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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

FACULDADE NACIONAL DE DIREITO

ALAN JOSÉ COHEN

DANIELLY SANTOS DE PAULA

FERNANDA DE SOUZA VIEIRA COUTINHO

JOÃO ANTÔNIO LIMA DA SILVA

JONATAS DA SILVA HENRIQUE

JOSÉ LUCAS ZOMBARDI

THALIA DA SILVA OLIVEIRA

A estrutura e a função dos Direitos Humanos na


sociedade

Rio de Janeiro

2017
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ALAN JOSÉ COHEN

DANIELLY SANTOS DE PAULA

FERNANDA DE SOUZA VIEIRA COUTINHO

JOÃO ANTÔNIO LIMA DA SILVA

JONATAS DA SILVA HENRIQUE

JOSÉ LUCAS ZOMBARDI

THALIA DA SILVA OLIVEIRA

A estrutura e a função dos Direitos Humanos na


sociedade

Trabalho apresentado à Professora


pós-Doutora Juliana Neuenschwander
Magalhães, como requisito da disciplina
História do Direito e Pensamento
Jurídico.

Rio de Janeiro
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2017
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO​ ......................................................................................................................04

1. As Revoluções Burguesas e sua Relação com os Direitos Humanos no cenário atual


...................................................................................................................................................06

2. ​A Diferença entre Direito e Indivíduo: Como isso pode ser explicado através do
Contrato Social​ .......................................................................................................................08

3. ​O Papel da Constitucionalização para diferenciar Direito e Política sob a referência


comum aos Direitos Humanos
...................................................................................................................................................11

CONCLUSÃO ​........................................................................................................................13

BIBLIOGRAFIA​ ....................................................................................................................14
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INTRODUÇÃO

Diversas frentes e pensamentos atuaram para que o termo "Direitos Humanos" fosse
disseminado com tal força e importância através da história e mudanças sociais estruturais,
como as revoluções e transições de períodos geopolíticos. Após a recepção do Direito
Romano, pela segunda vez, no momento que transpassou a Idade Média para a moderna, o
Direito perdeu sua unidade sacra tornando-se universal.
Com a dessacralização do direito os indivíduos passaram a não depender do
julgamento divino atribuído ao sacerdote e sim ao conjunto de regras e normas impostas pelos
agentes da lei. Através do Contrato Social, a sociedade abre mão de todos os seus poderes -
direitos naturais intrínsecos - para um Soberano, que não era o Divino e sim um governante
que assume a responsabilidade de ser o governante, o legislador, tornando aquela forma de
governo absolutista e indo ao sentido contrário do que era dito no direito natural.
Nos distanciando do contexto absolutista do Contrato Social e observando os nuances
do atual cenário do mundo, onde prevalece a desigualdade, falar sobre Direitos Humanos
ainda gera debates quanto a importância de um agente para garantir que esses direitos
essenciais do indivíduo sejam positivados mesmo em situações de precariedade ou injustiça
social. Principalmente quando trata-se do recorte brasileiro onde há uma discrepância enorme
entre as classes que estão fora do contexto econômico privilegiado. Para que possam se
defender, por si só, perante a lei, é preciso garantir tratamento digno e igualitário desde as
situações básicas, como acesso a alimentação diária, medicamentos e água potável, até mesmo
em suas punições e privações sociais, como no sistema carcerário.
De forma a deixar claro a estrutura e as funções do Direitos Humanos na sociedade,
redigimos este trabalho com o objetivo de explicitar sobre o caráter universal dos Direitos
Humanos ao longo da história com o foco na contribuição bibliográfica para a formação do
paradoxo entre direito e política, a diferença entre indivíduo e direito - analisando o
desenvolvimento do direito natural, fundamental e humano- , atribuindo o papel da
constitucionalização para diferenciar direito e política e o simbolismo conceitual e prático dos
Direitos Humanos.
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1. As Revoluções Burguesas e sua Relação com os Direitos Humanos no


cenário atual: do Naturalismo ao Iluminismo.

O ser humano mostrou-se cada vez mais disposto a evoluir ao longo da história. Por
isso, a curiosidade e a busca pelo conhecimento são marcas da humanidade que estão
presentes até os dias de hoje. Não apenas descobrir-se, como também desmistificar o que está
a sua volta foram traços do objetivo de progredir. Nesse sentido, por meio de reflexões
filosóficas e sociológicas é que se pode estabelecer as noções de individualismo. Essas duas
ideias fazem parte da natureza humana frente à singularidade do homem entre as demais
criaturas.

A centralidade do conceito de homem ocorreu especialmente durante o século XVII,


no período de transição entre a Idade média e a Idade moderna. Nessa perspectiva que, com o
desenvolvimento da concepção de humanidade, se pode analisar o Direito subjetivo como
representante do individualismo, haja vista que é o conhecimento prático de que as relações
do homem com a Justiça variam entre os mesmos por suas diferenças de caráter. Assim, o ser
humano se diferencia da igualdade por sua característica natural unitária.

Para se entender melhor o medievo é necessário o jusnaturalismo como conceito de


Direitos Humanos na natureza da sociedade. O sistema absolutista consistia em um poder
único, soberano e portador de direitos, já que os direitos dos súditos não eram respeitados e
serviam como base de apoio para o poder centralizador. Por isso que nesse período, de acordo
com as relações entre Direito e política, o absolutismo tornou-se jurídico e político, pois o
poder uno se submetia a uma soberania jurídica.

Se, por um lado, a era medieval valorizava a igualdade humana às leis naturais- o
coletivo da espécie humana; por outro, o ser humano, com a eclosão de pensamentos
positivistas e o maior questionamento da dinâmica social por meio da filosofia, viu-se em
condições de se destacar na natureza. Esse período crítico da humanidade entre os séculos
XVII e XVIII marcou a transição entre o medievo e a modernidade.

Foi no sistema intitulado de “absolutismo esclarecido” (uma referência ao iluminismo,


porém mantendo-se ainda a centralidade) em que Thomas Hobbes se destacou. O filósofo
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inglês buscou, por meio dos ideais de liberdade, propriedade e igualdade gerar uma tensão
entre a unificação objetiva da natureza e a subjetividade dos indivíduos. Assim, estabeleceu
um paradoxo entre a liberdade e a soberania absolutista. O Direito propunha uma limitação
aos súditos que tinham sua liberdade instruída pela obediência compulsória ao Estado.
Hobbes explica que “é iminente à ideia de direito o princípio de delimitação”, não se pode
crer em um reconhecimento jurídico da liberdade.

Nesse sentido evolucionista à modernidade é que se destacam o iluminismo em


consonância ao juspositivismo. O surgimento de ideias iluministas durante o século XVIII
abalaram as estruturas, anteriormente considerado rígidas, da sociedade; questionando
especialmente a força das entidades religiosas no Direito e na política.

Trabalhando com a noção qualitativa de humanidade em que “a mais alta dignidade do


homem é ser homem”, esse movimento revolucionário favoreceu a razão e o humanismo
sobre a dogmática absolutista. O homem, assim, abandonava seu estado natural e
fundamental, o estado civil.

A questão da moralidade também não se manteve intacta frente à revolução filosófica.


A moral burguesa ganhou uma maior projeção pública e confrontou-se com um pensamento já
heterônomo instaurado na sociedade que era á dogmática de obediência ao Estado. “Qual é a
instância que decide? A instância moramos cidadãos? Ou a instância política do Estado”.

A “iluminação”, por sua vez, veio clarear o indivíduo ao cidadão portador de direitos
com uma visão mais ativa e de liberdade da sociedade. O Direito, dessa forma, também se
transformou, pois, o que antes subordinam o homem, tornou-se a proteção do cidadão. O
“dever ser” passou de imperatividade absoluta e com grande força de incidência para uma
concessão sociológica.

Nesse contexto, é importante saber diferenciar política de Direito, haja vista sua
importância no processo de formação da sociedade moderna. A política, ao contrário do que
muitos pensam, não tem a ver com a moral. Como exemplo disso é obra “O Príncipe” de
Maquiavel (MAQUIAVEL, 2011) que separa totalmente a forma de se fazer política dos
preceitos morais; de maneira em que para se manter o poder o governante de Florença deve se
abster de suas convicções morais. Ao passo de que “é melhor ser temido do que amado” esse
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conflito é retratado. Por outro lado, nas palavras de João Ubaldo Ribeiro (RIBEIRO, 1998) a
política pode ser entendida como “um exercício de alguma forma de poder e suas
consequências”. Ou seja, também com uma abordagem um pouco aristotélica, já que o
homem é um “animal político “, podemos dizer que a política faz parte do ser humano na
busca pelo poder tanto no sentido sociológico quanto no extintivo.

O Direito, por sua vez, com a influência do juspositivismo, é um princípio de


igualdade entre os seres humanos e de garantias fundamentais para a relação entre eles.
Conforme dito no artigo 5º​ ​da Constituição Federal de 1988:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,


garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade

do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

(BRASIL,1988)

Portanto, o paradoxo entre política e Direito também pode ser considerado a busca por
relações sociais, e, como consequência, o poder em contraste ao Direito que promove a
isonomia do estado civil.

Não apenas a liberdade, como também a noção de humanidade foi valorizada em meio
ao estado civil. Como a revolução, os direitos da humanidade passaram a ser gradativamente
declarados. Na França, capital e berço das revoluções burguesas e iluministas, com a
Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão pela Assembleia Nacional Francesa de 1789.

Assim, a universalidade dos direitos humanos veio de uma evolução histórico-


semântica da humanidade. A busca por reduzir as diferenças sociais, econômicas e políticas
junto a melhoria das condições de vida do ser humano são objetivos dessa Declaração. O
humanismo e o hedonismo favorecem aos princípios básicos daquilo que o ser humano, por
ser provido de razão, deve exercer como proteção de sua dignidade e para a proteção do
próximo no exercício da alteridade. Por fim, há possibilidade de superação da estratificação
social e o reconhecimento e inclusão do homem independente de sua posição social.
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2. A Diferença entre Direito e Indivíduo: Como isso pode ser explicado


através do Contrato Social.

Compreender o contexto no qual os filósofos Contratualistas se manifestaram a


respeito da individualidade humana e de sua opção pelo Contrato Social faz-se indispensável,
porque tais manifestações se dão a partir do início das transformações sociais, culturais e
políticas advindas principalmente das transformações econômicas que marcam o declínio e o
fim da ordem feudal.

Na Modernidade, as transações econômicas - estas sem muitas preocupações com o


todo político -, transformam as relações individuais numa busca pela liberdade, autonomia e
conquistas, a partir de atos meramente econômicos, sem qualquer preocupação nem com a
interação ética e pública, nem com o convívio em comunidade e com a superioridade
religiosa, a valorização do paraíso e a consequente desvalorização do mundo humano.

Sem dúvidas, a Modernidade trouxe consigo a individualidade, onde o homem se


percebe como ser único, atrás de seus interesses, e que se juntam a outros, porém através de
um sentimento e de uma razão utilitária, não se tornando, pelo Contrato, um ser sociável, ou
mais social, apenas se agregando motivado pela busca da satisfação das suas necessidades
materiais individuais.

Assim, a agregação torna-se aqui, para o indivíduo, mero meio para a realização dos
seus fins individuais, e a força da moral comunitária, como na tradição, não é mais a força
motriz da ação humana, mas sim a existência individual, a auto realização, a experimentação
pelos sentidos.

É nessa conjuntura de transformação e transição de uma ordem feudal anterior para o


estabelecimento das bases do moderno capitalismo, que os denominados Contratualistas se
inserem, onde a busca pela liberdade e igualdade de direitos se contrapõe aos códigos e
estatutos legais que antes regulamentavam os privilégios feudais.

O indivíduo passa a ser encarado, então, como anterior à sociedade, e não como
produto desta. Nas palavras de Juliana Neuenschwander Magalhães:
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“Ocorreu, então, uma grande transformação no direito, que antes era alguma coisa à
qual os homens estavam sujeitos e, então, tornou-se alguma coisa da qual os homens
são os sujeitos. Primeiro o direito tinha os homens, depois eram os homens que
passaram a fazer o direito.” (NEUENSCHWANDER MAGALHÃES, 2013, p. 240)

Na visão hobbesiana, os direitos naturais são todos atribuídos a um Soberano, que os


restitui em parte aos cidadãos, tornando assim, a fonte suprema de todos os direitos, aí
incluído o direito à propriedade, onde a Paz nas relações sociais é garantida pela força da
Espada, visto que a realização de pactos entre os indivíduos, sem a correspondente força para
assegurá-los, não são passíveis de serem cumpridos.

Trata-se então de uma relação vertical de poder entre o Soberano e o indivíduo, que
busca neste principalmente proteção à Vida, através de um Pacto Social que tem como objeto
principal a manutenção da ordem, através de um Estado notadamente totalitário.

“A natureza fez os homens tão iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito


que, embora por vezes se encontre um homem manifestamente mais forte de corpo,
ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera tudo isto
em conjunto, a diferença entre um e outro não é suficientemente considerável para
que qualquer um possa com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não
possa também aspirar, tal como ele. (...). Desta igualdade quanto à capacidade deriva
a igualdade quanto à esperança de atingirmos nossos fins. Portanto, se dois homens
desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo (...) esforçam-se por se destruir ou
subjugar um ao outro. (...). Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que
os homens vivem sem um poder comum capaz de manter a todos em respeito, eles
se encontram naquela condição a que se chama de guerra; e uma guerra que é de
todos os homens contra todos os homens.” (HOBBES, 2003, p. 45)

Fica claro que, no Estado absoluto, a soberania era tida como um direito do rei. Sendo
assim, todos deviam se submeter a ele. O rei é o único ocupante do topo da hierarquia, e esse,
por sua vez, tem o direito de cobrar impostos, criar leis, alterá-las e administrar seu território.
O direito passa a ser baseado nas vontades do soberano. Os súditos estão submetidos ao
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direito, à vontade do rei, seu o direito é o de obedecer, são deveres naturais. Já os direitos, são
de propriedade do soberano.

Em contrapartida, Locke afirma que a transição do estado de natureza para um estado


de contrato social, é uma ação voluntária e não um fator crucial, ao contrário de Hobbes, e
esse contrato é advindo da necessidade de se conservar a Propriedade, evitando-se assim que
os poucos conflitos que ocorram não prejudiquem a comunidade.

Em Locke, a relação entre indivíduo e governante é uma relação horizontal, vez que a
instituição do Pacto Social busca resguardar o equilíbrio entre os indivíduos, visto que os
indivíduos não são iguais por natureza, diferenciando-se entre si em inteligência e aptidão
física, propondo então um sistema de freios e contrapesos.

Na sua ótica, a Propriedade, ou seja, todos os bens produzidos pelos indivíduos,


antecede ao Estado Civil, e a este cabe somente, através do Pacto Social, assegurar as posses
dos seus súditos, através de uma autoridade comum.

“Aquele que se alimentou com bolotas que colheu sob um carvalho, ou das maçãs
que retirou das árvores na floresta, certamente se apropriou deles para si. Ninguém
pode negar que a alimentação é sua. Pergunto então: Quando começaram a lhe
pertencer? Quando os digeriu? Quando os comeu? Quando os cozinhou? “(Locke,
1994, p. 42)

O conceito e a figura da Liberdade, objeto central do Contrato Social, tornam-se aqui


sinônimo de Vida, Liberdade e Bens, assegurada através de um Estado notadamente de cunho
liberal.

3. O Papel da Constitucionalização para diferenciar Direito e Política sob a


referência comum aos Direitos Humanos.
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O processo de constitucionalização dos Estados modernos com as características do


juspositivismo é marcante no século XX. No âmbito jurídico, a Idade Moderna traz consigo a
positivação do Direito, como o exposto nas ideias de Hans Kelsen, marcadas pela dogmática e
pela organização do direito e suas disposições e ordenamento jurídico afastados da moral e da
zetética, como um organismo, portanto, considerando como Estado o conjunto de normas
jurídicas dispostas num ordenamento nacional.

Pra Luhmann, a positivação do direito ocorre quando o mesmo se torna contingente e


local e esse fato se explica pelo surgimento dos estados e de seus respectivos nascimentos
jurídicos a partir das constituições, que imbuem o Estado de soberania, legitimada
juridicamente. Sobre o conceito de Estado: “Ordem jurídica que tem por fim o bem comum de
um povo situado em determinado território.” (Dalmo de abreu Dallari, 2001.p. 44.)

Em primeira análise, as constituições dos séculos XVIII, XIX e XX pareciam sólidas,


porém, após o período da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, com a criação da ONU,
ficaram expostos seus pontos fracos: tais constituições não tutelavam o que chamamos de
direitos de Personalidade. Esses direitos tratam da Dignidade da Pessoa Humana e dos
Direitos Humanos em si. Os direitos humanos são princípios e normas debatidos e
estabelecidos no plano internacional que entram no plano nacional, de seus signatários, na
forma de direitos fundamentais, na Constituição Federal.

Após o processo de positivação do Direito, com os códigos e a ideia de ordenamento


jurídico baseados na Teoria Pura do Direito e na Teoria Geral do Direito e do Estado de
Kelsen, houveram mudanças substanciais quanto à tutela dos direitos de personalidade. Surge
assim a vertente do Direito que preza pelo diálogo entre os elementos constitutivos do
ordenamento jurídico, principalmente pela maior influência e disseminação dos ideais da
Constituição Federal, que, na pirâmide de Kelsen, está no topo.

A partir disso, a garantia da dignidade da pessoa humana surge como objetivo final do
Estado na busca pelo bem comum. Nesse sentido, a Igualdade Material ou Substancial de
Aristóteles é um ponto da Filosofia que explica muito bem esse período: “Devemos tratar os
iguais igualmente e os desiguais desigualmente, na medida de suas desigualdades.”
(ARISTÓTELES). Dessa maneira, vemos os grupamentos sociais colocados como
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vulneráveis, como crianças, mulheres, comunidade LGBTTQ e negros que têm leis
específicas para tutelar e proteger seus interesses e direitos buscando a justiça social.

Tomando como ponto de partida o parágrafo anterior referente à inserção dos Direitos
Humanos na Constituição como direitos fundamentais, pode-se diferenciar Direito e política.
Por um lado, os direitos fundamentais estão postos na Constituição Federal e são direitos
intrínsecos a todos os cidadãos sob o ordenamento jurídico. Por outro lado, no âmbito da
política, a cidadania conferida pela própria lei fundamental do Estado nos garante o direito
subjetivo de reivindicar outros direitos objetivos, ou seja, postos na forma da lei.
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CONCLUSÃO

A origem do conceito dos direitos humanos está na filosofia que determina os


chamados "direitos naturais", que seriam supostamente atribuídos por Deus. Muitos filósofos
dizem que não existem diferenças entre os direitos humanos e os direitos naturais, e John
Locke foi o mais importante filósofo a desenvolver esta teoria. O conceito de direitos
humanos também está ligado com a ideia de liberdade de pensamento, de expressão, e a
igualdade perante a lei. A noção de humanidade adquiri um sentido claramente qualitativo,
representando qualidades, justamente, capazes de oferecerem oposição à noção de realeza e
virtude tradicionais.

A semântica dos direitos humanos consiste a uma diferenciação funcional da


sociedade moderna, pois os direitos humanos agem em prol da integração social na sociedade
moderna, e talvez isto se acentue nas "periferias da modernidade", onde a diferenciação
funcional ainda encontra resistências, a fórmula "direitos humanos" apresentou grande força
simbólica: é isso tanto para a política quanto para o direito. O símbolo, aqui, pode adquirir um
caráter de idealidade; mas pode também assumir contornos de um mecanismo de ocultação,
de invisibilização, daquilo que a sociedade se recusa a observar em si mesmo. Os direitos
humanos são direitos e, como tais, criam vínculos com o futuro, e tem como objetivo
estabelecer a igualdade entre os indivíduos, evitando guerras e promovendo a paz mundial.
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BIBLIOGRAFIA

BATISTA, C.; MUNOZ, E. E. ​Teoria e prática da política​. Curitiba: Editora Appris, 2017.

BRASIL. ​Constituição​, de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,


DF: Senado Federal, 1988.

DALMO, A. de D. ​Elementos de Teoria Geral do Estado. ​2ª edição, São Paulo: Editora
Saraiva, 1998.

HOBBES, T. ​Leviatã (1651). ​Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da
Silva​. São Paulo: Martins Fontes, 2003. ​p. 45.

LOCKE, J. O Segundo Tratado sobre o Governo Civil. Tradução: Magda Lopes e Marisa
Lobo da Costa. Petrópolis: Editora Vozes, 1994. p.42.

MAGALHÃES, J. N. ​A Formação do Conceito de Direitos Humanos​. Curitiba: Juruá, 2013.


p. 234-305.

MAQUIAVEL, N. ​O príncipe (Trad. Antonio Caruccio-Caporale). São Paulo: L&PM


Editores: Porto Alegre, 2011.

RIBEIRO, J.U. ​Política; quem manda, por que manda, como manda​. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1998. p.8.

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