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Santificação

a) Santificação é a obra de Deus na salvação pela qual ele separa o pecador do


mundo, o coloca em solo sagrado e purifica seu coração. Dessa maneira, o
pecador se torna adequado para a obra do Senhor. Santificação, derivada do latim
sanctus, santo, significa declarar ou fazer santo. Santidade e santificação, como
justiça e justificação, são relacionadas. Aquele que foi santificado é santo. Ele é
um santo. Os termos a seguir são correlacionados: santificar, santificação,
consagrar, aprovação, sancionar, santuário, santo, sagrado, santidade, venerado,
dedicado e consagrado. Santificação indica separação, sacralidade e pureza.
b) Os pecadores precisam de santificação. Eles são ímpios, corruptos,
contaminados e profanos (1 Timóteo 1:9; 2 Timóteo 3:2). Nessa condição, eles não
podem habitar na santa presença de Deus nem serem usados em Sua obra
sagrada. Como velhos artigos de prata sobre um monte de lixo, eles foram feitos
para o uso do Mestre, mas, na condição presente, eles não estão adequados a
esse propósito. Eles necessitam ser separados do pecado, dedicados a Deus e
consagrados para a obra.
c) Santificação tem origem na graça de Deus; é baseada sobre o sacrifício de
Cristo (Hebreus 10:10,14,29; 13:12); está condicionada à fé do homem (Atos 26:18).
Deus realiza Sua obra de santificação através de Seu Filho, Jesus Cristo. “Mas
vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e
justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30). Cristo é a santificação do
pecador. Em outras palavras, a santidade de Cristo é imputada ao crente na
conversão. Através de seu relacionamento vital com Cristo, o crente é santo
diante de Deus. Quando uma pessoa entra em Cristo, ele se coloca em solo
sagrado. Ele é separado do mundo e dedicado a Deus. Ele foi santificado; ele é um
santo.

1. Termos Bíblicos para Santificação


A ideia básica de santidade ou santificação na Bíblia é a separação. O significado
essencial do hebraico qodesh e do grego hagiazo é “separar”. As palavras hebraicas
qodesh e qadesh são derivadas da raiz qad, que significa “cortar”. O que é santo foi
cortado e separado de todos os demais. Foi colocado à parte, colocado numa
posição especial, classe ou categoria, e designado para um propósito específico. Foi
separado de um propósito comum para a obra de Deus. O pensamento fundamental
associado com santidade diz respeito à posição ou relacionamento que existe entre
Deus e alguma pessoa ou coisa que é consagrada a Ele.

Separada de outras nações, Israel foi uma nação santa. Entre as muitas tendas de
Israel no deserto, o tabernáculo era uma estrutura santa, a tenda sagrada. Jerusalém
era uma cidade santa: “a cidade do grande Rei”. As Escrituras são escritos sagrados,
separados de todos os outros livros.

a) A santidade é o atributo mais importante de Deus


Os dois aspectos da santidade de Deus são excelência e pureza.
 A santidade de Deus é a gloriosa plenitude de Sua excelência moral, a
infinita soma de Sua perfeita bondade. Isso transmite o pensamento de
Sua unidade e transcendência. Ele é retratado como aquele que “habita na
luz inacessível ao homem; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver”
(1 Timóteo 6:16).
 A santidade de Deus refere-se também à Sua absoluta pureza moral, Sua
imunidade ao pecado, Seu caráter imaculado. Deus não pode pecar nem
aprovar o pecado. A santidade de Deus inclui os pensamentos de
separação e pureza. Em Sua transcendência, Deus está separado de Suas
criaturas. Em relação ao pecado, Ele é infinitamente puro. Ele exclui de Si
mesmo tudo o que contradiz Sua natureza divina. A santidade não é
somente um atributo de Deus, mas também um requisito para Seu povo.
“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em
toda a maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu
sou santo” (1 Pedro 1:15,16).

b) Dois Aspectos da Santificação

Existem dois aspectos da santificação ou santidade.

 O primeiro é a separação externa ou sacralidade;


 O segundo é a pureza interior.
 O primeiro é a santificação posicional;
 O segundo é a santificação experimental.
A santidade exterior é a santidade de posição; pureza interior é a santidade
de condição. O primeiro é santidade cerimonial; o último, a santidade
moral. Na Bíblia, santidade posicional é aplicada a lugares (Êxodo 3:5;
Deuteronômio 23:14; Zacarias 2:13; Neemias 11:1; Mateus 4:5; Salmos 2:6);
objetos (Êxodo 29:43; 1 Reis 9:3; Êxodo 25:8; 29:36; Lucas 1:72; Romanos 1:2);
tempos (Êxodo 20:8,11; Joel 1:14; Levítico 25:10); e pessoas (Êxodo 13:2;
Deuteronômio 7:6; Salmos 89:7; Joel 2:16; Atos 3:21).
A pureza ou santidade de condição é aplicada somente a pessoas.
Israel, como uma nação, era exteriormente santa (Deuteronômio 7:6); os
indivíduos, porém, frequentemente eram impuros internamente.
A santificação dos crentes inclui ambos: a santidade de posição e a
santidade de condição; sacralidade e pureza interior.

 Sacralidade. O crente experimenta santidade posicional na conversão. A


santidade de Cristo é imputada ao crente (1 Coríntios 1:30). “Fomos
santificados por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma
vez por todas” (Hebreus 10:10 NVI). “Por meio de um único sacrifício, ele
aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hebreus 10:14
NVI). Quando o crente é reconciliado e adotado e justificado, ele é também
santificado (1 Coríntios 6:11). Essas bênçãos ocorrem simultaneamente
dentro do cristão. Quando alguém entra em Cristo mediante a conversão,
ele se coloca em solo sagrado. Em seu relacionamento externo e legal
com Deus, ele é santificado; ele é um santo. Uma pessoa se torna um santo
tão logo se faz um cristão. Paulo se referiu a todos os crentes como
santos. Os Coríntios eram “santificados em Jesus Cristo, chamados para
serem santos” (1 Coríntios 1:2 NVI), no que diz respeito à sua posição diante
de Deus. Interiormente, entretanto, eles eram carnais e Paulo buscou
corrigir seus erros (1 Coríntios 3:1-4; 5:1,2; 6:1,7,8). Os Coríntios
permaneciam em solo santo, mas não viviam vidas santas.
 Pureza Interior. O crente não só se posiciona em solo sagrado em Cristo,
mas ele também mantém um caminhar santo através da obediência a
Cristo. O crente deve se tornar santo em seus pensamentos e ações assim
como na sua posição diante de Deus. Ele deve se tornar internamente puro
assim como é exteriormente sagrado. Jesus orou: “Santifica-os na
verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17). Paulo escreveu: “Vós,
maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e a si
mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem
da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem
mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”
(Efésios 5:25-27).

III. Tempo de Santificação


A santidade de posição se efetiva imediatamente quando o crente entra em Cristo.
Quando ele sai das águas do batismo ele se coloca em solo sagrado. Ele mantém
essa posição durante o tempo em que ele habita em Cristo. A sua posição em solo
santo se torna possível pelo sacrifício de Cristo. A santidade do caráter interior do
crente resulta de um processo progressivo. Esse processo começa quando Cristo
entra no crente e continua no decorrer da vida. O cristão deve crescer “na graça e no
conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18). “E o Senhor
vos aumente e faça crescer em amor uns para com os outros e para com todos, como
também nós para convosco; para confortar o vosso coração, para que sejais
irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor
Jesus Cristo, com todos os seus santos” (1 Tessalonicenses 3:12,13). (Veja também 1
Tessalonicenses 4:1,10; Efésios 4:12-16; 2 Coríntios 3:18; Filipenses 3:10-15).

De acordo com a Bíblia, todo cristão é um santo. Entretanto, a Igreja Romana usa
essa palavra para se referir a uma pessoa que foi canonizada depois de sua morte.
A santidade é tratada como uma “edição especial de luxo” da vida cristã. De acordo
com essa visão, a santidade está limitada a pessoas de extraordinária piedade. Essa
visão não é bíblica.
A veneração e adoração dos santos mortos começou com a ascensão da Igreja Papal,
que adaptou essa prática da adoração pagã aos mortos. Na Igreja Católica de hoje, a
canonização dos santos é resultado de um processo cuidadoso e bem regulado.

Em contraste a essa prática Romana, a Bíblia mostra todo crente como um santo.

Um crente se torna um santo não quando ele morre, mas quando ele entra em Cristo
e se torna um cristão. O Novo Testamento refere-se a todos os cristãos como santos,
independente de suas realizações espirituais (Romanos 1:7; 1 Coríntios 1:2; 2 Coríntios
1:1; 13:13; Efésios 1:1; 4:12; Filipenses 1:1; 4:21; Colossenses 1:2,4,26; Hebreus 13:24; etc.).

Versículos sobre Santidade

Ser santo significa ser separado dos restantes. Então, Deus que é perfeitamente
Santo também chama e espera que os Seus filhos vivam com santidade, não se
deixando corromper pelos valores deste mundo.

Levítico 20:26; 11:44; Salmo 139:23-24; Romanos 12:1‭-‭2; 2 Coríntios 7:1; 1


Tessalonicenses 4:7; 2 Timóteo 1:9; Hebreus 12:14; 1 Pedro 1:15-16

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