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O LNEC publica, desde o ano de 1968, a série Informação sobre custos, designada por IC1 a IC5 – fichas de rendimentos

de operações de construção.
Estudos desenvolvidos pelo LNEC permitiram rever, actualizar e ampliar o conteúdo dessas fichas de rendimento de forma a contemplar a maioria das
situações de trabalhos que ocorrem na construção de edifícios, atingindo-se, assim, um conjunto de 2712 fichas na presente publicação. Estas fichas de
rendimento são actualizadas com preços dos recursos, sempre que se considere haver aumentos significativos.
NOTAS EXPLICATIVAS

INTRODUÇÃO

No âmbito das actividades de Documentação e Divulgação Técnica Geral, o LNEC


publicou desde o ano de 1968 ao ano de 1984, na série Informação sobre Custos
designadas por IC1 a IC5, fichas de rendimentos de operações de construção, onde
sucessivamente foram introduzidas alterações, tendo em vista quer uma melhor utilização
prática desta informação, quer os desenvolvimentos informáticos que se têm verificado
neste domínio ao longo do tempo decorrido.

A última publicação da série (IC5 de 1984) era constituída por um conjunto de 1912
fichas de operações de construção, sendo cerca de 1600 obtidas da experiência e
colectânea de registos de trabalhos, e as restantes, anteriormente publicadas na IC3
(Junho de 1971), baseadas em observações de rendimentos reais efectuados em obra,
em estreita colaboração com o GTH da CML.
Em 1997, devido a estudos entretanto efectuados pelo LNEC, foi possível rever,
actualizar e ampliar o conteúdo desse ficheiro com novas operações de construção, de
forma a contemplar a maioria das situações de trabalhos que ocorrem na construção de
edifícios atingindo-se assim um conjunto de 2712 fichas na presente publicação.
Esta publicação actualiza a de 2004, considerando a nova moeda (euro). Salienta-se
que nos preços simples em que surgem 0,00 €, tal significa apenas a aproximação à
moeda corrente do recurso, mas que as aproximações são consideradas no custo directo.

CONTEÚDO DA PUBLICAÇÃO

As designações das operações de construção têm como base as designações


correntemente utilizadas nas medições dos trabalhos necessários à execução de cada
tarefa ou elemento de construção, como é, por exemplo, a execução de uma parede ou a
escavação de um terreno. Os custos dessas operações de construção são obtidos pelo
somatório dos custos unitários dos recursos multiplicados pelas respectivas quantidades
necessárias à execução de uma unidade elementar da medição do trabalho de
construção. Este método é designado por composição de custos.

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NOTAS EXPLICATIVAS

O índice da presente publicação classifica as operações de construção com base


na tabela 1 do sistema CI/SfB1 (elemento de construção a que a operação de construção
pertence), sendo constituído pelos sete capítulos (classes) e os subcapítulos (ou
subclasses de trabalhos) que seguidamente se referem:

1 - Infraestruturas
1-Trabalhos preparatórios
2- Fundações

2 - Elementos Primários
1- Superstruturas
2- Paredes exteriores
3- Paredes interiores
4- Pavimentos
5- Escadas e rampas
6- Coberturas inclinadas e em terraço
7- Camada de forma de coberturas em terraço
8- Isolantes térmicos no paramento exterior de paredes
9- Isolamentos térmicos na caixa de ar de paredes duplas
10- Impermeabilização de terraços
11- Isolante térmico em tectos

3 - Elementos Secundários
1- Caixilharia exterior
2- Caixilharia interior
3- Portas exteriores
4- Portas interiores
5- Protecções solares
6- Tectos suspensos

4 - Acabamentos
1- Paramentos exteriores de paredes
2- Paramentos interiores de paredes
3- Caixilharia exterior
4- Caixilharia interior
5- Serralharia exterior
6- Serralharia interior
7- Revestimentos de coberturas inclinadas
8- Revestimentos de coberturas em terraço
9- Revestimentos de pisos
10- Revestimentos de escadas e rampas
11- Revestimentos de tectos
12- Rodapés

5 - Instalações de evacuação de lixos, esgotos, água, gás, aquecimento e


ventilação

1
O sistema SfB foi iniciado na Suécia e apresentado no primeiro congresso do CIB realizado em Roterdão em 1959.
Sob a égide do CIB, o sistema tem vindo a ser aperfeiçoado e adaptado em muitos países, nomeadamente na Suécia,
Inglaterra, Alemanha, Holanda e França. O CI/SfB (versão inglesa) é constituído por 5 tabelas e uma lista de
elementos comuns, nas quais estão contemplados os diferentes tipos de informação relativa à construção: a tabela 0
relativa ao ambiente físico em que a informação é aplicada, a tabela 1 relativa ao elemento de construção a que
pertence, a tabela 2 à forma e função dos produtos, a tabela 3 aos materiais que constituem os produtos e a tabela 4,
às exigências específicas relacionadas com a informação classificada.

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NOTAS EXPLICATIVAS

1- Esgotos e águas pluviais


2- Águas fria e quente
3- Alimentação e distribuição de gás
4- Ventilação
5- Incêndio

6 - Instalações eléctricas e electro-mecânicas


1- Eléctricas
2- Telecomunicações
3- Transporte
4- Segurança e controlo

7 - Equipamentos fixos da habitação


1- Cozinha
2- Casas de banho, WC
3- Lavagem e secagem de roupa
4- Sala de estar

A utilização da codificação CI/SfB para as operações de construção é um objectivo


a atingir a médio prazo. Porém, não é ainda possível na prática corrente utilizar de forma
generalizada este sistema de codificação, pelo que se mantém a utilização da codificação
numérica tradicional de capítulo/artigo para o código de cada operação de construção.

A ficha tipo de operação de construção que constitui o sistema informático base é a


seguinte:

Data: Dez/ 09 DESCRIÇÃO DA OPERAÇÃO ( Unidade = m2 ) IC - 433


Código: 2096
2
Alvenaria dupla de tijolo com panos de tijolos furados de 30x20x11 cm com 11cm de espessura e 30x20x15 5
cm com 15 cm de espessura assentes com argamassa de cimento e areia ao traço 1:5
Quantidade Unidade Descrição dos Recursos Custos (€ )
Unitários Totais
16,000 un Tijolo furado barro vermelho 30x20x11 cm de primeira qualidade 0,12 1,92
16,000 un Tijolo furado barro vermelho 30x20x15 cm de primeira qualidade 0,15 2,40
6 0,350 l Gasóleo 1,18 0,41
4,73
7 0,070 h Dumper 1000 12 cv 7,50 0.53
0,53
8 1,420 h Pedreiro 9,81 13,93
1,300 h Servente 7,63 9,92
23,85
9 0,038 m3 Operação auxiliar código 90017 67,69 2,57
CUSTO DIRECTO (coef. eficiência = 1.00) 31,68 10
Incid. no Custo Directo: MATERIAIS = 20,6%; EQUIPAMENTOS = 2,2%; MÃO-DE-OBRA = 77,2% 12
11
CUSTO DA OPERAÇÃO (S/lucro, % Custos Indirectos de 10.00%) 34,85
CUSTO TOTAL DA OPERAÇÃO (% de Lucros de 8.00%) 37,64 13

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em que:

1. Número de ordem da operação;


2. Código da operação constituído por um máximo de 5 dígitos em que os três últimos
algarismos indicam o artigo, e os dois primeiros o capítulo;
3. Unidade de medição;
4. Data dos preços simples (Dez/03);
5. Descrição da operação de construção;
6. Quantidade, unidade, descrição e custos (unitário e total), dos, diferentes materiais
necessários para a realização da unidade de medição da operação de construção;
7. Quantidade, unidade, descrição dos diferentes equipamentos necessários para a
realização da unidade de medição da operação de construção, com os respectivos
custos unitários e totais;
8. Quantidade, unidade e descrição da mão-de-obra necessária para a realização da
unidade de medição da operação de construção, com respectivo custo unitário e total;
9. Quantidade, unidade e descrição da operação de construção auxiliar necessária para a
realização da unidade de medição da operação de construção, com respectivo custo
unitário e total;
10. Custo directo da operação de construção, calculado como o somatório dos custos totais
dos recursos envolvidos na execução da operação, bem como das operações auxiliares,
não sendo assim considerados encargos de estaleiro e outros, nomeadamente os
devidos ao pessoal técnico e os encargos gerais directamente envolvidos com a
execução da operação. O coeficiente de eficiência indicado (1.00) é função das
condições particulares de organização da obra e eficiência das equipas de trabalho;
11. Incidência (em percentagem) dos vários recursos utilizados (materiais, equipamentos e
mão-de-obra) no custo directo da operação de construção;
12. Custo da operação, incluindo a percentagem de custos indirectos indicada;
13. Custo total da operação, com o valor de lucros e imprevistos indicado.

UTILIZAÇÃO PRÁTICA DA INFORMAÇÃO

Como exemplo, considere-se a execução de uma parede exterior dupla de


alvenaria de tijolo de barro vermelho com isolante de poliestireno expandido na caixa de
ar, revestida no paramento exterior por uma argamassa de ligantes hidráulicos tradicionais
e, no paramento interior, por estuque projectado. A execução desta parede em diferentes
tipos de edifícios, nomeadamente em edifícios de habitação, escritórios, escolares, etc.,
pode ser considerada como uma operação de construção, conforme se exemplifica
esquematicamente na figura 1, podendo, nos orçamentos em que é referida, apresentar

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NOTAS EXPLICATIVAS

diferentes formas descritivas. Por exemplo, poderá apresentar a descrição global que se
segue:
- “Execução de parede de alvenaria dupla de tijolo furado (30x20x7 e
30x20x11) assente com argamassa ao traço 1:5, incluindo isolante térmico
de poliestireno expandido de 4 cm de espessura na caixa de ar e
acabamentos exterior de argamassa bastarda ao traço 1:1:5 (cimento, cal
e areia) e interior com estuque projectado”

ou inclusive ser repartida, apresentando diferentes combinações de tarefas ou artigos,


como se exemplifica de seguida:

- “Execução de parede de alvenaria dupla de tijolo furado (30x20x7 e


30x20x11) com argamassa ao traço 1:5”.
- “Fornecimento e colocação de isolante térmico de poliestireno expandido de
4 cm de espessura preenchendo totalmente a caixa de ar de paredes
duplas”.
- “Acabamento em paramentos de paredes exteriores de alvenaria de tijolo
com argamassa bastarda ao traço 1:1:5 (cimento, cal e areia)”.
- “Acabamento em paramentos de paredes interiores de alvenaria de tijolo
com estuque projectado “.

Figura 1: Representação de uma operação de construção

Por sua vez, estas últimas tarefas poderão ainda ser decompostas em outras
tarefas ou artigos, como é o caso, por exemplo, da “Execução de argamassa bastarda ao
traço 1:1:5 (cimento, cal e areia)” e do “Estuque projectado em alvenarias de tijolo”, que
podem constituir operações de construção auxiliares que intervêm nas designações mais
gerais referidas.

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NOTAS EXPLICATIVAS

Deste modo, considerando as descrições anteriores, verifica-se que uma operação


de construção pode ser constituída pela combinação de outras operações mais
particulares, o que conduz a que nesta publicação os trabalhos existentes sejam
compostos/decompostos por classes, sub-classes e sub-subclasses de operações, por
forma a que a pesquisa de uma solução possa ser realizada a partir de conjuntos de
operações que desempenham idênticas funções e que, associadas a outras, possam
constituir o elemento de construção pretendido. Como exemplo, na figura 2 apresenta-se o
esquema de decomposição nos vários trabalhos (operações de construção) constituintes
do elemento parede referido.

Figura 2: Classificação de uma operação de construção

Os preços dos recursos simples (materiais, equipamentos e mão-de-obra), bem


como os preços compostos e rendimentos apresentados em cada operação de
construção, deverão ser considerados como valores de referência, sendo indispensável a
sua correcção de acordo com os objectivos e organização de cada empresa ou entidade
pública que os aplica.
O custo das operações está também dependente das variações dos rendimentos
de mão-de-obra, em resultado das condições e eficiência em que o trabalho se realiza na
obra e na empresa. No caso de os utilizadores não disporem de dados estatísticos
próprios que lhes permitam conhecer os seus próprios rendimentos de mão-de-obra,
sugere-se a aplicação dos coeficientes referidos no quadro 1.

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NOTAS EXPLICATIVAS

Quadro 1 - Coeficientes tradutores da eficiência de trabalho

Condições Eficiência de trabalho


da obra Muito boa Boa Média Má
Boas 1.00 1.11 1.24 1.38
Médias 1.13 1.26 1.40 1.55
Más 1.31 1.45 1.61 1.80

A aplicação destes coeficientes poderá ser realizada manualmente, caso a caso,


ou de uma forma automatizada, se se possuir uma base informática de suporte dos dados,
podendo, neste caso, efectuar-se em três níveis: alteração dos rendimentos da totalidade
das fichas utilizadas numa obra; alteração dos rendimentos por grupos de trabalhos; ou
alteração de rendimentos por cada uma das fichas utilizadas numa obra.
No que respeita às quantidades de materiais e equipamentos utilizados nas
operações de construção, considera-se que são constantes.

EXPLORAÇÃO INFORMÁTICA

A consulta do ficheiro de rendimentos, o cálculo de preços compostos, a


orçamentação, o planeamento e o controlo de execução das obras em diferentes datas ou
em diversas obras podem ser realizados por via informática, utilizando um conjunto de
programas que o LNEC comercializa. Os resultados obtidos são úteis nas seguintes fases
de construção:

a) Fase de projecto, nomeadamente no:


* Cálculo de preços compostos dos trabalhos;
* Cálculo dos custos directos, indirectos e totais, discriminados por materiais,
equipamento e mão-de-obra relativos à totalidade da obra, ou por capítulos;
* Planeamento total dos recursos a utilizar, com a indicação de quantidades e
custos;

b) Acompanhamento e controlo de execução da obra, nomeadamente em:


* Autos de medição;
* Alteração do planeamento pré-estabelecido e reformulação do mesmo face
às realidades observadas.

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NOTAS EXPLICATIVAS

* Revisões de preços directas, com base no cumprimento do cronograma


financeiro e previsões dos valores de revisões futuras, com base na
evolução dos índices dos anos anteriores.

CONTINUIDADE DE PUBLICAÇÕES

Quando se verificar aumento de preços com algum significado, relativamente à


presente Informação sobre custos, o LNEC publicará a respectiva lista de preços
compostos actualizados, com indicação da descrição da operação de construção e o seu
respectivo custo, na qual poderão ser incluídas novas fichas de operações relativas a
novas soluções tecnológicas acrescentadas ao ficheiro, bem como eventuais alterações à
informação agora publicada.

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