Você está na página 1de 21

A SOCIOLOGIA

1. O que é?
- A sociologia como estudo da vida social humana, dos grupos e
das sociedade
- A abordagem sociológica: conexões entre indivíduos e
sociedade
- Exemplo: uma abordagem sociológica de uma decisão judicial
- O caso dos “rolezinhos” no Rio e em Niterói
2. Como surgiu?
- Contexto: transformações políticas, econômicas e sociais nos
séculos XVIII e XIX

- Reflexões sobre a sociedade e a sociologia como disciplina

1
A SOCIOLOGIA
3. Com quem surgiu?
- Augusto Comte: inventor do termo “sociologia”
- A ciência que explicaria as leis do mundo social
- Contribuição: sistematização e unificação de uma ciência da
sociedade, o que permitiu sua posterior profissionalização
- Positivismo e sua religião positivista
- “Pais fundadores”
- Karl Marx (1818-1883): investiga as transformações trazidas
pela Revolução Industrial
- Dedicou-se a várias áreas do conhecimento
- A modernidade é marcada por um novo modo de
produção: o capitalismo
- A relação capital x trabalho: produção de
desigualdades

2
A SOCIOLOGIA
3. Com quem surgiu?
- “Pais fundadores”
- Emile Durkheim (1858-1917): investiga as formas pelas quais
a sociedade mantém-se unida na modernidade
- Precursor da institucionalização da sociologia
- Diante das mudanças sociais, estava interessado na
solidariedade social que nos afastaria do caos
- Solidariedade como integração em grupos e
regulação por valores comuns

3
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
1. Dados biográficos
- Weber (1864-1920): Jurista por formação e sociólogo tardio
- O Brasil é patrimonialista?
2. Crítica ao determinismo e a multicausalidade
- Weber também estava interessado em compreender as mudanças
sociais decorrentes da modernidade
- Sua originalidade está em sua oposição ao determinismo
- Enfatiza o estudo da ação social e suas motivações
- A história é indeterminada
- Multicausalidade: explicar a sociedade exige a conjugação de
múltiplos fatores
- Opõe-se ao determinismo, mas não nega o efeito de pressões
externas sobre os indivíduos
4
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
3. A sociologia para Weber
- Objetivo da sociologia: compreender o sentidos que os indivíduos
atribuem às suas condutas
- Contrário a uma sociologia normativa
- Nenhuma ciência pode dizer às pessoas como viver ou ensinar
às sociedades como se organizar
- Nenhuma ciência pode indicar à humanidade o seu futuro
- Defende a separação entre atividade política e atividade científica
- O objetivo da sociologia não é reformar a sociedade nem produzir
uma teoria revolucionária
- Sociologia é uma ciência compreensiva e explicativa, destinada a
compreender e explicar a ação dos indivíduos e seus valores

5
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
4. A complexidade do mundo social e o tipo ideal
- “Tipo ideal”: ferramenta analítica
- Os tipos ideais definem aspectos fundamentais de um fenômeno,
mas na realidade estão combinados
- Tipos de ação
- Racional com relação a fins: indivíduo concebe um objetivo e
combina meios para atingi-lo
- A racionalidade é definida pelo agente e não pelo observador
- Modo de ação típico da modernidade
- Racional com relação a valores: indivíduo age racionalmente,
mantendo-se fiel aos seus valores, independente da obtenção do
resultado
- Afetiva: indivíduo age guiado por paixões
- Tradicional: indivíduo age em razão de hábitos ou costumes 6
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
4. A complexidade do mundo social e o tipo ideal
- Poder x dominação:
- Poder: imposição de uma vontade em uma relação social, mesmo
contra resistências
- Dominação: tipo especial de poder, em que há obediência a
ordens pelas pessoas
- Tipos ideais de dominação: distinguem-se conforme a motivação da
obediência
- Carismática: a obediência baseia-se na crença no extraordinário,
no carisma do líder (profetas, heróis e redentores)
- Racional-legal: validade do poder se expressa num sistema de
regras
- Possui uma administração burocrática: estrutura
administrativa e competências definidas
7
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
4. A complexidade do mundo social e o tipo ideal
- Tipos de dominação
-Tradicional: a obediência fundamenta-se na tradição, no sagrado
- O poder do líder é dado pela forma como age habitualmente
- O direito é baseado em precedentes
- Weber distingue quadro subtipos ideais
- Estruturas de poder mais simples: gerontocracia (dominação
exercida pelos mais velhos) e patriarcalismo (poder exercido
por uma única pessoa, determinada por regras de sucessão)
- Estruturas de poder mais complexas, quando o senhor possui
um quadro administrativo
- Sultanismo: senhor governa na esfera do livre arbítrio,
desvinculado da tradição
- Patrimonialismo: senhor governa orientado pela
tradição, cujo poder é exercido por direito pessoal 8
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
5. A emergência do mundo moderno
- Traço característico da modernidade será a “racionalização”
- Tornam-se predominantes o cálculo e a opção estratégica, a
universalização e a formalização de atividades sociais
- Com a racionalização as atividades sociais saem do domínio da tradição
e do sagrado em prol de uma lógica de eficiência e cálculo
- Reflexos na ciência, na economia e no direito
- Desenvolvimento da burocracia: divisão de competências,
regulamentação impessoal, decisões fundadas no direito instituído,
execução das tarefas baseadas em funções especializadas, a carreira
regulada por critérios objetivos
- A organização burocrática se estende a todas as formas de
organização modernas (partidos, ordens religiosas, empresas etc)
- Com a racionalização o estado se distingue dos clãs
- Direito racional, tesouro público, organização burocrática e
monopólio da violência 9
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
5. A emergência do mundo moderno
- Weber chama este processo de racionalização de “desencantamento do
mundo”, em razão da substituição de crenças mágicas pela ascensão do
conhecimento técnico e científico

6. A ascensão do capitalismo e o protestantismo


- Estas questões se ligam diretamente aos pressupostos da sociologia
weberiana
- Multicausalidade
- Oposição ao economicismo e ao determinismo
- Ênfase na ação social e seus aspectos culturais (valores e crenças)
- Investigará as razões para que o capitalismo e a modernidade terem
surgido na Europa Ocidental
- Um primeiro indício é que o capitalismo nasce primeiro onde
predominava o protestantismo
10
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
6. A ascensão do capitalismo e o protestantismo
- O florescimento do capitalismo está ligado ao surgimento de um
comportamento econômico peculiar
- Este se relaciona com uma ética do trabalho, do esforço e da
poupança
- É um comportamento típico do puritanismo calvinista, vertente
cristã protestante de origem inglesa
- A vida do cristão, para Calvino, deve tender a um engajamento no
mundo, em que o sucesso profissional é um meio de dar glória a deus
- A profissão é um dever, uma vocação e uma prova de fé
- Prega-se o gosto pela poupança, pela abstinência, a recusa do
luxo, a disciplina do trabalho
- Para Weber, constitui-se assim uma constelação de valores que
permite a uma elite protestante se dedicar, como um imperativo
moral, à indústria e ao trabalho
- Há uma afinidade entre tais traços e uma ética social capitalista 11
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
6. A ascensão do capitalismo e o protestantismo
- Há uma afinidade entre tais traços do protestantismo e uma ética social
capitalista
- O principal não é a busca do lucro, mas a forma racional e pacífica
de adquiri-lo
- Não se trata de uma relação causal direta, nem da primazia dos
traços culturais sobre os econômicos
- Weber ressalta apenas um dos elementos que contribuíram para
o surgimento do capitalismo na modernidade
- Assevera a relação recíproca entre ética protestante e espírito
do capitalismo

7. O “desencantamento do direito”
- Dentre os “pais fundadores” da sociologia, Weber é o único que se
dedica de forma específica ao estudo do direito
12
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
7. O “desencantamento do direito”
- Hipótese de Weber: a construção do direito moderno é um capítulo do
processo de racionalização das sociedades ocidentais
- Investigará as razões para este direito ter surgido na Europa e as
razões para ter afinidade com o capitalismo moderno e industrial
- Sua conclusão é que esse direito decorre de diversas peculiaridades
da história do direito ocidental: herança do direito romano,
tendências religiosas, econômicas e políticas
- Traço distintivo deste direito: grau de racionalidade (capacidade de
formular e aplicar regras universais)
- Esta racionalidade pressupõe também generalidade, que se
relaciona com as razões de decidir estarem ancoradas em
“disposições jurídicas”

13
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
7. O “desencantamento do direito”
- Outro traço relevante é o grau de formalidade do sistema jurídico
- Refere-se à capacidade de empregar critérios de decisão intrínsecos
ao sistema de direito
- Um direito aplicado por meio de procedimentos formais e garantido por
normas dotadas de generalidade e universalidade, restringe ações
arbitrárias, assegurando previsibilidade
- Quatro fases do “desencantamento do direito”
- Revelação carismática do direito através dos “profetas jurídicos”
- Criação e aplicação empírica do direito por “notáveis”
- Outorga do direito pelo imperium mundano e por poderes
teocráticos
- Codificação sistemática do direito e seu exercício por juristas
profissionalizados

14
A SOCIOLOGIA DE MAX WEBER
7. O “desencantamento do direito”
- Há uma progressiva substituição de fórmulas mágicas e da revelação
carismática do direito em prol de técnicas mais racionais
- Um direito racional, formal e sistematizado toma o lugar da lei
divinamente revelada
- Práticas do direito antigo são tidas como irracionais, incoerentes,
arbitrárias e engessadas pela sacralidade da tradição
- Para Weber, os juristas terão papel central neste processo
- A racionalização do direito está mais ligada a condições internas
(peculiaridades daqueles que podem influir profissionalmente) do que
a influências externas (economia, religião etc)
- Ressalta a importância de compreender a natureza do ensino jurídico na
construção de um pensamento jurídico
- O ensino do direito em escolas universitárias possibilitou a
construção do fundamento racional das normas jurídicas
- Constituiu o monopólio e autonomia dos juristas sobre sua atividade 15
O PLURALISMO JURÍDICO
1.Contexto de surgimento
- As primeiras reflexões datam de fins do século XIX e início do século XX
- Trataram da coexistência de mais de uma ordem jurídica num
mesmo território
- Enquanto movimento teórico, surge na segunda metade do século XX
- Contexto da crise do estado de bem-estar social
- Constituições valorativas, positivação de direitos sociais e crises do
capitalismo nos anos 1970
- Um outro contexto de surgimento é o de sociedades multiculturais

2. O pluralismo jurídico enquanto movimento teórico


- Embora hajam muitas divergências sobre seu conceito, em seu núcleo
está a contraposição a que o estado seja a única fonte do direito
- Crítica ao nomismo jurídico
- Defesa de outras formas de regulação presentes na sociedade 16
O PLURALISMO JURÍDICO
2. O pluralismo jurídico enquanto movimento teórico
- No Brasil, as reflexões sobre o pluralismo se inserem no âmbito do
“movimento do direito alternativo”, que teve repercussão nos anos 1980
e início de 1990
- Havia a denúncia de que o nomismo, em ligação com um formalismo
jurídico, atuaria na legitimação de desigualdades sociais
- O pluralismo jurídico no país estaria acompanhado de um projeto
político, tido como emancipatório por seu autores
- O reconhecimento de outras ordens jurídicas estaria em conexão
com os anseios de grupos vulneráveis e excluídos

17
A SOCIOLOGIA DE BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
1. Dados biográficos
- Juristas por formação, com doutorado na Universidade de Yale (EUA)
- Durante o doutorado, nos anos 1970, realizou pesquisa de campo na
comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro
- Realizou, em mais de quarenta anos, pesquisas em diversas áreas do
conhecimento, como epistemologia, teoria política e sociologia do direito

2. O pluralismo para Boaventura


- Causas para emergência do pluralismo
- Origem colonial: coexistência do direito do colonizador e do direito
tradicional local

18
A SOCIOLOGIA DE BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
2. O pluralismo para Boaventura
- Causas para emergência do pluralismo
- Origem não colonial:
- Países que adotaram o modelo de direito europeu como forma
de modernizar-se, sem que houvesse a eliminação das tradições
jurídicas locais no cotidiano da população
- Países que passaram por mudanças de seu regime político,
decorrente de conflitos político-revolucionários
- Países onde à população nativa ainda existente é permitida,
pelo estado, a manutenção de seu direito tradicional em certos
domínios
- Aponta que o pluralismo de ordens jurídicas se relaciona com a
existência de direitos locais em variados contextos (igrejas, zonas rurais,
bairros periféricos, empresas)
- Direito infraestatal, informal, não oficial, costumeiro
19
A SOCIOLOGIA DE BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
2. O pluralismo para Boaventura
- Estas ordens jurídicas não estatais, compostas por um conjunto de
processo e princípios, seriam modos de solução e prevenção de conflitos
nas unidades sociais em que existem

3. O direito de Pasárgada
- O autor publica, em 1974, em inglês, sua tese de doutorado defendida
na Universidade de Yale (EUA)
- Seu objetivo foi analisar a existência de um direito não estatal que
vigoraria na comunidade do Jacarezinho, fruto da organização dos
moradores
- Uma dos principais questões resolvidas pelo direito local se
relacionavam à posse e propriedade de imóveis, tidos por ilegais pelo
“direito oficial”
- Este direito local tinha como características o discurso informal, a
linguagem comum e o fato de se restringir à comunidade
20
A SOCIOLOGIA DE BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
3. O direito de Pasárgada
- Principais características do direito de Pasárgada
- Discurso informal e linguagem comum
- Restrito à comunidade
- Decisões, em geral, eram tomadas coletivamente
- Incipientes formas de coerção
- Guardava interações com o direito oficial, como forma de
legitimar-se internamente
- Como fica a aposta no pluralismo jurídico no caso de territórios
dominados por grupos armados?

21

Você também pode gostar