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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGOR RELATOR DO

EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA ___ REGIÃO

Processo nº ______________

CARLA, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, que move contra a empresa
COLABORA COMIGO LTDA, também qualificada nos autos, com fulcro no art. 896
da CLT, por meio do seu advogado que esta subscreve, em face da inconformidade da
decisão proferida, vem, mui tempestivamente, interpor:

RECURSO DE REVISTA,

com fundamento no duplo grau de jurisdição e no artigo 896, “a” e “c” da CLT, cujas
razões seguem acostadas.

Por oportuno, requer que o presente recurso seja recebido, assim como que seja a parte
recorrida intimada a apresentar suas contrarrazões, e que sejam os autos remetidos ao
Colendo Tribunal Superior do Trabalho.

Resta salientar que não há que se falar em depósito recursal, nem em recolhimento de
custas processuais, haja vista ser a recorrente beneficiária de justiça gratuita.

Nestes termos,

Pede e espera deferimento.

Local/data

Advogado

OAB nº.....
RAZÕES DO RECURSO DE REVISTA

Recorrente: CARLA

Recorrida: COLABORA COMIGO LTDA

Processo nº: .......

Origem: Tribunal Regional do Trabalho da ____ Região.

Egrégio Tribunal Superior do Trabalho

Colenda Turma

Nobres Julgadores,

Em que pese o notável entendimento do Tribunal Regional do Trabalho, o acórdão


proferido não merece prosperar, pelas razões a seguir apresentadas:

1) DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE REVISTA

O presente recurso presente os pressupostos de admissibilidade previstos no art.


896 da CLT, quais sejam:

a) Adequação: é cabível o recurso de revista contra decisão dos Tribunais


Regionais do Trabalho em sua competência recursal, nos dissídios
individuais, como é o caso em tela;
b) Tempestividade: acordao publicado em 28/04/2020, e levando em
consideração o prazo de 8 dias uteis para interposição de RR;
c) Preparo
d) Cabimento
e) Interesse recursal

2) PREQUESTIONAMENTO

A matéria encontra-se prequestionada, de acordo com a sumula 297 da CLT,


tendo em vista que o MM Juiz deixou clara a tese e entendimento utilizada por
ele ao fazer a interpretação do art. 391-A da CLT, entendendo a “confirmação”
como sendo a “ciência do empregador” em relação ao estado gravídico da
reclamante.
3) TRANSCENDÊNCIA

A matéria discutida no presente recurso é de extrema importância e relevância


por indicadores de natureza econômica, politica, social e jurídica.

4) RESUMO DA DEMANDA

A recorrente ajuizou reclamação trabalhista contra a empresa recorrida diante da


demissão sem justa causa estando grávida. Requereu a indenização substitutiva
pelo período da estabilidade, o que foi negado pelo Juiz da 1ª instancia, sob
alegação de que a mesma não havia informado o estado gravídico ao seu
empregador.
A reclamante interpôs recurso ordinário ao TRT e foi mantida a decisão de 1º
grau, com fundamento no art. 391-A da CLT, diante do qual, foi interpretado no
seguinte sentido: a omissão da informação ao empregador configura renúncia
tácita à estabilidade e requerer a indenização substitutiva configura abuso de
direito por parte da trabalhadora, conforme decisão, abaixo transcrita, do
colendo Tribunal Regional do Trabalho:

TRANSCRIÇÃO DA TESE UTILIZADA PELA TURMA DO TRT EM


RELAÇÃO AO ART. 391-A DA CLT

5) DAS RAZÕES DA REFORMA

De acordo com o art. 896 da CLT, é cabível o Recurso de Revista quando:


a) O TRT der à lei interpretação diversa da que é dada por outro TRT/TST, ou
quando contrariar sumula do TST
b) ...
c) Houver violação literal do disposto em lei federal ou em afronta À CF

5.1) Da estabilidade

De acordo com o entendimento sumulado pelo TST, o desconhecimento do estado


gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente
da estabilidade, conforme percebe-se abaixo:

Súmula nº 244 do TST

GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA

I - O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não


afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da
estabilidade (art. 10, II, b do ADCT).
II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração
se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a
garantia restringe-se aos salários e demais direitos
correspondentes ao período de estabilidade.

III - A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória


prevista no art. 10, inciso II, alínea b, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, mesmo na hipótese de admissão
mediante contrato por tempo determinado.

E além disso, a OJ 399 do TST, também garante a indenização substitutiva, não sendo
considerado abuso de direito, conforme veremos a seguir:

1 - Orientação Jurisprudencial 399/TST-SDI-I - 02/03/2010.


Estabilidade provisória. Gestante. Seguridade social. Acidente
de trabalho. CIPA. Cipeiro. Membro do CIPA. Sindicato.
Dirigente sindical. Ação trabalhista ajuizada após o término do
período de garantia de emprego. Abuso de direito no exercício
do direito de ação. Não configuração. Indenização devida.
CF/88, art. 7º, XXIV e XXIV. ADCT da CF/88, art. 10, II, «a» e
«b». Lei 8.212/1991, art. 118. CLT, art. 543, § 5º. (grifos
nossos).

«O ajuizamento de ação trabalhista após decorrido o período de


garantia de emprego não configura abuso do exercício do direito
de ação, pois este está submetido apenas ao prazo prescricional
inscrito no art. 7º, XXIX, da CF/1988, sendo devida a
indenização desde a dispensa até a data do término do período
estabilitário.»

6) DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, requer que o presente Recurso de Revista seja


conhecido e provido, e que ao final seja reformada a decisão proferida pelo TRT
da __ Região, objetivando:

- o pagamento da indenização substitutiva decorre do período da estabilidade da


trabalhadora gestante, concernente ao pagamento dos salários e demais direitos.

Termos em que,
Pede e espera deferimento.

Local/data
Advogado
OAB nº____