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Caso Clínico 1 – 2/2020

1º atendimento
VFB, 26 anos, comerciante, casada, sexualmente ativa, procurou o setor de Ginecologia
do HUB em 15/02/2018 para investigação de episódios recorrentes de perda gestacional.
Relata que “tem relacionamento sexual com um único parceiro, porém acredita que a
relação não seja exclusiva”. Na anamnese, mostrou-se ansiosa e com muitas queixas.
Referiu-se à presença de leve corrimento, com prurido iniciado há alguns meses. Tais
sintomas pioram após o período menstrual. Em seus antecedentes, diz já ter apresentado
sintomas similares diversas vezes. Data da última menstruação há 15 dias, ciclos
menstruais regulares e sem uso de contraceptivos. Menarca aos 14 anos, sexarca aos 15
anos. G1P1nA0, sem complicações na gravidez, parto e puerpério, porém o RN foi
classificado como PIG. Nega antecedentes patológicos relevantes e refere história
familiar positiva para hipertensão arterial.

O exame clínico mostrou que a paciente estava em bom estado geral, corada, hidratada,
anictérica, acianótica, afebril. Estava vigil, consciente, orientada no tempo e espaço e
apresentava PA: 120×80 mmHg, FC: 100 bpm. O exame de abdômen mostrou que ele
estava normotenso, com ruídos hidroaéreos audíveis, timpanismo fisiológico sem
massas palpáveis e indolor. Ao exame ginecológico, verificou-se que a genitália
apresentava pilificação habitual sem lesões aparentes. Detectou-se a presença de
secreção esverdeada, odor fétido e bolhoso. O colo apresentava-se irregular, hiperêmico
e com ectrópio difuso. Foi realizado exame de Papanicolau e análise de lâmina para
confirmação de hipótese diagnóstica. Ao casal, foi prescrito o uso de Metronidazol 500
mg, por via oral, duas vezes ao dia, durante 5 dias e abstinência sexual até o final do
tratamento.

2º atendimento
Em 24/07/2019, VFB retornou ao setor de Ginecologia do HUB apresentando perda
ponderal de 10 kg em dois meses, disfagia, anorexia, tosse produtiva há três semanas,
diarréia liquida (três episódios/dia). Exame físico de admissão apresentava-se em mal
estado geral, desidratada, emagrecida, hipocorada, consciente e orientada. Linfonodos
supraclaviculares palpáveis e dolorosos. Os exames de sangue apresentaram taxa de
CD4+ de 120 cel/mm3. A qPCR mostrou-se positiva para HIV, com carga viral de
198.137 cópias. O exame de Papa Nicolau detectou a presença do mesmo patógeno
identificado no 1º atendimento. Foi internada para dar início à terapia antirretroviral
(zidovudina 300mg + lamivudina 150 mg e lopinavir 200 mg + ritonavir 50 mg)
associada ao uso de Metronidazol. Após 20 dias, a paciente recebeu alta hospitalar.
QUESTÕES PARA ORIENTAR A DISCUSSÃO
1.Qual a hipótese diagnóstica mais provável para o caso clínico? Identifique os
elementos do texto que o fizeram chegar a essa conclusão.

2. VFB representa o típico paciente acometido por essa infecção? Insira dados
epidemiológicos em sua resposta.

3. Por que o corrimento vaginal apresentado por VFB era fétido e bolhoso? E por que
ele piorava após o período menstrual?

4. Os episódios recorrentes de perda gestacional e o fato de ter tido um RN PIG podem


estar relacionados à infecção apresentada pela paciente? Explique

5. Que característica clínica clássica foi identificada na paciente? Em que porcentagem


de pacientes é possível identificá-la? Explique sua patogênese.

6. Descreva os principais achados presentes na lâmina coletada no Papanicolau,


detalhando a morfologia do patógeno identificado.

7. Discorra sobre o fato de a equipe médica ter prescrito o tratamento com Metronidazol
ao casal.

8. Que sintomas o marido de VFB poderia estar apresentando?

9. A infecção inicial apresentada por VFB pode ter contribuído para aquisição do HIV?
Explique. Que outras patologias também podem ser associadas à infecção inicial?

10. Que medidas profiláticas VFB deveria adotar para evitar de se infectar novamente?