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prefácio

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Também designado por relação 80-20, o diagrama ABC (ou
curva de Pareto) é uma das mais famosas ferramentas de
gerenciamento.
Isso porque ele vem sendo amplamente adotada para
tomadas de decisões em obras.
Assim, o controle de orçamentos, a avaliação de impactos,
a priorização de redução de custos, e a classificação de
insumos são exemplos de benefícios da aplicação dessa
técnica.

– Como assim, João?

Veja bem, quando avaliamos todos os insumos, tarefas


simultâneas ou outros fatores de um projeto, lidamos com
diversos níveis de complexidades, grandes demandas e
recursos limitados. Confrontá-los de uma só vez, além de
ser um processo contraproducente de análise de fatores,
geraria uma sobrecarga de trabalho DESNECESSÁRIA.

– Ah, vá ! Você tá dizendo que focar em 100% dos meus


problemas é errado?
Não, não, vamos com calma.
O que eu quero dizer é que analisar 100% dos problemas

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pode se tornar um trabalho desnecessário. Isso porque em
vez de focar na totalidade dos problemas, podemos focar
apenas naqueles que mais afetam nosso projeto.
Ora, todos vocês que estão lendo esse artigo são pessoas
inteligentíssimas, certo? (Óbvio!)
Logo, precisamos traçar uma diretriz para atacar todos
esses fatores de modo assertivo, eficiente e unívoco.
Portanto, buscaremos priorizar as ações que nos trarão
melhor resultado. Eis que apresento a vocês o
maravilhoso Princípio de Pareto.
Por isso, segura minha mão e vamos iniciar mais uma
jornada pelo conhecimento.
índice

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[ 7 ] de onde vem a relação [ 22 ] elaborando uma
80-20? curva ABC

[ 11 ] entendendo a curva
de Pareto
sobre o autor

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Meu nome é João Victor e vou compartilhar com vocês um
pouco do que aprendi na Construção Civil.
Sou engenheiro civil, graduado na Universidade Estadual
do Piauí (UESPI), além de possuir formações
complementares na Missouri Western State University
(MWSU) e Arizona State University (ASU).
Atuei no acompanhamento, fiscalização e controle de obras
e ainda desenvolvi estudos em campo sobre produtividade
e desperdícios em canteiros de obras.
Como se não bastasse, sou um judoca aposentado e um
pseudo-nadador.
Depois dessa breve apresentação, espere que você goste do
conteúdo que preparei para você. Aproveite a leitura!
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“A melhor maneira de
prever o futuro é criá-lo
1

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de onde vem a relação
80-20?

Pra começar, deixa eu contar uma historinha. Foi por meio


de Joseph M. Juran que surgiu a primeira referência a essa
técnica, em homenagem ao economista italiano Vilfredo
Pareto.
Este, em 1897, demonstrou no seu Cours D’économie
Politique que a renda em vários países se amoldava a uma
mesma relação dada por:
A
u=
( v + K )a
Com isso, Pareto concluiu que apenas 20% da população
detinha 80% das terras na Itália – outras fontes costumam
citar que o estudo foi feito com referência à renda mundial,
mas isso não nos interessa no momento.
O fato é que, dessa observação, o princípio se estendeu a
praticamente todos os campos da ciência.
Logo, generalizou-se a seguinte premissa:

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“80% das consequências advêm de
20% das causas”.

Assim, a maioria das problemáticas se devem a um


pequeno número de causas. Ou seja: poucas são
significativas, mas a maioria é trivial.
E, meus amigos, essa é a premissa basilar que
fundamentará todas as formas de se expressar esse
processo de priorização. Portanto, atenha-se a essa ideia.

– Por que você diz isso, João?

Muito simples! Ao longo dos anos, esta análise 80-20


passou a abranger três categorias. Por isso falamos em
“ABC”. Então, a faixa de valor que antes equivalia a 80%
das causas (Faixa “A”) passou a variar de autor para autor.
Por exemplo:
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Exemplo de distribuição de faixas de priorização

Relaxe, entraremos em mais detalhes sobre isso ao longo


deste e-book.
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“Se eu tivesse oito horas
para derrubar uma
árvore, passaria seis
afiando meu machado.”
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entendendo a curva
de Pareto

A despeito das diversas faixas que podem ser adotadas,


tenha em mente que não há um rigor quanto aos valores
escolhidos.
Assim, desde que atendamos à ideia-chave do corolário
estabelecido pelo Princípio de Pareto, o valor que
atribuiremos a cada faixa será discricionário.
Inclusive, já vi considerarem a Faixa “A” como 50%.
Obviamente, o tamanho da amostra deve ser estabelecido
pela equipe de auditoria/controle considerando fatores
como o escopo e o prazo da fiscalização; o valor do
edital/contrato e os riscos de existência de irregularidades
no empreendimento.
Em regra, a amostra de componentes selecionados deve
representar, ao menos, 80% do valor total do orçamento
(ou contrato). Entretanto, lembre-se: não se trata de uma

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obrigação.
Em contratos com poucos componentes, é possível
encontrar preços referenciais para mais de 90% do valor
total da obra.
Por outro lado, em contratos com quantidade grande de
itens (acima de 1.000), a amostra selecionada pode alcançar
cerca de 100 itens, representando somente 50% do valor
total, pois a inclusão de mais itens não acrescenta benefício
relevante.

Diagrama de Pareto setorizado por 3 faixas principais

Por exemplo:
Imaginemos os itens do orçamento de uma obra. É
aceitável que os itens mais importantes (Faixa “A”)
representem de 10% a 20% do número total de
itens (causa), mas que respondam por cerca de 80% do
valor total do orçamento (consequência).
Já a Faixa “B” pode abarcar cerca de 30% dos itens,

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correspondendo a cerca de 15% do valor total (itens de
importância intermediária).
Enfim, a Faixa “C”, que inclui aproximadamente 50% dos
itens, contém apenas cerca de 5% do valor total orçado
(itens menos importantes).
No exemplo acima, foi considerado:

• Faixa “A” = 80%


• Faixa “B” = 15%
• Faixa “C” = 5%

Todavia, a ideia de priorização se manteve, porque nosso


objetivo é determinar os itens que mais importam.
Para não dizer que sou uma pessoa ruim, vou te passar
uma noção geral sobre o que significa cada faixa.

Faixa “A” da curva ABC

Primeiramente, temos a faixa “A”. Ela inclui os itens mais


significativos do orçamento, aos quais deve ser dado
tratamento especial.
Normalmente, é nessa faixa que se concentra a relação 80-
20 para a seleção dos itens. Então, a curva “A” nos
retornará qual a menor quantidade possível de
itens (20%) que equivalerá a 80% do valor total do projeto.
Então, imagine que tenhamos 1.000 itens em nosso

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orçamento cujo valor total da soma dos itens fosse R$
10.000.000,00.
Logo, somente 200 desses itens equivalem a R$
8.000.000,00. Ou seja, temos 800 itens que apenas somam
2.000.000,00.

Faixa “B” da curva ABC

Contém os itens de relevância intermediária. Os elementos


que compõem a curva “B” representam aqueles que não
são tão significativos no custo.
Porém, eles têm o condão de aproximar a somatória total
dos custos a aproximadamente 95%. Ou seja, praticamente
o valor de todo o projeto.
Considerando a adoção de uma faixa “B” de 15% do valor
total para 30% dos produtos, vamos rever o exemplo
anterior.
Temos 1.000 itens e R$ 10.000.000,00 na soma total.
Portanto, temos que 300 é o número mínimo de itens que
podem somar um total de R$ 1.500.000,00.

Faixa “C” da curva ABC

Finalmente, aqui temos os componentes de menor


importância relativa, que podem receber atenção
circunstancial.
Inicialmente, focar em qualquer dos itens que recebam essa

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classificação seria um trabalho contraproducente.

Vejamos agora outro exemplo

Imagine que o seu Departamento de Produção apresentava


um consumo anual de 9.000 materiais diferentes.
Precisa-se fazer um estudo para redefinir a sua política de
estoques. Devido ao elevado investimento em estoques,
convém identificar os grupos de materiais que deverão ter:

• controles mais rígidos (classe A)


• intermediários (classe B)
• mais simples (classe C)

Bem, sabemos que a curva ABC pode nos fornecer a


ordenação dos materiais pelos respectivos valores de
consumo anual.
Assim, pelas análises, verifica-se que uma pequena
porcentagem de itens da classe A é responsável por grande
porcentagem do valor global (investimento anual grande).
Como veremos à frente, trata-se de uma curva com grau de
concentração forte.
Assim, adotando faixas de 70%-20%-10%, a análise do
responsável pelo departamento resultou:
• Classe A: 8% dos itens (720) corresponderão a 70%
do valor anual do consumo;
• Classe B: 20% dos itens (1.800) corresponderão a 20%

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do valor anual do consumo;
• Classe C: 72% dos itens (6.480) corresponderão a 10%
do valor anual do consumo.

Portanto, verificou-se que, para controlar 90% do valor de


consumo, basta estabelecer controles sobre 28% dos itens,
ou seja, sobre os 2.520 primeiros itens (classes A e B) da
curva ABC. A classe C, que se compõe dos 6.480 itens
restantes, corresponde a apenas 10% do valor do consumo.

A divisão em três classes (A, B e C) é mera questão de


conveniência, uso e bom-senso, sendo possível
estabelecer tantas classes quantas forem necessárias para
os controles a serem estabelecidos.

Concentração das curvas resultantes

Queridos, há outras peculiaridades quando ao traçado da


Curva ABC: a concavidade da curva e seu grau de
concentração.
Bem, é notório que TODAS as obras possuem
particularidades; portanto, existirão diferentes curvas ABC
que corresponderão à realidade de cada obra.
Contudo, algumas análises rápidas podem ser feitas
apenas pela mera observação dos incrementos da curva.
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Se todos os itens possuem o memso valor e,
consequentemente, a mesma participação, diz-se que não
há concentração.

Portanto, o nosso diagrama de pareto será representado


por uma reta.

Agora, quando os valores mais elevados estão


concentrados em um número muito pequeno de itens,
então há uma concentração forte.
Logo, o gráfico terá um acentuado crescimento para os
primeiros itens (aqueles de maior valor).
Em seguida, terá um trecho de crescimento relativamente

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muito menor (relacionado aos itens de menor valor)
Finalmente, situações intermediárias são representadas
pelas curvas indicadas como de Média Concentração e
Fraca Concentração.
Por fim, ressalta-se que, na Construção Civil, raramente
uma curva ABC assumirá contornos diferentes de uma
“Concentração Forte”.

Outros benefícios e recomendações

1) Deve-se elaborar uma curva ABC para o orçamento-


base da licitação ou para a planilha contratual, conforme o
caso, com o intuito de otimizar a verificação acerca da
existência de sobrepreço no orçamento e a definição do
ponto de equilíbrio econômico-financeiro inicial do
contrato, por exemplo.

2) Em obras em andamento ou concluídas, nas quais tenha


ocorrido mudança da planilha contratual original, também
se deve fazer uma curva ABC para o orçamento atualizado
do contrato, após eventuais aditivos, ou com as
quantidades efetivamente executadas, no caso de obras
acabadas sem formalização de aditivos.
Assim, tal curva, quando comparada à curva ABC do
orçamento inicial, permite identificar a ocorrência de jogo
de planilha mediante a quebra do equilíbrio econômico-
financeiro do contrato em desfavor da Administração

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Pública.
Também permite identificar o montante atualizado do
sobrepreço ou superfaturamento de um contrato.

3) Na elaboração da curva ABC, os serviços devem ser


ordenados de acordo com a sua participação relativa no
valor total das obras, em ordem decrescente, determinando
o peso percentual do valor de cada serviço em relação ao
valor do conjunto e, em seguida, o percentual acumulado
desses pesos.

4) Por fim, as faixas “A” e B refletem os itens mais


importantes da curva ABC, aos quais deve ser dado
tratamento especial por parte da equipe de auditoria. Logo,
a faixa C representa componentes de menor importância
relativa, podendo receber atenção circunstancial, visto
que aditivos podem aumentar seus quantitativos e
valores, alterando suas posições na curva ABC.

Procedimentos

Basicamente, podemos seguir o seguinte passo a passo:

1. Defina o objetivo da análise (por exemplo: índice de

produtividade).
2. Estratifique o objeto a analisar (índice de

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produtividade por: serviço; equipe; etapa; custo).
3. Colete os dados, utilizando uma folha de verificação

ou Excel, por exemplo.


4. Classifique cada item.

5. Reorganize os dados em ordem decrescente.

6. Calcule a porcentagem acumulada.

7. Construa o gráfico, após determinar as escalas do

eixo horizontal e vertical.


8. Por fim, construa a curva da porcentagem
acumulada. Ela oferece uma visão mais clara da
relação entre as contribuições individuais de cada um
dos fatores.

Por meio do princípio de pareto, temos todas as


ferramentas para perceber a clara descompensação
existente entre todas as causas e os efeitos. Então, nos
guiará para pelo estudo das paridades esforço-resultado e
ação-objetivo.
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3

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elaborando uma curva
ABC

Neste capítulo vamos fazer uma Curva ABC ou Diagrama


de Pareto com um exemplo prático e simples.
Então, vamos por em prática toda fundamentação sobre
esta ferramenta gerencial explicada no capítulo anterior!

Vamos colocar a mão na massa?

Exemplo proposto

O nosso exemplo consiste em uma obra de implementação


de sistema de abastecimento de água. Ao todo, o
orçamento sintético foi composto por 90 pacotes de
trabalhos juntamente com seus respetivos custos totais.
Entretanto, por uma questão de praticidade, vou
apresentar a você apenas o segundo nível (primeiro nível
de decomposição) da nossa EAP. Ou seja, as fases que
estabelecem o ciclo de vida de nosso projeto.
Portanto, as imagens apresentadas serão apenas um

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resumo dos serviços realizados.
Para fazer uma curva ABC ou diagrama de Pareto, nós
contaremos com seis etapas bem tranquilas.

Sério, quando eu falo “tranquilas”, eu quero


dizer tranquilas mesmo!

Etapa 1: definir os dados do estudo

Certo, meus queridos. O primeiro passo para a construção


de uma curva ABC (Pareto) é a definição de quais dados
queremos analisar. Isso porque existem curvas ABC para
as mais diversas situações.
Podemos utilizá-la para fazer estudo de clientes
(ou stakeholders), para categorização de insumos, para
estudo de participação ou produtividade (ex: 20% da
equipe que faça 80% das tarefas), avaliação de impactos,
controle de estoque, avaliação dos custos etc. Assim, cabe a
você saber quais dados quer avaliar.
No nosso caso, vou fazer um estudo sobre o custo de cada
etapa. Ou seja, meu objetivo é saber em qual das fases eu
vou gastar mais dinheiro para, a partir daí, iniciar minhas
tomadas de decisão a fim de reduzir nossos custos.
Tabela 1 – Definindo os dados do estudo

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DESCRIÇÃO Total (R$)
Administração local 6.680,68
Serviços preliminares 8.092,42
Poço tubular – 150 m 59.181,21
Instalações elétricas 19.589,36
Abrigo do quadro de comando 6.478,85
Torre elevada de 8,0m para reservatório de 23.477,98
15.000 l em fibra de vidro
Rede de distribuição 25.062,77
Ligações domiciliares 8.618,00
Cerca de proteção 1.946,66
Sistema de proteção 763,33
Escada de marinheiro 3.509,60
Serviços finais 2.622,49
TOTAL 166.233,35

Etapa 2: ordenar os valores

Pronto! Agora, vamos simplesmente ordenar nossos dados


em ordem decrescente – ou seja, do mais caro para o mais
barato.
Então, repare que agora sabemos que nossa atividade mais
onerosa será o “Poço Tubular – 150 m”, que consiste em
tarefas como perfuração, revestimento e complementação,
perfilagem, desenvolvimento, limpeza, testes, desinfecção e
outros complementos.
Essa ordenação nos permitirá determinar qual o número

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mínimo possível de atividades que irão impactar ao
máximo em nosso estudo.
Veja a tabela abaixo.

Tabela 2 – Ordenando os valores


DESCRIÇÃO Total (R$)
Poço tubular – 150 m 59.181,21
Rede de distribuição 25.062,77
Torre elevada de 8,0m para reservatório de 23.477,98
15.000 l em fibra de vidro
Instalações elétricas 19.589,36
Ligações domiciliares 8.618,00
Serviços preliminares 8.092,42
Administração local 6.680,68
Abrigo do quadro de comando 6.478,85
Escada de marinheiro 3.509,60
Serviços finais 2.622,49
Cerca de proteção 1.946,66
Sistema de proteção 763,33
TOTAL 166.233,35

Etapa 3: somatório acumulado

Tá vendo como eu não estava mentindo para você? Até o


momento, está tudo bem tranquilo, e eu prometo que
continuará assim.
Bem, nosso próximo passo consiste no cálculo cumulativo

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de nossos custos (soma do valor atual com o valor
apresentado na linha superior a este).

Mas por quê, João?

É simples, meus amigos. Em Estatística, os somatórios


cumulativos servem para nos dar a dimensão de
participação de um conjunto de dados.

Calma, vou explicar melhor.

Ao ordenarmos os valores do maior para o menor, temos


uma primeira categorização: nós colocamos os maiores
impactos financeiros no topo.
Então, ao fazermos a soma cumulativa, podemos visualizar
melhor quanto eu gastaria de um serviço até o outro. E é
este estudo do “até” que nos importa aqui.
Veja a tabela abaixo.
Tabela 3 – Calculando o somatório acumulado

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Total
DESCRIÇÃO Total (R$)
Acum. (R$)
Poço tubular – 150 m 59.181,21 59.181,21
Rede de distribuição 25.062,77 84.243,98
Torre elevada de 8,0m para reservatório 23.477,98 107.721,96
de 15.000 l em fibra de vidro
Instalações elétricas 19.589,36 127.311,32
Ligações domiciliares 8.618,00 135.929,32
Serviços preliminares 8.092,42 144.021,74
Administração local 6.680,68 150.902,42
Abrigo do quadro de comando 6.478,85 157.381,27
Escada de marinheiro 3.509,60 160.890,87
Serviços finais 2.622,49 163.513,36
Cerca de proteção 1.946,66 165.460,02
Sistema de proteção 763,33 166.223,35
TOTAL 166.233,35

Com o somatório cumulativo, eu consigo afirmar que


“Poço tubular – 150 m” e “Rede de distribuição” são
responsáveis por R$ 84.243,98 de toda a obra.
Agora, se eu quiser incluir neste conjunto a “torre
elevada”, basta olhar para a linha referente ao seu custo
acumulado.
Portanto, essas três atividades, juntas, equivalem a R$
107.721,96.
Beeeem, fácil, né?
Etapa 4: porcentagem do somatório acumulado

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Tendo dimensão dos custos cumulativos, agora vamos
avaliar a participação de cada grupo etapa em todo o
projeto. Logo, vamos dividir o total acumulado de cada
linha pelo valor total da obra (R$ 166.223,35).
Então, faremos o seguinte:
A primeira linha nos diz que apenas o “Poço Tubular – 150
m” corresponde a 35,60% de todo o custo da obra. Em
seguida, vamos adicionar o item seguinte: “Rede de
distribuição”.
Tabela 4 – Porcentagem do somatório acumulado
Total
%
DESCRIÇÃO Total (R$) Acum.
Acum.
(R$)
Poço tubular – 150 m 59.181,21 59.181,21 35,60%
Rede de distribuição 25.062,77 84.243,98 50,68%
Torre elevada de 8,0m... 23.477,98 107.721,96 64,81%
Instalações elétricas 19.589,36 127.311,32 76,59%
Ligações domiciliares 8.618,00 135.929,32 81,78%
Serviços preliminares 8.092,42 144.021,74 86,64%
Administração local 6.680,68 150.902,42 90,78%
Abrigo do quadro de comando 6.478,85 157.381,27 94,68%
Escada de marinheiro 3.509,60 160.890,87 96,79%
Serviços finais 2.622,49 163.513,36 98,37%
Cerca de proteção 1.946,66 165.460,02 99,54%
Sistema de proteção 763,33 166.223,35 100,00%
TOTAL 166.233,35
Com isso, agora eu vejo que as minhas duas etapas MAIS

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CARAS (por isso que nós ordenamos do maior para o
menor) equivalem a 50,68% de toda minha obra.
Logo, metade de tudo o que eu investirei na minha
execução têm origem apenas em 02 fases, de um total de
12.
Sim, de todas as nossas DOZE etapas, apenas duas
corresponde a mais da metade dos custos.
Então, seguiremos fazendo o mesmo procedimento até
chegarmos a 100%.

Etapa 5: definindo sua classificação ABC

Para o meu exemplo, vou classificar com os valores


A=50%, B=30% e C=20%.
Assim, dividiremos nossas atividades por nível de
impacto; sendo as atividades classificadas como “A”
aquelas que nos importam de fato.
Entenda uma coisa: essa classificação não representa
apenas a participação das atividades. Ou seja, quando eu
falo em A=50%, eu não estou simplesmente afirmando que
estes serviços equivalem a 50% da obra. Mas sim que estes
serviços são os 50% QUE MAIS IMPACTAM na obra.
Estamos entendidos?

– Mas João, por que você escolheu 50%, 30% e 20% na sua
classificação ABC?
Simples. Porque eu quis, meus amigos.

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A adoção das faixas é discricionária. Portanto, ela será
definida pelo gestor/administrador que realiza a análise
com base na sua experiência e bom senso.
Caso queira, pode seguir o padrão adotado neste exemplo
sem problemas.

Tabela 5 – Classificação ABC


DESCRIÇÃO % Acum. CAT.
Poço tubular – 150 m 35,60% A
Rede de distribuição 50,68% B
Torre elevada de 8,0m... 64,81% B
Instalações elétricas 76,59% B
Ligações domiciliares 81,78% C
Serviços preliminares 86,64% C
Administração local 90,78% C
Abrigo do quadro de comando 94,68% C
Escada de marinheiro 96,79% C
Serviços finais 98,37% C
Cerca de proteção 99,54% C
Sistema de proteção 100,00% C
TOTAL 166.233,35

– Opa, João! Vi que “Rede de distribuição” entrou na categoria B


ali! Ela, juntamente com “Poço tubular”, somou mais da metade.
Por que isso?

O motivo é simples!
Lembre-se que a soma acumulada nos fornece um estudo

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do “até”. Portanto, “Poço tubular” é a única atividade que
pode contribuir com até no máximo 50% do valor total da
obra. Assim, quando incluímos o item seguinte, esse valor
máximo é superado por 0,68%.

Etapa 6: fazer representação gráfica

Por fim, apenas geramos um gráfico para o nosso relatório


final. Pronto, é assim que fazemos a curva ABC do nosso
exemplo.

Por fim, gostaria de ressaltar a importância que esse estudo


tem dentro de uma obra.
Entretanto, infelizmente, sua utilização vem sendo
ignorada por muitos engenheiros. Por isso existe tanta dor
de cabeça!
Espero que você tenha gostado do nosso conteúdo!

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Abraço e até a próxima!
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