Você está na página 1de 2

sobre a Laps e APS

Obrigada, Vinícius, Jamile e Elberte por organizarem com tanto carinho esta sessão de
Diálogos para o Congresso da UFBA, em nome de vocês eu agradeço a todas as pessoas
que estão reconstruindo a LAPS. Eu sou Rafaela Freire, uma mulher que as pessoas
reconhecem como branca, tenho 49 anos, meu cabelo é liso, já grisalho e está cortado curto
e hoje estou vestindo uma blusa de cor branca.

Estou muito feliz demais por estar com vcs neste diálogos e quero agradecer a presença
das pessoas que estão nos assistindo e a acolhida dos meus colegas, os professores
Heider e Zé Luiz, ao convite para esta conversa. Mas vamos à minha tarefa nesta conversa
que é falar sobre a Laps e dar uma pincelada sobre o conceito de Atenção Primária à
Saúde.

Para ser fiel à origem da Laps, eu fui pedir ajuda a duas pessoas que estavam presente lá
nos seus primeiros passos, numa conversa com Elaine Nunes e Lorena Rosário, Elaine é
preceptora de um programa de residência integrado de medicina e multiprofissonal, e
Lorena está finalizando este mês a residência, neste mesmo programa. Elas resgataram o
surgimento da Liga lá em 2012, durante uma greve das federais, que havia sido a maior até
então com 125 dias.

Aquele também foi um período de discussão do regulamento das ligas e de reconhecimento


por parte dos estudantes de que era preciso se organizar como uma resistência e para fazer
provocações, seja pela necessidade de ampliar as oportunidades de conhecer a realidade
dos serviços da APS, seja para questionar o papel das ligas como forma de especialização
precoce. Desta forma a Laps investiu no objetivo da formação e de trocas entre diferentes
cursos, talvez se valendo da chegada na faculdade dos primeiros egressos do Bacharelado
Interdisciplinar de Saúde, com um saber e um olhar mais equipado e sensível para as
questões da saúde como um objeto mais amplo, além de seus vínculos com estudantes e
professores de outros cursos. Assim Carmem Teixeira e Maria Caputo foram sempre
grandes referências para os espaços formativos da Laps, por exemplo, e Jairnilson nos
grandes eventos. Eu era recém chegada na UFBA e até na Bahia e acabei sendo indicada
pela Profa. Mônica Angelim, nossa colega do Internato que tinha sido coordenadora do
Colegiado e uma das pessoas que trabalhou na reforma curricular de 2007. E foi um grande
presente pra mim, que já era crítica das ligas desde minha formação, lá nos anos 90 e
estava apenas no internato, sem contato com os primeiros anos de formação.

Foram anos muitos intensos:


● 3 Fóruns Baianos da APS, alguns em conjunto com a LAPICS
● 4 Semanas de imersão na APS em diferentes municípios,
● a construção do Congresso Nordeste de Medicina da Família e Mostra Baiana de
Núcleos de Apoio à Saúde da Família, numa grande articulação com a Sesab, FESF
e apoio financeiro do Ministério da Saúde na época e
● Trabalhos apresentados em congressos, até no exterior.
● Estágios com médicos generalistas no CAPS e USF do Terreiro quando ainda era
campo de prática do DSF
● 3 tutores: João André, Leandro e eu.

Estar próxima aos estudantes da liga e apoiar suas atividadades é muito gratificante pois é
um espaço com grande potência para a formação de profissionais com maior compreensão
sobre a importância da existência de serviços próximos à população, com acompanhamento
organizado ao longo da vida e para os problemas mais prevalentes, assim como uma porta
sempre aberta para questões emergentes, como a emergência sanitária que estamos
vivendo, com capacidade de oferecer cuidado adequado às condições efetivas das
comunidades e com uma variedade de profissionais que melhora a abordagem às pessoas
e as famílias, oferecendo o adequado, nem menos, nem excessivamente, cuidando das
pessoas e não as medicalizando.

Você também pode gostar