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A Fenomenologia

O termo fenômeno passa a ser sinônimo de experiência que podem ser observados e descritos pelo sujeito que os
experiência num momento.

O significado atribuído por Husserl, incorporado pela psicologia. Heidegger propõe uma definição de fenomenologia.

O termo vem do grego (Phenomenon e Logos). Phenomenon: aparecer, mostrar – se a si e contextualiza o surgimento
da fenomenologia no embate entre a filosofia e ciências positivas no final do sec. XIX. A fenomenologia surge como uma
investigação das possibilidades de conhecimento.

Diferença entre fenomenologia filosófica e ciências humanas fenomenológicas:


Ciências: visa o sujeito empírico, suas vivencias, no universo de valores significativos determinados.
Filosófica: visa o sujeito transcendental, como condição de todas as experiências humanas possíveis. Onde deve captar
– pela contemplação imediata – as essenciais ideias dos fenômenos.

Arendt: as filosofias da existência são tentativas de confronto com a filosofia racional, postula o limite do pensamento no
acesso ao ser, defendendo que a realidade (ser) extrapola as possibilidades de conhecimento (pensamento).

Heidegger: não é um método neutro, a fenomenologia é ontológica. Uma suposta psicologia fenomenológica existencial,
que pretende utilizar as estruturas existências descritas pela analítica de Ser e Tempo – ser – no – mundo, ser – para – a
– morte. A questão der ser, não toca a compreensão da fenomenologia do modo de ser do homem como existência.

Arendt: fenomenologia, como filosofia moderna, um desdobramento da filosofia de Hegel, um dos responsáveis pela
recuperação das filosofias Pré – Socráticas. Parmênides inaugura e deixa como legado a ligação entre ser, pensar e
dizer. Trazendo a tona o problema dos conhecimentos baseado na experiência sensível, a realidade transforma – se,
deixando de ser e vindo a ser constantemente.

Pensar, Dizer, Ser

Principio do pensamento é chamado de “principio de identidade”, que garante a veracidade do pensamento lógico.
Afirma que ser é (ser), sua identidade consigo mesmo.

Seguindo o principio “nada não é”, um sinônimo de não – ser. O não – ser, não se pode afirmar que é, o nada (não – ser)
é inacessível ao pensamento e a linguagem, e são delimitados pelo ser.

Psi começa a se separar da filosofia no sec. XIX e pende para o positivismo como modo de se legitimar. Implícitos a
descrição na experiência humana como fonte de conhecimento, e a afirmação de uma realidade externa objetiva
existente em si, conhecida pela razão.

A fenomenologia de Husserl surge como questionamento da validade total do positivismo como fundamento da ciência.
Qdo transformado em Psi fenomenológica e / ou aparece na Psi humanista, faz a defesa de que a experiência sensível é
o modo como a realidade aparece – contraditória, mutável, deve ser reconhecida.

Correspondência entre conhecimento verdadeiro, ao qual se chega pelo pensamento, à realidade (ser) acompanha as
involuções e revoluções da historia filosófica.

Arendt: a fenomenologia de Husserl, sendo uma tentativa moderna de restabelecer a antiga ligação entre o Ser e
Pensamento, que sempre garantiu ao homem seu lar no mundo.

O ser é constituído “no e pelo” pensamento, superando a dicotomia sujeito – objeto. A intencionalidade da consciência é
a chave para essa reunião, tal postura reestabelece a harmonia entre homem e mundo.

Husserl recorre as ideias de Brentano que foi aluno, esse Psi vislumbrou a possibilidade da Psico afirma – se como
ciência empírica “experimental”, opondo – se a naturalização dessa ciência nascente.

Brentano e uma Psicologia do Ponto de Vista Empírico

Brentano tentativa de transformar a psicologia em ciência experimental, o termo psicologia é explicito pela etiologia:
ciência (logia) da mente (psique). Psico uma investigação teórica do funcionamento mental. A psico é abalada quando
surge a possibilidade de aplicar o método hipotético – dedutivo experimental.

Método cientifico: parte do pressuposto, onde cada acontecimento singular é rígido por leis gerais, passível de
conhecimento através da abstração. Wundt fundamenta o primeiro laboratório, sua investigação objetiva descer a
consciência a partir de seus elementos mais básicos.

Brentano critica o modelo, defende que a psico empírica é fundada na possível experienciação. Uma diferença
ontológica entre atos psíquicos e atos físicos.
Fenômenos psíquicos, correlatos dos atos psíquicos, podem ser percebidos, fundamentas todo conhecimento. O que
caracteriza atos psíquicos é que eles são intencionais.

Brentano, estudioso de Aristóteles, recupera da Escolástica o conceito de intentio, define: cada fenômeno físico
chamado de inexistência intencional (ou metal), de um objeto e que gostaríamos de chamar não tão inequivocadamente
de referencia, a um conteúdo, de direcionalidade ou qualidade de objeto. A inexistência intencional é peculiar somente
aos fenômenos psíquicos. Podemos definir fenômenos psíquicos afirmando que são os fenômenos que contem objetos
em si mesmo por meio da intenção.

O ato psíquico de ver uma arvore contem de alguma maneira as cores, as formas etc. estas são dadas como fenômenos
psíquicos como cor – vista, forma – vista etc. Ele reconhece que nada pode ser verdadeiramente afirmado sobre arvore
física.

A mente, na concepção de Brentano, é o conjunto momentâneo de atos psíquicos (intencionais). Podem ser acessados
por introspecção. A psicologia empírica prescinde de método experimental para conhecer as leis gerais de
funcionamento, como postulava Wundt. É possível descrever os atos psíquicos atuais, a consciência, obejto de estudo
da psicologia.

Husserl e a re – união de sujeito e objeto

Husserl conhecedor da psico alemã e austríaca denomina - as empíricas, ciências positivas, distintas de uma psico
filosófica e da fenomenologia. Tenta resolver os impasses da filosofia no final do XIX.

O principio do qual partem as ciências, é a crença numa realidade objetiva acessada pelo sujeito, a cisão S – O. A psico
parte e depende da cisão S – O, pois é ciência da subjetividade, ou ainda a relação dialética S – O.

Fenomenologia exige suspensão, colocação entre parênteses. Na psico significa que é preciso estranhar até mesmo os
conceitos usados pelas psicologias que se apresentam como fenomenológica. Essa suspensão é necessária para
conhecer o que se busca conhecer.

A fenomenologia é epistemologia, composta por episteme + logos, remete ao conhecimento teórico decorrente de
raciocínios. Na filosofia se consolida como oposto a empírica. Daí que vem a oposição entre teoria e pratica, raciocínio e
experiência. O verbo epistentai do grego (aptidão, capacidade). Aristóteles consolida a definição de episteme como
ciência racional, obediente ao principio de não contradição.

Husserl se refere a postura pré – fenomenológica, a cisão entre S – O, limite da teoria do conhecimento, as coisas ao
redor são encontradas e acessíveis por meio da percepção. A fenomenologia, não se submete a teoria, suspende a
cisão S – O do mundo como dado. O conhecimento, o mais obvia dos pensamentos naturais, surge como mistério.

Os termos empregados por Husserl estavam na psico do sec.XIX. Na atitude fenomenológica, que se chega pela
epoché, conceito de redução fenomenológica adquire determinação, não é a exclusão do transcendente.

A partir da suspensão fenomenológica, deixa de perceber as coisas como objeto, assim, consciência e objeto acontecem
concomitantemente.

Husserl: consciência não e uma interioridade, é ato: a fenomenologia suspende a dicotomia interior (sujeito) – exterior
(objeto), a apreensão do fenômeno no seu aparecer. O significado para Husserl é aparecer quanto o que aparece.

“Fenomenologia é ciência do aparecer”

Fenomenologia do conhecimento é ciência dos fenômenos cognoseitivos no duplo sentido: ciência dos conhecimentos
como fenômenos, manifestações, atos da consciência em que se torna consciente.

Estudo dos múltiplos atos intencionais e objetos intencionais. O sentido dos fenômenos aparece na correlação do ato
que visa, ao captar os dados, dota – os de sentido. A consciência, é como “estrutura sintética (processo de constituição)
dos múltiplos atos intencionais que constituem o sentido”.

Husserl: estrutura que fundamenta a possibilidade de todo conhecimento cientifico e toda lida cotidiana com a realidade
ao redor, na correlação intencional que surge os significados de tudo o que aparece.

O “eu” entificado, substantivo, aparecendo em seu lugar um “eu” fenomenológico.

Com a separação S – O, a realidade mostra – se atravessada pelo pensamento. A consciência surge como condição,
todo conhecimento cientifico e toda lida cotidiana, posicionando a fenomenologia como ciência primaria, explica o
aparecer das essências que determinam cada ciência empírica.

Goto: sintetiza o método fenomenológico em etapas: 1ª epoché (ter sobre. Abster – se), projetar para trás, possibilita o
ver, suspende a atitude natural. 2ª redução eidética (elimina elementos naturais), para chegar a essência (eidos) do
fenômeno (significa essência e ideia, universal, eterno). Busca por essências que motiva as investigações de Descartes,
levando a desconfiar do conhecimento que chega pelos sentidos, pois só conhecem o mutável. Husserl é cartesiano,
busca o conhecimento das essências.

Fenomenologia de Husserl é Eidética (pelo qual aparece). Desde Platão, essência é o que faz de algo aquilo que esse
algo é, permitindo que seja conhecido, nomeado.

Husserl segue a metafísica na determinação da essência como uma e imutável. Ex: sinfonia, conjunto de acontecimento
(som, partitura etc). Tendo essência na sinfonia, que é a combinação das notas, permitindo que seja reconhecida.

Essências constituem como armadura inteligível do ser, tendo estrutura e leis próprias. Sendo a racionalidade imanente
no ser, onde este mundo real ou possível e fora do qual nada pode se produzir, que a ideia de produção ou
acontecimentos é uma essência.

Noção de que cada pessoa tem a capacidade de ressignificar suas experiências, tendo uma existência autônoma, que
se agrega significados. Dicotomia do sujeito significante e do objeto significado, constituída na correlação intencional,
não realidade por um sujeito dotado da capacidade de significar.

Fenomenologia na pratica psicológica, é adjetivo que pode ser substituído por “psicanalítico, comportamental, sócio –
histórico” etc. Fenomenologia é a supressão de toda perspectiva a favor do próprio fenômeno. A perspectiva e
abordagens podem ser encobridoras daquilo que pretende investigar do que revelados, a expressão “psicologia
fenomenológica” torna – se redundante, o que interessaria ao Psi é mostrar – se diretamente de seu objeto de estudo.

A Fenomenologia Husserl desfaz a concepção de uma abordagem do pensamento cognocente ao Ser, acontecendo
concomitantemente. Consciência não “aborda” um objeto. O modo como o objeto aparece na correlação intencional é
apenas isso: um modo de aparecer do fenômeno, que comporta uma infinidade de outros modos.

Fenomenologia existencial significa, deixa mostrar – se como é, quanto a condição de ser fenomenológico – reveladora
de ser – da existência.