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Pet food 14.dez.

2020 seg - Rascunho da atividade final

1. Descreva sobre a sustentabilidade e o setor de reciclagem animal no Brasil

O setor de reciclagem animal tem um ótimo papel para a sustentabilidade


ecológica e econômica. Quanto a sustentabilidade ecológica, o setor de reciclagem
animal tem papel no que diz respeito ao destino correto de 99% resíduos animais
gerados na cadeia produtiva de produtos cárneos (englobando tanto os
estabelecimentos de abate e processamento quanto os estabelecimentos de varejo),
100% de todos os resíduos recolhidos são aproveitados, logo, reciclam mais do que
indústrias de plástico e papel. Do contrário, esses resíduos causariam impactos
ambientais se destinados para aterros sanitários (contaminando solos e fontes de
água) ou para incineração (com consequente emissão de gases de efeito estufa).
Esses resíduos são, justamente os subprodutos que não vão para o consumo
humano, como vísceras, gordura, ossos, pele, sangue, aparas de carne e penas .Os
principais destinos dos resíduos animais são a indústria de pet food, produção de
fertilzantes, indústria petroquímica, saboaria, indústria farmacêutica, construção
civíl, produção de cosméticos, indústria automotiva e esportíva.
No que diz respeito à reciclagem para setores da agroindústria, como a
indústria química, petroquímica e de fertilizantes, o setor de reciclagem
contribuiu para uma redução do uso de adubos e defensivos agrícolas. Toda água
gerada no processo de reciclagem é reaproveitado pela indústria ou devolvida ao
meio ambiente na forma tratada. As indústrias ainda usam filtros por onde o ar
passa antes de voltar para a atmosfera.
O setor de reciclagem animal é responsável por cerca de 54 mil empregos
diretos. A produção de gordura é reconhecida como Carbono Zero pelo Ministério de
Minas e Energia
O setor de reciclagem animal também tem papel para a sustentabilidade
econômica, pois é indispensável para a sustentabilidade da cadeia produtiva de
produtos de carnes, o que for lucrado com a venda de resíduos animais para outras
indústrias, pode ser aplicado para reduzir os custos da produção de produtos
animais comestíveis.

2. Porque a temperatura e tempo de processo excessivos promovem impacto negativo na


digestibilidade da proteína (de origem animal)?

A temperatura e o tempo de processo são fatores responsáveis por reações


químicas indesejáveis que alteram as propriedades dessas proteínas de origem animal
e, consequentemente, afetando a sua digestibilidade, algumas dessas reações são:
racemização, ligações cruzadas, pirólise e reação de Maillard.
A racemização é muito comum quando a matéria prima (resíduos animais não
comestíveis) possui uma concentração muito alta de aminas biogênicas, resultante de
um tempo excessivamente longo entre a coleta do material e o processamento deste,
segundo estudos científicos, um tempo de 12 horas entre a coleta e o processo já é
suficiente para a formação de uma quantidade significativa dessas aminas
biogênicas, que são compostos alcalinizantes responsáveis pela redução do pH desse
resíduo animal. A associação desse processo com maior temperatura e tempo de
processamento agravam a situação, resultando em uma produção maior de hidroxilas
que roubam o íon H+ ligado ao carbono alfa dos aminoácidos presentes na estrutura
primária das proteínas dos resíduos animais; com a perda do íon H+, o carbono alfa
se transforma em "carbânion", a sua forma instável, para que este carbono alfa
retorne a estabilidade, o aminoácido muda a sua isomeria de L para D, a forma menos
disponível para digestão, absorção e metabolismo, visto que tem menor com as
enzimas responsáveis por esses processos e não é a forma preferida para a síntese
proteica no organismo.
Ligações cruzadas ocorrem normalmente na natureza, principalmente com
proteínas que possuem aminoácidos sulfatados em sua estrutura primária, como
cistina, cisteína e metionina. Mas condições de alta temperatura e ao tempo de
processamento promovem a formação de outros tipos de ligações cruzadas, como
lisinoalanina, que ocorre entre uma proteína que possui o aminoácido lisina e outra
que possui o aminoácido alanina, em suas respectivas estruturas primárias; o
aminoácido lisina possui dois grupamentos amina, sendo um deles, o épsilon amina, o
mais reativo, e que se ligará à alanina de outra proteína em condições de alta
temperatura e alto tempo de processamento, formando um produto de maior peso
molecular e, consequentemente, menos solúvel; a digestibilidade de uma proteína tem
relação direta com a sua solubilidade, visto que hidrólise enzimática de uma
proteína depende da sua solubilidade.
A pirólise é comum quando os resíduos animais são colocados no digestor acima
da capacidade do mesmo, consequentemente, o processo demandará maior tempo de
processamento em maior temperatura, para que toda a massa aqueca uniformemente,
mas, regiões mais próximas às paredes tendem a aquecer mais rápido que o interior
da massa, sendo as primeiras a carbonizarem, essa reação indesejável destroi os
aminoácidos das proteínas e gera compostos cancerígernos, como a imizadoquinolinas.
A reação de Maillard consiste na complexação entre proteínas e compostos que
possuem o grupamento carbonila, como açúcares redutores. Em condições de alta
temperatura e maior tempo de processamento, o grupo épsilon amina do aminoácido
lisina se associa ao grupamento carbonila, que também está presente em produtos da
oxidação de lipídeos de resíduos animais, essa oxidação ocorre justamente devido a
essas condições extremas ao qual a matéria prima está sendo submetida. Essa reação
indesejável produz um complexo indigestível.

3. Descreva e comente sobre os principais fatores que influenciam na qualidade das


farinhas de origem animal.

Uma umidade superior a 8% é uma condição propícia para a proliferação bacteriana,


mas uma umidade inferior a 4% é um indício de excessiva temperatura durante a
digestão, com consequente desencadeamento de reações indesejáveis que resultam na
redução da digestibilidade dessas proteínas, seja por racemização, pirólise ou
complexação dessas proteínas com outros compostos. O último caso também pode estar
relacionado a avarias nos termômetros, manômetros ou no próprio equipamento.
Diferente tipos de farinhas de origem animal contém quantidades variáveis de
ossos que são de difícil trituração. Portanto, a moagem é importante para a
homogeinização do material e para um processamento. Segundo a Instrução Normativa
34 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a primeira moagem deve
ser de 5 cm, no máximo; após a primeira moagem, deve ser feita a cocção do material
moído e depois a prensagem para a extração da gordura do material; após a
prensagem, o material é submetido a secagem e em seguida, uma segunda moagem, e o
ideal é que essa farinha não seja retida numa peneira de 3,36 cm, sendo tolerável
uma retenção de 3% numa peneira de 2,38 cm e de 10% numa peneira 1,68 cm. Quanto
menor o tamanho de partícula, melhor a digestibilidade do material, visto que a
área de contato para reações químicas do organismo é maior.
Contaminação com sangue, penas, residuos de incubatório, cascos, chifres,
pelos e conteúdo digestivo devem ser evitados através de uma definição de cada
produto. Um sinal de que houve, em algum momento, contaminação no processo é a
mudança da composição bromatológica entre lotes dessa farinha, por exemplo, quando
a farinha produzida por um mesmo estabelecimento possui um teor de proteína bruta
significativamente diferente da produzida em um mês seguinte ou anterior
A contaminação com materiais estranhos ao processo são associados a falta de
equipamentos adequados ou frade e visam produzir subprodutos de baixo preço e sem
qualidade. Portanto, é proibido a inclusão de animais mortos que não sejam aqueles
coletados na plataforma de recebimento de animais dos abatedouros.
O tempo entre o abate e o processamento vem ganhando relevancia devido ao
aparecimento de processadores independentes, que não estão associadas a mesma
infraestrutura dos abatedouros ou frigoríficos. A Instrução Normativa 34 do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento recomenda um tempo máximo de 24
horas após o abate, embora haja estudos que confirmem a produção significativa
dessas aminas biogênicas em 12 horas após o abate. Além disso, no processo de
decomposição, os microrganismos também liberam enzimas que degradam o material em
si por hidrólise, inclusive das gorduras.
A contaminação microbiana também afeta a qualidade desses produtos,
principalmente a contaminação por Salmonela, o tratamento por temperatura na fase
de digestão do resíduo animal já é suficiente para diminuir o risco que a
contaminação bacteriana representa; mas após a digestão, pode haver uma
recontaminação durante a armazenagem, embalagem ou distribuição dessa farinha.

4. Cite as farinhas de origem animal mais utilizadas na fabricação de dietas


comerciais para cães e gatos. Imagine que você possui uma fábrica de ração voltada
para produção de rações Super Premium e alimentos coadjuvantes para cães e gatos.
Com base em seus conhecimentos adquiridos ao longo do curso MEVD08, dentre as
farinhas de origem animal e vegetal disponíveis para produção dessas dietas, qual
você escolheria? Justifique sua resposta.

As fontes protéicas de origem animal mais empregadas, em ordem decrescente,


são: farinha de carne e ossos, farinha de vísceras de aves, farinha de penas,
farinha de sangue e farinha de peixe. Rações super-premium são formuladas
predominantemente (ou exclusivamente, em alguns casos) com fontes proteicas
animais, pois apresentam um maior valor biológico que as fontes proteicas vegetais,
por possuírem todos os aminoácidos essenciais para os animais de companhia. Além
disso, os ingredientes escolhidos devem ter melhor digestibilidade.
É preferível usar a farinha de vísceras de aves, pois esta possui uma
digestiblidade maior do que as demais fontes animais, chegando ao máximo de 90%
(abaixo somente das farinhas de ovos, de plasma e de hemácias, todas produzidas
através de secagem por atomização; porém, tem menor palatabilidade quando comparado
com outras fontes animais, sendo recomendado somente para a produção de alimentos
funcionais que aumentam a imunidade dos animais de companhia, por por possuírem
imunoglobulinas).
Segundo a Instrução Normativa 34 do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, as farinhas oriundas de ruminantes devem ser moídas numa moagem de 5
cm, e processadas numa temperatura de 133 ºC, numa pressão de 3 bar, durante 20
minutos, para garantir a desnaturação de prions, agentes causadores da
encefalopatia espongiforme. A temperatura usada nesse processo é maior do que a
usada no processamento de vísceras de aves, e isso tem um impacto na
digestibilidade do material, a farinha de carne e ossos tem uma digestibilidade
menor que a farinha de vísceras de aves.
A digestibilidade da farinha de carne e ossos (oriunda de ruminantes) é
afetada também devido a sua composição, essa farinha tem uma inclusão maior de
proteínas fibrosas, como o colágeno, proviniente do tecido conjuntivo. Outra
desvantagem, é que a farinha de carne e ossos, possuem maior teor de matéria
mineral quando comparado com outras fontes devido a presença de ossos, o que
compromete ainda mais a sua digestibilidade, devido ao menor teor de matéria
orgânica, além de que, a ingestão excessiva de cálcio (mineral mais presente nos
ossos) compromete a absorção de outros minerais e também afeta a formação óssea,
pois a hipercalcemia compromete a remodelagem óssea, e os disturbios ósseos podem
ser permanentes.
A farinha de penas é uma fonte de proteína que contém queratina, uma proteína
fibrosa, portanto, essa farinha tem uma menor digestibilidade quando comparado com
farinha de carne e ossos e farinha de vísceras de aves. Por isso, não é um bom
candidato para formulação de ração super-premuim. A proteina isolada de suíno tem
teor proteico de até 75% e digestibilidade de proteina de 84%, já farinha de peru
tem um teor proteico de 55% com 88% de digestibilidade, ainda que tenha valores de
digestibilidades significativos, ainda assim são menores do que apresentados na
farinha de vísceras de aves.
Alimentos coadjuvantes são aqueles formulados exclusivamentes para animais de
companhia que sofrem de algum disturbio fisiológico ou metabólico. A proteína
hidrolizada de soja é usada em rações para animais com doenças inflamatórias
intestinais. Esses animais são suceptíveis a mostrar uma resposta a proteínas de
alto peso molecular, identificado como um agressor/antígeno. Proteínas hidrolizadas
são mais digestíveis, a hidrólise de proteínas otimiza a açao das enzimas
digestivas. A proteína hidrolisada reduz a capacidade antigênica da dieta e do
alimento. A reação alérgica consiste na liberação de histamina pelos mastócitos,
quando estes se ligam as proteínas de alto peso molecular. Uma proteína é
considerada de alto peso molecular quando este ultrapassa a medida de 18 mil
daltons. A proteína hidrolizada de soja é uma boa opção pois é a que possui o menor
peso molecular entre outros tipos de proteínas hidrolizadas, como a proteína
hidrolizada de frango, essas proteínas possuem os respectivos pesos moleculares de
11 mil daltons e 13 mil daltons.
A proteína hidrolisada de vísceras de aves é uma boa opção para animais de
companhia com hipertensão, visto que os peptídeos resultantes dessa hidrólise inibe
a enzima conversora de angiotensina (a enzima que converte a angiotensina I em
angiotensina II, um potente vasoconstritor que aumenta a pressão sanguínea), sendo
assim, a proteína hidrolizada de vísceras de aves tem uma propriedade anti-
hipertensiva.

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