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Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 45

Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 451

Não me sepulte aqui!


(Texto: Gn 47:27~31, 50:24~26)

1. Introdução.

Nossa viagem por Genesis se encerra hoje. Desde o dia 5 de dezembro de 2009, lemos
quase todo esse livro, descobrindo juntos as maravilhosas lições de Deus para as nossas
vidas. Hoje, quero concluir essa série falando de fé e esperança. Genesis começa com
Deus criando todas as coisas. Genesis termina com os descendentes de Israel no Egito,
desfrutando paz e prosperidade. Porém, como toda a vida, temos a morte à nossa espera:
Jacó e José morrem e concluem a história deles nos convidando a virar as páginas e ler
Êxodo para ver o que irá acontecer adiante.

Quando lemos o capítulo 46, vemos que Jacó finalmente se encontra com José. Jacó é
apresentado ao faraó e este lhe concede uma porção de terra, Gósen, para que a sua
família pudesse se estabelecer. Não podemos esquecer de que ainda eles estavam dentro
do período de sete anos de fome.

Depois de dezessete anos, gozando finalmente de um período de paz, Jacó chegou à sua
hora de morrer. Porém, ele pede aos seus filhos que o seu corpo não seja sepultado no
Egito, mas sim, na terra prometida, na Caverna de Macpela. Depois de muitos anos,
quando José chegou à idade de cento e dez anos, ele também pediu, e fez jurar aos seus
descendentes, que os seus restos mortais fossem levados para Canaã quando Deus os
permitisse voltar àquela terra. Por quê?

Por que não ser enterrado no Egito, já que era lá que eles estavam gozando de paz e
prosperidade? Por que não o Egito, que era o império mais poderoso da época? Por que
não construir um grande tumulo e ser lembrado na história? Por que essa insistência em
voltar para uma terra da onde eles haviam saído por causa da fome? Que esperança é
essa que eles tinham, que ia alem da própria existência, da própria vida deles?

Quero encerrar Genesis com uma mensagem de fé e esperança. Não podemos nunca
separar essas duas coisas: são irmãs siamesas. Vimos histórias de homens e mulheres
usados por Deus, mas que não deixaram de ser humanos, vulneráveis ao erro e ao
pecado. Vimos que Deus traçou um caminho reto para o homem, mas que esse mesmo
homem sempre andou por ela a passos tortos. Eles nasceram, morreram. Nós também,
não somos muito diferente deles: nascemos, vivemos, pecamos, nos arrependemos e um
dia morreremos. E aí? A diferença dos homens de Deus daqueles que não são está em
que eles crêem e no que eles esperam.

Você é uma pessoa que vive com algum tipo de esperança? Gostaria que hoje você
pudesse fazer um exercício interior de descobrir que esperança é essa. Que o Espírito
Santo nos guie nessa ultima mensagem... que toda a nossa esperança esteja em Jesus,
naquele em quem todas as promessas tem o sim e o amem: “Pois quantas promessas há
de Deus, têm Nele o sim e por Ele o amém, para a Glória de Deus por nosso
intermédio” (2Co 1:20)
2. Exposição do texto. (Gn 47:27~31, 50:24~26)
1
Pregado no MEP dia 27 de fevereiro de 2011.

Paulo Sung Ho Won – www.sunghojd.blogspot.com


Série Gênesis – Passos tortos pelo Caminho reto – Mensagem 45

47:27
Os israelitas se estabeleceram no Egito, na região de Gósen. Lá adquiriram
propriedades, foram prolíferos e multiplicaram-se muito.
28
Jacó viveu dezessete anos no Egito, e os anos da sua vida chegaram a cento e
quarenta e sete. 29 Aproximando-se a hora da sua morte, Israel chamou seu filho José e
lhe disse: “Se quer agradar-me, ponha a mão debaixo da minha coxa e prometa que será
bondoso e fiel comigo: Não me sepulte no Egito. 30 Quando eu descansar com meus
pais, leve-me daqui do Egito e sepulte-me junto a eles”. José respondeu: “Farei como o
senhor me pede”.
31
Mas Jacó insistiu: “Jure-me”. E José lhe jurou, e Israel curvou-se apoiado em
seu bordão2.
50:22
José permaneceu no Egito, com toda a família de seu pai. Viveu cento e dez
anos e viu a terceira geração dos filhos de Efraim. Além disso, recebeu como seus3 os
23

filhos de Maquir, filho de Manassés.


24
Antes de morrer José disse a seus irmãos: “Estou à beira da morte. Mas Deus
certamente virá em auxílio de vocês e os tirará desta terra, levando-os para a terra que
prometeu com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó”. 25 E José fez que os filhos de
Israel lhe prestassem um juramento, dizendo-lhes: “Quando Deus intervier em favor de
vocês, levem os meus ossos daqui”.
26
Morreu José com a idade de cento e dez anos. E, depois de embalsamado, foi
colocado num sarcófago no Egito.

1. Será que viver no Egito foi ruim para a família de Jacó?

“Os israelitas se estabeleceram no Egito, na região de Gósen. Lá adquiriram


propriedades, foram prolíferos e multiplicaram-se muito. Jacó viveu dezessete anos no
Egito, e os anos da sua vida chegaram a cento e quarenta e sete. Aproximando-se a
hora da sua morte” (47:27~29).

A família de Jacó passou dezessete anos de paz na terra do Egito. Engraçado que
quando eles estavam na terra prometida, não tiveram tanto tempo de tranqüilidade como
o que estavam vivendo na terra do Egito. A família de 70 pessoas começou a crescer e
eles começaram a viver como os egípcios: negociando propriedades, construindo suas
vidas e crescendo, tanto em numero, quanto em riqueza.

Quem havia preparado tudo aquilo fora Deus através da vida de José. Deus separou José
para no fim salvar toda a sua família da fome. Embora eles estivessem fora da terra
prometida, eles ainda estavam dentro dos projetos de Deus. Meus amados, nós vivemos
no mundo. E muito diferente do que as pessoas falam, viver aqui não deve ser
considerado como algo ruim. Porque se assim fosse, Deus não teria nos colocado aqui.
A vida que Deus nos dá sobre a terra é boa e abençoada.

O que torna a nossa existência aqui nessa terra dramática é o pecado que nos empurra
para longe de Deus. Mas se você estiver dentro de Sua aliança, dentro de Cristo, a vida
neste mundo pode ser muito abençoada, muito frutífera (não apenas em termos
financeiros... Talvez você nem venha a ser rico. Benção verdadeira é viver dentro de
Deus) como foi a vida da família de Jacó no Egito.
2
47.31 Conforme a Septuaginta. O Texto Massorético diz curvou-se à cabeceira de sua cama.
3
50.23 Hebraico: nasceram sobre os joelhos de José.

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Embora eles preferissem estar em Canaã, sua terra, eles encararam a sua permanecia no
Egito como providência e benção de Deus. Pois foi no Egito em que eles foram salvos
de serem todos mortos pela fome. Como os filhos de Israel aproveitaram a sua estada no
Egito, aproveite essa sua vida aqui na terra.

Quer aproveitar bem a sua vida sobre a terra? Salomão nos dá um conselho muito bom
em Eclesisastes 9:7~10:

“Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração
alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. Esteja sempre vestido com
roupas de festa, e unja sempre a sua cabeça com óleo. Desfrute a vida com a
mulher a quem você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a
você debaixo do sol; todos os seus dias sem sentido! Pois essa é a sua
recompensa na vida pelo seu árduo trabalho debaixo do sol. O que as suas mãos
tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para
onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem
sabedoria. ”

Enquanto há vida, há sempre uma perspectiva em Deus de desfrutarmos de suas


bênçãos. Porém, a morte sempre bate à nossa porta. Não importa: ricos e pobres, todos
são chamados a um dia comparecer diante da morte. A morte é algo totalmente estranho
a todos nós. Ela é repulsiva, vai contra o propósito de Deus que está na vida. Deus não é
Deus dos mortos, disse Jesus.

Para Jacó chegou esse tempo. Para José também... Para você chegará esse dia. Qual é a
sua esperança?

2. A esperança que não acaba com essa vida.

“Aproximando-se a hora da sua morte, Israel chamou seu filho José e lhe disse: “Se
quer agradar-me, ponha a mão debaixo da minha coxa e prometa que será bondoso e
fiel comigo: Não me sepulte no Egito. Quando eu descansar com meus pais, leve-me
daqui do Egito e sepulte-me junto a eles”. José respondeu: “Farei como o senhor me
pede”. Mas Jacó insistiu: “Jure-me”. E José lhe jurou, e Israel curvou-se apoiado em
seu bordão” (47:29,30)

Perto de sua morte, Jacó chamou o seu amado filho José e lhe fez prometer que o seu
corpo não seria enterrado na terra do Egito. A promessa foi solene. Por que a insistência
de Jacó em ser enterrado na sua terra se estava tudo bem no Egito? De Canaã, a última
lembrança foram os dias de fome e seca. Entretanto, Jacó queria ser enterrado junto ao
seu avô Abraão, seu pai Isaque, caverna de Mapela, em Hebron.

Claro! Jacó passou quase toda a sua vida em Canaã... aquela era a sua terra, a terra de
sua infância, juventude, vida adulta. Jacó já tinha o estigma de ter que morar fora, em
Harã, quando fugiu de seu irmão Esaú. Talvez, Jacó fosse muito apegado à sua terra.
Talvez o sonhos de nossos avós e avôs seja um dia retornar para a Coréia ou ser
enterrados lá... é a terra natal deles. Embora possamos imaginar que isso seja verdade, a
bíblia vai além em nos oferecer uma outra visão: Mesmo morto, Jacó queria estar dentro
do âmbito da aliança com Deus. Qual era esse elo, que mesmo depois da morte, faria

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com que Jacó se situasse dentro da aliança de Deus? A terra. Justamente, a terra que
Deus prometera à Abraão, Canaã!

Será mesmo que a esperança morre conosco conforme diz os dito popular: “enquanto há
vida, há esperança”? Não! A esperança que nós temos em Deus vai além da nossa
própria existência, pois ela se baseia em Deus.

Jacó tinha uma viva esperança na promessa de Deus! Ele cria que Deus o faria voltar ao
lugar a qual prometera aos seus antepassados e a ele mesmo. Antes de Jacó ir ao Egito,
Deus apareceu a ele e lhe disse: “Não tenha medo de descer ao Egito, porque lá farei de
você uma grande nação. Eu mesmo descerei ao Egito com você e certamente o trarei de
volta. E a mão de José fechará os teus olhos” (Gn 46:3,4). Jacó cria na promessa de
Deus! O que Deus estava dizendo a Jacó era: “Jacó, você não pertence àquele lugar...
vou te trazer de volta para o lugar que você deve estar... para a terra prometida. Eu
vou com você ao Egito e eu o trarei de volta à Canaã”.

3. A esperança, que vem da fé, que vai alem dessa vida.

“José permaneceu no Egito, com toda a família de seu pai. Viveu cento e dez anos e viu
a terceira geração dos filhos de Efraim. Além disso, recebeu como seus os filhos de
Maquir, filho de Manassés. Antes de morrer José disse a seus irmãos: “Estou à beira
da morte. Mas Deus certamente virá em auxílio de vocês e os tirará desta terra,
levando-os para a terra que prometeu com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó”. E
José fez que os filhos de Israel lhe prestassem um juramento, dizendo-lhes: “Quando
Deus intervier em favor de vocês, levem os meus ossos daqui”” (50:22~25)

José aproveitou “até o talo” a vida que Deus o concedeu. Desde a mais terrível
tribulação, até os seus momentos de glória... Desde a mais profunda tristeza e decepção,
até a mais intensa alegria. No Egito, em terra estranha, José se tornou governador e peça
chave para a salvação de sua família e das nações vizinhas. Mas mesmo para o grande
José, a morte chegou.

Antes de morrer, José juntou os seus irmãos e lhes disse: “Deus os levará de volta à
terra prometida a todos nós”. Meu irmão, sabe de onde nasce a verdadeira esperança?
Na fé! José não tinha dúvidas de que aquele não era o lugar que Deus queria que eles
estivessem por muito tempo. Não! O plano original, a promessa, era de que eles
herdariam a terra prometida. E mais: José cria que Deus interviria diretamente na
história para levar o seu povo de volta para a terra da promessa: “Quando Deus
intervier em favor de vocês, levem os meus ossos daqui” (50:25)

Já no Novo Testamento, o autor de Hebreus fala de José assim: “Pela fé, José no fim de
sua vida, fez menção do êxodo dos israelitas do Egito e deu instruções acerca dos seus
próprios ossos” (Hb 11:22).

José também cria na promessa de Deus. Da mesma forma que Jacó, ele cria que o Egito
não era o lugar deles. O Egito era apenas um lugar transitório, de passagem. Mesmo
depois da morte, mesmo que só em ossos, José queria estar dentro do âmbito da
promessa de Deus, na terra a qual Ele jurou dar aos seus antepassados. Nunca o texto de
Genesis nos mostrou Deus falando diretamente acerca da promessa da terra a José.
Porém, ele confiava que a revelação feita a seu pai Jacó, a seu avô Isaque e a seu bisavô

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Abraão eram reais e verdadeiras!

“Morreu José com a idade de cento e dez anos. E, depois de embalsamado, foi
colocado num sarcófago no Egito” (50:26). Esse é o ultimo versículo de Genesis.
Depois de morto e embalsamado, os ossos de José esperavam ser transportados para a
sua amada terra. Sabe quando isso aconteceu? Somente 430 anos depois, quando Deus
levantou Moisés para tirar TRÊS milhões de israelitas do Egito: “Moisés levou os ossos
de José, porque José havia feito os filhos de Israel prestarem um juramento, quando
disse: “Deus certamente virá em auxilio de vocês; levem então os meus ossos daqui””
(Êx 13:19).

Genesis termina com Fé... e a fé chama pela esperança.

Conclusão: A esperança que vai além da nossa própria vida.

Amados, Jacó, José e todos os seus familiares estavam no Egito, mas não pertenciam ao
Egito. Jacó foi para o Egito ficar apenas algum tempo. Eles vislumbravam voltar à terra
prometida não por causa da exuberância de Canaã, mas sim, por causa da promessa de
Deus. Parece que aquela terra prometida era o fim em sim mesmo, que aquele era o alvo
da promessa de Deus com os patriarcas. O Novo Testamento nos ensina que não:

“Todos estes viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido
prometido; viram-no de longe e de longe o saudaram, reconhecendo que eram
estrangeiros e peregrinos na terra. Os que assim falam mostram que estão
buscando uma pátria. Se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam
oportunidade de voltar. Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto é, a
pátria celestial. Por essa razão Deus não se envergonha de ser chamado o Deus
deles, e lhes preparou uma cidade.”

Abraão, Isaque, Jacó, José... todos eles ansiaram por receber a plenitude do
cumprimento das promessas de Deus. Mas todos morrerem sem ver tudo se cumprir.
Somente Macpela, o túmulo comprado por Abraão, era propriedade deles. Sabe o que a
esperança que eles tinham pela terra prometida indica? A esperança que eles tinham por
uma “pátria melhor”, isto é, “pela pátria celestial”.

De fato, essa é também a nossa viva esperança. Podemos viver bem a vida que Deus nos
concedeu sobre a terra. Mas um dia tudo aqui vai acabar... e aí? O verdadeiro cristão
deve viver com a esperança de um dia, quando esta vida acabar, encontrar-se com o
Senhor e estar com Ele para sempre em seu Reino.

Naquela época, eles não conheciam Jesus e ainda toda a realidade do Reino dos céus
estava obscuro a eles. Mesmo assim, eles esperaram na verdade por essa “pátria
melhor”, cujo rei é o próprio Deus. Nós, conhecemos toda a revelação... Sabemos que é
através de Jesus que temos o cumprimento de todas as promessas, mesmo aquelas feitas
à Abraão, pois somos considerados seus descendentes espirituais. Qual é a esperança
máxima de sua vida? Que essa esperança seja Jesus.... estar com Ele, participar de Seu
Reino.

Genesis não é uma história completa e acabada. É como o livro terminasse com
reticências. Toda a esperança de Jacó e José fazem sentido unicamente na pessoa de

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Cristo. A esperança que nós temos no Filho não pode acabar com essa vida... essa
esperança supera a nossa morte. Essa esperança vai durar até aquele dia, em que com os
corpos ressurretos nos apresentarmos diante de Jesus como igreja gloriosa, como sua
noiva, quando todas as promessas finalmente se cumprirão...

E a sua vida? Que ela seja cheia de fé e esperança... em Cristo, nas suas promessas, no
seu retorno, no seu Reino... Amém.

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