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Manual do Guia Psicodélico

Data: Versão de rascunho: 2 de outubro de 2018


Autor: Mark Haden,
Com contribuições de: Martin Ball PdD, Dr. Birgitta Woods
Local: Vancouver, Colúmbia Britânica
Informações de Contato: mark@markhaden.com

Este material é uma tradução. O material original pode ser encontrado em:
<http://tripsitters.org/wp-content/uploads/2018/12/Psychedelic-Guide-Manual.pdf>
Índice

Escolha de Linguagem do Manual. . . . . . ............................................................................ 4


Introdução . . . . . .................................................................................................................. 4
Set e Setting . . . . . . ............................................................................................................. 5
Ritualizando o Processo . . . . . .............................................................................................. 6
Inteligencia de Cura Interior . . . . . . ..................................................................................... 8
O Papel do Guia . . . . . ......................................................................................................... 8
Qualidades do Guia. . . . . . .................................................................................................. 8
Um Guia Experiente, Hábil e Sábio: . . . . . ............................................................... 8
Conhecimento Experimental: . . . . . .......................................................................... 9
Conhecimento da Mente Humana Através das Lentes dos Psicodélicos. . . . ... . 9
Conhecimento do Poder e Importância das Relações Humanas. . . . . ................... 9
Apreciação Pelo Sofrimento Humano. . . . . . . . . . ............................................. 10
As Habilidades de Ser um Guia Psicodélico . . . . . . . . . . ............................................. 11
As Seis Competencias Essenciais . . . . . . . . . .................................................. 14
1) Presença Empática e Permanente . . . . . . . . . ................................... 14
2) Aprimoramento de Confiança . . . . . . . . . .......................................... 15
3) Inteligencia Espiritual . . . . . . . . . ........................................................ 16
4) Conhecimento . . . . . . . . . .................................................................. 16
5) Autoconsciência e Integridade Ética . . . . . . . . . . ............................... 16
6) Proficiência em Técnicas Complementares. ...................................... 16
Toque Físico . . . . . . . . . . ................................................................................... 17
Contato Visual. . . . . . . . . .................................................................................. 17
Linguagem Corporal . . . . . . . . . . ....................................................................... 18
Aliança Terapêutica . . . . . . . . . . ........................................................................ 18
Um Guia Deve Tomar um Psicodélico ao Mesmo Tempo que o Participante? . 19
Sessões de Preparação . . . . . . . . . . ............................................................................ 19
Triagem. . . . . . . . . . ........................................................................................... 20
Situações Desafiadoras Como Resultado de uma Má Triagem. . . . . . . . . . ..... 21
Compartilhamento de Informações e Esclarecimento de Intenção e Processo.. 21
Dosagem . . . . . . . . . .......................................................................................... 24
Processo de Consentimento Informado . . . . . . . . . ........................................... 25
Áreas Abrangidas pelo Termo de Consentimento Informado . ... 25
Confidencialidade . . . . . . . . . . .................................................................. 25
Guiando a Sessão . . . . . . . . . . ..................................................................................... 26
Número de Guias . . . . . . . . . . ........................................................................... 26
Itens que Devem Estar Disponíveis: . . . . . . . . . ................................................ 26
Música . . . . . . . . . .............................................................................................. 27
À Medida que o Participante Chega para a Sessão . . . . . . ................................
Inicio da Sessão – Sala de Tratamento . . . . . . . . . . .......................................... 28
2
Lidando com Comportamentos Específicos . . . . ......................................................... 30
Conversando Durante o Início e o Meio da Sessão . . . . . ................................ 30
Movendo-se pela sala. . . . . . ............................................................................. 30
Movendo-se Imprevisivelmente . . . . . . .............................................................. 30
Fazendo Perguntas Pessoais ao Guia. . . . . . ................................................... 31
Tornando-se Cada Vez Mais Ansioso e Agitado . . . . . . ................................... 31
Se o Participante Ficar Extremamente Emotivo . . . . . . ..................................... 31
Tentando Sair do Local . . . . . . .......................................................................... 32
Indo ao Banheiro . . . . . . .................................................................................... 32
Vômito . . . . . . .................................................................................................... 32
Incotinência Urinária ou Fecal. . . . . .................................................................. 32
Alarme de incêndio ou Terremoto . . . . . . .......................................................... 32
Durante a Última Parte da Sessão . . . . . ..................................................................... 33
Trazendo Resolução à Turbulência no Final de uma Sessão . . . . . . .......................... 34
Concluindo a Sessão . . . . . . ........................................................................................ 35
Avaliação Pós-sessão . . . . . ........................................................................................ 35
Comportamentos a Evitar . . . . . ................................................................................... 35
Ofereça o que você tem . . . . . . .................................................................................... 36
Integração . . . . . ........................................................................................................... 36
Os objetivos do Processo de Integração são: . . . . . . ........................................ 36
O Processo Inicial de Integração: . . . . . ............................................................ 36
Integração ao Longo do Tempo . . . . . .............................................................. 37
Código de Ética. ............................................................................................................ 37
Integridade: . . . . . . ............................................................................................ 38
Competencia: . . . . . ........................................................................................... 38
Saúde e Segurança: . . . . . . ............................................................................... 38
Limites Saudáveis: . . . . . ................................................................................... 38
Presença Empática Compassiva: . . . . . . .......................................................... 38
Ser Membro Funcional de uma Equipe . . . . . ................................................... 39
Leitura Sugerida . . . . . ................................................................................................. 43

3
Escolha de Linguagem do Manual
A palavra “guia” é escolhida para o (s) indivíduo (s) que supervisionam uma sessão
de terapia psicodélica, pois é um termo amplo e abrangente que implica o nível
apropriado de intervenção: em algum lugar entre o papel excessivamente ativo de
“terapeuta” e o inativo papel de “babá” Supõe-se que o guia seja capaz, quando
apropriado, de demonstrar as habilidades de um terapeuta e de uma babá. A palavra
“guia” também foi escolhida porque permite a inclusão de funcionários com uma
ampla variedade de origens, pois é necessária uma abordagem verdadeiramente
multidisciplinar.

A palavra “tratamento” é usada em vez de “terapia”, pois esse é um termo mais


amplo que engloba a abordagem “não-diretiva”

A palavra “participante” é usada em vez de “sujeito”, pois essa palavra reflete com
mais precisão sua “participação ativa” e “empoderamento para mudar”, fundamental
para esse processo de tratamento.

Introdução
A prática de trabalhar com psicodélicos para fins curativos ou espirituais não é nova.
Muitas tradições indígenas usam “remédios sagrados” em contextos de cura cerimonial e
espiritual há séculos e terapeutas clandestinos trabalham com psicodélicos em práticas
de cura há décadas. Existem muitas abordagens e remédios diferentes (e combinações
de remédios) usados em contextos individuais, de grupo, de casal e família. Este man-
ual deve ser usado por pessoas que estão ajudando outras pessoas a experimentar
substâncias como LSD, Psilocibina, MDMA, 3-MMC, DMT, 5-MeO-DMT, Ayahuasca
e outros psicodélicos. Destina-se a ser um guia para terapeutas que usam doses
moderadas a altas de um psicodélico. Não se destina a oferecer orientação para
aqueles que estão envolvidos na terapia psicolítica, que é a psicoterapia aprimorada
com uma dose baixa de um psicodélico. Este documento foi desenvolvido ao longo
de muitos anos com uma grande variedade de indivíduos que contribuíram para o
seu desenvolvimento, tornando este um esforço de grupo. Este manual não se des-
tina a oferecer treinamento em um modelo específico de terapia (por exemplo, terapia
cognitivo-comportamental ou Terapia Imago Relationship) e supõe-se que muitos in-
divíduos que o utilizam sejam profissionais qualificados em uma ampla variedade
de abordagens terapêuticas, todas elas aprimorada pelas informações contidas
neste manual. Ter habilidades na arte da terapia pode ser útil para navegar no
terreno complexo de transferência e contratransferência, geralmente amplificado
pelos psicodélicos. No desenvolvimento da futura profissão do “psicoterapeuta /
supervisor / guia psicodélico”, um manual de melhores práticas precisa evoluir.
Este documento é oferecido como um começo para esse processo.

A orientação psicodélica tem três estágios; preparação, experiência e integração. É


necessária atenção cuidadosa às três etapas para maximizar a oportunidade de um
resultado positivo.
4
Set e Setting
A literatura científica, clínica e antropológica / espiritual sobre o uso de
psicodélicos enfatiza a importância de “Set” e “Setting”, que, quando
cuidadosamente incorporados, são essenciais para obter o maior benefício
terapêutico, manter limites éticos e evitar efeitos indesejáveis.

“Set” refere-se à mentalidade do participante: crenças, esperanças, medos, person-


alidade e expectativas da pessoa. Comumente associado à preparação psicológica
avançada do participante, Set também é considerado o estado de espírito em que o
participante se encontra no dia da ingestão do psicodélico.

O “Setting” refere-se ao espaço físico e social. O espaço deve ser profissional,


privado, seguro, decorado de forma atraente, relaxante e confortável. A transmissão
do som para outras pessoas que não estão envolvidas deve ser limitada (ou
preferencialmente inexistente). Plantas, especificamente flores (uma rosa é
tradicional), oferecem beleza e natureza. Estar dentro de um ambiente acolhedor,
seguro e protegido permite que o participante (e os guias) se livre de preocupações
com interrupções e facilita a experiência interna desejada para o participante. Todo
o equipamento e pessoal para a segurança e implementação do processo deve ser
facilmente acessível.

O espaço precisa ser equipado com um sistema de música e fones de ouvido para
reproduzir uma playlist, e os participantes serão incentivados a recostar-se, com os
olhos cobertos, em um confortável sofá ou cama durante a maior parte da sessão. O
uso de música apropriada e a limitação da distração visual externa com o uso de
máscaras para os olhos facilitam uma experiência interior e profundamente pessoal.

Criar um Set e Setting ideal inclui:

1. Construir um relacionamento entre o participante e a equipe orientadora, a fim


de desenvolver harmonia, segurança e confiança.

2. Garantir um ambiente familiar, confortável, protegido e seguro, fisicamente e


psicologicamente.

5
Ritualizando o Processo

Metzner (2015) explorou diferentes elementos de rituais psicodélicos (por exemplo,


entoar cânticos, tocar tambores, trabalhar com objetos “sagrados”), que são
frequentemente usados em uma grande variedade de tradições indígenas. Uma
abordagem ritualística de uma sessão psicodélica tem várias vantagens. Os rituais
podem ser imbuídos de uma ampla variedade de significados e, portanto, tornam a
experiência mais pessoal para o participante. Os rituais de cura e espirituais podem
ser “genéricos” e, portanto, apropriados para indivíduos com uma ampla variedade de
necessidades curativas ou espirituais.

Os rituais podem ser poderosos na criação de um ambiente de segurança. Eles


podem ser “usados conforme apropriado” em resposta a angústia ou comportamento
desafiador do participante. Uma tigela tibetana ou gongo, por exemplo, pode ser
usada para significar mudanças. Aqui é onde a música pode ser importante. A
comunicação com a música é transcultural e não é propensa à complexidade de
possíveis interpretações errôneas e divergências que podem ocorrer ao se comunicar
com as palavras. A possibilidade de entender mal as palavras é ampliada quando es-
tados alterados de consciência estão envolvidos. A música pode ser mais apropriada
do que as palavras quando se comunica com alguém em um estado psicodélico de
consciência, pois o significado das palavras geralmente é específico do estado e a
interpretação da música é mais universal. Um exemplo de comunicação apropriada

6
com a música ocorre nas cerimônias de Ayahuasca, onde os xamãs tradicionais da
Amazônia interagem com os ocidentais que procuram cura. Se as palavras fossem
compartilhadas, as diferentes visões de mundo provavelmente entrariam em conflito,
pois os xamãs geralmente acreditam que os problemas psicológicos são o resultado
de “maus espíritos” e o sistema de crenças ocidental se concentra mais em questões
como traumas passados. Quando a música é o meio de comunicação, as divergên-
cias são mínimas e a cura é promovida.

Embora os rituais possam ser poderosos para trazer segurança e significado à exper-
iência, eles também podem ser problemáticos. Se os rituais não estão “sincronizados”
com o participante, ou se o guia acredita que sua marca particular de ritual é especial,
e a cura é atribuída ao curador e não ao participante, isso pode ser uma experiência
desempoderadora para o participante. Um Ayahuasqueiro que se recusa a usar copos
descartáveis ao dirigir um grupo de indivíduos com problemas de dependência que
têm altas taxas de Hepatite C pode aumentar a transmissão da doença. A explicação
de que “esta é a nossa tradição” é um conforto fraco para qualquer pessoa recém-
infectada. O uso hábil de rituais exige que os guias sejam flexíveis e também lembrem
a importância da humildade e que a cura vem do participante e não do guia.

A presença, intenções, suposições, ações, conhecimentos teóricos, conjuntos de


habilidades, personalidades e intuições do guia (essencialmente a totalidade de seu
corpo, mente e espírito) influenciam o set e o setting. As pessoas vêm para este
trabalho de uma variedade de disciplinas profissionais, formação e filosofias.
Interesses, habilidades e experiências divergentes são benéficos para o desen-
volvimento de melhores práticas, pois são necessárias muitas perspectivas para
garantir um melhor processo.

Os guias eficazes das sessões de tratamento psicodélico agem para facilitar a jor-
nada para a consciência, com total presença e integridade em relação ao indivíduo,
informados pela ciência e pela medicina. Em vez de atuar como intervencionistas, os
guias servem para proporcionar segurança e conforto sem intrusões, estabelecendo
relacionamento e confiança com o participante e mantendo um ambiente estético e
confortável em que o participante se sente seguro.

Quando estados não ordinários da consciência estão ocorrendo, os guias


permanecem firmes e centralizados. É essencial que os guias gerem calor humano e
promova no ambiente com uma sensação de aterramento. Eles também devem
seguir diretrizes rigorosas e conhecer a substância específica que estão usando.

Os guias entendem que o participante é um colaborador e co-investigador - um


indivíduo corajoso que viaja por terrenos desconhecidos e volta para ajudar a todos,
compartilhando aspectos de sua jornada que podem ser úteis para seu crescimento
e conscientização, bem como para o desenvolvimento e expansão de habilidades do
guia.
7
É essencial que os guias tenham a máxima confiança em todo o processo - em suas
habilidades, equipe e participantes. Igualmente importante é a coesão da equipe
como um todo, com todos os guias em sintonia com seu par, além de ser consciente
e ter apoio e comunicação aberta com outros membros da equipe.

Inteligência de Cura Interior

A inteligência de cura interior é um conceito usado ao longo deste manual. Esse


conceito foi desenvolvido originalmente por Stanislof Groff e refinado por Michael
Mithoefer, que o tornou central no processo de tratamento assistido por MDMA da
MAPS. Esse conceito é usado para ajudar a colocar o participante em contato com
sua capacidade própria de curar e crescer e capacitar o participante a ser responsável
por sua própria cura. Processos emocionais turbulentos e muitas vezes difíceis podem
ser mais fáceis de trabalhar e resolver quando entendidos como parte da Inteligência
de Cura Interior. A explicação a seguir pode ser útil para discutir o conceito com os
participantes: O corpo inicia um processo de cura notavelmente complexo e sofistica-
do e sempre tenta espontaneamente avançar na direção da cura, como evidenciado
pela inevitável cura de um corte ou contusão, por exemplo. A psique também exibe
uma inteligência e capacidade curativa própria, reveladas pela medicina psicodélica.
Guias que entendem o conceito de Inteligência de Cura Interior são menos ativos (e
mais fortalecedores) do que os terapeutas que acreditam que suas interações com o
participante resultarão no processo de cura.

O Papel do Guia

O papel do guia é atender às necessidades físicas e pessoais e outras necessidades


interpessoais dos participantes, com total atenção e aceitação aberta, evitando
“cuidar”, psicanalisar, determinar, rotular, diagnosticar ou confundir-se.

Qualidades do Guia
As qualidades e habilidades a seguir foram adaptadas do Karen Coopers Guide
Manual (2014)

Um Guia Experiente, Hábil e Sábio:

● Tem experiência e sabedoria para entender o grau de atividade da função e geral-


mente não atua como um “assistente inativo” ou “guia hiperativo”, mas pode atuar
em qualquer uma dessas funções, conforme necessário.
● Prepara-se para tudo e não presume nada.
● Tem as habilidades necessárias para lidar construtivamente com os perigos e
obstáculos da psique.
● Sabe quando não intervir e sabe quando e como ajudar o processo.

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● Tem total apreço por estar vivo, vive uma vida significativa, entende que todos
somos “curadores feridos”, conhece algumas das agonias e felicidades da
existência humana.
● Compreende a farmacologia (por exemplo, mecanismo de ação, momento típico
do início, duração) e efeitos esperados ou possíveis do remédio.
● Confia no remédio e no curador interno do participante para encontrar o processo
de cura.
● Tem a capacidade de permanecer relaxado e fundamentado na presença de
intensa ansiedade e outras emoções que podem ser expressas emocional ou
fisicamente.
Conhecimento Experimental:

● Tem apreço pelo mistério de seu próprio ser.


● Tem consciência do conteúdo além do ego.
● Compreende e tem respeito / temor pela transcendência.
● Entende que encontros com transcendência podem ser importantes, significativos
e transformadores.
● Mantém a capacidade de permanecer objetivo; usa discernimento ao invés de
julgamento.
● É capaz de evitar usar ou confiar em rótulos como “psicose” ou “bad trip” e é
capaz de responder atentamente aos comportamentos e percepções observados.
● Pessoalmente, entende os benefícios que podem ser obtidos a partir de estados
alterados de consciência.
● Tem a capacidade de alternar entre o modo de cientista e o modo de poeta e
presença compassiva. recorrendo a cada um, conforme apropriado.
● Aprecia que as sessões são como uma obra de arte criada em colaboração com o
participante. Cada experiência é única e envolve acessar a intuição, a expressão
do sentimento, ser vulnerável e esperar para ver o que se desenrola.

Conhecimento da Mente Humana Através das Lentes dos Psicodélicos

Os guias devem estar cientes da variedade de diferentes teorias que foram


desenvolvidas para entender a natureza da mente consciente e inconsciente, que se
manifesta sob a iluminação dos psicodélicos. Atualmente, esses modelos ainda estão
em desenvolvimento e são abrangentes, à medida que os seguidores de Grof obser-
vam a Matriz Primitiva do Nascimento, os freudianos observam Édipo, os junguianos
veem arquétipos e os neurocientistas veem a supressão da rede de modo padrão. É
necessário um entendimento dessas diferentes teorias para qualquer guia que
supervisiona a experiência psicodélica.

Conhecimento do Poder e Importância das Relações Humanas

● Segue todos os códigos de ética profissionais relevantes, além da ética descrita


abaixo.
● Mantém relacionamentos não manipulativos e não exploradores; possui
estrutura clara e apropriada, além de limites pessoais e profissionais. 9
● Compreende transferência e contratransferência e é capaz de demonstrar a
capacidade de refletir sobre si mesmo e discutir essas questões, conforme apro-
priado.
● Compreende o desequilíbrio de poder que ocorre no relacionamento entre o
participante (que é extremamente revelador e vulnerável) e o guia (que é visto
como sendo o “sábio”). Há várias preocupações possíveis aqui, pois é fácil para
um guia imaturo começar a acreditar que realmente tem as respostas e começar a
acreditar que eles é “o grande terapeuta”. A resposta apropriada é a humildade
(não a inflação do ego) e a capacidade de ver os problemas do participante como
sendo uma parte normal da humanidade que todos compartilhamos e mantendo
uma abertura para aprender com o participante. Metzner (2015) alerta os guias
para que estejam sempre conscientes do potencial de sua própria grandiosidade e
da super idealização de suas percepções do que é significativo nos estados de
consciência associados à terapia psicodélica. Como a prevenção é melhor do que
o controle de danos, é aconselhável uma discussão aberta e contínua entre os
guias sobre esse assunto durante as reuniões da equipe para criar e manter o
funcionamento saudável da equipe.

Apreciação Pelo Sofrimento Humano

● Tem uma apreciação por “Purgação” e “A Noite Escura da Alma” como parte
da jornada espiritual.
● Fornece compaixão constante durante a dor (física e psicológica).
● Apreciação pelas limitações de linguagem e capacidade de reter questionamen
tos.
● Um participante que tem uma experiência psicodélica geralmente descreve a
experiência como tendo uma qualidade de inefabilidade e paradoxo: além das
palavras e verdades abrangentes que, de outra forma, poderiam parecer in-
compatíveis ou opostas. Por exemplo, alguém pode ter uma percepção alterada do
tempo, preferir não falar ou ser incapaz de descrever sua experiência.
● Da mesma forma, um participante pode ter dificuldade em usar sua voz para
tornar sua fala coerente e nítida enquanto o medicamento psicodélico estiver em
vigor.

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As Habilidades de Ser Um Guia Psicodélico

Como guia, você serve como uma presença constante e solidária para os partici-
pantes. Você é convidado a trazer sua singularidade, personalidade, profundidade e
plenitude a essa ação criativa e significativa. Sua autenticidade e consciência são
partes essenciais na criação de um ambiente acolhedor e saudável. Sua assinatura
pessoal e distinta contribui para esse papel por meio de dons, habilidades, treina-mento,
atitudes e experiências particulares. Sua presença completa é fundamental durante
as reuniões preparatórias, no dia em que o participante ingere o remédio, durante a
reunião de acompanhamento da integração e além das sessões de estudo.

No livro de James Miller, The Art of Being a Heal Presence, do qual deriva grande
parte do material a seguir, lembramos que, como guias, o que trazemos à situação
como seres humanos carinhosos e solidários é mais importante para o resultado da
experiência do que as técnicas que empregamos. A prática de estar totalmente pre-
sente nos fornece informações preciosas sobre nós mesmos, nossas motivações e a
sacralidade do relacionamento que estabelecemos com os participantes, enquanto
viajamos com eles em uma nova experiência.

Estar presente é uma habilidade que você pode praticar, desenvolver e melhorar. As
páginas a seguir irão ajudá-lo a crescer em sua capacidade de estar presente por
meio de uma série de experiências que você e o participante podem encontrar.

“Nos conectamos ao ouvir. Um silêncio amoroso geralmente tem muito mais poder
do que palavras”
11
Facilitamos uma mentalidade clara, familiarizando a pessoa com o ambiente, de-
senvolvendo um relacionamento de confiança e explorando com ela quem elas são,
de onde vêm, onde estão atualmente na vida, como lidam e o que esperam ganhar
com a participação no estudo. Queremos nos familiarizar com suas intenções,
objetivos, curiosidades, suas perguntas, quaisquer medos ou preocupações com seu
corpo, sua segurança, possíveis comportamentos e sua psique interior. Embora o
inesperado possa surgir durante o dia da sessão, descobrir preventivamente o que
está abaixo da superfície abre caminho para uma sessão mais confortável e poten-
cialmente mais profunda, principalmente com as doses crescentes. Uma sessão bem
estruturada, com um guia totalmente presente em um contexto de suporte, torna
muito mais provável que uma experiência psicodélica seja significativa, saudável e
que melhore a vida.

Quando você está totalmente presente, você compassivamente compartilha o mo-


mento presente com o outro; e você acredita e afirma o potencial de plenitude dessa
pessoa, onde quer que ela esteja nesses momentos. Você está ciente e controla seu
próprio ego, identidade, características da personalidade e reatividade padrão. Você
mantém uma fé constante e firme em si mesmo e no participante. Você está aberto e
desperto para o processo e confia que tudo o que se desenrola é exatamente o
necessário naquele momento para aprendizado, crescimento e cura. Isso não signifi-
ca que você não ajudará uma pessoa a superar dificuldades, mas sua abordagem é
confiar que qualquer dificuldade apresentada serve a um propósito no processo de
crescimento do participante. Você se importa, fornece segurança e garante que a se-
gurança seja mantida, mas entenda que “cuidar ou resolver” não é necessário. Você
não assume responsabilidade pessoal pela experiência ou re-sultado de algo ou al-
guém além de você e seu próprio comportamento. Você é capaz de atender aos sen-
timentos do participante, sem ser pego ou dominado pelos seus. Você quer saber, de
modo completo, o que está acontecendo dentro deles para entender como vêem o
mundo; você se sente a vontade com toda a verdade dessa pessoa, sem a intenção
de mudar ou melhorar nada, honrando o direito de serem exatamente quem são.

Como um guia, você fica alerta a cada momento que se desenrola, entregando-se
completamente ao presente (agora), você escolhe não pular para o futuro (a história
do que você acha que vai acontecer ou o que está previsto para ocorrer). É simples
assim: você está aqui, agora. Você testemunha e confia na singularidade da pessoa e
da situação, sem projetar e intervir por causa do que pode acontecer a seguir. Como
estamos acostumados a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, sobrecarregar nossos
dias com atividades e encher nossas mentes de listas intermináveis de conversas e
tarefas, permanecer no momento - estar presente AGORA - pode não ser fácil, mas é
essencial neste trabalho.

A presença pode ser difícil de identificar, porque geralmente não envolve muita ativi-
dade. Ao estar presente, simplesmente acompanhamos o participante à medida que
ele “entra e sai” de sua experiência, enquanto em um estado alterado da consciência.
Estar presente dá permissão e introduz o que quer que aconteça, confiando na ca-
pacidade natural do participante de avançar em direção ao que for necessário. Esta-
mos cientes de que cada pessoa está em um momento específico e, portanto, cada
experiência psicodélica é única (até a mesma pessoa com a mesma dose).
12
Portanto, não podemos prever para onde a jornada deles os levará.

O guia geralmente atua como guia porque explorou, aceitou e está aberto à exper-
iência do terreno místico. Você fornece um ponto de partida e incentiva gentilmente
o participante a “relaxar, respirar e permanecer com sua experiência”, em vez de
resistir. Você está presente, agora, com o participante, com atenção concentrada.
Assim, o participante é encorajado a se envolver mais profundamente em sua ex-
periência, a aceitar o que quer que apareça e a ficar curioso sobre onde sua mente
os está levando, ciente de que está recebendo o que mais precisa naquele momen-
to. Guiar é mais parecido com “Estar com”. É um presente calmo, precioso e muito
poderoso.

Estar presente é simples, mas nem sempre é fácil. Requer tempo, energia e con-
sciência alerta (sem que você se torne hiper alerta). O processo não é complicado.
Você mantém os olhos abertos, experimenta os sentidos e desperta para onde está,
absorvendo tudo ao seu redor. Às vezes, você pesquisa todo o panorama, outras
vezes, aprimora os detalhes. Às vezes, você pode fechar os olhos para aprofundar um
estado meditativo de consciência, mas presta atenção total ao ambiente e ao que está
acontecendo. Siga sua curiosidade natural e fique aberto o máximo possível: que sons
estão presentes dentro de você e no ambiente? Existe movimento? Que tipo? Onde?
Existe calma? Qual é a característica desse movimento ou calma? Seja um ob-
servador. Qual é o ritmo, esforço e características da respiração de todos? Observe o
que seus sentidos reúnem e verifique com você “que informações isso transmite” sem
se apegar ou se distrair com nada.

Reconheça suas projeções e evite aplica-las no outro. É preciso persistência, dis-


ciplina e esforço para acalmar sua voz mental. Você deve usar seus sentidos, sua
intuição e todo o seu corpo de maneiras que você pode não ter desenvolvido com-
pletamente. Ficar no agora requer disciplina e consistência; a maioria de nós precisa
de lembretes contínuos. Quanto mais você pratica estar completamente presente,
mais natural se torna. Quanto mais acordamos para o que está ao nosso redor e
dentro de nós, mais propensos estamos a permanecer centrados e solidários. É por
isso que é importante incluir partes experimentais no seu treinamento de guia, e é
necessário que os guias tenham uma prática pessoal, como meditação e familiari-
dade com estados alterados de consciência. É de vital importância manter tempo
para o autocuidado e integrar práticas da consciência ao seu estilo de vida.

Para alguns, ou em determinados momentos, pode parecer natural manter-se presente.


No entanto, é necessária uma grande energia para domar sua voz mental, para que
você possa realmente ouvir ou ressoar com o que a outra pessoa tem a dizer (com
ou sem as palavras). Você é altamente encorajado a incorporar um componente de
meditação em movimento ou exercício físico em seu repertório de autocuidado, para
ajudar a mover e equilibrar sua energia, o que acalma a mente, e ajudará você a se
sentir mais confortável fisicamente durante o dia da sessão. Você pode apresentar
tais modalidades ao participante durante as sessões preparatórias, juntamente com
a meditação sentada, deitada ou em pé, como estratégias de auto-
13
cuidado, autoconsciência e integração após a (s) sessão (s) psicodélica (s), ou
entre doses .

Seu papel como guia não inclui desejar um resultado específico para o participante
(como ter uma experiência transcendente, de cura ou fantástica), nem ser inter-
vencionista, estrategista ou terapeuta. Em vez disso, seu trabalho principal é mais
parecido com o de uma parteira da alma, que permite, protege e inaugura o que
quer que aconteça por conta própria, enquanto o participante está em um estado
alterado de consciência, induzido pela efeitos do remédio psicodélico. A conscienti-
zação e a permanência no centro são particularmente importantes para evitar trans-
ferências e contratransferências, conforme compartilhado pelo The Guild of guides
in Meeting the Divine Within:

Permanecendo centrado: quanto mais centrado você estiver como guia, mais eficaz
será. Quanto mais você souber sobre si mesmo e sobre quem estiver guiando, maior
será a probabilidade de permanecer centrado e tranquilo durante toda a sessão.
Quando você se sentir mais confortável, será mais fácil para o viajante fazer a
transição de um estado de consciência para outro. Depois de revisar centenas de
sessões em diferentes cenários, Timothy Leary e Richard Alpert (Ram Dass) con-
cluíram, na maioria das situações, que um viajante ficou angustiado quando o guia
ficou inquieto, incerto ou chateado.

As Seis Competências Essenciais

Na sua exploração das habilidades necessárias para os guias psicodélicos, Phelps


(2017) descreve 6 competências:

1) Presença Empática e Permanente

O pensamento atual nesta área foca nas características de empatia do guia:


uma responsividade empática que foi levada a uma personificação melhorada de
uma presença calma e permanente durante a terapia psicodélica. 14
Essa presença empática e permanente é uma capacidade evidenciada no guia durante
a preparação, a própria sessão e as reuniões de integração. O termo “permanente”
aqui é propositalmente usado para transmitir aspectos de uma testemunha do mis-
tério da vida em ação durante a psicoterapia. Os componentes da presença empáti-
ca e permanente variam de compostura, atenção plena, escuta empática, “fazer por
não fazer”, responder à angústia com calma e equanimidade. O objetivo é oferecer
uma testemunha de uma presença carinhosa.

Os ouvintes empáticos estão relaxados, mas engajados, fazem perguntas e


exploram sem forçar a barra. O ouvinte mantém contato visual apropriado e oferece
toques reconfortantes e adequados, se cultural e pessoalmente aceitáveis. Pode ser
necessário que ouvintes empáticos admitam que não têm respostas. Componentes
importantes da escuta empática e da escuta ativa:

• Incentivo mínimo, verbal e não verbal


• Convidar em vez de conduzir.
• Parafrasear
• Refletir
• Rotulagem emocional
• Validar
• Tranquilidade e paciência
• Permitir que os participantes tirem suas próprias conclusões

Um dos atributos que ajuda os guias a desenvolver uma presença empática é a


interocepção fortemente desenvolvida (ou a percepção das sensações corporais) e a
capacidade de refletir e compreender as próprias projeções. A autocompreensão (do
corpo e da mente) ajuda se o objetivo é deixar de lado os problemas pessoais e se
concentrar nas necessidades de outro.

2) Aprimoramento de Confiança

Relacionado a uma presença empática, o guia é hábil em aumentar a confiança em


três áreas: os participantes veem o guia como um guia confiável; a confiança do par-
ticipante em sua própria capacidade de cura interior; e a capacidade de normalizar de
forma confiável para o participante que são esperadas transformações paradoxais e
momentos inesperados nas sessões e, portanto, confiáveis como parte do processo.
Esses aspectos das capacidades de aprimoramento da confiança permitem ao guia
apoiar o engajamento dos participantes em compreender significativamente suas vidas
e os processos de cura interna.

15
3) Inteligência Espiritual

Guias que são competentes em terapia psicodélica têm conhecimento e valores que
podem ser descritos como uma inteligência espiritual que vai além do desenvolvimento
psicológico convencional. Além da autoconsciência, implica a consciência de nosso
relacionamento com o transcendente, entre si, com a Terra e com todos os seres. A
capacidade de acalmar o próprio diálogo interno e relaxar o corpo com técnicas de
meditação é importante, pois muitas horas passam simplesmente observando o
participante que está deitado imóvel. Se o guia estiver distraído, o participante, que
se torna muito sensível à dinâmica interpessoal, não sentirá sua presença de apoio.
A inteligência espiritual é sempre um “trabalho em andamento” e passar um tempo
tranquilo guiando com sabedoria ajuda a desenvolver esse atributo.

4) Conhecimento

Os guias psicodélicos devem ser competentes em seus conhecimentos de anatomia e


fisiologia, neurobiologia, farmacologia, disposição e interações medicamentosas e
neurofarmacologia de medicamentos psicodélicos. A familiaridade com as narrativas
clínicas sobre os efeitos normativos de diferentes drogas psicodélicas, em doses
variadas, em uma variedade de Set e Setting, também é altamente instrutiva.

5) Autoconsciência e Integridade Ética

Essa competência se refere a seis componentes da perspicácia do guia relacionados


a: autoconsciência dos motivos pessoais deste trabalho; integridade na proteção de
barreiras com os participantes; capacidades bem desenvolvidas para construir
alianças terapêuticas; habilidades em teorias de apego e análise de transferência-
contratransferência; e autocuidado pessoal. Um componente central dessa com-
petência é a capacidade de refletir sabiamente sobre os motivos ao realizar terapia
psicodélica, enquanto trabalha simultaneamente com os processos de conexão e
transferência dos participantes. Também é necessário entender as próprias forças e
áreas de desenvolvimento.

6) Proficiência em Técnicas Complementares

Os componentes principais dessa competência são habilidades e conhecimentos que


formam uma caixa de ferramentas de métodos terapêuticos complementares para uso
em várias fases da terapia. Muitos tipos de habilidades terapêuticas complementares
foram explorados para a fase inicial de preparação, para encerrar a sessão em si ou
para uso durante as sessões de integração. Essas habilidades adicionais e métodos
terapêuticos usados pelos guias incluem técnicas de orientação somática, como tra-
balho respiratório holotrópico, inoculação de estresse, trabalho terapêutico corporal e
toque; técnicas de olhar para um espelho; apalpar, sentir e focar; experiências
somáticas e terapias sensório-motoras.

16
As técnicas complementares serão diferentes para diferentes guias, mas todos os guias
da equipe devem ter um entendimento básico e apoiar as técnicas complementares
usadas por outros membros.

7) Habilidades de Resolução de Trauma

Ser informado sobre o trauma e ter habilidades que ajudam na resolução do trauma
são importantes, pois muitos problemas apresentados, como depressão, ansiedade e
raiva, têm o trauma como causa subjacente. Como o participante compartilha suas
experiências, poder ajudá-los a entender a origem do problema e resolver esse
problema é uma parte importante deste trabalho.

Toque Físico

A maioria dos terapeutas são treinados para acreditar que tocar um cliente /
participante é inapropriado e demonstra uma quebra de barreira. Ao trabalhar com
psicodélicos, o toque não sexual pode ser muito útil no processo de cicatrização. De
fato, pode ser problemático se o toque não for oferecido, pois isso não está re-
spondendo adequadamente às necessidades terapêuticas do participante. O trabalho
corporal, as mãos dadas e os abraços podem ser uma parte importante do processo
terapêutico quando são bem-vindos pelo participante. Discutir a distinção entre toque
sexual e não sexual / de cura é importante nas sessões de preparação. Se o toque é
oferecido, é importante oferecer uma mão lentamente (por exemplo) e aguardar para
ver se o convite para o toque é aceito. O toque rápido, sem a clareza de que é bem-
vindo, pode ser percebido como intrusivo.

Contato Visual

É importante compreender a experiência de diferentes tipos de contato visual. Olhar


alguém diretamente nos olhos pode convidar a refletir sobre a conexão entre o par-
ticipante e o guia, e isso pode distrair o processo de exploração interior. Um “olhar
suave”, onde o guia olha levemente para baixo, pode ser menos perturbador para o
participante e, portanto, permite a manutenção do foco interno.

Sob circunstâncias específicas, a consideração do contrário também pode ser útil.


Especificamente, o “olhar fixo” ou o contato direto prolongado com os olhos podem
oferecer ao participante um foco forte e permitir que o material inconsciente seja
projetado no guia. O olhar focalizado pode ser intenso e criar uma oportunidade de
aprofundar a compreensão de um relacionamento externo (por exemplo, com um pai,
parceiro ou filho). A oferta para “olhar nos olhos” deve ser proposta e, se aceita, o
guia deve ser delicado com a necessidade do participante.

17
Linguagem Corporal

Uma linguagem corporal aberta pode expressar conexão e apoio sem se distrair do
processo reflexivo interno do participante. A linguagem corporal pode mudar
dependendo do que está acontecendo. Isso é relevante apenas se o participante
remover a máscara de dormir.

Aliança Terapêutica

Para criar e manter uma aliança terapêutica segura e colaborativa com o participante,
é crucial que os guias mantenham a autoconsciência. Os guias devem estar
presentes com empatia durante a experiência do participante e, ao mesmo tempo,
manter limites saudáveis e apropriados. Ao fazer isso, os guias incentivam o
participante a permanecer presente com sua própria experiência interior e criam um
ambiente seguro que promove a vontade de explorar percepções novas e
inesperadas que possam surgir durante o processo de cura. A força da experiência
terapêutica depende muito do nível de conforto dos guias com emoções intensas e
de sua habilidade em permanecer empaticamente presente e aberto a uma série de
experiências emocionais. Como ouvintes empáticos, os guias atendem ao relato do
participante sobre sua experiência interior, os significados que ela tem para ele e
quaisquer pensamentos e sentimentos ambivalentes que ele / ela possa ter sobre a
experiência. Os guias lembram todas as intenções para a sessão que o participante
identificou durante as reuniões introdutórias e preparatórias, além de permitir o
surgimento, as vezes inesperado, de material psíquico adicional. Eles também
consideram fatores psicológicos individuais, como os tipos de apego, que podem afe-
tar o relacionamento terapêutico (transferência e contratransferência) e influenciar o
grau e a natureza da intervenção terapêutica que será mais adequado a esse
indivíduo. Para manter o delicado equilíbrio entre o foco na experiência interior e o
fornecimento de um espaço seguro para explorar essa experiência de maneira
aberta, os guias devem respeitar a Inteligência de Cura Interna da própria psique e
corpo do participante e entrelaçar habilmente períodos de interação com períodos de
silencio.

Os participantes naturalmente desejam obter o máximo benefício de suas sessões,


portanto, muitas vezes precisam lembrar o paradoxo de que a cura geralmente é mel-
hor realizada se rendendo ao processo, em vez de tentar direcioná-lo. Eles devem ser
lembrados de que, na psicoterapia assistida por psicodélicos, idéias importantes e cura
geralmente surgem através de um processo não linear que pode mudar e resolver de
maneiras inesperadas. Esse processo é aprimorado pela confiança do participante de
que sua Inteligência de Cura Interna, em conjunto com o remédio, trará quaisquer ex-
periências necessárias para a cura e o crescimento, para que qualquer coisa que surja
seja vista como parte do processo de cura. Nesse sentido, o participante é incentivado
a se entregar ao processo da maneira mais completa possível, e a não “ir na frente do
remédio” com esforços para direcioná-lo. Paradoxalmente, os papéis dos guias costu-
mam seguir, em vez de liderar ou orientar o participante, à medida que ele explora per-
cepções e realizações novas e inesperadas. Outras vezes, pode ser útil que os guias
18
lembrem ao participante que enfrentar experiências dolorosas é realmente um caminho
para a cura.

O guia pode fornecer segurança verbal, quando necessário, e toques de afeto e


cuidado, se solicitado, quando o participante enfrentar pensamentos, memórias ou
sentimentos perturbadores e potencialmente esmagadores. No entanto, deve-se tomar
cuidado para não interromper o processo do participante desnecessariamente ou
transmitir uma falta de confiança na capacidade de cura interna do próprio partici-
pante. Os guias devem acompanhar suas próprias reações emocionais e abster-se de
intervir em resposta às suas próprias necessidades. A capacidade dos guias de estar
presentes sem a necessidade de intervir, além de talvez com um lembrete suave de
sua presença, pode transmitir uma forte mensagem de apoio compassivo e confiança
no processo de cura.

Um Guia Deve Tomar um Psicodélico ao Mesmo Tempo que o Participante?

Existem diferentes opiniões sobre a questão do guia tomar um psicodélico ao mesmo


tempo que o participante. Embora não haja resposta certa para essa pergunta, é im-
portante considerar as vantagens e desvantagens. É comum (mas não universal) nas
tradições indígenas que o guia tome remédios psicodélicos ao mesmo tempo que o
participante. Os guias costumam tomar uma dose muito mais baixa para que “tenham
pé nos dois mundos” e, portanto, possam funcionar bem no espaço “normal”. Alguns
guias observam que ingressar no espaço do cliente aprimora a conexão e o rela-
cionamento.

O padrão de prática na comunidade de pesquisa é que o guia nunca participa da exper-


iência psicodélica com o participante. Os pesquisadores observam que o guia geral-
mente precisa voltar para a família no final do dia e seu funcionamento em casa pode
ser prejudicado. Se eles estão guiando com frequência, tomar uma substância quase
diariamente pode ter consequências para a saúde física e psicológica. A pesquisa é
frequentemente aconselhada pela prática médica ocidental e o padrão de comporta-
mento é que o médico não toma o medicamento que está oferecendo ao paciente.

O Guia Deve Ter Experiências Pessoais Com Psicodélicos?

Tanto a comunidade de pesquisa quanto as comunidades indígenas concordam que


um guia que nunca experimentou um psicodélico não terá a capacidade de entender
e, portanto, simpatizar e ter relacionamento com os participantes. No entanto, os guias
devem estar atentos para não projetar suas próprias experiências ou expectativas no
participante.

Sessões de Preparação

O objetivo do processo de preparação é examinar, compartilhar informações, esclarecer


intenções, estabelecer um acordo sobre o processo, documentar o consentimento
entre o guia e o participante. O guia e o participante devem se reunir quantas vezes
19
vezes forem necessárias durante o processo de preparação para atingir todos esses
objetivos. Geralmente são necessárias duas a quatro reuniões (uma a duas horas
cada).

Triagem

As experiências psicodélicas não são para todos e, para evitar causar danos (tanto ao par-
ticipante quanto ao guia), é importante uma triagem hábil baseada em boas informações.
Os seguintes fatores (critérios de exclusão) devem ser considerados no processo de
triagem:

1) Idade - o participante deve ser legalmente um adulto.


2) Uma vida estável (incluindo a moradia) é importante, pois muito estresse externo
pode resultar na falta de capacidade de refletir sobre o processo interno.
3) Se for do sexo feminino - não esteja grávida ou amamentando.
4) Presença de qualquer condição médica incapacitante, incluindo, entre outras,
doenças cardiovasculares / hipertensão.
5) A presença de qualquer doença mental incapacitante, instável ou aguda ou condição
relacionada a vícios (por exemplo, abstinência ativa de álcool).
6) Diagnóstico ativo ou histórico de quaisquer distúrbios psiquiátricos graves, como
transtorno bipolar, esquizofrenia / transtornos psicóticos e transtornos de personalidade,
pois esses indivíduos têm maior risco de desestabilização prolongada. O guia deve
estar atento especificamente para distúrbios de personalidade borderline e narcísica,
pois são difíceis de diagnosticar. O teste de Maclean para transtorno de personalidade
borderline está facilmente disponível. Uma pontuação de 7 ou mais é um diagnóstico.
Não deve haver um diagnóstico histórico ou ativo de distúrbios neurológicos, como
acidente vascular cerebral, epilepsia ou lesão cerebral grave, para minimizar o risco
de eventos adversos (por exemplo, induzir uma convulsão). Pacientes com demência
moderada / avançada não são capazes de dar consentimento informado.
7) Devido ao risco teórico da síndrome da serotonina, deve-se evitar participantes que
fazem uso de antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação de serotonina
(antidepressivos mais comuns), MAOIs e Hipericão. Indivíduos com estabilizadores
de humor (por exemplo, lítio, ácido valpróico) ou medicamentos antipsicóticos (por
exemplo, haloperidol, risperidona) implicam no diagnóstico de uma doença mental
grave e, portanto, devem ser considerados com cautela, conforme o item 6.
8) Atuais pensamentos suicidas ou homicidas
9) Problemas de controle de raiva.
10) Pais com qualquer distúrbio psicótico ou bipolar, devido ao risco aumentado de um
“cérebro vulnerável” a um distúrbio psiquiátrico subjacente por meio de histórico
genético / familiar.
11) Os conflitos de casais devem ser abordados com cautela. Se um casal é tratado e
uma pessoa decide deixar a outra, existe o risco de que o guia seja responsabiliza-
do.
12) A capacidade de refletir e assumir a responsabilidade é um problema. Os par-
ticipantes que têm dificuldade em refletir sobre suas emoções, sistemas de crenças
etc. e assumir a responsabilidade por suas ações tornam o processo de cura mais
difícil para o sujeito e para o guia.
13) Um participante que tenha dificuldade em dar ouvidos ao guia e receber informações
durante a sessão preparatória provavelmente terá dificuldade em obedecer.
20
durante a sessão. Também esteja ciente dos participantes que têm um forte
apego à sua “história”. Aqueles que acreditam que conhecem todos os seus
problemas e sabem no que precisam trabalhar tendem a ter sessões difíceis.
Ser “humilhado pelo medicamento” faz parte do caminho para a cura e o
crescimento.

Situações Desafiadoras Como Resultado de uma Má Triagem


Algumas das situações mais desafiadoras relatadas pelos guias são uma conseqüên-
cia da triagem inadequada: Exemplos são:

 A oferta desse serviço a um ou dois membros de um casal e um dos partici-


pantes do casal decide sair e o outro fica com raiva do guia que é culpado
pela separação.
 Indivíduos com transtornos de personalidade não diagnosticados que solicitam
ajuda e ficam muito zangados com o guia quando não são “curados”. Um
indicador de um transtorno de personalidade borderline é um alto nível de
desespero. Isso geralmente está associado à falta de vontade de cumprir suas
tarefas, especialmente aquelas que exigem auto-reflexão.
 Eventos cardiovasculares significativos durante a sessão de ibogaína e exper-
iências subsequentes de ambulância e hospital.

Compartilhamento de Informações e Esclarecimento de Intenção e Processo



O seguinte deve ser considerado durante o processo de preparação, que levará
algumas sessões:

1) Esclareça as intenções do participante - seja específico. Parte desse processo é


avaliar o grau em que o participante está comprometido com a experiência e que
fará o trabalho necessário para maximizar a chance de um resultado positivo. Às
vezes, colocar intenções por escrito ajuda a esclarecer.

2) Se a sala de terapia / espaço em grupo estiver disponível, mostrar essa sala ao


participante pode reduzir a ansiedade potencial do desconhecido.

3) Descreva o processo de orientação - como um processo de apoio à Inteligência de


Cura Interna do participante, com uma abordagem não diretiva. O participante será
informado de que será encorajado a “permanecer interno” o máximo possível. Isso
significa que eles passarão a sessão deitados, com óculos e ouvindo música com
fones de ouvido. A música é cuidadosamente escolhida para ajudar o participante
a relaxar e manter o foco na jornada da cura. A conversa é possível, mas não in-
centivada. Mais conversas acontecem com os empatógenos (por exemplo, MDMA,
3MMC) e menos conversa é apropriada com os psicodélicos clássicos (por exem-
plo, LSD, psilocibina). Há muitas razões para conversas mínimas ou inexistentes
durante a maior parte da experiência. Uma razão é que a comunicação verbal vem
de um lugar de ego e identidade pessoal (a linguagem implica inerentemente dual-
idade e separação sujeito / objeto), e o objetivo neste trabalho é permitir o espaço
21
para a experiência não-dual. Também os terapeutas - que realmente querem faz-
er terapia - podem tirar o poder da inteligência de cura interior dos participantes.

4) Discuta a regra do “toque não-sexual”. Qualquer comportamento sexual entre


guias e participantes é estritamente proibido. Este acordo garante que nem o
participante nem o guia serão explorados, ao mesmo tempo em que promove um
ambiente seguro para oferecer conforto / cura durante a sessão de tratamento.

5) Discuta a possibilidade de contato físico com o participante na forma de toque ou


massagem. O guia e o participante devem negociar uma distância física con-
fortável entre si durante as sessões de assistência psicodélica, e os guias devem
permanecer atentos a quaisquer possíveis alterações no nível de conforto do
participante com seu grau de proximidade. Discuta também o processo de olhar
suave ou contato visual prolongado e informe o participante que ele terá opções
de como o contato visual é usado (veja acima para mais detalhes).

6) Discuta a regra de “não deixar o espaço”. O participante deve entender a im-


portância e concordar que permanecerá na área de tratamento até a conclusão
de cada sessão. No final da sessão, é responsabilidade do guia avaliar a
estabilidade emocional do participante e o grau em que os efeitos do remédio
diminuíram antes de permitir que o participante saia.

7) Discuta a regra de “nenhum dano é causado”. O participante deve concordar em


se abster de se auto-prejudicar, prejudicar outras pessoas e danos à propriedade.
O participante concorda que cumprirá a solicitação do guia para interromper se, no
julgamento do guia, o participante estiver envolvido em qualquer comportamento
que seja perigoso para si, para os outros ou para o espaço. O participante concor-
da que atenderá às solicitações do guia, mesmo que não pareça ser do interesse
dele enquanto estiver em seu estado alterado.

8) Se houver dois guias, pelo menos um deles estará sempre presente na sala du-
rante toda a sessão. Exceto por breves períodos ocasionais em que um guia de
cada vez pode sair da sala, os dois se comprometem a permanecer na sala com o
participante durante toda a duração das sessões de assistência psicodélica até
que os efeitos emocionais e físicos do medicamento acabem.

9) O participante é incentivado a criar um “altar pessoal” onde fotos de família, ami-


gos, objetos significativos, espirituais e / ou arte são colocadas em uma mesa ao
lado da cama. Discuta com o participante o que especificamente eles gostariam
de trazer para a sessão. Além do altar, evite envolver o participante na mudança
da sala (por exemplo, localização dos móveis etc.), pois os guias devem
incentivar os participantes a não resistir e não tentar controlar nada. Focar nos
objetos na sala pode ser uma distração para o trabalho interno necessário.

22
10) O participante é incentivado a chegar à sessão experimental com o estômago relati-
vamente vazio. Um café da manhã muito leve (frutas, iogurte) é desejável. Restrições
alimentares por alguns dias antes da sessão podem ser recomendadas com o objeti-
vo de reduzir o desconforto intestinal durante a sessão. Sugira que o participante use
roupas confortáveis e folgadas para a experiência, sem maquiagem (que pode ficar
bagunçada) ou fragrância / perfume (que pode ser ofensivo ou alergênico para al-
guns).

11) ensine ao participante uma técnica de relaxamento, pratique isso com ele e peça que
pratique em casa por pelo menos 10 minutos por dia. A técnica de relaxamento
sugerida é:

a) comece respirando profundamente e devagar por 1-2 minutos


b) concentre-se em como isso promove relaxamento
c) respire o relaxamento em músculos específicos
d) esteja atento às sensações da respiração
e) repita a palavra “relaxe” ou “paz” ao expirar

12) Discuta a importância do trabalho de integração após a experiência. As revelações


geralmente ocorrem durante as experiências com os remédios, mas se elas não se
manifestam em mudanças subsequentes na vida / comportamento, essa oportunidade
é perdida. Discuta a importância de ter alguém que apoie essa integração. Pode
ser um terapeuta particular, um familiar próximo, etc. Se o participante acreditar
que apenas a experiência os “consertará”, assegure-lhes que isso é extremamente
improvável e incentive o participante a considerar a experiência como um passo em
uma longa jornada.

13) Discuta o processo de confidencialidade e como isso funciona para o guia e o


participante.

14) Discuta o processo de documentação. Quais informações são mantidas (em que for-
mato) e quando e como elas são destruídas e quem tem acesso a essas informações.

15) Sugira que o participante não faça grandes mudanças na vida (pedir o divórcio, deixar o
emprego) por alguns dias após a experiência. Aguarde até que o processo de integração
seja solidificado antes de fazer grandes mudanças na vida.

16) Discuta a questão da expressão emocional. Informe o participante que expressões


emocionais intensas são bem-vindas, se parecer adequado para eles. Discuta com
antecedência formas seguras de expressar sentimentos (por exemplo, gritar é bom
mas quebrar coisas ou machucar pessoas não).

17) Discuta o fato de que a terapia psicodélica NÃO é aconselhamento para casais. Embora
compartilhar o espaço psicodélico com um parceiro amoroso possa ajudar no vínculo e
na solução de problemas, essa não é a agenda das sessões individuais. Esteja ciente de
que quando indivíduos que passaram por uma experiência psicodélica geralmente fazem
grandes mudanças na vida durante a fase de integração e isso pode incluir o término de
um relacionamento. Os impactos disso devem ser discutidos com antecedência. 23
18) Discuta como o participante voltará para casa após a sessão. Dirigir por si só
não é uma opção que deve ser considerada. Um acidente de carro após a ex-
periência mais espiritual ou significativa da vida de alguém torna a integração
subsequente um desafio.

19) As opções de pagamento para o serviço são discutidas e acordadas.

20) Introduza os seguintes conceitos.

 Tomar um remédio psicodélico é como estar em uma viagem de canoa no rio.


Seu guia estará sempre com você, mas você é quem está remando no rio da
auto-exploração. Veja o apêndice A.
 Você não está sozinho. Um guia estará sempre com você. Seu ambiente
estará seguro e você receberá todo o suporte necessário.
 O remédio abrirá um mundo de possibilidades para você. Usando foco e
atenção, você tem o poder de escolher quais partes de sua experiência dese-
ja explorar.
 Siga o fluxo da sessão. Se você estiver tendo dificuldades, lembre-se de que o
grau de sofrimento geralmente é igual ao grau de resistência. Confie no
processo e deixe acontecer.
 Se você sentir medo, fique curioso sobre o que está trazendo isso à tona - o
medo está em você. É melhor enfrentá-lo e explorá-lo do que continuar
evitando o medo.
 Mantenha percepção do que está acontecendo em seu corpo e fique curioso
sobre as áreas de sensação ou dor.
 Quando você se encontrar com turbulência, ansiedade ou inquietação, use
a técnica de relaxamento que vem praticando. A melhor maneira de abor-
dar esse trabalho é com calma e foco, como uma prática de meditação.
 Preste mais atenção em como você se sente do que no que pensa. Descon-
fie da “história” ou do que você acha que sabe.
 Acima de tudo, mantenha a gratidão. Confie no medicamento, confie no
processo e confie no seu próprio curador interno.

Dosagem

Embora exista um consenso limitado sobre a dosagem apropriada na comu-


nidade de indivíduos envolvidos com este trabalho, algumas observações são
adequadas.
 Uma análise de pesquisas históricas nos anos 50 e 60 parece indicar
que 200-300 microgramas de LSD foram uma primeira dose apropriada.
Desorientação significativa do ego pode ocorrer acima dessa dosagem.

24
 A pesquisa atual com psilocibina geralmente usa de 20 a 30 miligramas de
psilocibina pura, o que equivale aproximadamente a 4-5 gramas de cogume-
los cubensus secos.
 Demonstrou-se que 80-125 miligramas de MDMA são eficazes na atual
pesquisa de tratamento de TEPT.
 200-300 miligramas de 3-MMC são vistos como eficazes por alguns
terapeutas atuais
 5-10 miligramas de 5-MeO-DMT inalada é o padrão usado por alguns
terapeutas.

As informações acima não se destinam a oferecer recomendações para dosagens


específicas, pois essa decisão deve ser tomada em consulta com as fontes de infor-
mações atuais (por exemplo, Erowid) em conjunto com o participante.

Processo de Consentimento Informado

O consentimento é um processo em que os participantes recebem informações


completas sobre todos os riscos e benefícios potenciais de participar da experiência
psicodélica. Eles têm suas perguntas respondidas e assinam voluntariamente o
formulário de consentimento informado, que detalha uma lista específica de todas as
áreas cobertas por este acordo.

Áreas Abrangidas pelo Termo de Consentimento Informado

O participante...
 concorda em participar de uma experiência psicodélica guiada
 compreende os riscos e benefícios envolvidos
 concorda em participar do processo discutido (por exemplo, permanecer no espaço
durante o dia da experiência)
 concorda em participar do processo de integração após a experiência
 entende a importância da confidencialidade
 compreende o processo de coleta e destruição de informações / documentação
 concorda com o valor e o processo do pagamento

Confidencialidade

Como as informações são coletadas, protegidas, compartilhadas e destruídas devem ser


discutidas. Isso inclui proteger a identificação de todos os envolvidos, incluindo outros
participantes, se algum processo ocorrer em um ambiente de grupo. Essa discussão deve
incluir:
 Como as informações são coletadas, incluindo todos os formulários, anotações
de casos e gravações?
 Qual é o formato dessas informações (por exemplo, papel, eletrônico)?
 Onde essas informações são mantidas (por exemplo, computador pessoal,
nuvem, armário de arquivos)?
 Como essas informações são protegidas (bloqueios, senhas, criptografias)?
25
 Por quanto tempo será mantida?
 Como as informações serão destruídas?
 Quem mais terá acesso a essas informações e quais são as circunstâncias que
resultam no compartilhamento dessas informações?
 Qual é a expectativa do participante em manter a confidencialidade?
 Que tipo de informação é compartilhada em e-mails e mídias sociais?

Guiando a Sessão
Número de Guias

Idealmente, deve haver dois guias (um homem e uma mulher) presentes em todas
as sessões de tratamento psicodélico. Isso permite que o participante projete
material interno diferente (por exemplo, problemas do passado com mãe e pai) em
cada guia. Dois guias também maximizam o crescimento da equipe à medida que
suas habilidades evoluem como resultado do interrogatório no final da sessão. Há
também a questão da segurança, tanto para os guias quanto para o participante.

É importante notar que o modelo original de co-terapeuta masculino e feminino está


sendo questionado por alguns membros da comunidade para incorporar membros
não binários, transgêneros e outros não tradicionais como parte da equipe de cura.
O objetivo é atender às necessidades e preferências do participante.

Se dois guias não forem realisticamente possíveis e houver apenas um guia, discuta
como a projeção funciona e que geralmente faz parte do processo que o participante
projete questões / relacionamentos masculinos e femininos no único guia. Informe ao
participante que o gênero dos guias não deve atrapalhar seu processo de projeção
variado.

Itens que Devem Estar Disponíveis


 Lençois (e lençois de reposição)
 Cobertor quente (edredom)
 Manta ponderada - pode dar sensação segura e reconfortante
 Travesseiros
 Lenços umedecidos, toalhas, luvas
 Balde ou lata de lixo de plástico
 Sistema de música com fones de ouvido e alto-falantes
 Máscara para dormir
 Cartas espirituais (mensagens positivas)
 Taça tibetana ou gong (que pode ser usado para significar mudança)
 Sucos e frutas
 Água
 Flores frescas (uma rosa é tradicional)
 Lanche leve para depois da sessão

26
 Materiais de arte
 Lapis e papel
 Uma pequena mesa para altar pessoal

Música

As seleções de música são apropriadas para a experiência daqueles que participam


da sessão. Diversas playlists de várias horas devem ser preparadas, fornecendo
conjuntos de músicas semi-padronizados. Os sets podem ser uma progressão de
músicas relaxantes a princípio, depois sucessivamente mais ativa e emocionalmente
evocativa, e depois mais silenciosa e mais meditativa. A playlist pode ser alterada
conforme necessário para se adequar ao humor e ao fluxo geral da sessão. É
importante que pelo menos um dos membros da equipe de terapia esteja
familiarizado com a música, para que seu efeito possa ser maximizado no suporte
ao processo de cada indivíduo. Os participantes devem ser instruídos a deixar a
música “lavá-los” (com o processo descrito como um “banho de cura sonora”) e re-
conhecer que a música continua mudando. Eles também podem pedir períodos de
silêncio ou uma mudança se uma música estiver distraindo ou não se encaixar bem
no processo deles. No entanto, eles devem ser desencorajados a dedicar atenção
contínua ao gerenciamento da música.

Alguns participantes podem trazer sua própria música para o guia incorporar durante
as sessões. Embora geralmente isso deva ser desencorajado, em certas circun-
stâncias isso pode ser apropriado. É importante considerar os motivos da solicitação,
para garantir que ela esteja servindo para apoiar e aprofundar o processo, em vez de
uma tentativa de controlar o processo ou distrair-se de sentimentos ou outras
experiências que possam estar surgindo. Embora seja desejável um certo grau de
flexibilidade na resposta a esse tipo de solicitação, em geral as equipes de terapia
devem minimizar o envolvimento dos participantes na seleção de músicas, pois isso
pode ser uma distração do envolvimento com o processo interno. Os participantes
são incentivados a pedir o que precisam para ajudá-los a se sentir seguros e
apoiados no ambiente terapêutico; no entanto, isso deve ser equilibrado com o
incentivo aos participantes para permitir que a equipe de terapia atenda aos detalhes
físicos da sessão e, na medida do possível, confiar neles para fornecer um set e
setting seguros e benéficos. Isso faz parte do apoio a uma atitude de rendição,
confiança e receptividade ao desenrolar natural do processo terapêutico, guiado pela
Inteligência de Cura Interior. Os participantes devem ser incentivados a perceber
qualquer tendência que possam ter para querer controlar a música ou outros
aspectos do cenário e considerar a possibilidade de explorar essa tendência como
parte de seu processo interno, em vez de agir externamente.

A música que é facilmente associada a uma tradição religiosa ou espiritual específica


é desencorajada, pois isso pode criar apegos e projeções. Portanto, é preferível
excluir Icaros ayahuasca, cânticos budistas e canções hindus e cristãs. Também são
preferíveis músicas sem letra reconhecível, pois as palavras podem ser uma
distração.
27
À Medida que o Participante Chega para a Sessão

Quando o participante chegar, receba-o e faça um rápido “check-in” para garantir que
nenhum dos problemas de triagem seja aparente. A intoxicação por outras substâncias
deve ser considerada e, se presente, não continue com a experiência. Pergunte sobre
o consumo recente de alimentos, pois muitos alimentos no estômago podem retardar
o processo e criar um “problema de vômito”. Convide o participante a usar o banheiro,
pois “começar vazio” é útil para evitar uma distração futura.

Início da Sessão - Sala de Tratamento

Os tópicos a seguir devem ser abordados antes que o participante tome o remédio e
depois que o participante esteja confortavelmente sentado na cama. Embora todos os
tópicos a seguir devam ter sido discutidos em detalhes durante as sessões
preparatórias, é importante discutir esses pontos novamente no início da sessão de
tratamento. É preferível que os participantes entendam cada uma dessas questões.
Simplesmente declarar a questão é menos eficaz para garantir a compreensão e o
acordo dos participantes.

1) Pergunte ao participante sobre suas intenções para esta sessão específica, mas
esteja ciente de que a resposta pode vir de um lugar de “história” e ego. Se
houver uma discussão, promova a intenção de relaxar, permanecer presente,
permitir sentimentos e expressões. O objetivo não estruturado de prestar autenti-
camente atenção e permanecer aberto a todas as experiências é útil.

2) Pergunte sobre a compreensão deles da regra do “toque não-sexual”.


Qualquer comportamento sexual entre os guias e o participante é antiético e
é explicitamente proibido. Este acordo garante ao participante que sua
vulnerabilidade aumentada não será explorada, ao mesmo tempo em que
promove um ambiente seguro para oferecer conforto físico durante a
sessão de tratamento.

3) Pergunte sobre a compreensão deles sobre a possibilidade de contato físico com


o participante na forma de toque carinhoso ou massagem. O guia e o participante
devem negociar uma distância física confortável entre si durante as sessões
experimentais (mentais), e o guia deve permanecer atento a quaisquer possíveis
alterações no nível de conforto do participante com seu grau de proximidade
física.

28
4) Pergunte sobre o entendimento deles sobre a regra de “não deixar espaço”. O par-
ticipante deve concordar que permanecerá na área de tratamento até a conclusão
de cada sessão. No final da sessão, é responsabilidade da equipe de terapia
avaliar a estabilidade emocional do participante e o grau em que os efeitos da
medicação psicodélica diminuíram antes de permitir que o participante saia.

5) Pergunte sobre sua compreensão da regra “nenhum dano é causado”. O


participante deve concordar em se abster de se auto-prejudicar, prejudicar outras
pessoas e / ou danos à propriedade. O participante deve concordar que cumprirá
a solicitação dos guias para interromper se, no julgamento do guia, o participante
estiver envolvido em qualquer comportamento que seja perigoso para si mesmo,
para os outros ou para o espaço.

6) Mencione que pelo menos um dos membros da equipe de terapia deve estar
presente na sala o tempo todo durante toda a sessão de tratamento. Além de
breves períodos ocasionais em que um guia de cada vez pode sair da sala (por
exemplo, intervalos para o banheiro), os membros da equipe de terapia devem se
comprometer a permanecer na sala com o participante durante toda a duração da
sessão de tratamento, até os efeitos emocionais e físicos diminuírem. Se houver
apenas um guia para a sessão de tratamento, deve ser discutido o fato de que
essa pessoa precise estar brevemente ausente (por exemplo, intervalos para o
banheiro).

7) Discuta o “processo do banheiro” (veja detalhes abaixo).

8) Informe ao participante que o objetivo é “permanecer interno” o máximo possível.


Isso significa que eles são incentivados a passar a sessão deitados, com
máscaras de dormir, ouvindo música através de fones de ouvido. Embora sejam
incentivados a “permanecer internos”, o participante pode optar por tirar a
máscara de dormir e / ou os fones de ouvido a qualquer momento. O participante
também tem a opção de solicitar períodos de silêncio, e os guias têm a opção de
fazer ajustes no programa musical para se adequar à experiência que se desen-
rola. Os guias devem ter como objetivo usar a música para apoiar a experiência
sem serem invasivos.

9) Incentive o participante a criar um “altar pessoal”, onde fotos de família, amigos,


objetos significativos, espirituais ou obras de arte são colocadas em uma mesa ao
lado da cama.

10) Introduzir a analogia da viagem de canoa pelo rio - veja o texto completo
sugerido - apêndice A.

11) Explique os próximos passos:

A. O participante tomará o remédio;


B. O guia oferecerá uma meditação guiada e exercícios de respiração;
C.A equipe de terapia ficará silenciosa e a música guiará a exper -
iência. 29
12) Dê o remédio; a dose previamente acordada da medicação é ingerida pelo
participante.

13) Ofereça uma experiência de relaxamento guiado. Especificamente, pergunte ao


participante se eles gostariam de experimentar uma meditação guiada para ajudar
no processo de relaxamento e, se a resposta for “sim”, o guia irá iniciar devagar e
pacificamente com uma meditação guiada. Veja o exemplo no apêndice B.

15) Peça ao participante para colocar os fones de ouvido e a máscara de dormir e,


em seguida, inicie a playlist de música.

Lidando com Comportamentos Específicos

Conversando Durante o Ínicio e o Meio da Sessão

Geralmente, durante o “estágio de ascensão” e o “estágio de pico”, o participante é


incentivado a “permanecer interno” e deitar-se com as sombras e os fones de ouvido.
No entanto, se o participante insistir em falar, o objetivo da equipe orientadora é ofer-
ecer presença e escuta empática, comunicação não-diretiva e suporte à Inteligência
de Cura Interna do participante. A presença empática inclui fornecer um ambiente
sem julgamento, que oferece permissão psicológica para falar de forma aberta e
honesta. É preciso ouvir além e através das palavras faladas para obter significados
mais profundos, reconhecer o sofrimento do outro e validar os sentimentos do
participante. O objetivo da comunicação durante o início e o meio da sessão é
fornecer respostas minimalistas, que comunicam uma presença empática e, portanto,
permitem ao participante experimentar a conexão com os guias.

Movendo-se pela Sala

Embora o objetivo seja incentivar o participante a “permanecer interno” e deitar-se,


se o participante insistir em se movimentar pela sala, um guia poderá chamar sua
atenção para várias partes da sala que são inspiradoras ou bonitas. Por exemplo,
um guia pode oferecer uma flor ou um baralho de cartas com “espírito animal” e
permitir que o participante reflita sobre o significado da carta sacada.

Movendo-se Imprevisilvemente

Esteja pronto para mover um travesseiro rapidamente para proteger a cabeça (ou
outra parte do corpo) de qualquer superfície dura, se os movimentos do participante
forem imprevisíveis e puderem resultar em ferimentos.

30
Fazendo Perguntas Pessoais ao Guia

Se forem feitas perguntas pessoais ao guia, o objetivo é demonstrar integridade


pessoal e dar uma resposta honesta, mas não deixar o material pessoal interferir na
experiência do participante. Por exemplo, se perguntado “por que você faz este
trabalho”? Uma resposta que seria apropriada é: “Descobri que estados alterados de
consciência são muito úteis em minha própria vida e estou honrado por ter a opor-
tunidade de apoiar as profundas jornadas de cura de outras pessoas - fico fascinado
com a experiência de ser humano e consigo comemorar toda a experiência humana
durante essas sessões - obrigado por confiar em mim para guiá-lo ”ou“ hoje é sobre
você e sua experiência, podemos conversar mais sobre mim e minhas experiências
mais tarde ”. Antes de responder a perguntas pessoais, é útil considerar se a auto-
exposição se refere à experiência do participante e ajuda-o a se conectar ao guia.
Integridade com o mínimo de auto-exposição é o objetivo.

Tornando-se Cada Vez Mais Ansioso e Agitado

A melhor resposta à ansiedade de um participante é primeiro demonstrar uma


presença calma e compassiva. Segurar a mão do participante e oferecer declarações
gentis como as seguintes podem ser úteis: “confie no remédio” ou “confie no seu
curador Interno, ele irá mostrar o que você precisa ver” ou “respire fundo e
lentamente” ou “está tudo bem” Ou “você está indo muito bem, tudo isso faz parte do
processo”. Às vezes, o trabalho corporal, em que você incentiva o participante a se
mover da cama para o tapete no chão e oferece massagem em pontos de pressão, é
uma maneira de focar novamente o participante. Geralmente, a ansiedade não é uma
experiência “ruim” e o objetivo é apoiar o participante a permanecer com a experiên-
cia até que sua Inteligência de Cura Interior mude-a. Às vezes, é apropriado ajudar o
participante a mudar o foco, e mudar a música é uma boa maneira de reorientar.
Somente em circunstâncias extremamente raras, e como último recurso quando a
segurança é um problema, o participante pode receber um medicamento (isto é, um
benzodiazepínico), para ajudá-lo a relaxar. Quando considerado apropriado pelo guia
ou médico assistente.

Se o Participante Ficar Extremamente Emotivo

Uma presença calma e compassiva é a modalidade terapêutica preferida, e isso ajuda


os participantes a gerenciar sua própria ansiedade. Embora isso seja verdade,
respostas emocionais intensas não são incomuns em experiências de cura
psicodélica em resposta à turbulência / trauma interno do próprio participante. O
principal objetivo do guia é manter a calma, o foco e manter uma presença com-
passiva, entendendo que a Inteligência de Cura Interna do participante está guiando
essa intensa liberação emocional e que essa é uma parte importante da jornada de
cura do participante. Se esse processo for uma experiência estimulante para o guia,
será importante discutir no relatório pós-sessão. Os participantes, geralmente, estão
muito “sintonizados” com as emoções dos guias e a necessidade de manter a calma
na presença de turbulência emocional é fundamental. A abordagem geral é não
conter restrições. 31
Tentando Sair do Local

Memorize uma declaração que o guia repete quantas vezes for necessário para que o
participante fique no espaço apropriado. Por exemplo: “Eu entendo que você quer
sair, mas esta sala é um espaço seguro e nós dois vamos ficar aqui e lidar com essa
experiência juntos” ou “Eu entendo que você tem medo, juntos vamos lidar com isso e
juntos vamos ficar nesta sala onde é seguro”. Ou planeje uma distração, por exemplo,
“Gostaria de lhe mostrar uma coisa” e retire um baralho de cartas espirituais.

Indo ao Banheiro

O participante pode ficar instável de pé e precisar de ajuda para ir ao banheiro. O guia


deve oferecer o braço para o participante segurar enquanto caminham para o ban-
heiro. Outra alternativa é que o participante possa descansar as mãos nos ombros do
guia e os dois andam - de frente para a mesma direção - com o participante
“rebocado”. À medida que o participante entra, o guia fecha a porta atrás dele e afirma
que eles esperam do lado de fora e estarão lá para ajudá-los a voltar para a sala de
tratamento quando terminarem. O guia deve poder acessar o banheiro (abrindo a
porta trancada) em caso de preocupação e, se necessário, informar fortemente o
participante que é hora de retornar à sala de experiências

Vômito

Alguns participantes irão vomitar durante a experiência psicodélica (especialmente na


Ayahuasca ou naquelas que usam a Ayahuasca). Ter um balde (ou uma lata de lixo
vazia de plástico) disponível é importante. Ser solidário sem incentivar ou desen-
corajar o processo de vômito é o objetivo. Ter toalhas limpas, luvas (etc.) para limpar
rapidamente o participante ou a cama é importante.

Incontinência Urinária ou Fecal

Acidentes de incontinência são mais comuns na Ayahuasca, mas podem ocorrer com
qualquer medicamento psicodélico. É útil ter o seguinte disponível: capa de cama à
prova de acidentes, lenços umedecidos, toalhas, luvas e sacos de lixo (para controlar
o odor). Algumas roupas de “tamanho único” também podem ser úteis se as roupas do
participante ficarem sujas. Discutir como lidar com essa possibilidade rara e
desagradável com antecedência pode ser útil.

Alarme de Incêncio ou Terremoto

No caso de um alarme ou uma emergência em que o participante e os guias são


obrigados a deixar o espaço, o objetivo é integrar essa experiência no processo
geral. O processo é para que os dois guias escoltem o participante para fora do
prédio, minimizando o contato com outras pessoas e encontrando um espaço o
mais tranquilo e natural possível. Caminhar para um parque local e focar no ambi-
ente bonito é a resposta ideal.
32
Durante a Última Parte da Sessão

À medida que o remédio desaparece, nas últimas duas horas de uma sessão, o par-
ticipante pode querer conversar e, em vez de continuar incentivando o participante a
“permanecer interno”, permita uma discussão empática e “não diretiva”.

A essência do que se entende por “não-diretiva” repousa no momento das


intervenções. Não é uma proibição de envolvimento mais ativo sob circunstâncias
apropriadas. De fato, há ocasiões em que o fracasso em oferecer orientação de
maneira sensível seria problemático, assim como ser excessivamente diretivo é
problemático. O essencial é que o ritmo da sessão permita que o próprio processo do
participante se desenvolva espontaneamente; que os guias permitam tempo suficiente
para esse desdobramento antes de oferecer orientação. Por exemplo, se um
participante estiver se sentindo preso, a abordagem inicial deve encorajá-lo a sentir
essa experiência, confiando que a Inteligência de Cura Interior guiará a resposta.
Quando o guia oferece orientação, deve ser feito no modo de investigação e convite
compassivo e colaborativo, deixando a escolha para o indivíduo. Oferecer orientação
em horários específicos, dentro do contexto de uma sessão que permitiu e incentivou
a Inteligência de Cura Interna do participante a assumir a liderança geral e respeitou
as opções do participante em seguir as orientações sugeridas, é totalmente compatív-
el com a definição de uma abordagem não-diretiva

A comunicação não diretiva também usa convite, e não direção. Por exemplo:

 “Nós encorajamos você a ...”


 “Este pode ser um bom momento para ...”
 Em vez de “respire” (que é uma declaração diretiva), diga “respirando”, pois isso
é sugestivo e acompanha a experiência dos participantes.
 Refletir de volta ao participante o que eles estão dizendo para continuar a
conversa sem ser diretivo.
 Trabalhar com a Inteligência de Cura Interna do participante para
resolver a expressão de sentimentos dolorosos
 “Estamos aqui com você, use sua respiração e fique com ela o máximo
que puder. Sabemos que isso é difícil, mas também sabemos por exper-
iência que essa é uma parte importante da cura. Experimentar e expressar
isso plenamente, passar por isso em vez de se afastar é a maneira de
realmente curá-lo ”.

Com uma combinação de escuta empática, perguntas e observações, os guias


facilitam dois aspectos complementares do processamento dessas experiências
desafiadoras: por um lado, enfrentando e até amplificando a experiência, a fim de
permitir o desenvolvimento espontâneo do processo de cura, e por outro lado,
esclarecendo, compreendendo e ganhando novas perspectivas sobre experiências
passadas e emoções dolorosas. 33
Trazendo Resolução à Turbulência no Final de uma Sessão

Quando o sofrimento emocional de um participante persiste no final da sessão e ele


não consegue processar e mover espontaneamente algo difícil as etapas a seguir
podem ser úteis. Na maioria dos casos, essas etapas devem ser executadas
sequencialmente, passando para a próxima etapa apenas se necessário:

1. Pergunte: “Do que você tem consciência no seu corpo”? Essa pergunta ajuda o
participante a tomar consciência do vínculo entre emoções angustiantes e
quaisquer manifestações somáticas. Fazer esse link e sugerir “respirar nessa
área e permitir que sua experiência se desdobre” pode ser a única intervenção
necessária. A aplicação de “toque terapêutico”, ou uma leve pressão da mão do
guia na área da dor, pode ajudar a resolver o problema.

2. Incentive o participante a “usar sua respiração para ajudá-lo a permanecer o mais


presente possível com esta experiência. Entre para permitir que sua Inteligência
de Cura Interior trabalhe com isso ”. Se o participante ainda estiver sob a influên-
cia do remédio, adicione: “o remédio ajudará a que isso aconteça”.

3. Se o participante estiver bastante agitado (ansioso, se movimentando na cama,


abrindo os olhos), pode ser útil segurar a mão dele ou colocar a mão suave-
mente no braço, peito ou costas do participante ou em uma área onde ela / ela
está sentindo dor, tensão ou outros sintomas físicos. Esse toque nutritivo pode
ser tranquilizador e ajudar a redirecionar a atenção para a experiência interior,
mas só deve ser feito com a permissão do participante. A aplicação de “toque
terapêutico” ou uma leve pressão da mão do guia na área de dor pode ajudar a
resolver o problema.

4. Pergunte: “Existe algum conteúdo (imagens, memórias ou pensamentos


específicos) surgindo com esses sentimentos”? Nesse caso, os guias podem
incentivar uma discussão mais aprofundada. A oportunidade de colocar a
experiência em palavras pode, por si só, ser terapêutica, especialmente nesse
ambiente seguro. Essa conjuntura também pode ser uma abertura para os guias
ajudar o participante a explorar conexões entre sintomas atuais e experiências
traumáticas passadas, bem como uma oportunidade para começar a colocar
essas experiências em perspectiva em sua vida atual.

5. Após esse período de conversação, e periodicamente durante a sessão,


incentive o participante a “voltar para dentro”, a se concentrar em sua própria
experiência interior.

6. Se o participante continuar a expressar ou exibir sofrimento emocional, tensão


ou dor somática, poderá ser indicada uma massagem de natureza mais
focada ou outra técnica complementar, de acordo com o treinamento e a
experiência dos guias nessa área.
34
Concluindo a Sessão

À medida que a sessão está chegando


ao fim, pergunte ao participante se ele
gostaria de refletir sobre sua intenção
inicial e quaisquer conclusões que eles
tenham refletido sobre a experiência.
Os objetivos são esclarecer e solidificar
as lições aprendidas.

Pode ser útil no processo de integração pedir ao participante que escreva um pará-
grafo sobre a experiência e dê a ele a opção de fazer isso agora ou em casa naquela
noite para retornar no dia seguinte durante o dia após a sessão de integração.

Avaliação Pós-Sessão

Como os guias costumam trabalhar em pares, eles têm a responsabilidade de


trabalhar ativamente no relacionamento entre si. Isso é importante porque um fluxo
fácil de informações maximizará o aprendizado para ambos os guias e, mais
importante, quaisquer conflitos de relacionamento não resolvidos entre os guias
provavelmente serão percebidos pelo participante e desviarão a eficácia da sessão.
Portanto, os parceiros orientadores precisam trabalhar com antecedência para
discutir como analisarão as sessões (por exemplo, sempre falando sobre o equilíbrio
de suas duas vozes, quaisquer interrupções percebidas pelo outro, qualquer coisa
que incomode e questões de contratransferência). O interrogatório também é impor-
tante - a pergunta “como foi esse processo para você” é importante para manter a
comunicação aberta.

Comportamentos a Evitar

Um guia habilidoso nunca:


● Diz a um participante quem eles são
● Insiste em fazer perguntas
● Acredita que suas idéias e orientações são mais úteis que a Inteligência
de Cura Interior do próprio participante
● Acredita que é útil “ajudar a dissolver o ego do participante”
● É intrusivo no processo do participante achando que ele conhece melhor
● Toca de uma maneira que não seja bem-vinda pelo participante
● Interrompe o outro guia
● Precisa dominar a sessão
● Demonstra limites profissionais ou pessoais pouco claros
● Deixa um participante antes que ele se sinta pronto para encerrar a
sessão

35
Ofereça o que Você Tem

Humildemente, disponibilize o que você tem a oferecer, percebendo que cabe ao


participante aceitar ou não. Ofereça presença, aceitação amorosa, empatia,
confiabilidade e sua vontade de seguir a liderança deles. É importante entender os
psicodélicos para que você forneça respostas claras às perguntas deles.

Integração

Às vezes, os participantes sentem mais ansiedade, confusão e desorientação por um


período de tempo após uma intensa experiência psicodélica. Geralmente, isso não é
uma preocupação de longo prazo se for gerenciada com habilidade. O processo de in-
tegração começa no dia seguinte à experiência e pode continuar por quantas sessões
forem necessárias para facilitar o processo de integração. Se o guia também for um
terapeuta, todas as suas técnicas terapêuticas específicas são apropriadas durante o
estágio de integração, desde que a inteligência de cura interna do participante
também esteja continuamente envolvida.

Os Objetivos do Processo de Integração são:

1) Reduzir experiências / sentimentos negativos após a experiência psicodélica.


2) Trabalhar nas idéias obtidas durante a experiência.
3) Mantenha uma conexão positiva com o guia.
4) Melhorar (e construir novas) conexões com outras pessoas que apoiam
mudanças emocionais e comportamentais saudáveis.

O Processo Inicial de Integração:

1) Começe com a pergunta geral de “como você está?”


2) Pergunte sobre os aspectos positivos e desafiadores da sessão de tratamento.
3) Discuta as intenções do participante (que foram discutidas no processo de
preparação).
4) Pergunte sobre o ambiente doméstico ou contatos sociais significativos após a
experiência. Interações com outras pessoas (por exemplo, parceiro, família ou
amigos) que não apoiam podem ser problemáticas para o processo de integração
e refletir sobre essas conversas de uma perspectiva de cura pode ser útil.
5) Se o participante relatar aumento da ansiedade ou desorientação angustiante,
explique que isso é comum e parte natural do processo de cura. Talvez use a
analogia do hematoma e do inchaço que ocorrem nos traumas físicos, que são
dolorosos e angustiantes, mas parte do ciclo natural de cura que inevitavelmente
ocorre. Explique que o processo para lidar com isso é focar no básico, como: boa
dieta, exercícios leves, conversar sobre questões subjacentes com um con-
selheiro, boa higiene do sono, apoio social, evitar álcool / cafeína / medicamentos
sem receita médica.
6) Faça um exame detalhado das “lições aprendidas” na experiência de tratamento.
36
7) Pergunte sobre o plano de integração e atue com base nos insights.
8) Discuta como o trabalho real está apenas começando e as “lições aprendidas”
são rapidamente desaprendidas se não trabalharmos duro para mudar nossos
pensamentos / comportamentos / sentimentos / relacionamentos. Durante a
experiência psicodélica, a pessoa percebe os laços inconscientes (geralmente
prejudiciais à saúde) que podem gerar padrões e emoções aparentemente
automáticas de comportamento. O desafio da integração é formar novos laços
saudáveis do inconscientes e, em seguida, escolher conscientemente agir com
esses novos laços. Os antigos laços não desaparecem rápido e completamente,
mas precisam lentamente ficar inativos à medida que os novos laços são re-
forçados. Laços inconscientes são como bíceps - quanto mais você os exercita,
mais fortes eles ficam. A integração tem a ver com criar e extrair repetidamente
processos internos saudáveis. Mudar comportamentos que são conduzidos por
laços inconscientes geralmente é desconfortável a princípio e é necessário apoio
e compreensão para persistir no caminho desse caminho de cura.
9) Discuta como o participante pode melhorar os relacionamentos existentes com a
família, amigos e comunidade e construir novas conexões que apóiem as mu-
danças emocionais e comportamentais positivas que estão sendo processadas.
10) Peça feedback para ajudar a melhorar o processo de orientação no futuro:
 O que achou do guia da sessão?
 O que achou da sala / música / espaço?
 Você se sentiu seguro?
 A preparação foi adequada?
 Você pode oferecer algum feedback para ajudar a melhorar a experiên-
cia no futuro?

Integração ao Longo do Tempo

O processo de integração pode ser curto ou pode levar muitos anos. O objetivo é
fazer as mudanças psicológicas, sociais, emocionais, ambientais ou físicas
necessárias para melhorar a qualidade de vida do participante. O guia psicodélico
pode ser a pessoa que apóia esse processo ou pode ser um terapeuta externo, con-
selheiro, amigo ou membro da família. A principal mensagem é que os psicodélicos,
por si só, não são uma cura, mas essas experiências cuidadosamente estruturadas
podem resultar em insights profundos que precisam ser adotados para fazer
mudanças a longo prazo.

Código de Ética
Cada experiência envolvendo psicodélicos é única, carrega um certo grau de mistério
e também alguns riscos. O participante e os guias assumem responsabilidades es-
peciais ao cultivar um relacionamento único. Para gerenciar esses riscos, o seguinte
código de ética oferece clareza:

37
Integridade:

Os guias devem se esforçar para estar cientes de como seus próprios sistemas de
crenças, valores, necessidades e limitações afetam seu trabalho e procurar acon-
selhamento de outros guias ou um supervisor ao enfrentar conflitos com relação a
esses aspectos de sua identidade.

Competência:

Os guias participam apenas quando são qualificados por meio de experiência pessoal,
treinamento e educação. Isso inclui um conhecimento profundo do set e do setting, e
os efeitos das substâncias psicodélicas. Eles devem demonstrar habilidade na
abordagem terapêutica não diretiva e nos princípios de uma orientação psicodélica,
mantendo a consciência atenta às necessidades do participante.

Saúde e Segurança:

Os guias devem fazer os preparativos para proteger e promover a saúde e a


segurança de cada participante, mantendo sua própria saúde e segurança. Isso
inclui reconhecer que pode haver períodos em que o participante possa estar
sensível ou vulnerável. Esses períodos exigem premeditação quanto à garantia do
set e do setting. Conheça as ações a serem tomadas se houver um desastre natural
imprevisto (por exemplo, terremoto), problema significativo com o edifício / espaço
(por exemplo, incêndio, inundação) ou uma emergência médica.

Limites Saudáveis:

Comunicação, confiança, conexão, honestidade e confidencialidade devem ser


estabelecidos e respeitados pelos participantes e pelos guias. Os limites de
comportamento dos participantes e guias devem ser esclarecidos e acordados antes
de qualquer sessão. Os guias estão cientes de possíveis transferências, con-
tratransferências, diferenciais de poder e outros aspectos relacionados às formas de
relacionamento dos participantes / guias e assumem a responsabilidade de manter
sempre os limites éticos profissionais. Os guias são responsáveis por conhecer os
sintomas da fadiga por compaixão e por tomar medidas pessoais para evitar os
efeitos negativos; eles se esforçam para promover uma presença profissional
centrada e alegre. É uma responsabilidade importante do guia saber quando eles
precisam interromper sua prática de cura para evitar a exaustão.

Presença Empática Compassiva:

Através da presença total e compassiva do guia, a pessoa em tratamento expande


sua consciência e aprende mais sobre estar presente nos níveis pessoal e interpes-
soal. Com a disposição e a dedicação do guia em ser um ouvinte sem julgamento, ele
/ ela facilita um nível profundo de confiança e compartilhamento de maneira profunda,
pessoal e genuína. É estabelecida uma conexão íntima entre o guia e o participante,
criando um conjunto ideal.
38
Ser Membro Funcional de uma Equipe

A orientação psicodélica geralmente acontece no


contexto de uma equipe. Um guia experiente
entende o contexto mais amplo de seu trabalho,
pois o trabalho psicodélico requer muitas pessoas
com uma ampla gama de origens e habilidades, e
são necessários relacionamentos positivos para
que a equipe funcione bem. Criar e manter
relacionamentos construtivos com os outros
membros da equipe raramente é fácil e requer a
intenção específica de trabalhar na construção e
manutenção de relacionamentos, tempo, energia,
tolerância, respeito pelas habilidades dos outros,
auto-divulgação e confiança.

39
Apêndice A
Analogia da Canoa no Rio
O objetivo desta analogia é fornecer uma maneira de pensar sobre a experiência
psicodélica para maximizar o potencial de cura deste poderoso remédio. Isso pode
nos levar a lugares incríveis à medida que exploramos a maravilhosa complexidade
de nossa própria experiência humana. Um importante trabalho terapêutico acontece
durante a jornada de auto-exploração e cura.

É útil saber que a experiência psicodélica abre muitas portas e podemos escolher
quais partes de nossas experiências estamos prontas para explorar. É aqui que
entra a preparação adequada e um guia experiente. A habilidade de trabalhar com
medicina psicodélica é, de certa forma, semelhante à habilidade de remar uma
canoa em um rio que flui através de um canyon.

No rio, você parte com companheiros. Na sua canoa, há pessoas remando com você
que podem ajudá-lo a chegar aonde você quer ir.

A analogia com a jornada psicodélica é que você também não está sozinho. Guias
ou terapeutas experientes estarão sempre com você para que você possa relaxar
sabendo que seu ambiente é seguro e você receberá o apoio de pessoas em quem
pode confiar. Além disso, você pode convidar com você, em seu coração, as
pessoas que o ajudaram a fazer o seu caminho até agora.

No rio, quando você tira sua canoa da costa, as margens aparecem suavemente ao
seu lado, guiando a direção da jornada. As margens são exuberantes, com árvores,
arbustos e grama. É preciso muita coragem para embarcar nessa viagem, e muitas
pessoas que foram antes de você frequentemente se sentiam um pouco nervosas no
início. Esta tudo bem. Isso significa que importa. Você se comprometeu com a jor-
nada e o rio agora o levará ao seu destino, onde você poderá transportar sua canoa
com segurança para longe do rio que flui.

A analogia com a medicina psicodélica é que, uma vez que você toma o
remédio, você também está comprometido com a jornada e há apenas uma
direção a seguir - que é em direção ao rio tempo.

Existem muitos fatores que influenciam a experiência da canoa descendo o rio. Uma
delas é a brisa, que pode gentilmente cutucá-lo ou seguir rio acima, pedindo que
você conheça sua energia.

Na jornada psicodélica, o ambiente da experiência é análogo à brisa. A música, as


sombras e o ambiente da sala são partes poderosas e importantes da criação de
segurança e de um ambiente positivo de cura.

40
Outro fator que influencia a experiência da canoa em um rio é o fato de você ter
um remo, pois não é apenas a brisa que influencia aonde você vai. Você pode
remar a canoa à esquerda ou à direita do rio e pode se mover de obstáculos na
sua jornada.

Na jornada psicodélica, o remo é análogo ao fato de que você pode fazer escol-
has sobre onde, em sua mente, concentrar sua atenção. Você pode escolher as
partes de si mesmo que gostaria de explorar. Você pode optar por ficar em áreas
específicas e evitar outras.

Em um rio, há momentos em que a água flui mais rapidamente e se torna turbulenta.


Você pode se sentir confortável sabendo que os guias estão familiarizados com este
rio. Existem coletes salva-vidas para garantir que todos estejam seguros e acima da
água.

Na jornada psicodélica, o colete salva-vidas é análogo à meditação e manter o


foco na respiração. Uma pessoa habilidosa que usa medicina psicodélica pratica
respirações profundas, lentas e longas, concentrando-se nas sensações da res-
piração para relaxar e induzir uma sensação de calma, o que permite que o foco
permaneça na cura.

Muitas tradições indígenas acreditam que os rios têm espírito e podem oferecer
sabedoria a alguém capaz e disposto a ouvir. Podemos aprender com pessoas
aborígines que usam psicodélicos ou remédios sagrados em cerimônias de cura
há séculos. Os líderes indígenas que orientam as experiências com a medicina
sagrada das plantas geralmente aconselham que abordemos o medicamento com
gratidão, aconteça o que acontecer, apenas diga “obrigado”, “confie na sabedoria
do medicamento” e “confie no seu próprio curador interno”. Ouvir o rio é
importante quando remamos em uma canoa, e confiar no processo é importante
quando experimentamos remédios psicodélicos.

Portanto, ao se preparar para sua jornada de cura psicodélica, lembre-se de que é


importante permanecer na segurança da sala de terapia. Trabalharemos com você
para selecionar músicas que apoiem sua jornada à medida que ela se desenrola.
Também é importante saber que você escolhe os assuntos que gostaria de explorar
e trazer à experiência de cura. Será importante que você pratique respiração lenta e
profunda, pois isso permitirá que você permaneça calmo e relaxado durante a
experiência. Lembre-se de que você sempre terá um guia com você para garantir
sua segurança e maximizar o potencial de cura da experiência psicodélica. Por fim,
confie no seu próprio curador interno, confie no medicamento e, aconteça o que
acontecer, respire profundamente e lentamente e diga “obrigado”.

41
Apêncide B

Essa meditação relaxante começa com a respiração profunda e lenta e o relaxamento


da respiração em diferentes partes do corpo. Em seguida, o guia descreve como essa
experiência pode produzir mudanças na percepção e responder com “Isso não é inter-
essante? ...”! As cores podem ser mais vivas, seu corpo pode se sentir diferente, seu
corpo pode ser maior ou menor, você pode ver a música. Mensagem básica para a
sessão: confie no rio, confie na jornada, confie em seu próprio Curador Interno, confie
na sabedoria de sua própria mente, confie em nosso relacionamento. Solte, esteja
aberto.Deixe a música te levar. Confie no remédio sagrado.

Base interpessoal: você nunca estará sozinho durante o período de ação do


remédio; estamos aqui. Sobre segurar a mão e tocar o ombro - estenda a mão a
qualquer momento (pode demonstrar ser normal segurar as mãos como um ato de
energia confortável fluindo nos dois sentidos). Todas as emoções são bem-vindas;
ansiedade, medo, riso, lágrimas, raiva, temor, sentimentos sexuais (podem ser
sentidos, mas não expressados). Seja você mesmo, aberto e honesto. Permita que
esses sentimentos sejam vivenciados como parte normal da jornada - aprenda a
lição com a experiência e permita que ela mude. Confie no seu próprio curador in-
terno (o remo permite que você explore aonde no rio você quer ir) enquanto desça o
rio de exploração pessoal. Confie no remédio sagrado, que o levará profundamente
para um lugar além da linguagem, além dos pensamentos e, depois, de seu próprio
ímpeto, devolvê-lo em segurança ao mundo cotidiano.

(Abramson, 1967; Blewett & Chwelos, 1959; Carhart-Harris et al., 2014; "Code of Ethics
for Spiritual Guides," ; Cooper, 2014; Fadiman, 2011; Fischer, 2015; Garcia-Romeu,
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fiths, 2008; M. W. Johnson, Garcia-Romeu, & Griffiths, 2017; M. W. Johnson & Griffiths,
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Cutshall, 2001; Mithoefer, 2013; Passie, 2009; Phelps, 2017; Stolaroff, 1997; Taylor,
1995)(Metzner, 2015)

Reconhecimento da Fonte: Este documento foi criado usando 3 documen-


tos fundamentais:

1) Guide Manual de Karen Cooper (Usona, v2014))


2) A Manual for MDMA-Assisted Psychotherapy in the Treatment of Posttraumatic
Stress Disorder de Michael Mitheofer (v2015)
3) Developing Guidelines and Competencies for the Training of Psychedelic
Guides de Janis Phelps (2017)

42
Leitura Sugerida
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Blewett, D. B., & Chwelos, N. (1959). Handbook for the Therapeutic Use of Lysergic Acid Diethylamine‐
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