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A VIDA NOVA

TREZE LIÇÕES SOBRE


A PRIMEIRA EPÍSTOLA
DE PEDRO

POR KENNETH JONES

Curso Bíblico
"ALFA E ÕMEGA"
C.P. 3033
06210-990 Ososco - SP
Fone: (011) 869-3526
LIÇÃO N. 1
A SALVAÇÃO
(LEITURA: l PEDRO 1.1 e 2)
O apóstolo Pedro é um dos homens mais conhecidos no Novo
Testamento. Os leitores dos quatro evangelhos devem conhecer bem seu
caráter e sua vida. No primeiro versículo ele descreve os destinatários como
os "forasteiros da Dispersão", que pela perseguição levantada contra os
cristãos, foram espalhados nas cinco províncias da Ásia Menor, Ponto, Galada,
Capadócia, a província da Ásia e Bitínia. O título "forasteiros da Dispersão"é
usado para estrangeiros. Portanto, pela evidência interna da sua carta
descobrimos que o apóstolo Pedro escreveu aos cristãos, tanto aos judeus
como aos gentios (l Pedro 2.11 e 4.34), que estavam sofrendo por causa de
uma perseguição feroz, que desencadeou contra a Igreja primitiva. A carta
conforta os cristãos sofredores e orienta-os como proceder nas circunstâncias
mais difíceis da vida.

O ASSUNTO PRINCIPAL DA ESPÍSTOLA É A VIDA NOVA.


Trata do começo, desenvolvimento, responsabilidades, novos privilégios
e novos relacionamentos da vida nova. O segundo versículo explica como
alguém pode ter uma vida nova. Não é pelos nossos esforços, pois é obra de
Deus.

A ATUAÇÃO DAS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE NA SALVAÇÃO DO


HOMEM (l Pedro 1.2).
A OBRA DE DEUS PAI.
"Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai". Não havia atração alguma
em nós para que Ele nos escolhesse. Pelas descrições do homem na Bíblia,
sabemos o que Deus pensa da raça humana. Ele amou o homem no seu
pecado e inimizade contra Deus. Então! Como foi que Ele nos escolheu?
Fomos escolhidos (eleitos) "segundo a presciência de Deus Pai". O sentido
da palavra "presciência" é que Deus sabe tudo antes de acontecer.
Ele sabia os que haviam de aceitar Cristo como Salvador e os escolheu
para cumprir os Seus propósitos. "Assim, como nos escolheu para sermos
santos e irrespreensíveis perante ele"(Efésios 1.4). Ele nos escolheu para sermos
semelhantes a Seu Filho (Romanos 8.29). Nestes estudos vamos aprender
mais dos propósitos de Deus para o Seu povo.

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO.


"Em santificação do Espírito para a obediência". Deus escolheu o Seu
povo para que fosse um povo separado do pecado, e que vivesse neste mundo
para Ele. Santificação é a separação do pecador para o serviço de Deus-. Ao
crer em Cristo, em virtude do preço pago por Cristo na cruz, o crente pertence
a Deus, e aos olhos de Deus é separado do pecado para viver, exclusivamente,
para Deus. Este ensino deve ser posto em prática na vida do salvo, e isto é o
trabalho do Espírito Santo. Pela Sua habitação no crente, Ele nos ajuda
espiritualmente, para nos ganhar completamente para Cristo. Em l
Tessalonicenses 5.23 lemos: "O mesmo Deus de paz vos SANTIFICA EM
TUDO; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e
irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo". O cristão pode ser
santificado EM TUDO e em todos os setores da vida, pelo Espírito Santo que
habita nele.

A NOSSA SANTIFICAÇÃO É PELO ESPÍRITO SANTO, MAS TAMBÉM


DEPENDE DO CRENTE, POIS É SOMENTE POSSÍVEL PELA OBEDIÊNCIA
À PALAVRA DE DEUS.
'Em santificação do Espírito, para a obediência". A Palavra de Deus é o
meio pelo qual o Espírito Santo nos santifica. "Santifica-os na verdade; a tua
palavra é a verdade"(João 17.17). O crente é santificado pela sua obediência
à Palavra de Deus.

A OBRA DO SENHOR JESUS


"E aspersão do sangue de Jesus Cristo". Os cristãos, aos quais Pedro
escreveu, haviam de conhecer os ritos do Velho Testamento. O escritor da
Carta aos Hebreus comentou: "Igualmente (Moisés) também aspergiu com
sangue o tabernáculo e todos os utensílios do serviço sagrado. Com efeito,
quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem o
derramamento de sangue não há remissão"(Hebreus 9.21 e 22). O
derramamento do sangue dos sacrifícios no Velho Testamento é figura da
morte expiatória de Cristo, pela qual o pecador pode ser salvo. Portanto, a
aspersão do sangue é figura da aplicação da obra da cruz, ao coração e a
consciência do pecador arrependido, pelo qual ele é salvo. A obra redentora,
efetuada por Cristo na cruz, está ao dispor de todos, mas somente é salvo,
aquele que, sentindo a necessidade da sua reconciliação com Deus, venha a
confiar no sangue do Senhor Jesus. Tem paz com Deus e pode se aproximar
de Deus. O escritor da Carta aos Hebreus afirmou: "Aproximemo-nos, com
sincero coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados
(aspergidos) de má consciência, e lavado o corpo com água pura"(Hebreus
10.22).

NA PRIMEIRA PÁSCOA DO POVO DE ISRAEL, QUANDO SAIU DO


EGITO, HOUVE A APLICAÇÃO DO SANGUE DO CORDEIRO, PELA
QUAL A VIDA DO PRIMOGÉNITO FOI SALVA.
Deus enviou à meia noite o anjo destruidor para matar todos os
primogénitos no Egito, porém, Ele providenciou um meio, pelo qual os
primogénitos dos israelitas poderiam ser salvos da morte. Um cordeiro para
cada casa foi imolado. Deus, mediante Moisés, deu instruções de como
aproveitar o sacrifício do Cordeiro para salvar os primogénitos. Moisés
ordenou os anciãos: "Tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que
estiver na bacia, MARCAI A VERGA DA PORTA E SUAS OMBREIRAS COM O
SANGUE que estiver na bacia: nenhum de vós saia da porta da casa até pela
manhã"(Exodo 12.22). O Senhor viu o sangue aspergido e não permitiu que
o anjo destruidor entrasse naquela casa (Êxodo 12.24).
Como as figuras do Velho Testamento ilustram as .verdades do Novo
Testamento, o ensino espiritual da aplicação do sangue, pela qual o
primogénito foi salvo, é que, aquele que confia na morte do Senhor Jesus
para salvação está abrigado da condenação eterna. A morte do Senhor Jesus
tem valor para todos, mas poucos são salvos porque a maioria não se
arrepende dos seus pecados e não aproveita a obra redentora efetuada por
Cristo na cruz.

A ASPERSÃO DO SANGUE DE JESUS CRISTO SIGNIFICA PURIFICAÇÃO


DOS PECADOS (Hebreus 9.13,21, 22 e 10.22).
A lepra é figura do pecado e pela purificação do leproso temos mais
uma ilustração da aspersão do sangue de Jesus Cristo. Segundo as instruções
dadas por Deus, o leproso curado devia comparecer perante o sacerdote
com duas aves vivas. Lemos: "Tomará da ave viva, e o pau de cedro, e o
estofo carmesim, e o hissopo, e os molhará no sangue da ave que foi imolada
sobre.as águas correntes. E sobre aquele que declarará limpo"(Levítico 14.6
e 7). O número sete significa algo perfeito e completo. A obra redentora do
Senhor Jesus na cruze completa e perfeita e pode purificar qualquer pecador.
Então! O que falta? Falta a fé para apropriar a expiação dos pecados efetuada
por Cristo.
Na parábola do fariseu e do publicaria há um exemplo da aplicação
espiritual e o aproveitamento da morte de Jesus Cristo. O fariseu e o publicano
estavam no templo onde os sacerdotes imolavam os cordeiros para o sacrifício.
"O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os
olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim,
pecador"(Lucas 18.13). O que ele queria dizer com estas palavras? Ele queria
que o valor do sangue do Salvador fosse lançado na sua conta. Queria a
aplicação espiritual da morte do Senhor Jesus ao seu coração e à sua
consciência. Ele depositou a sua fé no sangue do Cordeiro de Deus para a
salvação da sua alma. O Senhor Jesus disse: "Digo-vos que este desceu
justificado para a sua casa"(Lucas 19.14).

LIÇÃO N° 2
O NASCIMENTO ESPIRITUAL (LEITURA: 1 Pedro 1.3 a 6.)
Na lição anterior acabamos de estudar a atuação do Espírito Santo na
salvação do homem. Dá muito prazer e gozo saber que somos salvos, porém,
queremos saber o que acontece quando alguém crê em Cristo, e qual é a
situação do recém convertido agora que é salvo ? A primeira Epístola de
Pedro dá as respostas a estas perguntas. São assuntos essenciais ao
crescimento espiritual de todos os crentes. O apóstolo, ao contemplar o assunto
da salvação, louvou a Deus, dizendo: Bendito o Deus e Pai de Nosso Senhor
Jesus Cristo que, segundo a sua muita misericórdia nos regenerou para uma
viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos"(v.3).

O QUE ACONTECE QUANDO ALGUÉM CRÊ EM CRISTO?


NASCE DE NOVO.
Ele "nos regenera, isto é, "nascemos de novo". O nascimento de uma
criança é maravilhoso porque é uma vida comunicada pelos pais. Da mesma
maneira, no momento que alguém crê em Cristo como Salvador, é regenerado,
é nascido de novo pelo Espírito Santo, assim, recebe uma nova vida com
uma nova natureza e novos desejos. Não é uma vida reformada, melhorada
ou convertida, mas sim, uma vida completamente nova e dada por
Deus. Não é uma vida física, mas sim, espiritual e sobrenatural, porém, a
natureza velha fica conosco até a morte. Pelo nascimento espiritual o crente
torna-se filho de Deus (João 1.12), e assim, pertence a família de
Deus.
Esta benção é devido à misericórdia de Deus. "Segundo a sua muita
misericórdia, nos regenerou PARA UMA VIVA ESPERANÇA". A esperança do
salvo é diferente da esperança do mundo. Quando o povo fala de esperança
é uma coisa incerta e duvidosa, mas, a Bíblia, é clara e objetiva ao falar da
esperança do salvo . No versículo que estamos considerando, a palavra
"esperança" é qualificada pela palavra Viva". É "uma viva esperança". A
esperança do povo morre com ele, as vezes antes da sua morte. Portanto, a
esperança do crente em Cristo é viva porque Jesus Cristo vive e a nossa
esperança está Nele. Ele "nos regenerou para uma viva esperança, mediante
a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança
incorruptível"(w. 3 e 4).

A RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO É A GARANTIA DA CERTEZA DA


ESPERANÇA CRISTÃ E DA HERANÇA CELESTIAL.
O recém-convertido aprende que não é somente filho de Deus, mas
também herdou uma herança, que aqui na terra não tem igual. Esta verdade
deve ter sido de grande conforto para os cristãos perseguidos. Eles, por causa
da perseguição, perderam as suas propriedades, mas aprenderam que têm
uma herança extraordinária.

É UMA HERANÇA POR EXCELÊNCIA.


Antes de ser salvo, o homem é filho da ira (Efésios 2.3), pois, tem como
herança o juízo e a ira de Deus. Porém, pelo novo nascimento, esta situação
muda; o crente deixa de ser filho da ira para ser filho de Deus, com uma
herança celestial. Em primeiro lugar, Pedro nos informa o que a herança não
é.

É UMA HERANÇA INCORRUPTÍVEL.


Ela não se corrompe e não pode ser destruída. Tudo aqui no mundo se
corrompe. As cidades antigas como Babilónia e Éfeso não existem mais. A
ferrugem corrói e o cupim e a broca destroem. Os proprietários constantemente
precisam consertar as suas propriedades, e, às vezes, a conservação custa
mais do que a renda. Portanto, a herança do filho.de Deus não se corrompe
e não pode ser destruída.

É UMA HERANÇA SEM MANCHA. "Sem mácula".


Neste mundo existem propriedades manchadas por serem adquiridas por
opressão, desonestidade ou injustiça, ou estão mantidas para fins prejudiciais
à humanidade. A herança dos salvos é pura e nada pode contaminá-la.
'E QUE SE NÃO PODE MURCHAR. (Versão corrigida). "Imarcescível"(Versao
atualizada).
A beleza da herança não muda, seu brilho é constante. Aqui as plantas
murcham, mas na herança celestial nada perde o seu vigor.
A CERTEZA DA POSSE DA HERANÇA. "É reservada nos céus para vós
outros". Ao falar aos cristãos perseguidos, o apóstolo Pedro indicou pela
palavra "reservada"que a herança pertencia a eles e foi reservada para eles
nos céus, no lugar da felicidade. Aqui na terra, quanto maior é o valor da
herança, maior o perigo de alguém querer possuí-la. Portanto, a herança do
cristão está no lugar seguro.

O SALVO É GUARDADO PARA SUA HERANÇA.


A herança está guardada para o cristão e o cristão está guardado para
a herança. Alguns herdeiros morrem antes de poder entrar na sua herança.
COMO ESTÁ GUARDADO O CRENTE EM CRISTO?
"Que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação
preparada para revelar-se no último tempo (v.5). Entre as verdades que o
crente novo precisa conhecer para a sua firmeza espiritual é a certeza da
salvação e a segurança eterna em Cristo. Para a salvação, o cristão não
depende de si mesmo, e para a sua conservação ele depende do poder de
Deus. O poder de Deus é como uma fortaleza em que o inimigo não pode
entrar, e nem vencer. O rei Davi apresenta diversas figuras para descrever a
conservação e segurança do povo de Deus. Ele escreveu: "O Senhor é a
minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo
em que me refugio, o meu escudo, a força da minha salvação, o meu
baluarte"(Sa!mo 18.2) .
Pela fé Davi se refugiou em Deus. Ele escreveu: "o meu libertador, o
meu Deus, o meu rochedo em que me refugio". A fé é o meio pelo qual a
salvação torna-se nossa. Pedro fala da salvação no futuro. A salvação de
Deus é perfeita e completa, porém no Novo Testamento a salvação é
apresentada como sendo do passado, do presente e do futuro. O cristão foi
salvo da pena do pecado no momento que creu em Cristo (Efésios 2.8). No
tempo presente ele é salvo do poder do pecado na medida em que deixa o
Salvador controlar a sua vida. No futuro, no arrebatamento da igreja, ele
será salvo da presença do pecado (Hebreus 9.28). O seu corpo será
transformado e glorificado; livre do pecado, doença e morte. A igreja voltará
com Cristo à terra e será manifestada como o povo de Deus (1 João 3.2).
Este fato fera de grande conforto e alegria para os cristãos que estavam
passando por perseguições. Escreveu o apóstolo: "Nisto exultais, embora, no
presente, por breve tempo se necessário, sejais contristados por várias
provações"(v.6). As provações lhes causaram tristeza, mas nos seus corações
havia paz e alegria.
LIÇÃO N° 3
NOVAS FORÇAS ESPIRITUAIS ATUANDO NA VIDA
NOVA (LEITURA: 1 Pedro 1.7 a 13)
No começo da vida espiritual, pelo novo nascimento começam a atuar
no salvo três qualidades, que são também três princípios e três forças da vida
nova. Fé, Esperança e Amor. As pessoas falam essas palavras, mas, não no
sentido bíblico.

A FÉ.
O mundo anda pela vista e não pela fé. Adora objetos visíveis em lugar
do Deus invisível. Fala que tem fé em Deus, mas não é real. A fé genuína é
outra coisa porque é a confiança em Deus baseada na Palavra de Deus; por
isso, é uma força muito grande na vida. Sem fé é impossível agradar a Deus
e fazer o Seu serviço. Pela fé podemos fazer na obra de Deus, o que, de outro
modo seria impossível.

A ESPERANÇA
Já temos estudado esta qualidade na lição anterior. A esperança cristã é
viva e certa. Não pode falhar de forma alguma.

O AMOR.
O amor cristão é diferente do amor que se fala no mundo porque é o
amor de Deus. Há uma bela descrição do amor cristão em 1 Coríntios 13.

A FÉ GENUÍNA
As provações revelam qual é a fé verdadeira. Os cristãos, aos quais
Pedro escreveu, estavam passando por muitas e variadas provações e
provaram que tinham a fé verdadeira. A fé verdadeira não depende de
circunstâncias favoráveis porque vence as circurnstâncias adversas. O profeta
Habacuque escreveu: "Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na
vide: o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento;
as ovelhas forem arrebatadas do aprisco e nos currais não hajam gado,
todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação
(Habacuque 3.17 e 18). Na parábola do semeador, o Senhor Jesus interpretou
a semente que caiu em solo rochoso, dizendo: "esse é quem ouve a palavra
e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de
pouca duração, em que, lhe chegando a angústia ou a perseguição por
causa da palavra, logo se escandaliza"(Mateus 13. 20 e 21). Existem pessoas
que recebem a palavra com alegria, mas não têm fé.

A FÉ PROVADA TEM GRANDE VALOR


"Para que o valor da vossa fé, uma vez confirmado, muito mais precioso
do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória
e honra na revelação de Jesus Cristo"(v.7). Para o homem, o ouro tem muito
valor, especialmente o ouro apurado pelo fogo. Porém, a fé provada tem
muito mais valor.

A FÉ PROVADA É PURIFICADA
Como o ouro, que passando pelo fogo perde a escória, da mesma
maneira a fé é purificada nas provações.

A FÉ GENUÍNA É INDESTRUTÍVEL
O Apóstolo Pedro contrastou a fé com o ouro. O ouro é de grande
durabilidade, mas é perecível; a fé dura para sempre.

A FÉ GENUÍNA SERÁ RECOMPENSADA


Será recompensada no Tribunal de Cristo e revelada perante todos com
louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo. A palavra "revelação"
refere-se à vinda do Senhor Jesus à terra, com glória e majestade.

O AMOR PARA COM CRISTO


Os cristãos aos quais Pedro escreveu não tinham visto Cristo na carne:
"Jesus Cristo, a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora,
mas crendo, exulteis com alegria indizível e cheia de glória"(v.8). Pela fé eles
amaram a Cristo. O Senhor Jesus disse a Tomé: "Bem-aventurados os que
não viram e creram"(João 20.29). Milhares presenciaram as obras do Senhor
Jesus durante a sua vida, mas ficaram contentes somente em vê-lo, sem
confiar Nele. Os destinatários da Carta de Pedro, sem conhecer Cristo aqui
na terra, creram e o amaram. Amaram a Cristo pela experiência do Seu
amor e por tudo quanto Ele fez por eles. Esta experiência se expressa no
versículo 9. "Obtendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas". Foram
salvos da pena do pecado; mudou o curso das suas vidas: do caminho da
perdição para a vida eterna e a glória. Por isso, eles amaram Aquele que os
salvou. Portanto, os cuidados do amor de Cristo continuam até o fim. Pedro
lembrou da sua restauração espiritual e da pergunta do Senhor Jesus: "Simão,
filho de João, amas-me mais do que estes outros? (João 21.15).

PELA FÉ CRISTO TORNA-SE REAL E PRECIOSO


"Não vendo agora, mas crendo ". Não é o costume de depositar a fé
numa personagem da história, porque já se foi e não existe mais. Porém,
Jesus Cristo é real e vive. Ele não apenas era real, mas também era precioso
para eles. Crendo Nele, se encheram com alegria indizível e cheia de glória.
Embora contristados pela perseguição, eles tinham alegria indizível, que
palavras não podiam expressar. Amaram a Cristo pelo conhecimento do Seu
amor e por tudo que Ele fez por eles. Essa experiência se expressa no versículo
9. "Obtendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas".

A PALAVRA DE DEUS
Como chegaram a ter fé em Cristo? Como conseguiram ter uma
esperança viva e amor a Cristo? Foi pela Palavra de Deus, que é o assunto
dos versículos 10a 12. É a base da nossa fé; por ela a fé cresce e a nossa
vida espiritual se desenvolve. Ela alimenta a nossa esperança e aumenta o
nosso amor para com Cristo. Os profetas do Velho Testamento, porém, não
compreenderam tudo. Eles perceberam que havia um sentido e uma
interpretação além do que eles sabiam, e desejavam saber mais a respeito
dessas maravilhas. Não eram para eles, mas para nós nesta época atual.
Eles ministraram as coisas que agora vos foram anunciadas"(v. 12). Eles
queriam entender os dois assuntos principais, a saber: "sobre os sofrimentos
referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam"(v. 11). Os anjos também
queriam entender as maravilhas do evangelho de Cristo, mas o privilégio é
nosso e não deles.

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LIÇÃO N° 4
FILHOS DE DEUS E A SUA RESPONSABILIDADE
(LEITURA: 1.14 A 21)
Pela vida nova recebida através do novo nascimento, o salvo entra num
novo relacionamento para com Deus. E um novo parentesco, pois, pela fé no
Senhor Jesus, Deus torna-se Pai, e os que creram são filhos de Deus. (João
1.12). O assunto principal do texto é a santidade.

A SANTIDADE COMEÇA NO ENTENDIMENTO E NA MENTE (V. 13).


O apóstolo Pedro ilustrou esta verdade com um costume oriental. O
povo vestia-se de um vestido comprido quase arrastando no chão. Para fazer
qualquer serviço, correr ou trabalhar no campo, precisava arregaçar o vestido
e prendê-lo com o cinto, assim cingindo os lombos, não deixando os espinhos
rasgar ou a terra sujar a roupa. Lemos que Elias cingiu os lombos, e correu
adiante de Acabe (l Reis 19.46). Pedro escreveu: "Por isso, cingindo o vosso
entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos e^tá
sendo trazida na revelação de Jesus Cristo"(v. 13). A mente governa o corpo,
por isso devemos tomar muito cuidado com as duas entradas para a mente:
os ouvidos e a vista. Não devemos deixar a nossa mente se sujar com as
influências nocivas do mundo.

"COMO FILHOS DA OBEDIÊNCIA'


Deus quer filhos obedientes. Nos versículos 14 a 17 encontram-se três
ordens que cada crente deve obedecer:
(a) "como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis
anteriormente na vossa ignorância"(v.!4). As paixões antigas não devem
moldar a nossa vida, pois deve haver uma mudança.
(b) 'Tornai-vos santos também vós mesmos em todo vosso procedimento,
porque escrito está: sede santos, porque eu sou santo"(w 15 e 16). O apóstolo
cita esta escritura de Levítico 11.44, 45; 19.2.
(c) "Portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação", (v. 17).
O temor do Senhor traz muitas bênçãos porque é o princípio da sabedoria.
O temor do Senhor não é o temor do escravo em relação ao chicote.
O temor do Senhor, para o cristão, é o temor de filho, que não quer
desagradar ao pai. A santificação é mais do que ser separado do pecado,
pois, há o aspecto positivo de ser separado PARA DEUS, para
viver exclusivamente para Deus, em tudo, em TODO o nosso procedimento
e durante TODA a nossa peregrinação aqui no mundo. Há uma
santificação falsa, que consiste em levantar uma fachada somente para

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se apressentar santo aos outros. Chama-se hipocrisia e temos um exemplo
disto nos fariseus.

A SANTIDADE É PRODUZIDA PELA VIDA NOVA


É o desenvolvimento da vida espiritual que é recebida pelo novo
nascimento. É mais do que a ausência de vícios, pois dada a condição
favorável, a vida nova cresce e se desenvolve, produzindo na vida prática o
caráter do Senhor Jesus.

A SANTIDADE É POSSÍVEL
Não é uma teoria que não funciona, pois, é uma vida que, na medida
em que cumprimos as condições exigidas, obedecendo a Palavra de Deus,
se desenvolve e cresce. O cristão tem os recursos para viver uma vida santa.
Recebe pelo novo nascimento uma vida que não se corrompe; o Espírito
Santo habita nele, e tem a Palavra de Deus para orientar a sua vida.
Infelizmente a natureza velha fica conosco até o fim da vida.

DUAS RAZÕES PORQUE DEVEMOS VIVER EM SANTIDADE


(1) O TRIBUNAL DE CRISTO. "Ora, se invocais como Pai aquele que,
sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um". O julgamento
mencionado neste versículo (v. 17) não é o julgamento dos incrédulos perante
o grande trono branco (Apocalipse 20.11). Não se trata da salvação nem da
condenação porque: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus"(Romanos 8.1). Logo depois do arrebatamento da igreja,
os salvos terão de comparecer perante o Tribunal de Cristo, onde a sua vida
será provada. Tudo que é feito pela fé, para a glória de Deus e pelo amor de
Cristo será recompensado. Para o crente carnal será um momento solene ao
descobrir que a sua vida aqui na terra não tem valor na presença de Cristo e
nem na eternidade. Ele será salvo, "todavia como através do fogo". Por isso,
há a advertência solene: "Ora, se invocais corno Pai aquele que, sem acepção
de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante
o tempo da sua peregrinação"(v.l 7).

FOMOS RESGATADOS PELA MORTE DO SENHOR JESUS NA CRUZ


Nós que somos salvos devemos sempre lembrar do preço com que
fomos resgatados. Foi "pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito
e sem mácula, o sangue de Cristo"(w. 18 e 19). Foi o pagamento de resgate,
que é o preço exigido para libertar o preso de guerra ou um escravo da
escravidão. Jesus Cristo pagou o preço para nos libertar do pecado. O

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propósito da morte do Senhor Jesus foi "que fostes resgatados do vosso FÚTIL
PROCEDIMENTO, QUE VOSSOS PAIS VOS LEGARAM"(V 18). Isto quer dizer,
que Cristo morreu para nos libertar da vida passada, e isto significa uma
conversão, uma completa mudança na maneira de viver. No versículo 20,
Pedro esclareceu que, o plano do evangelho não foi feito de emergência, no
último momento, mas sim, Deus planejou tudo antes da fundação do mundo,
mas foi manifestado no fim dos tempos, por amor de nós. Porém, é por fé em
Jesus Cristo que temos fé em Deus, e a confirmação está no fato de que Deus
ressuscitou o Senhor Jesus e lhe deu glória, de sorte que a nossa fé e esperança
esteja em Deus.

LIÇÃO N° 5
A VIDA ESPIRITUAL RECEBIDA E SUSTENTADA
(LEITURA: 1 Pedro 1.22 a 2.3)
Do versículo 21, o apóstolo Pedro volta a escrever sobre os mesmos
temas com que começou a carta. São três qualidades, a saber: fé, esperança
e amor (w 23 a 25). O nosso trecho começa com a grande bênção pela
aceitação e a obediência à verdade. Mais uma vez encontra-se ensino a
respeito da morte do Senhor Jesus. "Tendo purificado as vossas almas, pela
vossa obediência à verdade"(v.22). Para a justificação, a alma é purificada
pelo sangue do Senhor Jesus, porém, constantemente a vida precisa ser
purificada do pecado pela contaminação com o mundo. Mais uma vez Pedro
escreve sobre o amor, mas desta vez, é o amor fraternal. Ele escreveu, em
primeiro lugar, do nosso amor para com Cristo, e a seguir, do nosso amor
para com os irmãos em Cristo. 'Tendo em vista o amor fraternal não fingido,
amai-vos de coração uns aos outros ardentemente"(v.22).
Temos pensado na vida nova recebida pelo novo nascimento, pela qual,
recebemos uma herança celestial.
Há três forças novas que operam na vida nova: a fé, a esperança e o
amor. Agora vamos aprender mais a respeito do novo nascimento.

NASCIDOS DE NOVO PELA PALAVRA DE DEUS


"Pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas incorruptível,
mediante a Palavra de Deus, a qual vive e é permanente"(v.23). Quando o
Senhor Jesus falou com Nicodemos a respeito do novo nascimento, Ele disse:
"Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus
(João 3.5). A água é figura da Palavra de Deus.

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A PALAVRA DE DEUS É COMO UMA SEMENTE
A semente é viva e em condições favoráveis, brota e se transforma em
uma planta que tem as mesmas características. A Palavra de Deus, também
é viva e produz as mesmas características na vida produzida por ela. Quais
são estas características?
ELA É INCORRUPTÍVEL; isto é, ela não se corrompe e não pode pecar. A
vida de Adão e Eva foi corrompida, mas a vida que o crente recebe pelo novo
nascimento não se corrompe e não pode pecar. Desta forma o crente tem
duas naturezas: uma herdada de Adão e a outra nova, que não pode pecar.
ELA PERMANECE ETERNAMENTE, pois, é a Palavra que comunica a
vida eterna. No primeiro capítulo da epístola lemos de três coisas que são
incorruptíveis - uma herança incorruptível (v.4), uma redenção incorruptível
(w. 18 e 19), e a Palavra de Deus incorruptível (v.23). A redenção não perde
o seu valor e a Palavra de Deus não falha. No versículo 24, o.apóstolo cita
Isaías 40.6 a 9 para mostrar que tanto a vida humana como a flor do campo
se corrompe, mas no versículo seguinte ele acrescenta: "A Palavra do Senhor,
porém, permanece eternamente". Esta é a palavra do evangelho que pode
mudar o homem e dar-lhe uma nova vida em Cristo.

O CRESCIMENTO ESPIRITUAL (2.1 A 3).


Ao crer em Cristo a pessoa torna-se uma criança espiritual, que pouco
a pouco vai aprendendo da posição privilegiada em que se encontra. Descobre
que é filho do rei dos reis com riquezas espirituais ao seu dispor. Até aí tudo
vai bem, mas não pode permanecer criança a vida toda, pois, precisa crescer
e se desenvolver. Os primeiros três versículos do capítulo dois são importantes
porque revelam os segredos do crescimento espiritual. Deus deseja o
crescimento espiritual dos seus filhos. Há quatro pontos que vamos considerar
no tocante a este assunto.
O APETITE. "Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas"(v.2).
Pedro está se dirigindo aos crentes de todas as idades e de todas as
experiências cristãs. O argumento é, que, como uma criança recém-nascida
deseja ardentemente o íeite materno, o cristão deve desejar o genuíno leite
espiritual da Palavra de Deus.
Os israelitas no deserto comiam maná, o pão do céu, mas um povo no
meio deles "veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios". Falaram:
"Lembra-nos dos peixes que comíamos de graça; dos pepinos, dos melões,
dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa
alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná"(Números 11.4 a 6). O
povo que saiu com os israelitas não tinha apetite para o pão do céu. Alguém
que nasceu de novo tem apetite da Palavra de Deus.

14
O ALIMENTO. "O genuíno leite espiritual". Como a própria mãe alimenta
o seu bebé, o nascido de novo é alimentado pela Palavra de Deus. Como já
temos aprendido, o crente verdadeiro tem duas naturezas que luta pelo
domínio da sua vida. Tem a natureza velha e também a nova. Qual natureza
vai dominar sua vida? Depende do alimento ingerido, pois, se é alimentado
com as coisas carnais, a carnalidade vencerá e a vida ficará imprestável. Se,
porém, a vida nova é alimentada com a Palavra de Deus, ela cresce, se
desenvolve e vence os desejos carnais.

O CRESCIMENTO ESPIRITUAL DEVE SER PROPORCIONADO


O pai fica triste se uma das pernas de seu filho crescer mais do que a
outra. Em 2 Pedro 3. 18 lemos do crescimento espiritual equilibrado. "Antes,
crescei na GRAÇA e no CONHECIMENTO de nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo". Existem pessoas que crescem na graça mas não no conhecimento,
mas muito mais crescem no conhecimento e não na graça. A árvore cresce
para cima, na medida em que a raiz cresce para baixo. Pedro afirma: "Porque
estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não
sejais inativos, nem infrutuosos no PLENO CONHECIMENTO de nosso Senhor
Jesus Cristo". O crescimento da raiz é diferente porque na medida em que a
raiz se aprofunda, fica mais fina até desaparecer. Podemos notar o
CRESCIMENTO NA GRAÇA na vida do apóstolo Paulo. Ele tomou uma posição
humilde quando disse: "Porque eu sou o menor dos apóstolos", desceu ainda
mais quando acrescentou: "que ele mesmo não era digno de ser chamado
apóstolo"(l.Coríntios 15.9). Em Efésios 3.8 ele declarou: "A rnim, o menor
de todos os santos", enquanto em l Timóteo l .1 se chamou "o principal dos
pecadores". A raiz está se afinando cada vez mais, até desaparecer. Paulo
disse também: Já estou crucificado com Cristo; logo não sou eu quem vive,
mas Cristo vive em mim (Gaiatas 2.19 e 20).

OS IMPEDIMENTOS AO CRESCIMENTO ESPIRITUAL


"Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e
invejas, e de toda sorte de maledicências" (2.1). São males que impedem o
crescimento espiritual porque são contrários aos efeitos e as características
da vida nova. MALDADE. As obras da vida nova são somente boas e não
más. DOLO. Como pode obedecer a verdade e ao mesmo tempo enganar?
HIPOCRISIA. O hipócrita não aproveita a Palavra de Deus para ser um melhor
cristão, mas sim, para ser um melhor hipócrita e para parecer santo aos
olhos dos homens.
INVEJA. É pecado que corrói a vida e impede todo crescimento espiritual.

15
CALÚNIA. "E toda sorte de maledicências". Destruir o caráter de outros é
obra da carne, e assim, não é condizente a vida nova. Todos este males têm
de ser tirados da vida para poder dar lugar a vida nova.

LIÇÃO N° 6
A CASA ESPIRITUAL E O SACERDÓCIO ESPIRITUAL
(LEITURA: 1 Pedro 2.3 a 10)
A nossa primeira tarefa é explicar o título desta lição. E a continuação
do nosso assunto porque trata dos grandes privilégios dos que receberam a
vida nova. "SOIS EDIFICADOS CASA ESPIRITUAL"(v.5).
"Casa Espiritual"é uma figura da Igreja universal de Cristo, composta
de todos os salvos desde o dia de Pentecostes até a vinda do Senhor Jesus
para buscar a Sua Igreja, que vai gozar a felicidade e glória .Ele
automaticamente não pertence a uma igreja local, pois, isto deve ser depois,
quando a pessoa já deu prova de que é uma nova criatura em Cristo. Estamos
vivendo numa época muito privilegiada, porque pela morte do Senhor Jesus
e pela descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste, Deus está chamando
de todas as nações, um povo para ser o Seu povo, salvos pelo sangue do
Senhor Jesus.
Deus está construindo, não uma casa material, mas sim, espiritual. Pedro
empregou a figura do construtor que lança um bom fundamento, mas ao
mesmo tempo une todas as pedras para formar um só edifício. Aprendemos
que a segurança, a formação e a unidade depende de Cristo.

COMO PODE UMA PESSOA PERTENCER A IGREJA DE CRISTO?


Pode pertencer ao corpo de Cristo somente pela nova relação com o
Senhor Jesus. "CHEGANDO-VOS PARA ELE, a pedra que vive, rejeitada, sim
pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa"(v.4). Ele é a Pedra que
vive. É para nos.lembrar que a pedra é somente uma figura, mas que Ele
vive. Ele é a Pedra rejeitada pelos homens. Os chefes religiosos se
consideravam construtores da Casa de Israel, porém, quando o Senhor Jesus
veio, Ele foi rejeitado porque não veio conforme as especificações deles. Ele
é escolhido por Deus e precioso. Pedro citou Isaías 28.16. "Diz o Senhor
Deus: Eis que assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra
preciosa, angular, solidamente assentada, aquele que crer não foge". PEDRA
PROVADA. Satanás no deserto provou ao Senhor, que também foi provado
pelos chefes religiosos, mas que sempre saiu vencedor. PEDRA PRECIOSA.
Ele é precioso para Deus e para nós, que cremos. PEDRA ANGULAR. É a

16
pedra do fundamento que liga as paredes. É ele que nos une. PEDRA
SOLIDAMENTE ASSENTADA. Ele é de confiança e por isso, Isaías disse: "e
aquele que crer não foge".
O SACERDÓCIO SANTO. Quando Pedro escreveu sobre o sacerdócio,
ele estava pensando no sacerdócio do Velho Testamento e não nos sacerdotes
das diversas religiões hoje em dia. Todos os crentes têm duas funções que os
sacerdotes tinham no Velho Testamento. A primeira é: A ENTRADA NA
PRESENÇA DE DEUS. Nós temos este privilégio por meio da oração, que é
essencial para a nossa vida espiritual. É como o ar que respiramos, pois, sem
a prática da oração, a vida espiritual não se desenvolve. Pelo Senhor Jesus
nós podemos nos aproximar de Deus em oração. E um grande privilégio e
necessidade orar e interceder por outros. Nem todos os crentes têm ministério
na igreja, porque Deus escolheu homens para fazer este serviço. Deus também
escolheu o homem para ser porta-voz na igreja, em oração. O homem dirige-
se a Deus em oração, na igreja, mas todos podem e devem orar com ele, em
silêncio. Todos os crentes são sacerdotes e devem orar a Deus.
A SEGUNDA FUNÇÃO DO CRENTE COMO SACERDOTE É OFERECER
SACRIFÍCIOS ESPIRITUAIS AGRADÁVEIS A DEUS POR INTERMÉDIO DE JESUS
CRISTO. É assunto de adoração. Quais são os sacrifícios espirituais que temos
de oferecer a Deus? DEVEMOS OFERECER OS NOSSOS CORPOS COMO
SACRIFÍCIO VIVO A DEUS. O apóstolo Paulo escreveu: "Rogo-vos , pois,
irmãos, pelas misericórdias de Deus que apresenteis os vossos corpos POR
SACRIFÍCIO VIVO, santo e agradável a Deus"(Romanos 13.15). DEVEMOS
OFERECER O SACRIFÍCIO DE LOUVOR, QUE É O FRUTO DOS LÁBIOS
(Hebreus 13.15). Os crentes também devem fazer O SACRIFÍCIO DE BOAS
OBRAS (Hebreus 13.16) . O apóstolo Paulo fala do seu ministério como O
SACRIFÍCIO DE SERVIÇO (Romanos 15.16). Nos versículos 7 e 8 do nosso
texto, Pedro, por meio da figura da pedra, apresentou duas atitudes para
com o Senhor Jesus. Para o crente Ele é precioso, mas para os descrentes ele
é Pedra de tropeço.

QUATRO DESCRIÇÕES DO CRENTE EM CRISTO (v.9).


Promessas condicionais, feitas ao povo de Israel, são feitas no versículo
9, sem condição aos crentes. Pedro está Citando Êxodo 19.5 e 6. Para os
salvos não são promessas condicionais, mas sim, descrições do crente em
Cristo.
(l) "Vós, porém, sois raça eleita". O povo de Israel é uma raça escolhida
e distinta, e embora espalhado pelo mundo inteiro por muitos séculos, eles
ainda conservam as características da sua raça, e são conhecidos em todo o
lugar. Isto é por causa do seu nascimento. Da mesma maneira, os cristãos

17
devem proclamar "as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a
Sua maravilhosa luz"(v.9). (2) Sacerdócio Real. Qual é a diferença entre o
sacerdócio santo e o sacerdócio real? O crente é sacerdote em relação ao
Senhor Jesus, o nosso Sumo Sacerdote. Ele é o Sacerdote Real, segundo a
ordem de Melquisedeque, que era rei e apresentava-se a Deus para oferecer
o sacrifício de adoração. E sai para mostrar a realeza do Nosso Senhor na
prática do bem e a mútua cooperação; pois com tais sacrifícios Deus se
compraz (Hebreus 13.16). A descrição do sacerdócio santo se encontra em
Hebreus 13.15.
(3) Nação Santa. Como o povo de Israel foi separado dos outros povos,
a igreja foi separado tembém; a igreja foi separado para ser um povo
diferente.
(4) Povo de propriedade exclusiva de Deus. O crente tem um só dono, e
o propósito maravilhoso de mostrar o caráter do Nosso Senhor. Ele nos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz.

LIÇÃO N° 7
O BOM TESTEMUNHO (LEITURA: 1 Pedro 11 a 17)
Nesta lição começamos a seção de relações (2.11 a 3.12). A primeira é
a relação do cristão para com o mundo em que vive. "Amados, exorto-vos,
como PEREGRINOS E FORASTEIROS'(v. 11). Os cristãos, aos quais esta carta
foi escrita, eram realmente peregrinos e estrangeiros, pois pela perseguição
foram obrigados a fugir para outros países. Portanto, Pedro está descrevendo
a posição do cristão quanto ao mundo em que vive. Pela palavra "peregrino"o
salvo aprende que não pertence a este mundo, mas está de passagem em
demanda do país celestial. O forasteiro, também, vive num país o qual ele
não pertence. A exortação para os peregrinos e forasteiros é: "a vos absterdes
das paixões carnais que fazem guerra contra a alma". O crente novo logo
descobre que ele está numa guerra espiritual. Ele tem três inimigos espirituais:
o mundo, a carne e Satanás, que lutam contra a vida espiritual. O inimigo do
cristão é ele mesmo (v. 11), a sua natureza velha e pecaminosa, que no Novo
Testamento se chama "a carne". Exortou o apóstolo: "e vos absterdes das
paixões carnais que fazem guerra contra alma". Não devemos deixar esses
desejos estragarem a nossa vida espiritual.

O TESTEMUNHO OU A VIDA EXEMPLAR


No versículo 12 se encontra o tema principal do texto. "Mantendo
exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que
falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas

18
obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação"(v. 12). O Senhor Jesus ensinou
aos seus discípulos: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que
vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus".
(Mateus 5.16). Disse o Senhor Jesus aos seus discípulos: "Sereis minhas
testemunhas"(Atos 1.8).

TEMOS QUE COMPROVAR COM A NOSSA VIDA O QUE PROFESSAMOS


COM A NOSSA BOCA.
As pessoas levam a sério a nossa conversa somente quando é condizente
com o nosso procedimento. Não adianta dizer que somos filhos de Deus se
não reproduzimos as características do Pai Celestial, e da natureza que
recebemos pelo novo nascimento. O PROCEDIMENTO EXEMPLAR É
ATRAENTE.
O apóstolo Pedro exortou: "Mantendo EXEMPLAR o vosso procedimento
no meio dos gentios". A palavra grega traduzida "exemplar"(Versão
Atualizada) tem sido traduzida de diversas maneiras, como "honesto"e "bom",
como o BOM PASTOR (João 10.11).Portanto, no grego, é a palavra corrVum
para descrever o que é belo. E a mesma palavra usada para descrever a
beleza das pedras no templo. Falaram "a respeito do templo, como estava
ornado de BELAS pedras e de dádivas"(Lucas 21.5).

QUANDO O TESTEMUNHO É EXEMPLAR CONFORME O DE CRISTO, É


BELO E ATRATIVO.
Os cristãos aos quais Pedro escreveu, estavam peregrinando numa terra
hostil ao evangelho e aos discípulos de Cristo. Houve um contraste muito
grande entre a vida dos pagãos e a dos cristãos. Ávida dos cristãos era como
a luz nas trevas da ignorância, do pecado, e das abominações do paganismo.
Não achando culpa alguma nos crentes, o único meio de acusá-los foi
inventar acusações falsas contra eles.

A MANEIRA EFICAZ DE COMBATER A CALÚNIA É PELA VIDA EXEMPLAR.


'MANTENDO EXEMPLAR o vosso procedimento no meio dos gentios,
para que, naquilo que fala contra vós outros como de malfeitores, observando-
vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação"(v.12)

GLORIFICANDO DEUS NO DIA DA VISITAÇÃO.


Qual é o dia da visitação? Zacarias, no seu cântico se referiu à visita do
Messias como dia da visitação (Lucas l .68 e 79) . O Senhor Jesus, quando
chorou, à vista de Jerusalém, disse; "porque não reconheceste a oportunidade

19
pela chegada do Messias". Ainda há épocas quando Deus visita o seu povo
com bênção e conversão de almas, como também, a revivificação do seu
povo. Nesses tempos o testemunho e o procedimento exemplar do crente é
essencial para a bênção. Foi uma ocasião de grande bênção quando os
judeus, crentes no Senhor Jesus, levaram o evangelho a Antioquia e muitos
gregos se converteram. A igreja em Jerusalém enviou Barnabé a Antioquia, e
quando ele viu a graça de Deus, se alegrou. A graça de Deus vista por ele foi
o testemunho, a vida exemplar dos gentios que creram em Cristo. Foi uma
transformação muito grande nas suas vidas. Foi o dia da visitação.
Uma das acusações levantadas contra os cristãos é de que eram subver-
sivos, dando obediência a outro rei, Jesus, e que não se sujeitavam às leis
do país onde se achavam. O apóstolo Pedro esclarece a POSIÇÃO DO
CRISTÃO QUANTO ÀS AUTORIDADES E GOVERNOS. Deus ordenou aos
governos que mantessem ordem e eles eram erão instituídos "por causa do
Senhor". O rei Nabucodonozor precisava aprender a lição "que o Altíssimo
tem domínio sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer"(Daniel
4.25). Os cristãos se sujeitaram às autoridades "como enviadas por Deus,
tanto para o castigo dos malfeitores, como para o louvor dos que praticam
o bem"(v. 14).
. Nesta altura, o apóstolo emprega outro termo para descrever os cristãos,
"MAS VIVENDO COMO OS SERVOS DE DEUS". Como servo de Deus é
imperativo fazer a vontade de Deus. O apóstolo escreveu: "Porque assim é
a vontade de Deus, que, peia prática do bem, façais emudecer a ignorância
dos insensatos". Esta é a arma do cristão contra a calúnia.
Devemos tomar muito cuidado para não abusar da nossa liberdade.
"Como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da
malícia, mas vivendo como servos de Deus"(v.15).

A NOSSA ATITUDE PARA COM OUTROS


São três relações humanas e uma relação para com Deus. A nossa
atitude para com os outros influe muito no nosso procedimento. (1) A NOSSA
ATITUDE PARA COM TODOS. "Tratai A TODOS com honra". É a palavra
'TODOS" que chama a nossa atenção, pois, a nossa atitude deve ser
imparcial. Devemos dar o mesmo trato ao pobre como ao rico (Tiago 2.1 a
4), tanto ao analfabeto como ao sábio. Não é conduta cristã desprezar
ninguém. O apóstolo Pedro precisava aprender esta lição. Os judeus
desprezavam os gentios, e os consideravam como cachorros e não entravam
em casa de alguém de outra raça. Deus mostrou a Pedro por meio de uma
visão, que não há diferença entre judeu e gentio e que, o evangelho é para
todos. (2) UMA RELAÇÃO ESPECIAL. "Amai aos irmãos". Ele deve ser tratado
com amor porque pertence a Cristo. (3) UMA ATITUDE ESSENCIAL. "Temei
a Deus". É o caminho de benção. (4) HONRAI AO REI. É a atitude correta
para com o governo.

20
LIÇÃO N° 8
JESUS CRISTO O NOSSO EXEMPLO
(LEITURA: 1 Pedro 2.18 a -25)
Aos crentes que sofreram pela sua fidelidade ao Senhor Jesus, Pedro
exortou: "Servos, sede submissos, com todo temor aos vossos senhores, não
somente aos bons e cordatos, mas também aos perversos"(v. 18) . Na sua
epístola, Pedro só fala dos deveres dos servos e não dos patrões. Por
que?Porque os destinatários da carta eram todos servos, pois, pela perseguição
perderam as suas propriedades e foram obrigados a peregrinar em países
onde eram estrangeiros. A nossa reação às injustiças, ao invés de res-
sentimento e ira, deve ser de submissão. Pedro aconselhou: "Se, entretanto,
quando praticas o bem, sois igualmente afligidos e o SUPORTAIS COM
PACIÊNCIA, ISTO É GRATO A DEUS"(v. 20). Da injustiça e do sofrimento
pode sair uma coisa boa? Depende da nossa reação. Para Deus, a submissão,
a mansidão, suportar a oposição e sofrimento com paciência, é uma jóia de
valor incalculável. Duas vezes neste texto encontram-se as palavras: "Isto é
grato a Deus". Neste contexto o nosso assunto principal é apresentado.

O EXEMPLO DE JESUS CRISTO É O MAIOR


Certos homens no Velho Testamento demonstraram virtudes. Abraão é
um exemplo de fé e obediência, enquanto Moisés é exemplo de mansidão.
Porém, o Senhor Jesus é o maior exemplo de todas as virtudes porque é
perfeito. Não podemos seguí-lo em tudo que Ele fez porque Ele é Deus. Não
podemos andar sobre o mar, nem fazer os milagres que Ele fez, porque são
sinais de que Ele é o Messias, o Filho de Deus. Portanto, como homem,
podemos seguí-lo na compaixão, paciência, humildade e amor.
ELE É O EXEMPLO NO SOFRIMENTO E NA EXPERIÊNCIA MAIS
DOLOROSA DA VIDA. Os cristãos daquela época sofreram, mas Ele sofreu
mais. Eles sofreram injustamente, mas Ele muito mais.

OS DIVERSOS ASPECTOS DA MORTE DO SENHOR JESUS


Os apóstolos Paulo, João e Pedro escreveram a respeito dos sofrimentos
e da morte do Senhor Jesus, mas cada um apresentou um aspecto diferente.
Paulo ensinou que Cristo morreu para que o pecador pudesse ser justificado,
como se não tivesse pecado. João viu a morte do Senhor Jesus como a prova
do grande amor de Deus pelos pecadores. Pedro, na sua primeira epístola,
aplica de diversas maneiras, à vida do cristão, o ensino do sofrimento e da
morte de Cristo. Temos exemplos disto nos versículos 2 1 a 25.

21
O SIGNIFICADO E O EFEITO DA CRUZ DE CRISTO NA VIDA NOVA
O SIGNIFICADO DO CORDEIRO PASCAL ( 1. 18 e 19 ). "Sabendo que
não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que FOSTES
RESGATADOS DO VOSSO FÚTIL PROCEDIMENTO que vossos pais vos
legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem
mácula, o sangue de Cristo". O sangue de Cristo é eficaz porque Ele foi o
sacrifício perfeito ( 1 Pedro l. 19). Escreveu Pedro aos eleitos da Dispersão :
"Fostes resgatados do vosso FÚTIL PROCEDIMENTO". O sentido da palavra
"resgatar" é o pagamento do preço para libertar o preso. Foram resgatados
não somente da pena do pecado, mas também do procedimento fútil da vida
antiga. A vida sem Cristo é fútil, sem propósito, sem alvo certo e sem futuro.

A CRUZ DE CRISTO EXIGE O DISCIPULADO


"Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo
sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos
" ( 2 . 2 1 ). O salvo é chamado para ser discípulo de Cristo. Depois de encontrar
a salvação, pela morte de Cristo, há a necessidade de seguir a Cristo. O
descrente não tem poder para seguir o exemplo de Cristo, porque sem a vida
nova não pode, de forma alguma, seguir ao Mestre. No versículo 21, há dois
ensinos distintos que não devemos confundir.
( l ) O Senhor Jesus sofreu COMO SUBSTITUTO DAQUELES QUE
HAVIAM DE CRER NELE. "Cristo sofreu em vosso lugar "21). Ele é o substituto
somente por aquele que crê nele. Somente o crente pode dizer: "Cristo morreu
em meu lugar", porque Ele é o substituto daquele que crê nele. A morte
expiatória de Cristo não foi deficiente para ninguém; foi suficiente para todos;
mas só será eficiente para os que crerem.
( 2 ) O PROCEDIMENTO DE CRISTO NO SOFRIMENTO É O EXEMPLO
PARA OS SALVOS. "Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que
também Cristo sofreu em vosso lugar , DEIXANDO-VOS EXEMPLO PARA
SEGUIRDES OS SEUS PASSOS" ( 2 . 21 ). A obra redentora foi efetuada pelo
Senhor Jesus quando Ele fez a expiação pelos pecados na cruz; ninguém
pôde participar daquele sofrimento. Portanto o Senhor Jesus também sofreu
como o justo servo de Deus, sofrendo por causa da justiça, pois, nisto podemos
e devemos seguir o Seu exemplo.
O EXEMPLO DE CRISTO
Ele não sofreu pelos pecados Dele porque Ele nunca pecou. "O qual
não cometeu pecado"
(v . 22 ) . Ele nunca enganou a ninguém e a Sua palavra é de confiança.

22
"Nem dolo algum se achou em sua boca ". Ele não pagou as injúrias com a
mesma moeda. Quando foi insultado e acusado falsamente, Ele ficou calado.
"Quando ultrajado não revidava com ultraje". Quando maltratado não fazia
ameaças". Aquele que podia chamar o castigo divino sobre os malfeitores
não os ameaçava. Ele deu o maior exemplo de mansidão. "Mas entregava-
se Àquele que julga retamente". No versículo 24 Pedro apresenta mais um
aspecto da morte de Cristo.

HOUVE A TRANSFERENCIA DO FARDO DO PECADO PARA CRISTO


"Carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, nossos
pecados". Foi acrescentada a maldição: "porque está escrito: Maldito todo
aquele que for pendurado em madeiro" ( Gaiatas 3 .13 ) . O fardo do
pecado é pesado demais para o homem. O salmista escreveu: "Pois já se
elevam acima da minha cabeça as minhas iniquidades; como fardos pesados
excedem as minhas forças" (Salmo 38 . 4). As profecias messiânicas indicam
alguma coisa do enorme peso que Ele carregou.
OS SOFRIMENTO DE CRISTO NA CRUZ DEVE EFETUAR UMA MUDANÇA
COMPLETA NA VIDA DOS SALVOS . Será que o pecado tão amargo para o
Senhor será doce para nós? De forma alguma ! Jesus Cristo morreu "para
que nós, mortos aos pecados, vivamos para a justiça ( v . 24 ). A expressão
"morto para o pecado"significa que, por causa da morte do Senhor Jesus, o
pecado não deve ter uma atração para nós. A cruz de Cristo, não apenas
muda a nossa atitude para com o pecado, como também, nos traz saúde
espiritual. "Por chagas fomos sarados". É uma citação de Isaías 53 . 5. "Pelas
suas pisaduras fomos sarados".
É UMA VIDA AOS CUIDADOS DO BOM PASTOR. Antes estavam
"desgarrados como ovelhas"( Isaías 53 . 6 ), agora, porém, vos converterdes
ao Pastor e Bispo das vossas almas". O Senhor Jesus morreu por nós. Como
Pastor o Senhor ressurgido, guardará o seu povo dos ataques do inimigo.
Como Bispo das almas Ele o orientará e ampara, mesmo nas horas difíceis
da vida.

23
LIÇÃO N° 9
O CRISTÃO NO LAR (LEITURA: 1 Pedro 3.1 a 12)
Esta é a terceira lição da primeira Epístola de Pedro sobre o assunto do
relacionamento entre pessoas, que também nos ensina como a vida nova se
expressa no lar. O capítulo três começa com a responsabilidade da esposa
no lar, que segue logo depois do ensino a respeito do exemplo do Senhor
Jesus. Mostra o quanto Ele se sujeitou por amor de nós. Nos textos 2.11 a
3.12 três casos se mencionam, demonstrando como a vida nova vence nas
circunstâncias mais difíceis da vida.
(1) O cristão entre os seus perseguidores (2.10).
(2) O escravo cristão pertencendo a um patrão perverso.
(3) Uma esposa crente com o marido descrente. Nos três casos a solução
é a mesma; é sujeição à autoridade e um bom testemunho. O terceiro caso é
o assunto desta lição.

A ESPOSA CRENTE COM O MARIDO DESCRENTE


Surge o problema quando uma mulher se converte e o marido é
descrente. Como deve ela proceder? Primeiramente o conselho é para todas
as esposas: "Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vossos próprios
maridos". Quanto ao problema, a sujeição não é uma palavra popular, porém,
é essencial para ordem e paz, e desde o nosso nascimento, para o nosso
bem, temos aprendido a nos sujeitar à autoridade. A criança tem que se
sujeitar aos pais, o aluno ao professor, o empregado ao patrão. Todos os
dias temos que nos sujeitar às leis dos homens. Sem esta disciplina há
anarquia, que está aumentando neste pobre mundo. O lar cristão, ao invés
de anarquia deve ter submissão, ordem e paz. O espírito de rebeldia piora
qualquer situação, pois, a rebelião é pecado. Adão e Eva pecaram quando
revoltaram-se contra Deus, e desde aquela ocasião o mundo está em plena
revolta contra Deus. Por isso, não tem paz; há confusão e desordem. Deus
constituiu o marido como o líder no lar e ele deve ser obedecido, a não ser
quando exige o que é contrário à Palavra de Deus.

COMO DEVE PROCEDER A ESPOSA CRENTE DE MARIDO DESCRENTE?


"Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vossos próprios maridos,
para que, se alguns deles ainda não obedecem a palavra, sejam ganhos,
SEM PALAVRA ALGUMA, por meio do procedimento de suas esposas".(3.1).
Mais uma vez encontra-se o valor do testemunho de uma vida realmente
cristã (2.12 e 15). Falar muito e agredir com palavras pode não surtir efeito,

24
enquanto o procedimento cristão ganha a alma para Cristo. Qual é o
procedimento da mulher que ganha o marido para Cristo? "O honesto
comportamento cheio do temor"(de Deus). Qualquer desonestidade no lar
será logo observado.
Queremos saber por que o apóstolo logo passa ao assunto do traje e
enfeite da mulher. Porque o traje revela alguma coisa sobre o caráter da
pessoa. O apóstolo Paulo em l Timóteo l .9 ensina que o traje da mulher
cristã deve ser decente. Hoje em dia, muita roupa feminina é feita para seduzir
o homem. Isto é o serviço de Satanás. O traje da mulher cristã deve ser com
MODÉSTIA, BOM SENSO E NÃO COM VESTUÁRIO DISPENDIOSO.
Extravagância e luxo são a causa de problemas financeiros e contendas em
alguns -lares. Também o cristão deve lembrar que ele é administrador do
Senhor quanto aos seus bens.
Pedro contrasta o enfeite artificial e do exterior com o enfeite real e do
interior (v v 3 e 4). "Não seja o adorno das esposas o que é exterior"(v.3),
não é artificial, mas sim, uma jóia de valor incalculável. "É um espírito manso
e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus"(v.4). ,

O PROCEDIMENTO CRISTÃO DO MARIDO NO LAR (v.7)


O lar chama-se cristão quando os dois cônjuges são cristãos e no lar
eles exibem as virtudes cristãs. No versículo 7, Pedro aconselha o marido
cristão a agir no lar. Para que tenha um lar feliz, ele tem que ser submisso a
Cristo e à Palavra de Deus. São três exortações dirigidas ao marido, mostrando
como ele deve tratar a sua esposa: (1) "Maridos, vós, igualmente, vivei a vida
comum do lar, COM DISCERNIMENTO". Esta última palavra é importante
porque o marido facilmente pode abusar da sua posição como Chefe de
família. O homem egoísta e autoritário, que somente quer fazer a sua própria
vontade, torna-se antipático e não conseguirá a cooperação espontânea do
resto da família. No lar existem diversos temperamentos que necessitam de
um trato diferente e especial. Além de tudo, para ser amado precisa ser
amável. Cada marido precisa de discernimento no desempenho do seu dever
no lar.
(2) TENDO CONSIDERAÇÃO para com a vossa mulher como parte
mais frágil". A outra palavra importante é "consideração". No físico, a mulher
é mais frágil do que o homem, e por isso, precisa de mais cuidados para o
seu bem estar e felicidade. O apóstolo Paulo escreveu: "Assim também os
maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem
ama a sua esposa, a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a sua
própria carne, antes a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com
a igreja"(Efésios 5.28 e 29).

25
(3) 'Tratai-a com dignidade". A esposa não deve ser tratada como uma
escrava. Ela não é inferior ao homem, pois são iguais, porém, a função é
diferente. A superioridade depende do caráter da pessoa e do seu modo de
viver, e não do sexo. Por que o marido deve tratar a esposa com dignidade?
Pedro explica: "Por isso que sois juntamente herdeiros da mesma graça de
vida, para que não se interrompem as vossas orações". No versículo 8 a
palavra "finalmente"não quer dizer que está terminando a carta., mas que
tinha uma última mensagem para todos no lar.

O SEGREDO DA BÊNÇÃO DO SENHOR NO LAR


Os versículos 8 e 12 contém uma série de conselhos para a vida no lar.
Em primeiro lugar vamos pensar no CARÁTER QUE DEUS QUER ABENÇOAR
. A bênção dó Senhor no lar é de grande valor e o caráter exigido é: "Sede
todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos
e humildes"(v.8). "Não pagando mal por mal, ou injúria por injúria; antes,
pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de
RECEBERDES BÊNÇÃO POR HERANÇA" (v.9) O PROCEDIMENTO EXIGIDO
PARA QUEM QUER AMAR A VIDA E VER DIAS FELIZES: CUIDADO COM AS
SUAS PALAVRAS. "Refreie a sua língua do mal". Uma palavra áspera pode
desfazer uma amizade para sempre. Seja sincero no seu trato e nas suas
palavras: "e evite que os seus lábios falem dolosamente". Pratique o que é
bom e para fazer isto, precisa "apartar-se do mal"(v. 11)." Busque a paz e
empenhe-se por alcançá-la"(v. 11). Além de buscar a paz, tem que fazer todo
o esforço para conservá-la. "Porque os olhos do Senhor repousam sobre os
justos e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas"(v.!2). Isto significa
que os cuidados do Senhor são constantes e que Deus ouve as orações dos
justos.

LIÇÃO N° 10
O SENHOR JESUS ENTRONIZADO NO CORAÇÃO
(Leitura: 1 Pedro 3.13 a 22)
Mais uma vez Pedro aborda o assunto dos sofrimentos dos cristãos pela
sua fé em Cristo. De acordo com o Sermão do Monte, tais pessoas são bem-
aventurados (v. l4), e não têm nada a temer. "Não vos amedronteis, portanto,
com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados". É a introdução aos três
assuntos principais do texto.

(1) O SENHOR JESUS ENTRONIZADO NO CORAÇÃO


"Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações", estando

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sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da
esperança que há em vós"(v.15). Existem pessoas que conhecem a Cristo
como Salvador, mas não chegam a conhecê-lo como o Senhor da sua vida.
A razão: não reconhecem Jesus Cristo como Senhor.

COMO PODEMOS SANTIFICAR A CRISTO, COMO O SENHOR, NO


CORAÇÃO?

É PELA RENDIÇÃO, SEM RESERVAS, AO SENHOR JESUS.


O apóstolo Paulo descreve este ato por outras palavras: Que apresenteis
os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso
culto racional"(Romanos 12.1). É RECONHECÊ-LO EM TODOS OSSETORES
DA NOSSA VIDA, como na vida doméstica, no trabalho, nos negócios, na
vida social e religiosa. É AMÁ-LO MAIS DO QUE A QUALQUER OUTRA
PESSOA OU OBJETO. É amá-lo de todo o coração. É OBEDECER A SUA
PALAVRA E RECONHECER A SUA VONTADE COMO SUPREMA EM SUA VIDA.
Isto importa estar sempre submisso a Ele.
A vida nova, em submissão ao Senhor Jesus, se expressa de três maneiras:
(a) PELO TESTEMUNHO: "estando sempre preparado para respondera
todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós"(v.l 5).
(b) PELA BOA CONSCIÊNCIA ; "com mansidão e temor, com boa
consciência" (v. 16).
(c) PELO "BOM PROCEDIMENTO EM CRISTO": Os que difamam os
cristãos, vendo o seu bom procedimento, ficam envergonhados, (v. 16).
(2) O CAMINHO PARA DEUS
No versículo 18 apresenta-se mais um aspecto da morte do Senhor
Jesus.
(a) Cristo morreu para fazer expiação pelos nossos pecados. "Cristo
morreu pelos pecados". Morreu para liquidar para sempre a questão do
pecado. Foi por causa do nosso pecado que Cristo morreu.
(b) "Cristo, morreu UMA ÚNICA VEZ pelos pecados". Ao morrer, Ele
disse: "Está consumado! "(João 19.30). Ele completou a obra da redenção,
pois, não pode ser repetida, nem acrescentada. O pecador, nada tem a fazer,
senão aceitar o que Cristo já fez por ele na cruz. É uma obra completa e
perfeita.
(c) O Senhor Jesus morreu como substituto daquele que havia de crer
Nele. Ele morreu "o justo pelo injusto". Por ser justo, Ele podia morrer pelos
injustos.

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(d) O propósito da morte de Cristo foi: "para conduzir-vos a Deus". O
pecador, estando longe de Deus, agora, pela morte do Senhor Jesus, pode
se aproximar de Deus e ser salvo.

(3) A ARCA DE NOÉ ( v.v.19 a 22).


Uma interpretação do versículo 19 é que, o Senhor Jesus, ao morrer,
desceu ao Hades, onde anunciou a sua vitória. Não pregou o Evangelho aos
perdidos no Hades, porque, além túmulo não há mais esperança de salvação.
Outra interpretação afirma que, pelo Espírito Santo, Cristo foi e pregou pela
pregação de Noé aos espíritos AGORA na prisão (Hades). O versículo 20
confirma esta interpretação. Os espíritos eram homens e mulheres que no
tempo de Noé foram desobedientes agora estão no Hades.
A fim de entender a referência à arca temos que saber o significado da
figura da arca e do dilúvio. A arca é figura do Senhor Jesus, e a água é figura
do julgamento divino contra o pecado. Como a arca foi o único meio de
salvação, da mesma maneira, Jesus Cristo é o único que pode nos salvar do
julgamento por causa do nosso pecado. Noé e a sua família dentro da arca
foram salvos: não pela água, mas sim, através da água, do julgamento da
água, enquanto o resto do mundo pereceu nas águas.
O BATISMO (v. 21). "O qual, figurando o batismo, agora também salva,
não sendo a remoção da imundície da carne mas a indagação de uma boa
consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo". Há
um batismo que nos salva, mas não é o nosso batismo nas águas. A morte
do Senhor Jesus foi um batismo nas águas de julgamento. Falando da sua
morte o Senhor Jesus disse: 'Tenho um batismo com o qual hei de ser batizado;
e quanto me angustio até que o mesmo se realize"(Lucas 12.50). O salmista
descreveu a morte de Cristo desta maneira: "Um abismo chama outro abismo,
ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre
mim". (Salmo 42.7). Na sua morte o Senhor Jesus foi batizado nas ondas da
ira de Deus, e este batismo é a base para a nossa salvação. O batismo é o
sinal do fato, que, quando Cristo morreu, foi sepultado e ressuscitou; assim
também, o crente morreu, foi sepultado e ressuscitou com Cristo. Pelo batismo,
o batizando reconhece este fato e se identifica com Cristo, por uma figura,
que é símbolo do túmulo e a ressurreição. Descendo na água é figura da
morte, e saindo da água é figura da ressurreição. O ensino desta figura
santifica o crente pela sua atitude para com o pecado e para com Cristo,
pois, agora ele está morto para o pecado e vivo para Deus, para assim,
andar em novidade de vida (Romanos 6.3 e 4).
.O batismo na água é somente para o crente (Atos 8.37 e 18.8). É um
testemunho público de que o batizando pertence a Cristo. A salvação é pela

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fé, sem o batismo. O ladrão, que morreu ao lado de Cristo, foi salvo sem ser
batizado. "Quem crer e for batizado será salvo"(Marcos 16.6), também, quem
crer, mesmo sem ser batizado será salvo, porém, não está obedecendo a
ordem do Senhor Jesus. Não é água, mas sim, o sangue de Cristo, que lava
o pecado (l João 1.7). Simão, o mágico, foi batizado, mas não foi salvo
(Atos 8.13 e 21). O apóstolo Pedro escreveu: "a qual, figurando o batismo,
agora também vos salva, não sendo a remoção da imundície da carne"(v.21).
Isto é, não lava os pecados. Pedro diz, "agora também vos salva". Será que
tem uma incoerência no mesmo versículo? De forma alguma! Pedro não está
falando da salvação da alma, mas da salvação de uma consciência acusadora
para com Deus". Pelo batismo, o crente está obedecendo ao Senhor e assim
está dando mais um passo, para a frente, na sua vida espiritual. Como pode
o crente desobediente ter uma consciência tranquila? O batismo é o ato pelo
qual o crente torna-se discípulo de Cristo.

LIÇÃO N° 11
VIDA COM UM PROPÓSITO E ALVO
(LEITURA: 1 Pedro 4.1 a 11)
O homem sem Cristo não sabe porque vive, e a razão é que, está
vagueando nas trevas sem alvo certo. Portanto, pelo Senhor Jesus, o crente
tem um propósito e alvo na vida. Este alvo encontra-se no versículo 11. "Se
alguém serve, faça-o na força que Deus supre, "PARA QUE EM TODAS AS
COISAS SEJA DEUS GLORIFICADO, POR MEIO DE JESUS CRISTO". Como
podemos viver para a glória de Deus? Começa pela cruz de Cristo. Pedro
aplica à vida prática do crente o ensino dos sofrimentos do Senhor Jesus.
"Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo
pensa mento"(v. 1).
PARA VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS PRECISA TER O PENSAMENTO
DE CRISTO. O pensamento, ou sentimento de Cristo é descrito em Filipenses
2.5 a 8. É o pensamento humilde e altruísta.
VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS É VIVER SEGUNDO A VONTADE DE
DEUS. "Para que, no tempo que vos resta na carne já não vivais de acordo
com as paixões dos homens, mas SEGUNDO A VONTADE DE DEUS"(v.2).
Em primeiro lugar, precisamos conhecer a vontade de Deus, ter prazer nela,
para cumpri-la na vida. Os crentes daquela época tinham de escolher entre
a vida de pecado e a vida cristã. Sofreram a perseguição porque deixaram a
vida pecaminosa. "Aquele que sofreu na carne deixou o pecado"(v. 1). Havia
uma grande diferença entre a vida dos perseguidos e a dos perseguidores.

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Os descrentes cometiam os pecados mencionados no versículo 3 e por isso,
os cristãos foram difamados e perseguidos porque não concorreram com
eles na vida de pecado.
O fim da vida sem Cristo é triste porque termina com o juízo final do
grande trono branco (Apocalipse 20.11 a 14). Os incrédulos "hão de prestar
contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos"(v.5). Ele é
competente porque é Deus e ao mesmo tempo homem. Ele julgará com
justiça e equidade. Ele morreu para que o homem não fosse julgado e
castigado para todo o sempre, mas se o homem continuar a rejeitá-lo, entrará
no juízo final e será lançado no lago de fogo (Apocalipse 20.14). O fim do
cristão é diferente e é descrito no versículo 6. "Pois, para este fim foi o evangelho
pregado também a mortos". Isto é, o evangelho foi pregado e recebido pelos
homens, agora mortos. Foram perseguidos e "julgados na carne segundo os
homens". Embora maltratados pelos homens, "vivam no espírito segundo
Deus". Agora mortos quanto ao corpo, no espírito e alma eles vivam na
felicidade com Cristo esperando a ressurreição do corpo.

A VIDA CRISTÃ ( v v . 7 a 11)


A epístola toda ensina a respeito da vida cristã, porém, vamos considerar
o aspecto de convivência com outros crentes no Senhor Jesus. Pedro adverte
os cristãos: "Ora, o fim de todas as coisas está próximo". Não sabemos a
qual evento se refere este versículo. A advertência não é somente para os
crentes daquela época porque nós também estamos vivendo na véspera de
um grande acontecimento. Estamos esperando a vinda do Senhor Jesus para
arrebatar a sua igreja, e assim, levar o seu povo para a glória. A mensagem
para os cristãos daquele tempo exortou-os para serem sóbrios e vigilantes
em oração, sem estarem distraídos pelas forças do mal (v.7).

O AMOR PARA COM TODOS OS MEMBROS DA FAMÍLIA DE DEUS (v.8)


O amor fraternal deve ter prioridade quanto ao nosso relacionamento
com os irmãos em Cristo. Escreveu o apóstolo:
"Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para coraos outros". O
amor intenso para com os outros se apresenta em três setores:
(a) Quanto às falhas e faltas de irmãos em Cristo. Lemos: "porque o
amor cobre multidão de pecados"(v.8). O sentido destas palavras é que, o
amor não apenas perdoa as faltas e falhas na vida dos amados, mas também,
fecha os olhos para os defeitos deles.
(b) Quanto à hospedagem dos servos de Deus. Em geral, a perseguição
une mais o povo de Deus e não falta oportunidade de mostrar o amor para

30
com os outros. No tempo de perseguição era perigoso dar hospedagem aos
perseguidos, mas é importante e um grande privilégio que traz bênçãos para
o lar.
(c) O dom espiritual que o crente recebeu de Deus, deve ser usado em
benefício dos outros. "Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que
recebeu, como bons dispenseiros da multiforme graça de Deus". O dispenseiro
é o administrador que tem de prestar contas da administração do dom que
recebeu de Deus.
Cada crente deve perguntar a si mesmo: "Qual é o propósito da minha
vida? " Cada cristão é salvo para cumprir o propósito de Deus. Como cada
membro do corpo tem uma função, da mesma maneira, cada crente tem
uma utilidade no serviço de Deus. Voltemos ao começo desta lição para o
assunto de como devemos glorificar a Deus. Aprendemos pelos versículos l O
e 11 como podemos empregar os nossos dons para a glória de Deus. Podemos
empregar os nossos dons espirituais no falar e no fazer, desenvolvendo o
nosso serviço para o bem de outros e para a glória de Deus. Aos que tem
ministério público ou aos indivíduos, Pedro exortou: "Se alguém falar, faletle
acordo com os oráculos de Deus". Isto é, segundo a Palavra de Deus, pois, a
palavra "oráculo"é também um nome da Palavra de Deus. "Se alguém serve,
faça-o na força que Deus supre". Devemos depender da força que Deus nos
dá para fazer o serviço Dele. "Para que em todas as coisas seja Deus
glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio
pelos séculos dos séculos. Amém"(v. 11).

LIÇÃO N° 12
A IGREJA
(LEITURA: 1 Pedro 4.12 a 5.4)
O texto desta lição divide-se em duas partes. De 5. 12 a 19 o assunto é
a igreja sofredora. A igreja na terra, naquele tempo, estava passando por
uma grande perseguição por causa da sua fé em Cristo. O apóstolo Pedro
agora escreve uma mensagem de consolação, ensinando-lhes diversas lições
a respeito dos sofrimentos dos cristãos.

O SOFRIMENTO É DESTINADO A PROVAR O CRISTÃO.


Prova o seu caráter, para descobrir se é um crente verdadeiro ou um
professo sem o novo nascimento. Pelo sofrer por Cristo, a pessoa torna-se

31
co-participonte dos sofrimentos de Cristo, mas, não dos sofrimentos de Cristo
como Redentor quando Ele fez a expiação dos nossos pecados na cruz.
Daqueles sofrimentos ninguém pôde participar. Portanto, o Senhor Jesus,
durante a sua vida, sofreu como o servo de Deus por causa de justiça. É desta
maneira que o crente pode participar dos sofrimentos de Cristo, "para que
também na revelação de sua glória vos alegreis exultando"(v. 13). Sofrer pelo
nome de Cristo é bem-aventurado, "porque sobre vós repousa o Espírito da
glória e de Deus"(v. 14) . Sofrer pelos pecados é vergonhoso, mas sofrer
como cristão é privilégio!" não se envergonhe disso, antes glorifique a Deus
com esse nome"(v. 16).

A CASA DE DEUS
A Casa de Deus é a igreja, e ela estava passando pelo período de
sofrimento por este mundo. "Porque a ocasião de começar o juízo pela Casa
de Deus é chegada"(v. 17) . "A ocasião"se refere à época da igreja, a qual
começou no dia de Pentecostes e continuará até o arrebatamento. Na época
da graça de Deus a igreja está sendo julgada pelos incrédulos. O crente está
sujeito a encontrar a mesma oposição que sofreu o Senhor Jesus. O mundo
é inimigo de Cristo e do Seu discípulo. Pedro faz a pergunta: Se os crentes
sofrem, "qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?
". Enquanto os salvos gozam a glória com Cristo, os incrédulos sofrerão
horrivelmente para todo sempre.
O apóstolo Pedro fez mais uma pergunta: "E, se é com dificuldade que
o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador? " O argumento
é: se os justos sofrem nesta vida, qual será a sorte do pecador no porvir?
Achamos que o caminho da salvação é fácil, mas, ainda assim, somente
uma minoria é salva. O Mestre exortou: "Esforçai-vos por entrar pela porta
estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão" (Lucas
13.24). No mesmo capítulo encontram-se duas vezes as palavras do Senhor
Jesus: "Se porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis"( v.v.3
e 4). O povo que não se arrepende não é salvo. A porta é estreita, porém tem
lugar para o pecador, mas não para o pecado. No versículo 19 lemos dos
"que sofrem segundo a vontade de Deus". Pensamos nos mártires da igreja,
como o mártir Estevão, que encomendou a sua alma ao Senhor Jesus, na
prática do bem.

AJGREJALOCAL(5.1 a 4)
Neste curso temos pensado como começou a vida nova, como ela cresce
e como alguém, no momento que crê em Cristo, é nascido de novo, e assim,
automaticamente pertence a igreja universal, ao corpo de Cristo e a Casa

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Espiritual, mas agora, no capítulo 5.1 a 4, o aspecto da igreja é outro. Não é
a igreja universal composta de todos os crentes desde o dia de Pentecostes
até a vinda do Senhor Jesus, nem a igreja composta de todos os crentes
vivos, quando Pedro escreveu a sua carta. O assunto agora é a igreja local
(5.1 a 4 ) que é um grupo de crentes reunidos no nome do Senhor Jesus,
numa certa localidade. Em Atos 2.41 e 42 lemos da formação, em Jerusalém,
da primeira igreja local. "Então os que aceitaram a Palavra foram
batizados"(v.41). As quatro atividades da igreja são: "E perseveravam na
doutrina dos apóstolos (ensino do Novo Testamento) e na comunhão, no
partir do pão e nas orações"(reuniões de oração).
Os crentes da igreja primitiva sentiram a necessidade de comunhão, de
estar juntos nas reuniões da igreja. É o lugar onde recebe o ensino da Palavra
de Deus, onde juntamente com os outros membros da igreja pode adorar a
Deus e compartilhar no exercício da oração. Deve ser o nosso lar espiritual
onde recebemos alento para a vida. Quem se ausenta das atividades espirituais
da igreja estará sujeito ao fracasso e desânimo. Cada crente, pela sua
presença, pode contribuir para o bem estar espiritual e progresso da igreja.

OS PRESBÍTEROS DA IGREJA ( v v. l a 4)
São chamados anciãos porque são homens de experiência na vida cristã,
e a eles pertencem a liderança na igreja local. São dotados de dons espirituais,
dados por Deus, para a edificação da igreja. A eles, Pedro exortou; mas em
primeiro lugar, ele se apresentou também como presbítero, no mesmo serviço;
porém, ele presenciou os sofrimentos de Cristo na cruz, e isto foi uma
experiência inesquecível, "e ainda co-participante da glória que há de ser
revelada". Eles também, como foram participantes dos sofrimentos de Cristo,
serão participantes da glória de Jesus Cristo. Em comparação, os sofrimentos
desta vida são insignificantes. As palavras do apóstolo deviam ter sido de
grande conforto para com os que sofreram por Cristo.
Pedro exortou aos anciãos: "Pastoreai o rebanho de Deus que há entre
vós". Como pastores, eles tinham o dever de cuidar e apascentar o rebanho
de Deus. Mas como? "Não por constrangimento, mas espontaneamente".
Não obrigados. "Nem por sórdida ganância, mas de boa vontade". O motivo
de pastorear o rebanho de Deus deve ser o de servir por amor de Cristo. Isto
deve ser o motivo para qualquer serviço. A maneira de fazer o seu serviço é
importante. "Não como dominadores, mas sim, como modelos do rebanho.
"Em primeiro lugar, os presbíteros tem que ser exemplos para o rebanho. O
Senhor Jesus, no versículo 4, se apresenta como o Supremo Pastor. Os pastores
dos rebanhos devem seguir o seu exemplo, pois, Ele é o modelo perfeito e
eles terão de prestar coritas a Ele, quanto ao seu serviço. O serviço de ancião

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de igreja é muito espinhoso, mas também tem a sua recompensa. Não é a
primeira vez, na primeira carta de Pedro, que nós lemos da manifestação ou
revelação de Jesus Cristo. "Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar,
recebereis a imarcescível coroa (que não murcha) da glória".

LIÇÃO N° 13
JOVENS
(LEITURA: 1 Pedro 5.5 a 14)
"Rogo igualmente aos jovens"(v.5). O assunto agora muda, dos anciãos
com muita experiência da vida cristã para os jovens: os que têm pouca
experiência cristã. No capítulo 5.5 a 14 encontram-se instruções para os
jovens e os novos na fé, porém, é conselho para todos os crentes.
INSTRUÇÕES DE VALOR: (1) "Rogo igualmente aos jovens: Sede
submissos aos que são mais velhos"(v.5). Esta é a quarta vez que Pedro
aconselha submissão: (a) submissão às autoridades (2.13). (b) Submissão do
servo ao patrão (2.18) (c) A submissão da esposa ao marido (3.1) (d) os
jovens submissos aos anciãos da igreja (5.5). A revolta é contra a vontade de
Deus e não é o caminho de paz. Pedro aconselha a submissão, quanto à
liderança na igreja, para o bem dos próprios jovens. Os presbíteros, ou sejam,
os anciãos, têm experiência, maturidade e conhecimento bíblico; o que os
jovens não têm. Além disso, os anciãos foram chamados por Deus para
pastorear o seu rebanho. Pela submissão o crente vence, porém, quem se
revolta contra autoridade já está derrotado.
(2) "Cingi-vos todos de humildade"(v.5). A raiz da revolta pode ser o
orgulho ou o desejo de impor a sua própria vontade. O nosso assunto agora
é a nossa atitude para com todos. "No trato de uns com os outros, cingi-vos
todos de humildade"(v.5). Pela humildade podemos resolver muitos problemas
e dificuldades. Portanto, o que é mais importante é a atitude de Deus ao
orgulho. "Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a sua
graça (v.5). É uma citação da versão grega de Provérbios 3.34 . A palavra
"graça"significa "tudo que precisa numa situação difícil". É apoio, socorro e o
seu amor para nos sustentar. Há uma benção especial para os humildes. As
circunstâncias difíceis são permitidas por Deus, e por isso, nós devemos aceitá-
las com toda a humildade a Ele, e em tempo oportuno, nos exaltará (v.6 e
Salmo 55.22).
(3) "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado
de vós"(v.7). E pela oração que podemos lançar sobre Deus toda a nossa

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ansiedade. O apóstolo Paulo em Filipenses 4.6 e 7 ensina como os nossos
problemas podem ser resolvidos pela oração. Desde a conversão, a oração
deve ter um lugar especial na nossa vida. Todos os dias devemos reservar um
tempo para estarmos a sós com Deus, conversando com Ele e escutando a
sua voz pela meditação da sua Palavra. Por este meio podemos lançar sobre
Ele as nossas ansiedades. (4) "Sede sóbrios e vigilantes"(v.8). Ao invés de
sermos levados ao excesso, devemos ser moderados e vigilantes. A pessoa
que não ora não é vigilante, mas sim, descuidada. Por causa dos perigos
espirituais e do inimigo, Satanás, é necessário ser vigilante. O Novo Testamento
exorta a vigiar e orar. Aos cristãos perseguidos, Satanás aparece como um
leão, rugindo e procurando alguém para devorar (v.8). Ele também se
apresenta como serpente, tentando com toda a sutileza. No ambiente religioso
ele aparece como anjo de luz, enganando os incautos. Pedro aconselhou:
"Resisti-lhe firmes na fé". Não podemos resistir-lhe pela nossa força, mas
sim, pela oração, firmes na fé e na dependência do Senhor.

O DEUS DE TODA GRAÇA


O apóstolo Pedro, ao terminar a sua carta, deixa para nós o ensino do
futuro glorioso da pessoa em Cristo. As tribulações e as provações da vida do
cristão são por pouco tempo, enquanto a glória com Cristo é eterna.
Aprendemos que "depois de terdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos há
de APERFEIÇOAR, FIRMAR, FORTIFICAR E FUNDAMENTAR"(v. 10). Em primeiro
lugar, notemos o título de Deus: "O DEUS DE TODA A GRAÇA". É um título
não apenas bonito, mas também, significa que, mesmo nas tribulações do
Seu povo, há um propósito de amor. Mais tarde vamos descobrir que as
nossas provações não foram por acaso, mas sim, pela permissão de Deus e
pelo seu amor para cumprir um propósito glorioso. "Que em Cristo nos
chamou à sua eterna glória".

A OBRA DE DEUS NO CRENTE TEM QUATRO OBJETIVOS (v. 10)


(1) APERFEIÇOAR, O apóstolo Paulo tinha confiança que Aquele que
"começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo
Jesus"(Filipenses l .6). O Oleiro divino, com os Seus dedos, forma o vaso
perfeito segundo o Seu desejo. Tambémé bom saber que aperfeiçoar é suprir
o que falta. O Senhor Jesus não é somente o Autor, mas também é o
Consumador da fé"(Hebreus 12.2)
(2) FIRMAR. Em Romanos 1.11 e 16.25 a palavra grega é traduzida
"confirmar". Paulo queria confirmar na fé, os crentes em Roma. Paulo enviou
Timóteo a Tessalônica "em benefício da vossa fé, para confirmar-vos". Deus
não quer um povo vacilante.

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(3) FORTIFICAR. Satanás, pelas perseguições, queria enfraquecer os
crentes em Cristo, porém, ao invés de enfraquecer, os crentes foram
fortalecidos na sua fé.
(4) FUNDAMENTAR. Parece um sinónimo com a palavra "firmar", mas
fundamentar é mais do quer firmar, porque indica como e onde firmar com
segurança. Significa descansar na Rocha, que é Cristo. Ao pensar na graça
de Deus, Pedro adorou-O com a doxologia": "A Ele seja domínio, pelos
séculos dos séculos, Amém.
Na saudação, nos últimos três versículos, conhecemos os dois nomes
mencionados: Marcos e Silvanus, conhecido melhor como Silas. Não sabemos
se Babilónia é a cidade do rio Eufrates, ou Roma (v. 13). A última mensagem
espiritual se encontra no versículo 12, "exortando e testificando de novo, que
esta é a genuína graça de Deus; nela estai firmes".

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