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Resenha critica

O enigma de Kaspar Hauser e O menino que descobriu o vento à luz


de teorias de aprendizagem.

Referências:

Piovesan J., Ottonelli C. J., Bordin B. J., Piovesan L. Psicologia do Desenvolvimento e da


Aprendizagem. Universidade Federal de Santa Maria. 2018

Präss R. A. Teorias de Aprendizagem. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2007

Emily Caroline de Oliveira Saraiva

O presente trabalho tem como objetivo fazer uma análise dos dois filmes “O enigma
de Kaspar Hauser” e” O menino que descobriu o vento” com três teorias da aprendizagem. Os
dois filmes são totalmente distintos quando analisados sobre o processo de aprendizagem.
Enquanto no Kaspar Hauser retrata a vida de uma criança selvagem, presa em um cativeiro,
sem contato verbal ou social até por volta de seus 16 anos, não se expressa, raciocina ou até
mesmo diferencia sonho de realidade, que logo depois é levada a uma comunidade alemã e
após sua socialização nesta comunidade, pôde ser observado o seu desenvolvimento na
linguagem e sua socialização. No Menino que descobriu o vento relata a historia de William,
um garoto de 13 anos que mudou a realidade de sua comunidade. Que após uma forte seca, o
vilarejo onde ele vivia, impedindo plantações de crescerem e causando fome, foi quando
William desenvolveu uma espécie de moinho e sistema de bombeamento de água, salvando
toda a comunidade.

Para iniciarmos é possível perceber que a maior dificuldade de Kaspar Hauser para seu
desenvolvimento foi à falta de interação social, visto que a grande maioria das teorias de
aprendizagem são embasadas na interação com o meio social. Assim, introduziremos com a
Teoria de Aprendizagem Social de Albert Bandura, que consiste em aprendizagem por
observação ou modelagem. Neste caso, Kaspar Hauser, uma criança que não teve contato
social com ninguém, e que dessa forma, não passou por processo de aprendizagem até ser
levado para comunidade alemã, que só então passou a desenvolver-se através da observação
de outras pessoas com quem passou a conviver.
A Teoria Sócio-Interacionista de Vygotsky, onde diz que o desenvolvimento
cognitivo se dar por meio das interações com o meio social. Uma das contribuições de
Vygotsky para a educação está nos conceitos de Zona de Desenvolvimento Real, Zona de
Desenvolvimento Proximal e Zona de Desenvolvimento Potencial. Sendo o ZDR aquele
conhecimento que a criança já possui, A Zona de desenvolvimento proximal aquilo que a
criança ainda pode aprender com o outro e Zona de desenvolvimento potencial aquilo que a
criança ainda não sabe e não consegue ainda aprender com outro, como por exemplo uma
criança de 2 anos aprender a solucionar equações matemáticas, porém é um saber que será
alcançado futuramente. No caso de Kaspar Hauser, por esse processo ter sido tardio ele não
pôde absorver completamente todo o conjunto de símbolos sociais envolvidos em cada etapa
ao longo de sua vida. Em contrapartida, William vivencia cada etapa do seu desenvolvimento
e por mais que tenha dificuldades de aprender com ajuda do outro, visto que foi proibido de ir
à escola, o mesmo usa os conhecimentos da sua ZDR e adquire sozinho um novo
conhecimento.

Para finalizarmos, segundo Piaget o desenvolvimento cognitivo consiste num processo


de mudanças estruturais, essas estruturas são denominadas de esquemas. (Präss R. A., 2012).
“Uma criança, quando nasce, apresenta poucos esquemas (sendo de natureza reflexa), e à
medida que se desenvolvem, seus esquemas tornam-se generalizados, mais diferenciados e
mais numerosos.” Präss (2012. p. 15). Partindo desse principio, é necessário que ao longo de
seu desenvolvimento a criança construa esquemas. No caso de Kaspar Hauser, existiu uma
deficiência para a construção de tais esquemas, por isso há uma maior dificuldade para ele
aprender comportamentos básicos mesmo que esteja mais velho. Para William, apresar das
dificuldades encontradas durante seu desenvolvimento, ele obteve mais mudanças estruturais
à medida que aprendia novos comportamentos e adquiria novos conhecimentos, o que
facilitou para a criação de um moinho para salvar sua comunidade da seca, após leitura e
estudo de um livro.

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