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UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ

INSTITUTO DE ESTUDOS DO XINGU – IEX


CURSO: LICENCIATURA EM LETRAS PORTUGUÊS

CAMILA DE MOURA ALVES

ESTUDO SOBRE A LÍNGUA, LINGUAGEM E LINGUÍSTICA - UMA


ENTREVISTA COM MÁRIO A. PERINI

São Félix do Xingu – PA


Janeiro / 2015
Camila de Moura Alves

ESTUDO SOBRE A LÍNGUA, LINGUAGEM E LINGUÍSTICA - UMA


ENTREVISTA COM MÁRIO A. PERINI

Trabalho apresentado à disciplina Introdução


aos Estudos Linguísticos, do 1º Período do
Curso de Licenciatura em Letras Português do
Instituto de Estudos do Xingu da UNIFESSPA
– Universidade Federal do Sul e Sudeste do
Pará / Campus de São Félix do Xingu.
Prof.: Dr. Dirlenvalder do N. Loyolla.

São Félix do Xingu – PA


Janeiro / 2015
Neste texto pretendemos analisar as definições dadas por Mário A. Perini a
termos como língua, linguagem e linguística, concedida à Revista Virtual de Estudos da
Linguagem – REVEL. Levando em consideração os textos Natureza do Signo Linguístico e a
Imutabilidade e Mutabilidade do Signo, de Ferdinand de Saussure; Linguagem, Língua,
Linguística, de Margarida Petter e A Comunicação Humana, de Diana Pessoa de Barros.
Podemos observar que os termos que Perini define têm relações profundas, pois, sem a língua
não haveria linguagem, e sem estas não haveria linguística. Iniciaremos com a definição de
língua, e a seguir estenderemos as definições dos outros dois termos e suas relações.
Perini afirma que: “Chamamos ‘língua’ um sistema programado em nosso
cérebro que, essencialmente, estabelece uma relação entre os esquemas mentais que formam
nossa compreensão de mundo e um código que os representa de maneira perceptível aos
sentidos.” Esse sistema é muito complexo, pois compreende regras, itens léxicos, expressões
idiomáticas e clichês.
A língua é constituída de sentenças distintas que são infinitas, cada sentença
representa um signo linguístico. Saussure afirma que o signo é “(...) a combinação do conceito
e da imagem acústica (...)”, respectivamente significado e significante; este não é o som
material, mas sim a impressão psíquica desse som.
O signo é arbitrário, porém Saussure diz que a palavra arbitrária “Não deve dar
a ideia de que o significado dependa da livre escolha do que fala (...) queremos dizer que o
significante é imotivado, isto é arbitrário em relação ao significado, com o qual não tem
nenhum laço natural na realidade.” O que observamos é que a palavra “sol” tem o significado
de estrela que é o centro de um sistema planetário, ou seja, em qualquer lugar do mundo a
palavra “sol”, vai ter o mesmo significado, o que muda, é o significante, por exemplo, na
Inglaterra o conceito de sol não estará representado por essa mesma sequencia de sinais
gráficos, será “sun”, observamos, então a questão da língua, o idioma, que muda. Cada nação
tem uma língua a qual utiliza para se comunicar.
Perini diz que “(...) cada língua é profundamente enraizada na cultura que serve
(...)”, e é um produto herdado pelas gerações, cabe aqui ressaltar que mesmo que quiséssemos
trocar alguma coisa num signo não poderíamos, já que o mesmo está estabelecido num grupo
linguístico. Eis a afirmação de Saussure em dizer que o signo linguístico é imutável e mutável
ao mesmo tempo. Imutável, pois é uma herança de uma época e cada povo está satisfeito com
a língua que recebeu, retomamos então, o fato da arbitrariedade do signo que admite
mudanças. No entanto a língua é um produto das forças sociais que atuam em função do
tempo, além de que, seria muito difícil alterar algo nos signos já que estes são inumeráveis,
complexos e usamos deles o tempo inteiro.
Apesar disso Saussure afirma que o signo também é mutável,
“(...) o signo está em condições de alterar-se porque se continua. (...) Eis
alguns exemplos: o latim necãre, ‘matar’, deu em francês noyer, ‘afogar.(...)
Se, em vez de comparar necãre do latim clássico com o francês noyer, o
contrapusermos ao necare do latin vulgar do século IV ou do V, já com o
significado de ‘afogar’.” (SAUSSURE, p. 89)
O linguista ainda afirma que “o tempo altera todas as coisas; não existe razão
para que a língua escape a essa lei universal.”, o sentido de alteração da língua remete a
continuidade que ela tem, a língua evolui.
Perini diz que “Ao usarmos a língua, lançamos mão de conhecimentos não
apenas linguísticos stricto sensu, mas de todo o tipo de conhecimento sobre o mundo.” Em
que o conhecimento e o uso da língua são formas de pensamento. Nossos pensamentos se
exteriorizam através da capacidade humana de falar, o que denominamos linguagem.
Para Perini “(...) linguagem é um conceito muito mais amplo do que língua: a
linguagem inclui as línguas entre suas manifestações, mas não apenas as línguas.” A
linguagem pode ser aplicada a outros tipos de comunicação que não sejam línguas como os
sinais gestuais e a linguagem das abelhas. No entanto em estudos sobre a comunicação das
abelhas, Petter afirma que “Embora seja bem preciso o sistema de comunicação das abelhas –
ou de qualquer outro animal cuja forma de comunicação já tenha sido analisada – ele não
constitui uma linguagem(...)”. Mesmo que esse sistema de comunicação cumpra as condições
necessárias para a existência de uma linguagem, porém as diferenças que permitem essa
afirmação são consideráveis.
Podemos afirmar com os seguintes exemplos dados a seguir por Petter: a
mensagem das abelhas
(...) se traduz pela dança exclusivamente, sem intervenção de um “aparelho
vocal”, condição essencial para a linguagem; (b) a mensagem das abelhas não
provoca uma resposta, mas apenas uma conduta, o que significa que não há
dialogo; (c) a comunicação se refere a um dado objetivo, fruto da
experiência. A abelha não constrói uma mensagem a partir de outra
mensagem. A linguagem humana caracteriza-se por oferecer um substituto à
experiência, apto a ser transmitido infinitamente no tempo e no espaço; e (e)
a mensagem das abelhas não se deixa analisar, decompor em elementos
menores. Em síntese a comunicação das abelhas não é uma linguagem, é um
código de sinais, como se pode observar pelas suas características: conteúdo
fixo, mensagem invariável, relação a uma só situação, transmissão unilateral
e enunciado indecomponível. (PETTER, p. 13 – 14).

A linguagem é especifica da espécie humana. Mesmo assim o termo linguagem


tem sido utilizado de modo não especializado para referir-se a outros tipos de expressões. De
fato essas considerações são importantes, mas convém enfatizar que a linguagem humana é a
mais importante, para tanto existe a linguística.
Perini diz que a linguística “(...) é o estudo dos códigos usados pelas pessoas
para se comunicar, e da capacidade inata que nos permite levar a efeito essa atividade.”, já
que a linguagem é fundamental para a comunicação. “É possível pensar sem utilizar a
linguagem, mas não é possível se comunicar sem utilizar (algum tipo) de linguagem.”, afirma
o linguista Mário Perini. O mesmo ainda diz mais:

(...) a linguística também estuda a evolução historica das línguas, as variantes


que uma língua mostra segundo seu uso pelas diferentes classes sociais, as
variantes regionais, o processo de aquisição da linguagem pelas crianças e
vários outros aspectos da estrutura e do uso das línguas. (Perini, p. 5)

A linguística mostra as mudanças na linguagem, que tem origem


principalmente na fala popular, pois muitas vezes o que era errado em uma época passa a ser
certo numa época posterior. Por isso surge a necessidade de estudar as línguas em qualquer
que seja o aspecto. A linguística serve para aumentar nosso conhecimento e nossa
compreensão do mundo. Petter afirma que, a linguística “estuda a principal modalidade dos
sistemas sígnicos, as línguas naturais, que são a forma de comunicação mais altamente
desenvolvida e de maior uso.” A comunicação é um meio de transmitirmos e recebermos
informações.
Barros apresenta um esquema de comunicação e para simplificar a mesma
afirma que a comunicação “(...) é entendida como transferência de mensagens, de um emissor
a um receptor, das mensagens organizadas segundo um código e transformadas em seqüência
de sinais.” Porém a linguagem humana é falha, pois a comunicação sempre é incompleta no
limite, por causa dos ruídos, estes podem ser físicos, psicológicos ou culturais.
Por isso Perini diz que a linguística faz, e o que faz dela uma ciência, é
descrever e explicar o fenômeno da linguagem. O linguista define bem os termos língua,
linguagem e linguística, constatando suas relações e utilizações. Principalmente o papel da
linguística dentro da educação e na pós-modernidade, no sentido de produzir melhores
resultados dentro do estudo da linguística. Frente às propostas de reavaliação das teorias e dos
modelos de analise.
Perini afirma que:
O trabalho cientifico se compõe de observação e teorização e nenhum desses
aspectos e dispensável. (...) Não acredito que nosso conhecimento da
linguagem esteja avançado a ponto de permitir a elaboração de teorias
abrangentes e detalhadas como algumas das teorias atualmente correntes;
acho que a linguística está, em grande parte, no estágio da “história natural”,
em que a prioridade é o levantamento de dados confiáveis e sua
sistematização segundo princípios rigorosos. Vou repetir: o problema não é a
teorização, mas a teorização prematura, isto é, sem fundamentação suficiente
nos dados. (Perini, p. 11 – 12)

Assim como as outras coisas, a linguística evoluirá com o passar o tempo.


Diante disso, observamos que a língua, linguagem e linguística estão compreendidas em
nosso meio, nossas formas de expressar nossos sentimentos e pensamentos e sem esses termos
não poderíamos compreender nossa própria língua. Todas as nossas manifestações culturais
são marcadas por expressões linguísticas.
REFERENCIAS

PERINI, Mário A. Sobre língua, linguagem e Linguística: uma entrevista com Mário A.
Perini. ReVEL. Vol. 8, n. 14, 2010. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br].

PETTER, Margarida. “Linguagem, língua, linguística” in: ______ Introdução a Linguística,


Fiorin, José Luiz (org.), 2003.

BARROS, Diana Pessoa de. “A comunicação humana” in: ______ Introdução a Linguística,
Fiorin, José Luiz (org), 2003.

SAUSSURE, Ferdinand de. “Curso de Linguística Geral”. São Paulo: Cultrix, 2006.

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