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Controladoria

Material Teórico
Conceitos, Objetivos e Aplicação

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.a Me. Divane Alves da Silva

Revisão Técnica:
Prof. Me. Carlos Henrique de Jesus Costa

Revisão Textual:
Prof. Me. Vera Lídia de Sá de Cicarone
a
Conceitos, Objetivos e Aplicação

• Conceitos

• A Ciência Contábil

• A Ciência Administrativa

• A Ciência Econômica

• A Ciência da Psicologia

• A Ciência Estatística

• A Ciência da Tecnologia da Informação

• Principais papéis dos Sistemas de Informação

• Objetivos

• Aplicação

· a) os conceitos de controle, controladoria e Controller;


· b) a relação da controladoria com a contabilidade;
· c) a relação da controladoria com a tecnologia da informação;
· d) a relação da controladoria com outras ciências, como a
administração, a a economia, a estatística, a psicologia;
· e) os sistemas de informação e de apoio à gestão empresarial;
· f) os objetivos da Controladoria no ambiente empresarial;
· g) o papel do Controller.

E, para entendermos com profundidade a importância desse conhecimento, é importante


conhecer a evolução histórica das empresas e suas funções na sociedade ao longo do tempo.
Atualmente, não podemos imaginar nossa vida sem as empresas, mas essa influência tão
forte na nossa vida deve-se a um desenvolvimento que já vem de séculos passados.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

Contextualização

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Conceitos

Vamos iniciar o nosso estudo sobre a “Controladoria” e, para isso, antes de tudo, é
importante questionarmos o porquê de estarmos estudando esse tema e o que isso trará
para nosso futuro profissional. Muito se diz, nos mercados, sobre controladoria. Vemos,
frequentemente, nas empresas, departamentos (em alguns casos, separados do departamento
de contabilidade) de controladoria e profissionais que se identificam como “controllers” que
são bem remunerados e, normalmente, possuem grande influência sobre as decisões do
corpo gerencial.
Veja que esta disciplina que você está estudando neste exato momento tem o nome de
“controladoria” e, entre as diversas opções de atuação profissional que os contadores e
gestores financeiros têm à sua disposição atualmente, uma delas poderá levar você, em um
futuro bem próximo, a trabalhar diretamente ou indiretamente com esse tema!
Mas... o que significa a palavra controladoria? Onde, como e por que foi formada?
Controladoria e contabilidade são sinônimos?

Para Pensar
Existe diferença entre “contabilidade” e “controladoria”, entre “contador” e “controller”?

Muitos são os questionamentos sobre a controladoria: se é possível aplicá-la em todo tipo


e porte de empresa; se é eficiente; se é relevante para a empresa. Você estudará, ao longo
desta unidade e das demais, o quanto essa ciência é capaz de contribuir para o crescimento
e/ou, até mesmo, para a permanência de uma empresa no mundo empresarial, que, nos dias
de hoje, é altamente competitivo, quer devido à globalização, quer devido aos avanços da
tecnologia ou à exigência dos consumidores. Enfim, mudanças ocorridas na sociedade, direta
ou indiretamente, resultam em mudança nas estratégias empresariais, um vez que serão
também essas novas estratégias que contribuirão (ou não) para a solidificação das empresas.
Ou, em não raros casos, para a sobrevivência das empresas no mercado.

Ideias Chave
Em controladoria, preste muita atenção aos conceitos de “estratégia” e, principalmente, de
“relevância”.

Mas... vamos nos dedicar primeiro às respostas aos questionamentos iniciais, Tudo
bem? Nesse sentido, é possível entendermos que a palavra controladoria deriva da palavra
controle. Então vamos ao dicionário: segundo Michaelis (2012, p.224), controle significa
ato de dirigir qualquer serviço, fiscalizando-o e orientando-o do modo mais conveniente.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

Outros significados poderão ser atribuídos à palavra controle, porém todos levarão ao
mesmo sentido, ou seja, aquilo que necessita de fiscalização e orientação. Mas, imagino
que você deva estar se perguntando: fiscalizar e orientar o quê?
Para ajudar a responder a essa pergunta, veja a seguinte foto:

Foto: Uma rodovia no Estado do Sergipe, em uma situação de rotina.


Fonte: http://senoticias.com.br/se/?p=47746

No Brasil, existe um ordenamento jurídico que orienta o comportamento dos motoristas em


uma rodovia como essa de Sergipe. Em qualquer rodovia do Brasil ou do exterior, existe um
limite adequado de velocidade com a finalidade de prevenir acidentes e, em alguns casos, como
vemos na Alemanha, não existe um limite de velocidade, mas sim a exaltação da responsabilidade
do motorista pela sua própria vida e pela vida de outros usuários da rodovia. Porém, instituir
uma lei, norma ou regulamento não é controle.
Sabe-se que alguns indivíduos, por conta de seus interesses, gostos ou decisões, irão
desrespeitar as normas impostas. Para não alegarem desconhecimento, são disponibilizadas
placas informativas. Mas elas também não são controles.
Os controles em uma rodovia são ações efetivas, como disponibilizar um policial para
fiscalizar o trânsito e/ou instalar equipamentos que realizem um monitoramento constante do
comportamento dos usuários, para advertir e/ou punir eventuais infratores, conhecer o que está
ocorrendo e possibilitar um melhoramento contínuo das condições de serviço.
Da mesma forma, em uma empresa, o objeto, ou seja, o assunto a ser fiscalizado e orientado
deverá ser de conhecimento de todos os envolvidos, desde o presidente da empresa, passando
pelos gerentes e chegando aos funcionários que executam os trabalhos ou serviços. Todos
precisam conhecer o que devem fazer e como devem fazer. Ao mesmo tempo, já podemos
adiantar que tal objeto estará vinculado ao objetivo que a empresa pretende atingir, por exemplo:
expansão das atividades, inserção no mercado internacional, constituição de filiais, entre outros.
Assim, uma empresa que tiver como interesse o crescimento no mercado terá objetos de
controle provavelmente diferentes de uma empresa que já tem uma boa posição no mercado
e que quer manter essa posição. Um hospital, por exemplo, que queira ser conhecido como

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o melhor hospital do planeta especializado no tratamento de algum tipo específico de
doença, certamente, terá objetos de controles diferentes de um pronto-socorro (ou pronto-
atendimento), estruturado para atender a todo e qualquer caso de urgência rapidamente.
Apesar de estarmos no início dos nossos estudos, já é possível irmos construindo o nosso
conhecimento e percebendo a complexidade que envolve o tema “controladoria”. Ou seja,
como um fator imprescindível para o nosso trabalho, teremos que conhecer o(s) objetivo(s) que
a empresa pretende alcançar para, daí, prepararmos as ações em busca desse(s) objetivo(s).
Para a resposta ao segundo questionamento (Onde, como e por que foi formada?), é necessário
realizar um breve e rápido estudo histórico. Como foi formada a palavra controladoria já vimos:
trata-se de uma derivação da palavra controle. Já, para responder à pergunta: onde e como foi
formada tal palavra, encontramos inúmeras respostas na literatura contábil-administrativa sobre
o assunto. Em termos gerais, pode-se entender que a controladoria nasceu da necessidade dos
proprietários e acionistas de manter (e/ou expandir) seus investimentos nas empresas nas quais
depositaram seu capital. Ainda, considerando que toda empresa é um organismo complexo,
por ser composto de diversos departamentos, áreas que interagem o tempo todo, interna e
externamente, a criação de um departamento que pudesse se articular com os demais surgiu
naturalmente, provavelmente a partir de 1920, com a expansão do mercado norte-americano,
no qual o crescimento do conhecimento contábil, tanto em auditoria como em mensuração e
gestão, tornou-se imprescindível.

Figura: Controle de unidades de serviços ou de suporte


Fonte: Nilsson, Olve e Parment (2011 p. 257)

Observe como as diversas áreas de uma empresa interagem constantemente, em uma


situação de rotina.
Kaplan e Norton (1997, p. 21) resumem, em uma frase, esse contexto de interação constante
que precisa, para ser eficiente e eficaz, ser controlado: “O que não pode ser mensurado não
pode ser gerenciado”.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

Para Pensar
Os autores de administração costumam dizer, geralmente, que “eficiência” é fazer as coisas de
forma correta, dentro das especificações, e eficácia é fazer as coisas corretas. É uma espécie de
“trava-línguas” mental, não é mesmo? Mas, pense um pouco: É possível uma empresa inteira fazer
“direitinho” coisas que não seriam as melhores para serem feitas? E ao contrário, é possível fazer de
forma errada coisas que são corretas? PENSE!

Vamos, agora, para a terceira questão: controladoria e contabilidade são sinônimos? Talvez
seja a pergunta sobre o assunto “controladoria”, mais comum no meio empresarial. Vamos
responder com as palavras de Padovese (2003, p.3):

“A Controladoria pode ser definida, então, como a unidade administrativa


responsável pela utilização de todo o conjunto da Ciência Contábil dentro
da empresa. Como a Ciência Contábil é a ciência do controle em todos os
aspectos temporais – passado, presente, futuro - e como a Ciência Social
exige a comunicação de informação, no caso, a econômica, à Controladoria
cabe a responsabilidade de implantar, desenvolver, aplicar e coordenar todo
o ferramental da Ciência Contábil dentro da empresa, nas suas mais diversas
necessidades”.

Em outras palavras, pode-se entender que a Controladoria se utiliza das informações


proporcionadas pela Contabilidade, logo não são sinônimos. Porém, Padovese apud Mosimann
(2003, p.3) completa: a controladoria não depende somente da informação contábil; ela se
completa por meio de um conjunto de princípios, procedimentos e métodos oriundos de outras
ciências – Administração, Economia, Psicologia e Estatística.

Você Sabia ?
A engenharia de produção também é uma área das mais importantes para o relacionamento
com a controladoria. Em empresas que adotam o custo padrão, por exemplo, a recomendação
que vemos de muitos autores da área, como Eliseu Martins (2003) e Michiharu Sakurai
(1997), é a de que os contadores trabalhem em perfeita sintonia com os engenheiros.

De acordo com o avanço tecnológico presente em todas as áreas, pode-se afirmar que a
controladoria também depende da tecnologia da informação para gerar relatórios cada vez
mais rápidos e precisos e, assim, permitir que as decisões ocorram na mesma velocidade.
Porém a inserção de dados continua sendo de responsabilidade das pessoas que compõem
uma organização empresarial; a tecnologia da informação irá apenas processá-las.

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Segundo Saramelli (2010), a vinculação da contabilidade com a Tecnologia da Informação, atual-


mente, é tão grande que ocorre uma “hibridização” ou a formação de um conhecimento comparti-
lhado, em que os contadores desenvolvem um excelente conhecimento de tecnologia da informação
e os profissionais de TI desenvolvem um excelente conhecimento de controladoria.
Procure ler qualquer artigo que aborde o relacionamento da controladoria com a TI.

A partir das três respostas apresentadas, você, talvez, esteja se perguntando: então a
“Controladoria” pode ser também considerada uma ciência? Antes de responder a essa pergunta,
vamos conceituar a palavra ciência, que, segundo Michaelis (202, p.182), significa: um conjunto
de conhecimentos organizados sobre determinado assunto. Sendo assim, a controladoria é
também uma ciência, por reunir conhecimentos de outras ciências (contábil, administração,
economia, psicologia, estatística e a tecnologia da informação) a partir das quais organiza
os conhecimentos de tal maneira para que possam resultar numa tomada de decisão, tendo
sempre como foco a meta estabelecida no planejamento estratégico de qualquer organização
empresarial: pequena, média ou grande, com ou sem fins lucrativos, pública ou privada.
Observação:
A Ciência Social é composta, basicamente, pelas seguintes ciências: antropologia, sociologia
e política.
Dessa forma, resta-nos definir a própria ciência da controladoria, que, segundo Padovese
(2003, p.6), se trata do estágio evolutivo da Ciência Contábil, uma vez que a Contabilidade
praticamente deixou de ser a teoria do lucro - na qual a preocupação recaía somente na
mensuração e na informação de resultados - e tornou-se a teoria da decisão.

Sobre as diversas situações que envolvem uma decisão empresarial, recomenda-


se a leitura de Administração no Século XXI – O Estilo de Gerenciar hoje e no
Futuro, de Subir Chowdhury, tradução de Maria Lúcis G. L. Rosa – Editora Pearson
Education, São Paulo, 2003, que mostra como devem ser o líder, os processos e a
organização do século XXI.

Para um melhor entendimento sobre a implantação da controladoria numa organização


empresarial, faremos uma breve apresentação de cada ciência que compõe a controladoria,
ou seja: a ciência contábil, administrativa, econômica, além da psicologia, da estatística e da
tecnologia da informação.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

A Ciência Contábil
Falar do nascimento e da evolução da ciência contábil é o mesmo que falar da humanidade,
ou seja, desde que o mundo é mundo, o homem (no sentido de humanidade) já contava e
controlava sua riqueza. Desde a época em que controlava as ovelhas em seu rebanho até os
dias de hoje, o homem continua controlando os seus bens. Para alguns autores, a contabilidade
nasceu na Itália, mas sabemos que lá nasceram as “Partidas Dobradas” (técnica para registrar as
operações ocorridas na Igreja Católica) genialmente elaboradas por Luca Pacioli, que dedicou
a esse assunto um capítulo em uma de suas obras, Summa de aritmética, geometria, proporção
e proporcionalidade, em 1494.

Apesar de terem sido criadas em 1494, as Partidas Dobradas são, até hoje, a única forma de
registrar as operações ocorridas não só na Igreja Católica como em toda e qualquer organização,
mas, principalmente, nas organizações empresariais. Estas utilizam-se do “Débito e Crédito”, em
que, por convenção, os saldos das contas a crédito representam as dívidas e/ou receitas e os
saldos das contas a débito são os bens e direitos e/ou despesas. Após o registro, as operações
são avaliadas e apresentadas nas mais diversas demonstrações financeiras exigidas quer pelos
usuários internos das informações contábeis quer pelos externos.

Considerando-se este breve relato sobre a importância da contabilidade na vida empresarial,


pode-se entender que a base da controladoria está nas informações contábeis, porém a
controladoria também dependerá de outras ciências para cumprir o seu papel de fiscalizar e
orientar a empresa em busca do objetivo proposto em seu planejamento estratégico.

Para melhor conhecer a vida de Luca Pacioli, Frei da Igreja católica que tanto
contribuiu para a ciência contábil, recomenda-se a leitura de sua biografia no
seguinte endereço eletrônico: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/LucaPaci.html

A Ciência Administrativa
A Teoria da Administração (TA) foi desenvolvida pelos engenheiros Taylor e Faylor a partir de
uma abordagem científica, ou seja, por meio de métodos experimentais e técnicas de trabalho
que levassem a produzir uma maior quantidade num menor espaço de tempo - o estudo de
tempos e movimentos.
As tarefas passaram a ser elaboradas pelo operários a partir da organização racional do
trabalho. Cada movimento era estudado e medido em tempo, com a finalidade de padronizar
cada operação necessária para execução do trabalho geral. As tarefas mais complexas deveriam
ser subdivididas em tarefas mais simples, a fim de facilitar sua racionalização e padronização.

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A fragmentação das tarefas levou à especialização dos trabalhadores. Cada operário se tornou
“peça de uma engrenagem” que, em conjunto com outros operários (momento em que homens
e máquinas se confundiram), elevou a eficiência na produtividade, reduzindo principalmente os
custos de produção.
As técnicas desenvolvidas pela Escola da Administração Científica, apresentadas por Taylor e
Fayol, revolucionaram as indústrias no mundo todo e são utilizadas até hoje.
A Escola de Relações Humanas, defendida pelos seus precursores Elton Mayo e Kurt Lewin
(por volta de 1930), que enfatizava, como principal agente do sistema empresa, as pessoas e
não estruturas e tarefas, como determinavam Taylor e Fayol (Escola Clássica), não foi suficiente
para colocar o homem a serviço da organização chamada empresa. Chiavenato (1998,
p.25) aponta que “nessa escola, contudo, prevalecia ainda o pressuposto de que o homem
é um instrumento a ser usado pela organização, ao invés de se encarar a organização como
instrumento do homem: conceito de relações humanas tem sido utilizado mais como fachada
para a manipulação dissimulada dos indivíduos do que propriamente como uma filosofia
administrativa sadia e limpa”.
A partir das Escolas Clássica e de Relações Humanas, a Administração chegou ao patamar
de ciência. Sua teoria tornou-se imprescindível para as empresas como um todo, por mostrar
que, somente com pessoas, é possível fazer uma empresa prosperar, e, assim, pode-se afirmar
que “Administrar é fazer as coisas por meio das pessoas”, o que nos leva a entender que o
desempenho de qualquer organização empresarial está pautado no desempenho de seus
administradores, conforme aponta Stoner e Freeman (1985, p.5):
“Para uma organização ser bem-sucedida em alcançar seus objetivos, satisfazer suas
responsabilidades sociais, ou ambas as coisas, ela depende dos administradores. Se
os administradores fazem bem seu trabalho, a organização provavelmente atingirá
suas metas. E se as grandes organizações de uma nação realizam seus objetivos, a
nação como um todo irá prosperar. O sucesso econômico do Japão é uma evidên-
cia clara deste fato. A aplicação do trabalho dos administradores (do desempenho
gerencial) e do desempenho organizacional (o trabalho das organizações) é tema de
muitos debates, análises e confusão nos Estados Unidos e em outros países. Assim,
discutiremos muitos critérios e concepções diferentes para avaliar os administrado-
res e as organizações. Servindo de base a muitas dessas discussões estão dois con-
ceitos sugeridos por Peter Drucker, um dos mais respeitados autores que escrevem
sobre administração: eficiência e eficácia”.
Ele define eficiência como “fazer certo as coisas” e eficácia como “fazer a coisa
certa” (STONER e FREEMAN, 1985, p. 5).

Aprofundar-se na ciência administrativa irá contribuir muito para o entendimento


sobre a “Controladoria”. Sendo assim, recomenda-se a leitura de obras sobre o
assunto, dentre as quais a bibliografia apresentada ao final desta unidade.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

A Ciência Econômica
A Economia estuda como as pessoas e a sociedade empregam os recursos escassos,
considerando-se as necessidades humanas no presente e, principalmente, no futuro. Assim, a
decisão de quanto e como produzir para atender a essa sociedade fundamenta-se no estudo da
economia, relacionada à lei da oferta e procura.
Diversos economistas considerados clássicos, apesar de divergirem em alguns aspectos,
tinham como premissa básica a crença no livre funcionamento dos mercados (lei da oferta e
procura), fundamentados na propriedade privada dos meios de produção, ou seja, o Estado
não deveria interferir no mercado. Dentre esses economistas, destacam-se: Smith (1723-
1790) David Ricardo (1772-1823), Thomaz Robert Malthus (1766-1834) e John Stuart Mills
(1806-1873),

Características das principais estruturas de mercado

Estrutura Quantidade Tipo de Condições Influência Alguns


de empresas produto de entrada sobre o preço exemplos
ofertantes e saída

Concorrência Muitas Produto Fácil Nenhuma (são


perfeita homogêneo tomadoras de
preço)
Produto
Monopólio Uma única único sem Difícil Forte Serviços
substituto telefônicos
próximo
Concorrência Muitas Produto Fácil Leve Comércio
monopolística diferenciado varejista,
restaurantes
Homogêneo
Oligopólio Poucas ou Difícil Considerável Cimento,
diferenciado automóveis
Fonte: Passos; Nogami, 2005, p. 355

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Para melhor entendimento sobre o papel da economia na formação do capitalismo, recomenda-se a


leitura da obra clássica de Adam Smith, Riqueza das nações: Investigação sobre sua Natureza e suas
Causas- Volume I e II, tradução de Luiz João Baraúna. São Paulo: Nova Cultural, 1988.

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A Ciência da Psicologia

A psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano quer individualmente ou em


grupo. Há diversas correntes para este estudo, porém todas elas são preocupadas em entender
como as pessoas pensam, sentem e agem.
Na organização empresarial, a psicologia poderá ser empregada para diversos fins, desde a
seleção dos empregados para o exercício dos mais diversos cargos até a observação do dia a dia
da empresa, evidenciando traços de comportamentos que, certamente, influenciarão as atitudes
e, consequentemente, as decisões que serão tomadas. Porém deve-se se levar em conta o cargo
a ser ocupado na organização, como, por exemplo, o comportamento de um gestor será sempre
diferente do de um empregado a ser contratado para a área de produção ou limpeza.
Assim, a Psicologia, enquanto ciência do comportamento, irá colaborar com os gestores
em relação à busca do aumento contínuo da eficiência das pessoas numa organização
empresarial, tendo como base a liderança e a motivação, itens que contribuem para a
excelência na gestão empresarial.

Para conhecer mais sobre a aplicação da psicologia no ambiente empresarial,


recomenda-se a leitura da obra Psicologia para administradores: integrando teoria
e prática, de José Osmir Fiorelli, 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2004;

A Ciência Estatística

A partir de Ronald Fisher (1890-1962), a estatística passou a ser tratada como ciência. Ele
demonstrou, em seus trabalhos, que o papel da estatística não é somente reunir dados em planilhas
ou gráficos e que é possível ajudar a planejar a obtenção de dados e, em seguida, interpretá-los,
facilitando, assim, as mais diversas tomadas de decisão, inclusive no meio empresarial.
Conforme aponta Tavares (2007, p.7), didaticamente, podemos dividir a estatística em duas
partes: a estatística descritiva e a inferência estatística.
“A estatística descritiva preocupa-se com a forma pela qual podemos apresentar
um conjunto de dados em tabelas e gráficos, e também resumir as informações
contidas nestes dados mediante a utilização de medidas estatísticas.
Já a inferência estatística baseia-se na teoria das probabilidades para estabelecer
conclusões sobre todo um grupo (chamado população), quando se observou
apenas uma parte (amostra) representativa dessa população”.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

Numa sociedade globalizada e altamente competitiva, um gestor com conhecimentos


estatísticos torna-se um profissional diferenciado e que contribuirá muito para o processo
decisório da organização, uma vez que as decisões não serão tomadas somente com base em seus
conhecimentos profissionais e/ou experiência, mas serão pautadas em dados cientificamente
elaborados e interpretados.

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Para conhecer mais sobre a aplicação da estatística nas mais diversas decisões empresariais, reco-
menda-se a leitura da obra Estatística Aplicada com Excel: para cursos de Administração e Econo-
mia, de Ricardo Braule, Rio de Janeiro: Campus, 2001. O conhecimento do uso do aplicativo Excel,
muito utilizado pelos gestores, contribuirá como uma importante ferramenta para a aplicação da
estatística. Recomenta-se também a leitura da publicação do Professor Marcelo Tavares sobre a Esta-
tística Aplicada à Administração, disponível no seguinte endereço eletrônico: https://goo.gl/NLFtQC

A Ciência da Tecnologia da Informação

Segundo O´Brien (2007, p.8), a tecnologia de informação está cada vez mais importante no
mercado competitivo, uma vez que os gestores necessitam de informações rápidas, e os sistemas
de informação, por desempenharem papéis vitais na empresa, colaboram com esses gestores,
nos seguintes aspectos:
“Apoio às Operações Empresariais. De contabilidade até acompanhamento
de pedidos de clientes, os sistemas de informação fornecem suportes à
administração nas operações do dia a dia empresarial. À medida que reações
rápidas se tornam mais importantes, torna-se fundamental a capacidade dos
sistemas de informação de coletarem e integrarem as informações com as
funções empresariais.
Apoio à Tomada de Decisões Gerenciais. Assim como os sistemas de informação
podem combinar uma informação para ajudar a administrar melhor a empresa,
a mesma informação pode ajudar os gerentes a identificarem tendências e a
avaliarem o resultado de decisões anteriores. O sistema de informação ajuda os
gerentes a tomarem decisões melhores, mais rápidas e mais informadas.
Apoio à Vantagem Estratégica. Sistemas de Informação projetados em
torno dos objetivos estratégicos da companhia ajudam a criar vantagens
competitivas no mercado”.

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Principais papéis dos Sistemas de Informação e o apoio que
podem dar às empresas
O´Brien (2007), para explicar os papéis dos sistemas de informação no sistema empresa,
dividiu esses papéis em uma pirâmide com três níveis, de acordo com a importância ou
hierarquia que cada nível traz de influência. Essa pirâmide pode ser verificada a seguir:

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Para conhecer mais sobre o uso da tecnologia da informação também no ambiente empresarial,
recomenda-se a leitura da seguinte obra:

O´BRIEN, James A. Sistemas de informação. São Paulo: Saraiva, 2005.

Objetivos
A controladoria, conforme estamos estudando, pode ser aplicada em qualquer tipo de
empresa, pequena, média ou de grande porte, com ou sem fins lucrativo, voltada para iniciativa
privada ou pública. Porém, considerando que a maioria das empresas é constituída a partir da
iniciativa privada, em um sistema econômico capitalista e com a obtenção de um retorno sobre
o capital aplicado, vamos focar o estudo da controladoria tendo como foco empresas privadas
com fins lucrativos.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

Você Sabia ?
Apesar de os estudos da controladoria e da contabilidade terem uma preocupação predominante
com um ambiente capitalista, conforme vemos em Iudícibus et al., 2010, também foram usados
em ambientes socialistas para fins de controle, como na extinta União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas, e ainda continuam a ser usados em países como Coreia do Norte, Cuba e China.

O controller deverá desenvolver suas atividades com base na estratégia empresarial adotada
pela empresa. Mas o que é estratégia?
A estratégia, palavra de origem militar e que permeia a política, é, muitas vezes, definida
de forma errada ou exageradamente deturpada, conforme vemos em Saramelli (2010). Nem
tudo pode ser considerado “estratégico” em uma empresa; decisões de rotina, envolvendo
aspectos do dia a dia e das dificuldades de ocasião e conjunturais não são estratégias. Para
algo ser estratégico, precisa vir de um pensamento elevado sobre a forma como os executivos
de uma empresa pensam o presente e o futuro de uma empresa, seu relacionamento e
permanência no mercado.
Assim, as empresas costumam comunicar a sua estratégia para o mercado por meio de sua
missão, crenças e valores. Como exemplos de missões empresariais, segue, abaixo, um quadro
com as missões de duas conhecidas empresas do ramo automobilístico, a FIAT e a FORD:
Quadro: Missões empresariais relatadas pelas empresas automobilísticas FIAT e FORD (Uma
de origem e cultura europeia e a outra de origem e cultura norte-americana).

A missão da FIAT no mercado é:


Desenvolver, produzir e comercializar carros e serviços que as pessoas prefiram comprar e
tenham orgulho de possuir, garantindo a criação de valor e a sustentabilidade do negócio.

https://goo.gl/uijMS1

E a da FORD é:
Somos uma família global e diversificada, com um legado histórico do qual nos orgulhamos
e estamos verdadeiramente comprometidos em oferecer produtos e serviços excepcionais,
que melhorem a vida das pessoas.

https://goo.gl/GR9Yk7

Fontes: Visitas aos sites que as empresas mantêm no mercado, com consulta em dezembro
de 2017.

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Observe, nesse quadro, que, apesar de as duas empresas, tecnicamente, produzirem
o mesmo produto, ou seja, veículos, a visão das duas é um tanto diferente. Uma quer se
orgulhar de oferecer um produto de qualidade e a outra quer que seus clientes tenham
orgulho dos produtos que fabricam, no entanto ambas mostram forte comprometimento com
as necessidades, desejos e expectativas dos clientes. Certamente, ambas as empresas têm
fortes planos (e aqui entra a estratégia) de permanecer no mercado, apesar de saberem que
enfrentam uma acirrada concorrência.
Nesse sentido, o Controller (contador gerencial), independente do tipo de empresa em que
está atuando, deve estar sempre atento ao que se espera dele como profissional e às declarações
de objetivos, e pronto para ajudar a empresa a cumprir seus objetivos. Isso significa que o
controller deve observar o que os gestores da empresa estão fazendo.
No entanto, há casos em que nem mesmo os gestores conhecem a estratégia da empresa! É
o que vemos em Nilsson, Olven e Parment (2011 p.9):

“Estamos ligeiramente preocupados que uma série de controllers que conhece-


mos, inclusive em organizações mais bem sucedidas, descreve finanças e con-
trole como um mundo próprio, e não parece ter muito contato com questões de
estratégia. Em muitos casos eles nem mesmo entendem o que deviam entender.
Estratégia? Terei de examinar e ver o que o Conselho diz sobre isso. Não se trata
de algo que verifico todos os dias. (Firma de engenharia)
Para ser honesto, não discutimos estratégias por vários anos... mas, certamente,
o CEO lhe informará diferentemente (Departamento contábil e financeiro)
Os membros da Diretoria sabem mais sobre nossa situação competitiva.
(Firma de engenharia)”.

Evidentemente, temas ligados à estratégia e missão empresarial não são fáceis de serem
discutidos porque, não raramente, geram reflexões difíceis de serem realizadas. Mas,
certamente, toda e qualquer empresa tem uma estratégia, nem que seja baseada nas ideias,
atos e procedimentos de seus donos, sócios e fundadores. É necessário, então, que o Controller
“traduza” esses aspectos para o sistema contábil e gerencial da empresa.
Então, para “traduzir” essas complexidades, o Controller precisa estar bem preparado. Em
Nilsson, Olven e Parment (2011 p.29), vemos a descrição de Tillman e Goddard (2008) sobre
os controllers de uma grande multinacional alemã que estavam tentando criar um sistema de
controle gerencial estratégico:

“Um contador administrativo precisa não apenas saber tudo sobre contabilidade
financeira e gerencial, mas também ter conhecimento interdisciplinar a fim de ser
capaz de entender os contextos externo e interno. Assim, esses profissionais deveriam
ser capazes de pensar e comunicar de forma interdisciplinar e, também, necessitavam
ser capazes de entender as complexas ligações e inter-relações existentes na própria
empresa. Consequentemente, havia uma necessidade de um maior processo de
aprendizado e socialização que envolvia a exposição desses novos profissionais a
uma série de situações e, portanto, possibilitando que os mesmos aperfeiçoassem
suas técnicas bem como suas habilidades intangíveis. Esse era, portanto, um
processo de “transformação” num contador administrativo estratégico”.

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

A esta altura, você deve ter percebido que o trabalho de um contador gerencial (controller)
não é dos mais simples, necessita, como disseram os pesquisadores, além de um excelente
conhecimento de contabilidade e finanças propriamente dito, de um conhecimento e
relacionamento interdisciplinar altamente desenvolvido. Portanto, o controller é um elo dos
mais importantes no universo empresa, e, em algumas situações, é imprescindível, porque,
sem ele, a empresa simplesmente não consegue desenvolver suas atividades. Isso lhe traz
alguma motivação? Espero que sim! A seguir vamos continuar a estudar os importantes
aspectos da controladoria.

Aplicação

Conforme aponta Padovese (2003, p.57), o foco da controladoria é a criação de valor para
as empresas a partir de informações geradas pela contabilidade e originadas das mais diversas
operações realizadas pela empresa em determinado período. Mas, considerando-se que as
empresas surgem a partir dos recursos financeiros de seus proprietários, a controladoria, na
verdade, está focada na criação de valor para os proprietários dessas empresas.
Antes de estudarmos as diversas ferramentas que levam ao conhecimento e/ou à criação
de valor para empresas, apresentaremos um breve histórico sobre o surgimento das empresas,
considerando o momento histórico da sociedade mundial.

Um breve histórico sobre o surgimento das empresas


O assunto empresa, de imediato, remete-nos ao trabalho organizado, sistematizado e
controlado por alguém. Porém, o trabalho organizado sempre existiu, conforme aponta
Chiavenato (1998). Foi a partir das descobertas científicas (era do Iluminismo) que as empresas
tomaram um impulso, saindo da organização artesanal para a industrial, na qual o trabalho é
elaborado a partir de sistemas e controles, possibilitando as produções em grande escala. O
autor divide a história das empresas em seis fases:

• 1ª) Fase artesanal: da Antiguidade até aproximadamente 1780, quando ocorreu a


descoberta da máquina a vapor por James Watt (1736-1819), iniciando-se, assim, a 1ª
Revolução Industrial (Inglaterra). Na fase artesanal, a produção ocorria em pequenas
quantidades, em oficinas com ferramentas rudimentares e trabalho baseado no sistema
escravo, predominando tanto o sistema feudal quanto o comercial – o escambo (trocas de
mercadorias, inclusive na agricultura).

• 2ª) Fase da transição do artesanato à industrialização: esta fase iniciou-se com


a 1ª Revolução Industrial (1780-1860), a chamada era da mecanização. As ferramentas
artesanais foram substituídas por máquinas não só aplicadas nas empresas, mas
também na agricultura. O carvão tornou-se a maior fonte de energia, por servir de base
para as máquinas a vapor. A rigor, foi o trabalho braçal que cedeu lugar à máquina.

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E o ferro passou ser o material mais utilizado na indústria, principalmente na confecção de
trilhos, contribuindo para o desenvolvimento do transporte ferroviário e, consequentemente,
para a formação de novas vilas e cidades. Era o trem a vapor (1807) abrindo estradas
e fábricas ao mesmo tempo. Com tais descobertas, o tear manual foi substituído pelo
hidráulico. As descobertas não pararam: surgiu, por exemplo, a máquina de descaroçar o
algodão, provocando também uma maior produtividade no campo agrícola. A comunicação
fez-se necessária e, assim, o telégrafo elétrico (1835) e o selo postal (1840) foram também
fruto da 1ª Revolução Industrial, marco da história da humanidade.

3ª) Fase do desenvolvimento industrial: entrou em cena 2ª Revolução Industrial (1860-


1914). Os maiores representantes do avanço tecnológico dessa época foram o aço e a
eletricidade. Assim, as máquinas que eram movidas a vapor passaram a funcionar com
motores elétricos (1873). A produtividade cresceu nas empresas, ou seja, uma maior
quantidade de unidades era produzida num menor tempo. Era a ciência a favor do
homem. O surgimento do automóvel (1880) e do avião (1906) estreitaram as fronteiras
entre os países, e o telégrafo sem fio e o cinema também fizeram parte desse avanço
tecnológico comandado pelo homem. Com a ampliação dos mercados e o acúmulo de
riquezas advindas do capitalismo industrial, surgiu o capitalismo financeiro, ou seja, uma
nova modalidade de empresa – as instituições financeiras – que, além de servirem de
“guardiãs” do excesso de capital provocado pelas empresas industriais, passaram a fornecer
créditos (empréstimos) para que outras empresas se constituíssem e/ou expandissem suas
operações. Foi a partir da 2ª Revolução Industrial que o processo de burocratização se fez
presente nas empresas. O sistema capitalista estava sedimentado, porém, sem um poder
de controle instaurado, a sobrevivência do próprio sistema estaria comprometida.

4ª) Fase do gigantismo industrial: nada freava o progresso tecnológico. Era o acúmulo da
riqueza que prevalecia, era o sistema capitalista que ditava as normas para essa sociedade
que surgiu e se transformou a partir dele. Contudo, existia um agente – o homem, que,
até, então era o principal membro dessa nova era, a era científica, a era da razão – que
começava a receber de forma direta (uma vez que indiretamente já estava sendo concebido
como se fosse máquina, ou seja, produzindo cada vez mais num menor espaço de tempo,
provocando o acúmulo do capital a qualquer preço) os efeitos nocivos produzidos por ele
mesmo. Foi o período que marcou as duas Grandes Guerras Mundiais, sustentadas pelo
avanço tecnológico bélico. A destruição provocada pela 1ª guerra culminou na primeira
grande depressão econômica ocorrida em 1929 nos Estados Unidos. Se nada freava o
progresso, as empresas retomaram seu crescimento, dessa vez no âmbito internacional,
intensificando suas operações a partir do aprimoramento tecnológico dos transportes e
novas descobertas na comunicação – rádio e televisão. Era o mundo tornando-se menor
e complexo. Ao mesmo tempo, ocorria a internacionalização da economia: culturas eram
invadidas, deixando o homem a cada dia refém de si mesmo.

• 5ª) Fase moderna: foi a fase do pós-guerra, de 1945 a 1980, que dividiu o mundo em três blocos:
países desenvolvidos (ou industrializados), países em desenvolvimento e os subdesenvolvidos,
ou países não industrializados. A tecnologia continuou ditando as ordens para uma sociedade
que tinha, nas empresas, a base para todo o desenvolvimento da humanidade. Era o capital
que comandava, uma vez que as pesquisas passaram a ser encomendadas pelas empresas

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

(incluindo as agrícolas) com fins específicos, ou seja, era a ciência que determinava a direção
que a sociedade devia tomar. Tecnologias foram substituídas, as elétricas pelas eletrônicas,
circuitos integrados ocuparam o lugar de peças com menor potência; não havia como frear o
progresso. Porém, crescia a dependência por produtos industrializados vindos, principalmente,
do petróleo (combustíveis, plásticos, dentre outros) e dois choques foram marcados (1973
e 1979) pela sua recessão, desencadeando uma crise mundial (os países estavam, cada dia
mais, dependentes uns dos outros devido à internacionalização da economia por meio do
aumento das exportações e/ou importações dos mais variados produtos e/ou serviços). A
comunicação precisava ser mais rápida e assim surgiram os computadores de grande porte
e, num curto espaço de tempo, os computadores chamados de domésticos. Porém, todo esse
avanço tecnológico levou o mundo a uma incerteza, gerada pelas mudanças tecnológicas
provocadas pelo próprio homem.

• 6ª) Fase da incerteza: após 1980 e até os dias de hoje, por conta dos desafios que
as empresas enfrentam, como concorrência, dificuldades de diversos gêneros (vender e
não receber, ter o produto copiado por outra empresa, não conhecer a real necessidade
do consumidor devido ao grande número de produtos similares oferecidos, etc.). As
empresas, tomando como base o próprio avanço tecnológico, sabem que o mundo mudou.
A comunicação é em tempo real, logo a maneira de administrar uma empresa também
mudou. Estamos, portanto, conforme aponta Chiavenato (1998), na 3ª Revolução
Industrial – a Revolução da Informação por meio dos computadores. Agora é o cérebro
humano que é substituído pela máquina eletrônica; até então eram apenas os músculos.

As seis fases da história das empresas

Antiguidade até a
1ª Fase artesanal Até 1780
pré-Revolução
Fase de transição para a
2ª 1ª Revolução Industrial 1780 a 1860
Industrialização
Após a 2ª Revolução
3ª Fase do desenvolvimento Industrial 1860 a 1914
Industrial
Entre as duas Grandes
4ª Fase do gigantismo Industrial 1914 a 1945
Guerras Mundiais
5ª Fase moderna Pós-guerra até a atualidade 1945 a 1980
Momento atual –
6ª Fase da incerteza Após 1980
3ª Revolução Industrial

Fonte: Chiavenato, adaptado (1998, pg.8).

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Material Complementar

Sugiro, como um material que irá ajudá-lo(a) no aprofundamento de seus estudos, o seguinte:
Acompanhar e analisar uma teleconferência de resultados de uma empresa sociedade
anônima de sua preferência. Prefira os relatórios anuais de empresas com múltiplos negócios
(divisões de negócios).

Verifique:
a) no Relatório da Administração, como o Presidente situa a empresa no mercado, suas
metas e seus objetivos;
b) nas Notas explicativas (você não precisa ler todas, escolha uma), como o contador /
controller elabora os dados e que políticas adota;
c) em notícias sobre a empresa na imprensa em geral, se o assunto que o jornalista expõe
também é tratado pela empresa.

Para acessar esse conteúdo, busque, no site da empresa na Internet, na área de RI


(Relações com Investidores), as apresentações e/ou teleconferências e prepare um relatório
com anotações pessoais.
Se houver possibilidade, tente acompanhar uma apresentação ao vivo (on-line) ou até mesmo
comparecer presencialmente a uma dessas apresentações.

Explore

Para complementar os seus estudos, faça uma busca na internet para conhecer alguns exemplos de
Relatórios anuais que tenham de empresas com múltiplos negócios. (divisão de negócios)

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Unidade: Conceitos, Objetivos e Aplicação

Referências

Bibliografia
CHIAVENATO, Adalberto. Instrução à Administração –Teoria e Prática. São Paulo:
Makron Books, 1998.
KAPLAN, Robert S. e NORTON, David P. A Estratégia em Ação. 15ª ed. Rio de Janeiro:
Campus, 1997.
MICHAELIS: Dicionário escolar da língua portuguesa. 3ª ed. São Paulo, Melhoramentos,
2012.
NILSSON, Fredrik; OLVE, Nils-Göran e PARMENT, Anders. Controladoria para fins de
Competitividade. Formulação e Implementação de Estratégias através do controle
gerencial. Rio de Janeiro; Qualitymark, 2011. Traduzido por Celso Roberto Paschoal.
PADOVESE, Clóvis Luis. Controladoria Estratégica e Operacional. São Paulo, Pioneira
Thomson Learning, 2003.
PASSOS, Carlos Roberto M.; NOGAMI, Otto. Princípios de econômia. São Paulo:
Pioneira, 2005.
SARAMELLI, Alexandre. Uma análise dos efeitos do módulo de controladoria
do sistema SAP sobre os profissionais da área contábil: o método de custeio e
contabilidade gerencial GPK. 154 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Presbiteriana
Mackenzie, São Paulo, 2010.
STONER, J. A. F.; FREEMAN, R. E. Administração. 5. ed. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do
Brasil, 1985.

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www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo SP Brasil
Tel: (55 11) 3385-3000

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