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INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO


CURSO DE SUPERVISÃO E ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICAS
DISCIPLINA DE PRATICA PEDAGÓGICA

DOCENTE DISCENTES
Dulce Soares António Teixeira
Celestina Amélia
Eliseu Nascimento
José Mascarenhas
Walter Cardoso
Turma B
Praia, Janeiro de 2006
Análise Funcional do Pólo Educativo nº IV de Calabaceira 1

INTRODUÇÃO

O trabalho que se apresenta enquadra-se no âmbito da disciplina de Prática


Pedagógica e tem como tema “Análise Funcional do Pólo IV de Calabaceira.”

O referido trabalho tem como objectivos:

 Identificar os aspectos que no funcionamento da escola;


 Caracterizar os principais intervenientes que fazem parte da instituição;
 Caracterizar o funcionamento dos principais órgãos do pólo;
 Enumerar os pontos fortes e fracos que afectam o normal funcionamento do pólo;
 Propor sugestões para melhoria do seu funcionamento.

Para a sua realização, aplicou-se um questionário aos principais intervenientes,


recorreu-se também à análise dos arquivos e outros documentos existentes no pólo,
nomeadamente decreto-lei no 77/94, de 27 de Dezembro.

Este trabalho apresenta a seguinte estrutura:

► Uma introdução onde estão definidos as linhas gerais do trabalho e a metodologia


usada para o efeito;
► Caracterização do bairro de Calabaceira;
► Evolução histórica da escola “António Nunes”;
► Caracterização geral do pólo;
► Breve evolução da população escolar nos últimos 10 anos;
► Situação actual do funcionamento do pólo;
► Recomendações e sugestões;
► Conclusão;
► Bibliografia;
► Apêndices;
► Anexos.

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1. CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO DE CALABACEIRA

 Localização geográfica

Calabaceira é um dos bairros periféricos da cidade da Praia, situado na zona


noroeste, sendo delimitada pela Ribeira de Trindade a Oeste e a de Safende a
Norte. Confina a Sul com os bairros de Pensamento e Achadinha Cima e a Este com
os bairros de Safende e Vila Nova

 Infra-estruturas

O bairro dispõe de rede eléctrica e telefónica, uma escola primária do Ensino Básico
Integrado (EBI), uma escola secundária, dois jardins infantis, um Centro
Comunitário, dois chafarizes, uma fábrica de pão e uma de ração, um minimercado,
e algumas lojas comerciais que satisfazem as necessidades primárias da sua
população.
Em relação à habitação, pode-se verificar que algumas construções são feitas de
chapas de bidão e madeiras sem mínimas condições de habitabilidade; outras
apresentam melhores aspectos com uma devida organização e estrutura interna
oferecendo um conforto razoável para quem nelas habita.

 Demografia

De acordo com os últimos censos, Calabaceira tem uma população extremamente


jovem e cresce num ritmo acelerado. No ano de 1990, este bairro tinha um total de
2095 pessoas sendo 1002 (48%) do sexo masculino e 1093 (52%) do sexo feminino
distribuídos por 411 unidades de alojamento.
Dez anos depois (ano 2000), a população duplicou, elevando-se para 4270
habitantes sendo 48% do sexo masculino (2066 habitantes) e 52% do sexo feminino
(2204 habitantes) distribuídos por 913 unidades de alojamento. A população com
menos de 15 anos era de 1886 (44%); a com idade entre 15-64anos era de 2282
(53%) e a com 65 anos e mais era de 136 (3%). (INE, Censo2000).

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No que diz respeito à educação, 194 crianças frequentam o pré-escolar, 785 o EBI e
32 o Ensino Secundário. (INE, Censo 2000)
A população activa é de 1555 sendo 798 (51%) do sexo masculino e 757 (49%) do
sexo feminino. (INE, Censo 2000).

2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ESCOLA “ANTÓNIO NUNES”

Cabo Verde é um país que apesar de sofrer longos anos de colonização, a


preocupação com a melhoria do ensino esteve sempre presente desde a época
colonial. O sistema de ensino passou por diferentes momentos de transformação e
mudanças pontuais envolvendo várias gerações sempre numa busca constante de
um ensino de melhor qualidade. (Reforma de Ensino Básico e Secundário).
A fim de fazer uma descrição detalhada sobre a evolução histórica da escola em
Calabaceira resolvemos dividir este historial em dois momentos: antes e depois da
independência de Cabo Verde.

 Período anterior à independência

Segundo os dados duma entrevista feita à uma senhora idosa residente em


Calabaceira, a ideia que conduziu ao surgimento da primeira escola nesse bairro
advém de um padre que, frequentemente, fazia visitas à sua casa. Na altura, os
meninos desta localidade iam à escola numa casa alugada no bairro vizinho
denominado da Vila Nova.
Diz ela que tinha uma árvore muito grande em frente da sua casa em baixo do qual,
o padre adorava sentar sempre que lá ia. Assim, ali sentado, o padre começou a
observar, repetidas vezes, meninos em idade escolar a brincar, durante horas e
horas. Daí achou melhor ocupar o tempo livre daqueles meninos ensinando-lhes a
ler e a escrever. Como ela tinha uma casinha vazia ofereceu-a ao senhor padre para
o efeito.
Essa tarefa foi exercida pelo padre cerca de seis meses e os alunos aumentavam
cada dia. O estado ficou a saber dessa iniciativa e passou a interessar-se. Já no ano
lectivo, seguinte (1966/67) arrendou a casa mandou mobiliários, professores e

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funcionou em dois períodos com alunos de todas as classes do Ensino Básico


Elementar (EBE). Embora, a casa não tivesse boas condições (parede de pedras
coberto com ramos de árvore, chão terra batida) funcionou lindamente até 1974,
altura que se preparava para a independência cabo-verdiana. Nessa altura, os
políticos iam fazer reunião ali nesse local e porque a casa não reunia condições,
resolveram transferir tudo para uma outra casa alugada em Vila Nova.

 Período posterior à independência.

Em 1976/77, de novo, os alunos voltaram a frequentar o estabelecimento de ensino


em Calabaceira. Segundo esta senhora e um professor antigo (ambos residente
nesse bairro) arrendaram, outra vez, essa casa e mais uma outra que ficava mais
para zona central, uma vez que o número de alunos estava aumentando cada vez
mais.
No ano lectivo 1980/81, a casa desta senhora deixou de funcionar como sala de
aulas porque precisava remodelar a casa para seu uso próprio. Mas o número de
casas alugadas para os alunos do EBE continuaram a aumentar cada vez mais.
De acordo com informações recolhidas na direcção desta escola, em 1978, foi
construída a primeira escola denominada “ciclo preparatório Aroelino Cruz”, nome
de um dos combatentes da nossa independência e destinava-se à acolher os alunos
do ciclo preparatório desse bairro, dos bairros vizinhos e os que vinham doutras
freguesias nomeadamente de São Nicolau Tolentino. A sua construção teve como
objectivo descongestionar o liceu Domingos Ramos, que na altura, recebia alunos
de ciclo preparatório.

Fig. 1 – Ex-Ciclo Preparatório de Calabaceira – Escola Aroelino Cruz

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O espaço do Ciclo Preparatório foi dividido com os alunos do EBE, pois, o número
de alunos matriculados no Ciclo Preparatório não justificava o funcionamento nos
dois períodos e, assim sendo, funcionou durante dois anos de período de manhã
com estes alunos e de tarde com os alunos EBE.
Devido a falta de espaços para os alunos do EBE fora remodelada uma casa de
guarda, “casa de ratos”, feita na altura de construção da escola que passa a ser
ocupada.

Fig. 2 – Casa de guarda a ser remodelada por um grupo de militares para aulas dos alunos de EBE

Na altura, foram feitas dois projectos de construção de uma escola de EBE neste
bairro, mas que não se chegaram a concretizar devido a falta de espaços tendo sido
construídos nos bairros de Vila Nova e Safende.
Com a reforma do ensino, a escola Aroelino Cruz passou a ser chamada escola de
Ensino Básico Integrado de Calabaceira e em 1997, foi remodelada tendo sido
construído mais 10 salas de aulas com o objectivo de acabar com as salas
alugadas, situação a que o Ministério de Educação teve de recorrer para poder
acolher o aumento do número de alunos no Ensino Básico Integrado face ao número
reduzido de salas de aulas.
No ano 2000, na sequência de um projecto financiado pelo Governo Luxemburguês,
construiu-se um refeitório com capacidade para albergar 750 alunos. Nesse mesmo
ano foi criado uma comissão para dar um novo nome a escola, que assim deixou de
ser denominada de escola “Aroelino Cruz” e para passar a ser escola “António
Nunes”, nome de um escritor cabo-verdiano.

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Fig.3 – Inauguração da escola “António Nunes”, presidida por Ministro da Educação, Ministro de
Cultura e Presidente de Câmara Municipal da Praia.

Passados alguns anos de estabilidade no que diz respeito a salas de aulas do EBI,
no ano lectivo 2000/2001, porém, houve necessidade de ceder 12 salas ao Liceu
Constantino Semedo (sito em Achada São Filipe/Praia), devido a incapacidade
deste em atender o aumento de alunos no tronco comum. Deste modo, 12 salas de
aulas da escola foram ocupadas no período da tarde por alunos do 7º ano de
escolaridade.
Actualmente, as salas de aulas que compõem esta escola, 16 funcionam tanto de
manhã como da tarde com alunos do EBI, enquanto 9 salas são ocupadas em
ambos os períodos por alunos do Ensino Secundário, situação que tem provocado
muita polémica por parte dos professores do EBI e dos pais/encarregados de
educação, uma vez que muito dos professores e alunos foram transferidos para
escolas vizinhas em Vila Nova, Safende, Pensamento e São Pedro.
Para acabar com a situação de coabitação EBI/Liceu está-se a construir mesmo ao
lado desta escola o Liceu de Calabaceira que se prevê funcionar no mês de Janeiro
de 2006.

3. CARACTERIZAÇÃO GERAL DO PÓLO

Recursos Materiais

O Pólo dispõe de 25 salas de aulas, uma secretaria, o gabinete da gestora uma


biblioteca, uma sala de professores, casa de banho dos professores e alunos, um
posto sanitário, onde se encontra alguns equipamentos para prestação dos

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primeiros socorros, um armazém, uma cantina, uma papelaria, uma cozinha, 5


sanitários e uma placa desportiva.
As estruturas estão em bom estado de conservação e estão equipadas com alguns
equipamentos em estado razoável de conservação e outros em mau estado.
As salas de aulas estão equipadas com mobiliários em estado razoável, sendo
alguns quadros pretos em mau estado. A secretaria tem alguns equipamentos em
estado razoável como televisor, vídeo, máquina fotocopiadoras, algumas armários e
cadeiras, mas tem outros que se encontram em estado de degradação,
nomeadamente secretárias, computadores, alguns armários, aparelhos de rádios,
mapas, etc..

Recursos Humanos

De realçar que relativamente ao EBI nessa escola trabalham diariamente, 32


professores em exercício, leccionando em 16 salas sendo 16 no período de manhã e
16 no período da tarde, 4 na secretaria nos serviços administrativos, uma gestora, 4
empregadas de limpeza, 8 cozinheiras, um jardineiro e um guarda-nocturno. Conta
com um efectivo médio de 1096 alunos da zona de Calabaceira e bairros de Vila
Nova, Safende, Pensamento e São Pedro e Achadinha.

- Qualificação Profissional dos Professores

N.º Numero Total de Professores Masculino Feminino Total


1 Formados com o IP 7 15 22
2 Formados com a 2ª Fase 0 4 4
3 Formados com a 1ª Fase 1 7 8
4 Sem formação 2 1 3
37
Quadro 1 – Qualificação profissional do corpo docente

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Corpo Docente da Escola António Nunes

Número de Professores
25
20 Masculino
15
Feminino
10
5 Total
0 I.Pedagógico

Formação
FEPROF

FEPROF
2ª Fase

1ª Fase

S/
Qualificação Profissional

Gráfico 1 – Qualificação Profissional dos Professores

- Alunos

As turmas são equilibradas em termos de sexo, idade e número, verificado uma


certa diminuição ao longo dos anos dos efectivos escolares.

Nº de turmas

10

0
1º ano 2º ano 3º ano 4º ano 5º ano 6º ano

Nº de turmas 4 6 5 5 5 7

Gráfico 2 – Distribuição das 32 turmas por ano de escolaridade.

Ano de estudo Masculino Feminino Total


1º Ano 70 54 124
2º Ano 103 98 201
3º Ano 82 84 166
4º ano 67 92 159
5º Ano 100 80 180
6º Ano 109 119 228
Total 531 527 1058
Quadro 2 – Distribuição dos alunos por sexo e ano de estudo.

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Distribuição dos alunos por sexo e ano de estudo


120
100
80
60
40
20
0 Masculino
1º Ano 2º Ano 3º Ano 4º ano 5º Ano 6º Ano Feminino

Gráfico 3 – Distribuição dos alunos por sexo e ano de estudo.

Aproveitamento

O aproveitamento dos alunos pode ser considerado como razoável, tendo em conta
os resultados teóricos verificados no fim de cada ano, sendo o 2º Ano o que
apresenta como mais crítico, com uma alta taxa de repetência.

Ano de estudo Masculino Feminino Total


1º Ano 0 0 0
2º Ano 23 17 40
3º Ano 9 13 22
4º Ano 13 12 25
5º Ano 7 4 11
6º Ano 10 4 14
Total 62 50 112
Quadro 3 – Incidência da repetência nos anos de estudo.

Distribuição dos alunos repetentes por sexo e ano


de estudo
30

20

10

0
1º Ano 2º Ano 3º Ano 4º Ano 5º Ano 6º Ano
Masculino
Feminino

Gráfico 4 – Repetência por sexo e ano de estudo.

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4. BREVE EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO ESCOLAR NOS ÚLTIMOS 10 ANOS

Da análise feita sobre a população estudantil que frequentam o Pólo de Ensino


Básico da zona de Calabaceira, nos últimos dez anos podemos concluir que
apresenta uma certa estabilidade de efectivos.
Com base no quadro evolutivo da população estudantil podemos verificar que do
ano lectivo 1996/97 ao de 1998/99 houve um ligeiro aumento dessa população, para
a partir dali apresentar uma redução até ao ano de 2005/06.

Ano lectivo Masculino Feminino Total


1996 / 1997 730 756 1486
1997 / 1998 864 835 1699
1998 / 1999 943 906 1849
1999 / 2000 815 718 1533
2000 / 2001 675 682 1357
2001 / 2002 569 556 1126
2002 / 2003 633 597 1230
2003 / 2004 596 544 1140
2004 / 2005 523 573 1096
2005 / 2006 531 527 1058
Quadro 4 – Evolução da População Estudantil da Escola António Nunes

Evolução da População Estudantil da Escola António Nunes


Numero de Alunos

2000
1500 Masculino
1000 Feminino
500 Total
0
7 8 9 0 1 2 3 4 5 6
99 199 199 200 200 200 200 200 200 200
/1 / / / / / / / / /
96 997 998 999 000 001 002 003 004 005
19 1 1 1 2 2 2 2 2 2
Num ero de Anos

Gráfico 5 - Evolução da População Estudantil da escola António Nunes em dez anos

5. SITUAÇÃO ACTUAL DO FUNCIONAMENTO DO PÓLO

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5.1. ÓRGÃOS DE DIRECÇÃO, ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DO PÓLO


EDUCATIVO.

O regime da gestão de direcção, administração e gestão dos pólos educativos são


definidos no decreto-lei n.0 77/94, de 27 de Dezembro, em conformidade com o
artigo170 da lei de bases do Sistema Educativo.

Conselho do pólo é o órgão de coordenação dos diferentes sectores da


comunidade responsável pela aprovação das actividades com vista ao
desenvolvimento global equilibrado da educação na zona educativa.

A direcção é o órgão de administração e gestão do pólo educativo, responsável


perante os serviços centrais e regionais do Ministério da Educação, para a
materialização da política educativa, tendo em vista níveis de qualidade de ensino
que satisfaçam as aspirações da comunidade escolar.

Núcleo Pedagógico é o órgão de gestão pedagógica do pólo educativo, formado


por 6 professores com qualificação, designados pelo gestor e por um coordenador
pedagógico quando possível.

Comissões de trabalho

As comissões de trabalho são parceiros importantes para garantir uma melhor


gestão da escola nos vários domínios da actuação dos órgãos de gestão e do corpo
docente visando uma melhor actuação destes e melhoria do processo de ensino e
aprendizagem, bem como a ligação entre a escola e a comunidade, numa lógica de
promover uma gestão participativa.
As comissões desempenham um importante papel no sentido de uma abordagem
pedagógica junto dos pais e encarregados de educação nas áreas de higiene e
apresentação dos alunos, nutrição, direitos das crianças, participação dos pais e
encarregados de educação na gestão da cantina, educação dos filhos, conservação,
preservação e manutenção do espaço escolar entre outros.

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Na escola de Calabaceira, segundo as informações recolhidas, existem todos os


órgãos de gestão e administração dos pólos educativos e comissões de Desporto,
Ornamentação e Embelezamento, Cultura, Higiene, Saúde e Ambiente.

A gestão

Da análise dos dados recolhidos constatamos que a gestora tem como prioridade a
formação contínua dos professores.
A participação dos professores na gestão da escola é razoável.
Os recursos da escola provêem de propinas e contribuições para a cantina.

Relações interpessoais

90% dos professores inquiridos consideram a sua relação com a direcção da escola
boa, unanimemente acham que a relações entre o corpo docente e entre este e os
alunos é boa, 70% afirmaram ter boas relações com os pais, com a coordenação
pedagógica e as cozinheiras tendo os outros 30% identificado as relações como
razoáveis.
A gestora afirma ter boas relações com os professores, que as relações entre a
direcção e a comunidade são boas e que para melhorar essas relações promove
convívios na escola.

Relações pedagógico - didáctico

Os professores recebem em média 2 (duas) visitas da coordenação pedagógica por


ano. Contudo uns recebem mais que outros dependendo da necessidade e
disponibilidade dos coordenadores.
80% dos professores acham que as recomendações deixadas pela coordenação
pedagógica são pertinentes e lhes ajudam a solucionar os problemas e, 10% opinam
em contrário.
Constatamos que 30% dos professores afirmam que são sempre apoiados, pela
coordenação pedagógica, com estratégias e materiais didácticos quando solicitam,
40% quase sempre e 20% nunca.

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5.2. PONTOS FORTES DA ESCOLA

 Numero elevado de professores com formação;


 Salas amplas e em quantidade suficiente;
 Espaço para as aulas das expressões física e artística;
 Existência de um espaço verde;
 Existência de um amplo espaço administrativo;
 Existência de uma biblioteca com alguns exemplares de livros.

GRANDE PERCENTAGEM DE PROFESSORES COM FORMAÇÃO

Um total de 92% dos professores com formação (I. Pedagógico, 1ª e 2ª fase de


FEPROF) é considerado como um ponto positivo, na medida em que estão
sensibilizados e mais motivados para trabalharem com os seus alunos, conhecem
técnicas diversificadas de ensino e novas experiências o que facilita o processo
ensino-aprendizagem. A realização de actividades de troca de experiências em
vários aspectos de natureza científica e didáctico-pedagógicas facilitarão as tarefas
dos professores e melhorar a qualidade de ensino aprendizagem.

SAÍDA DO ENSINO SECUNDÁRIO

Com a saída dos alunos do secundário marcado para meados de Janeiro, sobram
algumas salas que podem ser utilizados para outras actividades, já programadas
pela gestora, nomeadamente; recuperação de alunos com dificuldades de
aprendizagem, realização de encontros para troca de experiência entre professores,
criação de sala para estudos, criação de salas de informática, etc, entre outras
actividades que podem ajudar a resolver vários problemas que infligem a escola
neste momento.

SALAS AMPLAS
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A existência de salas amplas, facilita a mobilidade dos alunos e professores durante


a realização do processo ensino-aprendizagem, provocando um ambiente saudável,
onde as actividades podem ser desenvolvidas de acordo com as necessidades dos
alunos e estratégias do professor, permitindo organizar cantinhos de actividades,
espaço verde, de jogos.

PLACA DESPORTIVA

As crianças devem ter oportunidades de desenvolverem todas as suas capacidades,


por isso a existência de um espaço para as aulas da educação física facilita a prática
das actividades pré-desportivas, desportivas e lúdicas que permitem o
desenvolvimento físico, psicológico e integral dos alunos.
Com uma gestão racional do espaço, os alunos terão oportunidade de
desenvolverem as suas capacidades em várias modalidades, crescendo de uma
forma saudável de modo a serem homens e mulheres capazes de levar para frente a
sociedades que os espera.

ESPAÇO VERDE

O espaço verde tem grande utilidade para os alunos, tendo em conta que serve para
enriquecer a dieta alimentar dos alunos, embelezar o espaço circundante e para
concretização das aulas teóricas através de realização de experiências.

ESPAÇO ADMINISTRATIVO

É o espaço onde os professores desenvolvem grande parte das suas actividades


relacionadas com as tarefas escolares e extra-escolares como a organização do
arquivo, produção e conservação dos materiais didácticos e ainda a elaboração e
produção dos instrumentos de avaliação.
BIBLIOTECA

A Escola possui uma biblioteca equipada com materiais necessários com: armário,
mesas, cadeiras e alguns exemplares de livros que bem aproveitados podem ajudar

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tanto os professores no aprimoramento das suas actividades e técnicas diária de


ensino como os alunos na ampliação dos seus conhecimentos.

5.3. PROBLEMAS DA ESCOLA

 Coabitação com o Ensino Secundário;


 Deficiente funcionamento dos órgãos de gestão;
 Insuficiência dos materiais;
 Insuficiência da água;
 Insuficiente funcionamento do complexo sanitário;
 Falta de segurança;

 Turma numerosas.

Segundo os professores o maior problema prende-se com a coabitação entre o EBI


e o E. Secundário manifestando-se numa constante perturbação das aulas.
Seguem-se a má pintura dos quadros e os reflexos da luz exterior que dificultam o
visionamento do quadro e prejudicam o processo de ensino-aprendizagem, a
carência de materiais nas aulas, o deficiente acompanhamento dos educandos pelos
pais, as turmas heterogenias e numerosas, queimadas ao redor da escola e falta de
materiais e equipamentos.

Segundo a gestora, a escola tem como principais problemas, um deficiente


funcionamento do complexo sanitário, alguma falta de segurança no complexo
escolar e deficiente colaboração de todos os agentes educativos do pólo.

As comissões de trabalho, o conselho de pólo e o núcleo Pedagógico, por razões


várias, não têm funcionado na plenitude, carecendo com isso de uma melhoria na
organização e dinâmica.

COABITAÇÃO ENTRE O ENSINO BÁSICO E O ENSINO SECUNDÁRIO

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Consideramos a coabitação entre o ensino básico e o ensino secundário, como um


dos aspectos que influenciam negativamente o normal funcionamento do pólo
educativo, tendo em conta que, os alunos do ensino básico têm comportamentos
diferentes, interesses e desejos também muito diferente dos alunos do ensino
secundário.
Os alunos desses dois níveis estão em faixa etária diferente, e os seus
comportamentos e atitudes não coincidem.
Os horário das turmas do ensino secundário são geralmente diferentes dos do
ensino básico, provocando uma certa perturbação com muito barulho e às vezes
com uma certa agressividade.

O DEFICIENTE FUNCIONAMENTO DOS ÓRGÃOS DE GESTÃO.

Existem directrizes oficiais que norteiam o normal funcionamento do subsistema


ensino básico, com funções de cada órgão bem definido, no entanto é de salientar
que no referido pólo o funcionamento desses órgãos, estão muito a quem do
estipulado pela lei vigente pelas seguintes razões:

 Na direcção do Pólo não há uma distribuição clara das responsabilidades de


cada um relativamente as funções que se exerce;
 O Concelho de Pólo, geralmente, está constituída mas não funciona;
 O Núcleo Pedagógico funciona de forma deficiente, limitando as suas
actividades apenas a planificação de conteúdos e elaboração incompleta
instrumentos de avaliação sumativos;
 As comissões de trabalhos estão formadas, mas funcionam, esporadicamente,
nas ocasiões das datas comemorativas.

É de salientar que o Núcleo pedagógico, as Comissões de Trabalho e o Concelho de


Pólo não têm uma plano ou programa das actividades a desenvolver, sendo que só
a direcção do pólo o tem, mas, geralmente, esse plano não é monitorizado, ao longo
da sua implementação.

A INSUFICIÊNCIA DE MATERIAIS

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Os professores sentem dificuldades de abordarem com profundidade alguns


aspectos ou de realizarem actividades diversificadas que permitem um
desenvolvimento geral e integral dos educandos.

CARÊNCIA DE ÁGUA

A água é um elemento indispensável á vida dos seres vivos e do homem em


especial, por este ter a capacidade de a utilizar nos mais variados domínios para o
seu bem e conforto.
A escola possui um grave problema, que é o não ter água ao ponto de o espaço
verde se encontrar em péssimas condições e de, muitas vezes, as refeições quentes
não serem confeccionadas, do deficiente funcionamento do complexo sanitário
pondo em causa a higiene ambiental e a saúde de toda a população escolar.
Esses dois aspectos são muito importante no funcionamento da escola,
principalmente no desenvolvimento físico mental e psicológico dos educandos.

O COMPLEXO SANITÁRIO

Para além de ser insuficiente, está com problemas de manutenção, não se


encontrando em condição de uso. Os alunos são obrigados a usar os arredores das
salas de aulas para fazerem as suas necessidades fisiológicas, alterando o
ambiente circundante da escola pondo em causa também a segurança dos agentes
educativos.

A SEGURANÇA

A escola enfrenta grandes problemas neste âmbito, sendo que a escola e as salas
são, frequentemente, assaltadas por pessoas desconhecidas pondo em causa a
segurança dos alunos e a conservação e manutenção dos materiais existentes nas
salas.

Prática Pedagógica
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AS TURMAS NUMEROSAS

Esta é um dos grandes problemas que briga com o princípio de uma atenção
individualizada a cada aluno, pois o número elevado de alunos dificulta a actuação
do professor na sala de aula, prejudicando os alunos com maiores dificuldades não
permitindo ao professor dar atenção directa e individual a todos os alunos,
principalmente quando a turma tem grande quantidade de alunos repetentes.

6. RECOMENDAÇÃO E SUGESTÕES.

► Elaboração de projectos vocacionados para:

- Produção e aquisição de materiais didácticos;


- Recuperação e ampliação do horto e espaço verde;
- Formação e capacitação dos professores em áreas específicos;
- Reabilitação e reparação do complexo sanitário.

► Dinamização de acções que visam o funcionamento dos órgãos de gestão;

► Formação e capacitação dos elementos que pertencem aos órgãos de gestão;

► Melhor Gestão dos espaços existentes;

► Elaboração de planos e programas pelos órgãos de gestão e equipas de


trabalhos;

► Avaliação e monitorização periódicas das actividades constantes nos planos e


programas.

7. CONCLUSÃO

Com a realização do presente trabalho, passamos a conhecer melhor a instituição


onde trabalhamos, pois durante o processo de pesquisa, análise e reflexão sobre a

Prática Pedagógica
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sua funcionalidade, conseguimos alargar os nossos conhecimentos da nossa


realidade laboral, no que tange a história e suas reais potencialidades bem como os
principais problemas que perturbam o seu eficaz e eficiente funcionamento e referir
aos aspectos relevantes da escola que podem ser aprimorados de modo a melhorar
o funcionamento de toda a estrutura escolar.

A complexidade da instituição escolar leva-nos a afirmar que este trabalho é apenas


o início de uma grande etapa, que nos permitirá ampliar os nossos conhecimentos e
apropriar-se de instrumentos e técnicas que nos permitirão no futuro, ajudar na
resolução dos problemas das nossas escolar e melhorar o processo ensino-
aprendizagem.

Constatamos que a escola, como qualquer instituição, tem algumas insuficiências


que prejudicam o seu real funcionamento, mas tem, também, grandes
potencialidades que se bem exploradas contribuirão para melhoria de processo de
ensino-aprendizagem e promoção de uma gestão participativa de toda a
comunidade escolar.

Contamos com a colaboração de todos para o enriquecimento do mesmo e


aproveitamos para agradecer a todos aqueles que de uma forma ou outra deram a
sua contribuição para que este trabalho se efectivasse.

8. BIBLIOGRAFIA

 ALARCÃO, Isabel. Supervisão da Prática Pedagógica.

Prática Pedagógica
Análise Funcional do Pólo Educativo nº IV de Calabaceira 20

 Decreto-lei no 77/94, de 27 de Dezembro.

 INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA. Cabo Verde – Recenseamento Geral


da População e Habitação 2000, Praia.

 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CIÊNCIA E CULTURA (1997). Reforma do Ensino


Básico e Secundário.

Prática Pedagógica
Análise Funcional do Pólo Educativo nº IV de Calabaceira 21

Prática Pedagógica
Análise Funcional do Pólo Educativo nº IV de Calabaceira 22

Prática Pedagógica

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