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Dércio Germano Mangue

Kelly Naline Horácio Cuna

Leocádia Saraiva

Teoria Fenomenológica

Licenciatura em Psicologia Educacional com Habilitação em Intervenção de


Desenvolvimento Humano e Aprendizagem
4º Ano

Universidade Licungo
Extensão Beira
2021

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Dércio Germano Mangue

Kelly Naline Horácio Cuna

Leocádia Saraiva

Teoria Fenomenológica

Licenciatura em Psicologia Educacional com Habilitação em Intervenção de


Desenvolvimento Humano e Aprendizagem
4º Ano

Trabalho de teorias e Técnicas Psicoterapeuticas, na


Universidade Licungo-Beira, a ser entregue no
Departamento de ciências de Educação e
Psicologia,no curso de Licenciatura em Psicologia
Educacional 4º ano para fins avaliativos sub
orientação do: Mscs. Rafael Benny

Universidade Licungo
Extensão Beira
2021

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Índice
Introdução........................................................................................................................................4

Objectivo geral.................................................................................................................................4

Objectivo específico........................................................................................................................4

Metodologia.....................................................................................................................................4

Terapia Fenomenológica.................................................................................................................5

a) O retorno às coisas mesmas e a intencionalidade........................................................................5

Sobre a intencionalidade:.................................................................................................................5

b) A Redução Fenomenológica.......................................................................................................6

c) A reflexão fenomenológica, o mundo da vida e a intersubjetividade...................................6

Abordagem Fenomenologica Existencial........................................................................................6

A questão clínica..............................................................................................................................8

O Encontro em Psicoterapia............................................................................................................9

Conclusão......................................................................................................................................10

Referências Bibliográficas.............................................................................................................11

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Introdução

O presente trabalho elaborado pelo grupo com tema: terapia fenomenológica, que é a terapia que
conduz a pessoa a conhecer a si mesmo. A abordagem fenomenológica existencial humanista é
uma corrente que pensa no ser em totalidade, que quando pensa e experiencia o faz com todo seu
ser, em que o fenómeno é entendido e o ser é visto como responsável por sua existência, ou seja,
as pessoas experimentam o mundo de forma diferente e única conhecendo o sentido que a vida, o
mundo, as relações fazem para ela, em que tudo isto se dá no diálogo com o terapeuta.

Objectivo geral

 Compreender a terapia fenomenológica;

Objectivo específico

 Definir a fenomenologia;
 Caracterizar a terapia fenomenológica; e
 Descrever como ocorre a terapia fenomenológica.

Metodologia

Para elaboração do trabalho foi necessário recorrer a algumas fontes que nos tragam materiais
necessários para a sua concretização, para isto utilizou-se método bibliográfico, artigos de
internet e livros que abordam sobre o tema.

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Terapia Fenomenológica

Fenomenologia “é o estudo dos fatos do fenômeno como são apreendidos pela consciência”
(RUDIO, 2001 p.115).  A essência de uma proposta fenomenológica é a pluralidade. É preciso
não ser um terapeuta que trabalhe da mesma forma com todos os pacientes, com uma teoria
embaixo do braço, para adequar o seu paciente à sua teoria. É preciso trabalhar pelo paciente e
não pela teoria. É preciso questionar e não reverenciar a teoria. É preciso dar valor à prática
clínica como construtora e reconstrutora da teoria

Husserl muni-se de alguns temas importantes para a compreensão da Fenomenologia: Retorno às


coisas mesmas e a Intencionalidade, Redução Fenomenológica e a intuição das essências, A
Reflexão Fenomenológica e a intersubjetividade (FORGHIERI, 1997).

a) O retorno às coisas mesmas e a intencionalidade

As compreensões sobre as coisas não partiam de si mesmas, mas da Filosofia, de um pensar


sobre, metafísico, “do impulso da investigação” (idem p.15). Por isso é que se fala do retorno às
coisas mesmas que deve ser entendida “[...] não como realidade existindo em si, mas como
fenômeno, e o considera como a única coisa à qual temos acesso imediato e intuição originária; o
fenômeno integra a consciência e o objeto, unidos no próprio ato de significação” (idem p.15).

As coisas mesmas se explicam em seu próprio existir, uma vez que para tal intento, criou seu
próprio jeito de ser sendo, com suas circunstancialidade, envolto eu seu modo de ver e de ser-no-
mundo.

Sobre a intencionalidade:

Doutrina nuclear em fenomenologia é o ensinamento de que cada ato de consciência que nós
realizamos, cada experiência que nós temos, é intencional: é essencialmente “consciência de” ou
uma “experiência de” algo ou de outrem. Toda nossa consciência está direcionada a objetos. Se
nós vemos, vemos algum objeto visual, tal como uma árvore ou um lago; se nós imaginamos,
nossa imaginação apresenta-nos um objeto imaginário, tal como um carro que visualizamos
descendo a estrada; se nós estamos envolvidos em uma recordação, recordamos um objeto
passado; Se nós tomamos parte num julgamento, projetamos uma situação ou fato. Cada ato de

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consciência, cada experiência é correlata com um objeto. Cada intenção tem seu objeto
intencionado. (SOKOLOWSKI, 2004 p.17).

b) A Redução Fenomenológica

Para Sokolowski o termo redução fenomenológica significa a “retirada” dos alvos naturais de
nosso interesse, “em direção” ao que parece ser mais um ponto de vista restritivo, simplesmente
um daqueles alvos das intencionalidades mesmas. Redução, com a raiz latina re-ducere, é um
conduzir de volta, uma retenção ou um retraimento. Quando entramos nesse novo ponto de vista,
suspendemos as intencionalidades que agora contemplamos. Esta suspensão, esta neutralização
de nossas modalidades dóxicas, é também chamada de epoché, um termo tomado do ceticismo
grego, em que significa a retenção que o cético dizia que deveríamos ter com respeito aos nossos
juízos sobre as coisas; eles diziam que deveríamos reter os juízos até que a evidência fosse clara.
(2004, p.58)

c) A reflexão fenomenológica, o mundo da vida e a intersubjetividade

A atitude fenomenológica promove para o que busca entender o fenômeno adentrar no


funcionamento, no como o mesmo funciona e vem funcionando. O foco é na multiplicidade de
manifestações pelas quais o objeto é dado (SOKOLOWSKI, 2004 p. 59). Aí se pode “refletir
sobre tudo isto, [...] permitindo a reflexão sobre a experiência variada da vivência, chegando ao
que lhe é essencial, ou invariável nas suas transformações” (FORGHIERI, 1997 p.17).

Abordagem Fenomenológica Existencial

O fator preponderante para uma Psicoterapia dentro da referida abordagem é buscar entender o
fenômeno a partir das próprias experiências existenciais de construção e de projeto do mesmo.
“A base da relação do terapeuta com o cliente não é a disfunção ou alteração psicológica, mas
sim - de modo direito e imediato – o seu modo de experienciar a própria vida” (RUDIO 2001 p.
88).

É nessa assertiva que a técnica se perfaz. Heidegger atesta que “Techné no sentido grego quer
dizer conhecer-se no ato de produzir. Conhecer-se é um gênero de conhecimento, de

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reconhecimento e de saber. O fundamento do conhecer repousa, na experiência grega, sobre o


fato de abrir, de tornar manifesto o que é dado como presente” (FEIJOO, 2010 p.49)

O homem se constrói a partir da interação que faz com o mundo, com o outro, em presença,
abertura “presença autêntica [...] na presença de si mesmo” (BUBER 2013 p.13). “O lugar dos
outros é indispensável para a nossa realização existencial” (idem p.13).

Nesse sentido o terapeuta proporciona sua técnica para a poiésis, produção pela própria arte do
encontro terapêutico como presença mútua, espaço de abertura ao entendimento do outro e de si
mesmo. “A atitude de abertura do homem e a doação originária o ser formam a estrutura da
relação Eu-ser. A essência do ser se comunica no fenômeno” (idem p.31).

A psicoterapia fenomenológica-existencial propõe que a compreensão do paciente ocorra na


relação específica e concreta: terapeuta-paciente, isto é, que esteja referida à situação do
atendimento, ao encontro terapeuta-paciente e à compreensão daquilo que aparece no existir do
paciente; priorizando, assim, o entendimento do paciente a partir dele mesmo e a partir da
maneira como ele vive.

A proposição fenomenológica-existencial supõe que a atitude e a atuação terapêutica sejam


norteadas pela compreensão do paciente na situação e na relação específica e concreta de cada
atendimento. Ao mesmo tempo, esta compreensão do paciente é orientada pelo esclarecimento
do existir humano como Dasein e ser-no mundo, explicitados pelo filósofo Martin Heidegger no
livro Ser e Tempo.

Segundo Boss (1979, p. 283), a compreensão do existir humano iluminada pela reflexão
ontológica heideggeriana permite o esclarecimento do viver do paciente segundo seu modo de
ser-no-mundo junto com os outros, num mundo compartilhado; possibilitando, assim, que a
compreensão do terapeuta seja guiada pelos significados e sentido do modo de existir de cada
paciente.

Nesta perspectiva questiona-se a adequação do entendimento do paciente e do contexto


terapêutico baseado em teorias explicativas metapsicológicas, isto é, teorias que supõem que o
existir específico de cada ser humano pode ser esclarecido e explicado por teorias gerais e
prévias.

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A atitude do terapeuta, que busca a compreensão do paciente a partir do seu próprio existir, pode
ser ilustrada pela fala de um paciente: "Você procura me compreender a partir do meu ponto de
vista, a partir de mim mesmo; e nesta sua tentativa, eu percebo o que está claro e o que está
confuso no que eu vivo".

A questão clínica

Na prática clínica, a utilização do método fenomenológico como orientação para a psicoterapia,


nos leva ao entendimento existencial do paciente. A compreensão fenomenológica se une à uma
tentativa de se relacionar com o paciente que se relaciona com o mundo. A partir desse encontro
é possível a construção de uma nova convivência, de um novo modo de estar no mundo por parte
do paciente.

A Fenomenologia desponta, também, como demonstrado na prática de Jaspers, como referência


para a psiquiatria, tornando a terapêutica psiquiátrica um tratamento que vai além do diagnóstico
científico, característico da medicina como ciência natural. A orientação fenomenológica vem
então, ampliar o sentido e o alcance da psicopatologia. Nas palavras de Oliveira:

 A psicopatologia como prática psiquiátrica deve se ocupar sempre do indivíduo como um todo
em sua enfermidade e deste como um caso em particular. O psiquiatra lança mão da
psicopatologia para conhecer, reconhecer, caracterizar e analisar não só o sintoma, mas sim o
homem e o âmbito em que se inscreve. Em psicopatologia, a dimensão clínica, intuitiva e prática,
tida como “habilidades”, é de valor reconhecido em sua aplicação, mesmo que, por vezes,
inacessível à metodologia da ciência. (2013; p. 24).

Dessa forma, vai se construindo a maneira de trabalhar do psicoterapeuta existencial ou


fenomenológico-existencial. A questão de uma atenção maior à complexidade humana está
sempre presente. O tratamento deixa de ser voltado para a classificação do indivíduo. Até
porque, aqueles indivíduos que não se encaixavam em nenhuma classificação psicopatológica
também apresentavam, na maioria das vezes, grandes questões existenciais, passíveis de trabalho
psicoterapêutico. Nas palavras de Lessa e Sá:

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A grande preocupação deles era saber como se pode ter acesso à realidade existencial do
paciente, já que as teorias eram muito ricas em dizer como era a sua realidade essencial, mas
antes dele existir concreta e temporalmente como ser-no-mundo. Os psicoterapeutas de
orientação científico-naturalista procuravam, muitas vezes, encaixar as pessoas na teoria, ao
invés de voltar-se para uma descrição fenomenológica da existência singular. Essas tentativas de
enquadrar os pacientes nos modelos teóricos eram pródigas em explicações do sofrimento, mas
quase sempre estéreis no sentido de propiciar relações terapêuticas que promovessem
transformações existenciais efetivas. (2006; p. 324).

  O Encontro em Psicoterapia

Uma das ideias mais sustentadas no meio clínico, principalmente da clínica psicológica, gira em
torna da imparcialidade. A própria abordagem gestáltica, que se orienta pela fenomenologia,
ainda dá sinais de manter uma postura rígida em relação ao modo de se apresentar do terapeuta,
diante de seu paciente. A clínica gestáltica se preocupa, sim, com a consideração humana do
paciente como um todo. Nas palavras de Sampaio:

 A Gestalt-terapia vai permear as reflexões sobre o tema escolhido. Ela utiliza a fenomenologia
como visão de homem e como metodologia, levando seus conceitos para a prática clínica. Desta
forma, o Gestalt-terapeuta busca que o cliente amplie seu nível de consciência sobre seus
comportamentos, atitudes e sentimentos, possibilitando um maior contato (RODRIGUES, 2000)
com eles, a fim de que possa estar no mundo de uma forma mais satisfatória. Neste contexto, a
fenomenologia, com sua proposta de descrição de fatos, que acontecem não somente fora ou
dentro da pessoa, mas na relação entre eles, mostrou-se bastante útil para a psicoterapia, bem
como com a proposta do conceito de intencionalidade, que, segundo Forghieri (1993), seria a
capacidade inerente ao ser humano de dar sentido aos fatos do mundo de maneira singular. Mas
como, na sessão terapêutica, o psicólogo deve atuar? Ele é igualmente provido de
intencionalidade, assim como o cliente. No entanto, o cliente é quem vai direcionar o processo
terapêutico, devendo o terapeuta apenas acompanhar as possibilidades do cliente, facilitando o
processo deste em direção a uma ampliação de sua consciência. É essa a discussão que será
abordada ao longo do trabalho. (2004; p. 51).

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Conclusão

No presente trabalho concluímos que a terapia fenomenológica busca entender os fenómenos a


partir das próprias experiencias existência de construção e de projecto do mesmo, e também
sobre a compreensão do paciente ocorra na relação especifica e concreta: terapeuta-paciente, isto
é, que esteja referida à situação do atendimento, ao encontro terapeuta- paciente e à compreensão
daquilo que aparece no existir do paciente; priorizando, assim, o entendimento do paciente a
partir dele mesmo e a partir da maneira como ele vive.

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Referências Bibliográficas

BOSS, M. (1979) Existential Foundations of Medicine and Psychology. New York, Jason
Aronson.

BUBER, Martin. (2013). Eu e Tu. São Paulo: Centauro Editora.

FEIJOO, Ana Maria Lopes Calvo de. (2010). A Escuta e a Fala em Psicoterapia – Uma proposta
Fenomenológica Existencial. Rio de Janeiro.

FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Psicologia Fenomenológica – Fundamentos, Métodos e


Pesquisas. São Paulo: Editora Pioneira, 1997.

LESSA, J. M. e NOVAES DE SÁ, R. (2006). A relação psicoterapêutica na abordagem


fenomenológico-existencial in Analise Psicológica, 3 (XXIV): 393-397.

OLIVEIRA, R. M. (org.). (2013). Seminários em psicopatologia: da psiquiatria clássica à


contemporaneidade. COOPMED; Belo Horizonte.

RUDIO, F. (2001) Diálogo Maiêutico e Psicoterapia Existencial. São Paulo: Ed. Novos
Horizontes.

SAMPAIO, M. M. A. (2004). Neutralidade na relação terapêutica – reflexões a partir da


abordagem gestaltica. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 56, n. 1, p. 49-56.

SOKOLOWSKI, R. (2004). Introdução à Fenomenologia. São Paulo: Edições Loyola.

http://www.polbr.med.br/ano14/pcl1014.php

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