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Análise Matemática II, MIEM/MIEIG Teresa Arede

2.2 Limites e continuidade de campos escalares

D conjunto aberto, D ⊂ R n

f ( x ) ∈ R para x = ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) ∈ D


 

a = ( a1 ,a2 ,⋯ ,an ) ∈ R n um ponto de acumulação de D




a.
D
a.

Define-se

lim f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) = b


x →a
por

∀ε > 0 ∃δ > 0 : se x − a < δ ⇒ f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) − b < ε


 

isto é
dado ε>0 existe δ>0 tal que se x ∈ B( a;δ ) então


b − ε < f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) < b + ε

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Geometricamente para funções de uma variável y = f ( x )

b+ε
b
f(x)
b-ε

a-δ x a x a+δ

Para funções de duas variáveis z=f (x,y) teremos

b+ε
b z=f(x,y)
b-ε

(x,y)

a

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ou seja

dado um número ε>0, é possível obter um número δ >0, tal


 
que, se x está a uma distância de a inferior a δ,
f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) está a uma distância de b inferior a ε.

Podemos ainda dizer que

lim f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) = b ⇔  lim f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) − b = 0


x →a x − a →0


Propriedades dos limites – regras de cálculo:

- limite da soma e da diferença

lim  f ( x ) ± g ( x )  = lim f ( x ) ± lim g ( x )


   
x →a x →a x →a

- limite do produto e quociente

lim
  f ( 
x ) g ( 
x ) = lim
  f ( 
x ) lim
  g ( 
x )
x →a x →a x →a

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  ( ) ( )   ( )   ( )
=
   
lim f x / g x lim f x / lim g x
x →a x →a x →a

desde que lim g ( x ) ≠ 0



x →a

- limite duma função composta


consideremos u = f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) , para
( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) ∈ D e definamos
h ( u ) = h ( f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) ) ; se h for contínua

 lim f x ,x ,⋯ ,x 
lim h ( f ( x ,x
1 2 ,⋯ ,xn ) ) = h   ( 1 2 n )
 
x →a  x →a 

Exemplos:
5x
1 – Seja f ( x, y ) = . Calcular lim f ( x, y ) .
x +y
2 2
( x,y )→(1,1)

2 – Calcular lim
( x,y )→(0,1)
( )
sen x 2 y .

x2 y 2
3 - Calcular lim .
( ) ( )x + y
x,y → 0,0 2 2

xy
4 - Calcular lim .
( ) ( )x + y
x,y → 0,0 2 2

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Indeterminações – análise da existência de limite

- dividir pela mais alta potência (ex. 3)


- analisar limites segundo direcções ou por caminhos(ex. 4)

Na igualdade
lim f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) = b
x →a
temos
x→a ⇔ x−a →0
   

 
isto é, x aproxima-se de a de qualquer modo ou segundo
qualquer direcção ou qualquer caminho:

.x
.a
.x

Podemos concluir que:

“se o limite existe ele é único e portanto independente do


 
modo como x se aproxima de a - tem de ser o mesmo valor
 
qualquer que seja o caminho que leva x a a ”.

Assim, se obtivermos dois caminhos ao longo dos quais o


limite toma valores diferentes então o limite não existe.

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Os limites ao longo de caminhos podem designar-se por


limites direccionais se os caminhos forem rectas.
Caso contrário, os limites ao longo de curvas podem
designar-se por limites trajectoriais.

Os limites segundo caminhos só permitem concluir a não


existência de limite.

x− y
Exemplo: Calcule lim .
( x,y )→( 0,0 ) x + y

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Limites iterados (caso de n=2)

Seja f(x,y), para ( x, y ) ∈ D e seja ( a1 ,a2 ) um ponto de


acumulação de D.

Podemos considerar os seguintes limites


   
lim  lim f ( x, y )  e lim  lim f ( x, y ) 
y → a2  x → a1  x → a1  y → a2 
que se designam por limites iterados.

Demonstra-se que

Se lim f ( x, y ) = b , lim f ( x, y ) e lim f ( x, y )


( x,y )→( a1 ,a2 ) x → a1 y → a2

existirem, então
   
lim  lim f ( x, y )  = lim  lim f ( x, y )  = b .
y → a2  x → a1  x → a1  y → a2 

Conclui-se ainda que:


se os limites iterados forem diferentes o limite não existe

x2
Exemplos: Calcule lim .
( x,y )→(0 ,0 ) x + y
2 2

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Continuidade de campos escalares

f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) , ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) ∈ D , D = Domf

( a1 ,a2 ,⋯ ,an ) ∈ D
f diz-se contínua em a = ( a1 ,a2 ,⋯ ,an ) se


lim f ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) = f ( a1 ,a2 ,⋯ ,an )


x →a

As propriedades para as funções contínuas, de várias


variáveis, são análogas às das funções de uma variável.

Exemplos
f (x) = x ,
 
1 – Verificar que a função
x = ( x1 ,x2 ,⋯ ,xn ) ∈ R n , é sempre contínua.


2 – Analisar a continuidade de
a) f ( x, y ) = ln ( x 2 + y 2 + 1)

 x2 y 2
 ( x, y ) ≠ (0,0 )
b) f ( x, y ) =  x 2 + y 2
0 ( x, y ) = ( 0,0 )

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