Você está na página 1de 24

APRENDENDO A NOS CONTENTAR

COM O QUE TEMOS


Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!

“Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa


lembrança de mim; 
pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade. 
Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-
me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter
abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou
instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter
abundância como a padecer necessidade”. (Fp 4.10-12)

O  Apóstolo Paulo sofreu fome, perseguição, prisões, açoites,


rejeições, expulsões. E é da sua prisão em Roma que ele escreve a
carta aos Filipenses, onde declara: “Já aprendi a contentar-me com
o que tenho” .

Nós vivemos em um mundo de descontentes. As pessoas nunca se


satisfazem com o que têm e com o que são. As brancas ficam
horas no sol para se tornar morenas, gastam muito dinheiro com
bronzeadores e já existem até meios artificiais para mudar a cor
das pessoas. Já as morenas querem ficar brancas, enquanto as
baixas querem ficar altas, usando sapatos com o salto de 15 cm,
como no caso do Japão. E há pessoas altas que querem ser
baixas. Enquanto isso, magros querem ganhar peso e pessoas não
necessariamente obesas vivem uma febre de regimes, passando
fome para se tornarem muito magros.

I. As circunstâncias em que Paulo escreveu esta epístola.

Quando examinamos o contexto desta afirmação feita por Paulo,


percebemos que ele estava em tribulação, ou seja, com
necessidades materiais. Os irmãos intervieram com uma ajuda,
uma oferta amorosa para o seu sustento, e ele lhes disse que ela
veio ao encontro de suas necessidades do momento, ou, como ele
mesmo denomina, da sua pobreza. Contudo, o apóstolo não
reclama da sua privação, mas diz que ele aprendeu a viver
contente em toda e qualquer situação.

Temos nas palavras de Filipenses 4:10-12 uma dessas passagens


das Escrituras que sempre me fazem sentir que a única coisa
correta e apropriada a fazer, depois de sua leitura, é pronunciar a
bênção! Quase que estremecemos ao nos aproximarmos de tão
nobres palavras, que trazem à nossa mente um dos pontos altos da
experiência cristã do grande apóstolo dos gentios. Todavia, é nosso
dever, ainda que nos aproximemos desta passagem com temor e
tremor, tentar analisar e expor o que ela diz. No nono versículo
deste capítulo o apóstolo chegou ao fim das exortações que estava
ansioso por endereçar aos membros da igreja de Filipos. Ele termi-
nou de expor a doutrina, mas não pode ainda terminar a carta;
precisa fazer mais uma coisa, ou seja, expressar a sua profunda
gratidão aos membros da igreja de Filipos pela oferta pessoal que
haviam enviado a ele quando estava aprisionado em Roma, através
do seu amigo e irmão Epafrodito.
De certa forma, essa é a razão porque Paulo estava lhes escre-
vendo. A igreja filipense tinha lhe enviado uma oferta. Não sabemos
exatamente do que se tratava, se foi em dinheiro ou bens, mas eles
tinham lhe enviado uma oferta por seu emissário Epafrodito. Agora
Epafrodito ia voltar para lá, e Paulo envia a carta com ele; e tendo
terminado a exposição da doutrina, quer agradecer a expressão do
amor e cuidado deles para com ele em seu sofrimento e prisão. E é
isso que ele passa a fazer nestes dez versículos seguintes, do
versículo dez ao versículo vinte. Sinto que não há nada mais
interessante nesta epístola, do que observar em detalhes a maneira
como o apóstolo agia e como ele apresenta seus agradecimentos
aos membros da igreja em Filipos é cheia de instrução e interesse.
É óbvio que a questão de apresentar seus agradecimentos aos
filipenses por sua oferta e seu carinho apresentava um problema
para o apóstolo. Seria de se pensar que certamente não podia
haver qualquer problema em agradecer a um grupo de pessoas que
foi amável e generoso; no entanto, era obviamente um problema
para Paulo. Ele leva dez versículos pala fazer isso. Podemos vê-lo
muitas vezes tratando de uma poderosa doutrina em um versículo
ou dois, mas quando se trata de simplesmente agradecer aos
membros da igreja de Filipos por sua bondade e generosidade, ele
precisa de dez versículos. Observamos também que ele se repete.
“Não digo isto como por necessidade”. E mais adiante: “Não que
procure dádivas”. Ele tem um argumento aqui, mas parece lutar
para encontrar as palavras certas.
O problema de Paulo provavelmente era este. Ele estava ansioso
por agradecer à igreja de Filipos por sua generosidade. Mas ao
mesmo tempo ele estava igualmente ansioso, ou talvez até mais
ansioso, por lhes mostrar que não estivera esperando com
impaciência, ou aguardando esta expressão da sua generosidade,
e ainda mais, que ele de forma alguma estava dependendo da sua
bondade e generosidade. Dessa maneira, ele estava enfrentando
um problema. Precisa fazer estas duas coisas ao mesmo tempo:
precisa expressar sua gratidão aos membros da igreja em Filipos,
mas tem que fazer isso de um modo que não deprecie nem diminua
a realidade da sua experiência de um-homem cristão dependente
de Deus. Por isso ele usa dez versículos para fazer isso. Era o
problema de um cavalheiro cristão, sensível aos sentimentos dos
outros, tentando conciliar estas duas coisas. E que grande
cavalheiro era este apóstolo — como se preocupava com os
sentimentos dos outros! Como cavalheiro ele está ansioso por
expressar sua profunda gratidão e fazê-los saber que a bondade
deles realmente o comoveu; no entanto, ele está preocupado em
deixar bem claro que não havia passado o tempo imaginando por
que não tinham pensado em suas necessidades, sofrendo devido
não terem lhe enviado nada enquanto estava ali na prisão,
pensando por que as igrejas não tinham enviado recursos para
aliviar seu sofrimento. Ele queria deixar perfeitamente claro que
esta não havia sido a sua condição, e o que temos nestes dez
versículos é o método do apóstolo resolver esse problema
particular.
Ora, o fato que precisamos captar a respeito da verdade cristã, é
que ela governa toda a nossa vida. O evangelho cristão domina
toda a vida do cristão. Controla seu pensamento, como vemos no
oitavo versículo; controla suas ações, como está no nono versículo.
E agora, nestes dez versículos, vemos como um cristão, mesmo
numa questão como esta, de agradecer uma gentileza, faz isso de
uma forma e maneira que é diferente de uma pessoa que não é
cristã. O cristão não pode fazer coisa alguma, mesmo numa
questão como esta, exceto de uma forma verdadeiramente cristã.
Então aqui, o apóstolo mostra ao mesmo tempo sua gratidão aos
seus amigos, e sua gratidão ainda maior ao Senhor. Paulo tinha
zelo pela reputação do Senhor, e temia que, ao agradecer aos
filipenses por sua oferta, ele de alguma forma desse a impressão
de que o Senhor não era suficiente. Isso era prioritário. Ele amava
os filipenses, e estava profundamente grato a eles. Mas amava o
seu Senhor ainda mais, e temia que, ao lhes agradecer, podia de
alguma forma dar-lhes uma sugestão que fosse de que o Senhor
não era suficiente para ele, ou que estava dependendo dos
filipenses, em última análise.
Nesta poderosa passagem, o apóstolo passa a mostrar com estas
afirmações espantosas e notáveis, a primazia e toda-suficiência do
Senhor, enquanto que ao mesmo tempo expressa sua gratidão e
seu amor aos filipenses por sua manifestação de cuidado e
solicitude pessoal a seu respeito. A essência da questão é
encontrada nos versículos onze e doze. Aqui temos a doutrina:
“Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a
contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter
abundância: Em toda a maneira, e em todas as coisas estou
instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter
abundância como a padecer necessidade”.
Precisamos examinar esta grande doutrina que Paulo apresenta
desta forma. Temos dois grandes princípios aqui. O primeiro, é
claro, é a condição à qual o apóstolo chegou. O segundo é a
maneira como ele chegou a essa condição. Estes princípios
constituem o tema desta grande declaração.

Vamos primeiro examinar a condição que o apóstolo alcançou. Ele


a descreve com a palavra traduzida aqui como “contente” —
“porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”. Mas
é importante que captemos o sentido exato e preciso desta palavra.
A palavra “contente” não oferece uma explicação completa; na
verdade, significa que ele é “auto-suficiente”, independente das
circunstâncias, acontecimentos ou condições — “ter suficiência em
si mesmo”. Esse é o sentido real da palavra traduzida como “con-
tente”. “Já aprendi a viver contente em toda e qualquer situação;
sou auto-suficiente, independente das circunstâncias, independente
dos acontecimentos ou condições que me cercam”. A afirmação
feita pelo apóstolo é que ele chegou a um ponto em que pode dizer,
com toda sinceridade, que ele não depende de sua posição, das
circunstâncias, do ambiente ou de qualquer coisa que possa lhe
acontecer. E que isso não era simples declaração retórica por parte
do apóstolo torna-se evidente através dos registros que temos da
vida deste homem em inúmeras partes do Novo Testamento.
Temos um exemplo interessante disso no capítulo 16 do livro de
Atos dos Apóstolos, descrevendo a ocasião da primeira visita de
Paulo a Filipos, onde viviam os destinatários desta carta. Paulo e
Silas tinham sido presos, açoitados e jogados na prisão com seus
pés presos ao tronco. As condições físicas dificilmente poderiam ter
sido piores; no entanto tiveram tão pouco efeito sobre Paulo e Silas
que “perto da meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a
Deus” (Atos 16:25). Independente das circunstâncias, contente em
qualquer situação, auto-satisfeito, sem depender do que o cercava.
Também encontramos a mesma atitude na famosa passagem da
Segunda Epístola aos Coríntios, capítulo doze, onde Paulo nos
conta como aprendeu a ser independente do “espinho na carne” —
auto-suficiente, apesar dele.  Lembrem-se também como ele
exortou Timóteo a se apropriar deste princípio, dizendo: “Mas é
grande ganho a piedade com contentamento” (I Tm 6:6). “Não há
nada igual; se você tem isso, você tem tudo”, ele diz, com efeito.
Paulo já era velho nessa época, e escreve ao jovem Timóteo
dizendo: “A primeira coisa que você precisa aprender é a viver
independente das circunstâncias e condições — grande ganho é a
piedade com contentamento”. Estas são apenas algumas de muitas
ilustrações semelhantes que poderíamos mencionar.
Todavia, o ensino do Novo Testamento não só afirma que isso era
real na vida de Paulo, mas também deixa claro que é uma posição
que todos deveríamos alcançar como cristãos. Lembrem-se como.
o Senhor enfatizou este ponto no capítulo seis do Evangelho de
Mateus: “Não vos inquieteis pois pelo dia de amanhã” — não
fiquem ansiosos e preocupados com alimento e vestuário e coisas
desse tipo. Essa é a gloriosa independência do que possa nos
acontecer, e que todos deveríamos conhecer e experimentar em
nossa vida. É auto-suficiência no bom sentido.

II. Aprendendo a vencer as crises.

1. A crise da falta de firmeza espiritual (Fp 4.1). No capitulo 4 da


Epístola aos Filipenses, o apóstolo Paulo exorta a igreja de Filipos
acerca de algumas distorções que estavam produzindo dissensões
entre os irmãos. Eram problemas de ordem social e também
doutrinária. Paulo exorta aos crentes para que permaneçam firmes
no Senhor.

2. A crise da desarmonia (Fp 4.2,3).  Em Filipos, havia duas irmãs


que muito fizeram pela igreja, mas que, naqueles dias, estavam em
desarmonia. Tudo indica que elas tinham uma grande importância
na Igreja. É provável que elas tenham tido uma desavença e não
conseguiam ter um mesmo parecer. Sem dúvida, permitiram que a
força da carne predominasse dividindo a igreja. Paulo roga às duas
mulheres que mudassem de atitude, pois estavam promovendo
divisão e quebrando a autoridade apostólica. Assim, Paulo pedia
que elas tivessem o mesmo sentimento no Senhor.

3. Vencendo as crises. Paulo declara que já aprendera, com o


Senhor,  a contentar-se em quaisquer circunstâncias: na
abundância, na fome e na fartura. Tendo tudo ou não tendo nada,
ele sabia superar as dificuldades porque Cristo o fortalecia. Aos
coríntios, declarou a respeito do seu aprendizado na obra do
ministério: “Até esta presente hora, sofremos fome e sede, e
estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa,  
e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos
injuriados e bendizemos; somos perseguidos e sofremos;  somos
blasfemados e rogamos; até ao presente, temos chegado a ser
como o lixo deste mundo e como a escória de todos” (1 Co 4.11-
13). Na verdade, tudo o que Paulo desejava era mostrar a sua
alegria em toda e qualquer circunstância. Sua alegria e
contentamento resultavam da comunhão do apóstolo com o
Senhor.

 III. A fidelidade de Paulo em meio às crises.

1. Destemor e ousadia. Na Epístola aos Efésios, Paulo se


apresenta como “embaixador em cadeias” (Ef 6.20). Ele tinha
consciência de sua missão, especialmente, no mundo gentio; sabia
que o Evangelho de Cristo não poderia ficar restrito aos judeus. Por
isso, o seu afã missionário o levou a Ásia Menor, Macedônia e
Europa. Pregou a Palavra de Deus com zelo, fidelidade e não se
deixou abater pelas dificuldades. Embora tenha se tornado um
prisioneiro por amor a Cristo, seu espírito era livre. Mesmo preso,
não deixou de se preocupar com as igrejas, particularmente com
Eféso e Filipos. Os verdadeiros crentes em Cristo não se intimidam
diante das perseguições, tribulações e crises.

2. Alegria em meio às crises. Paulo demonstrou alegria pelo bom


testemunho e fidelidade dos filipenses. Os crentes de Filipos não
temiam defender e confirmar aqueles que haviam recebido Cristo
por Senhor e Salvador. Mesmo estando prisioneiro, não se deixou
abater, antes se regozijava porque os filipenses participavam da
sua vida de modo especial, sofrendo com ele. Atualmente muitos
não admitem mais que os crentes sofram. Contudo, o Senhor Jesus
nos alertou que, no mundo teríamos aflições. Podemos ver também
que embora Paulo fosse um crente fiel, enfrentou açoites, naufrágio
e apedrejamento. As crises que ele enfrentou não roubaram a sua
alegria e não fizeram dele um homem amargurado. Não permita
que as crises enfraqueçam a sua fé e roubem a sua alegria.

3. Servindo a Deus em meio às crises. Paulo estava preso em


Roma, mas as cadeias não o impediram de proclamar o Evangelho
e de cuidar das igrejas. O evangelho que Paulo pregava era mais
poderoso do que as cadeias e grilhões. As crises não iriam impedi-
lo de servir ao Senhor, pois o testemunho das suas prisões
produziram ânimo, coragem e ousadia nos crentes. Paulo rejeitou a
autopiedade. Não queria que ninguém sentisse pena dele e
perdesse o ardor pela obra de Deus. Seu alvo era glorificar a Jesus
Cristo mediante o seu trabalho.

IV. Aprendendo a controlar as finanças.

Um dos perigos de viver em uma sociedade materialista como a


nossa, é que você se sente obrigado a ter coisas, mesmo quando
você não pode comprá-las. E para superar essa ansiedade, é
preciso ter muita disciplina. Deus não abençoa as pessoas
imprudentes, por isso você deve evitar ao máximo entrar em
dívidas. Mas, se você já estiver devendo, ore a Deus para te tirar
dessa situação. Ele pode fazer isso, mas você precisa aprender
com os seus erros e não continuar repetindo-os! Certa vez um
consultor financeiro famoso disse: "A melhor maneira de ter uma
vida financeira saudável é gastar menos, economizar mais e nunca
se iludir com as promoções". Na entrevista ele falava sobre as altas
taxas que os bancos cobram nos cartões de crédito e do quanto é
bom ficarmos sempre no "azul".

Você pode dizer: "Mas eu estou acostumado com um padrão de


vida alto". Saiba que o "ter" não é tudo. Se você quer ter paz de
espírito, aprenda a se contentar com poucas coisas. O
contentamento significa que você não pode ter ambição? Não!
Significa desfrutar daquilo que você tem condições de ter hoje.
Significa aprender a viver dessa maneira: "Sei o que é passar
necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver
contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja
com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso
naquele que me fortalece" (Fp 4:12,13).
Veja esta ilustração: Uma mulher viu a sua vizinha reformar a sua
casa, exigiu do seu marido reformar também a dela e, quando
terminada a reforma, disse que não ficava bem casa nova com
moveis velhos. Logo, “vamos trocá-los!”. Ato seguinte, ela disse:
“Casa nova, móveis novos, mas com carro velho. Vamos trocá-lo
também”. E o pobre do marido fazendo o maior sacrifício para
atender ao gosto da esposa. Quando chegou o carro novo, ela
disse para si mesma: “Agora, tenho casa nova, móveis novos, carro
novo, mas um marido velho. Eu tenho que trocá-lo também!”.

V. Paulo passou pelo processo do aprendizado.

Observe isto: ele aprendeu o contentamento, o que significa que,


no início da sua carreira cristã, ele não o possuía. E onde foi que
ele aprendeu a praticar esta virtude? Em meio à abundância ou à
falta? É claro que foi durante a necessidade, pois são em
circunstâncias como essas que Deus trata conosco. Quando
chegou a provisão enviada pelos filipenses, Paulo teve a vitória
sobre a privação e a necessidade. Ele venceu (as circunstâncias) e
aprendeu o contentamento (com o que passou).
Ele aprendeu que a sua alegria em Deus independe do que
acontece do lado de fora (nas circunstâncias) e que ela deve estar
presente em toda e qualquer situação. Ele aprendeu também que
não são as circunstâncias que devem reger os nossos sentimentos,
mas sim a confiança no Deus da nossa vitória. Ele foi tratado pelo
Senhor a ponto de se desapegar completamente das coisas
materiais e viver contente pelo fato de que Deus é maior do que os
nossos problemas e intervém neles. Paulo diz ainda que ele tinha
experiência em todas as coisas, tanto na fartura e abundância,
como na falta e escassez, mas que não importava qual o tipo de
situação ele teria que enfrentar, pois ele podia todas as coisas
n’Aquele que o fortalecia: Deus!
Vemos claramente que o “poder todas as coisas” não significa “não
precisar passar por tribulações”, nem tampouco vencê-las tão
imediatamente elas cheguem, mas suportá-las paciente e
confiantemente, sabendo que a vitória do Senhor é certa e que ela
chegará a tempo.
A única forma de não nos deixarmos envolver pela ganância é
permitirmos que a Palavra de Deus prevaleça em nossos corações.
O que as Escrituras Sagradas mais ensinam no que tange as
coisas materiais é que devemos viver com contentamento. O nosso
coração não deve ser aprisionado pela ganância, mas sustentado
pelo contentamento!
“Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o
que vocês têm, porque Deus mesmo disse: Nunca o deixarei,
nunca o abandonarei.”  (Hb 13.5 )
O contentamento é o oposto do “amor ao dinheiro” (que outras
versões traduziram como “avareza”), o qual, por sua vez, é
insaciável. O contentamento não é apenas um conselho, e sim o
padrão que Deus ordena aos Seus filhos.
“Não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes”. 
(Rm 12.16 )
Entre os poucos registros que temos nos Evangelhos sobre o teor
da pregação de arrependimento de João Batista, vemos que ele
aborda o assunto do contentamento:
“E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós, que
faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal, nem defraudeis e
contentai-vos com o vosso soldo.”  (Lc 3.14 )
Contentar-se com o seu salário era a base do caráter que aqueles
soldados romanos necessitavam para não errarem em outras
áreas. Muitos dos nossos desvios de conduta originam-se na falta
de contentamento. Precisamos permitir que Deus reformule os
nossos valores. Temos que ter limites em nossos anseios. Quando
queremos muito alcançar o que não podemos é porque já entramos
no território da ganância.
O contentamento não inunda o nosso coração só porque fizemos
uma oração nesse sentido. Ele vem de acordo com um processo de
mudança de valores. Este processo é desencadeado quando
começamos a dar ouvidos ao que as Sagradas Escrituras dizem
sobre o assunto. A única forma pela qual a ganância é tratada é
mediante a renovação da nossa mente pela Palavra de Deus. É
necessário meditarmos nos trechos bíblicos que tratam do assunto,
decorá-los, proferi-los sempre. É preciso orar sobre eles, pois o
contentamento é algo que aprendemos, ouvindo a Palavra de Deus
e remodelando valores.
O contentamento não está ligado à falta de condições para uma
vida digna; não é uma carência contínua, e sim sabermos esperar
até que as circunstâncias mudem. O contentamento não significa
uma falta de sonhos ou um comodismo, e sim paciência para
darmos um passo de cada vez, sempre do tamanho das nossas
pernas; significa não ambicionarmos coisas altivas, mas
acomodarmo-nos às humildes.
Paulo disse que ele sabia como passar por escassez e também
como ter em abundância. Tanto numa circunstância como na outra,
precisamos aprender a nos contentarmos. Na falta, ele se
contentava. Na abundância, ele também se contentava. O apóstolo
dá a entender nestes versículos que ele não era um esbanjador na
hora em que ele tinha de sobra, nem um murmurador na hora em
que as coisas estavam faltando. Precisamos aprender estes
princípios para também aprendermos como lidar com cada
circunstância.
Ao dizer que ele podia todas as coisas n’Aquele que o fortalecia,
Paulo mostra que ele havia aprendido de Deus o contentamento, e
que, na hora do aperto, era o Senhor que o fortalecia, de modo que
ele pudesse suportar o que ele estava passando. Na vida deste
homem de Deus, a Palavra do Senhor falava mais alto do que a
ganância e a abafava completamente. É este exemplo que nós
devemos seguir!
A dificuldade que temos de não nos contentarmos não é
proveniente do fato de ser impossível vivermos com menos, mas
sim porque não queremos viver com menos, especialmente quando
vemos outros vivendo com mais. Juntamente com a ganância,
sempre encontraremos, caminhando de mãos dadas com ela, a
inveja!
Queremos tanto os produtos de última geração pelo mero fato de
que todo mundo os está comprando, e não queremos ficar para
trás. Há em nossa carne um senso de competitividade e disputa, e
estamos sempre procurando estar por cima. A Bíblia fala que o que
nos move de maneira gananciosa, em busca da maioria dos nossos
alvos, é a inveja:
“Também vi eu que todo trabalho e toda destreza em obras provém
da inveja que o homem tem de seu próximo. Também isso é
vaidade e desejo vão.”  (Ec 4.4)
O contentamento provém do quebrantamento interior. É necessário
despir-se da ganância e avareza e caminhar em desprendimento.
Podemos relacionar o contentamento ao domínio próprio, que é
fruto do Espírito. Por outro lado, a inveja é uma obra da carne.

 A consistência da vida

Numa certa ocasião, Jesus foi abordado por alguém que Lhe pediu
ajuda quanto aos seus bens. Embora a resposta de Jesus possa
parecer grosseira, ela revela o aborrecimento que Lhe causamos
com a nossa ganância:
“Disse-lhe alguém dentre a multidão: Mestre, dize a meu irmão que
reparta comigo a herança. Mas ele respondeu: Homem, quem me
constituiu a mim por juiz ou repartidor entre vós? E disse ao povo:
Acautelai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem
não consiste na abundância de bens que ele possui.”  (Lc 12.13-15)
Este homem teve uma chance de falar com Jesus e a desperdiçou!
A partir de então, o Mestre começou a ensinar que a busca do que
é material jamais levará o homem à realização. Viver para
enriquecer é insensatez, pois a vida do homem consiste em ser rico
para com Deus.
“Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem
rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo:
Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse
então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros
maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e
direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para
muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse:
Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado,
para quem será?”  (Lc 12.16-20)
Depois de declarar aquilo em que não consiste a vida do homem, o
Senhor Jesus falou sobre aquilo em que ela realmente consiste:
“Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com
Deus.” (Lc12.21)
Ser rico para com Deus! Este deve ser o alvo de cada um de nós.
Não podemos permitir que a cobiça e o materialismo roubem isto
de nós. Observe outras coisas que as Escrituras dizem a este
respeito:
“Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em
todo conhecimento… de maneira que nenhum dom vos falta,
enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus
Cristo.”  (1 Co 1.5,7)
Os coríntios foram enriquecidos nas coisas de Deus! Note que não
estamos falando contra o fato de sermos materialmente ricos, e sim
contra a ganância. Enriquecer materialmente não é errado, desde
que o coração não se prenda a isto (Sl 62.10). Contudo, deve haver
em nós um anseio de enriquecermos espiritualmente, em Deus. E o
anseio por tal riqueza espiritual deve ser maior do que o anseio
pelas riquezas terrenas.
Quando o Senhor Jesus falou com as Igrejas da Ásia por meio do
Apóstolo João, Ele chamou uma igreja “pobre” de “rica” (Ap 2.9),
pois ela era espiritualmente rica, mas Ele chamou uma igreja “rica”
de “pobre” (Ap 3.17), pois, nas coisas de Deus, eles eram
miseráveis!
A riqueza espiritual tem que vir antes. Se o Senhor permitir que
você tenha a riqueza espiritual e ainda a riqueza material, amém.
Mas, se você tiver que escolher entre uma e outra, não vacile!
Prefira ser rico para com Deus, pois esta é a única e verdadeira
riqueza! O Diabo nos impulsiona à ganância, não porque ele queira
nos enriquecer materialmente, mas para tentar nos empobrecer
espiritualmente, e assim afastar-nos de Deus pela corrupção
material. O contentamento é a nossa proteção!

 Buscando o bem maior

Há valores maiores do que os bens e o dinheiro:


“Melhor é o pouco com o temor do Senhor, do que um grande
tesouro, e com ele a inquietação. Melhor é um prato de hortaliça
onde há amor, do que o boi gordo, e com ele o ódio.” (Pv 15.16,17)
Aqui a Bíblia está falando de valores espirituais (como o temor do
Senhor) e também de valores emocionais (como o amor, ao invés
de ódio). Tudo isto deve vir antes do dinheiro!
Já afirmamos que a Bíblia não é contra a riqueza. Pelo contrário,
creio que Deus pode e quer fazer com que prosperemos; contudo,
é importante entendermos que há uma ordem a ser seguida. O
Apóstolo João declarou a Gaio que ele queria que o seu irmão e
amigo fosse próspero e tivesse saúde, assim como a sua alma –
com valores interiores – era próspera (3 Jo 2)!
O problema da ganância é que ela tenta apressar as coisas e ainda
consome o nosso tempo, energia, alvos, e outras coisas em nossas
vidas que deveriam ser do Senhor. A Palavra do Senhor nos mostra
que o caminho da espera e paciência é melhor. Viver com
contentamento não significa acomodarmo-nos de modo a nunca
chegarmos a lugar algum. Não! É esperarmos com paciência no
Senhor até alcançarmos os nossos alvos! Tem mais a ver com
sabermos esperar do que com não esperarmos nada, como
erroneamente ensinam alguns.
Veja o que Deus diz sobre o tempo necessário para a prosperidade
como fruto do trabalho:
“A riqueza adquirida às pressas diminuirá; mas quem a ajunta
pouco a pouco terá aumento.”  (Pv 13.11)
A ganância lhe diz para você jogar em tudo o que puder dar-lhe
dinheiro sem esforço e depressa, mas o conselho de Deus diz que
“quem ajunta pouco a pouco enriquecerá”. A ganância também lhe
dirá para você não entregar os seus dízimos e também não ofertar;
ela tentará mostrar-lhe o “quanto” você poderia fazer com este
dinheiro. Mas a Palavra de Deus diz que devemos dar e fazer prova
de Deus, pois Ele é a nossa provisão e sustento. Quem confia no
Senhor vê a diferença:
“Aquele que confia nas suas riquezas cairá; mas os justos
reverdecerão como a folhagem.” (Pv 11.28)
Já declarei que a ganância sempre caminha de mãos dadas com a
inveja, e agora eu gostaria de mostrar-lhe as consequências da sua
decisão de esperar a hora de Deus para você alcançar o que você
deseja, ou entregar-se à inveja, porque você vê outros que têm as
coisas antes de você:
“O coração tranquilo é a vida da carne; a inveja, porém, é a
podridão dos ossos.”  (Pv 14.30)
Diga “não” à ganância, e você viverá em paz e com uma realização
interior. Mas, se você decidir erroneamente e ceder à ganância,
saiba desde já quais são as consequências.
Paulo disse a Timóteo que essa cobiça levou muitos a se
desviarem da fé e a se traspassarem a si mesmos com muitas
dores (1 Tm 6.10). Deus não é contra o fato de você ter dinheiro, e
sim contra a ganância. À medida que você prosperar, mantenha os
valores certos em seu íntimo. Foi esta a instrução que o Apóstolo
Paulo pediu que o seu discípulo Timóteo transmitisse à igreja:
“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham
a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos
concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos;
que pratiquem o bem, que se enriqueçam de boas obras, que
sejam liberais e generosos, entesourando para si mesmos um bom
fundamento para o futuro, para que possam alcançar a verdadeira
vida.” (1 Tm 6.17-19)
Os problemas ligados ao dinheiro são claramente abordados: o
perigo da altivez e o risco de fazermos das riquezas a nossa
esperança.
O contentamento, por sua vez, é a forma de não permitirmos que
estes erros nos enlacem. E, justamente por ser o oposto da
ganância, o contentamento nos leva a semearmos na vida de
outras pessoas através da prática da bondade e da generosidade.

VI. A felicidade do homem não consiste naquilo que ele possui.

O que é contentamento? Contentamento significa que a minha


felicidade não depende das circunstâncias. A maioria das pessoas
se pegam pensando no "quando..." -  "Quando eu tiver isso ou
aquilo, então eu serei feliz. "Quando eu chegar a um determinado
nível econômico... Quando eu conseguir um emprego melhor...
Quando eu me aposentar... então eu serei feliz. Quando eu quitar o
imóvel... Quando eu conseguir pagar as contas... então serei feliz!"

Deus diz: "Não pense desta maneira, pois quando você conseguir
realizar todas estas coisas, você irá querer algo novo. Você sempre
quer mais, nunca está contente." Alguém certa vez perguntou ao
bilionário Howard Hughes: "Quanto é preciso para fazer um homem
feliz?" Ele respondeu: "Apenas um pouco mais."

Deus diz: "Eu quero que você aprenda a se contentar com o que
tem." Não se trata de não ter objetivos, mas saber que: "Minha
felicidade está no Senhor e não nas circunstâncias da vida."

Paulo aprendeu a se contentar. Ele diz em Filipenses 4:12: "Sei o


que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é
preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e
em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer
tenha muito ou tenha pouco." Contentamento é algo que você
precisa aprender. Não é algo que vem naturalmente. Nós, pela
nossa natureza humana, ficamos descontentes com facilidade.

E como é que você pode aprender a ser contente? Pare de se


comparar com os outros. Deus diz que é tolice se comparar aos
outros. Você talvez esteja comparando casas, roupas, carros.
Talvez você tenha comprado um computador novo na semana
passada, e ficou super animado com a novidade. Então você abre
uma revista hoje e se depara com um modelo de computador mais
novo que o seu, daí começa a comparação!

Estamos constantemente comparando, e a comparação nos leva ao


descontentamento. E devido ao descontentamento Deus nos diz:
"Você não pode lidar com o que Eu quero dar-lhe, pois você está
colocando muita prioridade nas coisas em sua vida." Será que Deus
pode confiar em você nas riquezas? Você já aprendeu a estar
contente?

Não sei porquê, mas aparentemente Deus escolheu o dinheiro para


servir de teste extremo para a nossa fé. Nós passamos a vida
inteira tentando ganhar mais, conquistar, poupar, gastar e usar o
dinheiro. Por isso Deus pode ter escolhido usar as finanças como
uma grande prova do quanto você confia n'Ele. O Senhor deseja
que nós peçamos ajuda quando tivermos uma necessidade, e que
também possamos aprender a sermos contentes, para que a nossa
felicidade não dependa se temos muito ou pouco. Se você não
aprender a se contentar, você nunca será feliz. Você sempre irá
querer mais.

VII. Se você tem…

Comida na geladeira;

Roupas no armário;

Um telhado sobre sua cabeça;

Um lugar para dormir;

Então você é mais rico que 75% da população mundial.

Se você tem algum dinheiro no banco e um pouco na carteira, está


entre os 8% mais ricos do mundo, isto é, 92% da população do
mundo vive com muito, mais muito menos que você!

Se nunca experimentou o perigo de uma batalha, a solidão de um


cativeiro, a agonia da tortura ou a dor da fome, está à frente de
mais de 1 bilhão de outras pessoas no mundo.

Se você frequenta uma igreja sem medo de ser importunado, preso,


torturado ou morto, é mais ‘abençoado’ que 3 bilhões de pessoas
no mundo.

Esses são só exemplos! Temos muito mais ainda do que isso


acrescentado em nossa conta!

Saber disso não deve criar em nós um sentimento de culpa, mas de


gratidão a Deus por Ele ter nos permitido estar em uma situação
privilegiada. Porém, é preciso nos sentir incomodados.

A culpa deve ser a de ignorarmos os homens, mulheres e crianças


deste mundo que não têm o que temos.

A culpa é a de, muitas vezes, não fazermos nada por quem precisa
mesmo tendo alguns recursos em mãos…
Se essa “culpa” boa está existindo é sinal de que  algo está
começando a se movimentar em nossa alma enquanto pensamos
nisso.

Davi experimentou momentos difíceis em sua vida, porém ele creu


em Deus e aprendeu a esperar nEle: “O Senhor é o meu pastor,
nada me faltará”. O que eu tenho em Deus é maior do que aquilo
que eu não tenho na vida. Não tenho tudo o que amo, mas amo
tudo o que tenho.

Vamos pensar juntos no que temos: Jesus, Salvação, saúde,


família, lar, casa, trabalho, irmãos, amigos, dinheiro, apetite, pão,
carro etc. Podemos glorificar a Deus e agradecê- -lO. E
aprendamos com Paulo: Deus pode fazer mais, mas “já aprendi a
contentar-me com o que tenho”.

O contentamento de Paulo diante das crises era resultado da sua


comunhão com Deus. Ele aprendera com o Senhor a se contentar
em toda e qualquer circunstância. Que possamos seguir o exemplo
de Paulo e aprender com o Senhor a ter paz e contentamento
mesmo enfrentando uma crise.

Que Deus nos abençoe e nos guarde no seu grandioso amor, em


nome de Jesus, amém!

APRENDENDO O CONTENTAMENTO – LUCIANO


SUBIRÁ
 
 Hoje em dia as pessoas se lançam desesperadamente ao jogo
para “tentarem a sorte”, mas o cristão reconhece que é melhor andar
devagar e construir a sua vida com o “suor do seu rosto” e com o que
Deus lhe dá. Muitos sacrificam o que não têm para jogarem. Milhões de
pessoas fazem a sua “fezinha” na Loteria, que enriquecerá uma única
pessoa (no máximo algumas) e continuará decepcionando muitas.

 Não há nenhuma clara e direta proibição bíblica com relação aos jogos,
mas a ética, os valores que a Palavra de Deus nos comunica em seu todo, e
a consciência do que é uma boa mordomia devem nos afastar desta prática.
O problema de muitos de nós é que nos permitimos ser dominados pela
compulsão de termos as coisas. Precisamos de “contentamento” em nossas
vidas. Esta é uma virtude na vida do cristão genuíno.

 O CONTENTAMENTO SE APRENDE

Ao escrever a sua Epístola aos Filipenses, o Apóstolo Paulo falou sobre a


importância do contentamento e revelou que isto é uma virtude que
devemos desenvolver. O contentamento não aparece imediatamente ao
novo nascimento. É algo que aprendemos:

“Alegro-me grandemente no Senhor, porque finalmente vocês renovaram o


seu interesse por mim. De fato, vocês já se interessavam, mas não tinham
oportunidade para demonstrá-lo. Não estou dizendo isso porque esteja
necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei
o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de
viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com
fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me
fortalece. Apesar disso, vocês fizeram bem em participar de minhas
tribulações.”  Filipenses 4.10-14 – NVI
Quando examinamos o contexto desta afirmação feita por Paulo,
percebemos que ele estava em tribulação, ou seja, com necessidades
materiais. Os irmãos intervieram com uma ajuda, uma oferta amorosa para
o seu sustento, e ele lhes disse que ela veio ao encontro de suas
necessidades do momento, ou, como ele mesmo denomina, da sua pobreza.
Contudo, o apóstolo não reclama da sua privação, mas diz que ele aprendeu
a viver contente em toda e qualquer situação.

Observe isto: ele aprendeu o contentamento, o que significa que, no início


da sua carreira cristã, ele não o possuía. E onde foi que ele aprendeu a
praticar esta virtude? Em meio à abundância ou à falta? É claro que foi
durante a necessidade, pois são em circunstâncias como essas que Deus
trata conosco. Quando chegou a provisão enviada pelos filipenses, Paulo
teve a vitória sobre a privação e a necessidade. Ele venceu (as
circunstâncias) e aprendeu o contentamento (com o que passou).
Ele aprendeu que a sua alegria em Deus independe do que acontece do lado
de fora (nas circunstâncias) e que ela deve estar presente em toda e
qualquer situação. Ele aprendeu também que não são as circunstâncias que
devem reger os nossos sentimentos, mas sim a confiança no Deus da nossa
vitória. Ele foi tratado pelo Senhor a ponto de se desapegar completamente
das coisas materiais e viver contente pelo fato de que Deus é maior do que
os nossos problemas e intervém neles. Paulo diz ainda que ele tinha
experiência em todas as coisas, tanto na fartura e abundância, como na falta
e escassez, mas que não importava qual o tipo de situação ele teria que
enfrentar, pois ele podia todas as coisas n’Aquele que o fortalecia: Deus!

Vemos claramente que o “poder todas as coisas” não significa “não


precisar passar por tribulações”, nem tampouco vencê-las tão
imediatamente elas cheguem, mas suportá-las paciente e confiantemente,
sabendo que a vitória do Senhor é certa e que ela chegará a tempo.

A única forma de não nos deixarmos envolver pela ganância é permitirmos


que a Palavra de Deus prevaleça em nossos corações. O que as Escrituras
Sagradas mais ensinam no que tange as coisas materiais é que devemos
viver com contentamento. O nosso coração não deve ser aprisionado pela
ganância, mas sustentado pelo contentamento!

 “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que


vocês têm, porque Deus mesmo disse: Nunca o deixarei, nunca o
abandonarei.” Hebreus 13.5 – NVI

O contentamento é o oposto do “amor ao dinheiro” (que outras versões


traduziram como “avareza”), o qual, por sua vez, é insaciável. O
contentamento não é apenas um conselho, e sim o padrão que Deus ordena
aos Seus filhos.
 

“Não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes”. Romanos


12.16 – ARC
 Entre os poucos registros que temos nos Evangelhos sobre o teor da
pregação de arrependimento de João Batista, vemos que ele aborda o
assunto do contentamento:
 “E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós, que faremos? E
ele lhes disse: A ninguém trateis mal, nem defraudeis e contentai-vos com
o vosso soldo.” Lucas 3.14 – ARC

 Contentar-se com o seu salário era a base do caráter que aqueles soldados
romanos necessitavam para não errarem em outras áreas. Muitos dos
nossos desvios de conduta originam-se na falta de contentamento.
Precisamos permitir que Deus reformule os nossos valores. Temos que ter
limites em nossos anseios. Quando queremos muito alcançar o que não
podemos é porque já entramos no território da ganância.

O contentamento não inunda o nosso coração só porque fizemos uma


oração nesse sentido. Ele vem de acordo com um processo de mudança de
valores. Este processo é desencadeado quando começamos a dar ouvidos ao
que as Sagradas Escrituras dizem sobre o assunto. A única forma pela qual
a ganância é tratada é mediante a renovação da nossa mente pela Palavra de
Deus. É necessário meditarmos nos trechos bíblicos que tratam do assunto,
decorá-los, proferi-los sempre. É preciso orar sobre eles, pois o
contentamento é algo que aprendemos, ouvindo a Palavra de Deus e
remodelando valores.
 

O contentamento não está ligado à falta de condições para uma vida digna;
não é uma carência contínua, e sim sabermos esperar até que as
circunstâncias mudem. O contentamento não significa uma falta de sonhos
ou um comodismo, e sim paciência para darmos um passo de cada vez,
sempre do tamanho das nossas pernas; significa não ambicionarmos coisas
altivas, mas acomodarmo-nos às humildes.
 

Paulo disse que ele sabia como passar por escassez e também como ter em
abundância. Tanto numa circunstância como na outra, precisamos aprender
a nos contentarmos. Na falta, ele se contentava. Na abundância, ele também
se contentava. O apóstolo dá a entender nestes versículos que ele não era
um esbanjador na hora em que ele tinha de sobra, nem um murmurador na
hora em que as coisas estavam faltando. Precisamos aprender estes
princípios para também aprendermos como lidar com cada circunstância.
 

Ao dizer que ele podia todas as coisas n’Aquele que o fortalecia, Paulo
mostra que ele havia aprendido de Deus o contentamento, e que, na hora do
aperto, era o Senhor que o fortalecia, de modo que ele pudesse suportar o
que ele estava passando. Na vida deste homem de Deus, a Palavra do
Senhor falava mais alto do que a ganância e a abafava completamente. É
este exemplo que nós devemos seguir!
 

A dificuldade que temos de não nos contentarmos não é proveniente do


fato de ser impossível vivermos com menos, mas sim porque não queremos
viver com menos, especialmente quando vemos outros vivendo com mais.
Juntamente com a ganância, sempre encontraremos, caminhando de mãos
dadas com ela, a inveja!
Queremos tanto os produtos de última geração pelo mero fato de que todo
mundo os está comprando, e não queremos ficar para trás. Há em nossa
carne um senso de competitividade e disputa, e estamos sempre procurando
estar por cima. A Bíblia fala que o que nos move de maneira gananciosa,
em busca da maioria dos nossos alvos, é a inveja:
 

“Também vi eu que todo trabalho e toda destreza em obras provém da


inveja que o homem tem de seu próximo. Também isso é vaidade e desejo
vão.” Eclesiastes 4.4
 O contentamento provém do quebrantamento interior. É necessário despir-
se da ganância e avareza e caminhar em desprendimento. Podemos
relacionar o contentamento ao domínio próprio, que é fruto do Espírito. Por
outro lado, a inveja é uma obra da carne.

 NO QUE CONSISTE A VIDA

Numa certa ocasião, Jesus foi abordado por alguém que Lhe pediu ajuda
quanto aos seus bens. Embora a resposta de Jesus possa parecer grosseira,
ela revela o aborrecimento que Lhe causamos com a nossa ganância:
 
“Disse-lhe alguém dentre a multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta
comigo a herança. Mas ele respondeu: Homem, quem me constituiu a mim
por juiz ou repartidor entre vós? E disse ao povo: Acautelai-vos de toda
espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância de
bens que ele possui.” Lucas 12.13-15

Este homem teve uma chance de falar com Jesus e a desperdiçou! A partir
de então, o Mestre começou a ensinar que a busca do que é material jamais
levará o homem à realização. Viver para enriquecer é insensatez, pois a
vida do homem consiste em ser rico para com Deus.
 

“Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico


produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei?
Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse então: Farei isto:
derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei
todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em
depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te.
Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens
preparado, para quem será?” Lucas 12.16-20
 

Depois de declarar aquilo em que não consiste a vida do homem, o Senhor


Jesus falou sobre aquilo em que ela realmente consiste:
 “Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus.”
Lucas 12.21

 Ser rico para com Deus! Este deve ser o alvo de cada um de nós. Não
podemos permitir que a cobiça e o materialismo roubem isto de nós.
Observe outras coisas que as Escrituras dizem a este respeito:

 “Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo


conhecimento… de maneira que nenhum dom vos falta, enquanto
aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.” 1 Coríntios 1.5,7

Os coríntios foram enriquecidos nas coisas de Deus! Note que não estamos
falando contra o fato de sermos materialmente ricos, e sim contra a
ganância. Enriquecer materialmente não é errado, desde que o coração não
se prenda a isto (Sl 62.10). Contudo, deve haver em nós um anseio de
enriquecermos espiritualmente, em Deus. E o anseio por tal riqueza
espiritual deve ser maior do que o anseio pelas riquezas terrenas.
 

Quando o Senhor Jesus falou com as Igrejas da Ásia por meio do Apóstolo
João, Ele chamou uma igreja “pobre” de “rica” (Ap 2.9), pois ela era
espiritualmente rica, mas Ele chamou uma igreja “rica” de “pobre” (Ap
3.17), pois, nas coisas de Deus, eles eram miseráveis!
 

A riqueza espiritual tem que vir antes. Se o Senhor permitir que você tenha
a riqueza espiritual e ainda a riqueza material, amém. Mas, se você tiver
que escolher entre uma e outra, não vacile! Prefira ser rico para com Deus,
pois esta é a única e verdadeira riqueza! O Diabo nos impulsiona à
ganância, não porque ele queira nos enriquecer materialmente, mas para
tentar nos empobrecer espiritualmente, e assim afastar-nos de Deus pela
corrupção material. O contentamento é a nossa proteção!
 

VALORES

 Há valores maiores do que os bens e o dinheiro:

“Melhor é o pouco com o temor do Senhor, do que um grande tesouro, e


com ele a inquietação. Melhor é um prato de hortaliça onde há amor, do
que o boi gordo, e com ele o ódio.” Provérbios 15.16,17
Aqui a Bíblia está falando de valores espirituais (como o temor do Senhor)
e também de valores emocionais (como o amor, ao invés de ódio). Tudo
isto deve vir antes do dinheiro!
 

Já afirmamos que a Bíblia não é contra a riqueza. Pelo contrário, creio que
Deus pode e quer fazer com que prosperemos; contudo, é importante
entendermos que há uma ordem a ser seguida. O Apóstolo João declarou a
Gaio que ele queria que o seu irmão e amigo fosse próspero e tivesse saúde,
assim como a sua alma – com valores interiores – era próspera (3 Jo 2)!
 

O problema da ganância é que ela tenta apressar as coisas e ainda consome


o nosso tempo, energia, alvos, e outras coisas em nossas vidas que
deveriam ser do Senhor. A Palavra do Senhor nos mostra que o caminho da
espera e paciência é melhor. Viver com contentamento não significa
acomodarmo-nos de modo a nunca chegarmos a lugar algum. Não! É
esperarmos com paciência no Senhor até alcançarmos os nossos alvos!
Tem mais a ver com sabermos esperar do que com não esperarmos nada,
como erroneamente ensinam alguns.
 

Veja o que Deus diz sobre o tempo necessário para a prosperidade como
fruto do trabalho:
 

“A riqueza adquirida às pressas diminuirá; mas quem a ajunta pouco a


pouco terá aumento.”  Provérbios 13.11)
 A ganância lhe diz para você jogar em tudo o que puder dar-lhe dinheiro
sem esforço e depressa, mas o conselho de Deus diz que “quem ajunta
pouco a pouco enriquecerá”. A ganância também lhe dirá para você não
entregar os seus dízimos e também não ofertar; ela tentará mostrar-lhe o
“quanto” você poderia fazer com este dinheiro. Mas a Palavra de Deus diz
que devemos dar e fazer prova de Deus, pois Ele é a nossa provisão e
sustento. Quem confia no Senhor vê a diferença:

“Aquele que confia nas suas riquezas cairá; mas os justos reverdecerão
como a folhagem.” (Provérbios 11.28)
 Já declarei que a ganância sempre caminha de mãos dadas com a inveja, e
agora eu gostaria de mostrar-lhe as consequências da sua decisão de esperar
a hora de Deus para você alcançar o que você deseja, ou entregar-se à
inveja, porque você vê outros que têm as coisas antes de você:
 “O coração tranquilo é a vida da carne; a inveja, porém, é a podridão dos
ossos.”  Provérbios 14.30

 Diga “não” à ganância, e você viverá em paz e com uma realização


interior. Mas, se você decidir erroneamente e ceder à ganância, saiba desde
já quais são as consequências.

 Paulo disse a Timóteo que essa cobiça levou muitos a se desviarem da fé e


a se traspassarem a si mesmos com muitas dores (1 Tm 6.10). Deus não é
contra o fato de você ter dinheiro, e sim contra a ganância. À medida que
você prosperar, mantenha os valores certos em seu íntimo. Foi esta a
instrução que o Apóstolo Paulo pediu que o seu discípulo Timóteo
transmitisse à igreja:

 “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua
esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede
abundantemente todas as coisas para delas gozarmos; que pratiquem o bem,
que se enriqueçam de boas obras, que sejam liberais e generosos,
entesourando para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que
possam alcançar a verdadeira vida.” 1 Timóteo 6.17-19

 Os problemas ligados ao dinheiro são claramente abordados: o perigo da


altivez e o risco de fazermos das riquezas a nossa esperança.

 O contentamento, por sua vez, é a forma de não permitirmos que estes


erros nos enlacem. E, justamente por ser o oposto da ganância, o
contentamento nos leva a semearmos na vida de outras pessoas através da
prática da bondade e da generosidade.