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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA REGIONAL DE DIREITO


BANCÁ RIO DA COMARCA DE XXXXXXXXXXX
XXXXXXXXXXX, nacionalidade XXX, Estado Civil XXX, profissã o XXX, inscrito no CPF sob o
nº XXX, portador da Carteira de Identidade RG sob o nº XXX, endereço eletrô nico XXX,
residente e domiciliado à Rua XXX nº XXX, Bairro XXX, cidade XXX, UF XXX, CEP XXX, vem
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado
devidamente constituído (procuraçã o anexa), com escritó rio profissional à Rua XXX nº XXX,
Bairro XXX, cidade XXX, UF XXX, CEP XXX, propor a presente:
AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM RESTITUIÇÃO DE VALORES E DANOS MORAIS
Em face de XXXXXXXXXXX, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº XXX,
com sede à Rua XXX nº XXX, Bairro XXX, cidade XXX, UF XXX, CEP XXX, que deverá ser
citada pelos CORREIOS, através de AR/MP, pelos fatos e fundamentos que a seguir se
expõ e.
DOS FATOS
1. A Requerente celebrou contrato de empréstimo consignado com desconto em seu
benefício previdenciá rio com o Requerido. No entanto, a Requerente NUNCA SOLICITOU
OU CONTRATOU CARTÃ O DE CRÉ DITO CONSIGNADO, pois fora em busca de um
empréstimo consignado COMUM.
2. Todavia, a parte Requerente descobriu recentemente que o Requerido, objetivando lucro
a qualquer custo, embutiu no contrato da Requerente um Cartã o de Crédito Consignado
maquiado de Empréstimo Consignado, denominado de “Reserva de Margem consignada
(RMC)”, o qual é descontado mês a mês da Requerente.
3. Cumpre destacar que a Requerente jamais autorizou tais descontos em seu benefício
previdenciá rio ou tinha interesse nesse tipo de reserva, e, como de praxe, sequer foi
informada pela instituiçã o financeira acerca da constituiçã o da Reserva de Margem
Consigná vel, inclusive sobre o percentual que seria averbado em seu benefício
previdenciá rio.
4. Cumpre esclarecer inicialmente que a Requerente, por ser muito mais vantajoso a ela
firmar contrato de financiamento mediante pagamento consignado em seu benefício
previdenciá rio, nã o é crível que, se devidamente estivesse munida das informaçõ es
necessá rias que deveriam lhe ter sido repassadas na fase pré-contratual, submeter-se-ia a
um contrato de cartã o de crédito, cujas taxas sã o as mais elevadas do mercado. Por que
faria isso se poderia, muito bem, tirar outro empréstimo consignado na margem de 5%,
com custo infinitamente menor?
5. Excelência, com este procedimento abusivo o Requerido garante uma certa fidelidade do
cliente para com sua empresa, já que parte do benefício serviu de consignado e parte do
benefício serviu de RMC, e, caso precise de um novo empréstimo, nã o poderá contratar em
nenhum outro lugar a nã o ser com aquele que reservou sua margem, pois nã o terá mais
margem para empréstimos.
6. Importante mencionar que na remota hipó tese de a Requerente ter recebido e utilizado o
cartã o, o que se está defendendo é que, primeiro, a Requerente nunca contratou, ou seja,
nã o sabia que o cartã o tinha relaçã o com o RMC que é descontado mês a mês do seu
benefício, o que, por si só , prova claramente a venda casada.
7. Em segundo lugar, a abusividade que se busca o reconhecimento é a ausência de
informaçã o clara e coerente, direito garantido pelo art. 6, III do CDC, acerca do cartã o
enviado para o endereço da Requerente.
8. Isto porque, o consumidor nã o utilizaria o cartã o se soubesse estar relacionado a um
desconto que vem sendo realizado no seu benefício previdenciá rio. Frisa-se que o valor que
é descontado de 5%, para um aposentado, é um valor muito expressivo.
9. Assim, resumidamente, destaca-se que o que está sendo relatado pelos consumidores sã o
duas linhas de acontecimentos:
a) A primeira é que o consumidor nunca recebeu nenhum cartã o de crédito, e sequer tinha
conhecimento sobre o que era essa tarifa que era descontado mês a mês;
b) O segundo é que o consumidor recebe uma carta com um cartã o de crédito na sua casa.
Num primeiro momento, nã o sabe exatamente do que se trata e acredita ter sido
beneficiada com o referido cartã o. Em seguida, alguns destes consumidores em situaçã o de
desespero acabam por utilizar o referido cartã o. Todavia, nenhum deles sabem que para
uso deste cartã o, está sendo cobrado uma taxa no seu benefício previdenciá rio denominado
Reserva de Margem Consigná vel.
10. No caso em tela, a Requerente confirma a linha a, pois nunca recebeu nenhum cartã o de
crédito e, consequentemente, nunca desbloqueou qualquer tipo de cartã o de crédito.
11. No caso em tela, a Requerente confirma a linha b, pois recebeu o cartã o de crédito, mas
imaginou que tivesse sido beneficiada, e nunca imaginou que estava sendo descontado no
seu benefício previdenciá rio.
12. Excelência, importante observar sob a ó tica da coerência: Na época da realizaçã o do
empréstimo e dos descontos a título de margem consignada no presente caso, já era bem
prá tico conseguir contratar os serviços de cartã o de crédito de qualquer instituiçã o
financeira, sem nenhum ô nus ou com uma taxa mensal irrisó ria, muito inferior ao RMC,
razã o pela qual nã o há motivos para que, voluntariamente, a Requerente ou qualquer
consumidor tivesse interesse em reservar tal valor a título de cartã o de crédito, que, aliá s,
tem nome de “reserva”, mas serve como uma taxa, que é descontado até o fim do
empréstimo.
13. Diante do exposto, o Requerente nã o deslumbra alternativa a nã o ser ingressar com a
presente açã o.
DO PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA
14. Requer preliminarmente a Requerente, com fulcro no artigo 5º, incisos XXXV e LXXIV da
C. F., combinados com os artigo 9º, Lei nº 1060/50, que seja apreciado e acolhido o
presente pedido do direito constitucional à Justiça Gratuita, isentando a parte Requerente
do pagamento e/ou adiantamento de custas processuais e dos honorá rios advocatícios
e/ou periciais caso existam, tendo em vista os seus baixos rendimentos e o fato de que
atualmente passa por muitas dificuldades financeiras, sendo que o pagamento de despesas
processuais prejudicará o seu sustento e o de sua família.
DO MÉ RITO
DA RELAÇÃ O DE CONSUMO E DA INVERSÃ O DO Ô NUS DA PROVA
15. A Sú mula nº 297 do STJ é conclusiva quando diz que “o Có digo de Defesa do
Consumidor é aplicá vel à s instituiçõ es financeiras”
16. Sendo assim, o Có digo de Defesa do Consumidor, artigo 6º, VII, impõ e:
Art. 6º Sã o direitos bá sicos do consumidor: VIII - a facilitaçã o da defesa de seus direitos,
inclusive com a inversã o do ô nus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério
do juiz, for verossímil a alegaçã o ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras
ordiná rias de experiências;
17. Diante do exposto, tem a parte Requerente o direito à inversã o do ô nus da prova, dada a
sua hipossuficiência, considerando que a parte se encontra em situaçã o de
impotência/inferioridade na relaçã o de consumo, ou seja, está em desvantagem em relaçã o
ao fornecedor.
DA OBRIGAÇÃ O DO REQUERIDO DE EXCLUIR A RMC – RESERVA DE MARGEM
CONSIGNADA DO BENEFÍCIO DA REQUERENTE
18. Como já aduzido nas linhas anteriores, a Requerente foi vítima da abusividade e
desrespeito diante da atitude ilícita do Banco Requerido em razã o de nã o ter excluído do
benefício do Requerente a RMC – Reserva de Margem Consignada, inerente aos
empréstimos informados, portanto, nã o há qualquer motivo que justifique tal
procedimento.
19. A responsabilidade civil do Banco Requerido, sem dú vida, é de ordem objetiva, como
para todas as empresas prestadoras de serviço de natureza bancá ria, e no caso se verificou
pela falha e ausência de respeito no serviço prestado, cuja característica é a irrelevâ ncia da
presença da culpa, cuja prova se dispensa.
20. Dispõ e o artigo 14 do Có digo de Defesa do Consumidor:
Art. 14. O fornecedor de serviços responde independentemente da existência de culpa, pela
reparaçã o dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestaçã o dos
serviços, bem como por informaçõ es insuficientes ou inadequadas sobre sua fruiçã o e
riscos.
21. Corroboram este entendimento, além do artigo 14 do Có digo de Defesa do Consumidor,
os artigos 186 e 927 do Có digo Civil, a seguir transcritos:
Artigo 186. Aquele que, por açã o ou omissã o voluntá ria, negligência ou imprudência, violar
o direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito
Artigo 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado
a repará -lo.
Pará grafo ú nico. Haverá obrigaçã o de reparar o dano, independentemente de culpa, nos
casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
22. Nesse sentido lecionam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho, in Novo Curso
de Direito Civil, Responsabilidade Civil, 2ª ediçã o, Editora Saraiva, volume III, pá g. 153:
O novo Có digo Civil, por seu turno, afastando-se da orientaçã o da lei revogada, consagrou
expressamente a teoria do risco, e, ao lado da responsabilidade subjetiva (calcada na
culpa), admitiu também a responsabilidade objetiva, consoante se infere da leitura do seu
art. 927 (….).
(…) inú meras leis especiais consagraram a nova teoria, admitindo a responsabilizaçã o do
agente causador do dano, independentemente da prova de dolo ou culpa.
(…) além do pró prio Có digo de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/90), que também
reconhece a responsabilidade objetiva do fornecedor do produto ou serviço por danos
causados ao consumidor.
23. Importa destacar, de início, que a disponibilizaçã o de serviço nã o contratado, tal qual
ocorrido no caso em tela, configura manifesto ato ilícito, consoante art. 39, III, do CDC. Ora,
nã o poderia o banco Requerido, à revelia da Requerente, disponibilizar os serviços de
crédito sem o real consentimento do consumidor.
24. Habituado a fazer empréstimos consignados, com taxa de juros baixas e com desconto
em folha, a Requerente jamais imaginou estar sendo submetida a uma verdadeira fraude,
contraindo uma dívida eterna.
25. Evidente que ao perceber os descontos em seu extrato de pagamento a parte
consumidora acreditou estar realizando a quitaçã o de seu contrato, afinal a sistemá tica do
pagamento e do valor disponibilizado à parte Requerente ocorreu de forma idêntica aos
empréstimos realizados até entã o.
26. Como parte fornecedora de serviços, a instituiçã o financeira, a luz do có digo de defesa
do Consumidor, tem o dever de informar da forma mais clara os serviços por ela ofertados,
o que nã o ocorreu no presente caso.
27. Ademais, para a constituiçã o de Reserva de Margem Consigná vel (RMC) requer
autorizaçã o expressa do aposentado/pensionista, por escrito ou por meio eletrô nico, nos
termos do que dispõ e o Art. 3º, III, da Instruçã o Normativa INSS n. 28/2008, alterada pela
Instruçã o Normativa INSS n. 39/2009, in verbis:
Art. 3º Os titulares de benefícios de aposentadoria e pensã o por morte, pagos pela
Previdência Social, poderã o autorizar o desconto no respectivo benefício dos valores
referentes ao pagamento de empréstimo pessoal e cartã o de crédito concedidos por
instituiçõ es financeiras, desde que: (...)
III - a autorizaçã o seja dada de forma expressa, por escrito ou por meio eletrô nico e em
cará ter irrevogá vel e irretratá vel, nã o sendo aceita autorizaçã o dada por telefone e nem a
gravaçã o de voz reconhecida como meio de prova de ocorrência.
28. Ora, nã o é crível que o consumidor tenha consentido em contratar um empréstimo
impagá vel, que tenha consentido que a ré realize descontos de seu benefício sem que os
mesmos possam quitar a dívida contraída.
29. Diante da conduta arbitrá ria da Requerida, a parte Requerente está impossibilitada de
contrair empréstimo em qualquer outra instituiçã o, mesmo que em condiçõ es melhores,
pois sequer foi possível contratar o valor desejado, já que a reserva de margem foi pré-
determinada pela instituiçã o financeira.
30. Ratifica-se, Excelência, que a Requerente nunca formalizou e nem pretendeu formalizar
nenhum contrato de RMC com a instituiçã o requerida.
31. O que ocorre em alguns casos é que o cartã o chega na casa do consumidor, através dos
correios, e o mesmo utiliza, acreditando se tratar de um outro serviço que tinha contratado
ou foi beneficiado.
32. As informaçõ es prestadas a parte Requerente foram viciadas, uma vez que na prá tica a
empresa realizou operaçã o completamente diversa da ofertada.
33. Assim, ainda que o banco Requerido tivesse informado o consumidor de forma clara os
termos do empréstimo de cartã o de crédito consignado (o que nã o aconteceu), tal prá tica
se configuraria abusiva pela manifesta vantagem excessiva, nos termos do art. 39, V, do
CDC, in verbis:
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras prá ticas abusivas:
(...) V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
34. Logo, a dívida nunca será quitada, pois o desconto do valor mínimo corresponde ao
pagamento apenas dos juros e encargos do cartã o, por outro lado, gera ao consumidor a
expectativa de que o pagamento esteja sendo realizado.
35. Além do mais, as faturas emitidas ao consumidor sã o compostas por encargos elevados
e ilegais, uma vez que praticados acima dos limites estabelecidos Instruçã o Normativa
INSS/PRES, nº 28, de 16/05/2008, in verbis.
Art. 15. Os titulares dos benefícios previdenciá rios de aposentadoria e pensã o por morte,
pagos pela Previdência Social, poderã o constituir RMC para utilizaçã o de cartã o de crédito,
de acordo com os seguintes critérios, observado no que couber o disposto no art. 58 desta
Instruçã o Normativa: I - a constituiçã o de RMC somente poderá ocorrer apó s a solicitaçã o
formal firmada pelo titular do benefício, por escrito ou por meio eletrô nico, sendo vedada à
instituiçã o financeira: emitir cartã o de crédito adicional ou derivado; e cobrar taxa de
manutençã o ou anuidade;
36. Diante do exposto, verifica-se que a Requerente foi levada a erro pela instituiçã o
financeira, já que acreditava estar contratando empréstimo consignado, como sempre o fez,
e nã o essa nova modalidade de crédito consignado que possui juros elevadíssimos e dívida
impagá vel, em flagrante afronta ao artigo 6º, inciso III, do Có digo de Defesa do Consumidor,
que assim estabelece:
Art. 6º Sã o direitos bá sicos do consumidor: (...) III - a informaçã o adequada e clara sobre os
diferentes produtos e serviços, com especificaçã o correta de quantidade, características,
composiçã o, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;
37. Por esse motivo, reservou o que nã o lhe é devido, pelo que deve ser declarada a
inexistência de qualquer reserva em desfavor da parte Requerente em relaçã o à Instituiçã o
Requerida, o que se requer se dê por sentença.
38. No julgamento da Apelaçã o Cível n. 2014.024999-7 de Blumenau/SC o Eminente
Relator Des. Domingos Paludo concluiu:
“Entendo que caracterizou-se com ilegal a reserva, pous considero ter havido venda casada
do produto cartã o de crédito, uma vez que o interesse do autor era contratar a obtençã o de
empréstimo bancá rio, nunca o fornecimento de cartã o de crédito, tanto é assim que o
cooperativa reu sequer prova que ele foi efetivamente utilizado, nã o obstante possa ter
sido eventualmente disponibilizado.”
39. Ainda, colhe-se este entendimento do aresto do Superior Tribunal de Justiça, a seguir
transcrito:
“PROCESSO CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃ O JURISDICIONAL. CERCEAMENTO DE
DEFESA. INSPEÇÃ O JUDICIAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA POR ACIDENTE DE
CONSUMO. FATO DO SERVIÇO. CONCEITO DE CONSUMIDOR. REEXAME DE PROVAS.
JULGAMENTO CONTRÁ RIO À S PROVAS DOS AUTOS. NÃ O-CONFIGURAÇÃ O. LITIG NCIA DE
MÁ -FÉ . INOCORRÊ NCIA. JUROS MORATÓ RIOS. TERMO INICIAL. MONTANTE
INDENIZATÓ RIO. ADEQUAÇÃ O. (…) – O fornecedor de produtos e serviços responde
objetivamente pelos eventos decorrentes do fato do produto ou do serviço que provocam
danos a terceiros”. Resp. 480697/RJ, Relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma,
p.DJ 04.04.2005 p. 300.
40. Ainda, a jurisprudência tem se consolidado neste sentido;
APELAÇÃ O CÍVEL E RECURSO ADESIVO - AÇÃ O DECLARATÓ RIA DE INEXISTÊ NCIA DE
DÉ BITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃ O POR DANOS MORAIS - SENTENÇA DE
PROCEDÊ NCIA - INCONFORMISMO PRINCIPAL DA CASA BANCÁ RIA DEMANDADA E
ADESIVO DO AUTOR. ASSISTÊ NCIA [...]RECLAMO PRINCIPAL. SUSTENTADA A NULIDADE
DO JULGADO, POR AUSÊ NCIA DE FUNDAMENTAÇÃ O NO TOCANTE AO QUANTUM
INDENIZATÓ RIO, BEM COMO O CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA - PREFACIAIS
REJEITADAS - SENTENÇA QUE, APESAR DE CONCISA, RESTOU DEVIDAMENTE
FUNDAMENTADA - PLENA OBSERVÂ NCIA AO DISPOSTO NO ARTIGO 93, INCISO IX, DA
CONSTITUIÇÃ O FEDERAL - ADEMAIS, PROCESSO SUFICIENTEMENTE INSTRUÍDO,
PRESCINDINDO DA PRODUÇÃ O DE PROVA EM AUDIÊ NCIA - EXEGESE DOS ARTIGOS 130 E
330, INCISO I, DO CPC - APLICAÇÃ O DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO
MOTIVADO - INEXISTÊ NCIA DE MÍNIMOS ELEMENTOS QUE JUSTIFICASSEM A DILAÇÃ O
PROBATÓ RIA. DEFENDIDA A EXISTÊ NCIA DE DÉ BITO E A CONTRATAÇÃ O DE SERVIÇO DE
CARTÃ O DE CRÉ DITO COM RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁ VEL/RMC - AFIRMADA,
AINDA, A UTILIZAÇÃ O DO ALUDIDO CARTÃ O, BEM COMO O PAGAMENTO MÍNIMO DA
IMPORTÂ NCIA RELATIVA AO EMPRÉ STIMO CONTRAÍDO - TESES RECHAÇADAS -
AUSÊ NCIA DE JUNTADA DO INSTRUMENTO CONTRATUAL EM DEBATE, O QUE SERIA
NECESSÁ RIO PARA LEGITIMAR OS DESCONTOS EFETUADOS NO BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁ RIO DO AUTOR - PROVA QUE COMPETIA À CASA BANCÁ RIA DEMANDADA,
NOS TERMOS DO ARTIGO 333, INCISO II, DO CPC - DECISUM MANTIDO NO TÓ PICO,
RECONHECENDO-SE A INEXISTÊ NCIA DE RELAÇÃ O NEGOCIAL E DO DÉ BITO
CORRESPONDENTE, BEM COMO DETERMINANDO-SE A DEVOLUÇÃ O DOS VALORES
DESCONTADOS. INSURGÊ NCIA EM FACE DA CONDENAÇÃ O AO PAGAMENTO DE
INDENIZAÇÃ O POR DANOS MORAIS, OU, ALTERNATIVAMENTE, A MINORAÇÃ O DO
QUANTUM ARBITRADO - ACOLHIMENTO DO PLEITO PRINC [.] (TJ-SC - AC: 20110330309
SC 2011.033030-9 (Acó rdã o), Relator: Clá udio Valdyr Helfenstein, Data de Julgamento:
27/02/2013, Quinta Câ mara de Direito Comercial Julgado)
41. Portanto, o Banco Requerido está obrigado a excluir a RMC – Reserva de Margem
Consignada junto ao benefício da Requerente ante a responsabilidade objetiva prevista no
artigo 14 do Có digo de Defesa do Consumidor, por falha no serviço prestado, quando o
contrato de empréstimo de dinheiro já foi devidamente quitado, conforme documento
comprobató rio em anexo.
DO RESSARCIMENTO
42. Tendo em vista que os valores excedentes foram cobrados de forma ilícita, deve o banco
restituir os valores, com juros e atualizaçã o monetá ria.
43. É o que prevê o artigo 927, 186 e 187 do Có digo Civil, c/c o artigo 14 do CDC, que prevê
a restituiçã o de valores cobrados de forma ilícita e a responsabilizaçã o pelo dano material.
44. Ainda, o CDC, em seu artigo 42, pará grafo ú nico, prevê a indenizaçã o em dobro daquilo
que foi cobrado de forma indevida.
45. Portanto, considerando que estava sendo descontado R$ XXX desde XX/XX/XXXX até
XX/XX/XXXX, e passou a ser descontado R$ XXX até os dias atuais, entende-se que o valor
para indenizaçã o de danos materiais deve ser de R$ XXX (valor já em dobro conforme
previsã o do artigo 42, § ú nico), devendo ser atualizado mês a mês enquanto perdurarem os
descontos.
DOS DANOS MORAIS SUPORTADOS PELA REQUERENTE
46. Verifica-se assim evidente a má -fé do Requerido neste episó dio. A sua atitude
desrespeitosa para com o Requerente que contratou empréstimo bancá rio com o
requerido, iniciou-se a partir do momento em que teve descontado mensamente de seu
benefício valores indevidos, acarretando diminuiçã o mensal do benefício previdenciá rio,
que tem cunho alimentar, causando prejuízo econô mico e até mesmo social ao Requerente.
47. Os danos morais sã o aqueles caracterizados na esfera subjetiva da pessoa, cujo evento
apontado de violador atinge o plano dos valores da mesma em sociedade, repercutindo em
aspectos referentes tanto à reputaçã o perante os demais membros sociais ou mesmo no
tocante à mera dor acanhada intimamente.
48. A Requerente, em consequência disto, ficou indignado com o menosprezo com que lhe
tratou o Requerido, tendo em vista que, mesmo estando ciente de que a Requerente nunca
contratou cartã o de crédito, ainda assim, permanece a RMC junto ao benefício
previdenciá rio da Requerente. Situaçã o esta que se alastra até os dias atuais.
49. Veja Excelência que no caso da Requerente, esta procurou o Requerido, mas até o
presente momento nã o obteve nenhuma soluçã o. Nã o precisaríamos estar numa demanda
judicial se houvesse por parte do Requerido respeito ao cidadã o, faltou vontade de resolver
o problema; faltou respeito ao Requerente; falta competência administrativa; falta
competência gerencial.
50. A responsabilidade do Requerido no ato ilícito cometido é indiscutível, posto que
permanece ainda a RMC junto ao benefício previdenciá rio do Requerente, desvendando um
ato repleto de ilegalidade do demandado.
51. Por conseguinte, pelo evidente dano moral que provocou o demandado, é de impor-se a
devida e necessá ria condenaçã o, com arbitramento de indenizaçã o ao Requerente, que
experimentou o amargo sabor de ter seus descontos indevidos do seu benefício
previdenciá rio.
52. A jurisprudência também tem se consolidado neste ponto:
TJ-PR - PROCESSO CÍVEL E DO TRABALHO Recursos Recurso Inominado RI
000683420201481600300 PR 0006834-20.2014.8.16.0030/0 (Acó rdã o) (TJ-PR) Data de
publicaçã o: 18/12/2015 Ementa: RECURSO INOMINADO. RESERVA DE MARGEM
CONSIGNÁ VEL (?RMC?) PARA UTILIZAÇÃ O DE CARTÃ O DE CRÉ DITO. DESCONTO EM
BENEFÍCIO DO INSS. CARTÃ O NÃ O UTILIZADO. DESCONTO INDEVIDO. DESCONTOS QUE
EXTRAPOLAM INCLUSIVE O PRAZO DA “RMC”. REPETIÇÃ O DO INDÉ BITO EM DOBRO DOS
VALORES COBRADOS. FALHA NA PRESTAÇÃ O DE SERVIÇOS EVIDENCIADA. SUPRESSÃ O
DO DIREITO DE LIVRE UTILIZAÇÃ O DO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁ RIO EM SUA
INTEGRALIDADE. DANO MORAL CONFIGURADO. RECURSO PROVIDO. , esta Turma
Recursal resolve, por unanimidade de votos, CONHECER E DAR PROVIMENTO ao recurso,
nos exatos termos do vot (TJPR - 2ª Turma Recursal - 0006834-20.2014.8.16.0030/0 - Foz
do Iguaçu - Rel.: Manuela Tallà £o Benke - - J. 11.12.2015)
TJ-RS - Recurso Cível 71003801560 RS (TJ-RS) Data de publicaçã o: 24/08/2012 Ementa:
INDENIZATÓ RIA. RESERVA DE MARGEM CONSIGNÁ VEL EM BENEFÍCIO PREVIDENCIARIO
- RMC - DE FORMA UNILATERAL. NÃ O COMPROVADA A SOLICITAÇÃ O OU UTILIZAÇÃ O DO
CARTÃ O DE CRÉ DITO FORNECIDO PELA RÉ . DANO MORAL CONFIGURADO. Relatou o
autor que lhe passaram a cobrar o valor de R$ 43,97 (quarenta e três reais e noventa e sete
centavos) a título de RMC no seu benefício previdenciá rio. Postulou o cancelamento dos
descontos indevidos e danos morais pelos constrangimentos enfrentados. Nenhum reparo
à sentença que determinou o cancelamento dos descontos sob a rubrica de Reserva de
Margem Consigná vel - RMC. [...]
53. O quantum indenizató rio, nos danos morais, como é sabido, deve ser fixado pelo
magistrado seguindo seu poder discricioná rio. No entanto, a título de parâ metro,
considerando as dimensõ es do dano, sugere-se a condenaçã o do Requerido a pagar os
danos morais pela quantia correspondente a R$ XXX, o que evidentemente nã o é o preço do
dano este que tomou proporçõ es bem maiores, mas, ajudaria a minimizar as consequências
dos atos ilícitos praticados, além de constituir uma pena pecuniá ria pela atitude
irresponsá vel e de desrespeito do requerido.
DA TUTELA DE EVIDÊ NCIA
54. Resta evidenciado que a Requerente entabulou contrato com o Requerido sem anuência
de desconto do RMC e sem mesmo que a cliente soubesse, devendo ser afastado em virtude
do princípio da dignidade da pessoa humana.
55. Excelência, na forma do artigo 311 do Có digo de Processo Civil, configura-se
imprescindível a concessã o de tutela antecipada em razã o da evidência da irregularidade
contratual, vejamos:
Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstraçã o de
perigo de dano ou de risco ao resultado ú til do processo, quando:
56. Frente aos fatos ante noticiados, resta concluir que a Requerente nã o pode continuar a
sofrer com as consequências da cobrança do RMC, porque é certo que a Requerente é
pessoa séria e cumpridora de seus compromissos, inclusive confirmado e comprovado
documentalmente, daí a necessidade urgente da tutela final ser antecipada a fim de que o
Requerido seja compelido a excluir a RMC – Reserva de Margem Consignada junto ao
benefício previdenciá rio da Requerente, em 05 (cinco) dias ú teis, sob pena de multa a ser
arbitrada por Vossa Excelência.
DOS PEDIDOS
57. Ao final, REQUER a Requerente que Vossa Excelência se digne de adotar as seguintes
providências:
a) Seja deferida a medida liminar para determinar a exclusã o da RMC – Reserva de Margem
Consignada junto ao benefício previdenciá rio da Requerente, em 05 (cinco) dias ú teis, sob
pena de multa diá ria no valor de R$ 100,00 (cem reais);
b) A concessã o dos benefícios da assistência judiciá ria gratuita à Requerente, por nã o
possuir condiçõ es de arcar com os custos e despesas do presente feito sem prejuízo de sua
pró pria mantença;
c) Requer o reconhecimento da relaçã o de consumo entre as partes e a consequente
inversã o do ô nus da prova;
d) O acolhimento da presente açã o, determinado a citaçã o por carta AR do Requerido para
que, no prazo de lei, a conteste sob pena de revelia e confissã o e ao final seja julgada
procedente, declarando-se consequentemente a exclusã o da RMC – Reserva de Margem
Consignada junto ao benefício previdenciá rio da autora e declarando a inexistência da
contrataçã o do empréstimo via cartã o de crédito com RMC;
e) Sejam julgados procedentes os pedidos formulados na presente açã o;
f) A Condenaçã o do Requerido ao pagamento das custas judiciais e honorá rios
sucumbenciais;
g) O reconhecimento do dano moral in ré ipsa, condenando o requerido no valor de R$ XXX;
h) A condenaçã o do Requerido a restituírem o valor cobrado de forma indevida, devendo a
restituiçã o ser em dobro, nos termos do § ú nico do artigo 42 do CDC, no valor hoje de R$
XXX, devendo ser atualizado mês a mês;
i) Na remota hipó tese de comprovaçã o da utilizaçã o do cartã o de crédito consignado
(RMC), REQUER, igualmente seja declarado rescindido o referido contratado, sustando os
descontos do benefício previdenciá rio da requerente.
j) Requer ainda, a dispensa da audiência em razã o de ser matéria exclusivamente de
direito, e ciente de que se a Requerida tiver interesse em acordo, poderá encontrar em
contato com o advogado pelos telefones no rodapé.
k) Requer a dispensa da audiência nos termos do art. 319, VII e art. 334, pará grafo 5º, do
CPC.
l) Requer também pela produçã o de todas as provas em direito admitidas, notadamente a
documental em anexo e que ainda poderá vir a juntar.
Dá -se a causa o valor de R$ XXX.
Nestes termos,
Requer deferimento.
LOCAL, 17 de maio de 2020.
ADVOGADO
OAB/UF 00.000