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26/02/2021 Ciência Política e Teoria do Estado : Sérgio Resende de Barros

1. Perfil
2. Agenda
3. Atividades Docentes
4. Palestras
5. Obras
6. Artigos
6.1. Ciência Política
6.2. Direito Administrativo
6.3. Direito Agrário
6.4. Direito Ambiental Home > Artigos > Ciência Política
6.5. Direito Constitucional
6.6. Direito de Família
6.7. Direito Parlamentar Ciência Política e Teoria do Estado
6.8. Direito Tributário
6.9. Direitos Humanos O currículo disciplinar dos Cursos e Faculdades de Direito inclui no
7. Aulas primeiro ano (ou no primeiro e segundo semestres) estudos que são
8. Congressos chamados propedêuticos por serem preparatórios. São disciplinas-
9. Busca meio (como a Introdução ao Estudo do Direito, a Metodologia da
10. Contato Pesquisa Jurídica, a Linguagem Forense, a Introdução à Sociologia, a
Economia, a Informática Aplicada ao Direito e outras) que visam a
preparar o aluno para as disciplinas-fim (Direito Civil, Direito
Comercial, Direito Penal, Direito Constitucional, Direito Tributário,
Direito Administrativo, Direito do Trabalho e outras) que se
sucederão no evolver do curso.

Entre tais disciplinas propedêuticas estão a Ciência Política e a Teoria


do Estado, a primeira abrangendo e a segunda tendo o Estado como
objeto de estudo. Uma vez que é o Estado que provê a elaboração e a
aplicação das leis jurídicas, pondo e impondo o Direito, é necessário
– antes de aprofundar no estudo do Direito – adquirir noções básicas
sobre o Estado. Eis a razão de estarem essas disciplinas no currículo
dos dois semestres iniciais do Curso de Direito. Porque estudam o
Estado, são preparatórias para o estudo do Direito.

Uma ciência se distingue de outra pelo objeto (objectum) que o


sujeito (subjectum) põe diante de si para estudar. Nos substantivos
sujeito e objeto, como nas palavras que lhes são correlatas
(exemplos: subjetivo, objetivo, subjetivar, sujeitar, objetivar),
aparece o particípio passado latino jectum – variante de jactum, que
significa lançado, posto, colocado – em composição com os prefixos
ob e sub, que são duas preposições latinas, significando
respectivamente diante de e sob.

Etimologicamente, portanto, sujeito (sub + jectum) é o que é


lançado, posto sob a forma humana, dentro do ser humano. É o
mundo subjetivo, no qual se abrigam percepções, sensações,
sentimentos, julgamentos, raciocínios, juízos, idéias, noções,
É

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conceitos, ideais, preconceitos, etc. É a psiquê humana. Por sua vez,


objeto (ob + jectum) é o que é lançado, posto diante do sujeito. É o
mundo objetivo, no qual se passam os fenômenos que o sujeito
percebe, sente, idealiza, conceitua, julga, etc.

Entre o sujeito e o objeto podem-se travar inúmeras relações. Por


1. Perfil
exemplo, o sujeito vê o objeto, o sujeito pega o objeto, o sujeito usa o
2. Agenda objeto, o sujeito examina o objeto, o sujeito analisa o objeto, o sujeito
3. Atividades Docentes estuda objeto, o sujeito conhece o objeto, etc. Portanto, o
4. Palestras conhecimento é uma das relações possíveis entre o sujeito e o objeto.
5. Obras
6. Artigos A relação de conhecimento entre o sujeito e o objeto pode-se
6.1. Ciência Política desenvolver de dois modos: sem método ou com método. O
6.2. Direito Administrativo conhecimento ametódico, adquirido no curso da própria experiência
6.3. Direito Agrário
de vida do sujeito, sem aplicação de nenhum método que o torne
6.4. Direito Ambiental
6.5. Direito Constitucional
mais rigoroso, correto e verdadeiro, constitui um primeiro grau de
6.6. Direito de Família conhecimento, dito conhecimento empírico. É o chamado senso-
6.7. Direito Parlamentar comum. Já o conhecimento adquirido metodicamente, mediante a
6.8. Direito Tributário aplicação de métodos que o aperfeiçoem, constitui um segundo grau
6.9. Direitos Humanos de conhecimento, dotado de maior rigor, correção e verdade, dito
7. Aulas conhecimento científico. É a ciência.
8. Congressos
9. Busca Na prática do estudo, assim como em outras práticas, o mundo
10. Contato
subjetivo pode ser objetivado: posto diante do sujeito como objeto.
Por exemplo, essa objetivação do subjetivo ocorre na psicologia, que
é a ciência que tem por objeto de estudo a psiquê humana: os
fenômenos psíquicos.

No campo da ciência jurídica, também por aplicação dessa


etimologia, denomina-se direito objetivo a norma que é posta diante
do sujeito e, como o vocábulo posto vem do latim positum, chama-
se direito positivo o conjunto de normas que é posto diante dos
sujeitos de uma dada sociedade pelo legislador que a disciplina. De
outro lado, diz-se direito subjetivo a faculdade – inerente a um dado
sujeito, alcançado pelo direito objetivo – de fazer aquilo que a norma
lhe outorga, ou reconhece, ou garante, sob a proteção do legislador.

Por exemplo, da norma (direito objetivo) posta pelo legislador no


ordenamento jurídico brasileiro (direito positivo) a partir de sua
Constituição (art. 5o, inc. XVII) para reconhecer e garantir à gestante
uma licença de seu emprego por ocasião do parto, resulta a faculdade
(direito subjetivo) de obter e, se necessário, exigir essa licença nos
termos da lei. Do mesmo modo, das normas referentes à herança
(direito objetivo de herança), postas pelo legislador nacional (direito
positivo brasileiro) na vigente Constituição da República Federativa
do Brasil (art. 5o, inc. XXX) e em leis infraconstitucionais (como o
Código Civil), deriva a faculdade de herdar (direito subjetivo à
herança) que os sujeitos têm nas condições postas nesse
ordenamento.

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Assim por diante, inúmeros são os exemplos similares que podem ser
aventados: o direito de resposta, o direito de locomoção, o direito de
reunião, o direito de associação, o direito de expressão, o direito de
defesa, o direito de culto, o direito ao trabalho, o direito às férias, o
direito ao aviso-prévio, o direito à licença-gestante, o direito à
licença-paternidade, o direito à aposentadoria, o direito ao meio
1. Perfil ambiente ecologicamente equilibrado, o direito à paz, o direito à
2. Agenda dignidade, o direito à saúde, o direito à vida, o direito à educação, o
3. Atividades Docentes direito ao lazer, o direito à privacidade, o direito à convivência
4. Palestras familiar e comunitária, etc. Tais direitos visam a disciplinar e garantir
5. Obras a vida dos indivíduos na sociedade.
6. Artigos
6.1. Ciência Política Alguns direitos visam ao indivíduo considerado em si mesmo,
6.2. Direito Administrativo
dando-lhe uma proteção que é estendida a todos: são direitos
6.3. Direito Agrário
6.4. Direito Ambiental
individuais que constituem as liberdades públicas. Exemplos: o
6.5. Direito Constitucional direito ou liberdade de locomoção, o direito ou liberdade de
6.6. Direito de Família expressão, o direito ou liberdade de culto, o direito ou liberdade de
6.7. Direito Parlamentar imprensa, etc.
6.8. Direito Tributário
6.9. Direitos Humanos Outros direitos visam ao indivíduo considerado como integrante de
7. Aulas uma categoria social merecedora de uma proteção especial: são
8. Congressos direitos sociais constituídos pela chamada legislação social, pela qual
9. Busca
– mediante uma particular e parcial atenção e intervenção do Estado
10. Contato
– são protegidas certas partes da sociedade consideradas mais fracas
econômica ou socialmente, compondo setores do direito como o
direito do trabalho, o direito do consumidor, o direito do menor, o
direito do idoso, etc.

Outros, enfim, visam ao indivíduo considerado como integrante da


sociedade geral, seja participando de uma coletividade
especialmente considerada, surgindo aqui os direitos coletivos
especiais (ex.: o direito à convivência familiar), seja participando da
sociedade humana considerada em si mesma, difusamente
considerada, em sua generalidade, nascendo aqui uma recente
geração de direitos: os direitos coletivos gerais, agora já ditos direitos
difusos (exs.: o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
o direito à paz, o direito à saúde, o direito à convivência
comunitária).

Aí está uma rápida tipificação dos direitos. Verificar tipos de direitos


– que, por terem nascido sucessivamente na história do Estado de
Direito, também se chamam gerações de direitos – nem sempre é
tarefa fácil e indiscutível, uma vez que certos direitos podem ser
enquadrados neste ou naquele tipo, conforme sejam considerados
neste ou naquele aspecto. Assim, o direito do consumidor é um ramo
ou setor jurídico que compreende direitos sociais quanto à prestação
social que é seu objeto (aspecto objetivo), embora também sejam
direitos difusos quanto aos sujeitos a que se destinam (aspecto
subjetivo). Não obstante essa dificuldade, a tipologia dos direitos
constitui uma das partes mais relevantes e fascinantes desta ciência

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que tira o seu nome do objeto para o qual se volta em particular: o


Direito.

O termo direito é equívoco e, especialmente, analógico, visto que


apresenta variantes de significação próximas, afins, análogas, umas
das outras, as quais somente são discernidas e definidas no texto em
1. Perfil
concreto, ou seja, em função do contexto em que o termo está
2. Agenda inserido.
3. Atividades Docentes
4. Palestras Já se viu acima que direito às vezes significa a norma em si mesma,
5. Obras na sua objetividade (direito objetivo), tal como foi posta pelo
6. Artigos legislador (direito positivo). No texto "o direito disciplina a herança",
6.1. Ciência Política por exemplo, "direito" significa a norma jurídica. Também foi visto
6.2. Direito Administrativo que, outras vezes, significa a faculdade jurídica assegurada pela
6.3. Direito Agrário
norma ao sujeito (direito subjetivo), como no texto "o filho tem
6.4. Direito Ambiental
6.5. Direito Constitucional
direito de herdar do pai".
6.6. Direito de Família
6.7. Direito Parlamentar Acrescente-se agora que pode significar ainda uma situação de
6.8. Direito Tributário justiça verificada na aplicação da norma ao sujeito, como quando se
6.9. Direitos Humanos diz "é direito" no sentido de "é justo" que o filho extra-matrimonial
7. Aulas (tido fora do matrimônio) herde tanto quanto seus irmãos
8. Congressos matrimoniais (havidos na constância do matrimônio).
9. Busca
10. Contato Por fim, ainda acresce que o termo direito designa a ciência que
estuda todo esse fenômeno social, acima descrito, que envolve as
normas jurídicas, bem como as faculdades e as situações jurídicas
delas resultantes. Por exemplo, no texto "o direito estuda a herança
ao tratar da família e da propriedade", aí direito significa a ciência
jurídica.

A ciência jurídica – a Ciência do Direito – enquadra-se na subespécie


das ciências sociais, dentro da espécie das ciências humanas, dentro
do gênero de conhecimento chamado conhecimento científico ou
ciência, que é diferente de outros gêneros de conhecimento como,
por exemplo, o chamado conhecimento empírico ou senso-comum.
Em suma, em meio à ciência (em geral), distinguem-se algumas
ciências (em especial) ditas humanas e sociais, entre as quais se situa
a ciência jurídica (em particular).

Na ciência (em geral) o homem se volta para o mundo, com o fim de


conhecê-lo para transformá-lo. Em uma ciência (em particular) o
sujeito estuda uma parte do mundo, a qual será aí objeto de uma
atenção especial. O objeto de uma ciência é uma parte do universo
dos seres, à qual o sujeito se dedica especialmente, buscando um
conhecimento especializado. Como essa busca é contínua e crescente,
incessante e progressiva, a ciência se especializa sempre e cada vez
mais. A especialização da ciência leva à especialização da técnica e,
conseqüentemente, das profissões técnicas. Hoje, já não se consulta
mais um advogado, ou um médico, ou um dentista. Mas, sim, um
constitucionalista, um civilista, um tributarista, um ortopedista, um
cardiologista, um ginecologista, um ortodontista, um periodontista,
etc.

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O objeto de uma ciência pode ser visto sob o ângulo material ou


formal, já que, sempre, uma certa ciência estuda uma certa matéria
de uma certa forma. Por exemplo, a anatomia estuda os corpos
orgânicos (eis o seu objeto material) em sua forma estrutural (eis o
seu objeto formal). É pelo objeto material e formal que uma ciência
se define, distinguindo-se das outras. Assim, a anatomia se define
1. Perfil como a ciência que tem por objeto a forma estrutural dos corpos
2. Agenda orgânicos.
3. Atividades Docentes
4. Palestras Definindo-se assim, as ciências se aproximam ou se distanciam entre
5. Obras si na proporção em que seus objetos materiais ou formais convergem
6. Artigos ou divergem. É pela convergência de objeto que se agrupam as
6.1. Ciência Política ciências em humanas, exatas, sociais, etc. Esse agrupamento é
6.2. Direito Administrativo
possível porque um mesmo objeto material (o animal, o homem, a
6.3. Direito Agrário
6.4. Direito Ambiental
sociedade, o governo, etc.) pode ser estudado sob diferentes ângulos
6.5. Direito Constitucional formais (a estrutura, o funcionamento, a origem, a finalidade, etc.) e,
6.6. Direito de Família vice-versa, sob um mesmo ângulo formal podem ser estudados
6.7. Direito Parlamentar diferentes objetos materiais. Daí resulta uma afinidade material ou
6.8. Direito Tributário formal entre as ciências, que permite agrupá-las.
6.9. Direitos Humanos
7. Aulas As ciências sociais têm por objeto a sociedade humana: as relações
8. Congressos sociais entre os seres humanos. Dado o intrincamento material e
9. Busca
formal das relações sociais, as ciências que as estudam não raro se
10. Contato
conjugam em disciplinas mistas. Por exemplo, a Sociologia e o
Direito se conjugam na Sociologia Jurídica.

Pela mesma razão, mas em sentido contrário, o intrincamento das


relações sociais torna difícil a distinção das ciências sociais entre si,
em alguns casos. Mas, a partir da própria Sociologia, que estuda os
fenômenos sociais de forma mais geral, a distinção das ciências
sociais entre si tem-se aprimorado cada vez mais, em que pese a
constante especialização, que também no campo social é crescente.

Apesar da dificuldade de discernir para distinguir certas ciências


humanas e sociais entre si em alguns casos, é possível um razoável
discernimento de distinção no caso das ciências sociais mais
intrincadas com o Direito, a partir do exame do tipo de relações
sociais que elas enfocam (objeto material) e da forma como elas as
enfocam (objeto formal).

O homem vive naturalmente em sociedade. Essa é uma verdade


fundamental, evidente à experiência diária, independente de provas.
Não precisa de comprovação. Pode ser tomada como axioma:
proposição não demonstrada, mas assumida como verdadeira, para
iniciar a demonstração de um sistema de proposições. Para principiar
é preciso parar de recuar. Recuar sempre é principiar nunca. Para
começar é preciso tomar um princípio do qual não mais se recua em
busca de demonstrá-lo, mas que é tomado axiomaticamente como
verdadeiro. Esta proposição – o homem vive naturalmente em
sociedade – pode ser tomada como axioma, princípio evidente e não
demonstrado, para dar início ao estudo da sociedade humana,

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mediante as ciências e as teorias que sobre ela se debruçam, inclusive


a Ciência Política e a Teoria do Estado.

A sociedade humana é o conjunto das relações sociais travadas pelos


seres humanos na sua vida. Viver em sociedade é travar relações
sociais. Uma relação social é uma coincidência de condutas humanas.
1. Perfil
Relações sociais são movimentos, atividades, atuações, ações de dois
2. Agenda ou mais sujeitos, coincidindo em determinado ponto, em relação a
3. Atividades Docentes certo objeto.
4. Palestras
5. Obras Obviamente, as relações sociais tanto se multiplicam em quantidade,
6. Artigos quanto se diferenciam em qualidade, o que permite distingui-las em
6.1. Ciência Política tipos. Inúmeras relações sociais são travadas todos os dias
6.2. Direito Administrativo fortuitamente, ao acaso, por mera coincidência de condutas. Por
6.3. Direito Agrário
exemplo, um esbarrão inesperado, uma troca casual de olhares, etc.
6.4. Direito Ambiental
6.5. Direito Constitucional
Todavia, como o ser humano, além de ser social, é também
6.6. Direito de Família consciente de suas relações sociais, tendo consciência racional de sua
6.7. Direito Parlamentar vida social, procura ele desenvolver consciente e racionalmente suas
6.8. Direito Tributário relações sociais, ordenando-as segundo seus fins, sobretudo quando
6.9. Direitos Humanos se trata das relações sociais mais importantes.
7. Aulas
8. Congressos Por isso, de pronto, dois tipos de relações sociais são verificáveis: a
9. Busca par das fortuitas, surgem as ordenadas. As relações sociais
10. Contato
ordenadas são travadas não mais por mera coincidência, ao acaso,
mas nelas as condutas coincidem, ou seja, incidem mutuamente uma
sobre a outra, segundo uma ordem determinada por um fim.

Se nas relações ordenadas existe uma ordem, alguém teve o poder de


dar a ordem. Daí, em função do poder, tomando como critério o
exercício do poder, pode-se prosseguir na tipificação das relações
sociais.

Como em grego kratós significa poder, autoridade, governo, podem


ser ditas relações cráticas aquelas em que se exerce algum poder e
acráticas, as outras, nas quais não se manifesta poder. Dentro de um
mesmo grupo social (por exemplo, a família), travam-se relações
cráticas (por exemplo, o exercício do pátrio poder) e relações
acráticas (por exemplo, um simples afago entre pai e filho).

No emaranhado das relações sociais, muitas relações cráticas e


acráticas se misturam densamente, mas sempre é possível discernir,
no transcurso do relacionamento social, o momento e o fato do poder,
o instante e o ato em que o poder se faz presente, fazendo deste ato
ou fato nesse momento ou instante uma relação específica,
diferenciada das outras com as quais converge ou concorre.

Todo o relacionamento social, crático e acrático, é objeto da


Sociologia. Já a Ciência Política e a Ciência Jurídica se interessam
apenas pelas relações cráticas: o seu objeto é o relacionamento social
crático, a manifestação do poder. O acrático lhes é indiferente, a não
ser quando, por algum imprevisto ou desdobramento, produza um
efeito de poder. Por exemplo, quando simples reuniões domésticas

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acabam elegendo um vereador ou quando atos inofensivos acabam


gerando dano e o poder de exigir indenização).

Contudo, enquanto a Ciência do Direito se interessa por todas as


relações cráticas, individuais e coletivas, privadas e públicas,
procurando estabelecer a correlação entre os poderes e os respectivos
1. Perfil
deveres, nos quais os poderes se sustentam, já a Ciência Política tem
2. Agenda por objeto o relacionamento social no que diz respeito,
3. Atividades Docentes especificamente, às relações sociais em que se exerce o poder de
4. Palestras governo, assim chamado o poder de conduzir as demais relações
5. Obras sociais para os objetivos sociais comuns, fixando os fins e os meios
6. Artigos de um determinado complexo, conjunto ou grupo social, ou seja, de
6.1. Ciência Política uma sociedade ou associação. O objeto da Ciência Política inclui,
6.2. Direito Administrativo
precipuamente, as relações cráticas que formam o governo da
6.3. Direito Agrário
6.4. Direito Ambiental
sociedade.
6.5. Direito Constitucional
6.6. Direito de Família As relações de governo, pelas quais se dirigem as demais relações
6.7. Direito Parlamentar sociais, são cráticas pela sua própria natureza. Quando a associação
6.8. Direito Tributário governada é parcial, constituindo uma sociedade particular ou uma
6.9. Direitos Humanos parte da sociedade geral, o governo é chamado direção. Os seus
7. Aulas membros constituem uma diretoria. Mas, quando o que está sendo
8. Congressos dirigido é a própria sociedade geral, então aí se exerce o poder de
9. Busca
governo em sua maior escala: tem-se o governo propriamente dito,
10. Contato
trava-se a relação crática máxima.

Tal relação de governo superior, exatamente por ser máxima, é


maximamente abrangente, envolvendo toda a sociedade geral em um
complexo de relações, co-relações e sub-relações cráticas, cujo
conjunto forma o todo político-social que os gregos antigos
chamavam pólis, definindo-o como autarquia, e que desde o início
da Idade Moderna tem sido chamado Estado, definido pela
soberania.

Se a Ciência Política tem por objeto relações cráticas em que se


exerce poder de governo, certamente sua preocupação maior é com
as relações sociais integrantes do Estado, dado que aí se exerce o
poder de governo soberano, o mais elevado e envolvente dos poderes
sociais. Pelo que se define a Ciência Política como sendo aquela
ciência social que, voltando-se para as relações sociais cráticas, tem
por objeto específico as relações de governo e, destacadamente, as
relações de governo soberano que constituem o Estado. Tais relações
sociais são ditas relações políticas.

As relações sociais, inclusive as relações políticas, uma vez que


sejam disciplinadas formalmente pelo direito posto pelo Estado,
transformam-se em relações jurídicas. Toda relação jurídica é
relação social, mas nem toda relação social é relação jurídica, porque
o Direito somente se interessa pelas relações sociais que sejam
relevantes – e na medida em que elas se tornam relevantes – para a
sociedade humana.

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As relações políticas que constituem o Estado, dado que nelas se


exerce o poder de governo soberano, merecem uma particular
atenção por parte do Direito, que lhes dedica um setor especial,
incumbido de estudá-las sob o ângulo formal de sua constituição
jurídica: é o Direito Constitucional.

1. Perfil
Mas, antes de entrar nesse estudo, e a fim de preparar para o Direito
2. Agenda e, sobretudo, para o Direito Constitucional, as relações constitutivas
3. Atividades Docentes do Estado são estudadas por uma disciplina propedêutica, que as
4. Palestras enfoca, não sob um aspecto particular, como o de sua constituição
5. Obras jurídica, mas sob todos os aspectos – sinteticamente – necessários
6. Artigos para dar uma visão geral – uma noção básica – do que seja o Estado.
6.1. Ciência Política Essa disciplina é a Teoria do Estado.
6.2. Direito Administrativo
6.3. Direito Agrário
Por ser disciplina sintética, que objetiva uma visão geral do Estado,
6.4. Direito Ambiental
6.5. Direito Constitucional
também é dita Teoria Geral do Estado. Muitos acham que, já que toda
6.6. Direito de Família teoria é geral, dizer teoria geral é cometer pleonasmo. Contudo, pelo
6.7. Direito Parlamentar visto acima, logo se deduz que a denominação Teoria Geral do
6.8. Direito Tributário Estado – formulada por Georg Jellinek no despontar do século 20 –
6.9. Direitos Humanos não se apresenta inadequada na medida em que serve para frisar que
7. Aulas o objeto formal dessa Teoria não é estudar o Estado em uma forma
8. Congressos especializada, mas generalizada. Trata-se, realmente, de uma teoria
9. Busca
duplamente geral. Já é geral por ser teoria. Mas, além disso, também
10. Contato
é geral por tomar o Estado, não por um prisma formal peculiar ou
particular, como o tomam outras teorias, mas por um prisma
sintético, próprio desta teoria, que tem por objeto revelar uma visão
geral do fenômeno estatal.

Sumariando, por fim, aí estão diferenças e uma coincidência entre a


Ciência Política, a Teoria do Estado e o Direito Constitucional.
Coincidentemente, nessas três disciplinas, o Estado é matéria de
estudo: participa do objeto material. Mas elas diferem quanto à forma
em que o apreciam: divergem no objeto formal. Pois, enquanto a
Ciência Política focaliza o Estado de forma especial, precipuamente
como relação de governo, a Teoria do Estado o enfoca de forma
geral, como fenômeno em si mesmo, sinteticamente considerado, ao
passo que o Direito Constitucional o considera de forma também
especial: fundamentalmente, em sua constituição jurídica básica.

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