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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL

LEI DE DROGAS (LEI Nº 11.343/2006)

Por Roberto Lobo


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SUMÁRIO

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ...................................................................................................................... 3


2 DOS CRIMES EM ESPÉCIE ....................................................................................................................... 4
2.1. PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL .................................................................................... 4
2.2. TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33) ..........................................................................................................10
2.3. INDUZIR, INSTIGAR OU AUXILIAR O USO DE DROGA ...........................................................................13
2.5. TRÁFICO DE MAQUINÁRIOS ...............................................................................................................18
2.6. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO...........................................................................................................19
2.7. ASSOCIAÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DO TRÁFICO ..........................................................................20
2.8. FINANCIAMENTO DO TRÁFICO ...........................................................................................................21
2.9. INFORMANTE DO TRÁFICO.................................................................................................................22
2.11. CONDUZIR EMBARCAÇÃO OU AERONAVE APÓS CONSUMO DE DROGA ............................................23
3 CAUSAS DE AUMENTO (ART.40) ............................................................................................................24
4 DELAÇÃO PREMIADA ............................................................................................................................27
4.1 FIXAÇÃO DA PENA BASE (ESPECIAL EM RELAÇÃO AO 59 DO CP) ...........................................................28
5 PENA DE MULTA ...................................................................................................................................28
6 VEDAÇÕES NA LEI DE DROGAS ..............................................................................................................29
7 INIMPUTABILIDADE DA LEI DE DROGAS ................................................................................................32
8 PARTE PROCESSUAL DA LEI ...................................................................................................................33
8.1 PROCEDIMENTO DO ART. 28 ...............................................................................................................33
8.2 INVESTIGAÇÃO ...................................................................................................................................34
8.3 DESTRUIÇÃO DA DROGA .....................................................................................................................38
9 COOPERAÇÃO INTERNACIONAL ............................................................................................................40
10 JURISPRUDÊNCIA EM TESE ................................................................................................................42
11 DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO ....................................................................................58
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ATUALIZADO EM 02/03/20201

LEI DE DROGAS (LEI Nº 11.343/2006)

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Conceito: O parágrafo único do artigo 1º da lei 11.343 conceitua drogas como substâncias ou os
produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas
periodicamente pelo Poder Executivo da União.

#DEOLHONAJURISPRIDÊNCIA: Classifica-se como "droga", para fins da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), a
substância apreendida que possua "canabinoides" (característica da espécie vegetal Cannabis sativa), ainda que
naquela não haja tetrahidrocanabinol (THC). STJ. (Info 582).

Lei penal em branco em sentido estrito (heterogênea): Como vimos no conceito, a definição de drogas
é complementada em norma cuja edição compete ao poder executivo da União. Logo, a norma
complementadora tem natureza distinta da norma complementada, além de ser proveniente de órgão
diferente, configurando típica hipótese de norma penal em branco heterogênea. A norma complementadora é a
Portaria da Anvisa SVS/MS 344/98.
Presunção absoluta de causar dependência: As substâncias que constam da portaria possuem
presunção absoluta quanto a sua capacidade de causas dependência. Ademais, o rol é taxativo.

#DEOLHONATABELA:
RESSALVAS À PROIBIÇÃO DAS DROGAS (art. 2º)
PLANTAS DE USO ESTRITAMENTE FINS MEDICINAIS OU CIENTÍFICOS
RITUALÍSTICO-RELIGIOSO (caput) (parágrafo único)
É necessária a autorização legal ou É necessária a autorização legal ou
regulamentar. O dispositivo faz menção à regulamentar. Local e prazo determinado.
Convenção de Viena das Nações Unidas Mediante fiscalização
sobre Substâncias Psicotrópicas (1971).

Bem jurídico tutelado: Saúde pública.

1 As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de
diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos,
porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do
material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas
jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos
eventos anteriormente citados.
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Marcha pela legalização da maconha: A questão chegou no STF e prevaleceu a liberdade de
pensamento, expressão, informação e comunicação.

Desapropriação confisco: O art. 243 da CF/88 prevê o confisco da propriedade em que se cultive
qualquer espécie de planta da qual se possa extrair droga. O proprietário não tem direito a justa indenização.
Além disso, o STF entende que deve ser expropriada a totalidade do imóvel, mas admite a possibilidade de o
proprietário afastar a sanção se provar que não tem culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo (RE
543.974/MG e RE 635336/PE).

Serviços de atenção à saúde: Segundo o art. 26 da lei, o usuário e dependente de drogas que estiver
cumprindo pena privativa de liberdade deve ter garantido os serviços de atenção à sua saúde. O STF (HC
106477) já concedeu HC para assegurar tratamento psicológico ao paciente usuário de drogas. Caso seja
negligenciada a assistência ao preso viciado, já se entendeu ser possível o atendimento por médico particular.

Inaplicabilidade do princípio da insignificância: Não se aplica o princípio da insignificância para o crime


de posse/porte de droga para consumo pessoal (Info 541) nem para STJ. 27/10/2015.

#ATENÇÃO: O STF possui um precedente isolado, da 1ª Turma, aplicando o princípio: HC 110475, Rel. Min. Dias
Toffoli, j. 14/02/2012. Se esse tema for cobrado em prova, você deverá responder que NÃO é possível a
aplicação do princípio, uma vez que o referido precedente da 1ª Turma do STF não formou jurisprudência.

2 DOS CRIMES EM ESPÉCIE

2.1. PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal,
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes
penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa
de comparecimento a programa ou curso educativo.

Tipo misto alternativo: A norma prevê mais de uma conduta. Caso o agente pratique mais de uma, terá
praticado um único crime.
Consumo imediato da droga: O ato de consumir, usar a droga, não constitui núcleo do tipo penal. Logo,
Para o STF, não caracteriza o crime de porte de drogas a conduta do agente que recebendo de terceiro a droga,
para uso próprio, a consome, incontinenti, pois a incriminação do porte de tóxicos para uso próprio só se pode
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explicar como delito contra a saúde pública (HC 79189). O uso apenas representa autolesão, exaurindo-se o
perigo na figura do próprio agente.
Crime vago: O sujeito passivo é a coletividade.
Trata-se de crime de perigo abstrato.
Elemento normativo do tipo: Só haverá crime se houver a prática de um dos núcleos verbais sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Se houver autorização (por exemplo,
para fins medicinais), será fato atípico.
Elemento subjetivo especial: é imprescindível o fim especial de possuir droga para consumo pessoal,
sob pena de incorrer no crime de tráfico.
Critério para averiguação se a droga é para consumo pessoal ou tráfico: Há dois sistemas. 1º Sistema
da quantificação legal: leva em conta o consumo diário; 2º Sistema do reconhecimento judicial ou policial
(adotado no Brasil): Análise do caso concreto pela autoridade policial e posteriormente pela autoridade judicial.
Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá:
1. à natureza e à quantidade da substância apreendida (OBS: Em que pese os critérios natureza e
quantidade da droga serem quase de observância obrigatória, eles individualmente considerados não
têm o condão de suprimir a análise dos demais)
2. ao local e às condições em que se desenvolveu a ação,
3. às circunstâncias sociais e pessoais, bem como
4. à conduta e aos antecedentes do agente.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:

- Cabe à acusação provar que a droga apreendida era destinada ao tráfico, e ao não usuário provar que a droga
encontrada consigo seria utilizada para consumo próprio. (info. 711 do STF)

- Para o STJ (RHC 7655/RJ), se há séria dúvida quanto ao acerto da classificação jurídica dos fatos, se é caso de
“trazer consigo” para tráfico, ou para mero uso de droga, a dúvida deve favorecer o réu.

Princípio da especialidade: Há crime especial no CPM, no art. 290. A posse de drogas para uso pessoal
nas dependências da administração militar não é alcançada pelo art. 28, tendo em vista o princípio da
especialidade.
Figura equiparada: quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à
preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica.
OBS: Não confundir com o crime do art. 33, §1º, II (“semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a
preparação de drogas”). Há, na figura equiparada, 2 elementos: a finalidade de consumo pessoal, e as plantas
devem ser destinadas à preparação de PEQUENA QUANTIDADE de substância entorpecente. Se for para grande
quantidade, já configura tráfico.
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Prescrição: Prescreve em 2 ANOS (prazo especial da lei de drogas), mas aplicam-se as causas de
interrupção do CP.
Penas: Uma das principais novidades introduzidas pela Lei n° 11.343/06 diz respeito à mudança da
política criminal em relação ao usuário de drogas. Se, à época da vigência do art. 16 da Lei n° 6.368/76, o
usuário de drogas estava sujeito a uma pena de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 20
(vinte) a 50 (cinquenta) dias-multa, com o advento da Lei n° 11.343/06, o preceito secundário do art. 28 passou
a cominar as seguintes penas: advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade e
medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Logo, afastou a pena privativa de
liberdade. O STF (info. 456) considera que a conduta descrita nesse artigo continua sendo crime, tendo ocorrido
apenas uma “DESPENALIZAÇÃO” (não descriminalização). Para alguns autores, a expressão correta deveria ser
“descarcerização”, porque o tipo continua prevendo penas, só não mais privativas de liberdade.

*#ATENÇÃO #MUDANÇADEENTENDIMENTO #STJ: a 6ª turma do STJ, no REsp 1672654 / SP, decidiu o seguinte:
RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. CONDENAÇÃO ANTERIOR PELO DELITO DO
ARTIGO 28 DA LEI DE DROGAS. CARACTERIZAÇÃO DA REINCIDÊNCIA. DESPROPORCIONALIDADE.
1. À luz do posicionamento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na questão de ordem no RE nº 430.105/RJ,
julgado em 13/02/2007, de que o porte de droga para consumo próprio, previsto no artigo 28 da Lei nº
11.343/2006, foi apenas despenalizado pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizado, esta Corte Superior
vem decidindo que a condenação anterior pelo crime de porte de droga para uso próprio configura reincidência,
o que impõe a aplicação da agravante genérica do artigo 61, inciso I, do Código Penal e o afastamento da
aplicação da causa especial de diminuição de pena do parágrafo 4º do artigo 33 da Lei nº 11.343/06.
2. Todavia, se a contravenção penal, punível com pena de prisão simples, não configura reincidência, resta
inequivocamente desproporcional a consideração, para fins de reincidência, da posse de droga para consumo
próprio, que conquanto seja crime, é punida apenas com "advertência sobre os efeitos das drogas", "prestação
de serviços à comunidade" e "medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo",
mormente se se considerar que em casos tais não há qualquer possibilidade de conversão em pena privativa de
liberdade pelo descumprimento, como no caso das penas substitutivas.
3. Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade do artigo 28 da Lei de Drogas, que está cercado
de acirrados debates acerca da legitimidade da tutela do direito penal em contraposição às garantias
constitucionais da intimidade e da vida privada, está em discussão perante o Supremo Tribunal Federal, que
admitiu Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 635.659 para decidir sobre a tipicidade do porte de
droga para consumo pessoal.
4. E, em face dos questionamentos acerca da proporcionalidade do direito penal para o controle do consumo de
drogas em prejuízo de outras medidas de natureza extrapenal relacionadas às políticas de redução de danos,
eventualmente até mais severas para a contenção do consumo do que aquelas previstas atualmente, o prévio
apenamento por porte de droga para consumo próprio, nos termos do artigo 28 da Lei de Drogas, não deve
constituir causa geradora de reincidência. 5. Recurso improvido.
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*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei nº
11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O porte de droga para consumo próprio foi somente
despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não descriminalizado. Obs.: despenalizar é a medida que tem por
objetivo afastar a pena como tradicionalmente conhecemos, em especial a privativa de liberdade.
Descriminalizar significa deixar de considerar uma conduta como crime. Mesmo sendo crime, o STJ entende
que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO
configura reincidência. Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de prisão
simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de reincidência,
considerando que este delito é punido apenas com “advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e
“medida educativa”, ou seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer possibilidade de conversão em
pena privativa de liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade
do art. 28 da LD está sendo fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 21/08/2018 (Info 632).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA
- A condenação por porte de drogas para consumo próprio (art. 28 da Lei 11.343/2006) transitada em julgado
gera reincidência. Isso porque a referida conduta foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não
descriminalizada (abolitio criminis). STJ. (Info 549).
- Não se admite a utilização do habeas corpus para impugnar decisões judiciais relacionadas ao art. 28. Como
não foi cominada pena privativa de liberdade, não há ameaça à liberdade ambulatorial.
- Se um adolescente praticar um ato infracional análogo do art. 28, não será privado de sua liberdade
(internação ou semiliberdade), porque o art. 28 não prevê a privação de liberdade. Vide info. 742 do STF (final
do resumo).

#FACILITACOACH #DEOLHONATABELA:
PENAS DO USUÁRIO (ARTS. 27 E 28)
As sanções podem ser APLICADAS ISOLADA OU CUMULATIVAMENTE, BEM COMO SUBSTITUÍDAS A
QUALQUER TEMPO, ouvidos o MP e o defensor
MEDIDA EDUCATIVA DE
ADVERTÊNCIA SOBRE OS EFEITOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À
COMPARECIMENTO A PROGRAMA
DAS DROGAS COMUNIDADE
OU CURSO EDUCATIVO
Prazo máximo: 5 meses Prazo máximo: 5 meses
Exaure-se em si mesma.
Se reincidente: 10 meses **Se reincidente: 10 meses
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O programa não precisa ter como
É um esclarecimento que deve ser Em entidades que se ocupem,
tema exclusivo os malefícios
feito pelo juiz quanto às preferencialmente, da prevenção
causados pelo uso de drogas, sob
consequências maléficas causadas do consumo ou da recuperação de
pena de se confundir com a pena
pelo uso de drogas. usuários e dependentes de drogas.
de advertência.

Observações sobre as penas:

Retroatividade: Como tratou de maneira mais branda o usuário, a norma do art. 28 retroage (lei penal
in mellus).
Crime de ínfimo potencial ofensivo: é crime de menor potencial ofensivo. Há autores que atribuem a
nomenclatura ao crime do art. 28 como sendo de ínfimo potencial ofensivo, haja vista não prever pena privativa
de liberdade.
Prevalece que as penas poderão ser aplicadas pelo prazo máximo de 10 meses em casos de reincidência
específica (no crime de porte de drogas para consumo pessoal).

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas
para consumo pessoal. Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será
submetido às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à
comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Em regra, as penas dos
incisos II e III só podem ser aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses. O § 4º prevê que: “em caso de
reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10
(dez) meses.” A reincidência de que trata o § 4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já
condenado definitivamente por roubo, pratica o crime do art. 28, ele não se enquadra no § 4º. Isso porque se
trata de reincidente genérico. O § 4º ao falar de reincidente, está se referindo ao crime do caput do art. 28. STJ.
6ª Turma. REsp 1.771.304-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

Como vimos, a pena também pode ser substituída a qualquer tempo. Tal substituição tem de respeitar o
contraditório e a ampla defesa, haja vista poder acarretar situação desfavorável ao apenado.
Para garantia do cumprimento das medidas educativas acima, a que INJUSTIFICADAMENTE se recuse o
agente, poderá o juiz submetê-lo, SUCESSIVAMENTE a: I - admoestação verbal; II - multa.

#SELIGA: a admoestação verbal e a multa não são penas, mas sim medidas de coerção, que visam compelir o
acusado ao cumprimento das penas previstas no art. 28. As medidas são aplicadas sucessivamente: primeiro, a
admoestação, depois, a multa.
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MEDIDAS EDUCATIVAS DE COERÇÃO
ADMOESTAÇÃO VERBAL MULTA
Só pode ser aplicada após a admoestação

Não se confunde com a advertência sobre os verbal. Critério bifásico (=CP).

efeitos das drogas. A advertência é uma


A aplicação considera a reprovabilidade da
pena para orientar o sujeito sobre os efeitos
conduta. 40 A 100 DIAS MULTA 1/30 A 3X O
nocivos das drogas. A admoestação é
VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO
medida coercitiva para estimular o
cumprimento das penas. DESTINAÇÃO: FUNAD (Fundo Nacional
Antidrogas)

*#OUSESABER: a importação de pequenas quantidades de sementes de maconha para consumo próprio


caracteriza o crime do art. 28 da Lei de Drogas? NÃO, já que o art. 28 da Lei de Drogas não tipifica a hipótese
de importação de sementes para consumo próprio, ao contrário do que faz o art. 33, §1º, II. Diante disso, a
Sexta Turma do STJ (ainda não ratificado pela Quinta Turma) tem reconhecido a atipicidade da conduta, quando
restar demonstrado que a importação de pequena quantidade de sementes de entorpecente se destinava ao
consumo pessoal: RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL. RECEBIMENTO DE DENÚNCIA. IMPORTAÇÃO DE
SEMENTES DE CANNABIS SATIVA LINEU. MATÉRIA-PRIMA PARA PRODUÇÃO DE DROGA. PEQUENA QUANTIDADE
DE MATÉRIA PRIMA DESTINADA À PREPARAÇÃO DE DROGA PARA CONSUMO PESSOAL. FATO ATÍPICO.
1. O fruto da planta cannabis sativa lineu, conquanto não apresente a substância tetrahidrocannabinol (THC),
destina-se à produção da planta, e esta à substância entorpecente, sendo, pois, matéria prima para a produção
de droga, cuja importação clandestina amolda-se ao tipo penal insculpido no artigo 33, § 1º, da Lei n.
11.343/2006.
2. Todavia, tratando-se de pequena quantidade de sementes e inexistindo expressa previsão normativa que
criminaliza, entre as condutas do artigo 28 da Lei de Drogas, a importação de pequena quantidade de matéria
prima ou insumo destinado à preparação de droga para consumo pessoal, forçoso reconhecer a atipicidade do
fato. 3. Recurso provido. (REsp 1687058/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, Rel. p/ Acórdão Ministra MARIA
THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 06/02/2018, DJe 08/03/2018)

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: Não configura crime a importação de pequena quantidade de


sementes de maconha. STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info
915). #IMPORTANTE.
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2.2. TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33)

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter
em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer
drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos)
dias-multa.

#SELIGA: CRIME EQUIPARADO A HEDIONDO.

Sujeitos do crime: Pode ser cometido por qualquer pessoa (Obs: na conduta de prescrever, a maioria da
doutrina entende que se trata de crime próprio dos profissionais da área de saúde) e é crime vago, pois tem
como sujeito passivo a coletividade.
Tipo misto alternativo: Se praticar um núcleo ou mais de um núcleo, haverá crime único e não concurso
de crimes.
Condutas são permanentes: Algumas condutas são permanentes, permitindo o flagrante a qualquer
tempo, inclusive a possibilidade de invasão domiciliar. Muitas vezes, a autoridade policial provoca o flagrante na
modalidade entregar ou vender (passando-se por usuário), mas prende o agente pela conduta de ter em
depósito, que é permanente. Nesse caso, não há que se falar em flagrante preparado, haja vista a consumação
do tráfico ser preexistente à provocação. É o chamado flagrante comprovado (#SELIGANOTERMO).

#DEOLHONAJURIS: - Para que configure a conduta de "adquirir", prevista no art. 33 da Lei nº 11.343/2006, não
é necessária a tradição do entorpecente e o pagamento do preço, bastando que tenha havido o ajuste. Assim,
não é indispensável que a droga tenha sido entregue ao comprador e o dinheiro pago ao vendedor, bastando
que tenha havido a combinação da venda. STJ. (Info 569).

Princípio da especialidade: Tráfico de drogas nas dependências da administração militar: art. 290 do
CPM, não se aplicando a lei de drogas. OBS: Será enquadrado como tráfico da 11.343 se o crime, mesmo na
seara castrense, não encontrar correlação típica com o 290 do CPM (por exemplo, importar ou exportar
substância entorpecente).
Elemento subjetivo: é o dolo. No caso das condutas “prescrever e ministrar”, se forem praticadas
culposamente, o agente incidirá no crime do art. 38 da lei. Prevalece que não exige elemento subjetivo especial
(dolo de traficância). Se a finalidade é ter a posse da droga para consumo pessoal: art. 28.
Não exige onerosidade: Atenção ao “ainda que gratuitamente”.
Competência: da Justiça Estadual, salvo se o tráfico for internacional (Justiça Federal).
Figuras equiparadas: Também são consideradas tráfico e também são equiparadas a hediondo.
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I - Importa, exporta, remete,
produz, fabrica, adquire,
vende, expõe à venda,
oferece, fornece, tem em
Prevalece que as condutas listadas no §1º são subsidiárias,
depósito, transporta, traz
de forma que o agente só pode por elas ser punido se sua
consigo ou guarda, ainda que
conduta não se enquadrar no caput. Assim, ainda que
gratuitamente, sem
praticadas no mesmo contexto, não há concurso material
autorização ou em desacordo
entre os crimes do caput e do §1º. Há apenas um crime
com determinação legal ou
(progressão criminosa).
regulamentar, matéria-prima,
insumo ou produto químico
destinado à preparação de
drogas;
Abrange não apenas substâncias destinadas
II - Semeia, cultiva ou faz a
exclusivamente à preparação da droga, mas também
colheita, sem autorização ou
aquelas que, eventualmente, se prestem a essa finalidade.
em desacordo com
É necessário o exame pericial para atestar essa condição.
determinação legal ou
Diferença para o art. 28, §1º: além de o art. 28 exigir
regulamentar, de plantas que
elemento especial “para consumo próprio”, prevê também
se constituam em matéria-
que a plantação seja para preparação de pequena
prima para a preparação de
quantidade. Logo, se for para média ou grande
drogas;
quantidade, aplicar-se-á esse inciso.
O sujeito ativo é o proprietário, possuidor, administrador
III - Utiliza local ou bem de
ou VIGIA (crime próprio).
qualquer natureza de que tem
Abrange apenas locais abertos ao público e privados. Não
a propriedade, posse,
estão abrangidos os locais públicos de uso comum. A
administração, guarda ou
conduta (III) só estará tipificada se o local for utilizado ou
vigilância, ou consente que
cedido para o tráfico de drogas (não se relaciona à
outrem dele se utilize, ainda
utilização do local para o consumo de droga. Houve
que gratuitamente, sem
abolitio criminis dessa conduta, que era prevista na lei
autorização ou em desacordo
anterior). Se o agente que permite que outrem utilize de
com determinação legal ou
seu imóvel para a prática do crime de associação para o
regulamentar, para o tráfico
tráfico (art. 35), sem que este local seja utilizado para a
ilícito de drogas.
distribuição da droga, não estará tipificado o inciso III.

*#DEOLHONATABELA #NOVIDADELEGISLATIVA #PACOTEANTICRIME


Antes da Lei nº 13.964/2019 Depois da Lei nº 13.964/2019
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“Art. 33.
Sem redação correspondente ...........................................................................................
§ 1º
..................................................................................................
........................................................................................................
IV - vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou
produto químico destinado à preparação de drogas, sem
autorização ou em desacordo com a determinação legal ou
regulamentar, a agente policial disfarçado, quando presentes
elementos probatórios razoáveis de conduta criminal
preexistente.
..............................................................................................” (NR)

O inciso IV do artigo 33, §1º acrescenta mais uma hipótese de conduta equiparada ao tráfico de drogas.
O tipo é misto ou alternativo, pois o sujeito ativo pode praticá-lo por mais de um núcleo do tipo (vender ou
entregar).
Já o objeto das condutas pode ser a própria droga, a matéria-prima, o insumo ou o produto químico destinado à
preparação de drogas. Além disso, trata-se de tipo de conduta duplamente vinculada, haja vista que é exigida
que a entrega seja feita sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar e à agente
policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente.

Sobre a conduta criminal preexistente, vale a pena mencionar as lições de Rogério Sanches, Renee do Ó Souza,
Caroline de Assis e Silva Holmes Lins2:

“(...)Para a validade da atuação do agente disfarçado deve haver a demonstração de provas em grau suficiente
a indicar que o autor realizou antes uma conduta criminosa, circunstância objeto da investigação proporcionada
pelo disfarce. Há, portanto, uma relação utilitarista-consequencial entres esses elementos típicos. A investigação
realizada pelo agente disfarçado, em razão da qualificada apreensão de informações proporcionada pelo
disfarce, colhe elementos probatórios razoáveis acerca da conduta criminosa preexistente.
Caso a investigação descarte a conduta criminosa preexistente, ou seja, caso revele tratar-se de vendedor
casual dos produtos ilícitos, não será possível responder pelos crimes especiais criados pela Lei 13.964/2019.
Essa observação é crucial para compreender o instituto como uma aposta na atuação profissional dos
investigadores policiais e não simplesmente como um expediente capaz de levar ao alargamento de prisões de
pessoas desvinculadas da prática de crimes.
São esses elementos probatórios que, ao cabo, dão sustentação ao recorte feito pelo legislador e permitem a
caracterização do crime sem que possa falar em flagrante preparado, além de assegurar que a conduta
criminosa foi praticada de forma voluntária, livre e consciente. Dito de outra forma, são essas provas que
asseguram que a participação do agente disfarçado é neutra, quase um indiferente causal à prática delitiva
Assim, quando um policial anonimamente tenta adquirir drogas de um usuário, que, exclusivamente em razão
desse ato, obtém e repassa a substância ao proponente, resta caracterizada uma obra fruto de um agente
provocador e consequentemente um caso de flagrante provocado.
Contudo, caso um policial disfarçado realize um prévio levantamento investigativo que indique que
determinada pessoa exerce função de vendedor de drogas em pequenas quantidades, sem que as mantenha
consigo antes das propostas de compras, e realize com ela uma negociação pela substância, poderá, no
momento da venda ou da entrega, efetuar sua prisão porque o crime, neste instante, resta caracterizado ante
a realização dos elementos específicos do tipo, ainda que criminoso mantenha com ele exclusivamente a exata
quantia de drogas comercializada. Observe-se que neste caso, não fosse a nova figura delitiva em estudo com
participação do agente disfarçado, não seria possível a prisão do traficante pelos demais núcleos verbais vez que
restariam descaracterizadas a voluntariedade acerca da posse da droga envolvida na comercialização. (...)”

2 Disponível em: https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/12/27/nova-figura-agente-disfarcado-prevista-na-


lei-13-9642019/. Acesso em 07 de janeiro de 2020.
13
2.3. INDUZIR, INSTIGAR OU AUXILIAR O USO DE DROGA

§ 2º, Art. 33: Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três)
anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa.

NÃO É EQUIPARADO A CRIME HEDIONDO.


Diferença para o delito de apologia ao crime (art. 287 do CP): A indução, instigação e auxílio devem
visar pessoa determinada. Se for a pessoa incerta, configurará apologia ao crime.
Retroatividade benéfica: Retroage, posto que na lei anterior era tratada como tráfico. É lei penal mais
benéfica.
Consumação: Prevalece que o crime só se consuma com o efetivo uso da droga pela pessoa induzida,
instigada ou auxiliada.

2.4. OFERECER DROGA GRATUITAMENTE EVENTUALMENTE A PESSOA DO SEU RELACIONAMENTO

§ 3, Art. 33. Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para
juntos a consumirem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500
(mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.

#CASCADEBANANA: NÃO É EQUIPARADO A CRIME HEDIONDO.

É tráfico (está no art. 33), mas tem elementos especializantes (cumulativos):


• Eventualidade: se o agente oferece drogas a outras pessoas com habitualidade, o crime se
amolda ao art. 33, caput.
• Ausência de objetivo de lucro: Caso contrário, amolda-se ao art. 33, caput.
• Pessoa do relacionamento
• Elemento subjetivo especial: Para juntos consumirem

À pessoa a quem foi oferecida a droga, aplicam-se as penas do art. 28.

Para a 1ª Turma do STF (HC 107.448/MG), recai sobre a acusação o ônus da prova quanto ao tráfico de
drogas, que não ocorre pela simples compra da droga. Logo, para fins de tipificação da conduta do §3º, não se
pode admitir a inversão do ônus da prova a ponto de se concluir pelo tráfico de drogas em razão de o acusado
não haver feito prova da versão segundo a qual a substância se destinava ao uso próprio e de grupo de amigos
que se cotizaram para a aquisição.
14
#ATENÇÃO: A pessoa a quem foi oferecida a droga precisa ter capacidade de discernimento? Há divergência. 1ª
Corrente: entende que pode ser um imputável ou inimputável (com a causa de aumento prevista no art. 40, VI).
2ª Corrente: não é válido o consentimento do inimputável para o uso compartilhado de drogas, configurando o
art. 33, caput.

Retroatividade benéfica: Tal conduta não tem correspondência na lei anterior. Na lei anterior, era
tratado como traficante no caput. Como a pena aqui é menor, tal norma retroage em benefício do réu.
Crime de menor potencial ofensivo e cabe suspensão condicional do processo.

TRÁFICO PRIVILEGIADO (#VAICAIR #DESPENCAEMPROVA):

§ 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois
terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons
antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.

É uma CAUSA ESPECIAL DE DIMINUIÇÃO DA PENA (3ª fase da dosimetria)


Apesar de o §4º falar que se aplica apenas ao caput e §1º do 33, a doutrina majoritária entende que,
devido ao princípio da proporcionalidade, se aplica também ao 34.

#CEREJADOBOLO: NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO (#VAICAIR)

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº


11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC
118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831).

Direito subjetivo do réu: se ele preencher os requisitos, deverá ter sua pena reduzida.

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: A Lei de Drogas prevê, em seu art. 33, § 4º, a figura do “traficante
privilegiado”, também chamada de “traficância menor” ou “traficância eventual”: § 4º Nos delitos definidos no
caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em
penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às
atividades criminosas nem integre organização criminosa. A habitualidade no crime e o pertencimento a
organizações criminosas deverão ser comprovados pela acusação, não sendo possível que o benefício seja
afastado por simples presunção. Assim, se não houver prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução da
pena. A quantidade e a natureza são circunstâncias que, apesar de configurarem elementos determinantes na
definição do quanto haverá de diminuição, não são elementos que, por si sós, possam indicar o envolvimento
com o crime organizado ou a dedicação a atividades criminosas. Vale ressaltar, por fim, que é possível a
aplicação deste benefício mesmo para condenados por tráfico transnacional de drogas. STF. 2ª Turma. HC
15
152001 AgR/MT, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/10/2019
(Info 958).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Cabe à acusação comprovar a impossibilidade de aplicação da minorante,


demonstrando que o acusado não é primário, não tem bons antecedentes, dedica-se a atividades criminosas ou
integra organização criminosa (basta comprovar um). A 2ª Turma do STF (HC 103.225/RN) decidiu que o
afastamento da minorante exige fundamentação idônea e a ausência de provas deve ser interpretada em favor
do acusado.

O STF (HC 97256/RS) declarou a inconstitucionalidade da expressão “vedada a conversão em penas


restritivas de direito”. Priorizou-se a individualização da pena e a dignidade da pessoa humana.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA
- Se o réu, não reincidente, for condenado, por tráfico de drogas, a pena de até 4 anos, e se as circunstâncias
judiciais do art. 59 do CP forem positivas (favoráveis), o juiz deverá fixar o regime aberto e deverá conceder a
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, preenchidos os requisitos do art. 44 do CP.
A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais
gravoso. STF. (Info 821).

- O fato de o tráfico de drogas ser praticado com o intuito de introduzir substâncias ilícitas em estabelecimento
prisional não impede, por si só, a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, devendo
essa circunstância ser ponderada com os requisitos necessários para a concessão do benefício. STJ. (Info 536).

É possível a incidência concomitante das causas de diminuição do §4º e das causas de aumento do art.
40.

Veda-se a combinação de leis (lex tertia - #SELIGANOSINÔNIMO): Essa causa de diminuição é uma
norma mais benéfica. Não era prevista na lei anterior. Por outro lado, a lei 11.343 aumentou a pena mínima do
tráfico de 3 para 5 anos. Logo, a lei 11.343 tem a causa de diminuição como norma mais benéfica e o aumento
da pena mínima como prejudicial ao réu. Começou uma discussão quanto a se seria possível aplicar a pena
mínima da lei antiga juntamente com a privilegiadora da lei 11.343 para beneficiar o réu. Os tribunais entendem
que é vedada tal combinação de leis. Ou se aplica a lei anterior na íntegra, com sua pena mínima e sem aplicar a
causa de diminuição, ou se aplica a pena mínima da 11.343 (5 anos), com a privilegiadora.

#SELIGANASÚMULA: Súmula 501 do STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o
resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da
aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis.
16
Redução: 1/6 a 2/3
4 requisitos CUMULATIVOS:
• PRIMÁRIO
• BONS ANTECEDENTES
• NÃO SE DEDICAR A ATIVIDADES CRIMINOSAS
• NÃO INTEGRAR ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

#DEOLHONAJURIS #AJUDAMARCINHO

- Segundo o entendimento que prevalece no STF é possível aplicar o § 4º do art. 33 da LD às “mulas”. STF. (Info
766).
- Diante da jurisprudência hesitante desta Corte, entende-se por bem acolher e acompanhar o entendimento
uníssono do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que a simples atuação como "mula" não induz
automaticamente a conclusão de que o agente integre organização criminosa, sendo imprescindível, para tanto,
prova inequívoca do seu envolvimento, estável e permanente, com o grupo criminoso. Portanto, a exclusão da
causa de diminuição prevista no § 4° do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, somente se justifica quando indicados
expressamente os fatos concretos que comprovem que a “mula” integre a organização criminosa. 6/4/2017
(INFO 602 STJ)
- O simples fato de integrar uma organização criminosa é óbice à aplicação da minorante. Não importa se a
associação está voltada para a prática de crimes de tráfico de drogas ou de infrações penais de natureza diversa
com pena máxima superior a 4 anos ou de caráter transnacional.
- É inaplicável a causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 na
hipótese em que o réu tenha sido condenado, na mesma ocasião, por tráfico e pela associação de que trata o
art. 35 do mesmo diploma legal. A aplicação da referida causa de diminuição de pena pressupõe que o agente
não se dedique às atividades criminosas. STJ. (Info 517).
- #VAICAIR: É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no art. 33,
§ 4º, da Lei n.º 11.343/2006. STJ. (Info 596).
- Ainda que o réu comprove o exercício de atividade profissional lícita, se, de forma concomitante, ele se
dedicava a atividades criminosas, não terá direito à causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, §
4º, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas STJ. (Info 582).
- O magistrado não pode deixar de aplicar a minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 se
utilizando exclusivamente dos elementos descritos no núcleo do referido tipo penal para concluir que o réu se
dedicava à atividade criminosa. STJ. (Info 514).
- A circunstância de o crime ter sido cometido nas dependências de estabelecimento prisional não pode ser
utilizada como fator negativo para fundamentar uma pequena redução da pena na aplicação da minorante
17
prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 e, ao mesmo tempo, ser empregada para aumentar a pena
como majorante do inciso III do art. 40. STJ. (Info 586).

*#DIZERODIREITO #JURISPRUDENCIA #STJ: A prática do delito de tráfico de drogas nas proximidades de


estabelecimentos de ensino (art. 40, III, da Lei 11.343/06) enseja a aplicação da majorante, sendo desnecessária
a prova de que o ilícito visava atingir os frequentadores desse local. Para a incidência da majorante prevista no
art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006 é desnecessária a efetiva comprovação de que a mercancia tinha por
objetivo atingir os estudantes, sendo suficiente que a prática ilícita tenha ocorrido em locais próximos, ou seja,
nas imediações de tais estabelecimentos, diante da exposição de pessoas ao risco inerente à atividade criminosa
da narcotraficância. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558551/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017.
STJ. 6ª Turma. HC 359.088/SP. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/10/2016. Não incide a causa de
aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, se a prática de narcotraficância ocorrer
em dia e horário em que não facilite a prática criminosa e a disseminação de drogas em área de maior
aglomeração de pessoas. Ex: se o tráfico de drogas é praticado no domingo de madrugada, dia e horário em que
o estabelecimento de ensino não estava funcionando, não deve incidir a majorante. STJ. 6ª Turma. REsp
1.719.792-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 622). #IMPORTANTE

Critério para quantificar o benefício: o juiz deve se valer dos critérios indicados pelo art. 42 (natureza e
quantidade da droga, personalidade e conduta social do agente).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA

- Se o réu é primário e possui bons antecedentes, o juiz pode, mesmo assim, negar o benefício do art. 33, § 4º
da LD argumentando que a quantidade de drogas encontrada com ele foi muito elevada? Há divergência.

1ª Turma do STF 2ª Turma do STF


A quantidade de drogas encontrada não

A grande quantidade de droga pode ser constitui, isoladamente, fundamento idôneo

utilizada como circunstância para afastar o para negar o benefício da redução da pena
benefício. Nesse sentido: não é crível que o previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº
réu, surpreendido com mais de 500 kg de 11.343/2006 STF. (Info 849 e 866). MAIS
maconha, não esteja integrado, de alguma RECENTES.
forma, a organização criminosa,
circunstância que justifica o afastamento da
causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, Obs: Acredito que não será cobrado, por
da Lei de Drogas (Info 844) conta da divergência. Caso seja perguntado
em prova, seguir esse entendimento, por ser
18
mais recente.

- A natureza e a quantidade da droga NÃO podem ser utilizadas para aumentar a pena-base do réu e também
para afastar o tráfico privilegiado (art. 33, § 4º) ou para, reconhecendo-se o direito ao benefício, conceder ao
réu uma menor redução de pena. Haveria, nesse caso, bis in idem. STF. Plenário. ARE 666334 RG, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 03/04/2014 (repercussão geral).

- Esta Corte Superior, na esteira do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de
repercussão geral (ARE 666.334/MG, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJ 6/5/2014), pacificou entendimento de que
a natureza e a quantidade da droga não podem ser utilizadas, concomitantemente, na primeira e na terceira
fase da dosimetria da pena, sob pena de bis in idem. STJ. HABEAS CORPUS Nº 305.627

* Súmula 630-STJ: A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de


entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, não bastando a mera admissão da posse
ou propriedade para uso próprio. 3

2.5. TRÁFICO DE MAQUINÁRIOS

Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir,
guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto
destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200
(mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa

Crime obstáculo: criminalização dos atos preparatórios ao tráfico de drogas.

#SELIGANADIVERGÊNCIA: Há divergência, mas prevalece que é CRIME EQUIPARADO A CRIME HEDIONDO.


Quem sustenta que não é, afirma estar havendo uma ampliação do art. 5º, XLIII da CF/88 e, consequentemente,
uma violação ao princípio da legalidade

Consunção: Se o agente praticar o tráfico de maquinário e também o tráfico de drogas, este absorve
aquele (delito subsidiário, “soldado de reserva”). Só pode haver concurso entre os arts. 33 e 34 se ficar
demonstrada a autonomia das condutas:

3Súmula aprovada em 24.04.2019. Para mais informações, vide comentários do site Dizer o Direito. Disponível em:
https://www.dizerodireito.com.br/2019/07/sumula-630-do-stj-comentada.html
19
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA

- A prática do crime previsto no art. 33, caput, da Lei de Drogas absorve o delito capitulado no art. 34 da mesma
lei, desde que não fique caracterizada a existência de contextos autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o
bem jurídico tutelado de forma distinta. STJ. (Info 531).

- Responderá pelo crime de tráfico de drogas (art. 33) em concurso com o art. 34 o agente que, além de ter em
depósito certa quantidade de drogas ilícitas em sua residência para fins de mercancia, possuir, no mesmo local e
em grande escala, objetos, maquinário e utensílios que constituam laboratório utilizado para a produção,
preparo, fabricação e transformação de drogas ilícitas em grandes quantidades. STJ. (Info 531).

O tipo não abrange objetos destinados ao uso de drogas (art. 28).


É sabido que a causa de diminuição de pena do art. 33, §4º aplica-se apenas ao caput e ao §1º do art. 33,
não se aplicando ao art. 34. Todavia, pode-se chegar a uma situação absurda: o agente do tráfico (crime-fim)
beneficiado pela minorante pode ser condenado a pena inferior àquela do agente que pratica o tráfico de
maquinário (crime-meio, ato preparatório). Por isso, parte da doutrina defende a aplicação da minorante ao art.
34.

2.6. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, REITERADAMENTE OU NÃO, qualquer dos
crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei: Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e
pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa.

Crime Autônomo: independe da concretização ou não do tráfico de drogas.


NÃO É EQUIPARADO A CRIME HEDIONDO (entendimento dos tribunais).

#DEOLHONAJURIS #VAICAIR - O crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei
11.343/2006, não é hediondo nem equiparado. NO ENTANTO, MESMO ASSIM, O PRAZO PARA SE OBTER O
LIVRAMENTO CONDICIONAL É DE 2/3 PORQUE ESTE REQUISITO É EXIGIDO PELO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART.
44 DA LEI DE DROGAS. STJ. (Info 568).

Concurso com o tráfico: Se houver também o tráfico, os agentes responderão pelo art. 35 e pelo art. 33,
em concurso material. Os bens jurídicos tutelados são distintos (na associação, é a paz pública).

Necessária reunião de DUAS OU MAIS PESSOAS (crime de concurso necessário). OBS: O inimputável
também integra o cômputo.
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#DEOLHONAJURIS: - A participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de associação para
o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de aumento do art. 40, VI, da Lei nº
11.343/2006. STJ. (Info 576).

Elemento subjetivo especial: se reunir para praticar qualquer dos seguintes crimes: Tráfico de drogas
(art. 33) e condutas equiparadas (art. 33, §1º); ou tráfico de maquinários (art. 34). Exige-se que seja
PERMANENTE E DURADOURA, TEM DE TER ESTABILIDADE. A associação eventual/efêmera não tipifica o crime,
configura concurso de agentes. A lei 11343 não previu a incidência de majorante na hipótese de associação
eventual, que era prevista na lei anterior (#CAIMUITO).

#DEOLHONAJURIS
- Segundo o STJ e o STF, para configuração do tipo de associação para o tráfico, é necessário que haja
estabilidade e permanência na associação criminosa. Dessa forma, é atípica a conduta se não houver ânimo
associativo permanente (duradouro), mas apenas esporádico (eventual). STJ.
- É possível que alguém seja condenado pelo art. 35 e, ao mesmo tempo, pelo art. 37, da Lei de Drogas em
concurso material, sob o argumento de que o réu era associado ao grupo criminoso e que, além disso, atuava
também como “olheiro”? NÃO. Nesse caso, ele deverá responder apenas pelo crime do art. 35 (sem concurso
material com o art. 37). Configuraria bis in idem STJ. (Info 527).

Crime formal: Se consuma com a associação dotada de estabilidade. Logo, mesmo se os demais crimes
não forem cometidos, o agente responde pela associação. Se os crimes de tráfico forem praticados, o agente
responde por ambos (concurso material).
É inaplicável a minorante do art. 33, §4º (já vimos ao estudar o §4º do 33)

2.7. ASSOCIAÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DO TRÁFICO

Art. 35. Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática
REITERADA do crime definido no art. 36 desta Lei.

Apesar de constar no mesmo artigo, trata-se de outro tipo. Exige a presença de AO MENOS 2 PESSOAS
unidas com o intuito de financiar o tráfico

#COLANARETINA: O parágrafo único fala “reiterada”. O caput, da associação para o tráfico, fala reiteradamente
ou não.
21
2.8. FINANCIAMENTO DO TRÁFICO

Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-
multa.
Maior pena da lei de drogas. É inovação legal prejudicial ao réu (não retroage).

#CEREJADOBOLO: É EQUIPARADO A CRIME HEDIONDO.

O crime não estará tipificado se o financiamento tiver como objetivo a prática de outros crimes que não
os previstos no art. 33, caput e §1º, e 34.
Não há elemento subjetivo especial. Não se exige a intenção lucro.
Para alguns autores, é hipótese de crime instantâneo, bastando o simples financiamento ou custeio,
ainda que realizado uma única vez. Nesse sentido, Nucci e Renato Brasileiro. Por outro lado, Nestor Távora
dispõe que as duas condutas (financiar e custear) pressupõem reiteração, habitualidade, não bastando o mero
auxílio ao tráfico. Se não houver essa habitualidade, se for um financiamento efêmero, o agente responderá
pelo 33, com causa de aumento do 40, inciso VII (faz mais sentido por fazer tal diferenciação).

#ATENÇÃO #NÃOCONFUNDIR:
Financiamento do tráfico Financiar eventualmente o
Associação para o
(art. 96) tráfico (art. 33, com causa
financiamento (p.ú do 35)
de aumento do 40, VII)
Associarem-se 2 ou mais Exige-se reiteração, Se financiar de forma
pessoas, com estabilidade, habitualidade. efêmera, haverá crime de
para reiteradamente tráfico com causa de
praticarem o 36. aumento do inciso VII:
VII - o agente financiar ou
custear a prática do crime

#DEOLHONAJURIS: Se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do art. 33:
responderá apenas pelo art. 36 da Lei de Drogas. Se o agente, além de financiar ou custear o tráfico, também
pratica algum verbo do art. 33: responderá apenas pelo art. 33 c/c o art. 40, VII da Lei de Drogas (não será
condenado pelo art. 36). STJ (Info 534).

A doutrina diverge também quanto ao autofinanciamento (hipótese em que o agente pratica o tráfico e o
financiamento). Há precedentes do STJ no sentido de que, na hipótese de autofinanciamento para o tráfico
ilícito de drogas, não há concurso material entre os crimes de tráfico {art. 33, caput, da Lei 11.343/2006) e de
22
financiamento ao tráfico (art. 36), sob pena de bis in idem, devendo, nessa situação, ser o agente condenado às
penas do crime de tráfico com incidência da causa de aumento de pena prevista no art. 40, Vil: STJ, 6ª Turma,
Resp 1.290.296/PR, j. 17/12/2013.

2.9. INFORMANTE DO TRÁFICO

Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação destinados à prática de qualquer
dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e
pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa.

#CEREJADOBOLO: PREVALECE QUE NÃO É EQUIPARADO A CRIME HEDIONDO.

O exemplo de sempre é o fogueteiro (info 643 STF), que avisa aos traficantes da chegada da polícia.
É colaborador aquele que transmite informação relevante, útil ou necessária para o êxito das atividades
do grupo, associação ou organização criminosa, que visam à prática dos seguintes crimes: Tráfico de drogas (art.
33) e condutas equiparadas (art. 33, §1º); ou Tráfico de maquinários para drogas (art. 34).
E se o informante colaborar com um único traficante? Há divergência, a corrente mais adotada é: o
informante de um único traficante também deve ser enquadrado no art. 37 (analogia in bonam partem). Se
assim não fosse, o informante de um único traficante responderia como partícipe pelo art. 33 (pena mais
severa), enquanto aquele que colabora com grupo, associação ou organização criminosa receberia pena muito
mais branda (art. 37).

#ATENÇÃO: A colaboração do informante deve ser EVENTUAL. Caso contrário, será enquadrado no delito de
associação para o tráfico (art. 35).

#DEOLHONAJURIS: - É possível que alguém seja condenado pelo art. 35 e, ao mesmo tempo, pelo art. 37, da Lei
de Drogas em concurso material, sob o argumento de que o réu era associado ao grupo criminoso e que, além
disso, atuava também como “olheiro”? NÃO. Nesse caso, ele deverá responder apenas pelo crime do art. 35
(sem concurso material com o art. 37). Configuraria bis in idem STJ. (Info 527).

Da mesma forma, se o sujeito concorrer para o tráfico, incorrerá nas penas do art. 33. É que o crime de
colaboração como informante é subsidiário: só pode ser considerado informante aquele que não integre a
associação nem seja coautor ou partícipe do crime de tráfico, colaborando como informante de forma eventual.

Retroatividade: é norma nova mais benéfica. Na lei anterior era punido como partícipe de tráfico. A
pena do 37 é menor, logo, retroage.
23
2.10. PRESCREVER OU MINISTRAR CULPOSAMENTE DROGAS

Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses
excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2
(dois) anos, e pagamento de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) dias-multa.

#CEREJADOBOLO: ÚNICO CRIME CULPOSO DA LEI de drogas.

Elementos normativos: Só haverá o crime se o agente prescrever ou ministrar culposamente droga:


• SEM QUE DELAS NECESSITE O PACIENTE;
• EM DOSE EXCESSIVA; OU
• EM DESACORDO COM DETERMINAÇÃO LEGAL OU REGULAMENTAR
Não admite tentativa, pois trata-se de crime culposo
Prevalece que se trata de crime próprio de profissional da área de saúde.
É crime de menor potencial ofensivo.
Medidas administrativas: O parágrafo único dispões que “O juiz comunicará a condenação ao Conselho
Federal da categoria profissional a que pertença o agente.”

2.11. CONDUZIR EMBARCAÇÃO OU AERONAVE APÓS CONSUMO DE DROGA

Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a
incolumidade de outrem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da apreensão do veículo,
cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, PELO MESMO PRAZO DA PENA PRIVATIVA DE
LIBERDADE APLICADA, e pagamento de 200 (duzentos) a 400 (quatrocentos) dias-multa.
Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente com as demais, serão de 4 (quatro) a 6
(seis) anos e de 400 (quatrocentos) a 600 (seiscentos) dias-multa, se o veículo referido no caput deste artigo for
de transporte coletivo de passageiros.

#NÃOCONFUNDIR:
ART. 39 DA LEI DE DROGAS ART. 306 DO CTB
Só alcança embarcações e aeronaves Veículo automotor
Sob o efeito de drogas (não atinge aquele
Sob o efeito de álcool ou droga.
que está sob efeito de álcool)
Não se refere à via pública Em via pública.
Crime de perigo concreto (pois fala
Crime de perigo abstrato.
“expondo a dano potencial”
24
Não é equiparado a hediondo.
Prevê também como pena principal (não substitutiva) pena de cassação da habilitação pelo mesmo
tempo da privativa (diferente da que consta no CTB, que é de 2 meses a 5 anos)
Qualificadora: Transporte coletivo de passageiros

3 CAUSAS DE AUMENTO (ART.40)

Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de UM SEXTO A DOIS TERÇOS, se (A
Intensidade do aumento é pelo GRAVIDADE E PLURALIDADE DE CAUSAS)

I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a


TRANSNACIONALIDADE do delito;

A transnacionalidade é causa de fixação da competência da Justiça Federal.

Bastam evidências de que a droga tinha como destino outro país, ainda que não haja a efetiva
transposição da fronteira. Contudo, é preciso cautela.

#DEOLHONAJURIS

- Para o STJ (HC 66.292/MT), o fato de a cocaína ter sido provavelmente adquirida na Bolívia não configura
tráfico internacional (se assim fosse, a internacionalidade sempre estaria presente na apreensão de cocaína, vez
que o Brasil não produz a substância).

- Para o STF (HC 103.945/SP), o fato de alguns acusados serem estrangeiros não é motivo suficiente para a
conclusão de que se trata de tráfico internacional.

- Para o STJ (CC 26.094/RS), a prisão de uma pessoa próxima à fronteira não indica, automaticamente, a
transnacionalidade. A droga apreendida deve ser considerada ilícita também no país de origem (ou de destino).
Caso contrário, o caso é de tráfico interno, de competência da Justiça Estadual.

#JULGADORECENTE - Se o agente importa a droga com objetivo de vendê-la em determinado Estado da


Federação, mas, para chegar até o seu destino, ele tem que passar por outros Estados, incidirá, neste caso,
apenas a causa de aumento da transnacionalidade (art. 40, I), não devendo ser aplicada a majorante da
interestadualidade (art. 40, V). STJ (Info 586).

*Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei 11.343/06) se configura com
a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de fronteiras.

II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação,


poder familiar, guarda ou vigilância;
25
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou
hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de
locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de
serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou
em transportes públicos;

O rol é taxativo (vedação à analogia in malam partem).

A majorante só incide se o crime tiver sido efetivamente cometido nesses locais (pelo menos o início da
execução).

#DEOLHONAJURIS

- O art. 40, III, da Lei de Drogas prevê como causa de aumento de pena o fato de a infração ser cometida em
transportes públicos. Se o agente leva a droga em transporte público, mas não a comercializa dentro do meio de
transporte, incidirá essa majorante? NÃO. STJ. (Info 543).

- A aplicação da causa de aumento prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006 se justifica quando constatada a
comercialização de drogas nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, sendo irrelevante
se o agente infrator visa ou não aos frequentadores daquele local. STF. (Info 858)

- A circunstância de o crime ter sido cometido nas dependências de estabelecimento prisional não pode ser
utilizada como fator negativo para fundamentar uma pequena redução da pena na aplicação da minorante
prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 e, ao mesmo tempo, ser empregada para aumentar a pena
como majorante do inciso III do art. 40. STJ. (Info 586).

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ João, de dentro da unidade prisional onde cumpre pena, liderava
uma organização criminosa. Com o uso de telefone celular, ele organizava a dinâmica do grupo e
comandava o tráfico de drogas, dando ordens para seus comparsas que, de fora do presídio, executavam a
comercialização do entorpecente. João foi condenado por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006).
Neste caso, ele deverá ter a sua pena aumentada com base no art. 40, III? SIM. Se o agente comanda o
tráfico de drogas de dentro do presídio, deverá incidir a causa de aumento de pena do art. 40, III, da Lei nº
11.343/2006, mesmo que os efeitos destes atos tenham se manifestado a quilômetros de distância. Não é
necessário que a droga passe por dentro do presídio para que incida a majorante prevista no art. 40, III, da
Lei nº 11.343/2006. Esse dispositivo não faz a exigência de que as drogas efetivamente passem por dentro
dos locais que se busca dar maior proteção, mas apenas que o cometimento dos crimes tenha ocorrido em
seu interior. STJ. 5ª Turma. HC 440.888-MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/10/2019 (Info 659).
26
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer processo
de intimidação difusa ou coletiva;

• Violência ou grave ameaça


• EMPREGO DE ARMA
• Qualquer processo de intimidação coletiva

#DEOLHONAJURIS #VAICAIR: A causa de aumento de pena do art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006 pode ser
aplicada tanto para agravar o crime de tráfico de drogas (art. 33) quanto para agravar o de associação para o
tráfico (art. 35) praticados no mesmo contexto. Não há bis in idem porque são delitos diversos e totalmente
autônomos, com motivação e finalidades distintas. STJ. (Info 576).

V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal (interestadual);
(ENTRE MUNICÍPIOS NÃO SE APLICA!)

#DEOLHONAJURIS: O art. 40, V, da Lei de Drogas prevê que a pena do tráfico e de outros delitos deverá ser
aumentada se ficar "caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal". Para
que incida essa causa de aumento não se exige a efetiva transposição da fronteira interestadual pelo agente,
sendo suficiente a comprovação de que a substância tinha como destino localidade em outro Estado da
Federação. STF. (Info 808).

VI - sua prática ENVOLVER OU VISAR A ATINGIR CRIANÇA OU ADOLESCENTE ou a quem tenha, por qualquer
motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação;

#VAICAIR #SAINDODOFORNO - Na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não
estar previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de corrupção de
menores, porém, se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37), não será possível a condenação
por aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com base no art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006. STJ. (Info
595).

VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.

Como vimos, para parte da doutrina, só se aplica esta causa de aumento quando o financiamento for
eventual:

Financiar eventualmente o
Associação para o Financiamento do tráfico
tráfico (art. 33, com causa
27
financiamento (p.ú do 35) (art. 96) de aumento do 40, VII)

Se financiar de forma

Associarem-se 2 ou mais efêmera, haverá crime de

pessoas, com estabilidade, Exige-se reiteração, tráfico com causa de

para reiteradamente habitualidade. aumento do inciso VII:

praticarem o 36. VII - o agente financiar ou


custear a prática do crime

A Lei n.º 11.343/2006 NÃO PREVÊ CAUSA DE AUMENTO NO CASO DE CONCURSO DE PESSOAS.

LEI ANTIGA (6368) LEI ATUAL (11343)


- Se a associação for permanente –
-Se a associação for permanente – Responde Responde por tráfico + associação para o
por tráfico + associação para o tráfico tráfico
-Se a associação for passageira – Responde - Se a associação for passageira – Responde
por tráfico + aumento de pena somente por tráfico, porque a lei nova não
prevê o aumento de pena

#DEOLHONAJURIS: Com o advento da Lei nº 11.343/2006, que revogou expressamente a Lei n.º 6.368/1976,
não foi mantida a previsão de majorante pelo concurso eventual para a prática dos delitos da Lei de Tóxicos,
devendo ser reconhecida a abolitio criminis no tocante ao inciso III do art. 18 da vetusta Lei nº 6.368/76. STJ. 6ª
Turma. (Info 532).

4 DELAÇÃO PREMIADA

Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal
na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do
crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços.

Redução de 1/3 a 2/3, se houve:

• Voluntariedade
• Identificação dos demais coautores ou partícipes
• Recuperação total ou parcial do produto do crime.
28
4.1 FIXAÇÃO DA PENA BASE (ESPECIAL EM RELAÇÃO AO 59 DO CP)

Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, COM PREPONDERÂNCIA SOBRE O PREVISTO NO ART. 59 DO
CÓDIGO PENAL, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do
agente (CAI MUITO!).

NATUREZA

QUANTIDADE

PERSONALIDADE

CONDUTA SOCIAL

#DEOLHONAJURIS: O grau de pureza da droga é irrelevante para fins de dosimetria da pena. De acordo com a
Lei nº 11.343/2006, preponderam apenas a natureza e a quantidade da droga apreendida para o cálculo da
dosimetria da pena. STF. (Info 818).

- A valoração negativa da quantidade e da natureza da droga representa fator suficiente para a fixação de
regime inicial mais gravoso. STF. (Info 819).

5 PENA DE MULTA

Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42
desta Lei, determinará o número de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as condições econômicas dos
acusados, valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco) vezes o maior salário-mínimo. Parágrafo
único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão impostas sempre cumulativamente, podem ser
aumentadas até o DÉCUPLO se, em virtude da situação econômica do acusado, considerá-las o juiz ineficazes,
ainda que aplicadas no máximo.

#NÃOCONFUNDIR:
CP LEI DE DROGAS

- Os tipos da lei trazem os valores mínimo e


- 10 a 360 dias-multa.
máximo de dias-multa. Para a fixação leva-se
- 1/30 até 5x o salário mínimo em conta NATUREZA e a QUANTIDADE da

- Pode aumentar até 3x (o triplo) substância ou do produto, a


PERSONALIDADE e a CONDUTA SOCIAL do
29
agente.

- 1/30 até 5x o salário mínimo (=CP).

- Pode aumentar até 10x (o DÉCUPLO)

6 VEDAÇÕES NA LEI DE DROGAS

Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de
sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de
direitos.

Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional após o
cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico.

(i)

*Antes da Lei nº 13.964/2019 Depois da Lei nº 13.964/2019


Livramento condicional “Art. 83...
Art. 83 - O juiz poderá conceder III - comprovado:
livramento condicional ao condenado a a) bom comportamento durante a execução da pena;
pena privativa de liberdade igual ou b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses;
superior a 2 (dois) anos, desde que: c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e
I - cumprida mais de um terço da pena d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho
se o condenado não for reincidente em honesto.”
crime doloso e tiver bons antecedentes;
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
II - cumprida mais da metade se o
condenado for reincidente em crime
doloso; (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
III - comprovado comportamento
satisfatório durante a execução da
pena, bom desempenho no trabalho
que lhe foi atribuído e aptidão para
prover à própria subsistência mediante
trabalho honesto; (Redação dada pela
30
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
IV - tenha reparado, salvo efetiva
impossibilidade de fazê-lo, o dano
causado pela infração; (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
V - cumpridos mais de dois terços da
pena, nos casos de condenação por
crime hediondo, prática de tortura,
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se
o apenado não for reincidente
específico em crimes dessa natureza.
(Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
(Vigência)
Parágrafo único - Para o condenado por
crime doloso, cometido com violência
ou grave ameaça à pessoa, a concessão
do livramento ficará também
subordinada à constatação de
condições pessoais que façam presumir
que o liberado não voltará a delinqüir.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Cabe conversão em restritivas de direitos: Com a abolição do regime integralmente fechado, o STF (HC
97256), em controle difuso, concedeu a ordem para “remover o óbice da parte final do art. 44 da Lei 11.343/06,
assim como da expressão análoga vedada a conversão em pernas restritivas de direitos, constante do §4º do art.
33 do mesmo diploma legal”. O Senado, para dar eficácia erga omnes, editou a Resolução 5/2012: “é suspensa a
execução da expressão “vedada a conversão em penas restritivas de direito do §4º do art. 33 da Lei 11.343/06”.
Conclui-se que É CABÍVEL A CONVERSÃO EM PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO NA LEI DE DROGAS.

#DEOLHONAJURIS

- É possível a fixação de regime prisional diferente do fechado para o início do cumprimento de pena imposta ao
condenado por tráfico de drogas. STJ. (Info 507).
31
- O condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos, tem o direito de cumprir
a pena corporal em regime semiaberto (art. 33, § 2°, b, do CP), caso as circunstâncias judiciais do art. 59 lhe
forem favoráveis. Obs: não importa que a condenação tenha sido por tráfico de drogas. STF. (Info 859).

- Se o réu, não reincidente, for condenado, por tráfico de drogas, a pena de até 4 anos, e se as circunstâncias
judiciais do art. 59 do CP forem positivas (favoráveis), o juiz deverá fixar o regime aberto e deverá conceder a
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, preenchidos os requisitos do art. 44 do CP.
A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais
gravoso. STF. (Info 821).

- O fato de o tráfico de drogas ser praticado com o intuito de introduzir substâncias ilícitas em estabelecimento
prisional não impede, por si só, a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, devendo
essa circunstância ser ponderada com os requisitos necessários para a concessão do benefício. STJ. (Info 536).

Inafiançável, insuscetível de graça, anistia e indulto: O art. 5º, XLIII da CF/88 dispõe que “a lei
considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”. Portanto, NÃO CABE A CONCESSÃO DE
FIANÇA, GRAÇA, ANISTIA OU INDULTO (interpretação sistemática) nos crimes de tráfico de drogas.

#DEOLHONAJURIS: Não é possível o deferimento de indulto a réu condenado por tráfico de drogas, ainda que
tenha sido aplicada a causa de diminuição no art. 33, §4º, da lei 11.343/2006 à pena a ele imposta, circunstância
que não altera a tipicidade do crime. Os condenados por crimes hediondos e equiparados não podem ser
contemplados com o indulto, mesmo o chamado “indulto humanitário”. O fato de o condenado estar doente ou
ser acometido de deficiência não é causa de extinção da punibilidade nem de suspensão da execução da pena.
(Info 745)

#SELIGA: O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é mais
crime equiparado a hediondo.

Não cabimento de suspensão condicional da pena: A LEI 11.343/06 VEDOU EXPRESSAMENTE A


SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA NOS CRIMES DE TRÁFICO DE DROGAS. O tratamento desigual é muito
criticado pela doutrina (JÁ QUE CABE SURSIS NOS CRIMES HEDIONDOS E NÃO CABE NO TRÁFICO DE DROGAS,
QUE É EQUIPARADO).

#ATENÇÃO: Em provas objetivas, marcar que NÃO CABE SURSIS, já que trata-se de letra da lei.

Cabe liberdade provisória: Em maio de 2012, o STF, em controle difuso, declarou inconstitucional da
expressão “e liberdade provisória”. Isto porque a vedação acarretaria uma prisão preventiva obrigatória, o que
32
viola os princípios da presunção de inocência e do devido processo legal, além de engessar o juiz no caso
concreto. Logo, CABE LIBERDADE PROVISÓRIA.

#COLANARETINA:
CABE NÃO CABE

Fiança

Graça
Liberdade provisória
Anistia
Conversão em restritivas de direitos
Indulto

Suspensão condicional da pena

*DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STF: Deve ser concedida a liberdade provisória a réu primário preso
preventivamente sob a imputação de tráfico de drogas por ter sido encontrado com 887,89 gramas de maconha
e R$ 1.730,00. O STF considerou genéricas as razões da segregação cautelar do réu. Além disso, reconheceu
como de pouca nocividade a substância entorpecente apreendida(maconha). Reputou que a prisão de jovens
pelo tráfico de pequena quantidade de maconha é mais gravosa do que a eventual permanência em liberdade,
pois serão fatalmente cooptados ou contaminados por uma criminalidade mais grave ao ingressarem no
ambiente carcerário. STF. 1ª Turma. HC 140379/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 23/10/2018 (Info 921).

7 INIMPUTABILIDADE DA LEI DE DROGAS

Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito
ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal
praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.

Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava, à época do
fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o
seu encaminhamento para tratamento médico adequado.

Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por força das circunstâncias previstas no
art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
33
Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base em avaliação que ateste a necessidade de encaminhamento
do agente para tratamento, realizada por profissional de saúde com competência específica na forma da lei,
determinará que a tal se proceda, observado o disposto no art. 26 desta Lei.

A Lei de drogas também adota o critério biopsicológico.

• Biológica: deve restar comprovado no exame pericial a dependência química ou a ingestão


acidental de droga;
• Psicológica: deve ser demonstrada a ausência de discernimento no momento da conduta.

A Lei (art. 46) também traz o caso de SEMI-IMPUTABILIDADE (redução da pena de 1/3 a 2/3).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O art. 46 da Lei de Drogas prevê hipótese de semi-imputabilidade do réu. Assim,


a pena aplicada pode ser reduzida de 1/3 a 2/3 se o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a
plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Se o juiz for aplicar a causa de diminuição em seu grau mínimo (1/3), ele deverá fundamentar a decisão,
expondo algum dado, em concreto, que justifique a adoção dessa fração. STJ (Info 547).

8 PARTE PROCESSUAL DA LEI

Trataremos apenas das questões mais recorrentes em prova nesse ponto.

A Lei traz um procedimento especial. Podemos citar como exceções à aplicação desse procedimento:
quando houver conexão com crime contra a vida e quando for crime de menor potencial ofensivo, em que se
aplicará a lei 9099.

8.1 PROCEDIMENTO DO ART. 28

Competência do JECRIM: No caso do art. 28, o procedimento será o do JECRIM.

Atenção para a exceção feita no §1º do art. 48: salvo se houver concurso com outros crimes da lei de drogas.
Art. 48, § 1º O agente de qualquer das condutas previstas no art. 28 desta Lei, salvo se houver concurso com os
crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, será processado e julgado na forma dos arts. 60 e seguintes da Lei n
9.099, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais.

Impossibilidade absoluta de prisão em flagrante no caso do art. 28 (CAI MUITO): EM NENHUMA


HIPÓTESE o agente do crime previsto no art. 28 será preso em flagrante, em razão da descarcerização desse
crime. NÃO SE IMPORÁ PRISÃO EM FLAGRANTE, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao
juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se TERMO
CIRCUNSTANCIADO e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários. Nesse caso, ocorre a
34
captura e a condução coercitiva, mas não será lavrado o Auto de Prisão em Flagrante e nem ocorrerá o
recolhimento ao cárcere. Diferentemente do que ocorre na lei 9099, que permite a prisão em flagrante ante a
recusa do compromisso, a lei 11.343 não condiciona a impossibilidade da prisão em flagrante ao
compromisso. Não poderá ser preso em nenhuma hipótese.

Transação penal: O MP não pode propor qualquer pena restritiva de direito, mas apenas as constantes do art.
28 da lei.

* #IMPORTANTE #OLHAOGANCHO #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #SELIGANANOMENCLATURA4: É inviável o


reconhecimento de reincidência com base em único processo anterior em desfavor do réu, no qual - após
desclassificar o delito de tráfico para porte de substância entorpecente para consumo próprio - o juízo extinguiu
a punibilidade por considerar que o tempo da prisão provisória seria mais que suficiente para compensar
eventual condenação. Situação concreta: João foi preso em flagrante por tráfico de drogas (art. 33 da LD). Após
6 meses preso cautelarmente, ele foi julgado. O juiz proferiu sentença desclassificando o delito de tráfico para o
art. 28 da LD. Na própria sentença, o magistrado declarou a extinção da punibilidade do réu alegando que o art.
28 não prevê pena privativa de liberdade e que o condenado já ficou 6 meses preso. Logo, na visão do juiz, deve
ser aplicada a detração penal analógica virtual, pois qualquer pena que seria aplicável ao caso em tela estaria
fatalmente cumprida, nem havendo justa causa ou interesse processual para o prosseguimento do feito. Essa
sentença não vale para fins de reincidência. Isso significa que, se João cometer um segundo delito, esse primeiro
processo não poderá ser considerado para caracterização de reincidência. STJ. 6ª Turma. HC 390.038-SP, Rel.
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 06/02/2018 (Info 619).

8.2 INVESTIGAÇÃO

Prisão em flagrante: comunicação imediata ao juiz competente, que dará AO MP EM 24 HORAS. A lei de
drogas previu expressamente necessidade de o MP ter vista. Apesar da inexistência de previsão expressa da
remessa de cópia do APF à Defensoria, quando o preso não possuir advogado, entende-se que há
obrigatoriedade (Nestor Távora), como decorrência da aplicação analógica do 306, §1º do CPP.

Venda simulada: Algumas condutas do tráfico são permanentes, permitindo o flagrante a qualquer
tempo, inclusive a possibilidade de invasão domiciliar. Muitas vezes, a autoridade policial provoca o flagrante na
modalidade entregar ou vender (passando-se por usuário), mas prende o agente pela conduta de ter em
depósito, que é permanente. Nesse caso, não há que se falar em flagrante preparado, haja vista a consumação
do tráfico ser preexistente à provocação. É o chamado flagrante comprovado (#SELIGANOTERMO). Nos casos de
venda simulada, é importante que seja demonstrado que a posse da droga preexistia à aquisição pela
autoridade policial. Se o agente não possuía a droga no momento e foi buscar a quantidade pedida pelo policial,
haverá crime impossível.

4 Ei, psiu: Detração penal analógica virtual. Vai cair? Sim ou com certeza?
35
#SELIGA #MP #MAGISTRATURA:

LAUDO PRELIMINAR LAUDO DEFINITIVO

Pode ser juntado aos autos durante a


Para efeito de lavratura do APF. É
instrução. Necessário para comprovar a
indispensável também para o início da ação
materialidade do delito. O laudo preliminar
penal (condição específica de
não supre a ausência do definitivo para
procedibilidade).
comprovar essa materialidade.

Firmado por 1 perito oficial e, na falta, 1 Firmado por um perito oficial ou, na falta,
pessoa idônea. por duas pessoas idôneas.

O perito que subscrever o laudo preliminar não ficará impedido de participar da elaboração
do laudo definitivo (CAI MUITO).

#DEOLHONAJURIS: A 1ª Turma do STF decidiu que a nulidade decorrente da juntada extemporânea do laudo
toxicológico definitivo somente pode ser reconhecida se ficar comprovado prejuízo ao réu. STF. 1ª Turma. RHC
110429/MG, rel. Min. Luiz Fux, 6/3/2012.

A obrigatoriedade de exame toxicológico diz respeito aos casos em que há apreensão da droga.
Entretanto, o exame não é condição única para basear a condenação se outros dados suficientes, incluindo
prova testemunhal e documental produzidas na instrução, militam no sentido da materialidade do crime (STJ,
HC 91.727/MS).

#COLANARETINA:
PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO IP

LEI DE DROGAS CPP

PRESO 30 DIAS (X2 = 60) PRESO 10 DIAS

SOLTO 90 DIAS (X2 = 180) SOLTO 30 DIAS

Duplicação dos prazos: Os prazos da lei de drogas podem ser duplicados pelo juiz a pedido da
autoridade policial e após oitiva do MP. Ficaria 60 dias, no caso de indiciado preso, e 180 dias, no caso de
indiciado solto.

Relatório da autoridade policial: Via de regra, a autoridade policial não faz juízo de valor no relatório.
Contudo, no rito da Lei de Drogas, o relatório deixa de ser meramente descritivo. É de se notar a importância
36
desse relatório para se realizar a devida classificação do crime, posto que as consequências da prática do crime
de uso são bem diferentes das do crime de tráfico.

Agente infiltrado e ação controlada:

• Em qualquer fase da persecução criminal,


• Precisam de autorização judicial e oitiva do MP

#FACILITACOACH¹:
INFILTRAÇÃO POLICIAL NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
Lei de Drogas Lei do Crime Organizado ECA
(art. 53, I) (arts. 10 a 14) (arts. 190-A a 190-E)
Principais características: Principais características:
• Não prevê prazo máximo. • Prazo de 90 dias, sendo
Principais características:
• Não disciplina permitidas renovações, mas
• Prazo de 6 meses, podendo
procedimento a ser adotado. o prazo total da infiltração
ser sucessivamente
não poderá exceder 720 dias.
prorrogada.
• Só poderá ser adotada se a
• Só poderá ser adotada se a
prova não puder ser
prova não puder ser
produzida por outros meios
produzida por outros meios
disponíveis.
disponíveis.
• A infiltração de agentes
ocorre apenas na internet.

#FACILITACOACH²:
AÇÃO CONTROLADA
Lei de Drogas Lavagem de Capitais Lei do Crime Organizado
(Art. 53, II) (Art. 4º-B) (Art. 8º)
• É necessária prévia • É necessária somente
autorização judicial. prévia comunicação.
• Não disciplina o • Disciplina o procedimento a
• É necessária prévia procedimento a ser adotado. ser adotado, dispondo que o
autorização judicial. juiz poderá estabelecer
• Não disciplina o limites à ação controlada.
procedimento a ser adotado. • Até o encerramento da
diligência, o acesso aos autos
será restrito ao juiz, ao
Ministério Público e ao
37
delegado de polícia.

#DEOLHONAJURIS: - A investigação policial que tem como única finalidade obter informações mais concretas
acerca de conduta e de paradeiro de determinado traficante, sem pretensão de identificar outros suspeitos, não
configura a ação controlada do art. 53, II, da Lei nº 11.343/2006, sendo dispensável a autorização judicial para a
sua realização. STJ. (Info 570).

Providências do MP: recebidos os autos do inquérito policial, o juiz dará vista ao MP para adotar
providências:

a) Oferecer denúncia no prazo de 10 DIAS (independente do indiciado estar preso ou solto). O MP


pode arrolar até 5 testemunhas, oportunidade em que também deverá requerer as demais
provas que entender pertinentes.
b) Promoção de arquivamento se for o caso de rejeição da peça acusatória ou se estiver presente
uma das hipóteses que autorizam a absolvição sumária.
c) Requisição de diligências imprescindíveis à formação da opinio delicti.
d) Requerimento de declinação de competência.
e) Suscitar conflito de competência.

#SELIGA #DEFENSORIA:
DEFESA PRÉVIA
Prazo de até 10 dias
Arrolamento de até 5 testemunhas.
Se entender imprescindível, o juiz, no prazo máximo de 10 (dez) dias, determinará a
apresentação do preso, realização de diligências, exames e perícias.
A falta de indicação de testemunhas no momento da defesa preliminar não enseja preclusão,
pois o acusado terá nova oportunidade de indicá-las em sede de resposta à acusação.
Se a resposta não for apresentada no prazo, o juiz nomeará defensor para oferecê-la em 10
dias, concedendo-lhe vista dos autos no ato de nomeação
Prevalece o entendimento de que o juiz não está obrigado a fundamentar a decisão de
recebimento da peça acusatória. Contudo, a situação é diferente nos procedimentos com
defesa preliminar, como é o caso da Lei de drogas. Nesses casos, os Tribunais impõem a
necessidade de motivação do ato de recebimento.

Possíveis decisões do juiz após a defesa preliminar (deverá decidir em ATÉ 5 DIAS).
38
a) Recebimento da denúncia → irrecorrível.

b) Rejeição da denúncia → RSE.

c) Diligências → SE ENTENDER IMPRESCINDÍVEL, O JUIZ, NO PRAZO MÁXIMO DE 10 DIAS,


DETERMINARÁ A APRESENTAÇÃO DO PRESO, REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS, EXAMES E PERÍCIAS.

Recebimento da denúncia: o juiz designará dia e hora para a audiência de instrução e julgamento,
ordenará a CITAÇÃO PESSOAL DO ACUSADO, a intimação do MP, do assistente, se for o caso, e requisitará os
laudos periciais.

Afastamento cautelar do funcionário público: a lei autorizou que seja o funcionário público,
cautelarmente, desde o recebimento da denúncia, afastado de suas funções. Atenção: a medida cautelar só
pode recair sobre o agente que tiver se aproveitado de suas funções públicas para a prática dos crimes previstos
nos arts. 33, caput, e §1º, e 34 a 37 da LD.

Audiência de instrução e julgamento: será realizada dentro dos 30 dias seguintes ao recebimento da
denúncia, salvo se determinada a realização de avaliação para atestar dependência de drogas, quando se
realizará em 90 dias.

O Interrogatório do acusado é primeiro ato! Depois vem oitiva das testemunhas → debates orais (a
sustentação oral será de 20 minutos, para cada parte, prorrogáveis, a critério do juiz, por mais 10 minutos).

*#ATENÇÃO #MUDANÇADEENTENDIMENTO #AJUDAMARCINHO:

O art. 400 do CPP prevê que o interrogatório será realizado ao final da instrução criminal. Este dispositivo se
aplica:

• aos processos penais militares;

• aos processos penais eleitorais e

• a todos os procedimentos penais regidos por legislação especial (ex: lei de drogas).

STF. Plenário. HC 127900/AM, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2016 (Info 816). STJ. 6ª Turma. HC
403.550/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 15/08/2017

Sentença: encerrados os debates, o juiz proferirá sentença de imediato, ou o fará em 10 dias, ordenando
que os autos para isso lhe sejam conclusos.

8.3 DESTRUIÇÃO DA DROGA

Plantação:
39
Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas pelo delegado de polícia na forma do art. 50-A,
que recolherá quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando auto de levantamento das condições
encontradas, com a delimitação do local, asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova.

• Destruição imediata
• Pelo delegado (não é necessária autorização judicial)
• Que recolherá quantidade suficiente para perícia, lavrando auto de levantamento

Droga apreendida:

Art. 50, § 3º - Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo de 10 (dez) dias, certificará a
regularidade formal do laudo de constatação e determinará a destruição das drogas apreendidas, guardando-se
amostra necessária à realização do laudo definitivo. (Incluído pela Lei nº 12.961, de 2014)

§ 4º A destruição das drogas será executada pelo delegado de polícia competente no prazo de 15 (quinze) dias
na presença do Ministério Público e da autoridade sanitária. (Incluído pela Lei nº 12.961, de 2014)

§ 5º O local será vistoriado antes e depois de efetivada a destruição das drogas referida no § 3º, sendo lavrado
auto circunstanciado pelo delegado de polícia, certificando-se neste a destruição total delas. (Incluído pela Lei
nº 12.961, de 2014)

Art. 50-A. A destruição de drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão em flagrante será feita por
incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contado da data da apreensão, guardando-se amostra
necessária à realização do laudo definitivo, aplicando-se, no que couber, o procedimento dos §§ 3º a 5º do art.
50.

Esquematizando:

Não havendo flagrante:


• 30 dias, da apreensão
Havendo flagrante:
• Juiz decide em 10 dias
• Delegado destrói em 15 dias, da determinação do juiz. Na presença do Ministério Público e
da autoridade sanitária (§ 4º)

Destruição após encerramento do processo:

Art. 72. Encerrado o processo penal ou arquivado o inquérito policial, o juiz, de ofício, mediante representação
do delegado de polícia ou a requerimento do Ministério Público, determinará a destruição das amostras
guardadas para contraprova, certificando isso nos autos.

• Encerrado o processo penal ou


40
• Arquivado o inquérito policial,
• O juiz
• Mediante representação do Delegado ou requerimento do MP
• Determinará destruição das amostras

Faz-se importante também lermos a letra da lei dos artigos 60 até 64, que tratam das medidas
assecuratórias e da alienação cautelar.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: É possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico apreendido


em decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de se perquirir a habitualidade, reiteração do uso do
bem para tal finalidade, a sua modificação para dificultar a descoberta do local do acondicionamento da droga
ou qualquer outro requisito além daqueles previstos expressamente no art. 243, parágrafo único, da
Constituição Federal. STF. (Info 865).

9 COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Art. 65. De conformidade com os princípios da não-intervenção em assuntos internos, da igualdade jurídica e do
respeito à integridade territorial dos Estados e às leis e aos regulamentos nacionais em vigor, e observado o
espírito das Convenções das Nações Unidas e outros instrumentos jurídicos internacionais relacionados à
questão das drogas, de que o Brasil é parte, o governo brasileiro prestará, quando solicitado, cooperação a
outros países e organismos internacionais e, quando necessário, deles solicitará a colaboração, nas áreas de:

I - intercâmbio de informações sobre legislações, experiências, projetos e programas voltados para atividades de
prevenção do uso indevido, de atenção e de reinserção social de usuários e dependentes de drogas;

II - intercâmbio de inteligência policial sobre produção e tráfico de drogas e delitos conexos, em especial o
tráfico de armas, a lavagem de dinheiro e o desvio de precursores químicos;

III - intercâmbio de informações policiais e judiciais sobre produtores e traficantes de drogas e seus precursores
químicos.

*#NOVIDADE LEGISLATIVA #LEI Nº 13.886, DE 17 DE 0UTUBRO DE 2019 - Conversão da Medida Provisória nº


885, de 2019 - Altera as Leis nos 7.560, de 19 de dezembro de 1986, 10.826, de 22 de dezembro de 2003,
11.343, de 23 de agosto de 2006, 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro), 8.745, de 9
de dezembro de 1993, e 13.756, de 12 de dezembro de 2018, para acelerar a destinação de bens apreendidos
ou sequestrados que tenham vinculação com o tráfico ilícito de drogas.
#AJUDAMARCINHO
41
A Lei nº 13.886/2019 promoveu diversas alterações na Lei de Drogas. Vou destacar aqui aquela que reputo
mais importante.
A Lei nº 13.886/2019 acrescentou, na Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), o art. 63-F, que diz o seguinte:
Art. 63-F. Na hipótese de condenação por infrações às quais esta Lei comine pena máxima superior a 6 (seis)
anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes
à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele compatível com o seu rendimento lícito.

Assim, é calculado o quanto aquele condenado deveria ter de patrimônio com base em seu rendimento lícito e o
quanto ele tem de fato. A lei presume que os valores que ele possui a mais são produto ou proveito de crime e,
por essa razão, o juiz fica autorizado a decretar o perdimento dessa diferença.
Exemplo: com base nos rendimentos lícitos do réu, era para ele ter R$ 100 mil de patrimônio; a despeito disso,
foram encontrados bens em seu nome ou em seu poder avaliados em R$ 500 mil; diante disso, o magistrado irá
decretar o perdimento de R$ 400 mil.

Além do requisito objetivo (diferença de patrimônio) a lei exige também um requisito subjetivo, nos seguintes
termos:
Art. 63-F (...)
§ 1º A decretação da perda prevista no caput deste artigo fica condicionada à existência de elementos
probatórios que indiquem conduta criminosa habitual, reiterada ou profissional do condenado ou sua
vinculação a organização criminosa.

O que se entende por patrimônio do condenado?


A resposta é encontrada no § 2º do art. 63-F:
Art. 63-F (...)
§ 2º Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio do condenado todos os
bens:
I – de sua titularidade, ou sobre os quais tenha domínio e benefício direto ou indireto, na data da infração penal,
ou recebidos posteriormente; e
II – transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início da atividade
criminal.

O que deverá ser provado pela acusação para que ocorra o perdimento:
• que o valor do patrimônio do condenado é superior ao valor que seria compatível com o seu rendimento
lícito;
• que o condenado possui conduta criminosa habitual, reiterada ou profissional, ou, então, que ele possui
vinculação com organização criminosa.
42
Fazendo a comprovação dessas duas circunstâncias, surge uma presunção relativa de que essa diferença
patrimonial é de procedência ilícita.
Vale ressaltar que, mesmo que o MP faça a comprovação das duas circunstâncias acima, a defesa ainda poderá
evitar o perdimento, conforme prevê o § 3º do art. 63-F:
§ 3º O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio.

Crimes da Lei 11.343/2006 para os quais pode ser aplicado esse perdimento de bens do art. 63-F
• Art. 33, caput e § 1º (tráfico de drogas e condutas equiparadas);
• Art. 34 (tráfico de maquinário);
• Art. 35 (associação para o tráfico);
• Art. 36 (financiamento do tráfico e assemelhados).

10 JURISPRUDÊNCIA EM TESE DO STJ – LEI DE DROGAS:

1) O tráfico de drogas é crime de ação múltipla e a prática de um dos verbos contidos no art. 33, caput, é
suficiente para a consumação da infração, sendo prescindível a realização de atos de venda do entorpecente.
(Informativo de Jurisprudência n. 0569, publicado em 21 de outubro de 2015.)

2) Não é cabível a concessão de indulto ao crime de tráfico de drogas, ainda que tenha sido aplicada a causa de
diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/06. (Informativo de Jurisprudência n. 0502, publicado em
24 de agosto de 2012.)

O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado
a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça.
STJ. 3ª Seção. Pet 11796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/11/2016 (recurso
repetitivo) (Info 595).

3) A condenação simultânea nos crimes de tráfico e associação para o tráfico afasta a incidência da causa
especial de diminuição prevista no art. 33, §4º, da Lei n. 11.343/06 por estar evidenciada dedicação a atividades
criminosas ou participação em organização criminosa. (Informativo de Jurisprudência n. 0517, publicado em 02
de maio de 2013.)

4) O agente que transporta entorpecente no exercício da função de "mula" integra organização criminosa, o que
afasta a aplicação da minorante estabelecida no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/06. Informativo de Jurisprudência
n. 0255, publicado em 12 de agosto de 2005.
43
5) É possível que a causa de diminuição estabelecida no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/06 seja fixada em patamar
diverso do máximo de 2/3, em razão da qualidade e da quantidade de droga apreendida.

#ATENÇÃO: A valoração da natureza e da quantidade da droga deverá ser realizada na primeira ou na terceira
fase de aplicação da pena, vedada a aplicação conjunta sob pena de bis in idem. STF. Plenário. HC
112776/MS e HC 109193/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, julgados em 19/12/2013 (Info 733).

6) O juiz pode fixar regime inicial mais gravoso do que aquele relacionado unicamente com o quantum da pena
ao considerar a natureza ou a quantidade da droga. (Informativo de Jurisprudência n. 0482, publicado em 09 de
setembro de 2011.)

#ATENÇÃO: A substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos submete-se à regência do
art. 44 do Código Penal, segundo o qual só faz jus ao benefício legal o condenado a pena inferior a 4 anos. Na
espécie, tendo a reprimenda final alcançado 4 anos e 10 meses de reclusão, não é possível a pretendida
substituição. Devidamente fundamentada a imposição do regime inicial fechado pelas instâncias de origem, com
base nas circunstâncias do caso concreto, em especial a quantidade de droga encontrada na posse do paciente –
1,3 kg de cocaína – (art. 42 da Lei n.º 11.343/2006), não há constrangimento ilegal a ser sanado. (HC
348.629/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 12/04/2016, DJe
22/04/2016).

7) A Lei n. 11.343/06 aboliu a majorante da associação eventual para o tráfico prevista no artigo 18, III, primeira
parte, da Lei n. 6.368/76. (Informativo de Jurisprudência n. 0426, publicado em 12 de março de 2010.)

8) A incidência de mais de uma causa de aumento prevista no art. 40 da Lei n. 11.343/06 não implica a
automática majoração da pena acima do mínimo (2/3) na terceira fase, pois a sua exasperação exige
fundamentação concreta.

9) O art. 40 da Lei n. 11.343/06 conferiu tratamento mais favorável às causas especiais de aumento de pena,
devendo ser aplicado retroativamente aos delitos cometidos sob a égide da Lei n. 6.368/76.

10) Não acarreta bis in idem a incidência simultânea das majorantes previstas no art. 40 aos crimes de tráfico de
drogas e de associação para fins de tráfico, porquanto são delitos autônomos, cujas penas devem ser calculadas
e fixadas separadamente. (Informativo de Jurisprudência n. 0576, publicado em 09 de março de 2016.)

11) Não há bis in idem na aplicação da causa de aumento de pena pela transnacionalidade (art. 40, I, da Lei n.
11.343/06) com as condutas de importar e exportar previstas no caput do art. 33 da Lei de Drogas, porquanto o
simples fato de o agente trazer consigo a droga já conduz à configuração da tipicidade formal do crime de
tráfico.
44
12) Configura-se a transnacionalidade do tráfico de drogas com a comprovação de que a substância tinha como
destino ou origem outro país, independentemente da efetiva transposição de fronteiras.

13) Para a incidência da majorante prevista no art. 40, V, da Lei n. 11.343/06 é desnecessária a efetiva
transposição de fronteiras entre Estados, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o
tráfico interestadual. (Informativo de Jurisprudência n. 0481, publicado em 26 de agosto de 2011.(

14) As condutas anteriormente descritas no art. 12, § 2º, III, da Lei n. 6.368/76 foram mantidas pela nova Lei de
Drogas, razão pela qual não há que se falar em abolitio criminis. (Informativo de Jurisprudência n. 0527,
publicado em 09 de outubro de 2013.)

15) A inobservância do rito procedimental que prevê a apresentação de defesa prévia antes do recebimento da
denúncia gera nulidade relativa desde que demonstrados eventuais prejuízos suportados pela defesa.
(Informativo de Jurisprudência n. 0414, publicado em 06 de novembro de 2009)

16) É dispensável a expedição de mandado de busca e apreensão domiciliar quando se trata de flagrante de
crime permanente, como é o caso do tráfico ilícito de entorpecentes na modalidade guardar ou ter em depósito.
(Informativo de Jurisprudência n. 0255, publicado em 12 de agosto de 2005.)

17) A posse de substância entorpecente para uso próprio configura crime doloso e, quando cometido no interior
do estabelecimento prisional constitui falta grave, nos termos do art. 52 da Lei de Execução Penal LEP (Lei n.
7.210/84).

18) A comprovação da materialidade do delito de posse de drogas para uso próprio (artigo 28 da Lei
n.11.343/06) exige a elaboração de laudo de constatação da substância entorpecente que evidencie a natureza
e a quantidade da substância apreendida.

19) O laudo pericial definitivo atestando a ilicitude da droga afasta eventuais irregularidades do laudo preliminar
realizado na fase de investigação.

20) O laudo de constatação preliminar da substância entorpecente constitui condição de procedibilidade para
apuração do crime de tráfico de drogas.

11 *JURISPRUDÊNCIA EM TESE DO STJ – LEI DE DROGAS III5:

1) O crime de financiar ou custear o tráfico ilícito de drogas (art. 36 da Lei n. 11.343/2006) é delito autônomo
aplicável ao agente que não tem participação direta na execução do tráfico e que se limita a fornecer os

5 EDIÇÃO N. 123. Disponível em: http://www.stj.jus.br/SCON/jt/toc.jsp


45
recursos necessários para subsidiar as infrações a que se referem os art. 33, caput e § 1º, e art. 34 da Lei de
Drogas.

2) O agente que atua diretamente na traficância e que também financia ou custeia a aquisição de drogas deve
responder pelo crime previsto no art. 33, caput, com a incidência da causa de aumento de pena prevista no art.
40, inciso VII, da Lei n. 11.343/2006, afastando-se, por conseguinte, a conduta autônoma prevista no art. 36 da
referida legislação.

3) O crime de colaboração com o tráfico, art. 37 da Lei n. 11.343/2006, é um tipo penal subsidiário em relação
aos delitos dos arts. 33 e 35 e tem como destinatário o agente que colabora como informante, de forma
esporádica, eventual, sem vínculo efetivo, para o êxito da atividade de grupo, de associação ou de organização
criminosa destinados à prática de qualquer dos delitos previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei de Drogas.

4) O rol previsto no inciso III do art. 40 da Lei n. 11.343/2006 não deve ser encarado como taxativo , pois o
objetivo da lei é proteger espaços que promovam a aglomeração de pessoas, circunstância que facilita a ação
criminosa.

5) A causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei de Drogas possui natureza objetiva e se
aplica em função do lugar do cometimento do delito, sendo despicienda a comprovação efetiva do tráfico ou
de que o crime visava a atingir os frequentadores desses locais.

6) A incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei n 11.343/2006 pode ser excepcionalmente
afastada na hipótese de não existir nenhuma indicação de que houve o aproveitamento da aglomeração de
pessoas ou a exposição dos frequentadores do local para a disseminação de drogas, verificando-se, caso a
caso, as condições de dia, local e horário da prática do delito.

7) Para a caracterização da causa de aumento de pena do art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343/2006, é necessária a
efetiva oferta ou a comercialização da droga no interior de veículo público, não bastando, para a sua
incidência, o fato de o agente ter se utilizado dele como meio de locomoção e de transporte da substância
ilícita.

8) A incidência da majorante da segunda parte do inciso III do art. 18 da Lei n. 6. 368/1976 - "visar [o crime] a
menores de 21 (vinte e um) anos" -, segue contemplada no art. 40, inciso VI, da nova Lei de Drogas - "sua
prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente" -, não restando configurada a abolitio criminis.

9) O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz obrigatoriamente à imposição de
medida socioeducativa de internação do adolescente. (Súmula n. 492/STJ)
46
10) Configura ofensa ao princípio da proteção integral a aplicação de medida de semiliberdade ao adolescente
pela prática de ato infracional análogo ao crime previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/2006.

11) O crime de uso de entorpecente para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/2006, é de
menor potencial ofensivo, o que determina a competência do juizado especial estadual, já que ele não está
previsto em tratado internacional e o art. 70 da Lei de Drogas não o inclui dentre os que devem ser julgados pela
justiça federal.

12) A conduta prevista no art. 28 da Lei n. 11.343/2006 admite tanto a transação penal quanto a suspensão
condicional do processo.

#SELIGA #NOVIDADELEGISLATIVA #AJUDAMARCINHOLei nº 13.840/2019: promoveu mudanças na Lei de


Drogas (Lei nº 11.343/2006). 6

PREVENÇÃO, TRATAMENTO, ACOLHIMENTO E REINSERÇÃO DE USUÁRIOS OU DEPENDENTES

Tratamento do usuário ou dependente de drogas deve ser preferencialmente ambulatorial


O tratamento do usuário ou dependente de drogas deverá ser realizado em uma rede de atenção à saúde,
com prioridade para as modalidades de tratamento ambulatorial.

Protocolos baseados em evidências


Importante registrar que o tratamento oferecido aos usuários e dependentes deverá ser orientado por
protocolos técnicos predefinidos, baseados em evidências científicas.
Deverá ser oferecido atendimento individualizado ao usuário ou dependente de drogas com abordagem
preventiva e, sempre que indicado, ambulatorial.
Caberá à União dispor sobre os protocolos técnicos de tratamento, em âmbito nacional.

IMPORTANTE. Admite-se, excepcionalmente, a internação


Vale ressaltar que, excepcionalmente, poderão ser admitidas formas de internação em unidades de saúde e
hospitais gerais.
A internação de dependentes de drogas somente será realizada em unidades de saúde ou hospitais gerais,
dotados de equipes multidisciplinares e deverá ser obrigatoriamente autorizada por médico devidamente
registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento no qual se
dará a internação.

Comunidades terapêuticas não podem ser utilizadas para internação


É vedada a realização de qualquer modalidade de internação nas comunidades terapêuticas acolhedoras.

IMPORTANTE

TIPOS DE INTERNAÇÃO
Serão possíveis 2 tipos de internação do dependente em droga

1) Internação VOLUNTÁRIA 2) Internação INVOLUNTÁRIA

É aquela que se dá com o consentimento do É aquela que se dá, sem o consentimento do dependente.
dependente de drogas. Neste caso, será necessário:
• pedido de familiar ou do responsável legal; ou

6 Maiores comentários: https://www.dizerodireito.com.br/2019/06/breves-comentarios-lei-138402019-que.html


47
• na absoluta falta deste, será necessário pedido de servidor
público da área de saúde, da assistência social ou dos órgãos
públicos integrantes do Sisnad.
No pedido deverão ser demonstrados motivos que justificam a
medida.
Atenção: servidores da área de segurança pública não podem
fazer pedido de internação involuntária.
A internação voluntária deverá ser precedida A internação involuntária:
de declaração escrita da pessoa solicitante de • deve ser realizada após a formalização da decisão por médico
que optou por este regime de tratamento. responsável;
• será indicada depois da avaliação sobre o tipo de droga
utilizada, o padrão de uso e na hipótese comprovada da
impossibilidade de utilização de outras alternativas terapêuticas
previstas na rede de atenção à saúde.
Seu término se dará: A internação involuntária perdurará apenas pelo tempo
• por determinação do médico responsável necessário à desintoxicação, no prazo máximo de 90 dias, tendo
ou seu término determinado pelo médico responsável.
• por solicitação escrita da pessoa que deseja A família ou o representante legal poderá, a qualquer tempo,
interromper o tratamento. requerer ao médico a interrupção do tratamento.

Internação é a última medida


A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se
mostrarem insuficientes.

Comunicação ao MP, à Defensoria e aos órgãos de fiscalização


Todas as internações e altas deverão ser informadas, em, no máximo, de 72 horas, ao Ministério Público, à
Defensoria Pública e a outros órgãos de fiscalização, por meio de sistema informatizado único.
É garantido o sigilo das informações disponíveis neste sistema e o acesso será permitido apenas às pessoas
autorizadas a conhecê-las, sob pena de responsabilidade.

Observância subsidiária da Lei nº 10.216/2001


O planejamento e a execução do projeto terapêutico individual deverão observar, no que couber, o previsto na
Lei nº 10.216/2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e
redireciona o modelo assistencial em saúde mental.

Internação involuntária da Lei nº 10.216/2001


A chamada internação involuntária, agora prevista para os dependentes de droga, não é uma novidade em
nosso ordenamento jurídico.
A Lei nº 10.216/2001 previu a possibilidade de internação involuntária para pessoal com transtornos mentais.
Trata-se de uma espécie de internação psiquiátrica

PROCEDIMENTO DE DESTRUIÇÃO DE DROGAS APREENDIDAS


LEI DE DROGAS
Antes da Lei nº 13.840/2019 Depois da Lei nº 13.840/2019 (atualmente)
Art. 50-A. A destruição de drogas apreendidas sem a Art. 50-A. A destruição das drogas apreendidas sem
ocorrência de prisão em flagrante será feita por a ocorrência de prisão em flagrante será feita por
incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias
contado da data da apreensão, guardando-se amostra contados da data da apreensão, guardando-se
necessária à realização do laudo definitivo, aplicando- amostra necessária à realização do laudo definitivo.
se, no que couber, o procedimento dos §§ 3º a 5º do
art. 50.
48
12 *JURISPRUDÊNCIA EM TESE DO STJ – LEI DE DROGAS IV7:

1) Para a configuração do delito de tráfico de drogas previsto no caput do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, é
desnecessária a aferição do grau de pureza da substância apreendida.

2) Para fins de fixação da pena, não há necessidade de se aferir o grau de pureza da substância apreendida
uma vez que o art. 42 da Lei de Drogas estabelece como critérios "a natureza e a quantidade da substância".

3) É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a materialidade da infração disciplinar e


a natureza da substância encontrada com o apenado no interior de estabelecimento prisional.

4) A falta da assinatura do perito criminal no laudo toxicológico é mera irregularidade que não tem o condão
de anular o referido exame.

5) É possível a aplicação do princípio da consunção entre os crimes previstos no § 1º do art. 33 e/ou no art. 34
pelo tipificado no caput do art. 33 da Lei 11. 343/2006, desde que não caracterizada a existência de contextos
autônomos e coexistentes, aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta.

6) Quando o agente no exercício irregular da medicina prescreve substância caracterizada como droga, resta
configurado, em tese, o delito do art. 282 do Código Penal - CP, em concurso formal com o do art. 33, caput, da
Lei n. 11. 343/2006.

7) É cabível a aplicação cumulativa das causas de aumento relativas à transnacionalidade e à interestadualidade


do delito, previstas nos incisos I e V do art. 40 da Lei de Drogas, quando evidenciado que a droga proveniente do
exterior se destina a mais de um estado da federação, sendo o intuito dos agentes distribuir o entorpecente
estrangeiro por mais de uma localidade do país.

8) Para a configuração do crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei n.
11.343/2006, é irrelevante a apreensão de drogas na posse direta do agente.

9) Em se tratando de condenado pelo delito previsto no art. 14 da Lei n. 6. 368/1976, deve-se observar as
reprimendas mínima e máxima estabelecidas pelo art. 8º da Lei n. 8.072/1990 (3 a 6 anos de reclusão), por ser
norma penal mais benéfica ao réu, impondo-se, inclusive, se for o caso, a exclusão da pena de multa.

10) A expropriação de bens em favor da União, decorrente da prática de crime de tráfico ilícito de
entorpecentes, constitui efeito automático da sentença penal condenatória.

7 EDIÇÃO N. 126. Disponível em: http://www.stj.jus.br/SCON/jt/toc.jsp


49
11) Não viola o princípio da dignidade da pessoa humana a revista íntima realizada conforme as normas
administrativas que disciplinam a atividade fiscalizatória, quando houver fundada suspeita de que o visitante
esteja transportando drogas ou outros itens proibidos para o interior do estabelecimento prisional.

13 *JURISPRUDÊNCIA EM TESE DO STJ – LEI DE DROGAS nº 131:

1) É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas
disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo
vedada a combinação de leis. (Súmula n. 501/STJ)
2) A inobservância do art. 55 da Lei n. 11.343/2006, que determina o recebimento da denúncia após a
apresentação da defesa prévia, constitui nulidade relativa quando forem demonstrados os prejuízos suportados
pela defesa.
3) O laudo pericial definitivo atestando a ilicitude da droga afasta eventuais irregularidades do laudo
preliminar realizado na fase de investigação.
4) A falta da assinatura do perito criminal no laudo toxicológico é mera irregularidade que não tem o
condão de anular o referido exame.
5) O princípio da insignificância não se aplica aos delitos do art. 33, caput, e do art. 28 da Lei de Drogas, pois
tratam-se de crimes de perigo abstrato ou presumido.
6) A conduta de porte de substância entorpecente para consumo próprio, prevista no art. 28 da Lei n.
11.343/2006, foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada, não havendo,
portanto, abolitio criminis.
7) As contravenções penais, puníveis com pena de prisão simples, não geram reincidência, mostrando-se,
portanto, desproporcional que condenações anteriores pelo delito do art. 28 da Lei n. 11.343/2006 configurem
reincidência, uma vez que não são puníveis com pena privativa de liberdade.
8) O crime de uso de entorpecente para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/2006, é de
menor potencial ofensivo, o que determina a competência do Juizado Especial estadual, já que ele não está
previsto em tratado internacional e o art. 70 da Lei n. 11.343/2006 não o inclui dentre os que devem ser
julgados pela justiça federal.
9) A conduta prevista no art. 28 da Lei n. 11.343/2006 admite tanto a transação penal quanto a suspensão
condicional do processo.
10) A posse de substância entorpecente para uso próprio configura crime doloso e quando cometido no
interior do estabelecimento prisional constitui falta grave, nos termos do art. 52 da Lei de Execução Penal - LEP
(Lei n. 7.210/1984).
11) É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a materialidade da infração
disciplinar e a natureza da substância encontrada com o apenado no interior de estabelecimento prisional.
50
12) A comprovação da materialidade do delito de posse de drogas para uso próprio (art. 28 da Lei n.
11.343/2006) exige a elaboração de laudo de constatação da substância entorpecente que evidencie a natureza
e a quantidade da substância apreendida.
13) O tráfico de drogas é crime de ação múltipla e a prática de um dos verbos contidos no art. 33, caput, da
Lei n. 11.343/2006 é suficiente para a consumação do delito.
14) O laudo de constatação preliminar de substância entorpecente constitui condição de procedibilidade
para apuração do crime de tráfico de drogas.
15) Para a configuração do delito de tráfico de drogas previsto no caput do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, é
desnecessária a aferição do grau de pureza da substância apreendida.
16) Não se reconhece a existência de bis in idem na aplicação da causa de aumento de pena pela
transnacionalidade (art. 40, inciso I, da Lei n. 11.343/2006), em razão do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006
prever as condutas de "importar" e "exportar", pois trata-se de tipo penal de ação múltipla, e o simples fato de
o agente "trazer consigo" a droga já conduz à configuração da tipicidade formal do crime de tráfico.
17) O agente que atua diretamente na traficância e que também financia ou custeia a aquisição de drogas
deve responder pelo crime previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 com a incidência da causa de
aumento de pena prevista no art. 40, VII, da Lei n. 11.343/2006, afastando-se, por conseguinte, a conduta
autônoma prevista no art. 36 da referida legislação.
18) É possível a aplicação do princípio da consunção entre os crimes previstos no § 1º do art. 33 e/ou no
art. 34 pelo tipificado no caput do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, desde que não caracterizada a existência de
contextos autônomos e coexistentes, aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta.
19) Quando o agente no exercício irregular da medicina prescreve substância caracterizada como droga,
resta configurado, em tese, o delito do art. 282 do Código Penal, em concurso formal com o art. 33, caput, da Lei
n. 11.343/2006.
20) O § 3º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006 traz tipo específico para aquele que fornece gratuitamente
substância entorpecente a pessoa de seu relacionamento para juntos a consumirem e, por se tratar de norma
penal mais benéfica, deve ser aplicado retroativamente.
21) O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006) não é crime
equiparado a hediondo. (Tese revisada sob o rito do art. 1.036 do CPC/2015 - TEMA 600)
22) A causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas só pode ser aplicada se
todos os requisitos, cumulativamente, estiverem presentes.
23) É inviável a aplicação da causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei n.
11.343/2006 quando há condenação simultânea do agente nos crimes de tráfico de drogas e de associação para
o tráfico, por evidenciar a sua dedicação a atividades criminosas ou a sua participação em organização
criminosa.
24) A condição de "mula" do tráfico, por si só, não afasta a possibilidade de aplicação da minorante do § 4º
do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, uma vez que a figura de transportador da droga não induz, automaticamente, à
conclusão de que o agente integre, de forma estável e permanente, organização criminosa.
51
25) Diante da ausência de parâmetros legais, é possível que a fração de redução da causa de diminuição de
pena estabelecida no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 seja modulada em razão da qualidade e da quantidade
de droga apreendida, além das demais circunstâncias do delito.
26) Para a caracterização do crime de associação para o tráfico de drogas (art. 35 da Lei n. 11.343/2006) é
imprescindível o dolo de se associar com estabilidade e permanência.
27) Para a configuração do crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei n.
11.343/2006, é irrelevante apreensão de drogas na posse direta do agente.
28) O crime de associação para o tráfico de entorpecentes (art. 35 da Lei n. 11. 343/2006) não figura no rol
taxativo de crimes hediondos ou de delitos a eles equiparados.
29) Em se tratando de condenado pelo delito previsto no art. 14 da Lei n. 6. 368/1976, deve-se observar as
reprimendas mínima e máxima estabelecidas pelo art. 8º da Lei n. 8.072/1990 (3 a 6 anos de reclusão), por ser
norma penal mais benéfica ao réu, impondo-se, inclusive, se for o caso, a exclusão da pena de multa.
30) O crime de financiar ou custear o tráfico ilícito de drogas (art. 36 da Lei n. 11.343/2006) é delito
autônomo aplicável ao agente que não tem participação direta na execução do tráfico, limitando-se a fornecer
os recursos necessários para subsidiar as infrações a que se referem os art. 33, caput e § 1º, e art. 34 da Lei de
Drogas.
31) O crime de colaboração com o tráfico, art. 37 da Lei n. 11.343/2006, é um tipo penal subsidiário em
relação aos delitos dos arts. 33 e 35 da referida lei e tem como destinatário o agente que colabora como
informante, de forma esporádica, eventual, sem vínculo efetivo, para o êxito da atividade de grupo, de
associação ou de organização criminosa destinados à prática de qualquer dos delitos previstos nos arts. 33,
caput e § 1º, e 34 da Lei de Drogas.
32) A Lei n. 11.343/2006 manteve as condutas descritas no art. 12, § 2º, inciso III, da Lei n. 6.368/1976,
razão pela qual não há que se falar em abolitio criminis.
33) A Lei n. 11.343/2006 aboliu a majorante da associação eventual para o tráfico prevista no art. 18, III,
primeira parte, da Lei n. 6.368/1976.
34) A incidência da majorante da segunda parte do inciso III do art. 18 da Lei n. 6. 368/1976 - "visar [o
crime] a menores de 21 (vinte e um) anos" -, segue contemplada no art. 40, inciso VI, da nova Lei de Drogas -
"sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente" -, não restando configurada a abolitio criminis.
35) O art. 40 da Lei n. 11.343/2006 conferiu tratamento mais favorável às causas especiais de aumento de
pena, devendo ser aplicado retroativamente aos delitos cometidos sob a égide da Lei n. 6.368/1976.
36) Não acarreta bis in idem a incidência simultânea das majorantes previstas no art. 40 da Lei n.
11.343/2006 aos crimes de tráfico de drogas e de associação para fins de tráfico, porquanto são delitos
autônomos, cujas penas devem ser calculadas e fixadas separadamente.
37) Para a incidência das majorantes previstas no art. 40, I e V, da Lei n. 11. 343/2006, é desnecessária a
efetiva transposição de fronteiras, sendo suficiente, respectivamente, a prova de destinação internacional das
drogas ou a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual.
52
38) É cabível a aplicação cumulativa das causas de aumento relativas à transnacionalidade e à
interestadualidade do delito, previstas nos incisos I e V do art. 40 da Lei de Drogas, quando evidenciado que a
droga proveniente do exterior se destina a mais de um estado da Federação, sendo o intuito dos agentes
distribuir o entorpecente estrangeiro por mais de uma localidade do país.
39) O rol previsto no inciso III do art. 40 da Lei de Drogas não deve ser encarado como taxativo, pois o
objetivo da referida lei é proteger espaços que promovam a aglomeração de pessoas, circunstância que facilita a
ação criminosa.
40) A causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei de Drogas possui natureza objetiva e
se aplica em função do lugar do cometimento do delito, sendo despicienda a comprovação efetiva do tráfico nos
locais e nas imediações mencionados no inciso ou que o crime visava a atingir seus frequentadores.
41) A incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343/2006 deve ser
excepcionalmente afastada na hipótese de não existir nenhuma indicação de que houve o aproveitamento da
aglomeração de pessoas ou a exposição dos frequentadores do local para a disseminação de drogas,
verificando-se, caso a caso, as condições de dia, local e horário da prática do delito.
42) Para a caracterização da causa de aumento de pena do art. 40, III, da Lei n. 11. 343/2006, é necessária a
efetiva oferta ou a comercialização da droga no interior de veículo público, não bastando, para a sua incidência,
o fato de o agente ter se utilizado dele como meio de locomoção e de transporte da substância ilícita.
43) A aplicação das majorantes previstas no art. 40 da Lei de Drogas exige motivação concreta, quando
estabelecida acima da fração mínima, não sendo suficiente a mera indicação do número de causas de aumento.
44) Para fins de fixação da pena, não há necessidade de se aferir o grau de pureza da substância apreendida
uma vez que o art. 42 da Lei de Drogas estabelece como critérios "a natureza e a quantidade da substância".
45) A natureza e a quantidade da droga não podem ser utilizadas simultaneamente para justificar o
aumento da pena-base e para afastar a redução prevista no §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, sob pena de
caracterizar bis in idem.
46) A utilização concomitante da quantidade de droga apreendida para elevar a pena-base e para afastar a
incidência da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas, por demonstrar que o acusado se dedica a
atividades criminosas ou integra organização criminosa, não configura bis in idem, tratando-se de hipótese
diversa da Repercussão Geral - TEMA 712/STF.
47) Reconhecida a inconstitucionalidade da vedação prevista na parte final do §4º do art. 33 da Lei de
Drogas, inexiste óbice à substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos aos condenados
pelo crime de tráfico de drogas, desde que preenchidos os requisitos do art. 44 do Código Penal.
48) A utilização da reincidência como agravante genérica é circunstância que afasta a causa especial de
diminuição da pena do crime de tráfico, e não caracteriza bis in idem.
49) Reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei n. 8.072/1990, é possível a fixação de
regime prisional diferente do fechado para o início do cumprimento de pena imposta ao condenado por tráfico
de drogas, devendo o magistrado observar as regras previstas no Código Penal para a fixação do regime
prisional.
53
50) O juiz pode fixar regime inicial mais gravoso do que aquele relacionado unicamente com o quantumda
pena ao considerar a natureza ou a quantidade da droga.
51) Configura ofensa ao princípio da proteção integral a aplicação de medida de semiliberdade ao
adolescente pela prática de ato infracional análogo ao crime previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/2006.
52) O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz obrigatoriamente à imposição de
medida socioeducativa de internação do adolescente. (Súmula n. 492/STJ)
53) A despeito de não ser considerado hediondo, o crime de associação para o tráfico, no que se refere à
concessão do livramento condicional, deve, em razão do princípio da especialidade, observar a regra
estabelecida pelo art. 44, parágrafo único, da Lei n. 11.343/2006: cumprimento de 2/3 (dois terços) da pena e
vedação do benefício ao reincidente específico.
54) É possível a concessão de liberdade provisória nos crimes de tráfico ilícito de entorpecentes.
55) É vedada a concessão de indulto aos condenados por crime hediondo ou por crime a ele equiparado,
entre os quais se insere o delito de tráfico previsto no art. 33, caput e § 1º da Lei n. 11.343/2006, afastando-se a
referida vedação na hipótese de aplicação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da mesma Lei, uma
vez que a figura do tráfico privilegiado é desprovida de natureza hedionda.
56) O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional aos condenados em crime de
tráfico ilícito de entorpecentes (delito equiparado a hediondo), praticados antes do advento da Lei n.
11.464/2007, deve ser o previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal (Lei n. 7.210/1984), qual seja, 1/6 (um
sexto); posteriormente, passou-se a exigir o cumprimento de 2/5 da pena pelo réu primário e 3/5 pelo
reincidente.

CRIME COMETIDO ANTES DA LEI Nº CRIME COMETIDO DEPOIS DA LEI Nº *CRIME COMETIDO DEPOIS DA
11.464/07 11.464/07 LEI Nº 13.964/2019
40% Primário + Crime
Hediondo/Equiparado

50% Primário + Crime


Hediondo/Equiparado, com
Cumprimento de 1/6 (art. 112 da Cumprimento de 2/5 (primário) resultado morte, VEDADO O
LEP) Cumprimento de 3/5 (reincidente) LIVRAMENTO CONDICIONAL.
OBS: a Lei nova não pode retroagir.
50% Exercer o comando,
individual ou coletivo, de
organização criminosa
estruturada para a prática de
crime hediondo ou equiparado
54

50% Crime de constituição


de milícia privada

60% Reincidente + crime


hediondo/equiparado

70% Reincidente + crime


hediondo/equiparado, com
resultado morte, VEDADO O
LIVRAMENTO CONDICIONAL.

57) Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e
julgar o crime de tráfico internacional. (Súmula n. 528/STJ)
58) A expropriação de bens em favor da União, decorrente da prática de crime de tráfico ilícito de
entorpecentes, constitui efeito automático da sentença penal condenatória.
59) Não viola o princípio da dignidade da pessoa humana a revista íntima realizada conforme as normas
administrativas que disciplinam a atividade fiscalizatória, quando houver fundada suspeita de que o visitante
esteja transportando drogas ou outros itens proibidos para o interior do estabelecimento prisional.

#SURRADEJURIS #SÓMAISUMPOUCO #DEOLHONOSTJ:

1) Com o advento da Lei n. 11.343/2006, não houve descriminalização da conduta de porte de substância
entorpecente para consumo pessoal, mas mera despenalização.

2) A condenação transitada em julgado pela prática do tipo penal inserto no art. 28 da Lei n. 11.343/06 gera
reincidência e maus antecedentes, sendo fundamento legal idôneo para majorar a pena. (Informativo de
Jurisprudência n. 0549, publicado em 05 de novembro de 2014.)

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STJ #MUDANÇADEENTENDIMENTO: O porte de droga para consumo próprio,


previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O porte de droga para consumo
próprio foi somente despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não descriminalizado. Obs: despenalizar é a
medida que tem por objetivo afastar a pena como tradicionalmente conhecemos, em especial a privativa de
liberdade. Descriminalizar significa deixar de considerar uma conduta como crime. Mesmo sendo crime, o STJ
entende que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO
configura reincidência. Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de prisão
simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de reincidência
55
considerando que este delito é punida apenas com “advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e
“medida educativa”, ou, seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer possibilidade de conversão em
pena privativa de liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade
do art. 28 da LD está sendo fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 21/08/2018.

3) O princípio da insignificância não se aplica aos delitos de tráfico de drogas e porte de substância
entorpecente para consumo próprio, pois trata-se de crimes de perigo abstrato ou presumido. (Informativo de
Jurisprudência n. 0456, publicado em 19 de novembro de 2010.

4) A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a
hediondez do crime de tráfico de drogas. (Súmula n. 512/ STJ) (Informativo de Jurisprudência n. 0519, publicado
em 28 de maio de 2013.)

#AJUDAMARCINHO: Houve uma mudança de entendimento do STF? SIM. Houve um overruling, ou seja, a
superação de um entendimento jurisprudencial anterior da Corte. Antes deste julgamento, o STF decidia que o §
4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 era também equiparado a hediondo. O argumento do STF era o de que a
causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º não constituía tipo penal distinto do caput do mesmo
artigo, sendo o mesmo crime, no entanto, com uma causa de diminuição. Em outras palavras, o § 4º não era um
delito diferente do caput. Logo, também deveria ser equiparado a hediondo. Nesse sentido: STF. 1ª Turma. RHC
114842, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/02/2014.
E o STJ? O STJ seguia o mesmo caminho do entendimento anterior do STF, ou seja, também decidia que o § 4º
do art. 33 seria equiparado a hediondo. A posição era tão consolidada que o Tribunal editou esta Súmula 512.
Ocorre que, com a mudança de entendimento do STF, o STJ decidiu acompanhar o Supremo e cancelou a
Súmula 512 passando a decidir também que o art. 33, § 4º da Lei nº 11.343/2006 não é hediondo.

5) Reconhecida a inconstitucionalidade da vedação prevista na parte final do §4º do art. 33 da Lei de Drogas,
admite-se a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos aos condenados pelo crime de
tráfico de drogas, desde que preenchidos os requisitos do art. 44 do Código Penal. (Informativo de
Jurisprudência n. 0449, publicado em 01 de outubro de 2010.)

6) A utilização da reincidência como agravante genérica e circunstância que afasta a causa especial de
diminuição da pena do crime de tráfico não caracteriza bis in idem .

7) Reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei n. 8.072/1990, é possível a fixação de regime


prisional diferente do fechado para o início do cumprimento de pena imposta ao condenado por tráfico de
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drogas, devendo o magistrado observar as regras previstas nos arts. 33 e 59 do Código Penal. (Informativo de
Jurisprudência n. 0507, publicado em 31 de outubro de 2012.)

8) É possível a concessão de liberdade provisória nos crimes de tráfico ilícito de entorpecentes.

9) O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional dos crimes hediondos e equiparados,
praticados antes do advento da Lei n. 11.464/07, deve ser o previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal, qual
seja, 1/6; posteriormente, passou-se a exigir o cumprimento de 2/5 da pena pelo réu primário e 3/5 pelo
reincidente. (Informativo de Jurisprudência n. 0519, publicado em 28 de maio de 2013.)

CRIME COMETIDO ANTES DA LEI Nº CRIME COMETIDO DEPOIS DA LEI Nº *CRIME COMETIDO DEPOIS DA
11.464/07 11.464/07 LEI Nº 13.964/2019
40% Primário + Crime
Hediondo/Equiparado

50% Primário + Crime


Hediondo/Equiparado, com
resultado morte, VEDADO O
LIVRAMENTO CONDICIONAL.

50% Exercer o comando,


individual ou coletivo, de
organização criminosa
Cumprimento de 1/6 (art. 112 da Cumprimento de 2/5 (primário)
estruturada para a prática de
LEP) Cumprimento de 3/5 (reincidente)
crime hediondo ou equiparado
OBS: a Lei nova não pode retroagir.

50% Crime de constituição


de milícia privada

60% Reincidente + crime


hediondo/equiparado

70% Reincidente + crime


hediondo/equiparado, com
resultado morte, VEDADO O
LIVRAMENTO CONDICIONAL.
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10) É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas
disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo
vedada a combinação de leis. (Súmula 501/STJ) (Informativo de Jurisprudência n. 0529, publicado em 06 de
novembro de 2013.)

11) Para a caracterização do crime de associação para o tráfico é imprescindível o dolo de se associar com
estabilidade e permanência. (Informativo de Jurisprudência n. 0509, publicado em 05 de dezembro de 2012.)

12) O delito de associação para o tráfico de drogas não possui natureza hedionda. (Informativo de
Jurisprudência n. 0568, publicado em 07 de outubro de 2015.)

13) O parágrafo único do art. 44 da Lei n. 11.343/2006 exige o cumprimento de 2/3 da pena para a obtenção do
livramento condicional nos casos de condenação por associação para o tráfico (art. 35), ainda que este não seja
hediondo, sendo vedado o benefício ao reincidente específico. (Informativo de Jurisprudência n. 0568,
publicado em 07 de outubro de 2015.)

14) O § 3º do art. 33 da Lei nº 11.343/06 traz tipo específico para aquele que fornece gratuitamente substância
entorpecente a pessoa de seu relacionamento para juntos a consumirem e, por se tratar de norma penal mais
benéfica, deve ser aplicado retroativamente. (Informativo de Jurisprudência n. 0543, publicado em 13 de agosto
de 2014.)

15) Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e
julgar o crime de tráfico internacional.(Súmula n. 528/STJ) (Informativo de Jurisprudência n. 0543, publicado em
13 de agosto de 2014.)

16) A natureza e a quantidade da droga não podem ser utilizadas simultaneamente para justificar o aumento da
pena-base e afastar a redução prevista no §4º do art. 33 da Lei 11.343/06, sob pena de caracterizar bis in idem .

17) A causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas só pode ser aplicada se todos os
requisitos, cumulativamente, estiverem presentes.

*#DEOLHONAJURIS#DIZERODIREITO#STF #IMPORTANTE Não é possível a fixação de regime de cumprimento


de pena fechado ou semiaberto para crime de tráfico privilegiado de drogas sem a devida justificação. Não se
admite a fixação automática do regime fechado ou semiaberto pelo simples fato de ser tráfico de drogas. Não se
admite, portanto, que o regime semiaberto tenha sido fixado utilizando-se como único fundamento o fato de
ser crime de tráfico, não obstante se tratar de tráfico privilegiado e ser o réu primário, com bons antecedentes.
A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais
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gravoso. STF. 1ª Turma. HC 163231/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 25/6/2019 (Info 945).

14 DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO

DIPLOMA DISPOSITIVOS
CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º, XLIII e 243
CÓDIGO PENAL Artigo 287
CÓDIGO PENAL MILITAR Artigo 290
LEI nº 11.343/2006 Íntegra