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Universidade Católica de Goiás

Curso de Design
Oficina de Serigrafia Aplicada

INTRODUÇÃO À SERIGRAFIA
Edith Lotufo, 2006

Obs.:Este texto foi produzido a partir de experiências práticas de ensino da serigrafia em


condições precárias. A proposta de trabalho é fruto de estágios e visitas em oficinas
artesanais de diferentes níveis de equipamento, de pesquisa bibiográfica e da adaptação
de materiais disponíveis às condições existentes.
Esta apostila pretende dar informações básicas para uma introdução ao assunto e
representa um determinado estágio do conhecimento.
Em têrmos técnicos as explicações aqui contidas carecem de um aprofundamento em
todos os sentidos.

Conceitos teóricos

Serigrafia ou Permeografia

O nome Serigrafia é atribuido por diferentes autores à palavra grega serikon e à


palavra sericum do latin, ambas significando seda e grafia do grego, com o
sentido de escrever, desenhar, gravar. A expressão inglesa silk-screen é tanto
usada para designar uma técnica artística quanto a técnica aplicada em trabalhos
utilitários.

Definições em glossários e vocabulários técnicos:

Impressão serigráfica - (Craig, 1987, p.186)


“Método de impressão no qual a imagem é transferida para a superfície a ser
impressa por meio de tinta comprimida por um esfregador de borracha através de
um tecido, que serve como stencil, ou uma retícula de fios metálicos esticados
sobre uma armação. A impressão serigráfica pode ser feita manual ou
mecanicamente, posto que existem estênceis fotográficos e impressoras
automáticas e secadores. Ela permite uma aplicação pesada de tinta na maioria
dos materiais e é excelente para trabalhos de baixa tiragem, especialmente
posters. Displays de ponto de venda que necessitem de uma grossa camada de
tinta e/ou tintas fluorescents são normalmente feitas neste processo. Em ingles
silkscreen ou screen process printing”.

Serigrafia - (Ribeiro, 1998, p.491)


“Processo de reprodução de figures e dizeres, utilizado para pequenas tiragens
sobre cartão, vidro, madeira, metal e outras substâncias de superfície lisa, e
caracterizado pelo emprego de um caixilho com tela de seda servindo de stencil.”

Serigrafia - (Craig, 1987, p.90)


“A impressão serigráfica, também conhecida como impressão silkscreen, é um
processo que utiliza um caixilho com tela de seda, servindo como estêncil. Os
estênceis são cortados à mão ou preparados fotográficamente. A tela pode ser
seda, náilon, Dacon ou malha metálica fina. As partes correspondentes aos
contornos da imagem são impermeabilizadas, fazendo-se filtrar a tinta através da

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area da imagem, com auxílio de uma escova ou esfregador de borracha, na
superfície a ser impressa.
Como a entintagem é mais pesada do que nos outros processos de impressão, a
serigrafia produz excelentes resultados em superficies lisas ou ásperas: metal,
vidro, cerâmica, madeira, plástico, tecido, cartão e, logicamente, papel. Isto torna
a serigrafia ideal para muitos projetos comerciais, tais como sinalização de ruas,
posters e papéis de parede.
Uma grande vantagem da serigrafia: devido à opacidade da tinta, é possível
imprimir o branco ou qualquer tinta clara numa superfície escura, com uma só
aplicação. Há uma grande variedade de tintas disponíveis, incluindo as metálicas e
fluorescents.
Embora a velocidade da impressão serigráfica não seja comparável a dos três
principais processos, ela atingiu um importante lugar na indústria da impressão
devido à sua versatilidade e às suas singulares vantagens.”

A história da serigrafia de acordo diferentes autores

De acordo Baer (1999) a impressão serigráfica, definida como impressão


permeográfica, tem sua origem no trabalho dos antigos artistas chineses no
período da construção da grande muralha e de artistas egipcios que usavam
tecnicas semelhantes na época da construção das pirâmides.
Baer conta sobre as técicas que deram origem à serigrafia, que os japoneses
faziam desenhos muito delicados nos estêncils e que para unir as partes
delicadas dos recortes faziam tramas de cabelo humano, que na fase moderna
da serigrafia foi substituida pela seda e depois pelos tecidos sintéticos.

Dalley (1982) também cita as impressões com stencil chineses e japoneses como
origem da serigrafia, que ele define enquanto a técnica de impressão mais
recente. De acordo este autor, as primeiras patentes de impressão com stêncil
através de tecido de sêda foram registrados na Inglaterra em 1907. Nos Estados
Unidos esta técnica passou a ser usado com fins comerciais nos anos trinta,
durante a depressão econômica, possívelmente pelo custo mais baixo dos
equipamentos necessários.

Koschatzky (1975) define a história da serigrafia como curta, mesmo que se


baseasse nas antigas impressões de stencil chinesas e jeponesas. Ele cita a
origem em torno de 1900 nos Estados Unidos onde se buscava técnicas de
imprimir em garrafas, madeira e metal. A antiga técnica oriental foi aprimorada
rápidamente principalmente na publicidade e na confecção de cartazes. No ano
1936 foi fundada a National Serigraph Society. Ben Shahn foi o primeiro artista a
desenvolver a técnica, depois dele Hans Arp, Josef Albers e Willi Baumeister,
entre outros, se destacaram durante algumas décadas no uso artístico da
serigrafia e mais tarde Andy Warhol ajudou a difundir a técnica no período da
Pop Art.

O processo de trabalho

A serigrafia está sendo usada de maneira muito diversa, de extremamente


artesanal com recursos mínimos, até com o emprego de alta tecnologia nas
grandes indústrias. A descrição do processo de trabalho na literatura nacional e
estrangeira acompanha esta diversidade e varia muito nas publicações da área

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gráfica, em textos veiculados na internet e nos prospectos das firmas de
materiais e equipamentos.

A tela ou matriz serigráfica


Quando lemos referências à técnica da serigrafia em livros de produção gráfica,
os autores se baseiam, em geral, nas grandes indústrias gráficas, apesar da
maior parte da impressão serigráfica ser realizada em pequenas oficinas.
Acarramillo Neto escreve que “a moldura, antigamente era de madeira, hoje é de
metal, que é autotensionante, garantindo o retesamento uniformeda tela durante
a impressão”.
(Carramillo Neto, 1987).
Fitas de video e apostilas para a formação de serígrafos, por outro lado, se
baseiam na realidade das pequenas oficinas e ensinam a fazer a moldura de
madeira de forma rudimentar. A maioria das firmas que oferecem telas já
montadas ainda trabalham com madeira, mas começam a produzir telas com
moldura de alumínio, mais resistentes à àgua, mas com preço mais elevado.
A tela é composta por uma moldura e uma trama de poliêster muito bem
esticada, que é preparada através de diferentes métodos.
O tecido mais usado hoje é poliester, mas é muito comum a trama ainda ser
chamada de nylon, tecido que substituiu a sêda por um longo período. As cores
variam entre branco, amarelo e laranja e as qualidades do material variam, além
das propriedades (densidade da trama) serem diferentes para usos distintos,
muito determinados pela tinta utilizada.
O poliêster suiço é considerado o melhor, seguido pelo espanhol e pelo
português, produtos nacionais não são oferecidos pelas lojas especializadas.

Impressão serigráfica com tinta à base de solvente e à base de água


Nas oficinas serigráficas que trabalham com os dois tipos de tinta, existem áreas
de trabalho distintas. Tintas à base de solventes são oleosas e como óleo e água
não são compatíveis, todos os materiais e equipamentos só devem ser usados
para processo ou outro.

Tinta com solvente ou tinta vinílica


- Vantagens
As tintas à base de solventes podem ser aplicadas nos mais diversos materiais
rígidos e flexíveis, desde que sejam resistentes aos solventes utilizados, como
plásticos, papel, papelão, madeira, metal e outros.
As tintas são usadas mais líquidas, menos pastosos do que as tintas à base de
água e secam rápidamente pela evaporação dos solventes.
O poliêster usado nas telas para esta tinta é mais fechado, cada cm² conta com
100-180 fios, o que permite um detalhamento superior dos desenhos ou textos.A
limpeza das telas é facilitada pelos solventes.
- Desvantagens
O forte cheiro dos solventes é prejudicial à saúde dos serígrafos e exige um
sistema de exaustão e ventilação muito eficiente. Ambientes abertos com boa
ventilação natural seriam melhores, mas podem surgir problemas como a poeira.

Tintas a base de água


Vamos levar em conta aqui apenas as tintas serigráficas de tecido, que depois de
secas são resistentes à agua. Estas tintas são vendidas em embalagens maiores
(de um a vinte litros) e são diferentes das tintas de pintura em tecido, mais
expressas, especialmente desenvolvidas para a técnica. É possível comprar a

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base ou pasta da tinta e pigmentos, preparando as diferentes cores pela mixtura
dos ingrdientes.
- Vantagens
A tinta serigráfica de tecido se aplica bem em superfícies que absorvem parte da
umidade, como tecido, papelão e papel. Ela não tem cheiro forte e prejudica
menos a saúde. Ela é lavável enquanto estiver úmida e se torna resistente à
àgua após a secagem total (após 48-72 horas).
- Desvantagens
Como a tinta depois de seca só pode ser retirada com dificuldade, é necessário
um fluxo de trabalho contínuo para que a tinta não seque na tela, entupindo a
mesma.
Para esta tinta costumamos usar telas com poliêster 77 fios por cm², o que reduz
a possibilidade de definição do desenho.

A preparação da tela ou a confecção da matriz


A pricípio preparar a tela significa cobrir as áreas onde a tinta não deve passar,
deixando a tela livre no espaço que corresponde ao desenho, texto ou imagem.
Existem muitas técnicas com processos simples ou complexos de transferência
de filmes, cobertura por tintas ou lápis oleosos, resultando muitas vezes em
trabalhos artísticos surpreendentes.
Hoje, porém, se usa mais o processo fotográfico de transferência do original para
a tela.

Emulsionar a tela
A tela limpa e livre de gordura recebe uma fina camada de emulsão
“fotosensível”, quer dizer sensível à luz.
O instrumento para espalhar a emulsão na tela se chama “calha”. Uma
quantidade sufiente de emulsão é despejada na calha. Encosta-se a calha na
parte inferior da tela em posição vertical até que a emulsão tenha contato com o
poliêster por igual. Com um movimento cuidadoso, mas firme e contínuo se
aplica a emulsão numa camado fina até a parte superior da moldura. O mesmo
processo se repete na parte interna.
Após a aplicão se retira o excesso da emulsão com a calha, desta vez, menos
inclinada, dos dois lados por duas vezes. Na luz vermelha pode-se conferir, se a
camada ficou uniforme e realmente fina. O restante da emulsão é devolvido para
o recipente.
Neste ponto a tele deveria ser colocada numa estante secadora, vedada para que
não entre luz e equipada com uma ventilação quente que ajuda na secagem e na
“cura” da emulsão.
Como este equipamento é caro, usam-se, em substituição, ventiladores,
secadores de cabelo e “sopradores”, estes últimos devem ser utilizados com
muito cuidadado pelo fato deles produzirem calor intenso.
O tempo de secagem da emulsão é de 20 a 30, quando a camada se apresenta
totalmente fosca.

Existem diferentes emulsões fotográficas, algumas restistentes à àgua e outras à


solvente. A emulsão fotográfica consiste básicamente em uma cola branca tingida
com corantes, à qual é adicionado um sensibilizante. Dependendo do
sensibilizante adicionado temos dois grupos de emulsões, as que contém bi-
cromato e as preparadas com diazo.
As emulsões de bi-cromato são mais sensíveis a fontes de luz com menor
presença de raios ultravioletas e podem ser usadas em situações improvisadas,
com uso de lâmpadas frias ou até por exposição à luz solar.

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O trabalho com esta emulsão deve ser feito em ambientes razoávelmente escuros
para que as telas não fiquem “veladas” por exposição acidental de luz forte ou
demorada por infiltrações continuadas de luz. Esta emulsão, uma vez preparada,
só pode ser utilizada no mesmo dia.
O grande problema da emulsão com bicromato é que o cromato é prejudicial ao
meio ambiente, por isso proibido em alguns países.

Entre as emulsões a base de diazo existe uma larga gama de produtos,


desenvolvidos para diferentes fontes de luz e tintas.
Menos sensível à luz UV, esta emulsão precisa de uma fonte de luz específica, com
raios ultravioletas fortes, o que torna necessário um ambiente fechado, com
acionamento externo da luz. A emulsão com diazo pode ser preparada num
ambiente com luz normal, mas deve ser guardada, depois de preparada, numa
embalagem escura. Sua durabilidade na geladeira é de alguns meses, mesmo
estando pronta para uso.

As artes ou originais
O melhor original para ser transferido para a tela é o fotolito, usado também na
gravação de chapas no processo de impressão offset, permitido maior nitidéz e
aplicação perfeita de retículas ( porém com a resolução adaptada ao poliêster
utilizado). O original é sempre feito idêntico à impressão pretendida, o que
chamamos também de um original em positivo.
A serigrafia é uma técnica apropriada para processos de produção tanto em
grande e quanto em pequena escala, dependento do nível tecnológico.
Nas produções em pequena escala o fotolito se torna relativamente caro e pode
ser substituido por impessão digital a lazer em papel vegetal (gramaturas a
partir de 90g/m²).
Uma improvização, porém, com perda de qualidade de reprodução, pode ser uma
fotocópia de impressão a jato de tinta, com uma camada de óleo de cozinha
aplicada no verso.
Desenhos artisticos podem ser feitos diretamente em papel vegetal com caneta
ou pincel com nanquim. Máscaras ou moldes de papel preto servem como
originais de grandes áreas de impressão. O que vale como regra geral é que
desenho ou imagem devem ser o mais preto possível.

A Gravação da tela
Gravar a tela é basicamente expôr a tela emulsionada à luz. Existem muitos
modelos de mesas de luz, que contém lâmpadas muito fortes de luz UV. Outro
recurso muito importante também é um fechamento à vácuo, que faz com que
entre a arte e a tela exista um contato muito direto, garantindo contornos nítidos
das imagens.
Como ja dissemos, podem ser improvisadas mesas com recursos simples,
correndo o risco, porém, de perder em qualidade.
Na gravação da tela colocamos a arte sobre o vidro da mesa de luz no mesmo
sentido que ela deverá ser reproduzida depois. Quando utilizamas mais de uma
cor, devemos fazer marcações ou “registros” nas artes a nas telas, antes de
emulsioná-las, que servirão nesta etapa de referência para o posicionamento das
telas sobre os originais.
Dentro da mesa de luz podemos fixar uma lâmpada vermelha, uma vez que a
emulsão não é sensível à luz vermelha, o que ajudará no posicionamento de arte
e tela. O tempo de exposição da camada de emulsão à luz, depende de muitos
fatores. Deve-se fazer testes para os diferentes suportes da arte. Plástico
transparente do fotolito ou desenhos e colagens sobre acetato, que deixam

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passar o máximo de luz, exigem menor tempo de exposição, papel vegetal
necessita um tempo maior e papel sulfite com óleo mais ainda.

A Revelação
Da mesa de luz levamos a tela para um tanque de água com mangueira de
pressão. No caminho até lá devemos evitar a exposição da tela à luz,
principalmente do sol, para que não aconteça uma “velação” da imagem
indesejada.
Como a arte, que sempre deve apresentar um preto fechado, fica entre a fonte
de luz e a emulsão, não deixa a luz chegar nela, a mesma não “endurece” nesta
parte, o que significa que ela apenas está seca, mas não passou por uma
transformação quimica.
Passando água dos dois lados da tela com um jato fraco interrompemos o
processo de revelação.
O desenho agora já se diferencia do fundo por uma cor mais clara e logo a
emulsão se desfaz na água, e o tecido fica aberto ou “permeável” na parte da
imagem reservada.
Com um jato mais forte de água retiramos toda emulsão amolecida, dando
definição aos contornos e detalhes.
Em seguida encostamos levemete uma folha de jornal em ambos os lados da tela
para retirar possíveis excessos da emulsão.
Agora colocamos as telas na frente de um ventilador, ou novamente na
secadora, até a secagem completa da camada da emulsão. Quando pretendemos
utilizar a tela por repetidas vezes devemos fechar a área do tecido por completo
com um pouco de emulsão, deixando secá-la novamente. Quando vamos usar a
tela poucas vezes podemos vedar as margens do tecido com fita adesiva ou fita
crêpe.

Local, tintas e instrumentos para a impressão


Antes de começarmos a imprimir devemos examinar a tela para ver se tem áreas
não cobertas pela emulsão ou pequenos pontos abertos no entorno da imagem.
Fechamos estas partes abertas com fita adesiva, por baixo da tela (que é o lado
em contato com o suporte que recebe a tinta).
As técnicas de impressão se diferencia pelos materiais a serem impressas:
Papel, plásticos, substratos e outros são impressos em mesas com sistemas de
sucção ou vácuo, o que evita que o material se levante junto com a tinta durante
a impressão.
A impressão sobre tecido em pequena escala é feita em mesas próprias com
apoios chamados de “berços”, que se diferenciam em equipamentos simples, a
frio, e outros mais complexos com aquecimento dos berços, o que faz com que a
tinta seque rápidamente e outras cores podem ser impressas logo em seguida.
Nos dois casos de impressão em tecido se passa “cola permanente” na superfície
dos berços, uma cola especial, solúvel em água, que mantém o poder adesivo
por muito tempo, o que faz com que o tecido permaneça no lugar e não se
levante durante a impressão.
Nas improvisações por falta de equipamentos adequados usa-se fita crêpe para
fixar o papel na mesa ou a cola permanente em suportes de eucatéx para
segurar o tecido ou papeis mais pesados.
Vamos falar a seguir apenas da impressão com tinta de tecido e neste caso
apenas de tintas comuns, solúveis em água e sem efeitos especiais como relêvo.
A tinta serigráfica para tecido se divide em dois grupos: As tintas “cromo” para
impressão em policromia, que são tintas mais translúcidas e sua impressão
sucessiva permite obter uma gama de cores maior.

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As tintas opacas para impressão de uma ou mais cores com maior cobertura do
tecido, onde uma cor cobre a outra sem deixar transparecer a camada anterior e
que permite também as impressões em fundos escuros.
Enquanto as tintas cromo se integram bem ao tecido, as opacas, depois de
secas, podem ter mais ou menos brilho e podem ter alto ou baixo “toque”, o que
significa que se incorporam mais ao tecido ou que formam uma camada fechada,
mais plastificada de tinta sobre a base impressa.
A tinta é aplicada com “rodos”, que são compostos por uma pega de madeira à
qual é inserida uma tira de borracha ou silicone, de maior ou menor flexibilidade,
com quinas mais acentuadas ou mais arredondadas.

A Impressão
A tela é fixada numa garra junto à mesa ou encostada numa guia, no caso do
berço.
Deve-se bater a tinta levemente com uma espátula de plástico antes de colocá-la
sobre a tela. Restos de tinta sêca são retiradas das bordas dos recipientes. Pode
ser necessário diluir a tinta com uma pequena quantidade de água, quando ela
se torna espessa demais, deixando, porém, a tinta com aspecto pastoso.
Numa primeira “passada” de leve a tinta é espalhada sobre a tela sem ainda
passar pela trama, e na seunda passada é aplicada uma pressão firme com o
rodo sobre a tela, assim a tinta é pressionada através da trama e transferida
para o suporte da impressão, com o rodo sempre levemente inclinado.
Em se tratando de tecido o processo é repetido de duas a três vezes,
dependendo da capacidade de absorção do mesmo Já quando imprimimos em
papel o processo deve ser mais acelerado, porque o papel absorve a tinta com
rapidez, o que pode provocar manchas por baixo da tela. Estas manchas às
vezes podem ser removidas com um pedaço de tecido úmido, outras vezes é
necessário remover a tinta, lavar e secar a tela, para recomeçar o trabalho
novamente.
O procedimente se repete, repondo tinta quando necessário e tomando o cuidado
de não deixar secá-la sobre o desenho.
Para evitar que a tinta entupa a tela deve se usar uma quantidade muito maior
do que seria nessessário para a simples impressão, porque em uma camada
mais espessa o risco de secar é menor. A tinta restante volta para o recipiente.
Todo processo de trabalho deve ser feito de forma organizada e concentrada,
evitando descuidos que podem manchar o trabalho.
Após a impressão a tela deve ser lavada cuidadosamente com água, usando uma
bucha macia e um jato de água para remoção final da tinta.
A tela é colocada para secar em seguida e, guardada com cuidado, a mesma
imagem pode ser impressa inúmeras vezes.

Desgravar a tela
Existem diversos produtos próprios de cada fabricante para remover a emulsão.
Muitas pessoas usam, na prática, produtos mais baratos como água sanitária,
que apesar de funcionar de imediato, podem prejudicar a durabilidade do
poliêster.
Espalhamos uma pequena quantidade do removedor em ambos os lados da tela,
deixamos reagir o produto um pouco, e em seguida esfregamos levemente a
emulsão com escovinhas de nylon. Quando a emulsão estiver toda amolecida,
lavamos a tela por completo com um jato de água forte.
Muitas vezes a tinta deixa manchas ou “fantásmas” que podemos retirar ou
reduzir com sabão em pó ou detergente. Restos de emulsão que não se defazem
de imediato, podem ser removidos com alcool. Para demais restos de tinta ou

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emulsão que ficam na tela existem produtos quimicos abrazivos que precisam
ser usados com máscaras, luvas e óculos de proteção, enquanto os produtos
comuns exigem apenas o uso de luvas.
Em geral os produtos tem nos seus rótulos as inscrições das propriedades e de
todos os cuidades necessários a serem tomados. Alguns fabricantes tem textos
explicativos maiores na internet ou disponíveis nas lojas especializadas.

Conclusão
O propósito da nossa disciplina optativa não é formar serígrafos. Pretendemos
oferecer noções básicas para poder executar projetos enquanto protótipos para a
produção em série. Conhecer o processo gráfico desde a concepção de um
projeto até sua execução é importante para poder optar por determiadas
técnicas e para poder avaliar possíveis problemas em trabalhos profissionais.
O serígrafo tem sua bagagem de experiência e ter noções práticas da impressão
serigráfica ajuda a dialogar com este profissional técnico com maior
conhecimento de causa.
Quanto ao costume ou à necessidade de improvisar, devemos ter clareza, que
essa prática implica sempre em perda de qualidade ou risco de fracasso do
trabalho.
Deve-se conhecer todos os procedimentos técnicos cuidadosamente elaborados,
para poder avaliar quando se pode abrir mão da exatidão de um trabalho
técnico, valorizando mais a criatividade e os efeitos surpresa, ou usando a
técnica com a liberdade da expressão artística.

RESUMO

Passo a passo do trabalho:


Observação importante!
Usamos nas nossas oficinas apenas a tinta de tecido por ser solúvel em água. Num
processo profissional a serigrafia em papel é feita com tinta vinílica, a base de solvente.
Como não temos salas climatizadas optamos por usar a tinta de tecido em papel,
assumindo algumas deficiências, como menor definição do traço. Algumas dicas são
decorrentes desta prática.

 Preparação da tela
-Tela de acordo com o desenho ou arte final, 5cm maior de cada lado
-Retalho de malha
Passar acool com tecido macio na tela limpa, para retirar eventuais manchas
de gordura.

 Preparação da emulsão
-Copo de medida de 500ml
-Copo de medida de 50ml
-Local escuro com luz vermelha ou amarela
-Espátula de plástico
-Recipiente escuro com tampa
Despejar a emulsão fotográfica num copo de medida (10 partes) e
acrescentar o sensibilizante (1 parte). Misturar os dois componentes sem
agitar muito, evitando a formação de bolhas. Exemplo: 100ml de emulsão e
10ml de sensibilizante.
Deixar descansar por meia hora, colocando o copo de medida em recipente
escuro fechado, evitando o contato com a luz.
Desfazer eventuais bolhas de ar.
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 Aplicação da emulsão na tela
-Calha ou aplicador de emulsão
-Pano de limpeza úmido
Despejar a emulsão com sensibilizante na calha, encostá-la em posição
inclinada na parte inferior da tela até que a emulsão tenha um contato
contínuo, puxar o aplicador para cima deixando um filme fino de emulsão
sobre a tela.
Repetir o processo na parte interna da tela.
Passar a calha em posição normal nos dois lados da tela para tirar o excesso
de emulsão.
Limpar eventuais manchas de emulsão.

 Gravação ou sensibilização da tela


-Sala escura com luz vermelha
-Mesa de luz
Limpar o vidro da mesa de luz com alcool.
Colocar a arte (vegetal ou fotolito) no sentido normal da impressão sobre o
vidro.
Posicionar a tela sobre a arte. Colocar papel preto sobre a tela para evitar
rebatimento da luz.
Acionar o vácuo da mesa ou colocar espuma e pesos sobre a tela buscando o
máximo contato entre a tela e o vidro.
Expôr a tela à luz de acordo as lâmpadas e a qualidade da arte usados. (Pode
variar 1’30 a 2’00 minutos no nosso caso).

 Revelação da tela
-Tanque de água
-Mangueira de pressão
Levar a tela sensibilizada ao tanque evitando contato com a luz.
Molhar a tela dos dois lados, interrompendo assim o processo de
sensibilização. Seguir molhando a tela dos dois lados até amolecer a parte
não endurecida da da emulsão.
Usar jato forte para retirada total da emulsão e abertura da trama no lugar do
desenho.
Colocar uma folha de jornal sobre os dois lados da tela para retirada de um
eventual excesso de emulsão.
Deixar secar a tela ao sol ou em estufa com calor e ventilação.

 Preparação da mesa/berço de impressão


-Berços para impressão de camisatas ou mesa com garra para impressão em
papel
-Cola permanente
-Rodo para impressão serigráfica
Aplicar uma camada fina de cola permanente sobre a superfície que vai
receber a camiseta.
Na impressão em papel usa se uma mesa com vácuo para prender o papel,
não tendo o vácuo podemos improvizar com cola permanente na superfície da
mesa (mas cuidado com papel fino, ele pode rasgar na tentativa de retirá-lo).

 Imprimir
-Rodo maior do que o desenho
-Espátula de plástico para aplicar a tinta

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-Tinta na diluição adequada
Colocar uma quantidade abundante de tinta ao lado do desenho. Aplicar uma
camada de tinta sobre o desenho, com a tela levantada,
num movimento extremamente leve para que a tinta apenas preencha o vazio
da trama.
Abaixar a tela sobre o suporte e passar o rodo com força numa inclinação de
45° sobre o desenho.
No caso do tecido repete-se o movimento para que a tinta possa penetrar no
tecido.
Na impressão em papel uma única passagem forte sobre o papel é suficiente.

 Limpar a tela
-Tanque
-Mangueira de pressão
O primeiro cuidado com a tela deve ser imediato, ao têrmino da impressão. A
tinta que sobrou sobre a tela deve ser devolvida ao pote de tinta.
A tela é levada ao tanque onde se retira a tinta com a mangueira de pressão.
A tinta deixa, muitas vezes, manchas na tela chamadas de fantasmas. Estas
manchas são formadas pelos pigmentos que tingem o poliêster. Com uma
esponja macia e sabão néutro podemos tirar estas manchas com facilidade,
desde que cuidemos logo delas. Quanto mais tempo demoramos com a
limpeza, mais dificil ela se tornará.

 Retirada da emulsão
-Tanque
-Mangueira de pressão
-Removedor de emulsão
-Escovinha de nylon
-Luva de borracha
-Óculos de proteção
Colocar uma tampinha de removedor sobre a parte fechada da emulsão,
espalhar com uma escovinha macia de nylon pelos dois lados da tela, deixar
amolecer um pouco, esfregar levemente com a escolva até a completa
diluição da emulsão, removê-la com jato de água forte.
Repetir o processo em partes onde for necessário.
Deixar secar a tela e guardá-la em local adequado.

BILBIOGRAFIA
BAER, Lorenzo. Produção Gráfica. São Paulo: Editora SENAC, 1999.
CARRAMILLO NETO, Mário. Contato imediato com produção gráfica. São Paulo:
Global, 1987.
CRAIG, James. Produção Gráfica. Sao Paulo: Nobel, 1987.
DALLY, Terence. The Complete Guide to Illustration and Design. Oxford: Phaidon
Press, 1980
GOMES FILHO, João. Gestalt do objeto. São Paulo: Escrituras Editora, 2000.
RIBEIRO, Milton. Planejamento Visual Gráfico. Brasilia: LGE Editora, 1998.
KOSCHATZKY, Walter. Die Kunst der Graphik. München: dtv, 1975.

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