecipada antecedente, por entender que não há
elementos para a concessão, determinará emenda da petição inicial em até 5 (cinco) dias, sob pena
de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito.

3.1.1.5. Estabilização da tutela provisória de urgência antecipada


antecedente
Se concedida a tutela antecipada e a parte contrária não interpuser o
respectivo recurso – leia-se agravo de instrumento para os casos de concessão
de tutela antecipada em primeira instância e agravo interno quando a decisão
for pleiteada e concedida perante algum tribunal –, a decisão que concedeu a
tutela antecipada torna-se estável (art. 304 do CPC), ocasião em que o
processo será extinto (art. 304, § 1º, do CPC).
Apesar da estabilidade, prevê o Código a possibilidade de revisão, reforma
ou invalidação da tutela antecipada por qualquer das partes, no prazo de 2
(dois) anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o processo.

3.1.2. Tutela provisória de urgência cautelar


A tutela cautelar requerida em caráter antecedente é tratada nos arts. 305 a
310 do CPC e diferentemente da tutela antecipada, que busca a satisfação do
direito, ela tem por finalidade resguardar/assegurar o direito do autor para que
este possa receber ao final do processo.
Importante destacar que na prática muitas vezes é difícil distinguir se o
caso contempla tutela antecipada ou cautelar, e, por essa razão o legislador
autorizou a possibilidade de aplicação do princípio da fungibilidade com o
objetivo de receber o pedido de tutela cautelar como antecipada.
• Fungibilidade: O Código de Processo Civil contemplou a fungibilidade
de tutela cautelar para tutela antecipada (art. 305, parágrafo único, do
CPC).
O art. 301 do Código de Processo Civil traz um rol exemplificativo das
medidas cautelares de urgência (arresto, sequestro, arrolamento de bens,
registro de protesto contra alienação de bem), contudo, nada impede que
outra medida idônea seja realizada para assegurar o direito das partes.
Modelo de tutela de urgência cautelar incidental: a tutela cautelar
incidental pode ser requerida na petição inicial, como um capítulo, ou em
qualquer outra peça oportuna.
Importante: Sempre que requerer uma medida de urgência ou provisória no processo,
nossa sugestão é que seja aberto um capítulo para justificativa do preenchimento dos requisitos
legais para a sua concessão.

3.1.2.1. Tutela provisória de urgência cautelar antecedente


Assim como a tutela antecipada, a cautelar poderá ser requerida em caráter
antecedente por meio de petição indicando a lide e seu fundamento, a
exposição sumária do direito que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou
o risco ao resultado útil do processo.
Distribuída a petição inicial com pedido de tutela cautelar antecedente, o
juiz determinará a citação do réu para que, no prazo de 5 (cinco) dias,
apresente defesa ao pedido cautelar e indique as provas que pretende
produzir, sob pena de os fatos alegados pelo autor serem presumidos como
aceitos pelo réu (arts. 306 e 307 do CPC).
Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal deve ser formulado pelo
autor nos próprios autos, no prazo de 30 dias, sem o pagamento de novas
custas judiciais, uma vez que estas já foram recolhidas no momento da
propositura do pedido de tutela cautelar antecedente e, na sequência,
adotando o processo, agora o procedimento comum, “as partes serão
intimadas para a audiência de conciliação ou de mediação, na forma do art.
334, por seus advogados ou pessoalmente, sem necessidade de nova citação
do réu”. “Não havendo autocomposição, o prazo para contestação será
contado na forma do art. 335” (art. 308, §§ 3º e 4º, do CPC).

3.1.2.2. Estrutura básica de tutela provisória de urgência cautelar


antecedente

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 299 do CPC


PREÂMBULO

Autor
Réu
Partes Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA CAUTELAR ANTECEDENTE

Fundamento
Arts. 305 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação entre as partes.


Causa: urgência e necessidade de evitar danos e risco de resultado útil ao processo.
Consequência: necessidade de concessão da tutela de urgência cautelar.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual (arts. 301 e 305 do CPC). Abordar
o cumprimento dos requisitos: probabilidade do direito e o perigo de dano e o
Fundamento
risco ao resultado útil do processo.
legal
Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) a concessão da tutela provisória de urgência cautelar antecedente para o fim


de ...., nos termos do art. 305 do Código de Processo Civil;
Pedidos b) caso entenda que o pedido a que se refere é de natureza antecipada, requer
que seja aplicado o princípio da fungibilidade previsto no art. 305, parágrafo
único, do Código de Processo Civil;

c) a citação do Réu para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar o pedido e indicar


as provas que pretende produzir, sob pena de os fatos serem presumidos
verdadeiros, nos termos dos arts. 305 e 306 do Código de Processo Civil;
d) informa que, no prazo de 30 dias, apresentará o pedido principal de ...,
conforme o art. 308 do Código de Processo Civil;
Requerimentos e) a juntada do comprovante de recolhimento das custas iniciais de acordo com
o pedido final;
f) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos termos do
art. 1.048 do Código de Processo Civil (se for o caso);
g) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do Código de
Processo Civil (se for o caso).

Valor da
Valor do pedido principal
Causa

O requerimento de prioridade de tramitação e intimação do Ministério Público


ATENÇÃO somente deverá constar na peça se o enunciado trouxer elementos que
evidenciem a necessidade de tais requerimentos.

3.1.2.3. Modelo de peça prática de tutela provisória de urgência cautelar


antecedente

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ARAÇATUBA

03

04

05

06

07

08 ALICE CRUZ, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF n. ...,

09 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...., vem por meio do seu

10 advogado, com endereço profissional na Rua ...., onde recebe intimações

11 (procuração anexa), com fundamento nos arts. 305 e s. do Código de


12 Processo Civil, requerer TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA CAUTELAR

13 ANTECEDENTE DE ARRESTO em face de EDUARDO SILVA, estado

14 civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ...,

15 com endereço na Rua ..., conforme razões de fato e de direito abaixo

16 expostas.

17

18 I. DA LIDE E SEU FUNDAMENTO

19

20 Há um ano, a autora emprestou para o réu importância em dinheiro

21 para a realização de obras na sua casa.

22 Para garantir o pagamento da dívida, em (data), autora e réu firmaram

23 instrumento de Confissão de Dívida (doc. 1) assinado por 2 (duas)

24 testemunhas, no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), cujo

25 pagamento deveria ter ocorrido na data de ontem.

26 Ocorre que, além de a obrigação não ter sido cumprida na data firmada,

27 a autora tomou conhecimento de que o Requerido está, sistematicamente,

28 alienando todos os seus bens, conforme se pode aferir por meio dos

29 inclusos documentos, contrato de compra e venda da residência do

30 devedor (doc. 2), contrato de compromisso de venda do imóvel localizado

Folha 2/4
31 no litoral (doc. 3) e anúncios de jornais colocando à venda todos os

32 demais imóveis do devedor, o que faz a autora temer pela dilapidação

33 de todo o patrimônio, sem que reste algum bem suficiente para garantir

34 a dívida contraída.

35 Dessa forma, não resta outra alternativa a não ser a propositura do

36 presente pedido para o fim de arrestar os bens do réu.

37

38 II. EXPOSIÇÃO SUMÁRIA DO DIREITO

39

40 O caso em análise trata de questão relacionada ao inadimplemento, isto

41 é, o réu não cumpriu sua obrigação de pagar na data a qual se compro-

42 meteu, portanto, diante do não pagamento o débito tornou-se exigível.

43 Logo, a ausência de pagamento na data estipulada, além da própria

44 exigibilidade do débito, deixa o réu em situação de mora, aplicando-se,

45 assim, o disposto nos arts. 394 e seguintes do Código Civil.

46 Presentes a exigibilidade e a mora, a autora tem direito de receber

47 seus valores, inclusive, por meio do Judiciário.

48

49 III. DO RISCO AO RESULTADO ÚTIL

50

51 O art. 300 do Código de Processo Civil autoriza a obtenção de tutela


52 de urgência sempre que presente os requisitos da probabilidade do direito

53 e perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. Por sua vez,

54 a tutela de urgência poderá ser concedida na espécie antecipada ou

55 cautelar.

56 No caso em análise, impõe-se a adoção imediata da tutela cautelar de

57 arresto, isso porque o réu de forma inequívoca está dilapidando seu

58 patrimônio, alienando todos os seus bens, conforme documentos anexos,

59 com o objetivo de não pagar o débito existente com a autora.

60 A medida é urgente, pois, se os bens não forem arrestados, eventual

Folha 3/4

61 execução restará frustrada, pois não existirá patrimônio para satisfazê-la.

62 Em sendo assim, presente o perigo de dano e o risco ao resultado

63 útil do processo, bem como a probabilidade do direito, de rigor a con-

64 cessão da presente medida de arresto para o fim de impedir a alienação

65 ou qualquer transmissão de bens do réu para terceiros.

66

67 IV. DOS PEDIDOS

68

69 Em face do exposto, é a presente para requerer:

70 a) a concessão da tutela provisória de urgência cautelar antecedente


71 para o fim de arrestar os bens do réu, nos termos do art. 305

72 do Código de Processo Civil;

73 b) caso entenda que o pedido a que se refere é de natureza anteci-

74 pada, requer que seja aplicado o princípio da fungibilidade previsto

75 no art. 305, parágrafo único, do Código de Processo Civil;

76 c) a citação do Réu para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar

77 o pedido e indicar as provas que pretende produzir, sob pena de

78 os fatos serem presumidos verdadeiros, nos termos dos arts. 305

79 e 306 do Código de Processo Civil;

80 d) informa que, no prazo de 30 dias, apresentará o pedido principal

81 de ação de execução, conforme o art. 308 do Código de Processo

82 Civil;

83 e) a juntada do comprovante de recolhimento das custas iniciais de

84 acordo com o pedido final;

85 f) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

86 nos termos do art. 1.048 do CPC (se for o caso);

87 g) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

88 CPC (se for o caso).

89

90 Valor da causa: R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).


Folha 4/4

91

92 Termos em que

93 pede deferimento.

94

95 Local e data ...

96

97 Advogado ...

98 OAB n. ...

O pedido principal da tutela cautelar antecedente será sempre a ação principal a qual deveria ser
distribuída, por exemplo, no caso do modelo, a ação de execução de título executivo extrajudicial.
Assim, o pedido principal deverá cumprir todos os requisitos de admissibilidade da respectiva ação
principal.

3.2. Tutela provisória de evidência


O art. 311 do CPC trata da tutela provisória de evidência, concedida sem a
necessidade de demonstração do perigo da demora ou de risco ao
resultado útil do processo.
As possibilidades de concessão da tutela provisória de evidência são
quatro:
(i) abuso do direito de defesa ou manifesto propósito protelatório da parte;
(ii) matéria de direito com tese firmada em julgamento de casos repetitivos
ou em súmula vinculante;
(iii) pedido reipersecutório fundado em prova documental do contrato de
depósito; e
(iv) não oposição de prova pelo réu capaz de gerar dúvida quanto aos
documentos juntados com a petição inicial.

Atenção: A tutela de evidência poderá ser concedida liminarmente, sem ouvir o réu, nas
seguintes hipóteses:
• matéria de direito com tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante;
• pedido reipersecutório fundado em prova documental do contrato de depósito.
Não cabe tutela de evidência na modalidade antecedente, portanto, somente será possível o
requerimento de forma incidental.

A tutela de evidência incidental pode ser requerida na petição inicial, como


um capítulo, ou em qualquer outra peça oportuna.

Importante: Sempre que requerer uma medida de urgência ou provisória no processo,


nossa sugestão é que seja aberto um capítulo para justificativa do preenchimento dos requisitos
legais para a sua concessão.

3.3. Artigos relevantes e Quadro Sinótico

Artigos:
Tutela de urgência: arts. 294 e 300, § 3º, do CPC
Tutela antecipada antecedente: arts. 303, caput, §§ 1º, I e II, 4º e 5º, e 304, caput, do CPC
Tutela cautelar antecedente: arts. 305, 306 e 307 do CPC
Tutela de evidência: art. 311, caput e parágrafo único, do CPC

“Tutelas provisórias ou liminares”

Tutelas provisórias no CPC

Liminar Efeito
Espécies Urgência
específica suspensivo
Evidência
Antecipada Cautelar
Incidência Procedimento Qualquer Comum Procedimentos
comum procedimento e especiais:
(regra1) na execução Embargos de Recursos e
terceiro (678) embargos:
Probabilidade do direito2 Possessórias Agravo de
(562) Ações instrumento
de família (TP – 1019, I
Risco ao Independe de
– 695) RE e Resp
resultado do perigo de
Despejo – Lei – § 5º,
processo dano – mas
n. 8.245/91 1.029
Perigo de dano (arresto, contém alto
Requisitos Alimentos – Embargos à
e sequestro, grau de
art. 4º, Lei n. execução
reversibilidade arrolamento de probabilidade
5.478/68 (919)
(§ 3º) bens, registro nos casos do
Mandado de
de protesto ou 311
segurança –
qualquer
art. 7º, III, Lei
medida)
n. 12.016/09

Antecedente3 ou incidental (esta,


Incidental Incidental Incidental
sem custas)

Liminar
Momento
apenas nos
Liminar ou após justificação
casos dos
Juiz poderá exigir caução
incisos II e
III

Tutela
provisória Cada
Tutela Cada rito
antecipada previsão
provisória especial terá a
antecedente – conterá os
cautelar Havendo previsão legal
303 requisitos
antecedente – cabimento, o quanto aos
Concedida a para a
305 autor poderá requisitos
medida, o concessão
Importante Medidas para cumular a
autor terá 15
cumprimento tutela de
dias para o
da cautelar – urgência e de
aditamento
rol evidência
(sem recursos
exemplificativo
haverá a
do art. 297
estabilização –
3044)
Fonte: BARROSO, Darlan. Curso de direito processual civil. São Paulo:
Revista dos Tribunais.
2

Competência

A competência no processo civil consiste na identificação do órgão


jurisdicional competente para processar determinada demanda judicial. É o
primeiro requisito da petição inicial, art. 319, I, CPC – o juízo a que é
dirigida a petição inicial-- isto é, o endereçamento, que nada mais é do que o
órgão destinatário da peça processual.
As regras de competência para identificação do órgão jurisdicional
brasileiro estão previstas nos arts. 42 a 53 do CPC, e os elementos
necessários capazes de modificar a competência são abordados nos arts. 54 a
64 do CPC. A atuação do órgão jurisdicional estrangeiro é prevista nos arts.
21 a 25 do CPC.
O adequado conhecimento das regras de competência é imprescindível
para elaboração de qualquer peça processual, pois caso a peça seja
endereçada ao órgão errado, ao candidato ao exame de ordem não haverá
atribuição de nota a esse quesito da peça prático-profissional, e ao advogado
atuante, desnecessário embaraço processual. Passemos então aos critérios de
fixação de competência, que conforme será demonstrado é residual.
1. Competência internacional e interna
Os critérios de fixação de competência internacional e interna (órgãos
jurisdicionais brasileiros) têm por função auxiliar o endereçamento das
demandas ao órgão estrangeiro ou brasileiro.
Para tanto, o Código de Processo Civil prevê as seguintes regras:

1.1. Competência interna exclusiva


As hipóteses previstas no art. 23 preveem que, obrigatoriamente, a
demanda seja processada no Brasil, excluindo a competência de qualquer
outro País:
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I – conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II – em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao
inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
III – em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens
situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora
do território nacional.

Assim, é de competência exclusiva dos órgãos jurisdicionais brasileiros o


processamento de demandas que tenham por objeto imóveis situados no
Brasil e a partilha de qualquer bem situado no Brasil decorrente de morte
ou divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável.

1.2. Competência interna concorrente


Os arts. 21 e 22 do Código de Processo Civil tratam das hipóteses em que a
demanda pode ser processada nos órgãos jurisdicionais brasileiros ou
estrangeiros, ficando a cargo do operador do direito a escolha do órgão
jurisdicional, brasileiro ou estrangeiro, que lhe for mais conveniente.
Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
I – o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;
II – no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;
III – o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa
jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
I – de alimentos, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de
renda ou obtenção de benefícios econômicos;
II – decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no
Brasil;
III – em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.

É importante esclarecer que da forma como disposto no art. 24 do CPC5,


no tocante à competência concorrente (situações dos arts. 21 e 22 do CPC),
inexiste litispendência entre a ação proposta perante o órgão
jurisdicional estrangeiro e outra idêntica promovida no Brasil,
ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos
bilaterais em vigor no Brasil.

1.3. Competência internacional exclusiva


Excluídas as hipóteses de competência interna exclusiva (art. 23 do CPC),
haverá competência internacional exclusiva nos casos previstos no caput do
art. 25 do CPC, isto é, havendo cláusula de eleição de foro exclusivo
estrangeiro em contrato internacional, o julgamento da causa não cabe ao
órgão jurisdicional brasileiro.
Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação
quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional,
arguida pelo réu na contestação.
§ 1º Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva
previstas neste Capítulo.
§ 2º Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º.
Essas cláusulas de eleição de foro exclusivo estrangeiro poderão ter seu
reconhecimento de nulidade de ofício, a teor da leitura do § 2º do art. 25 e
aplicação dos parágrafos do art. 63 do CPC6.
2. Competência interna
Considerando o processamento da demanda no órgão jurisdicional
brasileiro, seja pela competência exclusiva ou concorrente, o ordenamento
jurídico brasileiro adota novos critérios de fixação da competência, a saber7:
a) Funcional
Em razão da hierarquia.
b) Territorial
Em razão do domicílio e situação da coisa.
c) Objetiva
Em razão da matéria;
Em razão do valor da causa;
Em razão da pessoa ou parte.

2.1. Competência funcional


A competência funcional é aferida por meio do órgão jurisdicional dentro
do organograma do Poder Judiciário brasileiro competente para o
processamento da demanda. Em outras palavras, o critério funcional serve
para definir de quem é a competência originária, juízo de primeira instância
ou Tribunal de Justiça do Estado, Tribunal Regional Federal, Tribunais
Superiores.
Em regra, as demandas judiciais são processadas e julgadas pelos juízes de
primeiro grau, cabendo ao Tribunal o julgamento de recursos dessas
demandas propostas em primeira instância; entretanto, em situações
excepcionais, diante de expressa previsão, algumas demandas são
processadas e julgadas diretamente pelos Tribunais.

Exemplos de demandas de Competência Originária dos Tribunais


• Ação rescisória (dos julgados do próprio TJ ou de juízos de primeira instância
Tribunais de
vinculados ao tribunal)
Justiça do
Estado • Reclamação (art. 988 do CPC)
• Incidente de resolução de demandas repetitivas (art. 976 do CPC)

• Ações de controle de constitucionalidade (ADI, ADC e ADPF – art. 102, I, a, da


CF)
• Mandado de segurança contra ato do Presidente da República, das Mesas da
Supremo Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do
Tribunal Procurador--Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal (art. 102,
Federal – art. I, d, da CF)
102, I, da CF
• Reclamação Constitucional (art. 102, I, l, da CF)
• Ações contra Conselho Nacional de Justiça, do Conselho Nacional do Ministério
Público (art. 102, I, r, da CF)

Superior • Mandado de segurança contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da


Tribunal de Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal (art. 105, I, b, da
Justiça – art. CF)
105, I, da CF • Homologação de sentença estrangeira (art. 105, I, i, da CF)

2.2. Competência territorial


Analisada a competência funcional, juiz de primeira instância ou Tribunal,
resta localizar a competência territorial, isto é, o local específico (foro) onde a
ação será proposta. A competência territorial é disciplinada nos arts. 46 a 53
do Código de Processo Civil. Para melhor elucidação, reproduzimos tabela
explicativa extraída do livro Prática no Processo Civil8:

Ações Local ou Foro

• Domicílio do réu – art. 46 do CPC.


• Caso o réu tenha mais de um domicílio ou exista mais de
um réu na ação, o autor escolherá um deles.
Pessoais ou reais9 sobre bens • Caso não tenha domicílio certo, será demandado no lugar
móveis onde for encontrado ou no domicílio do autor.
• A execução fiscal será proposta no foro do domicílio do
réu, no de sua residência ou no do lugar onde for
encontrado.

Reais sobre bens imóveis10 • Local de situação da coisa – art. 47 do CPC.

• Local do último domicílio do autor da herança (falecido)


– art. 48 do CPC.
• Caso o autor da herança não tenha domicílio certo (ou não
tenha domicílio no Brasil), será competente o local de
situação dos bens.11
Inventários e partilhas
• Caso os bens estejam em locais distintos e o autor da
herança não tinha domicílio certo, é competente qualquer
foro em que esteja os bens.
• Caso não haja bens imóveis, será competente o foro de
qualquer dos bens do espólio.

Ações em que o ausente for réu ou


para a arrecadação, inventário e • Local de seu último domicílio.
partilha de seus bens

Nas causas em que for ré pessoa • Competência do local de sua sede.


jurídica (e a competência for o seu • Todavia, poderá ser no local da filial, sucursal ou agência,
“domicílio”) quando a obrigação for contraída por uma delas.

Não obstante a regra comum de competência territorial, existem situações


em que a lei prevê foro exclusivo:

Causas (natureza da lide) Local ou Foro

Alimentos (art. 53, II, do CPC) • Domicílio ou residência do alimentando

• Domicílio do guardião de filho incapaz


• Caso não haja filho incapaz, do último domicílio
do casal
Divórcio, separação ou anulação de • Domicílio do réu se não tiver filho incapaz e se
casamento e reconhecimento ou dissolução nenhuma das partes residir no último domicílio do
de união estável (art. 53, I, do CPC) casal
• Domicílio da vítima de violência doméstica e
familiar

Sociedade de fato (art. 53, III, c, do CPC) • Local onde usualmente exerce suas atividades

Exigência do cumprimento de obrigação • Local em que a obrigação deveria ter sido


(art. 53, III, d, do CPC) satisfeita

Nas ações cuja causa verse sobre direitos do


• Residência do idoso
Estatuto do Idoso (art. 53, III, e, do CPC)

Reparação de dano por ato praticado por


serventia notarial ou de registro em razão do • Sede da serventia notarial ou do registro
ofício (art. 53, III, f, do CPC)

Reparação de danos (geral) – art. 53, IV, a,


• Local do ato ou do fato
do CPC)

Contra administrador ou gestor de negócios


• Local do ato ou do fato
alheios (art. 53, IV, b, do CPC)

Reparação de danos em razão de acidente de


veículo ou de delito, inclusive de aeronaves • Domicílio do autor ou local do fato
(art. 53, V, do CPC)

Ação civil pública • Local do dano – art. 2º da Lei n. 7.347/85

• Domicílio do consumidor autor – art. 101, I, do


Defesa do consumidor
CDC.

Ações de locação (despejo, renovatória, • Local de situação do imóvel, se não houver foro
revisional e consignatória) de eleição -- art. 58, II, da Lei n. 8.245/91

Pedido de tutela de urgência antecipada ou • Local de competência para conhecer do pedido


cautelar antecedente principal (art. 299 do CPC).

• Domicílio do executado (seguindo a regra geral


do art. 46, de eleição de foro constante no título ou,
ainda, no de situação dos bens
• Se o executado tiver mais de um domicílio,
poderá ser executado em qualquer um deles (art.
781, II, do CPC)
Ação de execução de título extrajudicial • Havendo mais de um devedor, com diferentes
(art. 781 do CPC) domicílios, a execução será proposta no foro de
qualquer deles, à escolha do exequente (art. 781,
III, do CPC)
• No lugar em que se praticou o ato ou em que
ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que
nela não resida mais o executado

• Domicílio do autor
Ação em que a União for ré (arts. 51 do • Local do fato ou do ato que deu origem à
CPC e 109, § 2º, da CF), competindo a demanda
escolha ao autor • Local de situação da coisa
• Distrito Federal

Nas ações em que a União for autora (art.


51 do CPC/2015 e 109, § 1º, da CF). Para as
• Domicílio do réu
demais pessoas federais (autarquias e
empresas públicas)

Nas ações em que o Estado ou o Distrito


• Domicílio do réu
Federal seja autor (art. 52 do CPC)

• Domicílio do autor
• Local da ocorrência do ato ou fato que originou a
Ação em que o Estado ou o Distrito Federal demanda
for réu (art. 52 do CPC).
• Capital do respectivo ente federado
• Situação da coisa

Ações em que o incapaz for réu • Domicílio de seu representante ou assistente

• Domicílio atual do executado


Cumprimento de sentença (fase de execução
• Local onde se encontrem os bens sujeitos à
de título executivo judicial – art. 516,
execução ou onde deve ser executada a obrigação
parágrafo único, do CPC)
de fazer ou não fazer

• Do domicílio do representante comercial nas


ações que tenham por objeto obrigações
Representante comercial
decorrentes do contrato de representação comercial
(art. 39 da Lei n. 4.886/65)

2.3. Competência objetiva


O critério da competência objetiva é aquele em que há necessidade de
observância da matéria envolvida, definida pela Constituição Federal, pela
Constituição dos Estados e pelas leis de organização judiciárias dos próprios
Estados, do valor da causa e das pessoas envolvidas.

2.3.1. Em razão da matéria


É por esse critério que se analisa a competência da Justiça Especializada
(trabalhista, eleitoral ou militar), bem como a competência da Justiça Federal
frente à Justiça Comum.

Matéria afeta à Justiça Especializada

• as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público


externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios;
• as ações que envolvam exercício do direito de greve;
• as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e
trabalhadores e entre sindicatos e empregadores;
• os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado
Justiça do envolver matéria sujeita à sua jurisdição;
Trabalho
• os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o
(art. 114
disposto no art. 102, I, o;
da CF)
• as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de
trabalho;
• as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos
órgãos de fiscalização das relações de trabalho;
• a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e
seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir;
• outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.
Justiça
Eleitoral
(arts. 118 • controvérsias relacionadas ao direito eleitoral.
a 121 da
CF)

Justiça
Militar
• crimes militares definidos em lei.
(art. 124
da CF)

• as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem


interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho;
• as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou
pessoa domiciliada ou residente no País;
• as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou
organismo internacional;
• os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços
ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas,
excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça
Eleitoral;
• os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a
Justiça execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
Federal reciprocamente;
(arts. 108
• as causas relativas a direitos humanos;
e 109 da
CF) • os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra
o sistema financeiro e a ordem econômico--financeira;
• os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o
constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a
outra jurisdição;
• os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal,
excetuados os casos de competência dos tribunais federais;
• os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da
Justiça Militar;
• os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta
rogatória, após o exequatur, e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas
referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;
• a disputa sobre direitos indígenas.

2.3.2. Em razão do valor da causa


O critério de competência em razão do valor da causa é de grande
importância para fixação de competência dos Juizados Especiais e para
organização judiciária nas grandes Comarcas, como ocorre, por exemplo,
com a Comarca de São Paulo, em que os foros regionais têm competência
para o processamento e julgamento das causas cujo valor não exceda 500
salários mínimos, sendo, portanto, obrigatórios o processamento e o
julgamento das ações com valor superior a 500 salários mínimos no Foro
Central (João Mendes Jr.).

Juizados Especiais do Estado e do Distrito Federal – Lei n. 9.099/95

Causas cujo valor não exceder 40 salários mínimos (art. 3º, I, da Lei n. 9.099/95), sendo dispensada
a participação do advogado nas causas até 20 salários mínimos (art. 9º).

Além da competência em razão do valor da causa, o Juizado Especial tem


regra peculiar de competência em razão de matéria e pessoa. Podemos
afirmar ser de competência dos Juizados Especiais12:

Juizados Especiais do Estado e do Distrito Federal – Lei n. 9.099/95

Competência Causas excluídas da competência

Matérias:
a) arrendamento rural ou
agrícola;
b) cobrança a condômino de
quaisquer quantias devidas ao
condomínio; Matérias (art. 3º, § 2º):
c) ressarcimento por danos em a) alimentar;
prédio urbano ou rústico b) falência;
(rural); c) fiscal;
d) ressarcimento por danos d) de interesse das Fazendas Públicas;
causados em acidente de e) acidente do trabalho;
veículo em via terrestre; f) resíduos (valores remanescentes);
e) cobrança de seguro de g) estado e capacidade das pessoas.
acidente de veículo em via Partes (pessoas que não podem ser partes – art. 8º):
terrestre; a) incapaz;
f) cobrança de honorários de b) preso;
profissionais liberais, c) pessoa jurídica de direito público;
ressalvado o disposto em d) empresa pública da União;
legislação especial; e) massa falida ou o insolvente civil;
g) revogação de doação. f) pessoas jurídicas privadas, salvo a microempresa – ME
Ação de despejo para uso (Enunciado 135 do Fonaje13).
próprio. Procedimentos especiais:
Ações possessórias de imóveis A jurisprudência dos juizados especiais tem firmado
cujo valor não exceder a 40 entendimento no sentido de que não é possível a ação no juizado
salários mínimos. quando para a lide houver procedimento especial no Código de
Execuções: Processo Civil.
a) de suas sentenças ou
acórdãos;
b) de títulos executivos
extrajudicais até o valor de 40
salários mínimos.

Juizado Especial da Fazenda Pública – Lei n. 12.153/2009

Competências Causas excluídas da competência

Art. 2º (...), § 1º (...)


I – as ações de mandado de segurança, de
desapropriação, de divisão e demarcação,
populares, por improbidade administrativa,
Causas cujo valor não exceder a 60 salários
execuções fiscais e as demandas sobre
mínimos – art. 2º.
direitos ou interesses difusos e coletivos;
Observe-se que se a pretensão versar sobre
II – as causas sobre bens imóveis dos
obrigações vincendas, para fins de competência do
Estados, Distrito Federal, Territórios e
Juizado Especial, será considerado valor da causa
Municípios, autarquias e fundações públicas
a soma de 12 (doze) parcelas vincendas e de
a eles vinculadas;
eventuais parcelas vencidas (§ 2º do art. 2º).
III – as causas que tenham como objeto a
impugnação da pena de demissão imposta a
servidores públicos civis ou sanções
disciplinares aplicadas a militares.

No que diz respeito especificamente à competência dos juizados da


Fazenda Pública, a competência será absoluta se no Foro estiver instalado
Juizado Especial da Fazenda Pública (art. 2º, § 4º, da Lei n. 10.259/2001).

Juizado Especial Federal – Lei n. 10.259/2001

Competências Causas excluídas da competência

Matérias (art. 3º, § 1º):


a) causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e município
ou pessoa domiciliada no Brasil (art. 109, II, da CF);
b) as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e
Causas até o valor demarcação, populares, execuções fiscais e por improbidade administrativa
de 60 (sessenta) e as demandas sobre direitos ou interesses difusos, coletivos ou individuais
salários mínimos homogêneos;
(art. 3o). c) as causas fundadas em tratado ou contrato da União com o Estado
Execução das estrangeiro ou organismo internacional (art. 109, III, da CF);
sentenças d) as causas relativas à disputa de direitos de indígenas (art. 109, XI, da
proferidas pelo CF);
Juizado Especial e) as causas sobre bens imóveis da União, autarquias ou empresas públicas
Federal. federais;
f) para a anulação ou cancelamento de ato administrativo federal, salvo o de
natureza previdenciária e o de lançamento fiscal;
g) que tenham como objeto a impugnação da pena de demissão imposta a
servidores públicos civis ou de sanções disciplinares aplicadas a militares.

Portanto, com relação à competência do Juizados, pode-se concluir o


seguinte:

Competência

Relativa Absoluta
Juizado Especial Federal (art. 3º, § 3º, da Lei n. 10.259/2001 – para
Juizados dos Estados e do as causas de competência do Juizado até o valor de sessenta
Distrito Federal (a parte salários mínimos, no foro onde estiver instalada Vara do Juizado
tem disponibilidade de Especial).
escolha entre o uso do Juizado Especial da Fazenda Pública (art. 2º, § 4º, da Lei n.
juizado ou da Justiça 12.153/2009 – para as causas cíveis de interesse dos Estados, do
Comum). Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60
(sessenta) salários mínimos, no foro onde estiver instalado Juizado
Especial da Fazenda Pública).

2.3.3. Em razão da pessoa


Esse critério de fixação de competência está estritamente ligado às pessoas
envolvidas na causa. Alguns artigos do Código de Processo Civil preveem
expressamente qual o foro competente quando figurar no polo passivo
determinadas pessoas:

Pessoa Competência

A ação em que o
Foro de seu último domicílio (art. 49 do CPC)
ausente for réu

A ação em que o
Foro de domicílio de seu representante ou assistente (art. 50 do CPC)
incapaz for réu

Causas em que a
Foro de domicílio do réu (art. 51 do CPC)
União seja autora

Foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou


Causas em que a
a demanda, no de situação da coisa ou no do Distrito Federal (parágrafo
União seja demandada
único do art. 51 do CPC)

Causas em que o
Estado ou Distrito Foro de domicílio do réu (art. 52 do CPC)
Federal seja autor

Causas em que o Foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou
Estado ou Distrito a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente
Federal seja
demandado federado (parágrafo único do art. 52 do CPC)
3. Regra prática de fixação de competência
A importância da adequada fixação da competência está ligada ao correto
endereçamento da peça processual, isto é, localizar entre todos os órgãos do
Poder Judiciário brasileiro e nas diversas divisões territoriais, aquele que seja
o competente para processar e julgar o processo. Em termos práticos, a
localização da competência ocorre por meio de um processo de exclusão,
sendo formuladas as seguintes perguntas14-15:
1) A ação será proposta no Brasil ou em outro Estado soberano? As regras
que disciplinam a competência internacional concorrente estão dispostas no
art. 21 do CPC e, em se tratando de competência interna exclusiva, ou seja,
de ação que apenas poderá ser proposta no Brasil, as hipóteses de incidência
estão no art. 23 do CPC.
Concluído que a ação será no Brasil, passamos para a segunda questão:
2) É competência da Justiça comum ou da Justiça especializada? Caso a
ação verse acerca de relação de trabalho (art. 114 da CF), ela será proposta no
aparelho judiciário do trabalho. Em se tratando de lide sobre matéria eleitoral,
a ação será processada na Justiça Eleitoral. Ou ainda, envolvendo a lide
matéria militar, a ação será na Justiça Militar. Por fim, não sendo caso de
Justiça especializada, por um critério residual, a ação será proposta no
aparelho judiciário comum (no qual está no topo o STJ).
Sendo competência da Justiça comum o que mais nos interessa na prática
jurídica civil, passamos para a terceira pergunta:
3) É competência da Justiça Federal ou da Justiça dos Estados ou do
Distrito Federal? As regras que determinam a competência da Justiça Federal
estão previstas no art. 109 da Constituição Federal. No entanto, por um
critério residual, não sendo competência da Justiça Federal, será competência
da Justiça dos Estados ou do Distrito Federal.
Encontrada a Justiça, vamos para a localização do foro:
4) Qual o foro (local de propositura da ação)? A ação será proposta no
domicílio do réu? No domicílio do autor? No local da sede? Tais perguntas
são respondidas pelas regras previstas no Código de Processo Civil (arts. 42 a
53), conforme tratamos anteriormente. Aqui a dúvida não é em relação ao
órgão jurisdicional, mas sim quanto ao local de propositura da ação.
Definido o local (comarca ou seção judiciária), devemos encontrar o juízo
ou vara:
5) Qual a vara? A definição da vara deve ser realizada após a localização
da competência territorial, pelo fato de que em cada comarca ou seção
judiciária existirão varas ou juízos próprios, não sendo possível definir uma
regra geral.
Assim, dentro das normas de organização judiciária local, o advogado
deverá encontrar a espécie de vara mais adequada para a solução dos
conflitos. É comum, nas grandes comarcas, encontrarmos juízos cíveis
especializados (por exemplo, varas de família, de registros públicos, da
Fazenda Pública, acidentes do trabalho etc.).
4. Modelos de endereçamento de peças processuais
A competência consiste no endereçamento da peça processual; assim,
quando da elaboração da peça processual deverá ser indicado o órgão
jurisdicional competente para seu processamento. Além da indicação correta
da competência, é importante a utilização da correta terminologia à divisão
territorial da Justiça e nomenclatura correta em relação ao magistrado:

Terminologia e nomenclatura

Divisão territorial Nomenclatura

Justiça Federal da 1ª
Instância: Juiz Federal
Justiça Federal de 2ª
Instância (TRF):
Desembargador
Federal
Justiça Federal: Subseção Judiciária ou Seção Judiciária, cada Estado da
Justiça Estadual de 1ª
Federação corresponde a uma seção judiciária e, por sua vez, as seções
Instância: Juiz de
podem ser dividas em subseções judiciárias.
Direito
Justiça Estadual: Comarcas ou distritos (foros regionais)
Justiça Estadual de 2ª
Instância (TJ):
Desembargador
Tribunais Superiores
ou Supremo Tribunal
Federal: Ministro

Exemplos de endereçamento:
• Para Supremo Tribunal Federal:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
• Para Superior Tribunal de Justiça:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
• Para Tribunal Regional Federal:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL
• Para Justiça Federal:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ... VARA
CÍVEL DE ... SEÇÃO JUDICIÁRIA DE ...
• Para Tribunal de Justiça:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE
...
• Para Justiça Estadual:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA CÍVEL DA COMARCA DE ...
• Para Justiça Estadual – Fazenda Pública:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE ...
• Vara Justiça Estadual – Vara de Família:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE ...
• Para Justiça Estadual – Foro Regional:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA CÍVEL DO FORO REGIONAL DE ... DA COMARCA DE ...
• Para Juizado Especial Federal:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ... VARA
DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL CÍVEL DE ...
• Para o Juizado Especial Cível:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE ...
• Para Juizado Especial da Fazenda Pública:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA DO JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA DA
COMARCA DE ...
3

Honorários Advocatícios

Apesar de não constar nos incisos do art. 319 do Código de Processo Civil,
os honorários advocatícios, na prática processual, trata-se de requerimento
presente em toda petição inicial, isto porque, constituem remuneração do
advogado e, por tal característica, possui natureza alimentar com os mesmos
privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho (art. 85, § 14, do
CPC).
Além do requerimento ao pagamento dos honorários advocatícios na
petição inicial, é importante lembrar que o Código de Processo Civil prevê
expressamente o pagamento de honorários advocatícios de sucumbência de
forma cumulativa com outras fases processuais, ou seja, em conjunto com a
condenação da sucumbência principal arbitrada pela sentença, sobre o tema, o
art. 85, § 1º, do CPC, prevê: “são devidos honorários advocatícios na
reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na
execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumulativamente”.
Os honorários advocatícios são um direito autônomo do advogado,
inclusive, do advogado público16 e do advogado que atuar em causa
própria17, devendo a sentença condenar o vencido a pagar os honorários
advocatícios ao advogado do vencedor (art. 85, caput, do CPC). Caso, no
entanto, a decisão transitada em julgado seja omissa a respeito, “é cabível
ação autônoma para sua definição e cobrança” (art. 85, § 18º, do CPC).
Ainda, por se tratar de direito autônomo do advogado, o Código de
Processo Civil veda a compensação dos honorários advocatícios em caso de
sucumbência parcial (art. 85, § 14, do CPC).
Para o pagamento dos honorários advocatícios, o Código de Processo Civil,
prevê a possibilidade de pagamento diretamente ao advogado ou em favor da
sociedade de advogados (art. 85, § 15, do CPC).
1. Parâmetros de fixação dos honorários advocatícios
Os critérios de fixação dos honorários advocatícios estão previstos nos §§
2º e 3º do art. 85 do CPC. Nos termos do que dispõe o § 2º do art. 85 do
Código de Processo Civil, deve-se observar o percentual entre dez e vinte
por cento do valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não
sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, ocasião em que
para o arbitramento o juiz analisará o grau de zelo do profissional; o lugar de
prestação do serviço; a natureza e a importância da causa; e o trabalho
realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
Contudo, caso seja a Fazenda Pública parte, os percentuais deverão ser
fixados de acordo com os incisos do § 3º do art. 85, cuja regra é a redução
do percentual à medida que aumenta o valor da condenação. Não
havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito
econômico obtido, a condenação em honorários dar-se-á sobre o valor
atualizado da causa.

Fixação de honorários nas causas em que a Fazenda Pública for parte

Percentual Valor da condenação ou do proveito econômico

mínimo de dez e máximo de


até 200 (duzentos) salários mínimos
vinte por cento

mínimo de oito e máximo de acima de 200 (duzentos) salários mínimos até 2.000 (dois mil)
dez por cento salários mínimos

mínimo de cinco e máximo de acima de 2.000 (dois mil) salários mínimos até 20.000 (vinte
oito por cento mil) salários mínimos

mínimo de três e máximo de acima de 20.000 (vinte mil) salários mínimos até 100.000 (cem
cinco por cento mil) salários mínimos

mínimo de um e máximo de três


acima de 100.000 (cem mil) salários mínimos
por cento
Por se tratar de direito autônomo do advogado, os limites e critérios
previstos nos §§ 2º e 3º do art. 85 do Código de Processo Civil aplicam-se
independentemente de qual seja o conteúdo da decisão, inclusive aos casos de
improcedência ou de sentença sem resolução de mérito, e, da forma como
previsto no § 8º do art. 85 do CPC, “nas causas em que for inestimável ou
irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito
baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa”,
observando o grau de zelo do profissional; o lugar de prestação do serviço; a
natureza e a importância da causa; e o trabalho realizado pelo advogado e o
tempo exigido para o seu serviço.
Na ação de indenização por ato ilícito contra pessoa, o percentual de
honorários incidirá sobre a soma das prestações vencidas acrescidas de 12
(doze) prestações vincendas (art. 85, § 9º, do CPC).
Ainda, sobre a fixação dos honorários advocatícios, é relevante mencionar
que, quando os honorários forem fixados em quantia certa, os juros
moratórios incidirão a partir da data do trânsito em julgado da decisão.
E, por fim, havendo perda do objeto da causa, os honorários serão devidos
por quem deu causa ao processo (art. 85, § 10, do CPC).
2. Sucumbência recursal
De acordo com o § 11 do art. 85 do CPC, o tribunal ao julgar o recurso,
seja por decisão monocrática18 ou colegiada, majorará os honorários fixados
anteriormente levando em conta o trabalho adicional realizado em grau
recursal, sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da fixação de
honorários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os respectivos
limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º para a fase de conhecimento.
A vedação de que trata o § 11 do art. 85 do CPC significa que o tribunal,
ao majorar os honorários ao julgar o recurso, deve considerar os percentuais
já fixados em valores anteriores19 para não ultrapassar o teto de 20% ou
aqueles percentuais estipulados no § 3º do art. 85 do CPC quando a
Fazenda Pública for parte, assim, por exemplo, em caso de sentença que
tenha fixado os honorários advocatícios em 10% sobre o valor da
condenação, do benefício econômico ou do valor da causa, ao tribunal será
possível conceder no máximo mais 10% de honorários, atingindo, assim, o
teto de 20%.
3. Honorários advocatícios em cumprimento de sentença
Além dos honorários advocatícios fixados na sentença ou majorados pelo
tribunal (sucumbência recursal), também são devidos honorários advocatícios
no cumprimento de sentença. Sobre o tema, o art. 523, § 1º, do CPC prevê
expressamente a incidência de honorários advocatícios no percentual fixo de
10% no cumprimento de sentença caso não ocorra o pagamento voluntário,
entretanto, no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, da
forma como dispõe o § 7o do art. 85 do CPC, não serão devidos
honorários no cumprimento de sentença que enseje expedição de
precatório, desde que não tenha sido impugnada.
4. Modelos de requerimentos de fixação de honorários advocatícios
Com exceção da ação autônoma para definição e cobrança de honorários
prevista no § 18 do art. 85 do CPC, que requer a elaboração de uma petição
inicial para fixação dos honorários advocatícios, aos demais casos, faz se
necessário tão somente requerimento simples dentro da peça processual, nada
além do que um parágrafo:

Petição inicial

Requer a condenação da Ré ao pagamento de honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 2º,
do CPC [ou art. 85, § 3º, do CPC se for parte a Fazenda Pública].

Recurso

Da forma como dispõe o § 11 do art. 85 do CPC, requer a majoração dos honorários sucumbenciais.

Cumprimento de sentença

Em razão do não pagamento voluntário, requer a fixação de 10% de honorários advocatícios, da


forma como dispõe o art. 523, § 1º, do CPC.
5. Processos sem incidência de honorários e artigos relevantes
Algumas demandas por determinação legal não preveem a incidência de
honorários advocatícios, assim, ao elaborar a petição inicial de situação
prevista em legislação especial sem a incidência de honorários, o examinando
não fará na sua petição inicial o pedido de condenação aos honorários. Os
casos de não incidência dos honorários estão previstos nos seguintes
dispositivos:
• Produção antecipada da prova (arts. 381 a 383 do CPC);
• Mandado de segurança (art. 25 da Lei n. 12.016/2009);
• Ação civil pública, exceto se a autora for associação litigante de má-fé
(art. 17 da Lei n. 7.347/85).

Artigos relevantes:
art. 85, §§ 1º a 3º, do CPC;
art. 25 da Lei n. 12.016/2009;
art. 17 da Lei n. 7.347/85.
4

Intervenção de Terceiros

O processo se desenvolve pelos atos dos sujeitos que o integram. Os


sujeitos do processo são divididos em sujeitos parciais (partes e terceiros
intervenientes) e imparciais (juiz e seus auxiliares), além dos advogados,
Ministério Público e Defensoria Pública quando da sua atuação.
Partes processuais são aquelas que requerem e aquelas contra quem se
requer determinada providência jurisdicional, isto é, autor e réu. Em uma
conclusão lógica, aquele que não é parte do processo é terceiro. Portanto, da
forma como define Cassio Scarpinella Bueno: “terceiros são todos os que não
são partes”20.
Os terceiros que interessam ao processo são aqueles que, de alguma forma,
podem ou devem intervir no processo em que não são partes, em razão de
sofrerem os efeitos da decisão daquele determinado processo, por exemplo,
em um processo em que sejam partes Maria, autora, e José, réu, Francisco,
que não é parte, portanto, terceiro, intervém no processo por sofrer os efeitos
da decisão, daí a terminologia intervenção de terceiro.
O Código de Processo Civil prevê cinco institutos nominados de
“intervenção de terceiros”:

a) assistência;
b) denunciação da lide;
c) chamamento ao processo;
d) incidente de desconsideração da personalidade jurídica; e
e) amicus curiae.

Atenção: Não se admite intervenção de terceiros no JEC, exceto o incidente de


desconsideração da personalidade jurídica (art. 10 da Lei n. 9.099/95 e art. 1.062 do CPC).
1. Assistência
Com regramento nos arts. 119 a 124 do Código de Processo Civil, a
assistência é a modalidade de intervenção de terceiro em que um terceiro que
tem interesse jurídico (a decisão do processo influenciará sua esfera jurídica)
intervém no processo a favor de uma das partes. Sua intervenção tem por
objetivo fazer com que a parte que ele está assistindo (“ajudando”) vença a
demanda, pois a decisão favorável a essa parte assistida lhe atingirá direta ou
indiretamente.
A assistência é admitida em qualquer procedimento e em todos os graus de
jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontra. O
pedido de assistência deve ser motivado pelo interesse jurídico, isto é, deve o
terceiro que está intervindo no processo demonstrar a existência do seu
interesse jurídico.
Realizado o pedido de assistência, salvo se for caso de rejeição liminar, se
a parte contrária não impugnar no prazo de 15 (quinze) dias, a intervenção
será deferida, entretanto, se qualquer parte alegar que falta ao requerente
(terceiro interveniente) interesse jurídico para intervir, o juiz decidirá o
incidente, sem suspensão do processo.
A lei processual divide a assistência em duas modalidades:

a) assistência simples; e
b) assistência litisconsorcial.

1.1. Assistência simples


A assistência será simples quando a posição de direito material do terceiro
é diferente do direito material discutido em juízo pelas partes, entretanto, há
uma relação entre elas, sendo essa relação a justificativa da intervenção, ou
seja, o “interesse jurídico” que autoriza a assistência simples.
Nessa modalidade de assistência, a providência jurisdicional atingirá o
terceiro, ora assistente simples, de forma indireta e reflexa, já que ele
depende daquela relação jurídica que está em juízo.
Exemplo prático de assistência simples é o caso do sublocatário em relação
ao pedido de despejo em ação judicial que o locador move em face do
locatário. Suponha que João (locador) e Maria (locatária) celebraram contrato
de locação. Maria, a locatária, subloca o imóvel para Francisco. Ocorre que
João não recebe mais aluguel e, em razão da falta de pagamento, move ação
de despejo em face de Maria, pois, esta é a locatária e a relação locatícia
autoriza que a ação judicial seja movida contra ela. Nesse caso, não interessa
para João se o imóvel está sublocado para Francisco ou qualquer outra
pessoa; pela falta de pagamento, busca João a desocupação do imóvel. Na
ação de despejo é parte João (autor) e Maria (ré), entretanto, eventual
sentença de procedência fará com que o imóvel seja desocupado por
Francisco, que nele está em decorrência da sublocação. Tendo Francisco
interesse que Maria vença a ação, intervém no processo como assistente
simples, já que desfeito o contrato de locação (contrato principal),
automaticamente será desfeito o contrato de sublocação (contrato acessório),
ficando evidentes, portanto, os efeitos da decisão de forma indireta e reflexa a
Francisco (assistente simples na ação judicial).
Na assistência simples, o terceiro não tem relação jurídica direta com a
parte que ele não quer assistir (ajudar) e, portanto, não pode figurar como
litisconsorte daquela parte que ele quer que vença a ação, sendo nominado,
assim, de assistente simples.

1.2. Assistência litisconsorcial


Diferente da assistência simples, nesta modalidade existe uma relação
direta entre o terceiro que tem interesse no processo e a parte que ele quer
assistir. Nesse caso de assistência, há apenas uma relação jurídica de direito
material, e o direito do assistente está sendo discutido em juízo de forma
direta.
Para ficar claro o termo litisconsorcial dessa modalidade de assistência, é
importante esclarecer que o assistente litisconsorcial tem relação direta com
as duas partes do processo, tanto que poderia ter sido incluído no polo
passivo da ação, mas não o foi em razão da facultatividade do litisconsórcio.
Assim, por poder figurar no processo como litisconsorte, sua assistência será
litisconsorcial, e o litisconsórcio entre assistente e assistido é unitário.
A assistência litisconsorcial pode ser facilmente exemplificada em caso de
dívida com devedores solidários. O credor pode demandar contra os dois
devedores ou apenas um, assim, aquele devedor que não foi demandado (não
é parte no processo, ou seja, não é réu) pode, querendo intervir no processo,
ingressar como assistente litisconsorcial daquele devedor réu.
Outro exemplo bem comum de assistência litisconsorcial são os casos que
envolvem condomínio edilício, conforme modelo21 de pedido de assistência
litisconsorcial que abaixo será tratado.

1.3. Modelo de pedido de assistência


O pedido de assistência é realizado mediante simples petição incidental no
processo, devendo o assistente, seja na modalidade simples ou litisconsorcial,
demonstrar o interesse jurídico no processo.
Modelo de pedido de assistência

Folha 1/2

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE FRANCA

03

04
05

06

07

08 Processo n. ...

09

10

11 JOSUÉ FERNANDES, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF

12 n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., vem, por meio

13 do seu advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe

14 intimações no endereço ... (procuração anexa), nos autos da ação pelo

15 procedimento comum que MARIO FERREIRA move em face de JOAO

16 LOBOSCO, nos termos do art. 119 do Código de Processo Civil, requerer

17 seu ingresso como ASSISTENTE LITISCONSORCIAL3 DO AUTOR, pelo

18 que expõe e requer a Vossa Excelência o seguinte:

19

20 O Autor promoveu ação em face do Réu para pleitear a sua condenação

21 à obrigação de reparar vazamento existente no 10º andar do edifício em

22 que mora.

23 Sustenta o Autor que, em razão do vazamento existente no

24 apartamento do Réu, no 10º andar, surgiu mofo e umidade no


25 apartamento do 5º andar, de propriedade do Autor.

26 Ocorre que o Requerente (pretenso assistente) é proprietário do

27 apartamento localizado no 9º andar, que também está sendo vítima do

28 vazamento advindo do apartamento superior, de propriedade do Réu.

29

30 Por tais razões, está configurado o interesse jurídico do Requerente

Folha 2/2

31 em participar da presente demanda, já que, uma vez saindo vencedor o

32 Autor – o que se espera –, o Requerente terá vantagem em seu bem

33 imóvel.

34 Por todo o exposto, requer a Vossa Excelência a admissão do Reque-

35 rente na qualidade de Assistente da parte autora, para que possa

36 praticar todos os atos processuais capazes de auxiliá-la para a proce-

37 dência do pedido (se fosse assistente do réu, o requerimento seria de

38 improcedência).

39 Requer provar o alegado por todos os meios em direito admitidos

22

40 (requerimento necessário para o caso de dilação probatória para demons-

41 tração do interesse jurídico).

42
43 Termos em que

44 pede deferimento.

45

46 Local e data ...

47

48 Advogado ...

49 OAB n. ...
2. Denunciação da lide
A denunciação da lide é modalidade de intervenção de terceiros por meio
da qual autor ou réu formulam pedido de intervenção de terceiro
(denunciado) ao processo. Esse terceiro trata-se do garantidor, ou seja, aquele
que em ação regressiva tiver a obrigação de restituir à parte os valores a que
esta foi condenada na ação judicial. A parte que realiza a denunciação da lide
(denunciante) ou tem o direito que deve ser garantido pelo denunciado, ou é
titular de ação regressiva contra o denunciado.
Os casos de admissão da denunciação da lide estão previstos no art. 125 do
CPC:
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:
I – ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao
denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;
II – àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o
prejuízo de quem for vencido no processo.

Quando realizada pelo autor, a denunciação será realizada na petição


inicial e, se pelo réu, na contestação, ocasião em que a citação do denunciado
será realizada no prazo de trinta dias ou dois meses quando o denunciado
residir em outra comarca, seção ou subseção judiciárias, ou em lugar incerto.
Sendo a denunciação indeferida ou não permitida (por exemplo, art. 88 do
CDC23), poderá o denunciante utilizar-se da ação autônoma (art. 125, § 1º, do
CPC).
Quando a denunciação for realizada pelo autor na petição inicial, da forma
como prevê o art. 127 do CPC, o denunciado “poderá assumir a posição de
litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial,
procedendo-se em seguida à citação do réu”.
Por sua vez, realizada a denunciação na contestação pelo réu, hipóteses
variadas podem ocorrer, quais sejam:
Feita a denunciação pelo réu na contestação

Ato do denunciado Consequência

Denunciado contesta o Processo prosseguirá normalmente tendo, na ação principal, em


pedido formulado pelo autor. litisconsórcio, denunciante e denunciado.

Denunciante pode deixar de prosseguir com sua defesa,


Denunciado revel. eventualmente oferecida, e abster-se de recorrer, restringindo sua
atuação à ação regressiva.

Denunciado confessa os fatos


Denunciante poderá prosseguir com sua defesa ou, aderindo a tal
alegados pelo autor na ação
reconhecimento, pedir apenas a procedência da ação de regresso.
principal.

Em razão de a denunciação da lide estar estritamente relacionada com o


princípio da economia processual, ela será julgada somente se o denunciante
for vencido na ação principal (art. 129 do CPC), caso seja o denunciante
vencedor, a denunciação não será analisada, entretanto, o denunciante será
condenado ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do
denunciado (parágrafo único do art. 129 do CPC).

2.1. Modelo de pedido de denunciação da lide


O pedido de denunciação da lide é realizado na petição inicial ou na
contestação, portanto, não há uma peça processual específica para tal pedido.
A elaboração do pedido é realizada dentro de um tópico da petição inicial ou
da contestação.
Modelo de pedido de denunciação da lide para contestação24
DA DENUNCIAÇÃO DA LIDE
A empresa Ré celebrou com a Cia. de Seguros apólice para
cobertura de eventos lesivos aos seus consumidores,
conforme corrobora o documento acostado (doc. 2).
Com efeito, caso a Ré seja condenada a pagar qualquer
quantia ao Autor, o que se admite apenas para argumentar,
terá o direito de ser restituída integralmente, nos termos do
referido contrato, de todos os valores que houver de pagar. A
apólice juntada demonstra que a Seguradora é garantidora da
Ré nas indenizações devidas aos consumidores da loja.
Portanto, nos termos do art. 125, II, do Código de Processo
Civil, a Ré denuncia à lide a Cia. de Seguros, para que, caso
seja condenada a pagar indenização ao Autor, na mesma
sentença, fique consignada a obrigação da denunciada ao
pagamento regressivo à Ré.
3. Chamamento ao processo
O chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiros
que somente o réu pode utilizar na contestação, sob pena de preclusão. Além
disso, de acordo com o art. 130 do Código de Processo Civil, o chamamento
ao processo só é admissível nos casos de fiança e de solidariedade passiva:
Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I – do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II – dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III – dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da
dívida comum.

Realizado o pedido de chamamento ao processo pelo réu na contestação, o


terceiro intervirá no processo e figurará como litisconsórcio passivo, devendo
sua citação ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem
efeito o chamamento. Se o chamado (terceiro) residir em outra comarca,
seção ou subseção judiciárias, ou em lugar incerto, o prazo será de 2 (dois)
meses, conforme disposição do parágrafo único do art. 131 do CPC.
Se a ação em que houver o chamamento ao processo for julgada
procedente, nos termos do que dispõe o art. 132 do CPC, “a sentença de
procedência valerá como título executivo em favor do réu que satisfizer a
dívida, a fim de que possa exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou, de
cada um dos codevedores, a sua quota, na proporção que lhes tocar”, o autor
poderá cumprir a sentença em face de qualquer um dos réus (o originário e/ou
os chamados) ou de todos.

3.1. Modelo de pedido de chamamento ao processo


O chamamento ao processo somente pode ser realizado pelo réu, dentro da
contestação, sob pena de preclusão. Portanto, não há uma peça processual
específica para tal pedido. O chamamento ao processo é realizado dentro de
um tópico da contestação.
Modelo de tópico de chamamento ao processo para contestação
DO CHAMAMENTO AO PROCESSO
O objeto da ação decorre de obrigação firmada pelo Réu e outras duas
pessoas, João e Manoel, todos na qualidade de devedores solidários.
Com efeito, os terceiros que ainda não são parte no processo,
isto é, João e Manoel, também são responsáveis e devem
constar no polo passivo da ação.
Portanto, nos termos do art. 130, III, do Código de Processo
Civil, impõe-se que João e Manoel em litisconsórcio passivo
passem a integrar o polo passivo da presente ação, requerendo
desde já a citação de João e Manoel no endereço ...., nos
termos do art. 131 do CPC.
4. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica
O incidente de desconsideração da personalidade jurídica tem por função
criar condições para que durante o trâmite do processo, daí o nome incidente,
sejam as pessoas naturais responsabilizadas pelos atos praticados pelas
pessoas jurídicas. Também, pode a pessoa jurídica ser responsabilizada pelos
atos praticados pelas pessoas naturais que a controlam ou comandam
(desconsideração inversa da personalidade jurídica).
A desconsideração da personalidade jurídica somente é possível se
preenchidos os pressupostos legais previstos no direito material. Para o
processo civil, importa destacar os dispositivos legais de direito material do
Código Civil (art. 50) e Código de Defesa do Consumidor (art. 28), que
tratam especificamente da desconsideração da personalidade jurídica:

Código Civil Código de Defesa do Consumidor

Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a


personalidade jurídica da sociedade quando, em
detrimento do consumidor, houver abuso de
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade
direito, excesso de poder, infração da lei, fato
jurídica, caracterizado pelo desvio de
ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou
finalidade, ou pela confusão patrimonial,
contrato social. A desconsideração também será
pode o juiz decidir, a requerimento da parte,
efetivada quando houver falência, estado de
ou do Ministério Público quando lhe couber
insolvência, encerramento ou inatividade da
intervir no processo, que os efeitos de certas e
pessoa jurídica provocados por má
determinadas relações de obrigações sejam
administração.
estendidos aos bens particulares dos
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa
administradores ou sócios da pessoa jurídica.
jurídica sempre que sua personalidade for, de
alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de
prejuízos causados aos consumidores.

Presentes os pressupostos específicos constantes no direito material, a parte


ou o Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo, podem
requerer a desconsideração da personalidade jurídica, via incidente que
suspenderá o processo, entretanto, caso a desconsideração da personalidade
jurídica seja realizada na petição inicial, não há necessidade do incidente e
não haverá a suspensão do processo.
O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de
conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título
executivo extrajudicial, inclusive nos juizados especiais (art. 1.062 do CPC).
Instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para
manifestar-se e requerer as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias,
justificando-se a citação pelo fato de que o sócio ou a pessoa jurídica é
terceiro em relação ao processo, já que não era parte (autor e réu).
Após a manifestação dos terceiros, sócio ou pessoa jurídica e produzidas
eventuais provas, o juiz decidirá pela desconsideração da personalidade
jurídica ou não, podendo esta decisão ser combatida por agravo de
instrumento (art. 1.015, IV, do CPC).

4.1. Modelo de incidente de desconsideração da personalidade jurídica


Salvo pedido realizado na petição inicial, o pedido de desconsideração da
personalidade jurídica ao longo do processo deverá ser realizado por meio de
incidente, peça processual específica.
Modelo de Incidente de Desconsideração da Personalidade jurídica25

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 5ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SANTOS

03

04

05
06

07

08 Distribuição por dependência ao processo n. ...

09

10

11 FRANCISCO FERNANDES, já qualificado nos autos da ação pelo

12 procedimento comum de número em epígrafe, que move em face de

13 LOJAS MAX, vem, por seu procurador, com fundamento no disposto

14 nos arts. 134 e s. do Código de Processo Civil, instaurar o presente

15 INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA,

16 pelos motivos abaixo expostos.

17

18 I. FATOS

19

20 O Autor ingressou contra a empresa Ré com ação indenizatória por

21 danos materiais com fundamento nos dispositivos do Código de Defesa

22 do Consumidor. A ação foi julgada totalmente procedente, condenando

23 a empresa Ré a pagar ao autor o valor de R$ 10.000,00. A sentença

24 transitou em julgado em 3-5-2015.

25 Em junho de 2016, teve início a fase de cumprimento de sentença

26 e até o momento o autor não conseguiu satisfazer o seu crédito. Inú-


27 meras foram as tentativas de bloqueios de valores, penhora de bens etc.,

28 logo, não restam dúvidas do estado de insolvência da empresa. Some-se

29 a isso que na última semana o autor teve conhecimento de atos de má

30 administração da empresa por matéria veiculada em jornal (doc. 01).

Folha 2/3

31

32 II. FUNDAMENTOS

33

34 Assim, considerando a existência de relação de consumo em que a

35 desconsideração da personalidade deve se dar de acordo com os pressu-

36 postos constantes no art. 28 do CDC, temos que é medida de rigor a

37 desconsideração da personalidade jurídica da empresa para inclusão dos

38 sócios no polo passivo da ação, devendo estes responder com os seus bens.

39

40 Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da

41 sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de

42 direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou

43 violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também

44 será efetivada quando houver falência, estado de insolvência,

45 encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por


46 má administração.

47 § 1º (Vetado.)

48 § 2º As sociedades integrantes dos grupos societários e as socie-

49 dades controladas são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações

50 decorrentes deste código.

51 § 3º As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis

52 pelas obrigações decorrentes deste código.

53 § 4º As sociedades coligadas só responderão por culpa.

54 § 5º Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre

55 que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressar-

56 cimento de prejuízos causados aos consumidores.

57

58 Assim, por se tratar de relação de consumo, cuja desconsideração

59 da personalidade jurídica está adstrita a teoria menor, de rigor o

60 acolhimento do presente incidente.

Folha 3/3

61

62 III. PEDIDO E REQUERIMENTOS

63

64 Em face do exposto é a presente para requerer:

65 a) o recebimento do presente incidente com a suspensão da ação


66 principal até o julgamento deste, nos termos do art. 134, § 1º,

67 do CPC;

68 b) a citação do sócio JOSÉ DA SILVA, estado civil ..., profissão ...,

69 inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na

70 Rua ..., por meio do seu advogado, com endereço profissional na

71 Rua ..., para, querendo, manifestar-se no prazo de 15 (quinze)

72 dias, nos termos do art. 135 do CPC; e

73 c) que o pedido de desconsideração da personalidade jurídica seja

74 acolhido para que o sócio JOSÉ DA SILVA passe a integrar o

75 polo passivo da ação, respondendo pelos débitos da empresa de

76 sua titularidade, em razão de estar devidamente demonstrado

77 o preenchimento dos pressupostos que autorizam tal medida.

78

79 Termos em que

80 pede deferimento.

81

82 Local e data ...

83

84 Advogado ...

85 OAB n. ...
5. Amicus curiae
O amicus curiae é uma modalidade de intervenção de terceiros que ocorre
por iniciativa própria do interveniente, requerimento de uma das partes e,
também, de ofício pelo juiz, com a finalidade de fornecer elementos ao
julgador para que possa proferir uma decisão que leve em consideração os
interesses da sociedade. O amicus curiae é nominado como “amigo da corte”,
já que sua função é poder auxiliar o julgador na busca de uma decisão justa.
Os requisitos de admissibilidade do amicus curiae estão previstos no art.
138 do CPC, sendo eles os seguintes: (a) relevância da matéria, (b)
especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da
controvérsia. A decisão que admite a intervenção do amicus curiae é
irrecorrível.
O amicus curiae pode ser pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade
especializada, com representatividade adequada e, por se tratar de terceiro
que procura auxiliar o julgador na busca de uma decisão de qualidade, dispõe
o § 2º do CPC que os limites de participação do amicus curiae serão
definidos pelo juiz ou relator (intervenção nas instâncias superiores).
A limitação da participação do amicus curiae no processo é também
verificada no próprio Código Processo Civil, já que a intervenção não
autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de
declaração e a decisão que julgar o incidente de resolução de demandas
repetitivas (§§ 1º e 3º do art. 138 do CPC).
6. Quadro-resumo das modalidades de intervenção de terceiros

Desconsideração
Denunciação da Chamamento da
Assistência
Lide ao Processo Personalidade
Art. 119
Art. 125 Art. 130 Jurídica – Art.
133

Incluir na ação
Terceiro MANIFESTAÇÃ
SÓCIO ou
deseja Trazer aos autos Trazer aos autos
SOCIEDADE
Finalidade AUXILIAR o o
para permitir
uma das GARANTIDOR. CODEVEDOR.
responsabilidade
partes.
patrimonial.

Chamamento
pelo réu:
Cabível (art.
I – do afiançado,
125):
quando o fiador Para a
I – alienante ü
for réu; desconsideração,
imediato para matéria;
II – dos demais serão observados
Terceiro deve responder pela ü
fiadores, quando os requisitos
Requisitos e demonstrar evicção; tema ou
demandado previstos em lei
cabimento interesse II – aquele que ü
isoladamente; para cada tipo de
jurídico. estiver obrigado social da
III – dos demais sociedade (§ 1º
pela lei ou controvérsia;
devedores do art. 133 + § 4º
contrato a ü
solidários. do art. 134).
indenizar em representatividad
Cabível apenas
ação regressiva. adequada.
na ação de
conhecimento.

Incidente de
iniciativa da
Terceiro Autor ou réu
Réu faz parte ou do MP
Legitimidade requer seu denunciam o
chamamento quando oficiar no
(iniciativa) ingresso terceiro
(provocada). processo iniciativa do terce
(voluntária). (provocada).
(provocada) – art.
133.
A qualquer
tempo do Pelo autor: o Cabível em todas
processo pedido deve ser as fases do
(recebe formulado na Requerido pelo processo de
Momento processo no petição inicial. réu na conhecimento,
processual estado em que Pelo réu: no contestação – cumprimento de
estiver) – prazo da art. 131. sentença ou ação
parágrafo contestação (art. de execução (art.
único do art. 126). 134).
119.

Havendo
impugnação
pelas partes, o
pedido de
Processamento Sentença de ü Comunicação
intervenção
segundo arts. 127 procedência ao distribuidor (§
será autuado
e 128. valerá como 1º do art. 134).
em apartado Caberá ao juiz ou
Se o denunciante título executivo ü Requerido na
para decisão
for vencido na em favor do réu inicial, dispensa a
acerca da
Efeitos ação principal, o que satisfizer a instauração de
existência ou intervenção, defi
juiz julgará a dívida (exigir um incidente (§
não de
denunciação cota-parte dos 2º do art. 134).
interesse
fixando a demais ü Suspende o
jurídico. Não
responsabilidade codevedores). processo (§ 3º do
há suspensão
do denunciado. Art. 132. art. 134).
do processo
durante a
apreciação do
incidente.

Incidente na
Petição
contestação
simples do
Pelo autor = na (fazer um
terceiro, Incidental na
inicial. capítulo e
Petição demonstrando inicial ou mera
Pelo réu = na requerimento de
interesse petição.
contestação. citação dos
jurídico na
demais
causa.
codevedores).

1) JEC – permite
o incidente – art.
1.062.
Não realizada ou
2) Recursos: 1a
indeferida a
instância –
denunciação, o
Não cabe no agravo de
direito de
JEC. instrumento (art.
regresso será
Essa intervenção 1.015, IV).
Espécies: exercido em ação
também não é Relator – agravo
Simples / autônoma – art.
utilizada na interno (art. 136,
Litisconsorcial 125, § 1º.
execução, mas parágrafo único).
Peculiaridades (art. 124). Procedente o
apenas no 3) Com a
Não tem pedido, o autor
processo de desconsideração,
cabimento no poderá requerer o
conhecimento os bens do sócio
JEC. cumprimento
(ação de ou sociedade
também contra o
cobrança, por ficam sujeitos à
denunciado
exemplo). execução:
(limites da
Responsabilidade
garantia).
patrimonial – art.
Não cabe no JEC.
790, VII.
Fraude à
execução – § 3º
do art. 792.

Fonte: BARROSO, Darlan. Manual de processo civil. Disponível em: <www.darlanbarroso.com.br>.


5

Petição Inicial

A petição inicial constitui o primeiro ato do processo. Trata-se de peça


processual de relevante importância, pois é por ela que o Poder Judiciário é
provocado e atuará na resolução do conflito de interesses existente entre as
partes.
No Exame da OAB, é a peça prático-profissional mais cobrada e sua
estrutura básica, constante nos arts. 319 e 320 do Código de Processo Civil,
acaba por ser utilizada como parâmetro para todas as outras peças
processuais, isto é, endereçamento, qualificação, fatos etc.
1. Como identificar que a peça é uma petição inicial
Na prova prática do Exame de Ordem, a utilização de uma petição inicial
será viável quando a parte precisar acionar o Judiciário para resolver um
problema. O enunciado da questão prático-profissional deixará em evidência
que não há ainda nenhuma demanda proposta, ou seja, inexiste processo em
trâmite.
Ademais, indicará que a conduta a ser tomada é uma “medida judicial”,
pois se inexistente o termo judicial, poderá o enunciado abordar a
necessidade da elaboração de um parecer.
Portanto, diante de enunciado que narre apenas a situação-problema, não
indique a existência de nenhum processo e traga a expressão “medida
judicial”, cabe ao examinando elaborar uma petição inicial.

Interpretando o problema: quando será uma petição inicial?

1. Quem é O examinando deverá identificar a pessoa que será autora na petição inicial,
meu geralmente aparece no enunciado “como advogado de ...”, portanto, este é o seu
cliente? cliente.

2. Qual a Não há fase processual iniciada. O enunciado trará informações sobre a


fase problemática, exceto em situações específicas, como embargos de terceiro em que o
processual? ato constritivo decorre de outro processo.

3. O que A petição inicial visa assegurar os direitos do seu cliente que foram ou estão sendo
ele deseja? violados pela parte contrária.
2. Qual o nome que deve constar no preâmbulo da petição inicial para
indicar a ação?26
Identificada a necessidade de propositura de petição inicial, surge a
seguinte dúvida: qual o nome que deve constar no preâmbulo da petição
inicial para indicar a ação?
Esse é o tema mais tormentoso e de grande controvérsia na prática civil.
Sem dúvida, a confusão é fruto de muitas invenções, mitos e tradições da
prática forense, cujos hábitos foram criados independentemente da técnica
processual.
Ao elaborar a petição inicial, não obstante o art. 319 não determinar isso de
forma expressa, sabemos que é dever do autor (por meio da técnica de seu
advogado) indicar a ação que está promovendo, bem como o rito que deseja
ser seguido para a prática dos atos processuais dentro da relação que se
estabelece perante o Estado-juiz para a solução de uma lide.
Historicamente, durante muito tempo, o processo civil era visto como parte
do direito material.
Na verdade, o direito de ação era uma consequência da existência de um
direito material.
Como sabemos, a escola clássica (ou imanentista) – que perdurou por
muitos séculos – considerava a ação como uma qualidade do direito material.
A existência de um direito material gerava uma ação, sendo difundida a ideia
de que “não há direito sem ação”.
Por tal razão, originariamente, os nomes das ações continham relação
direta com o nome do direito material litigioso: “ação de indenização”, “ação
de cobrança”, “ação de dano infecto”, “ação pauliana”, “ação anulatória”,
“ação reivindicatória” etc.
No entanto, há muito tempo a teoria imanentista está superada e, além
disso, o direito processual é considerado como ciência autônoma do direito
civil.
O direito de ação é definido pela doutrina como “autônomo” e
“abstrato”, ressaltando ser “conquista definitiva da ciência processual o
reconhecimento da autonomia do direito de ação, a qual se desprende por
completo do direito subjetivo material”27.
Essa lógica já era empregada pelo Código de Processo Civil de 1973, que
estabelecia a existência de três tipos de ações: a) conhecimento; b) execução;
c) cautelar. No CPC de 2015 as ações de conhecimento e execução foram
mantidas, sendo a antiga ação cautelar considerada como um incidente das
outras duas, como modalidade de tutela provisória (incidental ou
antecedente).
De fato, o nome da ação tem fundamento na legislação processual (CPC e
legislação extravagante), sem fundamento técnico para os antigos nomes
decorrentes da prática civil que vincula a ação ao direito material.
A confusão histórica e prática é tão grande a ponto de serem criados
diversos nomes para as ações, às vezes, considerando o pedido (declaratório,
condenatório ou constitutivo), a natureza do direito (pessoal ou real), ou
mesmo especificando no preâmbulo da ação as especificações daquilo que
pretende o autor como efeito prático da tutela requerida.
Na prática é comum percebermos inicial com nomes como: “vem propor
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, CUMULADA COM
INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E LUCROS CESSANTES… e
outras coisas”. Na verdade, trata-se de simples processo de conhecimento
pelo rito comum, com a indicação desnecessária no preâmbulo da peça
processual daquilo que o autor deseja no pedido.
É comum que os profissionais tragam para o preâmbulo da ação o
detalhamento do pedido, como se aquilo, de fato e tecnicamente, fosse um
nome de ação.
Temos que separar a técnica (aquilo que contém fundamento na ciência –
no caso, no processo civil) de coisas que são inventadas na prática e sem base
teórica.
O processo civil moderno trata isso de forma muito mais simples (e as
pessoas tentam complicar).
Existem duas modalidades de processo:
a) Conhecimento – com a finalidade de obter provimento jurisdicional de
mérito (título executivo judicial – art. 487 do CPC);
b) Execução – busca a satisfação de uma obrigação contida em título
executivo.
Cada processo, por sua vez, possui ritos próprios (regras que estabelecem
as sequências lógicas e cronológicas para a prática de atos processuais). A
maior confusão de nomes para as ações está no processo de conhecimento.
Atualmente, pode seguir por procedimentos especiais ou, na ausência de
rito específico, pelo procedimento comum (art. 318 do CPC).
Os procedimentos especiais – previstos no CPC entre os arts. 539 e 770,
bem como na legislação extravagante – foram criados pelo legislador com a
finalidade de solucionar lides específicas (a sequência dos atos processuais
foi desenvolvida de forma a permitir maior eficiência na solução de lides
determinadas). Por exemplo, a proteção da posse recebeu do legislador um
caminho processual específico para a obtenção de tutelas que visem a
reintegração, manutenção ou interdito proibitório.
Os procedimentos especiais são nominados pela lei. Portanto, na prática,
basta a indicação no nome da ação daquilo previsto na lei como o
procedimento.
O maior problema surge no rito comum: que não tem nome para as ações.
Assim, na prática, os profissionais criam os nomes para os preâmbulos das
peças iniciais tomando por base o objeto da causa.
Essa “invenção” de nome é desnecessária (nem se diga que também é
desvinculada da técnica). Nesses casos, para o procedimento comum, bastaria
que o autor indicasse: “vem, por seu advogado, propor AÇÃO DE
CONHECIMENTO PELO PROCEDIMENTO COMUM” ou
simplesmente AÇÃO PELO PROCEDIMENTO COMUM (que deixa
implícito tratar-se de conhecimento).
O nome da ação tem relevância no preâmbulo apenas para que o
magistrado, desde logo, saiba definir o próximo passo a tomar em relação ao
curso procedimental. Nada muda para o juízo de admissibilidade da inicial
constar em seu preâmbulo se o pedido da causa é cobrança ou indenização.
Interessa ao juiz saber de plano se a ação é de conhecimento ou execução,
bem como o rito escolhido pelo autor, com a finalidade de determinar que o
réu (ou executado) seja citado para a prática das especificidades do
procedimento. Nomes que não existem tecnicamente foram sendo criados na
prática: “ação ordinária”, “ação de indenização”, “ação anulatória” etc. (o
pedido ou o rito foram considerados como nomes paras as ações), sem
utilidade para o curso da ação.
Atualmente, a prática faz o mais complexo (inventando nomes para as
ações), enquanto a processualística busca a simplificação para a garantia da
eficiência na oferta da tutela jurisdicional. Inadmissível imaginar que
magistrados determinam o aditamento de uma inicial para constar o nome da
ação correto, simplesmente para distinguir cobrança de indenização, ou
obrigação de entrega de coisa e obrigação de dar, ou coisas semelhantes.
Nada disso tem fundamento na técnica processual.
Precisamos olhar a prática com mais técnica e evitar a institucionalização
de solenidades inúteis e que não geram resultado na busca de um processo
civil destinado à resolução eficiente dos conflitos.
Portanto, sugerimos que sejam utilizados os seguintes nomes no preâmbulo
da petição inicial:
AÇÃO DE CONHECIMENTO PELO PROCEDIMENTO
PROCEDIMENTO COMUM COMUM ou simplesmente AÇÃO PELO
PROCEDIMENTO COMUM

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO (art. 539


do CPC)
PROCEDIMENTO ESPECIAL
AÇÃO DE EXIGIR CONTAS (art. 550 do CPC)
OU LEGISLAÇÃO
AÇAO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE (art. 560 do
EXTRAVAGANTE
CPC)
O nome determinado na
AÇÃO POPULAR (Lei n. 4.717/65)
legislação
AÇÃO CIVIL PÚBLICA (Lei n. 7.347/85)
MANDADO DE SEGURANÇA (Lei n. 12.016/2009)

Abaixo, apresentamos quadro sinótico com as ações e ritos


(procedimentos) constantes no Código de Processo Civil:
3. Requisitos da petição inicial
A petição inicial deve cumprir os requisitos do art. 319 do Código de
Processo Civil para ser admitida, pois a ausência de cumprimento dos
requisitos gera o seu indeferimento e extinção do processo sem resolução do
mérito. São requisitos da petição inicial:

ANÁLISE DO ART. 319 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Art. 319. A petição inicial indicará:

I – o juízo a que é dirigida; ENDEREÇAMENTO

II – os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a


profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no
QUALIFICAÇÃO
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio
e a residência do autor e do réu;

DOS FATOS e DO
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;
DIREITO

IV – o pedido com as suas especificações; PEDIDO

V – o valor da causa; VALOR DA CAUSA

VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos


PROVAS
alegados;

INTERESSE OU
VII – a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação
DESINTERESSE DE
ou de mediação.
AUDIÊNCIA

Conforme veremos abaixo, a estrutura da petição inicial está toda no art.


319 do CPC e se ausente qualquer uma destas informações, o juiz
determinará a emenda a fim de que fiquem preenchidos os requisitos da
petição inicial.
Passamos agora a analisar de maneira detalhada cada um dos requisitos.

3.1. Endereçamento (art. 319, I, do CPC)


O endereçamento consiste na indicação do órgão judiciário que apreciará a
petição inicial (juiz ou tribunal). É nesse momento que o autor deve atentar-
se às regras de competência e endereçar a petição inicial para o juízo
competente.
Conforme já estudado em capítulo próprio, existem critérios de
competência que devem ser observados pelo autor, assim, de forma resumida,
o examinando deverá percorrer o seguinte caminho para encontrar a
competência adequada para o caso:
1) competência internacional ou da jurisdição brasileira (a ser identificada
no CPC);
2) competência da Justiça Comum ou especializada (a ser identificada na
Constituição Federal);
3) competência da Justiça Federal ou da Justiça dos Estados ou do Distrito
Federal (a ser identificada na Constituição Federal);
4) competência de foro (a ser identificada no CPC);
5) vara especializada (a ser identificada no CPC e legislação especial).

Atenção: FORO: para fazer referência à competência territorial (por exemplo, Foro da
Comarca da Capital, Foro da Subseção Judiciária de Santos etc.).
VARA OU JUÍZO: termo utilizado para expressar competência objetiva (por exemplo, vara de
família, vara cível etc.).
FÓRUM: termo que significa o prédio no qual está instalado o órgão jurisdicional. Assim, fórum
nunca poderá ser usado para indicação de competência na petição inicial ou em qualquer outra
petição incidental.
O endereçamento sempre será indicado na parte inicial superior da petição,
de preferência com letras maiúsculas e sem abreviaturas, no seguinte
formato:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CÍVEL DA


COMARCA DE …

Podemos, ainda, citar os seguintes exemplos de endereçamento:


Para a Justiça Federal:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ...
VARA CÍVEL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DA CAPITAL DE SÃO
PAULO.
Para varas especializadas da Justiça Estadual:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE LIMEIRA.
Para localidades em que houver juízos regionais:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA CÍVEL DO FORO REGIONAL DE VILA MIMOSA DA
COMARCA DE CAMPINAS.
Para localidades em que houver juízos distritais:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ...
VARA CÍVEL DO FORO DISTRITAL DE MACAUBAL DA
COMARCA DE MONTE APRAZÍVEL.
Para o Tribunal de Justiça do Estado:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO
...
Para o Tribunal Regional Federal:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DEMBARGADOR
FEDERAL PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL
FEDERAL DA ... (número) REGIÃO.
Para o Superior Tribunal de Justiça:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO
PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
Para o Supremo Tribunal Federal:
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO
PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

3.2. Qualificação (art. 319, II, do CPC)


O requisito de qualificação das partes consiste na identificação da figura do
autor e do réu no processo. Para a correta identificação, o art. 319, II, do
Código de Processo Civil estabelece que a petição inicial contenha as
seguintes informações: os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de
união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas
Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o
domicílio e a residência do autor e do réu.
É normal na prática o autor não dispor de todas as informações e nessa
ocasião poderá requerer ao juiz que realize diligências para obtenção dos
dados faltantes, conforme determina o art. 319, § 2º,do Código de Processo
Civil.
Realizada a qualificação do autor, sugerimos que o examinando, na
sequência, já inclua que ele está representado por advogado, a fim de dar
cumprimento ao disposto no art. 77, V, do Código de Processo Civil.
Portanto, logo após finalizar a qualificação do autor, acrescentar as seguintes
informações: “representado por seu advogado, que recebe intimações no
endereço ...., (procuração anexa)”.
Abaixo apresentamos alguns modelos de qualificação do autor
representado por advogado:

a) Pessoa natural
JOSÉ SILVA, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço
eletrônico ..., com endereço na Rua ...., vem por meio do seu advogado,
com endereço profissional na Rua ...., onde recebe intimações
(procuração anexa).

b) Pessoa jurídica de direito privado


MAISON COMÉRCIO, pessoa jurídica de direito privado, com sede na
Rua ..., inscrita no CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico ..., representada
por seu administrador ..., estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n.
..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...., conforme contrato
social anexo, representado por seu advogado, que recebe intimações no
endereço .... (procuração anexa) (a referência “contrato social” deverá ser
utilizada se a pessoa jurídica for sociedade limitada. Tratando-se de
sociedade anônima, deve-se utilizar a expressão “representada por seu
Diretor ... (qualificação como da pessoa natural), conforme seu estatuto
social”).

c) Pessoa jurídica de direito público


MUNICÍPIO DE MACAUBAL, pessoa jurídica de direito público, com
endereço na Rua..., inscrito no CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico ...,
representado por seu procurador ..., estado civil ..., profissão ..., inscrito
no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ....

d) Empresário individual
FERNANDO ARMANDO CARDOSO, empresário individual, com
inscrição no CNPJ sob o n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na
Rua ..., representado por seu advogado, que recebe intimações no
endereço .... (procuração anexa).
e) Incapaz
JOEL FERNANDES, incapaz, neste ato representado por ..., estado civil
..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com
endereço na Rua ...., representado por seu advogado, que recebe
intimações no endereço .... (procuração anexa).

f) Condomínio
CONDOMÍNIO REAL, com endereço na Rua..., inscrito no CNPJ sob n.
..., endereço eletrônico ..., representado por seu síndico ..., estado civil ...,
profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço
na Rua ...., conforme ata de assembleia anexa, representado por seu
advogado, que recebe intimações no endereço .... (procuração anexa).
g) Fundação
FUNDAÇÃO CASA LEGAL, pessoa jurídica de direito privado, com
endereço na Rua..., inscrita no CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico ...,
representada por seu administrador ..., estado civil ..., profissão ...,
inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ....,
conforme contrato social anexo, representada por seu advogado, que
recebe intimações no endereço .... (procuração anexa).
h) Associação
ASSOCIAÇÃO CASA MAIS, pessoa jurídica de direito privado, com
endereço na Rua..., inscrita no CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico ...,
representada por seu administrador ..., estado civil ..., profissão ...,
inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ....,
conforme contrato social anexo, representada por seu advogado, que
recebe intimações no endereço .... (procuração anexa).

i) Espólio
ESPÓLIO DOS BENS DEIXADOS POR MANOEL FERNANDES, neste
ato representado por seu inventariante ..., estado civil ..., profissão ...,
inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ....,
conforme termo de compromisso de inventariante, representado por seu
advogado, que recebe intimações no endereço .... (procuração anexa).
j) Massa Falida
MASSA FALIDA DA EMPRESA ..., neste ato representada por seu
administrador judicial ..., estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n.
..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...., conforme termo de
compromisso anexo, representada por seu advogado, que recebe
intimações no endereço .... (procuração anexa).

3.3. Fatos e fundamentos jurídicos (art. 319, III, do CPC)


Finalizada a qualificação das partes, deverá o autor expor os fatos que
constituem o seu direito. Dessa maneira, a petição inicial deverá conter uma
síntese do problema trazido no enunciado, a qual sugerimos abordar em
apenas três parágrafos.
A narrativa fática tratada na petição inicial deverá apontar: relação jurídica
das partes; causa do litígio e consequência.

DOS FATOS

Descrever a relação jurídica fática mantida entre as partes, isto é, qual a relação
Relação
existente que une as partes, por exemplo, compra de produto em loja de
jurídica das
eletrodomésticos (as partes firmaram relação de consumo), ou com elas foi
partes
concomitante.

Causa do O motivo pelo qual surgiu a lide entre a partes. O que causou o problema jurídico,
litígio por exemplo, o produto adquirido na loja pegou fogo após 3 dias.

A solução jurídica a ser tomada decorrente da causa do litígio, por exemplo, em


Consequência
razão do produto pegar fogo e queimar a autora, surge o direito de pleitear
jurídica
indenização por danos materiais e estéticos.
Modelo de elaboração do capítulo dos fatos:
A autora, na data de 2 de julho do presente ano, foi vítima de acidente na
via pública, em razão de não constar sinalização em local com pavimentação
irregular, cuja responsabilidade de assegurar a boa sinalização da via era do
agente público Josué Cunha.
Em decorrência do acidente, a autora teve diversas escoriações nas mãos e
rosto, sendo encaminhada para o hospital logo após o acidente,
permanecendo internada por 14 dias.
Assim, em razão da responsabilidade da administração pelas vias públicas,
cabível a presente ação judicial para pleitear o pagamento de indenização por
danos materiais, estéticos e morais.

3.4. Fundamentos jurídicos (DO DIREITO)


Os fundamentos jurídicos consistem na indicação da fundamentação legal
(artigo de lei) e consequência jurídica decorrente dos fatos relacionados na
petição inicial.

Importante:
• Fundamentos jurídicos: fatos e consequência jurídica.
• Fundamentação legal: artigo de lei material ou processual e súmulas.

No capítulo DO DIREITO da petição inicial, referente aos fundamentos


jurídicos, sugerimos a transcrição dos artigos de leis e súmulas mais
importantes para o caso, por exemplo:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.
No Exame de Ordem, a fundamentação jurídica tem grande relevância no
momento da correção, pois demonstra se o candidato tem articulação e
capacidade de raciocínio lógico-jurídico. Por isso, sugerimos que o
candidato, ao expor as teses que entender cabíveis, justifique-as ou
corrobore-as com a citação ou transcrições dos dispositivos legais e súmulas
pertinentes, a fim de enriquecer a fundamentação.

3.5. Pedido (art. 319, IV, do CPC)


O pedido representa a espécie e os efeitos práticos de tutela jurisdicional
pretendidos pelo autor. No processo de conhecimento, o pedido deverá ser
composto de duas partes:
• Pedido imediato: equivale à espécie de provimento jurisdicional
esperada pelo autor, ou seja, condenação, declaração ou constituição
(constituição ou desconstituição).
• Pedido mediato: representa os efeitos práticos da tutela.
Por exemplo:

Lembre-se:

Pedido imediato
Pedido mediato
(processo de conhecimento)

• Condenação (para obtenção de uma


obrigação).
• Declaração (para obtenção da
manifestação acerca da existência de uma Efeitos práticos, por exemplo: o valor, a obrigação
relação jurídica ou obrigação). de fazer ou não fazer, a entrega da coisa, o
conteúdo da declaração etc.
• Constituição: positiva ou negativa (para
criar, modificar ou extinguir uma relação
jurídica ou obrigação).

Conforme os arts. 322 e 324 do Código de Processo Civil, o pedido será


certo (explícito) e determinado (delimitado), todavia, conforme o art. 327, §
1º, do Código de Processo Civil, é possível ao autor acumular pedidos, desde
que eles sejam compatíveis entre si, os procedimentos sejam adequados a
todos e o juiz seja competente para conhecê-los.

CUMULAÇÃO DE PEDIDOS

Autor formula dois ou mais pedidos e deseja todos eles. Exemplo: danos materiais e
Simples
morais.

Autor formula dois ou mais pedidos, mas deseja somente um deles, sem ordem de
Alternativo
preferência. Exemplo: a casa ou o carro.

Autor formula dois ou mais pedidos e deseja somente um deles, mas tem preferência.
Subsidiário
Exemplo: a casa e, subsidiariamente, não sendo possível, então o carro.

Autor formula dois ou mais pedidos, mas os subsequentes dependem da concessão


Sucessivo do primeiro pedido. Exemplo: investigação de paternidade cumulada com alimentos
(o autor somente terá direito a alimentos se for positiva a paternidade).

Verificados os tipos de pedido e a forma técnica como devem ser


elaborados (pedido imediato + mediato), importa esclarecer que, se a petição
inicial estiver acompanhada de pedido de tutela provisória de urgência ou
evidência, deverá constar na primeira posição da relação dos pedidos a
concessão da tutela provisória de urgência ou evidência, na sequência o
pedido principal e depois a condenação do réu ao pagamento de honorários
advocatícios e custas judiciais.
Modelo de pedido com existência de tutela provisória:
Em face do exposto, é a presente para requerer:
a) a concessão da tutela provisória de urgência antecipada para o fim de
determinar que a ré forneça todos os medicamentos necessários para a autora
durante o tratamento médico;
b) a procedência do pedido para condenar a ré a pagar a autora indenização
por danos materiais e estéticos no valor de R$ 100.000.00, confirmando-se a
tutela provisória de urgência antecipada;
c) a condenação do réu ao pagamento de honorários advocatícios e custas
processuais.

3.6. Requerimentos
No mesmo capítulo DO PEDIDO também deverá o autor realizar
requerimentos ao juiz, como produção de provas, citação do réu etc. Assim,
temos os requerimentos obrigatórios e os facultativos que dependerão do caso
concreto.
• Requerimentos obrigatórios:
a) citação do réu: não consta como requisito do art. 319 do Código de
Processo Civil, isso porque a regra é que o juiz ao realizar o juízo de
admissibilidade designe a audiência de conciliação/mediação na qual o autor
indicará se possui ou não interesse na própria petição inicial.
Assim, o examinando deverá se atentar às informações do enunciado, pois
havendo informações de que induza a necessidade de citação para
oferecimento de contestação, por exemplo, os casos em que não se admite
autocomposição, o autor deverá requerer a citação, nos termos dos arts. 246 e
s. do Código de Processo Civil.
b) custas judiciais: não sendo caso de requerimento de gratuidade da
justiça, o autor deverá formular requerimento de juntada das custas judiciais:
“requer a juntada das custas judiciais devidamente recolhidas”.
c) opção ou não pela realização de audiência inicial: o autor deverá
indicar na petição inicial o interesse ou desinteresse na audiência de
conciliação ou mediação: “o autor informa o interesse/desinteresse na
realização da audiência de conciliação”.
d) produção de provas: “o autor requer a produção de todos os meios de
prova em direito admitidos”.

Já caiu
Se o enunciado trouxer informações de que seja necessária a produção de meio de prova específico,
não basta o pedido genérico, deverá o examinando especificar o meio de prova evidenciado no
enunciado, por exemplo: “o autor requer a produção de todos os meios de prova em direito
admitidos, especialmente a prova testemunhal e pericial”.

Lembre-se:
Não haverá necessidade de requerimento de provas nos seguintes casos:
i) Mandado de segurança (a prova já é pré-constituída);
ii) Processo de execução (a parte possui título executivo);
iii) Ação monitória (a parte possui prova escrita).
• Requerimentos facultativos
a) Gratuidade da justiça: se o enunciado trouxer elementos de que a parte
preenche os requisitos para concessão dos benefícios da gratuidade da justiça
(arts. 98 e 99 do CPC), deverá ser realizado o pedido de concessão da
gratuidade da justiça em vez de pedido da juntada da guia de custas.
b) Prioridade de tramitação: idosos, pessoas com doença grave e
processos do ECA (art. 1.048, I e II, do CPC) têm prioridade de tramitação,
assim, se for o caso, o autor deverá requerer a prioridade de tramitação do
processo.
c) Intimação do Ministério Público: nos casos previstos no art. 178 do
Código de Processo Civil e outros previstos nas legislações especiais, a
participação do Ministério Público no processo como fiscal da lei é
obrigatória, assim, se for o caso de intervenção do Ministério Público por
expressa disposição legal, o autor deverá realizar requerimento para esse fim,
por exemplo: “requer a intimação do Ministério Público, nos termos do art.
178, II, do CPC”.

3.7. Valor da causa


A regra geral estabelecida no Código de Processo Civil, nos arts. 291 e
292, é no sentido de que o valor da causa corresponderá à vantagem
econômica almejada na demanda, ainda que a causa não tenha conteúdo
econômico direto.
Assim, podemos dizer que o valor da causa será certo, quando a pretensão
tiver conteúdo econômico direto (por exemplo, em uma ação em que se
pretende o recebimento de quantia determinada), ou estimado, quando o
pedido não tiver conteúdo econômico imediato (por exemplo, em uma ação
de investigação de paternidade, anulação de casamento etc.).
Além disso, determina o art. 292 do Código de Processo Civil:

VALOR DA CAUSA

VALOR DA CAUSA

soma monetariamente corrigida do principal, dos juros


cobrança de dívida de mora vencidos e de outras penalidades, se houver,
até a data de propositura da ação

cumulação de pedidos soma dos valores de todos eles

pedidos alternativos o valor da causa será o maior

pedido subsidiário o valor será o do pedido principal

a existência, a validade, o cumprimento,


a modificação, a resolução, a resilição ou o valor do ato ou de sua parte controvertida
a rescisão de ato jurídico

ação de alimentos soma de doze prestações mensais, pedidas pelo autor


ação de divisão, de demarcação e de o valor da causa será o da avaliação da área ou do bem
reivindicação objeto do pedido

ação indenizatória, inclusive a fundada


o valor pretendido
em dano moral

ações em que se pedirem prestações


o valor de umas e outras
vencidas e vincendas

3.8. Encerramento da peça


Finalizada a petição inicial com o cumprimento de todos os requisitos do
art. 329 do Código de Processo Civil, caberá ao examinando encerrar sua
peça processual, lembrando que não poderá fazer nenhum tipo de
identificação sob pena de ter a prova zerada. Assim, o examinando deverá
encerrar a peça da seguinte maneira:
Termos em que
pede deferimento.
Local e data ...
Advogado ...
OAB n. ...
Estrutura básica da petição inicial:

ENDEREÇAMENTO

Competência Arts. 46 a 53 do CPC

PREÂMBULO

Autor
Réu
Partes Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com
endereço na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

AÇÃO DE CONHECIMENTO PELO PROCEDIMENTO COMUM


COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA
ANTECIPADA
Nome da ação
Poderá o examinando nomear a ação de acordo com o pedido:
INDENIZATÓRIA, COBRANÇA, ANULATÓRIA etc. Apesar de não ser
tecnicamente correto, o Exame da Ordem não atribui nota zero ao
candidato que nomear a ação.

Fundamento legal Arts. 318 e s. do CPC

I) DOS FATOS

Relação: a Administração é responsável por garantir a boa sinalização das vias públicas.
Causa: por negligência da Administração a autora sofreu acidente.
Consequência: direito a reparação a indenização por danos materiais, estéticos e morais.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual.


Fundamento legal Súmulas.
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DA TUTELA PROVISÓRIA

Em casos de urgência, poderá ser requerida tutela provisória de urgência,


Tutela provisória por exemplo, para fornecer medicamentos; tratamento médico.
de urgência Abordar que a concessão da tutela provisória de urgência antecipada não
antecipada: arts. tem perigo de irreversibilidade (art. 300, § 3º, do Código de Processo
294 e/ou 300 do Civil).
CPC Palavras-chaves para concessão da tutela provisória: urgência e risco de
dano e inexistência de perigo de irreversibilidade.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Concessão da tutela provisória de urgência antecipada para ..., nos


termos do arts. 294 e/ou 300 do CPC.
Pedidos b) A procedência do pedido para declarar/condenar/constituir ....,
condenando o réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios,
confirmando-se a tutela provisória de urgência.

c) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de


gratuidade da justiça.
d) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,
especialmente, testemunhal e pericial.
Requerimentos
e) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos
termos do art. 1.048, I, do CPC.
f) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC.
g) O interesse/desinteresse pela audiência de conciliação/mediação.

Valor da Causa Art. 292 do CPC

O pedido de tutela provisória, prioridade de tramitação e intimação do


ATENÇÃO Ministério Público somente deverão constar na peça se o enunciado trouxer
elementos que evidenciem a necessidade de tais requerimentos.
4. Modelo de peça prática de ação de conhecimento pelo procedimento
comum com pedido de tutela provisória de urgência antecipada

Folha 1/5

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE SÃO PAULO

03

04

05

06

07

08 JOSIANE FIDELIX, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF n. ...,

09 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...., vem por meio do seu

10 advogado, com endereço profissional na Rua ...., onde recebe intimações

11 (procuração anexa), com fundamento nos arts. 318 e s. do Código de

12 Processo Civil, propor AÇÃO DE CONHECIMENTO [ou AÇÃO INDENIZA-

13 TÓRIA] PELO PROCEDIMENTO COMUM COM PEDIDO DE TUTELA

14 PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA em face do MUNICÍPIO DE

15 SÃO PAULO, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob n. ....,

16 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., representado por sua

17 Procuradoria, com endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.


18

19 I. DOS FATOS

20

21 A autora, na data de 2 de julho do presente ano, foi vítima de

22 acidente na via pública em razão de não constar sinalização em local com

23 pavimentação irregular, cuja responsabilidade de assegurar a boa sinalização

24 da via era do agente público Josué Cunha.

25 Em decorrência do acidente, a autora teve diversas escoriações nas

26 mãos e rosto, sendo encaminhada para o hospital logo após o acidente,

27 permanecendo internada por 14 dias.

28 Assim, em razão da responsabilidade da administração pelas vias públicas,

29 cabível a presente ação judicial para pleitear o pagamento de indenização

30 por danos materiais, estéticos e morais.

Folha 2/5

31

32 II. DO DIREITO

33

34 O Município, conforme dispõe a Constituição Federal em seu art. 37, §

35 6º, possui responsabilidade objetiva dos danos causados por seus agentes:

36

37 Art. 37 (...)
38 § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado

39 prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus

40 agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito

41 de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

42

43 Assim, considerando o acidente sofrido pela autora, configurada a

44 responsabilidade do Município na modalidade objetiva, devendo reparar

45 os danos causados a consumidora independentemente de culpa.

46 Logo, diante das escoriações na mão e no rosto, cabe ao réu arcar

47 com todos os gastos da autora decorrentes do seu tratamento, razão

48 pela qual impõe a condenação do réu ao pagamento de indenização por

49 danos materiais, estéticos e morais, esclarecendo ser absolutamente

50 possível a cumulação das referidas indenizações, conforme Súmulas 37 e

51 387 do STJ:

52

53 “Súmula 37. São cumuláveis as indenizações por dano material e

54 dano moral oriundos do mesmo fato.

55 Súmula 387. É lícita a cumulação das indenizações de dano estético

56 e dano moral”.

57
58 Cabível, portanto, o pedido da autora para receber indenização por

59 danos materiais, estéticos e morais decorrentes do acidente de consumo

60 por ela sofrido, no valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais).

Folha 3/5

61

62 III. DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA

63

64 Os arts. 294 e 300 do Código de Processo Civil preveem a possibi-

65 lidadede concessão de tutela provisória de urgência antecipada quando

66 presentes os requisitos de probabilidade do direito e o perigo de dano

67 ou risco ao resultado útil do processo.

68 Esse é o caso dos autos. A autora possui o direito de ser indenizada

69 por danos materiais, estéticos e morais, pois sofreu danos decorrentes

70 da ausência de sinalização da via pública mantida pelo Município, e, diante

71 do acidente, o réu responde de forma objetiva, independentemente

72 de culpa.

73 Assim, diante da probabilidade do direito, a autora também preenche

74 o requisito do perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo,

75 tendo em vista que, em razão do acidente, necessita fazer uso contínuo

76 do medicamento XYZ para evitar sequelas dermatológicas e neurológicas

77 decorrentes do acidente sofrido.


78 Ademais, a concessão da tutela provisória de urgência antecipada

79 não tem perigo de irreversibilidade, isso porque, nos termos do art.

80 300, § 3º, do Código de Processo Civil, os valores despendidos podem

81 ser devolvidos.

82 Portanto, presentes os requisitos para concessão da tutela provisória de

83 urgência antecipada, a autora requer, liminarmente, que seja concedida

84 a tutela provisória de urgência antecipada para obrigar o réu a fornecer

85 o medicamento XYZ pelo tempo necessário para o tratamento.

86

87 IV. DO PEDIDO

88

89 Em face do exposto, é a presente para requerer:

90 a) a concessão de tutela provisória de urgência antecipada para que

Folha 4/5

91 seja fornecido o medicamento XYZ, nos termos dos arts. 294

92 e/ou 300 do CPC;

93 b) a procedência do pedido, para condenar o réu ao pagamento de

94 indenização por danos materiais, estéticos e morais no valor de

95 R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), confirmando-se a tutela

96 provisória de urgência antecipada e condenando o réu ao pagamento


97 de honorários e custas processuais;

98 c) a juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

99 gratuidade da justiça;

100 d) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

101 especialmente a produção de prova testemunhal e pericial;

102 e) o interesse/desinteresse na audiência de conciliação, nos termos do

103 art. 319, VII, do CPC;

104 f) a prioridade de tramitação por se tratar de pessoa idosa, conforme

105 o art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

106 g) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

107 CPC (se for o caso).

108

109 Valor da causa: R$ 300.000,00 (trezentos mil reais).

110

111 Termos em que

112 pede deferimento.

113

114 Local e data ...

115

116 Advogado ...


117 OAB n. ...
5. Artigos importantes
Art. 319 do CPC;
Endereçamento: arts. 319, I, e 46 a 53 do CPC;
Preâmbulo: arts. 318, 319, II, e 287 do CPC;
Tutela provisória: arts. 294, 300 e 300, § 3º, ou 311 do CPC;
Pedidos: arts. 319, IV, 85 e 82, § 2º, do CPC;
Requerimentos: arts. 319, VI e VII, 98, 1.048, I, e 178 do CPC;
Valor da causa: 292 do CPC.
6

Contestação

Distribuída a petição inicial, caberá ao juiz realizar o juízo de


admissibilidade, isto é, a análise da presença dos requisitos de
admissibilidade constantes no art. 319 do Código de Processo Civil, bem
como, se for o caso, o julgamento de improcedência liminar do pedido nos
termos do art. 332 do Código de Processo Civil.
Existindo vícios processuais na petição inicial, o juiz determinará que o
autor realize a emenda da petição inicial no prazo de 15 dias, sob pena de
indeferimento. Assim, se emendada, o processo seguirá seu tramite normal.
Se não emendada, a petição inicial será indeferida e o processo será extinto
sem resolução do mérito.
Nos casos de julgamento de improcedência liminar do pedido, antes
mesmo de o juiz determinar a citação do réu, julgará o pedido improcedente,
extinguindo o processo com resolução do mérito.
Assim, presentes todos os requisitos de admissibilidade e não sendo o caso
de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência, ou não sendo
o caso, determinará a citação do réu para oferecer contestação.
Em resumo, a admissibilidade da petição inicial e a abertura do prazo para
oferecer contestação ocorrem da seguinte maneira:
1. Como identificar que a peça é uma contestação
Na prova prática do Exame de Ordem, a elaboração de uma contestação
será viável quando a parte contrária, que não é o seu cliente, já tiver acionado
o Judiciário. O enunciado da questão prático-profissional deixará em
evidência que já existe processo em curso e o réu foi citado para se
manifestar, ou houve a audiência de conciliação ou mediação sem resultar em
acordo, ou houve pedido de cancelamento da audiência inicial.
Portanto, diante de enunciado que narre situação em que o réu deverá
apresentar manifestação após o início do processo, cabe ao examinando
elaborar uma contestação.

Interpretando o problema: quando será uma petição inicial?

O examinando deverá identificar a pessoa que é a parte ré do problema. Identificada


a parte ré, o enunciado lhe remeterá a apresentar a manifestação adequada como
1. Quem é
advogado de ... (parte ré, que foi acionada judicialmente), portanto, esse é o seu
meu
cliente e a manifestação adequada a ser oferecida é a contestação, caso o enunciado
cliente?
deixe claro que o réu apenas apresentará resistência. Caso a parte ré queira mover
pretensão contra o autor, será oferecida contestação com reconvenção.

2. Qual a
fase Fase processual iniciada com poucos atos processuais ocorridos.
processual?

A contestação visa apresentar resistência aos pedidos do autor (defesa), todavia,


3. O que poderá o réu requerer pretensão contra o autor, fazer pedido contra o autor que tenha
ele deseja? relação com a ação judicial já em curso, ocasião em que será possível realizar
também pedido de reconvenção.
2. Prazo para oferecer contestação
A contestação, no procedimento comum, será oferecida no prazo de 15
dias, contudo, seu termo inicial sofre variação, devendo ser analisadas as
várias hipóteses previstas no art. 335 do Código de Processo Civil.

INÍCIO DO PRAZO DE CONTESTAÇÃO

Prazo de 15 dias a contar da DATA DA AUDIÊNCIA (art. 335, I, do CPC).


Caso seja realizada mais de uma audiência de conciliação, o prazo iniciará a partir
Audiência
da última audiência.
infrutífera
Obs.: o prazo na ação popular é de 20 dias, prorrogável por igual período
(art. 7º, IV, da Lei n. 4.717/65).

Se o autor tiver na petição inicial manifestado desinteresse na audiência e o réu


protocolado petição também com desinteresse e requerimento de cancelamento da
Pedido de
audiência, o prazo de 15 dias para contestação começará da data do
cancelamento
PROTOCOLO DA PETIÇÃO (art. 335, II, do CPC). Em caso de litisconsórcio
da audiência
passivo, o termo inicial para apresentação da contestação fluirá para cada um da
data de sua respectiva petição (art. 335, § 1º, do CPC).

Nos demais
Da data da juntada do comprovante citatório etc.
casos

Os demais casos para início do prazo de contestação são os seguintes:

Forma de
Início do prazo
citação

Citação pelo
Data da juntada do aviso de recebimento (AR).
correio

Por oficial de
justiça,
Data da juntada aos autos do mandado cumprido.
inclusive por
hora certa
Por ato do
Quando o réu compareceu ao cartório ou secretaria, isto é, da ocorrência do
escrivão ou
comparecimento.
chefe da
secretaria

Por meio Dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou ao término do prazo para que a
eletrônico consulta se dê.

Por carta (de


Da data da juntada da comunicação (eletrônica) do juízo que a cumpriu aos autos
ordem,
do processo em que a carta foi expedida ou, não havendo comunicação
precatória ou
eletrônica, da data da juntada aos autos de origem da carta cumprida.
rogatória)

Por edital Dia útil seguinte ao fim do prazo de sua duração.

Nas formas de citação previstas no art. 231 do Código de Processo Civil,


havendo mais de um réu, o prazo para contestar inicia-se a partir da
realização do último evento citatório de todos os demais, isto é, em caso de
litisconsórcio passivo com citação pelos correios, o prazo de 15 dias iniciará
com a juntada do último aviso de recebimento (art. 231, § 1º, do Código de
Processo Civil).
Nos procedimentos especiais, poderá haver prazos específicos para
apresentação de defesa.
3. Contestação
A contestação é a peça processual pela qual o réu se defende contra a
pretensão do autor (pedido e causa de pedir). A estrutura da defesa do réu
está baseada em três pilares:
• preliminares (questões processuais);
• mérito (defesa direta ou indireta do pedido do autor); e
• questões incidentais (intervenção de terceiros e reconvenção).

3.1. Preliminares
As preliminares poderão ser dilatórias (buscam apenas sanar o vício
processual e, se não sanado, a extinção do processo) e peremptórias, cujo
objetivo desta última é a extinção do processo sem conceder oportunidade
para qualquer correção de vício.

PRELIMINARES CONSEQUÊNCIA

Art. 337, incisos:


I – inexistência ou nulidade
da citação;
II – incompetência
absoluta e relativa;
III – incorreção do valor da
causa;
VIII – conexão; Correção do vício processual e intimação da parte
Dilatórias IX – incapacidade da parte, para saná-lo e, caso não seja sanado, a extinção do
defeito de representação ou processo sem resolução do mérito.
falta de autorização;
XII – falta de caução ou de
outra prestação que a lei
exige como preliminar;
XIII – indevida concessão
do benefício de gratuidade
de justiça.
Art. 337, incisos:
IV – inépcia da petição
inicial;
V – perempção;
VI – litispendência;
Peremptórias VII – coisa julgada; Extinção do processo sem resolução do mérito.
VIII – conexão;
X – convenção de
arbitragem;
XI – ausência de
legitimidade ou de
interesse processual;

Realizada a divisão inicial das preliminares em dilatórias e peremptórias,


passamos a analisar cada preliminar de forma detalhada:

PRELIMINAR EXPLICAÇÃO

PRELIMINAR EXPLICAÇÃO

Nesse caso, o réu, por meio de seu advogado, vem a juízo para alegar a falta ou
Inexistência ou
nulidade de citação, uma vez que tal ato constitui um pressuposto de existência
nulidade da
e desenvolvimento válido do processo. Se acolhida, a contestação será
citação
tempestiva e se rejeitada, o réu será considerado revel.

Verifica-se quando há inobservância das regras de competência. Será caso de


Incompetência
incompetência absoluta os critérios de competência funcional e objetiva (em
absoluta e
razão da matéria, da pessoa ou da hierarquia) e relativa, a competência
relativa
territorial.

Será incorreto o valor da causa quando ele não representa o valor econômico
Incorreção do
dos pedidos formulados pelo autor ou o valor atribuído à causa não observou as
valor da causa
regras do art. 292 do CPC.

Ocorre quando faltar pedido ou causa de pedir, quando o pedido for


Inépcia da indeterminado, quando da narração dos fatos não decorrer logicamente o
petição inicial pedido, ou quando os pedidos cumulados forem incompatíveis entre si (art.
330, § 1º, do CPC).
Ocorre quando a parte tiver dado causa, por três vezes anteriores, à extinção do
processo, sem julgamento do mérito, em razão de sua inércia (art. 486, §§ 2º e
Perempção 3º, do CPC). Proposta pela quarta vez, o réu poderá alegar que ocorreu a
perempção; consequentemente, a ação deverá ser extinta sem o julgamento do
mérito.

Verifica-se quando a parte repete ação idêntica à outra que se encontra em


Litispendência curso. A ação será considerada idêntica à outra quando tiver as mesmas partes,
a mesma causa de pedir e pedido, conforme estabelece o art. 337, § 2º, do CPC.

Poderá ser alegada se o autor repetir ação idêntica a outra já decidida por
Coisa Julgada
sentença definitiva de mérito, transitada em julgado.

Quando, por identidade de causa de pedir ou objeto do processo, deva haver a


Conexão reunião do processo com outro já em curso, para o fim de que sejam julgados
simultaneamente.

Incapacidade
da parte,
defeito de Quando a parte, por exemplo, não juntou procuração do advogado, contrato
representação social para os casos de empresa etc.
ou falta de
autorização

O réu poderá alegar a existência de cláusula compromissória e/ou compromisso


Convenção de
arbitral que impeça a discussão judicial do litígio (a arbitragem é disciplinada
arbitragem
pela Lei n. 13.129/2015).

Ausência de
Quando o réu alegar não ser parte legítima para figurar no polo passivo
legitimidade ou
(ilegitimidade passiva), incumbe indicar o sujeito passivo da relação jurídica
de interesse
discutida sempre que tiver conhecimento (art. 339, caput, do CPC).
processual

Falta de caução
ou de outra
Hipótese, por exemplo, da ação rescisória que determina o depósito de 5% do
prestação que a
valor da causa como requisito de admissibilidade.
lei exige como
preliminar

Indevida
concessão do
benefício de Caso tenha provas de que a parte não cumpre os requisitos para concessão da
gratuidade de gratuidade da justiça.
justiça

Realizada a explicação das preliminares, importa agora analisar como elas


devem ser redigidas na peça prático-profissional, conforme a seguinte
estrutura:

Localizar a preliminar no art. 337 do CPC.


+
Demonstrar a aplicação da preliminar no caso concreto (fundamentação jurídica).
+
Consequência (extinção para as peremptórias e regularização para as dilatórias).

Importante esclarecer que as preliminares possuem tópico próprio na


petição inicial e que somente existirá o tópico das preliminares na
contestação se existir alguma aplicável ao caso; na inexistência, não deverá
ser aberto tópico das preliminares.
Assim, a título de exemplo, veja como arguir uma preliminar da
modalidade peremptória:
“Preliminarmente, cumpre ressaltar que o réu é parte ilegítima no presente
auto, conforme o art. 337, XI, do Código de Processo Civil, isso porque não
foi o réu que causou o acidente e os danos no carro do autor, conforme
boletim de ocorrência anexo em que constou expressamente que o culpado
pelo acidente foi José Maria Alves.
Assim, em atenção ao art. 339 do Código de Processo Civil, o réu indica
como parte legítima a figurar como réu na ação: José Maria, estado civil ...,
profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na
Rua .....
Desse modo, requer que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade
passiva, requerendo a sua exclusão do polo passivo com a consequente
extinção do processo sem resolução do mérito em relação a ele, condenando-
se o autor ao pagamento de custas e honorários advocatícios”.
Agora, uma preliminar dilatória:
“Preliminarmente, cumpre destacar que este Juízo é absolutamente
incompetente para processar e julgar o objeto dos autos, nos termos do art.
337, II, do Código de Processo Civil, isso porque, conforme se depreende dos
autos, o caso em análise versa sobre direito de família e este juízo possui
competência exclusiva cível.
Assim, diante da incompetência absoluta, requer que seja acolhida a
preliminar de incompetência com a consequente remessa dos autos ao juízo
cível competente, nos termos do art. 64, § 3º, do Código de Processo Civil”.
Ainda sobre as preliminares, alguns pontos importantes merecem destaque:

Já caiu
• O juiz poderá conhecer as preliminares de ofício, exceto a convenção de arbitragem e a
incompetência relativa.
• Ausência de alegação da existência de convenção de arbitragem implica aceitação da jurisdição
estatal e renúncia ao juízo arbitral.
• Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica
discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de
indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.

3.2. Mérito
Além das preliminares, o réu deverá apresentar defesa de mérito, isto é, a
resistência ao pedido do autor. A contestação deve observar dois preceitos
básicos:
• Princípio do ônus da impugnação específica (art. 341 do Código de
Processo Civil): é ônus do réu impugnar os fatos narrados pelo autor, sob
pena de, ao deixar de se manifestar sobre algum deles, ocorrer a presunção
de veracidade, salvo se o fato depender da prova por instrumento público
e o autor deixou de exibir tal documento na petição inicial.

Atenção: O ônus da impugnação específica não se aplica aos membros do Ministério


Público e aos advogados dativos e curadores especiais (art. 72 do Código do Processo Civil), que
podem elaborar contestação por negativa geral, conforme previsão contida no art. 341, parágrafo
único, do Código de Processo Civil.

• Eventualidade (art. 336 do Código de Processo Civil): toda a matéria de


defesa deverá ser arguida no momento da defesa.
O mérito é a fundamentação jurídica do réu para afastar a pretensão do
autor. Poderá o réu negar as alegações do autor (defesa direta), bem como
apresentar fatos modificativos, extintivos e impeditivos (defesa indireta). Por
meio do mérito o réu objetivará a improcedência do pedido do autor.

Atenção: Na ação de desapropriação, a contestação somente poderá abordar o valor da


indenização, vícios processuais ou direito de extensão (art. 20 do Decreto-lei n. 3.365/41).

3.3. Questões incidentais


Após o mérito e antes do pedido, poderá o réu abordar ainda em capítulos
específicos questões incidentais, isto é, eventual intervenção de terceiros
(chamamento ao processo e denunciação da lide) ou reconvenção.

3.3.1. Intervenção de terceiros


Duas são as modalidades de intervenção de terceiros que o réu poderá
arguir na sua contestação, quais sejam: denunciação da lide e chamamento ao
processo.
• Denunciação da lide: é marcada pela figura do garantidor. Prevista no
art. 125 do Código de Processo Civil, a denunciação da lide permite que o
réu traga terceiro ao processo em decorrência de lei, contrato ou evicção
para que, na hipótese de o réu ser condenado, o juiz já analise a
responsabilidade do denunciado (terceiro) de responder de forma
regressiva (reparar os prejuízos do réu decorrentes da condenação).
Confira abaixo modelo de denunciação da lide:
“A empresa Ré celebrou com a Cia. de Seguros apólice para cobertura de
eventos lesivos aos seus consumidores, conforme corrobora o documento
acostado (doc. 2).
Com efeito, caso a Ré seja condenada a pagar qualquer quantia ao Autor, o
que se admite apenas para argumentar, terá o direito de ser restituída
integralmente, nos termos do referido contrato, de todos os valores que
houver de pagar. A apólice juntada demonstra que a Seguradora é garantidora
da Ré nas indenizações devidas aos consumidores da loja.
Portanto, nos termos do art. 125, II, do Código de Processo Civil, a Ré
denuncia à lide a Cia. de Seguros, para que, caso seja condenada a pagar
indenização ao Autor, na mesma sentença, fique consignada a obrigação da
denunciada ao pagamento regressivo à Ré”.
• Chamamento ao processo: é marcada pela obrigação solidária. Prevista
no art. 130 do Código de Processo Civil, permite que o réu traga ao
processo os demais coobrigados, fiadores ou o devedor principal para
responderem em igualdade de condições.
Modelo de chamamento ao processo:
“Com fundamento no art. 130, III, do Código de Processo Civil, o autor
requer que o coobrigado JOÃO, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF
n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., seja chamado aos
autos.
Com efeito, conforme se verifica do contrato anexo, JOÃO também é
responsável pela obrigação, eis que constou no referido contrato como
devedor solidário em caso de inadimplência.
Portanto, o réu requer a citação do coobrigado JOÃO, no endereço ..., para
que querendo responda a presente ação judicial”.

3.3.2. Reconvenção
A reconvenção é a medida processual que possibilita ao réu manifestar
pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da
defesa (art. 343 do Código de Processo Civil).
A reconvenção é a ação do réu em face do autor que será realizada dentro
da própria contestação, podendo o réu propor a reconvenção
independentemente de oferecer contestação (art. 343, § 6º, do Código de
Processo Civil).
A reconvenção deve ser apresentada na própria contestação (na mesma
peça), todavia, caso o réu não apresente contestação, poderá apenas reconvir
mediante peça autônoma, portanto, a propositura de reconvenção não
depende de contestação.
Assim, para os modelos:

RECONVENÇÃO

Contestação + Peça única (o réu apresenta sua pretensão dentro da defesa, poderá abrir um
Reconvenção capítulo na peça e, ao final, atribuirá valor da causa à reconvenção).

Reconvenção Modelo de petição inicial. Distribuição por dependência.

Presente pedido reconvencional, o autor será intimado, na pessoa do seu


advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 dias, conforme o art. 343,
§ 1º, do Código de Processo Civil.
Atenção: Em algumas situações não cabe reconvenção e sim pedido contraposto, a
saber: ações possessórias (arts. 554 e s. do CPC); ação de exigir contas (arts. 550 e s. do CPC) e
ações do juizado especial cível (Lei n. 9.099/95). O pedido contraposto será um tópico na
contestação após o mérito.

Estrutura básica da contestação com reconvenção:

ENDEREÇAMENTO

Competência Juízo da ação principal

PREÂMBULO

Réu e autor
Desnecessidade de qualificação completa, pois a parte já foi qualificada na
Partes inicial.
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação oferecer CONTESTAÇÃO e propor RECONVENÇÃO

Fundamento
Arts. 336 e s. e 343 do CPC
legal

I) BREVE SÍNTESE DOS FATOS

Resumir os fatos alegados pelo autor.


Apontar brevemente a versão do réu.
Concluir pela improcedência do pedido do autor.

II) DAS PRELIMINARES

Localizar a preliminar no art. 337 do CPC


Fundamento +
legal (art. 337, Demonstrar a aplicação da preliminar no caso concreto (fundamentação
I a XIII, do jurídica)
CPC) +
Consequência (extinção do processo sem resolução do mérito ou regularização)
III) DO MÉRITO

Artigos de lei de direito material e processual.


Fundamento
Súmulas.
legal
Transcrever artigos mais importantes.

IV) INTERVENÇÃO DE TERCEIROS

Fundamento Denunciação da lide (arts. 125 e s. do CPC)


legal Chamamento ao processo (art. 130 do CPC)

V) RECONVENÇÃO

Art. 343 do CPC.


Fundamento
Abordar que o pedido reconvencional é conexo ao pedido da ação principal ou
legal
com o fundamento da defesa.

VI) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) O acolhimento da preliminar de ...., nos termos do art. 337, inciso ...., do


CPC, para o fim de extinguir o processo sem resolução do mérito ou determinar
a regularização.
b) No mérito, que seja julgado improcedente o pedido formulado pelo autor, em
Pedidos razão de ..., condenando-se o autor ao pagamento de custas e honorários
advocatícios.
c) A procedência do pedido da reconvenção para condenar/declarar/constituir
...., condenando-se o autor reconvindo ao pagamento de honorários e custas
judiciais, quanto ao pedido da reconvenção (se for o caso).

d) A citação do terceiro para apresentar contestação (caso tenha situação de


intervenção de terceiros).
e) A intimação do autor, na pessoa do seu advogado, para apresentar resposta a
reconvenção, no prazo de 15 dias, nos termos do art. 343, § 1º, do CPC (se for o
caso).
Requerimentos f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.
g) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas quanto ao pedido
reconvencional (se for o caso).
Por fim, atribui a reconvenção o valor da causa de R$ ... (art. 292 do CPC) (se
for o caso).
3.3.2.1. Modelo de peça prática de contestação com reconvenção

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL/FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE...

03

04

05

06

07

08 NOME DO RÉU, já qualificado nos autos, vem por meio do seu

09 advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe intimações

10 (procuração anexa), com fundamento nos arts. 336 e s. e 343 do

11 Código de Processo Civil, oferecer CONTESTAÇÃO e propor RECONVENÇÃO

12 em face de NOME DO AUTOR, também já qualificado nos autos,

13 conforme motivos abaixo expostos.

14

15 I. BREVE SÍNTESE DO PROCESSO

16

17 Descrever a síntese dos fatos apresentados no enunciado.


18

19 II. PRELIMINARMENTE: INCOMPETÊNCIA RELATIVA

20

21 Hipóteses previstas no art. 337 do CPC.

22

23 III. DO MÉRITO

24

25 Rebater as teses apresentadas no enunciado, apontar novas teses,

26 incluindo a prescrição.

27 O ideal é seguir a lógica argumentativa (premissa maior para premissa

28 menor): primeiro – violação a princípios; segundo – fundamentos

29 constitucionais; terceiro – fundamentos infraconstitucionais; quarto –

30 fundamentos jurisprudenciais e doutrinários.

Folha 2/3

31

32 IV. DA RECONVENÇÃO

33

34 O art. 343 do Código de Processo Civil dispõe que é lícito ao réu

35 propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com

36 a ação principal ou com o fundamento da defesa.

37 Descrever caso concreto.


38

39 V. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

40

41 Em face do exposto, é a presente para requerer:

42 a) o acolhimento da preliminar para correção ou extinção do feito

43 sem julgamento do mérito;

44 b) no mérito, que seja julgado improcedente o pedido formulado pelo

45 autor, condenando-se o autor ao pagamento de custas e honorários

46 advocatícios;

47 c) a procedência do pedido da reconvenção para condenar o autor ...,

48 condenando-se o autor reconvindo ao pagamento de honorários e

49 custas judiciais, quanto ao pedido da reconvenção;

50 d) a intimação do autor reconvindo, na pessoa do seu advogado, para

51 apresentar resposta à reconvenção, no prazo de 15 dias, nos ter-

52 mos do art. 343, § 1º, do Código de Processo Civil;

53 e) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

54 especialmente testemunhal e pericial;

55 f) a juntada da guia de custas devidamente recolhidas quanto ao

56 pedido reconvencional.

57
58 Por fim, atribui a reconvenção o valor da causa de R$ ...

59

60 Termos em que

Folha 3/3

61 pede deferimento.

62

63 Local e data ...

64

65 Advogado ...

66 OAB n. ...
7

Razões Finais

1. Noções gerais
As razões finais consistem em uma peça processual apresentada pelas
partes antes do juiz proferir a sentença. Em regra, é realizada na própria
audiência de instrução, trata-se do debate oral, no entanto, havendo
complexidade da matéria, nos termos do que dispõe o § 2º do art. 364 do
CPC28, o debate oral será substituído pela forma escrita, dando origem,
assim, à peça processual nominada de razões finais.
Dessa forma, após a audiência de instrução, pode ser que o juiz determine a
apresentação de razões finais, peça processual, que pode ser apresentada por
ambas as partes, no prazo sucessivo de 15 dias (os primeiros 15 dias para o
autor e, na sequência, 15 dias para o réu).
As razões finais consistem na última oportunidade de a parte falar no
processo antes da sentença. Seu objetivo é chamar a atenção do juiz para tudo
de importante que aconteceu durante o trâmite processual, destacando, por
exemplo, as provas produzidas, eventuais confissões etc. É a chance que a
parte tem de ressaltar as provas que foram produzidas e que corroboram suas
alegações, apontando para a procedência ou improcedência do pedido.
No entanto, em nenhuma hipótese as partes poderão fazer uso das razões
finais para deduzir novo pedido. As razões finais buscam enfatizar os pontos
favoráveis de cada parte no processo e que influenciarão no julgamento da
causa.
É interessante sintetizar na peça a argumentação apresentada na petição
inicial ou nas alegações da contestação, bem como as provas produzidas
(além de outros fatos relevantes), inclusive transcrevendo trechos de
depoimentos. A fim de deixar a peça esteticamente mais apresentável,
sugerimos a divisão em capítulos.
Estrutura básica das razões finais

ENDEREÇAMENTO

Competência Será sempre perante o juízo pelo qual tramita o processo.

PREÂMBULO

Considerando que a ação já foi distribuída, devemos incluir o número do processo


Processo n.
entre o endereçamento e o início do preâmbulo.

Tratamento: autor e réu. Quanto à qualificação, não é necessário deduzir a


Partes
qualificação completa, basta a inserção da expressão “já qualificado”.

Nome da
Razões Finais
Ação

Fundamento
Art. 364, § 2º, do CPC.
Legal

I) BREVE SÍNTESE DO PROCESSO

Breve relato da ação proposta e dos principais incidentes processuais ocorridos. Narrar fatos
apresentados pelo autor na petição inicial e o pedido deduzido.
Expor a defesa de mérito apresentada pelo réu.

II) DO DIREITO E DAS PROVAS PRODUZIDAS

Elencar detalhadamente as provas que foram produzidas nos autos e associar com as teses da inicial
ou da defesa (fazer menção a documentos acostados aos autos, transcrever depoimentos das
testemunhas e das partes, transcrever conclusões da prova pericial, reiterando a argumentação
aduzida e demonstrando que esta foi comprovada).
Apontar eventuais confissões e impugnar as provas produzidas pela parte contrária.
III) CONCLUSÃO E PEDIDOS

Pleitear pela procedência ou improcedência dos pedidos, nos termos da petição inicial ou da
contestação.
2. Modelo de peça de razões finais

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE OSASCO

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10

11 MARIANA FERNANDES, já devidamente qualificada nos autos da ação

12 pelo procedimento comum, de número em epígrafe, que move em face

13 de ROMEU DIAS, por seu advogado signatário, vem, respeitosamente,

14 perante Vossa Excelência, com fundamento no art. 364, § 2º, do CPC,

15 apresentar RAZÕES FINAIS, nos seguintes termos:

16

17 I. BREVE SÍNTESE DO PROCESSO

18
19 A Autora ajuizou a presente ação pleiteando a condenação do Réu ao

20 pagamento de indenização por danos materiais, morais e estéticos, em

21 decorrência de acidente de trânsito ocorrido em Osasco, em dezembro

22 de 2016, por ter sido atropelada, quando atravessava na faixa de

23 pedestres, pelo Réu que atravessou o sinal vermelho.

24 O Réu apresentou contestação alegando, em síntese, falta de sinalização

25 adequada.

26 Na audiência de instrução foram ouvidos [especificar as testemunhas de

27 acordo com o enunciado], que corroboraram com as alegações da Autora,

28 afirmando [transcrever trechos dos depoimentos das testemunhas, de

29 acordo com o enunciado].

30

Folha 2/3

31 II. DO DIREITO E DAS PROVAS PRODUZIDAS

32

33 O pedido da presente ação indenizatória deverá ser julgado totalmente

34 procedente, já que dúvida alguma restou nos autos, após a produção de

35 prova testemunhal, de que a Autora sofreu danos morais, danos materiais

36 e dano estético apontados na petição inicial.

37 Isso evidencia e torna mesmo inegável que os fatos se deram tal como
38 descritos na inicial, principalmente com base nos depoimentos claros e

39 objetivos da testemunha [...], comprovando que a Autora foi vítima de

40 um atropelamento, no momento em que atravessava a faixa de pedestres,

41 cujo sinal estava fechado para o Réu e consequentemente aberto para a

42 Autora, tendo sido arremessada ao solo devido ao impacto, machucando

43 não somente o quadril, bem como o joelho direito. Isso deixa claro a

44 existência de dano resultante de ato ilícito cometido pelo Réu.

45 Como já exposto, a culpa pelo evento danoso é atribuída apenas e tão

46 somente à inteira imprudência do Réu, tendo em vista a inobservância

47 dos seguintes preceitos dispostos no Regulamento do Código Nacional de

48 Trânsito, nos arts. 175, I, VII, XI e XVI, e 181, IV.

49 Restou provado, durante a instrução do processo, sem sombra de

50 dúvidas, que o Réu agiu com imprudência e, além de atropelar a

51 Autora, ainda foi omisso com relação a prestação dos devidos socorros,

52 ficando apenas estagnado de braços cruzados, conforme confessado por

53 ele em seu depoimento [transcrever depoimento].

54 Quanto às fotos acostadas aos autos pelo Réu, estas não podem ser

55 consideradas, pois não trazem quaisquer especificações técnicas, tais como:

56 a) distância a que foram batidas; b) ângulo; c) data em que o local foi

57 fotografado.

58 Conforme demonstrado na inicial, documentos acostados e depoimento


59 da testemunha [...], a Autora sofreu danos que ultrapassaram o mero

60 aborrecimento, pois além de ter sido atropelada pelo Réu com o sinal

Folha 3/3

61 fechado e na faixa de pedestre, teve que realizar cirurgia no joelho

62 direito, ficando impedida de locomoção e, portanto, de licença médica

63 junto ao INSS, o que gerou grandes transtornos, angústia, estresse, bem

64 como abalo de ordem moral.

65 Resta, portanto, configurada a culpa do Réu, este ser condenado ao

66 pagamento de indenização por dano moral, material e estético.

67

68 III. CONCLUSÃO E PEDIDOS

69

70 Diante de todo o exposto, a Autora pleiteia a total procedência dos

71 pedidos nos termos da inicial e demais manifestações lançadas nos autos.

72

73 Termos em que

74 pede deferimento.

75

76 Local e data ...

77
78 Advogado ...

79 OAB n. ...
8

Emenda de Petição Inicial

1. Noções gerais
A emenda da inicial refere-se ao momento em que o juiz verifica o não
preenchimento dos requisitos da petição inicial, previstos nos arts. 31929 e
32030 do CPC, ou a apresentação de alguma irregularidade processual que
possa obstar o julgamento do mérito e, consequentemente, determinará a sua
correção, conforme art. 321 do CPC:
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320
ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito,
determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com
precisão o que deve ser corrigido ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

Somente após a referida correção, o juiz determinará a citação do réu, caso


contrário, poderá indeferir a petição inicial (parágrafo único do art. 321 do
CPC).
Não confunda Emenda de Petição Inicial com Aditamento da Inicial, que
veremos no próximo capítulo. Entretanto, elaboramos um quadro
comparativo pontuando as distinções entre os institutos:

Emenda da Inicial Aditamento da Inicial


(art. 321 do CPC) (art. 329 do CPC)

O juiz determina a correção. Falta dos Ato voluntário do autor


requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC ou para acrescentar ou alterar o
Situação defeitos/irregularidades que possam indeferir o pedido ou causa de pedir,
pedido (art.321, parágrafo único, do CPC) e que conforme previsão expressa
dificultam o julgamento do mérito. no CPC.

Situação Juiz determina a correção de defeitos ou O autor voluntariamente


identificadora irregularidades. acrescenta ou altera.

Até a citação,
independentemente de
15 dias
consentimento do réu, ou
Obs.: o referido prazo não é preclusivo, exceto
até a fase saneadora do
Prazo se o juízo já tiver proferido a sentença de
processo, com o
indeferimento – extinção do processo sem
consentimento do réu.
resolução do mérito.
Obs.: art. 339, § 2o3, do
CPC.
2. Estrutura da peça e requisitos31
Ao elaborar a peça, deverá mencionar que a parte autora já está qualificada
e corrigir o que requisitado pelo juiz – conforme dados constantes na
inicial/enunciado –, mencionar o tipo da ação e a peça que está sendo
requerida.

ENDEREÇAMENTO

Competência O juízo específico correspondente à ação.

PREÂMBULO

Autor e réu.
Partes
Indicar que o autor já está qualificado, representado por seu advogado.

Nome da
Emenda à petição inicial.
ação

Fundamento
Art. 321 do CPC
legal

I) PETIÇÃO SIMPLES MENCIONANDO O DIREITO E O PEDIDO

Requerimento informando o cumprimento da correção da petição inicial.


Obs.: impossibilidade de criar dados inexistentes, sob pena de identificar a peça e ser zerada
pelo examinador.

I.I) Do Direito inserido no corpo da petição simples.

Fundamento Artigos de lei: emenda da petição inicial, nos termos do art. 321 do CPC,
legal indicando os dados faltantes.

I.II) Dos Pedidos e Requerimentos no corpo da petição simples.

Sendo recebida a presente emenda para o regular processamento da petição inicial


Pedido
e prosseguimento do feito.
II) FECHAMENTO

Termos em que
pede deferimento.
Local e data ...
Advogado ...
OAB n. ...
3. Modelo

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO – SP

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10 NOME DO AUTOR, já qualificado, na Ação de Indenização por Danos

11 Morais e Materiais que propôs em face de NOME DO RÉU, vem, por

12 seu advogado, nos termos do art. 321 do CPC, conforme determinado

13 por Vossa Excelência, indicar os dados corretos que faltavam, corrigindo,

14 assim, o defeito ou irregularidade, devendo constar o dado correto como

15 profissão..., endereço eletrônico..., domicílio..., sanando o presente

16 defeito ou irregularidade para regular processamento e prosseguimento

17 do feito.

18

19 Termos em que
20 pede deferimento.

21

22 Local e data ...

23

24 Advogado ...

25 OAB n. ...
9

Aditamento de Petição Inicial e


Reconvenção

1. Noções gerais
O aditamento da petição inicial ou da reconvenção (art. 329, parágrafo
único, do CPC) refere-se a um ato voluntário do autor em que este verifica
até a citação alguma ilegitimidade de parte, ou resolve adicionar mais pedidos
ou causa de pedir, podendo aditar ou alterar em tais casos,
independentemente do consentimento do réu (art. 329, I, do CPC), por
exemplo, a alteração do polo passivo, substituindo-o por outro que seja
legítimo; outro exemplo: inserção do pedido de justiça gratuita. Tais
aditamentos poderão ocorrer após a citação, na fase saneadora, vindo o autor
aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu (art.
329, II, do CPC), devendo ser assegurado o contraditório mediante a
possibilidade de manifestação no prazo mínimo de 15 (quinze) dias,
facultado o requerimento de prova suplementar, conforme o art. 329 do CPC:
Art. 329. O autor poderá:
I – até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de
consentimento do réu;
II – até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com
consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste
no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir.
Verifica-se que é o momento em que há a possibilidade de expansão da
causa ao incluir ou corrigir algo na petição inicial de forma voluntária. Tal
ato pode ocorrer após a citação do réu, devendo haver o consentimento deste.
Deve-se atentar para a previsão do art. 33832, parágrafo único, do CPC, que
prevê a alteração do polo passivo, após a contestação, caso o réu tenha
arguido como parte ilegítima, ocorrendo a sua substituição. O juiz
determinará a exclusão do réu originário e incluirá o novo réu, mas deverá o
autor reembolsar as despesas e pagará honorários ao procurador excluído,
sendo fixado o valor dos honorários entre 3% e 5% do valor da causa ou,
sendo irrisório, o correspondente ao disposto no art. 8533, § 8º, do CPC.
Assim como alertamos no capítulo anterior, não confunda Aditamento da
Petição Inicial ou da Reconvenção com Emenda da Inicial, conforme
quadro comparativo pontuando as distinções entre os institutos:34

Emenda da Inicial Aditamento da Inicial


(art. 321 do CPC) (art. 329 do CPC)

O juiz determina a correção. Falta dos Ato voluntário do autor


requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC ou para acrescentar ou alterar o
Situação defeitos/irregularidades que possam indeferir o pedido ou causa de pedir,
pedido (art.321, parágrafo único, do CPC) e que conforme previsão expressa
dificultam o julgamento do mérito. no CPC.

Situação Juiz determina a correção de defeitos ou O autor voluntariamente


identificadora irregularidades acrescenta ou altera.

Até a citação,
independentemente de
15 dias
consentimento do réu, ou
Obs.: o referido prazo não é preclusivo, exceto
até a fase saneadora do
Prazo se o juízo já tiver proferido a sentença de
processo, com o
indeferimento – extinção do processo sem
consentimento do réu.
resolução do mérito.
Obs.: arts. 338 e 339, §
2o3, do CPC.
2. Estrutura da peça e requisitos
Ao elaborar a peça, deverá mencionar que a parte autora já está qualificada
e vem corrigir voluntariamente – conforme dados constantes na inicial
/enunciado –, mencionar o tipo da ação e a peça que está sendo requerida.

ENDEREÇAMENTO

Competência O juízo específico correspondente à ação.

PREÂMBULO

Autor e réu
Partes
Indicar que o autor já está qualificado, representado por seu advogado.

Nome da
Aditamento à petição inicial ou reconvenção
ação

Art. 329, I ou II, do CPC


Fundamento
ou
legal
Art. 329, parágrafo único, do CPC

I) PETIÇÃO SIMPLES MENCIONANDO O DIREITO E O PEDIDO

Requerimento informando o cumprimento da adição ou alteração voluntária da petição inicial ou


reconvenção.
Obs.: impossibilidade de criar dados inexistentes, sob pena de identificar a peça e ser zerada pelo
examinador.

I.I) Do direito inserido no corpo da petição simples

Artigos de lei:
Fundamento Aditamento à petição inicial, nos termos do art. 329, I ou II, do CPC, indicando os
legal dados aditados ou alterados.
Aditamento à reconvenção, nos termos do art. 329, parágrafo único, do CPC.

I.II) Dos pedidos e requerimentos no corpo da petição simples

Sendo recebido o presente aditamento com as alterações pertinentes para o regular


Pedido processamento da petição inicial e prosseguimento do feito.

II) FECHAMENTO

Termos em que
pede deferimento.
Local e data ...
Advogado...
OAB n. ...
3. Modelo

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO – SP

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10

11 NOME DO AUTOR, já qualificado, na Ação de Indenização por Danos

12 Morais e Materiais que propôs em face de NOME DO RÉU, vem, por

13 seu advogado, nos termos do art. 329, I, do CPC, requerer, a Vossa

14 Excelência, o aditamento à petição inicial, para que seja deferido ao

15 autor a concessão do benefício da justiça gratuita, conforme art. 5º,

16 LXXIV, da Constituição Federal e arts. 98 e s. do CPC, vindo, para

17 tanto, declarar para os devidos fins e sob penas da lei, ser pobre, na

18 acepção jurídica do termo, não tendo como arcar com o pagamento de

19 custas e demais despesas processuais sem prejuízo do próprio sustento


20 e de sua família.

21 Outrossim, requer a manutenção e deferimento dos demais pedidos

22 constantes na exordial.

23

24 Termos em que

25 pede deferimento.

26

27 Local e data ...

28

29 Advogado ...

30 OAB n. ...
10

Pedido de Cancelamento de
Audiência

1. Noções gerais
O pedido de cancelamento de audiência refere-se a um ato voluntário do
autor, na própria petição inicial, quanto ao desinteresse (primeira parte do §
5º do art. 334 do CPC) e do réu em petição simples (segunda parte do § 5º do
art. 334 do CPC), em situações específicas e respeitando seus requisitos.
A busca da via consensual de conflitos está inserida como norma
fundamental no CPC, no art. 3º, §§ 2º e 3º, harmonizando com o princípio
econômico do processo (inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição Federal).
Caso ocorra a designação da audiência, o comparecimento das partes é
obrigatório, sob pena de multa de até 2% da vantagem econômica pretendida,
sendo este revertido à União ou ao Estado (§ 8º do art. 334 do CPC).
Superando os requisitos de admissibilidade e não havendo a improcedência
de plano, o juiz designará audiência de conciliação ou mediação a ser
realizada no CEJUSC (Centros Judiciários de Solução Consensual de
Conflitos), conforme expresso no art. 165, caput, designando audiência com
antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo o réu ser citado com ao
menos 20 (vinte) dias de antecedência da referida audiência.
Claro, há de se atentar para a possibilidade de o juiz dispensar a audiência
quando houver manifestação expressa de ambas as partes quanto ao seu
desinteresse na composição (§ 4º do inciso I do art. 334 do CPC) ou no caso
de impossibilidade de autocomposição (§ 4º do inciso IV do art. 334 do
CPC).
Quanto à impossibilidade de autocomposição, o CPC não trouxe quais
seriam os direitos que não se admitem na referida autocomposição, nem
mesmo a Lei n. 9.307/96 (Lei de arbitragem) ou a Lei n. 13.140/2015 (Lei de
Mediação). Assim, de forma objetiva, trata-se de direitos indisponíveis. A
doutrina e a jurisprudência definem como as relações que ultrapassam as
relações interpessoais de caráter monetário acabam se deparando com direitos
os quais não é possível dispor, tais como à dignidade, à vida, à saúde, à
liberdade, à saúde, ou seja, aqueles relacionados no art. 5º da CF. Exemplo:
ofensas feitas à pessoa do morto não cabe autocomposição.
2. Estrutura da peça e requisitos ao réu
Ao elaborar a peça, deverá mencionar que a parte autora, qualificando-a,
ou a parte ré, já qualificada, vem requerer o cancelamento da audiência de
conciliação ou mediação que seria realizada na data ..., com fulcro na
primeira parte do § 5º do art. 334 do CPC, para o autor, via de regra, na
própria petição inicial, e na segunda parte do § 5º do art. 334 do CPC, em
petição simples do réu.

ENDEREÇAMENTO

Competência O juízo específico correspondente a ação

PREÂMBULO

Autor e réu
Indicar o autor e qualificá-lo na petição inicial.
Partes
Indicar o réu, já qualificado, representado por seu advogado, na contestação ou
petição simples.

Nome da
Pedido de cancelamento de audiência de conciliação ou mediação
ação

Fundamento Autor na inicial: art. 334, § 5º, do CPC


legal Réu na contestação ou pedido simples: art. 335, II, do CPC

I) PETIÇÃO SIMPLES MENCIONANDO O DIREITO E O PEDIDO

Requerimento informando o desinteresse na audiência


Obs.: impossibilidade de criar dados inexistentes, sob pena de identificar a peça e ser zerada pelo
examinador.

I.II) Dos pedidos e requerimentos no corpo da petição simples

...vem, tempestivamente, na presença de Vossa Excelência, com fulcro no art.


334, § 5º, do CPC, informar que não tem interesse na audiência de conciliação.
Pedido
Diante do exposto, requer o prosseguimento do feito, aguardando-se a
apresentação da peça defensiva.
II) FECHAMENTO

Termos em que
pede deferimento.
Local e data ...
Advogado ...
OAB n. ...
3. Modelo simples para o réu

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO – SP

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10

11 NOME DO RÉU, já qualificado, na Ação de Indenização por Danos

12 Morais e Materiais que lhe move NOME DO AUTOR, vem, tempestiva-

13 mente, por meio do seu advogado, na presença de Vossa Excelência, com

14 fulcro no art. 334, § 5º, do CPC, informar que não tem interesse na

15 audiência de conciliação.

16 Diante do exposto, requer o prosseguimento do feito, aguardando-se

17 a apresentação da peça defensiva.

18

19 Termos em que
20 pede deferimento.

21

22 Local e data ...

23

24 Advogado ...

25 OAB n. ...
11

Réplica

1. Introdução
Réplica é a peça profissional utilizada pelo autor para oferecer suas
alegações após a apresentação pelo réu, na sua contestação, de quaisquer
fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor (art. 350 do
CPC), bem como da arguição de preliminares (art. 351 do CPC), sendo
certo afirmar que, se o réu pode alegar, deverá ser oportunizado o
contraditório ao autor, no prazo de 15 dias, que poderá ofertar sua réplica e
produzir prova, permitindo, assim, o prosseguimento do processo e, se for o
caso, iniciar a fase de instrução processual probatória.
Réplica é, pois, a oportunidade do autor de manifestar-se a respeito das
argumentações apresentadas pelo réu em sua contestação, bem como de
reafirmar os posicionamentos e os pedidos apresentados por ocasião de sua
petição inicial.
2. Identificação da peça
Na peça prática da Réplica, o examinador apresentará algumas dicas aos
candidatos.
Note que, por se tratar de peça apresentada pelo autor, o examinador
indicará no caso prático a existência de uma petição inicial proposta pelo
próprio autor e, seguidamente, a apresentação de uma contestação pelo réu,
com os argumentos de defesa e a imposição dos fatos extintivos,
modificativos ou impeditivos do direito do autor, cabendo ao candidato, na
condição de advogado do autor, apresentar a peça processual adequada na
sequência, antes do saneamento do processo e de iniciar a fase de instrução
do processo, rebatendo as alegações do réu e reafirmando os pedidos feitos na
petição inicial.
3. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Mesmo juízo da petição inicial

PREÂMBULO

Partes Autor e réu, já qualificados

Nome da Peça RÉPLICA

Fundamento
Arts. 350 e 351 do CPC
legal

I) DOS FATOS

1) Indicar os fatos apresentados na inicial e na contestação.


2) Rebater as preliminares.
3) Defesa de mérito – fatos impeditivos, extintivos e modificativos.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual


Fundamento
Súmulas
legal
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) julgamento parcial do mérito, se presentes os requisitos do art. 356, I e II, do


Pedidos CPC;
b) reiterar os fundamentos e pedidos formulados na inicial.

Valor da Causa Não há valor da causa na réplica.


4. Modelo de réplica

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ....

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10

11 NOME DO AUTOR, já qualificado nos autos da AÇÃO PELO PROCE-

12 DIMENTO COMUM, com fundamento nos arts. 350 e 351 do Código

13 de Processo Civil, que move em face de NOME DO RÉU, já qualificado

14 nos autos, vem, por intermédio de seu advogado manifestar-se acerca

15 da contestação, pelos fundamentos a seguir expostos.

16

17 I) DOS FATOS

18
19 O Autor promoveu ação de obrigação de dar coisa certa, envolvendo

20 contrato de compra e venda estabelecido entre as partes, pleiteando a

21 entrega do veículo, diante da quitação integral das prestações por parte

22 do Autor, deixando o réu de cumprir com a sua parte na relação

23 contratual.

24 Ainda, diante do inadimplemento do contrato, o Autor pleiteou, no caso

25 de impossibilidade de entrega do bem, o pagamento da multa contratual

26 compensatória estipulada pelas partes no valor de R$ ...

27 Preliminarmente, alegou o Réu a inépcia da petição inicial, por falta

28 de pedido específico realizado na petição inicial, da mesma forma que

29 alegou a existência de litispendência, em razão da propositura de demanda

30 anterior, com o mesmo objeto.

Folha 2/3

31 O réu, no mérito, apenas alegou o descabimento da multa, em razão

32 da ausência de culpa no inadimplemento contratual, deixando de impugnar

33 as demais alegações apresentadas na petição inicial.

34

35 II) DA INSUBSISTÊNCIA DAS PRELIMINARES

36

37 Inicialmente, verifica-se que a petição inicial apresentou expressamente


38 todos os pedidos formulados pelo Autor, conforme fundamentação contida

39 na peça exordial, principalmente a respeito do inadimplemento culposo

40 do réu, daí culminando nos pedidos de perdas e danos e da multa

41 contratual.

42 Certamente, nos termos do art. 330 do CPC, a petição inicial será

43 indeferida por inépcia quando lhe faltar pedido ou causa de pedir, quando

44 o pedido for indeterminado, quando da narração dos fatos não decorrer

45 logicamente a conclusão e quando contiver pedidos incompatíveis entre

46 si, o que não se verificou no caso apresentado, não se justificando a

47 extinção do processo sem resolução do mérito.

48 Ainda, tampouco se verificou a ocorrência da litispendência, sobretudo

49 porque a demanda ora proposta não é idêntica à outra ação mencionada

50 pelo Réu. Na verdade, na referida demanda há apenas o pedido de res-

51 cisão contratual.

52 Dessa forma, não há que se falar em litispendência, por não se tratar

53 de ações idênticas, devendo, pois, ser rejeitadas as preliminares aventadas

54 pelo Réu em sua contestação.

55

56 III) DA DEFESA DE MÉRITO

57

58 No mérito, o Réu apresentou contestação apenas rebatendo o pedido


59 do autor a respeito do descabimento da multa contratual, alegando

60 a impossibilidade de exigência, em razão da ausência de culpa pelo

Folha 3/3

61 inadimplemento contratual.

62 Dessa forma, evidente que restou incontroverso o inadimplemento

63 contratual, nos termos do art. 341 do CPC, diante da confissão ficta,

64 possibilitando, portanto, exigir a entrega do veículo.

65 Ademais, evidente o cabimento da multa contratual compensatória,

66 diante do inadimplemento absoluto da obrigação, caso o Réu se recuse

67 a entregar o objeto da obrigação, posto que o inadimplemento se deu

68 por sua culpa exclusiva, diante da ausência de entrega do bem no dia e

69 local combinados.

70 Dessa forma, por ser incontroverso o inadimplemento, requer o

71 julgamento antecipado parcial do mérito, nos termos do art. 356, I,

72 do CPC, em razão de parcela dos pedidos mostrar-se incontroversa.

73

74 IV) DO PEDIDO

75

76 Diante do exposto, requer o julgamento parcial do mérito, nos termos

77 do art. 356, I, do CPC, diante do incontroverso inadimplemento


78 obrigacional, ou seja, em parcela dos pedidos formulados pelo Autor,

79 justificando a ordem de entrega do bem objeto da obrigação.

80 Ainda, requer a procedência dos pedidos formulados na petição inicial

81 e, em sendo impossível a entrega do bem, diante da culpa exclusiva do

82 Réu no inadimplemento da obrigação, requer a condenação do Réu ao

83 pagamento da multa contratual compensatória, estipulada no valor

84 de R$ ...

85

86 Termos em que

87 pede deferimento.

88

89 Local e data ...

90

Folha 4/4

91 Advogado ...

92 OAB n. ...
5. Principais artigos de direito processual e de direito material
• Art. 350 do CPC
• Art. 351 do CPC
• Art. 356 do CPC
• Art. 389 do CC
• Art. 391 do CC
• Art. 393 do CC
• Art. 408 do CC
• Art. 410 do CC
12

Procedimentos Especiais

1. Introdução
O Código de Processo Civil possui dois tipos de procedimentos para os
processos de conhecimento, quais sejam: comum e especial.
O procedimento consiste na forma pela qual o processo se exterioriza, isto
é, o modo de ser do processo; em outras palavras, trata-se do
desencadeamento de atos processuais percorridos pelos sujeitos do processo
até a obtenção da tutela jurisdicional.
O procedimento especial, como o próprio nome diz, traz em suas ações
específicas (nominadas) requisitos próprios. A identificação do uso do
procedimento especial está ligada ao tipo de relação jurídica a ser resolvido
pelo processo, pois, diante de específica relação, o Código de Processo Civil
já indica a ação correta a ser ajuizada e determina os requisitos pelos quais
devem constar na petição inicial.
Importa ressaltar que no procedimento especial não há exclusão total das
regras do procedimento comum, pois, de acordo com o art. 318 do CPC, o
procedimento comum será aplicado de forma subsidiária ao especial.

Importante: Art. 318. Aplica-se a todas as causas o procedimento comum, salvo


disposição em contrário deste Código ou de lei.
Parágrafo único. O procedimento comum aplica-se subsidiariamente aos demais
procedimentos especiais e ao processo de execução.
Assim, ao elaborar a petição inicial de ação judicial constante no
procedimento especial, deverá ser observada a estrutura da petição inicial
constante no art. 319 do CPC e outros requisitos do procedimento especial,
todavia, as regras do procedimento comum são subsidiárias, isto é, somente
serão utilizadas na ausência de regra específica do especial.
Esse é o motivo, por exemplo, em que na ação monitória o autor faz pedido
na petição inicial para expedição do mandado de pagamento ou entrega de
coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer ao invés do
pedido de citação para comparecimento à audiência de conciliação que seria
realizada no procedimento comum.
Portanto, diante de relação jurídica que indica o tipo de ação judicial a ser
proposta, devem ser observados os requisitos específicos constantes no
procedimento especial e subsidiariamente aplicar os requisitos do
procedimento comum.

Atenção: As ações previstas em leis especiais, como, por exemplo, lei de locação,
mandado de segurança, juizado especial etc., seguem as mesmas regras, quais sejam: utilização das
informações específicas na lei especial e aplicação subsidiária do procedimento comum, razão pela
qual, essas ações da legislação extravagante são consideradas como de procedimento especial.

No Código de Processo Civil, as ações do procedimento especial estão


divididas em jurisdição contenciosa e voluntária e a diferença entre elas é a
existência de lide. Na jurisdição contenciosa há um conflito de interesse, é o
caso em que o réu resiste ao cumprimento de uma obrigação e ao autor não
resta outra alternativa a não ser ajuizar ação judicial para resolver o conflito.
Por sua vez, na jurisdição voluntária, em regra não há conflito, todavia, em
razão de disposição legal, determinada relação jurídica deve ser autorizada
pelo judiciário para se realizar, é o caso de alienação judicial de bem de
menor. Portanto, as ações do procedimento especial constante no Código de
Processo Civil são as seguintes:

Jurisdição contenciosa – arts. 539 a


Jurisdição voluntária – arts. 719 a 770 do CPC
718 do CPC

Ação de consignação em pagamento Notificação e interpelação


Ação de exigir contas Alienação judicial
Ações possessórias Divórcio, separação e extinção de união estável
Ação de divisão e demarcação de terras consensuais
Ação de dissolução parcial de sociedade Alteração do regime de bens do matrimônio
Inventário e partilha Testamento e codicilo
Embargos de terceiro Herança jacente
Oposição Bens dos ausentes
Habilitação Coisas vagas
Ações de família Interdição
Ação monitória Tutela e curatela
Homologação do penhor legal Organização e fiscalização das fundações
Regulação de avaria grossa Ratificação dos protestos marítimos e dos processos
Restauração de autos testemunháveis.

Apesar da quantidade de ações constantes no capítulo dos procedimentos


especiais, todas elas seguem a estrutura da petição inicial.

Já caiu
Alimentos – exame unificado IV e XXV (reaplicação Porto Alegre) da OAB
Alimentos gravídicos (Lei n. 11.804/2008) – exame unificado IX da OAB
Embargos de terceiro – exame unificado X, XVIII, XXVII da OAB
Despejo e/ou imissão na posse – exame unificado XI da OAB
Interdição – exame unificado XII da OAB
Consignação em pagamento – exame unificado XVII da OAB
Reintegração de posse – exame unificado XXVI da OAB
2. Ação de consignação em pagamento
A consignação em pagamento é modalidade de extinção de obrigação e
será utilizada quando diante de uma relação jurídica obrigacional, o devedor,
atingida a data de vencimento, encontra resistência do credor em receber o
pagamento ou a entrega da coisa.
Assim, em razão da conduta do credor em não receber a obrigação, com o
fim de o devedor se desvincular da obrigação em que está envolvido, por
meio da consignação, busca a extinção da obrigação. É comum também a
utilização da consignação em situações em que o devedor tem dúvida a quem
pagar, há divergência quanto ao valor etc.
Portanto, a consignação em pagamento, extrajudicial ou judicial, é o meio
pelo qual o devedor busca a extinção da obrigação, seja porque o credor se
recusa a receber ou ainda quando o devedor não sabe a quem pagar ou há
divergência de valores. Com a extinção da obrigação pela consignação, o
devedor evita a mora e seus efeitos decorrentes da obrigação a qual se
encontra vinculado.
As hipóteses de cabimento da consignação estão previstas no art. 335 do
Código Civil:
Art. 335. A consignação tem lugar:
I – se o credor não puder ou, sem justa causa, se recusar a receber o pagamento, ou dar quitação
na devida forma;
II – se o credor não for nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
III – se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar
incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV – se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
V – se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

Importante: Art. 304. Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la, usando,
se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor.
Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do
devedor, salvo oposição deste.

Por se tratar de obrigação, é oportuno esclarecer que o terceiro interessado


ou não também poderá fazer uso da consignação, caso tenha interesse em
extinguir a obrigação em nome do devedor (art. 304 do Código Civil).

2.1. Espécies de consignação


O devedor que pretende a extinção da obrigação poderá realizar a
consignação de forma extrajudicial ou judicial.
a) Extrajudicial: somente é possível quando se tratar de consignação em
pagamento de dinheiro. Nesse caso, o devedor comparecerá a uma instituição
bancária e depositária a quantia em conta corrente com atualização
monetária. Na sequência, o credor será notificado mediante carta com aviso
de recebimento para que no prazo de 10 dias a contar do retorno do AR
manifeste a recusa por escrito quanto ao depósito. Caso não haja
manifestação (aceitação tácita), a obrigação será extinta e o valor depositado
ficará à disposição do credor.
Havendo a recusa por escrito encaminhada ao estabelecimento bancário, o
devedor ou terceiro deverá ingressar com a ação judicial de consignação em
pagamento no prazo de 1 mês, juntando como documentos indispensáveis a
prova do depósito e cópia da correspondência acompanhada da recusa.
Não proposta a ação judicial no prazo de 1 mês, o depósito realizado no
estabelecimento bancário ficará sem efeito, podendo o devedor levantar a
qualquer momento.
Importante mencionar que a consignação extrajudicial é uma faculdade do
devedor, não sendo assim pressuposto de admissibilidade da ação judicial de
consignação em pagamento de dinheiro, se o devedor quiser poderá propor
ação judicial independentemente da tentativa de consignação extrajudicial.
b) Judicial: sua utilização será para consignar dinheiro e coisa (bem móvel
e imóvel). Assim, por se tratar de procedimento especial, a elaboração da
petição inicial deverá observar os requisitos constantes nos arts. 540 a 549 do
CPC e subsidiariamente o art. 319 do CPC. Vejamos os requisitos específicos
constantes no procedimento especial da ação de consignação:
Competência: lugar do pagamento (art. 540 do CPC) ou caso exista foro
de eleição, no lugar convencionado pelas partes. Não existindo lugar do
pagamento e foro de eleição, regra geral do domicílio do devedor para
pagamento de dívida (art. 327 do CPC).
Legitimidade: devedor da obrigação ou terceiro (autor) e credor da
obrigação (réu).
Pedido: requerimento do depósito ou da coisa devida, a ser efetivado no
prazo de 5 dias contado do deferimento (art. 542, I, do CPC), ressalvada a
hipótese de ter sido realizada a tentativa extrajudicial anteriormente, ocasião
em que o valor já estará depositado e caberá ao autor juntar como documento
indispensável a cópia do comprovante de depósito, bem como a
correspondência com a recusa do credor.
Citação: para levantar o depósito ou oferecer contestação (art. 542, II, do
CPC).
No caso de consignação de pagamento fundamentada em dúvida de quem
pagar, o autor requererá o depósito e a citação dos possíveis titulares do
crédito para provarem o seu direito (art. 547 do CPC).
Realizada a citação do réu, este poderá apresentar contestação no prazo de
15 dias (aplicação subsidiária do procedimento comum por não haver prazo
específico estipulado), podendo alegar as seguintes matérias (art. 544 do
CPC):
• não houve recusa ou mora em receber a quantia ou a coisa devida;
• foi justa a recusa;
• o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento;
• o depósito não é integral, ocasião em que deverá apontar o valor que
entende devido.
Após a contestação, se a alegação do réu for de insuficiência do depósito, o
autor poderá complementá-lo no prazo de 10 dias, salvo se corresponder a
prestação cujo inadimplemento acarrete a rescisão do contrato e o autor
levantar a parte incontroverso, prosseguindo-se o processo apenas quanto à
parte controvertida. No julgamento, a sentença que concluir pela insuficiência
do depósito determinará, sempre que possível, o montante devido e valerá
como título executivo, facultado ao credor promover-lhe o cumprimento nos
mesmos autos, após liquidação, se necessária.
Por sua vez, se julgado procedente o pedido, o juiz declarará extinta a
obrigação e condenará o réu ao pagamento de custas e honorários
advocatícios (art. 546 do CPC).

Artigos:
Arts. 540, 542, 544, 546 e 547 do CPC
Arts. 304 e 335 do CC

2.2. Estrutura básica da ação de consignação em pagamento

ENDEREÇAMENTO

Art. 540 do CPC ou foro de eleição ou art. 327 do CPC (domicílio do


Competência
devedor)

PREÂMBULO

Autor (devedor da obrigação ou terceiro)


Réu (credor da obrigação)
Partes Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC)
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com
endereço na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).
AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO COM PEDIDO DE
Nome da ação
TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA

Fundamento legal Arts. 539 e s. do CPC

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação obrigacional firmada entre autor e réu.


Causa: impedimento de extinção da obrigação (alguma das hipóteses do art. 335 do CC).
Consequência: necessidade de propositura da ação para declaração de extinção da obrigação.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material (art. 335 do CPC) e processual (art. 539
do CPC)
Fundamento legal
Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DA TUTELA PROVISÓRIA

Não há previsão de liminar no procedimento especial, dessa forma, em


Tutela provisória
casos de urgência, poderá ser requerida tutela provisória de urgência, seria
de urgência
o caso, por exemplo, para evitar/cancelar a inscrição do nome do autor em
antecipada: art. 294
cadastro de inadimplente.
e/ou art. 300 do
Palavras-chaves para concessão da tutela provisória: urgência e risco de
CPC
dano

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Concessão da tutela provisória de urgência antecipada para


impedir/cancelar a inclusão do nome do autor no cadastro de
inadimplentes, nos termos do art. 294 e/ou art. 300 do CPC.
Pedidos b) O julgamento de procedência do pedido para declarar extinta a
obrigação, condenando o réu ao pagamento de custas e honorários
advocatícios, nos termos do art. 546 do CPC, confirmando-se a tutela
provisória de urgência.

c) Autorização do depósito da quantia de R$ ou entrega da coisa no dia ....,


local ..., no prazo de 5 dias contado do seu deferimento, cessando-se para o
devedor os efeitos da mora, nos termos do art. 542, I, do CPC.
d) A citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação, nos
termos do art. 542, II, do CPC.
Requerimentos e) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de
gratuidade da justiça.
f) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos
termos do art. 1.048 do CPC.
g) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC.
h) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,
especialmente, testemunhal e pericial.

Em regra, será o valor da coisa ou quantia a ser depositada.


Valor da Causa No entanto, se for de obrigação com prestações sucessivas (art. 541 do
CPC), aplica-se a regra do art. 292, §§ 1º e 2º, do CPC.

O pedido de tutela provisória, prioridade de tramitação e intimação do


ATENÇÃO Ministério Público somente deverão constar na peça se o enunciado
trouxer elementos que evidenciem a necessidade de tais requerimentos.

2.3. Modelo de peça prática de ação de consignação em pagamento com


pedido de tutela provisória de urgência antecipada

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE FLORIANÓPOLIS

03

04

05

06

07

08 FRANCISCO CRUZ, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ...,
09 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...., vem por meio do seu

10 advogado, com endereço profissional na Rua ...., onde recebe intimações

11 (procuração anexa), com fundamento nos arts. 539 e s. do Código de

12 Processo Civil, propor AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO COM

13 PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA em face

14 de LEONARDO SILVA, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n.

15 ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., pelos motivos

16 abaixo expostos.

17

18 I. DOS FATOS

19

20 O autor celebrou com o réu contrato de prestação de serviços de

21 demolição pelo valor de R$ 40.000,00. Pelo contrato firmado entre

22 as partes, o autor pagaria o valor de R$ 20.000,00 no ato de assina-

23 tura do contrato e o restante no prazo de até 10 dias após a conclusão

24 dos serviços.

25 Finalizados os serviços, o réu emitiu boleto bancário para o recebimento

26 do valor restante de R$ 20.000,00, todavia o autor não conseguiu

27 adimplir o boleto, razão pela qual teve seu nome negativado junto ao

28 cadastro de inadimplentes.

29 Ocorre que agora o autor possui condições de quitar o débito e não


30 localiza o réu para realizar o pagamento, assim, não resta outra alter-

Folha 2/4

31 nativa a não ser a propositura da presente ação para que o autor

32 obtenha a quitação da obrigação e a exclusão do seu nome do cadastro

33 de inadimplentes.

34

35 II. DO DIREITO

36

37 De acordo com os arts. 304 do Código Civil e 539 do Código de

38 Processo Civil, o autor, na condição de devedor da relação obrigacional,

39 poderá fazer o uso da consignação com efeito de pagamento de dívida

40 para obter quitação da relação obrigacional.

41 Assim, considerando a consignação como meio de pagamento e extinção

42 da obrigação, poderá o autor fazer o uso da consignação quando o credor

43 residir em lugar incerto, conforme disposto no art. 335, III, do Código

44 Civil:

45

46 Art. 335. A consignação tem lugar:

47 (...)

48 III – se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, decla-


49 rado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou

50 difícil.

51

52 Dessa maneira, considerando que o autor não tem conhecimento do

53 atual endereço do réu, absolutamente cabível a presente ação consigna-

54 tória para o fim de o autor obter a quitação da obrigação e a extinção

55 da obrigação.

56

57 III. DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA

58

59 Os arts. 294 e 300 do Código de Processo Civil preveem a possibi-

60 lidade de concessão de tutela provisória de urgência antecipada quando

Folha 3/4

61 presentes os requisitos probabilidade do direito e o perigo de dano ou

62 risco ao resultado útil do processo.

63 Esse é o caso dos autos. O autor possui o direito de se desvincular

64 da obrigação mediante o pagamento da obrigação e realizado o depósito

65 do valor devido, razão não há para que o autor continue com o nome

66 incluído no cadastro de inadimplentes.

67 Assim, diante da probabilidade do direito, o Autor também preenche


68 o requisito do perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo,

69 tendo em vista que, se seu nome não for imediatamente excluído do

70 cadastro de inadimplentes, sofrerá constantes danos a sua imagem

71 e honra, tendo em vista que com seu nome no cadastro de inadimplentes

72 de forma indevida sofrerá negativas de crédito e a fama de inadimplente.

73 Portanto, presentes os requisitos para concessão da tutela provisória

74 de urgência antecipada, o Autor requer, liminarmente, que seja

75 concedida a ordem para imediata exclusão do seu nome do cadastro

76 de inadimplente.

77

78 IV. DO PEDIDO

79

80 Em face do exposto, é a presente para requerer:

81 a) a concessão de tutela provisória de urgência antecipada para a

82 imediata exclusão do nome do autor do cadastro de inadimplentes,

83 nos termos do art. 294 e/ou art. 300 do CPC;

84 b) o deferimento do depósito do valor de R$ 20.000,00 no prazo

85 de 5 dias, contados do deferimento, nos termos do art. 542, I,

86 do CPC;

87 c) a procedência do pedido, para declarar a extinção da obrigação,

88 condenando o réu ao pagamento de honorários e custas processuais,


89 nos termos do art. 546 do CPC;

90 d) a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação,

Folha 4/4

91 nos termos do art. 542, II, do CPC;

92 e) a juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

93 gratuidade da justiça;

94 f) a prioridade de tramitação por se tratar de pessoa idosa, conforme

95 art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

96 g) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

97 CPC (se for o caso);

98 h) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

99 especialmente, a produção de prova testemunhal e pericial (se

100 houver tentativa extrajudicial, deverá constar no requerimento de

101 provas a juntada do comprovante de depósito e correspondência

102 com recusa do devedor).

103

104 Valor da causa: R$ 20.000,00 (vinte mil reais).

105

106 Termos em que

107 pede deferimento.


108

109 Local e data ...

110

111 Advogado ...

112 OAB n. ...


3. Ações possessórias

3.1. Introdução
As ações possessórias constantes no livro dos procedimentos especiais são
aquelas que têm por finalidade sanar, de forma repressiva ou preventiva, a
posse de um bem.
Nesse contexto, é oportuno esclarecer que a posse é um direito real e
segundo o disposto no art. 1.196 do Código Civil: “considera-se possuidor
todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes
inerentes à propriedade”.
Ressalte-se que por possuidor para fins de ações possessórias entende-se
tanto o possuidor direto como o indireto, cujo principal ponto distintivo é a
posse de fato. Aquele que realmente tem o bem no momento é o possuidor
direto, por exemplo, se João, proprietário de um carro, empresta o carro a
Manoel, este último enquanto estiver com o carro emprestado é possuidor
direto e João, na qualidade de proprietário, por não estar de fato com o bem, é
possuidor indireto.

Importante: Tanto o possuidor direto como o indireto podem fazer uso das ações
possessórias.

Portanto, as ações possessórias constantes no Código de Processo Civil


buscam tão somente a proteção da posse e não da propriedade (domínio ou
título de proprietário). Assim, poderão fazer uso das ações possessórias os
proprietários (a posse é atributo inerente à propriedade) e aqueles que detêm
apenas a posse, mas não a propriedade.

3.2. Diferença de possessória (reintegração, manutenção ou interdito


proibitório), reivindicatória e imissão na posse
Tema de bastante controvérsia é a distinção entre possessória,
reivindicatória e imissão na posse, já que pode o proprietário, na qualidade de
possuidor direto ou indireto, fazer o uso dessas três ações judiciais.

IMISSÃO NA
POSSESSÓRIA REIVINDICATÓRIA
POSSE

OBJETO Propriedade (posse como atributo


Posse de fato Posse de fato
TUTELADO inerente)

Possuidor direto
LEGITIMIDADE Possuidor indireto (proprietário) Possuidor indireto
e indireto

Não está na posse


Não está na posse de fato da coisa
de fato e nunca
e em decorrência do título
teve esta
Possuidor que dominial (título de proprietário)
anteriormente, ele
JUSTIFICATIVA perdeu posse de ajuíza ação reivindicatória com o
busca ser imitido
fato fim de ter a posse de fato, pois a
na posse de algo
posse é um atributo inerente da
que nunca teve
propriedade.
antes.

3.3. Modalidades das ações possessórias


São três as modalidades das ações possessórias, quais sejam: reintegração,
manutenção e interdito proibitório. A diferença entre elas decorre da situação
em que se encontra a posse, pois cada tipo de alteração da posse requer uma
proteção possessória específica.

3.3.1. Reintegração de posse


A reintegração de posse será proposta quando houver esbulho, ou seja,
haverá a perda total da posse pelo possuidor, ocasião em que tanto o
possuidor direto como o indireto terão legitimidade para ajuizar ação de
reintegração de posse.
Já caiu
2ª fase do exame XXVII da OAB: peça prática cobrada foi ação de reintegração de posse com
pedido liminar

3.3.2. Manutenção de posse


A manutenção da posse será proposta quando o possuidor tiver a limitação
da sua posse, isto é, não poder exercê-la por completo. Nesse caso não houve
a perda total da posse, mas esta sofreu restrição, foi turbada, razão pela qual o
possuidor faz uso da ação de manutenção de posse para cessar a limitação.

3.3.3. Interdito proibitório


O interdito proibitório ocorre quando o possuidor está na iminência de ter
sua posse molestada, ou seja, ameaça de sofrer turbação ou esbulho. Assim,
por se tratar de uma ameaça, evento futuro, o possuidor faz uso de proteção
possessória de forma preventiva.

REINTEGRAÇÃO MANUTENÇÃO DE INTERDITO


DE POSSE POSSE PROIBITÓRIO

Limitação da posse. Ameaça de perda da


Turbada posse. Não houve ainda
POSSE Perda total da posse
(incomodada), não incômodo nem perda da
houve a perda ainda. posse.

NOME
TÉCNICO DO
ESBULHO TURBAÇÃO AMEAÇA
VÍCIO DA
POSSE

Situação pretérita Situação presente Situação futura


TEMPO
(perdeu a posse) (está perdendo a posse) (vai perder a posse)

3.4. Disposições gerais das ações possessórias


Considerando as três possessórias tipificadas no nosso ordenamento:
reintegração, manutenção e interdito proibitório, é importante mencionar
primeiramente os aspectos processuais que se aplicam às três, quais sejam:
a) Princípio da fungibilidade: previsto no art. 554 do Código de Processo
Civil, o princípio da fungibilidade autoriza o magistrado a admitir uma ação
possessória em vez de outra. A título de exemplo, é possível citar a
propositura de ação de manutenção da posse que no momento em que o juiz
for analisar a liminar já tenha ocorrido a perda total da posse, nesse caso o
juiz receberá a manutenção como se reintegração fosse.
Assim, com fundamento no princípio da fungibilidade, ao abordar os
requerimentos da petição inicial, deverá constar o requerimento de aplicação
do princípio da fungibilidade: “requer, ainda, a aplicação do princípio da
fungibilidade, caso a situação de fato se altere, conforme previsto no art. 554
do Código de Processo Civil”.
b) Litígio coletivo: no caso de ação possessória em que figure no polo
passivo grande número de pessoas, o Ministério Público atuará
obrigatoriamente (arts. 178, III, e 554, § 1º, do CPC) e, se envolver pessoas
em situação de hipossuficiência econômica, também será intimada a
Defensoria Pública.

Tipos de citação em ações possessórias de litígio coletivo (art. 554, § 2º, do CPC):
ü Oficial de justiça: dos que forem encontrados no local.
ü Edital: daqueles que não forem encontrados no local.

Modelo de qualificação dos réus em litígio coletivo: “(...) em face dos


esbulhadores e/ou réus desconhecidos ou incertos do imóvel na matrícula n.
..., situado no endereço da Rua ...”.
c) Cumulação de pedidos: o art. 555 do Código de Processo Civil prevê a
possibilidade de cumulação de pedidos pelo autor, assim, além da própria
proteção possessória, o autor poderá cumular os seguintes pedidos:
condenação em perdas e danos; indenização dos frutos; imposição de medida
necessária e adequada para evitar nova turbação ou esbulho ou para cumprir-
se a tutela provisória ou final.
d) Pedido contraposto: de acordo com o art. 556 do Código de Processo
Civil, o réu, na contestação, poderá realizar pedido contraposto, o qual
consiste em o réu demandar a proteção possessória e a indenização pelos
prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor.
É daí que vem o caráter dúplice das ações possessórias, isto é, além de se
defender em sede de contestação, o réu poderá na mesma peça processual
buscar sua proteção possessória alegando que é o autor que causa problemas
na posse, seja resultante de esbulho ou turbação, podendo ainda cumular
pedido de indenização a seu favor na ação judicial em que a princípio poderia
tão somente se defender das alegações trazidas na petição inicial.

3.5. Procedimento da reintegração e manutenção de posse: liminar ou


tutela provisória de urgência antecipada?
As ações possessórias de reintegração e manutenção da posse podem seguir
o procedimento especial ou comum (art. 558, caput e parágrafo único, do
CPC), sendo de extrema importância a análise da data em que ocorreu o
esbulho ou a turbação.

LIMINAR OU
TUTELA
DATA DE
PROVISÓRIA
ALTERAÇÃO/AGRESSÃO TIPO DE FORÇA
DE
DA POSSE
URGÊNCIA
ANTECIPADA

FORÇA NOVA: adoção na íntegra do


procedimento especial, nesse caso, para o
autor obter a liminar do art. 562 do CPC,
basta preencher os requisitos constantes no
MENOS DE ANO E DIA LIMINAR art. 561 do CPC; não há necessidade do
requisito risco de dano para obter a liminar,
basta a probabilidade do direito provada com
o cumprimento dos requisitos do art. 561 do
CPC.

FORÇA VELHA: não caberá liminar


TUTELA
específica do art. 562 do CPC, todavia,
PROVISÓRIA
poderá o autor requerer a concessão de tutela
MAIS DE ANO E DIA DE
provisória de urgência antecipada (arts. 300 e
URGÊNCIA
s. do CPC), ocasião em que deverá provar a
ANTECIPADA
probabilidade do direito e o risco de dano.

Atenção: Em litígio coletivo pela posse, em ação de força velha (mais de ano e dia),
antes de o juiz analisar a tutela provisória de urgência antecipada, designará audiência de mediação,
intimando para tanto:
ü Ministério Público
ü Defensoria Pública
ü Órgãos da política urbana e agrária

Importante: Contra as pessoas jurídicas de direito público, não será deferida a


manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes judiciais.

3.6. Estrutura básica das ações de reintegração e manutenção de posse

ENDEREÇAMENTO

• Bens móveis (art. 46 do CPC): domicílio do réu


Competência
• Bens imóveis (art. 47, § 2º, do CPC): situação da coisa

PREÂMBULO

Autor
Réu
Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes Modelo de qualificação dos réus em litígio coletivo: “(...) em face dos
esbulhadores e/ou réus desconhecidos ou incertos do imóvel na
matrícula n. ..., situado no endereço da Rua ...”.
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com
endereço na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).

AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO [ou MANUTENÇÃO] DE POSSE COM


PEDIDO LIMINAR
Nome da ação
AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO [ou MANUTENÇÃO] DE POSSE COM
PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA

Fundamento legal Art. 560 do CPC

I) DOS FATOS

Relação: posse do bem.


Causa: esbulho ou turbação da posse.
Consequência: reintegrado na posse (em caso de esbulho) mantido na posse (em caso de turbação).

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material (arts. 1.196, 1.200, 1.201 e 1.210 do


Código Civil) e processual (arts. 560 e 561 do CPC)
Fundamento legal
Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DA LIMINAR (dentro de ano e dia) ou TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA


ANTECIPADA (mais de ano e dia)

Necessidade de cumprimento de todos os requisitos constantes no art.


Liminar (art. 562 do 561 do CPC para requerer a concessão da liminar independentemente de
CPC) – se a agressão perigo de dano.
da posse ocorreu Palavras-chaves para concessão da liminar: prova da posse; a turbação
dentro de ano e dia ou o esbulho praticado pelo réu; data da turbação ou do esbulho
Tutela provisória de praticado e a continuação da posse, embora turbada, na ação de
urgência antecipada manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração.
(art. 300 do CPC) – se Necessidade de cumprimento de todos os requisitos constantes no art.
a agressão da posse 561 do CPC, além da necessidade de comprovar o risco de dano
ocorreu há mais de ano (urgência).
e dia Palavras-chaves para concessão da tutela provisória de urgência
antecipada: probabilidade do direito e risco de dano.
IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A concessão da liminar para que seja deferido, sem ouvir o réu, a


expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, caso
contrário, determinar que o autor justifique previamente o alegado,
citando-se o réu para comparecer à audiência de justificação a ser
designada, nos termos do art. 562, caput, do CPC.
b) A procedência do pedido de reintegração ou manutenção da posse,
Pedidos confirmando-se a liminar e aplicando-se medida necessária para evitar
nova turbação ou esbulho, nos termos do art. 555, parágrafo único, do
CPC.
c) A condenação do réu ao pagamento de perdas e danos e indenização
dos frutos, conforme art. 555, I e II, do CPC.
d) A condenação do réu ao pagamento de custas e honorários
advocatícios.

e) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,


especialmente, a produção de prova testemunhal e pericial.
f) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de
gratuidade da justiça.
Requerimentos
g) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos
termos do art. 1.048, I, do CPC.
h) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do
CPC.

Valor da Causa Art. 292 do CPC

O requerimento de prioridade de tramitação e intimação do Ministério


Público com fundamento no art. 178, II, do CPC somente deverá constar
na peça se o enunciado trouxer elementos que evidenciem a necessidade
de tais requerimentos.
Se se tratar de litígio coletivo, deverão constar ainda na petição inicial os
seguintes pedidos:
(i) a citação dos réus que forem encontrados no local por oficial de
ATENÇÃO justiça e os demais por edital, nos termos do art. 554, § 2º, do CPC;
(ii) a intimação do Ministério Público e da Defensoria Pública, na
hipótese de existirem pessoas em condições de hipossuficiência, nos
termos dos arts. 178, III, e 554, § 1º, do CPC;
(iii) antes de analisar o pedido de tutela provisória de urgência, a
intimação do Ministério Público, Defensoria Pública e órgãos da política
agrária e urbana a comparecerem na audiência de mediação a ser
designada, conforme art. 565, caput, §§ 2º e 4º, do CPC.

3.7. Modelo de ação de reintegração de posse

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE NHANDEARA

03

04

05

06

07

08 HEDER NETO, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ...,

09 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., vem por meio do seu

10 advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe intimações

11 (procuração anexa), com fundamento nos arts. 560 e s. do CPC, propor

12 AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE [ou MANUTENÇÃO DE POSSE,

13 sendo na manutenção substituir esbulho por turbação] COM PEDIDO

14 LIMINAR em face de FERNANDO FERREIRA, estado civil ..., profissão

15 ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua

16 ..., pelos motivos abaixo expostos.


17

18 I. DOS FATOS

19

20 O autor é proprietário e possuidor de uma casa no município de

21 Nhandeara, há mais de quinze anos, onde vive com sua família.

22 Ocorre que o autor resolveu passar 3 meses em Portugal e quando

23 retornou encontrou o imóvel invadido pelo réu, seu primo, o qual se

24 recusa a desocupá-lo sob o fundamento de que o imóvel lhe pertence

25 em razão de divisão de herança.

26 Assim, considerando a configuração do esbulho e a recusa do réu em

27 deixar o imóvel, não restou outra alternativa ao autor a não ser a

28 propositura da presente ação de reintegração de posse.

29

30 II. DO DIREITO

Folha 2/4

31

32 O autor é possuidor do imóvel há mais de quinze anos e, conforme

33 dispõem os arts. 1.196 e 1.200 do Código Civil, é justa a posse do

34 autor por residir no imóvel e ser seu proprietário há tantos anos.

35 Assim, o ato de invasão do réu enquanto o autor estava fora do

36 país configura a agressão da posse mediante esbulho [na manutenção é


37 turbação], autorizando o autor a fazer uso da ação de reintegração de

38 posse para ser restituído do seu bem, conforme dispõem os arts. 1.210

39 do Código Civil e 560 do Código de Processo Civil.

40

41 Art. 1.210 do Código Civil: “O possuidor tem direito a ser

42 mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho,

43 e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser

44 molestado”.

45 Art. 560 do Código de Processo Civil: “O possuidor tem direito

46 a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado em

47 caso de esbulho”.

48

49 Assim, considerando que o autor provou a sua posse justa por meio

50 da residência no imóvel há mais de quinze anos (art. 561, I, do CPC),

51 o esbulho praticado pelo réu mediante invasão (art. 561, II, do CPC),

52 a data do esbulho, qual seja, o período em que o autor estava em

53 Portugal (art. 561, III, do CPC) e a perda da posse mediante esbulho

54 praticado pelo réu (art. 561, IV, do CPC), resta evidente o direito do

55 autor a ser reintegrado na posse, uma vez que provou todos os

56 requisitos necessários para tal medida.


57 Portanto, é inequívoco o pedido do autor de reintegração na posse

58 do imóvel esbulhado.

59

60 III. DA LIMINAR

Folha 3/4

61

62 O art. 562 do Código de Processo Civil autoriza a concessão de

63 mandado liminar de reintegração de posse, sem ouvir o réu, desde que

64 preenchidos os requisitos constantes no art. 561 do Código de Processo

65 Civil.

66 Conforme exposto acima, o autor cumpriu todos os requisitos

67 necessários, uma vez que demonstrou sua posse em razão da proprie-

68 dade e residência no imóvel, o esbulho praticado pelo réu mediante

69 invasão, a data do esbulho, menos de ano e dia, com a sua respectiva

70 perda da posse.

71 Logo, presentes os requisitos que autorizam a concessão de medida

72 liminar, o autor requer que seja imediatamente expedido o mandado de

73 reintegração de posse, sem ouvir o réu, conforme determina o art. 562

74 do CPC.

75

76 IV. PEDIDOS
77

78 Em face do exposto, é a presente para requerer:

79 a) a concessão da liminar para que seja deferido, sem ouvir o réu, a

80 expedição do mandado liminar de reintegração de posse com ordem

81 de desocupação do imóvel, caso contrário, determinar que o autor

82 justifique previamente o alegado, citando-se o réu para comparecer

83 à audiência de justificação a ser designada, nos termos do art.

84 562, caput, do CPC;

85 b) a procedência do pedido de reintegração de posse, confirmando-se

86 a liminar e aplicando-se medida necessária para evitar novo esbu-

87 lho, nos termos do art. 555, parágrafo único, do CPC;

88 c) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

89 especialmente, a produção de prova testemunhal e pericial;

90 d) a juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de

Folha 4/4

91 gratuidade da justiça;

92 e) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

93 nos termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

94 f) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

95 CPC (se for o caso).


96

97 Valor da causa: R$ ... (valor do imóvel).

98

99 Termos em que

100 pede deferimento.

101

102 Local e data ...

103

104 Advogado ...

105 OAB n. ...

3.8. Estrutura básica do interdito proibitório

ENDEREÇAMENTO

• Bens móveis (art. 46 do CPC): domicílio do réu


Competência
• Bens imóveis (art. 47, § 2º, do CPC): situação da coisa

PREÂMBULO

Autor
Réu
Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC)
Modelo de qualificação dos réus em litígio coletivo: “(...) em face dos
Partes
esbulhadores e/ou réus desconhecidos ou incertos do imóvel na matrícula n. ...,
situado no endereço da Rua ...”.
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação INTERDITO PROIBITÓRIO COM PEDIDO LIMINAR


Fundamento
Arts. 567 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: posse do bem.


Causa: risco de turbação ou esbulho.
Consequência: mandado proibitório para que segure o esbulho ou turbação.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material (arts. 1.196, 1.200, 1.201 e 1.210 do Código
Fundamento Civil) e processual (arts. 567 e 568 do CPC)
legal Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DA LIMINAR

Liminar (arts. Necessidade de cumprimento de todos os requisitos constantes no art. 561 do


562 e 568 do CPC para requerer a concessão da liminar independentemente de perigo de
CPC) dano.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A concessão da liminar para que seja deferido, sem ouvir o réu, a expedição
do mandado liminar proibitório para que segure o esbulho iminente, aplicando-
se pena pecuniária caso os réus transgridam o preceito, caso contrário,
determinar que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para
comparecer à audiência de justificação a ser designada, nos termos do art. 562,
Pedidos
caput, do CPC.
b) A procedência do pedido de interdito proibitório para que segure o esbulho,
confirmando-se a liminar e aplicando-se pena pecuniária para evitar novo
esbulho, nos termos do art. 567 do CPC.
c) A condenação do réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

d) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,


a produção de prova testemunhal e pericial.
e) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos f) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos termos do
art. 1.048, I, do CPC (se for o caso).
g) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC (se for
o caso).

Valor da
Art. 292 do CPC
Causa

O requerimento de prioridade de tramitação e intimação do Ministério Público


com fundamento no art. 178, II, do CPC somente deverá constar na peça se o
enunciado trouxer elementos que evidenciem a necessidade de tais
requerimentos.
Se se tratar de litígio coletivo, deverão constar ainda na petição inicial os
seguintes pedidos:
(i) a citação dos réus que forem encontrados no local por
oficial de justiça e os demais por edital, nos termos do art.
554, § 2º, do CPC;
ATENÇÃO
(ii) a intimação do Ministério Público e da Defensoria
Pública, na hipótese de existirem pessoas em condições de
hipossuficiência, nos termos dos arts. 178, III, e 554, § 1º,
do CPC;
(iii) antes de analisar o pedido de tutela provisória de
urgência, a intimação do Ministério Público, Defensoria
Pública e órgãos da política agrária e urbana a
comparecerem na audiência de mediação a ser designada,
conforme art. 565, caput e §§ 2º e 4º, do CPC.

3.9. Modelo de peça prática de interdito proibitório

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE MANAUS

03

04
05

06

07

08 FREDERICO COSTA JÚNIOR, estado civil ..., profissão ..., inscrito no

09 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., por seu

10 advogado com endereço na Rua ..., onde recebe intimações (procuração

11 anexa), vem, com fundamento nos arts. 567 e s. do Código de Processo

12 Civil, propor INTERDITO PROIBITÓRIO COM PEDIDO DE LIMINAR em

13 face de CARMEM AZEVEDO, estado civil ..., profissão ..., inscrita no

14 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., JONAS

15 REIS, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço

16 eletrônico ..., com endereço na Rua ... e MANOEL CARLOS FEREIRA,

17 estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico

18 ..., com endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

19

20 I. DOS FATOS

21

22 O Autor é possuidor de um estacionamento na Rua Carlos Azevedo,

23 município de Manaus, com funcionamento diário das 8h às 19h.

24 Ocorre que os Réus informaram o Autor que este não deve permanecer

25 no imóvel por questões familiares e que vão invadir o estacionamento.


26 Em sendo assim, considerando a probabilidade de invasão, o Autor

27 tem direito de ver protegida sua posse, impedindo o futuro esbulho.

28

29 II. DO DIREITO

30

Folha 2/4

31 O Autor é justo possuidor do imóvel em que exerce sua atividade

32 comercial, conforme documentos anexos. Assim, nos termos dos arts.

33 1.200 e 1.210 do Código Civil, é direito do autor permanecer na posse

34 do imóvel:

35

36 Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou

37 precária.

38 (...)

39 Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em

40 caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência

41 iminente, se tiver justo receio de ser molestado.

42

43 Assim, considerando a ameaça sofrida, o autor tem direito de ser

44 segurado da violência iminente, razão pela qual deve ser julgado proce-
45 dente o pedido.

46

47 III. DA LIMINAR

48

49 A liminar das ações possessórias será concedida nos termos do art.

50 562 do Código de Processo Civil. Assim, considerando que o interdito

51 é uma espécie de ação possessória, faz-se necessária a expedição

52 do mandado liminar, uma vez que a petição inicial cumpre todos os

53 requisitos elencados no art. 561 do Código de Processo Civil.

54

55 [abordar o cumprimento de todos os requisitos do art. 561 do CPC]

56

57 Em sendo assim, considerando o cumprimento de todos os requisitos,

58 com fundamento nos arts. 562 e 568 do Código do Processo Civil,

59 faz-se necessária a expedição do mandado liminar para evitar o esbulho

60 da posse.

Folha 3/4

61

62 IV. PEDIDOS E REQUERIMENTOS

63
64 a) a concessão da liminar para que seja deferida, sem ouvir o réu, a

65 expedição do mandado liminar proibitório para que segure o esbulho

66 iminente, aplicando-se pena pecuniária caso os réus transgridam o

67 preceito, caso contrário, determinar que o autor justifique pre-

68 viamente o alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência

69 de justificação a ser designada, nos termos do art. 562, “caput”,

70 do CPC;

71 b) a procedência do pedido de interdito proibitório para que segure

72 o esbulho, confirmando-se a liminar e aplicando pena pecuniária

73 para evitar novo esbulho, nos termos do art. 567 do CPC;

74 c) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

75 especialmente a produção de prova testemunhal e pericial;

76 d) a juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de

77 gratuidade da justiça;

78 e) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

79 nos termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

80 f) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

81 CPC (se for o caso).

82

83 Valor da causa: R$ ... (valor do imóvel).

84
85 Termos em que

86 pede deferimento.

87

88 Local e data ...

89

90 Advogado ...

Folha 4/4

91 OAB n. ...

3.10. Artigos relevantes


• Reintegração e manutenção de posse: arts. 558, 560, 561 e 562;
• Litígio coletivo: arts. 554, §§ 1º e 2º, e 565 do CPC;
• Interdito proibitório: art. 567 do CPC.
4. Ação monitória
A ação monitória tem por finalidade a satisfação de obrigação prevista em
documento escrito, mas sem eficácia de título executivo. O documento escrito
que comprova a relação obrigacional entre as partes não autoriza a
propositura de ação executiva, seja porque não está relacionado no rol do art.
784 do CPC como título executivo extrajudicial, seja porque contém algum
vício, como, por exemplo, prescrito, sem assinatura de testemunhas etc.
Assim, o documento escrito para fins de ajuizamento de ação monitória
pode ser qualquer documento, como, por exemplo, e-mail, contrato sem
assinatura de 2 testemunhas, prova oral obtida por meio de produção
antecipada de provas35, cheque prescrito36, fatura de prestação de serviços,
contrato de abertura de crédito em conta corrente37 etc.
Presentes os requisitos – documento escrito sem eficácia de título
executivo, e, desde que o devedor/réu seja capaz –, o autor com o objetivo de
obter título executivo extrajudicial de forma mais célere poderá propor ação
monitória para o fim de ver satisfeito o pagamento de quantia certa; entrega
de coisa (fungível, infungível, móvel e imóvel) ou adimplemento de
obrigação de fazer ou não fazer.

Importante: Poderá ser ajuizada ação monitória contra a Fazenda Pública (art. 700, § 6º,
do CPC).

A petição inicial da ação monitória será dirigida para o foro do local onde a
obrigação deva ser satisfeita (art. 53, III, do CPC) ou para aquele eleito pelas
partes mediante cláusula de eleição de foro. Além dos requisitos do art. 319
do CPC, na petição inicial da ação monitória, incumbe ao autor explicitar,
conforme o caso (art. 700, § 2º, do CPC):
• a importância devida, instruindo-a com memória de cálculo;
• o valor atual da coisa reclamada;
• o conteúdo patrimonial em discussão ou o proveito econômico
perseguido.
Distribuída a petição inicial, se o juiz entender que a prova escrita não é
idônea, intimará o autor para emendar a petição inicial com o fim de adaptá-
la ao procedimento comum. Por sua vez, sendo evidente o direito do autor, o
juiz deferirá a expedição de mandado de pagamento, de entrega de coisa ou
para execução de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu
prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de honorários
advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa.
Citado o réu, este poderá tomar as seguintes providências:
a) cumprir integralmente o mandado com o acrescimento de 5% de
honorários advocatícios calculados sobre o valor da causa, com a isenção
do pagamento de custas processuais se cumprir o mandado no prazo de
15 dias (art. 701, § 1º, do CPC);
b) requerer no prazo de 15 dias o parcelamento do débito, nos termos do
art. 916 do CPC: depósito de 30% no ato do requerimento e o restante em
até 6 parcelas corrigidas;
c) opor embargos à ação monitória no prazo de 15 dias, independentemente
de garantia do juízo, podendo alegar qualquer matéria de defesa do
procedimento comum.

Atenção:
ü Quando o réu alegar que o autor pleiteia quantia superior à devida,
cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto,
apresentando demonstrativo discriminado e atualizado da dívida.
ü Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os
embargos serão liminarmente rejeitados, se esse for o seu único
fundamento, e, se houver outro fundamento, os embargos serão
processados, mas o juiz deixará de examinar a alegação de excesso.
ü Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os
embargos serão liminarmente rejeitados, se esse for o seu único
fundamento, e, se houver outro fundamento, os embargos serão
processados, mas o juiz deixará de examinar a alegação de excesso.
ü Se forem opostos embargos à ação monitória, o autor será intimado para
responder aos embargos no prazo de 15 (quinze) dias.
ü Na ação monitória admite-se a reconvenção, sendo vedado o
oferecimento de reconvenção à reconvenção.
ü Rejeitados os embargos, constituir-se-á de pleno direito o título
executivo judicial.
ü Cabe apelação contra a sentença que acolhe ou rejeita os embargos.

Não cumprido o mandado e não opostos embargos à ação monitória ou se


opostos, forem rejeitados, o mandado será automaticamente convertido em
título executivo judicial, seguindo a ação os atos judiciais do cumprimento de
sentença.
O juiz condenará o autor de ação monitória proposta indevidamente e de
má-fé ao pagamento, em favor do réu, de multa de até dez por cento sobre o
valor da causa, aplicando-se esta mesma penalidade ao réu que opuser
embargos à ação monitória de má-fé.

4.1. Estrutura básica da ação monitória

ENDEREÇAMENTO

Local onde a obrigação deve ser satisfeita (art. 53, III, d, do CPC) ou foro de
Competência
eleição (art. 63 do CPC) ou domicílio do réu (art. 46 do CPC).

PREÂMBULO

Autor (credor da obrigação)


Réu (devedor da obrigação)
Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação AÇÃO MONITÓRIA

Fundamento
Arts. 700 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação obrigacional firmada entre autor e réu constante em documento
escrito sem eficácia executiva.
Causa: inadimplemento do devedor.
Consequência: necessidade de propositura de ação judicial para forçar o cumprimento do constante
no documento escrito.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material (arts. 394 e s. do CC: inadimplemento) e


Fundamento processual (arts. 700 e 701 do CPC).
legal Súmulas.
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DA LIMINAR

Não há previsão expressa do termo liminar na ação monitória, todavia consta no


art. 701 do CPC que, evidente o direito, será expedido o mandado para
Expedição de
cumprimento, portanto, poderá ser tratada a questão da expedição do mandado
mandado
como liminar, bem como no próprio tópico do direito, conforme modelo que
liminar (art.
utilizaremos abaixo.
701 do CPC)
Palavras-chaves para concessão da tutela provisória: evidente o direito do autor
constante em prova escrita.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Expedição do mandado de pagamento, de entrega de coisa ou para execução


de obrigação de fazer ou de não fazer, concedendo ao réu prazo de 15 (quinze)
dias para o cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de cinco por
Pedidos cento do valor atribuído à causa.
b) No mesmo prazo, poderá o réu requerer o parcelamento constante no art. 916
do CPC, bem como opor embargos à ação monitória, sob pena de conversão do
mandado em título executivo judicial.
c) Na hipótese de oposição dos embargos à ação monitória, o autor pugna pela
produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.
Requerimentos d) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de gratuidade
da justiça.
e) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos termos do
art. 1.048, I, do CPC.

Valor da Em regra, será o valor da obrigação que o autor pretende ver satisfeita (art. 700,
Causa § 3º, do CPC).

O requerimento de prioridade de tramitação somente deverá constar na peça se


o enunciado trouxer elementos que evidenciem a necessidade de tais
requerimentos.
ATENÇÃO
Nesse caso não haverá requerimento de intimação do Ministério Público com
fundamento no art. 178, II, do CPC, pois a ação monitória somente é cabível
contra devedor capaz (art. 700, caput, do CPC).

4.2. Modelo de peça prática de ação monitória

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

03

04

05

06

07

08 FÉLIX XAVIER ATIVIDADES MÉDICAS-ME, estado civil ..., profissão

09 ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua
10 ...., vem por meio do seu advogado, com endereço profissional na Rua

11 ..., onde recebe intimações (procuração anexa), com fundamento nos

12 arts. 700 e s. do CPC, propor AÇÃO MONITÓRIA em face de LEONORA

13 FERRAZ, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço

14 eletrônico ..., com endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

15

16 I. DOS FATOS

17

18 O réu assinou proposta de honorários apresentada pelo autor referente

19 à prestação de serviços médicos estéticos no valor de R$ 9.000,00.

20 Pela proposta assinada pelas partes o autor pagaria o valor de R$

21 3.000,00 no ato de assinatura da proposta e o restante no prazo de

22 até 30 e 60 dias a contar da assinatura.

23 O réu quitou as duas primeiras parcelas, todavia não adimpliu a última

24 parcela do valor de R$ 3.000,00.

25 Assim, diante do inadimplemento do réu e da prova escrita do débito,

26 ao autor não resta outra alternativa a não ser a propositura da

27 presente ação para que a obrigação seja cumprida.

28

29 II. DO DIREITO
30

Folha 2/3

31 O art. 700 do Código de Processo Civil dispõe que a ação monitória

32 pode ser proposta por aquele que possui prova escrita sem eficácia de

33 título executivo do inadimplemento da obrigação.

34 No caso em análise, o réu assinou proposta de honorários, ou seja,

35 prova escrita em que se comprometeu a quitar o valor de R$ 9.000,00

36 em 3 parcelas. O não pagamento pelo réu da última parcela na data

37 prevista evidencia a mora do devedor (arts. 394 e s. do Código Civil)

38 e autoriza desde já a propositura da ação monitória para que o autor

39 exija o pagamento do devedor, conforme dispõe o art. 700, I, do

40 Código de Processo Civil:

41

42 Art. 700. A ação monitória pode ser proposta por aquele que

43 afirmar, com base em prova escrita sem eficácia de título execu-

44 tivo, ter direito de exigir do devedor capaz:

45 I – o pagamento de quantia em dinheiro.

46

47 Assim, em atenção ao art. 700, § 2º, I, do Código de Processo Civil,

48 o valor atualizado do débito conforme memória de cálculo anexa é de

49 R$ 4.200,00.
50 Assim, por restar pendente o pagamento da última parcela, cujo valor

51 atualizado é de R$ 4.200,00, impõe-se desde já a expedição de man-

52 dado de pagamento para que o réu pague o valor em aberto no prazo

53 de 15 dias, conforme dispõe o art. 702 do Código de Processo Civil.

54

55 III. DO PEDIDO

56

57 Em face do exposto, é a presente para requerer:

58 a) Que seja deferido o mandado de pagamento no valor de R$

59 4.200,00, concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o

60 cumprimento e o pagamento de honorários advocatícios de cinco

Folha 3/3

61 por cento do valor atribuído à causa.

62 b) No mesmo prazo, poderá o réu requerer o parcelamento constante

63 no art. 916 do CPC, bem como opor embargos à ação monitória,

64 sob pena de conversão do mandado em título executivo judicial.

65 c) Na hipótese de oposição dos embargos à ação monitória, o autor

66 pugna pela produção de todos os meios de prova em direito

67 admitidos, especialmente testemunhal e pericial.

68 d) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de


69 gratuidade da justiça.

70 e) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

71 nos termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso).

72

73 Valor da causa: R$ 4.200,00 (quatro mil e duzentos reais).

74

75 Termos em que

76 pede deferimento.

77

78 Local e data ...

79

80 Advogado ...

81 OAB n. ...

4.3. Artigos relevantes


• Ação monitória: arts. 700 e 701 do CPC.
• Embargos monitórios: art. 702 do CPC.
5. Oposição

5.1. Introdução
O cabimento da oposição será possível quando o terceiro buscar obter um
bem ou direito disputado em processo em que não seja parte. O terceiro,
nominado de opoente, tem por pretensão obter direito ou bem discutido em
um processo já distribuído e discutido por autor e réu.
Vejamos um exemplo prático, em uma ação em que Maria e Fernanda
discutem a propriedade de um imóvel. Francisco que não é parte da ação já
em curso que discute a propriedade propõe oposição com o objetivo de ser
reconhecido como proprietário, portanto, diz que a casa não é de Maria nem
de Fernanda, mas sim dele.
O terceiro, opoente, deverá elaborar petição inicial, a qual será distribuída
por dependência ao processo que lhe deu origem a discussão. Na oposição é
possível a discussão da totalidade da coisa ou parte dela e a petição inicial
deve ser proposta até a sentença.
Em regra, a oposição será julgada em conjunto com o processo principal.

5.2. Estrutura básica da oposição

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 683, parágrafo único, do CPC.

PREÂMBULO

Opoente (terceiro que pretende o bem ou direito discutido em uma ação judicial
em que ele não é parte).
Opostos (autor e réu são partes na ação em que é discutido o objeto que o
terceiro pretende).
Partes
Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação OPOSIÇÃO

Fundamento
Arts. 682 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de ação judicial em curso em que há disputa de bem ou direito que o terceiro
não é parte.
Causa: bem discutido pelos opostos na ação que o terceiro não é parte.
Consequência: reconhecimento do direito do opoente sobre o bem em disputa.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual (arts. 682 a 686 do CPC).


Fundamento
Súmulas.
legal
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A procedência do pedido para reconhecer a posse ou propriedade do bem


discutido nos autos do processo n. …, em que figuram como partes os opostos.
Pedidos
b) A condenação dos opostos ao pagamento das custas, despesas processuais e
honorários advocatícios.

c) A citação dos Opostos, na pessoa de seus respectivos advogados, para


contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) dias, nos termos do art. 683,
parágrafo único, do CPC.
d) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos e) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.
f) A prioridade de tramitação, por se tratar de pessoa idosa, nos termos do art.
1.048, I, do CPC (se for o caso).
g) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC (se for
o caso).

Valor da
Art. 292 do CPC
Causa
5.3. Modelo de peça prática de oposição

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA … VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE NOVO HORIZONTE

03

04

05

06

07

08 Distribuição por dependência ao processo n. …

09

10

11 VINICIUS CUNHA, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ...,

12 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., vem por meio do seu

13 advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe intimações

14 no endereço ... (procuração anexa), com fundamento nos arts. 682 e

15 s. do Código de Processo Civil, propor OPOSIÇÃO em face de MARCIO

16 SILVA, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço

17 eletrônico ..., com endereço na Rua ... e MARIETA CONSTANTINO,

18 estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico
19 ..., com endereço na Rua ..., pelos motivos de fato e de direito a seguir

20 expostos.

21

22 I. DOS FATOS

23

24 Os opostos discutem nos autos n. ... a propriedade do imóvel situado

25 na Rua Fernando Alves, 660, sob o fundamento de que são proprietários

26 em razão de partilha de bens.

27 No entanto, o imóvel objeto de discussão pertence ao opoente,

28 conforme documentos anexos.

29 Em sendo assim, considerando a propriedade do opoente, cabível a

30 propositura da presente oposição.

Folha 2/3

31

32 II. DO DIREITO

33

34 O caso em análise cuida de oposição tendo em vista que o imóvel

35 objeto de discussão pertence ao opoente. Assim, nos termos do

36 art. 682 do Código de Processo Civil, cabível a presente oposição:

37
38 Art. 682. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou

39 o direito sobre que controvertem autor e réu poderá, até ser

40 proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos.

41

42 Assim, considerando que a ação em que os opostos são partes ainda

43 não foi prolatada sentença, cabível a presente oposição.

44 Os documentos anexos comprovam a propriedade do opoente, assim,

45 nos termos do art. 1.228 do Código Civil, o opoente na qualidade de

46 proprietário poderá requerer o bem de quem injustamente o detém.

47 Em sendo assim, o pedido deve ser julgado procedente para reconhecer

48 a propriedade do opoente.

49

50 III. OS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

51

52 Em face do exposto, é a presente para requerer:

53 a) a procedência do pedido para reconhecer a propriedade do bem

54 discutido nos autos do processo n. …, em figuram como partes os

55 opostos;

56 b) a condenação dos opostos ao pagamento das custas, despesas

57 processuais e honorários advocatícios;

58 c) a citação dos Opostos, na pessoa de seus respectivos advogados,


59 para contestar o pedido no prazo comum de 15 (quinze) dias,

60 nos termos do art. 683, parágrafo único, do CPC;

Folha 3/3

61 d) a juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

62 gratuidade da justiça;

63 e) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

64 especialmente testemunhal e pericial;

65 f) a prioridade de tramitação, por se tratar de pessoa idosa, nos

66 termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

67 g) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

68 CPC (se for o caso).

69

70 Valor da causa R$ ...

71

72 Termos em que

73 pede deferimento.

74

75 Local e data ...

76

77 Advogado ...
78 OAB n. ...
6. Embargos de terceiro

6.1. Introdução
Os embargos de terceiro visam à proteção da posse ou propriedade de bens
de terceiro que não fazem parte de processo, uma vez que estes sofreram
ameaça de constrição ou constrição judicial indevida e o ato judicial
originou-se de relação processual da qual o terceiro não participou.
Os embargos de terceiro são possíveis em qualquer dos procedimentos.
No que se refere aos fundamentos dos embargos de terceiro, não cabe ao
embargante discutir o direito das partes ou os demais atos processuais
praticados, o embargante apenas deve demonstrar que o ato processual que
gerou a constrição de seus bens era incompatível.
Abaixo os pressupostos dos embargos de terceiro:
• Ato judicial que violou posse ou propriedade de terceiro (terceiro é
aquele que não é parte no processo).
• Impropriedade do ato judicial, que decorreu de processo em curso.
Observe-se que, em regra, o terceiro não é responsável pelo adimplemento
da obrigação e é estranho ao processo.
Além disso, o ato constritivo decorre de qualquer espécie de procedimento
e gera esbulho, turbação ou mera ameaça na posse.
Por sua vez, o momento oportuno para o terceiro manifestar sobre a
constrição no seu bem será:
• Processo de conhecimento: a qualquer tempo no processo de
conhecimento, enquanto não transitada em julgado a sentença.
• Processo de execução e cumprimento de sentença: até cinco dias depois
da adjudicação, da alienação por iniciativa particular, da arrematação ou
remição, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta.
Já a competência para processamento e julgamento dos embargos de
terceiro é do juiz que determinou a constrição, tendo em vista que os
embargos de terceiro são distribuídos por dependência (art. 676 do CPC).
No que diz respeito a legitimidade, de acordo com o Código de Processo
Civil:

Legitimidade ativa (art. 674 do CPC) Legitimidade passiva

Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer


constrição ou ameaça de constrição sobre bens que
possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com
o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou
sua inibição por meio de embargos de terceiro. O Autor da ação da qual emanou o ato
§ 1º Os embargos podem ser de terceiro proprietário, de constrição sempre figurará no polo
inclusive fiduciário, ou possuidor. passivo.
§ 2º Considera-se terceiro, para ajuizamento dos O réu da ação da qual emanou o ato só
embargos: figurará se concorreu para o ato de
I – o cônjuge ou companheiro, quando defende a posse constrição.
de bens próprios ou de sua meação, ressalvado o disposto Poderá ainda figurar no polo passivo o
no art. 843; terceiro adquirente do bem (exemplo:
II – o adquirente de bens cuja constrição decorreu de adquiriu em hasta pública).
decisão que declara a ineficácia da alienação realizada O réu nos embargos de terceiro deverá
em fraude à execução; ser citado pessoalmente se não tiver
III – quem sofre constrição judicial de seus bens por procurador constituído nos autos da
força de desconsideração da personalidade jurídica, de ação principal. Caso haja procurador,
cujo incidente não fez parte; este será intimado no lugar do réu.
IV – o credor com garantia real para obstar expropriação
judicial do objeto de direito real de garantia, caso não
tenha sido intimado, nos termos legais dos atos
expropriatórios respectivos.

CASOS ESPECIAIS DE RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL

Há casos em que, embora não seja devedor, o terceiro responde pela dívida.
§ cônjuge: responderá se a dívida for em proveito da família;
§ sócio: responderá por dívidas tributárias, por dívidas de sociedade de responsabilidade limitada
se o capital não foi integralizado e se gerar dívida decorrente de lesão de terceiro ou obtenção de
vantagem indevida alcançadas por abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato
ilícito e violação dos estatutos ou do contrato social.

6.2. Estrutura básica dos embargos de terceiro

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 676 do CPC.

PREÂMBULO

Embargante (terceiro: pode ser proprietário ou possuidor).


Embargado (beneficiário da constrição e o seu adversário, se foi ele quem
indicou o bem ou direito constrito).
Partes
Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação EMBARGOS DE TERCEIRO

Fundamento
Arts. 674 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação entre bem do processo constrito e terceiro.


Causa: constrição do bem de terceiro (embargante)
Consequência: desconstituir o ato de constrição (penhora)

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual (arts. 674 a 681 do CPC).


Fundamento
Súmulas.
legal
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DA LIMINAR

Prova de domínio e da posse, independentemente de risco de dano, suspende as


medidas constritivas sobre os bens litigiosos objeto dos embargos, bem como a
Liminar (art. manutenção ou a reintegração provisória da posse, se o embargante a houver
678 do CPC) requerido.
Palavras-chaves para concessão da liminar: prova de domínio e da posse;
suspensão das medidas constritivas.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A concessão da medida liminar suspendendo os atos constritivos, bem como


a manutenção da posse do Embargante em relação ao bem constrito, qual seja:
Rua Castor Freire, 675, nos termos do art. 678 do Código de Processo Civil.
b) A procedência do pedido dos embargos de terceiro para desconstituição da
Pedidos constrição judicial e consequente liberação do bem imóvel situado na Rua
Castro Freire, 675, matrícula n. …, nos termos do art. 681 do Código de
Processo Civil, confirmando-se a liminar.
c) A condenação do Embargado ao pagamento das custas, despesas processuais
e honorários advocatícios.

d) A citação do Embargado, na pessoa do seu advogado, para apresentar


contestação no prazo de 15 dias, conforme art. 679 do Código de Processo
Civil.
e) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.
g) A prioridade de tramitação, por se tratar de pessoa idosa, nos termos do art.
1.048, I, do CPC (se for o caso).
h) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC (se for
o caso).

Valor da
Art. 292 do CPC
Causa

Pedido de tramitação prioritária e intimação do Ministério Público, somente na


ATENÇÃO
hipótese de o enunciado deixar evidenciada a necessidade.

6.3. Modelo de peça prática de embargos de terceiro

Folha 1/5

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA … VARA


02 CÍVEL DO FORO DISTRITAL DA COMARCA DE MACAUBAL

03

04

05

06

07

08 Distribuição por dependência ao processo n. …

09

10

11 MARCOS GUILHERME SILVA, estado civil ..., profissão ..., inscrito

12 no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., vem

13 por meio do seu advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde

14 recebe intimações no endereço ... (procuração anexa), com fundamento

15 nos arts. 674 e s. do Código de Processo Civil opor EMBARGOS DE

16 TERCEIRO COM PEDIDO LIMINAR em face de JULIO ASSIS, estado

17 civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ...,

18 com endereço na Rua ..., pelos motivos de fato e de direito a seguir

19 expostos.

20

21 I. DOS FATOS
22 O Embargado promoveu ação de conhecimento pelo procedimento

23 comum em face da Empresa X S/C Ltda. Iniciado o cumprimento de

24 sentença, o Embargado requereu e obteve a penhora dos seguintes bens:

25 a) casa localizada na rua Castor Freire, n. 675; b) conjunto comercial

26 localizado na rua Fernandes Freitas, n. 765 (doc. anexo).

27 Posteriormente, o Embargado, verificando que os imóveis pertenciam ao

28 sócio da empresa Fulano de Tal, pediu a desconsideração da personalidade

29 jurídica da empresa para a inclusão de seu sócio no polo passivo da ação.

30 A pretensão do Embargado foi deferida.

Folha 2/5

31 O sócio da empresa (Fulano de Tal) foi citado e intimado da referida

32 penhora por meio de editais. Após apresentação de impugnação ao cum-

33 primento da sentença, foi expedida carta de sentença. Encontra-se

34 agora na fase de avaliação dos imóveis.

35 Entretanto, entre os imóveis penhorados existe um que não pode e

36 não deve continuar a garantir o presente cumprimento de sentença,

37 trata-se do imóvel situado na rua Castor Freire, n. 675, casa de

38 propriedade do Embargante. É o que se passa a demonstrar.

39 Com efeito, o Embargante adquiriu por meio de escritura pública

40 de compra e venda o referido imóvel de Fulano de Tal e sua esposa

41 em (data).
42 Note-se que a aludida escritura de compra e venda do imóvel foi

43 lavrada antes da propositura da ação pelo Embargado. Ressalte-se, assim,

44 que a escritura deu-se cerca de 7 (sete) meses antes de o sócio ser

45 incluído no polo passivo da demanda e quase 1 (um) ano antes de sua

46 citação como devedor. E mais, não havia à época da aquisição realizada

47 pela Embargante, como não há até a presente data, nenhuma notícia

48 de arresto ou penhora do imóvel em sua matrícula imobiliária.

49 Portanto, o negócio de compra e venda celebrado é anterior à inclusão

50 do sócio da empresa no polo passivo da ação de conhecimento. Ademais,

51 o imóvel pertencia ao patrimônio pessoal da esposa do sócio.

52 Não há, pois, que se falar em fraude ou simulação do negócio realizado,

53 pois, repita-se, à época em que o Embargante adquiriu o imóvel penhorado

54 pelo Embargado, o sócio da empresa Ré não tinha contra si nenhuma

55 ação ou pendência.

56

57 II. DO DIREITO

58 Com efeito, na espécie pode-se afirmar, sem nenhum exagero ou receio,

59 que o Embargante, terceiro de absoluta boa-fé, não pode ser prejudicado

60 por ato desprovido de amparo legal praticado pelo Embargado, pois

Folha 3/5
61 inexiste a fraude, que, a princípio, autorizaria a penhora do imóvel

62 alienado ao Embargante, por força do disposto no art. 792, IV, do

63 Código de Processo Civil, que dispõe da seguinte forma:

64

65 Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude

66 à execução.

67 (...)

68 IV – quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramita contra

69 o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência.

70

71 Para a caracterização da fraude de execução, prevista no art. 792, IV,

72 do CPC, é necessária e imprescindível a existência de dois pressupostos,

73 tais sejam: a ação em curso, com citação válida, e o estado de insolvência

74 em virtude da alienação.

75 Com base nos elementos referidos e no que dispõe a Lei Processual, é

76 possível afirmar que a posse e a propriedade exercidas pelo Embargante

77 desde … devem ser protegidas, por meio desses embargos, nos termos

78 do art. 674 do CPC:

79

80 Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição

81 ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais


82 tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer

83 seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro.

84

85 Assim, provada a qualidade de terceiro de boa-fé, legítimo o direito

86 do Embargante de vir, por meio desses embargos, pleitear que o imóvel

87 de sua propriedade fique livre da constrição judicial realizada nos autos

88 da ação de conhecimento pelo procedimento comum, ora em fase de

89 cumprimento de sentença, que os Embargados promovem em face da

90 Empresa X S/C Ltda., impondo-se a procedência do pedido desses

Folha 4/5

91 Embargos, nos termos do art. 677 do Código de Processo Civil.

92

93 III. DA LIMINAR

94 Conforme documentos anexos, restou provado o domínio do Embar-

95 gante em relação ao imóvel situado na Rua Castor Freire, 675, penhorado

96 nos autos da ação de conhecimento, ora em fase de cumprimento de

97 sentença.

98 Nesse contexto, considerando a liminar prevista no art. 678 do Código

99 de Processo Civil, impõe-se a suspensão da medida constritiva:

100
101 Art. 678. A decisão que reconhecer suficientemente provado o

102 domínio ou a posse determinará a suspensão das medidas constri-

103 tivas sobre os bens litigiosos objeto dos embargos, bem como a

104 manutenção ou a reintegração provisória da posse, se o embargante

105 a houver requerido.

106 Parágrafo único. O juiz poderá condicionar a ordem de manutenção

107 ou de reintegração provisória de posse à prestação de caução pelo

108 requerente, ressalvada a impossibilidade da parte economicamente

109 hipossuficiente.

110

111 Em sendo assim, comprovado o domínio, requer que seja determinada

112 liminarmente a suspensão dos atos constritivos do bem imóvel que

113 pertence ao Embargante, além da manutenção da sua posse.

114

115 IV. PEDIDO E REQUERIMENTOS

116 Em face do exposto, é a presente para requerer:

117 a) a concessão da medida liminar suspendendo-se os atos constritivos,

118 bem como a manutenção da posse do Embargante em relação ao

119 bem constrito, qual seja: Rua Castor Freire, 675, nos termos do

120 art. 678 do Código de Processo Civil;

Folha 5/5
121 b) a procedência do pedido dos embargos de terceiro para desconsti-

122 tuição da constrição judicial e consequente liberação do bem imóvel

123 situado na Rua Castro Freire, 675, matrícula n. …, nos termos

124 do art. 681 do Código de Processo Civil, confirmando-se a liminar;

125 c) a condenação do Embargado ao pagamento das custas, despesas

126 processuais e honorários advocatícios;

127 d) a citação do Embargado, na pessoa do seu advogado, para apre-

128 sentar contestação no prazo de 15 dias, conforme o art. 679 do

129 Código de Processo Civil;

130 e) a juntada da guia de custas devidamente recolhida ou do pedido

131 de gratuidade da justiça;

132 f) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

133 especialmente testemunhal e pericial;

134 g) a prioridade de tramitação, por se tratar de pessoa idosa, nos

135 termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

136 h) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

137 CPC (se for o caso).

138

139 Valor da causa R$ … (valor do bem).

140
141 Termos em que

142 pede deferimento.

143

144 Local e data …

145

146 Advogado …

147 OAB n. …

6.4. Artigos relevantes


• Arts. 674, 676, 677, 678 e 681 do CPC.
7. Ação de exigir contas

7.1. Introdução
Importante verificar que no CPC de 2015 houve a modificação da
nomenclatura da Ação de Prestação de Contas para Ação de Exigir Contas.
Por meio desse procedimento especial, previsto nos arts. 550 a 553 do
CPC, aquele que afirmar ser titular do direito de exigir contas requererá a
citação do réu para que as preste ou ofereça contestação no prazo de 15
(quinze) dias.
Nesse caso, a peça prática será uma petição inicial, na qual o Autor (aquele
que afirma ser titular do direito) pretenderá do Réu (aquele que tem o dever
de prestar contas) a apresentação das contas a respeito da relação jurídica
existente entre as partes.

7.2. Procedimento
O procedimento da ação de exigir contas se desenvolve em duas fases,
quais sejam:
1ª Fase: o juiz verifica se há, ou não, a obrigação de que o réu preste as
contas exigidas pelo autor. Nessa etapa, não se discute os valores a serem
apurados.
2ª Fase: o juiz analisa as próprias contas prestadas, ou seja, se estão
corretas ou incorretas. Nesse momento, o juiz verifica os valores e se,
eventualmente, existe saldo remanescente em favor de uma das partes.
O procedimento se inicia, na 1ª Fase, com a propositura de uma petição
inicial, com fundamento no art. 550, § 1o, do CPC, na qual o autor
especificará, detalhadamente, as razões pelas quais exige as contas,
instruindo-a com documentos comprobatórios dessa necessidade, se
existirem.
Julgado procedente o pedido, reconhecendo o direito do autor de exigir as
contas e o dever do réu de prestá-las, também condenará o réu a prestar as
contas no prazo de 15 dias, sob pena de não lhe ser lícito impugnar as que o
autor apresentar (art. 550, § 5º, do CPC).
Inicia-se, assim, a 2ª Fase, tendo o autor duas opções nesse caso:
a) Apresentadas as contas: terá o autor 15 dias para se manifestar.
b) Não apresentadas as contas: serão apresentadas pelo autor, sem direito
de impugnação por parte do réu. No entanto, tal impedimento não obsta ao
juiz a determinação de exame pericial nas contas apresentadas, se necessário.

1ª Fase 2ª Fase

Juiz verifica se há, ou não, a obrigação de


O juiz analisa as próprias contas prestadas, ou seja, se
que o réu preste as contas exigidas pelo
estão corretas ou incorretas.
autor.

Sentença reconhecendo os valores e se,


Sentença reconhecendo o direito do autor
eventualmente, existe saldo remanescente em favor
e o dever do réu de prestar as contas.
de uma das partes.

Ao final da 2ª Fase, o juiz sentenciará, apurando o saldo devedor, se


existente, em favor de uma das partes (natureza dúplice), constituindo título
executivo judicial, cuja execução seguirá o procedimento do cumprimento de
sentença, nos termos dos arts. 513 e s. do CPC.

7.3. Identificação da peça


A principal dica para que se possa identificar se efetivamente trata de
petição inicial em Ação de Exigir Contas será a apresentação pelo enunciado
de um vínculo jurídico existente entre as partes, no qual uma delas terá o
direito de exigir que a outra preste as contas relativas à relação.
Note que esta relação jurídica pode ser verificada quando determinadas
pessoas possuem o dever legal de administrar determinados bens e interesses
juridicamente relevantes, possuindo a responsabilidade de prestar as contas
de sua gestão.
São exemplos desse dever: o sucessor provisório de ausente que não seja
descendente, ascendente ou cônjuge (art. 33, caput, do CC); os mandatários
quanto aos atos praticados em função do contrato de mandato (art. 668 do
CC); o síndico de condomínio (art. 1.348 do CC); a empresa de
administração de condomínios; o advogado para seu cliente no que se refere
às quantias recebidas para patrocínio da causa ou aquelas levantadas durante
o feito.

7.4. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Lugar de cumprimento da obrigação – art. 53, III, d, do CPC.


Ou
Competência As contas do inventariante, do tutor, do curador, do depositário e de qualquer
outro administrador serão prestadas em apenso aos autos do processo em que
tiver sido nomeado – art. 553 do CPC.

PREÂMBULO

Autor e Réu
Informar casos de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado, com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação AÇÃO DE EXIGIR CONTAS

Fundamento
Arts. 550 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: vínculo jurídico existente entre as partes.


Causa: dever de prestar as contas e a falta da prestação.
Consequência: necessidade de exigir e dever de prestar.
II) DO DIREITO

Demonstrar que o autor é o titular do direito de exigir contas (art. 550 do CPC).
Especificar as razões detalhadas pelas quais exige as contas (art. 550, § 1º, do
Fundamento
CPC).
legal
Demonstrar que o pedido está devidamente instruído com os documentos
necessários para comprovar o direito (art. 550, § 1º, parte final, do CPC).

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) O julgamento de procedência do pedido condenando o réu a prestar as contas


de forma adequada, no prazo de 15 dias, sob pena de não lhe ser lícito impugná-
Pedidos las – art. 550, § 5º, do CPC.
b) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios – arts. 82, §
2º, e 85 do CPC.

c) A citação do réu para que preste as contas ou ofereça contestação no prazo de


15 dias – art. 550 do CPC.
d) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos e) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, conforme
determina o art. 1.071 do CPC (se for o caso).
f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.
g) Informa o interesse ou desinteresse na audiência de conciliação.

Valor da
Observar critérios do art. 292 do CPC.
Causa

7.5. Modelo de ação de exigir contas

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03
04

05

06

07

08 CONDOMÍNIO JARDIM DAS FLORES, localizado na Rua ..., endereço

09 eletrônico ..., nestes autos representados por seu síndico Ricardo Silva,

10 conforme ata da Assembleia anexa, vem, por seu advogado (instrumento

11 de mandato anexo), com fundamento nos arts. 550 e s. do Código de

12 Processo Civil, propor a presente AÇÃO DE EXIGIR CONTAS em face

13 de JOÃO CARLOS, estado civil ..., profissão ..., RG n. ..., CPF n. ...,

14 endereço eletrônico ..., residente na Rua ..., pelos fundamentos a seguir

15 expostos.

16

17 I) DOS FATOS

18

19 Com efeito, o Réu foi legítimo representante do Autor na qualidade

20 de síndico, conforme demonstra a Ata de Eleição anexada a esta inicial.

21 Ocorre que, aos 10-5-2018, o Réu, por meio de Assembleia Geral

22 Extraordinária especificamente destinada a esse fim, abdicou da prerro-

23 gativa de continuar na função de síndico do condomínio, renunciando ao

24 cargo e convocando todos os condôminos para analisarem suas contas do


25 período de sua gestão.

26 Entretanto, o novo síndico eleito, em auditoria realizada nas contas da

27 gestão anterior, evidenciou um déficit de R$ 1.000,00 nas referidas

28 contas, necessitando, pois, que o Réu preste as contas em juízo, para

29 apurar o período de sua gestão.

30

Folha 2/3

31 II) DO DIREITO

32

33 Conforme determina o art. 1.348, VIII, do Código Civil, compete

34 ao síndico prestar contas à assembleia, anualmente e quando exigidas.

35 Ainda, especifica o Código de Processo Civil, em seu art. 550, que

36 aquele que afirmar ser titular do direito de exigir contas requererá a

37 citação do réu para que as preste ou ofereça contestação no prazo de

38 15 (quinze) dias.

39 Assim, não resta outra alternativa ao Autor, senão valer-se da via

40 judicial, para que o Réu, caso não comprove a regularidade de seus atos,

41 seja condenado à restituição da quantia integral.

42

43 III) DO PEDIDO
44

45 Diante de todo exposto requer:

46 a) a procedência do pedido para condenar o réu a prestar as contas

47 de forma adequada no prazo de 15 dias sob pena de não lhe ser

48 lícito impugná-las se o autor apresentar (art. 550, § 5º);

49 b) que as contas sejam apresentadas de forma adequada, especificando

50 receitas, despesas e investimentos se houver, e, apurando-se saldo,

51 seja constituído título executivo (arts. 551 e 552 do CPC);

52 c) a citação do Réu, para que apresente contas ou ofereça contes-

53 tação no prazo de 15 dias (art. 550 do CPC);

54 d) condenação em custas e honorários a serem arbitrados por Vossa

55 Excelência;

56

57 Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

58 Segue acostada a guia de custas iniciais quitada.

59 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações

60 ... (endereço completo)

Folha 3/3

61 Dá à causa o valor de R$ ... (valor do título)

62

63 Termos em que
64 pede deferimento.

65

66 Local e data ...

67

68 Advogado ...

69 OAB n. ...

7.6. Principais artigos de direito processual e direito material


• Art. 550 do CPC
• Art. 551 do CPC
• Art. 552 do CPC
• Art. 1.348 do CC
• Art. 1.349 do CC
• Art. 1.350 do CC
8. Divisão e demarcação de terras particulares

8.1. Introdução
A ação de divisão e demarcação de terras particulares é de suma
importância nos direitos reais privados, pois para garantir ao dono o amplo
direito de usar, gozar e dispor sobre determinado bem imóvel, dentre outros
extensos e ilimitados poderes, se faz necessário que o objeto seja
precisamente identificado, o qual se dá pela exata fixação dos limites dos
prédios e terrenos por meio da referida ação de demarcação. A demarcação
refere-se exatamente ao direito de vizinhança, sendo lícita a cumulação das
duas ações (art. 570 do CPC). Em tempo, excluem-se desse rol os bens
públicos e os bens públicos dominicais.
Assim, caberá ao proprietário a ação de demarcação, para obrigar o seu
confinante a estremar os respectivos prédios, fixando-se novos limites entre
eles ou aviventando-se os já apagados; ao condômino a ação de divisão, para
obrigar os demais consortes a estremar os quinhões (art. 569, I e II –
respectivamente –, do CPC).
O principal objetivo da divisão e demarcação de terras é primeiro
demarcá-las, para apurar os limites; segundo, a divisão para que os seus
legítimos proprietários exerçam o direito real inerente a sua parte da
propriedade, sendo assim uma ação de caráter dúplice, pois trarão os limites
da propriedade tanto para o autor quanto para o réu, podendo ser qualquer um
deles o autor da ação. Entretanto, é possível que as partes realizem a divisão e
demarcação de terras pela via extrajudicial, desde que as partes sejam
maiores, capazes e estarem de acordo com a forma que realizarão a
demarcação (art. 571 do CPC).
A ação de divisão e demarcação de terras particulares terá duas fases: a
contenciosa, onde o magistrado irá proferir uma sentença conferindo ou não o
direito ao autor da demanda quanto ao direito à demarcação ou divisão;
administrativa (executiva), momento o qual ocorrerá a efetiva demarcação e
divisão.
Quanto à competência para ambas as ações, há de se observar que às ações
fundadas em direito real compete o foro de situação da coisa, conforme
preconiza o art. 47 do CPC. Lembre-se: seguirá regra de competência
absoluta.

8.2. Ação demarcatória


A petição inicial deverá cumprir os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC,
devendo ser instruída com os títulos de propriedade, designando os limites
por constituir, aviventar ou renovar e nomear-se-ão todos os confinantes da
linha demarcanda (art. 574 do CPC).
Quanto à citação, o art. 576 do CPC prevê a possibilidade da citação pelo
correio, observando o disposto no art. 247 do CPC. Outrossim, é possível a
citação por edital, conforme inciso III do art. 259 do CPC.
Após a referida citação, os réus terão o prazo de 15 dias para contestar (art.
577 do CPC). Ao exaurir tal prazo, observar-se-á o procedimento comum
(art. 578 do CPC).
Antes de proferir a sentença, o juiz deverá nomear um ou mais peritos para
levantar o traçado da linha demarcanda (art. 579 do CPC). Concluídos os
referidos estudos, os peritos apresentarão minucioso laudo sobre o traçado da
linha demarcanda, considerando os títulos, os marcos, os rumos, a fama da
vizinhança, as informações de antigos moradores do lugar e outros elementos
que coligirem (art. 580 do CPC).
Assim, a sentença que julgar procedente o pedido determinará o traçado da
linha demarcanda, determinando a restituição da área invadida, se houver,
declarando o domínio ou a posse do prejudicado, ou ambos (art. 581, caput e
parágrafo único, do CPC).
Tendo a referida sentença transitado em julgado, o perito efetuará a
demarcação e colocará os marcos necessários; todas as operações que serão
consignadas em planta (a confecção deverá seguir na forma dos arts. 583 a
585 do CPC) e memorial descritivo com as referências convenientes para a
identificação, em qualquer tempo, dos pontos assinalados – observada a
legislação especial que dispõe sobre a identificação de imóvel rural (art. 582,
caput e parágrafo único, do CPC). Posteriormente, após juntados aos autos os
relatórios dos peritos, o juiz determinará que as partes sobre ele se
manifestem no prazo comum de 15 (quinze) dias; lavrar-se-á, em seguida, o
auto de demarcação em que os limites demarcados serão minuciosamente
descritos de acordo com o memorial e a planta (art. 586, caput e parágrafo
único, do CPC). Ao fim, assinado o auto pelo juiz e pelos peritos, será
proferida a sentença homologatória da demarcação (art. 587 do CPC).

8.3. Ação de divisão


A petição inicial deverá cumprir os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC,
deverá ser instruída com os títulos de domínio e conterá: a indicação da
origem da comunhão e a denominação, a situação, os limites e as
características do imóvel; o nome, o estado civil, a profissão e a residência de
todos os condôminos, especificando os estabelecidos no imóvel com
benfeitorias e culturas, e as benfeitorias comuns (art. 588, caput e seus
incisos, do CPC).
As citações serão realizadas tal como a ação de demarcação, por correio
(art. 576 do CPC), prosseguindo-se na forma dos arts. 577 e 578 do CPC.
Assim, o procedimento de divisão seguirá, até a prolação da sentença, com os
mesmos dizeres da demarcação, inclusive com prazo comum de 15 dias para
resposta (art. 592 do CPC).
Após o trânsito em julgado da sentença, o juiz determinará o início dos
trabalhos de efetiva divisão, conforme os arts. 590 e s. do CPC.
8.4. Estrutura da peça e requisitos
Ao elaborar a peça, deverá seguir os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC,
mencionando a qualificação da parte autora e da parte ré, mencionar o tipo
da ação e a peça que está sendo requerida.

ENDEREÇAMENTO

Competência Analisar os critérios do art. 47 do CPC

PREÂMBULO

Autor e réu
Informar casos de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ..., onde recebe intimações (procuração anexa).

AÇÃO DE DEMARCAÇÃO OU DIVISÃO OU CUMULADAS (art. 570


Nome da ação
do CPC)

Seguir os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC.


Demarcação: complementar com os arts. 569 e s., bem como com os arts. 574 e
Fundamento
s., todos do CPC.
legal
Divisão: complementar com os arts. 569 e s., bem como com os arts. 588 e s.,
todos do CPC.

I) DOS FATOS

Relação: direito de vizinhança.


Causa: necessidade de divisão ou demarcação de terras particulares.
Consequência: direito real a fim de extinguir o condomínio demarcando e dividindo.

II) DO DIREITO

Artigos de lei:
Fundamento
Demarcação: arts. 1.297 e 1.298 do CC
legal
Divisão: art.1.320 do CC

III) DO PEDIDO
a) O julgamento de procedência do pedido para determinar a divisão do imóvel;
Pedido ou seja, determinar as áreas do imóvel demarcando-as ou ambos.
b) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

c) A citação dos réus para que no prazo de 15 dias possam contestar (art. 577 do
CPC); devendo seguir, posteriormente, o procedimento comum.
Requerimentos
d) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial,
pericial, sendo nomeado perito para a realização de prova técnica.

Valor da
Observar critérios do art. 292, IV, do CPC
Causa

IV) FECHAMENTO

Termos em que
pede deferimento.
Local e data ...
Advogado ...
OAB n. ...

8.5. Modelo de demarcação de terras

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 NOME DO AUTOR, estado civil ..., profissão ... (se pessoa jurídica,
09 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ sob

10 n. ..., endereço eletrônico ..., domicílio e residência à rua ..., vem, por

11 seu advogado, (instrumento de mandato anexo), com fulcro nos arts.

12 569 e s., bem como nos arts. 574 e s., todos do CPC, propor a

13 presente AÇÃO DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS PARTICULARES, em

14 face de NOME DO RÉU, estado civil ..., profissão ... (se pessoa jurídica,

15 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ sob

16 n. ..., endereço eletrônico ..., domicílio e residência à rua ..., pelas

17 razões de fato e de direito a seguir expostos:

18

19 I – DOS FATOS

20

21 Histórico resumido do processo, mencionando a inscrição de registro

22 no cartório ..., matrícula ..., endereço completo do imóvel ...

23 O requerido é proprietário confrontante nas áreas: norte ... (metragem);

24 sul ... (metragem); leste ... (metragem); oeste ... (metragem). Assim,

25 por não haver marcos ou limites que assegurem o direito real inerente

26 a cada propriedade, acaba gerando dúvida e conflito ou se faz necessária

27 a demarcação para não gerar conflito.

28 Desse modo, por não haver composição amigável entre as partes, vem

29 requerer a tutela estabelecedora dos limites.


30

Folha 2/3

31 II – DO DIREITO

32

33 A presente ação de demarcação visa a definição dos limites inerentes

34 à propriedade, permitindo que – à luz dos arts. 1.297 e 1.298 do CC –

35 o proprietário defina e mure ou cheque os limites entre a sua propriedade

36 e a de seus confrontantes ou, se confuso, que seja dividida em

37 partes iguais.

38 Diante do exposto, não restam dúvidas quanto à necessidade da

39 procedência da presente demarcação de terras particulares.

40

41 III – DOS PEDIDOS

42

43 Diante do exposto, o julgamento de procedência do pedido para

44 determinar as áreas de imóvel demarcando-as.

45 Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

46 Citação dos réus para que no prazo de 15 dias possam contestar (art.

47 577 do CPC); devendo seguir, posteriormente, o procedimento comum.

48 A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial,


49 pericial, sendo nomeado perito para a realização de prova técnica.

50 Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

51 Por fim, informa endereço profissional do advogado que receberá a

52 intimação... (endereço completo).

53 Dá à causa o valor de R$ ... (observar critérios do art. 292, IV,

54 do CPC).

55

56 Termos em que

57 pede deferimento.

58

59 Local e data ...

60

Folha 3/3

61 Advogado ...

62 OAB n. ...

8.6. Modelo de divisão de terras

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03
04

05

06

07

08 NOME DO AUTOR, estado civil ..., profissão ... (se pessoa jurídica,

09 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ sob

10 n. ..., endereço eletrônico ..., domicílio e residência à rua ..., vem, por

11 seu advogado, (instrumento de mandato anexo), com fulcro nos arts.

12 569 e s., bem como nos arts. 588 e s., todos do CPC, propor a

13 presente AÇÃO DE DEMARCAÇÃO DE TERRAS PARTICULARES, em

14 face de NOME DO RÉU, estado civil ..., profissão ... (se pessoa jurídica,

15 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ sob

16 n. ..., endereço eletrônico ..., domicílio e residência à rua ..., pelas

17 razões de fato e de direito a seguir exposto:

18

19 I – DOS FATOS

20

21 Histórico resumido do processo, mencionando a inscrição de registro

22 no cartório ..., matrícula ..., endereço completo do imóvel ...

23 O requerido é proprietário nas áreas: norte ... (metragem); sul ...

24 (metragem); leste...(metragem); oeste...(metragem). Assim, para


25 evitar conflitos, bem como para assegurar o direito real inerente a sua

26 propriedade, o requerente vem buscar a tutela judicial para a divisão da

27 área ..., devendo cada um dos requeridos responder pelo seu quinhão e

28 sua parte nas despesas da divisão.

29 Desse modo, por não haver composição amigável entre as partes, vem

30 requerer a tutela estabelecedora da divisão.

Folha 2/3

31

32 II – DO DIREITO

33

34 A presente ação de demarcação visa a definição dos limites inerentes à

35 propriedade, permitindo que – à luz do art. 1.320 do CC – o proprie-

36 tário condômino possa exigir a divisão da coisa comum, respondendo cada

37 qual pela sua parte, bem como pelas despesas da divisão.

38 Diante do exposto, não restam dúvidas quanto à necessidade da

39 procedência da presente divisão de terra.

40

41 III – DOS PEDIDOS

42

43 Diante do exposto, o julgamento de procedência do pedido para


44 determinar a divisão do imóvel.

45 Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

46 Citação dos réus para que no prazo de 15 dias possam contestar (art.

47 577 do CPC); devendo seguir, posteriormente, o procedimento comum.

48 A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial,

49 pericial, sendo nomeado perito para a realização de prova técnica.

50 Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

51 Por fim, informa endereço profissional do advogado que receberá a

52 intimação ... (endereço completo).

53 Dá à causa o valor de R$ ... (observar critérios do art. 292, IV,

54 do CPC).

55

56 Termos em que

57 pede deferimento.

58

59 Local e data ...

60

Folha 3/3

61 Advogado ...

62 OAB n. ...
9. Ação de dissolução parcial de sociedade

9.1. Introdução
Importante novidade apresentada pelo CPC de 2015, em seus arts. 599 e
699, foi a ação de dissolução parcial de sociedade, instrumento utilizado
para buscar a preservação da empresa e a salvaguarda dos demais sócios
remanescentes, quantificando os haveres daquele que, por razões previstas
em direito material ou no próprio contrato, retira-se da sociedade ou dela é
excluído.
Por meio desse procedimento especial, pretende-se a resolução da
sociedade empresária contratual ou simples em relação ao sócio falecido,
excluído ou que exerceu o direito de retirada ou recesso; bem como a
apuração dos haveres do sócio falecido, excluído ou que exerceu o direito de
retirada ou recesso; ou somente a resolução ou a apuração de haveres, nos
termos do art. 599 do CPC.
Art. 599. A ação de dissolução parcial de sociedade pode ter por objeto:
I – a resolução da sociedade empresária contratual ou simples em relação ao sócio falecido,
excluído ou que exerceu o direito de retirada ou recesso; e
II – a apuração dos haveres do sócio falecido, excluído ou que exerceu o direito de retirada ou
recesso; ou
III – somente a resolução ou a apuração de haveres.

Na verdade, as causas da dissolução parcial de sociedade são elencadas nos


arts. 1.028, 1.029 e 1.030 do Código Civil, quais sejam a morte do sócio, o
direito de retirada em razão de justa causa e a exclusão do sócio por motivos
de falta grave no cumprimento de suas obrigações ou por incapacidade
superveniente.
Nesse sentido, dentre as possibilidades existentes, é mais comum a
utilização da via judicial para dissolução parcial da sociedade com o objetivo
de retirar um ou alguns sócios em razão da quebra da affectio societatis, por
falta grave no cumprimento de suas obrigações ou, ainda, por incapacidade
superveniente.

9.2. Procedimento
Inicialmente, verifica-se, pois, que a pretensão, como dito acima, poderá
buscar os dois objetivos (resolução e apuração dos haveres), de maneira
cumulativa (incisos I e II) ou de forma isolada (inciso III), de modo que
viabilize a propositura da ação buscando a simples e mera resolução parcial
da sociedade empresária, por exemplo, ou, de forma conjunta, com a
pretensão de apuração de haveres do sócio excluído, falecido ou que exerceu
o direito de retirada.
Dessa forma, além dos requisitos necessários para a petição inicial (arts.
319 e 320 do CPC), a peça também deverá, necessariamente, ser instruída
com o contrato social consolidado. Além disso, a ação de dissolução parcial
de sociedade pode ter também por objeto a sociedade anônima de capital
fechado quando demonstrado, por acionista ou acionistas que representem
5% (cinco por cento) ou mais do capital social, que não pode preencher o seu
fim.
Possuem legitimidade para a propositura dessa ação:

i) o espólio do sócio falecido, quando a totalidade dos sucessores não ingressar na sociedade;

ii) os sucessores, após concluída a partilha do sócio falecido;

iii) a sociedade, se os sócios sobreviventes não admitirem o ingresso do espólio ou dos sucessores
do falecido na sociedade, quando esse direito decorrer do contrato social;

iv) o sócio que exerceu o direito de retirada ou recesso, se não tiver sido providenciada, pelos
demais sócios, a alteração contratual consensual formalizando o desligamento, depois de
transcorridos 10 (dez) dias do exercício do direito;

v) a sociedade, nos casos em que a lei não autoriza a exclusão extrajudicial; ou


vi) o sócio excluído.

Ainda se deve destacar que o cônjuge ou companheiro do sócio cujo


casamento, união estável ou convivência terminou poderá requerer a
apuração de seus haveres na sociedade, que serão pagos à conta da quota
social titulada por esse sócio.
Assim, os sócios e a sociedade serão citados para, no prazo de 15 (quinze)
dias, concordar com o pedido ou apresentar contestação. No entanto, se todos
os sócios da empresa forem citados, não haverá a necessidade de ser citada a
sociedade empresária, mas ela ficará sujeita a todos os efeitos inerentes à
decisão judicial e à coisa julgada.
Havendo manifestação expressa e unânime pela concordância da
dissolução, o juiz a decretará, passando-se imediatamente à fase de
liquidação, não havendo a condenação em honorários advocatícios de
nenhuma das partes,z as custas serão rateadas segundo a participação das
partes no capital social, e tendo contestação, observar-se-á o procedimento
comum, mas a liquidação da sentença seguirá as regras do procedimento
especial.
Assim, nos termos do art. 604, para apuração dos haveres, o juiz poderá:
i) fixar a data da resolução da sociedade;
ii) definir o critério de apuração dos haveres à vista do disposto no contrato
social; e
iii) nomear o perito.
Poderá o juiz, ainda, determinar à sociedade empresária ou aos sócios que
nela permanecerem que depositem em juízo a parte incontroversa dos haveres
devidos, que poderá, desde logo, ser levantado pelo ex-sócio, pelo espólio ou
pelos sucessores. Realmente, no entanto, se o contrato social estabelecer o
pagamento dos haveres, será observado o que nele se dispôs a respeito do
depósito judicial da parte incontroversa.
Ademais, segundo o art. 605 do CPC, a data da resolução da sociedade
será considerada:

i) no caso de falecimento do sócio, a do óbito;

ii) na retirada imotivada, o sexagésimo dia seguinte ao do recebimento, pela sociedade, da


notificação do sócio retirante;

iii) no recesso, o dia do recebimento, pela sociedade, da notificação do sócio dissidente;

iv) na retirada por justa causa de sociedade por prazo determinado e na exclusão judicial de sócio, a
do trânsito em julgado da decisão que dissolver a sociedade; e

v) na exclusão extrajudicial, a data da assembleia ou da reunião de sócios que a tiver deliberado.

9.3. Identificação da peça


As principais dicas para que se possa identificar efetivamente que se trata
de petição inicial em ação de dissolução parcial da sociedade será a
apresentação pelo enunciado da existência de uma empresa (sociedade
empresária), na qual os sócios (ou algum sócio) pretendem a sua dissolução
nas hipóteses previstas no Código Civil, em seus arts. 1.028, 1.029 e 1.030.

9.4. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Sede da sociedade (arts. 46 e 53, III, a, do CPC)

PREÂMBULO

Autor e réu (todos os sócios e a sociedade – art. 601 do CPC)


Qualificação completa, conforme art. 319 do CPC (nome completo,
Partes
nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de
inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico)

Nome da ação AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE


Fundamento
Arts. 599 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: vínculo jurídico existente entre as partes (sócios da sociedade empresária).


Causa: pretensão de dissolução parcial da sociedade, nos termos dos arts. 1.028, 1.029 e 1.030 do
CC.
Consequência: dissolução da sociedade, conforme art. 599 do CPC. Abordar a quebra da affectio
societatis.

II) DO DIREITO

Demonstrar que o autor é o titular do direito de exigir contas (art. 550 do CPC).
Especificar as razões detalhadas pelas quais exige as contas (art. 550, § 1º, do
Fundamento CPC).
legal Demonstrar que o pedido encontra-se devidamente instruído com os
documentos necessários para comprovar o direito (art. 550, § 1º, parte final, do
CPC).

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A dissolução parcial da sociedade em relação a um ou demais sócios com a


consequente apuração de haveres.
b) Seja deferido o prazo para que o Autor possa, no prazo de 180 dias, contados
Pedidos da data da retirada/exclusão dos sócios, indicar outro sócio, evitando a
dissolução total, nos termos do art. 1.033, IV, do Código Civil.
c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios -- arts. 82, §
2º, e 85 do CPC.

d) A citação do réu para que, no prazo de 15 (quinze) dias, concorde com o


pedido ou apresente contestação – art. 601 do CPC.
e) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos f) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, conforme
determina o art. 1.071 do CPC (se o caso).
g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
testemunhal e pericial.
h) Informa o interesse ou desinteresse na audiência de conciliação.
Valor da Valor das cotas dos sócios que serão retirados da sociedade.
Causa

9.5. Modelo de ação de dissolução parcial de sociedade

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE PORTO ALEGRE ESTADO DO RIO GRANDE

03 DO SUL

04

05

06

07

08

09 SILVÉRIO DOS REIS, brasileiro, solteiro, empresário, inscrito no RG

10 n. ... e CPF n. ..., endereço eletrônico, residente e domiciliado no

11 endereço ..., por meio de seu advogado abaixo assinado, vem, respeito-

12 samente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos arts. 599

13 e s. do CPC, ajuizar AÇÃO DE DISSOLUÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE

14 em face de FERNANDEZ AGOSTINHO, brasileiro, casado, empresário,

15 inscrito no RG n. ... e CPF n. ..., endereço eletrônico, residente e

16 domiciliado na Rua ... ,e AGROSHOW EMPRESA LTDA., pessoa jurídica


17 de direito privado, inscrita no CNPJ n. ..., endereço eletrônico, com

18 sede na Rua..., cidade de Porto Alegre – RS, pelos motivos abaixo

19 expostos.

20

21 I) DOS FATOS

22

23 Com efeito, aos 15-8-2012, foi constituída a sociedade empresária do

24 tipo limitada ora Ré, tendo em seus quadros societários os sócios, ora

25 autor, Silvério, possuidor de 49% das cotas sociais, e pelo Réu, Fernandez,

26 possuidor de 51% das cotas, conforme demonstrado pelo Contrato Social

27 anexo.

28 É certo que a administração da sociedade ficou a cargo do Réu, diante

29 da amizade, respeito e cumplicidade existente entre as partes, entre-

30 tanto, com o passar do tempo, principalmente a partir do ano de 2015,

Folha 2/4

31 o elemento subjetivo, consistente na vontade de ser sócio, deixou de ser

32 presente na relação entre os sócios, em razão de uma série de discórdias

33 e conflitos decorrentes do exercício da atividade empresarial.

34 Importante notar a existência de notificações e contranotificações

35 acostadas aos autos, trocadas entre as partes, o que incontroversamente

36 demonstram a quebra da affectio societatis, na medida em que Autor


37 e Réu discutiam e discordavam sobre a administração da sociedade.

38 Portanto, com o passar do tempo, todos os elementos subjetivos

39 necessários para a manutenção do vínculo entre as partes, quais sejam

40 a lealdade, a cumplicidade, a fidelidade, o respeito mútuo, deixaram de

41 vigorar entre os sócios.

42 Dessa forma, não resta alternativa ao Autor senão requerer a sua

43 retirada do quadro societário com a consequente liquidação das suas

44 cotas societárias.

45

46 II) DO DIREITO

47

48 A sociedade empresária é formada pela vontade das pessoas em

49 constituírem uma sociedade, isto é, a chamada affectio societatis.

50 No presente caso concreto, a empresa Ré configura típica sociedade de

51 pessoas, com intuitu personae, haja vista que as partes se uniram em

52 razão da cumplicidade, lealdade, respeito e confiança que um detinha

53 com o outro, sendo esses os motivos preponderantes para a constituição

54 da empresa.

55 No entanto, conforme demonstrado, em virtude de discórdias e

56 desentendimentos a respeito da administração da sociedade empresária,


57 entre os sócios, o requisito essencial da “affectio societatis” foi quebrado,

58 restando inconteste que a ausência dessas características vem inviabili-

59 zando a operacionalização do empreendimento.

60 Por esse motivo, o Autor busca o seu direito de retirada da sociedade,

Folha 3/4

61 nos termos do art. 1.029 do Código Civil. Dessa forma, havendo

62 vontade de um dos sócios de retirar-se da sociedade, imperioso o seu

63 afastamento, com a dissolução parcial da sociedade e apuração de

64 haveres, de acordo com os arts. 599 e s. do CPC.

65

66 III) DO PEDIDO

67

68 Em face do exposto, é a presente para requerer:

69 a) Procedência do pedido para declarar a resolução da sociedade em

70 relação ao Autor, com a dissolução parcial da Ré e liquidação das

71 cotas pertencentes ao Autor, nos termos dos arts. 1.031 do

72 Código Civil e 599 e s. do CPC.

73 b) A citação dos Réus, para, querendo, apresentarem defesa, no

74 prazo legal, nos termos do art. 601 do CPC.

75 c) A concessão do prazo de 180 dias para que os Réus constituam

76 novo sócio, a fim de evitar a dissolução total da sociedade, nos


77 termos do art. 1.033, IV, do CPC.

78 d) A produção de todos os meios de provas em direito admitidas,

79 com destaque para prova documental, testemunhal e pericial.

80 e) A condenação dos Réus ao pagamento das custas processuais e

81 honorários advocatícios.

82 f) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas.

83

84 Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

85 Segue acostada a guia de custas iniciais quitada.

86 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

87 (endereço completo).

88 Dá à causa o valor de R$ ... (valor do título).

89

90 Termos em que

Folha 4/4

91 pede deferimento.

92

93 Local e data ...

94

95 Advogado ...
96 OAB n. ...

9.6. Principais artigos de direito processual e direito material


• Art. 599 do CPC
• Art. 600 do CPC
• Art. 601 do CPC
• Art. 604 do CPC
• Art. 1.028 do CC
• Art. 1.029 do CC
• Art. 1.030 do CC
10. Inventário e partilha

10.1. Introdução
A palavra inventário significa ato ou efeito de inventariar, e é empregada
no sentido de relacionar, registrar, catalogar, descrever, enumerar coisas,
arrolar para fins de partilha. Deriva do latim inventarium, de invenire, isto é,
achar, encontrar38.
O inventário não se presta à transmissão do patrimônio deixado pelo de
cujus. A herança é transmitida automaticamente aos herdeiros, com
transferência de posse e propriedade39. O inventário, tão só, serve para
catalogar o ativo e o passivo transferido e promover a partilha. Nessa
ambiência, o inventário é um procedimento especial tendente a apurar o
patrimônio transmitido automaticamente, pelo falecido, pagando as dívidas
deixadas, recolhendo o tributo incidente na espécie e, em arremate,
promovendo a partilha entre os sucessores. Assim, o procedimento
tradicional de inventário é bifásico e escalonado, apresentando um momento
inicial de inventariança e um outro, superveniente, de partilha40.
Em nosso ordenamento jurídico, desde a Lei n. 11.441/2007, a regra geral é
a aplicação da realização do inventário e partilha por meio de escritura
pública realizada em tabelionato de notas. Apenas de forma restritiva, busca-
se a via judicial, em razão de sua grande demora, apesar da previsão
legislativa no diploma processual civil asseverar que, em regra, o
procedimento deveria ser encerrado nos doze meses subsequentes ao seu
início.
Considerando que os bens permanecem em estado de condomínio entre os
coerdeiros, até que seja ultimada a partilha41, a legislação determina,
inclusive, um prazo para o início do procedimento. Tal previsão visa, não
apenas garantir o pleno direito aos bens que os herdeiros receberam, pelo
princípio da saisine, desde a abertura da sucessão, mas, também, que, com a
conclusão do inventário, os bens possam atingir sua função social.
O diploma civil, no art. 1.796, estabelece o prazo de trinta dias para o
início do procedimento de inventário e partilha, enquanto o Código de
Processo Civil prevê dois meses, no art. 611. Considerando o critério
hermenêutico da lex specialis (norma especial afasta a norma geral), afasta-se
o prazo previsto no Código Civil. Todavia, o desrespeito ao prazo
estabelecido não impedirá de, a qualquer tempo, o inventário do falecido ser
distribuído. A única consequência da perda do prazo para a abertura ou
conclusão do inventário é a possibilidade de cobrança de multa fiscal,
instituída por cada estado da federação, dentro de sua esfera de competência
legislativa42. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a
constitucionalidade de tais imposições, sendo editada, inclusive, a Súmula
542 da Suprema Corte: “não é inconstitucional a multa instituída pelo Estado-
membro, como sanção pelo retardamento do início ou da ultimação do
inventário”.

10.2. Extrajudicial
A via preferencial para a realização do inventário e partilha, em nosso
ordenamento jurídico, é a sua realização por escritura pública em Tabelionato
de Notas. Os requisitos são determinados pelo art. 610 do Código de
Processo Civil:
• inexistência de testamento;
• herdeiros capazes;
• acordo sobre a partilha;
• assistência de advogado ou defensor público.
A própria escritura constituirá documento hábil para qualquer ato de
registro, bem como para levantamento de importância depositada em
instituições financeiras (art. 610, § 1º, do CPC).
10.3. Inventário tradicional ou comum
A opção pela via do inventário tradicional ou comum, como acima
adiantamos, é a saída de caráter restritivo aos herdeiros. Todavia, na presença
de testamento, herdeiro incapaz ou o afloramento de litígio entre os
coerdeiros, exigirá a sua aplicação.
Assim, o inventário tradicional ou comum é o procedimento de jurisdição
contenciosa, no qual se reúnem os elementos relativos à abertura da sucessão
em virtude da morte do de cujus, sua herança, suas dívidas, seus herdeiros e
seus legatários, a fim de, após atender ao pagamento dos débitos exigíveis e
resolver as questões suscitadas de direito ou de fato, ser ultimada a partilha
(ou a adjudicação, em caso de único sucessor), pondo termo à comunhão
hereditária43.
O inventário judicial compreende as seguintes etapas:
1) requerimento de abertura de inventário, no prazo de dois meses da
morte – arts. 48 e 611 do CPC;
A distribuição da demanda deverá ocorrer no domicílio do autor da
herança. Caso o de cujus não tenha domicílio certo (como um artista de
circo ou pessoa pertencente à família cigana), o parágrafo único do art.
48 do Código de Processo Civil determina as regras de competência:

a) se o falecido possuía bens imóveis em uma única comarca, nesta cidade


será processado o inventário;
b) se ele possuía bens imóveis em comarcas diferentes, poderão os
herdeiros propor a demanda em qualquer delas; e, por fim,
c) não havendo bens imóveis, a ação poderá ser ajuizada em qualquer
comarca onde o finado possua bens móveis.
A legitimidade para a propositura é, de forma concorrente, nos termos dos
arts. 615 e 616 do diploma processual civil:

a) a quem estiver na posse e na administração do espólio;


b) do cônjuge ou companheiro supérstite;
c) de qualquer herdeiro;
d) do legatário;
e) do testamenteiro, se houver;
f) do cessionário do herdeiro ou do legatário; afinal, ele somente terá o
efetivo alcance no patrimônio que recebeu (a título gratuito ou singular)
com a conclusão da partilha;
g) do credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança;
h) do Ministério Público, havendo herdeiros incapazes;
i) da Fazenda Pública, quando tiver interesse;
j) do administrador judicial da falência do herdeiro, do legatário, do autor
da herança ou do cônjuge ou companheiro supérstite.
Como se trata de legitimidade concorrente, essas pessoas não estão em
posição de subsidiariedade, nem se trata de uma ordem sucessiva, mas, ao
contrário, qualquer delas possui legitimidade a requerer a abertura do
inventário, desde a abertura da sucessão44. Ajuizada a demanda por qualquer
delas, um novo ajuizamento, por qualquer dos demais colegitimados,
ocasionará o fenômeno da litispendência, conduzindo à extinção do feito,
sem resolução.
Na petição inicial, necessariamente instruída com a certidão de óbito do
autor da herança45, o autor fará o requerimento da abertura do inventário em
petição bastante simplificada. O valor da causa corresponderá ao valor total
dos bens inventariados, constituindo o monte-mor.
2) nomeação de inventariante – art. 617 do CPC46;
Normalmente aquele herdeiro que promove a abertura do inventário requer
a sua nomeação como inventariante e, dentre os herdeiros, o juiz realizará
essa designação dentro da ordem estabelecida no art. 617 do diploma
processual civil, a saber:
I) o cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que estivesse convivendo
com o outro ao tempo da morte deste;
II) o herdeiro que se achar na posse e na administração do espólio, se não
houver cônjuge ou companheiro sobrevivente ou se estes não puderem ser
nomeados;
III) qualquer herdeiro, quando nenhum deles estiver na posse e na
administração do espólio;
IV) o herdeiro criança ou adolescente, por seu representante legal;
V) o testamenteiro, se lhe tiver sido confiada a administração do espólio ou
se toda a herança estiver distribuída em legados;
VI) o cessionário do herdeiro ou do legatário;
VII) o inventariante judicial, se houver;
VIII) pessoa estranha idônea, quando não houver inventariante judicial.
Importante consignar que, nos termos do art. 622 do CPC, o juiz poderá, se
for o caso, remover o inventariante de ofício.
3) compromisso do inventariante, no prazo de cinco dias contados da
intimação – art. 617, parágrafo único, do CPC;
4) primeiras declarações, no prazo de vinte dias da data em que o
inventariante prestou o compromisso – art. 620 do CPC;
5) citação dos herdeiros pelo correio (art. 626 do CPC) para que, no prazo
de 15 dias (art. 627 do CPC):
a) possam arguir erros, omissões e sonegação de bens. Se for julgada
procedente a impugnação, o juiz mandará retificar as primeiras
declarações (art. 627, I e § 1º, do CPC);
b) reclamem contra a nomeação de inventariante. Se acolher o pedido, o
juiz nomeará outro inventariante, observada a ordem do art. 617 do CPC
(art. 627, II e § 2º, do CPC);
c) contestem a qualidade de quem foi incluído no título de herdeiro.
Verificando que a disputa sobre a qualidade de herdeiro demanda
produção de provas que não a documental47, o juiz remeterá a parte às
vias ordinárias e sobrestará, até o julgamento da ação, a entrega do
quinhão que na partilha couber ao herdeiro admitido48 (art. 627, III e § 3º,
do CPC);
d) apresentem os bens sujeitos à colação (art. 639 do CPC);
6) avaliação dos bens – art. 630 do CPC, com impugnações no prazo de
15 dias (art. 635 do CPC), correções e decisão (art. 636 do CPC);
7) últimas declarações (art. 636, parte final, do CPC) com impugnações
em 15 dias (art. 637 do CPC – eram 10 dias), após decisão;
8) cálculo e liquidação do imposto (art. 637, parte final, do CPC), com
impugnações em cinco dias (art. 638 do CPC), após decisão (art. 638, § 2º, do
CPC). Em seguida prossegue-se para a Partilha.
Uma questão importante é a de que, até que aconteça a partilha, aquele que
se julgar preterido poderá demandar sua admissão no inventário, nos termos
do art. 628 do CPC, por exemplo, um filho ainda não reconhecido ou um
herdeiro testamentário que tenha encontrado um testamento particular
(também chamado de hológrafo). Nesses casos, o juiz ouvirá as partes no
prazo de quinze dias e decidirá. Se for necessária a produção de provas que
não a documental, o juiz remeterá o requerente às vias ordinárias, mandando
reservar, em poder do inventariante, o quinhão do herdeiro excluído até que
se decida o litígio.
Uma novidade desde a vigência do atual Código de Processo Civil é a de
que o juiz poderá, em decisão fundamentada, deferir antecipadamente a
qualquer dos herdeiros o exercício dos direitos de usar e de fruir de
determinado bem, com a condição de que, ao término do inventário, tal bem
integre a cota desse herdeiro, cabendo a este, desde o deferimento, todos os
ônus e bônus decorrentes do exercício daqueles direitos (art. 647, parágrafo
único, do CPC).
PARTILHA: pagas as dívidas, o juiz facultará às partes que, no prazo
comum de 15 (quinze) dias, formulem o pedido de quinhão e, em seguida,
proferirá a decisão de deliberação da partilha, resolvendo os pedidos das
partes e designando os bens que devam constituir quinhão de cada herdeiro e
legatário (art. 647 do CPC).
De acordo com o art. 648 do diploma processual civil, na partilha, serão
observadas as seguintes regras:
I) a máxima igualdade possível quanto ao valor, à natureza e à qualidade
dos bens;
II) a prevenção de litígios futuros;
III) a máxima comodidade dos coerdeiros, do cônjuge ou do
companheiro, se for o caso49.
Os bens insuscetíveis de divisão cômoda que não couberem na parte do
cônjuge ou companheiro supérstite ou no quinhão de um só herdeiro serão
licitados entre os interessados ou vendidos judicialmente, partilhando-se o
valor apurado (art. 649 do CPC)50.
O partidor organizará o esboço da partilha, conforme o art. 651 do CPC,
observando nos pagamentos a seguinte ordem:
I – dívidas atendidas;
II – meação do cônjuge;
III – meação disponível;
IV – quinhões hereditários, a começar pelo coerdeiro mais velho.
Feito o esboço, as partes manifestar-se-ão sobre este no prazo comum de
15 (quinze) dias, e, resolvidas as reclamações, a partilha será lançada nos
autos (art. 652 do CPC)51.
Pago o imposto de transmissão a título de morte e juntada aos autos
certidão ou informação negativa de dívida para com a Fazenda Pública, o juiz
julgará por sentença a partilha (art. 654 do CPC)52 e cada herdeiro receberá
seu formal de partilha53.

10.3.1. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Vara de Sucessões do último domicílio do autor da herança – art. 48 do CPC.

PREÂMBULO

Pessoas elencadas no art. 616 do CPC. Qualificação completa (nome completo,


Partes nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade, número de
inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico).

Nome da
Inventário
Ação

Fundamento
Arts. 610 e s. do CPC
Legal

I) DOS FATOS

A partir dos dados da questão, informar o falecimento do autor da herança, indicando que deixou
herdeiros, bens e, também, se deixou dívidas.

II) DO DIREITO

Arts. 611 e s. do CPC.


Legislação aplicável: arts. 1.784 a 2.027 do Código Civil.
Indicar a juntada da certidão de óbito (art. 615, parágrafo único, do CPC).

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Abertura do inventário.
Nomeação do inventariante.
Intimação do Ministério Público, se houver herdeiro incapaz ou ausente.
Juntada da guia de custas.
Produção de provas.

Valor da
Valor do monte-mor partilhável.
Causa

10.3.2. Modelo de peça de inventário

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ª VARA

02 DE SUCESSÕES DA COMARCA DE ... DO ESTADO DE ...

03

04

05

06

07

08 FERNANDA LIMA DUARTE, brasileira, viúva, profissão ..., RG n. ...,

09 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ..., vem, por seu

10 advogado (instrumento de mandato anexo), com fundamento nos arts.

11 611 e s. do CPC, propor o presente INVENTÁRIO dos bens deixados por

12 falecimento de CARLOS DUARTE, pelos fundamentos a seguir expostos:

13

14 I – DOS FATOS E DO DIREITO

15
16 a) DO AUTOR DA HERANÇA

17 CARLOS DUARTE, brasileiro, professor, Cédula de Identidade/RG n. ...

18 e CPF/MF n. ..., casado pelo regime de comunhão parcial de bens com

19 a Requerente FERNANDA LIMA DUARTE (doc.), faleceu na Comarca

20 de ... em 10/4/2019, conforme comprova a certidão de óbito anexa

21 (doc.), deixando bens e herdeiros, sem deixar testamento ou qualquer

22 disposição de última vontade.

23 Conforme estabelece o art. 611 do diploma processual civil, o processo

24 de inventário deve ser iniciado dentro de dois meses da morte do falecido.

25 Destaca-se que, desde a abertura da sucessão, a requerente encontra-se

26 na posse e administração do espólio, o que lhe confere, nos termos do

27 art. 615 do Código de Processo Civil, a legitimidade para a abertura do

28 procedimento de inventário, além do fato de ser supérstite do de cujus

29 (art. 616, I, do CPC).

30 b) DOS BENS E DÍVIDAS

Folha 2/3

31 Informa-se, desde já, que o falecido deixou bens e dívidas. O acervo

32 patrimonial será descrito quando da apresentação da petição de primeiras

33 declarações, a qual será apresentada dentro de 20 (vinte) dias contados

34 da data da prestação de compromisso da inventariante, nos termos do

35 art. 620 do Código de Processo Civil.


36 c) DA NOMEAÇÃO DA INVENTARIANTE

37 A nomeação de inventariante, como dispõe o diploma processual civil,

38 deverá acontecer na ordem estabelecida no art. 617 do Código de

39 Processo Civil. Assim, na dicção do inciso I do artigo em questão,

40 a requerente é a primeira denominada para esse encargo.

41

42 II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

43

44 Em face do exposto, requer:

45 a) A abertura do inventário.

46 b) Que seja nomeada como inventariante a cônjuge sobrevivente,

47 FERNANDA LIMA DUARTE, nos termos do art. 616, I, do CPC,

48 para que, após a intimação da nomeação, possa, dentro de 5 (cinco)

49 dias, prestar o compromisso de bem e fielmente desempenhar a

50 função, nos termos do art. 617, parágrafo único, do CPC.

51 c) A juntada das custas do processo devidamente recolhidas.

52 d) Produção de provas de todos os meios em direito admitidos.

53 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações

54 ... (endereço completo).

55 Dá-se à causa o valor de R$ ..., sendo o valor equivalente ao patri-


56 mônio do falecido.

57

58 Termos em que

59 pede deferimento.

60

Folha 3/3

61 Local e data ...

62

63 Advogado ...

64 OAB n. ...

10.4. Arrolamento sumário


O procedimento de inventário e partilha, quando contar com apenas um
herdeiro, será formalizado por meio do procedimento de arrolamento
sumário, oportunidade em que este realizará seu pedido de adjudicação dos
bens do falecido.
Outra aplicação desse procedimento será quando existir acordo entre os
herdeiros, contando com essa modalidade simplificada, nos termos do art.
659 do Código de Processo Civil. Para isso, necessariamente, os seguintes
requisitos deverão ser obedecidos:
• somente herdeiros capazes;
• acordo na partilha54.
O arrolamento sumário é composto das seguintes fases:
1) petição de inventário com requerimento de nomeação do inventariante
indicado, declaração dos herdeiros, relação dos bens com os valores
atribuídos e dívidas, partilha – art. 660 do CPC;
2) nomeação do inventariante indicado, sem necessidade de termo;
3) vistas ao MP e testamenteiro, se houver testamento;
4) reserva de bens, se houver dívidas e avaliação judicial se o credor
impugnar o valor (única hipótese de avaliação – art. 662 do CPC);
5) homologação da partilha, sem apreciar questões referentes a taxa
judiciária ou tributos de transmissão – ITCD;
6) expedição do formal de partilha e alvarás, após o trânsito em julgado –
art. 659, § 2º, 1ª parte, do CPC;
7) intimação do fisco para lançamento administrativo do imposto de
transmissão – art. 659, § 2º, 2ª parte, do CPC.

10.4.1. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Vara de Sucessões do último domicílio do autor da herança – art. 48 do CPC.

PREÂMBULO

Pessoas elencadas nos arts. 615 e 616 do CPC. Qualificação completa (nome
Partes completo, nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade,
número de inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico).

Nome da
Inventário, pelo rito do arrolamento sumário
Ação

Fundamento
arts. 659 e s. do CPC
Legal

I) DOS FATOS
Qualificar o inventariado, nome, estado, idade e domicílio do autor da herança, dia e lugar em que
faleceu o de cujus, bem como se deixou testamento;

II) DO DIREITO

Arts. 659 e s. do CPC.


Legislação aplicável: arts. 1.784 a 2.027 do Código Civil.
Indicar que houve partilha amigável, nos termos do art. 2.015 do CC, celebrada entre partes
capazes.
Requerer ao juiz a nomeação do inventariante que, por acordo, os herdeiros designaram (art. 660, I,
do CPC).
Qualificar os herdeiros e descrever bens do espólio e a divisão proposta, nos termos do que a
questão apresentar (art. 660, II, do CPC).

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Nomeação do inventariante.
Homologação da partilha apresentada, para os devidos fins e efeitos de direito, nos termos do art.
659 do Código de Processo Civil.
Juntada da guia de custas.
Produção de provas.

Valor da
Valor do monte-mor partilhável.
Causa

10.4.2. Modelo de peça de inventário pelo rito de arrolamento sumário

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DE SUCESSÕES DA COMARCA DE ... DO ESTADO DE ...

03

04

05
06

07

08 FERNANDA LIMA DUARTE, brasileira, viúva, profissão ..., RG n. ...,

09 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ...; FRANCISCO

10 LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ..., RG n.

11 ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ...; MARIA

12 LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ..., RG n.

13 ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., EDUARDO LIMA DUARTE,

14 nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ..., RG n. ..., CPF n. ...,

15 endereço eletrônico ..., todos residentes e domiciliados em ..., na cidade

16 de ..., por seu procurador abaixo assinado, vêm respeitosamente à pre-

17 sença de V. Exa., com fundamento nos arts. 659 e s. do CPC, propor

18 o presente INVENTÁRIO, PELO RITO DO ARROLAMENTO SUMÁRIO

19 dos bens deixados por falecimento de CARLOS DUARTE, nos seguintes

20 termos:

21

22 I – DOS FATOS E DO DIREITO

23

24 CARLOS DUARTE, brasileiro, professor, Cédula de Identidade/RG n. ...

25 e CPF/MF n. ..., casado pelo regime de separação convencional de bens

26 com a Requerente FERNANDA LIMA DUARTE (doc.), faleceu na


27 Comarca de ... em 10-4-2019, conforme comprova a certidão de óbito

28 anexa (doc.), deixando bens e herdeiros capazes, sem deixar testamento

29 ou qualquer disposição de última vontade.

30 Considerando que houve partilha amigável, nos termos do art. 2.015 do

Folha 2/4

31 CC, celebrada entre partes capazes, a homologação da partilha a seguir

32 exposta é medida que se impõe.

33

34 a) DOS HERDEIROS

35

36 FERNANDA LIMA DUARTE, brasileira, viúva, profissão ..., RG n. ...,

37 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ..., na qualidade

38 de cônjuge supérstite.

39

40 FRANCISCO LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão

41 ..., RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ...,na

42 qualidade de filho do autor da herança.

43

44 MARIA LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ...,

45 RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ..., na


46 qualidade de filha do autor da herança.

47

48 EDUARDO LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão

49 ..., RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ...,

50 na qualidade de filho do autor da herança.

51

52 b) DOS BENS E DO PLANO DE PARTILHA

53

54 Constituem o espólio os seguintes bens:

55 i) Imóvel constituído pelo lote de terreno sob n. ... (...) da quadra n.

56 ... (...) da planta ..., sita no Bairro do ..., na Comarca de ..., com ...

57 m de frente para a Rua ... n. ..., atual Rua ..., por ... m da frente

58 aos fundos, do lado direito de quem da Rua olha para o terreno onde

59 confronta com o lote n. ... e ... m de lado esquerdo da frente aos

60 fundos, de quem da Rua olha para o terreno onde confronta com o lote

Folha 3/4

61 n. ... e tendo na linha de fundos ... m onde confronta com lotes n. ...,

62 todos da mesma quadra e planta, tendo o referido terreno a área total

63 de ... m² (...). Matriculado sob n. ... do Registro de Imóveis da ...

64 Circunscrição de ... Avaliado em R$ ... (...).

65 ii) Automóvel marca ..., modelo ..., ano ..., cor ..., placa .... Avaliado
66 em R$ ... (...).

67

68 Portanto, o monte-mor é de R$ ..., procedendo desde já o pagamento

69 dos tributos devidos.

70 Não há dívidas em nome do falecido.

71 Nos termos da legislação aplicável, art. 660, II, FERNANDA LIMA

72 DUARTE, caberá o percentual de 25% dos bens do espólio e, para cada

73 um dos filhos herdeiros, o percentual de 25% dos bens do “de cujus”.

74

75 c) DA NOMEAÇÃO DA INVENTARIANTE

76

77 A inventariança, conforme acordo entre os herdeiros, será realizada

78 pela viúva FERNANDA LIMA DUARTE (art. 660, I, do CPC).

79

80 II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

81

82 Em face do exposto, os Requerentes requerem:

83 a) Que seja nomeada como inventariante a cônjuge sobrevivente,

84 FERNANDA LIMA DUARTE, nos termos do art. 660, I, do CPC.

85 b) Que seja homologada a partilha realizada entre os herdeiros, para


86 os devidos fins e efeitos de direito, nos termos do art. 659 do CPC.

87 c) A juntada das custas do processo devidamente recolhidas.

88 d) A produção de provas de todos os meios em direito admitidos.

89 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

90 (endereço completo).

Folha 4/4

91 Dá-se à causa o valor de R$ ... (...).

92

93 Termos em que

94 pede deferimento.

95

96 Local e data ...

97

98 Advogado ...

99 OAB n. ...

10.5. Arrolamento comum


Quando o valor dos bens do espólio for igual ou inferior a mil salários
mínimos, independentemente de acordo, o inventário será processado pelo
rito do arrolamento comum (art. 664 do CPC).
No requerimento de abertura do inventário e nomeação de inventariante
(sem expedição de termo), serão apresentados todos os dados necessários das
partes, dos bens, atribuindo-lhes valor, dívidas e a proposta de partilha.
Ainda que haja interessado incapaz, essa via poderá ser utilizada, desde
que concordem todas as partes e o Ministério Público (art. 665 do CPC).

10.5.1. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Vara de Sucessões do último domicílio do autor da herança – art. 48 do CPC

PREÂMBULO

Pessoas elencadas nos arts. 615 e 616 do CPC. Qualificação completa (nome
Partes completo, nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade,
n. de inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico)

Nome da
Inventário, pelo rito do arrolamento sumário
ação

Fundamento
Art. 664 do CPC
legal

I – DOS FATOS

Qualificar o inventariado, nome, estado, idade e domicílio do autor da herança, dia e lugar em que
faleceu o de cujus, bem como se deixou testamento.

II – DO DIREITO

Arts. 664 e s. do CPC


Legislação aplicável: arts. 1.784 a 2.027 do Código Civil
Indicar que o valor dos bens do espólio é igual ou inferior a mil salários mínimos.
Requerer ao juiz a nomeação do inventariante.
Qualificar os herdeiros e descrever bens do espólio e a divisão proposta, nos termos do que a
questão apresentar (art. 664 do CPC).

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Nomeação do inventariante
Requerer a citação dos herdeiros
Intimação do Ministério Público, se houver herdeiro incapaz
Juntada da guia de custas
Produção de provas

Valor da
Valor do monte-mor partilhável
Causa

10.5.2. Modelo de peça de inventário pelo rito de arrolamento comum

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DE SUCESSÕES DA COMARCA DE ... DO ESTADO DE ...

03

04

05

06

07

08 FERNANDA LIMA DUARTE, brasileira, viúva, profissão ..., RG n. ...,

09 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ...; por seu

10 procurador abaixo assinado, vem respeitosamente à presença de V. Exa.,

11 com fundamento nos arts. 664 e s. do CPC, propor o presente INVEN-

12 TÁRIO, PELO RITO DO ARROLAMENTO COMUM dos bens deixados por

13 falecimento de CARLOS DUARTE, nos seguintes termos:

14
15 I – DOS FATOS E DO DIREITO

16

17 a) DO AUTOR DA HERANÇA

18

19 CARLOS DUARTE, brasileiro, professor, Cédula de Identidade/RG n. ...

20 e CPF/MF n. ..., casado pelo regime de separação convencional de bens

21 com a Requerente FERNANDA LIMA DUARTE (doc.) faleceu na Comarca

22 de ... em 10-4-2019, conforme comprova a certidão de óbito anexa

23 (doc.), deixando bens e herdeiros capazes, sem deixar testamento ou

24 qualquer disposição de última vontade.

25

26 b) DOS HERDEIROS

27

28 FERNANDA LIMA DUARTE, brasileira, viúva, profissão ..., RG n. ...,

29 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ..., na qualidade

30 de cônjuge supérstite.

Folha 2/3

31

32 FRANCISCO LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão

33 ..., RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ...;

34 na qualidade de filho do autor da herança.


35

36 MARIA LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ...,

37 RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., todos residentes e domi-

38 ciliados em ..., na cidade de ..., na Rua ..., na qualidade de filha do

39 autor da herança.

40

41 EDUARDO LIMA DUARTE, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão

42 ..., RG n ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., na qualidade de filho

43 do autor da herança.

44

45 c) DOS BENS E DO PLANO DE PARTILHA

46

47 Constituem o espólio os seguintes bens:

48 i) Automóvel marca ..., modelo ..., ano ..., cor ..., placa .... Avaliado

49 em R$ ... (...).

50 ii) Automóvel marca ..., modelo ..., ano ..., cor ..., placa ... Avaliado

51 em R$ ... (...).

52

53 Não há dívidas em nome do falecido.

54 Portanto, o monte-mor é de R$ ..., sendo imperioso destacar que


55 o valor dos bens do espólio é inferior a 1.000 (mil) salários mínimos,

56 adequando-se a exigência do art. 664 do Código de Processo Civil para

57 o processamento do presente inventário pelo rito do arrolamento comum.

58 Quanto ao plano de partilha da herança, para a viúva FERNANDA LIMA

59 DUARTE, caberá o percentual de 25% dos bens do espólio e, para cada

60 um dos filhos herdeiros, o percentual de 25% dos bens do “de cujus”.

Folha 3/3

61

62 d) DA NOMEAÇÃO DA INVENTARIANTE

63

64 A inventariança deverá ser realizada pela requerente FERNANDA LIMA

65 DUARTE, nos termos do art. 664 do CPC.

66

67 II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

68

69 Em face do exposto, os Requerentes requerem:

70 a) Que seja nomeada como inventariante a cônjuge sobrevivente,

71 FERNANDA LIMA DUARTE, nos termos do art. 664 do CPC.

72 b) A citação dos herdeiros para manifestarem seu aceite ou recusa

73 do plano de partilha apresentado.

74 c) A juntada das custas do processo devidamente recolhidas.


75 d) A produção de provas de todos os meios em direito admitidos.

76 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

77 (endereço completo).

78

79 Dá-se à causa o valor de R$ ... (...).

80

81 Termos em que

82 pede deferimento.

83

84 Local e data ...

85

86 Advogado ...

87 OAB n. ...
11. Ações de família

11.1. Introdução
O Código de Processo Civil dedicou um capítulo dentro do Livro de
Procedimentos Especiais para tratar das ações de família. Assim, as ações
constantes no art. 693 do CPC, desde que contenciosas (em que há lide –
conflito entre as partes), obedecerão ao procedimento especial especificado
nos arts. 694 a 699 do CPC.
Sendo consensual o divórcio, separação, extinção de união estável, guarda,
convivência familiar (visitas) e filiação, alimentos e demais ações de família,
não serão aplicadas as regras dos arts. 694 a 699 do CPC. Dessa forma,
devem obedecer ao procedimento especial (arts. 694 a 699 do CPC) as
seguintes ações:

PROCESSOS CONTENCIOSOS

Divórcio
Separação
Reconhecimento e dissolução de união estável
Filiação
Guarda
Convivência familiar (visitas)

Da maneira como dispõe o parágrafo único do art. 693 do CPC, a ação de


alimentos e a que versar sobre interesse de criança ou de adolescente (ECA)
observarão o procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se,
no que couber, as disposições do procedimento especial dos arts. 694 a 699
do CPC.

AÇÃO DE ALIMENTOS AÇÕES DO ECA

Observar primeiramente:
Lei n. 5.478/68 (Alimentos) Observar primeiramente:
Lei n. 11.804/2008 (Alimentos gravídicos) Lei n. 8.069/90 (ECA)

Aplicação subsidiária (no que não confrontar com a legislação específica), o procedimento
especial disposto nos arts. 694 a 699 do CPC.

O Código de Processo Civil nominou como especial o procedimento das


ações de família, com o intuito de fazer com que, de forma ainda mais intensa
que no procedimento comum, as partes realizem um acordo. Tanto é assim
que para tornar ainda mais viável a conciliação, os seguintes pontos serão
observados:
• Possibilidade de suspensão do processo enquanto os litigantes se
submetem a mediação extrajudicial ou a atendimento multidisciplinar55.
• A audiência de conciliação ou mediação inicial não é optativa, mas sim
obrigatória e será realizada mesmo que autor e réu manifestem
desinteresse56.
• O mandado de citação conterá apenas os dados necessários à audiência e
deverá estar desacompanhado de cópia da petição inicial, assegurado ao
réu o direito de examinar seu conteúdo a qualquer tempo (a parte, ao saber
do conteúdo da ação antes da audiência, poderá não comparecer e frustrar
eventual conciliação)57.
• A citação será feita na pessoa do réu58.
• Poderão ocorrer tantas sessões quantas sejam necessárias para viabilizar a
solução consensual59.
Realizada a audiência de conciliação e não obtido o acordo, a partir de
então, as ações de família constantes no art. 693 do CPC obedecerão às
normas do procedimento comum.
Importante salientar que, nos termos do art. 698 do Código de Processo
Civil, nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá quando
houver interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação
de acordo. Haverá também intervenção ministerial, conforme estabelece o
parágrafo único do artigo em questão, nas demandas em que figure como
parte vítima de violência doméstica e familiar.
Outrossim, se existirem indícios de prática de alienação parental,
necessariamente, deverá ser observado o disposto na Lei n. 12.318/2010 e,
também, o juiz, ao tomar o depoimento do incapaz, deverá estar
acompanhado por especialista (art. 699 do CPC).
Abaixo, apresentamos as principais estruturas e modelos de peças das
ações de família.

11.2. Estrutura da ação de divórcio litigioso

ENDEREÇAMENTO

Art. 53, I, do CPC


a) do domicílio do guardião de filho incapaz;
Competência b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz;
c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do
casal.

PREÂMBULO

Autor e réu
Qualificação completa de ambas as partes, nos termos do art. 319, II, do CPC
Partes
(nome completo, nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de
identidade, n. de inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico)

Nome da ação Divórcio

Fundamento
Arts. 693 e s. do CPC (se contencioso)
legal

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre a relação entre as partes: data do casamento, regime de bens, pacto
antenupcial, existência de filhos.

II) DO DIREITO

O casamento válido se dissolve com o divórcio (art. 226, § 6º, da CF e 1.571, § 1º, do CC).
Importante mencionar que, desde a Emenda Constitucional n. 66/2010, que alterou o art. 226, § 6º,
da CF, o divórcio pode ser decretado de forma direta, sem a necessidade de prazo de separação de
fato, nem mesmo depende de prévio decreto de separação judicial. Dessa forma, as disposições do
art. 1.580 do Código Civil devem ser interpretadas à luz da nova redação da CF.
Expor as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns -- conforme dispõe o art.
1.581 do Código Civil, a partilha de bens não é requisito para deferimento do pedido da ação de
separação ou de divórcio, podendo ser feita posteriormente em ação de conhecimento.
Prever se haverá alteração do nome do cônjuge.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Procedência do pedido para decretação do divórcio do casal com a expedição


Pedidos do mandado de averbação para o Cartório de Registro Civil competente.
b) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

c) Citação do réu para comparecimento a audiência de conciliação a ser


designada por Vossa Excelência (se for processo contencioso).
d) Intimação do Ministério Público, em havendo filhos incapazes.
e) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos f) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, conforme
determina o art. 1.071 do CPC.
g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
testemunhal e pericial.
h) Tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do
CPC.

Valor de alçada (sem partilha)


Valor da
Valor total dos bens quando existirem bens a serem partilhados (art. 292, VI, do
Causa
Código de Processo Civil)

11.3. Modelo de petição inicial de divórcio litigioso

Folha 1/3
01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES DA COMARCA DE ...

03

04

05 (Espaço de aproximadamente 5 linhas)

06

07

08 SUELI APARECIDA, brasileira, casada, comerciante, portadora da

09 cédula de identidade RG n. ..., inscrita no CPF/MF n. ..., endereço

10 eletrônico, com endereço na Rua ... vem, por seu advogado, com fun-

11 damento nos arts. 693 e s. do CPC, propor AÇÃO DE DIVÓRCIO em

12 face de ROGÉRIO GOMES, brasileiro, casado, metalúrgico, portador da

13 cédula de identidade RG n. ..., inscrito no CPF/MF sob o n. ..., ende-

14 reço eletrônico, com endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

15

16 I) DOS FATOS

17

18 A Autora e o Réu contraíram matrimônio, em 21 de março de 2007,

19 sob o regime da comunhão parcial de bens, sem pacto antenupcial,

20 conforme Certidão de Casamento anexa. Do casamento nasceram duas


21 filhas, Fernanda e Joana, gêmeas, nascidas em 7-7-2011.

22 Autora e Réu estão separados de fato desde o mês passado e a

23 Autora informa que guarda, regime de convivência familiar e pensão

24 alimentícia serão discutidos em processo específico.

25

26 II) DO DIREITO

27

28 Apesar da previsão existente no § 2º do art. 1.580 do CC no sentido

29 de que o divórcio somente poderia ser requerido “no caso de comprovada

30 separação de fato por mais de dois anos”, sabe-se que, desde a nova

Folha 2/3

31 redação do art. 226, § 6º, da CF, após a Emenda Constitucional n.

32 66/2010, o pedido pode ser feito de forma direta, sem a observância

33 de qualquer prazo, nem mesmo sendo necessária a prévia decretação de

34 separação judicial.

35 Assim, considerando que o casamento válido se dissolve com o divórcio

36 (art. 1.571, § 1º, do CC), o seu decreto mostra-se como medida

37 impositiva.

38 Importante salientar que, no curso da união, Autora e Réu não

39 adquiriram bens imóveis e os bens móveis já foram devidamente parti-

40 lhados desde a separação de fato do casal. Dessa forma, não restam bens
41 a partilhar.

42 Outrossim, Autora e Réu também não possuem dívidas contraídas na

43 constância do casamento.

44 Por fim, a Autora informa que quando do casamento não houve

45 alteração dos nomes de qualquer dos cônjuges, de modo que com o

46 divórcio a situação permanece inalterada.

47

48 III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

49

50 Em face do acima exposto, é a presente para requerer:

51 a) procedência do pedido para que seja decretado o divórcio do casal,

52 expedindo-se o mandado de averbação para o Cartório de Registro

53 Civil competente;

54 b) que seja o Réu citado para comparecer à audiência de conciliação

55 a ser designada por Vossa Excelência nos termos do art. 695 do

56 CPC;

57 c) intimação do Ministério Público, nos termos do art. 698 do CPC;

58 d) a juntada da guia de custas devidamente recolhidas;

59 e) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos;

60 f) a tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.


Folha 3/3

61 189, II, do CPC.

62

63 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

64 (endereço completo).

65 Dá à causa o valor de R$ ...

66

67 Termos em que

68 pede deferimento.

69

70 Local e data ...

71

72 Advogado ...

73 OAB n. ...

11.4. Estrutura da ação de divórcio consensual

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio do casal (art. 53 do CPC)

PREÂMBULO

Requerentes
Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade, estado
Partes civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de inscrição no CPF,
endereço, endereço eletrônico)

Nome da
Divórcio consensual
ação

Fundamento
Arts. 731 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre a relação entre as partes: data do casamento, regime de bens, pacto
antenupcial, existência de filhos.

II) DO DIREITO

O casamento válido se dissolve com o divórcio (art. 226, § 6º, da CF e 1.571, § 1º, do CC).
Importante mencionar que, desde a Emenda Constitucional n. 66/2010, que alterou o art. 226, § 6º,
da CF, o divórcio pode ser decretado de forma direta, sem a necessidade de prazo de separação de
fato, nem mesmo depende de prévio decreto de separação judicial. Dessa forma, as disposições do
art. 1.580 do Código Civil devem ser interpretadas à luz da nova redação da CF.
É bastante provável que o enunciado apresente elementos de que o ex-casal tem filhos incapazes ou
a divorcianda esteja grávida uma vez que, caso contrário, ambos poderiam buscar o divórcio
extrajudicial em Tabelionato de Notas (art. 733 do CPC). Dessa forma, deverá ser considerado o
ajuste sobre os seguintes temas:
a) Guarda da prole (arts. 1.583 e 1.584 do CC)
b) Convivência familiar (arts. 1.589 e 1.583, § 2º, do CC)
c) Pensão alimentícia para os filhos (arts. 1.694 e s. do CC)
Expor as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns. Importante: a partilha de
bens não é requisito para deferimento do pedido da ação de separação ou de divórcio, podendo ser
feita posteriormente em ação de conhecimento – art. 1.581 do CC.
Prever se haverá alteração do nome do cônjuge.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Procedência do pedido para homologação do divórcio do casal com a expedição do mandado de


averbação para o Cartório de Registro Civil competente
Intimação do Ministério Público, na existência de filhos incapazes
Expedição dos ofícios necessários para determinar a partilha de bens, se o caso
Juntada da guia de custas devidamente recolhidas
Produção de provas
Tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do CPC
Valor de alçada (sem partilha)
Valor da
Valor total dos bens quando existirem bens a serem partilhados (art. 292, VI, do
Causa
CPC).

11.5. Modelo de petição inicial de divórcio consensual

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE ... DO ESTADO ...

03

04

05

06

07

08 NOME DA MULHER, nacionalidade, portadora da cédula de identidade

09 RG sob o n. ..., inscrita no CPF/MF sob o n. ..., endereço eletrônico,

10 e seu marido NOME DO MARIDO, nacionalidade, portador da cédula de

11 identidade RG sob o n. ..., inscrito no CPF/MF sob o n. ..., endereço

12 eletrônico, ambos residentes e domiciliados em cidade, na Rua, vêm, por

13 sua advogada, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art.

14 731 do Código de Processo Civil, propor AÇÃO DE DIVÓRCIO CONSEN-

15 SUAL, nos termos que seguem.


16

17 I – DOS FATOS

18

19 Os Requerentes contraíram matrimônio em ..., casamento este

20 registrado no Livro ..., f. ..., sob n. ..., perante o Oficial de Registro

21 Civil das Pessoas Naturais da cidade de ..., conforme documento anexo.

22 Não houve pacto antenupcial, dessa forma, o regime de bens foi

23 estabelecido como de comunhão parcial de bens.

24 Durante a relação nasceu o infante JOÃO, que conta, atualmente,

25 com dez anos de idade, conforme certidão de nascimento anexa.

26

27 II – DO DIREITO

28

29 a) DO DIVÓRCIO

30

Folha 2/4

31 Apesar da previsão existente no § 2º do art. 1.580 do CC no sentido

32 de que o divórcio somente poderia ser requerido “no caso de comprovada

33 separação de fato por mais de dois anos”, sabe-se que, desde a nova

34 redação do art. 226, § 6º, da CF, após a Emenda Constitucional n.

35 66/ 2010, o pedido pode ser feito de forma direta, sem a observância
36 de qualquer prazo, nem mesmo sendo necessária a prévia decretação de

37 separação judicial.

38 Assim, considerando que o casamento válido se dissolve com o divórcio

39 (art. 1.571, § 1º, do CC), o seu decreto mostra-se como medida

40 impositiva.

41 Importante salientar que, no curso da união, os requerentes não

42 adquiriram bens imóveis e os bens móveis já foram devidamente

43 partilhados desde a separação de fato do casal. Dessa forma, não

44 restam bens a partilhar.

45 Outrossim, o ex-casal também não possui dívidas contraídas na

46 constância do casamento.

47 Tendo como norte de que, no decorrer da união, ambos tiveram

48 economia própria, inexiste razão para fixação de alimentos entre

49 os requerentes.

50 Por fim, informam que quando do casamento não houve alteração dos

51 nomes de qualquer dos cônjuges, de modo que com o divórcio a situação

52 permanece inalterada.

53

54 b) DA PROTEÇÃO DOS DIREITOS DA PROLE

55
56 A guarda do filho JOÃO será exercida de forma compartilhada entre

57 os genitores (art. 1.583, § 1º, do CC), ficando com base de residência

58 paterna.

59 Conforme estabelecem os arts. 1.589 e 1.583, § 2º, do CC, a

60 convivência familiar do filho com a genitora, anteriormente denominada

Folha 3/4

61 como direito de visitas, será exercida em finais de semana alternados,

62 iniciando na sexta, ao final das atividades escolares, retornando

63 diretamente para o estabelecimento educacional na segunda, no início

64 das aulas.

65 A pensão alimentícia a ser paga pela genitora ao filho, em atendimento

66 ao que dispõem os arts. 1.694, § 1º, e 1.695 do CC, será de R$ 2.000,00

67 por mês, mediante depósito em conta corrente.

68

69 III – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

70

71 Diante do exposto, requerem:

72 a) a procedência do pedido com a homologação do divórcio, bem como

73 das disposições a respeito dos direitos da prole;

74 b) intimação do Ministério Público, nos termos do art. 698 do CPC;

75 c) produção de todas as provas em direito admitidas, notadamente


76 pelos documentos que instruem o presente pedido e, caso seja ne-

77 cessário, com a designação de audiência para a oitiva dos Requerentes;

78 d) a juntada da guia de custas devidamente recolhidas;

79 e) a tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

80 189, II, do CPC.

81

82 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

83 (endereço completo).

84 Dá a causa o valor de R$ (...), para efeitos de alçada.

85

86 Termos em que

87 pedem deferimento.

88

89 Local e data ...

90

Folha 4/4

91 _________________________ _________________________

92 Assinatura da requerente Assinatura do requerente

93 NOME DA MULHER NOME DO MARIDO

94
95 Advogado ...

96 OAB n. ...

11.6. Estrutura da ação declaratória de reconhecimento e dissolução de


união estável

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 53, I, do CPC

PREÂMBULO

Autor e Réu
Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade, estado
civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de inscrição no CPF,
Partes
endereço, endereço eletrônico)
Em caso de ação de declaração de união estável post mortem, o polo passivo é
ocupado pelos herdeiros do falecido.

Nome da
Ação declaratória de reconhecimento e dissolução de união estável
ação

Fundamento
Art. 226, § 3º, da CF, arts. 1.723 e s. do CC e arts. 693 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Narrar a relação entre as partes, demonstrando a convivência pública, contínua e duradoura e


estabelecida com o objetivo de constituição de família: data do início do relacionamento, existência
de bens comuns, presença de contrato escrito ou escritura pública, existência de filhos, se residiam
na mesma casa, se eram conhecidos pelos familiares e amigos como casal etc.

II) DO DIREITO

Expor as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns (na ausência de contrato
escrito, aplicam-se as disposições relativas ao regime de comunhão parcial de bens, nos termos do
art. 1.725 do CC).
III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Procedência do pedido para que seja reconhecida a união estável e a sua dissolução, com o
consequente reconhecimento do direito à meação dos bens móveis e imóveis adquiridos de forma
onerosa, durante a constância da união estável.
Citação do réu para comparecimento à audiência de conciliação, nos termos do art. 695, § 1º, do
CPC.
Intimação do Ministério Público, se existirem filhos incapazes.
Juntada da guia de custas ou pedido de gratuidade.
Produção de todos os meios de prova em direito admitidos.
Tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do CPC.

Valor da
R$ ...
Causa

11.7. Modelo de ação de reconhecimento e dissolução de união estável

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DA FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 NEIDE FERREIRA, brasileira, solteira, tendo mantido união estável,

09 profissão ..., portadora da cédula de identidade RG n. ..., inscrita no

10 CPF/MF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ... vem,
11 por seu advogado, com fundamento nos arts. 693 e s. do CPC, art.

12 226, § 3º, da CF e arts. 1.723 e s. do CC, propor AÇÃO DECLARA-

13 TÓRIA DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL

14 em face de JOÃO MASCARENHAS, brasileiro, separado de fato, que

15 mantinha união estável com a autora, profissão.., portador da cédula de

16 identidade RG n. ..., inscrito no CPF/MF sob o n. ..., endereço eletrô-

17 nico ..., com endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

18

19 I) DOS FATOS

20

21 Autor e Réu se conheceram e iniciaram o namoro no ano de 2013.

22 Todavia, a partir de março de 2015, o casal passou a residir sob o

23 mesmo teto.

24 Durante a convivência, que findou em março de 2019, o casal manteve

25 convivência pública e contínua, sendo apresentados como marido e mulher

26 em eventos familiares e profissionais, como comprovam as fotografias

27 anexadas. Além disso, ressalta-se que no instrumento particular de

28 compromisso de compra e venda de imóvel, assinado pelo Réu no ano

29 de 2016, o mesmo declara a existência de união estável.

30 Assim, é devido o reconhecimento da união estável existente entre as

Folha 2/4
31 partes, posto ter havido vida em comum pública, contínua e duradoura

32 por mais de 6 (seis) anos.

33

34 II) DO DIREITO

35

36 A união estável existente entre as partes cumpre todos os requisitos

37 tratados no art. 1.723 do CC, vejamos:

38

39 Art. 1.723, “caput”: “É reconhecida como entidade familiar a união

40 estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência

41 pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de

42 constituição de família”.

43

44 Assim, por estarem presentes os requisitos legais, há que ser declarada

45 a união estável entre Autora e Réu, a partir de março de 2013, para

46 que, em decorrência desta, surtam os efeitos legais pertinentes até a

47 data de março de 2019, quando ocorreu a ruptura da união.

48 De acordo com o art. 1.725 do Código Civil, quando não houver

49 contrato escrito entre os companheiros, aplica-se às relações patrimoniais

50 na união estável o regime da comunhão parcial de bens:


51

52 “Na união estável, salvo contrato escrito entre os companheiros,

53 aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da

54 comunhão parcial de bens”.

55

56 Dessa forma, conforme dispõem os arts. 1.658 e s. de nossa codificação

57 civil, comunicam-se os bens adquiridos onerosamente na constância do

58 relacionamento. Assim, traz-se ao presente feito a relação de bens a

59 serem partilhados, tendo em vista que foram adquiridos durante a união

60 estável:

Folha 3/4

61 a) imóvel situado na Rua, no qual reside a Requerente;

62 b) carro da marca, ano, modelo;

63 c) motocicleta da marca, ano, modelo.

64

65 III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

66

67 Em face do exposto, é a presente para requerer:

68 a) A procedência do pedido para que seja declarada a existência de

69 união estável a partir de março de 2013 até março de 2019,

70 quando houve a sua dissolução, reconhecendo assim o direito da


71 Autora à meação dos bens móveis e imóveis adquiridos de forma

72 onerosa, durante a constância da união estável.

73 b) A citação do Réu para comparecer em audiência de conciliação a

74 ser designada por Vossa Excelência, nos termos do art. 695, § 1º,

75 do CPC.

76 c) Intimação do Ministério Público, se existirem filhos incapazes.

77 d) Condenação do Réu ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

78 e) Juntada da guia de custas devidamente recolhidas.

79 f) Produção de todos os meios de prova em direito admitidos.

80 g) A tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

81 189, I, do CPC.

82

83 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

84 (endereço completo).

85 Dá-se à causa o valor de R$ ...

86

87 Termos em que

88 pede deferimento.

89

90 Local e data ...


Folha 4/4

91

92 Advogado ...

93 OAB n. ...

11.8. Estrutura de ação de alimentos

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio do alimentando (art. 53, II, do CPC)

PREÂMBULO

Tratamento: Autor e Réu


Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade,
estado civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de inscrição no CPF,
Partes
endereço, endereço eletrônico)
Se o autor tiver menos de 16 anos, deverá ser representado. Entre os 16 até que
complete 18 anos será assistido (art. 1.690 do CC).

Nome da ação Ação de alimentos

Fundamento
Arts. 1.694 e s. do CC e Lei n. 5.478/68
legal

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre a relação entre as partes.


Demonstrar que as partes configuram Alimentando e Alimentante, justificando o dever de
alimentar.

II) DO DIREITO

Demonstrar o binômio necessidade do Alimentando e possibilidade do Alimentante, para fixação do


valor (art. 1.694, § 1º, do CC), bem como que o autor não tem bens suficientes, nem pode prover,
pelo seu trabalho, a própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem
desfalque do necessário ao seu sustento (art. 1.695 do CC).

III) DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS

Demonstrar a necessidade de fixação de alimentos provisórios (art. 4º da Lei n. 5.478/68), bem


como o vínculo existente entre autor e réu.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) a fixação dos alimentos provisórios no valor de R$ (valor) e, ao final, a


procedência do pedido de alimentos;
Pedidos b) o julgamento de procedência do pedido para que os alimentos provisórios
sejam convertidos em definitivos;
c) condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios;

d) citação do Réu para comparecimento à audiência de conciliação, nos termos


do art. 5º da Lei n. 5.478/68;
e) o pedido de gratuidade da justiça, nos termos do art. 99 do CPC, bem como
na Lei n. 1.060/50;
f) se for o caso, a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,
Requerimentos
conforme determina o art. 1.071 do CPC;
g) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
testemunhal e pericial;
h) tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do
CPC.

Valor da Doze vezes o montante pleiteado a título de pensão alimentícia (art. 292, III, do
Causa CPC).

11.9. Modelo de ação de alimentos

Folha 1/5

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE ...

03
04

05

06

07

08 ALINE SOARES, nascida em 8-4-2007, e LAURA SOARES, nascida em

09 22-10-2010, menores impúberes, neste ato representadas por sua mãe,

10 MARTA CUNHA, brasileira, solteira, executiva, portadora da cédula de

11 identidade RG n. ..., inscrita no CPF/MF n. ...,endereço eletrônico ...,

12 todas residentes e domiciliadas na Rua ..., vêm, por seu advogado, com

13 fundamento nos arts. 1.694 e s. do Código Civil e na Lei n. 5.478/68,

14 propor AÇÃO DE ALIMENTOS em face de DENIS SOARES, brasileiro,

15 casado, empresário, portador do RG n. ..., inscrito no CPF/MF n. ...,

16 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., pelos fatos e direitos

17 a seguir expostos.

18

19 I) DOS FATOS

20

21 O Requerido e a mãe das Requerentes mantiveram um relacionamento

22 amoroso por longo período e as Requerentes nasceram no curso dessa

23 união, conforme se infere das certidões de nascimento anexas.

24 O Requerido, por sua vez, tem outro relacionamento conjugal,


25 possuindo desse relacionamento outros 2 filhos. Entretanto, atualmente,

26 as filhas Requerentes não têm nenhum contato com os irmãos, nem com

27 demais familiares paternos.

28 O Requerido possui boa condição financeira, é um empresário e era o

29 dono de uma corretora de seguros e planos de previdência complementar

30 e de saúde, contudo, apesar da boa condição financeira do Requerido,

Folha 2/5

31 este presta alimentos no valor mensal de R$ 1.000,00 para as duas

32 filhas.

33 Assim, não resta outra alternativa a não ser propor a presente

34 demanda a fim de fixar alimentos compatíveis com as necessidades

35 das crianças.

36

37 II) DO DIREITO

38

39 Conforme disposto na Constituição Federal (arts. 227 e 229 da CF),

40 as crianças têm o direito de ser assistidas, cuidadas e ter convívio

41 familiar.

42 Ainda, a fim de dar efetividade aos direitos acima mencionados, o

43 Código Civil determina que:


44

45 Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir

46 uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo

47 compatível com a sua condição social, inclusive para atender às

48 necessidades de sua educação.

49 § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades

50 do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada.

51

52 O dever de auxílio alimentício do Requerido às Requerentes também

53 encontra fundamentação no art. 22 do Estatuto da Criança e do

54 Adolescente (Lei n. 8.069/90):

55

56 Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação

57 dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a

58 obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

59

60 Ainda, a pretensão das autoras tem fundamento nos arts. 1.695 e

Folha 3/5

61 1.696 de nossa codificação civil:

62

63 Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende


64 não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à

65 própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los,

66 sem desfalque do necessário ao seu sustento.

67 Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre

68 pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obri-

69 gação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros.

70

71 Assim, deve o Réu prestar alimentos às filhas em razão da sua boa

72 condição financeira e a necessidade da prole, em razão do binômio

73 necessidade e possibilidade que norteia a obrigação de prestar alimentos,

74 fundamentado no § 1º do art. 1.694 do Código Civil.

75

76 III) DOS ALIMENTOS PROVISÓRIOS

77

78 Nos termos do que dispõe o art. 4º da Lei n. 5.478/68, ao despachar

79 o pedido de alimentos, o juiz deve fixar desde logo alimentos provisórios,

80 a serem pagos pelo requerido, exceto no caso de o requerente vir a

81 declarar que deles não necessita, o que não é o caso:

82

83 Art. 4º Ao despachar o pedido, o juiz fixará desde logo alimentos


84 provisórios a serem pagos pelo devedor, salvo se o credor expres-

85 samente declarar que deles não necessita.

86 Parágrafo único. Se se tratar de alimentos provisórios pedidos pelo

87 cônjuge, casado pelo regime de comunhão universal de bens, o juiz

88 determinará igualmente que seja entregue ao credor, mensalmente,

89 parte da renda líquida dos bens comuns, administrados pelo devedor.

90

Folha 4/5

91 No caso em questão, resta clara a necessidade de fixação dos alimentos

92 provisórios para os devidos fins de direito, devendo ser pago o valor de

93 R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para cada filha, totalizando o valor

94 mensal de R$ 10.000,00, conforme estimativa de despesas constantes

95 na tabela anexa.

96 Mais uma vez, a respeito do binômio possibilidade e necessidade, é

97 importante afirmar que o Requerido possui um alto padrão de vida e

98 possui condições de arcar com tal valor e, além disso, o valor mensal

99 de R$ 1.000,00, que é pago, é completamente insuficiente para a

100 manutenção das necessidades da prole.

101 Isso posto, com o objetivo de propiciar às Requerentes os meios à sua

102 mantença digna, requer que seja fixado a título de alimentos provisórios

103 o valor de R$ 10.000,00.


104

105 IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

106

107 Ante o exposto requer:

108 a) nos termos do art. 4º da Lei n. 5.478/68, a fixação dos alimentos

109 provisórios no valor de R$ 10.000,00 e, ao final, seja julgado

110 procedente o pedido de alimentos, fixando o valor definitivamente,

111 condenando-se ao final o requerido ao pagamento de custas e

112 honorários advocatícios;

113 b) seja citado o Requerido para comparecer em audiência de conciliação

114 a ser designada, iniciando da realização desta o prazo para, que-

115 rendo, contestar a presente ação (art. 5º da Lei n. 5.478/68);

116 c) intimação do Ministério Público;

117 d) provar o alegado por todos os meios em direito admitidos;

118 e) juntada da guia de custas devidamente recolhidas;

119 f) a tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

120 189, II, do CPC;

Folha 5/5

121 g) pugnam pela concessão da gratuidade de justiça.

122
123 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

124 (endereço completo).

125 Dá à causa o valor de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), nos

126 termos do art. 292, III, do CPC.

127

128 Termos em que

129 pede deferimento.

130

131 Local e data ...

132

133 Advogado ...

134 OAB n. ...

11.10. Estrutura de ação de revisional de alimentos

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio do alimentando (art. 53, II, do CPC)

PREÂMBULO

Autor e Réu
Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade, estado
Partes
civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de inscrição no CPF,
endereço, endereço eletrônico)

Nome da
Ação revisional de alimentos
ação
Fundamento
Art. 1.699 do CC
legal

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre a relação entre as partes, esclarecendo qual é o valor pago a título
de alimentos e a existência da mudança da situação financeira.

II) DO DIREITO

Demonstrar a ocorrência de mudança na situação financeira do Alimentante, ou na do Alimentando,


justificando a alteração do binômio necessidade do Alimentando e possibilidade do Alimentante,
para majoração ou redução do valor.
Trabalhar com o art. 1.699 do Código de Processo Civil, justificando a mudança no binômio
necessidade/possibilidade (art. 1.694, § 1º, do CC).

III) DO REQUERIMENTO

Procedência do pedido para majoração ou redução do encargo, com a expedição de ofício ao


empregador do Alimentante ou ao órgão provedor do pagamento do qual são descontados os
alimentos, nos termos do art. 533, § 5º, do CPC.
Citação do Réu para comparecer à audiência de conciliação a ser designada por Vossa Excelência
nos termos do art. 695 do CPC.
Intimação do Ministério Público, se existir incapaz.
Juntada da guia de custas.
Produção de provas.
Tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do CPC.

Valor correspondente a 12 vezes o valor da diferença pleiteada para majorar ou


Valor da minorar. Exemplo: se os alimentos estão fixados em R$ 1.000,00 e se pretende
Causa majorar para R$ 1.500,00, o valor da causa será de R$ 6.000,00 (considerando R$
500,00 vezes doze)

11.11. Estrutura de ação de exoneração de alimentos

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio do alimentando (art. 53, II, do CPC)


PREÂMBULO

Autor e Réu
Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade, estado
Partes
civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de inscrição no CPF,
endereço, endereço eletrônico)

Nome da
Ação de exoneração de alimentos
ação

Fundamento
Art. 1.699 do CC
legal

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre a relação entre as partes, esclarecendo qual é o valor pago a título
de alimentos e a existência de essencial mudança da situação financeira que importará no fim das
necessidades do Alimentando.

II) DO DIREITO

Demonstrar a ocorrência de economia própria do Alimentando ou a constituição de novo


relacionamento afetivo, justificando a alteração da necessidade do Alimentando para a exoneração
do valor.
Trabalhar com o art. 1.699 do CPC e, se for o caso, com o art. 1.708 do CC.

III) DO REQUERIMENTO

Procedência do pedido para exoneração do encargo, com a expedição de ofício, se for o caso, ao
empregador do Alimentante ou ao órgão provedor do pagamento do qual são descontados os
alimentos, nos termos do art. 533, § 5º, do CPC.
Citação do Réu para comparecer à audiência de conciliação a ser designada por Vossa Excelência
nos termos do art. 695 do CPC.
Intimação do Ministério Público, se existir incapaz.
Juntada da guia de custas.
Produção de provas.
Tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do CPC.

Valor da
Valor correspondente a 12 vezes o valor da pensão alimentícia vigente
Causa
11.12. Estrutura da ação de alimentos gravídicos

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio da Alimentanda, conforme dispõe o art. 53, II, do CPC

PREÂMBULO

Tratamento: Autora (grávida) e Réu.


Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade,
Partes
estado civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de inscrição no CPF,
endereço, endereço eletrônico)

Nome da ação Ação de alimentos gravídicos

Fundamento
Lei n. 11.804/2008, arts. 1.694 e s. do CC e Lei n. 5.478/68
legal

I) DOS FATOS

Breve exposição do relacionamento afetivo mantido entre a gestante e o demandado, com o escopo
de demonstrar os indícios de paternidade.
Importante demonstrar as necessidades da parte autora, bem como as possibilidades do réu.

II) DO DIREITO

Indicar necessidade de ajuda da gestante para as despesas adicionais do período de gravidez e que
sejam dela decorrentes, da concepção ao parto, inclusive as referentes a alimentação especial,
assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e
demais prescrições preventivas e terapêuticas indispensáveis, a juízo do médico, além de outras que
o juiz considere pertinentes (art. 2º da Lei n. 11.804/2008).
Demonstrar o binômio necessidade/possibilidade para fixação do valor, fundamentado no art. 1.694,
§ 1º, do Código Civil, bem como no art. 2º, parágrafo único, da Lei n. 11.804/2008.
Evidenciar indícios de paternidade (art. 6º, caput, da Lei n. 11.804/2008).

III) DOS ALIMENTOS GRAVÍDICOS

Concessão de alimentos em sede de liminar (art. 11 da Lei n. 11.804/2008 e art. 300 do CPC)

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS


a) Concessão da tutela de urgência antecipada para a fixação dos alimentos
gravídicos no valor de R$ ....
b) O julgamento de procedência do pedido de alimentos gravídicos,
Pedidos
convertendo automaticamente em pensão alimentícia em favor do infante após
seu nascimento.
c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

d) A citação do réu para apresentar contestação no prazo de cinco dias, nos


termos do art. 7º da Lei n. 11.804/2008.
e) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de gratuidade
da justiça.
f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
Requerimentos testemunhal e pericial.
g) Intimação do Ministério Público.
h) Gratuidade de justiça, nos termos da Lei n. 1060/50 ou indicação de
recolhimento de custas.
i) A tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do
CPC.

Valor da Valor correspondente a 12 vezes o montante pleiteado a título de pensão


Causa alimentícia.

11.13. Modelo da ação de ação de alimentos gravídicos

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA ...

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07
08 Maria DA SILVA, nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ...,

09 inscrita no CPF sob n. ... e RG sob o n. ..., endereço eletrônico ...,

10 com endereço na Rua ..., vem, à presença de Vossa Excelência, por seu

11 advogado abaixo assinado, com fundamento na Lei n. 11.804/2008,

12 nos arts. 1.694 e s. do Código Civil e na Lei n. 5.478/68, propor a

13 presente AÇÃO DE ALIMENTOS GRAVÍDICOS em face de JoÃO, nacio-

14 nalidade ..., solteiro, estado civil ..., profissão ..., endereço eletrônico

15 ..., inscrito no CPF sob n. ... e RG sob n. ..., com endereço na Rua

16 ..., pelos motivos abaixo expostos.

17

18 I) DOS FATOS

19

20 A autora conheceu o demandado em um aplicativo de relacionamentos,

21 oportunidade em que, de imediato, iniciaram breve relacionamento

22 afetivo.

23 Após a descoberta de seu estado gravídico, todavia, o Réu deixou de

24 retornar suas ligações e se negou a auxiliá-la com o pagamento das

25 despesas com a gestação.

26 Destaca-se que o demandado possui emprego fixo e, por outro lado, a

27 Autora é autônoma e se encontra afastada das atividades profissionais


28 haja vista que sua gestação é de alto risco.

29

30 II) DO DIREITO

Folha 2/4

31

32 A pretensão da Autora tem fundamento no art. 2º da Lei n. 11.804/2008,

33 nos seguintes termos:

34

35 Art. 2º Os alimentos de que trata esta Lei compreenderão os

36 valores suficientes para cobrir as despesas adicionais do período de

37 gravidez e que sejam dela decorrentes, da concepção ao parto,

38 inclusive as referentes a alimentação especial, assistência médica e

39 psicológica, exames complementares, internações, parto, medica-

40 mentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas indispen-

41 sáveis, a juízo do médico, além de outras que o juiz considere

42 pertinentes.

43

44 Os indícios de paternidade, exigência prevista no art. 6º da Lei n.

45 11.804/2008, para a concessão dos alimentos gravídicos, estão farta-

46 mente demonstrados nas diversas mensagens trocadas diariamente no

47 curso do relacionamento, conforme ata notarial que acompanha a


48 presente inicial (art. 384 do CPC).

49 Em relação ao binômio necessidade/possibilidade, fundamentado no art.

50 1.694, § 1º, do Código Civil, bem como no art. 2º, parágrafo único,

51 da Lei n. 11.804/2008, resta evidente o estado gravídico da Autora,

52 necessitando de cuidados especiais e estando afastada de suas atividades

53 laborativas e, por outro lado, o Réu possui emprego fixo e ostenta boa

54 qualidade de vida, conforme pode ser verificado em suas postagens em

55 redes sociais.

56 Dessa forma, resta demonstrada a necessidade da Autora em receber

57 pensão gravídica no valor de R$ 2.000,00 por mês, devendo tal

58 montante ser revertido em favor do filho, após seu nascimento com

59 vida, nos termos do art. 6º, parágrafo único, da Lei n. 11.804/2008.

60

Folha 3/4

61 III) DOS ALIMENTOS GRAVÍDICOS

62

63 Nos termos do art. 11 da Lei n. 11.804/2008, aplicam-se supleti-

64 vamente nas demandas que versem sobre alimentos gravídicos as dispo-

65 sições da Lei n. 5.478/68, assim como do Código de Processo Civil.

66 Dessa forma, considerando a patente necessidade da autora, é impe-


67 riosa a fixação, desde logo, da verba alimentar, antes mesmo da citação

68 do Demandado.

69

70 IV) DOS PEDIDOS

71

72 Em face do exposto, é a presente para requerer:

73 a) fixação de alimentos gravídicos em favor da gestante no valor de

74 R$ 2.000,00;

75 b) ao final, a procedência da postulação de alimentos gravídicos, fi-

76 xando o valor definitivamente durante toda a gravidez, conver-

77 tendo automaticamente em pensão alimentícia em favor do infante

78 após seu nascimento;

79 c) citação do réu para apresentar contestação no prazo de 5 dias,

80 nos termos do art. 7º da Lei n. 11.804/2008;

81 d) intimação do Ministério Público, nos termos do art. 698 do

82 Código de Processo Civil;

83 e) juntada do comprovante de recolhimento das despesas processuais

84 ou do pedido de gratuidade de Justiça;

85 f) condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios;

86 g) produção de todos os meios de provas em direito admitidos;


87 h) tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

88 189, II, do CPC.

89

90 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

Folha 4/4

91 (endereço completo).

92 Dá-se à causa o valor de R$ 24.000,00 (vinte e quatro mil reais).

93

94 Termos em que

95 pede deferimento.

96

97 Local e data ...

98

99 Advogado ...

100 OAB n. ...

11.14. Estrutura de ação de regulamentação de guarda e convivência


familiar (visitas)
Imperioso recordar que, desde as alterações realizadas no Código Civil em
2014, o compartilhamento da guarda é regra geral, mesmo havendo litígio
entre os genitores, sendo a aplicação da modalidade unilateral a exceção no
nosso ordenamento jurídico (art. 1.584, § 2º, do CC).
Guarda compartilhada: importa na responsabilização conjunta entre os
genitores (art. 1.583, § 1º, do CC), devendo sempre ser indicado qual dos
genitores exercerá a base de residência da prole, ou seja, em qual das
residências a criança ou adolescente terá moradia fixa. Mesmo que os pais
residam em cidades diferentes, nos termos do art. 1.583, § 3º, do CC, será
possível a sua aplicação, sendo elegida a residência base de acordo com o
melhor interesse dos filhos.
Em caso de litígio, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério
Público, poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe
interdisciplinar (art. 1.584, § 3º, do CC).
Guarda unilateral: trata-se da via restritiva, oportunidade em que as
decisões essenciais da vida da prole, por exemplo, escolha da escola ou
atividade extracurricular, serão tomadas pelo genitor que a detenha (art.
1.583, § 1º, do CC).
A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a
supervisionar os interesses dos filhos, e, para possibilitar tal supervisão,
qualquer dos genitores sempre será parte legítima para solicitar informações
e/ou prestação de contas, objetivas ou subjetivas, em assuntos ou situações
que direta ou indiretamente afetem a saúde física e psicológica e a educação
de seus filhos (art. 1.583, § 5º, do CC).
Independentemente da forma de guarda estipulada, seja ela unilateral ou
compartilhada, ambos os genitores são detentores do poder familiar (art.
1.630 do CC) e, necessariamente, deverão observar as disposições do art.
1.634 do Código Civil.
Em favor do genitor que não exerça a base de residência da prole se faz
imperiosa a fixação do direito de convivência, anteriormente denominado
direito de visitas. Na guarda compartilhada, regra geral em nosso
ordenamento jurídico, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido
de forma equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as
condições fáticas e os interesses dos filhos (art. 1.583, § 2º, do CC).
O direito de convivência pode ser, igualmente, exercido pelos avós, sendo
eles legitimados para a propositura da demanda, nos termos do parágrafo
único do art. 1.589 do Código Civil.
A regulamentação de guarda e convivência familiar poderá, como
demonstraremos a seguir, ser distribuída em ação autônoma, mas também
existe a possibilidade de que seja cumulada com a ação de divórcio ou
dissolução de união estável (art. 1.584, I, do CC).

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio da criança ou adolescente

PREÂMBULO

Tratamento: Autor (representado ou assistido por seu representante legal)


e Réu.
Partes Qualificação completa de ambas as partes (nome completo,
nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade, n.
de inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico).

Nome da ação Ação de regulamentação de guarda e convivência familiar

Fundamento legal Arts. 1.583, 1.584 e 1.589 do Código Civil e 693 e s. do CPC

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre a relação entre as partes. Informar quem possui a guarda de fato.

II) DO DIREITO

Atentar que compartilhamento da guarda é regra geral, mesmo havendo litígio entre os genitores,
conforme dispõe o art. 1.584, § 2º, do CC.
Na guarda compartilhada, necessariamente, indicar qual dos genitores exercerá a base de residência
da prole (art. 1.583, § 3º, do CC).
Em caso de litígio, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá basear-se em
orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar (art. 1.584, § 3º, do CC).
Indicar o exercício do direito de convivência, anteriormente denominado como direito de visitas,
nos termos do proposto pelo enunciado da questão (arts. 1.583, § 2º, e 1.598 do CC).

III) DA TUTELA PROVISÓRIA

Tutela provisória de
Requerer a fixação provisória da guarda, base de residência e regime de
urgência antecipada:
convivência.
art. 300 do CPC

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Concessão da tutela de urgência antecipada para a fixação provisória


da guarda, base de residência e regime de convivência.
Pedidos b) O julgamento de procedência do pedido a determinação da guarda
definitiva, base de residência e regime de convivência.
c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

d) Citação do Réu para comparecimento a audiência de conciliação, nos


termos do art. 695, § 1º, do CPC.
e) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou do pedido de
gratuidade da justiça.
f) Intimação do Ministério Público, nos termos dos arts. 178 e 698 do
Requerimentos
CPC.
g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,
especialmente testemunhal e pericial.
h) A tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189,
II, do CPC.

Alçada
Valor da Causa Se a ação for cumulada com pedido de alimentos, observar o art. 292, III,
do CPC.

11.15. Modelo de ação de regulamentação de guarda e convivência


familiar

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA


02 DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 ALINE SOARES, nascida em ..., e LAURA SOARES, nascida em ...,

09 menores impúberes, neste ato representadas por sua mãe, MARTA

10 CUNHA, nacionalidade..., estado civil ..., profissão ..., portadora da

11 cédula de identidade RG n. ..., inscrita no CPF/MF n. ..., endereço

12 eletrônico ..., todas residentes e domiciliadas na Rua ...,vêm, por seu

13 advogado abaixo assinado, com fundamento nos arts. 1.583 e s. do CC,

14 propor a presente AÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO DE GUARDA E CON-

15 VIVÊNCIA FAMILIAR em face de DENIS SOARES, brasileiro, estado

16 civil ..., profissão ..., portador do RG n. ..., inscrito no CPF/MF n. ...,

17 endereço eletrônico, com endereço na Rua ..., pelos fatos e direitos a

18 seguir expostos.

19

20 I) DOS FATOS

21
22 O Requerido e a mãe das Requerentes mantiveram um relacionamento

23 amoroso do qual nasceram as Requerentes, estando Aline com 9 anos e

24 Laura com 1 ano e 11 meses de idade, conforme se infere das certidões

25 de nascimento.

26 Desde a separação de fato do casal, ocorrida há dois meses, as crianças

27 estão sob companhia materna e, não sendo possível o acordo, mostrou-se

28 imperioso o ajuizamento da presente demanda para a garantia dos

29 direitos das infantes.

30

Folha 2/3

31 II) DO DIREITO

32

33 Tendo como norte que o compartilhamento da guarda (art. 1.583,

34 § 1º, do CC) é regra geral, mesmo havendo litígio entre os genitores, nos

35 termos do art. 1.584, § 2º, do Código Civil, esta deverá ser a realidade

36 das infantes, que permanecerão com a base de residência materna.

37 Conforme estabelecem os arts. 1.589 e 1.583, § 2º, do CC, a

38 convivência familiar da prole com o genitor, anteriormente denominada

39 como direito de visitas, será exercida em finais de semana alternados,

40 iniciando na sexta, ao final das atividades escolares, retornando direta-

41 mente para o estabelecimento educacional na segunda, no início das aulas.


42

43 III) DA TUTELA PROVISÓRIA

44

45 Nos termos do art. 300 do Código de Processo Civil, a tutela de

46 urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a

47 probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil

48 do processo. Tendo como norte o princípio do melhor interesse da criança

49 e do adolescente, previsto no art. 227 da CF, mostra-se imperioso,

50 desde já, a fixação provisória da guarda, base de residência, bem como

51 o regime de convivência do genitor com a prole, conforme anteriormente

52 mencionado.

53

54 IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

55

56 Em face do acima exposto, é a presente para requerer:

57 a) Concessão da tutela de urgência antecipada para determinar guarda

58 compartilhada das infantes, com base de residência materna, bem

59 como a convivência familiar da prole com o genitor em finais de

60 semana alternados, iniciando na sexta, ao final das atividades

Folha 3/3
61 escolares, retornando diretamente para o estabelecimento educa-

62 cional na segunda, no início das aulas.

63 b) O julgamento de procedência do pedido, confirmando-se a tutela

64 de urgência antecipada requerida acima.

65 c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

66 d) Intimação do Ministério Público, nos termos do art. 698 do CPC.

67 e) Citação do Réu para comparecimento à audiência de conciliação,

68 nos termos do art. 695, § 1º, do CPC.

69 f) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou do pedido

70 de gratuidade da justiça.

71 g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

72 especialmente testemunhal e pericial, por meio de orientação

73 técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar (art. 1.584,

74 § 3º, do CC).

75 h) Tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

76 189, II, do CPC.

77

78 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...

79 (endereço completo).

80 Dá-se à causa o valor de R$ ...


81

82 Termos em que

83 pede deferimento.

84

85 Local e data ...

86

87 Advogado ...

88 OAB n. ...

11.16. Estrutura de ação de investigação de paternidade cumulada com


alimentos

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio do Alimentando, nos termos do art. 53, II, do CPC.

PREÂMBULO

Autor (podendo ser representado ou assistido) e Réu.


Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade,
Partes
estado civil, profissão, número da cédula de identidade, número de inscrição no
CPF, endereço, endereço eletrônico).

Nome da Ação Ação de investigação de paternidade cumulada com alimentos

Fundamento
Lei n. 8.560/92, arts. 1.596 e s. do Código Civil e art. 27 do ECA
Legal

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre a relação entre a genitora do Requerente e o Requerido,
demonstrando a possibilidade de este ser seu genitor.
II) DO DIREITO

Não reconhecimento voluntário da filiação.


Direito ao reconhecimento da paternidade: arts. 1.596, 1.606 e 1.616 do CC; art. 27 da Lei n.
8.069/90; art. 7º da Lei n. 8.560/92; art. 227 da CF.
Demonstrar o binômio necessidade do Alimentando e possibilidade do Alimentante, para fixação do
valor da pensão alimentícia (no caso de cumulação dessas ações).

III) DOS ALIMENTOS PROVISIONAIS

Concessão de alimentos provisionais em sede de liminar (art. 7º da Lei n. 8.560/92 e art. 300 do
Código de Processo Civil).

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Concessão da tutela de urgência antecipada para a fixação dos alimentos


provisionais no valor de R$ ....
b) O julgamento de procedência do pedido para declaração de paternidade, com
Pedidos a consequente expedição de ofício competente para o Cartório de Registro Civil
para efetuar a alteração no assento de nascimento do Autor, bem como a
conversão dos alimentos provisionais em definitivos.
c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

d) Citação do réu para comparecer à audiência de conciliação, nos termos do


art. 695, § 1º, do CPC.
e) Produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a
realização de exame pericial de DNA.
Requerimentos f) Intimação do Ministério Público.
g) Gratuidade de justiça, nos termos da Lei n. 1.060/50 ou indicação de
recolhimento de custas.
h) A tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do
CPC.

Valor da Valor correspondente a 12 vezes o montante pleiteado a título de pensão


Causa alimentícia (art. 292, III, do CPC).

11.17. Modelo de ação de investigação de paternidade cumulada com


pedido de alimentos
Folha 1/5

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE

02 FAMÍLIA DO FORO ... DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 ALINE ..., nascida em ..., menor impúbere, neste ato representada

09 por sua mãe, MARTA ..., brasileira, estado civil ..., não mantendo união

10 estável, profissão ..., portadora da cédula de identidade RG n. ...,

11 inscrita no CPF/MF n. ..., endereço eletrônico, ambas residentes e

12 domiciliadas na Rua ...,vêm, por seu advogado abaixo assinado, com

13 fundamento no art. 227, § 6º, da CF e nos arts. 1.606, 1.607 e s. do

14 CC, bem como na Lei n. 8.560/92, propor AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO

15 DE PATERNIDADE CUMULADA COM PEDIDO DE ALIMENTOS em face

16 de EDUARDO ..., brasileiro, estado civil ..., profissão ..., portador da

17 Cédula de Identidade RG n. ... e inscrito no CPF/MF sob n. ..., ende-

18 reço eletrônico, com endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

19

20 I) DOS FATOS
21

22 A genitora da autora e o Réu tiveram um breve relacionamento

23 amoroso em 2017 que resultou com o nascimento de Aline. Assim que

24 a genitora informou ao requerido sobre a gravidez, este manteve-se

25 indiferente à notícia e simplesmente desapareceu da vida da genitora da

26 Autora, negando a paternidade.

27 Desde o nascimento da Autora, a genitora arca sozinha com o sustento

28 da filha. Não sendo possível o reconhecimento voluntário da paternidade,

29 não resta outra alternativa senão buscar a proteção jurisdicional, para

30 que, julgando-se procedente o pedido, declare o investigado genitor da

Folha 2/5

31 autora.

32

33 II) DO DIREITO

34

35 a) DO RECONHECIMENTO DA PARENTALIDADE

36 O direito de ver reconhecida a filiação biológica é garantido sem restrições

37 pelo ordenamento jurídico brasileiro, tratando-se de direito indisponível.

38 A Constituição Federal dispõe no art. 227, § 6º:

39
40 Art. 227 (...)

41 § 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por

42 adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer

43 designações discriminatórias relativas à filiação.

44

45 A legitimidade da autora é fundamentada no art. 1.606, bem como

46 no art. 1.616 do Código Civil, cujo direito é imprescritível, nos termos

47 do art. 27 do ECA.

48 Quanto à prova da filiação, o exame de DNA é preferencial com relação

49 aos demais meios de prova, tendo em vista a sua alta confiabilidade,

50 com grau de certeza praticamente absoluto.

51 O ordenamento jurídico estabelece a presunção de paternidade caso

52 haja negativa das partes a submeter-se ao exame de DNA. Confira-se,

53 a propósito, o disposto nos arts. 231 e 232 do Código Civil:

54

55 Art. 231. Aquele que se nega a submeter-se a exame médico

56 necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa.

57 Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá

58 suprir a prova que se pretendia obter com o exame.

59

60 Acerca da aplicação desses artigos no âmbito das ações de investigação


Folha 3/5

61 de filiação, o STJ editou a Súmula 301, cujo teor é o seguinte:

62

63 Em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao

64 exame de DNA induz presunção juris tantum de paternidade.

65

66 Em igual sentido, o art. 2º-A da Lei n. 8.560/92:

67

68 Art. 2º-A. Na ação de investigação de paternidade, todos os meios

69 legais, bem como os moralmente legítimos, serão hábeis para pro-

70 var a verdade dos fatos.

71 Parágrafo único. A recusa do réu em se submeter ao exame de

72 código genético – DNA gerará a presunção da paternidade, a ser

73 apreciada em conjunto com o contexto probatório.

74

75 b) DOS ALIMENTOS PROVISIONAIS

76 Considerando as necessidades da autora, mesmo antes da citação do

77 demandado, deverão ser fixados alimentos provisionais em seu favor (arts.

78 1.706 do CC e 7º da Lei n. 8.560/92).

79 Com relação ao pedido de alimentos, a obrigação alimentar está fun-


80 damentada nos arts. 1.694 do Código Civil. Ainda, a pretensão da autora

81 tem fundamento nos arts. 1.695 e 1.696 de nossa codificação civil:

82

83 Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende

84 não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à

85 própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los,

86 sem desfalque do necessário ao seu sustento.

87 Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre

88 pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obri-

89 gação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros.

90

Folha 4/5

91 Assim, deve o Réu prestar alimentos às filhas em virtude da sua boa

92 condição financeira e da necessidade da prole, em razão do binômio ne-

93 cessidade e possibilidade que norteia a obrigação de prestar alimentos,

94 fundamentado no § 1º do art. 1.694 do Código Civil. Assim, quanto às

95 possibilidades, o réu exerce a profissão de engenheiro e aufere renda

96 aproximada de R$ 10.000,00. Em relação às necessidades, em razão de

97 ser criança, a autora tem como presumida a sua impossibilidade de, pelo

98 próprio esforço, garantir seu sustento.


99 Destarte, o réu pode, em face de sua condição de pai e de possuir

100 a capacidade financeira acima descrita, contribuir com o sustento da

101 infante com o valor correspondente a R$ 2.000,00 (dois mil reais),

102 sem prejudicar o próprio sustento.

103

104 III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

105

106 Em face do exposto, é a presente para requerer:

107 a) Concessão da tutela de urgência antecipada para a fixação dos

108 alimentos provisionais no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais).

109 b) O julgamento de procedência do pedido para declaração de pater-

110 nidade, com a consequente expedição de ofício competente para

111 o Cartório de Registro Civil para efetuar a alteração no assento

112 de nascimento do Autor, bem como a conversão dos alimentos

113 provisionais em definitivos.

114 c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

115 d) A citação do réu para comparecimento à audiência de conciliação,

116 nos termos do art. 695, § 1º, do CPC.

117 e) A intimação do Ministério Público.

118 f) A condenação do Réu ao pagamento de custas e honorários advo-

119 catícios.
120 g) Juntada da guia de custas devidamente recolhida ou do pedido de

Folha 5/5

121 gratuidade da justiça.

122 h) Produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

123 especialmente a prova pericial, por meio da realização de exame

124 de DNA.

125 i) A tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

126 189, II, do CPC.

127

128 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações ...

129 (endereço completo).

130 Dá-se à causa o valor de R$ 24.000,00, nos termos do art. 292,

131 III, do CPC.

132

133 Termos em que

134 pede deferimento.

135

136 Local e data ...

137

138 Advogado ...


139 OAB n. ...
12. Alteração do regime de bens

12.1. Introdução
A alteração do regime de bens está disciplinada no Código Civil, art. 1.639,
§ 2º, bem como no Código de Processo Civil, art. 734, possibilitando assim, a
alteração do regime de bens durante a constância do casamento, condicionada
ao cumprimento de dois requisitos: a) decisão consensual do casal; e b)
autorização judicial.
Assim, a mutabilidade do regime de bens será sempre motivada, sendo um
espaço da autonomia privada do casal que, assim como o ordenamento
jurídico permite à maioria dos nubentes a livre escolha patrimonial antes do
casamento60; esta alteração deve ser permitida quando haja a mudança de
seus interesses no curso do relacionamento afetivo.
Alguns exemplos de motivos são as exigências constantes nos arts. 977 e
978 do Código Civil, que disciplinam a capacidade do empresário.
Especificadamente, o art. 977 do Código Civil faculta aos cônjuges contratar
sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime
da comunhão universal de bens, ou no regime da separação obrigatória;
assim, diante dessa imposição, é possível verificar uma possível pretensão do
casal em alterar o regime de bens. Outro exemplo de relevante motivo para
obtenção de autorização judicial de alteração do regime de bens é a
dificuldade contratual encontrada por um dos cônjuges para contratar
financiamentos bancários para empresas em que funcione como sócio.
É importante mencionar que a autorização judicial de alteração do regime
de bens prevê a ressalva de direitos de terceiros, isto é, não pode a alteração
pleiteada consensualmente pelos cônjuges prejudicar direitos de terceiros. Por
essa razão é que o § 1º do art. 734 do Código de Processo Civil determina
que o juiz, ao receber a petição inicial com requerimento de alteração de
regime de bens, determine a intimação do Ministério Público e a publicação
de edital para conhecimento do pleito dos cônjuges.
Assim, para que o juiz autorize a alteração no regime de bens, é necessário:

a) pedido formulado por ambos os cônjuges, ou seja, petição inicial de


procedimento de jurisdição voluntária consensual;
b) razões que justificam a alteração;
c) ressalva de direitos de terceiro;
d) intimação do Ministério Público para se manifestar nos autos, mesmo
quando inexistir interesse de incapazes;
e) publicação de edital.
Dessa forma, no caso concreto, para a elaboração da petição, além de se
atender aos requisitos legais, o correto é que se junte as certidões negativas
de ações e protestos para deixar claro que não se pretende prejudicar terceiros
com a alteração do regime de bens.

12.2. Estrutura da ação para a alteração de regime de bens61

ENDEREÇAMENTO

Competência27 Vara da Família do domicílio dos Requerentes

PREÂMBULO

Tratamento: requerentes. Ambos no polo ativo, não há polo passivo pois é uma
ação consensual.
Partes Qualificação completa de ambos os requerentes (nome completo,
nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade, número
da inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico).

Nome da Ação Ação consensual para alteração do regime de bens pelo procedimento especial.

Fundamento Art. 734 do CPC e art. 1.639, § 2º, do CC


Legal
I) DOS FATOS

Narrar a relação entre os requerentes, especificando qual o regime de bens adotado no matrimônio e
a indicação do regime que pretendem alterar.

II) DO DIREITO

Expor o motivo relevante pelo qual pretendem a alteração do regime de bens.


Demonstrar a inexistência de prejuízos para terceiros.

III) PEDIDO E REQUERIMENTOS

A procedência do pedido com a homologação da alteração do regime de bens do casamento, com a


consequente expedição do mandado de averbação ao competente cartório de Registro Civil das
Pessoas Naturais;
Intimação do Ministério Público para se manifestar sobre o pedido nos termos do § 1º do art. 734 do
CPC (existindo menores envolvidos, requerer também a oitiva do Ministério Público nos termos do
art. 178, II, do CPC).
A publicação de editais para conhecimento da pretendida alteração, também nos termos do § 1º do
art. 734 do CPC;
Produção de provas.
Juntada do comprovante de custas processuais devidamente recolhido.
Tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II, do CPC.

Valor da Causa Valor de alçada

12.3. Modelo de ação para a alteração de regime de bens

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 DE FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE ... DO ESTADO ...

03

04
05

06

07

08 MARIA ..., nacionalidade ..., casada, profissão ..., RG n. ..., CPF n. ...,

09 endereço eletrônico ..., e JOÃO ..., nacionalidade ..., casado, profissão

10 ..., RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ..., ambos residentes

11 e domiciliados em cidade ..., na Rua ..., vêm, por sua advogada, à

12 presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 734 do Código

13 de Processo Civil e art. 1.639, § 2º, do Código Civil, propor AÇÃO

14 CONSENSUAL PARA ALTERAÇÃO DE REGIME DE BENS PELO PRO-

15 CEDIMENTO ESPECIAL, nos termos que seguem.

16

17 I – DOS FATOS

18

19 Os Requerentes contraíram matrimônio em (...), casamento este

20 registrado no Livro (...), f. (...), sob n. (...), perante o Oficial

21 de Registro Civil das Pessoas Naturais da cidade de (...), conforme

22 documento anexo.

23 Não houve pacto antenupcial, dessa forma, o regime de bens foi

24 estabelecido como o de Comunhão Parcial de Bens. Entretanto, os cônjuges,

25 pretendem alterar o regime para o de separação convencional de bens.


26

27 II – DO DIREITO

28

29 Atualmente, o relacionamento do casal é norteado pelo regime da

30 comunhão parcial de bens (art. 1.658 do CC) e, com a presente

Folha 2/3

31 demanda pretendem que o matrimônio seja norteado pelo regime da

32 separação convencional de bens, previsto no art. 1.687 de nossa codifi-

33 cação civil.

34 A possibilidade da mutabilidade do regime de bens é prevista no

35 Código Civil, no § 2º do art. 1.639, exigindo o legislador a motivação

36 para alteração.

37 Dessa forma, justificam os requerentes que a modificação do regime de

38 bens permitirá que o cônjuge varão possa exercer suas atividades laborais

39 sem, por outro lado, representar riscos ao patrimônio de sua esposa,

40 bem como de eventual prole que o casal venha a constituir.

41 Destaca-se, por oportuno, que o casal não deve possuir dívidas e que

42 não haverá dano a terceiro; para a demonstração desse fato instruem a

43 presente com as competentes certidões negativas de ações judiciais e

44 protestos, bem como atestado de antecedentes criminais.


45 Assim, estão plenamente atendidos os requisitos para a alteração do

46 regime de bens, quais sejam: pedido formulado por ambos os cônjuges,

47 razões relevantes e a ressalva de direitos de terceiros. Logo, cumpridos

48 os requisitos essenciais, os Requerentes solicitam a alteração do regime

49 nos termos dessa petição inicial.

50

51 III – DOS PEDIDOS E DOS REQUERIMENTOS

52

53 Diante do exposto, os Requerentes solicitam:

54 a) a procedência do pedido com a homologação da alteração do regime

55 de bens da comunhão parcial para o regime da separação conven-

56 cional de bens, com efeitos ex nunc, a fim de ressalvar direitos

57 de terceiros, expedindo, o competente mandado de averbação ao

58 Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais;

59 b) a intimação do Ministério Público para se manifestar sobre o pedido,

60 nos termos do § 1º do art. 734 do Código de Processo Civil (exis-

Folha 3/3

61 tindo menores envolvidos: requerer a intimação do Ministério

62 Público nos termos do art. 178, II, do Código de Processo Civil);

63 c) a publicação dos competentes editais para conhecimento da pre-

64 tendida alteração, também nos termos do § 1º do art. 734 do


65 Código de Processo Civil;

66 d) protestam pela produção de todas as provas em direito admitidas,

67 notadamente pelos documentos que instruem o presente pedido

68 e, caso seja necessário, com a designação de audiência para a

69 oitiva dos Requerentes;

70 e) requerem a juntada da guia de custas devidamente recolhida;

71 f) a tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

72 189, II, do CPC;

73 g) informam o endereço profissional do advogado que receberá as

74 intimações... (endereço completo).

75

76 Dá à causa o valor de R$ (...), para efeitos de alçada.

77

78 Termos em que

79 pedem deferimento.

80

81 Local e data ...

82

83 ________________________ _________________________

84 Assinatura da requerente Assinatura do requerente


85 NOME DA MULHER NOME DO MARIDO

86

87

88 Advogado ...

89 OAB n. ...
13. Alienação parental

13.1. Introdução
Considera-se ato de ALIENAÇÃO PARENTAL a interferência na
formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida
por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou
adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie
genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de
vínculos com este (art. 2º da Lei n. 12.318/2010).
São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim
declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou
com auxílio de terceiros (art. 2º, parágrafo único, da Lei n. 12.318/2010):
• LEVE: (I) realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor
no exercício da paternidade ou maternidade;
• MODERADA: (II) dificultar o exercício da autoridade parental; (III)
dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; (IV) dificultar o
exercício do direito regulamentado de convivência familiar; (V) omitir
deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança
ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
(VII) mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a
dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor,
com familiares deste ou com avós;
• GRAVE: (VI) apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares
deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a
criança ou adolescente.
A prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da
criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a
realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui
ABUSO MORAL contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos
deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda
(art. 3º da Lei n. 12.318/2010).
ASPECTOS PROCESSUAIS: Declarado indício de ato de alienação
parental, a requerimento ou de ofício, em qualquer momento processual, em
ação autônoma ou incidentalmente, o processo terá tramitação prioritária, e o
juiz determinará, com urgência, ouvido o Ministério Público, as medidas
provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da
criança ou do adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com
genitor ou viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso (art.
4º da Lei n. 12.318/2010).
Em qualquer caso de denúncia de abuso sexual, será assegurada à criança
ou adolescente e ao genitor garantia mínima de visitação assistida,
ressalvados os casos em que há iminente risco de prejuízo à integridade física
ou psicológica da criança ou do adolescente, atestado por profissional
eventualmente designado pelo juiz para acompanhamento das visitas (art. 4º,
parágrafo único, da Lei n. 12.318/2010).
Havendo indício da prática de ato de alienação parental, em ação
autônoma ou incidental, o juiz, se necessário, determinará perícia
psicológica ou biopsicossocial (art. 5º da Lei n. 12.318/2010).
A perícia será realizada por profissional ou equipe multidisciplinar
habilitados, exigido, em qualquer caso, aptidão comprovada por histórico
profissional ou acadêmico para diagnosticar atos de alienação parental (art.
5º, § 2º, da Lei n. 12.318/2010). O perito ou equipe multidisciplinar
designada para verificar a ocorrência de alienação parental terá prazo de 90
(noventa) dias para apresentação do laudo, prorrogável exclusivamente por
autorização judicial baseada em justificativa circunstanciada (art. 5º, § 3º da
Lei n. 12.318/2010).
Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que
dificulte a convivência de criança ou adolescente com genitor, em ação
autônoma ou incidental, o juiz poderá, cumulativamente ou não, sem prejuízo
da decorrente responsabilidade civil ou criminal e da ampla utilização de
instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus efeitos, segundo a
gravidade do caso (art. 6º da Lei n. 12.318/2010):
I) declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador;
II) ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado;
III) estipular multa ao alienador;
IV) determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial;
V) determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua
inversão;
VI) determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente;
VII) declarar a suspensão da autoridade parental.
Nos termos do art. 699 do Código de Processo Civil, o juiz, ao tomar o
depoimento do incapaz, deverá estar acompanhado por especialista.
Caracterizada mudança abusiva de endereço, inviabilização ou obstrução à
convivência familiar, o juiz também poderá inverter a obrigação de levar para
ou retirar a criança ou adolescente da residência do genitor, por ocasião das
alternâncias dos períodos de convivência familiar (art. 6º, parágrafo único, da
Lei n. 12.318/2010).

13.2. Estrutura da ação de alienação parental

ENDEREÇAMENTO

Domicílio da criança ou adolescente


Competência Caso seja incidental, deverá ser dirigida ao Juízo da causa principal
(conforme indicado pela questão)
PREÂMBULO

Tratamento: Autor (representado ou assistido por seu representante legal)


e Réu
Partes Qualificação completa de ambas as partes (nome completo, nacionalidade,
estado civil, profissão, número da cédula de identidade, número de
inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico)

Nome da Ação Ação declaratória de alienação parental

Fundamento Legal Lei n. 12.318/2010

I) DOS FATOS

Expor uma breve narrativa sobre os indícios de alienação parental.

II) DO DIREITO

Indicar, a partir do parágrafo único do art. 2º da Lei n. 12.318/2010, as práticas de alienação


parental pela parte demandada.
Subsidiar, no art. 6º, as atitudes a serem tomadas pelo Juízo.

III) DA TUTELA PROVISÓRIA

Requerer a declaração da ocorrência de alienação parental para que, desde


Tutela provisória de
logo, o Juízo possa advertir o alienador (art. 6º, I, da Lei n. 12.318/2010).
urgência
Verificar pertinência do pedido de alguma das outras hipóteses do art. 6º
antecipada: art. 300
da Lei n. 12.318/2010, por exemplo, ampliação do regime de convivência,
do CPC
multa ou, até mesmo, reversão de guarda.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A concessão da tutela de urgência antecipada podendo ser aplicado


qualquer inciso do art. 6º da Lei n. 12.318/2010.
Pedidos b) O julgamento de procedência do pedido e da declaração da alienação
parental realizada pela parte demandada.
c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

d) Pedido de prioridade de tramitação, nos termos do art. 4º da Lei n.


12.318/2010.
e) Citação do réu para comparecimento à audiência de conciliação, nos
termos do art. 695, § 1º, do CPC.
f) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de
gratuidade da justiça.
g) Intimação do Ministério Público, nos termos dos arts. 178 e 698 do
CPC.
Requerimentos h) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,
especialmente, a perícia psicológica ou biopsicossocial, a ser realizada em
noventa dias, como dispõe o art. 5º da Lei n. 12.318/2010.
i) O depoimento da criança ou do adolescente pelo Juízo, devidamente
acompanhado por especialista, nos termos do art. 699 do Código de
Processo Civil.
j) A tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art. 189, II,
do CPC.

Valor da Causa Alçada

13.3. Modelo de ação declaratória de alienação parental

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ª VARA

02 DE FAMÍLIA DO FORO DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 ALINE ..., nascida em ..., neste ato representada por seu pai, DENIS

09 ..., nacionalidade ..., estado civil ..., profissão ..., portadora da cédula

10 de identidade RG n. ..., inscrita no CPF/MF n. ..., endereço eletrônico


11 ..., todas residentes e domiciliadas na Rua ...,vêm, por seu advogado

12 abaixo assinado, com fundamento na Lei n. 12.318/2010, propor a

13 presente AÇÃO DECLARATÓRIA DE ALIENAÇÃO PARENTAL em face

14 de MARTA ..., brasileira, estado civil ..., profissão ..., portadora do RG

15 n. ..., inscrito no CPF/MF n. ..., endereço eletrônico, com endereço

16 na Rua ..., pelos fatos e direitos a seguir expostos.

17

18 I – DOS FATOS

19

20 Aline, atualmente com 9 (nove) anos de idade, conforme se infere da

21 certidão de nascimento (doc.) foi fruto de um relacionamento afetivo

22 entre MARTA e DENIS.

23 Nos autos da ação n. ... que tramitou perante a Vara de Família da

24 Comarca de ... ficou estabelecida a guarda unilateral materna (art. 1.583,

25 § 1º, do CC). Por sua vez, a convivência familiar da prole com o genitor,

26 anteriormente denominada como direito de visitas, ficou estabelecida

27 em finais de semana alternados, iniciando na sexta-feira ao final das

28 atividades escolares, retornando diretamente para o estabelecimento

29 educacional na segunda-feira, no início das aulas.

30 Todavia, há cerca de dois meses, o genitor não consegue efetivar a


Folha 2/4

31 convivência com a filha. Conforme demonstra declaração da escola onde

32 a menina estuda (doc. ), justamente nos dias em que a infante deveria

33 ir ao lar paterno, reiteradamente, a genitora não leva a menina ao

34 estabelecimento educacional. Outrossim, existem demonstrativos de que

35 o pai não consegue ter acesso às informações de saúde, nem tampouco

36 de festividades que acontecem no estabelecimento de ensino que a

37 menina frequenta.

38

39 II – DO DIREITO

40

41 A prática da alienação parental caracteriza-se na interferência na

42 formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida

43 por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou

44 adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie

45 genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de

46 vínculos com este, conforme dispõe o art. 2º da Lei n. 12.318/2010.

47 As atitudes da genitora, devidamente comprovadas pelos documentos

48 acostados à presente inicial, se amoldam às formas exemplificativas de

49 alienação parental previstas nos incisos III, IV e V do parágrafo único do

50 art. 2º da Lei n. 12.318/2010, a saber:


51

52 III – dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;

53 IV – dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência

54 familiar;

55 V – omitir deliberadamente a genitor informações pessoais rele-

56 vantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas

57 e alterações de endereço.

58

59 Importa destacar que, como dispõe o art. 3º da Lei n. 12.318/2010, a

60 prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança

Folha 3/4

61 ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização

62 de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, e constitui

63 abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos

64 deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou

65 guarda.

66

67 III – DA TUTELA PROVISÓRIA

68

69 Nos termos do art. 300 do Código de Processo Civil, a tutela de


70 urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a

71 probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil

72 do processo. Tendo como norte o princípio do melhor interesse da criança

73 e do adolescente, previsto no art. 227 da Constituição Federal, mostra-se

74 imperioso, desde já, a declaração da ocorrência de alienação parental para

75 que, bem como que o Juízo possa advertir a genitora alienadora (art.

76 6º, I, da Lei n. 12.318/2010).

77 Outrossim, com base nos incisos II e III do art. 6 da Lei n. 12.318/2010,

78 mostra-se impositiva a fixação de multa para cada descumprimento da

79 convivência estabelecida e, também, a ampliação do regime de convivência,

80 sendo adicionado um pernoite semanal, a ser realizado nas quartas-feiras.

81

82 IV – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

83

84 Em face do acima exposto, é a presente para requerer:

85 a) Concessão da tutela de urgência antecipada para, nos termos do

86 art. 6º da Lei n. 12.318/2010, a genitora ser advertida da

87 alienação parental praticada, bem como seja imposta multa a cada

88 convivência obstaculizada e, também, seja adicionado ao regime de

89 convivência um pernoite semanal da prole com o genitor, a ser


90 realizado nas quartas-feiras.

Folha 4/4

91 b) O julgamento de procedência do pedido e da declaração da alienação

92 parental realizada pela parte demandada.

93 c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

94 d) Pedido de prioridade de tramitação, nos termos do art. 4º da Lei

95 n. 12.318/2010.

96 e) Citação do Réu para comparecimento à audiência de conciliação,

97 nos termos do art. 695, § 1º, do CPC.

98 f) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

99 gratuidade da justiça.

100 g) Intimação do Ministério Público, nos termos dos arts. 178 e 698

101 do CPC.

102 h) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

103 especialmente a perícia psicológica ou biopsicossocial, a ser realizada

104 em noventa dias, como dispõe o art. 5º da Lei n.12.318/2010.

105 i) O depoimento da criança em Juízo, devidamente acompanhado por

106 especialista, nos termos do art. 699 do Código de Processo Civil.

107 j) A tramitação dos autos em segredo de justiça, nos termos do art.

108 189, II, do CPC.

109
110 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações

111 ... (endereço completo)

112 Dá-se à causa o valor de R$ ...

113

114 Termos em que

115 pede deferimento.

116

117 Local e data ...

118

119 Advogado ...

120 OAB n. ...


14. Alienação judicial de bens de crianças, adolescentes, tutelados ou
curatelados

14.1. Introdução
O poder familiar, também chamado de autoridade parental, é exercido
conjuntamente por ambos os genitores, independentemente que a prole esteja
sob guarda unilateral ou compartilhada, até que a prole atinja a maioridade,
seja emancipada ou exista sentença afastando o ofício a um ou ambos os pais
(arts. 1.630 e s. do Código Civil).
No exercício do poder familiar, nos termos do art. 1.689 de nossa
codificação civil, o pai e a mãe são, primeiramente, usufrutuários dos bens
dos filhos. Além disso, ambos têm a administração dos bens dos filhos sob
sua autoridade.
Dessa forma, como dispõe o art. 1.691 do Código Civil, não poderão os
pais alienar, ou gravar de ônus real os imóveis dos filhos, nem contrair, em
nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples administração.
Quando existir necessidade ou evidente interesse da prole, poderá o juiz
autorizar a venda dos bens dos filhos, em procedimento de jurisdição
voluntária (art. 725, III, do CPC).
Em relação aos bens da pessoa tutelada (art. 1.728 do CC), bem como aos
curatelados (art. 1.767 do CC), a incumbência de administração dos bens
caberá aos tutores e curadores (art. 1.741 do CC). A venda de bens, de igual
forma que acontece em relação aos filhos submetidos ao poder familiar,
somente poderá ocorrer quando houver manifesta vantagem à pessoa tutelada
ou curatelada (art. 1.750 do CC), com autorização judicial (art. 1.748, IV, do
CC), também em procedimento de jurisdição voluntária (art. 725, III, do
CPC).

14.2. Estrutura da ação de alienação de bens de criança ou adolescente


ENDEREÇAMENTO

Competência Local do bem (art. 47 do CPC)

PREÂMBULO

Requerentes:
prole, tutelado ou curatelado, representados ou assistidos, por seus genitores,
tutores ou curadores (art. 1.690 do Código Civil e art. 71 do CPC), devidamente
Partes
qualificados (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).

ALIENAÇÃO DE BENS DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE, TUTELADO


Nome da ação
OU CURATELADO

Fundamento
Art. 725, III, do CPC
legal

I) DOS FATOS

Mencionar necessidade ou evidente interesse da prole, curatelado ou tutelado para a autorização da


venda de seus bens.

II) DO DIREITO

Criança ou adolescente: fundamentar poder familiar (arts. 1.630 e s. e 1.689 do


CC) e a impossibilidade de venda sem autorização judicial, com a demonstração
de necessidade ou evidente vantagem (art. 1.691 do CC).
Fundamento
Tutelado (art. 1.728 do CC) e curatelado (art. 1.767 do CC): mencionar
legal
administração dos bens ao tutor ou curador (art. 1.741 do CC) e a necessidade
ou vantagem de venda dos bens para a autorização judicial (arts. 1.748, IV, e
1.750 do CC).

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) O julgamento de procedência do pedido para autorização da venda do bem da


Pedidos
criança, adolescente, tutelado ou curatelado.

b) Intimação do representante do Ministério Público, nos termos do art. 178, II,


do CPC.
Requerimentos
c) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça;
d) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos.

Valor da
Valor do bem alienado
Causa

14.3. Modelo da ação de alienação de bens de criança ou adolescente

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 JOÃO ..., nacionalidade ..., estado civil ..., indicar se mantém ou

09 não união estável ... profissão, RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico

10 ... e MARIA ..., nacionalidade..., estado civil ..., indicar se mantém ou

11 não união estável... profissão, RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico

12 ..., residentes na Rua ..., vêm, por seu advogado (instrumento de

13 mandato anexo), com fundamento no art. 725, III, do Código de Processo

14 Civil, propor a presente ALIENAÇÃO DE BENS DE CRIANÇA, referente


15 ao bem de propriedade de seu filho RICARDO ..., nascido em ..., pelos

16 fundamentos a seguir expostos.

17

18 I) DOS FATOS

19

20 Quando do falecimento do avô paterno de RICARDO, por meio de

21 disposição testamentária, o infante recebeu um apartamento situado

22 na Rua ..., no Balneário ..., conforme documentação anexa à presente

23 inicial (doc.).

24 Ocorre que, desde o ano passado, a criança enfrenta grave problema

25 de saúde, sendo que a maior parte do tratamento vem sendo realizado

26 na rede privada de saúde (doc.). Dessa forma, a presente demanda tem

27 o objetivo de permitir a venda do bem do infante, que desde o recebi-

28 mento serve apenas para lazer da família, para que seja possível o custeio

29 de sua cura.

30

Folha 2/3

31 II) DO DIREITO

32

33 Os requerentes são titulares do poder familiar do infante, nos termos

34 do art. 1.630 e seguintes do Código Civil. Dessa forma, cabe a ambos


35 a administração dos bens dos filhos sob sua autoridade, como dispõe o

36 art. 1.689 de nossa codificação civil.

37 Tendo como norte o melhor interesse da criança e da manifesta neces-

38 sidade de custeio de seu tratamento de saúde, a autorização para a

39 venda do bem, cuja possibilidade encontra-se prevista no art. 1.691 do

40 Código Civil, é medida que se impõe.

41

42 III) DO PEDIDO

43

44 a) A intimação do representante do Ministério Público, nos termos

45 do art. 178, II, do CPC.

46 b) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

47 gratuidade da justiça.

48 c) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos.

49 d) O julgamento de procedência do pedido para autorização da venda

50 do bem da criança.

51

52 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações

53 ... (endereço completo)

54 Dá à causa o valor de R$ ... (valor do bem)


55

56 Termos em que

57 pede deferimento.

58

59 Local e data ...

60

Folha 3/3

61 Advogado ...

62 OAB n. ...
15. Testamento

15.1. Introdução
Testamento é o ato pelo qual uma pessoa dispõe da totalidade ou de parte
de seus bens depois da morte (art. 1.857 do CC) ou faz outras declarações de
última vontade vez que não se limita o ato à disposição de bens62. Trata-se de
um negócio jurídico unilateral e gratuito, de natureza solene. É ato
personalíssimo, podendo ser mudado a qualquer tempo (art. 1.858 do CC) e
extingue-se em cinco anos o direito dos interessados em impugnar a validade
do testamento, contado o prazo da data do seu registro (art. 1.859 do CC).
Pode testar toda pessoa capaz, nos termos do art. 1.860 do Código Civil,
sendo importante referir que o adolescente maior de 16 anos poderá testar,
sendo desnecessária assistência para o ato (art. 1.860, parágrafo único, do
CC).
A incapacidade superveniente do testador não invalida o testamento, nem o
testamento do incapaz se valida com a superveniência da capacidade (art.
1.861 do CC).
Podem receber bens em testamento (arts. 1.799 a 1.800 do CC):
• pessoa física ou jurídica existente;
• nascituro;
• prole eventual63;
• fundação a ser constituída (art. 62 do CC).
Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários as pessoas arroladas no
art. 1.801 do Código Civil64 e quaisquer disposições em favor destas serão
consideradas nulas de pleno direito.
Nosso ordenamento jurídico conta com testamentos comuns ou ordinários,
bem como testamentos com modalidades especiais:
público (arts. 1.864 a 1.867 do CC)
cerrado, místico ou secreto (arts.
COMUNS OU
1.868 a 1.875 do CC)
ORDINÁRIOS
particular ou hológrafo (arts. 1.876
a 1.880 do CC)

Marítimo e aeronáutico (arts.1.888 e


ESPECIAIS 1.889 do CC)
Militar (arts.1.893 a 1.896 do CC)

Dentro das formas comuns ou ordinárias existe, primeiramente o


testamento público que é lavrado, na presença de duas testemunhas, em
Tabelionato de Notas e está previsto nos arts. 1.864 a 1.867 do Código Civil.
Pode ser escrito manualmente ou mecanicamente (digitado ou datilografado),
bem como ser feito pela inserção da declaração de vontade em partes
impressas de livro de notas, desde que rubricadas todas as páginas pelo
testador (art. 1.864, parágrafo único, do CC).
Se o testador não souber ou não puder assinar, o tabelião assinará pelo
testador, e, a seu rogo, uma das testemunhas instrumentárias (art. 1.865 do
CC).
O inteiramente surdo, sabendo ler, lerá o seu testamento, e, se não o
souber, designará quem o leia em seu lugar, presentes as testemunhas (art.
1.866 do CC). Ao cego só se permite o testamento público, que lhe será lido,
em voz alta, duas vezes, uma pelo tabelião ou por seu substituto legal, e a
outra por uma das testemunhas, designada pelo testador (art. 1.867 do CC).
Outra modalidade dentre as formas ordinárias é o testamento cerrado,
também chamado de secreto ou místico, oportunidade em que o documento é
escrito pelo testador, ou por outra pessoa, a seu rogo, e, na presença de duas
testemunhas declarando que aquele é o seu testamento e quer que seja
aprovado, o testador entrega o documento ao Tabelião (arts. 1.868 a 1.875 do
CC). De imediato, sem que haja a leitura de seu conteúdo, o tabelião lavra o
auto de aprovação. A redação do auto de aprovação deverá iniciar
imediatamente depois da última palavra do testador, declarando o tabelião,
sob sua fé, que o testador lhe entregou para ser aprovado na presença das
testemunhas. Após a assinatura das testemunhas e do testador, o tabelião
passará a cerrar e costurar o instrumento aprovado (art. 1.869 do CC).
Pode ser escrito mecanicamente, desde que seu subscritor numere e
autentique, com a sua assinatura, todas as páginas (art. 1.868, parágrafo
único, do CC). Poderá ser escrito em língua nacional ou estrangeira, pelo
próprio testador, ou por outrem, a seu rogo (art. 1.871 do CC).
Não pode usar quem não saiba ou não possa ler (art. 1.872 do CC). O
surdo-mudo poderá, contanto que o escreva todo, e o assine de sua mão, e
que, ao entregá-lo ao oficial público, ante as duas testemunhas, escreva, na
face externa do papel ou do envoltório, que aquele é o seu testamento, cuja
aprovação lhe pede (art. 1.873 do CC).
Apresenta o inconveniente de poder ser lacerado, inutilizado e extraviado,
já que o Brasil não tem um registro central, a exemplo do que ocorre em
outros países, e a praxe nacional é a de os testadores não deixarem o
testamento cerrado.
Por fim, dentre as formas ordinárias, existe o testamento particular,
também chamado de hológrafo, que está previsto nos arts. 1.876 a 1.880 do
CC. O documento poderá ser escrito de próprio punho (desde que seja lido e
assinado por quem o escreveu, na presença de pelo menos três testemunhas)
ou mediante processo mecânico não podendo nesse caso conter rasuras ou
espaços em branco, devendo ser assinado pelo testador, depois de o ter lido
na presença de pelo menos três testemunhas (art. 1.876 do CC).
Poderá ser escrito em língua estrangeira, contanto que as testemunhas a
compreendam (art. 1.880 CC). Morto o testador, publicar-se-á em juízo o
testamento, com citação dos herdeiros legítimos (art. 1.877 do CC). As
testemunhas deverão confirmar a disposição, ou, ao menos, sobre a sua
leitura perante elas, e se reconhecerem as próprias assinaturas, assim como a
do testador (art. 1.878 do CC).
Em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula, o testamento
particular de próprio punho e assinado pelo testador, sem testemunhas,
poderá ser confirmado, a critério do juiz (art. 1.879 do CC).
Em relação às formas especiais existe, primeiramente, o testamento
marítimo, que é a modalidade permitida a quem estiver em viagem, a bordo
de navio nacional, de guerra ou mercante, pode testar perante o comandante,
em presença de duas testemunhas, por forma que corresponda ao testamento
público ou ao cerrado. O registro do testamento será feito no diário de bordo
(art. 1.888 do CC). Não valerá o testamento marítimo, ainda que realizado no
curso de uma viagem, se, ao tempo em que se fez, o navio estava em porto
onde o testador pudesse desembarcar e testar na forma ordinária (art. 1.892
do CC).
O testamento aeronáutico é possível a quem estiver em viagem, a bordo
de aeronave militar ou comercial, podendo testar perante pessoa designada
pelo comandante (art. 1.889 do CC).
Em ambos os casos o testamento marítimo ou aeronáutico ficará sob a
guarda do comandante, que o entregará às autoridades administrativas do
primeiro porto ou aeroporto nacional, contra recibo averbado no diário de
bordo (art. 1.890 do CC).
Caducará o testamento se o testador não morrer na viagem, nem nos
noventa dias subsequentes ao seu desembarque em terra, onde possa fazer, na
forma ordinária, outro testamento (art. 1.891 do CC).
Por fim, existe o testamento militar, previsto nos arts. 1.893 a 1.896 do
CC, sendo utilizado não apenas por militares, mas também, por todas as
pessoas a serviço das Forças Armadas em campanha, dentro do País ou fora
dele, assim como em praça sitiada, ou que esteja com as comunicações
interrompidas. Via de regra a disposição será realizada na presença de duas
testemunhas, se o testador não puder, ou não souber assinar, serão três
testemunhas, caso em que assinará por ele uma delas (art. 1.893 do CC).
Público: se o testador pertencer a corpo ou seção de corpo destacado, o
testamento será escrito pelo respectivo comandante, ainda que de graduação
ou posto inferior (art. 1.893, § 1º, do CC). Se o testador for o oficial mais
graduado, o testamento será escrito por aquele que o substituir (art. 1.893, §
3º, do CC). Se o testador estiver em tratamento em hospital, o testamento será
escrito pelo respectivo oficial de saúde, ou pelo diretor do estabelecimento
(art. 1.893, § 2º, do CC).
Cerrado: Se o testador souber escrever, poderá fazer o testamento de seu
punho, contanto que o date e o assine por extenso, e o apresente aberto ou
cerrado, na presença de duas testemunhas ao auditor, ou ao oficial de patente.
O auditor, ou o oficial a quem o testamento se apresente notará, em qualquer
parte dele, lugar, dia, mês e ano em que lhe for apresentado, nota esta que
será assinada por ele e pelas testemunhas (art. 1.894 CC).
Nuncupativo: as pessoas designadas no art. 1.893 do CC estando
empenhadas em combate, ou feridas, podem testar oralmente, confiando a sua
última vontade a duas testemunhas. Não terá efeito o testamento se o testador
não morrer na guerra ou convalescer do ferimento (art. 1.896 do CC).
Caduca o testamento militar, desde que, depois dele, o testador esteja,
noventa dias seguidos, em lugar onde possa testar na forma ordinária, salvo
se esse testamento apresentar as solenidades prescritas no parágrafo único do
art. 1.894 do CC (art. 1.895 do CC).

15.2. Estrutura da ação de registro de testamento

ENDEREÇAMENTO
Competência Vara de Sucessões do último domicílio do autor da herança – art. 48 do CPC

PREÂMBULO

Pessoas elencadas no art. 616 do CPC. Qualificação completa (nome completo,


Partes nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade, n. de
inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico).

Nome da
Registro de testamento
Ação

Fundamento
Arts. 735 e s. do CPC
Legal

I – DOS FATOS

A partir dos dados da questão, informar o falecimento do autor da herança e a existência de


testamento.

II – DO DIREITO

Arts. 1.857 e s. do CC.


Indicar a juntada do testamento ou de seu traslado.
Observar que, para cada modalidade de testamento, haverá a aplicação de um procedimento:
• Público: art. 736 do CPC
• Particular: arts. 737 do CPC e 1.877 do CC
• Cerrado: arts. 735 do CPC e 1.875 do CC
• Especiais (marítimo, aeronáutico e militar): art. 737 do CPC
Não havendo nomeação de testamenteiro pelo falecido (art. 1.976 do CC), requerer a nomeação do
cônjuge ou companheiro sobrevivente e, em sua falta, de qualquer herdeiro (art. 1.984 do CC).

III – PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Nomeação de testamenteiro
Registro do testamento
Intimação do Ministério Público, se houver herdeiro incapaz ou ausente
Citação dos herdeiros
Juntada da guia de custas
Produção de provas
Valor da
Causa Alçada

15.3. Modelo de peça de ação de registro de testamento público

Folha 1/2

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ª VARA

02 DE SUCESSÕES DA COMARCA DE ... DO ESTADO DE ...

03

04

05

06

07

08 FERNANDA LIMA DUARTE, brasileira, viúva, profissão ..., RG n. ...,

09 CPF n. ..., endereço eletrônico ..., residente na Rua ..., vem, por seu

10 advogado (instrumento de mandato anexo), com fundamento no art.

11 736 do CPC, propor a presente AÇÃO DE REGISTRO DE TESTAMENTO

12 PÚBLICO deixado por CARLOS DUARTE, nos seguintes termos:

13

14 I – DOS FATOS E DO DIREITO

15

16 a) DO FALECIDO E DA EXISTÊNCIA DE TESTAMENTO


17

18 CARLOS DUARTE, brasileiro, professor, cédula de identidade/RG n. ...

19 e CPF/MF n. ..., casado pelo regime de comunhão parcial de bens com

20 a Requerente FERNANDA LIMA DUARTE (doc.) faleceu na Comarca de

21 ... em 10-4-2019, conforme comprova a certidão de óbito anexa (doc.),

22 deixando bens e herdeiros.

23 Outrossim, o falecido lavrou testamento público, nos termos do art.

24 1.864 do Código Civil, junto ao Tabelionato de Notas da Cidade de ...,

25 Livro ..., folha ..., cujo traslado acompanha a presente inicial (doc.).

26

27 b) DA NOMEAÇÃO DA TESTAMENTEIRA

28

29 Tendo em vista que não houve nomeação de testamenteiro pelo falecido

30 em sua disposição de última vontade (art. 1.976 do CC), é imperiosa

Folha 2/2

31 a nomeação da esposa sobrevivente para o encargo, nos termos do art.

32 1.984 do Código Civil.

33

34 II – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

35

36 Em face do exposto, requer:


37 a) Que seja nomeada como testamenteira a cônjuge sobrevivente,

38 FERNANDA LIMA DUARTE, nos termos do art. 1.984 do CC para

39 que, após a intimação da nomeação, possa assinar o respectivo termo.

40 b) A citação dos herdeiros.

41 c) A juntada das custas do processo devidamente recolhidas.

42 d) A produção de provas de todos os meios em direito admitidos.

43

44 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações

45 ... (endereço completo)

46

47 Dá-se à causa o valor de R$ ... (...).

48

49 Termos em que

50 pede deferimento.

51

52 Local e data ...

53

54 Advogado ...

55 OAB n. ...
16. Interdição

16.1. Introdução
Desde a vigência da Lei n. 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com
Deficiência), destinada a assegurar e a promover, de acordo com seu art. 1º,
em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades
fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e
cidadania, a aplicação do instituto da interdição passou a ser aplicado em
caráter restritivo.
A partir de então, de modo expresso, a pessoa com deficiência tem
assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal em igualdade de
condições com as demais pessoas (art. 84 da Lei n. 13.146/2015)65. Dentro
dessa lógica, a curatela de pessoa com deficiência constitui medida protetiva
extraordinária, proporcional às necessidades e às circunstâncias de cada caso,
e durará o menor tempo possível (art. 84, § 3º, da Lei n. 13.146/2015).
Sua aplicação afetará tão somente os atos relacionados aos direitos de
natureza patrimonial e negocial. Existe, dessa forma, a necessidade de que a
sentença refira o motivo extraordinário de sua aplicação (art. 85, § 2º, da Lei
n. 13.146/2015).
Por outro lado, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, em seu art. 84, § 2º,
apresentou a faculdade da pessoa com deficiência passar a adotar o processo
de tomada de decisão apoiada. Dessa forma, com o art. 1.783-A do Código
Civil, a tomada de decisão apoiada consiste em um processo pelo qual a
pessoa com deficiência elege pelo menos duas pessoas idôneas, com as quais
mantenha vínculos e que gozem de sua confiança, para prestar-lhe apoio na
tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e
informações necessários para que possa exercer sua capacidade.
Na tomada de decisão apoiada, o beneficiário conservará a capacidade de
fato. Mesmo nos específicos atos em que seja coadjuvado pelos apoiadores, a
pessoa com deficiência não sofrerá restrição em seu estado de plena
capacidade, apenas será privada de legitimidade para praticar episódicos atos
da vida civil. Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa
com deficiência e os apoiadores devem apresentar termo em que constem os
limites do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive
o prazo de vigência do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos
interesses da pessoa que devem apoiar (art. 1.783-A, § 1º, do CC).
A legitimidade do pedido de tomada de decisão apoiada é da pessoa a ser
apoiada, com indicação expressa das pessoas aptas a prestarem o apoio (art.
1.783-A, § 2º, do CC). Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de
decisão apoiada, o juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após oitiva do
Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe
prestarão apoio (art. 1.783-A, § 3º, do CC).
A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre
terceiros, sem restrições, desde que esteja inserida nos limites do apoio
acordado (art. 1.783-A, § 4º, do CC). Por segurança, o terceiro com quem a
pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar que os apoiadores
contra-assinem o contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função
em relação ao apoiado (art. 1.783-A, § 5º, do CC).
Dessa forma, não se anulam os atos se ausente os apoiadores. Entretanto,
sujeitam-se à anulação, se aventada, posteriormente, a incapacidade, o que
não acontece se a decisão tivesse sido tomada com apoio em parecer ou
acompanhamento dos apoiadores.
Haverá sempre dois apoiadores, impondo-se que ambos manifestem
concordância com o negócio, e que haja pleno acordo com o apoiado. Se não
ocorrer a unanimidade, ou verificada a divergência com o apoiado, busca-se a
solução judicial, que poderá inviabilizar o próprio ato, pois sabe-se da
ineficiência, pela demora, de uma futura e tardia decisão nesse âmbito.
Ingressa-se com uma ação para conseguir a autorização, devendo-se obedecer
às regras do devido processo legal, com citações, produção de provas, parecer
do Ministério Público e sentença.
Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante,
havendo divergência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores,
deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a questão (art.
1.783-A, § 6º, do CC).
A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de acordo
firmado em processo de tomada de decisão apoiada (art. 1.783-A, § 9º, do
CC), assim como o apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua
participação do processo de tomada de decisão apoiada, sendo seu
desligamento condicionado à manifestação do juiz sobre a matéria (art.
1.783-A, § 10, do CC).

16.2. Estrutura da ação de interdição

ENDEREÇAMENTO

Competência Domicílio do interditando

PREÂMBULO

Requerentes legitimados para propor (art. 747 do CPC):


I – cônjuge ou companheiro;
II – parentes ou tutores;
III – representante da entidade em que se encontra abrigado o interditando;
Partes IV – Ministério Público, na falta ou incapacidade das pessoas acima
mencionadas (art. 748 do CPC).
Realizar qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação INTERDIÇÃO

Fundamento
Arts. 747 e s. do CPC e 1.767 do CC.
legal
I) DOS FATOS

Indicar, a partir dos elementos fornecidos pelo avaliador, qual a enfermidade que obstaculiza o
interditando da gestão de seus bens e, se for o caso, para a prática de atos da vida civil.

II) DO DIREITO

Estão sujeitos à curatela (art. 1.767 do CC): a) aqueles que, por causa transitória
ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; b) os ébrios habituais e os
viciados em tóxico; c) os pródigos.
Mencionar pertinência da aplicação excepcional da curatela (art. 85, § 2º, da Lei
Fundamento n. 13.146/2015).
legal Especificar os fatos que demonstram a incapacidade do interditando para
administrar seus bens e, se for o caso, para praticar atos da vida civil, bem como
o momento em que a incapacidade se revelou (art. 749 do CPC).
Juntar laudo médico para fazer prova de suas alegações ou informar a
impossibilidade de fazê-lo (art. 750 do CPC).

III) DA TUTELA PROVISÓRIA/LIMINAR

Tutela
provisória de
urgência Justificada a urgência, o juiz pode nomear curador provisório ao interditando
antecipada: para a prática de determinados atos (art. 749, parágrafo único, do CPC).
art. 300 do
CPC

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Concessão da tutela de urgência antecipada a nomeação de curador


provisório ao interditando (art. 749, parágrafo único, do CPC).
b) O julgamento de procedência do pedido para que se declare a interdição do
Pedidos
interditando, com a nomeação definitiva do curador e, em consequência, a
inscrição da sentença de interdição no registro de pessoas naturais e sua
publicação nos editais previstos no art. 755, § 3º, do CPC.

c) Citação do interditando para, em dia designado, comparecer perante o juiz,


que o entrevistará, nos termos do art. 751 do CPC.
d) A intimação do representante do Ministério Público.
e) Juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de gratuidade da
Requerimentos
justiça.
f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
testemunhal e pericial.

Valor da
Alçada
Causa

16.3. Modelo da ação de interdição

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ....

03

04

05

06

07

08 MARIA ..., nacionalidade ..., estado civil ..., indicar se vive ou não em

09 união estável ..., profissão ..., RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico

10 ..., residente na Rua ..., vem, por seu advogado (instrumento de man-

11 dato anexo), com fundamento nos arts. 1.767 e s. do Código Civil e

12 747 e s. do Código de Processo Civil, requerer a INTERDIÇÃO de JOÃO

13 ..., nacionalidade ..., estado civil ..., indicar se vive ou não em união

14 estável..., profissão..., RG n. ..., CPF n. ..., endereço eletrônico ...,


15 residente na Rua ..., pelos fundamentos a seguir expostos.

16

17 I) DOS FATOS

18

19 JOÃO apresenta quadro de esquizofrenia grave, não possuindo condições

20 de praticar atos da vida civil, conforme laudos que acompanham a pre-

21 sente inicial (doc.).

22 Tendo em vista que a requerente é genitora do interditando, o art.

23 747, II, do Código de Processo Civil, lhe confere a legitimidade para a

24 propositura da presente demanda para que possa requerer os benefícios

25 assistenciais que seu filho tem direito.

26

27 II) DO DIREITO

28

29 O art. 1.767, I, de nossa codificação civil prevê que estão sujeitos a

30 curatela aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem

Folha 2/3

31 exprimir sua vontade.

32 Nos termos dos arts. 749 e 750 do Código de Processo Civil, a

33 requerente anexa os laudos médicos (doc.) que demonstram a incapaci-

34 dade do interditando para administrar seus bens e, também, para pra-


35 ticar atos da vida civil, fato que vem ocorrendo desde o ano passado.

36 Tendo como norte que, desde a vigência do Estatuto da Pessoa com

37 Deficiência, a curatela passou a constituir medida extraordinária (art.

38 85, § 2º, da Lei n. 13.146/2015), as razões acima descritas demonstram

39 a sua pertinência no caso em tela.

40

41 III – DA CURATELA PROVISÓRIA

42

43 Considerando a necessidade de que a requerente possa pleitear, desde

44 logo, os benefícios assistenciais em favor do interditando, mostra-se

45 imperiosa a sua nomeação como curadora provisória do interditando, nos

46 termos dos arts. 300 e 749, parágrafo único, do Código de Processo

47 Civil.

48

49 IV) DO PEDIDO

50

51 Diante do Exposto, requer:

52 a) Concessão da tutela de urgência antecipada a nomeação de curador

53 provisório ao interditando (art. 749, parágrafo único, do CPC).

54 b) O julgamento de procedência do pedido para que se declare a


55 interdição do interditando, com a nomeação definitiva do curador

56 e, em consequência, a inscrição da sentença de interdição no re-

57 gistro de pessoas naturais e sua publicação nos editais previstos

58 no art. 755, § 3º, do CPC.

59 c) A citação do interditando para, em dia designado, comparecer

60 perante o juiz, que o entrevistará, nos termos do art. 751 do CPC.

Folha 3/3

61 d) A intimação do representante do Ministério Público.

62 e) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

63 gratuidade da justiça.

64 f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

65 especialmente, testemunhal e pericial.

66

67 Informa o endereço profissional do advogado que receberá a intimação...

68 (endereço completo)

69 Dá à causa o valor de R$ ... (alçada)

70

71 Termos em que

72 pede deferimento.

73

74 Local e data ...


75

76 Advogado ...

77 OAB n. ...
17. Homologação de penhor legal

17.1. Introdução
A homologação do penhor legal é uma garantia instituída pela lei para
pagamento de determinada dívida que possui tratamento especial. Constitui-
se pela transferência efetiva da posse em garantia do débito ao credor ou a
quem o represente (art. 1.431 do CC). Para fins didáticos é uma autotutela
por parte dos credores visando garantir o pagamento de determinada dívida.
Os credores, conforme o art. 1.467 do CC, são os hospedeiros ou
fornecedores de pousadas, sobre as bagagens, móveis, dinheiro ou joias que
os consumidores ou fregueses tiverem consigo na hipótese de não realizarem
o pagamento das despesas oriundas de tais atividades. Ainda, o dono de
prédio urbano ou rústico, sobre bens móveis do inquilino que estiverem no
mesmo prédio, caso não realizem o pagamento dos aluguéis, encargos, ou
rendas. Atenção: os bens impenhoráveis não podem ser objetos de penhor
legal.
Para o efetivo penhor legal se faz necessário que após o exercício da
autotutela o tomador do penhor deverá requerer o pedido de homologação
judicial (art. 1.471 do CC) em ato contínuo (art. 703 do CPC). Na petição
inicial deverá instruir com o contrato de locação ou a conta pormenorizada
das despesas, a tabela dos preços e a relação dos objetos retidos, sendo o
devedor citado para pagar ou contestar na audiência preliminar que for
designada (art. 703, § 1º, do CPC), sendo que após a audiência observar-se-á
o procedimento comum (art. 705 do CPC). Caso haja a homologação de
plano, o juiz dispensará qualquer tipo de instrução, mas expedirá o mandado
de citação do devedor.
Há a possibilidade de homologação de penhor legal pela via
extrajudicial a notário de livre escolha do credor mediante requerimento do
que deverá seguir os requisitos do § 1º do art. 703 do CPC.
Posteriormente, o notário promoverá a notificação extrajudicial do devedor
para, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar o débito ou impugnar sua cobrança,
alegando por escrito uma das causas previstas no art. 704 do CPC, hipótese
em que o procedimento será encaminhado ao juízo competente para decisão
(§ 3º do art. 703 do CPC). Caso o prazo para manifestação do devedor
transcorra, o notário formalizará a homologação do penhor legal por escritura
pública (§ 4º do art. 703 do CPC).
Por fim, o juiz poderá proceder com a homologação consolidando a posse
do autor sobre o objeto (art. 706 do CPC), cabendo desta sentença apelação
permanecendo a coisa com o autor ou depositada em juízo (§ 2º do art. 706
do CPC). Caso haja a negativa da homologação, o objeto será entregue ao
réu, ressalvado ao autor o direito de cobrar a dívida pelo procedimento
comum, salvo se acolhida a alegação de extinção da obrigação (§ 1º do art.
706 do CPC).

17.2. Estrutura da peça e requisitos


Ao elaborar a peça deverá seguir os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC,
mencionando a qualificação da parte autora e da parte ré, o tipo da ação e a
peça que está sendo requerida.

ENDEREÇAMENTO

Competência Analisar os critérios dos arts. 46 a 53 do CPC

PREÂMBULO

Autor e réu
Informar casos de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação AÇÃO DE HOMOLOGAÇÃO DE PENHOR LEGAL

Fundamento
legal Arts. 703 e s. do CPC

I) DOS FATOS

Relação: aquele que prestou serviço de hospedeiros ou fornecedores de pousadas, o dono de prédio
urbano ou rústico.
Causa: os fregueses ou consumidores que não realizaram o pagamento das despesas oriundas de
tais atividades, ou os inquilinos que não realizam o pagamento dos aluguéis, encargos ou rendas.
Consequência: no caso de hospedeiros ou fornecedores de pousadas, a garantia sobre as bagagens,
móveis, dinheiro ou joias que os consumidores ou fregueses tiverem consigo, na hipótese de não
realizarem o pagamento das despesas oriundas de tais atividades. No mesmo sentido o dono de
prédio urbano ou rústico, sobre bens móveis do inquilino que estiverem no mesmo prédio, caso não
realizem o pagamento dos aluguéis, encargos ou rendas.

II) DO DIREITO

Artigos de lei:
Fundamento
Arts. 1.467 e s. do CC
legal
Arts. 703 e s. do CPC

III) DO PEDIDO

a) O julgamento de procedência do pedido para homologar o penhor legal


Pedido consolidando a posse do autor sobre o objeto.
b) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

c) A citação do réu para pagar ou contestar na audiência preliminar que for


designada.
d) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos
e) A juntada do contrato de locação ou a conta pormenorizada das despesas, a
tabela dos preços e a relação dos objetos retidos.
f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
testemunhal e pericial.

Valor da
Observar critérios do art. 292 do CPC.
Causa

IV) FECHAMENTO
Termos em que
Pede deferimento.
Local e data ...
Advogado ...
OAB n. ...

17.3. Modelo de homologação de penhor legal

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 NOME DO AUTOR, estado civil ..., profissão ... (se pessoa jurídica,

09 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ sob

10 n. ..., endereço eletrônico ..., domicilio e residência à rua ..., vem, por

11 seu advogado, (instrumento de mandato anexo), com fulcro nos arts.

12 703 e s. do CPC, propor a presente AÇÃO DE HOMOLOGAÇÃO DE

13 PENHOR LEGAL, em face de NOME DO RÉU, estado civil ..., profissão

14 ... (se pessoa jurídica, indicar se é de direito privado ou público),

15 inscrito no CPF/CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico ..., domicílio e


16 residência à rua ..., pelas razoes de fato e de direito a seguir expostas:

17

18 I – DOS FATOS.

19

20 Histórico resumido do processo, mencionando a garantia instituída

21 pela lei para pagamento de determinada dívida que possui tratamento

22 especial. Constitui-se pela transferência efetiva da posse em garantia do

23 débito ao credor ou a quem o represente (art. 1.431 do CC).

24 Que sendo credores na qualidade de hospedeiros ou fornecedores de

25 pousadas, sobre as bagagens, móveis, dinheiro ou joias que os consumi-

26 dores ou fregueses tiverem consigo na hipótese de não realizarem o

27 pagamento das despesas oriundas de tais atividades. Ainda, o dono de

28 prédio urbano ou rústico, sobre bens móveis do inquilino que estiverem

29 no mesmo prédio, caso não realizem o pagamento dos aluguéis, encargos

30 ou rendas, faz jus ao presente instituto.

Folha 2/3

31

32 II – DO DIREITO

33

34 A presente ação de homologação de penhor legal visa ao credor da

35 dívida R$ ..., contraída pelo réu, a posse do autor sobre o objeto.


36 Mencionar artigos de lei de direito material e processual.

37 Art. 1.467 e s. do C.C.

38 Art. 703 e s. do CPC.

39 Diante do exposto, não restam dúvidas quanto à necessidade da

40 procedência do presente penhor legal.

41

42 III – DOS PEDIDOS

43

44 Diante do exposto, o julgamento de procedência do pedido para

45 homologar o penhor legal, consolidando a posse do autor sobre o

46 objeto ...(descrever os objetos).

47 Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios,

48 A citação do réu para pagar ou contestar na audiência preliminar

49 que for designada.

50 A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

51 gratuidade da justiça.

52 A juntada do contrato de locação ou a conta pormenorizada das

53 despesas, a tabela dos preços e a relação dos objetos retidos.

54 A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, espe-

55 cialmente, testemunhal e pericial.


56 Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos.

57 Por fim, informa endereço profissional do advogado que receberá a

58 intimação... (endereço completo)

59 Dá à causa o valor de R$ ... (valor do débito)

60

Folha 3/3

61 Termos em que

62 pede deferimento.

63

64 Local e data ...

65

66 Advogado ...

67 OAB n. ...
18. Ação de regulação de avaria grossa

18.1. Introdução
Mais uma novidade no CPC foi a especificação do procedimento especial
da Ação de Regulação de Avaria Grossa, importante instituto de Direito
Civil e, em especial, de Direito Marítimo e Comercial.
Destarte, em geral, os regulamentos de avaria grossa são elaborados
extrajudicialmente, em conformidade com as cláusulas pactuadas entre as
partes envolvidas na viagem marítima, por se tratar de direito disponível.
As avarias, de acordo com o Código Comercial, podem ser de duas
naturezas:
i) as avarias simples, conhecidas também como particulares; e
ii) as avarias grossas, também denominadas avarias comuns.
Ademais, nos termos do art. 764 do Código Comercial, em rol
exemplificativo, especifica que as avarias grossas poderão ser:
1 – Tudo o que se dá ao inimigo, corsário ou pirata por composição ou a título de resgate do
navio e fazendas, conjunta ou separadamente.
2 – As coisas alijadas para salvação comum.
3 – Os cabos, mastros, velas e outros quaisquer aparelhos deliberadamente cortados, ou partidos
por força de vela para salvação do navio e carga.
4 – As âncoras, amarras e quaisquer outras coisas abandonadas para salvamento ou benefício
comum.
5 – Os danos causados pelo alijamento às fazendas restantes a bordo.
6 – Os danos feitos deliberantemente ao navio para facilitar a evacuação d’água e os danos
acontecidos por esta ocasião à carga.
7 – O tratamento, curativo, sustento e indenizações da gente da tripulação ferida ou mutilada
defendendo o navio.
8 – A indenização ou resgate da gente da tripulação mandada ao mar ou à terra em serviço do
navio e da carga, e nessa ocasião aprisionada ou retida.
9 – As soldadas e sustento da tripulação durante arribada forçada.
10 – Os direitos de pilotagem, e outros de entrada e saída num porto de arribada forçada.
11 – Os aluguéis de armazéns em que se depositem, em porto de arribada forçada, as fazendas
que não puderem continuar a bordo durante o conserto do navio.
12 – As despesas da reclamação do navio e carga feitas conjuntamente pelo capitão numa só
instância, e o sustento e soldadas da gente da tripulação durante a mesma reclamação, uma vez
que o navio e carga sejam relaxados e restituídos.
13 – Os gastos de descarga, e salários para aliviar o navio e entrar numa barra ou porto, quando o
navio é obrigado a fazê-lo por borrasca, ou perseguição de inimigo, e os danos acontecidos às
fazendas pela descarga e recarga do navio em perigo.
14 – Os danos acontecidos ao corpo e quilha do navio, que premeditadamente se faz varar para
prevenir perda total, ou presa do inimigo.
15 – As despesas feitas para pôr a nado o navio encalhado, e toda a recompensa por serviços
extraordinários feitos para prevenir a sua perda total, ou presa.
16 – As perdas ou danos sobrevindos às fazendas carregadas em barcas ou lanchas, em
consequência de perigo.
17 – As soldadas e sustento da tripulação, se o navio depois da viagem começada é obrigado a
suspendê-la por ordem de potência estrangeira, ou por superveniência de guerra; e isto por todo o
tempo que o navio e carga forem impedidos.
18 – O prêmio do empréstimo a risco, tomado para fazer face a despesas que devam entrar na
regra de avaria grossa.
19 – O prêmio do seguro das despesas de avaria grossa, e as perdas sofridas na venda da parte da
carga no porto de arribada forçada para fazer face às mesmas despesas.
20 – As custas judiciais para regular as avarias, e fazer a repartição das avarias grossas.
21 – As despesas de uma quarentena extraordinária.

18.2. Procedimento
O CPC de 2015 trouxe à tona a regulamentação das avarias grossas de
embarcações atracadas ou fundeadas em portos brasileiros, aplicável às
hipóteses em que não haja um regulador de avaria grossa (perito) designado
pelas partes contratantes ou disponível no porto de destino da embarcação,
aplicando ao regulador de avarias os arts. 156 a 158, no que couber, dando a
ele, pois, o status de auxiliar do perito (art. 711 do CPC).
Assim, quando inexistir consenso acerca da nomeação de um regulador de
avarias, o juiz de direito da comarca do primeiro porto onde o navio houver
chegado, provocado por qualquer parte interessada, nomeará um de notório
conhecimento.
O regulador declarará justificadamente se os danos são passíveis de rateio
na forma de avaria grossa e exigirá das partes envolvidas a apresentação de
garantias idôneas para que possam ser liberadas as cargas aos consignatários.
Ademais, a parte que não concordar com o regulador quanto à declaração de
abertura da avaria grossa deverá justificar suas razões ao juiz, que decidirá no
prazo de 10 (dez) dias (art. 708 do CPC).
No entanto, se o consignatário não apresentar garantia idônea a critério do
regulador, este fixará o valor da contribuição provisória com base nos fatos
narrados e nos documentos que instruírem a petição inicial, que deverá ser
caucionado sob a forma de depósito judicial ou de garantia bancária.
Dessa forma, recusando-se o consignatário a prestar caução, o regulador
requererá ao juiz a alienação judicial de sua carga na forma dos arts. 879 a
903, sendo permitido o levantamento, por alvará, das quantias necessárias ao
pagamento das despesas da alienação a serem arcadas pelo consignatário,
mantendo-se o saldo remanescente em depósito judicial até o encerramento
da regulação.
As partes deverão apresentar nos autos os documentos necessários à
regulação da avaria grossa em prazo razoável a ser fixado pelo regulador.
Caberá, assim, ao regulador a apresentação do regulamento da avaria grossa
no prazo de até 12 (doze) meses, contado da data da entrega dos documentos
nos autos pelas partes, podendo o prazo ser estendido a critério do juiz (art.
710 do CPC).
Finalmente, oferecido o regulamento da avaria grossa, dele terão vista as
partes pelo prazo comum de 15 (quinze) dias, e, não havendo impugnação, o
regulamento será homologado por sentença. No entanto, havendo
impugnação ao regulamento, o juiz decidirá no prazo de 10 (dez) dias, após a
oitiva do regulador.
18.3. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Juízo da comarca do primeiro porto onde o navio atracar – art. 707 do CPC

PREÂMBULO

Autor e réu
Qualificação completa, conforme art. 319 do CPC (nome completo,
Partes
nacionalidade, estado civil, profissão, número da cédula de identidade, número
de inscrição no CPF, endereço, endereço eletrônico).

Nome da ação AÇÃO DE REGULAÇÃO DE AVARIA GROSSA

Fundamento
Arts. 707 e s. do CPC
legal

I) DOS FATOS

Relação: vínculo jurídico existente entre as partes (transporte marítimo);


Causa: ocorrência de avaria grossa, conforme rol exemplificativo do art. 764 do Código Comercial;
Consequência: pretensão e a necessidade de regulação da avaria.

II) DO DIREITO

Descrição da necessidade de regulação da avaria ocorrida


Nomeação de um regulador de avarias de notório conhecimento (art. 707 do
Fundamento CPC)
legal A declaração da possibilidade de rateio dos valores
A apresentação de garantias para liberação de mercadorias (art. 708, caput, do
CPC).

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A procedência do pedido para o fim de homologar o regulamento da avaria


grossa, com a nomeação de regulador de avarias.
Pedidos
b) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios -- arts. 82, §
2º, e 85 do CPC.
c) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos d) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, conforme
determina o art. 1.071 do CPC (se for o caso).
e) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
testemunhal e pericial.

Valor da
Valor estimado
Causa

18.4. Modelo de ação de regulação de avaria grossa

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SANTOS, ESTADO DE SÃO PAULO

03

04

05

06

07

08 NOME DO AUTOR, estado civil, profissão, inscrito no RG n. ... e CPF

09 n. ..., endereço eletrônico..., residente e domiciliado no endereço ...,

10 por meio de seu advogado abaixo assinado, vem, respeitosamente, à

11 presença de Vossa Excelência, com fundamento nos arts. 711 e s. do

12 CPC, ajuizar AÇÃO DE REGULAÇÃO DE AVARIA GROSSA em face de

13 NOME DO RÉU, estado civil, profissão, RG n. ..., CPF n. ..., endereço


14 eletrônico ..., residente e domiciliado no endereço ..., pelos motivos

15 abaixo expostos.

16

17 I) DOS FATOS

18

19 Com efeito, aos dezoito de agosto de 2015, as partes firmaram

20 contrato de transporte marítimo, tendo ocorrido avaria no navio e na

21 carga transportada, acarretando em considerável despesa extraordinária,

22 evitando-se, assim, um gasto maior ao transportador marítimo e ao

23 proprietário da carga.

24 Pretende-se, assim, a nomeação de um regulador de avarias, pelo juiz

25 de direito local, por se tratar da comarca do primeiro porto onde o

26 navio houver chegado, nomeando perito de notório conhecimento para a

27 apuração das despesas.

28

29 II) DO DIREITO

30

Folha 2/3

31 Nesse sentido, analisando as disposições do CPC de 2015, busca-se

32 avaliar as despesas e as avarias causadas ao navio e à mercadoria trans-

33 portada, nos termos do art. 707.


34 Da mesma forma, requer-se a cientificação do Réu para a apresentação

35 dos documentos necessários à regulação da avaria grossa, em prazo

36 razoável a ser fixado pelo regulador indicado pelo juiz, nos termos do

37 art. 709 do CPC.

38

39 III) DO PEDIDO

40

41 Em face do exposto, é a presente para requerer:

42 a) A procedência do pedido para o fim de homologar o regulamento

43 da avaria grossa, com a nomeação de regulador de avarias.

44 b) A citação do Réu, para, querendo, apresentarem defesa, no prazo

45 legal.

46 c) A indicação de regulador da avaria, para a apuração dos valores e

47 despesas causadas pela avaria no navio.

48 d) A produção de todos os meios de provas em direito admitidas,

49 com destaque para prova documental, testemunhal e pericial.

50 e) A condenação dos Réus ao pagamento das custas processuais e

51 honorários advocatícios.

52

53 A juntada da guia de custas devidamente recolhidas.


54 Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos,

55 Segue acostada a guia de custas iniciais quitada.

56 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações

57 ... (endereço completo)

58 Dá à causa o valor de R$ ... (valor do título)

59

60 Termos em que

Folha 3/3

61 pede deferimento.

62

63 Local e data ...

64

65 Advogado ...

66 OAB n. ...

18.5. Principais artigos de direito processual e direito material


• Art. 707 do CPC
• Art. 708 do CPC
• Art. 709 do CPC
• Art. 710 do CPC
• Art. 764 do CCom
19. Ações locatícias (Lei n. 8.245/91)

19.1. Introdução
A Lei n. 8.245/91 (Lei de Locação) cuida das relações contratuais de
imóveis urbanos com destinação residencial, para temporada e não
residencial; assim, é importante esclarecer que os dispositivos constantes na
Lei de Locação somente se aplicam a locações de imóveis urbanos.
Com a restrição da Lei de Locação apenas aos imóveis urbanos, o art. 1º da
referida Lei é expresso em mencionar que outras questões locatícias, que não
de imóvel urbano, continuam regulamentadas pelo Código Civil.

Atenção: Art. 1º A locação de imóvel urbano regula-se pelo disposto nesta lei:
Parágrafo único. Continuam regulados pelo Código Civil e pelas leis especiais:
a) as locações:
1. de imóveis de propriedade da União, dos Estados e dos Municípios, de suas autarquias e
fundações públicas;
2. de vagas autônomas de garagem ou de espaços para estacionamento de veículos;
3. de espaços destinados à publicidade;
4. em apart-hotéis, hotéis, residência ou equiparados, assim considerados aqueles que prestam
serviços regulares a seus usuários e como tais sejam autorizados a funcionar;
b) o arrendamento mercantil, em qualquer de suas modalidades.

19.2. Disposição da legislação: direito material e processual


Conforme já mencionado, a Lei de Locação possui característica híbrida,
isto é, aspectos de direito material e processual. Assim, os arts. 1º a 57 tratam
das normas de direito material e no art. 58 e seguintes são tratadas as
questões processuais.

19.3. Direito material

19.3.1. Partes no contrato de locação


Com respeito às normas de direito material, alguns aspectos devem ser
analisados. No contrato de locação poderá existir locador, locatário e
sublocatários, cujas definições são as seguintes:
a) Locador: proprietário do imóvel ou qualquer outro titular de direito real
ou obrigacional.

Já caiu
Os pais, na qualidade de representantes dos menores, poderão, em decorrência do usufruto legal
(art. 1.689 do Código Civil) funcionarem como locadores em relação locatícia de imóvel de
propriedade dos seus filhos.

b) Locatário: aquele que mediante o pagamento do valor do aluguel


poderá usar e gozar do imóvel pelo período contratado.
c) Sublocatário: mediante consentimento prévio e escrito do locador, o
locatário pode celebrar contrato derivado de sublocação com terceiro
estranho à relação contratual primitiva formada entre locador e locatário.

19.3.2. Sucessão e sub-rogação locatícia


Os arts. 10 a 12 da Lei de Locação trata das hipóteses de sucessão e sub-
rogação locatícia, seja em decorrência de morte de algum dos contratantes,
rompimento de casamento/união estável e alienação do imóvel.
De acordo com o art. 10 da Lei de Locação ocorrerá a sucessão locatícia
nos casos de morte do locador e alienação do imóvel (art. 8º da Lei de
Locação). Por sua vez, na hipótese de morte do locatário ou separação,
divórcio ou dissolução de união estável, ocorrerá a sub-rogação da locação,
nos termos dos arts. 11 e 12 da Lei de Locação.

Sucessão Sub-rogação

• Morte do locatário sub-roga nos direitos e


obrigações:
a) Locação residencial: cônjuge
• Morte do locador e transmissão da
sobrevivente ou companheiro, herdeiros
locação para os herdeiros
• Alienação do imóvel durante o
necessários e dependentes, desde que
contrato de locação e o prosseguimento residentes no imóvel.
da locação com o adquirente assumindo a b) Locação não residencial: espólio e, se
posição de locador for o caso, o sucessor do negócio.
• Separação, divórcio ou dissolução de união
estável: prosseguimento da locação de forma
automática com aquele que permanecer no imóvel.

No que diz respeito às hipóteses de sub-rogação – morte do locatário e


término de relação conjugal – há necessidade de comunicação escrita ao
locador e fiador, caso o contrato tenha sido garantido por fiança. Na hipótese
de ter sido prestada a fiança como garantia, poderá o fiador requerer a
exoneração das suas responsabilidades no prazo de 30 (trinta) dias contado do
recebimento da comunicação oferecida pelo sub-rogado, ficando responsável
pelos efeitos da fiança durante 120 (cento e vinte) dias após a notificação ao
locador (art. 12, § 2º, da Lei de Locação).

19.3.3. Aluguel
É ponto determinante e característica do contrato de locação o pagamento
de aluguel, uma vez que o uso do imóvel de forma gratuita caracteriza o
contrato de comodato, não se aplicando assim a Lei de Locação.
Em razão de se tratar de pressuposto necessário para a existência do
contrato de locação, a Lei de Locação traz alguns aspectos importantes sobre
o assunto:
Atenção:
• Vedada a fixação em moeda estrangeira, vinculação à variação cambial ou salário mínimo;
• Livre fixação entre as partes;
• Vedado o pagamento antecipado do aluguel, exceto em locação para temporada e contrato sem
garantia locatícia (art. 42 da Lei n. 8.245/91);
• Possibilidade de revisão judicial do valor (majoração ou redução) do aluguel, após transcorridos 3
anos da relação locatícia;
• O aluguel da sublocação não poderá ser superior ao valor da locação.

19.3.4. Deveres do locador e do locatário


A Lei de Locação ao tratar da relação locatícia de imóvel urbano traz em
seu conteúdo um rol de deveres do locador (art. 22 da Lei n. 8.245/91) e do
locatário (art. 23 da Lei n. 8.245/91), a qual recomendamos a leitura, pois o
não cumprimento de algum dever, seja de qual parte for, poderá ocasionar o
desfazimento do contrato de locação, nos termos do art. 9º, III, da Lei de
Locação.

Atenção: A locação poderá ser desfeita em decorrência da prática de infração legal ou


contratual

19.3.5. Alienação do imóvel com contrato de locação em vigência


Durante a vigência do contrato de locação o locador poderá alienar, ceder
os direitos ou realizar dação em pagamento; todavia, por disposição legal o
locatário tem preferência para adquirir o imóvel locado, em igualdade de
condições com terceiros, devendo o locador dar-lhe conhecimento do negócio
mediante notificação judicial, extrajudicial ou outro meio de ciência
inequívoca.
Recebida a comunicação pelo locatário com todas as condições do negócio,
em especial, o preço e a forma de pagamento, este deverá se manifestar, de
maneira inequívoca, no prazo decadencial de 30 dias sobre a aceitação
integral da proposta.

Atenção: O direito de preferência não alcança os casos de perda da propriedade ou


venda por decisão judicial, permuta, doação, integralização de capital, cisão, fusão e incorporação.

Caso o locador não tenha concedido o direito de preferência, poderá o


locatário preterido reclamar do alienante as perdas e danos ou, depositando o
preço e demais despesas do ato de transferência, haver para si o imóvel
locado, se o requerer no prazo de 6 meses, a contar do registro do ato no
cartório de imóveis, desde que o contrato de locação esteja averbado pelo
menos trinta dias antes da alienação junto à matrícula do imóvel.

Atenção: O locatário preterido no seu direito de preferência poderá tomar as seguintes


medidas:
a) Reclamar perdas e danos; ou
b) Haver para si imóvel, desde que no prazo de 6 meses a contar do registro da alienação depositar
o preço e demais despesas do ato de transferência.

Por sua vez, concedido o direito de preferência e não exercido este pelo
locatário, se o imóvel for alienado durante a locação o adquirente poderá, nos
termos do art. 8 da Lei de Locação:

Já caiu
ATITUDES DO ADQUIRENTE:
• Denunciar o contrato, salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula
de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel.
• A denúncia deverá ser exercitada no prazo de noventa dias contados do registro da venda ou do
compromisso, presumindo-se, após esse prazo, a concordância na manutenção da locação.
19.3.6. Benfeitorias
De acordo com a Lei de Locação, em regra as benfeitorias necessárias
introduzidas no imóvel pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo
locador, bem como as úteis, desde que autorizadas, serão indenizáveis e
permitem o exercício do direito de retenção.
Em sentido contrário, as benfeitorias voluptuárias não serão indenizáveis,
podendo ser levantadas pelo locatário, finda a locação, desde que sua retirada
não afete a estrutura e a substância do imóvel.

BENFEITORIAS

INDENIZÁVEIS NÃO INDENIZÁVEIS

• Necessárias (as que têm por fim


conservar o bem ou evitar que se • Voluptuárias (as de mero deleite ou recreio, que não
deteriore), ainda que não autorizadas. aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem
• Úteis (aumentam ou facilitam o uso mais agradável ou sejam de elevado valor).
do bem), desde que autorizadas.

19.3.7. Garantias locatícias


O contrato de locação é garantido pelas seguintes modalidades: a) caução
de bens imóveis, móveis ou dinheiro (até 3 meses de aluguel); b) fiança; c)
seguro fiança locatícia e cessão fiduciária de cotas de fundos de investimento.

Atenção: A ausência de garantia locatícia autoriza a cobrança do aluguel antecipado.

Apesar de a Lei de Locação prever várias modalidades, é vedado ao


locador exigir mais de uma modalidade de garantia e, em regra, qualquer das
garantias se estende até a efetiva devolução do imóvel, salvo disposição
contratual em sentido diverso.
É importante esclarecer que a Lei de Locação também traz hipóteses em
que o locador poderá exigir nova garantia ou substituição da existente,
conforme dispõe o art. 40 da Lei de Locação:
Por fim, importa mencionar que se o locatário for notificado para
apresentar nova garantia locatícia, deverá prestar no prazo de 30 (trinta) dias,
sob pena de desfazimento da locação.

Art. 40. O locador poderá exigir novo fiador ou a substituição da modalidade de garantia, nos
seguintes casos:
I – morte do fiador;
II – ausência, interdição, recuperação judicial, falência ou insolvência do fiador, declaradas
judicialmente;
III – alienação ou gravação de todos os bens imóveis do fiador ou sua mudança de residência sem
comunicação ao locador;
IV – exoneração do fiador;
V – prorrogação da locação por prazo indeterminado, sendo a fiança ajustada por prazo certo;
VI – desaparecimento dos bens móveis;
VII – desapropriação ou alienação do imóvel;
VIII – exoneração de garantia constituída por quotas de fundo de investimento;
IX – liquidação ou encerramento do fundo de investimento de que trata o inciso IV do art. 37 desta
Lei;
X – prorrogação da locação por prazo indeterminado uma vez notificado o locador pelo fiador de
sua intenção de desoneração, ficando obrigado por todos os efeitos da fiança, durante 120 (cento e
vinte) dias após a notificação ao locador.

19.3.8. Das penalidades civis e criminais e das nulidades


A Lei de Locação também regulamenta penalidades civis e criminais
decorrentes do contrato de locação (arts. 43 e 44), bem como no art. 45 trata
das nulidades dos contratos, deixando em evidência a nulidade das cláusulas
contratuais que proíbam a prorrogação do contrato de locação prevista no art.
47 da Lei de Locação, ou que afastem o direito à renovação, na hipótese do
art. 51 da Lei de Locação, ou que imponham obrigações pecuniárias para
tanto.
19.3.9. Das modalidades de locação de imóvel urbano
Os arts. 46 a 57 da Lei de Locação dispõem sobre 3 modalidades de
locação (residencial, temporada e não residencial) regidas pela Lei Especial,
apontando as peculiaridades de cada uma delas.

MODALIDADES DE LOCAÇÃO

NÃO
RESIDENCIAL PARA TEMPORADA RESIDENCIAL
(COMERCIAL)

a) Prazo igual ou superior a 30


meses (art. 46 – denúncia vazia)
§ ajustada por escrito;
§ resolução do contrato
ocorrerá findo o prazo § prazo não superior a 90 dias;
estipulado, . § destinação: residência do
independentemente de locatário, para prática de lazer,
notificação ou aviso; realização de cursos, tratamento de
saúde, feitura de obras em seu
§ se o locatário ficar na
imóvel e outros fatos que decorrem
posse por mais 30 dias após de determinado tempo;
§ locações de
o término dos 30 meses, a § se o imóvel estiver mobiliado,
imóveis
locação será considerada constará no contrato a descrição dos
destinados ao
prorrogada automaticamente comércio;
móveis e utensílios que o
por prazo indeterminado; § garantido o
guarnecem, bem como o estado em
direito de
§ prorrogada a locação, o que se encontram;
renovação (art.
locador poderá denunciar o § pagamento antecipado e poderá
51);
contrato a qualquer tempo, ser de uma só vez acompanhado de
§ admite
concedendo prazo de 30 dias garantia;
cláusulas
§ finalizado o prazo, se o locatário
para desocupação (denúncia atípicas, como,
permanecer no imóvel sem oposição
vazia). por exemplo, a
do locador por mais de trinta dias,
b) Com prazo inferior a 30 meses renúncia ao
presumir-se-á prorrogada a locação
(art. 47 – denúncia cheia) direito de revisar
por tempo indeterminado, não mais
§ ajustada por escrito ou sendo exigível o pagamento
o valor do
verbal; antecipado do aluguel e dos
aluguel (art. 54-
A, § 1º).
encargos;
§ com o término do prazo § prorrogado o contrato, o locador
ajustado, a locação prorroga- somente poderá denunciar o
se automaticamente por contrato após trinta meses de seu
início ou nas hipóteses do art. 47
prazo indeterminado,
(denúncia cheia).
podendo o locador retomar o
imóvel por justificativa
constante no art. 47
(denúncia cheia).

19.4. Direito processual


No que diz respeito às questões processuais, a Lei de Locação prevê a
existência de 4 ações judiciais (despejo, consignação de aluguel e acessórios
da locação, revisional e renovatória), aplicando-se a todas elas disposições
gerais previstas no art. 58, a saber:
• prazos: os processos tramitam durante as férias forenses e não se
suspendem pela superveniência delas;
• competência: é competente para conhecer e julgar tais ações o foro do
lugar da situação do imóvel, salvo se outro houver sido eleito no contrato
(foro de eleição);
• valor da causa: 12 (doze) meses de aluguel, exceto na hipótese do art.
47, II (imóvel locado para temporada em razão de contrato de trabalho)
que corresponderá a três salários vigentes por ocasião do ajuizamento;
• citação: desde que autorizado no contrato, a citação, intimação ou
notificação far-se-á mediante correspondência com aviso de recebimento;
• efeitos da apelação: recebida somente no efeito devolutivo, todavia
poderá ser requerido efeito suspensivo, nos termos do art. 1.012, §§ 3º e
4º, do CPC.
Atenção: A ausência de efeito suspensivo ao recurso de apelação de ação de despejo
autoriza o início do cumprimento provisório de sentença, todavia, salvo nas hipóteses do art. 9 da
Lei de Locação, o exequente deverá prestar caução que não poderá ser inferior a seis meses e nem
superior a doze meses do valor do aluguel.

19.4.1. Ação de despejo


A ação de despejo (arts. 59 a 66 do CPC) objetiva a restituição do imóvel,
conforme dispõe o art. 5 da Lei de Locação: “Seja qual for o fundamento do
término da locação, a ação do locador para reaver o imóvel é a de despejo”.
Assim, além das disposições gerais constantes no art. 58 da Lei de
Locação, a elaboração da peça da ação de despejo deve observar algumas
peculiaridades:
• Pedido de limiar de desocupação em 15 quinze dias, se cumpridos os
seguintes requisitos:
a) Caução no valor de 3 aluguéis; e

Atenção: Na ação de despejo que tenha por fundamento a falta de pagamento de


aluguel, além do aluguel vencido há necessidade de o contrato estar desprovido de garantia
locatícia, pois caso exista garantia, não poderá ser concedida a liminar (art. 59, § 1º, IX, da Lei de
Locação).

Art. 59. Com as modificações constantes deste capítulo, as ações de despejo terão o rito ordinário.
§ 1º Conceder-se-á liminar para desocupação em quinze dias, independentemente da audiência da
parte contrária e desde que prestada a caução no valor equivalente a três meses de aluguel, nas
ações que tiverem por fundamento exclusivo:
I – descumprimento do mútuo acordo (art. 9º, inciso I), celebrado por escrito e assinado pelas partes
e por duas testemunhas, no qual tenha sido ajustado o prazo mínimo de seis meses para
desocupação, contado da assinatura do instrumento;

II – o disposto no inciso II do art. 47, havendo prova escrita da rescisão do contrato de trabalho ou
sendo ela demonstrada em audiência prévia;
III – o término do prazo da locação para temporada, tendo sido proposta a ação de despejo em até
trinta dias após o vencimento do contrato;
IV – a morte do locatário sem deixar sucessor legítimo na locação, de acordo com o referido no
inciso I do art. 11, permanecendo no imóvel pessoas não autorizadas por lei;
V – a permanência do sublocatário no imóvel, extinta a locação, celebrada com o locatário;
VI – o disposto no inciso IV do art. 9º, havendo a necessidade de se produzir reparações urgentes no
imóvel, determinadas pelo poder público, que não possam ser normalmente executadas com a
permanência do locatário, ou, podendo, ele se recuse a consenti-las;
VII – o término do prazo notificatório previsto no parágrafo único do art. 40, sem apresentação de
nova garantia apta a manter a segurança inaugural do contrato;
VIII – o término do prazo da locação não residencial, tendo sido proposta a ação em até 30 (trinta)
dias do termo ou do cumprimento de notificação comunicando o intento de retomada;
IX – a falta de pagamento de aluguel e acessórios da locação no vencimento, estando o contrato
desprovido de qualquer das garantias previstas no art. 37, por não ter sido contratada ou em caso de
extinção ou pedido de exoneração dela, independentemente de motivo.

b) Somente nas hipóteses constantes no rol taxativo do § 1º do art. 59.


• Sublocação: ciência do pedido aos sublocatários, que poderão intervir no
processo como assistentes (§ 2º do art. 61 da Lei n. 8.245/91).
• Prova da propriedade do imóvel (certidão de matrícula): deverá ser
juntada com a petição inicial nas hipóteses do inciso IV do art. 9º66, inciso
IV do art. 4767, e inciso II do art. 5368.
• Cumulação de pedidos: o pedido de rescisão da locação poderá ser
cumulado com o pedido de cobrança dos aluguéis e acessórios da locação
vencidos e vincendos. Deve acompanhar a petição inicial a memória de
cálculo com o valor atualizado do débito, a fim de possibilitar eventual
purgação da mora pelo locatário e/ou fiador, no prazo de 15 dias (art. 62,
incisos I e II, da Lei de Locação).

19.4.1.1. Fundamentos da ação de despejo

Denúncia
cheia (art. Infração contratual ou legal
Denúncia vazia (art. 46)
47) (art. 9o)

A locação também poderá ser


desfeita:
a) por mútuo acordo;
b) em decorrência da prática de
infração legal ou contratual;
Desnecessidade de motivação para o locador c) em decorrência da falta de
Necessidade
reaver o imóvel, será cabível nos casos em que pagamento do aluguel e demais
de
ocorreu o término do prazo contratual ou, se encargos;
justificativa
prorrogado por prazo indeterminado, após o d) para a realização de
para reaver
envio da notificação concedendo o prazo de 30 reparações urgentes
imóvel.
dias para o locatário sair do imóvel. determinadas pelo Poder
Público, que não possam ser
normalmente executadas com a
permanência do locatário no
imóvel ou, podendo, ele se
recuse a consenti-las.

19.4.1.2. Estrutura básica da ação de despejo

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 58, II, da Lei de Locação

PREÂMBULO

Locador (autor)
Locatário (réu)
Fiador (réu para os casos em que tiver pedido de cobrança e
modalidade de fiança como garantia).
Partes
Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado
com endereço na Rua ... onde recebe intimações (procuração
anexa).

Nome da ação AÇÃO DE DESPEJO COM PEDIDO LIMINAR

Arts. 5º e 59, § 1º [indicar o inciso caso tenha pedido de liminar], e


s. da Lei n. 8.245/91.
Fundamento legal
Arts. 5º e 59 da Lei n. 8.245/91 [se não for caso de liminar
constante no § 1º do art. 59].

I) DOS FATOS

Relação: contrato de locação


Causa: descumprimento de cláusula contratual ou legal
Consequência: necessidade da ação de despejo para reaver o imóvel

II) DO DIREITO

Artigos de lei sobre o direito material e processual constante na


Lei de Locação (arts. 5º, 9º, 23 e 62)
Fundamento legal
Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DA LIMINAR

Expedição de mandado de
despejo com ordem de
desocupação
independentemente de
audiência com a parte
Deverá destacar o inciso que fundamenta a liminar constante no
contrária (art. 59, § 1º, da Lei
rol do § 1º do art. 59 da Lei n. 8.245/91 e oferecer caução de 3
de Locação).
(três) meses de aluguel.
ATENÇÃO: se não for caso
Palavras chaves para concessão da liminar: hipótese legal que
de liminar, se presente os
autoriza o despejo liminar e prova do depósito da caução.
requisitos da tutela provisória
(probabilidade do direito e
risco de dano), poderá ser
requerida a tutela provisória
de urgência antecipada.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A concessão da liminar, expedindo mandado de despejo, para


desocupação em quinze dias, independentemente da audiência da
parte contrária, informando que prestará a caução no valor
equivalente a três meses de aluguel, requerendo desde já, se
necessário o emprego de força, inclusive arrombamento, conforme
art. 59, § 1º, e 65 da Lei n. 8.245/91.
Pedidos b) A procedência do pedido para declarar a rescisão da locação,
confirmando-se a liminar pleiteada acima de desocupação do
imóvel nos termos do art. 63 da Lei n. 8.245/91.
c) A procedência do pedido de cobrança dos alugueis a fim de
condenar o locatário e fiador ao pagamento do R$ ... referente aos
aluguéis atrasados, conforme art. 62, I, da Lei n. 8.245/91 (se
houver cumulação de pedido de cobrança).

d) A citação do locatário para responder ao pedido de rescisão e o


locatário e o fiador para responder ao pedido de cobrança,
podendo purgar a mora, no prazo de 15 dias, contado da citação,
mediante o pagamento do débito atualizado, independentemente
de cálculo e mediante depósito judicial, conforme arts. 59, § 3º, e
62, I e II, da Lei n. 8.245/91; (se o fundamento do despejo for a
falta de pagamento).
e) A citação do locatário para que, querendo, ofereça sua defesa,
sob pena de revelia (quando o despejo não estiver cumulado com
cobrança de aluguéis em atraso).
f) A citação dos sublocatários, que poderão intervir no processo
como assistentes, conforme art. 59, § 2º, da Lei n. 8.245/91 (se for
Requerimentos o caso).
g) A condenação do réu ao pagamento de custas e honorários
advocatícios.
h) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,
especialmente testemunhal e pericial.
i) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido
de gratuidade.
j) O interesse/desinteresse na audiência de conciliação/mediação,
nos termos do art. 319, VII, do CPC.
k) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,
nos termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso).
l) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II,
do CPC (se for o caso).

Art. 58, III, da Lei de Locação:


Regra geral: 12 vezes o valor do aluguel
Valor da Causa Situações peculiares:
a) três vezes o valor do aluguel se o fundamento da rescisão for
locação por temporada relacionada à contrato de trabalho;
O requerimento de prioridade de tramitação somente deverá
constar na peça se o enunciado trouxer elementos que evidenciem
ATENÇÃO a necessidade de tais requerimentos.
O requerimento de intimação do Ministério Público com
fundamento no art. 178, II, do CPC, somente ocorrerá se houver
interesse de incapaz.

19.4.1.3. Modelo de ação de despejo

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DO FORO DISTRITAL DE MACAUBAL DA COMARCA DE MON-

03 TE APRAZÍVEL

04

05

06

07

08

09 JOSÉ SILVA, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ...,

10 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., vem por meio do seu

11 advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe intimações

12 (procuração anexa), com fundamento nos arts. 5º e 59 e seguintes

13 da Lei n. 8.245/91, propor AÇÃO DE DESPEJO CUMULADA COM

14 COBRANÇA DE ALUGUÉIS em face de OSVALDO NEVES, estado civil


15 ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com

16 endereço na Rua ..., e OTÁVIO REIS, estado civil ..., profissão ...,

17 inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...

18 pelos motivos abaixo expostos.

19

20 I. DOS FATOS

21

22 O autor firmou com o réu contrato de locação pelo prazo de 30 meses

23 do imóvel situado na Rua ....... No contrato, restou pactuado o valor

24 mensal de R$ 4.000,00 a título de aluguel, bem como a garantia da

25 locação pelo fiador Osvaldo Reis.

26 Ocorre que o réu está inadimplente com o pagamento dos aluguéis,

27 tendo então descumprido a obrigação contratual e legal de pagar o

28 aluguel pontualmente na data estipulada.

29 Portanto, em razão de infração contratual e legal, não restou outra

30 alternativa ao autor a não ser propor a presente ação para reaver o

Folha 2/4

31 imóvel e rescindir o contrato de locação, bem como cobrar os valores

32 vencidos e vincendos, conforme abaixo será demonstrado.

33

34 II. DO DIREITO
35

36 A Lei de Locação no seu art. 5º garante ao locador o uso da ação de

37 despejo para reaver o imóvel em qualquer situação. Por sua vez, o art.

38 9º, III, da Lei de Locação, é expresso em autorizar o desfazimento da

39 locação em caso de falta de pagamento do aluguel:

40

41 Art. 9º A locação também poderá ser desfeita:

42 (...)

43 III – em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais

44 encargos;

45

46 Assim, considerando que o autor está inadimplente com sua obrigação

47 de quitar o aluguel mensalmente, resta evidenciada a infração legal ao

48 contrato de locação. Neste contexto, é importante também transcrever

49 o art. 23 da Lei de Locação que aponta como dever do locatário o

50 pagamento pontual do valor do aluguel:

51

52 Art. 23. O locatário é obrigado a:

53 I – pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal

54 ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua


55 falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel

56 locado, quando outro local não tiver sido indicado no contrato;

57

58 Portanto, diante do descumprimento dos deveres de locatário, é

59 medida de rigor a desocupação do imóvel e a rescisão do contrato, bem

60 como a condenação dos réus ao pagamento de R$ 40.000,00 decor-

Folha 3/4

61 rente do valor em aberto, devidamente atualizado, conforme memória

62 de cálculo anexa, tudo conforme o determinado pelo art. 62, I, da Lei

63 n. 8.245/91.

64

65 III. DO PEDIDO

66

67 Em face do exposto, é a presente para requerer:

68 a) a procedência do pedido com a rescisão da locação e decretação do

69 despejo e retomada do imóvel no prazo de 15 dias, conforme art.

70 63, §1º, b, da Lei n. 8.245/91;

71 b) a procedência do pedido de cobrança dos aluguéis, a fim de con-

72 denar o locatário e fiador ao pagamento do R$ 4.000,00 referen-

73 te aos aluguéis atrasados, conforme art. 62, I, da Lei n. 8.245/91;

74 c) a citação do locatário para responder ao pedido de rescisão e o


75 locatário e o fiador para responder ao pedido de cobrança, podendo

76 purgar a mora, no prazo de 15 dias, contado da citação, mediante

77 o pagamento do débito atualizado, independentemente de cálculo

78 e mediante depósito judicial, conforme art. 59, § 3,º e 62, I e

79 II, da Lei n. 8.245/91;

80 d) a condenação do réu ao pagamento de custas e honorários

81 advocatícios;

82 e) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

83 especialmente, testemunhal e pericial;

84 f) a juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

85 gratuidade;

86 g) o interesse/desinteresse na audiência de conciliação/mediação, nos

87 termos do art. 319, VII, do CPC;

88 h) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

89 nos termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

90 i) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

Folha 4/4

91 CPC. (se for o caso).

92

93 Valor da causa: R$ 48.000,00.


94

95

96

97 Termos em que

98 pede deferimento.

99

100 Local e data ...

101

102 Advogado ...

103 OAB n. ...

19.4.2. Ação de consignação em pagamento


A ação de consignação em pagamento prevista na Lei de Locação tem por
objeto o pagamento dos aluguéis e acessórios mediante a consignação em
razão do locatário ter encontrado algum impedimento previsto no art. 335 do
Código Civil69 de adimplir o aluguel.
O processamento da ação de consignação de pagamento dos aluguéis e
acessórios decorrente do contrato de locação se assemelha com a ação de
consignação de pagamento prevista no Código de Processo Civil (arts. 539 a
549), todavia, a Lei de Locações prevê algumas peculiaridades a serem
observadas na elaboração da peça processual:
• a petição inicial deverá especificar os aluguéis e acessórios da locação
com indicação dos respectivos valores;
• determinada a citação do réu, o autor será intimado a, no prazo de 24
(vinte e quatro horas), efetuar o depósito judicial da importância indicada
na petição inicial, sob pena de ser extinto o processo;
• o pedido envolverá a quitação das obrigações que vencerem durante a
tramitação do feito e até ser prolatada a sentença de primeira instância,
devendo o autor promover os depósitos nos respectivos vencimentos.
Distribuída a petição inicial, não sendo oferecida a contestação, ou se o
locador receber os valores depositados, o juiz acolherá o pedido, declarando
quitadas as obrigações, condenando o réu ao pagamento das custas e
honorários de vinte por cento do valor dos depósitos.
Por sua vez, caso o locador ofereça contestação, além da defesa de direito
que possa caber, ficará adstrita, quanto à matéria de fato, a:
a) não ter havido recusa ou mora em receber a quantia devida;
b) ter sido justa a recusa;
c) não ter sido efetuado o depósito no prazo ou no lugar do pagamento;
d) não ter sido o depósito integral.

Atenção: Ao contestar o réu poderá, em reconvenção, pedir o despejo e a cobrança dos


valores objeto da consignatória ou da diferença do depósito inicial.

19.4.2.1. Estrutura básica da ação de consignação em pagamento

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 58, I, da Lei n. 8.245/91

PREÂMBULO

Autor (locatário ou fiador)


Réu (locador)
Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).

AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO DE ALUGUEL E


Nome da ação
ACESSÓRIOS DA LOCAÇÃO

Fundamento
Art. 67 da Lei n. 8.245/91
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação locatícia entre as partes.


Causa: impedimento de pagamento do aluguel por alguma das hipóteses do art. 335 do CC.
Consequência: necessidade de propositura da ação para declaração de extinção da obrigação.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material (art. 335 do CPC) e processual (arts. 67 da Lei
Fundamento n. 8.245/91 e 539 a 549 do CPC).
legal Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes.

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Procedência do pedido para declarar quitadas as obrigações, condenando o


Pedidos réu ao pagamento das custas e honorários de vinte por cento do valor dos
depósitos, nos termos do art. 67, IV, da Lei n. 8.245/91.

b) A citação do réu para receber os valores ou oferecer contestação, intimando o


autor para no prazo de 24 horas efetuar o depósito judicial da importância
indicada na petição inicial, nos termos do art. 67, II, da Lei n. 8.245/91.
c) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de gratuidade
da justiça.
d) O interesse/desinteresse na audiência de conciliação/mediação, nos termos do
Requerimentos
art. 319, VII, do CPC.
e) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos termos do
art. 1.048 do CPC.
f) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC.
g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.

Valor da
Causa Art. 58, III, da Lei n. 8.245/91

É admissível o pedido de tutela provisória de urgência antecipada quando existir


elementos para tanto (art. 300 do CPC).
ATENÇÃO O pedido de tutela provisória, prioridade de tramitação e intimação do
Ministério Público somente deverão constar na peça se o enunciado trouxer
elementos que evidenciem a necessidade de tais requerimentos.

19.4.2.2. Modelo de peça prática de ação de consignação de pagamento de


aluguéis e acessórios da locação

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE NHANDEARA

03

04

05

06

07

08 JOÃO QUEIROZ, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ...,

09 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., vem por meio do seu

10 advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe intimações

11 (procuração anexa), com fundamento no art. 67 da Lei n. 8.245/91

12 propor AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO de ALUGUÉIS E

13 ACESSÓRIOS DA LOCAÇÃO em face de LEONICE CRUZ, estado civil


14 ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço eletrônico ..., com

15 endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

16

17 I. DOS FATOS

18

19 O autor celebrou com a ré contrato de locação pelo prazo de 30 meses,

20 com valor de aluguel mensal de R$ 2.000,00, devendo o pagamento

21 ocorrer na residência da ré mediante recibo.

22 Desde o início do contrato, o autor realizou o pagamento pontual dos

23 valores dos aluguéis, todavia, a ré não mais reside no seu endereço e não

24 informou o seu atual endereço, impossibilitando o autor de quitar o

25 aluguel já vencido e os futuros aluguéis.

26 Assim, a fim de extinguir a obrigação, ao autor não restou outra

27 alternativa a não ser a propositura da presente demanda.

28

29 II. DO DIREITO

30

Folha 2/4

31 De acordo com os arts. 304 do Código Civil e 539 do Código de

32 Processo Civil, o autor, na condição de devedor da relação obrigacional,

33 poderá fazer o uso da consignação com efeito de pagamento de dívida


34 para obter quitação da relação obrigacional.

35 Assim, considerando a consignação como meio de pagamento e extinção

36 da obrigação, poderá o autor fazer o uso da consignação quando o credor

37 residir em lugar incerto, conforme disposto no art. 335, III, do Código

38 Civil:

39

40 Art. 335. A consignação tem lugar:

41 (...)

42 III – se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado

43 ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;

44

45 Desta maneira, considerando que o autor não tem conhecimento do

46 atual endereço da ré e que o art. 67 da Lei n. 8.245/91 autoriza a

47 propositura da ação de consignação em pagamento para extinção dos

48 débitos relacionados à relação locatícia, com fundamento ao art. 67, I,

49 da Lei n. 8.245/91, informa que o valor em aberto é de R$ 2.030,00,

50 conforme memória de cálculo anexa que demonstra a correção do valor

51 mensal do aluguel.

52 Portanto, diante dos fatos narrados e do direito aplicável, impõe-se a

53 autorização do depósito e posterior procedência do pedido para declarar


54 a quitação dos valores dos aluguéis.

55

56 III. DO PEDIDO

57

58 Em face do exposto, é a presente para requerer:

59 a) a procedência do pedido para declarar quitadas as obrigações ven-

60 cidas e que se vencerem no curso da ação, condenando a ré ao

Folha 3/3

61 pagamento das custas e honorários de 20% (vinte por cento) do

62 valor dos depósitos, nos termos do art. 67, IV, da Lei n. 8.245/91;

63 b) a citação do réu para receber os valores ou oferecer contestação,

64 intimando o autor para no prazo de 24 horas, efetuar o depósito

65 judicial da importância indicada na petição inicial, nos termos do

66 art. 67, II, da Lei n. 8.245/91;

67 c) a juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

68 gratuidade da justiça;

69 d) o interesse/desinteresse na audiência de conciliação/mediação, nos

70 termos do art. 319, VII, do CPC;

71 e) a prioridade de tramitação por se tratar de pessoa idosa, conforme

72 o art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);


73 f) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II,

74 do CPC;

75 g) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

76 especialmente a produção de prova testemunhal e pericial; (se

77 houver tentativa extrajudicial, deverá constar no requerimento de

78 provas a juntada do comprovante de depósito e correspondência

79 com recusa do devedor).

80

81 Valor da causa: R$ 24.000,00 (vinte e quatro mil reais).

82

83 Termos em que

84 pede deferimento.

85

86 Local e data ...

87

88 Advogado ...

89 OAB n. ...

19.4.3 Ação revisional de aluguel


A ação revisional de aluguel prevista no art. 68 da Lei de Locação tem por
objeto a revisão do valor do aluguel, podendo ser proposta tanto pelo locador
para o fim de majorar o aluguel ou pelo locatário para reduzir o valor do
aluguel. O fundamento para alteração do valor do aluguel é aproximação do
valor real de mercado, considerando as circunstâncias depreciativas ou
valorizadoras do valor de locação.
O procedimento a ser adotado na ação revisional de aluguel é o comum
(art. 1.049, parágrafo único, do CPC), todavia peculiaridades da Lei de
Locação (especial) devem ser observadas:
• Petição inicial deverá indicar o valor do aluguel cuja fixação é pretendida
• Audiência de conciliação
• Fixação de aluguel provisório
a) em ação proposta pelo locador, o aluguel provisório não poderá ser
excedente a 80% (oitenta por cento) do pedido;
b) em ação proposta pelo locatário, o aluguel provisório não poderá ser
inferior a 80% (oitenta por cento) do aluguel vigente.
• Contestação apresentada em audiência e que deverá conter
contraproposta se houver discordância quanto ao valor pretendido.
• Se não for obtida a conciliação, o juiz determinará a realização de prova
pericial para apurar o valor real de mercado do aluguel.
• Não caberá ação revisional na pendência de prazo para desocupação do
imóvel (arts. 46, § 2º, e 57).
• O aluguel fixado na sentença retroage à citação.
• Na ação de revisão do aluguel, o juiz poderá homologar acordo de
desocupação, que será executado mediante expedição de mandado de
despejo.

19.4.3.1. Estrutura básica da ação revisional de aluguel

ENDEREÇAMENTO
Competência Art. 58, I, da Lei n. 8.245/91

PREÂMBULO

Autor (locatário ou locador)


Réu (locatário ou locador)
Partes Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC)
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa)

Nome da ação AÇÃO REVISIONAL DE ALUGUEL

Fundamento
Art. 68 da Lei n. 8.245/91
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação locatícia entre as partes


Causa: valorização ou depreciação do valor do aluguel frente ao valor do mercado
Consequência: necessidade de propositura da ação para revisar o valor do aluguel

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material (arts. 18 e 19 da Lei n. 8.245/91) e processual


Fundamento (arts. 68 a 70 da Lei n. 8.245/91)
legal Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DOS ALUGUÉIS PROVISÓRIOS

Pedido de
fixação de
Trabalhar o disposto no art. 68, II, a ou b, da Lei de Locação para o fim de
aluguéis
destacar o pedido de fixação de aluguéis provisórios.
provisórios
Obs.: não há qualquer vedação. Abordar o tópico dos aluguéis provisórios no
(art. 68, II e
tópico DO DIREITO.
III, da Lei n.
8.245/91)

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A fixação do aluguel provisório no valor de R$ ..., o qual não excede o valor


de 80% do pedido, sendo devido desde a citação, conforme dispõe o art. 68, II,
a ou b da Lei n. 8.245/91.
Pedidos
b) A procedência do pedido para o fim de fixar o aluguel mensal no valor de R$
..., condenando-se o réu ao pagamento das diferenças devidas durante a ação de
revisão, nos termos do art. 69 da Lei n. 8.245/91.

c) A citação do réu para comparecer a audiência de conciliação e para,


querendo, apresentar contestação com contraproposta se houver discordância
quanto ao valor pretendido, nos termos do art. 68, IV, da Lei n. 8.245/91.
d) A juntada da guia de custas recolhidas ou pedido de justiça gratuita.
e) O interesse/desinteresse na audiência de conciliação/mediação, nos termos do
art. 319, VII, do CPC.
f) A condenação do réu ao pagamento de honorários advocatícios e custas
Requerimentos processuais.
g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e, se necessária, a realização de perícia prevista no art. 68, IV, da
Lei n. 8.245/91.
h) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos termos do
art. 1.048 do CPC (se for o caso).
i) A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC (se for
o caso).

Valor da
Art. 58, III, da Lei n. 8.245/91
Causa

O pedido de prioridade de tramitação e intimação do Ministério Público


ATENÇÃO somente deverão constar na peça se o enunciado trouxer elementos que
evidenciem a necessidade de tais requerimentos.

19.4.3.2. Modelo de peça prática de ação revisional de aluguel

Folha 1/4

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE MONTE APRAZÍVEL

03
04

05

06

07

08 JOÃO FERREIRA, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ...,

09 endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., vem por meio do seu

10 advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe intimações

11 (procuração anexa), com fundamento no art. 68 da Lei n. 8.245/91

12 propor AÇÃO REVISIONAL DE ALUGUEL PELO PROCEDIMENTO COMUM

13 em face de ANA ALVES, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF

14 n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., pelos motivos

15 abaixo expostos.

16

17 I. DOS FATOS

18

19 As partes celebraram contrato de locação pelo prazo de 30 meses,

20 findo o qual ocorreu a prorrogação automática. O valor de aluguel

21 pactuado pelas partes foi de R$ 4.000,00.

22 Ocorre que, em razão do término da obra do metrô, próximo do imóvel

23 objeto do contrato de locação, a região restou extremamente valorizada,

24 o que por consequência impactou os valores de aluguéis cobrados na


25 região.

26 Em que pese o autor tentar rever amigavelmente o valor da locação, a

27 ré não aceitou qualquer modificação do valor, razão pela qual não restou

28 outra alternativa ao autor a não ser a propositura da presente ação.

29

30 II. DO DIREITO

Folha 2/4

31

32 De acordo com a Lei de Locação, o valor do aluguel entre as partes

33 poderá ser modificado de comum acordo entre as partes. Ocorre que, o

34 réu mesmo ciente da valorização da região por conta da obra do metrô,

35 adotou postura intransigente e não aceitou realizar qualquer tipo de

36 acordo proposto pelo autor, logo, de rigor a propositura da presente

37 ação.

38 O art. 19 da Lei n. 8.245/91 dispõe que o locador poderá após três

39 anos de vigência do contrato requerer a revisão do aluguel, caso não

40 tenha obtido êxito em acordo com o locatário:

41

42 Art. 19. Não havendo acordo, o locador ou locatário, após três

43 anos de vigência do contrato ou do acordo anteriormente realizado,


44 poderão pedir revisão judicial do aluguel, a fim de ajustá-lo ao

45 preço de mercado.

46

47 Assim, considerando a intransigência do réu e o direito do autor a

48 ter o valor do aluguel majorado, de rigor a procedência do pedido da

49 presente ação revisional a fim de que seja fixado a título de aluguel o

50 valor de R$ 6.300,00, nos termos do art. 68, I, da Lei n. 8.245/91,

51 juntando como prova documental neste ato 3 laudos de avaliação

52 produzidos por imobiliária atuante no bairro.

53

54 III. DO ALUGUEL PROVISÓRIO

55

56 A Lei de Locação garante ao autor da ação revisional o direito de ter

57 fixado o valor provisório do aluguel pretendido, desde que não excedente

58 a 80% do valor pretendido, desde a citação, conforme art. 68, II, “a”,

59 da Lei n. 8.245/91:

60

Folha 3/4

61 Art. 68. Na ação revisional de aluguel, que terá o rito sumário,

62 observar-se-á o seguinte:

63 (...)
64 II – ao designar a audiência de conciliação, o juiz, se houver pedido

65 e com base nos elementos fornecidos tanto pelo locador como pelo

66 locatário, ou nos que indicar, fixará aluguel provisório, que será

67 devido desde a citação, nos seguintes moldes:

68 a) em ação proposta pelo locador, o aluguel provisório não poderá

69 ser excedente a 80% (oitenta por cento) do pedido;

70

71 Assim, diante do previsto na Lei de Locação, o autor requer que

72 seja fixado aluguel provisório no valor de R$ ..., valor este que não

73 excede a 80% do valor do pedido.

74

75 IV. PEDIDOS

76

77 Em face do exposto, é a presente para requerer:

78 a) a fixação do aluguel provisório no valor de R$ ..., o qual não excede

79 o valor de 80% do pedido, sendo devido desde a citação, conforme

80 dispõe o art. 68, II, a ou b, da Lei n. 8.245/91;

81 b) a procedência do pedido para o fim de fixar o aluguel mensal no

82 valor de R$ ..., condenando-se o réu ao pagamento das diferenças

83 devidas durante a ação de revisão, nos termos do art. 69 da Lei


84 n. 8.245/91;

85 c) a citação do réu para comparecer à audiência de conciliação e para,

86 querendo, apresentar contestação com contraproposta se houver

87 discordância quanto ao valor pretendido, nos termos do art. 68,

88 IV, da Lei n. 8.245/91;

89 d) a juntada da guia de custas recolhidas ou pedido de justiça gratuita;

90 e) a condenação do réu ao pagamento de honorários advocatícios e

Folha 4/4

91 custas processuais;

92 f) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

93 especialmente testemunhal e, se necessária, a realização de perícia

94 prevista no art. 68, IV, da Lei n. 8.245/91;

95 g) o interesse/desinteresse na audiência de conciliação/mediação, nos

96 termos do art. 319, VII, do CPC;

97 h) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

98 nos termos do art. 1.048, I, do CPC (se for o caso);

99 i) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

100 CPC (se for o caso).

101

102 Valor da causa: R$ 48.000,00 (12x o valor do aluguel vigente – art.

103 58, III, da Lei n. 8.245/91)


104

105 Termos em que

106 pede deferimento.

107

108 Local e data ...

109

110 Advogado ...

111 OAB n. ...

19.4.4. Ação renovatória


A ação renovatória está prevista nos arts. 71 a 75 da Lei de Locação e é
cabível apenas nas locações não residenciais destinadas ao comércio com a
finalidade de forçar a renovação do contrato. A ação renovatória deverá ser
proposta pelo locatário no período de no máximo 1 ano e no mínimo 6 meses
anteriores à finalização do contrato em vigor (art. 51, § 5º, da Lei n.
8.245/91) e a procedência do pedido está vinculada à comprovação,
cumulativa, dos seguintes requisitos (art. 51, I a III, da Lei de Locação):
• o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo
determinado;
• o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos
dos contratos escritos seja de cinco anos;
• o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo
mínimo e ininterrupto de três anos.
Além da comprovação dos requisitos acima, o locatário deverá instruir a
petição inicial com os seguintes documentos e informações (art. 71, I a VII,
da Lei de Locação):
• prova do exato cumprimento do contrato em curso;
• prova da quitação dos impostos e taxas que incidiram sobre o imóvel e
cujo pagamento lhe incumbia;
• indicação clara e precisa das condições oferecidas para a renovação da
locação;
• prova de que o fiador do contrato ou o que o substituir na renovação
aceita os encargos da fiança, autorizado por seu cônjuge, se casado for;
• indicação do fiador quando houver no contrato a renovar e, quando não
for o mesmo, com indicação do nome ou denominação completa,
comprovando, desde logo, mesmo que não haja alteração do fiador, a atual
idoneidade financeira;
• prova, quando for o caso, de ser cessionário ou sucessor, em virtude de
título oponível ao proprietário.
Por sua vez, o locador em sua contestação, além da defesa de direito que
possa caber, ficará adstrito, quanto à matéria de fato, ao seguinte:
• não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei;
• não atender a proposta do locatário o valor locativo real do imóvel na
época da renovação;
• ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores, devendo
neste caso juntar prova documental da proposta do terceiro, subscrita por
este e por duas testemunhas;
• não estar obrigado a renovar a locação (art. 52, I e II, da Lei de Locação).
Na contestação, poderá ainda trazer pedido de fixação de aluguel
provisório, para vigorar a partir do primeiro mês do prazo do contrato a ser
renovado, não excedente a oitenta por cento do pedido, desde que
apresentados elementos hábeis para aferição do justo valor do aluguel
Renovada a locação, as diferenças dos aluguéis vencidos serão executadas
nos próprios autos da ação e pagas de uma só vez e, não sendo renovada a
locação, o juiz determinará a expedição de mandado de despejo, que conterá
o prazo de 30 (trinta) dias para a desocupação voluntária, se houver pedido na
contestação.

19.4.4.1. Estrutura básica da ação renovatória de aluguel

ENDEREÇAMENTO

Competência Art. 58, I, da Lei n. 8.245/91

PREÂMBULO

Autor (locatário)
Réu (locador)
Partes Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua... onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação AÇÃO RENOVATÓRIA

Fundamento
Arts. 71 e s. da Lei n. 8.245/91
legal

I) DOS FATOS

Relação: existência de relação locatícia não residencial para fins comercias


Causa: negativa de renovação do contrato por parte do locador
Consequência: necessidade de propositura de ação renovatória

II) DO DIREITO
Artigos de lei de direito material (art. 51, I a III, e § 5° da Lei n. 8.245/91) e
Fundamento processual (art. 71, I a VII, da Lei n. de 8.245/91).
legal Súmulas
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A procedência do pedido para declarar renovada a locação do contrato


Pedidos firmado, por igual prazo, observados os seguintes termos ..., conforme art. 71,
IV, da Lei n. 8.245/9.

b) A condenação da ré ao pagamento de honorários advocatícios e custas


processuais.
c) A juntada da guia de custas devidamente recolhida.
Requerimentos d) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.
e) Informa que tem interesse na audiência de conciliação ou mediação,
conforme art. 319, VII, do CPC.

Valor da
Art. 58, III, da Lei n. 8.245/91
Causa

19.4.4.2. Modelo de peça prática de ação renovatória

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE MIRASSOL

03

04

05

06

07
08 LOJAS FERRAZ, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ

09 ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ..., representado por

10 seu administrador JOÃO ALVES, conforme contrato social anexo, vem

11 por meio do seu advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde

12 recebe intimações (procuração anexa), com fundamento no art. 71 da

13 Lei n. 8.245/91 propor AÇÃO RENOVATÓRIA em face de CATARINA

14 OLIVEIRA, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF n. ..., endereço

15 eletrônico ..., com endereço na Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

16

17 I. DOS FATOS

18

19 As partes firmaram contrato escrito de locação não residencial para fins

20 comerciais, tendo em vista que a Lojas Ferraz comercializa móveis e

21 roupas de cama e mesa.

22 Com o intuito de renovar o contrato, a autora, representada por seu

23 administrador, contatou a ré para fins de renovação, todavia, a ré negou

24 a renovação amigável e manifestou interesse em reaver o imóvel.

25 Todavia, a autora, em razão da sua atividade econômica possui inte-

26 resse em renovar e cumpre todos os requisitos exigidos pela legislação,

27 e, por tais motivos tem o direito à renovação do contrato.


28

29 II. DO DIREITO

30

Folha 2/3

31 As partes firmaram contrato de locação pelo prazo de 10 anos do

32 imóvel situado no endereço ... para fins de que a autora explorasse sua

33 atividade comercial de venda de móveis e roupa de cama e mesa. Assim,

34 considerando o direito à renovação garantido na Lei de Locação, a Autora

35 passa a demonstrar o cumprimento de todos requisitos legais exigidos

36 pelos arts. 51 e 71 da Lei n. 8.245/91.

37 O contrato a renovar foi celebrado por escrito e com prazo deter

38 minado, conforme documento anexo e nos termos do art. 51, I, da Lei

39 n. 8.245/91. Por sua vez, a autora cumpre o prazo do contrato a

40 renovar, isto porque, o contrato a que busca renovar foi firmado pelo

41 prazo de 10 anos, razão pela qual está cumprido o requisito do art. 51,

42 II, da Lei n. 8.245/91.

43 Some-se a isso que a locatária, nos termos do art. 51, III, da Lei n.

44 8.245/91, explora a mesma atividade desde o início do contrato, cum-

45 prindo assim o requisito de exploração do mesmo ramo de atividade pelo

46 prazo mínimo e ininterrupto de 3 anos, conforme documentos anexos.

47 Assim, considerando o cumprimento de todos os requisitos do art.


48 51, I a III, da Lei n. 8.245/91, a autora, em respeito ao art. 51, § 5º,

49 da Lei n. 8.245/91, propõe a ação no interregno de um ano antes do

50 término do prazo do contrato em vigor.

51 Em atenção ao art. 71, II, da Lei n. 8245/91, a autora informa que

52 o contrato em vigor vem sendo cumprido sem nenhuma infração legal,

53 conforme comprova com a juntada dos recibos de pagamento de aluguel

54 dos últimos 12 meses, bem como a prova da quitação dos impostos e

55 taxas que incidiram sobre o imóvel e cujo pagamento lhe incumbia, con-

56 forme o art. 71, III, da Lei n. 8.245/91.

57 Em cumprimento ao art. 71, IV, da Lei n. 8.245/91, a autora informa

58 que as condições oferecidas para renovação são as seguintes: (...)

59 E, por fim, em atenção ao art. 71, V e VI, da Lei n. 8.245/91,

60 esclarece que a garantia locatícia será na modalidade fiança, permanecendo

Folha 3/3

61 como fiador ..., juntando para tanto a comprovação da sua atual

62 condição financeira, bem como a declaração de que aceita os encargos

63 da fiança.

64 Em sendo assim, cumpridos todos os requisitos legais exigidos para

65 que ocorra a renovação, impõe-se a procedência do pedido para que o

66 contrato de locação entre as partes seja renovado.


67

68 III. DOS PEDIDOS

69

70 Em face do exposto, é a presente para requerer:

71 a) A procedência do pedido para declarar renovada a locação do con-

72 trato firmado, por igual prazo, observados os seguintes termos

73 ..., conforme o art. 71, IV, da Lei n. 8.245/91.

74 b) A condenação da ré ao pagamento de honorários advocatícios e

75 custas processuais.

76 c) A juntada da guia de custas devidamente recolhida.

77 d) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

78 especialmente testemunhal e pericial.

79 e) Informa que tem interesse na audiência de conciliação ou mediação,

80 conforme art. 319, VII, do CPC.

81

82 Valor da causa: R$ ... (12x o valor do aluguel vigente – art. 58, III,

83 da Lei n. 8.245/91).

84 Termos em que

85 pede deferimento.

86

87 Local e data ...


88

89 Advogado ...

90 OAB n. ...
20. Ação de Busca e Apreensão

20.1. Introdução
Alienação fiduciária em garantia é o contrato em que o credor fiduciário
transfere o domínio de determinado bem para o devedor fiduciante,
permanecendo com a propriedade e posse indireta do bem.
Nesse caso, o devedor fiduciante será o possuidor direto e depositário do
bem, sendo que, ao final, efetuado o pagamento do débito, o fiduciário
devolverá o bem ao fiduciante ou optará por permanecer com o bem.
Exemplo bem comum é o financiamento de veículos por meio de alienação
fiduciária.
É direito real de garantia, tendo como objeto a transferência da propriedade
de coisa móvel, mas com a finalidade de garantir o cumprimento de
obrigação assumida pelo devedor fiduciário, diante da instituição financeira
que lhe concedeu o financiamento para a aquisição de um bem.
Conforme o art. 1.361 do CC, considera-se fiduciária a propriedade
resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor, com escopo de garantia,
transfere ao credor.
Assim,o Decreto-lei n. 911/69 apenas regulamenta a situação de mora do
devedor e os meios de apreensão do bem vinculado ao contrato.

20.2. Procedimento
Nos termos do art. 2o do Decreto-lei n. 911/69, no caso de
inadimplemento ou mora nas obrigações contratuais garantidas mediante
alienação fiduciária, o proprietário fiduciário ou credor poderá vender a coisa
a terceiros, independentemente de leilão, hasta pública, avaliação prévia ou
qualquer outra medida judicial ou extrajudicial, salvo disposição expressa em
contrário prevista no contrato, devendo aplicar o preço da venda no
pagamento de seu crédito e das despesas decorrentes e entregar ao devedor o
saldo apurado, se houver, com a devida prestação de contas.
Segundo determina o Decreto-lei n. 911/69, a busca e apreensão constitui
processo autônomo e poderá ser proposta independentemente de qualquer
procedimento posterior.
Dessa forma, o proprietário fiduciário ou credor poderá, desde que
comprovada a mora, ou o inadimplemento da obrigação, requerer contra o
devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente, a
qual será concedida liminarmente, podendo ser apreciada em plantão
judiciário, conforme determina o art. 3o do Decreto-lei n. 911/69.
Cinco dias após executada a liminar mencionada acima, consolidar-se-ão a
propriedade e a posse plena e exclusiva do bem no patrimônio do credor
fiduciário, cabendo às repartições competentes, quando for o caso, expedir
novo certificado de registro de propriedade em nome do credor, ou de
terceiro por ele indicado, livre do ônus da propriedade fiduciária.
Há, ainda, a possibilidade de o devedor fiduciante pagar a integralidade da
dívida pendente, segundo os valores apresentados pelo credor fiduciário na
inicial, hipótese na qual o bem lhe será restituído livre do ônus, ou apresentar
resposta no prazo de quinze dias, contados da execução da liminar.
É importante verificar que a resposta poderá ser apresentada ainda que o
devedor tenha se utilizado da faculdade de pagamento da integralidade da
dívida, caso entenda ter havido pagamento a maior e desejar restituição.
Proferida a sentença pelo juiz caberá o recurso de apelação, que será
recebido apenas no efeito devolutivo.
Finalmente, na sentença proferida, que decretar a improcedência da ação de
busca e apreensão, o juiz condenará o credor fiduciário ao pagamento de
multa, em favor do devedor fiduciante, equivalente a cinquenta por cento do
valor originalmente financiado, devidamente atualizado, caso o bem já tenha
sido alienado, ressaltando que a multa não exclui a responsabilidade do
credor fiduciário por perdas e danos.

20.3. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Juízo do domicilio do réu – art. 46 do CPC

PREÂMBULO

Autor e réu
Informar casos de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua ... onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO

Fundamento
Arts. 3º e s. do Decreto-lei n. 911/69.
legal

I) DOS FATOS

Relação: contrato com alienação fiduciária em garantia


Causa: mora do devedor que deixou de pagar as parcelas ou a prestação do contrato principal
Consequência: necessidade de busca e apreensão do bem

II) DO DIREITO

Descrição do credor fiduciário e do devedor fiduciante e o contrato firmado


entre as partes
Fundamento
Comprovação da mora (art. 2º, § 2º, do Decreto-lei n. 911/69) ou do
legal
inadimplemento.
Necessidade de apreensão do bem em garantia.

III) DA LIMINAR

- fumus boni iuris


- periculum in mora
IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) A concessão da liminar para o fim de apreensão imediata do bem.


b) A procedência do pedido para o fim de determinar a busca e apreensão do
bem, com a inserção da restrição judicial na base de dados do Renavam bem
Pedidos como a inserção do mandado no banco próprio de mandados (art. 3º, §§ 9º e 11,
do Decreto-lei n. 911/69).
c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios – arts. 82, §
2º, e 85 do CPC.

d) A citação do réu no prazo de 15 dias da execução da liminar (art. 3º, § 3º, do


Decreto-lei n. 911/69).
e) A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de gratuidade
da justiça.
Requerimentos f) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, conforme
determina o art. 1.071 do CPC (se o caso).
g) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente
testemunhal e pericial.
h) Informa o interesse ou desinteresse na audiência de conciliação.

Valor da
Observar critérios do art. 292 do CPC
Causa

20.4. Modelo de ação de busca e apreensão

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ....

03

04

05

06
07

08 NOME DO AUTOR, pessoa jurídica de direito privado, inscrito no

09 CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico..., domicílio e residência à

10 rua ..., vem, por seu advogado (instrumento de mandato anexo),

11 com fundamento nos arts. 3º e s. do Decreto-lei n. 911/69, propor

12 a presente AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO, com pedido de liminar,

13 em face de NOME DO RÉU, estado civil, profissão, RG n. ..., CPF

14 n. ..., endereço eletrônico..., residente na Rua ..., pelos fundamentos

15 a seguir expostos.

16

17 I) DOS FATOS

18

19 Com efeito, O Autor firmou com o Réu, aos 3-7-2015, na cidade

20 de São Paulo, um contrato de financiamento de veículo, com alienação

21 fiduciária em garantia, no valor de R$ 50.000,00 pelo prazo total de

22 60 meses. O documento foi devidamente registrado no Cartório.

23 Conforme o contrato assinado, o Réu transferiu ao Banco, a título

24 de alienação fiduciária em garantia, o veículo Ford Ka, de placas

25 LKG-0000 e de RENAVAN 565565565.

26 De acordo com a cláusula 3.2 do presente contrato, o Réu compro-

27 meteu-se a pagar ao Requerente em 60 prestações mensais o valor


28 referente ao contrato, no entanto, quitando somente 10 prestações,

29 deixando as demais abertas, totalizando 6 parcelas não pagas, conforme

30 demonstram os documentos em anexo.

Folha 2/3

31

32 II) DO DIREITO

33

34 O veículo descrito está em posse do Réu no endereço acima citado,

35 como fiel depositário do mesmo.

36 Como o Requerido está em mora no pagamento das mensalidades

37 descritas, o Autor notificou-o pelo Cartório de Registro de Títulos

38 e Documentos para comprovação desta, como determina o art. 2º,

39 § 2º,do Decreto-lei n. 911/69.

40 Informa o Autor que o Réu não chegou a quitar 6 prestações refe-

41 rentes aos valores de seu débito inicial, conforme prevê o art. 3º,

42 § 2º,do Decreto-lei n. 911/69.

43 Assim, o Autor vem requerer a busca e apreensão do veículo, como

44 consta do Decreto-lei n. 911/69.

45

46 III) DO PEDIDO
47

48 Diante de todo exposto requer:

49

50 a) A concessão da liminar para o fim de apreensão imediata do bem.

51 b) A procedência do pedido para o fim de determinar a busca e

52 apreensão do bem, com a inserção da restrição judicial na base de

53 dados do Renavam bem como a inserção do mandado no banco

54 próprio de mandados (art. 3º, §§ 9º e 11, do Decreto-lei n. 911/69).

55 c) Condenação em custas e honorários a serem arbitrados por Vossa

56 Excelência.

57 d) A citação do réu no prazo de 15 dias da execução da liminar (art.

58 3º, § 3º, do Decreto-lei n. 911/69).

59 e) A juntada da guia de custas devidamente recolhida ou pedido de

60 gratuidade da justiça.

Folha 3/3

61 f) A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

62 conforme determina o art. 1.071 do CPC (se o caso).

63 Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos,

64 Segue acostada a guia de custas iniciais quitada.

65 Informa o endereço profissional do advogado que receberá as intimações...


66 (endereço completo)

67 Dá à causa o valor de R$ ... (valor do título)

68

69 Termos em que

70 pede deferimento.

71

72 Local e data ...

73

74 Advogado ...

75 OAB n. ...

20.5. Principais artigos de direito processual e direito material


• Art. 2º do Decreto-lei n. 911/69
• Art. 3º do Decreto-lei n. 911/69
• Art. 1.361 do CC
13

Mandado de Segurança

1. Introdução
O mandado de segurança é uma medida judicial, também chamado de
remédio constitucional, cujo cabimento se encontra previsto na Constituição
Federal, especificamente no art. 5o, LXIX, da CF, reproduzido o dispositivo
no art. 1o da Lei n. 12.016/2009:
(...) LXIX – conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
Público.
Art. 1º Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado
por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer
pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de
autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça.

Como visto, além da previsão constitucional, o mandado de segurança é


disciplinado pela Lei n. 12.016/2009 e sua impetração ocorrerá contra ato de
ilegalidade ou abuso de poder emanado de autoridade pública coatora ou
quem faça as vezes, a fim de assegurar direito líquido e certo.
O mandado de segurança poderá ser impetrado:
a) na modalidade preventiva: para evitar a ocorrência de lesão iminente
diante de ameaça de lesão; ou
b) na repressiva: para afastar ato já ocorrido.
Da forma como dispõe o art. 5º da Lei n. 12.019/2009, não caberá
mandado de segurança nas seguintes hipóteses:

a) contra ato administrativo passível de recurso com efeito suspensivo e


independentemente de caução;
b) contra ato judicial em que tenha cabimento recurso processual com
efeito suspensivo;
c) contra ato judicial com trânsito em julgado.
Além das hipóteses acima, a jurisprudência sumulou entendimento do não
cabimento do mandado de segurança contra lei em tese, conforme Súmula
266 do STF, e para substituir ação popular, nos termos da Súmula 101 do
STF.
Quanto à legitimidade ativa, o mandado de segurança poderá ser impetrado
de forma individual, por qualquer pessoa física ou jurídica, ou de forma
coletiva, nos termos do art. 5º, LXX, da CF – por partido político com
representação no Congresso Nacional; organização sindical; entidade de
classe; associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos
um ano, em defesa de seus membros.
A legitimidade passiva, por sua vez, é a autoridade pública ou agente de
pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público, devendo a
petição inicial indicar, além da autoridade coatora, a pessoa jurídica que esta
integra, à qual se acha vinculada ou da qual exerce atribuições (art. 6o da Lei
n. 12.016/2009).
2. Competência para o mandado de segurança
Uma importante questão a ser analisada a respeito do mandado de
segurança é a competência para o julgamento, cuja determinação ocorre em
razão da função da autoridade.
Assim, diante de ato coator de autoridade federal, a competência será da
Justiça Federal; por outro lado, sendo a autoridade de âmbito estadual ou
municipal, o mandado de segurança será impetrado perante a Justiça do
Estado correspondente, além de outras possibilidades, abaixo analisadas.
Ademais, imperioso ressaltar que algumas autoridades possuem juízo
privilegiado, sendo o mandado de segurança impetrado diretamente nos
tribunais, conforme o seguinte quadro:

Autoridade Competência

Autoridade Competência

Presidente da República
Ministro do STF
Supremo Tribunal Federal
Presidente da Mesa da Câmara
Art. 102, I, d, da CF
Presidente da Mesa do Senado
Súmula 623 do STF
Presidente do Tribunal de Contas da União
Procurador-geral da República

Ministro de Estado (salvo se for ato de órgão


colegiado – Súmula 177 do STJ) Superior Tribunal de Justiça
Comandante da Marinha, Aeronáutica e Art. 105, I, b, da CF
Exército Súmula 624 do STF
Ministro do STJ

Competência do próprio Tribunal a que


Desembargador federal ou estadual (membro
pertence o magistrado
de Tribunal)
Súmula 41 do STJ

Competência do Tribunal ao qual o


Juiz de primeira instância
magistrado estiver vinculado
Tribunal de Justiça do Estado como regra,
Governador de Estado
nas Constituições dos Estados
Mesa de Assembleia Legislativa
Por exemplo, art. 74, III, da Constituição de
Procurador-geral de Justiça
SP

Atos relacionados com a jurisdição da Justiça Justiça do Trabalho


do Trabalho Art. 114, IV, da CF

Autoridade federal – ato suportado pela União Juízo Federal


ou entidade por ela controlada Art. 109, VIII, da CF

Juízo de Direito (Justiça estadual)


Autoridade estadual ou municipal
Constituições Estaduais

Colégio Recursal ou Turma Recursal


Juiz do Juizado Especial
Súmula 376 do STJ

Ato do Juizado contestando a competência desse Tribunal de Justiça do Estado


órgão jurisdicional REsp 17.524/BA

Finalmente, nos termos do art. 23 da Lei n. 12.016/2009, o direito de


impetrar o mandado de segurança decai em 120 dias contados da data em que
o interessado tomou ciência do ato coator.
Todavia, esse prazo decadencial tem apenas aplicação no mandado de
segurança repressivo, isto porque, na modalidade preventiva o ato ainda não
ocorreu; portanto, o interessado ainda não teve ciência do ato.
3. Recursos no mandado de segurança
Em razão do julgamento do mandado de segurança, bem como da
possibilidade de serem julgados diretamente pelos Tribunais, os recursos no
mandado de segurança possuem algumas especificidades, conforme quadro
exemplificativo:

Instância Pronunciamento Recurso Efeito

Suspensivo ou
tutela antecipada
Liminar (deferimento
Agravo de instrumento recursal (art.
ou indeferimento)
1.019, I, do CPC
1ª instância de 2015)

Duplo efeito
Sentença Apelação
Apenas devolutivo

Agravo para o órgão


Julgamento do pedido Sem efeito
colegiado – art. 16, parágrafo
de liminar pelo relator suspensivo
único, da Lei n. 12.016/2009

Recurso ordinário
Julgamento do mérito
MS Impetrado constitucional – art. 102, II, Duplo efeito
– Acórdão
diretamente no a, e art. 105, II, b, da CF e (devolutivo e
denegatório – recurso
Tribunal art. 1.027, I e II, a, do CPC suspensivo)
do impetrante
(competência de 2015
originária)
Julgamento do mérito
– Acórdão concessivo
Recursos especial e Apenas efeito
da segurança –
extraordinário devolutivo
recurso do ente
público
4. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Determinada em função da autoridade, conforme quadro explicativo acima

PREÂMBULO

Impetrante e Impetrado
Impetrante: qualificação completa (nome completo, nacionalidade, estado civil,
profissão, número da cédula de identidade, número de inscrição no CPF,
endereço, endereço eletrônico).
Partes
Impetrado: por ser a autoridade, apresentar as informações que tiver sobre sua
qualificação, bem como da própria autoridade impetrada e a pessoa jurídica de
direito público a qual a autoridade está vinculada, por exemplo: Sr. Delegado da
Receita Federal do Brasil, órgão da União.

Nome da
MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR
ação

Fundamento
Art. 5º, LXIX, da CF, e Lei n. 12.016/2009
legal

I) DOS FATOS

Quanto aos fatos, é importante realizar uma breve exposição sobre o ato de ilegalidade ou abuso de
poder praticado pela autoridade coatora.

II) DO DIREITO

Demonstrar a violação de direito líquido e certo por autoridade pública ou por


Fundamento quem faça as vezes.
legal Sustentar que o mandado de segurança é ação cabível por não ser o caso de
impetração de nenhum outro remédio constitucional.

III) DA LIMINAR

Demonstrar a presença do fumus boni iuris e do periculum in mora. Requisitos do art. 300 do CPC.
Nos termos do art. 7º, § 2º, da Lei n. 12.016/2009, não será concedida a liminar que tenha por
objeto:
• a compensação de créditos tributários;
• a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior;
• a reclassificação ou equiparação de servidores públicos; e
• a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza.

IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Concessão da liminar para suspender imediatamente o ato coator e, ao final, o julgamento de


procedência do pedido para que seja concedida a segurança com a declaração de ilegalidade do ato
coator.
b) Notificação da autoridade coatora para prestar as informações no prazo de 10 dias, nos termos do
art. 7º, I, da Lei n. 12.016/2009, bem como a ciência (ou intimação) do representante judicial da
pessoa jurídica de direito público que suportará os efeitos da ação.
c) Intimação do Ministério Público, nos termos do art. 12 da Lei n. 12.016/2009.
d) Juntada da guia de custas devidamente recolhida.
PECULIARIDADES DO MANDADO DE SEGURANÇA:
• não é usado o termo citação;
• não há condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais (art. 25 da Lei n. 12.016/2009);
• não há requerimento de provas já que é modalidade de ação que exige prova pré-constituída,
excepcionalmente, o art. 6º, § 1º, da Lei n. 12.016/2009 admite apenas que seja realizada a
requisição de documentos que se encontrem em poder de autoridade ou repartição.

Valor da R$ ... O mandado de segurança não tem fim econômico direto, a regra é que o
Causa valor da causa será estimado pelo Impetrante.
5. Modelo de mandado de segurança

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE SÃO PAULO –

03 ESTADO DE SÃO PAULO

04

05

06

07

08

09 IMPETRANTE, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da

10 cédula de identidade RG n. ... e inscrito no CPF/MF sob o n. ..., com

11 endereço na Rua ..., endereço eletrônico, vem, por seu procurador, nos

12 termos do art. 5º, LXIX, da Constituição Federal e da Lei n. 12.016/2009,

13 impetrar o presente MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE

14 LIMINAR contra ato do Sr. NOME DA AUTORIDADE COATORA vincu-

15 lado à NOME DA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO, com

16 endereço na Rua (endereço completo), endereço eletrônico, o que faz

17 com fundamento nos motivos de fato e de direito a seguir expostos.

18
19 I – DOS FATOS

20

21 O Impetrante é portador de necessidades especiais e realizou sua

22 inscrição no concurso de analista legislativo da Câmara de Vereadores de

23 São Paulo nesta condição. Foram disponibilizadas 5 vagas para pessoas

24 portadoras de necessidades especiais e 95 vagas para ampla concorrência.

25 Note que o Impetrante, aprovado no concurso, atingiu a nota mínima

26 para ser aprovado nessa categoria, no entanto, o Sr. ..., autoridade

27 pública competente, entendeu desclassificar o candidato por não aceitar

28 o atestado médico apresentado na fase de inscrição, a despeito da vali-

29 dação de sua inscrição como portador de necessidades especiais, ocasião

30 em que toda documentação apresentada foi devidamente aprovada.

Folha 2/3

31 Assim, é incontroverso a violação do direito líquido e certo do Impe-

32 trante a ser investido no cargo que foi aprovado. (No caso de mandado

33 de segurança coletivo, o Impetrante deverá justificar a sua legitimidade,

34 por se tratar de legitimação extraordinária).

35

36 II – DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO

37
38 Por certo, é direito líquido e certo do Impetrante ter a sua aprovação

39 homologada pela autoridade coatora (demonstrar a legislação que garante

40 e tutela o direito pleiteado, como, por exemplo, o Decreto n. 59.591/2013,

41 que garante a reserva de 5% das vagas existentes em concursos públicos

42 para pessoas portadoras de deficiência).

43 Ainda, o mandado de segurança é medida cabível, nos termos do art.

44 5º, LXIX, da CF e art. 1º da Lei n. 12.016/2009.

45

46 III – DO CABIMENTO DA LIMINAR

47

48 O pedido de liminar é autorizado pelo art. 7º, III, da Lei n. 12.016/2009,

49 devendo o juiz suspender liminarmente o ato coator quando, diante de

50 fundamento relevante, verificar a possibilidade de o ato gerar lesão grave

51 ou de difícil reparação ao Impetrante.

52 No presente caso, é incontroverso que o Impetrante tem direito

53 líquido e certo a ser investido no cargo por ter logrado êxito na aprovação

54 do concurso público.

55 Por outro lado, caso não seja concedida a tutela de urgência, o

56 Impetrante sofrerá dano grave, ao passo que outro candidato será

57 investido no cargo.

58 Infere-se, portanto, preenchidos os requisitos que autorizam a concessão


59 de liminar no mandado de segurança.

60

Folha 3/3

61 IV – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

62

63 Ante todo o exposto, o Impetrante requer:

64 a) concessão da liminar para que a autoridade coatora se abstenha

65 de impedir o Impetrante a ser investido no cargo, sob pena de

66 incidir os efeitos previstos no art. 77, § 2º, do Código de Pro-

67 cesso Civil, confirmando-se a liminar ao final, com o julgamento

68 de procedência do pedido com a concessão da segurança para que

69 o Impetrante seja investido ao cargo de analista legislativo da

70 Câmara de Vereadores de São Paulo;

71 b) notificação da Autoridade coatora para, no prazo de 10 dias,

72 prestar suas informações, bem como seja cientificado à Câmara

73 Municipal de São Paulo, por meio do seu procurador, nos termos

74 do art. 6º da Lei n. 12.016/2009;

75 c) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 12 da Lei

76 n. 12.016/2009;

77 d) a juntada da guia de custas devidamente recolhida.


78

79 Dá-se à causa o valor de R$ ....

80

81 Termos em que

82 pede deferimento.

83

84 Local e data ...

85

86 Advogado ...

87 OAB n. ...
6. Principais artigos de direito processual e de direito material:
• Art. 5º, LXIX, da Constituição Federal
• Art. 1º da Lei n. 12.016/2009
• Art. 3º da Lei n. 12.016/2009
• Art. 5º da Lei n. 12.016/2009
• Art. 6º da Lei n. 12.016/2009
• Art. 7º da Lei n. 12.016/2009
• Art. 12 da Lei n. 12.016/2009
• Art. 23 da Lei n. 12.016/2009
14

Ação Civil Pública

1. Introdução
A ação civil pública é o instrumento para evitar, entre outros, danos ao
consumidor, ao meio ambiente, aos deficientes físicos, bem como aos bens e
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico ou paisagístico, ao
patrimônio público ou para promover a reparação por lesão aos bens (art. 1º
da Lei n. 7.347/85).
Quanto à legitimidade ad causam, cumpre mencionar que o Ministério
Público é parte legítima ativa para o ajuizamento de ACP (ação civil
pública), pois os arts. 127 e 129, III e § 1º, da CF, dispõem a incumbência do
Parquet a defesa dos interesses sociais, bem como zelar pelo efetivo respeito
dos serviços de relevância pública.
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do
Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis.
[...]
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: [...]
II – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos
direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e
social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
§ 1º A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a
de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.
Ademais, a Lei n. 7.347/85 (ACP) também prevê a propositura de ACP
para a tutela de todo e qualquer interesse difuso ou coletivo (art. 1º, IV), bem
como a própria legitimidade para o ajuizamento (art. 5º) Ministério Público;
Defensoria Pública; União, Estados, Municípios e Distrito Federal;
Autarquia, fundação, empresa pública, sociedade de economia mista;
associação constituída há pelo menos um ano; entre as finalidades
estatutárias, a proteção ao meio ambiente, ao consumidor, à ordem
econômica, à livre concorrência ou ao patrimônio artístico, estético, histórico,
turístico e paisagístico.
Em relação às pessoas com deficiência, de forma mais específica, o art. 79,
§ 3º, da Lei n. 13.146/2015 (EPD) confere ao Ministério Público a
titularidade da ação civil pública para a tutela desses interesses. Assim, a
matéria interessa a coletividade indeterminada de pessoas portadoras de
deficiência ou com mobilidade reduzida, sendo a legitimidade do Ministério
Público inquestionável.
A ação civil pública não é instrumento adequado para discutir tributos,
contribuições previdenciárias ou FGTS.
Com relação à legitimidade passiva, a ação civil pública pode ser proposta
contra qualquer pessoa (física ou jurídica) que tenha ocasionado a lesão ou
ameaça de lesão aos bens tutelados (art. 1º da Lei n. 7.347/85). Há a
necessidade de todos os envolvidos do evento danoso constar no polo
passivo, em um litisconsórcio necessário.
A possibilidade do pedido liminar na ação civil pública admite decisão
liminar (art. 12 da Lei n. 7.347/85) desde que preenchidos seus requisitos.
Embora a lei não preveja expressamente os requisitos para tanto, o art. 19 da
referida Lei prevê a aplicabilidade do CPC de forma subsidiária. Assim, no
caso de perigo iminente, aplicar-se-á o art. 300 do CPC utilizando a Tutela
Provisória de Urgência demonstrando a probabilidade do direito – na petição
inicial deve-se fazer uma síntese dos fundamentos jurídicos apresentados; e
perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo – como regra, o
enunciado do exercício indicará o perigo; se ausente, construa como uma
consequência lógica do problema, sempre tendo o cuidado para não criar fato
novo que poderia ensejar na identificação do candidato em prova.
A ação civil pública deverá ser proposta no local em que ocorreu o dano
ou que deva ocorrer (art. 2º da Lei n. 7.347/85), devendo ser endereçada ao
juízo de primeiro grau.
Pois bem, quanto aos requerimentos poderá requerer (i) a concessão da
tutela de urgência (ou liminar) para ..., com amparo no art. 12 da Lei n.
7.347/85 e art. 300 do CPC; (ii) a intimação dos Réus para audiência de
conciliação ou mediação (quando se tratar de direito disponível); (iii) a
citação do Réu (ou dos Réus), na pessoa de seu representante legal; (iv) a
intimação do Ministério Público para acompanhar a presente ação; (v) a
procedência do pedido, para os fins de ...; (vi) a condenação do Réu (ou dos
Réus) em custas e honorários advocatícios.
A administração pública e os órgãos que possuem legitimidade para propor
a ação civil pública podem celebrar compromisso de ajustamento de
conduta com terceiros para suspensão de conduta e correção de eventual
dano. O termo preverá cominações em caso de descumprimento e terá
eficácia de título executivo extrajudicial (art. 5º, § 6º, da Lei n. 7.347/85).
Quanto ao Direito à acessibilidade, são possíveis as seguintes teses:
a) indicar a proteção da dignidade humana, consagrada no art. 1º, III, da
Constituição Federal;
b) indicar o direito de ir e vir assegurado pelo art. 5º, XV, da CF;
c) indicar o art. 227, § 2º. A lei disporá sobre normas de construção dos
logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de
transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas
portadoras de deficiência.
Art. 244. A lei disporá sobre a adaptação dos logradouros, dos edifícios de uso público e dos
veículos de transporte coletivo atualmente existentes a fim de garantir acesso adequado às
pessoas portadoras de deficiência, conforme o disposto no art. 227, § 2º;

d) Lei n. 13.146/15, art. 3º, I – acessibilidade: possibilidade e condição de


alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços,
mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes,
informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem
como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público
ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por
pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida;
e) indicar o direito à habilitação e à reabilitação – arts. 14 a 17.
2. Estrutura da peça e requisitos
Ao elaborar a peça deverá seguir os requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC,
mencionando a qualificação da parte autora e da parte ré, citar o tipo da
ação e a peça que está sendo requerida.

ENDEREÇAMENTO

Competência Local do dano (art. 2º da Lei n. 7.347/85)

PREÂMBULO

Autor e réu
Informar casos de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Partes
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com endereço
na Rua... onde recebe intimações (procuração anexa).

Nome da ação AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Fundamento
Art. 1º da Lei n. 7.347/85 e Lei n. 13.146/15
legal

I) DOS FATOS

Relação: desrespeito às pessoas com deficiência, ferindo a isonomia e a dignidade da pessoa


humana.
Causa: demonstrar que houve violação de interesses difusos e que o objeto pode ser discutido em
ACP.
Consequência: tutela dos direitos difusos visando a sua aplicabilidade.

II) DO DIREITO

Artigos de lei:
Dignidade humana, consagrada no art. 1º, III, da CF.
Fundamento Direito de ir e vir assegurado pelo art. 5º, XV, da CF.
legal Art. 227, § 2º, da CF.
Art. 244 da CF.
Arts. 3º, I, e 14 a 17, da Lei n. 13.146/15.
III) DO PEDIDO

a) Concessão da tutela de urgência (ou liminar) para ..., com amparo no art. 12
da Lei n. 7.347/85 e art. 300 do CPC.
Pedido
b) O julgamento de procedência do pedido para fins de ... .
c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

d) A citação do réu para contestar.


e) A intimação do Ministério Público para acompanhar a presente ação.
Requerimentos
f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente,
testemunhal e pericial.

Valor da
Observar critérios do art. 292 do CPC
Causa

IV) FECHAMENTO

Termos em que
pede deferimento.
Local e data ...
Advogado ...
OAB n. ...
3. Modelo de ação civil pública

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 NOME DO AUTOR, estado civil ..., profissão ...(se pessoa jurídica,

09 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ sob

10 n. ..., endereço eletrônico..., domicílio e residência à rua ..., vem, por

11 seu advogado (instrumento de mandato anexo), com fulcro nos arts. 1º

12 da Lei n. 7.347/85 e Lei n. 13.146/15, propor a presente AÇÃO CIVIL

13 PÚBLICA, em face de NOME DO RÉU, estado civil ..., profissão ... (se

14 pessoa jurídica, indicar se é de direito privado ou público), inscrito no

15 CPF/CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico ..., domicílio e residência à

16 rua ..., pelas razões de fato e de direito a seguir exposto:.

17

18 I – DOS FATOS
19

20 Histórico resumido do processo, mencionando o desrespeito às pessoas

21 com deficiência, ferindo a isonomia e a dignidade da pessoa humana.

22 Demonstrar que houve violação de interesses difusos e que o objeto pode

23 ser discutido em ACP. E arguir a tutela dos direitos difusos visando a

24 sua aplicabilidade. Demonstrar a necessidade para concessão da tutela de

25 urgência com a probabilidade do direito e os requisitos de perigo de dano

26 ou risco ao resultado útil do processo.

27

28 II – DO DIREITO

29

30 A presente ação visa assegurar os direitos constitucionais das pessoas

Folha 2/3

31 com deficiência.

32 Mencionar artigos de lei de direito material e processual.

33 Dignidade humana consagrada no art. 1º, III, da CF.

34 Direito de ir e vir assegurado pelo art. 5º, XV, da CF.

35 Construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação

36 de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às

37 pessoas portadoras de deficiência: arts. 227, § 2º, e 244 da CF.


38 Demonstrar o cabimento e a necessidade da concessão da tutela de

39 urgência conforme os arts. 12 da Lei n. 7.347/85 e 300 do CPC.

40 Diante do exposto, não restam dúvidas quanto à necessidade da

41 procedência da presente demanda.

42

43 III – DOS PEDIDOS

44

45 Diante do exposto, requer, Vossa Excelência:

46 a) Concessão da tutela de urgência (ou liminar) para ..., com amparo

47 no art. 12 da Lei n. 7.347/85 e art. 300 do CPC.

48 b) O julgamento de procedência do pedido para fins de...

49 c) Condenação ao pagamento de custas e honorários advocatícios.

50 d) A citação do réu para contestar na audiência preliminar que for

51 designada.

52 e) A intimação do Ministério Público para acompanhar a presente ação.

53 f) A produção de todos os meios de prova em direito admitidos,

54 especialmente, testemunhal e pericial.

55

56 Por fim, informa endereço profissional do advogado que receberá a

57 intimação... (endereço completo)

58 Dá à causa o valor de R$ ...


59

60 Termos em que

Folha 3/3

61 pede deferimento.

62

63 Local e data ...

64

65 Advogado ...

66 OAB n. ...
15

Cumprimento Provisório e
Definitivo de Pagar Quantia Certa

1. Introdução
O cumprimento provisório e definitivo de pagar quantia certa refere-se
ao cumprimento da sentença que visa executar títulos judiciais (art. 516 do
CPC) ligados ao processo de conhecimento que far-se-á a requerimento do
exequente, sendo o executado obrigado a pagar o débito, no prazo de 15
(quinze) dias, acrescido de custas, se houver (art. 533 do CPC).
O cumprimento da sentença é uma simples petição em mais uma etapa do
processo e será processado nos mesmos autos da ação principal, sendo
desnecessária uma nova relação processual.
Será provisório o cumprimento quando requerido nos autos na sentença
que for objeto do recurso de apelação que tenha sido recebido somente no
efeito devolutivo, ou seja, desprovido do efeito devolutivo, podendo inclusive
requerer a penhora como ato garantidor da satisfação. Aqui haverá a
responsabilidade por perdas e danos, por parte do exequente que se obrigará,
no caso de a reforma da sentença ser reformada, conforme preconiza o
art. 520, I, do CPC.
Entretanto, caso surja decisão modificando ou anulando a totalidade da
sentença objeto de execução, voltando as partes ao status a quo, liquidando
prejuízos que eventualmente inerentes (art. 520, II, do CPC). Se parcial,
somente restará sem efeito a parte correspondente (art. 520, III, do CPC).
Eventualmente, alguns atos poderão trazer danos ao executado, razão pela
qual, caso tenha o levantamento de depósito em dinheiro ou atos referentes a
transferência de posse, propriedade ou qualquer direito real, deverá caucionar
uma quantia suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz e prestada nos
próprios autos. Atenção: não se condiciona o início da execução provisória à
prestação de caução. Este só é exigível caso, eventualmente, os atos
processuais sejam capazes de causar grave dano ao executado. É a garantia
do devedor na hipótese de reversão do processo.
Ainda assim, em determinadas situações, é dispensável a garantia (art. 521
do CPC): prestação alimentícia, independente da origem; credor demonstrar
situação de necessidade, visando o princípio da proporcionalidade e aquilatar
a possibilidade do direito; pender de agravo (art. 1.042 do CPC).
Ao requerer a execução provisória, o exequente deverá instruí-la com
cópias autenticadas dos seguintes documentos (incisos I a V do art. 522 do
CPC): a decisão exequenda, certidão da interposição do recurso não dotado
do efeito suspensivo, procurações outorgadas pelas partes, decisão de
habilitação, se for o caso e facultativamente por outras peças processuais
consideradas necessárias para demonstrar a existência do crédito. Quanto à
autenticação, esta poderá ser realizada pelo próprio advogado, rubricando-a,
sob pena de responsabilidade pessoal (parágrafo único do art. 522 do CPC).
Já quanto ao cumprimento definitivo, este ocorrerá do trânsito em julgado
da sentença, pois não haverá discussão quanto à existência do crédito ou da
obrigação, ou seja, houve uma decisão da qual não foi interposto recurso; ou,
sendo interposto, esgotaram-se todas as instâncias, não cabendo mais recurso.
Assim, o exequente peticionará requerendo a intimação do executado a pagar,
a quantia certa ou já fixada em liquidação, podendo ainda ocorrer quanto a
quantia incontroversa, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas
(art. 523 do CPC).
Há de observar o não pagamento voluntário pela parte executada no prazo
determinado, momento no qual deverá ser acrescida ao valor do débito multa
de 10% e, de honorários do advogado, mais 10%. Caso haja o pagamento
voluntário de forma parcial, incidirão tais porcentagens tão somente sobre o
restante. A não observância quanto ao pagamento voluntário de forma
tempestiva acarretará na expedição de mandado de penhora e avaliação,
conforme atos de expropriação.
Poderá ocorrer o cumprimento de sentença por iniciativa do executado,
pois, após o reconhecimento da obrigação de pagar quantia certa, sendo esta
líquida, tornando-a exigível, poderá tomar a inciativa, se antecedendo ao
credor, depositando em juízo o valor que entende devido, instruindo a petição
com o comprovante do depósito e a memória discriminada de cálculo (art.
526 do CPC).
Em relação à competência do cumprimento da sentença, o art. 516 do
CPC delimita que o órgão competente é aquele que prolatou a decisão
transitada em julgado: nos tribunais, nas causas em que lá tiveram a
competência originária; ou ao juízo de primeiro grau de jurisdição que tenha
descido a causa.
2. Estrutura da peça e requisitos
Ao elaborar a peça de cumprimento provisório de sentença, deverá
mencionar a ausência de trânsito em julgado da referida decisão, já quanto ao
cumprimento definitivo, mencionará o trânsito em julgado da sentença ou a
impossibilidade de modificação da sentença julgada, inserindo na petição o
tipo do cumprimento (provisório ou definitivo), planilha discriminada do
débito, quando exigida, os documentos necessários autenticados, a intimação
do executado, na pessoa do seu advogado.
No cumprimento definitivo, deverá requerer o pagamento do valor devido,
no prazo de 15 dias, sob pena de acréscimo de 10% sobre o valor executado,
honorários do advogado em 10%; mandado de penhora e avaliação ou
bloqueio dos ativos financeiros.

ENDEREÇAMENTO

O juízo específico correspondente a ação de conhecimento, citando o número do


Competência processo (Processo n. ...), embora recebera o cumprimento um número de
distribuição.

PREÂMBULO

Exequente e Executado.
Partes
Indicar a qualificação completa.

Nome da
Cumprimento provisório ou definitivo da sentença.
ação

Fundamento Provisório: arts. 513, § 1º, e 520 e seguintes do CPC.


legal Definitivo: art. 513, § 1º, e 523 e seguintes do CPC.

I) FUNDAMENTOS DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DA SENTENÇA

Histórico resumido do processo, mencionando a formação do título judicial, informando o


valor do crédito, conforme cálculo, de acordo com o art. 524 do CPC.
II) DOS PEDIDOS

Com fulcro nos arts. 520 e seguintes, do CPC, requer a intimação do executado,
na pessoa do seu advogado (art. 513, § 2º, I, do CPC, para pagamento do valor
devido, no prazo de 15 dias, sob pena de acréscimo de 10% sobre o valor
Pedido
executado, bem como 10% de honorários advocatícios. Não sendo realizado o
pagamento, requer a expedição de mandado de penhora e avaliação ou bloqueio
de ativos financeiros, nos termos do art. 523, § 3º, do CPC.

III) FECHAMENTO

Termos em que
pede deferimento.
Local e data ...
Advogado...
OAB n. ...
3. Modelo de cumprimento provisório

Folha 1/2

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO – SP

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10 NOME DO EXEQUENTE, estado civil ..., profissão ... (se pessoa

11 jurídica, indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/

12 CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico..., domicílio e residência à rua ...

13 nos autos da Ação de... (ação correspondente) que propôs em face de

14 NOME DO EXECUTADO, estado civil ..., profissão ..., (se pessoa jurídica,

15 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ

16 sob n. ..., endereço eletrônico..., domicílio e residência à rua ..., vem,

17 respeitosamente, à Vossa Excelência, promover o presente pedido de

18 CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA, com fulcro nos arts. 513,


19 § 1º, e 520 e seguintes do CPC, pelas razões de fato e de direito a

20 seguir expostas:

21

22 I – DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DA SENTENÇA

23

24 Histórico resumido do processo, mencionando a formação do título

25 judicial, informando o valor do crédito, conforme cálculo, conforme art.

26 524 do CPC.

27

28 II – DOS PEDIDOS

29

30 Diante do exposto, requer, com fulcro nos arts. 520 e seguintes do

Folha 2/2

31 CPC, a intimação do executado, na pessoa do seu advogado (art. 513,

32 § 2º, I, do CPC) para realizar o pagamento do valor devido, no prazo

33 de 15 dias, sob pena de acréscimo de 10% sobre o valor executado, bem

34 como 10% de honorários advocatícios. Não sendo realizado o pagamento,

35 requer a expedição de mandado de penhora e avaliação ou bloqueio de

36 ativos financeiros, nos termos do art. 523, § 3º, do CPC.

37
38 Termos em que

39 pede deferimento.

40

41 Local e data ...

42

43 Advogado ...

44 OAB n. ...
4. Modelo de cumprimento definitivo

Folha 1/2

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 4ª VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE SÃO PAULO – SP

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10 NOME DO EXEQUENTE, estado civil ..., profissão ... (se pessoa

11 jurídica, indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/

12 CNPJ sob n. ..., endereço eletrônico..., domicílio e residência à rua...,

13 nos autos da Ação de... (ação correspondente) que propôs em face de

14 NOME DO EXECUTADO, estado civil ..., profissão ... (se pessoa jurídica,

15 indicar se é de direito privado ou público), inscrito no CPF/CNPJ sob

16 n. ..., endereço eletrônico..., domicílio e residência à rua..., vem,

17 respeitosamente, à Vossa Excelência, promover o presente pedido de

18 CUMPRIMENTO DEFINITIVO DE SENTENÇA, com fulcro nos arts. 513,


19 § 1º, e 523 e seguintes do CPC, pelas razões de fato e de direito a

20 seguir expostas:

21

22 I – DO CUMPRIMENTO DEFINITIVO DA SENTENÇA

23

24 Histórico resumido do processo, mencionando a formação do título

25 judicial definitivo com o trânsito em julgado, informando o valor do crédito,

26 conforme cálculo, conforme art. 524 do CPC.

27

28 II – DOS PEDIDOS

29

30 Diante do exposto, requer, com fulcro nos arts. 523 e seguintes do

Folha 2/2

31 CPC, a intimação do executado, na pessoa do seu advogado (art. 513,

32 § 2º, I, do CPC) para realizar o pagamento do valor devido, no prazo

33 de 15 dias, sob pena de acréscimo de 10% sobre o valor executado, bem

34 como 10% de honorários advocatícios. Não sendo realizado o pagamento,

35 requer a expedição de mandado de penhora e avaliação ou bloqueio de

36 ativos financeiros, nos termos do art. 523, § 3º, do CPC.

37
38 Termos em que

39 pede deferimento.

40

41 Local e data ...

42 Advogado ...

43 OAB n. ...
16

Cumprimento de Sentença de
Obrigação de Fazer ou Não Fazer

1. Introdução
O art. 497 do CPC determina que, ao proferir uma sentença (ou tutela
provisória) com obrigação de fazer ou não fazer, o juiz deverá fixar a tutela
específica para garantir o resultado equivalente ao adimplemento.
Por sua vez, a execução dessa obrigação se faz por meio de astreintes ou
tutelas inibitórias. Nesse caso, a execução não tem natureza de ação
autônoma, mas apenas de fase após a prolação do título, pois se trata de
espécie de cumprimento de sentença.
O requerimento do cumprimento da obrigação de fazer/não fazer é por
meio de petição simples, conforme modelo abaixo.
2. Modelo de peça prática de cumprimento de sentença de obrigação de
fazer

Folha 1/2

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... CÍVEL

02 DO FORO REGIONAL DE ... NA COMARCA DA CAPITAL DE SÃO

03 PAULO

04

05

06

07

08

09 Processo n. …

10

11 JOANA ALVES, já qualificada nos autos da ação judicial que move em

12 face de SIM LINHAS TELEFÔNICAS, vem, por seu advogado, nos termos

13 do art. 536 do Código de Processo Civil, expor e requerer a Vossa

14 Excelência o quanto segue.

15 Em sentença (ou decisão liminar) proferida às fls. …, determinou que a

16 executada excluísse o nome da exequente do cadastro de inadimplentes

17 no prazo de 5 dias. No entanto, o prazo de 5 dias já escoou e a exe-


18 cutada não cumpriu sua obrigação.

19 Considerando o descumprimento da obrigação pela executada, nos termos

20 do art. 536, § 1.º, do Código de Processo Civil, impõe-se a aplicação de

21 multa astreinte para o cumprimento da execução:

22

23 Art. 536.

24 § 1º Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar,

25 entre outras medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão,

26 a remoção de pessoas e coisas, o desfazimento de obras e o impe-

27 dimento de atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar

28 o auxílio de força policial.

29

30 Dessa forma, compete a esse Juízo a fixação da tutela específica

Folha 2/2

31 necessária ao cumprimento da obrigação de fazer, atribuindo multa

32 diária pelo inadimplemento.

33 Em face do exposto, é a presente para requerer a Vossa Excelência a

34 intimação da Requerida para que cumpra a obrigação de fazer de excluir

35 imediatamente o nome da exequente do cadastro de inadimplentes, sob

36 pena da incidência de multa a ser arbitrada por esse Juízo.

37
38 Termos em que

39 pede deferimento.

40

41 Local e data ...

42

43 Advogado ...

44 OAB n. ...
17

Execução

1. Introdução
A execução, no sentido lato da palavra, é o instrumento pelo qual a parte
movimenta o Poder Judiciário para o fim de obter a satisfação de um direito
previamente reconhecido em um título executivo.
No nosso ordenamento temos dois tipos de título executivo, o judicial (rol
do art. 515 do CPC) e o extrajudicial (rol do art. 784 do CPC). A satisfação
dos títulos judiciais, como regra, não mais depende da propositura de uma
ação de execução, já que a execução dos títulos judiciais se tornou fase
dentro do próprio processo de conhecimento, sendo denominada fase do
cumprimento da sentença.
Por outro lado, a satisfação dos títulos extrajudiciais se faz por meio de
ação de execução, com autonomia procedimental e distinta do processo de
conhecimento (execução stricto sensu).
Além da necessidade da obrigação constante do título executivo, para a
propositura de execução, há a necessidade de a obrigação deixar claro cinco
elementos, quando de sua propositura: (1) existência de obrigação, (2) credor,
(3) devedor, (4) o que é devido e o (5) quanto é devido, havendo a existência
desses elementos, estaremos diante da certeza, liquidez e exigibilidade.
Importante mencionar que a parte possuidora de um título executivo
extrajudicial, além da distribuição da petição inicial, cujo pedido será o
cumprimento da obrigação, poderá requerer o protesto do título bem como a
negativação do nome do executado no cadastro de inadimplentes (art. 782, §
3º, do CPC).
O Código de Processo Civil prevê 5 espécies de execução:

TIPO DE FUNDAMENTO
OBJETO
EXECUÇÃO LEGAL

Fazer ou não Visa obrigar o executado a fazer ou não fazer obrigação Arts. 815 e s. do
fazer pactuada em título executivo extrajudicial CPC

Entrega de Visa obrigar o executado a entregar coisa a qual se obrigou Arts. 806 e s. do
coisa por meio de título executivo extrajudicial CPC

Pagar Arts. 824 e s. do


Visa obrigar o executado a pagar quantia certa
quantia CPC

Fazenda Visa obrigar a Fazenda Pública a cumprir obrigação firmada


Art. 910 do CPC
Pública em título executivo

Pagar Visa obrigar o executado a pagar quantia decorrente de


Art. 911 do CPC
Alimentos crédito alimentar

Todos os tipos de execução se iniciam por petição inicial em razão de se


tratar de processo autônomo, portanto, abaixo veremos a estrutura básica a
ser observada na petição inicial de execução de título executivo extrajudicial.
2. Endereçamento

Competência Arts. 53, III, d, e/ou 781 do CPC

PREÂMBULO

Exequente
Executado
Partes Necessidade de qualificação completa (art. 319, II, do CPC).
Indicar que a parte está devidamente representada por advogado com
endereço na Rua... onde recebe intimações (procuração anexa).

AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ... [a depender do tipo de obrigação: pagar


Nome da ação
quantia certa; fazer/não fazer; entrega de coisa]

A depender do tipo de obrigação, conforme quadro acima, por exemplo, em


Fundamento
ação de execução de pagar quantia certa o fundamento é o arts. 824 e s. do
legal
CPC.

I) DOS FATOS

Relação: existência de título executivo extrajudicial certo, líquido e exigível.


Causa: não cumprimento da obrigação.
Consequência: execução forçada da obrigação pactuada no título.

II) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual


Fundamento
Súmulas
legal
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DA TUTELA PROVISÓRIA

Tutela
provisória de Em casos de urgência, poderá ser requerida tutela provisória de urgência
urgência cautelar; seria o caso, por exemplo, de arresto de bens em caso de dilapidação
cautelar: arts. de patrimônio.
294 e/ou 300 e Palavras-chaves para concessão da tutela provisória: urgência e risco de dano.
301 do CPC.
IV) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Execução de fazer/não fazer


Requer seja determinado que o executado cumpra a obrigação constante no
título executivo extrajudicial no prazo de .... ou no prazo a ser designado pelo
juiz, com a fixação por este juízo de multa diária pelo inadimplemento, nos
termos do art. 815 do CPC.
Execução de entrega de coisa certa
Requer a citação do executado para que, no prazo de 15 (quinze) dias,
satisfaça a obrigação, entregando aquilo que se obrigou, sob pena de multa
diária, nos termos do art. 806, caput e § 1°, do CPC.
Execução de coisa incerta
Requer a citação do executado para entregar a coisa individualizada (se a
escolha couber ao executado) ou a entrega do seguinte bem individualizado:...
(se a escolha couber ao exequente), no prazo de 15 dias, nos termos dos arts.
811 a 813 do CPC.
Execução de pagar quantia certa
Requer a citação do executado para pagamento no prazo de 3 (três) dias, sob
Pedidos (a
pena de penhora de bens suficientes para a quitação do débito, bem como, do
depender do tipo
mesmo ato, seja citado para, querendo, apresente embargos à execução no
de execução)
prazo de 15 (quinze) dias, nos termos dos arts. 829 e 915 do CPC.
Requerida a citação por oficial de justiça, requer também que, no caso de não
pagamento, seja determinado ao oficial de justiça penhorar tantos bens
quantos bastem para pagamento da dívida e avaliação, nos termos do art. 829,
§ 1º, do CPC.
Execução contra a Fazenda Pública
Requer a citação da Fazenda Pública para querendo opor embargos no prazo
de 30 dias, nos termos do art. 910 do CPC.
Não opostos embargos ou transitada em julgado a decisão que os rejeitar,
expedir-se-á precatório ou requisição de pequeno valor em favor do
exequente, nos termos do art. 910, § 1º, do CPC.
Execução de pagar alimentos
Requerer seja o executado citado para que, no prazo de 3 (três) dias, pague o
débito, comprove que já pagou ou justifique a impossibilidade, sob pena de
protesto e prisão civil de 1 (um) a 3 (três) meses em regime fechado, nos
termos do art. 911, caput e § 1º, do CPC.

Requerer a fixação de plano de honorários advocatícios no valor de 10% a


serem pagos pelo executado, nos termos do art. 827 do CPC.
A juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de gratuidade
Requerimentos da justiça.
A tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa, nos termos do
art. 1.048, I, do CPC.
A intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do CPC.

Valor constante no título executivo extrajudicial (em casos de pagamento de


Valor da Causa
quantia certa, o valor da causa será o valor atualizado do título).

Pedido de tutela provisória, prioridade de tramitação e intimação do


ATENÇÃO Ministério Público somente deverão constar na peça se o enunciado trouxer
elementos que evidenciem a necessidade de tais requerimentos.
3. Modelo de peça prática de execução de título executivo extrajudicial

Folha 1/3

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 MARIANA SILVA PRADO, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF

09 n. ..., endereço eletrônico ..., com endereço na Rua ...., vem por meio

10 do seu advogado, com endereço profissional na Rua ..., onde recebe

11 intimações (procuração anexa), com fundamento nos arts. 824 e s. do

12 Código de Processo Civil propor AÇÃO DE EXECUÇÃO POR QUANTIA

13 CERTA em face de MÓVEIS ALENCAR, pessoa jurídica de direito privado,

14 inscrita no CNPJ sob n. ...., endereço eletrônico ..., com endereço na

15 Rua ..., pelos motivos abaixo expostos.

16

17 I. DOS FATOS

18
19 A Executada emitiu em favor da Exequente cheque no valor de

20 R$ 4.500,00 decorrente de troca de móveis.

21 Ocorre que a Exequente ao depositar o cheque em sua conta bancária

22 se deparou com a informação de que o cheque não foi compensado,

23 retornando com o informe de “sem fundos”.

24 Diante de tal situação, a Exequente contatou a executada e esta não

25 lhe retornou sequer a ligação, portanto, não restou outra alternativa à

26 exequente, isto é, a propositura da presente ação de execução.

27

28 II. DO DIREITO

29

30 A ação em análise trata-se de execução de título executivo extrajudicial

Folha 2/3

31 decorrente da existência de cheque sem fundos.

32 Conforme o art. 784, I, do Código de Processo Civil, o cheque, por

33 se tratar de título de crédito, é um título executivo extrajudicial apto

34 a embasar ação de execução:

35

36 Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:

37 I – a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debên-


38 ture e o cheque;

39

40 Em sendo assim, considerando o título executivo extrajudicial, qual seja

41 o cheque, e a sua certeza, liquidez e exigibilidade, impõe-se a ordem

42 para que o executado faça o pagamento do valor atualizado do débito

43 no valor de R$ 4.680,00, cuja memória de cálculo segue anexa, nos

44 termos do art. 798, I, b, do Código de Processo Civil.

45

46 III. DO PEDIDO e REQUERIMENTOS

47

48 Em face do exposto, é a presente para requerer:

49 a) a citação do Executado, por oficial de Justiça, para pagamento,

50 no prazo de 3 (três) dias, sob pena de penhora de bens suficien-

51 tes para o quitação do débito, bem como do mesmo ato, seja

52 citado para, querendo, apresente Embargos à Execução no prazo

53 de 15 (quinze) dias, nos termos dos arts. 829 e 915 do Código

54 de Processo Civil;

55 b) não efetivado o pagamento, a determinação para o oficial de jus-

56 tiça penhorar tantos bens quantos bastem para pagamento da

57 dívida e avaliação, nos termos do art. 829, § 1º, do Código de

58 Processo Civil;
59 c) a fixação de plano dos honorários advocatícios a serem pagos pelo

60 executado no valor de 10%, conforme o art. 827 do Código de

Folha 3/3

61 Processo Civil;

62 d) a juntada da guia de custas devidamente recolhidas ou pedido de

63 gratuidade da justiça;

64 e) a tramitação prioritária dos autos por se tratar de pessoa idosa,

65 nos termos do art. 1.048, I, do Código de Processo Civil (se for

66 o caso);

67 f) a intimação do Ministério Público, nos termos do art. 178, II, do

68 CPC (se for o caso).

69

70 Valor da causa R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais).

71

72 Termos em que

73 pede deferimento.

74

75 Local e data ...

76

77 Advogado ...
78 OAB n. ...
4. Artigos importantes
• Execução de fazer/não fazer: art. 815 do CPC
• Execução de entrega de coisa: art. 806 do CPC
• Execução por quantia certa: art. 824 do CPC
• Execução contra a Fazenda Pública: art. 910 do CPC
• Execução de alimentos: art. 911 do CPC
18

Petição de Parcelamento

1. Introdução
Com efeito, com o intuito de incentivar o pagamento espontâneo da dívida
e, por conseguinte, conferir uma maior celeridade e efetividade ao processo
de execução de título extrajudicial, o CPC de 2015 apresentou um novo
instituto possibilitando o parcelamento da dívida (também chamada de
moratória), consistente no pagamento parcelado judicialmente do crédito
exequendo, mediante o preenchimento de alguns requisitos elencados em seu
art. 916.
Portanto, no prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e
comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução, acrescido
de custas e de honorários de advogado, o executado poderá requerer que lhe
seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas de
correção monetária e de juros de 1% (um por cento) ao mês.
Trata-se de verdadeira moratória concedida em favor do executado, eis
que, uma vez preenchidos os requisitos do caput daquele dispositivo, não há
como o magistrado deixar de concedê-la em seu favor.
2. Procedimento
Realmente, o art. 916 cuida da possibilidade de o executado, no prazo dos
embargos, reconhecer a dívida reclamada pelo exequente e pretender o seu
parcelamento em até seis parcelas mensais, a serem corrigidas
monetariamente e acrescidas de juros de mora de 1% ao mês, comprovando o
depósito de 30% do valor em execução com a adição das custas e honorários
advocatícios.
O § 2o do art. 916 determina o pagamento das parcelas vincendas
enquanto não houver apreciação do pedido formulado pelo executado,
podendo o exequente levantá-las na medida em que elas forem sendo
depositadas.
Concedido o pedido, o exequente levantará a quantia até então depositada
pelo executado, sendo suspensos os atos executivos (art. 916, § 3o).
No caso de indeferimento, os atos executivos continuarão a ser praticados,
preservado o depósito ofertado de início, que será convertido em penhora
(art. 916, § 4o).
O § 5o do art. 916 trata da hipótese de, deferido o pedido, não haver
pagamento de alguma parcela. Nesse caso, considerar-se-ão vencidas as
demais parcelas e retomada imediatamente a prática dos atos executivos, sem
prejuízo de o executado ser apenado com multa de 10% sobre o valor das
prestações ainda não pagas.
Nesse caso, o exequente será intimado para manifestar-se sobre o
preenchimento dos pressupostos do caput, o juiz decidirá o requerimento em
5 (cinco) dias e, enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de
depositar as parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento.
Em sendo a proposta deferida pelo juiz, o exequente levantará a quantia
depositada e serão suspensos os atos executivos; caso indeferida, seguir-se-ão
os atos executivos, mantido o depósito, que será convertido em penhora.
O não pagamento de qualquer das prestações implicará, de pleno direito, o
vencimento das subsequentes e o prosseguimento do processo, com o
imediato início dos atos executivos, e a imposição ao executado de multa de
10% (dez por cento) sobre o valor das prestações não pagas.
Importante verificar que a opção pelo parcelamento, assim como tratado,
importa renúncia ao direito de opor embargos, da mesma forma que tais
disposições não serão aplicadas ao cumprimento da sentença (art. 916, §§ 6o
e 7o, do CPC).
3. Estrutura básica da peça

ENDEREÇAMENTO

Competência Mesmo juízo da execução

PREÂMBULO

Partes Exequente e executado, já qualificados

Nome da
Requerimento de parcelamento
peça

Fundamento
Art. 916 do CPC
legal

l) DOS FATOS

Relação: vínculo jurídico consubstanciado por título executivo extrajudicial.


Causa: pretensão de parcelamento da dívida.
Consequência: possibilidade de depósito judicial das parcelas (art. 916 do CPC).

ll) DO DIREITO

Artigos de lei de direito material e processual


Fundamento
Súmulas
legal
Transcrever artigos e súmulas importantes

III) DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

a) Pedido de acolhimento do parcelamento da dívida – art. 916 do CPC.


b) Demonstração do depósito de 30% do valor em execução, acrescido de custas e
Pedidos de honorários de advogado.
c) Intimação do exequente para manifestar-se sobre o pedido de parcelamento –
art. 916, § 1º, do CPC.

Valor da
Não há valor da causa no Pedido de Parcelamento.
Causa
4. Modelo de requerimento de parcelamento

Folha 1/2

01 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA

02 CÍVEL DA COMARCA DE ...

03

04

05

06

07

08 Processo n. ...

09

10

11 NOME DO EXEQUENTE, já qualificado nos autos da AÇÃO PELO

12 PROCEDIMENTO COMUM, com fundamento nos arts. 350 e 351 do

13 Código de Processo Civil, que move em face de NOME DO EXECUTADO,

14 já qualificado nos autos, vem, por intermédio de seu advogado, requerer

15 o parcelamento da dívida na execução, pelos fundamentos a seguir expostos.

16

17 I) DOS FATOS

18
19 De acordo com o art. 916 do CPC, vem o exequente reconhecer a

20 existência do crédito em favor do exequente, requerendo que, no prazo

21 dos embargos, o douto juízo singular conceda a possibilidade de parcela-

22 mento da dívida.

23 Anexo a esta peça, segue comprovante de depósito do percentual de

24 30% da dívida exigido por lei, requerendo que o restante seja parcelado

25 em 6 vezes. Na hipótese de eventual imprecisão ou defasagem da me-

26 mória de cálculo recebida pelo exequente e houver necessidade de com-

27 plementação do valor, pugna-se desde logo pela concessão de prazo para

28 efetuá-la.

29

30 II) DO DIREITO

Folha 2/2

31

32 Visa a presente o exercício do direito potestativo conferido pelo

33 art. 916 do CPC, mediante a demonstração da satisfação de seus requi-

34 sitos, qual seja o reconhecimento do crédito do exequente, bem como

35 comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução,

36 acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá

37 requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) par-
38 celas mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de 1% (um

39 por cento) ao mês.

40

41 III) DO PEDIDO

42

43 Diante do exposto, requer:

44 a) acolhimento do pedido de acolhimento do parcelamento da dívida,

45 realizado nos termos do art. 916 do CPC;

46 b) demonstração do depósito de 30% do valor em execução, acrescido

47 de custas e de honorários de advogado;

48 c) intimação do exequente para manifestar-se sobre o pedido de

49 parcelamento, conforme o art. 916, § 1º, do CPC.

50

51 Termos em que

52 pede deferimento.

53

54 Local e data...

55

56 Advogado...

57 OAB n. ...
5. Artigo importante
• Art. 916 do CPC
19

Embargos à Execução

1. Introdução
Inicialmente, cumpre mencionarmos que embargos à execução tem
natureza jurídica de ação, ainda que sui generis, devendo ocorrer a sua
distribuição por dependência (art. 914, § 1º, do CPC). Embora possamos
assemelhar, para fins didáticos, que embargos à execução é um meio de
defesa colocado à disposição do executado, assim como a defesa do réu no
processo de conhecimento, devemos nos atentar que na execução temos a
convicção de um título líquido, certo e exigível (art. 784 do CPC). Ademais,
os embargos à execução são realizados em processo autônomo, incidental,
no curso da execução, por meio de uma petição inicial, devendo seguir os
requisitos do arts. 319 e 320 do CPC, acompanhados das cópias e peças
processuais relevantes, sendo o exequente intimado para que impugne em 15
dias os embargos, realizando, posteriormente e se necessário, audiência de
instrução e julgamento, ao final prolação da sentença (art. 920 do CPC).
Como o processo de embargos à execução é um meio de discussão a
respeito da veracidade da execução ou do título que a instrui, podendo ser
utilizados todos os meios de prova em direito admitidos, o art. 917 do CPC
traz taxativamente o que poderá ser alegado nos embargos à execução:
Art. 917. Nos embargos à execução, o executado poderá alegar:
I – inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;
II – penhora incorreta ou avaliação errônea;
III – excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;
IV – retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para entrega de coisa
certa;
V – incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;
VI – qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento.

Independentemente de qualquer garantia (penhora, deposito ou caução), o


executado poderá opor-se à execução por meio dos embargos à execução
(art. 914 do CPC), devendo ser oferecido no prazo de 15 dias, contados da
data da juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido (art.
915 do CPC), conforme art. 231 do CPC, garantindo ao exequente o
contraditório, devendo ser intimado, por meio do seu advogado, a responder
no prazo de 15 dias os embargos à execução.

Atenção: quando houver mais de um executado, a contagem do prazo será considerada


individualmente, ou seja, conta-se da juntada de cada mandado correspondente a cada um dos
executados, exceto cônjuges ou companheiros, quando então contar-se-á da juntada do último
mandado cumprido. Não se aplica prazo em dobro, ainda que advogados diferentes constituídos
pelos executados.

Quanto ao efeito suspensivo, os embargos à execução, via de regra, não


terão efeito suspensivo. Excepcionalmente terão a concessão do referido
efeito suspensivo se requerido pelo embargante e verificados os requisitos
necessários para a concessão de eventual tutela provisória e desde que a
execução esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficiente,
podendo tal decisão ser revogada ou modificada a qualquer tempo em decisão
fundamentada. Ainda, caberá recurso de agravo de instrumento da decisão
que conceder, modificar ou revogar o efeito suspensivo (art. 1.015, X, do
CPC).
2. Estrutura da peça e requisitos
Ao elaborar a peça, que é realizada pelo devedor, constará a existência de
uma execução de título extrajudicial, proposta pelo exequente, devendo
correr a citação do executado para apresentar a peça de defesa adequada,
embargos à execução, devendo apresentar seus fundamentos de defesa,
processados em ação autônoma, devendo seguir a estruturação de uma
petição inicial, opondo embargos à execução, com fundamento no art. 914
do CPC, com pedido de efeito suspensivo, conforme o art. 919, § 1º, do CPC.
Nos fatos, de