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GRUPO II – CLASSE VII – Plenário

TC-017.581/2005-2
Natureza: Representação
Entidade: Universidade Federal de Goiás - UFG
Interessada: Horiba ABX Brasil Ltda. (CNPJ N.º
01.759.236/0001-79)
Advogado constituído nos autos: não há

SUMÁRIO: REPRESENTAÇÃO. SUPOSTAS


IRREGULARIDADES EM LICITAÇÃO E CONTRATO.
NÃO-COMPROVAÇÃO. IMPROPRIEDADES DE
NATUREZA FORMAL. ADOÇÃO DE MEDIDAS
SANEADORAS PELOS RESPONSÁVEIS.
CONHECIMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
ARQUIVAMENTO.
Julga-se improcedente a Representação, quando não
comprovada a irregularidade noticiada pela interessada,
bem assim quando constatadas impropriedades de natureza
formal, as quais não firam o caráter competitivo do
certame e tendo sido devidamente sanadas pelos
responsáveis.

Adoto como Relatório o parecer da lavra do representante do Ministério


Público junto ao TCU (fls. 892/896, vol. 4), o Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin,
proferido nos seguintes termos:

“Trata-se de representação formulada pela empresa Horiba ABX Brasil, com


fundamento no artigo 113, § 1º, da Lei n.º 8.666/93, noticiando a ocorrência de
irregularidades na Tomada de Preços n.º 06/2005 — promovida pelo Hospital das Clínicas
da Universidade Federal de Goiás – HC/UFG, com vistas à aquisição de 48.000 testes
reagentes para realização de exames hematológicos, com instalação de 02 equipamentos
em comodato —, bem como na execução do contrato dela decorrente (fls. 01/22).
2. A empresa representante questiona uma possível irregularidade na proposta
da empresa PMH Produtos Médicos Hospitalares Ltda., alegando que deveria ter sido
desclassificada por não mencionar que os equipamentos a serem fornecidos em comodato
seriam novos, ‘eis que fulminada por incompatibilidade, em item essencial, contra
disposição do edital’ (fl. 06).
3. Sobre o assunto, a Horiba ABX Brasil ressalta que, ‘abrindo mão de
fornecer (como se possível lhe fosse – e absolutamente não o é!) equipamentos novos, a
empresa PMH colocou-se em posição de indevida e insustentável vantagem frente aos
demais concorrentes e em flagrante detrimento do interesse da administração, porquanto
obteve intensa redução de seus custos, e isso à custa de arvorar-se no direito de fornecer
ao hospital, se assim o desejasse, equipamentos de qualidade e preço bastante inferiores’
(fl. 07).
4. Não obstante, a própria empresa representante reconhece que é ‘inócua,
contudo, a maliciosa conduta da PMH: a uma, porque a omissão quanto à condição de
novos dos equipamentos não teria jamais o condão de liberá-la daquilo que o edital já

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explicitara; a duas, porque o zelo do gestor público fez constar expressamente, na cláusula
primeira do contrato firmado em decorrência da licitação cujo resultado ora se combate, a
feliz expressão que já consta do edital, qual seja, a obrigação, por parte da empresa
vencedora, de ‘ceder em comodato e instalar no Laboratório Clínico 02 (dois)
equipamentos totalmente automatizados, novos e iguais, que deverão chegar à seção em
perfeitas condições de uso (sem defeitos)’’[grifos do original] (fl. 07).
5. Por fim, a respeito da execução do contrato firmado com a empresa PMH,
afirma que não foi cumprida a cláusula que exigia o fornecimento de 02 equipamentos
novos, sem uso, vez que teriam sido instalados ‘dois equipamentos antigos, já parcialmente
corroídos por pontos de oxidação e em lastimável estado geral – inclusive um deles
apresenta defeito e não pode ser utilizado pela Administração, conforme fotos anexas’ (fl.
08).
6. Ao instruir o presente feito, às fls. 350/354, a SECEX/GO propôs que fossem
ouvidos em audiência a Sra. Milca Severino Pereira, Reitora da Universidade Federal de
Goiás, o Sr. José Abel Alcanfor Ximenes, Diretor-Geral do HC/UFG, e os membros da
CPL a respeito das seguintes ocorrências verificadas no processo de Tomada de Preços n.º
06/2005, a maioria das quais, cabe ressaltar, não foram objeto de questionamento na
presente representação:
a) o edital não estabelece dia e hora para recebimento dos envelopes de
documentação e de proposta;
b) não consta no edital a exigência de qualificação técnica e qualificação econômico-
financeira (arts. 30 e 31 da Lei n.º 8.666/93);
c) as condições para elaboração do termo de comodato não foram devidamente
especificadas no ato convocatório, uma vez que o edital estabelece que, ‘junto com a proposta, a
empresa deverá declarar que se vencedora da presente licitação, instalará no HC/UFG, os
aparelhos em COMODATO GRATUITO, mencionando todas as condições exigidas pela empresa
para elaboração do Termo de Comodato’;
d) não especifica os recursos orçamentários (art. 14 da Lei n.º 8.666/93);
e) o edital outorga à CPL o direito de relevar falhas, omissões ou inobservância de
alguma exigência do edital, quando não interferirem ou influírem na habilitação e julgamento da
proposta (arts. 44 e 45 da Lei n.º 8.666/93);
f) a minuta do contrato não especifica os critérios de atualização monetária entre a
data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento e nem o crédito pelo qual correrá
a despesa (art. 55, incisos III e IV, da Lei n.º 8.666/93);
g) ausência de análise e julgamento da impugnação apresentada pela empresa Bayer
HelthCare (art. 41, § 1º, da Lei n.º 8.666/93);
h) ausência dos avisos de publicações no DOU e em jornal de grande circulação (art.
21 da Lei n.º 8.666/93);
i) ausência do novo edital, em razão da impugnação pela empresa Bayer;
j) ausência nos autos dos termos de homologação e adjudicação da licitação (art. 43,
inciso V, da Lei n.º 8.666/93);
k) inobservância do prazo de 05 dias para eventuais recursos, uma vez que o
julgamento ocorreu em 02/06/2005 e a assinatura do contrato em 07/06/2005;
l) inobservância das condições estabelecidas no edital, quando da análise da proposta
da empresa PMH Produtos Médicos Hospitalares, uma vez que a empresa :
l.1) não informou que o equipamentos são novos, iguais, sem defeitos e que serão
instalados no HC/UFG em comodato gratuito;
l.2) não especificou a marca dos produtos cotados;
l.3) não informou o número do registro da ANVISA;

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l.4) as especificações técnicas são diferentes das exigidas no edital;
l.5) não declarou que a metodologia utilizada está de acordo com as normas
internacionais exigidas e dentro dos padrões de qualidade;
l.6) não informou que a empresa promoverá a aquisição de complementos necessários
para o funcionamento dos aparelhos cedidos em comodato, como por exemplo: nobreak,
estabilizador e impressora; que deverá também ser oferecido pela empresa treinamento
qualificado aos funcionários do laboratório, inclusive sábado e domingo, assessoria científica
responsável, manutenção especializada e dentro de prazos que não prejudiquem o andamento dos
trabalhos.
7. Propôs a unidade técnica, ademais, a audiência do Sr. Paulo César
Rodrigues, Procurador Federal, para se manifestar sobre a aprovação das minutas do
edital e do contrato, nas quais foram verificadas as irregularidades indicadas nas
supracitadas alíneas a a f.
8. Em cumprimento ao despacho de fl. 356, foram promovidas as audiências
dos responsáveis, nos termos propostos pela SECEX/GO.
9. Ao instruir novamente o feito (fls. 878/889), a unidade técnica analisou as
razões de justificativa apresentadas e concluiu que a maioria delas não poderia ser
acolhida, razão pela qual propôs que a presente representação seja considerada
procedente, aplicando-se aos responsáveis ouvidos em audiência a multa prevista no
artigo 58, inciso II, da Lei n.º 8.443/92.
II
10. Nota-se, de antemão, que várias das questões que ensejaram a audiência
dos responsáveis podem ser consideradas falhas de natureza formal, que não causaram
qualquer prejuízo à competitividade do certame licitatório, sendo que outras foram
sanadas, como se verá a seguir, com a indicação expressa em cláusulas do contrato.
11. A respeito dos questionamentos formulados pela SECEX/GO, faremos,
agora, uma breve análise de cada um deles, na ordem anteriormente apresentada neste
Parecer:
a) embora se considere que a falha existiu, entende-se que possa ser acolhida a
justificativa apresentada pelos responsáveis de que os interessados foram informados por
meio eletrônico (fl. 398), na medida em que compareceram no dia e hora marcados para a
abertura das propostas, sendo importante ressaltar, a propósito, que a empresa Horiba
ABX Brasil não apontou esta falha na representação, não havendo notícia de que alguma
outra empresa tenha alegado que foi prejudicada por este motivo;
b) entende-se, como alegado pelos responsáveis (fl. 398), que não se aplica ao
presente caso, tendo em vista a natureza do objeto licitado e a exigência contida no edital
de que as empresas possuíssem cadastro atualizado no Sistema de Cadastramento
Unificado de Fornecedores – SICAF (fl. 64);
c) acolhe-se a alegação dos responsáveis (fl. 398), de que foram estabelecidas
exigências pela administração no item do edital que trata das obrigações da empresa
contratada (fls. 66/67);
d) considera-se que a indicação realizada na cláusula quarta do contrato (fl.
333) supre a falha;
e) acolhe-se a informação dos responsáveis de que tal medida tem a finalidade
de sanar erros formais, não havendo notícia de que tenha gerado algum prejuízo às
empresas concorrentes, sendo importante salientar que não há notícia de que tenha havido

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alguma impugnação quanto a esta prerrogativa da CPL por parte das empresas
interessadas;
f) a subcláusula terceira da supracitada cláusula quarta do contrato (fl. 333)
prevê que ‘o valor do contrato não será reajustado, tendo em vista ter o prazo de vigência
duração inferior a um ano nos termos da Lei n.º 10.192/01 que estipula que não haverá
reajuste ou correção monetária em contrato de periodicidade inferior a um ano’,
esclarecendo a dúvida suscitada;
g) a impugnação apresentada pela empresa Bayer HealthCare (fls. 73/75) foi
analisada e acolhida pela Comissão de Licitação, que alterou os termos do edital
conforme proposto pela referida empresa, como demonstra o documento de fl. 76;
h) os argumentos dos responsáveis de que houve publicação em jornal de
grande circulação e no DOU (fl. 400) pode ser aceita. Poder-se-ia questionar a ausência
de nova publicação no DOU do edital alterado. No entanto, afirmam que houve nova
publicação em jornal de grande circulação (fl. 79), não havendo prejuízo às concorrentes,
vez que cinco empresas participaram do certame. Ademais, há cópia nos autos de
expedientes encaminhados às empresas comunicando a alteração do edital e da data e
horário para apresentação das propostas (fls. 77/78). No caso, constata-se a ocorrência de
falhas formais que não afetaram o desenrolar do procedimento licitatório, cabendo
registrar que a empresa Horiba ABX Brasil não apresentou questionamento quanto a este
aspecto;
i) os responsáveis informam que o novo edital está anexado às últimas folhas,
suprindo a falha (fl. 400), conforme cópia às fls. 469/473;
j) a unidade técnica acolheu as razões de justificativa para este item, vez que
os termos de homologação e de adjudicação se encontram nos autos (fl. 882);
k) entende-se que houve, no caso, uma falha formal, que não foi levantada pela
empresa representante ou pelas demais participantes do certame;
l) os responsáveis informam que a proposta da empresa PMH, como as das
outras empresas classificadas, indicou a marca e o número de registro do MS e da
ANVISA para os testes e os equipamentos, sendo que o contrato expôs as especificações
técnicas idênticas às do edital (fl. 406). Observa-se que o item 4 do edital estabelece que
as propostas deveriam conter, juntamente com os preços dos produtos a serem adquiridos,
uma declaração da empresa de que, se vencedora do certame, instalaria no HC/UFG os
aparelhos em comodato (que significa empréstimo gratuito de coisa não fungível, que deve
ser restituída no tempo convencionado), mencionando as condições exigidas pela empresa
para elaboração do termo de comodato (fl. 64). Nota-se, portanto, que, diferentemente do
que argumentou a empresa representante, não havia previsão de que era necessário
declarar, na proposta, que seriam fornecidos equipamentos novos. Isto porque o objeto
principal da licitação, para o qual as empresas interessadas deveriam apresentar proposta
de preço, era a aquisição dos 48.000 testes reagentes para exames hematológicos. A
obrigação da empresa vencedora fornecer os equipamentos em comodato, que pode ser
considerada acessória, já estava claramente prevista no item 1 do edital (fl. 63), sendo
totalmente desnecessária a repetição dos requisitos ali estabelecidos nas propostas das
empresas, uma vez que elas, ao participarem do certame, estavam cientes de que deveriam
cumprir tal exigência. Registre-se que o contrato firmado com a empresa vencedora da
licitação, na sua cláusula primeira, reproduziu as exigências contidas no edital, de que
deveriam ser cedidos em comodato e instalado no laboratório clínico ‘02 (dois)
equipamentos totalmente automatizados, novos e iguais, que deverão chegar a seção em

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perfeitas condições de uso (sem defeitos)’, indicando as características que deveriam
possuir. Ao final da referida cláusula, consta que ‘cabe ainda à empresa a
responsabilidade da aquisição de complementos necessários para funcionamento como
por exemplo: Nobreak, estabilizador e impressora; de todos os itens, dentro deste contrato
deverá também ser oferecido pela empresa selecionada, treinamento qualificado aos
funcionários do laboratório inclusive, Sábado e Domingo, assessoria científica
responsável, manutenção especializada e dentro de prazos que não prejudiquem o
andamento dos trabalhos’ (fls. 332/333). Desse modo, conclui-se que não havia motivo
para a desclassificação da proposta da empresa PMH, que apresentou o menor preço,
estando plenamente justificada a atuação da comissão de licitação e da administração do
HC/UFG.
III
12. Feitas essas considerações, observa-se que o procedimento licitatório, em
si, não apresenta falhas graves que poderiam ter cerceado o caráter competitivo do
certame. Na verdade, como visto anteriormente, as questões levantadas pela unidade
técnica e objeto da audiência promovida por esta Corte ou foram descaracterizadas ou
podem ser consideradas meras falhas formais, que não acarretaram prejuízo às empresas
interessadas em participar do certame.
13. Cumpre salientar, no entanto, que a questão fulcral suscitada pela empresa
Horiba ABX Brasil, e que não foi diretamente tratada na supracitada audiência, que se
ateve mais aos aspectos do procedimento licitatório, está afeta à própria execução do
contrato, na medida em que afirma que, não obstante o edital e o termo contratual
preverem que deveriam ser fornecidos em comodato equipamentos novos e sem defeito, a
empresa PMH cedeu e instalou ‘dois equipamentos antigos, já parcialmente corroídos por
pontos de oxidação e em lastimável estado geral – inclusive um deles apresenta defeito e
não pode ser utilizado pela Administração, conforme fotos anexas’ (fl. 08), colocando-se,
assim, ‘em posição de indevida e insustentável vantagem frente aos demais concorrentes e
em flagrante detrimento do interesse da administração, porquanto obteve intensa redução
de seus custos, e isso à custa de arvorar-se no direito de fornecer ao hospital, se assim o
desejasse, equipamentos de qualidade e preço bastante inferiores’ (fl. 07).
14. De fato, a acusação da empresa representante é grave e, caso confirmada,
ensejaria uma série de sanções aos responsáveis e à própria empresa contratada, pois,
além de se tratar de flagrante descumprimento contratual, caracterizaria o favorecimento
da empresa vencedora do certame, em detrimento das demais concorrentes.
15. É importante ressaltar, no entanto, que a única prova apresentada pela
empresa Horiba ABX Brasil são as fotos de fls. 343/349. Como não houve inspeção no
HC/UFG na época em que a representação foi protocolada nesta Corte (setembro/2005),
logo após o fornecimento dos equipamentos, ocorrido em julho/2005, que poderia
comprovar, mesmo que de forma superficial, o estado geral dos equipamentos fornecidos,
a análise dessa importante questão terá que ser realizada com base apenas nos
depoimentos apresentados pelos servidores daquela entidade e pela empresa contratada.
Considerando que a vigência do contrato em tela expirou em 31/12/2005 e considerando,
ainda, o tempo decorrido desde a instalação dos equipamentos, conclui-se que a
realização de uma vistoria in loco neste momento seria totalmente ineficaz.
16. Sobre a questão, cabe transcrever, incialmente, o teor do expediente de
21/10/2005, encaminhado pelos gerentes do Laboratório Clínico à Sra. Diretora
Administrativa do HC/UFG (fl. 832):

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‘Venho através deste informar que na primeira quinzena de julho/2005 a empresa
PMH enviou 02 (dois) equipamentos CELL DYN 3700, para o Laboratório Clínico HC/UFG, onde
os mesmos estavam em caixas de transporte de equipamentos.
Os aparelhos foram instalados na seção de hematologia, calibrados e colocados em
uso. Por serem equipamentos novos na seção de hematologia, foram realizados treinamentos com
todos os profissionais que utilizavam os aparelhos, para poder minimizar os problemas que
pudessem ocorrer.
Após a instalação dos equipamentos até o momento não ficamos nenhum dia sem
realizar exames, por defeito ou por falta de reagentes, tivemos e/ou teremos problemas devido ao
manuseio e ao uso contínuo dos aparelhos como qualquer equipamento em atividade.’

17. Por sua vez, o Sr. Engenheiro Clínico do HC/UFG emitiu, também em
21/10/2005, o seguinte Parecer Técnico (fl. 833):
‘Informamos através desta que na primeira quinzena do mês de julho este
departamento acompanhou a instalação dos equipamentos CELL-DYN 3700, n.º de séries
20027AK e 20464AK no laboratório deste hospital com estado de conservação aparentando ser
novo, mas quanto ao fato de realmente ser novo ou não, esta consulta deve ser realizada à empresa
PMH com os números de série acima citados.’

18. Instada a se manifestar sobre a questão (fl. 838), a empresa PMH


encaminhou o expediente de fls. 851/858, de 18/01/2006, do qual extraímos o seguinte
trecho:
“Também de acordo com o que estabelecia o mencionado documento editalício,
juntamente com a proposta fornecimento, a empresa firmou declaração assumindo o compromisso
de, em regime de comodato gratuito, instalar equipamentos que atendessem todas as condições
exigidas no edital, o que a PMH efetivamente o fez.
Consoante comprovado pelas Notas Fiscais n.º 51.478 e n.º 51.479 [cópias acostadas
às fls. 859/866], os analisadores hematológicos CEL DYN 3700 n.ºs de série 20027AK e 20464AK,
marca ABBOTT, foram cedidos ao hospital juntamente com todos os periféricos necessários ao seu
regular e perfeito funcionamento.
Também no estrito cumprimento àquele instrumento, e conforme previsto no contrato
celebrado entre esta empresa e a administração, os mencionados equipamentos foram calibrados e
colocados em funcionamento, procedimento esse que, em todas as fases, foi acompanhado pelos
responsáveis técnicos do Centro Clínico do Hospital das Clínicas (...).
Além disso, às expensas e sob responsabilidade técnica da PMH, foi providenciado o
treinamento qualificado dos funcionários do laboratório clínico do hospital.
Desde a data da instalação dos equipamentos e do início da realização dos exames
hematológicos a PMH vem prestando permanente assistência técnica e científica ao hospital e aos
profissionais que atuam naquele centro clínico.
Consoante o Ofício 014/05/DPC/HC/UFG, datado de 21 de outubro de 2005, (...), os
responsáveis pelo laboratório clínico do hospital corroboram as informações aqui prestadas (...).
De outra banda, o parecer técnico expedido pelo Sr. Abdon Marques da Cunha –
engenheiro clínico do hospital das clínicas (...) também indica que, no período acima citado,
acompanhou a instalação de equipamentos novos no setor de hematologia do hospital.
(...).
Em primeiro lugar, não há como afiançar de forma minimamente razoável que as
fotos acostadas aos autos foram imagens obtidas dos equipamentos de hematologia utilizados pelo

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laboratório clínico do hospital, até porque, se houvesse o entendimento de que há necessidade de
produção de provas, este ato deveria, no mínimo, contar com a presença das partes.
Além disso, como bem disse o Sr. Procurador Federal (...), as provas são
inconsistentes, já que não estão acompanhadas de atestados ou laudos técnicos necessários à sua
validação, firmados por profissionais especializados na área de competência.’

19. Depreende-se dos documentos acima transcritos que não há nos autos uma
prova definitiva de que os equipamentos fornecidos pela empresa PMH eram novos ou
não. Como não se vislumbra, neste momento, ante o tempo decorrido, a possibilidade de se
proceder a algum tipo de comprovação, mediante a obtenção de laudos técnicos, cabe, à
luz dos elementos contidos nos autos, o acolhimento das declarações emitidas pelos
servidores do HC/UFG, no sentido de que as cláusulas contratuais foram integralmente
cumpridas. Como bem observou a empresa PMH, a simples apresentação de fotos não é
suficiente para comprovar as irregularidades noticiadas pela empresa Horiba ABX Brasil.
IV
20. Ante todo o exposto, este representante do Ministério Público, divergindo,
data venia, da proposição apresentada pela SECEX/GO, manifesta-se no sentido de que a
presente representação seja considerada improcedente, arquivando-se estes autos.”

É o Relatório.

VOTO

Preliminarmente, a presente Representação deve ser conhecida, vez que


preenchidos os requisitos de admissibilidade, nos termos do art. 113, § 1º, da Lei n.º
8.666/1993, c/c o art. 237, inciso VII, do Regimento Interno do TCU, passando-se ao
exame de mérito.
Registro, de início, que a representação formulada pela empresa Horiba AMX
Brasil Ltda. versa sobre supostas irregularidades na Tomada de Preços n.º 06/2005, que
tinha por objeto a aquisição de 48.000 (quarenta e oito mil) testes reagentes para realização
de exames hematológicos, juntamente com a instalação, em regime de comodato, de 02
(dois) equipamentos novos e iguais, para a consecução dos referidos exames.
Por sua vez, sua motivação está no suposto descumprimento por parte da
empresa PMH – Produtos Médicos Hospitalares Ltda., vencedora do certame, quanto à
exigência editalícia de que os equipamentos fossem novos, já que, segundo a representante,
os equipamentos fornecidos eram antigos, inclusive corroídos por pontos de oxidação.
Nada obstante, como bem ressaltou o Parquet, não há nos autos uma prova
definitiva de que os equipamentos fornecidos pela empresa PMH eram novos ou não, não
se prestando para esse fim as fotografias apresentadas pela empresa representante. Aliás,
diga-se de passagem que as fotos juntadas ao processo sequer permitem afirmar que os
equipamentos ilustrados eram de fato aqueles disponibilizados à Universidade pela empresa
contratada.
Ao revés disso, diversos documentos insertos no processo, inclusive contendo
declarações de servidores da UFG, indicam que os equipamentos eram efetivamente novos,
e que houve o pleno cumprimento das cláusulas contratuais, não restando, portanto,
comprovada a irregularidade suscitada pela empresa representante.

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Em relação às outras impropriedades verificadas na licitação, as quais foram
objeto de constatação por parte da unidade técnica deste Tribunal, entendo, da mesma
forma que o Ministério Público, que se qualificam como de natureza formal, a exemplo da
ausência de indicação de dia e hora para recebimento da documentação da licitação,
insuficientes a malferir a competividade do certame; sendo que algumas já haviam sido
devidamente sanadas pelos responsáveis, por meio das medidas corretivas pertinentes.
Logo, julgo que as justificativas podem ser acolhidas.
Com essas considerações, acolhendo o parecer do Ministério Público
especializado, julgo pela improcedência da Representação, com o conseqüente
arquivamento dos autos.
Ante o exposto, com as vênias à unidade técnica, VOTO no sentido de que o
Tribunal adote o Acórdão que ora submeto a este Colegiado.

Sala das Sessões Ministro Luciano Brandão Alves de Souza, em 02 de maio de 2007.

GUILHERME PALMEIRA
Ministro-Relator

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ACÓRDÃO Nº 765/2007 - TCU - PLENÁRIO

1. Processo n.º TC-017.581/2005-2


2. Grupo II – Classe de Assunto VII – Representação
3. Interessada: Horiba ABX Brasil Ltda. (CNPJ N.º 01.759.236/0001-79)
4. Entidade: Universidade Federal de Goiás - UFG
5. Relator: Ministro Guilherme Palmeira
6. Representante do Ministério Público: Subprocurador-Geral Paulo Soares Bugarin
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo no Estado de Goiás – Secex/GO
8. Advogado constituído nos autos: não há

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos estes autos que tratam de Representação formulada
pela empresa Horiba ABX Brasil Ltda. acerca de supostas irregularidades na Tomada de
Preços n.º 06/2005, promovida pela Universidade Federal de Goiás – UFG, com vistas à
aquisição de 48.000 testes reagentes para realização de exames hematológicos, no âmbito
do Hospital das Clínicas daquela entidade.
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão
Plenária, ante as razões expostas pelo Relator, em:
9.1. conhecer da presente Representação, para, no mérito, considerá-la improcedente;
9.2. determinar o arquivamento dos autos.

10. Ata n° 17/2007 – Plenário


11. Data da Sessão: 2/5/2007 – Ordinária
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0765-17/07-P
13. Especificação do quórum:
13.1. Ministros presentes: Walton Alencar Rodrigues (Presidente), Valmir Campelo,
Guilherme Palmeira (Relator), Ubiratan Aguiar, Benjamin Zymler, Augusto Nardes,
Aroldo Cedraz e Raimundo Carreiro.
13.2. Auditor convocado: Marcos Bemquerer Costa.
13.3. Auditor presente: Augusto Sherman Cavalcanti.

WALTON ALENCAR RODRIGUES GUILHERME PALMEIRA


Presidente Relator

Fui presente:

LUCAS ROCHA FURTADO


Procurador-Geral

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