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INSTITUTO DO EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL, IP

DELEGAÇÃO REGIONAL DO NORTE


Centro de Emprego e Formação Profissional de Bragança
Serviço de Formação Profissional de Bragança

FICHA DE TRABALHO Nº1

Formador(a):________________________
(Paula Calçada)

Avaliação:__________________________
Área – Cultura, Língua e Comunicação
Data: _____/______/_______

Núcleo gerador: CLC 6 – Culturas de Urbanismo e Mobilidade.

Unidade de Competência 6: Intervir em questões relacionadas com mobilidade e urbanismo, mobilizando recursos linguísticos e
comunicacionais no reconhecimento das funcionalidades dos diversos sistemas de ordenamento, da existência de planeamento
urbano, das oportunidades de trabalho em contextos rurais e urbanos e do enriquecimento cultural que os fluxos migratórios geram,
interpretando-os como fatores que reforçam a qualidade de vida.

Domínio de Referência 1: Participar no processo de planeamento e construção de edifícios recorrendo a terminologias próprias e
procurando garantir condições para as práticas de lazer.
Duração: 50 horas (dividido em 4 DRs) Ação: ___________________________________________

Formando(a):___________________________________________________________________________________
GRUPO I

A história da arquitetura

Podemos dizer que a história da arquitetura está diretamente ligada à evolução humana. A arquitetura
passou a existir quando o homem começou a construir para se proteger de predadores e dos fenómenos
naturais.

A história da arquitetura na pré-história

A história da arquitetura começa na pré-história, mais propriamente no


neolítico, quando começam a surgir os primeiros monumentos e o
homem começa a dominar a arte de trabalhar a pedra.
Nesta época, é claro que a arquitetura está ligada ao conceito de abrigo,
não só do frio como também de possíveis predadores.

Na antiguidade
À medida que o tempo vai passando, as coisas vão mudando e o ser
humano também. À medida que este se vai evoluindo começam
também a aumentar os perigos e aqui vamos assistir a uma
arquitetura essencialmente militar. Não esquecer que é neste
período que surgem as primeiras cidades e que a sua proteção era
feita através de muralhas e proteções a ameaças externas.
Mas neste tempo, não é só a arquitetura militar que é desenvolvida,
também se vai desenvolver a arquitetura religiosa. Estamos numa
época em que o ser humano é confrontado com um mundo cheio de
deuses vivos, génios e demónios. Aqui ainda não havia a visão
científica das coisas, portanto, o poder divino eram as bases da vida quotidiana através do respeito ou da
adoração. Daí que nesta altura os principais edifícios de uma cidade fossem os palácios e os templos.
As primeiras “casas” surgem no Oriente Médio e na Ásia Central, para além que neste período o
material usado para as construções das casas era argila, tijolos de lama e madeira.

Arquitetura Egípcia
A história da arquitetura mostra-nos que no século IV a. C., ocorreu a unificação política dos povos que
habitavam as margens do rio Nilo dando origem à civilização egípcia. As suas primeiras construções
foram viradas para os seus deuses e para os seus faraós, construindo assim templos e túmulos. E para a
sua construção usavam tijolos crus, mas como acreditavam que tudo deveria durar para sempre,
passaram a usar pedra nas suas construções.
Os egípcios trazem a utilização de encaixes de madeira que permitiam empilhar as pedras sem a
necessidade de usar massa para as unir umas às outras. E foi graças a esta
nova técnica que conseguiram construir colunas de pedra em vez de madeira
e, claro, edificações cada vez maiores e com coberturas cada vez mais
pesadas.

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Em relação aos túmulos também foi utilizado esta técnica. Isto porque no início as pessoas eram
enterradas em sepulcros que eram escavadas na rocha, mas com o passar do tempo e para marcar os
túmulos dos faraós, e protegê-los de ladrões, passaram a empilhar tijolos sobre os túmulos, que ficou
conhecido como mastaba. Com o tempo, acabaram por passar dos tijolos às pedras.

As pirâmides do Egito

O primeiro arquiteto egípcio terá sido Imhotep em 300 a. C. Foi ele o


responsável pela construção da primeira pirâmide do Egito.

As construções eram feitas com base em complexas formas


matemáticas e eram consideradas verdadeiras demonstrações de
geometria.

Arquitetura Grega

Aqui a arquitetura, apesar da sua ligação ao religioso, destacou-se


pelo valor dado à razão. Ou seja, os gregos buscavam sempre
alcançar o máximo da perfeição em tudo o que faziam e
construíam, através de cálculos matemáticos, regras, proporções,
geometria e perspetiva.
As construções gregas que ficaram para a história foram todas
feitas em mármore. Este elemento começou a ser usado no século
VI a. C, com uma técnica de encaixe muito semelhante à dos
egípcios. Mas com o passar do tempo e com o domínio do ferro, o
encaixe de madeira foi substituído por encaixes e dobradiças de metal, o que passou a dar uma maior
resistência às suas estruturas.

Arquitetura Romana

Na arquitetura romana, vemos influências gregas, como por


exemplo, os templos, o carácter realista e a preocupação com o belo.
Mas, também aqui ela é direcionada para o militar. As verdadeiras
marcas deixadas pelos romanos foram as estradas, construídas em
linha reta e os aquedutos para conseguir abastecer e desenvolver as
colónias romanas espalhadas pelos territórios conquistados.
Até conseguirem conquistar a Grécia e ter acesso às pedreiras de
mármore, e como também não tinham acesso a tijolos crus de boa
qualidade, os romanos tiveram de arranjar uma solução. E essa solução foi uma mistura de areia
vulcânica com calcário e ladrilhos1 quebrados. Mas foi com esta massa que os romanos conseguiram
construir estruturas monumentais, como por exemplo, a cúpula2 do Panteão que tem 3,2 m de altura e
nenhum pilar de sustentação.

1
Ladrilho é uma pequena placa de cerâmica, mármore, pedra, porcelana, argila, metal, etc., de vários formatos,
utilizada para constituir um revestimento…
2
Abóbada.

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Arquitetura na Idade Média

A Idade Média, é um período que vai do século V ao século XV, cerca de 10 séculos,
e foi a época em que se construíram algumas das igrejas mais importantes da história,
como por exemplo a Catedral de Notre Dame, em Paris, que foi construída entre 1163
e 250.
As igrejas construídas neste tempo são construções gigantescas, que simbolizam a
tentativa de alcançar os limites celeste e tocar, com as suas torres pontiagudas, Deus.
As igrejas foram feiras altas e espaçosas, também para acolherem no seu interior o
máximo de fiéis possíveis.

Arquitetura no Renascimento

A história da arquitetura não podia estar completa se não falarmos


do período do renascimento. Período esse que está ligado à razão, ao
humanismo e ao antropocentrismo3, ou seja, que o homem está no
centro das coisas.
Daí que seja nesta altura que comece a aparecer o nome do artista de
cada obra de arte ou de cada construção. Nesta altura temos nomes
como: Michelangelo, Leonardo da Vinci, que ainda hoje são
lembrados e admirados.
Também aqui, as principais construções vão as catedrais, com especial destaque para as cúpulas, como
por exemplo: a cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma,…

Arquitetura Moderna

A história da arquitetura apesar de parecer que está a chegar ao fim, mas não é verdade, apenas evolui.
A verdade é que a partir da Revolução Industrial, o ferro passa a ser usado de uma forma como nunca
tinha sido usado antes. Vão aparecer novos materiais, como o aço, o vidro e o zinco, que passam a dar
aos arquitetos novas oportunidades de novas e diferentes criações.
Vamos entrar numa fase, em que se vão utilizar formas simples, geométricas e sem qualquer tipo de
ornamentação. As linhas da arquitetura moderna são retas e angulosas em vez de triangulares ou
concavas como no passado.
A arquitetura moderna passou a ser o estilo dominante no início do
século XX. As diretrizes eram priorizar a finalidade da obra e eliminar
ao máximo os ornamentos, assim, as residências e as chamadas
construções comerciais passaram a ter um destaque na arquitetura. E a
prova disso, é que em vez de catedrais, igrejas ou palácios, temos os
gigantescos prédios de escritórios e apartamentos, os arranha-céus.

Arquitetura do futuro

A história da arquitetura não termina aqui, como dissemos logo no


início ela está ligada à evolução humana. Resta-nos saber para onde
e até onde o Homem nos vai levar.

3
O antropocentrismo é uma concepção que considera que a humanidade deve permanecer no centro do entendimento
dos humanos, isto é, o universo deve ser avaliado de acordo com a sua relação com o ser humano, sendo que as
demais espécies, bem como tudo mais, existem para servi-los.

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Acredita-se que a arquitetura terá como foco construções tão belas quanto confortáveis, e feito de modo
a não comprometer o meio ambiente. Vai surgir uma nova forma de projetar, onde se vão usar novos
parâmetros quer de construção quer de urbanismo nas cidades.
Ou seja, a arquitetura está simplesmente em processo de transformação.

TAREFA:

1. Descreva a evolução da arquitetura desde a sua origem até à atualidade. Como acha que será a
arquitetura no futuro?

GRUPO II

URBANISMO

O urbanismo é a atividade de estudo, regulação, controle e planeamento da cidade (em seu sentido
mais amplo) e da urbanização.
Numa perspetiva simplista, o urbanismo corresponde à ação de projetar e ordenar as cidades.

Antes da uniformização trazida pela Revolução Industrial, cada povo construía as suas habitações rurais
com os materiais que a Natureza punha à sua disposição: a madeira, o granito, o xisto, o basalto, … Isso
é particularmente visível em Portugal – um país não muito grande, mas de admirável diversidade
paisagística e cultural, refletida nas casas tradicionais de cada região.
As casas tradicionais portuguesas fazem parte da nossa paisagem e da nossa história. A sua construção
obedecia a 3 fatores essenciais: o tamanho da família, o material de construção disponível nas
redondezas e a adaptação às condições do clima.

Casas típicas do Norte de Portugal

Num país tão pequeno como Portugal, existe uma grande diversidade paisagística e climática o que
originou, naturalmente, uma grande diversidade de casas tradicionais portuguesas. No Norte, elas são
sobretudo feitas de granito e adaptadas ao facto de nela também se resguardarem os animais e os
produtos agrícolas.

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Não é de estranhar, por isso mesmo, que a grande maioria das casas do norte do país (Minho e Trás-os-
Montes) tenha dois pisos, sendo o rés-do-chão para acomodar o gado e produtos agrícolas e o primeiro
andar para viver.
No interior centro, a abundância de xisto na paisagem montanhosa originou a construção de casas
utilizando este material, o que resultou numa harmonia com o ambiente envolvente que hoje atrai
milhares de turistas todos os anos que rumam a estas paragens para passar uns dias nas suas aldeias de
xisto.

Casas típicas do Sul de Portugal

No Algarve e no Alentejo, menos montanhosos e sem acesso a rochas como o granito e o xisto,
predominam as casas feitas de cal e taipa e, sobretudo, adaptadas ao calor intenso que se faz sentir na
região. Na região saloia, o calcário é a rocha mais utilizada, dada a abundância da mesma na zona oeste.
Um caso particular é o dos Açores. Sendo uma ilha de origem vulcânica, a rocha predominante é o
basalto e foi esta a escolha natural para a construção das casas dos açorianos.

Casas típicas das Ilhas

E por fim, existem casos mais específicos ou isolados, como os palheiros da Costa Nova (adaptados às
necessidades dos pescadores) ou as casas típicas de Santana, na Ilha da Madeira, cujo telhado é forrado
de palha.
Esta enorme diversidade de casas típicas portuguesas é algo que nos enche de orgulho e que urge
preservar. A modernização e a globalização trouxeram novas técnicas de construção que proporcionam
melhores condições de vida para os habitantes das casas.

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No entanto, não podemos esquecer as nossas raízes e, preservar as casas tradicionais portuguesas, é de
extrema importância se queremos manter viva a nossa memória histórica e a autenticidade do nosso
povo. Estas são algumas das casas típicas portuguesas.
 
1. Casa de calcário (Zona Oeste)
A pedra escura usada em quase todas as outras regiões dá
lugar, na região saloia, a casas caiadas de branco, não
tanto como proteção contra o calor (como se faz no sul)
mas, sobretudo, contra o vento forte e corrosivo, que a
proximidade do mar carrega de salinidade. Os telhados
vermelhos de quatro águas e as aduelas de pedra nos
vãos compõem a silhueta típica destas casas que,
frequentemente, têm um alpendre e um quintal, protegido
por um muro.
O vento (não o frio, nem a chuva ou a neve) é o elemento
definidor deste tipo de casa. Fácil de compreender se nos
lembrarmos de que esta região, da Ericeira à Malveira da Serra, é varrida por ventos fortes e apresentava
uma elevada concentração de moinhos de vento, alguns dos quais ainda hoje visíveis perto de
Fontanelas, por exemplo.
 

2. Casa de granito (Norte e Interior Centro)


Se é verdade que, em épocas recuadas, cada
população construía as suas casas com os materiais
disponíveis na sua região, o norte de Portugal teve o
privilégio de ali ter o granito, porventura a mais nobre
das pedras quando se trata de construir, seja um
templo, uma fortaleza ou uma casa.
E, deste modo, o mais humilde dos lares, o mais
simples dos celeiros, dos estábulos ou das adegas
adquire uma austera e natural nobreza que lhe é
conferida pelo granito. De facto, em Portugal, quase
tudo o que até nós chegou de tempos imemoriais,
envolto em lenda e ecos da História, é granítico.
Casas indestrutíveis, para sempre, como se quer a tradição de um povo.

3. Casa Madeirense (Ilha da Madeira)

A tradicional forma triangular terá tido origem no


facto de antigamente os agricultores aproveitarem as
cavernas, ou “furnas”, como abrigo, armazém ou até
residência temporária. Bastava, nesse caso, uma
fachada e uma cobertura de colmo, para rematar o
abrigo encaixado na rocha. Com o tempo, esta
estrutura acabou por abandonar a gruta e
autonomizar-se como construção característica,
sobretudo, da vertente norte da ilha.
Paredes laterais muito baixas suportam um telhado
de duas águas, coberto de colmo, que por ser tão

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inclinado se torna muito alto e permite a existência de um segundo piso mais estreito. As cores vivas,
tão ao gosto da população das ilhas, parecem intensificar-se na verdura natural da paisagem madeirense,
sempre florida e sempre vivaz.
 
4. Casa de xisto (Interior Centro e Norte)

Nas zonas montanhosas do centro-norte do país, o


clima é agreste e a terra é pobre. Para construir uma
casa não há muito mais do que madeira – para as
varandas e os sobrados – e a rocha da região, o xisto,
para tudo o resto – as paredes, as escadas e até os
telhados, com placas laminares.
Esta casa é um prodígio de engenho – aquecida pela
presença dos animais, na “loja”, e com aberturas
reduzidas ao mínimo, para evitar as perdas de calor –
e demonstração da coragem de um povo na luta
contra a pobreza e as condições mais adversas. Uma
casa que hoje nos parece primitiva, mas que traduz
uma admirável solução arquitetónica, perfeitamente integrada na sua paisagem.
 Casa de terra (Alentejo e Algarve)

Tal como no Médio Oriente e outras zonas do globo


em que chove pouco, também no sul de Portugal
existem casas de terra, a qual é amassada e
compactada dentro de taipais, que são retirados depois
de as paredes adquirirem a consistência definitiva,
para então serem caiadas. A cal evita a erosão das
paredes de terra e, sobretudo, reflete a radiação solar
que é tão intensa nestas regiões.
Paredes muito espessas (também porque a ausência de
materiais rígidos na sua construção a isso obriga) e
janelas muito pequenas completam a proteção contra o
calor. Telhados, por vezes, com uma só água e terraços revelam que a chuva não é, de facto, um
problema a ter em conta. A simplicidade da forma e a brancura total são equilibradas por apontamentos
de cor, ao gosto do proprietário e, sobretudo, no rendilhado trabalho em cerâmica que torna tão típicas
as chaminés algarvias.
 
5. Casa de basalto (Açores)

Tal como a Madeira, a Islândia e todas as ilhas de


origem vulcânica, o Arquipélago dos Açores é rico
em basalto – uma rocha cuja dureza e
impermeabilidade a elegeram como primeiro
material de construção numa terra em que o oceano
faz sentir a sua presença omnipotente na forte
salinidade do ar e nos ventos constantes e agrestes.
Janelas e portas de cores vivas contrastam com a
pedra negra das construções rurais, emolduradas
por prados verdes e pelo imenso azul de céu e mar.
Simples, robustas e genuínas. Tão parte da própria
Natureza quanto é possível sê-lo.
 

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6. Casa de madeira (Costa Nova)

No centro litoral do país, encontramos as casas da Costa Nova,


também muito pitorescas. Estes palheiros coloridos começaram por
ser construídos à beira-mar por pescadores, sobretudo para guardar
as redes e todos os materiais de pesca. Começaram por ter apenas
uma única divisão e, posteriormente, foram-se constituindo como
casas de habitação, já com várias divisões.
Atualmente, existem poucos palheiros de madeira nesta região.
Apesar de manter algumas das características arquitetónicas do
passado, hoje são quase todas em cimento. Porém, estas casas
típicas da Costa Nova continuam a ser tema de conversa em
qualquer lugar do mundo.

ATIVIDADE
Após o debate iniciado em contexto de sala de aula procure agora fazer uma reflexão pessoal sobre o
contexto urbanístico que o/a envolve.

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1. Descreva o seu ideal de construção.
2. O que é para si a casa ideal?
3. Dê uma definição de lar?
4. Considera que o local onde habita pode ser considerado um lar?
5. Razão que o levaram a fixar nesta cidade? O que o levaria a fixar-se noutra cidade?
6. Equipamentos que faltam na sua cidade?