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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

Departamento de História
Código da Disciplina: Seminário de História III (HUM03369)
Turma A: Quinta-Feira (8:30-11:50)

Os Estudos Críticos da Branquitude no Brasil


Responsável: Professor Dr. Marcus Vinicius de Freitas Rosa

I. Resumo da Disciplina

Trata-se de disciplina regida pela Lei 10.639/2003 e pelas normativas do Conselho


Nacional de Educação, que tornaram obrigatória a educação para as relações étnico-raciais em
perspectiva antirracista em todos os níveis de ensino. Desde a consolidação do campo de estudos
sobre as “relações raciais”, o interesse principal das análises sobre raça recaiu, via de regra, sobre
a população negra. Entretanto, desde a década de 1990, vem ocorrendo uma ampliação de foco,
em que a análise racial passou a incluir também a identidade branca, seus significados e seus
privilégios. Tiveram origem, então, os “estudos críticos da branquitude”. O principal objetivo
desta disciplina é oferecer um panorama geral a respeito desse novo campo de estudos,
abarcando desde os seus antecedentes até o seu estágio atual no Brasil.

II. Conteúdos

1. Os significados atribuídos à cor branca. 2. As diferenças e as hierarquias raciais entre brancos.


3. Os antecedentes dos estudos críticos da branquitude. 4. A produção intelectual de pessoas
não-brancas a respeito de pessoas brancas. 5. A emergência dos estudos críticos da branquitude.
6. O conceito de branquitude e suas intersecções: classe, gênero e sexualidade. 7. Vantagens e
benefícios de ser branco: o privilégio racial e suas formas. 8. Colonização, Imigração,
Miscigenação e Branqueamento. 9. Branquitude, Descolonização e Produção de Conhecimento

III. Objetivos

● Educar para as relações étnico-raciais


● Oferecer um panorama geral a respeito dos estudos críticos da branquitude, com foco em
sua recente emergência no Brasil
● Identificar o privilégio racial e suas consequências sobre atitudes, saberes, experiências e
desigualdades em diferentes dimensões da vida social (trabalho, educação, lazer, religião,
família e relações pessoais)
● Compreender o conceito de branquitude em suas intersecções com outros marcadores
sociais da diferença

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IV. Metodologia e Estratégias Didáticas

● O programa da disciplina é flexível e está aberto para proposições.


● Durante o andamento da disciplina, haverá alternância entre aulas expositivas e aulas
centradas no debate sobre o pensamento das autoras e autores selecionados.
● Nas aulas expositivas, serão apresentadas fontes primárias, gravuras, fotografias e vídeos
com finalidade de problematizar os significados de ser branco.
● Na seleção dos textos para leitura, debate e apresentação em grupos terá preferência a
produção intelectual de pessoas não-brancas.

V. Formas de Avaliação e seus Critérios

Participação qualificada nas aulas - Pontos: 2,0

1ª Avaliação - Apresentação de Autor e Texto - Pontos: 4,0


Nas aulas em que grupos apresentarem autores e textos, deverão ser seguidos os seguintes
critérios: 1) apresentar à turma informações sobre a autora ou autor e as ideias centrais do texto;
2) propor problemas, assuntos ou trechos do texto que orientem o debate durante a aula; 3)
redigir um resumo, contendo tópicos com as ideias centrais do texto apresentado, em fonte Times
New Roman, tamanho 12, espaçamento simples. Tal resumo deverá ser entregue impresso ao
professor e compartilhado em formato PDF com a turma.

2ª Avaliação - Trabalho Escrito - Pontos: 4,0


Realização de um trabalho final, individual, por escrito, a ser previamente combinado
com o professor. O trabalho final deverá obedecer aos seguintes critérios: 1) propor uma
definição de branquitude, a partir de uma autora ou um autor lido durante a disciplina; 2) livre
escolha de um tema/objeto para ser analisado por meio do conceito de branquitude proposto; 3)
o trabalho deverá ter o mínimo de 5 páginas, sem capa ou folha de rosto, sem contar bibliografia,
fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5. ​Data de entrega: 25 de junho​.

Atividade de Recuperação (apenas se necessária)


Alunas/alunos que não alcançarem a nota mínima para aprovação na disciplina poderão
redigir uma resenha crítica de um filme, em que o foco da análise incida sobre personagens
brancos. A resenha deverá ter o mínimo de 2 páginas, sem capa ou folha de rosto, sem contar
bibliografia, fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5. ​Data de entrega: 15 de
julho​.

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Cronograma das Aulas

1ª Aula - 05 de março
● Apresentação da disciplina, detalhamento do programa e explicações sobre as avaliações.

2ª Aula - 12 de março
● Aula Pública - Branquitude: novas perspectivas sobre relações raciais no Brasil
● Observação: nesta aula, não haverá leitura prévia.

Parte I - Os Antecedentes dos Estudos Críticos da Branquitude

3ª Aula - 19 de março - Guerreiro Ramos e o “branco” como problema


● RAMOS, Alberto Guerreiro. Patologia social do “branco” brasileiro. In: ​Introdução
Crítica à sociologia brasileira​. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1995. pp. 215-240. [1ª
Edição de 1950]

4ª Aula - 26 de março - Memmi e o Colonizador


● MEMMI, Albert. Retrato do colonizador. In: ​Retrato do colonizado precedido de retrato
do colonizador​. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. pp. 37-79. [1ª Edição de
1972]

5ª Aula - 2 de abril - Fanon e o Colonizado


● FANON, Frantz. Sobre o pretenso complexo de dependência do colonizado (Capítulo 4).
In: ​Pele Negra, Máscaras Brancas​. Salvador: EDUFBA, 2008. pp. 83-101. [1ª Ediçao de
1952].

6ª Aula - 9 de abril - Du Bois e os “salários psicológicos” dos brancos pobres


● Trechos selecionados e traduzidos para o português. DU BOIS, W.E.B. ​Black
Reconstruction in America (1860-1880)​. New York: Harcourt, Brace And Company,
1935.

Parte II - A Emergência dos Estudos Críticos da Branquitude nos Estados Unidos

7ª Aula - 16 de abril - A emergência dos ​critical whiteness studies


● FRANKENBERG, Ruth. A miragem de uma branquidade não-marcada. In: WARE,
Vron. (Org.). ​Branquidade: identidade branca e multiculturalismo.​ Rio de Janeiro:
Garamond Universitária / Centro de Estudos Afro-Brasileiros, 2004. pp. 307-338.

8ª Aula - 23 de abril - Classe e Branquitude


● ROEDIGER, David. E se o trabalho não fosse branco e masculino? Recentrando a
história da classe trabalhadora e estabelecendo novas bases para o debate sobre sindicatos
e raça. In: FORTES, Alexandre. Et. All. ​Cruzando fronteiras: novos olhares sobre a
história do trabalho.​ São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2013. pp. 29-59.

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Parte III - Os Estudos Críticos da Branquitude no Brasil

9ª Aula - 30 de abril - Branqueamento e Branquitude


● BENTO, Maria Aparecida. Branqueamento e branquitude no Brasil (Capítulo 2). In:
BENTO, Maria Aparecida; CARONE, Iray. (Orgs.). ​Psicologia social do racismo:
estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil.​ Rio de Janeiro: Editora Vozes,
2002. pp. 01-30

10ª Aula - 7 de Maio - Do branco português ao branco brasileiro


● CARDOSO, Lourenço. A construção histórica do branco não-branco (Capítulo 1). In: ​O
branco ante a rebeldia do desejo: um estudo sobre branquitude no Brasil​. Tese de
Doutorado, Ciências Sociais. Araraquara, Unesp, 2014. pp. 24-63.

11ª Aula - 14 de Maio - Sobre as diferentes formas de ser branco


● SCHUCMAN, Lia Vainer. Aspectos psicossociais da branquitude paulistana (Capítulo V)
+ Fronteiras e hierarquias internas da branquitude (Capítulo VI). In: ​Entre o “encardido”
e o “branquíssimo”: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana.​
Tese de Doutorado em Psicologia. USP, São Paulo, 2012. ​pp. 67-101.

Parte IV - Apresentação dos autores e textos pelos grupos

12ª Aula - 21 de Maio - Grupo 1 + Grupo 2


13ª Aula - 28 de Maio - Grupo 3 + Grupo 4
14ª Aula - 4 de Junho - Grupo 5 + Grupo 6
15ª Aula - 18 de Junho - Grupo 7 + Grupo 8

16ª Aula - 25 de Junho - Definindo o privilégio


● Aula Pública - O que é privilégio racial branco?
● Observação: nesta data (25 de Junho) deverá ser entregue o Trabalho Escrito.

17ª Aula - 2 de julho - Branquitude e Racismo Recreativo


● Aula Pública - Roda de conversa sobre racismo recreativo e branquitude.
● Leitura Sugerida: MOREIRA, Adilson. Quem ri do racismo? ​Revista Serrote​.

18ª Aula - 9 de julho - Encerramento da Disciplina


● Aula de Encerramento, Avaliação da Disciplina e Auto-Avaliação dos Alunos
(preenchimento de formulário anônimo e individual)

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Bibliografia

ADICHIE, Chimamanda. ​O perigo de uma história única​. São Paulo: Companhia das Letras,
2018.

APPLE, Michael W. Políticas de direita e branquidade: a presença ausente da raça nas reformas
educacionais. ​Revista Brasileira de Educação​, n. 16, p. 61-67, 2001.

BENTO, Maria Aparecida da Silva; CARONE, Iray; (Orgs.). ​Psicologia social do racismo:
estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil​. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2002.

BIKO, Steve. ​Escrevo o que eu quero.​ Série Temas, vol. 21. Sociedade e Política. Trad. Grupo
Solidário São Domingos. São Paulo: Ática, 1990 [1º Edição de 1978].

CARDOSO, Lourenço da Conceição. ​O Branco invisível: um estudo sobre a emergência da


branquitude nas pesquisas sobre as relações raciais no Brasil.​ Dissertação de Mestrado em
Sociologia. Faculdade de Economia Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra,
2008.

CARDOSO, Lourenço da Conceição. ​O branco ante a rebeldia do desejo: um estudo sobre a


branquitude no Brasil​. Tese de Doutorado em Sociologia. UNESP, São Paulo, 2014.

CARDOSO, Lourenço da Conceição​; SCHUCMAN, Lia Vainer. Dossiê Branquitude. ​Revista da


Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) - ABPN​, v. 13, 2014.

COROSSACZ, Valéria. Relatos de branquitude entre um grupo de homens brancos do Rio de


Janeiro. ​Revista Crítica de Ciências Sociais,​ 105, Dezembro, 2014, pp. 43-64.

DU BOIS, W.E.B. ​Black Reconstruction in America (1860-1880).​ New York: Harcourt, Brace
And Company, 1935. [Trechos selecionados e traduzidos para a disciplina]

FANON, Frantz. ​Pele Negra, Máscaras Brancas.​ Salvador: EDUFBA, 2008.

FERES JÚNIOR, João. A atualidade do pensamento de Guerreiro Ramos: branquidade e nação.


Caderno CRH​, Salvador, Vol. 28, nº 73, pp. 111-125, Jan./Abr., 2015.

FRANKENBERG, Ruth. A miragem de uma branquidade não-marcada. In: WARE, Vron.


(Org.). ​Branquidade: identidade branca e multiculturalismo.​ Rio de Janeiro: Garamond
Universitária/ Centro de Estudos Afro-Brasileiros, 2004. pp. 307-338.

GIROUX, Henry. Por uma pedagogia e política da branquidade. ​Caderno de Pesquisa,​ nº 107,
julho, 1999, pp. 97-132.

HOOKS, Bell. De mãos dadas com minha irmã. In: HOOKS, Bell. ​Ensinando a transgredir: a
educação como prática da liberdade​. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2013. pp. 127-150.

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KILOMBA, Grada. ​Memórias da plantação. Episódios de racismo cotidiano​. Rio de Janeiro:
Editora Cobogó, 2019.

KRENAK, Ailton. ​Ideias para adiar o fim do mundo.​ Rio de Janeiro: Companhia das Letras,
2018.

LOPES, Moisés. A construção social da “branquidade” em homossexuais masculinos do Brasil e


da Argentina. ​Sexualidad, Salud y Sociedad: Revista Latinoamericana​, vol. 8, p. 113-130, ago.
2011.

MAIA, Suzana. Identificando a branquidade inominada: corpo, raça e nação nas representações
sobre Gisele Bündchen na mídia transnacional. ​Cadernos Pagu,​ 38 janeiro-junho, pp, 309-341.

MEMMI, Albert. ​Retrato do colonizado precedido de retrato do colonizador​. Rio de Janeiro:


Civilização Brasileira, 2007.

MISKOLCI, Richard. ​O desejo da nação: masculinidade e branquitude no Brasil de fins do XIX​.


São Paulo, Annablume Editora/FAPESP, 2012

RAMOS, Alberto Guerreiro. Patologia social do “branco” brasileiro. In: ​Introdução Crítica à
sociologia brasileira​. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1995 [1ª Edição de 1950].

ROEDIGER, David. E se o trabalho não fosse branco e masculino? In: FORTES, Alexandre. Et.
All. ​Cruzando fronteiras: novos olhares sobre a história do trabalho.​ São Paulo: Editora Perseu
Abramo, 2013.

ROEDIGER, David. ​The wages of whiteness. Race and making of the american working class.​
London/New York: Verso, 2007. ​[Trechos selecionados e traduzidos para a disciplina]

ROEDIGER, David. ​Working Toward Whiteness: How America's Immigrants Became White​.
The Strange Journey from Ellis Island to the Suburbs. New York: Basic Books, 2005. ​[Trechos
selecionados e traduzidos para a disciplina]

SCHUCMAN, Lia Vainer. ​Entre o Encardido o Branco e o Branquíssimo: Branquitude


Hierarquia e Poder na Cidade de São Paulo.​ São Paulo: Annablume, 2014.

SCHUCMAN, Lia Vainer. Entre o “encardido” e o “branquíssimo”: raça, hierarquia e poder na


construção da branquitude paulistana. Tese de Doutorado em Psicologia. Universidade de São
Paulo. São Paulo, 2012.

SILVA, Juremir Machado. ​Acordei Negro.​ Porto Alegre: Figura de Linguagem; Sulina, 2019.

SOVIK, Liv. ​Aqui ninguém é branco.​ Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009.

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WARE, Vron. (Org.). ​Branquidade: identidade branca e multiculturalismo​. Rio de Janeiro:
Garamond Universitária/ Centro de Estudos Afro-Brasileiros, 2004.