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De Araribóia a l\/lartim Afonso:

lideranças indígenas, mestiçagens étnico-culturais


e i)ierarquias sociais na coiônia

Maria Regina Celestino de Almeida


Universidade Federal Fluminense, Brasil

Introdução

A trajetrtria dg^Araribóia, líder indígena que_se aliou aos pnyfigiifi'!'"' •'"ÍL-


qiii<;t3 Ha P.iianahara, rnnlra franrptai^<M<Kmnin<;,
e Se tOmOU hcrói em nOSSa história,
permite-nos refletir sobre uma série de questões relevantes sobre as sociabilidades no
império português, sobretudo quanto às relações de alteridade, mestiçagem, etnicidade
e cultura no Rio de Janeiro colonial.
Nos últimos anos, as novas tendências interdisciplinares da História e da Antro-
pologia têm permitido uma releitura sobre as relações de contato entre os índios e os
colonizadores, contribuindo para uma revisão não apenas da história indígena, mas da
própria história colonial. As novas abordagens tendem a valorizar as atuações dos índios
nos processos de construção e desenvolvimento das soçiedades_çoloniais, entendendo
qu^apesar de to3ãTviolência da conquista e da colonização, os índios tiveram pos-

ppla fYppri^nrii Hn rnnritn ' P.ahp lembrar que OS povos indígenas foram essenciais
ao projeto da colonização, sobretudo em seus primórdios, quando a conquista e a pre-
servação dos territórios se faziam por meio de guerras violentas, nas quais os índios
participavam imensamente, na condição de aliados ou inimigos. Foi neste contexto que
alguns líderes, como o Araribóia do Rio de Janeiro, se projetaram, adquirindo enorme
prestígio no mundo colonial, conferido por autoridades -interessadas em agraciar lide-
ranças que constituíam importantes agentes intermediários entre o mundo indígena e
o mundo colonial.
Em menor escala que nas colónias espanholâS^..aiiXfli:idad£l-Bortuguesas,
tanto religiosas quanto civis, também iprf"tivaram ^ rriaçãn_d£.umajiQbi£aJ^igéna
jgela concessão de favonyítulos. patentes militares e nomes portugueses de prestíg"^
a algumas chefias que desempenhavam papel Fundamental no processo de íntegraçg''
de seus subordinados^^ sistema rnlnma.1, O ^rav" f iliistr" Aiâlibóia, batizado c o m j
nome de Martim Afonso de Sousa.^ constitui usn dos melhores exemplos neste..senlido. A
partir de sua trajetória, preténde-se'caracterizar a prática portuguesa de enobrecimen-
to de lideranças indígenas, refletindo sobre questões relativas aos estatutos de limpeza
de sangue e às muHanças vivenciadas pelos JíderêTíndigenas no mundo colonial. Na
medida do possível, serão feitas algumas comparações com a América hispânica onde rídativo sobre as relações entre as autoridades e os líderes indígenas no século XV
esta prática, além de ter ocorrido em dimensões visivelmente mais acentuadas, tem me- longe de indicar qualquer posição submissa de um índio trente a um governador^ a
recido, por isso mesmo, especial atenção dos historiadores que, para analisá-las, contam, resposta do primeiríTrevelouum grande chefe ofendido com outro que não lhe_Qres-
inclusive, com registros muito mais variados e ricos do que os disponíveis para a América tara o devido respeito, desconsiderando uma situação cultural diversa que os fazia di-
portuguesa. . , -n, ferentes. Araribmjêmonstrou autõ^^timajejcons de sua posição_na_CQlônia: os
portugueses precisavam dele e de sua gente para adHesãUãTêFr^i^ embora a recíproca
fosse verdadeira, o que ele não ignorava, daí ter retornado à corte, apesar da afirmação
Araribóia: um prestigiado guerreiro em contrário. O tom de ameaça claramente contido na afirmativa de que se manteria
afastado em sua aldeia aponta para uma auto-afirmação no sentido de delimitar campos
Araribóia foi um índio muito especial que, além de tpr^teHpjitaraHn na guerra distintos de poderes entre ele e o governador: este podia ser reconhecido como superior
na colónia, mas em sua aldeia, absolutamente, não mandava. Ali, as regras eram outras,
da COnqillSta do Rio de JaiinH^lijmimUé^^éU ^i^ atpnHimpTImTtnli^itarín Ho Hiíftm disse o principal,' e o domínio, com certeza, era seu.
"de Sá, para garantir a segnrançãda região. Foi criada, então, a aldeia de São Lourenço Se o prestígio concedido a alguns líderes indígenas servia aos interesses dos
qHé se tornou baluarte de defesa da recém-fundada cidade. O posto-de capitão-mor da portugueses, convém reconhecer que os índios souberam apreciá-lo, buscando por meio
aldeia foi dado a Araribóia, agraciado também com o hábito de Cavaleiro da Ordem dele, possíveis benefícios para si próprios e para sua gente, como se verá mais adiante.
de Cristo cora tença de 12 mil réis. Além disso, tornou-se proprietário de casas na rua
Direita (atual Primeiro de Março), onde residiam os notáveis da cidade, incluindo o
próprio governador.^ Seu casamento foi realizado com grande pompa, digna dos altos Cavaleiros Indígenas da Ordem de Cristo: discriminações
mandatários do reino, a julgar pela descrição do padre Gonçalo de Oliveira. e tolerâncias étnicas em tempos de guerra
Ao dia em que o haviam de casar veio ele, com toda a sua potência, da sua aldeia, mui ga-
lante, por mar, em seis canoas grandes e bem equipadas de gente luzida, com grande fesU. Entre todas as regalias concedidas a Araribóia, a mais significativa foi, sem dú-
E da cidade saiu o apitão com toda a gente a aguardá-lo ao porto; e daí o trouxe à sé, onde vida, o hábito de Cavaleiro da Orri^mriprrí<;tn, rondernra£ão almejadíssima pelosjjiais
ouviu missa e recebeu o Santíssimo Sacramento da mão do Vigário, que os recebeu com ilustres súditos do império.* Desde o século XVI, quando D. João III reuniu o gráo-mes-
toda a solenidade. E depois disso o foi embarcar o apiíão. com toda a cidade, mandando Irado das tres ordens militares - Cristo, Avis e Santiago -, a poderosa instituição religio-
disparar algumas peças de artilharia. Foram alguns portugueses acompanhá-lo cora suas sa e militar distribuía suas comendas e seus hábitos como "[...] meros instrumentos de
mulheres até a aldeia, onde tinha grande banquete aparelhado e deufimàs festas.'' clientelismo para a coroa e de promoção social para os premiados".' Não era qualquer
um, no entanto, que podia alcançar o tão desejado hábito. Sua concessão dependia de
^Em 1575, Araribóia induía-se entre as pessoas proeminentes da cidadcque re- Tigorôsa invesiigdçãu]j£r3 ' '
ceberam o governador das capitanias do sul. Antonio Salema. Nesta ocasião, ocorreu o
episodio narrado por Irei Vicente de Salvador, segundo o qual nosso bravo guerreiro te- [...] determinar se o candidato tinha "defeito de sangue", isto é, se descendia de mouro,
•§ ria sido admoestado pelo governador pela descortesia de ter, diante dele, representante judeu ou (ndio, ou se incorria em "defeito mecânico", vale dizer, se era filho ou neio de
8\ indivíduo que exercera atividade ou oficio manual, ou se vivera ele próprio de tal mister.
«gt do rei, "cavalgado" com uma perna sobre a outra segundo seu costume.' A resposta de
ÃrãriEiSíã; não sem cólera e arrogância , segundo o trei, é reveladorãB^iua-Conaalnciã Na eventualidade de se confirmar qualquer dessas faltas, o candidato era, em princípio,
sobre seu pájjei como importame_cti£l£Jia-defps^ da terra p intprmpdiádn^"'' dois ~ rejeitado, ma.s el-rei, como grão-mestre das ordens, tinha poder para dispensar os defeitos,
Í2 .Í5
Tmínidõrcijrturalmente diversos. ' — c o fazia com freqúênóa, salvo o de sangue judaico, que para tanto somente o papa tinha
c c• 10
2 2: autoridade sufidenle.
Q) Q> ; Se tu souberas quão cansadas eu tenho as pernas das guerras em que servi a el-rei, não
SE ;
O estranharas dar-lhe agora este pequeno descanso; mas já que me achas pouco cortesão, Não foram raros os indivíduos de famílias ilustres que tiveram seus pedidos
eu me vou para minha aldeia, onde nós não curamos desses pontos e não tornarei mais negadospõFostentarem, aindaj^ue por antepassados distantes, os famigerados defeitos
i S à tua corte.* ^3èlangUé ou de trâ^Iho. A excelente análise de Evaldo C. de Mello mostra-nos clara-
••C Ó :
to o mente os percalços entrentados por várias famílias proeminentes na colónia para obter
S'S ;
m~a> O autor finalizou a narrativa dizendo que Araribóia nunca deixou de frequentar o cobiçado título. Na sociedade do Antigo Regime, mais do que ao poder económico, o
as autoridades portuguesas, como, aliás, era de se esperar. Verídico ou não, o episódio prestígio ligava-se às posições de poder e aos cargos honrosos. Daí, as petições para ob-
S. c foi^pelo_menos pensado pelo frei, portanto aceitável naquela conjuntura e basTãnte elu- tenção de cargos administrativos, comandos de milícias e hábitos das ordens militares.
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Os defeitos para obtenção dos pretendidos cargos e condecorações podiam, com
Se as hierarquias típicas do Antigo Regime ganhavam, quando transportadas para a
exceção do sangue judaico, ser dispensados pelo rei, mas, alguns eram mais facilmente
colónia, uma conotação étnica e racial, cabe lembrar com Stavenhagen que os fatores es-
dispensáveis que outros. Osangue indígena não era tão "infecto" quanto o dosmstãns-
senciais na estratificação social eram culturais. Os critérios i-aciais nãodesempenhavam,
novos, como atestam vários casos narrados por Mello, segundo o qual "...o chamado
segundo ele, papel determinante justamente porque não é possivêlclassificar as.p_esspas
gentilismo, o sangue gentio de uma avó ou bisavô, nunca constituiu obstáculo de monta
pfii qualquer das elniãS tom base exclusivamente no aspectofísico. "Os fatores culturajs
para o acesso às ordens militares, embora a Mesa da Consciência e Ordens se mos-
"sap os mill!; essendals na estratlfica^ilò: ém primêirênugar o idioma e a indumentária
trasse intransigente quando se tratava de premiar um índio de quatro costados"." Em
[...] E o índio cultural é ftao O índio biológico que consuuu_o_eslrato inferior do sistema^
graus mais remotos então, como quinto ou sexto grau, o gentilismo não fazia qualquer
de estratihcação".'" ~
impedimento. Borges da Fonseca, famoso genealogista pernambucano, referindo-se a
Privilegiar lideranças indígenas, acostumando-as aos hábitos e costumes euro-
uma índia ascendente de várias famílias ilustres da capitania de Pernambuco, disse, no
peus, era parte da política de colonização das coroas ibéricas e foi amplamente utilizado
século X V I I I , já respaldado, ressalte-se, pela política antidiscriminatória de Pombal,'^
nas várias regiões da América, embora em tempos e modalidades diversos conforme as
ser "...bem sabido que no Brasil muitas famílias tão autorizadas como esta, e algumas de
especificidades de cada situação. Não se trata de negar o forte preconceito e a discrimi-
ilustríssima ascendência, tiveram alianças da terra e nem por isso perderam o esplendor
nação social contra os índios considerados bárbaros e selvagens ao longo de todo o perío-
com que as veneramos"," Schwartz igualmente destacou ter sido frequente, no século
do colonial, o que se manteve até o século XIX, apesar da política antidiscriminatória
X V I I I , justificar-se o sangue indígena numa família ilustre enobrecendo-se a ascendên-
de Pombal. Porém, a hierarquia social na colónia tinha critérios próprios, ese_os_índÍ£a^
cia nativa, pela exaltação de suas virtudes e qualidades naturais. As mulheres indígenas
ernsomodo, ocupa\;aflLQSxstratos mais inferiores da sociedade, alguns dgles, pelo pappl
tornavam-se princesas, e a nobreza era alcançada.''' A índia Paiaguaçu, misto de perso-
especial"que tinham a cumprir no projeto da colonização, chegaram a adquirir destague
nagem histórica e mítica, constitui exemplo interessante a este respeito.
e prestígiosocial.
Convém notar, no entanto, que em períodos anteriores /sénilns XVI e XVII), ~ Sugestivo a esse respeito é o documento de 1758 intitulado "índios famosos em
os preconceitos contra os índios foram tamh-^m r^ílativi^adof, nn pnobrccimcnto de lide armas, que neste Estado do Brasil concorreram para a sua conquista temporal e es-
ranças necessárias ao estabelecimento da colonização. Araribóia não foi o único índio piritual"'-"' que contém uma lista com informações rápidas sobre 25 índios ilustres da
agraciado com o honrosotítulo, igualmente concedido, entre outros, a Felipe Camarão colonização, entre os quais se incluem Araribóia, Maracajaguaçu, Felipe Camarão e Pi-
e ao índio Piragiba, numa clara demonstração do quanto estes índios eram valorizados, ragiba. Estes heróis foram adjetivados como célebres, intrépidos, amantes dos padres da
sobretudo em conjunturas de guerra. Os três destacaram-se em atividades de defesa da Companhia e, entre suas gloriosas ações, ressaltam-se as de enfrentar seus contrários a
terra: os dois primeiros lutaram, como se sabe;_contraTrãncesés, holandeses e outros favor dos portugueses, reduzir sua gente ou trazer sua aldeia para os padres da Compa-
índios a eles aliados, enquanto o terceiro teve"pãrticipação fundamental na congmsta nhia e combater com violência os estrangeiros. Sete índias foram citadas no documento,
HaParaíba." Deve-se conjecturar a baixa probabilidade de que qualquer dos três tenha tanto por ações míticas ligadas aos jesuítas, quanto por atividades guerreiras, o que pode
"solicitado os ditos títulos, nrovavelmentp outorgados, portanto, por iniciativa das aiimri- significar mais uína mudança introduzida com a colonização. Se as mulheres índias não
dades como meio de enobrecê-los e dar-lhes destaque social na colónia. Na Bahia, como tinham posição de destaque na tradição tupi, conforme a análise de Fernandes,^' parece
lemBrõu Muii, também na conjuntura da guerra com os holandeses, um Tabajara de que a situação colonial, em alguns casos, lhes conferiu este papel. Em suma, a tónica do
Olivença e um Tupiniquim de Barcelos foram também "[...] honrados com o Hábito de documento era engrandecer a ação dos índios aliados aos portugueses e valorizá-los
Cristo, pelo se animarem a verrumar debaixo dágua, na Barra do Rio Camamu, uma contra a discriminação, como evidencia a seguinte afirmativa; "Destes e outros casos
2 V) nau holandesa, com cujos furos foi a pique". semelhantes, claramente se infere que não são os Índios da nossa América Lusitana
Cabe lembramiie os serviços de guerra e defesa da terra eram dos mais ennhre- tão apoucados como ordinariamente se pinta, tratando-os mais como as Feras e Brutos
cedores f, miiitnJmnnrr;intffi nm a mnrpssáo de cargos, títulos honrosos e dispensas de irracionais, do que como a homens capazes de razão".'•'^
defeitosripsangiip nn m p r f n i m Aacusação do padre Gonçalves Leitâo^Hêque os masca-"
Trata-se de documem.odo século XVIII bem de acordo, portanto, com a política
tes de Recife teriam"[...] fraudado seus processos de habilitação fazendo-se passar por
antidiscriminatória de Pombal, porém os índios ali citados com seus títulos e elogios
1 parentes de veteranos das guerras holandesas, cujas folhas de serviço haviam comprado
foram enaltecidos em períodos bem anteriores, indício de que os preconceitos em re-
J por uma ninharia aos filhos e netos arruinados desses indivíduos [...]"" nos dá uma
lação aos índios, ou melhor, a alguns índios, mais especificamente algumas lideranças,
1 ? dimensão do valor social destas atividades. Postosde milícia e ordenanças eram também
foram relativizados, desde o século XVI, conforme situações específicas. Apesar da forte
si funções consideradas enohreredoras, quando exercidas por várias eerayes.'" Dai ser
discrimação contra os índios considerados selvagens, alguns fatores os amenizavam ao
" bastante frequente encontrar-se nas petições por cargos e títulos alusões não só aos ser-
ponto de alguns deles terem recebido títulos honoríficos, e outros terem propiciado a
viços militares prestados, como também aos postos ocupados desde gerações anteriores.
portugueses situação de prestígio pelo casamento com suas filhas. Comparadas com-a»-
Entre os índios, isso foi uma prática e constituiu, sem dúvida, função enobrecedora.
relativas aos negros, as discriminações contra os índios foram sempre mAisjngA^íâ--.

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das, c o m o lembrou Schwartz,'--' e isto acentuou-se, consideravelmente, depois da política revestido de valores cristãos,..K'P'^IP ^pmUU}, Í- jruyrs.s.sanie observar algumas dile]eii(,ns
pombalina, q u a n d o se chegou ao extremo de dar baixa a u m índio capitão-mor da aldeia entre C a r a m u r u e[oão R a m a l h o . O s dois viviam entre os dois m u n d o s , p o r é m , enquan-
de Ipiica por ter-se casado c o m u m a preta,"[...] m a n c h a n d o c o m este casantento o seu to o primeiro parece ter optado por u m comportamento mais nos moldes cristãos, pelo
sangue e fazendo-se por esta causa indigno de exercer o posto de capitão-mor [...]".-•' m e n o s conforme os relatos dos jesuítas que sempre enalteceram o auxílio dele recebi-
O fato de esta "falha sanguínea" adquirida por vontade própria ter sido denunciada do, o segundo manteve a liberdade dos costumes que aprendera c o m os índios, tendo
por u m dos pares d o acusado - o capitão-mor de São Barnabé -^-'demonstra terem os sido duramente criticado pelos padres. A m b o i a j u d a r a m a colonização, m a s C a r a m u r u
índios igualmente apreendido os preconceitos e as discriminações da sociedade colonial alcançou u m a celebridade mítica construída, e m grande parte, pelo casamento c o m
e m que viviam. C o n v é m lembrar ainda que u m dos artigos d o Diretório falava sobre a Paraguaçu, u m a de_suas mulheres índias q[ie.,jm-l£[ato mítico, lornou-se única e foi
infâmia de se c h a m a r negros aos índios [...].-" Igualmente exaltada, enobrecida e revestida de virtudes cristãs. O mito sobre Paraguaçu
lúijTu n o século XVIll, no p o e m a de Santa Rita Durão, m a s Ibi forjado n o X V H . cofri
A l é m d o aspecto da defesa, outras questões dev e m ser consideradas para se pen-
base~irorttCOiltecimentos do XVI.'''-' C o u b e ao padre Simão de Vasconcelos o enobreci-
sar a situação social do$_ifldJxiSjaa-CQlc!nia.-'Como lembrou Schwartz." nos pnmórriiõs
mento da mdia Paraguaçu a qual c h a m o u "princesa daquela gente".''-' "Verdadeira ou
da colonização, ou melhor, no que ele c h a m o u de primeiro estágio da colonização, cuja
'nãtra^liistória d o jesuíta evidencia giip no .sérnln X V I I havia interesse de autoridades
época foi variada conforme as regiões, a discriminação contra índios e mestiços era m e -
nor pela necessidade que se tinha deles e pela raridade de população branca, sobretudo PflSásticaS e, sem dúvida, tambfni ri'''", nrmhrrrry r i"v!ilt;ir llflprftwa^j.lflífTynas

de mulheres. N a América portuguesa, a tolerância religiosa e social era inevitável, já que níãscúíínasou femininas, c o m o o caso aqui tratado.
"[...] no povoamento de terra nova, não se podia ser muito exigente e havia que recorrer
a gregos e troianos; as discriminações sociais e religiosas predominantes no reino só
serviriam de empecilho no Brasil".'''" O de.seqnilíhrio Hpmngráfim pntip os sexos atenua- • Lideranças indígenas na colónia: novas funções e privilégios
\'amais que no reino os preconceitos contra os matrimónios mistos, lembrou Evaldo de
Mello, referinJo-se aos casamentos entre cristãos-velhos e cristãos-novos, ao que se pode . O s portugueseixau-strníranii p^riant", j'into r n m os índios, u m a certa nobreza
acrescentaras npiõe,-; f-ntrp hrancojuanrftãr^ indígena na colónia firmada c o m base na própria tradição tupi, p o r é m acrescida de
Coosimía-se, pois, u m a nobreza indígena pela valorização das lideranças que, novos elementos, incorporados pelos índios ao seu próprio m o d o . Wachtel e Gruzinski,
por sua vez, podiam estender seu prestígio a alguns portugueses transformados e m e m seus estudos sobre lideranças indígenas no Peru e no México colonial, ressaltaram
personagens de destaque na colónia pelo casamento r n m afilhaHP u m <rnm\p rlifFr o interesse c o m o qual as chefias absorviam os novos sín)bolos de poder que lhes e r a m
m d í g e m i , tais c o m o C a r a m u r u P Jnãn KamalliQ Tais matrimónios conferiram a estes conferidos pelas autoridades coloniais, buscando preservar sua posição de prestígio na
h o m e n s o papel de grandes intermediários entre dois m u n d o s , n u m a época e m que nova situação e m que se encontravam.'" E m m e n o r escala, pode-se constatar u m pro-
as"ãrianças c o m os mdios eram, c o m o visto, (:ondi<;ao 5ine qua non para o sucesso-fe- cesso semelhante na América portuguesa.ito interior das novas aldeias estabelecidas na
colonizaíãoJ? casamento era na sociedade tupi elemento de prestigio, põIsT^uãrífÕ" colónia, autqridadr '''vi'' " nrlpii'Whi ,\\- os djeles indígenas tradi-
mais mulheres u m guerreiro tivesse, mais parentes, cunhados,filhase genros ele te- rinnal';, Har^dn-Hip'! nnva<; rpgali^; p fiinrnpv A qualidade da oratória, por exemplo, tão
ria, o que aumentava o n ú m e r o de aliados e seu poderio bélico.-"' O r a , a filha de u m valorizada entre os índios, mantinha-se para pregar novos valores; o trabalho cotidiano
grande chefe tinha, evidentemente, ampla parentela vinculada a seu pai c o m a qual seu nas roças e as virtudes cristãs. O s chefes saíam de m a n h ã a exortar seus liderados ao tra-
esposo - o genro - já estabelecia, de antemão, pelo casamento, laços de amizade que se balho, informou Cardim, para o que lhes eram dadas"[...] varas de meirinhos nas m ã o s ,
- ro estreitariam ou não conforme seus próprios méritos e capacidade de ampliar sua pró- que estimam e m muito, porque depois de cristãos se dão estas varas aos principais, para
pria descendência, no que tanto C a r a m u r u quanto João R a m a l h o foram amplamente os honrar e se parecerem c o m os brancos. Esta é toda a sua honra secular".•'•'
— tfí
bem-sucedidos, a julgar pelos relatos. Ressalte-se, no entanto, que a m b o s devem ter-se Enti£as.mudanças introduaidas^staca-se a hereditariedade d o posto de chefia
gS" comportado c o m o guerreiros indígenas, pois, caso contrário, teriam desagradado seus quejxaJlradição-l^ipir^waerajiec^riamente transmitido aos filliosjiiasjjassad^
seguidores, perdido o prestígio e, junto c o m ele, a posição de liderança alcançada. Se o qualidadesxJHéiila-dos^iiÊíe^^ m iràçab
tiro de arcabuz que tanto impressionou os tupinambá, c o m o disse Simão de 'Vasconce- d b g r u p ^ p a r a exercê-lo.'"'. Nos aldeamentos coloniais, o cargo tommi-sFlIlrêgiIâ^^
los,'" foi realmente d a d o por Caramuru,jamais saberemos. Porém, não resta dúvida de B p a d d o pelo governadot:,^s vezes c o m salário, otitras itRo.-'^ A documentação evidencia
que suas qualidades bélicas foram postas a serviço deles, caso contrário, fossem quantos a adaptação dos índios a esta m u d a n ç a . Sobre São Lourenço, há informações de que até
-e ó fossem os seus tiros, muito provavelmente ele acabaria m o q u e a d o c o m o seiis tantos o fim.do século XVllI, o cargo ainda era ocupado pela íámília de Araribóia (o Martini
outros colegas náufragos. Afonso de Souza), pois, nas petições encaminhadas ao rei, os chefes faziam questão de
Seja c o m o for, o m u n d o indígena conferiu a esses h o m e n s (náufragos e degreda- referir-se ao nobre ascendente.''" Identificavam-se pelo n o m e de batismo, pela aldeia na
dosjjim enÕTiin! piestigiu tjTreTõi73ecerta forma/absorvido no m u n d o colonial, embora qual habitavam, demonstrando consciência de sua posição de índios aldeados, da impor-

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Os capitâes-mores das aldeias, cujos cargos nem sempre eram remunerados,
tância do cargo ocupado e, sobretudo, do prestígio de seu antecessor. A consçisimikii-' buscaram, em algumas ocasiões, por meio de recursos jurídicos, obier soldos que consi-
índios e suas lideranças sobre seu papel na rnlônb, n gna fivanm Hiccn <. -.f pn^jhj-
deravam justos para o exercício de suas funções, lançando mão, em geral, de exemplos
lidadeS de reconstrução de .suas hi.Sinrias C ÍHpnlid-lH«r m m n ínHinr llHBlHnr r a i i B l T T , . » - de seus pares que recebiam salários. Houve casos também de solicitação de aumento do
em suas argumentações nos inúmeros documentos encaminhados às aiiinridaries p;jra soldo e de ajudas de custo a índios que, em geral, líderes, alegavam as necessidades de
resolver conflitosjemjorno de suas aldeias, ou par,^ ifiliriiar hpnpfírí"i inHiririimii tiii'; dar conta de cumprir o serviço de Sua Majestade. Não resta dúvida de que o dinheiro
como patentes, salários e respeito condizentes à função que exerciam.•'" era parte do mundo das aldeias, e os índios, evidentemente, aprenderam a fazer uso
Além do posto de capitão-mor, outros cargos oíiciais de menor importância dele e a reivindicá-lo. O capitão-mor de Itaguaí, em 1804, solicitou ajuda de custo, a
eram distribuídos nas aldeias estabelecidas pelos portugueses, mas, de acordo com Viei- exemplo da que tinha sido dada ao capitão-mor de São Lourenço, alegando, além das
ra, apenas o principal (com certeza, o capitão-mor) recebia provisão do governador e era necessidades de ordem pessoal, as de atendimento à Igreja e ao serviço de SM.''^ Em
encarregado de prover os demais ofícios sem provisões, salvo se os índios as pedissem, o 1795, Manoel de Jezus de Souza, capitão-mor de São Lourenço, gozava "de todas as
que muitas vezes faziam porque "[...] estimam muito um papel, de que constem os seus honras, privilégios, liberdades, isenções e franquezas que lhe pertencerem e que gozam
ofícios e serviços [...]".''° O interesse dos índios nos cargos oficiais evidencia-se também os capitães-mores das outras Aldeias", mas não recebia soldo algum da Fazenda Real e
pelo Diretório no qual se estabelecia como dever dos diretores persuadi-los de que os encaminhou requerimento ao rei, solicitando-o. Reconhecia-se merecedor da mesma
serviços nas terras não os inabilitaria aos empregos honoríficos"... antes pelo contrário, graça concedida a João Baptista da Costa, feito capitão-mor de São Barnabé, em 1765,
o que render mais serviço ao público nesse frutuoso trabalho, terá preferência a todos com soldo de 4 mil réis por mês além dos demais privilégios. Brás da Costa de Souza
nas honras, nos privilégios, e nos empregos, na forma que Sua Majestade ordenaV Em
também recebeu patente de capitão-mor de São Lourenço em 1641, tendo "[...] com o
1779, o capitão-mor de São Barnabé pedia patente como condição para continuar a exer-
mesmo cargo vinte mil réis de ordenado cada ano, pagos no Almoxarifado do Rio de
cer a função de reger outras aldeias, sem a qual, segundo ele, alguém poderia tentar im-
janeiro [...]".•"
pedi-lo.''''^ Seu requerimento contra o diretor da aldeia, acusado de ser responsável pelos
Na América espanhola, a nobreza indígena formada sob a égide dos coloniza-
"[...]flagelos,consternações e injustiças que ele e os pobres índios vinham padecendo",
dores apresentava sinais v i ^ í v p i í ^ ^ i ^ t m i y i i i n H n - . s p Hemai';, p n r sua indumentária.
ilustra a nítida consciência deste índio sobre a divisão das competências administrativas
entre os cargos, incluindo a sua própria função de capitão-mor que, apesar de reconhe- •Segtmdu Waditel, tendo peiTlT3õ alguns de seus privilégios tradicionais, os curacas
cidamente subordinada, lhe garantia posição privilegiada, o que o levou a queixar-se procuravam afirmar sua proeminência assimilando, de alguma forma, o prestígio dos
por ter sido preso por três meses, e não ter o Marques Vice Rei atendido espanhóis e começavam pela vestimenta e "[...] o sombrero de feltro representa para eles
o elemento significativamente mais rico".'"' Gruzinski também ressaltou como a nobreza
indígena procurou adequar-se ao modelo de "fidalgo ibérico" que lhe oferecia a coroa
(...) a paleme que tinha e as honras que logra todas dadas por Vossa Real Mageslade de
espanhola e para tal tomou suas vestimentas e emblemas tais como armas, brasões, ca-
•que lhe fez grande inji'iria e desprezo pelas Isenções e privilégios que léni os Capitães
valos etc.'*'-' Em terrras'brasilicas, há poucas informações sobre isso, mas algumas são
Mores principalmente aqueles que são pagos pela Real Fazenda de Vossa Mageslade e o
bastante sugestivas. Ç ^ T H i n T a r ^ iralâLdlum descimento ocorrido em Pernambuco, Em
. privou da voz ativa e passiva c Governo da d i u Aldeã, fiando sujeito ao tilando do dito
1583, referiu-se ao principal chamado Mitaguaya que o visitou "{...\o de damaSgg~
Diretor experimentando os desprezos e recebendo injúrias, que de tudo, prostando-iiic
com-passamangrcTòuro, e sua espada na cintas [...]".'''" Na Relação da Missaõllrgma—
aos Reais Pés de Vossa Real Magesude peço justiça da injustiça que me fizeram.''''
de Ibiapaba, Vieira fez fêferéncia a alguns índios vestidos com "roupas de grã e seda"
que lhes tinham sido presenteadas pelos holandeses.-'' Mais reveladora, no entanto, a
É instigante constatar que o Conselho Ultramarino, além de ter dado parecer respeito das diferenças de vestimentas entre líderes e seguidores é a informação contida
favorável ao suplicante contra as irregularidades cometidas pelo diretor, recomendou a no mapa de população de São Barnabé de 1797, segundo a qual, os índios
reparação das injustiças feitas contra o capitão-mor "pelo modo possível dando-se-lhe
a autoridade e fazendo-o conservar no respeito que se lhe deve, e ele podia usar das
Trajam como os demais moradores americanos, a saber os condecorados de Casaca Vcsic
ações que lhe tocavam contra os que o danificaram".'''''
' , e Calção e os Ordinários de Vestes, Calçados e descalsos, e as mulheres ordinariamcme
Os exemplos citados evidenciam a apropriação dos códigos poriiigpese.s pelos
conforme as possibilidades de a d a uina e também mais para iuiiuirem ao uso dos seus
índios interessados não aii£iias.nos carpos, mas também nos-papéis oficiai.i quftibg^cnm-
primeiros descendentes.'* ^ .
E1 "provavam o exercício dos mesmos, fazendo questão, muitasvezes, de patentes e salários
que os acompanhavam. Prèç^aronr^gsTãfinal, pãra~garantir seus direitos e possíBifr-
to'<»
O final ria .sentença éjima-dara alu.ião ao fato do muitas andarem dcspitkji.A
dades de reivinaTC.'ai iiieicês ao rei. Outro papel oficial que despertava grande interesse
distinção hierárquica por vejmiiaiias-ea-JÍpicaJÍa.miigQJX^ w•
Is dos índios eram as cartasHp s p i n m r i i r , m l n r i T i c L K p n r pjpt H P C H P n ,;,irj^|pryYr ~
mentos rilarins indicam ter sido ela introduzida entre os índios aldeados c au (iiic ji.ti rt r

20
pais mandar JUScanoiís, que forem .lodiío negócio, seis índios por lu.i K U I I . I , ii.lu li.i,, mli.
assumiclapoi_eles. talvez pelas mesmas razões apontadas por Waclitel e Gruzinski no
mais que dois principais na povoação: t excedendo csic número, podci.id m.ind.M iili'
caso dos indim da América hispânica. A julgar pelas sugestões de Vieira, os funerais
quatro índios cada um; c os mais OÍiciais dois: os qnais devem ser e.\tr:u'(lus d o núineio <la
também deviam expressar as distinções sociais, pois"[...] nos lugares das sepulturas
repartiç,io do povo, ficando os sobreditos oficiais com a obiig:ição de llie saiisfazercm «s
haverá tal diferença, que só os Principais de toda a Aldeia se enterrem nas grades para
seus saí.iiios na íbrma das reais ordens de suas majestade.'''"
dentro, e no corpo da Igreja todos os fregueses da mesma nação; e no adro os escravos
que aí se vieram enterrar".
rkmfljos_n(iriais pa^.savam também a ler privilégios políticos e económicos. A maioria dos principais da Amazónia, no entanto, devia usufruir pouco_de_seii;
Entre as novas funções que adquiriam, induíam-se as de repartir os índios para-w-tfit^ privilégios económicos, pois os mapas de populaçãoe rendimentos da regíaoTnformam .
Jjalho e puni-los, quando fosse necessário. Tais funrõps mantiveram-se do século XVi que sua situação não diferia miilioda doJlSemais índios: sua produção não passava da
ao XVIII e deviam ser efeiivamente exercidas ajulgar pela afirmação do superior de mandioca, não tinham índios ao seiíserviço, nem tampouco oTmandavam ao sertão^'
São Pedro que, num momento de litígio sobre distribuição de trabalhadores, disse nada Razões culturais talvez expliquem n aparenie desiniere.sse-pjn iioulrnir fltT-.-privilpcrÍ0,'i
poder fazer sobre isso por ser esta função exclusiva do principal.'''' Sc, na tradição tupi, económicos, em contraste comouuai^^^pareciam fayer qiiesião de manter e ostentar,
os chefes não tinham poder de coação, passaram a lê-lo nas aldeias, pois castigos e porém os dados disponive"is"nãojão suficientes para conclusões precisas a esie respeilo.
pimições passaram a ser por eles aplicados. Além disso, no caso de queixas ou ctilpas considerando, inclusive as diferenças regionais.
a eles atribuídas, dispunham de legislação especial: se as admoestações paternais dos
padres não fossem suficientes, disse Vieira., o caso seria levado ao superior e se avisaria
ao governador e capitão-mor.'''' Considerações finais
Km qiipqnp'; prppõmicas, muilas foram também suas regalias, propiciando-lhes
possibilidades úp ^irnnmlnrãnãinfla gue em pequena escala, como se pode observaTpèro Do^exposto, pode-se deduzir que, tal como na Ainérica.pspMnlmbi, <) prnre<;<;f)
mapa da aldeia de São Pedro de 1798, qíie inclui as atividades produtivas e os rendimen- de transformação dos índios em súditos cristãos em terras brasílicas concentrou esforços
tos dos índios. Entre os 327 nomes dos chefes de famílias, dos quais constam algumas nas lideranças, cobrindo-as de honras e reiralias qiip não-re-iia dnvifla '"''^'"_[!2L!l^''
mulheres, em geral, viinas, há oito oficiais: um capitão-mor, dois capitães, um sargento- ^ s t a n t e apreciada^ A política de enobrecimento de parte das lideranças indígenas fa-
mor, dois alferes e dois ajudantes. Destes, dois eram possuidores de escravos e algum zia-se cqmaconcessão de privilégios e títulos que visava a introduzir hábitos, costumes e
gado: o capitão Miguel Soares Martins, dotado de alguma fortuna e instruído, segundo viilores domuhdõ iTItjramlIllilá e cristão para envolver PSIPS homejiija ordem colonial
Silva,''" tinha duas escravas, dois cavalos e um rendimento anual de 21 alqueires de de Iprma a que conduzissem seus liderados à obediência e disciplina n:is aldeias. As
farinha e duas arrobas de anil; o ajudante Domingos dos Santos Ferreira era |)ossuidor lideranças, por sua vez, assumiam esta posição com a autoridade dos que se sentiam
de duas escravas, dois bois, quatro vacas, dois cavalos e rendimento anual de 20 alquei- especiais. Segundo Gruzinski. mesmo vencidos, esies setores estavam longe de se senti-
res de farinha e uma arroba de anil. Os demais (incluindo o outro capitão e o próprio rem despojados de sua autoridade, pois sabiam-se indispensáveis como intermediários
capitão-mor) nada tinham além dos filhos, agregados e algum pouco rendimento, em e desfrulavain do apoio das ordens religiosas, que constituíam (orra pndpmsa un Mé-
geral de farinha. É instiganie observar que Inácio Pereira da Costa, Severino da Silva xico quinhêntisla.''" Tal afirmativa pode ser estendida à América portuguesa, onde os
e Luis Ribeiro, todos índios comuns, isto é, sem postos nem títulos, tinham dois bpis, o interesses e objetivos dos índios igualmenie se alteravam na dinâmica de sua história e
primeiro, e um cavalo, os dois últimos." Convém lembrar que, segundo Vieira, índios relações de conialo. Na situação de aldeados, passa\'am a valorizar e muito os postos que
c . | j comuns, remadores de expedição de resgate, tinham direito, em 1655, a receber alguns ocupavam, as vestimentas suntuosas, os papéis oficiais que comprovavam seus serviços e
" ~ escravos como pagamento. cargos, enfim, lodos os símbolos de poder e prestígio do no\'o mundo em que viviam.
Do exposto, parece que havia possibilidades de uma pequena acunuilação no in- Eiáticas deenobrecimppl" inHíjrpnas e rninniais snmanim-se e entrelaçaam-
lennrjn': alfleameBlni piin infin': embora fo.ssem maiores para OS OÍiciais índios dadas^ se, no empreendimento da rnnguiifta e da colonização. Sociedades indígenas absorveram
•sl
^ _ as suas legaliasjorém não nexessariamente ucufruiam-delas^Tais regalias incluíam os e_enobreceram portugueses que liies prestaram serviços e adquirirainjeus hábitos e
o ^ sajánMqueTembora baixos, muilas vezes acompanhavam o cargo e alguns privilégios costtimes^os portugueses fizeram o mesmo com algumas lideranças essenciais em suas
l~ i" económicos que lhes erani ouiorgiidos: além de não serem repartidos para o traUãnuT" conquistas. "
tinham o direito de ter índios trabalhando para si. Para a Amazónia do século XVllI, o Nao sè traia de negar a violência e a dominaçãojios portugueses sobre os
cõ S Diretório estabelecia por não ser justo que os oficiais índios com todas índios, nem tampouco a discriminação e o preconceito predominantes por todo o perlo-
do colonial, mesmo no período pós-pombalino. Xiata-^e-dgjxjsaltar, como evidencia a V
trajeiória de Araribóia e de outros líderes indígenas, queashierarquias sociais típicas~gõ OL.
€ g J ["1 aquelas honras compeieiues à graduação de seus posios. se reduzissem ao abiUiiuenio
2 <> de se precisarem ir pessoalmente à extraçno das drogas do sertão; poderão os diios Priiici- Ánúgo Regimejoiii^^
conotações étnicas e raciais ao incluir Índio;; e nef;ros na ha.se da pirâmiclR social, esten- •' Vicente do Salvador, 1-rei. História do Brasil.líOO-1627. São Paulo: KDUSl'; Belo Ho-
dendo para eles ajjaraitáções-tiaseadas-nQS-estatutQs deJimpeza.de-SaDgiie-queLQS.çxduía_ rizonte: liatia, 1982. p. 187.
da obtenção de cargos e tíiulosj2gnrosg&..Náo obstante, esta proibição era, principal- Ibidem.
mente no caso dos índios (também dos negros, mas em menor escala), desconsiderada, ' Principal era o nome utilizado para designar chefias indígenas no período colonial.
quando se julgava conveniente enaltecer lideranças indígenas que tinham importante " Instituição religiosa e militar, fundada em Portugal por D. Dinis cm 1315, quando
papel a desempenhar na conquista e na colonização. Os estudos sobre o lema revelam nacionalizou os bens da Ordem dos Templários, extinta pouco ames na frança.
que os preconceitos e discriminações foram mais atenuados em relação aos índios do que " M E L L O . Evaldo C. de. O nome e o sangue. São Paulo: Companhia das Leiras. 1989. p.
aos negros. No século X V I I I , isto torna-se evidente com a política antidiscriminatória de
20.
PõmbalTporém, mesmo nos séculos anteriores, esta tendência já se manifestava. A meu
Ibidem, p. 23.
ver, tal fato se explica, em grande parte, pela situação de guerra que tornava a aliança
" Ibidem, p. 120-121.
com os índios indispensável aos portugueses e pelas controvérsias sobre a legitimidade
' - ' A política de Pombal visava ã assimilação dos índios para o que inceniivav;i os ca.sa-
da escravidão indígena que ganhou vulto no século XVI, sobretudo na Espanha. Con-
mentos mistos e o fim da discriminação contra os índios que passavam a igualai-se
vém lembrar ainda que, na sociedade do Antigo Regime, as leis defíniam-se no cotidiano
aos demais súditos com direito a ocupar iodos os cargos. Sobre isso ver A L M E I D A ,
das relações enire os agentes sociais e conforme as situações práticas que iam surgindo.
Rita de. O diretório dos índios: um projeto de civilização no Hr:isil do século X V I I I .
Legislação e prática caminhavam juntas e muito frequentemente a primeira se fazia
Brasília: Ed. UnB, 1977.
para regulamentar o que já se praticava em larga escala, conforme os "usos e costumes
Citado por M E L L O , op. cil., p. 146.
da terra", expressão, inclusive, bastante utilizada para justificar comportamentos tidos
'•'SCHWARTZ, Stuart. T h e formalion of colonial ideniities in Brazil" I n : CANNY,
como ilícitos.
N.; PAGDEN, A. (Ed.). Colonial identity in lhe Atlantic World 1500-ISOU. 1'rinceion:
Asjolíticas e práticas referentes^às relações étnicas na colónia rnnstruíam-^p. Universiiy Press, 1987. p. 29.
pois, na diriâmica das interaçoes entre os vários agentes envolvidos e, neste processo, '•^ Piragiba era cacique tabajara nas ribeiras do São l-ranciso que migrou p:ir:i a l';iraíba
os índios, sobretudo suas lideranças, desempenharam também importantes P«iB£!i3i'£„ por ter matado alguns poriugueses. Inicialmente aliou-sc aos potiguara, e m ã o ini-
começam a ser valorizados em nossa historiografia. O estudo de suas trajetórias pode migos dos portugueses, mas logojuntou-se a estes últimos, leiulo dado coniribuição
descortinar novos horizontes para a história indígena e para a prógriahistória colonial. essencial para a conquista da Paraíba. Ver A L M E I D A , Geraldo G. de. Heróis indíge-
nas do Brasil: memórias sinceras de uma raça. Rio de Janeiro: Cátedra, 1988. p. 105.
LISBOA, Baltazar da Silva. Inrormação sobre a Comarca de Ilhéus (1799). Arquivo
Notas Histórico Ultramarino, Doe. 19209, reproduzido por A L M E I D A , E. Castro. Inven-
tário dos documentos relativos ao Brasil, v.4, p. 106 apud M O T f , Luiz. Os índios
' Sobre isso é fundamental a concepção de cultura como produto histórico, dinSmlco e do sul da Bahia: população, economia e sociedade, 1740-1854. Cultura: Revista da
llexível, tal como é entendida, por exemplo, por THOMPSON, K. I'. Miséria da teoria. Fundação Cultural do Estado da Bahia, Salvador, ano 1, n . l , p. 93-121, 1988.
Rio de Janeiro: J. Zahar, 1981. p. 182; M I N T Z , S.W. Culture: an antliropological M E L L O , op. cit. p. 37.
view. Tlie Yale Review, Yale, p. 499-512, 1982. Ibidem, p. 24.
Alguns autores informam ter sido ele balizado com o nome de Martini Afonso, outros '•' STAVENHAGEN, Rodolfo. Las classes sociales en las sociedades agrárias. México: Siglo
2 « acrescentam o de Souza, o que me parece mais compatível com a prática de tomar Veiiitiuno Editores, 1969. p. 238. De acordo com Asliley Montagu, o faior cultura
nomes de portugueses de prestígio. (Sobre isso ver BELCHIOR. Klysio de O. Coii- tornou o termo raça inaplicável à s populações luimanas. ( M O N f A G U , A. T h e con-
fi quistadores e povoadores do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Brasiliana, I9G5. p. 55-59. cept o f race. I n : H N T E R , David; W H l T f E N , Philip. Aniliropology: conteniporary
Clemente M . da Silva-Nigri, Dom. Construtores e artistas do Mosteiro de Srlo Bento do Rio perspective. Boston; Little, Borden and Company, 1975. p. 69-81.
de Janeiro. Salvador: Tipografia Beneditina, 1950. p. 11. ^""índios famosos em armas, que neste Estado do Brasil concorreram para a sua con-
•* Apud L E I T E , Serafim. Páginas da História do Brasil. São Paulo: Editora Nacional, quista temporal e espiritual". Ms. Instituto de Estudos Brasileiros (1EB)/USP. Códice
1937. p. 143-144. A informação do padre é de que Araribóia casou-se com uma ma- 5.6.,A 8.
^1 meluca filha de branco e há dúvidas entre a possibilidade de tratai-se de um segundo
-' FERNANDES, Florestan. A organização social dos T u p i n a m b á (1948). São Paido:
2 5 casamento ou de confirmação católica de situação conjugal j á vivida anteriormente,
H U C I T E C , 1989. p. 167.
visto que, em 1568, ele havia feito menção a trazer sua mulher do Espírito S;iiuo.
"índios famosos em armas, que neste Estado do Brasil concorreram par;i a sua con-
Sobre isso, ver BELCHIOR, op.cit., p. 58.
quista temporal e espiritual". Ms.Instituto de Estudos Brasileiros (1EB)/USP. Códice
5.6.,A8
-•' S C H W A R T Z , S. B i a z i l i a i i etlinogeiíesis: mesciços, i i i a n i e l u c o s , a i u l |)ardos. l i i : C.RU- R e q u e r i j n e i i t o d e João B a t i s i ; i d a C o s t : i , t n p i í ã o - i M o r cl;i .Aldeia d c São Barnabé, 6
Z I N S K I , S. e i al./.«/Voi/iwíi/.v )j/o)ii-/e5. Paris; (s.ii.], 199G. p. 2 2 . d e j i u i l i o d e 1779. M s . A H U RJA, c x . l 2 2 , d o e . 3 3 . (Ai\c.\() a C o n s u l t ; ! cio Cionselho
•' B A I X A q u e d e u el r e i a u m índio c n p i t f t o - m o r p o r se liaver casado t o m u m a p r e t a . U l i r ; u ) i a r i n o d e 2 2 d e I c n c r e i r o d e 1780).
1771. K m S O U Z A K S I L V A , J o a q u i m N o r b e r t o d e . Memória histórica e d o c u m c m a d a
R e q u e r i m e n t o de João Batist;i da C o s i a , capiíão-nior d c São l i a r n a i j c . G d c j i i i i l u ) d e
das a l d e i a s d e índios d o R i o de J a n e i r o . Hevisla tio liisliltilo Hislóriru e (irogrtí/iiv rio
1779. M s . A H U RJAc.-i.119, d o t . 8 8 .
liiasil. R i o d e J a n e i r o , 3 " Serie, Tomo X V , p . 4G2, 1854.
"Ibidem.
" ' C o i i s t i l t a d o Coi\sellio U l t r a m a r i n o sobre a represeiiiaç.lo d e João h a l i s i a d a Costa,
Ibidem.
c a p i í ã o - m o r d a . \ l d e i a d e São Barnabé. 2 2 d e f e v e r e i r o de I7S0. .\!s. . A r q u i v o Histó-
• " ' C a r t a d o tapilão-nior d a .Aldeia d e Itaguaí, José 1'ircs T ; i v ; i r c s . ;io v i c c - r e i . 1805. E m
r i c o U l t r a m a r i n o ( A H U ) R i o d e j a n e i r o Avulsos (RJA), c.x. 122, doe.
S O U Z A E SILVA, o p . cit., p. 373-374.
" D i r e t ó r i o q u e se deve oUservar nas povoações dos índios d o Pará c Maranhão e n -
•'' C o n s u l t a d o C:onsclho U l i r a i m i r i n o sobre o r c q u c i i i n e i i i o de M a n o e l de Je/.us d e
q u a n t o Sua Majestade não m a n d a r o c o n i r A r i o " ( M O R E I R A N K T O , C a r l o s d e A .
Souza. 7 d e j a n e i r o de 1790. M s . A H U , R J A , cx,lG2,dot.2.
íiiilios tia Aiiiaiôiii(i: d e m a i o r i a a m i n o r i a (1750-1850). R i o d e j a n e i r o : Vozes, 1988. p .
W A C H T E L , op.cit., p . 2 2 5 .
I 6 G - 2 0 5 . §10, p . 170.).
'•' C ; R U Z I N S K 1 , S . L a r e d ; i g i i j e r a d a : i d e i u i d ; i d e s étnicas y o c c i d e n t a l i z a c i o n e n el M é -
S C H W A R T Z , S. U r a z i l i a n e t h n o g e n e s i s : mestiços, m a m e l u c o s , a n d p a r d o s . I n : G R U - x i c o c o l o n i a l (siglos X V I - X I X ) . América Indígena, M é x i c o , ; u i o X l . V l , v . X L V I , n . 3,
Z l N S K l , S. et a l . I.es Noitvetiiix inoiules. Paris: [s.n.], 199tí. p. 10. p . 4 1 5 , j u l . / s e i . 198G.
M K L I . O , o p . c i t . , p . 119.
• • " C A R D I M , o p . c i t . , p . 1G3.
N o l i n a l d o séc. X V I , e n t r e indivíduos d e o r i g e m p o r t u g u e s a , a relação era de :i,7 •'' A n t o n i o V i e i r a , Padre. Relação d a Missão d a S e n ; i d e l b i ; i p a b ; i . l i i ; M K I H Y , J . C .
h o m e n s p a r a cada m i i l l i e r , relação essa q n e v a r i a v a t o m as regiões. N o c o u j t u i t o d o
Sebe B o m ( O r g . ) . /V Anionío Vieira : Escritos instruii'---nt;ii.s s o b r e Í)S índios. .São Pau-
B r a s i l , t o n s i d e r a n d o - s e t o d a s as o r i g e n s étnicas, a relação e r a d a o r d e m d e 2.8. S o b r e
l o : E D U C , 1 9 9 2 . p. 139.
isso v e r E . C a b r a l d e M K l . l . O , o p . c i t . , p . i o e .
''" Descrição d e vãrios d i s t r i t o s d a c a p i t a n i a d o R i o de ]:ineir<), ll-iia p o r o r d e m d o l i m o .
F E R N A N D E S , o p . c i t . , p. G9.
e E x m o . S e n h o r C o n d e de R e z e n d e V i c e Rei e Capitão C'.ener;il d c M : i r e T e r r a d o
•" V A S C O N C E L O S , Simão d e . Crõuicti ílti Compnnhiii de Jesus [ 1 0 6 3 ) . Petrópolis; Vozes,
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S o b r e isso, v e r A M A D O , J a n a i n a . D i o g o A l v a r e s : o C a r a m u r u : A 1'uiulação Mítica d o
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B r a s i l . ICsIiidos Hislóricos, R i o d e j a n e i r o , v. 14, n . 2 5 , p . 3 - 4 . 2 0 0 0 .
N o t a d o p a d r e L o u r e n ç o C o r r e a , s t i p e r i o r d:i A l d c i : i de São P e d r o . 8 d c m a i o d e
V A S C O N C E L O S , o p . c i t . , p . 193.
1683. M s . A H U A n e x o ã c a r t a d e D o i n i n i ; o s d a Silv;i cie A g r e l a s . 2G d c j u l h o d e 1083.
" W A C H T E L , N a i h a n . I.os vencidos: los índios d e i P e r u I r e n t e a l a c o n q u i s t a espahola
M s . A H U R J A . C x . 5, doe. 4 5 .
( 1 5 3 0 - 1 5 7 0 ) . M a d r i : A l i a n r a U n i v e r s i d a d . 197G; G R U Z I N S K I . Serge. A loloiiiiiiçtU
do iiiittgiiiáiio: s o c i e d a d e s indígenas e ocidentalização n o M é x i c o e s p a n h o l : séculos ''''Regulamento das A l d e i a s Indígenas d o M a r a n h ã o e CrÃo Pará. Pe. V i e i r a - 1 G 5 8 -

^ X V I - X V I I I . São Paulo; C o m p a n h i a das L e t r a s . 2 0 0 3 . I 6 G I , §39 e m B E O Z Z O . o p . c i t . . p . 2 0 4 .


S O U Z A E S I L V A , o p . c i t . , n . 14, p . 2 1 0 .
1 CARDIM, l'ernão;-'/Vrtte/os ilii leira e tia gente tlò llrasil [1G25]. São Paulo: EDUSP;
^ B e l o H o r i z o n t e : l i ; u i a i a , 1980. Descrição d e vários d i s t r i t o s da c a p i t a n i a d o R i o d e j a n e i r o l e i t a p o r o r d e m d o I l m o .

.| S o b r e isso v e r F E R N A N D E S , o p . c i t . e K x i n o . S e n h o r C o n d e de Rezende vice Rei e C;ipilão ( i e n e i a l d e M a r e T e r r a d o

'•" R e g u l a m e n t o das .Aldeias Indígenas d o M a r a n h ã o e Grão Parã: Pe. Antônio V i e i r a Estado d o B r a s i l . 1797 M s . A H U R i o de J ; i n e i r o , A v u l s o s , cx. 165, d o e . 0 2 .

-Ití38-IGG1,§40 e m B E O Z Z O , José. Leis e regimenlos das missões: política i n d i g e n i s t a Diretório, d o e . c i t . §50. p . 187.

_ |- n o B r a s i l . São P a u l o : L o y o l a , 1983. p . 2 0 4 . '''' S o b r e isso, v e r A L M E I D A , M . R e g i n a C e l e s t i n o d e . Os vassalos d'el tley vos confins da


^ s Ressalte-se q u e . e m 1828, o capilão-inor d a a l d e i a a i n d a e r a n m Souza - José C a r d o s o Amazõnin: a colonização d a A m a z ó n i a O c i d e n t a l - 1750-1798. Dissertação ( M e s t r a -
a ^ de Souza - . p r o v a v e l m e n i e d a mesma fainflia S O U Z A E S I L V A , op.cit., p. 3 4 0 . d o ) - U i i i v e r s i d a d e F e d e r a l l - l u m i n e n s e . Niterói, 1990.
è i S o b r e isso, v e r A L M E I D A , NL R e g i n a C e l e s t i n o d e . Metamorfoses iiidígeiíiis: i d e n t i d a - ' ' " C . R U Z I N S K L S . L a r e d a g u j e r a d a : i d e i u i d a d e s étnicas y o c t i d e n t a l i z ; i c i o n e n el M é -
E 3 d e e c u l t u r a nas a l d e i a s c o l o n i a i s d o R i o d e j a n e i r o . R i o d e j a n e i r o : A r ( | i i i v o N a c i o -
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