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Gilda Cristiana Ribeiro Campos

Curso de Massagem

ESTUDO CASO: OBSTIPAÇÃO

Instituto Português de Naturologia

Ano lectivo de 2007/2008

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Gilda Cristiana Ribeiro Campos

Curso de Massagem

Disciplina: Reflexoterapia e Automassagem

Docente: André Santos

ESTUDO CASO: OBSTIPAÇÃO

Instituto Português de Naturologia

Ano lectivo de 2007/2008

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1. ÍNDICE

Índice__________________________________________________________________4

Índice de figuras_________________________________________________________5

Introdução______________________________________________________________6

Objectivos______________________________________________________________7

Estrutura do Trabalho_____________________________________________________7

Abordagem Ocidental____________________________________________________8

Definição____________________________________________________________9

Sintomas___________________________________________________________10

Causas_____________________________________________________________10

Diagnóstico_________________________________________________________11

Tratamento__________________________________________________________11

Abordagem Oriental_____________________________________________________13

Definição___________________________________________________________14

Sintomas___________________________________________________________14

Causas_____________________________________________________________14

Prevenção__________________________________________________________17

Diagnóstico_________________________________________________________17

Tratamento Reflexológico______________________________________________20

Conclusão_____________________________________________________________28

Bibliografia____________________________________________________________30

Anexos_______________________________________________________________31

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1.1 ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1-Imagem alusiva à história da reflexologia, desde o antigo Egipto ______________6

Figura 2- Esquema representativo da relação entre os 5 elementos da MTC___________16

Figura 3- Imagem alusiva à observação dinâmica do pé ___________________________19

Figura 4- Imagem real da realização da massagem de relaxamento podal_____________20

Figura 5- Imagem real da realização da massagem das áreas reflexas________________21

Figura 6- Esquema representativo da sequência de massagem do intestino grosso______22

Figura 7- Esquema representativo dos mapas reflexológicos utilizados para a realização do

tratamento, com algumas das importantes áreas tratadas__________________________23

Figura 8 e 9 - Imagem real da realização de reflexologia nas mãos __________________24

Figura 10-- Mapa reflexológico utilizado para a realização do tratamento na mão________25

Figura 11 e 12- Imagem real da realização da acupressão no meridiano do Intestino

delgado_____________________________________________________________________26

Figura 13- Imagem relativa à realização do Toque Terapêutico______________________27

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2. INTRODUÇÃO

A Reflexoterapia é uma terapia complementar holística, sendo que o seu objectivo


está mais direccionado para o tratamento integral do individuo que o dos seus sintomas. A
reflexologia consiste na aplicação de pressão e massagem de pontos e áreas reflexas nos
pés e nas mãos, sendo que os reflexos são como espelhos que reflectem todo o organismo.
O conceito de Reflexologia como terapia médica começou a surgir no século XIX,
tendo por base a investigação do sistema nervoso por cientistas e médicos ocidentais. A
descoberta de que através de acções reflexas se pode influenciar a saúde e bem-estar,
estabeleceu a base para a prática actual dos reflexólogos.
Assim perceberam que o sistema nervoso detecta e interpreta informação do mundo
exterior e inicia a reacção do corpo à mesma, daí o aparecimento do conceito de reflexo-
reacção involuntária a um estímulo. Daí que uma acção desenvolvida numa parte do pé ou
mão cause uma reacção noutra parte do corpo, a parte correspondente.
Mais tarde o médico William Fitzgerald desenvolveu a Teoria Zonal, que nos diz que,
o corpo está divido em 10 zonas longitudinais que vão do cimo da cabeça ate aos pés.
Assim há 5 zonas em cada lado do corpo, sendo que cada uma se ramifica pelo respectivo
braço e envolve um dedo da mão e também desce pelo corpo e pela respectiva perna para
alinhar com um dedo do respectivo pé.
Posteriormente Eunice Ingham e outros colaboradores, acrescentaram as suas
próprias ideias ao conceito base da Teoria Zonal, aplicando essa Teoria aos pés e criando
mapas dos pés e mãos que mostram os pontos de pressão correspondentes às diferentes
partes do corpo.
Hoje em dia a Reflexologia moderna floresce um pouco por todo o mundo e é já
utilizada com bastante frequência no mundo ocidental.

Figura 1- Imagem alusiva à historia da reflexologia, desde o antigo Egipto

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3. OBJECTIVOS

Com este trabalho, procuro, dar ênfase ás diferenças entre a abordagem ocidental e
oriental no tratamento da Obstipação. Sendo contudo o principal objectivo o de realizar num
caso real e prático o tratamento reflexológico da obstipação.
Pretendo sempre ter em conta todos os conhecimentos adquiridos durante as aulas
teóricas e praticas, para a aplicação no contexto real de tratamento.
Para tal, e para além de realizar uma revisão bibliográfica adequada, necessitei de
realizar um estudo prático, num caso real de um paciente com obstipação.
Realizei então 5 sessões de Reflexoterapia, espaçadas no tempo de 7 dias entre
elas, sendo que cada uma tinha a duração de cerca de 1h a 1,5h. Contudo e como é óbvio a
primeira sessão foi a mais demorada uma vez que foi necessário avaliar todo um historial
clínico do paciente, explicar o tratamento a ser realizado de uma forma clara e simples, para
obter a total colaboração por parte do paciente.

4. ESTRUTURA DO TRABALHO

Este trabalho está essencialmente dividido em 2 partes fundamentais.


Uma primeira em que é feita uma abordagem ocidental da patologia em causa
(obstipação), dando especial ênfase ao seu tratamento, para podermos depois verificar as
diferenças entre as abordagens, e uma segunda parte em que faço um abordagem oriental
da patologia, tendo por base os conhecimento base da Medicina Tradicional Chinesa, mas
dando especial ênfase à Reflexoterapia. Nesta ultima parte, descrevo pormenorizadamente
todo o tratamento reflexológico desenvolvido num caso pratico real.

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V.I. ABORDAGEM OCIDENTAL

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5.1.1 DEFINIÇÃO

A obstipação (também conhecida como prisão de ventre) consiste na dificuldade em


evacuar as fezes do tracto intestinal. Refere-se no fundo a uma condição em que o ritmo
intestinal é irregular e as fezes são geralmente duras e secas. Isto resulta na maior parte
das vezes da absorção excessiva de água das fezes devido a passagem lenta destas pelo
intestino grosso.
A obstipação pode ser classificada em dois tipos, a aguda e a crónica.
A obstipação aguda tem um início súbito e de modo perceptível. Por outro lado, a
obstipação crónica pode começar de modo insidioso e pode persistir por meses ou anos.
Ocasionalmente, a obstipação aguda pode ser causada por problemas graves como,
por exemplo, a obstrução do intestino grosso, o aporte insuficiente de sangue para o
intestino grosso e uma lesão nervosa ou medular. A actividade física escassa e a dieta
pobre em fibras são causas comuns da obstipação crónica. Os factores psicológicos são
também causas comuns de obstipação aguda e crónica. (2) (3) (7) (11)

A obstipação, ou prisão de ventre, é apontada como um dos grandes males da vida


moderna. Não sendo um tema agradável, poucos querem falar sobre o assunto e, menos
ainda, o assumem como um problema que lhes diga respeito. No entanto, só em Portugal,
este problema afecta cerca de dois milhões de pessoas, na sua maioria mulheres,
condicionando o seu bem-estar físico e psíquico. (9)
Estatisticamente a obstipação afecta assim, mais as mulheres do que os homens e
tal é devido a factores hormonais e, no caso da gestação, pela compressão do útero sob o
intestino. (7) (9) (11)

5.1.2 RITMO INTESTINAL NORMAL

A função intestinal varia bastante, não apenas de um indivíduo para outro, mas
também no mesmo indivíduo em momentos diferentes. A função intestinal pode ser afectada
pela dieta, pelo stress, por drogas, por doenças e inclusive por padrões sociais e culturais.
Na maioria das sociedades ocidentais, o número normal de evacuações varia de 2 a 3 por
semana até 2 a 3 por dia.

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Normalmente as pessoas preocupam-se por não ter actividade intestinal com
frequência suficiente, mas, na verdade, a regularidade e o conforto do trânsito intestinal são
mais importantes que a frequência. Contudo, qualquer alteração persistente do padrão de
actividade dos intestinos (alterações da frequência, da consistência ou do volume das
evacuações ou ainda a presença de sangue, muco, pus ou um excesso de matéria
gordurosa nas fezes) podem indicar uma doença e por isso deve ser investigada pelo
médico. (8) (10) (11)

5.1.3 SINTOMAS

• Pressão abdominal (abdómen inchado)


• Cólicas
• Fezes duras e secas
• Irritabilidade
• Desconforto/pressão rectal

5.1.4 CAUSAS

A prisão de ventre na maioria das pessoas é causada por uma ou várias das
seguintes causas:
• Ingestão insuficiente de líquidos;
• Alimentação pobre em fibra;
• Sedentarismo;
• Administração de suplementos de ferro, antidepressivos, antipsicóticos,
antiácidos com alumínio ou cálcio;
• Stress;
• Ansiedade;
• Depressão;
• Hábito de "aguentar" ou adiar a ida à casa de banho;
• Algumas doenças específicas e problemas a nível do cólon ou recto;
• Hipotiroidismo;
• Doença de Parkinson;
• Enfraquecimento dos músculos do abdómen e do pavimento pélvico (impede a
pressão adequada para defecar), em alguns idosos. (7) (8) (10) (11)

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5.1.5 DIAGNÓSTICO

O médico avalia habitualmente a obstipação através de uma história clínica


detalhada, um exame físico e, por vezes, exames especiais para estudo da motilidade e
trânsito intestinais.
Caracterizada a obstipação, compete ao médico a decisão de, em casos
seleccionados, executar exames radiológicos e/ou endoscópicos para diagnóstico de
eventual lesão orgânica. A endoscopia é um método mais directo, pois é visualizada a
superfície do intestino parcialmente (retossigmoidoscopia) ou todo o intestino grosso
(colonoscopia).
Outros exames de diagnostico são o contraste com bário, que revela a presença de
uma obstrução no interior do intestino, as análises sanguíneas e das fezes, para detectar a
presença de hemorragias internas ou de outros sintomas sistémicos.
Por ouro lado quando se trata de um idoso com obstipação, a avaliação física e
psicologica e uma história pormenorizada dos hábitos intestinais são especialmente
importantes. (8) (11)

5.1.6 TRATAMENTO

Regra geral, a prisão de ventre é uma disfunção intestinal temporária, sem gravidade
e que surge como consequência de hábitos de vida.
Assim existem factores básicos de correcção para uma reeducação atempada de
uma obstipação crónica futura, como os que a seguir se apresentam.

• Comer alimentos ricos em fibras, como: cereais, frutas frescas e vegetais:


o As fibras amolecem as fezes de uma forma natural;
o Alguns tipos de fibras absorvem a água como uma esponja, tornando as
fezes mais maleáveis e de fácil evacuação.
• Comer com calma;
• Aumentar a ingestão de líquidos;
• Beber chá ou água quente, pois podem estimular o funcionamento do intestino
• Fazer exercício físico (evitar uma vida sedentária);
• Estabelecer uma rotina periódica de ida à casa de banho;
• Nunca reprimir a vontade de defecar;
• Laxantes (o uso de laxantes será abordado de seguida, uma vez que nem
sempre devem ser usados). (7) (8) (11)

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LAXANTES

Deve ter-se muito cuidado com o uso de laxantes pois eles podem causar sérios
riscos à saúde, e também deve ser observada a necessidade de combater a doença e não
os seus sintomas. Muitas pessoas utilizam laxantes para aliviar a obstipação, contudo
alguns são seguros para o uso prolongado e outros somente devem ser usados
ocasionalmente. Assim alguns são úteis para prevenir a obstipação e outros podem ser
utilizados para tratá-la.
Existem diferentes tipos de laxantes, vamos abordar apenas alguns.
• Os agentes formadores de volume (farelo de cereais, psílio, policarbófilo de
cálcio e metilcelulose) adicionam volume às fezes.
O volume maior estimula as contracções naturais do intestino, e as fezes volumosas são
mais moles, sendo eliminadas mais facilmente. Estes actuam de forma lenta e suave e
representam uma das formas mais seguras para promover evacuações regulares.
• Os agentes osmóticos (normalmente sais de fosfato, de magnésio ou sulfato)
atraem grandes quantidades de água para o intestino grosso, tornando as fezes moles e
frouxas. O excesso de líquido também distende as paredes do intestino grosso, estimulando
as contracções.
Os agentes osmóticos que contêm magnésio e fosfato são parcialmente absorvidos
para o interior da corrente sanguínea e, consequentemente, são nocivos para os indivíduos
com insuficiência renal.
O uso prolongado de laxantes estimulantes pode lesar o intestino grosso, além disso,
os indivíduos podem tornar-se dependentes de laxantes estimulantes, desenvolvendo a
síndrome do intestino preguiçoso.
Podem também usar-se laxantes naturais (como o chá Senne ou de Jasmim) para
combater a obstipação. (8) (9) (10)

QUANDO SE DEVE PROCURAR UM MÉDICO?


Qualquer alteração do seu hábito intestinal (ritmo) merece a atenção de um
profissional. Sintomas associados como perda de peso, dor abdominal acentuada ou
hemorragia podem indicar doenças associadas e merecem especial atenção. Outras
doenças sistémicas podem estar associadas à obstipação como a diabetes ou doenças da
tiróide.
Deve igualmente consultar-se o médico se a obstipação se verificar após anos de
hábitos intestinais normais ou for acompanhada de sangue nas fezes, dores no ânus ou
(8)
recto, cólicas abdominais ou perda de peso.

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V.II. ABORDAGEM ORIENTAL

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5.2.1 DEFINIÇÃO

O ideal é defecar todos os dias, mas considera-se que só existe prisão de ventre se
o intervalo normal entre duas evacuações se expandir por 3 a 5 dias, ou mais. Neste caso,
para além do período de tempo anormal entre defecações, outros sinais acompanham o
fenómeno da obstipação, e são eles:

• Fezes secas.
• Dificuldade em defecar.
• Formato anormal das fezes.

Esta patologia pode envolver vários órgãos e vísceras, sendo eles: Estômago,
Intestino Delgado, Intestino grosso, Baço-pâncreas, Fígado e Rins e Pulmão.
Com base nos princípios básicos de MTC é necessário reconhecer os órgãos
afectados que estão na origem da obstipação, através da identificação dos vários sintomas
que a acompanham, para diferenciar o diagnóstico e prescrever o tratamento mais
adequado a cada paciente. (9) (12) (14) (15)

5.2.2 SINTOMAS

• Pressão abdominal (abdómen inchado)


• Cólicas abdominais
• Fezes duras e secas
• Irritabilidade
• Desconforto/pressão rectal
• Dificuldade em defecar
• Formato anormal das fezes

5.2.4 CAUSAS

A prisão de ventre é um problema constante na vida de muitos ocidentais. Na maioria


dos casos, devido a erros alimentares. Normalmente, não só devido à natureza dos
alimentos ingeridos, mas também devido à forma como os ingerimos - o consumo de
alimentos muito quentes, seca os líquidos do estômago e dos intestinos; e, por outro lado,
ingerir alimentos excessivamente frios, danificam a função do Baço - estes são factores
suficientes para causar a prisão de ventre.

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Quando nos referimos a alimentos quentes ou frios, não estamos a pensar na
temperatura dos alimentos quando os ingerimos (embora seja um factor a ter em conta),
mas sim à sua natureza, que pode ser quente, morna, neutra ou fria.
Existem outras causas prováveis para esta patologia como, por exemplo, uma
alimentação pobre em fibras, que pode provocar um movimento intestinal lento e fezes
duras, causas emocionais, falta de exercício físico, excesso de trabalho, parto e doenças
febris.
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), algumas das causas possíveis e
mais comuns para prisão de ventre são:

• Calor e secura originadas dentro do corpo.


• Estagnação de Qi.
• Deficiência de Qi que causa uma diminuição do trânsito intestinal.
• Deficiência de sangue que torna o intestino seco e enrugado.
• Excesso de frio que perturba o intestino. (9) (12) (14) (!5)

Avaliando a Obstipação tendo em consideração a relação dos 5 elementos, verifica-


se que ela pode surgir essencialmente devido a uma alteração a nível dos elementos Fogo
e Metal, uma vez que a estes correspondem respectivamente os Zang/Fu
Coração/Intestino Delgado e Pulmão/Intestino Grosso, uma vez que são também
essencialmente os intestinos que estão afectados quando existe obstipação.
Contudo e uma vez que a alteração da nível dos elementos Fogo e Metal, tem de ter
uma causa, é provável que exista também uma alteração a nível dos elementos Terra e
Madeira que são os “progenitores” dos elementos referidos anteriormente, uma vez que são
estes que os nutrem. O elemento Terra corresponde ao Zang/Fu, Baço-Pâncreas/
Estômago, e o elemento Madeira corresponde ao Fígado /Vesícula biliar, que são também
importantes órgãos anexos da digestão, e que também por isso faz todo o sentido estarem
alteradas quando existe obstipação.
Por outro lado o elemento Agua, que corresponde ao Zang/Fu Rim/Bexiga também
pode estar afectado uma vez que é este que controla/inibe o elemento Fogo, e o mesmo se
passa em relação ao Fogo que controla o Metal.

Especificando um pouco mais, podemos verificar que quando existe obstipação


existe normalmente uma estagnação ou deficiência de Qi a nível dos intestinos, quer
delgado quer grosso, embora seja o intestino grosso o mais afectado na maior parte das
vezes.

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Assim, e pela analise dos 5 elementos da Medicina Tradicional Chinesa, podemos
entender, que a deficiência a nível do elemento Fogo (Coração/Intestino delgado) pode
ocorrer porque o seu progenitor, o elemento Madeira, pode estar também com um défice de
Qi e por conseguinte não fornecer a energia necessária ao Fogo. Por outro lado, este défice
a nível do elemento Fogo pode ser devido a um consumo excessivo por parte do seu
descendente, o elemento Terra. Ainda uma outra alternativa, que acaba por estar interligada
com as anteriores, está relacionada com um controlo/inibição excessiva por parte do seu
“avô”, o elemento Agua, e dai advir uma diminuição da energia do Fogo.
Quanto ao défice de Qi a nível do elemento Metal (Pulmão/Intestino Grosso), este
pode ocorrer devido ao facto de o seu progenitor, o elemento Terra estar também com um
défice de Qi e não conseguir fornecer a energia necessária ao elemento Pulmão. Numa
outra análise, este défice a nível do elemento Metal, pode ser devido a um consumo
excessivo por parte do seu descendente, o elemento Água. Outra explicação possível, será
o facto de o seu “avô”, o elemento Fogo, exercer um controlo/inibição muito forte e assim
provocar uma diminuição da energia do Metal.

Figura 2- Esquema representativo da relação entre os 5 elementos da MTC

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5.2.5 PREVENÇÃO
O consumo de 30g de fibras e entre 6 a 8 copos de água por dia pode prevenir a
obstipação.
Os suplementos de fibra que contem zaragotoa costumam fazer efeito ao fim de 2
dias e podem utilizar-se sem que provoque dependência. A semente de linho em pó
funciona da mesma forma. A fibra insolúvel como o trigo ou aveia integral, é tão eficaz como
a zaragotoa mas pode provocar flatulência.
A toma diária de 500mg de vitamina c e 400mg de magnésio pode prevenir também
a obstipação. Se aparecerem sintomas, deve aumentar-se a dose em 100mg ao dia até ao
máximo de 5g de vitamina c e 1g de magnésio. O uso de doses preventiva deve ser reposto
depois de solucionar a crise aguda. (11)

5.2.3 DIAGNÓSTICO
Em todo o caso, é sempre necessário um diagnóstico caso a caso, pois a
individualidade faz a diferença, e o tratamento deve ser adequado a cada situação.
Neste caso, o tratamento utilizado vai ser exclusivamente o Reflexológico, para
poder ser um verdadeiro estudo de caso.

OBSERVAÇÃO DINÂMICA DO PÉ

Antes de iniciar a observação do pé, e para ter a total colaboração por parte do
paciente, expliquei que gostaria que ele relaxasse e que apenas iria observar o pé a fim de
realizar o diagnóstico da patologia em causa (obstipação), mas também de qualquer outra
patologia, que poderia ter, ou pelo menos indícios disso.

Na análise e observação minuciosa do pé da minha paciente, encontrei os seguintes


achados:
Coloração/tonalidade um pouco clara
Curvatura normal
Pele fina e delicada
Pele maleável
Pés frios
Sinal ténue da área reflexa do pulmão direito
Calosidades na área reflexa os dois pulmões
Vincos, sulcos profundos na área reflexa do pulmão esquerdo
Sulcos em forma de xxx na área reflexa dos intestinos.

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O facto de existirem sulcos na área dos intestinos e pelo facto de apresentarem uma
forma de xx, confirma o quadro de obstipação referido pela paciente. É visível também
alguma ondulação, se assim se puder referir, na área reflexa dos intestinos, o que pode
estar associado à flatulência, confirmada pela paciente.
A existência de sulcos profundos na área reflexa do pulmão, poderá ser sinal de
alguma condição respiratória. Contudo pode estar também associada a alguma condição
emocional, como uma depressão exógena.
No caso da minha paciente, penso que os achados na área reflexa dos pulmões poderá
estar associada com a sinusite crónica da mesma, uma vez que esta patologia consiste
numa inflamação dos seios paranasais, muitas vezes relacionada com infecções
respiratórias.

Contudo e numa analise dos conhecimentos que já possuo e que posso relacionar,
entendo que as calosidades, o sinal e mesmo o sulco pronunciado na área reflexas dos
pulmões, podem estar relacionados com a própria obstipação e flatulência, no fundo estão
relacionados com a disfunção dos intestinos em geral, uma vez que o Pulmão (Zang) e
Intestino grosso (Fu) estão intimamente relacionados, sendo considerados inclusive “um só”
juntamente com o meridiano do Pulmão.

Fazendo uma análise do pé detalhada, mas considerando sempre o indivíduo como


um todo, podemos estabelecer um paralelismo com os elementos clássicos da natureza, a
Terra, a Água, o Fogo e o Ar.
Assim características destes elementos podem ser observadas nos pés, e são essas
características que nos irão dar uma indicação do estão físico e emocional do individuo.
Contudo na nossa vida nada é fixo e permanente, pelo facto de apresentarmos
características de um dado elemento não significa que sempre as tivemos e que sempre as
vamos ter. No fundo existe um fluxo constante, um dinamismo entre os vários elementos,
um flui a seguir ao outro. Assim a fixação num dado elemento significa uma estagnação,
uma dependência, um problema, uma patologia talvez. (4)

Os elementos mais predominantes no pé da minha paciente, são a água e o ar.


Contudo não me aparece existir um grande domínio destes elementos sobre os outros,
sendo apenas de destacar algumas características.
Relativas ao elemento água encontrei os seguintes achados: pés constantemente
frios, unhas brandas, tecido cutâneo fino.

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Relativamente ao elemento ar, as características mais relevantes encontradas foram:
pés frios e delicados, cor clara, dedos delgados e flexíveis.
Na tentativa de perceber o ser humano como um todo, procurei estabelecer uma
relação entre estas características encontradas, e a sua aplicação mais geral e abstracta no
ser humano. Daí que percebi que realmente esse paralelismo é real e possível, uma vez que
as características encontradas se enquadram na personalidade da minha paciente. O facto
de ser uma pessoa emotiva, feminina, intuitiva (elemento agua), mas que também é activa,
muito positiva, comunicativa e espiritual (elemento ar).
Naturalmente, e como já referi anteriormente, quando há um predomínio de um
elemento, isso pode manifestar-se com significado patológico. Assim a relação com o
elemento água é desde logo evidente, uma vez que esta pode estar associada a dilatação
abdominal, flatulência, doenças intestinais (como a obstipação), dores abdominais, entre
outras.
È de referir também que a cada elemento corresponde uma área do pé, assim por
exemplo o elemento água situa-se na terceira zona do pé (entre o reflexo do diafragma, no
seu aspecto superior e a linha imaginaria entre o ponto mais elevado dos maléolos) que
corresponde precisamente à região abdominal.

Elemento Ar

Elemento Fogo

Elemento Água

Elemento Terra

Figura 3- Imagem alusiva à observação dinâmica do pé segundo os elementos gregos

19
5.2.6 TRATAMENTO- REFLEXOLOGIA PODAL

Comecei por explicar ao paciente, de forma simples e corrente, o procedimento que


iria realizar de forma a este perceber e poder colaborar durante o mesmo.
Antes de iniciar a sessão propriamente dita preparei o local de trabalho: coloquei
uma toalha sobre a marquesa, e uma manta ao lado para cobrir o paciente, diminui a
intensidade da luz para criar um ambiente calmo e relaxante, por fim coloquei uma música
calma a tocar.

1º MASSAGEM DE RELAXAMENTO

O primeiro passo foi realizar uma massagem de relaxamento a todo o pé, de modo a
preparar o paciente física e psicologicamente para o tratamento em si.
Como é habitual, comecei por realizar um estiramento do tendão de Aquiles, seguida
da rotação e relaxamento do tornozelo (na zona dos maléolos externos e acima), realizei de
seguida a rotação/torção lateral do pé, o amassamento geral do pé e a rotação e
estiramento de todos os dedos. Realizei ainda o estiramento e torção da zona reflexa da
coluna vertebral, e massagem da área reflexa da cabeça (efectuando a técnica do polegar
rotativo pelas 6 linhas imaginarias pré definidas no hálux) e da área reflexa da coluna
vertebral. Terminei com a pressão do plexo solar, coordenado com a respiração do paciente
e inclusive com a minha. (1)
Este procedimento foi efectuado em todas a sessões de reflexologia, da primeira à
quinta.

Figura 4- Imagem real da realização da massagem de relaxamento podal.

20
2º MASSAGEM DAS AREAS REFLEXAS

Depois de relaxar todo o pé, passei a dar ênfase ás zonas ou áreas de maior
interesse para a patologia em questão.
Assim as áreas trabalhadas foram: a área reflexa do Intestino Delgado, de todo o
Intestino Grosso (válvula ileocecal, cólon ascendente, transverso, descendente e sigmóide),
do Recto e Ânus, do Fígado e Vesícula Biliar e das Cápsulas Supra-renais.
Estas áreas foram escolhidas, uma vez que na Obstipação é necessário estimular
todo o processo de digestão e absorção e eliminação, diminuir a pressão/tensão na área do
recto e ânus. O fígado e a vesícula são importantes órgãos anexos da digestão (produção e
armazenamento de bílis), e as supra-renais são importantes uma vez que são essenciais
para o peristaltismo (movimentos ondulatórios do intestino delgado grosso), embora
(1) (2)
pudessem ter sido escolhidas outras áreas reflexas como alternativa ou complemento.
(3) (13)

A partir da 3ª sessão introduzi também as áreas reflexas da coluna lombar sacro e


cóccix, uma vez que libertando a pressão que possa existir nestas áreas, pode promover
melhorias no tratamento da obstipação.

Figura 5 – Imagem real da realização da massagem das áreas reflexas.

21
As técnicas utilizadas foram:

Deslizamento com o polegar, delimitando as áreas reflexas que trabalhei de


seguida;

Pressão com o polegar, nas áreas reflexas que pretendia trabalhar; foi realizada
pressão durante cerca de 5 segundos, de forma intermitente quando pretendia tonificar e de
forma contínua quando pretendia dispersar na área reflexa em causa.

Polegar rotativo, nas mesmas áreas reflexas já referidas; realização de pressão de


3 a 5 segundo, rotação sem aliviar a pressão. Esta técnica foi realizada no sentido horário
quando pretendia tonificar a área reflexa em questão, e no sentido anti horário, quando
pretendia dispersar a área reflexa em questão.

Nota: Todas as técnicas foram realizadas várias vezes, mas tendo sempre em conta o limite
de dor do paciente.

Figura 6- Esquema representativo da sequência de massagem do Intestino Grosso.

22
No caso da pressão com o polegar e do polegar rotativo, tive em atenção também o
trajecto percorrido pelo intestino delgado, mas essencialmente o do Intestino grosso,
tentando realizar as técnicas no sentido de trabalhar sequencialmente cada área do
intestino, tal como acontece biologicamente, (válvula ileocecal, cólon ascendente,
transverso, descendente e sigmóide, recto e ânus), promovendo assim a evacuação mais
fácil. (2) (3) (12) (13)
È importante ter em conta que no pé direito massajava a área reflexa do cólon
ascendente e transverso, no pé esquerdo massajava também a área do cólon transverso,
mas também do cólon descendente e sigmóide, recto e ânus.

Figura 7- Esquema representativo dos mapas reflexológicos utilizados para a


realização do tratamento, com algumas das importantes áreas tratadas.

23
REFLEXOLOGIA NAS MÃOS

Decidi utilizar a reflexologia nos pés e não nas mãos, contudo não poderia deixar as
mãos em vão, sem serem trabalhadas, por isso ensinei alguns truques à minha paciente,
para que ela pudesse durante os outros dias em que não havia possibilidade de realizar o
tratamento, e sempre que se lembrasse e fosse possível, estimular as suas mãos nas áreas
reflexas dos mesmos órgãos, vísceras e glândulas, que eu lhe trabalhava no pé.
Assim e depois de a esclarecer de qualquer duvida, mostrei lhe que com uma
simples bola de golfe poderia ter um alivio dos seus sintomas. É obvio que uma bola por
mais pequena que seja não pode ter os meus efeitos, que se obtêm quando é realizada
reflexologia nas mãos por um terapeuta, contudo parece ser uma boa alternativa para o
paciente, uma vez que este naturalmente não possui conhecimentos que o permitam
trabalhar ares reflexas específicas e tão minuciosas.
Com a bola na palma da mão, como mostram as figura 6 e 7, é possível trabalhar as
áreas reflexas do estômago, pâncreas, intestino delgado e grosso, fígado e vesícula biliar
essencialmente. (2) (3)

Figura 8 e 9- Imagens reais da realização de reflexologia nas mãos

24
FIGURA 10- Mapa reflexológico utilizado para a realização do tratamento na mão.

3º ACUPRESSÃO

Meridianos:
Intestino delgado - foi trabalhado do 5º dedo ao cotovelo, pela porção posterior do
antebraço, região cubital. O Intestino Delgado recebe os alimentos em transformação e
envia a parte pura ao Baço-Pâncreas e a parte impura ao intestino grosso, também participa
no metabolismo dos líquidos orgânicos (JinYe), daí a sua utilização.

Pulmão – trabalhado da prega anterior do cotovelo até ao polegar pela porção


anterior do braço e antebraço, descendo pela região mais externa/radial. O meridiano do
pulmão foi essencialmente trabalhado por ser o Zang acoplado do Intestino Grosso, mas
também porque uma das suas funções é assegurara que os fluidos orgânicos se dispersem
e desçam saudavelmente por todo o corpo.

Intestino Grosso – da lateral do 2º dedo, atrás da unha, passando, pela porção


posterior do antebraço até ao cotovelo. O I.G. recebe a fracção impura dos produtos de
transformação dos alimentos do Intestino Delgado que os movimenta para baixo, refina o
impuro par extrair os fluidos puros (agua) e elimina o restante impuro na forma de fezes, dai
a grande importância de ser bem trabalhado nesta patologia (obstipação).

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Baço- Pâncreas – desde o ângulo ungueal do halux, passando ao longo da face
medial do pé, na união da pele branca com a vermelha, pelo bordo anterior do maléolo
interno, seguindo pela linha media da face interna da perna ate ao joelho.
O Baço-pâncreas controla a digestão e absorção, extrai o Qi dos alimentos e dos líquidos
que serve de base para a produção de Qi e xue, e mantém o sangue dentro dos vasos
sanguíneos, evitando hemorragias daí a importância neste tratamento.

Técnicas utilizadas:
Deslizamento - no sentido do meridiano
Beliscar- intermitente
Pressão – intermitente
Nota: Todos os meridianos foram trabalhos, da forma descrita anteriormente, no sentido de
circulação da energia/Qi, com o objectivo de os tonificar.
O meridiano do Baço-Pancreas, só foi trabalhado a partir da 2ª sessão, uma vez que o
problema das hemorróides, só foi abordado na 2ªsessão.

Figura 11 e 12- Imagem real da realização da acupressão no meridiano do Intestino delgado

26
4º TOQUE TERAPEUTICO

1º Uma vez que o toque terapêutico, consiste numa abordagem mais particular
(aborda uma vertente mais abstracta e energética de imposição de mãos) dentro da
terapêutica reflexológica, foi primeiramente, explicado e obtido o consentimento informado
do paciente, a cerca das manobras que iria realizar, até porque sendo uma terapêutica
menos conhecida poderia ser mal interpretada pela paciente. Uma vez que a paciente se
mostrou bastante receptiva ao Toque Terapêutico, decidi realiza-lo como complemento do
tratamento reflexológico.
2º Comecei então por promover o relaxamento da paciente, e pedindo a sua
colaboração para que se concentrasse, apenas naquele momento, e no tratamento. Que
pensasse em coisas positivas, mas que não divagasse muito, que se concentrasse, ou
então que pensasse numa cor que fosse do seu agrado.
3º Iniciei então o tratamento tal como seria previsto, fazendo o aquecimento das
mãos, e idealizando uma bola de energia entre as minhas mãos, á medida que inspirava e
expirava e que aumentava e diminuía respectivamente essa mesma bola. Passei então à
fase de concentração maior.
4º Procedi então ao diagnóstico, passando por todos os Chacras, desde o 7º
(coronário) ao 1º (raiz). Quando cheguei ao 1º chacra, deixei aí apenas uma das mãos,
sendo que a outra foi se aproximando lentamente do 7º chacra, aí então voltei a unir ambas
as mãos no chacra coronário.
5º Realizei depois o tratamento de acordo com o que consegui diagnosticar,
igualmente desde o Chacra Coronário ao Chacra Raiz. Chegando ao chacra raiz, voltei a
deixar aí apenas uma mão, sendo que a outra caminhava ate ao chacra coronário
lentamente, depois aos mãos foram aproximando-se chacra a chacra ate se unirem no
chacra cardíaco.
6º Fiz o encerramento do tratamento com a realização de círculos sobre o paciente,
afastando-me cada vez mais, ate me libertar totalmente dele. (5)

Figura 13- Imagem relativa à realização do Toque Terapêutico

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6. CONCLUSÃO

A obstipação consiste na dificuldade em evacuar as fezes do tracto intestinal, uma


condição em que o ritmo intestinal é irregular e as fezes são geralmente duras e secas.
É apontada como um dos grandes males da vida moderna e estatisticamente afecta
mais mulheres do que homens e tal é devido a factores hormonais e, no caso da gestação,
pela compressão do útero sob o intestino.
No caso da minha paciente o diagnóstico da obstipação foi confirmado pela
existência de sulcos na área dos intestinos e pelo facto de apresentarem uma forma de xxx,
bem como os sinais e sulcos na área reflexa do pulmão (Zang/Fu: Pulmão /I.G).
Por outro lado e através da análise detalhada do pé, e avaliando-o em relação aos
elementos clássicos da natureza, a Terra, a Água, o Fogo e o Ar, verifiquei que os
elementos mais predominantes no pé da minha paciente, eram a água e o ar.
Assim a relação com o elemento água foi desde logo evidente, uma vez que esta pode estar
associada a dilatação abdominal, flatulência, doenças intestinais (como a obstipação), dores
abdominais, entre outras.
È de referir também que o elemento água situa-se na terceira zona do pé que
corresponde precisamente à região abdominal.
Tendo assim em conta o diagnóstico efectuado, realizei então o tratamento
reflexológico tendo por base a massagem das áreas reflexas do Intestino Delgado, de todo o
Intestino Grosso, do Recto e Ânus, do Fígado e Vesícula Biliar e das Cápsulas Supra-renais.
A acupressão foi realizada nos meridianos do Pulmão, Intestino grosso, Intestino
delgado e Baço-Pâncreas.
Foi realizado também o Toque Terapêutico como complemento do tratamento.

Em primeiro lugar, e como comparação entre as abordagens ocidental e oriental,


podemos desde logo verificar que a abordagem realizada na maior parte das vezes pelos
ocidentais é mais invasiva, isto é, embora inicialmente possam tentar combater a obstipação
com uma dieta mais rica em fibras, ou aumentando a ingestão de líquidos, entre outras
coisas, na maior das vezes e como não realizam uma abordagem completa, escolhendo
apenas uma das opções anteriormente referidas e não todas, acabam por ter de recorrer
aos laxantes, o que se torna muitas vezes num vicio para o organismo, não resolvendo
verdadeiramente o problema.
Por outro lado o tratamento oriental, mais em concreto o tratamento reflexológico, é
muito menos ou mesmo nada invasivo. Sendo ate o tratamento realizado, bastante relaxante
e cómodo. Por outro lado não tem quaisquer contra indicações, o que é bastante vantajoso
e muito seguro.

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Os resultados obtidos, a meu ver, foram positivos, uma vez que à medida que as
sessões eram realizadas, a paciente sentia-se cada vez melhor, e com menos dificuldade
em evacuar. Sentia menos dor abdominal, menos flatulência, e já não sangrava, porque não
tinha tanta dificuldade em evacuar, como já foi referido.

Da primeira à última sessão existiu sempre uma evolução lenta mas positiva, e não
quero deixar de salientar a entrega e disponibilidade física e psicológica da minha paciente a
este tratamento, daí acredito eu, também advir um resultado positivo deste tratamento.
Penso que o facto de as sessões de reflexologia serem realizadas apenas de 7 em 7
dias, atrasou o processo de tratamento do doente, podendo isto explicar em parte os
resultados obtidos, uma vez que foram aparecendo melhorias mas de uma forma lenta e
gradual, tendo sido contudo resultados satisfatórios tendo em conta as condições de
realização do tratamento, já referidas anteriormente.
Em trabalhos futuros e semelhantes a este, seria interessante iniciar o tratamento
reflexológico de 3 em 3 ou 4 em 4 dias por exemplo, para verificar se existiriam diferenças
em relação aos resultados obtidos neste trabalho. Acredito que talvez os resultados a obter
seriam mais facilmente alcançados e provavelmente ainda mais satisfatórios, no que diz
respeito à regularidade e facilidade de evacuação.
Outra variante que gostaria de realizar num trabalho semelhante, tendo por base a
patologia Obstipação, seria realizar o estudo em diferentes pacientes com características
semelhantes, mas nas quais a obstipação tivesse diferentes causas. Para verificar os
resultados entre eles, se seriam idênticos ou não, muito provavelmente com abordagens
reflexológicas diferentes.
Este trabalho foi para mim muito gratificante, uma vez que através da prática real,
consegui perceber melhor, toda uma série de questões e parâmetros a ter em conta, que no
contexto de sala de aula me foi impossível perceber.

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7. BIBLIOGRAFIA

☯ 1- Manual de estudos de Reflexoterapia e auto-massagem. 2007/2008

☯ 2- Kunz, B. Kunz, K. (2003). Reflexologia, a saúde na ponta dos seus dedos, editora
civilização.

☯ 3- Wright, J. (2006). Reflexologia e acupressão, Editorial Estampa.

☯ 4- Carvalho, E. (2006). Reflexologia Interpretativa, a observação dinâmica do pé,


Iriec editora.

☯ 5- Conde, P. (2003). Manual prático de reflexologia e acupunctura.

☯ 6- Meixedo, A. (2006). Digicupuntura, cure os seus males com aponta dos dedos.

☯ 7- Altman, L.K. Manual Merck Perturbações do trânsito Intestinal Vol. 7.Capitulo 9.

☯ 8- http://www.gastronet.com.br/obstipa.htm

☯ 9-http://www.boehringer-ingelheim.pt/produtos/produtos_semreceita_obstipacao.html

☯ 10- http://pt.wikipedia.org/wiki/Obstipa%C3%A7%C3%A3o

☯ 11- Manual de Medicinas Complementares. MMV Oceano. Barcelona. (Edição


conjunta Nova Variante. Porto)

☯ 12- http://www.sogab.com.br/sobrereflexologia.htm

☯ 13- Marquardt, H. (2005). Reflexologia pelos pés. Brasil, Manole editora.

☯ 14- http://www.herba-produtos-portugal.com.pt/info_prisaoventre.php

☯ 15- www.acupuntura.pro.br

☯ 16- http://www.terra.com.br/istoe/biblioteca/saudemulher/alternativa.htm

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8. ANEXOS

Em anexo e como no final do tratamento forneci informações importantes à minha


paciente, de outros tratamentos de que poderia dispor em complemento da Reflexologia,
achei importar colocar algumas dessas informações também neste trabalho.

CROMOTERAPIA: A cor indicada é o amarelo, que actuaria como activador


energético das funções peristálticas.

AROMATERAPIA: Seis gotas de Alecrim e seis gotas de Tomilho diluídas em 30g de


óleo de amêndoas pode aliviar a obstipação quando se usa na massagem abdominal. É
importante também o movimento circular no sentido dos ponteiros dos relógios, iniciando do
lado direito e realizando o trajecto de todo o intestino grosso. (11) (16)

FITOTERAPIA: As ervas mais apropriadas são a cáscara-sagrada (Rhamnus


purshiana) e o sene (Cassia sp). Elas têm substâncias que aumentam os movimentos
peristálticos e diluem o conteúdo intestinal. É contra-indicado na menstruação e em caso de
hemorróidas.
Outras plantas como a Camomila o Taráxaco e a Bardana actuam ao estimularem o
movimento dos sistemas digestivo e excretor. (16)

IOGA: A posição genupeitoral (os joelhos apoiados contra o peito) parece aliviar as
flatulências e estimular os órgãos abdominais e consiste em:
Permanecer de pé com os braços colocados em ambos os lados do corpo; dobrar o
joelho direito contra o tórax; agarrar o tornozelo direito com a mão esquerda; aproximar o
máximo possível a perna do tórax; manter a posição cerca de 8 segundos; repetir estas
etapas com a perna esquerda.
A postura cobra, que se pode repetir ate 4 vezes por dia, consiste em:
Permanecer deitado sobre o estômago com as pernas juntas; colocar as palmas
exactamente por debaixo dos ombros, mantendo os cotovelos próximos do corpo; inspirar e
levantar a cabeça e manter o tórax no solo; manter o umbigo em contacto com o solo; olhar
o mais possível para cima; manter a posição cerca de 3 a 6 segundos e expirar e baixar o
tórax. (11)

31
A título de exemplo, o tratamento por Acupunctura poderá ser, no caso de prisão de
ventre originada por calor; acompanhada por rosto vermelho e corpo quente, irritabilidade,
sabor amargo, língua vermelha, capa amarela e pulso em corda e rápido, nos seguintes
pontos:
• 4IG (Intestino Grosso), 11IG, 14BP (Baço-pâncreas), 15BP, 44E (Estômago), 28E, 29E,
2F (Fígado), 6TA (Triplo Aquecedor).

Se a causa for do tipo frio e a obstipação é acompanhada de rosto branco, membros frios,
língua pálida e húmida com capa branca e espessa, pulso profundo e lento, os seguintes
pontos:
• 6VC (Vaso de Concepção), 8VC (moxa), 18R (Rim), 23B (Bexiga), 25B, 26B. (14) (15)

Em todo o caso, é sempre necessário um diagnóstico caso a caso, pois a individualidade faz
a diferença, e o tratamento deve ser adequado a cada situação.

Seria este último um dos possíveis tratamentos, por acupunctura, para a minha paciente,
uma vez que apresenta sinais de acordo com os acima apresentados.

Dicas importantes:

• Comer comida bastante equilibrada com bastantes fibras;


• Beber bastante água (mínimo em média 2 litros de água por dia);
• Comer com calma;
• Praticar regularmente desporto (evitar uma vida sedentária);
• Beber chá ou água quente, pois podem estimular o funcionamento do intestino;
• Estabelecer uma rotina periódica de ida à casa de banho;
• Nunca reprimir a vontade de defecar. (7) (8) (9) (11) (16)

32
Ficha do Paciente

Data 1ª consulta 17/01/08

Nome:___Simone______________________________________________
Morada: _____________________________________________________
Contacto: ________________
Data de Nascimento: 01/08/08
Local de nascimento: _____Angola______________________________________
Profissão: ______Administrativa/contabilista____________________________________
Tratamento realizado por: __Gilda Campos_____________________________________
Queixa principal: __Irregularidade e dificuldade em evacuar_______________________

Sintomatologia: __Dor abdominal, flatulência, hemorragia ao evacuar por vezes_______


_______________________________________________________________________

História da lesão: Desde a gravidez, à 6 anos atrás ____________________________


______________________________________________________________________

Relatório de exames:

Sistema Digestivo: Hérnia do hiato estável_____________________________________


______________________________________________________________________________

Sistema Circulatório: Algumas varizes e derrames_______________________________


_______________________________________________________________________________

Sistema Endócrino:
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

Sistema Respiratório: Sinusite_______________________________________________


_______________________________________________________________________________

Sono: Normal____________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

33
Historial Clínico Familiar:
__________Pai com Síndrome de Ménière ____________________________________
_______________________________________________________________________

Tipo de alimentação:
________Saudável, ingestão de sopa diariamente, legumes frutas e cereais___________

Hábitos de vida:
________Prática de exercício físico regular_____________________________________

Perfil psico-emotivo:
Normal Depressivo Tristeza Ataques de pânico Sensível
Preocupado Indeciso Ansioso Irritável Fobias
Observações:____________________________________________________________

Vitalidade:
Normal Insuficiente Abundante Instável Astenia Hiperactividade
Nervosismo
Observações:______Tendência para o nervosismo______________________________

Frio/Calor:
Normal Friorento Sente calor facilmente Alternância de frio e calor Mãos
frias Pés frios Ondas de calor Sensível as mudanças de temperatura Frio
na região lombar

Transpiração:
Normal Anormal Profusa Com arrepios Mãos e pés Apenas
numa área do corpo Nocturna

Dores:
Cabeça localização da dor testa ou lado esquerdo ___________
Musculares localização da dor ___pescoço, braços ____
Articulares localização da dor ___mãos e joelhos_______
Abdominais localização da dor ___hipocôndrio superior esquerdo_______________
Observações:_______________________________________________________________

34
Apetite e digestão:
Normal Anormal Muito apetite Pouco apetite Náuseas Anorexia
Fome sem vontade de comer
Muita sede Pouca sede Preferência por bebidas frias Preferência por bebidas
quentes
Borborismo Refluxo Boca seca Sabor na boca
Sabor preferido: Acido Amargo Doce Picante Salgado
Observações:_______________________________________________________________
___________________________________________________________________

Alergias e sensibilidade:
Frio Calor Luminosidade Barulho Pó e pólenes Alimentos
Medicamentos
Observações:______fluoconasol________________________________________________
_____________________________________________________________________

Fezes:
Normal Obstipação Diarreia Fezes moles Com sangue
Cheiro forte  Escuras
Observações:_______________________________________________________________
___________________________________________________________________

Urina:
Normal Frequente Com odor Escura Clara
Observações:_______________________________________________________________
___________________________________________________________________

Menstruação:
Longa Curta Dolorosa Com coágulos Escura Clara
Observações:____ Muito regular ___________________________________________

35
5 Elementos
Madeira Fogo Terra Metal Agua
P. Cardiais Este Sul Centro Oeste Norte
Órgãos F/VB C/ID BP/E P/IG B/R
Tecidos Tendões, Sangue Músculos, Pele Ossos
unhas, Subcut.
Ligament
Estações Primavera Verão V. Tardio Outono Inverno
Sabores Acido Amargo Doce Picante Salgado
Cores Verde Vermelho Amarelo Branco- Preto-
Cinza Violeta
Sentidos Visão Tacto Gosto Olfacto Audição
Psico-afectivo Ira Emoções Sisma- Tristeza Medo
reflectir
Clima Vento Calor Humidade Seco Frio
C. Diário Amanhecer Manha Meio-dia Tarde Noite
C. Vegetal Germinação Amadurecer Colheita Queda Putrefa.
fruto
C. Vital Nascimento Crescimento Maturidade Declínio Morte
Fluidos Lágrima Suor Saliva Muco Cuspe
Personalidade Optimista Emotivo Manias Passivo Inquieto
Cherio-Estado Rançoso Queimado Perfumado Fétido Prurido

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Consulta nº _1_ Data: 17/01/ 08

DIAGNÓSTICO

____Irregularidade e dificuldade em evacuar - 3 a 4 dias.__________________________


____Obstipação promovida pela gravidez______________________________________
_______________________________________________________________________

Tratamento: _Massagem das áreas reflexas dos intestinos, fígado, vesícula biliar e_____
cápsulas supra-renais, recto e ânus. Acupressão dos meridianos, do intestino grosso,___
intestino delgado, pulmão e baço pâncreas._____________________________________
__________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

_2_ ª Consulta Data: 24/01/08

Reacções ao tratamento anterior:

_ Evacuou logo no dia seguinte, sentiu-se bem, confortável, mas passados uns dias____
voltou à mesma situação.___________________________________________________
_______________________________________________________________________________

Diagnostico/Tratamento:

___Doente refere que também tem pequenas hemorragias quando tenta evacuar mas___
não consegue após vários dias. Detecção de hemorróides.___________________________
____Tratamento permanece igual, porem adiciono na acupressão o meridiano do Baço-
Pancreas, uma vez que a paciente se queixa de hemorróides.________________________
__________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

37
_3_ ª Consulta Data: 31/01/08

Reacções ao tratamento anterior:

__Paciente sente-se mais confortável com menos dor abdominal uma vez que consegue_
evacuar um pouco melhor, embora irregularmente.__________________________________
_______________________________________________________________________________

Diagnostico/Tratamento:

___Adição da massagem das áreas reflexas da coluna lombar, sacro e cóccix._________


_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

_4_ ª Consulta Data: 07/02/08


Reacções ao tratamento anterior:
______Paciente sente-se francamente melhor, já consegue evacuar com maior________
regularidade, não tem tanta dificuldade nem dor ao evacuar, e não tem hemorragias.____
_______________________________________________________________________________

Diagnostico/Tratamento:

_______ Sem alterações ao tratamento já estabelecido ______________________________


_______________________________________________________________________________

_5_ ª Consulta Data: 14/02/08

Reacções ao tratamento anterior: __Paciente refere que evacua quase todos os dias, mas
o principal, é que já não tem dificuldade em evacuar.____________________________
_______________________________________________________________________________

Diagnostico/Tratamento:

_____ Sem alterações ao tratamento já estabelecido_____________________________


_______________________________________________________________________________

Tratamento realizado por: _______Terapeuta Gilda Campos_______________________

38