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Poder Judiciário da União

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS

18VARCVBSB
18ª Vara Cível de Brasília

Número do processo: 0728099-66.2020.8.07.0001

Classe judicial: REINTEGRAÇÃO / MANUTENÇÃO DE POSSE (1707)

AUTOR: RICARDO LIMA RODRIGUES DA CUNHA

REU: RODRIGO DAMIAO RODRIGUES SILVA, CRISTIANE MACHADO DOS SANTOS

SENTENÇA

I. RELATÓRIO

Trata-se de ação de reintegração de posse proposta por RICARDO LIMA RODRIGUES DA CUNHA
em face de RODRIGO DAMIAO RODRIGUES SILVA e CRISTIANE MACHADO DOS SANTOS,
partes qualificadas nos autos.

Narra o autor ser proprietário do imóvel localizado na SHIS QL. 18, conjunto 04, casa 01, Lago Sul/DF.
Destaca que, na matrícula, o imóvel está em nome de MSS do Brasil Sistemas de Computadores LTDA,
mas já foi reconhecido no processo nº 0050776-59.2005.8.07.0001, que o imóvel em referência é de
propriedade do Sr. Orlando Rodrigues da Cunha Filho, falecido em 25/03/2014, sendo o autor o único
herdeiro do de cujus, tendo em vista que o seu irmão, Alexandre Lima Rodrigues da Cunha, renunciou
expressamente ao seu quinhão da herança. Relata que o imóvel em referência está sendo objeto de
esbulho por parte dos réus, que o ocuparam em 10/01/2020. Sustenta que ao procurar os réus, estes
informaram que haviam locado o imóvel. Afirma que o autor ou seu falecido pai jamais tiveram qualquer
relação jurídica com os réus.

Pleiteia: a) concessão de liminar de reintegração da posse do imóvel, determinando-se a imediata


desocupação do bem pelos réus; b) confirmação do pedido liminar, e reintegração de posse definitiva do
imóvel; c) condenação dos réus ao pagamento de indenização pelas perdas e danos e lucros cessantes pelo
período de ocupação em valores sejam calculados em posterior liquidação de sentença.

Juntou documentos.

Decisão ID n. 71414673 determinou a apresentação de emenda à inicial.

Emenda à inicial ID n. 71504821.

Decisão ID n. 71613106 determinou a designação de audiência de justificação prévia.

Os réus foram citados (IDs n. 72769339 e 73889297).

Manifestação dos requeridos ID n. 75224405.

Número do documento: 21022614512216100000079470094


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Audiência de justificação realizada ID n. 75312812, tendo sido deferida a liminar de reintegração de
posse.

Os requeridos opuseram embargos de declaração ID n. 75888823, os quais foram rejeitados (ID n.


75900496).

Os réus apresentaram contestação ID n. 77231607. Sustentam, em síntese: a) ter locado o imóvel objeto
da demanda, tendo como locador Leandro, contrato de locação firmado na data de 09/1/2020, tendo prazo
para expiração em 09/01/2023; b) a locação foi garantida por uma caução de 18.000, paga em espécie, à
vista, com aluguel mensal no valor de 6.000,00 vencíveis nas data do dia 10 de fevereiro de 2020,
pontuando que imediatamente ao fazer o pagamento da caução o locatário Requerido recebeu das mãos do
locador o quadro de todas as chaves do imóvel, no original, no total de 120 chaves, todas em seu poder,
conforme contrato de locação, recibo de pagamento no valor de R$18.0000,00, referente a caução, e
ainda, o pagamento do primeiro aluguel no valor de R$6.000,00; c) o locatário está totalmente adimplente
com a locação até 09/10/2020; d) providenciou a limpeza, manutenção e reformas do imóvel para nele
poder habitar com toda a sua família, pois o imóvel em 2019 estava inteiramente sem condições de
habitação, conforme longa matéria da imprensa escrita e falada, o qual estava totalmente abandonado,
verdadeiro depósito de “dengue”; e) o requerente não fez prova de qualquer vínculo possessório do
imóvel e nem mesmo de propriedade; f) o imóvel foi abandonado pelo autor; g) retenção do imóvel até
indenização dos valores pagos. Requerem a improcedência do pleito autoral, declaração de nulidade dos
atos processuais ante a interdição do autor, retenção do imóvel até serem indenizados dos valores pagos,
expedição de ofício ao Ministério Público, compensação por danos morais, e condenação do autor ao
pagamento de multa por litigância de má-fé.

Os requeridos interpuseram agravo de instrumento (ID n. 77293223), tendo sido indeferido o efeito
suspensivo (ID n. 77293224).

Decisão ID n. 77340704 intimou os requeridos a apresentarem o comprovante do pagamento das custas


relativas ao pedido de reconvenção.

Os requeridos não se manifestaram (ID n. 79905111).

Réplica ID n. 79427644.

Decisão ID n. 79923961 indeferiu o processamento da reconvenção, e intimou as partes a especificarem


provas, mas apenas o autor se manifestou, sem nada requerer (IDs n. 81748359 e 82213118).

Os autos foram conclusos para sentença.

É o relatório. DECIDO.

II. FUNDAMENTAÇÃO

Procedo ao julgamento conforme o estado do processo, nos moldes do artigo 354 do CPC, pois não há a
necessidade de produção de outras provas. Ademais, as partes não demonstraram interesse na produção de
outras provas, motivo pelo qual julgo antecipadamente a lide, a teor do disposto no artigo 355, inciso I, do
NCPC.

No mais, o Juiz, como destinatário final das provas, tem o dever de apreciá-las independentemente do
sujeito que as tiver promovido, indicando na decisão as razões da formação de seu convencimento
consoante disposição do artigo 371 do NCPC, ficando incumbido de indeferir as provas inúteis ou
protelatórias consoante dicção do artigo 370, parágrafo único, do mesmo diploma normativo.

A sua efetiva realização não configura cerceamento de defesa, não sendo faculdade do Magistrado, e sim
dever, a corroborar com o princípio constitucional da razoável duração do processo – artigo 5º, inciso
LXXVIII da CF c/c artigos 1º e 4º do NCPC.

Número do documento: 21022614512216100000079470094


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Inexistindo questões prefaciais ou prejudiciais pendentes de apreciação, e presentes os pressupostos e as
condições indispensáveis ao exercício do direito de ação, avanço ao exame do cerne da questão submetida
ao descortino jurisdicional.

Do mérito

Do pedido de reintegração de imóvel

Trata-se de ação possessória em que o autor pretende ser reintegrado na posse do imóvel descrito na
inicial, em face do alegado esbulho praticado pelos requeridos.

O Código Civil de 2002, a exemplo do seu antecessor, adotou a Teoria Objetiva. Dentro dessa
perspectiva, somente haverá posse quando demonstrada a existência de relação fática entre a pessoa e a
coisa que se reputa possuída. Assim, ainda para aqueles que não vislumbram a possibilidade da existência
de uma relação entre pessoa e coisa, para os quais a posse seria um atributo do possuidor, oponível "erga
omnes", há de se exigir a comprovação da detenção física para o seu reconhecimento.

Por outro lado, registro que a posse, ainda que seja a faceta mais ostensiva do direito de propriedade, com
ele não se confunde. Aquela representa um poder de fato, ao passo que este espelha um poder de direito.

A propósito, o artigo 1.196 do Código Civil prescreve que "considera-se possuidor todo aquele que tem
de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade." A posse, nos termos do
art. 927 do CPC e do princípio da função social da propriedade, deve ser demonstrada pelo exercício de
um dos poderes inerentes à propriedade, isto é, pela conduta de quem está usando ou fruindo do bem.

De fato, para a configuração do esbulho e a concessão da tutela possessória, é imprescindível o efetivo


exercício da posse no momento em que o ato de esbulho teria ocorrido. Nesse sentido, cumpre ressaltar o
ensinamento de Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald:

"O possuidor que se julga esbulhado deve demonstrar a atualidade da posse ao tempo do esbulho, o que é
incompatível com a sua virtualidade, percebida com aquele que não exercia efetivamente o poder fático
na coisa. Se o exercício do poder de fato é voluntariamente interrompido, não há mais de se cogitar de
posse. A ocupação de bens já desocupados pelos seus titulares não ofende qualquer posse". (Direitos
Reais, 3ª ed., Rio de Janeiro, Editora Lumen Juris, 2006, pág. 123).

Dentro desses parâmetros, caberá ao Julgador aferir qual dos litigantes externou condutas capazes de
revelá-lo publicamente como o detentor de direitos inerentes à propriedade.

No presente caso, a análise da prova documental revela que o autor é possuidor do imóvel descrito na
inicial, que foi esbulhado indevidamente pelos réus.

Ainda, conforme destacado em sede de agravo de instrumento, os documentos IDs n. 71404019,


71404021 e 71404022 comprovam que o imóvel em litígio foi transferido para Orlando Rodrigues da
Cunha Filho, falecido pai do autor.

E, considerando que a herança é transmitida desde logo aos herdeiros (art. 1784, CC), vislumbra-se a
comprovação da propriedade do imóvel pelo autor, apesar do claro litígio que envolve o bem, em razão de
ações judiciais envolvendo o pagamento de dívidas relativas ao próprio imóvel e também ao autor da
herança. O fato é que, até a data da prolação da presente sentença, o imóvel não foi arrematado e a
propriedade e a posse do bem permanecem com o herdeiro.

Por outro lado, os requeridos alegam que firmaram contrato de locação com Leandro Vasco de Oliveira
Farias, que, ao prestar depoimento em Delegacia de Polícia, declarou que tinha a posse do imóvel e
firmou contrato de aluguel com os requeridos, mas quando perguntado sobre o valor do aluguel e como se

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deu a posse sobre o imóvel, o depoente reservou-se no direito de permanecer calado (ID n. 75030646, fl.
13).

Ainda, consta dos autos reportagem acerca de possível coação do locador para alegação de posse e
realização do contrato de locação, conforme consta da réplica ID n. 79427644.

E, na audiência de justificação, o requerido reconhece que pagava o aluguel em dinheiro, diretamente ao


locador, com quem não teve mais contato desde que o caso foi noticiado na imprensa (ID n. 75312818).

Portanto, tem-se, de um lado, a comprovação da propriedade do imóvel e a perda da posse pelo autor, e de
outro, a ausência de documento hábil a demonstrar a legitimidade da posse exercida pelos requeridos,
tendo em vista que o contrato de locação apresentado foi firmado com quem não detinha legitimidade
para tanto.

Ainda, não prospera a alegação dos requeridos de abandono do imóvel, tendo em vista que há
informações de que o imóvel havia sido alugado aos Arautos do Evangelho, que saíram do imóvel
deixando dívidas, e, ainda, o depoimento da testemunha ouvida em juízo, que afirmou que o imóvel era
limpo uma vez por mês (ID n. 75312820).

De igual modo, não prospera a alegação dos requeridos de nulidade dos atos processuais, ante a interdição
do autor, visto que, conforme destacado na decisão ID n. 75900496, não há qualquer informação ou
decisão de interdição do autor noticiada pela parte requerida. Mera suposição, sem uma prova segura, não
é apto a admitir que a procuração outorgada pelo autor é falsa ou que o seu advogado constituído estejam
agindo de forma ilícita somente para prejudicar a parte requerida.

De fato, a posse anterior sobre o imóvel pelo autor encontra-se plenamente demonstrada pela
documentação acostada aos autos.

Nesse contexto, ressalto que para determinar a melhor posse, cumpre-se identificar se a posse é justa ou
injusta. Quanto a isso, o artigo 1.200 do CC apregoa que a justa posse é aquela que não for violenta,
clandestina ou precária. Em outras palavras, o aludido dispositivo legal assenta que a posse justa
apresenta-se imaculada por qualquer vício, por ser adquirida legitimamente.

Em situação contrária, a posse injusta que é aquela obtida mediante vício, ou seja, por violência,
clandestinidade ou por abuso do precário. Assim, violenta é a forma mediante a qual se despoja à força o
anterior possuidor. Quando não violenta, diz-se que a posse foi mansa e pacífica. A clandestina é a posse
por meio da qual se ocupa imóvel alheio às escondidas, estabelecendo-se às ocultas. Enquanto a precária é
aquela na qual aquele que recebe algo sob título que lhe obriga a restituição ao devido possuidor
recusa-se, injustamente, a devolver a coisa, passando a possuí-la em seu próprio nome.

Na situação em análise, diante dos documentos apresentados, é de rigor a conclusão de que os réus
praticaram esbulho, razão pela qual se mostra ilegítima a posse exercida sobre o imóvel.

Ressalto que eventual indenização e analise da responsabilidade do suposto locador deve ser pleiteada
pelos requeridos em demanda própria, não havendo que se falar em retenção do imóvel até o pagamento
de indenização.

Portanto, é de rigor a conclusão de que os réus praticaram esbulho, razão pela qual se mostra ilegítima a
posse exercida sobre o imóvel. Assim, a pretensão da autora quanto à reintegração do imóvel merece
guarida.

No entanto, deixo de determinar a expedição de mandado de reintegração, tendo em vista que os réus já
desocuparam o imóvel (ID 77770363).

Por fim, prospera o pleito autoral de indenização pela utilização do imóvel, visto que demonstrado o
esbulho praticado pela ré.

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Nesse ponto, ressalto que o pedido autoral de indenização pelas perdas e danos e lucros cessantes,
refere-se, na verdade, a indenização pela utilização do imóvel.

Ainda, o autor não comprovou a notificação extrajudicial dos requeridos para desocupação do bem.
Assim, a citação efetivada nestes autos configura interpelação hábil a cientificar os réus acerca da
desocupação do imóvel.

Quanto ao valor devido, nada obstante o autor ter pleiteado o montante de 1% do valor venal do imóvel,
observo que a realidade do mercado relativo ao valor de locação de imóvel aponta como razoável a
fixação do valor dos lucros cessantes no percentual de 0,5% do valor do imóvel, parâmetro inclusive
utilizado por corretores na avaliação de bens, especialmente considerando o valor elevado do bem, devido
a sua localização em área nobre de Brasília.

Assim, devem os réus pagar ao autor indenização pela utilização do imóvel, no valor de 0,5% do valor
imóvel, a ser apurado em sede de liquidação de sentença, desde 21/09/2020, data da primeira citação
realizada nos autos (fl. 72769339), até a data da efetiva desocupação do imóvel pelos réus (19/11/2020,
ID n. 77770363). Sobre o valor apurado deverá incidir correção monetária pelo INPC a partir do
ajuizamento da demanda, e juros de mora de 1% ao mês a partir da citação.

Pelo exposto, é de rigor o julgamento de parcial procedência do pleito autoral.

Da litigância de má-fé

Por fim, a despeito da identificação do parcial provimento das pretensões do autor, não vislumbro a
configuração dos elementos necessários para reconhecimento de sua litigância de má-fé, sustentada pelos
réus.

De fato, somente se mostra imbuído pela má-fé o litigante que, agindo de maneira maldosa e proposital,
visa a causar dano à contraparte, de modo que "se utiliza de procedimentos escusos com o objetivo de
vencer ou que, sabendo ser difícil ou impossível vencer, prolonga deliberadamente o andamento do
processo procrastinando o feito" (NERY JÚNIOR, Nelson. Código de Processo Civil Comentado e
Legislação Extravagante. 10 ed. São Paulo: RT. p. 213).

Assim, tendo em vista a não presunção da má-fé e o reconhecimento da possibilidade do livre exercício
do direito de ação, a identificação da litigância de má-fé careceria da comprovação inequívoca do mero
intuito de prejudicar o requerido, o que não se faz presente sobretudo diante da parcial procedência dos
pedidos.

Reforço, ainda, que, ao definir os contornos dos atos que justificam a aplicação de pena pecuniária por
litigância de má-fé, o colendo Superior Tribunal de Justiça pressupõe o dolo da parte no entravamento do
trâmite processual, manifestado por conduta intencionalmente maliciosa e temerária, inobservado o dever
de proceder com lealdade (3ª Turma, Resp 418342-PB, DJU de 05.08.2002, p. 337, rel. o e. Min. Castro
Filho).
Ademais, como já destacado, as infrações previstas no artigo 80 do Código de Processo Civil não devem
ser analisadas com rigor objetivo, pois a propositura da demanda constitui direito subjetivo da parte.
Assim, não identificada a prática de nenhum dos atos previstos no mencionado artigo 80, não merece
acolhimento o pedido de condenação nas penas de litigância de má-fé.

Ressalto que os precedentes e/ou enunciados de Súmulas acima citados, apenas corroboram, como reforço
argumentativo, os fundamentos adotados nessa sentença como razão de decidir. Não se limitando a
sentença à adoção de precedente como razão única da decisão, desnecessário se torna demonstrar os
fundamentos determinantes do precedente e sua inter-relação com o caso em julgamento, consoante
exigência trazida pela nova ordem processual civil, no artigo 489, § 1º, incisos I e V.

III. DISPOSITIVO

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Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE os pedidos formulados por RICARDO
LIMA RODRIGUES DA CUNHA em face de RODRIGO DAMIAO RODRIGUES SILVA e
CRISTIANE MACHADO DOS SANTOS, partes qualificadas nos autos, para:

a) determinar a reintegração do requerente na posse do imóvel localizado na SHIS QL. 18, conjunto 04,
casa 01, Lago Sul/DF, determinando que os réus se abstenham de turbar ou esbulhar a posse do imóvel.
Confirmo, pois, a decisão ID n. 75312807. Deixo de determinar a expedição de mandado, ante a
reintegração de posse deferida em favor do autor;

b) condenar os réus a pagar ao autor indenização pela utilização do imóvel, no valor de 0,5% do valor
imóvel, a ser apurado em sede de liquidação de sentença, desde 21/09/2020, data da primeira citação
realizada nos autos (fl. 72769339), até a data da efetiva desocupação do imóvel pelos réus (19/11/2020,
ID n. 77770363). Sobre o valor apurado deverá incidir correção monetária pelo INPC a partir do
ajuizamento da demanda, e juros de mora de 1% ao mês a partir da citação.

Por conseguinte, resolvo o mérito do processo nos termos do art. 487, inciso I, do Código de Processo
Civil/2015.

Em face da sucumbência prevalente (art. 86, parágrafo único, CPC/2015), condeno os requeridos ao
pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o
valor da condenação, na forma do artigo 85, §2º, do Código de Processo Civil/2015.

Oficie-se ao Exmo. Relator Desembargador do AGI nº 0748651-55.2020.8.07.0000 informando a


prolação da presente.

Após o trânsito em julgado da presente sentença, pagas as custas processuais, dê-se baixa na distribuição
e arquivem-se os autos.

Sentença proferida em atuação no Núcleo Permanente de Gestão de Metas do Primeiro Grau –


NUPMETAS.

Brasília-DF, 26 de fevereiro de 2021.

Natacha R. M. Naves Cocota


Juíza de Direito Substituta

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