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Direito e Legislação

turma 2011
Professora Carolina S. J. Batista
Assédio Moral

 Momento histórico
Nossas vidas estão integralmente disponibilizadas em ambiente virtual. As principais
informações com relação a crédito, patrimônio, histórico educacional, além da privacidade
em sites de relacionamento estão dispostas na rede.
Nosso crédito no mercado é automaticamente consultado e verificada a nossa credibilidade
financeira, além da utilização do cadastro positivo.
Nesse ambiente surge o assédio moral virtual.

Assédio Moral Virtual


O termo “assédio moral” surge no Brasil em 1999 através do Projeto de Lei sobre assédio
moral da Câmara Municipal de São Paulo que dispõe sobre a aplicação de penalidade à
pratica desse comportamento entre o funcionalismo da Administração Pública Municipal
Direta.
Atualmente não existem leis que tratem sobre o tema, muito embora existam cerca de 25
projetos em tramitação sobre o tema.
Sobre o tema a Bahia apresenta o projeto de lei mais expressivo, muito embora seja
somente para administração pública estadual direta, indireta, fundacional e autárquica.

Assédio Moral
Para solucionar o problema atualmente é necessário ingressar com processo judicial
visando uma indenização requerendo a condenação em danos morais, danos à imagem,
danos materiais e perdas e danos.
Tais indenizações somente são alcançadas no bojo de alguma ação trabalhista ou
individualmente em processo cível.
Não existe a figura de um crime pela pratica de assédio moral.
A certificação SA8000 é utilizada por algumas empresas para assegurar sua
responsabilidade social. Dentro do conceito de responsabilidade social poderia ser listada a
ausência de assédio moral nas relações de emprego, ou seja, obteria essa certificação uma
empresa que garantisse um ambiente saudável a seus funcionários.
Essa certificação é feita pela SAI (Social Accountability International). O único problema é
que a certificação restringe-se à empresas privadas.

 Conceito de assédio moral


Exposição de trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o
exercício de sua função, de forma repetitiva e prolongada ao longo da jornada de trabalho.
Conceito estruturado:
- Repetição sistemática
- Intencionalidade
- Direcionalidade (pessoa escolhida como “vitima”)
- Temporalidade
- Degradação deliberada das condições de trabalho

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Conceito jurisprudencial:
O assédio moral é caracterizado por ser uma conduta abusiva, de natureza psicológica, que
atenta contra a dignidade psíquica, de forma repetitiva e prolongada e que expõe o
trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras, capazes de causar ofensa à
personalidade, à dignidade ou à integridade psíquica, que tenha por efeito a ameaça ao
emprego e deteriorando o ambiente de trabalho.
Assédio Moral
 Conceito de dano moral:
Para o Professor Yussef Said Cahali, "é a privação ou diminuição daqueles bens que
têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz, a tranqüilidade de espírito, a
liberdade individual, a integridade individual, a integridade física, a honra e os demais
sagrados afetos, classificando-se desse modo, em que afeta a parte social do patrimônio
(honra, reputação, etc.) e que molesta a parte afetiva do patrimônio (dor, tristeza,
saudade, etc.), que provoca direta ou indiretamente patrimonial (cicatriz deformante,
etc.) e puro (dor, tristeza, etc.)“
Encontra-se disposto no art. 186, CC:
Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito
Assédio Moral
 Assediados e Assediadores
O Assediado é a vítima.
O Assediador não é necessariamente um superior hierárquico.
O assédio moral pode ocorrer entre pares, ou seja, entre pessoas do mesmo nível
hierárquico, ou ainda, de um subordinado para seu superior.
Assédio Moral
 Forma de ocorrência e consequências
- Abuso de poder
- Beneficiamento da empresa

A vítima pode sofrer danos mentais e físicos, através de transtornos psicológicos que
podem manifestar-se como crises de choro, gastrite nervosa, dores de cabeça, cansaço,
idéias suicidas, manchas pelo corpo, queda de cabelo, crises de stress, etc.

 Consequências para a empresa:


Alguns julgados já reconhecem a responsabilidade das empresas quando sabem da situação
de assédio moral e ficam silentes já que a situação pode causar competitividade com
consequente ganho de produção e resultados.

Em caso de assédio moral as empresas podem sofrer com:


- Funcionários afastados por questões de saúde;
- Gastos com planos de saúde;
- Gastos com seguros saúde;
- Indenizações por danos morais;
- Perda de funcionários capacitados, etc.

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 Curiosidade:
Em geral as pessoas acabam se minorizando e acreditando que merecem o tratamento que
recebem ou que a situação se aplica a ela, e suportam o assédio moral em média por 1,5 ano
na iniciativa privada e até 8 anos na iniciativa pública.
Direito Digital
 Conceito

O Direito Digital é o conjunto de regras e códigos de conduta que regem o comportamento


e as novas relações dos indivíduos, cujo meio de ocorrência ou a prova da manifestação de
vontade seja o digital, gerando dados eletrônicos que consubstanciam e representam as
obrigações assumidas e sua respectiva autoria. Deve, portanto, reunir princípios, leis e
normas de auto-regulamentação que atendam ao novo cenário de interação social não
presencial, interativo e em tempo real. O Direito Digital é, portanto, a evolução do próprio
direito, para atender às mudanças de comportamento e as necessidades de novos controles
de conduta gerados pelo uso da Tecnologia.

Direito Digital
 Evolução Histórica
Um dos primeiros cientistas a considerar a interação da Cibernética com o Direito foi
Norbert Wiener, conhecido como o “Pai da Cibernética” e conceitua da seguinte forma esta
interação:
“O controle ético aplicado à comunicação e à linguagem enquanto forma de comunicação,
especialmente quando tal aspecto normativo esteja sob o mando de alguma autoridade
suficientemente poderosa para dar às suas decisões o caráter de sanção social efetiva.”
Pode-se afirmar que o direito digital surge ao mesmo tempo em que surge a informática e a
internet, já que necessário regular a interação entre homens e a realização de negócios
jurídicos neste ambiente.
O Direito Digital é a evolução do próprio Direito, que deve atender a questões
multidisciplinares e trazer soluções que integram aspectos técnicos e jurídicos, com as
novas linguagens e comportamentos do ambiente digital.
Há menos de um século atrás, riqueza e sucesso vinham para aqueles que produziam e
distribuíam mercadorias manufaturadas. Hoje, riqueza e sucesso vêm para aqueles que
utilizam computadores para criar, reunir, aplicar e disseminar informações.
Entre os indivíduos em quase toda linha de trabalho, os vitoriosos são aqueles que possuem
conhecimentos gerais de informática e conhecimentos gerais sobre o domínio da
informação.
Para regulamentar as diversas situações recorrentes do ambiente virtual, é necessário
aplicar a legislação existente de forma analógica quando necessário e, criar novas leis para
tratar de assuntos como por exemplo, a Identidade Digital, a proteção de bancos de dados,
as testemunhas virtuais existentes, qual versão será a original, ou seja, a impressa ou a
virtual, dentre outras situações.

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 Relação com outros ramos do Direito
- Direito Constitucional
É inviolável o sigilo da correspondência (e-mail)
- Direito Penal
Principio da anterioridade da Lei Penal, ou seja, de acordo com art. 1ª do CP e art. 5ª,
XXXIX, CF: “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal".

- Propriedade Intelectual
Punir a pirataria, plágio e qualquer delito contra os direitos autorais e industriais. Convênio
de Berna para a proteção das Obras Literárias e Artísticas de 1971 (não tratou das bases de
dados)
- Direito Civil
Contratos e princípios contratuais
Direito Digital
 Temas que deveriam ser tratados pelo Direito Digital
- as fraudes provocadas por manipulação de dados e programas;
- o furto, a apropriação indébita e o estelionato no âmbito da informática;
- crimes do colarinho branco, contra a liberdade individual, a intimidade ou o sigilo
das comunicações por via digital;
- os delitos na área dos direitos autorais;
- os crimes contra a propriedade industrial, a proteção de marcas de indústria e
comércio (espionagem ou sabotagem industrial);
- a responsabilidade civil pelos danos causadas por vírus;
- os atentados às redes de telecomunicações nacionais e internacionais;
- a formação dos negócios jurídicos, o momento de sua consumação, a execução, a
simulação, a aplicação do direito do consumidor, etc.
-
 Diferenciação entre o real e o virtual para a filosofia
Teoria da Alegoria da Caverna de Platão
O que é virtual?
O que é real?
Virtual seria a sombra do que é real ou existe independente da realidade?
Virtual seria real de acordo com a ótica de observação?
Direito Digital

 Ética
Não fomos educados para os novos valores éticos digitais.
É necessario a elaboração de um código de ética internacional, dada a interligação do
ambiente virtual.

 Consequências legais
- Art. 482, CLT justa causa – violação de norma da empresa, violação de segredo da
empresa, negligência;

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- Súmula 341, STF – É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do
empregado ou preposto, assim, quando um funcionário comete ato de improbidade ou um
delito via e-mail, por ex. a empresa responde solidariamente;
- CC art. 186 – dano moral (causar dano a outrem)
- CC art. 187 – Cometer ato ilícito – “excede manifestamente os limites”.
Contratos Eletrônicos

 Conceito de Contrato
Acordo de Vontade entre duas ou mais pessoas para consecução de objeto lícito e possível
com a finalidade de obtenção, preservação, extinção ou modificação de um direito.

 Conceito de Contrato Eletrônico


É o negócio jurídico celebrado mediante a transferência de informações entre
computadores, e cujo instrumento pode ser decalcado em mídia eletrônica.
É somente tipo de contrato e, não, nova forma de contratar.

Contratos Eletrônicos
 Formação
Pela manifestação de vontades a única diferença é a forma como é exteriorizada a
manifestação das vontades, ou seja, por meio eletrônico.

 Momento: Quando uma das partes faz a proposta e a outra aceita.



Contratos Eletrônicos
Art. 427, CC – a proposta obriga o proponente, salvo se expressamente dito o contrário ou
as circunstâncias do caso concreto assim não o obriguem. Responde por perdas e danos.
A proposta pode ser para pessoas determinadas ou indeterminadas (banners, anúncios, etc.).
Pode ser revogada se chegar ao conhecimento do ofertado a retratação antes da proposta, e
quando enviada antes da aceitação do ofertado.
 Celebrado entre ausentes e entre presentes
- Entre presentes – inclusive com contratação simultânea por telefone e MSN.
- Entre ausentes – quando existe intervalo entre a proposta e a aceitação, ex. e-mail,
correspondência.
- Implicação pratica – se houver simultaneidade é fácil determinar o momento da
contratação e rechaçar a possibilidade de retratação da proposta e aceitação.
- Os contratos firmados por carta ou e-mail a aceitação é formada no momento do
envio da correspondência. Discussão doutrinária de que o momento da recepção seria o
melhor.
Contratos Eletrônicos

 Local da Conclusão:
- Art. 435, CC – contrato celebrado no lugar onde foi proposto.
- Contrato eletrônico – no lugar onde está o computador que enviou a proposta não
daria certo. Então sempre estabelecer foro de eleição, é o que sugere a Lei Modelo da
Uncitral, art. 15.4
 Foro = jurisdição aplicável

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- Foro de eleição – súmula 335 do STF
- Foro de domicílio do demandado – art. 94 e segs., CPC.
- Problema: Contrato internacional – se não houver foro de eleição será necessário
consultar os tratados internacionais.
 Art. 100, IV, CPC – onde a obrigação deve ser satisfeita:
- Caso não haja tratado internacional – lei do país/estado do ofertante, ou, se possível
a aplicação do CDC o foro será do lugar onde encontra-se o consumidor.
-
 Forma legal do Contrato Eletrônico:
- forma livre sendo exceção a imposição legal de forma, ex. contrato de compra e
venda de imóvel.
- privilégio legal da forma escrita quando superior a 10 salários mínimos.
- contrato eletrônico não tem a base escrita mas é instrumentado em base física, ex.
CD, disquete, fita magnética. A base é eletrônica de multimídia. Equiparado ao contrato
escrito/impresso.

 Identificação dos Contratantes:


- Mediante preenchimento de formulários eletrônicos
- Mediante assinatura digital – empresas certificadoras (cartórios on-line) regulamentadas
pelo ICP-Brasil (Infra-Estrutura de Chaves Públicas – Brasil)

 Assinatura Digital
 Conceito:
O assinante tem uma chave (alfanumérica) e quando a utiliza para codificar um documento,
gera uma nova chave que deve ser enviada para o receptor para que ele use para decodificar
o documento.
 Chave de segurança permite:
- identificação do autor do documento;
- paternidade e vinculação às obrigações nele constantes;
- função probatória
Em cartório o reconhecimento da assinatura é por semelhança, em um cartório virtual o
reconhecimento é por precisão técnica.

 Assinatura Digital:
- Assinatura Digital – MP n. 2.200-2 de 24/08/2001 cria a ICP-Brasil (Infra-estrutura
de chaves públicas brasileira)
- EC n. 32 de 11/09/2001, art. 2º equiparou o documento eletrônico ao escrito
“cartáceo”.
- Lei modelo da UNCITRAL só para países associados às nações Unidas
- EUA editou a “millenium digital commerce Act”, de 09/07/2000 regula a assinatura
e o documento eletrônico, mas não cria órgão responsável por sua fiscalização além de
deixar conceitos vagos quanto a tecnologia empregada para sua validação.
- Lei francesa seguiu o mesmo exemplo, ou seja, deixou conceitos vagos quanto a
tecnologia que deveria ser utilizada e o tipo de empresa que deveria certificar a assinatura
digital.

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- A Itália e o Brasil preferiram legislar acerca da forma de validade da assinatura
digital, ou seja, criptografada (em 1024 bits). A Itália garante a segurança através de chaves
assimétricas e o Brasil através do ICP-Brasil.

 Autoria:
- Quando enviada por resposta/mensagem automática se considera enviada pelo
remetente já que cabe ele demonstrar a não autoria quando lesado.
- Teoria da expedição regra geral do Código Civil – considera-se válido o contrato
quando enviada sua aceitação, ou seja, antes que a outra parte tenha conhecimento, vez que
a proposta vincula o proponente
- Alguns projetos de lei prevêem que para contratos eletrônicos o melhor seria a
teoria da recepção.
- Considera-se remetida a aceitação/proposta da sede ou locais de estabelecimento
principais.
-
 Prova do Contrato Eletrônico:
- Sempre que fixado em base material – CD, disquete, fita magnética ou qualquer
outra mídia magnética que permita sua reprodução em suporte cartáceo (papel por
exemplo).
- Ainda não se aceita a comprovação virtual do contrato eletrônico assim só será
considerada prova aquela que puder ser materializada.
-
 Contrato de Consultoria e Implantação de Software ou Rede
 Atividade em sala.
Consumidor Online

 Conceito de Consumidor:
- CDC, art. 2º - Toda a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final.
- Consumidor por equiparação = coletividade. Ex. publicidade enganosa – não
necessariamente o consumidor adquiriu produto ou serviço, mas, foi indiretamente afetado
pela publicidade enganosa.
-
- Teorias:
- Consumidor é aquele que retira DEFINITIVAMENTE de circulação o produto ou
serviço do mercado (#desenvolvimento de outra atividade empresarial). Teoria finalista.
- Consumidor basta que este utilize ou adquira o produto ou serviço na condição de
destinatário final, não interessando o uso particular ou empresarial do bem. Teoria
maximalista.
-
 Conceito de Fornecedor:
- CDC, art. 3º - Toda pessoa física ou jurídica, nacional ou estrangeira de direito
público ou privado que atua na cadeia produtiva, exercendo atividade de produção,
montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.

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- Requisito fundamental – habitualidade. Ex. empresa dedetizadora que vende veículo
de sua frota não está sujeita ao CDC, porque o foco de sua atividade empresarial não é a
venda de veículos.
- Sociedades sem fins lucrativos – também são fornecedoras quando prestam serviços
médicos, hospitalares, odontológicos e jurídicos a seus associados.
- Poder público – enquadrado como fornecedor de serviço toda vez que por si ou seus
concessionários, atuar no mercado de consumo, prestando serviço mediante a cobrança de
preço. Ex: fornecedor de serviço público de tratamento de água e esgoto; empresa
concessionária de estradas de rodagem que cobra pedágio mas não fiscaliza animais na
pista que ocasionam acidentes, etc.
 Conceito de Produto:
- CDC, art. 3º, §1º - Qualquer bem móvel ou imóvel, material ou imaterial.
- Assim qualquer bem que tenha valor econômico, destinado a satisfazer uma
necessidade do consumidor, é produto.
-
 Conceito de Serviço
- CDC, art. 3º, §2º - Qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as
decorrentes das relações de caráter trabalhista.
- Serviço é toda atividade desenvolvida em favor do consumidor diversa de produto.
-
Consumidor Online
 Periculosidade dos Produtos e Serviços. A lei não exige que o produto ofereça
segurança absoluta, mas, sim, a segurança mínima que o consumidor pode esperar. Ex:
fogos de artifício podem ser comercializados desde que o consumidor seja informado dos
riscos.

 Responsabilidade Civil:
- Objetiva para produtos e serviços (não precisa comprovar o dano)
- Subjetiva para serviços feitos por profissionais liberais (necessário comprovar o
dano)

 Vício:
- Não atinge a incolumidade física do consumidor, ficando adstrito somente ao
produto ou serviço. Ex: vender em quantidade ou qualidade menor do que o prometido ou
adquirido pelo consumidor.
-
 Defeito:
- Capaz de causar dano à saúde do consumidor. Ex: medicamento vencido que agrava
a doença.

 Reparação de danos materiais e morais:


- O CDC garante a efetiva reparação dos danos. Sendo nula qualquer cláusula que
impeça o recebimento de indenização pelo consumidor.
- A responsabilidade é solidária quando decorrente de lei ou vontade das partes.

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- Todos os fornecedores responderam solidariamente quando envolver relação de
consumo.

 Responsabilidade Civil pelo Fato do Serviço:
- Responsabilidade objetiva do fornecedor do serviço, bem como, responsabilidade
em razão de informação insuficiente ou inadequada sobre a fruição a respeito dos serviços e
produtos.
- O fornecedor só não será responsabilizado se provar que o defeito inexiste ou que
ocorreu por culpa exclusiva do consumidor.
- O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que dele se espera levando
em consideração as circunstâncias relevantes do caso.
- Os defeitos podem ser de concepção, de prestação ou de comercialização.


 Responsabilidade Civil pelo Vício do Serviço:
- Vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o
valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da
oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e sua
escolha:
• reexecução dos serviços, sem custo adicional (pode ser feito por terceiro, o custo
será do fornecedor, sempre utilizando peças novas)
• restituição imediata da quantia paga
• abatimento proporcional do preço
- São viciados sempre que se apresentarem inadequados para o fim a que se destinam
e não atenderem a normas regulamentares.

 Infrações Penais:
- omitir dizeres ou sinais ostensivos sobre a nocividade ou periculosidade de produtos e
serviços
Art. 63, CDC
- omissão de comunicação e retirada de mercado
Art. 64, CDC – não era de conhecimento do fornecedor quando colocou no mercado.
- execução de serviços altamente perigosos
Art. 65, CDC – contrariando determinação de autoridade competente
- fraude em oferta
Art. 66, CDC – fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação sobre a qualidade,
desempenho, durabilidade, preço, etc.

 Infrações penais:
- Publicidade enganosa ou abusiva
Art. 67, CDC – sabe ou deveria saber enganosa
- Publicidade prejudicial ou perigosa
Art. 68, CDC – induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua
saúde ou segurança
- Omissão na organização de dados

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Art. 69, CDC – fornecedor tem o dever de manter em seu poder os dados fáticos, técnicos e
científicos que dão sustentação à mensagem, para o fim de esclarecer qualquer interessado
sobre a veracidade e transparência da publicidade.
- Emprego não autorizado de componentes usados
Art. 70, CDC – empregar, na reparação de produtos, peças ou componentes de reposição
usadas, sem autorização do consumidor.

 Infrações Penais:
- Cobrança vexatória de dívida
Art. 71, CDC – não poderá ser exposto ao ridículo
- Impedimento de acesso às informações cadastrais
Art. 72, CDC – direito do consumidor de acesso às informações existentes em cadastros,
fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como suas
respectivas fontes.
- Omissão na correção de dados incorretos
Art. 73, CDC – deixar de corrigir informações cadastrais que sabe ou deveria saber
incorretas.
- Omissão de entrega de termo de garantia
Art. 74, CDC – garantia legal e garantia complementar

 Atividade em sala.
Defesa do Consumidor Online
 Discussões doutrinárias acerca da necessidade de se criarem leis específicas para a
defesa do consumidor online.
 As relações cibernéticas não diferem em sua natureza jurídica, assim a compra e
venda realizada pela internet tem a mesma natureza da compra e venda realizada entre
presentes.
 OBS: comércio eletrônico aumentou 40% em 2007 segundo o relatório
Webshoppers, somando 20,4 milhões de pedidos e 6,2 bilhões de reais. 95 milhões de
brasileiros compraram pela internet e 60% consideram a internet segura.
 O CDC só vai se aplicar quando houver uma relação de consumo.
 Nas hipóteses em que o CDC é aplicado os princípios básicos da indisponibilidade e
do equilíbrio contratual devem ser preservados a todo custo. São princípios destacados na
CF e expressos no art. 1º do CDC. São “ordem pública e interesse social”.
 Princípio da indisponibilidade – se aplica de forma obrigatória, mesmo quando
não invocado por qualquer das partes.
 Princípio do equilíbrio contratual – o consumidor é a parte mais fraca, chamada
“hipossuficiente”.

 Momento histórico:
 O CDC surge em 1990 e representa verdadeiro avanço em matéria de proteção às
relações de consumo. Surge em razão da CF de 1988 ter elevado a categoria de direito
fundamental a defesa do consumidor.
 Art. 5º. XXXII – o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.
 Nos EUA o CDC surgiu em razão de exigências dos consumidores, aqui no Brasil
surgiu em razão da evolução das negociações.

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Defesa do Consumidor Online
A internet apresenta uma série questões com relação à aplicação do CDC, por exemplo, a
internet não apresenta fronteiras, sendo possível acessar e concluir um negócio em um
website estrangeiro ou hospedado no exterior. Problemas: legislação aplicável à transação,
regime tributário incidente e a proteção jurídica disponível às partes.
Praticamente todos os sites, mesmo os de intermediação, que realizem negócios jurídicos,
estão sujeitos ao CDC quando caracterizadas as figuras do fornecedor e consumidor, ainda
que sejam originalmente:
 C2C – consumer to consumer
 B2B – business to business
 G2C – government to consumer
 Passariam a ser B2C - business to consumer
Defesa do Consumidor Online
 Os contratos eletrônicos não caracterizam novo tipo de contrato e sim,
simplesmente nova forma de contratar, ou seja, via internet.
 Para que seja válido em grandes negociações é necessário que haja validação da
assinatura eletrônica, através de um sistema de chaves assimétricas, regulamentadas pela
ICP-Brasil, conforme MP2.200/01.
 Na prática só é necessário ler o contrato e contratar com seus termos, sem espaço
para negociações – “click-wrap”. Verdadeiros contratos de adesão.
 Muito embora o contrato seja de adesão, por se tratar de relação de consumo, o
contrato não pode ser disponibilizado somente ao final da contratação, conforme art. 46 e
54, CDC.
Art. 46 – Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigam os consumidores,
se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se
os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu
sentido e alcance.

Defesa do Consumidor Online


 Responsabilidade de fabricante, produtor e construtor
Art. 12 – o fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador
respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto de fabricação, construção, montagem,
fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
Defesa do Consumidor Online
Defesa do Consumidor Online
 Se o fabricante for estrangeiro e o comerciante/importador for nacional responderá
pelos vícios do produto ou serviço.
 Quando o fabricante e o comerciante forem estrangeiros, uma hipótese de solução
seria acionar o website, a teor do art. 13, CDC.
Hipótese contestável, já que para outros doutrinadores um website deve sempre estar
atrelado a uma empresa real, ainda que seu objeto seja a exploração do comércio por meio
eletrônico, já que os websites não tem personalidade jurídica própria. São uma extensão do
ambiente físico.

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Os websites devem quando disponibilizam para venda produtos ou serviços com
informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas
características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e
origem, entre outros dados, informar o consumidor sobre os riscos que apresentam a saúde
e a segurança dos consumidores.
O contrato deve ser disponibilizado, ainda que forma eletrônica, art. 3º, CDC.
Qualquer propaganda online sujeita o anunciante às regras do CDC.
Proibida a publicidade enganosa pelo CDC.
Publicidade abusiva: a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à
violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e
experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. Art.
39, CDC

 Período de arrependimento:
Art. 49 – O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de sete dias a contar de sua
assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de
fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial,
especialmente por telefone ou a domicílio.
Existem discussões quanto ao estabelecimento virtual se enquadrar como dentro ou fora do
estabelecimento comercial, a fim de se determinar se haveria ou não o direito de
arrependimento nestas hipóteses. Parte da doutrina entende que é fora, muito embora em
tempo real, já que o objeto da lei não é a conceituação de estabelecimento comercial e sim
o local onde a atividade comercial é preponderante, assim o estabelecimento virtual, não
pode sempre ser considerada como fora do estabelecimento.

 Cautelas recomendadas:
- consultar histórico de reclamações do website, inclusive no PROCON
- verificar endereço, telefone, e-mail para dúvidas e reclamações
- verificar medidas para segurança das informações trocadas, não fornecer
informações desnecessárias
- manter cópia de todos os dados da compra
- exigir nota fiscal
- imprimir o contrato ou guardar em meio digital seguro.
Defesa do Consumidor Online
 Governo Eletrônico e CDC:
Atualmente é possível conseguir informações e até interagir com o governo de forma
primária, como por exemplo, o envio de requerimentos online, a remessa da declaração de
imposto de renda e a consulta de andamentos de processos.
O PROCON é exemplo da política de interatividade.
 Diferenciação entre serviços de informação e serviços de assistência virtual:
Serviços de informação – promover e divulgar os direitos do consumidor. Conscientização
social. Ex. www.portaldoconsumidor.gov.br
Serviços de assistência virtual – prestados virtualmente, compreendem os formulários
eletrônicos e os atendimentos via correio eletrônico – e-mail. Diminuição das filas,
arquivos em papel, sobrecarga dos funcionários públicos, facilidade de acesso para todos.

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Alguns PROCONs disponibilizam formulários para reclamações online, e atendimento
virtual (chat).
Sistemas inteligentes tendem a aproximar o cidadão do e-gov. Possibilitam uma diminuição
da estrutura física, logo, redução de gastos governamentais.
Defesa do Consumidor Online
 Marca e o CDC:
Por fim, cliente satisfeitos lembram da marca de forma satisfatória e fazem com que o valor
de mercado da empresa aumente.
Ferramenta – garantir total transparência nas negociações e coleta de dados cadastrais,
dando a oportunidade de retificação dos dados.
 Atividade em sala.
Proteção dos Direitos Autorais
 Obra intelectual é aquela derivada da criação ou espírito humanos, capaz de ser
percebida pelos sentidos.
 Os direitos intelectuais, são “aqueles referentes a relações entre pessoa e as coisas
(bens) imateriais que cria e traz à lume, vale dizer, entre os homens os produtos do seu
intelecto, expressos sob determinadas formas, a respeitos dos quais detêm verdadeiro
monopólio.”[1]
 A propriedade intelectual pode ser classificada em direitos autorais e direitos sobre
propriedade industrial. No primeiro caso temos as finalidades estéticas, de beleza, de
sensibilidade, de aperfeiçoamento intelectual, ou seja, a proteção das obras literárias,
musicais e científicas. No segundo caso temos as criações úteis destinadas a objetivos
práticos ou fins econômicos, ou seja, as invenções, as marcas e os desenhos industriais.
 [1] BITTAR, Carlos Alberto. Direito de Autor, 2ª ed., Rio de Janeiro, Forense
Universitária, 1994.
 As diferenças existentes entre uma e outra forma são mínimas e encontram-se além
de em seu próprio objeto, no período de monopólio do autor, que no caso da propriedade
industrial é bem menor dada sua utilidade para a sociedade e no fato e no fato da
necessidade de registro prévio para as produções de propriedade industrial.
 Com relação ao software, houve durante algum período discussão acerca do
enquadramento desta produção intelectual, ou seja, se seria propriedade industrial ou
direitos autorais.
 Somente no final da década de 1980 que a divergência começou a ser solucionada e
o software passou a ser considerado direito autoral, dada sua semelhança com a música, por
exemplo, que precisa de um suporte físico para ser representada.
 Ainda assim, alguns países como os Estados Unidos permitem o registro nas duas
espécies de propriedade intelectual dada a dificuldade de classificação, já que o software
apresenta características de ambas as hipóteses.
 Direito autoral – foi criado para remunerar o criador artístico e premiação do
esforço ao aumentar o patrimônio cultural da sociedade.
 Nunca antes o Direito Autoral afetou tão diretamente a vida do usuário final, ou a
indústria cultural esteve tão ameaçada; nem, nunca antes, o conteúdo autoral foi um ativo
tão valioso (não só pelos designs – nos termos do art. 2° da Lei 9.609/98 e do art. 10° do
TRIPS, os softwares são protegidos por Direito Autoral). Pela importância das mudanças, e
a resistência dos que serão prejudicados por elas, o processo não será simples.

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TRIPS: Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property, acordo internacional
negociado na rodada do Uruguai, promulgado no Brasil pelo Decreto 1.344/94.
Proteção dos Direitos Autorais
 As leis são insuficientes para punir todas as espécies de crimes praticados aos
direitos autorais na internet.
 Não existe legislação que puna especificamente o download de músicas e filmes.
 Uma das alternativas propostas pelos especialistas foi a criação do copyleft que
prevê que todas as obras podem ser copiadas desde que preservado os dados do autor. Esta
hipótese não foi bem aceita por apresentar enorme prejuízo financeiro aos autores.
 Outra alternativa é a gestão coletiva do Direito Autoral, em que uma agência
reguladora fiscalizadora responsável pela administração dos direitos dos autores
comercializa as obras e repassa parte dos valores obtidos para os detentores dos direitos
autorais. Tal proposta também não é muito aceita por deixar muito poder nas mãos de um
órgão fiscalizador e por colaborar para a criação de uma indústria cultural.
 A terceira e última proposta prevê a extinção completa dos direitos autorais. Que, é
claro, não foi a proposta mais aceita.
O software ou programa de computador foi uma das mais brilhantes invenções do século
passado, representando grande avanço tecnológico para a humanidade.
Para que seja comercializado, precisa ser materializado em algum suporte físico de
qualquer natureza.
A definição legal de software encontra-se disposta no art. 1º da Lei 9.609/1998 conforme
abaixo transcrito:
Art. 1º. Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções
em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de
emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento de informação, dispositivos,
instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para
fazê-los funcionar de modo e para fins determinados.
Assim, com relação à propriedade intelectual que merece ser protegida, o que irá
diferenciar um programa de outro que apresentam as mesmas finalidade e
ferramentas parecidas será a forma como se apresentam para o usuário, ou seja, a sua
expressão. O ponto diferencial será a forma pela qual a função ou finalidade pode ser
obtida ou sentida pelo usuário, conforme nos ensina Luiz Augusto Azevedo Sette.[1]
Desta forma, a teor do art. 8ª da Lei 9.610/1998, o que é protegido não é a idéia em si, mas
a forma de expressão do programa, ou seja, a maneira como se apresenta ao usuário.
Vejamos:
Art.8º. Não são objeto de proteção como direitos autorais do que trata esta Lei:
I – as idéias, procedimento normativos, sistemas, métodos, projetos ou conceitos
matemáticos como tais;
(...)

[1] Sette, Luiz Augusto Azevedo. Direito Eletrônico.1ª.ed. Bauru: EDIPRO, 2001.
Proteção dos Direitos Autorais
 Importante ressaltar que a interface do programa não é protegida pela legislação
brasileira, o chamado look and feel pela doutrina estadunidense, mas, muito embora não
tenha havido debate doutrinário acerca do tema, é importante mencionar que a interface
também foi objeto de criação pelo programador que se utilizou de programação.

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 Neste sentido, caminha a Organização Mundial de Propriedade Intelectual por meio
do “Model Provisions on the Protection of Computer Software” que indica que a proteção
conferida ao software deve ser concedida ao programa, materiais de suporte e manuais de
instrução.[1]
 Em outra visão o software, que possibilita o processamento da informação, pode ser
diferenciado através de programa operacional, que permite a utilização geral de um
periférico e o aplicativo que permite a utilização de uma função específica.

[1] World Intellectual Property Organisation (WIPO) “Model Provisions on the Protection
of Computer Software”, publicação nº 814, in
http://www.valimaki.com/org/software_copyright.html
Proteção dos Direitos Autorais
 O programa pode ser elaborado especificamente para um usuário determinado,
atendendo às suas necessidades ou ser um programa padrão que poderá ser utilizado por um
número indeterminado de pessoas, sem que estas possam alterar suas funções iniciais.
 A principal importância desse tipo de diferenciação diz respeito à forma como este
programa será comercializado, ou seja, no primeiro caso normalmente há uma locação do
direito de utilização do software, no segundo caso em geral ocorre a comercialização
através de um contrato de compra e venda do software.
 Importante ressaltar que tecnicamente o software deve ser entendido como o
programa, o suporte magnético, o manual de instruções e a documentação acessória, muito
embora para a legislação brasileira, assim como para a maioria dos países, o único objeto
de proteção via direitos autorais é o programa, devendo as demais criações se submeterem a
propriedade industrial.

 Ecad – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, Lei Federal 5.988/73 é
a entidade responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais das músicas que
são executadas publicamente. Essa execução independe do meio e é obrigatório o
pagamento também para serviços web como rádios virtuais e transmissões simultâneas.
Os valores são pagos ao órgão de acordo com o faturamento da empresa, caso a empresa
não tenha fins lucrativos será paga uma taxa menor.
Só em 2006 foram recolhidos R$200 milhões que foram repassados as 9 sociedades que
administram os valores de seus associados.
É forma de incentivar a produção artística.
Proteção dos Direitos Autorais
A proteção da propriedade intelectual no Brasil surge em 28 de agosto de 1830, conforme
transcrição
Art. 1º. A lei assegura ao descobridor, ou inventor de uma indústria útil a propriedade e o
uso exclusivo da sua descoberta ou invenção
E no Código Penal em 16 de dezembro de 1831, em seu art. 261, encontrava-se tipificado o
crime de contrafação, cuja pena era a perda dos exemplares, protegendo assim os direitos
autorais. A partir de então, em todas as Constituições Federais, com exceção da
Constituição de 1937, os direitos de propriedade intelectual sempre foram assegurados.
No entanto, somente a partir de 1987 com a Lei 7.646/1987 o Brasil passa a tratar da
propriedade intelectual do software garantindo ao direito status de direito autoral. Referida
lei criou critérios rigorosos para a comercialização de software, determinando que se

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fizesse uma reserva de mercado para os produtos nacionais, passou a punir os crimes de
pirataria, plágio e contrabando.
Em 1998 foi sancionada a Lei do Software, Lei 9.609/1998 que trata somente dos direitos
autorais do programa de informática e em seguida a Lei 9.610/1998 que se refere aos
direitos autorais propriamente ditos e que supletivamente se aplicam aos programas de
computador. Ambas as Leis visam regulamentar o art. 5º, XXVII da Constituição Federal
de 1988 que garante proteção aos direitos autorais como um todo.
Dentre as diferenças da lei anterior esta a tipificação do crime de violação de direitos do
autor de programa e um agravamento caso a violação seja para fins comerciais, isso sem
contar nos prejuízos fiscais por sonegação à Receita Federal. Continuam assegurados os
direitos patrimoniais de utilizar, fruir e dispor da obra pelo período de 50 anos, conforme
Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio
(Trade Related Property Rights -TRIPs) que o Brasil é signatário.[1]
[1] Lei 9.609/1998, in verbis: “Art. 6º. Não constituem ofensa aos direitos do titular de
programa de computador: I – a reprodução, em um só exemplar, de cópia legitimamente
adquirida, desde que se destine à cópia de salvaguarda ou armazenamento eletrônico,
hipótese em que o original servirá de salvaguarda; II – a citação parcial do programa, para
fins didáticos, desde que identificados o programa e o titular dos direitos respectivos: III – a
ocorrência de semelhança de programa a outro, preexistente, quando se der por força das
características funcionais de sua aplicação, da observância de preceitos normativos e
técnicos, ou de limitação de forma alternativa para a sua expressão; IV – a integração de
um programa, mantendo-se suas características essenciais, a um sistema aplicativo ou
operacional, tecnicamente indispensável às necessidades do usuário, desde que para uso
exclusivo de quem a promoveu.

 Proteções ao autor:
 Os Danos Morais foram excluídos da Lei de Software, que dariam o direito ao autor
de modificar ou destruir sua obra.
 As empresas não poderão alugar software sem a autorização do autor, a menos que
o programa esteja integrado à máquina. As empresas terão direitos excluídos sobre os
programas desenvolvidos por seus funcionários durante o contrato de trabalho. Assistência
Técnica será prestada ao consumidor por quem comercializar o produto, durante o prazo de
validade do software.
 E por fim, são eliminadas todas as burocracias para a comercialização do software
no Brasil.
 Eficácia Declaratória do Registro:
No Brasil, assim como na quase totalidade dos países, a legislação garante proteção jurídica
ao software mesmo na inexistência de registro. Assim dispõe o §3º do art. 2º d Lei
9609/1998.
Art. 2º. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o
conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no
País, observado o disposto nesta Lei.
(...)
§3º A proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de registro.

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Levando-se em conta que uma das formas de proteção aos direitos autorais é a assinatura
do nome do autor na obra, tal exigência faz-se necessária inclusive para os programas
informáticos.
O registro garante maior proteção aos criadores, já que não há qualquer burocracia para que
os direitos sejam assegurados logo após o registro.
Como o registro não é obrigatório, possui natureza meramente declaratória, desta forma,
mesmo com o registro se terceira pessoa comprovar a autoria da obra, será considerada
criadora e detentora dos direitos autorais.
No Brasil o registro dos programas é feito pelo Instituto Nacional de Propriedade
Intelectual (INPI), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio.
Monitoramento
Intenção das Empresas
 Garantir a segurança da informação.
 Garantir que não haja violação de informações privilegiadas, que os projetos
desenvolvidos não sejam disposibilizados aos concorrentes, que os dados coletados ao
longo da existência da empresa não sejam entregues a outras empresas ou pessoas que não
farão uso adequado da informação.
 Garantir o sigilo profissional
 Enfim, o monitoramento eletrônico nada mais é do que um mecanismo de
prevenção.
Monitoramento
 Insider Trading
O monitoramento pode ser utilizado para evitar o risco de insider, ou seja, evitar que haja
furto ou roubo de informação privilegiada e que seja repassada a terceira pessoa interessada
ou não, mas que seja capaz de gerar dano ou prejuízo a empresa que sofre com a exposição
indevida.
Monitoramento
 Para que possa ser realizado sem que haja violação à privacidade é necessário que a
comunicação de que o ambiente será monitorado seja feita de forma prévia, clara e
ostensiva.
 É necessário deixar claro a forma e procedimentos adotados no monitoramento:
- feito por pessoas;
- feito por software;
- feito a partir das informações enviadas para fora do ambiente corporativo;
- feito a partir das informações recebidas no ambiente corporativo;
- se as provas são coletadas e armazenadas;
- a freqüência do monitoramento;
- dentre outros parâmetros.
Monitoramento
 É necessário que os envolvidos conheçam previamente as condições, como por
exemplo em um jogo em que as regras são previamente estabelecidas.
 O aviso de monitoramento virtual pode ser feito através da assinatura dos
funcionários de um Termo de Ciência quanto às Políticas de Segurança da Informação, e
demais políticas corporativas para o uso das ferramentas eletrônicas que a empresa
disponibiliza aos funcionários, como por exemplo e-mail, internet, intranet, rede, etc.

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 É possível também solicitar a assinatura destes termos à fornecedores, terceirizados,
clientes, parceiros e todos os que se relacionam com a empresa.
 Mesmo com a ciência e aceitação dos envolvidos em um monitoramento é
controversa a possibilidade de monitorar e-mails particulares.
 As argumentações pairam na privacidade de comunicação e impossibilidade de
quebra do sigilo de correspondência e no fato do envolvido utilizar servidor da empresa,
provedor da empresa, equipamentos da empresa para acessar seus conteúdos pessoais,
portanto, equipamentos de propriedade da empresa ela estaria vistoriando suas propriedades
e o monitoramento de conteúdos pessoais é mera conseqüência.
 Assim, necessário avaliar cada caso em separado para que se verifique a
possibilidade ou não de monitoramento de conteúdos pessoais.
Monitoramento
 Caso haja violação de privacidade de um funcionário ocasionando danos à imagem
desta pessoa, a empresa será responsabilizada solidariamente com o agente causador do
dano, ou seja, caso indevidamente uma ferramenta de monitoramento guiada por um
profissional especifico cause danos à determinada pessoa, tanto o profissional responsável
quanto a empresa serão responsabilizados.
 Responsabilidade Solidária da Empresa – art. 932 do Código Civil
Monitoramento
 Exemplos de monitoramento de massa
 Na Inglaterra existem mais de 4 milhões de câmeras instaladas nas ruas a fim de
coibi a violência, e outros fatores.
 No mundo a questão da privacidade é bem regulamentada.
 Exemplo:
 2001-CEE/EUA “Safe Harbor” – “empresas européias não devem realizar negócios
on-line com empresas de países com padrões inferiores de proteção e privacidade”.
Monitoramento
 Políticas de Segurança dos Dados Preenchidos na Internet
 Sempre que os dados pessoais forem preenchidos na internet necessário verificar as
políticas de privacidade do site que recebe os dados a fim de garantir a segurança de seus
dados.
Monitoramento
 Com relação a coibição do uso do anonimato na internet interessante observar que
alguns defendem o anonimato a fim de defender a privacidade e liberdade de expressão.
 No entanto existe proibição na Constituição Federal para o uso do anonimato,
conforme art. 5º, IV.
 E a privacidade deve ser protegida a todo custo, no entanto, sem implicar na
ocorrência de um crime como por exemplo a interceptação de comunicação.

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