Você está na página 1de 62

Máquinas Eléctricas Transformadores

Transformadores

Energia Energia
eléctrica mecânica

Figura 2.1

1. Introdução

Um transformador é um dispositivo que transforma uma corrente alternada sinusoidal (ver cap.
Electromagnetismo – Lei de Lenz-Faraday), com uma determinada tensão, numa corrente eléctrica
sinusoidal, com uma tensão eventualmente diferente, sendo esta transformação realizada através da
acção de um fluxo magnético. É portanto algo que transforma energia eléctrica em energia eléctrica
(com características diferentes), mantendo uma independência eléctrica – não há qualquer ponto de
ligação eléctrica – entre as duas tensões do transformador. Dado, ainda, o princípio de conservação de
energia, é óbvio que se mantém a potência (P = W/t) igual, dum lado e doutro do transformador, o que
faz com que alterações em termos de tensão, provoquem alterações em termos de corrente, mantendo-
se a energia que “entra” igual à energia que “sai”.

A criação do fluxo magnético é realizada com uma bobine de fio (ver capítulo Electromagnetismo ),
através da qual se faz passar uma corrente eléctrica variável no tempo (lei de Lenz-Faraday). O valor de
tensão diferente, é obtido colocando uma segunda bobine de fio enrolada em torno da mesma peça de
ferro, bobine que vai ser influenciada pelo fluxo magnético criado pela primeira bobine. A primeira
bobine, onde se liga a fonte de tensão, é chamada de primário (ou enrolamento primário) e a segunda

primário secundário

i (t)

Figura 2.2

bobine, onde se vai buscar a tensão diferente, é chamada de secundário (ou enrolamento secundário).

Eduardo Paiva 1/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

Este tipo de máquina eléctrica é reversível. Isto é, se se obtém um valor de tensão X no

5V
230 V

5V
230 V

Figura 2.3

secundário à custa da presença de uma tensão Y no primário, então aplicando uma tensão X ao
secundário obter-se-á uma tensão Y no primário – figura 1.2.

2. Necessidade de transformadores

O transformador é um dos equipamentos eléctricos de enorme utilização, dado que permite


ajustar tensões e correntes às necessidades existentes.

De facto se pensarmos na nossa forma de


abastecimento de energia eléctrica, desde logo
concluímos que, face à enorme quantidade de
utilizadores, a potência necessária é também enorme.
Também o facto de as fontes de produção terem que
estar concentradas – economias de escala – introduz,
salvo raras excepções, distâncias elevadas entre a
produção da energia eléctrica e o seu consumo. Figura 2.4
Concluíndo, temos uma enorme potência eléctrica a
transportar a uma elevada distância, o que, à luz do nossos conhecimentos, introduzirá elevadas perdas
de Joule – energia dissipada em forma de calor [Pjoule = RI2 ] – o que não é, nitidamente, o objectivo
pretendido.

Por exemplo, uma central hidroeléctrica tem um gerador de 300 MVA, a 60 kV. A energia
eléctrica produzida abastece uma cidade a 50 km de distância, através de um cabo com resistência de
0,2 Ω/km. Teremos, portanto, uma corrente de 300.000.000/60.000 = 5.000 A, a transportar por um
cabo com resistência 50x0,2 = 10 Ω, o que introduziria perdas de Joule de 10x(5.000)2 = 250x106 W
(250.000.000 W). É evidente que, este valor de potência dissipada é incomportável – dos 300 MVA
iniciais (considerando um factor de potência unitário para facilidade de entendimento), apenas
chegariam 50 MVA, ou seja 17%, servindo os restantes 83% para “aquecer” a atmosfera.
Sendo a energia dissipada por efeito de Joule, função do quadrado da intensidade, podemos
baixar drasticamente esse valor, se se conseguir reduzir o valor da corrente. De facto, tendo o
transformador capacidade de transformar tensões e mantendo-se o princípio de conservação de energia
(Pprimário = Psecundário ), deduz-se que elevando a tensão se abaixará a corrente (P = VI), que é o efeito
pretendido. Assim, na central hidroeléctrica, à saída do gerador, coloca-se um transformador elevador
(Vsecundário > Vprimário ) obtendo-se uma corrente, no secundário, mais baixa (Isecundário < Iprimário ) o que
provocará perdas de Joule menos elevadas. No destino, como a tensão foi elevada para valores muito
altos (na origem), coloca-se um transformador abaixador (ou redutor), agora com o efeito contrário –
baixar a tensão e elevar a corrente.

Eduardo Paiva 2/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

Existem outras utilizações para os transformadores, que serão mencionadas adiante, tais como
isolamento eléctrico e medição de correntes.

3. Tipos de transformadores

Potência
O objectivo é transformar potência – V1 , I1 – num lado, em potência – V2 , I2 – no outro
lado, mantendo-se a frequência.
A relação entre a tensão presente num lado e a tensão presente no outro, é chamada a
relação de transformação – rt . Por exemplo, no caso da figura 1.3 a), a relação de transformação
no 1º caso é de
rt = V1 V = 2305 = 46
2

Corrente
O objectivo é que uma corrente induza, no enrolamento do transformador, uma fem. Essa
femi é proporcional à corrente que a criou, donde, medindo a fem, saber-se-á a corrente.

femi

Figura 2.5

Isolamento
É um caso particular do transformador de potência, no qual a tensão no secundário é igual à
tensão no primário – rt = 1. O objectivo é obter um isolamento eléctrico entre o circuito ligado ao
primário e o circuito ligado ao secundário.

Autotransformador
É um caso particular de transformador de potência, com um
único enrolamento, dividido em dois. A tensão de “saída” é obtida à
custa da divisão de tensão do enrolamento, como se pode ver na
figura.
N1
Este tipo de transformador é mais barato (um único
enrolamento), no entanto não isola o circuito eléctrico primário do VP
circuito eléctrico secundário. Havendo, por exemplo uma quebra nas
espiras N2 , a tensão VS torna-se igual à tensão VP .
Para este tipo de transformador a relação entre as tensões é N2 VS
dada por:
N2
VS = ⋅V
N1 + N 2 P
Figura 2.6

Eduardo Paiva 3/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

4. Representação esquemática do transformador

vP vS

Figura 2.7 (a) Figura 2.7 (b)

Electricamente, o transformador é representado simbolicamente como na figura 2.7 (a) ou como


na figura 2.7 (b), sendo os enrolamentos primário e secundário, sujeitos às tensões v P e v S,
respectivamente. Era habitual representar também o núcleo de ferro (que realiza o acoplamento
magnético) com dois traços entre os dois enrolamento, mas tal tem vindo a ser abandonado.

5. Modelização do transformador

Transformador ideal

É um transformador sem perdas, isto é, a potência eléctrica obtida no secundário é igual à


potência eléctrica injectada no lado do primário.

O transformador representado na figura 2.8,


NP
possui NP espiras de fio no primário e NS espiras de vP (t) vS (t)
NS
fio no secundário.
A relação de transformação para este
transformador é dada por:

vP (t ) N P Figura 2.8
rt = =
v S (t ) N S

como estamos a considerar o transformador sem perdas:

SP = SS

v P iP = v S iS
v P iS
=
vS i P

isto é, a relação de transformação é:

N P v P (t ) is (t )
rt = = =
N S v S (t) iP (t )

Eduardo Paiva 4/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

Transformação de impedâncias

A impedância é definida como:

V
Z=
I
como o transformador altera os valores de tensão e de corrente, altera também a razão entre
eles e, consequentemente, o valor das impedâncias.
i i
P S
Considerando a figura 1.7, em que uma tensão é
aplicada ao primário de um transformador e a tensão do vP vS Z
secundário alimenta uma carga de impedância Z, cujo valor
é dado por:
v
Z= S Figura 2.9
iS

A impedância aparente (impedância Z vista do lado do primário, tendo o transformador


pelo meio) – Z’ – é dada por:

vP
Z' =
iP

Como a relação de transformação é: v P = rt v S e iP = iS /rt , vem: iP

vP rt vS v
Z' = = = rt2 S
iP is iS vP Z’
rt

Z ' = rt2 ⋅ Z Figura 2.10

ou seja, poderemos sempre “passar” uma impedância, ligada ao secundário, para o


primário, aplicando a expressão anterior, obtendo um circuito equivalente ao apresentado na
figura 1.8.

6. Transformador real – circuito eléctrico equivalente

Tendo qualquer transformador, real, perdas, estas terão que ser consideradas, mesmo quando
apenas ao nível de utilização da máquina – determinação do rendimento, que relaciona a energia
fornecida e a energia utilizada. Às perdas já referidas no electromagnetismo (perdas por correntes
induzidas, perdas por histerese e perdas por dispersão magnética) vêm adicionar-se as perdas de Joule
nos enrolamentos primário e secundário, visto que têm resistência e por elas passam as correntes do
primário e do secundário.

Entrando em conta com as referidas perdas, teremos o circuito eléctrico equivalente do


transformador – figura 2.11:

Eduardo Paiva 5/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

RP XP Rs Xs
Im

RC
Xm

Transformador ideal

Figura 2.11

Em que:

R P, R S resistência do enrolamento primário e secundário, respectivamente.


XP, XS reactância de fuga
RC perdas por correntes de Eddy e por histerese
Xm reactância de magnetização (permeabilidade, do ferro, finita)

As perdas referidas estão exemplificadas na figura 2.12

“fugas” de fluxo – XP e XS

Efeito de Joule – RP e RS

NP
vP vS
NS
(t)
(t)
i i
i i

Figura 2.12

Estas imperfeições dos circuitos eléctrico e magnético, que permitiram idealizar o circuito
eléctrico equivalente, indicam-nos as perdas no transformador, mas não nos dão qualquer
indicação sobre a forma de onda da corrente, obtida no secundário. A não linearidade da curva de
magnetização do ferro utilizado no núcleo, permite mostrar qual a forma da tensão obtida no
secundário de um transformador – figura 2.13 – onde se pode constatar que, embora a onda de
entrada seja sinusoidal, já a onda de saída apresenta distorção, isto é, não é rigorosamente
sinusoidal.

Eduardo Paiva 6/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

curva de magnetização
semi-ciclo do núcleo de ferro
de fluxo

femi resultante

Figura 2.13

A determinação dos valores analíticos relacionados com as referidas perdas, pode ser
realizada através de testes ao transformador – ensaio em curto circuito e ensaio em vazio.

7. Testes ao transformador

Ensaio em vazio

O secundário é deixado em aberto I W


(não ligado a qualquer carga), sendo o
enrolamento primário ligado à tensão i
nominal. Dado que o secundário está em
v (t) ~ V

vazio, nenhuma corrente flui nele e,


consequentemente:

a) nenhuma energia é transmitida Figura 2.14


para aquele ramo do circuito
b) as perdas de Joule, no
enrolamento secundário, são nulas

Verifica-se, entretanto, que o watímetro e o amperímetro, inseridos no circuito do primário,


mostram valores não nulos – esta energia é “gasta” no enrolamento primário (Joule) e no núcleo
de ferro (Eddy e histerese). Dado que o valor de RP e XP são muito inferiores a RC e Xm,

Eduardo Paiva 7/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

poderemos dizer que a energia gasta neste ensaio é atribuível às perdas de Eddy e de Histerese,
denominadas de perdas no ferro – PFE
Além deste valor de perdas, poderemos ainda determinar o factor de potência do
transformador, em vazio. Este valor é importante, pois muitas vezes o transformador é deixado
sem carga, tendo, do ponto de vista do fornecedor de energia, energia reactiva (consumida ou
produzida) que importa conhecer. Assim, sendo a potência activa dada por:

P = VI cosϕ , poderemos dizer que, em vazio:

P0 = Vn I 0 cosϕ 0

isto é, que:

P0
cos ϕ0 =
Vn I 0

em que P0 é o valor da potência, lida no wattímetro e I0 o valor da corrente, lida no


amperímetro.

Ensaio em curto-circuito
I W
O secundário é curto I
i
circuitado e aumenta-se a v
(t)
V~ In

tensão no primário até que a


corrente no secundário atinja
o valor nominal.
Note-se que, estando o
secundário em curto circuito, Figura 2.15
a sua impedância é quase
nula, donde, a tensão necessária, no primário, para obter essa corrente, é muito pequena 1 . É,
assim, necessário possuir uma fonte de tensão regulável para alimentar com um valor reduzido o
enrolamento primário2 .

Como neste ensaio a tensão no primário é reduzida, então a corrente que flui no
enrolamento (IP ) é também reduzida.

Este ensaio permite conhecer, também, o valor da corrente de curto circuito do secundário
(e, através da relação de transformação, a corrente de curto circuito do primário), fazendo uma
regra de três simples – se com uma tensão VPcc se obtém a corrente nominal no secundário, então
com a tensão nominal no primário (e um curto circuito no secundário) obter-se-á a corrente de
curto circuito. O conhecimento deste valor é de fundamental importância para a determinação de
algumas grandezas relacionadas com dispositivos de protecção na instalação eléctrica, à qual o
transformador pertence.

1
Se a tensão no primário fosse a nominal, a corrente no secundário seria extremamente elevada, danificando esse
enrolamento (IS = VS / ZS)
2
Estamos a supor um transformador abaixador

Eduardo Paiva 8/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

V1cc 
→ I 2 n V1n
I 2cc = ⋅ I 2n
V1n 
→ I 2 cc V1cc

É habitual este valor surgir em função da tensão de curto circuito, em percentagem.

V1n
I 2CC = ⋅ I 2n
VCC %

8. Rendimento

Determinadas as perdas, poderemos determinar o rendimento do transformador.

Define-se o factor de carga (C), como sendo a relação entre a corrente do secundário do
transformador, num determinado momento, e a sua corrente nominal, isto é:

I2
C=
I 2n

As perdas no Ferro são praticamente constantes, qualquer que seja a carga do


transformador.
As perdas no Cobre dependem do factor de carga, já que a sua expressão é:

PCu = R P ⋅ I P2 + RS ⋅ I S2

podemos então definir o rendimento do transformador como:

Psaída PS PS VS I S cosϕ
η= = = =
Pentrada PP PS + Perdas VS I S cos ϕ + PCu + PFe

que tem o seu valor máximo, quando PFe = PCu, ou seja quando o factor de carga C ≈ ¾

η
PCu

PFe

1/4 2/4 3/4 4/4


C

Eduardo Paiva Figura 2.16 9/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

9. Arrefecimento de transformadores

Dada a existência de perdas por efeito de Joule, haverá aquecimento dos enrolamentos do
transformador, aquecimento esse, que deverá ser dissipadoi. Dependendo da potência em jogo, essa
dissipação poderá revestir-se de maior ou menor importância. Para transformadores de pequena
potência (I ( ⇒ Ejoule () essa dissipação processa-se por convecção natural. Para transformadores de
média potência essa dissipação é realizada mergulhando os enrolamentos em óleo mineral que, para
além de melhorarem o factor de dissipação, aumentam o isolamento eléctrico3 . Para transformadores
de elevada potência adiciona-se a convecção forçada do óleo.

10. Paralelo de transformadores

O paralelo de transformadores, por exemplo, para aumentar a


potência que se tornou4 necessária a uma instalação, deverá obedecer
a algumas regras, tais como valores de tensão iguais e índice horário
igual.

De facto, fazendo o paralelo de 2 transformadores cujos


valores de tensão no secundário (e no primário) não sejam iguais, vai
criar uma diferença de potencial entre os dois, com a consequente
circulação de corrente entre os transformadores. Este facto não
poderá ocorrer.
Figura 2.17

Já o respeito pelo índice horário (índice que indica de que forma a tensão no secundário se
relaciona com a tensão no primário, em termos de desfasamento), é menos evidente, embora
igualmente importante para o bom funcionamento dos equipamentos.
De facto é também necessário, para além dos níveis de tensão iguais, que as tensões do
secundário do novo transformador estejam em fase com as tensões do secundário do transformador
existente, dado que se não estiverem vamos ter diferentes valores de amplitude, num e noutro
transformador, o que implica uma diferença de potencial entre os dois – situação análoga à anterior.
ddp
V

VS2

VS1

Figura 2.18

3
melhoram o isolamento entre os elevados potenciais, presentes nos enrolamentos, e a terra (potencial nulo)
4
Por exemplo porque se aumentou a capacidade de produção, com mais máquinas

Eduardo Paiva 10/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

transformador
suplementar

12 kV

A B C A B C

A’ B’ C’ A’ B’ C’

a b c a b c

Indíce horário não igual


a’ b’ c’ a’ b’ c’

400
V

Figura 2.19
.

V V
A A 12 Tensão mais elevada
V Vb Vc
a

Vb 9 3
Vc VB
VB VC Va
VC
Tensão menos
6 elevada

Yy0 Yy6

Figura 2.20

Na figura anterior, temos a referência Yy0 e Yy6. Esta simbologia tem a seguinte interpretação:
as duas primeiros letras dizem como estão ligados os enrolamentos do lado de tensão mais elevada
(letra maiúscula) e do lado da tensão menos elevada (letra minúscula) e o dígito que se lhes segue
significa o quanto a tensão secundária aparecerá desfasada, relativamente à tensão primária que
alimentará o transformador.
O valor do dígito corresponde ao valor das horas de um relógio, isto é 12 horas correspondem a
360º, ou seja cada hora corresponde a 30º. Portanto Yy6 significa que o desfasamento corresponde às
seis horas, isto é o desfasamento é de 180º

VS

VP

Figura 2.21

Eduardo Paiva 11/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

11. Queda de tensão em carga

Se se medir o valor da tensão do secundário de um transformador, quando este está em vazio


(nenhuma carga ligada ao secundário), obteremos um valor que é diferente do valor da tensão do
secundário quando este alimenta uma ou mais cargas.

i=0 i≠0

~ ~

Figura 2.22

Esta diferença decorre do facto de que, no primeiro caso, a corrente no circuito secundário
ser nula, já que não tem nenhuma carga ligada. Ao ligarem-se cargas ao secundário (2º caso), vai
fluir uma corrente eléctrica no circuito secundário, que, tendo em conta que o enrolamento do
secundário tem uma certa resistência, vai provocar uma queda de tensão no próprio enrolamento.
Esta queda de tensão vai subtraír-se à queda de tensão induzida, sendo o resultado prático uma
tensão em carga, inferior à tensão em vazio.
Note-se que, em transformadores de reduzida potência, a corrente no secundário é pequena,
bem como é pequena a resistência do seu enrolamento, o que leva a que a queda de tensão, para
este caso, é muito reduzida – isto é, não há grande diferença entre uma e outra. Já o contrário se
passa em transformadores de elevada potência. Daí que a especificação da tensão do secundário é
diferente, consoante se trate de um transformador de reduzida ou de elevada potência – no
primeiro caso (S < 16 kVA), a tensão especificada para o secundário é a da tensão em carga; no
segundo caso (S > 16 kVA), a tensão especificada é a da tensão em vazio

12. Notações utilizadas

Letra maiúscula – tensão mais elevada


Letra minúscula – tensão menos elevada

Designação das formas de ligação (para transformadores trifásicos):


Y – estrela
D – triângulo
Z – zig-zag

dYn : lado da tensão mais elevada ligado em estrela, com neutro acessível; lado
da tensão menos elevada ligado em triângulo

Eduardo Paiva 12/13


Máquinas Eléctricas Transformadores

13. Formas de ligação de transformadores trifásicos

Seguidamente apresentam-se as diferente formas de ligação dos enrolamentos de


transformadores trifásicos:

Ligação em estrela Ligação em triângulo Ligação em “zig-zag”

1 1
V fase = ⋅V I fase = ⋅I
3 linha 3 linha
Ø Menor isolamento Ø Menor secção (condutores) Ø Fluxos c sentidos contrários (mesma coluna)
Ø Neutro ⇒ 2 tensões Ø Pode manter 2 fases Ø Permite desiquilibrio de cargas

Figura 2.23

As duas primeiras formas já são conhecidas (ver capítulo Bases de corrente alternada). Já a terceira
forma – ligação em zig-zag – é nova. Esta forma pressupõe a partição de cada um dos três
enrolamentos em dois semi-enrolamentos, interligados da maneira apresentada na figura – é uma
espécie de estrela “desmembrada”.

14. Alternativa entre transformadores monofásicos e trifásicos

Existe uma alternativa a um transformador trifásico, que consiste na utilização de três


transformadores monofásicos (cada um deles ligado a uma fase). Esta alternativa tem as suas
vantagens e as suas desvantagens.
O transformador monofásico:
- é mais leve, logo mais facilmente transportável
- tem menores dimensões, logo é mais fácil arrumá-lo e pode reduzir o stock para 1/3
- na eventualidade de um defeito numa fase, podem manter-se os outros dois em
funcionamento (isto é mantêm-se com duas fases em funcionamento)
O transformador trifásico:
- ocupa menos espaço e é menos pesado, que três monofásicos
- é mais barato (devido à poupança em isoladores)
- tem maior rendimento

i
A questão da necessidade de dissipação da energia calorífica, prende-se com o encurtamento da duração de vida do
isolante dos enrolamentos.

Eduardo Paiva 13/13


TEMA DA AULA

TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA

PROFESSOR: RONIMACK TRAJANO DE SOUZA


TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA

Transformadores são máquinas de operação estática que transferem


energia elétrica de um circuito para outro (circuito primário, para um
ou mais circuitos denominados, respectivamente secundário e
terciário) por meio do princípio da indução eletromagnética.

Transformadores são destinados a rebaixar ou elevar a tensão e,


consequentemente, elevar ou reduzir a corrente de um circuito, com
frequência constante, ou ainda modificar os valores das impedâncias
de um circuito elétrico, ajustando a impedância do estágio seguinte à
impedância do anterior (casamento de impedância).

O casamento de impedância pode ser realizado visando à maximização da potência


ativa fornecida para a carga ou a minimização da potência reativa fornecida.
TRANSFORMADOR IDEAL
Um transformador ideal é aquele em que não se tem perdas de
acoplamento, o que implica que o fluxo magnético Φ no primário é
concatenado integralmente pelo circuito secundário.

Neste caso, a permeabilidade magnética do núcleo ferromagnético


seria infinita, com o circuito magnético fechado.

Resumindo, no transformador ideal:

 A permeabilidade magnética do núcleo é infinita.


 Todo o fluxo é confinado no núcleo e, portanto, envolve todas as
voltas dos dois enrolamentos.
 As perdas no núcleo e na resistência dos enrolamentos são nulas.
TRANSFORMADOR REAL

A transferência de energia é efetuada com baixa perda de potência. A


fração de potência que não é transmitida do primário para o
secundário deve-se as perdas (cobre e ferro) que dependem
basicamente da construção do transformador, do seu regime de
funcionamento e da manutenção nele efetuada.

As perdas no ferro são determinadas pelo fluxo estabelecido e as


perdas no cobre, por efeito joule, dependem da corrente que
circulam nos enrolamentos e na carga.

Importante salientar que os circuitos não são ligados fisicamente, ou


seja, não há conexão condutiva entre eles.
TRANSFORMADOR – CIRCUITO MAGNÉTICO
TIPOS DE TRANSFORMADORES

(a) (b) (c)

(a) Transformador até 300kVA (b) Transformador até 1000kVA


(c) Transformador acima de 1000kVA
TRANSFORMADOR – PARTES CONSTITUINTES
Um transformador é formado basicamente de:

 Enrolamentos são formados de várias bobinas, que em geral são


produzidas com cobre eletrolítico e recebem uma camada de
verniz sintético como isolante.

 Núcleo produzidos a partir de material ferromagnético, sendo o


responsável por confinar o fluxo magnético, de modo que o fluxo
que envolve um dos enrolamentos envolva também o outro e,
assim, possibilita a máxima transferência de potência do
enrolamento primário ao secundário.

 Acessórios (radiador, buchas isolantes, terminais de conexão


elétrica, chave comutadora de tap, placa de identificação, et.)
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS PADRÃO
1. Válvula de alívio sem contato
(≥750kVA)
2. Secador de ar sílica-gel *
3. Tubo de enchimento do
conservador de óleo;
4. Conservador de óleo;
5. Bolsa para termômetro;
6. Olhal para suspensão do
conservador de óleo;
7. Visor de nível do óleo;
8. Radiadores;
9. Caixa de blocos Terminais;
10. Placa de identificação;
11. Válvula de drenagem e
retirada de amostra de óleo;
12. Apoio para macaco
13. Rodas bidirecionais (E.E.);
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS PADRÃO
14. Dispositivo de aterramento
(cabo de 6 a 70mm²)
15. Bucha de baixa tensão
16. Janela de inspeção
17. Acionamento externo do
comutador
18. Bucha de alta tensão
19. Olhal para suspensão
20. Válvula para conexão de
filtro Øn1" Gás
21. Caixa com flange
22. Indicador nível de óleo
23. Indicador de temperatura
24. Relé de gás tipo Buchholz
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES

Termômetro de óleo (ITO) e de imagem térmica (ITE)


O termômetro é utilizado para indicação da temperatura do óleo e do
enrolamento. Existem dois tipos: o termômetro com haste rígida e o
termômetro com capilar.
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES

Controladores microprocessados de
temperatura
Este equipamento recebe o valor da resistência
de um sensor, geralmente PT100, e o transforma,
através de um transdutor incorporado em
temperatura equivalente, a qual é vista no
monitor de temperatura, com painel frontal
digital.

Desempenham diversas funções de controle e


acionamento de contatos, sendo que através do
teclado frontal podemos configurar os
parâmetros de sua atuação e ler os valores
medidos e configurados.
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES

Dispositivo de alívio de pressão


Os dispositivos de alívio de pressão são instalados em
transformadores imersos em líquido isolante com a finalidade de
protegê-los contra possíveis deformações ou ruptura do tanque, em
casos de defeito interno, com aparecimento de pressão elevada.
Possuem ou não contatos elétricos a fim de acionar o desligamento
do circuito.
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES

Conservador de óleo
O conservador de óleo é um acessório destinado a compensar as
variações de volume de óleo decorrentes das oscilações de
temperatura e da pressão.
Tem a forma cilíndrica, com o seu eixo disposto na horizontal.
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES

Secador de ar
O secador de ar é composto de um
recipiente metálico, no qual está
contido o agente secador (sílica-gel), e
uma câmara para óleo, colocada após o
recipiente (que contém o agente)
isolando-o da atmosfera.
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES
Secador de ar
Durante o funcionamento normal do transformador, o óleo aquece e
dilata, expulsando o ar do conservador através do secador.

A diminuição da temperatura do óleo, provoca a redução do volume.


Forma-se, então, uma depressão de ar no conservador e o ar
ambiente é aspirado através da câmara e do agente secador, o qual
absorve a umidade contida no ar, que entrará em contato com o óleo.
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES

Relé de gás (tipo Buchholz)


Tem por finalidade proteger aparelhos
elétricos que trabalham imersos em
líquido isolante. É instalado em
transformadores justamente para, em
tempo hábil, indicar por meio de alarme
ou através do desligamento do
transformador, defeitos como: perda de
óleo, descargas internas, isolação
defeituosa dos enrolamentos, do ferro
ou mesmo contra a terra.
As análises físico-químicas e cromatográficas (Análise de Gás
Dissolvido) permitem diagnosticar o estado de operação do trafo.
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES

Indicador de nível de óleo


Têm por finalidade indicar o nível do líquido isolante e, ainda, quando
providos de contatos para alarme ou desligamento, servirem como
dispositivos de proteção do transformador.

O mostrador possui três indicações, conforme abaixo:


• MIN, (nível mínimo); • 25ºC, (à temperatura ambiente de referência
(25ºC); • MAX, que corresponde ao nível máximo..
TRANSFORMADORES - ACESSÓRIOS E COMPONENTES
TRANSFORMADORES - PERDAS
As perdas são traduzidas em “escoamentos de potência”, que fazem
com que a potência de saída do transformador seja diferente da
potência de entrada.

A potência absorvida pelo transformador é dissipada, em forma de


calor, pelos enrolamentos e pelo núcleo de ferro.

Basicamente, existem quatro tipos de perdas importantes nos


transformadores de potência:

 Perda no cobre
 Correntes de Foucault
 Perda por histerese
 Fluxo de dispersão
TRANSFORMADORES - PERDAS
Perdas no cobre são decorrentes da resistência ôhmica das bobinas,
provocando pelo efeito Joule que ocorre nos condutores dos
enrolamentos do transformador ao serem percorridos pela corrente
elétrico.

Estas perdas são desprezíveis quando o transformador opera em vazio


(sem carga) e são máximas quando o transformador opera em carga
máxima.

Em vazio, as perdas no cobre correspondem à corrente de


magnetização que percorre o enrolamento primário do
transformador, e sob carga corresponde à corrente absorvida pela
carga ligada aos seus terminais secundários.
TRANSFORMADORES - PERDAS

Correntes de Foucault: são também conhecidas como correntes


parasitas. Estas correntes circulam no interior do núcleo do
transformador quando este é submetido a um fluxo variante no
tempo, provocando perdas por efeito Joule.

Esta perda é proporcional ao quadrado da tensão aplicada no


transformador, e pode ser reduzida laminando-se o núcleo do
transformador.
TRANSFORMADORES - PERDAS CORRENTE DE FOUCAULT

Quando um corpo metálico é submetido a uma variação de fluxo


magnético, gera-se uma força eletromotriz que produz a circulação de
correntes elétricas no seu interior, provocando perda de potência.

As perdas por correntes de Foucault, de forma simplificada, referida a


1 kg de lâmina de ferro-silício são dadas por:

Sendo:
Pcf - perdas por correntes de Foucault em W/kg de núcleo ;
Bm - indução (valor máximo) no núcleo em gauss;
F - frequência em Hz;
E - Espessura da chapa em mm;
K - coeficiente de Steimmetz (depende do material) ;
TRANSFORMADORES - PERDAS POR HISTERESE

Perda por histerese: está associada à reorganização dos momentos


magnéticos atômicos do material ferromagnético que compõe o
núcleo do transformador. Cada vez que o ciclo de histerese é
percorrido, uma parcela de energia é gasta para que estes momentos
magnéticos sejam realinhados.
TRANSFORMADORES - PERDAS POR HISTERESE

Considerando que o fluxo magnético na condição de carga ou à vazio


é praticamente o mesmo, as perdas por histerese são dadas por:

Sendo:
Phm - perdas por histerese em Watt por quilograma de núcleo;
K - coeficiente de Steimmetz (depende do material) ;
Bm - indução (valor máximo) no núcleo em gauss;
F - freqüência em Hz.
TRANSFORMADORES - PERDAS

Fluxo de dispersão: os fluxos magnéticos que concatenam com


apenas um enrolamento e cujas trajetórias são definidas
majoritariamente através do ar são denominados fluxo de dispersão.

Estes fluxos traduzem-se em uma indutância própria para ambas as


bobinas, e seus efeitos são representados pela adição de uma
reatância indutiva de dispersão em série com cada um dos
enrolamentos.
TRANSFORMADORES - PERDAS EM CARGA

Corresponde a potência ativa absorvida na frequência e correntes


nominais, estando os terminais secundários em curto-circuito.

As perdas em cargas são causadas pela resistência ôhmica das


bobinas, denominadas perdas no cobre. Elas são desprezíveis para o
transformador em vazio e máxima para o transformador em carga,
sendo assim expressas para 1 kg de fio de cobre:

Sendo:
Pcu - perdas no cobre em W/kg;
D - densidade de corrente em A/mm², tomada como média das
densidades de corrente dos enrolamentos primário e secundário.
TRANSFORMADORES - PERDAS TOTAIS

As perdas totais do transformador em qualquer regime de carga pode


ser expresso por:

Sendo:
Pt – perdas totais no transformador, em W;
Fc - fator de carga
Pfe - perdas totais no ferro, em W, dado por:

Sendo:
Pcfn - perdas por correntes de Foucault em W;
Phmm - perdas por histerese em Watt;
TRANSFORMADORES - RENDIMENTO
O rendimento de um equipamento pode ser definido como a relação
entre as potências de saída e entrada. No caso de transformadores, o
rendimento é a relação entre a potência elétrica fornecida pelo
secundário e a potência absorvida pelo primário.

Sendo:
Psaida=potencia transferida do primário para o secundário
Pperdas= perdas no ferro e perdas no cobre

Sendo:
Snt - potência saída do transformador.
TRANSFORMADORES - RENDIMENTO

O rendimento do transformador é máximo quando as perdas no


cobre são iguais às perdas no ferro e que o valor da corrente para
esse rendimento é menor que o valor da corrente nominal.

É evidente que em circuito aberto (em vazio) e em curto-circuito o


rendimento é nulo, visto que em ambos os casos não há carga ligada
ao secundário do transformador.

Em circuito aberto não há potência útil porque não há corrente, e em


curto-circuito não há potência útil, tendo em vista que a carga é
apenas o núcleo e os enrolamento dos transformador.
TRANSFORMADORES - CURVAS DE RENDIMENTO
TRANSFORMADORES - REGULAÇÃO DA TENSÃO

A regulação de tensão de um transformador é a variação na tensão


terminal do secundário, entre circuito aberto e em plena carga,
considerando a tensão do primário constante, sendo usualmente
expressa como percentagem do valor da tensão em plena carga.
TRANSFORMADORES - IMPEDÂNCIA PERCENTUAL

Conhecida também como tensão nominal de curto-circuito,


representa numericamente a fração da tensão nominal no primário,
com relação a tensão nominal do primário, capaz de provocar a
circulação da corrente nominal no secundário do transformador, no
ensaio de curto-circuito.

= ∙ 100%

Sendo:
VPcc – Tensão nominal de curto-circuito, aplicada no primário;
VPn – Tensão nominal do primário;
Z – impedância percentual ou tensão nominal de curto-circuito ;
TRANSFORMADORES - INSTRUÇÕES GERAIS

Todos que trabalham em instalações elétricas, seja na montagem,


operação ou manutenção, deverão ser permanentemente informados
e atualizados sobre as normas e prescrições de segurança que regem
o serviço, e aconselhados a segui-las.

É fundamental que estes serviços sejam efetuados por pessoal


qualificado.
TRANSFORMADORES - NORMAS APLICÁVEIS

Os transformadores são projetados e construídos rigorosamente


segundo normas ABNT ou outras especificações brasileiras ou
internacionais solicitadas pelo cliente.

As normas aplicáveis transformadores são:

 NBR 7037 - Recebimento, instalação e manutenção de


transformadores de potência em óleo isolante mineral -
Procedimento.

 NBR 5416 - Aplicação de cargas em transformadores de potência –


Procedimento.
TRANSFORMADORES - NORMAS APLICÁVEIS

 NBR 5380 - Transformador de Potência - Método de ensaio;

 NBR 5356 - Transformador de Potência – Especificação;

 NBR 5440 - Transformador de Distribuição – Requisitos;

 NBR 7277 - Medição de Nível de Ruído de Transformadores e


Reatores - Método de Ensaio;

 NBR 7570 Guia para Ensaios de Tensão Suportável Nominal de


Impulso atmosférico e de Manobra para Transformadores e
Reatores - Procedimento;
ENSAIOS E RECEBIMENTO - ENSAIOS DE ROTINA

1. Resistência elétrica dos enrolamentos


Finalidade: verificar se não há irregularidades nos enrolamentos,
contatos, soldas, etc.
2. Relação de tensões
Finalidade: verificar se não há irregularidades nos enrolamentos
quanto ao número de espiras.
3. Resistência de isolamento
Finalidade: verificar a isolação entre enrolamentos e terra para
atestar a secagem da parte ativa.
4. Polaridade
Finalidade: verificar se o sentido dos enrolamentos está correto.
ENSAIOS E RECEBIMENTO - ENSAIOS DE ROTINA

5. Deslocamento angular e sequência de fase


Finalidade: verificar se a conexão dos enrolamentos está correta de
acordo com o diagrama fasorial.

6. Perdas em vazio e corrente de excitação


Finalidade: verificar perdas no ferro e corrente de magnetização do
núcleo.

7. Perdas em carga e Impedância de curto circuito


Finalidade: verificar perdas nos enrolamentos e o valor da
impedância de curto circuito.
ENSAIOS E RECEBIMENTO - ENSAIOS DE ROTINA

8. Tensão aplicada (75% para transformadores usados e reparados)


Finalidade: verificar se as isolações entre enrolamentos e terra
suportam as tensões especificadas de testes de acordo com o nível de
isolamento dos enrolamentos.
9. Tensão induzida (75% para transformadores usados ou reparados)
Finalidade: verificar as isolações entre espiras do próprio
enrolamento.
Valor = 2 x tensão nominal do enrolamento (durante 7.200 cliclos)
10. Determinação do fator de potência (FP)
Finalidade: verificar a qualidade do processo de secagem da parte
ativa. Não se trata de ensaio de rotina, mas em transformadores com
tensão igual ou superior a 36,2 kV, é recomendado fazê-lo.
ENSAIOS E RECEBIMENTO - ENSAIOS DE ROTINA

 Ensaios dielétricos
 Tensão suportável nominal de impulso de manobra;
 Tensão suportável nominal de impulso atmosférico;
 Tensão induzida de longa duração;
 Tensão suportável nominal à freqüência industrial;

 Estanqueidade e resistência á temperatura ambiente;

 Verificação do funcionamento dos acessórios.


ENSAIOS E RECEBIMENTO - ENSAIOS DE TIPO

 Fator de potência de isolamento;

 Elevação de temperatura;

 Nível de ruído;

 Nível de tensão de radiointerferência;


ENSAIOS E RECEBIMENTO - ENSAIOS ESPECIAIS

 Ensaio de curto-circuito;

 Medição da impedância de seqüência zero;

 Medição dos harmônicos na corrente de excitação;

 Análise cromatográfica dos gases dissolvidos no óleo isolante;

 Teste de rigidez dielétrica do óleo isolante


TRANSFORMADORES - RECEBIMENTO

Os transformadores, antes de expedidos, são testados na fábrica,


garantindo, assim, o seu perfeito funcionamento.

Dependendo do tamanho do transformador ou das condições de


transporte, ele pode ser expedido completamente montado ou
desmontado.

Sempre que possível, o transformador deve ser descarregado


diretamente sobre sua base definitiva, verificando se o terreno
oferece plenas condições de segurança e distribuição de esforço.
TRANSFORMADORES - INSPEÇÃO DE CHEGADA

Antes do descarregamento, deve ser feita, por pessoal especializado,


uma inspeção preliminar no transformador.

A inspeção visa identificar eventuais danos provocados durante o


transporte, na qual devem ser verificadas as suas condições externas
(deformações, vazamentos de óleo e estado da pintura) e avarias e/ou
falta de acessórios e componentes.
TRANSFORMADORES - ARMAZENAGEM

Para transformador transportado sem óleo, preferencialmente


montá-lo e enchê-lo com líquido isolante em seu local de operação
tão logo seja recebido.

Quando não instalados imediatamente, devem ser armazenados


preferencialmente em lugar abrigado, seco, isento de poeiras e gases
corrosivos, colocando-os sempre em posição normal e afastados de
área com muito movimento ou sujeita a colisões.
TRANSFORMADORES - ARMAZENAGEM
TRANSFORMADORES - CONEXÕES ELÉTRICAS

As conexões elétricas do transformador devem ser realizadas de


acordo com o diagrama de ligações de sua placa de identificação.

As ligações das buchas deverão ser apertadas adequadamente,


cuidando para que nenhum esforço seja transmitido aos terminais, o
que pode vir a ocasionar afrouxamento das ligações, mau contato e
posteriores vazamentos por sobreaquecimento no sistema de
vedação.

As terminações devem ser suficientemente flexíveis a fim de evitar


esforços mecânicos causados pela expansão e contração, o que pode
vir a quebrar a porcelana dos isoladores.
TRANSFORMADORES - ATERRAMENTO DO TANQUE

O tanque deverá ser efetiva e permanentemente aterrado através do


seu conector de aterramento.

Uma malha de terra permanente de baixa resistência é essencial para


uma proteção adequada.

No tanque está previsto um ou dois conectores para aterramento. A


malha de terra deverá ser ligada a um desses conectores por meio de
um cabo de cobre nu com seção adequada.
TRANSFORMADORES - PROTEÇÃO E MANOBRA

Os transformadores devem ser protegidos contra sobrecargas, curto-


circuito e surtos de tensão, instalados tão próximos quanto possível
dos transformadores.

Normalmente usam-se chaves fusíveis, disjuntores, seccionadores,


para-raios, relés de proteção, etc., adequadamente dimensionados.

Os elos utilizados nas chaves-fusíveis devem estar de acordo com a


demanda e potência do transformador.
TRANSFORMADORES - MANUTENÇÃO

Os transformadores são projetados e construídos rigorosamente


segundo normas ABNT ou outras especificações brasileiras ou
internacionais solicitadas pelo cliente.

A programação da correta operação e manutenção dos equipamentos


elétricos visa proporcionar um bom desempenho do equipamento,
além de prolongar a sua vida útil.

Você também pode gostar