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1 CORÍNTIOS 15.

12-20

Caras Irmãos em Cristo,


Vocês acreditam na ressurreição dos mortos?
E vocês vivem essa certeza da ressurreição, já agora?
Acreditar não custa nada.
Mas viver na certeza da ressurreição, já agora,
DEVE TER UM IMPACTO TRANSFORMADOR EM NOSSA VIDA.

Talvez, assim como eu,


Vocês tenham estranhado,
Que nesse 6º Domingo de Epifania,
Época que fala da revelação de Cristo.
Tratemos da ressurreição.

Normalmente, este tema


A ressurreição de Cristo
É tratado na Páscoa
Depois de todo o período da quaresma
E da paixão e morte de Cristo.

No entanto,
A ressurreição de Jesus
Não deixa de ser também ela,
Uma epifania, uma revelação!

Uma vez que Jesus,


Assassinado pelo poder político-religioso da época
Foi sepultado na sexta-feira
E, no domingo, apareceu vivo.

Pensem comigo
Existe alguma forma de afirmar
Que a sua aparição
Que a sua ressureição
Não é uma manifestação de Deus?

uma revelação, de que o poder da morte não conseguiu prevalecer, que o projeto
salvífico de Deus para a sua criação continua vivo.
A ressurreição dos mortos é um desafio para a nossa compreensão. O que vem a ser
exatamente? Temos muitas perguntas e poucas respostas: Ressurgimos nesse corpo que
temos agora ou num outro que não seja de carne e osso, mas espiritual? Sobra alguma
coisa de nós quando morremos e o nosso corpo é absorvido novamente pela terra ou
transformado em cinzas e pó? A nossa ressurreição se dará apenas no fim dos tempos,
ou ela já acontece em vida? Ressurreição é o mesmo que reencarnação? A nossa
essência, a nossa alma, fica onde - entre a morte e a ressurreição? Ou será que não sobra
nada, segundo os ensinamentos luteranos, e na ressurreição Deus recria a gente do
nada? Ou será que a vida é essa experiência que temos aqui na terra e que termina
inexoravelmente com a nossa morte. “Se os mortos não ressuscitam, comamos e
bebamos que amanhã morreremos” (32b).
A essas pessoas que estão balançando em sua fé, o Apóstolo Paulo se dirige nessa
passagem com uma argumentação lógica e teológica: se vocês dizem que não há
ressurreição de mortos, então vocês estão assumindo que Cristo não ressuscitou; se
Cristo não ressuscitou estaríamos espalhando mentiras a respeito do agir de Deus, e a
nossa fé não valeria nada, estaria vazia de conteúdo, seria sem proveito e utilidade. Se a
nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos
os seres humanos. Somente a ressurreição assegura que a morte de Jesus na cruz teve
significado salvífico, pois isso a distingue de muitos outros assassinatos de profetas e
autoproclamados messias daquele tempo. Jesus Cristo ressuscitou e só por isso a sua
morte é “morte pelos nossos pecados”. A ressurreição de Jesus Cristo é a autenticação
de sua morte pelos nossos pecados.
A ressurreição sempre teve e tem uma dimensão corporal, ou seja, não é possível pensar
a ressurreição, sem que haja corpo ressurreto.
Jesus, ressuscitou como pessoa e como comunidade.

Jesus Cristo ressuscitou como pessoa. Sobre a ressurreição pessoal de Jesus temos
várias passagens: testemunhando o túmulo vazio, embora fortemente guardado;
informando sobre o encontro de Maria Madalena com ele no jardim das oliveiras; sobre
a experiência dos discípulos de Emaús; sobre as aparições de Jesus aos discípulos; sobre
a incredulidade de Tomé; sobre a aparição a mais de 500 irmãos de uma só vez; ao final,
apareceu ao próprio apóstolo Paulo como a alguém nascido fora do tempo. Talvez
muitos dos que não criam na ressurreição dos mortos até admitiam a ressurreição de
Cristo, mas não a ressurreição de todos os mortos. Por isso, o apóstolo enfatiza que a
ressurreição de Cristo é a “primícia dos que dormem”. A sua ressurreição abriu a
possibilidade de todas as pessoas ressuscitarem. Assim como com Adão entrou a morte
no mundo, com Cristo entrou a ressurreição, a vitória sobre a morte. Jesus Cristo abriu o
caminho da ressurreição para toda a humanidade.
Se a esperança pela ressurreição futura depois da morte serve apenas como consolo
barato, se ela for abusada para acalmar e enrolar as pessoas, diminuí-las e mantê-las
quietas aguentando injustiças e opressões, então a esperança pela ressurreição dos
mortos foi pervertida em seu contrário e apartada da ressurreição de Cristo. A fé na
ressurreição futura dá força para levantar-se no dia-a-dia contra a morte. Ao invés de
nos roubar o fôlego, a esperança quer justamente nos dar mais fôlego.
Jesus ressuscitado como corpo comunitário acontece quando os discípulos, encorajados
pelo Espírito Santo, resolvem sair, ressurgir, de seu esconderijo, despojar-se do medo
que os mantinha reclusos e vir a público testemunhar as suas experiências com o
ressuscitado. Daí nos vem a imagem da comunidade cristã parecida com um corpo
humano: Cristo é a cabeça, cristãos e cristãs são membros e órgãos desse corpo, com
diferentes dons e funções. Através do batismo na morte e na ressurreição de Cristo
participamos desse corpo de Cristo. A comunidade cristã é o corpo de Cristo
ressuscitado, vivo e ativo neste mundo. Nada menos do que isso! Amar como Jesus
amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu.
Sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria, chorar como Jesus chorava, pregar
como Jesus pregava, curar como Jesus curava, lutar como Jesus lutava. Dá para
perceber o potencial que reside na comunidade como corpo de Cristo ressuscitado? Um
corpo que faz a diferença na vida da nossa sociedade civil, por compreender e aceitar a
diversidade na criação, pela violência que enfrenta, pela justiça em que se empenha,
pela paz que semeia, sobretudo pelo amor que espalha? “Onde dois ou três estiverem
reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles”. Através da comunidade cristã, Jesus
Cristo continua vivo neste mundo e o seu projeto de salvação da criação continua. A
morte já levou um talagaço, mas ainda não foi aniquilada definitivamente. A
comunidade de Jesus Cristo recebeu as chaves do céu e do inferno: “tudo o que ela ligar
na terra também terá sido ligado no céu e tudo o que ela desligar na terra também terá
sido desligado no céu” (Mt 18.18).
Isso nos faz pensar: será que estamos correspondendo?
Os poderosos da política e da religião sentiam que esse corpo de Cristo com sua
atividade estava minando o seu poder. A morte na cruz servia também para desencorajar
outras pessoas a viverem como Jesus viveu. Mesmo assim as comunidades cristãs
sobreviveram a pelo menos 4 séculos de perseguições. Ressurgir sempre de novo do
meio dessas perseguições já foi um testemunho farto da realidade da ressurreição. Deus
faz e fará justiça, e não compete ao ser humano saber como. Será que a nossa fé na
ressureição enfraqueceu tanto que só nos resta ainda ser uma associação religiosa que
presta serviços espirituais em momentos passageiros da vida? Isso são apenas moedas
diante da grandiosidade do tesouro que Deus nos quer dar.
O novo mundo de Deus subtrai-se à exploração e ao mapeamento pelo ser humano. Por
isso, atrai poucos adeptos nesses tempos, em que o ser humano vive como se tivesse o
controle de tudo, da vida, da morte do pós-morte. A ressurreição é isso: não temos
provas concretas, nem explicação lógica e racional, muito menos certeza científica,
comprovação. Abraçar a ressurreição requer humildade e fé. Não há garantia
antropológica da ressurreição. De concreto temos apenas Cristo que abriu caminho para
todos nós.
Isso exige coragem e confiança. Como a daquele menino que se encontrava sobre um
muro alto numa noite escura. Lá de cima, ele não conseguia enxergar nada. Apenas
ouvia a voz do seu pai que dizia: Filho, pode pular, eu estou aqui embaixo; estou te
vendo e vou te aparar. O menino não pensa duas vezes. Mesmo sem ver o pai, ele pula e
o pai o segura nos braços. A fé na ressurreição é assim. Temos a promessa de Deus,
manifestada grandemente na ressurreição de Cristo. Podemos lançar-nos que Deus nos
sustentará.
Se você acredita que o ódio, a violência e a morte não têm a última palavra, que o amor
enfim vence o ódio e a morte, então você crê na ressurreição.
Do teólogo e poeta suíço, Kurt Marti, falecido aos 96 anos, há dois anos atrás, temos a
seguinte formulação: "Todavia virá uma ressurreição que será bem diferente do que
imaginávamos, virá uma ressurreição que é a insurreição de Deus contra todos os
dominadores e contra o senhor dos senhores: a morte”. Com a ressurreição de Jesus, a
morte ainda não está totalmente aniquilada, mas o seu poder absoluto já está quebrado.
A ressurreição de Jesus não é um acontecimento isolado e exclusivo, não é um assunto
privado entre Deus Pai e Filho. Nela Deus inaugurou a ressurreição que está reservada
para todas as criaturas e não apenas a toda a humanidade, segundo Romanos 8.19ss,
pois, ao final, não restará nada da morte. Enquanto a vitória definitiva sobre a morte
ainda não se realizar, segundo Colossenses 3.3, “a vida das pessoas que morrem está
oculta juntamente com Cristo em Deus”.
Enquanto isso, a morte, mesmo quebrada, ainda reina, e tem a seu serviço não apenas
milicianos e bandidos comuns, mas também muitos presidentes, governadores,
dominadores econômicos, dominadores de mentes e almas (v. 24), cujo poder se funda,
em última análise no poder de morte que eles têm, inclusive aquele de incutir o medo de
que, no fim, tudo vai terminar numa grande bola de fogo; e aquele pontinho azul no
universo, chamado planeta terra, terá sido uma efêmera experiência perfeitamente
esquecível.
E aqui reside o valor do corpo de Cristo que chamamos de comunidade cristã, a saber:
Durante o reinado de Cristo, através de seu corpo cristão, para o qual Deus lhe concedeu
um poder profundamente humano, à comunidade cristã cabe levar à crise e dar um fim a
toda a dominação, à violência e ao poder exercido por outros seres humanos. Cristãos
são, antes de tudo, protestantes contra a morte (Christoph Blumhardt); levantam-se, já
hoje, contra todos que semeiam ódio e inimizade e que exercem o poder e a violência,
espalhando o terror e o temor sobre pessoas e povos, causando sofrimento a toda a
criação. “Senhores, dominadores terrenos, começou a contagem regressiva da morte e
os dias de vocês estão contados”!
Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”. A ressurreição
mostrou que essa vida é de tal qualidade que nem a morte é capaz de parar. É vida que
vence a morte, o último dos inimigos de Deus e da liberdade. Não haverá mais domínio
nem dominadores. A destruição da morte torna obsoleta qualquer espécie de dominação.
E quando isso acontecer, Cristo devolverá a Deus a regência de tudo. A igreja chegará
ao seu fim, pois não será mais necessária (assim a visão da Nova Jerusalém sem templo
em Apocalipse 21.22). Assim se entende a frase do apóstolo Paulo no versículo 28:
“para que Deus seja tudo em todos. Não haverá mais um acima nem um abaixo típico da
dominação. Deus será tudo em todos!
Então, para concluir, o sentido do alerta de Paulo aos Coríntios e a nós: “Olha só, o que
vocês estão jogando fora, se não creem na ressurreição dos mortos”. Deus restaura o
estado paradisíaco de sua criação. Ao final, não haverá mais em cima e em baixo,
Estado e sociedade, senhores e escravos, elites e explorados, quem manda e quem
obedece.
Deus será tudo em todos. Vivamos já agora nesse horizonte! Amém

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