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O QUE É O DIREITO?

O QUE É O DIREITO?
Experiência jurídica
A vivência do direito: a adoção de
comportamentos em função de normas Direito subjetivo
jurídicas O direito na perspetiva do sujeito,
titular de uma faculdade ou poder de
exigir algo de alguém
Direito normativo/objetivo
O direito como normatividade
(ideia de ordenação)
A Justiça
A ciência do Direito Constans et perpetua voluntas ius
Sentido epistemológico: suum cuique tribuere
o direito enquanto
disciplina do saber

Introdução ao Estudo do Direito | 2020/2021


«Se o químico, o físico, o naturalista leem as histórias das suas ciências no livro aberto do
cosmos, o jurista não pode fazer o mesmo: numa natureza fenoménica desprovida de seres
humanos não há espaço para o direito que – como adverte já um antigo jurista romano com
rigorosa eficácia – se originou, desenvolveu e consolidou hominum causa; o que significa
que nasce com o homem e para o homem, indissociavelmente ligado à história humana no
espaço e no tempo.
Em suma, o direito não está escrito numa paisagem natural que ainda aguarda a chegada
do homem, está escrito na história, grande ou pequena, que, desde os primórdios até hoje,
os homens constantemente teceram com a sua inteligência e com os seus sentimentos,
com os seus ideais e com os seus interesses, com os seus amores e com os seus ódios. É
nos meandros dessa história construída pelos homens, e apenas aí, que se coloca o direito»

PAOLO GROSSI – Prima lezione di diritto (tradução nossa), pp. 11-12.

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DUAS CORRENTES DA FILOSOFIA DO DIREITO…
…Jusnaturalismo

…Juspositivismo

E DUAS REALIDADES JURÍDICAS…


…Direito Natural
…Direito Positivo

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Direito Positivo

Conjunto de normas produzidas e aplicadas por


estruturas sociais de autoridade, cujo conteúdo é
expressão de uma vontade humana

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Direito Natural

«Embora haja assumido diversas formulações e apresentado diferentes conteúdos


através dos tempos, a ideia de Direito Natural tem como elemento comum unificador e
identificador a ideia da existência de uma ordem normativa, imanente e manifestada
na natureza ou na realidade, que é como que o paradigma, o modelo ou o arquétipo a
que deve subordinar-se o direito positivo, que deve procurar explicitá-lo, desenvolvê-lo e
concretizá-lo nas ordens normativas concretas que estabelece ou constitui»

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA – Sentido e Valor do Direito: Introdução à Filosofia Jurídica, 4.ª ed., p. 181

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Jusnaturalismo e Juspositivismo

«O jusnaturalismo é a concepção que afirma a existência do direito natural (ius naturale, ius
naturae) como realidade anterior e superior ao direito positivo, i. é, estabelecido pelos
homens (ab hominubus institutum, in civitate positum), o único que tem pleno
reconhecimento do positivismo jurídico. Para o J. [Jusnaturalismo] em sentido próprio, o
direito natural, dimanado da natureza das coisas (do homem ou de outras entidades),
constitui o elemento básico e nuclear da ordem jurídica e a medida da legitimidade do
direito positivo»

MÁRIO BIGOTTE CHORÃO – «Jusnaturalismo». In Logos: Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia. Lisboa/São Paulo: Verbo, 1991. Vol. 3. P 90

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Jusnaturalismo

üPerspetiva dualista

üDuas subcorrentes:

üO Realismo Clássico

üO Jusracionalismo

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Jusnaturalismo
Realismo Clássico
ü A herança da filosofia grega: as leis positivas e o logos
«todas as leis humanas nutrem-se de uma única lei divina. Esta domina, tanto
quanto quer; basta a todos (e a tudo) e ainda os ultrapassa»
(Heráclito de Éfeso Fragmento 114)

ü O estoicismo e a sua influência no pensamento romano


«non scripta, sed nata lex» (Cícero, Pro Milone IV, 10)

ü O cristianismo e a passagem de uma conceção cosmológica


para uma conceção teológica
«Com efeito, quando há gentios que, não tendo a Lei, praticam, por inclinação
natural, o que está na Lei, embora não tenham Lei, para si próprios são lei. Esses
mostram que o que a Lei manda praticar está escrito nos seus corações, tendo
ainda o testemunho da sua consciência»
(Paulo de Tarso; Rom 2, 14-15)

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Jusnaturalismo
Realismo Clássico

ØRelação de complementaridade entre


direito positivo e direito natural: o direito
natural como fundamento de uma ordem
unitária

ØO direito natural é real

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Jusnaturalismo
Jusracionalismo
ü Desvinculação do fundamento divino do direito natural
ü Alteração da conceção da natureza humana (empirista)
ü Alteração da conceção da razão (racionalismo)

Divisão do direito:
direito natural e direito positivo como dois sistemas separados,
assumindo-se o direito natural como modelo ideal do direito positivo

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Juspositivismo

ü Perspetiva monista
ü A afirmação do juspositivismo:
ü O positivismo legalista francês e a Escola da Exegese
ü O positivismo alemão e a Escola Histórica do Direito
ü O positivismo britânico e o utilitarismo

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Positivismo legalista francês

ü A lei como expressão da vontade geral

ü Identificação do Direito com a Lei

ü Dogma da omnipotência do legislador (suficiência da lei)

ü Incondicional fidelidade ao texto da lei – a Escola da Exegese

ü Interpretação – “la bouche qui prononce les paroles de la loi”


(MONTESQUIEU, Esprit des Lois, Liv. XI, cap. VI, p. 327)

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Positivismo alemão
ü A Escola Histórica do Direito (Savigny)

ü O direito como fenómeno intrinsecamente cultural – o Volksgeist

ü O costume como principal fonte do direito

ü A tarefa sistematizadora da ciência jurídica


Segundo os seus princípios, o direito continua a viver na consciência comum do povo,
mas a sua elaboração rigorosa e a sua aplicação concreta é a função específica da
classe dos juristas

SAVIGNY – System, 45

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Positivismo britânico

ü O utilitarismo (Bentham e Austin)

ü A lei como comando do soberano

ü Identificação entre direito e poder: a sanção

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O conceito de direito no século XX:
A Teoria Pura do Direito (Hans Kelsen)
■ Separação entre ser e dever ser

■ Norma como elemento constitutivo do direito: entidade lógico-


hipotética

■ Nexo de imputação

■ Constituição hierarquizada do ordenamento jurídico e a Grundnorm

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O conceito de direito no século XX:
A Teoria Pura do Direito (Hans Kelsen)
Dado que o fundamento de validade de uma norma somente pode ser uma outra
norma, este pressuposto tem de ser uma norma: não uma norma posta por uma
autoridade jurídica, mas uma norma pressuposta […] (p. 223)

Uma ciência jurídica positivista apenas pode constatar que esta norma é
pressuposta como norma fundamental – no sentido que acabámos de patentear –
na fundamentação da validade objetiva das normas jurídicas e bem assim na
interpretação de uma ordem coercitiva globalmente eficaz como um sistema de
normas jurídicas objetivamente válidas (pp. 226-227)

HANS KELSEN – Teoria Pura do Direito. 2.ª edição (1960). Coimbra: Almedina, 2008.
Trad. de João Baptista Machado. 7.ª ed. da trad. Portuguesa.

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O conceito de direito no século XX:
Realismo Jurídico americano e escandinavo

■ Rejeição do normativismo: o direito como facto

■ Atitude antiformalista e empírica

■ Desvalorização da lei e das normas gerais


As previsões sobre o que farão os
tribunais, sem qualquer outra
pretensão, eis o que eu entendo
■ Relativismo axiológico por direito.
O. W. HOLMES, 1897

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O conceito de direito no século XX:
■ O renascimento da ideia de Direito Natural no pós-guerra
Esta conceção da lei e a sua validade, a que chamamos positivismo, foi a que deixou sem
defesa o povo e os juristas contra as leis mais arbitrárias, mais cruéis e mais criminosas.

(…) se houver leis que neguem intencionalmente o desejo de justiça, por exemplo…
recusando aos homens os direitos do homem de uma forma arbitrária, essas leis carecem de
validade, o povo não é obrigado a obedecer-lhes e os juristas devem ter a coragem de recusar
o seu carácter jurídico
GUSTAV RADBRUCH

■ O debate Hart-Dworkin

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O conceito de direito no século XX:
A Teoria Tridimensional do Direito
VALOR

FACTO NORMA

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Orientações de leitura…
…inicial

CUNHA, Paulo Ferreira da – Princípios de Direito, em especial, pp. 13-38.

CUNHA, Paulo Ferreira da – Filosofia do Direito, em especial, pp. 303-325.

BIGOTTE CHORÃO, Mário – Introdução ao Direito: vol. I. O Conceito de Direito, em especial, pp. 157-
173, 175-176.

LATORRE, Ángel – Introdução ao Direito, em especial, pp. 123-154.

MARQUES, Mário Reis - «Grandes linhas e evolução do Pensamento e da Filosofia Jurídicas», in


Cunha, Paulo Ferreira da (org.) - Instituições de Direito, vol. I, pp. 219-285.

JUSTO, A. Santos – Nótulas de História do Pensamento Jurídico.


…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada no Tema I do livro de
apoio à UC.

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O DIREITO E OUTRAS
NORMATIVIDADES
SOCIAIS
O Direito e Outras Ordens Normativas

Ø O Direito como norma e a sua relação com o Estado

Ø As práticas sociais não normativas e a existência de normatividades


sociais não jurídicas

Ø A relação entre as normatividades sociais não jurídicas e o Direito

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Direito e Moral: critérios de distinção
1. Critério da exterioridade/interioridade

2. Critério da heteronomia/autonomia

3. Critério da coercibilidade/incoercibilidade

4. Critério do mínimo ético

5. Critério da bilateralidade atributiva

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Critério da exterioridade/interioridade
Thomasius (1655-1728)

O direito refere-se ao plano externo da ação humana


(comportamento) e a moral ao plano interno (motivação).

Críticas:

ü Para o agir moral não são suficientes as boas intenções

ü O direito não é indiferente às motivações internas do agente

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Critério da coercibilidade/incoercibilidade
As normas jurídicas podem ser impostas através do uso da
força, enquanto as normas morais são por natureza
incoercíveis.

Crítica:

ü Nem todas as normas jurídicas são coercíveis. Ex: deveres conjugais;


obrigações naturais.

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Critério da heteronomia/autonomia
Kant (1724-1804)

A conformidade à norma jurídica basta-se com a adequação formal da conduta


do agente a uma vontade alheia, enquanto a moral exige uma adesão interior à
norma.

Críticas:

ü O imperativo moral é expressão de algo intrinsecamente valioso, que o agente não pode
derrogar ou modificar

ü Existe uma aceitação do direito como um dever-ser

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Critério do mínimo ético
«o direito não é senão o mínimo ético. Objetivamente consiste nas condições de
preservação da sociedade, na medida em que esta depende da vontade das
pessoas, isto é, o mínimo existencial de normas éticas; subjetivamente, consiste
no mínimo moral de sentido e funcionamento vital que é exigido pelos membros
duma sociedade»
GEORG JELLINEK. Apud MIGUEL NOGUEIRA DE BRITO – Introdução ao Estudo do Direito, 2.ª ed. Lisboa: AAFDL, 2018, p. 501.

Críticas:
ü Afirma a identificação do Direito com a Moral, mas não deixa de admitir que se trata de
normas distintas; no entanto, não fornece um critério que permita estabelecer a fronteira
entre o que é o direito e o que é a moral
ü Não atende à existência de normas jurídicas sem conteúdo moral

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Critério da bilateralidade atributiva
«Bilateralidade atributiva é, pois, uma proporção
intersubjetiva, em função da qual os sujeitos de uma relação
ficam autorizados a pretender, exigir, ou a fazer,
garantidamente, algo»
MIGUEL REALE – Lições Preliminares de Direito, 27.ª ed., São Paulo: Saraiva, 2004, p. 50

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A axiologia jurídica

«chamo princípio a um padrão (standard) que deverá ser observado, não


porque favoreça ou assegure uma situação económica, política ou social
que se considere desejável, mas porque é uma exigência da justiça, da
equidade ou de alguma outra dimensão da moralidade»

RONALD DWORKIN – Taking Rights Seriously, Harvard University Press, 1978, p. 22.

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A axiologia jurídica

ü Relação entre valor e princípio

ü Distinção entre princípios e normas

ü O Direito como uma ordem com um sentido: as finalidades do Direito

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Orientações de leitura…
…inicial

JOÃO BAPTISTA MACHADO – Introdução Direito e ao Discurso Legitimador, em especial, pp. 31-36 e 59-
62.

MIGUEL REALE – Lições Preliminares de Direito, 27.ª ed., em especial, pp. 41-57.

ÁNGEL LATORRE – Introdução ao Direito, em especial, pp. 17-31.

MIGUEL NOGUEIRA DE BRITO – Introdução ao Estudo do Direito, 2.ª ed. Lisboa: AAFDL, 2018, em
especial, pp. 501-506.

JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENSÃO – O Direito: Introdução e Teoria Geral, 13.ª ed., em especial, pp. 39-42.

…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada no Tema II do livro de


apoio à UC.

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AS FINALIDADES DO
DIREITO
Para não poucos juristas, o Direito é um puro instrumento, neutro em
relação aos respetivos fins, de tal forma que por meio dele podem
prosseguir-se os objetivos mais diversos […] Todavia, é difícil negar que
ao termo “Direito” foram sempre associadas algumas conotações
relativas aos seus fins, que obrigam a considerar com atenção as
afirmações demasiado incisivas acerca do seu carácter instrumental.
ÁNGEL LATORRE – Introdução ao Direito, p. 39

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A ordem jurídica é desde logo uma… ordem.
ORDEM FERNANDO JOSÉ BRONZE – Lições de Introdução ao Direito, 3ª ed., p. 93

Ø Cosmos versus caos


Ø Organização e conservação das relações de poder
Ø Função pacificadora – a paz social:
Ø Bellum omnium contra omnes – a paz como ausência de
violência
Ø A regulação do uso da força e a institucionalização de meios de
resolução de conflitos
Ø A paz fundada em valores partilhados

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SEGURANÇA JURÍDICA vivendo nós no seio [da] ordem [jurídica],
conhecemos antecipadamente os efeitos dos
nossos comportamentos juridicamente relevantes e
sabemos igualmente o que podemos esperar dos
comportamentos juridicamente relevantes dos
Ø Relação com o valor da ordem e paz social outros que connosco convivem

Ø Segurança face ao Estado: FERNANDO JOSÉ BRONZE – Lições de Introdução ao Direito, 3ª ed., p. 132

Ø Estado de Direito
Ø Proteção dos Direitos Fundamentais

Ø Certeza jurídica:

Ø Objetividade e previsibilidade (segurança nas relações jurídicas)


Ø Publicidade, clareza e irretroatividade das leis

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BEM COMUM
O Direito, porém, não visa a ordenar as relações dos indivíduos entre si para satisfação
apenas dos indivíduos, mas, ao contrário, para realizar uma convivência ordenada, o que se
traduz na expressão: "bem comum". O bem comum não é a soma dos bens individuais, nem a
média do bem de todos; o bem comum, a rigor, é a ordenação daquilo que cada homem pode
realizar sem prejuízo do bem alheio, uma composição harmônica do bem de cada um com o
bem de todos.
MIGUEL REALE – Lições Preliminares de Direito, 27.ª ed., p. 59

Ø Individualismo

Ø Transpersonalismo

Ø Personalismo

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LIBERDADE
Ø Em sentido negativo: ausência de constrangimentos à atuação (espaço de não
interferência)

Artigo 2.º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789)


O objetivo de toda a associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do
homem. Estes direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.

Ø Em sentido positivo: possibilidade de ação de acordo com o projeto de vida do


agente, realizando assim a sua autonomia.

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IGUALDADE
[...] a majestosa igualdade das leis [...] proíbe tanto
ao rico como ao pobre dormir debaixo das pontes,
mendigar nas ruas e roubar o pão
Anatole France – Le Lys Rouge. Edição Kindle, 2011, posição 1312
Ø Igualdade formal: todos são iguais perante a lei

Ø Igualdade material: tratamento igual para o que é igual e desigual para o que é desigual, na
proporção da desigualdade

Ø Proibição de discriminação arbitrária de pessoas colocadas em situações análogas

Ø Obrigatoriedade de estabelecer regimes diferenciados para situações diferenciadas, na


medida da diferença

Ø A relação da liberdade com a igualdade

«a liberdade juridicamente relevante é sempre uma proporcionalmente igual liberdade para todos»
(FERNANDO JOSÉ BRONZE – Lições de Introdução ao Direito, 3ª ed., p. 135

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JUSTIÇA

Ø A justiça como legalidade, a justiça como igualdade e a justiça como proporcionalidade

Ø Justiça – alpha e omega do Direito

Ø O problema da compatibilização da justiça com as outras finalidades do Direito, em especial,


a segurança jurídica

Ø A justiça como síntese das finalidades do Direito

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Orientações de leitura…
…inicial

Miguel Nogueira de Brito – Introdução ao Estudo do Direito, 2.ª ed., pp. 49-54, 56-66.

Ángel Latorre – Introdução ao Direito, pp. 39-55.

Baptista Machado – Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, pp. 55-59.

…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada no Tema III do livro de
apoio à UC.

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SISTEMA,
PRINCÍPIOS E NORMAS
Quando […] falámos do «Direito português», em sentido objetivo, definimo-lo
como um sistema jurídico composto por um conjunto de normas jurídicas
válidas num dado momento histórico e num território determinado. Na ideia de
direito em sentido objetivo estão assim presentes os conceitos de «sistema» e
«norma» enquanto pólos agregador e individualizador, respetivamente, do
direito em sentido objetivo.

MIGUEL NOGUEIRA DE BRITO – Introdução ao Estudo do Direito, 2.ª ed., p. 17.

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Sistema jurídico

➢ A ideia de sistema:

➢ Sistema externo e sistema interno

➢ Sistema aberto

➢ Sistema jurídico, ordenamento jurídico e ordem jurídica

➢ Normatividade, coatividade e institucionalização (Santiago Niño)

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Ordenamento jurídico: notas caracterizadoras

➢ Unidade

➢ Coerência

➢ Plenitude

➢ Independência

➢ Estabilidade

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Ordenamento jurídico: notas caracterizadoras

Unidade
✓ Espaço e tempo

✓ Unidade material/formal

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Ordenamento jurídico: notas caracterizadoras
Coerência
✓ Ausência de contradições entre normas com o mesmo âmbito de
validade

✓ Mecanismos:
✓ Critério hierárquico | lex superior derrogat inferiori

✓ Critério cronológico | lex posterior derrogat priori

✓ Critério da especialidade | lex specialis derrogat generali

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Ordenamento jurídico: notas caracterizadoras
Plenitude Artigo 8.º CC
(Obrigação de julgar e dever de obediência
à lei)
✓ Inexistência de lacunas
1. O tribunal não pode abster-se de julgar,
✓ A proibição da denegação de justiça – artigo 8.º CC invocando a falta ou obscuridade da lei
ou alegando dúvida insanável acerca
dos factos em litígio.
✓ Inelutabilidade da existência de lacunas
2. O dever de obediência à lei não pode
✓ Mecanismos: ser afastado sob pretexto de ser injusto
ou imoral o conteúdo do preceito
legislativo.
1. Afastar falsas lacunas
3. Nas decisões que proferir, o julgador
2. Analogia legis (10.º/1 CC) terá em consideração todos os casos
que mereçam tratamento análogo, a
3. Analogia iuris – criação de uma norma ad hoc (10.º/3 CC) fim de obter uma interpretação e
aplicação uniformes do direito.

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Ordenamento jurídico: notas caracterizadoras
Plenitude
Artigo 10.º CC
(Integração das lacunas da lei)

1. Os casos que a lei não preveja são regulados segundo a norma aplicável aos casos análogos.

2. Há analogia sempre que no caso omisso procedam as razões justificativas da


regulamentação do caso previsto na lei.

3. Na falta de caso análogo, a situação é resolvida segundo a norma que o próprio intérprete
criaria, se houvesse de legislar dentro do espírito do sistema.

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Ordenamento jurídico: notas caracterizadoras
Independência

✓ Ideia de soberania

✓ Não exclui relações com outros ordenamentos jurídicos

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Ordenamento jurídico: notas caracterizadoras

Estabilidade
✓ Segurança e certeza jurídica

✓ Artigo 6.º CC (princípio ignorantia iuris non excusat)

Artigo 6.º CC
(Ignorância ou má interpretação da lei)

A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta
as pessoas das sanções nela estabelecidas.

✓ Os desafios da crescente proliferação legislativa e descodificação

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Normas
➢ Distinção entre normas e princípios: remissão

➢ A dimensão linguística da norma: a norma como enunciado prescritivo

➢ A estrutura lógica da norma:


− Previsão/hipótese legal/facti species
− Estatuição
− Sanção (?)

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Normas: Se 𝒙, deve ser 𝒚.

estrutura lógica da norma Se não 𝒚, deve ser 𝒘.

Código Civil
Artigo 483.º (Princípio geral)

1. Aquele que, com dolo ou mera culpa, violar ilicitamente o direito de outrem ou qualquer
disposição legal destinada a proteger interesses alheios fica obrigado a indemnizar o
lesado pelos danos resultantes da violação.
2. Só existe obrigação de indemnizar independentemente de culpa nos casos
especificados na lei.

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Normas: Se 𝒙, deve ser 𝒚.

estrutura lógica da norma Se não 𝒚, deve ser 𝒘.

Código Civil
Artigo 1324º (Tesouros)
1. Se aquele que descobrir coisa móvel de algum valor, escondida ou enterrada, não puder
determinar quem é o dono dela, torna-se proprietário de metade do achado; a outra metade
pertence ao proprietário da coisa móvel ou imóvel onde o tesouro estava escondido ou enterrado.
2. O achador deve anunciar o achado nos termos do n.º 1 do artigo anterior, ou avisar as
autoridades, exceto quando seja evidente que o tesouro foi escondido ou enterrado há mais de
vinte anos.
3. Se o achador não cumprir o disposto no número anterior, ou fizer seu o achado ou parte dele
sabendo quem é o dono, ou o ocultar do proprietário da coisa onde ele se encontrava, perde em
benefício do Estado os direitos conferidos no n.º 1 deste artigo, sem exclusão dos que lhe possam
caber como proprietário.

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Normas: características

➢ Imperatividade

➢ Violabilidade

➢ Coercibilidade

➢ Generalidade e abstração

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Normas: classificação
➢ Imperativas/injuntivas
➢ Preceptivas: sentido positivo – impõem uma conduta.
➢ Proibitivas: sentido negativo – vedam uma conduta.

➢ Permissivas/dispositivas
➢ Facultativas: permitem ou autorizam uma conduta.
➢ Supletivas: suprem a falta de manifestação de vontade das partes.
➢ Interpretativas: determinam o sentido e o alcance de uma expressão,
conduta declarativa ou ato das partes.

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Normas: classificação - exemplos
Norma preceptiva
Artigo 11.º/2 do Código da Estrada: Os condutores devem, durante a condução, abster-se da prática
de quaisquer atos que sejam suscetíveis de prejudicar o exercício da condução com segurança.
Norma proibitiva
Artigo 143.º do Código Penal: Quem ofender o corpo ou a saúde de outra pessoa é punido com pena
de prisão até 3 anos ou com pena de multa.
Norma facultativa
Artigo 1698.º do Código Civil: Os esposos podem fixar livremente, em convenção antenupcial, o regime
de bens do casamento, quer escolhendo um dos regimes previstos neste código, quer estipulando o
que a esse respeito lhes aprouver, dentro dos limites da lei.
Norma supletiva
Artigo 1717.º do Código Civil: Na falta de convenção antenupcial, ou no caso de caducidade, invalidade
ou ineficácia da convenção, o casamento considera-se celebrado sob o regime da comunhão de
adquiridos.
Norma interpretativa
Artigo 2262.º do Código Civil: Se o testador legar a totalidade dos seus créditos, deve entender-se, em
caso de dúvida, que o legado só compreende os créditos em dinheiro, excluídos os depósitos bancários
e os títulos ao portador ou nominativos.

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Normas: classificação
➢ Diretas: ditam a solução normativa para a solução de problemas da vida
social. Ex: artigo 483º CC (vd. supra).

➢ Indiretas: normas de segundo grau, dirigidas aos órgãos de aplicação do


direito. Ex: artigo 10.º CC (vd. supra).

➢ Autónomas: o seu conteúdo tem um sentido completo. Ex: artigo 130.º do CC:
Aquele que perfizer dezoito anos de idade adquire plena capacidade de exercício de direitos,
ficando habilitado a reger a sua pessoa e a dispor dos seus bens.

➢ Não autónomas: o seu conteúdo completo só se obtém por referência a


outras normas. Ex: artigo 1324.º/2 do CC.

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Normas: classificação

➢ Universais: normas que se aplicam em todo o território do Estado. Ex:


Leis e Decretos-Leis

➢ Regionais: normas que só se aplicam numa determinada região. Ex:

Decretos Legislativos Regionais.

➢ Locais: normas que se aplicam apenas no território de uma autarquia


local. Ex: Regulamento Municipal.

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Normas: classificação
➢ Gerais: estabelecem o regime-regra de uma determinada disciplina
jurídica.

➢ Especiais: estabelecem um regime diferente do regime-regra.

➢ Excecionais: estabelecem um regime oposto ao regime-regra.

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Normas: classificação - exemplos
✓ A norma do artigo 136.º do CP é especial face à norma do artigo 131.º do CP
Artigo 131.º do Código Penal (Homicídio)

Quem matar outra pessoa é punido com pena de prisão de 8 a 16 anos.

Artigo 136.º do Código Penal (Infanticídio)

A mãe que matar o filho durante ou logo após o parto e estando ainda sob a sua influência perturbadora, é

punida com pena de prisão de 1 a 5 anos.

✓ O Direito Comercial é um direito especial face ao Direito Civil

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Normas: classificação - exemplos
✓ A norma do artigo 1143.º do CC é excecional face à norma do artigo 219.º do CC

Artigo 219.º do Código Civil (Liberdade de forma)

A validade da declaração negocial não depende da observância de forma especial, salvo quando a
lei a exigir.

Artigo 1143.º do Código Civil (Forma)

Sem prejuízo do disposto em lei especial, o contrato de mútuo de valor superior a (euro) 25 000 só é
válido se for celebrado por escritura pública ou por documento particular autenticado e o de valor
superior a (euro) 2500 se o for por documento assinado pelo mutuário.

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Normas: classificação
➢ Mais que perfeitas: normas cuja violação determina a invalidade do ato e a aplicação de
uma sanção (material) ao infrator. Ex: negócio usurário (artigo 282.º e 284.º do CC)

➢ Perfeitas: normas cuja violação determina apenas a invalidade do ato. Ex: anulabilidade dos
atos dos menores (artigo 125.º do CC).

➢ Menos que perfeitas: normas cuja violação determina apenas a aplicação de uma
sanção (material) ao infrator. Ex: coima por funcionamento de estabelecimento após o horário de
funcionamento.

➢ Imperfeitas: normas cuja violação não é acompanhada de qualquer sanção. Ex: obrigações
naturais (artigo 402.º do CC).

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Normas: classificação

➢ Substantivas/materiais: normas cujo conteúdo é dirigido à regulação


de situações jurídicas. Ex: artigo 483.º do CC.

➢ Adjetivas/instrumentais: normas cujo conteúdo é dirigido à regulação


dos procedimentos de que depende a efetivação das normas
materiais. Ex: artigo 72.º do Código de Processo Civil: «Para as ações de divórcio e de
separação de pessoas e bens é competente o tribunal do domicílio ou da residência do autor»

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS: CODIFICAÇÃO
➢ O Código de Hamurabi

➢ O desenvolvimento do “movimento da codificação” (séc. XVIII)

➢ Contém a disciplina fundamental de uma certa matéria ou ramo do


direito, elaborada de forma científico-sistemática e unitária

➢ Distingue-se de:
➢ Estatuto

➢ Leis orgânicas

➢ Leis avulsas/extravagantes

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS: CODIFICAÇÃO

VANTAGENS DESVANTAGENS
Facilita o conhecimento do Direito Rigidez
Favorece coerência Promoção de atitude legalista
Facilita a construção científica do Cristalização do direito
direito e a procura da solução
jurídica

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS: PARTES GERAIS
✓ Destinam-se a dar resposta a um conjunto de questões comuns a
todas as regulamentações particulares que a lei/código regula. Ao
fixar nas “partes gerais” os princípios gerais e disposições comuns à
disciplina jurídica de cada uma das partes particulares, evitam-se
repetições desnecessárias.

✓ Por vezes designadas “Disposições Gerais”


Ex: Código Civil: Livro I – Parte Geral (Livro II – Direito das Obrigações, Livro III – Das Coisas, Livro
IV – Da Família, Livro V – Das Sucessões).

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS: DEFINIÇÕES

➢ Definições e classificações legais

➢ Omnis definitio in iure periculosa est

➢ Natureza descritiva ou prescritiva?

Ex: artigo 202.º e ss. CC.

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS: REMISSÕES
➢ O legislador regula uma questão não de modo direto, mas através
de uma referência a outras normas.
➢ Materiais: a remissão é feita tendo em atenção o conteúdo da norma. Ex: artigo
1485.º CC.

➢ Formais: a remissão é feita tendo em conta o facto de a norma para a qual se remete
ser aplicável em determinado tempo e lugar. Ex: artigos 12.º e 46.º do CC.

➢ Intra-sistemáticas: remissões dentro do mesmo sistema jurídico. Ex: artigo 1485.º CC.

➢ Extra-sistemáticas: remissões para sistemas jurídicos diferentes. Ex: artigo 1625.º CC:

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS: FICÇÕES LEGAIS
Assimilação fictícia de realidades factuais diferentes, para efeito de as sujeitas
ao mesmo regime jurídico.
JOÃO BAPTISTA MACHADO, Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, p. 108

Artigo 805.º CC
(Momento da constituição em mora)
1. O devedor só fica constituído em mora depois de ter sido judicial ou extrajudicialmente interpelado para
cumprir.
2. Há, porém, mora do devedor, independentemente de interpelação:
[…]
c) Se o próprio devedor impedir a interpelação, considerando-se interpelado, neste caso, na data em que
normalmente o teria sido.
[…]

✓ Funções de remissão implícita, restrição ou aclaração

✓ Efeitos semelhantes aos da presunção absoluta

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS: PRESUNÇÕES LEGAIS
Artigo 349.º do Código Civil
Presunções são as ilações que a lei ou o julgador tira de um facto conhecido para firmar um facto
desconhecido

Artigo 350.º do Código Civil


1. Quem tem a seu favor a presunção legal escusa de provar o facto a que ela conduz.
2. As presunções legais podem, todavia, ser ilididas mediante prova em contrário, exceto nos casos em
que a lei o proibir.

✓ Presunções absolutas/iuris et de iure/inilidíveis: não admitem prova em contrário. Ex: artigo


243º/3 CC: Considera-se sempre de má fé o terceiro que adquiriu o direito posteriormente
ao registo da acção de simulação, quando a este haja lugar.

✓ Presunções relativas/iuris tantum/ilidíveis: admitem prova em contrário. Limitam-se a


inverter o ónus da prova. Ex: 1796º/2 CC: A paternidade presume-se em relação ao marido
da mãe […].

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TÉCNICAS LEGISLATIVAS:
CONCEITOS INDETERMINADOS E CLÁUSULAS GERAIS
«A ordem jurídica precisa de assentar em conceitos claros e num arcaboiço de quadros sistemáticos
conclusivos para que seja garantida a segurança ou certeza jurídica. Mas também, por outro lado, e
sobretudo nos tempos actuais, precisa de se abrir à mudança das concepções sociais e às alterações da vida
trazidas pela sociedade técnica – isto é, precisa de adaptar-se e de se fazer permeável aos seus próprios
fundamentos ético-sociais.

Assim, e em conformidade com estes dois tipos de exigências, podemos distinguir no ordenamento jurídico,
por um lado, conceitos “determinados” que formam por assim dizer as estruturas arquitetónicas
consolidadas da ordem jurídica […]; por outro lado, conceitos “indeterminados” e cláusulas gerais que
constituem, por assim dizer, a parte movediça e absorvente do mesmo ordenamento, enquanto servem para
ajustar e fazer evoluir a lei no sentido de a levar ao encontro das mudanças e das particularidades das
situações da vida».

JOÃO BAPTISTA MACHADO, Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, p. 113


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TÉCNICAS LEGISLATIVAS:
CONCEITOS INDETERMINADOS E CLÁUSULAS GERAIS

✓ Conceitos indeterminados: conceitos carecidos de preenchimento valorativo.

Ex: superior interesse da criança, boa fé, bons costumes, culpa leve.

✓ Cláusulas gerais: norma com campo de aplicação aberto, redigido em termos


amplos e indefinidos.

Ex: Artigo 351.º do CT (Noção de justa causa de despedimento): Constitui justa causa de
despedimento o comportamento culposo do trabalhador que, pela sua gravidade e
consequências, torne imediata e praticamente impossível a subsistência da relação de trabalho.

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Orientações de leitura…
…inicial

CARLOS SANTIAGO NINO – Introducción al análisis del derecho, 2.ª ed., pp. 101-108.

JOÃO BAPTISTA MACHADO – Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, pp. 79-82, 91-118.

JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENSÃO – O Direito: Introdução e Teoria Geral, 13.ª ed., pp. 232-234.

MIGUEL NOGUEIRA DE BRITO – Introdução ao Estudo do Direito, 2.ª ed., pp. 17-21, 415-427, 433-439.

NORBERTO BOBBIO – O Positivismo Jurídico: Lições de Filosofia do Direito, p. 199-209.

…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada nos Temas IV e V do livro
de apoio à UC.

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O DIREITO E OS FACTOS
O Direito e os Factos – o direito como facto

✓ O Direito como fenómeno

✓ O contributo das ciências sociais para o estudo


do direito

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O Direito e os Factos – os factos no Direito
O Direito é um facto, lida com factos, cria factos,
pressupõe factos. Sem eles, não é.
Paulo Ferreira da Cunha – Filosofia do Direito, p. 308

✓ Questão-de-facto e questão-de-direito

✓ Factos passados, factos presentes e factos futuros

✓ A prova dos factos: a verdade


Artigo 341º CC
(Função das provas)
As provas têm por função a demonstração da
realidade dos factos.

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O Direito e os Factos – a prova
✓ O valor da prova:

✓ Prova legal: o valor da prova está fixado na lei.

Ex: documentos autênticos – artigo 371.º/1 CC.

✓ Prova livre: a prova não tem valor pré-fixado.

Ex: depoimentos das testemunhas – artigo 396.º CC.

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O Direito e os Factos – os factos no Direito
Artigo 8.º CC
O ónus da prova (Obrigação de julgar e dever de obediência
à lei)

1. O tribunal não pode abster-se de julgar,


Artigo 342.º CC
invocando a falta ou obscuridade da lei
(Ónus da prova) ou alegando dúvida insanável acerca
1. Àquele que invocar um direito cabe dos factos em litígio.
fazer a prova dos factos constitutivos
do direito alegado. 2. O dever de obediência à lei não pode
2. A prova dos factos impeditivos, ser afastado sob pretexto de ser injusto
modificativos ou extintivos do direito ou imoral o conteúdo do preceito
invocado compete àquele contra quem legislativo.
a invocação é feita.
3. Nas decisões que proferir, o julgador
3. Em caso de dúvida, os factos devem terá em consideração todos os casos
ser considerados como constitutivos que mereçam tratamento análogo, a
do direito. fim de obter uma interpretação e
aplicação uniformes do direito.

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O Direito e os Factos
➢ Processo civil:
➢ Princípio do dispositivo

➢ Processo penal:
➢ Princípio do inquisitório
➢ Princípio in dubio pro reo
(corolário do princípio da presunção de inocência – 32.º/2 CRP)

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O Direito e os Factos
✓ Ónus de alegação e prova dos factos

✓ Princípio Iura novit curia

Artigo 5.º CPC


Ónus de alegação das partes e poderes de cognição do tribunal

1 - Às partes cabe alegar os factos essenciais que constituem a causa de pedir e aqueles em que se
baseiam as exceções invocadas.
2 - Além dos factos articulados pelas partes, são ainda considerados pelo juiz:
a) Os factos instrumentais que resultem da instrução da causa;
b) Os factos que sejam complemento ou concretização dos que as partes hajam alegado e resultem da
instrução da causa, desde que sobre eles tenham tido a possibilidade de se pronunciar;
c) Os factos notórios e aqueles de que o tribunal tem conhecimento por virtude do exercício das suas
funções.
3 - O juiz não está sujeito às alegações das partes no tocante à indagação, interpretação e aplicação das
regras de direito.
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O Direito e os Factos
Princípio do pedido

Artigo 609.º CPC


Limites da condenação

1 - A sentença não pode condenar em quantidade superior ou em objeto diverso do que se pedir.
2 - Se não houver elementos para fixar o objeto ou a quantidade, o tribunal condena no que vier a ser
liquidado, sem prejuízo de condenação imediata na parte que já seja líquida.
3 - Se tiver sido requerida a manutenção em lugar da restituição da posse, ou esta em vez daquela, o
juiz conhece do pedido correspondente à situação realmente verificada.

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Orientações de leitura…
…inicial

ÁNGEL LATORRE – Introdução ao Direito, pp. 84-86, 95-97.

MIGUEL TEIXEIRA DE SOUSA – Introdução ao Direito, pp. 19-20; 443-446; 451-456.

PAULO FERREIRA DA CUNHA – Filosofia do Direito, pp. 118, 241-247, 308.

…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada nos Temas VI do livro de
apoio à UC.

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VIGÊNCIA,
VALIDADE E EFICÁCIA
VALIDADE VIGÊNCIA EFICÁCIA

DIMENSÃO IDEAL DIALÉTICA DIMENSÃO EMPÍRICA

Fundamento axiológico Existência social da norma

Fonte: FERNANDO JOSÉ BRONZE, Lições de Introdução ao Estudo do Direito, 3.ª ed., p. 585

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OUTROS MODOS DE OLHAR A QUESTÃO…

✓ A redução da validade à vigência formal

(ex: positivismo normativista)

✓ A redução da validade e da vigência à eficácia

(ex: realismo jurídico escandinavo)

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O PROBLEMA DA LEI INJUSTA
Artigo 8.º CC
(Obrigação de julgar e dever de obediência
à lei)
– A obediência ao Direito
1. O tribunal não pode abster-se de julgar,
– A desobediência civil invocando a falta ou obscuridade da lei
ou alegando dúvida insanável acerca
dos factos em litígio.
– O direito de resistência – 21.º CRP:
2. O dever de obediência à lei não pode
Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os ser afastado sob pretexto de ser injusto
ou imoral o conteúdo do preceito
seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força legislativo.
qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à
3. Nas decisões que proferir, o julgador
autoridade pública.
terá em consideração todos os casos
que mereçam tratamento análogo, a
fim de obter uma interpretação e
aplicação uniformes do direito.

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Orientações de leitura…
…inicial

FERNANDO JOSÉ BRONZE – Lições de Introdução ao Direito, pp. 581-592 (n.º 1 da 14.ª lição).

BRAZ TEIXEIRA – Sentido e Valor do Direito: Introdução à Filosofia Jurídica, 4.ª ed., pp. 160-161 (cap.
III).

MIGUEL REALE – Filosofia do Direito, pp. 586-617.

…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada nos Temas VII do livro de
apoio à UC.

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DIREITO E CIÊNCIA
&
CIÊNCIAS DO DIREITO
Será o Direito uma ciência?

…iurisprudentia est divinarum atque humanarum rerum notitia, iusti


atque iniusti scienti (a jurisprudência é o conhecimento das coisas
divinas e humanas, a ciência do justo e do injusto )
Ulpiano

…jus est ars boni et aequi (o direito é a arte do bom e do justo)


Celso

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Será o Direito uma ciência?
– Expressões “ciência jurídica” ou “ciência do direito” são
recentes
– Século XIX:
✓ Positivismo científico
✓ Modelo de ciência:
✓ Ciências de cariz lógico-dedutivo
✓ Ciências empíricas

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Será o Direito uma ciência?
– Modelo de ciência positiva:
■ Recolha e análise de dados empíricos

■ Elaboração de modelos matemáticos

■ Validação de hipóteses

■ Elaboração de teorias de validade geral, sem limites geográficos

– Tentativa de as humanidades afirmarem o seu carácter


“científico”

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Será o Direito uma ciência?
[…] nada se vê de justo ou de injusto que não mude de qualidade mudando de clima. Três graus de
elevação no polo derrubam a jurisprudência. Um meridiano decide sobre a verdade. Com poucos anos
de vigência, as leis fundamentais mudam – o Direito tem as suas épocas. Estranha justiça que um
regato limita! Justiça aquém dos Pirinéus, injustiça além
BLAISE PASCAL

Enquanto a ciência faz do contingente o seu objeto, ela própria se torna contingente; três palavras
retificadoras do legislador convertem bibliotecas inteiras em lixo
H. J. VON KIRCHMANN

✓ O Direito também tenta afirmar a sua “cientificidade”: a pandectística alemã

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Será o Direito uma ciência?
✓A revisão do conceito de ciência no século XX: Popper e a
falsificabilidade
✓Ciência do Direito – noção:
Atividade ou disciplina de pensamento hermenêutica e heurística ao serviço da revelação e aplicação do
Direito que, integrada na função deste, desenvolve quadros valorativos-conceptivos, contextos de
coerência (sistematizações, «teorias»), tipologias, soluções, seguindo trâmites e critérios racionalmente
controláveis. O produto dessa atividade.
J. BAPTISTA MACHADO, “Ciência do Direito”. In Polis, p. 846.

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Ciências do Direito
Ciência jurídicas humanísticas Ciência jurídicas materiais

Saberes que, não constituindo propriamente


ramos do direito, são mais primariamente Correspondem aos diferentes ramos do
vitais para a compreensão do jurídico. Ex: Direito. Ex:
• Filosofia do Direito • Direito Constitucional
• Teoria do Direito • Direito Penal
• História do Direito • Direito Civil
• Metodologia Jurídica • Direito Administrativo
• Direito Comparado • Direito Tributário
• Antropologia jurídica
• Sociologia do Direito
• Psicologia do Direito

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Orientações de leitura…
…inicial

J. BAPTISTA MACHADO – “Ciência do Direito”. In Polis, pp. 846-852.

ÁNGEL LATORRE – Introdução ao Direito, pp. 101-120.

…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada nos Temas VIII do livro de
apoio à UC.

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SUMMA DIVISIO
DIREITO PÚBLICO
E
DIREITO PRIVADO
Summa Divisio
Publicum ius est quod ad statum rei romanae spectat;
privatum, quod ad singulorum utilitatem pertinent.
ULPIANO, Digesto 1.1.1.2.

✓ Distinção cultural: perspetiva histórica

✓ Relevância prática:
✓ Sistematização do direito

✓ Jurisdição

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Summa Divisio
Critérios de distinção:
a) Critério do interesse
b) Critério da qualidade dos sujeitos
c) Critério da posição dos sujeitos

✓ Cumulação de critérios
✓ Ramos do direito híbridos

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Summa Divisio
Assim, podemos talvez dizer que o direito público é o «direito especial do
Estado», enquanto o direito privado é o «direito de qualquer pessoa»,
sendo certo que também o Estado pode atuar como «qualquer pessoa»,
quando prossegue determinadas tarefas sem recurso a poderes de
autoridade. Enquanto o Estado apenas atua com fundamento e nos
limites da lei, «qualquer pessoa» atua livremente, com fundamento na
sua autonomia privada.
MIGUEL NOGUEIRA DE BRITO – Introdução ao Estudo do Direito, 2.ª ed., p. 66.

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Ramos do Direito
Direito da Direito Constitucional
União Europeia
Direito das Obrigações
Direito Administrativo
Direitos Reais
Direito civil
Direito da Família
Direito Tributário
Direito Direito das Sucessões
Público Direito Comercial
Direito Penal Direito
Privado
Direito do Trabalho
Direito Processual
Direito Internacional
Privado
Direito Internacional
Público

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Princípios de Direito Público
•Princípio do Estado de Direito Democrático
•Princípio da Separação de Poderes
•Princípio da Legalidade
•Princípio da Eficácia
•Princípio da Oportunidade
•Princípio da Imparcialidade
•Princípio da Independência

Princípios de Direito Privado


•Princípio da autonomia privada
•Princípio da liberdade contratual
•Princípio da boa fé contratual
•Princípio da igualdade das partes
•Princípio da proteção da parte mais fraca
•Princípio da responsabilidade

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Princípio do Estado de Direito Democrático
✓ Artigo 2.º da CRP
✓ Estado de Direito e Estado Democrático: implicações mútuas
✓ Estado de Direito:
✓ A sujeição do poder ao Direito
✓ A proteção da pessoa contra o arbítrio e a injustiça

✓ Estado Democrático:
✓ A democracia política
✓ A democracia económica, social e cultural

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Princípio da Separação de Poderes

✓ Artigos 2.º e 111.º da CRP

✓ O exercício diferenciado da soberania

✓ Os órgãos de soberania – artigo 110.º CRP

✓ Separação e interdependência dos poderes

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Princípio da Legalidade

✓ Artigo 266.º, n.º 2 da CRP

✓ Artigo 3.º do Código de Procedimento Administrativo (CPA)

✓ Dimensão negativa – princípio da prevalência da lei

✓ Dimensão positiva – princípio da precedência de lei

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Princípio da Eficácia/Eficiência

✓ Artigo 267.º/2 e 5 da CRP

✓ Artigo 5.º/1 do Código de Procedimento Administrativo (CPA) –


princípio da boa administração: A Administração Pública deve pautar-se por
critérios de eficiência, economicidade e celeridade

✓ Critério de ponderação

✓ Eficiência jurídica

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Princípio da Oportunidade

✓ Distinção entre princípio da legalidade e princípio da oportunidade

✓ O “poder discricionário” como necessidade face à impossibilidade de


exaustiva determinação legal da atividade administrativa

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Princípio da Independência

✓ Artigo 203.º da CRP

✓ Relação com princípio da separação dos poderes

✓ Independência dos tribunais entre si

✓ Sujeição à lei e apenas à lei

✓ Independência dos juízes – inamovibilidade e irresponsabilidade


(artigo 216.º da CRP)

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Princípio da Imparcialidade

✓ Artigo 216.º da CRP

✓ Princípio da dedicação exclusiva

✓ Garantias de imparcialidade – impedimentos, escusas e suspeições


(artigo 115.º ss. CPC)

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Princípio da Autonomia Privada
«A autonomia privada é o princípio de conformação autónoma das relações
jurídicas por parte do indivíduo de acordo com a sua vontade. A autonomia
privada decorre do princípio geral da autodeterminação do homem»
HEINRICH EWALD HÖRSTER, EVA SÓNIA MOREIRA DA SILVA – A Parte Geral do Código Civil Português, 2.ª ed., p. 58.

✓ Auto + nomos

✓ Relação com a liberdade

✓ Limites: a Justiça

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Princípio da Liberdade Contratual
✓ Corolário do princípio da autonomia privada

✓ Artigo 405.º CC
✓ Liberdade de celebração de contratos

✓ Liberdade de modelação do conteúdo contratual

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Princípio da Boa Fé Contratual
«regra de conduta segundo a qual os contraentes devem agir de modo honesto,
correto e leal, não só impedindo assim comportamentos desleais como impondo
deveres de colaboração entre eles»
MOTA PINTO – Teoria Geral do Direito Civil, p. 125.

✓ Abrange período:
✓ Pré-contratual – artigo 227.º/1 CC

✓ Contratual – artigos 236.º, 239.º e 334.º CC

✓ Pós-contratual – artigo 762.º/2 CC

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Princípio da Igualdade das Partes
«O princípio da igualdade jurídica parte da ideia de que todos os homens
possuem, por via de regra, virtualidades iguais – sendo assim susceptíveis de
serem titulares de quaisquer direitos subjetivos ou obrigações, de serem
titulares de quaisquer relações jurídicas de direito privado – apesar das suas
diferenças naturais ou interesses divergentes ou posições sociais diferentes
(…)»
HEINRICH EWALD HÖRSTER, EVA SÓNIA MOREIRA DA SILVA – A Parte Geral do Código Civil Português, 2.ª ed., p. 58.

✓ Critério formal de ordenação das relações entre os particulares

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Princípio da Proteção da Parte Mais Fraca
«(…) uma autonomia privada, baseada numa igualdade formal sem
limitações, conduziria, em etapas sucessivas, à eliminação dos mais
fracos pelos mais fortes e à eliminação da própria autonomia privada»
HEINRICH EWALD HÖRSTER, EVA SÓNIA MOREIRA DA SILVA – A Parte Geral do Código Civil Português, 2.ª ed., p. 62.

✓ Tensões entre igualdade formal e autonomia

✓ Exemplo: regime das cláusulas contratuais gerais

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Princípio da Responsabilidade
«Do mesmo modo que a autonomia privada decorre do princípio geral da
autodeterminação do homem, está correlacionada com a natureza
humana que este responde pelos seus actos»
HEINRICH EWALD HÖRSTER, EVA SÓNIA MOREIRA DA SILVA – A Parte Geral do Código Civil Português, 2.ª ed., p. 77.

✓ Relação com o princípio da autonomia privada

✓ Princípio geral casum sentit dominus

✓ Responsabilidade pelos danos causados

(responsabilidade contratual/responsabilidade extracontratual)

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Orientações de leitura…
…inicial

FERNANDO JOSÉ BRONZE – Lições de Introdução ao Direito, 3.ª ed., 2.ª lição.

JOÃO BAPTISTA MACHADO – Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, pp. 64-74, 114-116.

MIGUEL NOGUEIRA DE BRITO – Introdução ao Estudo do Direito, 2.ª ed., pp. 66-83.

J. J. GOMES CANOTILHO, VITAL MOREIRA – Constituição da República Portuguesa anotada, 4.ª ed., vol. I e
II, anotações aos artigos 2.º, 111.º, 203.º, 216.º, 266.º (n.º VII e VIII), 267.º (n.º XIV).

HEINRICH EWALD HÖRSTER, EVA SÓNIA MOREIRA DA SILVA – A Parte Geral do Código Civil Português, 2.ª
ed., pp. 57-75.

…para maior aprofundamento, veja-se a demais bibliografia referenciada no Tema IX do livro de


apoio à UC.

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