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UM ESTUDO DA

EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFESIOS


EM 26 LIÇÕES
POR
KENNETH JONES

Curso Bíblico
"Alfa e Ômecia"
C.P. 3033
06210-990 Osasco - SP
Fone: (011) 869-3526
Lição N? 1
CARTA DO APÓSTOLO PAULO, ESCRITA DA PRISÃO EM ROMA,
AOS EFÉSIOS
Leitura: Atos 19.8 a 20; Efésios 1.1 e 2

O apóstolo Paulo, como prisioneiro de César, chegou a Roma no mês de


março do ano 61 A.D.. Um ano mais tarde, acorrentado a um soldado, na casa que
alugou, escreveu três epístolas, a saber: aos Colossenses, a Filemom e aos Efésios.
Estas cartas foram levadas pelos portadores Tíquico e Onésimo, na viagem que
juntos empreenderam para a Ásia Menor. Outro obreiro, chamado Epafras, chegou
a Roma com notícias desagradáveis a respeito de uma doutrina falsa que ameaçava
a igreja em Colossos. O apóstolo, reconhecendo o grande perigo, imediatamente
escreveu a Epístola aos Colossenses. Outro acontecimento que nos interessa é a
conversão de Onésimo, um escravo foragido, pertencente a um crente de Colossos
e convertido durante o encarceramento do apóstolo. Paulo o enviou de volta para o
seu patrão, com a Epístola a Filemom.
A mente do apóstolo ainda se ocupava com as grandes verdades expressas
na sua carta aos Colossenses quando escreveu a Epístola aos Efésios, que é o com-
plemento da Epístola aos Colossenses. Não é de admirar que em ambas se encon-
trem as mesmas palavras e frases, especialmente nas exortações e no ensino práti-
co, porém nota-se diferença entre as duas epístolas.
O assunto da carta aos Colossenses é a excelência e a preeminência de Cristo,
enquanto que a carta aos Efésios salienta a verdade da Igreja como o Corpo de
Cristo. Esta foi a revelação confiada ao apóstolo que, embora desconhecida em ou-
tras épocas, agora estava sendo revelada nas epístolas do apóstolo Paulo (Efésios
3.2 a 6). Nesta epístola contemplamos o ensino mais profundo da Palavra de Deus.
É o assunto da graça de Deus na formação da Sua Igreja, que é o Corpo de Cristo.
O apóstolo Paulo, depois da sua estadia em Corinto, na sua segunda viagem
missionária, navegou da Grécia para a Síria e na viagem fez escala em Éfeso. Foi a
sua primeira visita e durou pouco tempo, mas aproveitou bem seu tempo pregando
aã sinagoga. Os judeus queriam que ele ficasse mais tempo com eles, mas, pro-
metendo voltar, ele prosseguiu a viagem.
Depois de visitar Jerusalém e Antioquia, na sua terceira viagem missionária,
Paulo chegou a Éfeso, onde começou uma obra de evangelização que abrangiu não
apenas a grande cidade de Éfeso, mas também toda a região da Ásia. Éfeso era a
capital da província da Ásia, uma cidade muito importante, sendo o centro comer-
cial da região e um centro religioso na época. Ali existia o grande templo da deusa
Diana, uma das maravilhas do mundo antigo, que era um centro de idolatria e de
paganismo. Na cidade havia muita imoralidade.
Na segunda visita a Éfeso, Paulo frequentou a sinagoga por três meses e ali
falava do reino de Deus, mas, por causa da oposição, ele foi obrigado a passar com
os seus discípulos para a escola de Tirano. "Durou isto por espaço de dois anos,
dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor,
tanto judeus como gregos" (Atos 19.10). Não se refere ao continente^Ja Ásia, nem à
Ásia Menor, mas sim, a uma província pertencente à Ásia Menor. Os que foram
convertidos em Éfeso levaram o Evangelho para as suas próprias cidades, onde
-2-
igrejas foram formadas. Nos capítulos 2 e 3 do Apocalipse lemos as mensagens do
Senhor Jesus às sete igrejas da Ásia, que são: Efeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira,
Sardes, Filadélfia e Laodicéia.
Apesar do fato que Paulo tinha muitos amigos na igreja em Efeso, esta é a
mais impessoal das suas cartas, pois não se refere a ninguém da igreja por nome.
Embora dirigida aos crentes em Efeso, também foi escrita para circular entre as
igrejas da Ásia, entre as quais se encontram as igrejas do vale do rio Licus. O por-
tador da carta, ao subir o vale, avistaria primeiramente a cidade de Hierápolis, si-
tuada num planalto ao norte do rio; nove quilómetros além, chegaria à próspera ci-
dade de Laodicéia e, após mais quinze quilómetros, entraria na cidade de Colossos,
naquela época já decadente.
Quanto à divisão principal da carta, há duas partes: A primeira, do capítulo 1
ao 3 é doutrinária, expondo a posição elevada do crente pela graça de Deus. A se-
gunda, do capítulo 4 ao 6, é prática, pois trata do procedimento do crente. Os pri-
meiros dois versículos da carta são mais do que a introdução e a saudação, pois
também contêm temas da epístola, a saber: A VONTADE DE DEUS, SANTIDADE,
FIDELIDADE, GRAÇA E PAZ.

D- A VONTADE DE DEUS (v. 1).


Sendo o costume dos judeus, Paulo assinou o seu nome no princípio em vez
de fazê-lo no fim da carta. "Paulo, apóstolo de Cristo Jesus POR VONTADE DÊ
DEUS" (v. 1). Por ser apóstolo, ele tinha autoridade para revelar as verdades nesta
epístola. No primeiro capítulo há três referências à vontade de Deus: (a) A VONTA-
DE DE DEUS É SOBERANA. "Aquele que faz todas as cousas conforme o conselho
da Sua vontade" (v. 11). (b) A VONTADE DE DEUS É BENÉVOLA, visando o bem
do homem. "Por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito da Sua vontade" (v.
5). (c) A VONTADE DE DEUS É REVELADA POR MEIO DE CRISTO. "Desvendan-
do-nos o mistério da Sua vontade" (v. 9).

2)- "AOS SANTOS E FIÉIS" (v. 1).


São os destinatários da carta. A palavra "santo" significa "separado" e, no
momento em que alguém crê em Cristo, ele é separado por Deus do pecado e do
mundo para Si e para o Seu serviço. Esta é a posição do crente aos olhos de Deus e
esta posição deve ser posta em prática por todo crente em Cristo. O apóstolo não
chamou os membros da igreja em Efeso pelos seus nomes, mas por palavras que
denotam a sua posição e condição espiritual como SANTOS e FIÉIS.
O Evangelho entrou em Efeso com muito poder quando Paulo pregou na si-
nagoga durante três meses "com respeito AO REINO DE ÕEUS". É uma descrição
do Evangelho, que também se chama "O CAMINHO". Não é difícil perceber a ra-
zão deste nome, pois é a mensagem de Cristo, que disse: "Eu sou o caminho, e a
verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim" (João 14.6).
Por motivo da grande oposição, Paulo foi obrigado a sair da sinagoga com os
seus discípulos e reunir-se na escola de Tirano (Atos 19.9). A pregação de Paulo foi
com grande poder, mas quando alguns judeus procuraram imitar o poder de Paulo
e expulsar demónios em nome de Jesus, "o espírito maligno lhes respondeu: Co-
nheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? E o possesso do espírito
-3-
maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra
eles que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa" (Atos 19.15 e 16). Veio o te-
mor a todos em Éfeso "e o nome do Senhor Jesus era engrandecido" (Atos 19.17).
O poder de Deus também se manifestou na vida dos convertidos, que se se-
pararam do mal, e pela sua vida o nome do Senhor Jesus era engrandecido. Lucas
citou dois exemplos de como os convertidos em Éfeso se separaram do pecado e
foram fiéis. O primeiro se encontra em Atos 19.18. "Muitos dos que creram vieram
confessando e denunciando publicamente as suas próprias obras". Eles se arre-
penderam e abandonaram a sua vida pecaminosa. O segundo exemplo se encontra
no versículo seguinte (v. 19). Os que praticavam artes mágicas, enganando aos ou-
tros, "reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus
preços, achou-se que montavam a cinquenta mil denários". Os santos e fiéis eram
trofeus da vitória do reino de Deus sobre o reino das trevas.

3)-GRAÇA E PAZ (v. 2).


Graça é o amor imerecido e é um dos temas principais da epístola. O assunto
da paz encontra-se em Efésios 2.13 a 18. É uma das bênçãos de Deus e somente
pode ser desfrutada pelos que aceitam a Sua graça.
• ••••
Lição N2 2
BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS NAS REGIÕES CELESTIAIS EM CRISTO
Leitura: Efésios 1.3: Josué 3.8 a 17

Duas vezes nesta epístola o apóstolo Paulo, espontaneamente, rendeu louvor


e adoração a Deus pelas verdades maravilhosas que ele contemplava. O primeiro
hino de adoração encontra-se em Efésios 1.3 e o segundo em Efésios 3.20 e 21. O
trecho entre os dois hinos de adoração é a parte doutrinária e a contemplação des-
tas verdades leva o apóstolo a adorar a Deus com estas palavras: "Bendito o Deus e
Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bên-
ção espiritual nas regiões celestiais em Cristo" (v. 3). Aprendamos algumas verda-
des neste versículo:

D- O AUTOR DAS BÊNÇÃOS.


Deus "nos tem abençoado". O tempo do verbo está no passado e denota que,
ao crer em Cristo, a pessoa torna-se dona de uma possessão espiritual. Não precisa
esperar esta possessão espiritual para além do túmulo, pois podemos e devemos
desfrutá-la agora.

2)- A NATUREZA DAS BÊNÇÃOS.


"Bênçãos espirituais". Deus prometeu a Israel bênçãos materiais, porém as
nossas bênçãos são superiores por serem espirituais e eternas. A entrada dos israe-
litas na Terra Prometida ilustra verdades da entrada em "toda sorte de bênção es-
piritual em Cristo". Passar pelo meio do Rio Jordão a seco quando o rio estava na
enchente parece uma maneira estranha para entrar na terra prometida.
MAS ELES ENTRARAM EM CANÃÃ PELA FÉ E NÃO PELA VISTA. Jo-
sué mandou o povo partir logo que os sacerdotes levassem a arca, porém não de-
viam chegar perto, pois devia haver uma distância de dois mil côvados entre a arca
e o povo que a seguia. A razão da ordem é: "Não vos chegueis a ela, para que co-
nheçais o caminho pelo qual haveis de ir; visto que por tal caminho nunca passastes
antes" (Josué 3.4). Eles não podiam escolher o lugar de passar e nem a maneira de
passar o Rio Jordão; passaram pela fé, através do caminho aberto pela arca.
O Rio Jordão, quando na enchente, era para o povo de Israel uma barreira
que não podia ser transposta, mas, quando os pés dos sacerdotes que carregavam
a arca tocaram nas águas, abriu-se um caminho para o outro lado, para a terra de
Canaã. Os sacerdotes levaram a arca até o meio do rio, enquanto o povo passava
para o outro lado.
Por que Deus ordenou tudo isto? Em Romanos 15.4 o apóstolo escreveu:
"TUDO QUANTO OUTRORA FOI ESCRITO, PARA O NOSSO ENSINO FOI ES-
CRITO". A história da entrada do povo de Israel foi escrita para nos ensinar como
nós podemos entrar na posse de "toda sorte de bênção espiritual nas regiões ce-
lestiais em Cristo". Assim como o povo de Israel entrou em Canaã somente pela ar-
ca, assim também o homem só pode entrar na posse de toda sorte de bênção espi-
ritual por Cristo e pela fé nEle. A arca é uma bela figura de Jesus Cristo e simboliza
a presença de Deus entre o Seu povo. O Rio Jordão é uma figura da morte, mas
não da nossa morte física. Alguns ensinam que o Rio Jordão simboliza a nossa
morte física e que Canaã representa o céu. Os israelitas entraram em Canaã para
guerrear e nós sabemos com certeza que não vamos guerrear ao chegarmos ao
céu.
Em primeiro lugar, o Rio Jordão é figura da morte de Cristo. A arca desceu
no lugar mais profundo no meio do rio, o lugar de morte, mas não ficou ali, pois
subiu para o outro lado. Isto é figura da ressurreição de Cristo. Em segundo lugar,
é figura da identificação do crente com Cristo, na Sua morte e ressurreição. Esta
verdade é ensinada em Romanos 6. Embora estejamos no mundo, aos olhos de
Deus o crente já morreu com Cristo, tendo também sido sepultado e ressuscitado
com Ele.

3)- A VARIEDADE DAS BÊNÇÃOS.


Quais são? Algumas das bênçãos descrevem-se nos versículos 4 a 14. Men-
cionam-se sete das bênçãos que temos em Cristo: (a) Escolhidos em Cristo (v. 4);
(b) Predestinados (v. 5); (c) Aceitos no Amado (v. 6); (d) Redenção (v. 7); (e) Conhe-
cimento do mistério da vontade de Deus (v. 9); (f) Feitos herança (v. 11); (g) Selados
(v. 13).

4)- O DIREITO DAS BÊNÇÃOS.


Estão ao dispor do crente "EM CRISTO". A frase "em Cristo" e os seus equi-
valentes encontram-se 30 vezes nesta epístola. O apóstolo Paulo, ao referir-se à sua
conversão, escreveu: "E ser achado nEle [em Cristo], não tendo justiça própria, que
procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo" (Filipenses 3.9). A pessoa
que se abriga ern Cristo encontra nEle tudo que precisa para a vida espiritual, pois é
nEle que somos abençoados com "toda sorte de bênção espiritual".
A frase "em Cristo" descreve a pessoa que confia em Cristo e na Sua obra e
não em si mesma. Todo o valor da eficácia de Cristo está atribuído a Ele e lançado
-5-
na Sua conta. "Em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e
justiça, e santificação, e redenção" (1 - Coríntios 1.30).

O LUGAR DAS BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS


"Nas regiões celestiais em Cristo". "As regiões celestiais" é uma expressão
característica desta epistola, pois não se encontra nas outras epistolas do Novo
Testamento. Trata da posição espiritual do crente em Cristo. Fisicamente o crente
está aqui no mundo, mas espiritualmente está nas regiões celestiais em Cristo. Esta
posição não depende da pessoa, mas provém da união da pessoa com Cristo, o que
tornou-se possível pela morte do Senhor Jesus.

NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS HÁ CINCO REFERÊNCIAS ÀS REGIÕES CE-


LESTIAIS (ou lugares celestiais):
D- É O LUGAR DE TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL (1.3).
2)- É O LUGAR ONDE CRISTO ESTÁ (1.20). Pela Sua ressurreição e ascen-
são, Jesus Cristo está à direita de Deus, no lugar mais elevado, de supremacia e de
poder.
3)- É O LUGAR ONDE ESPIRITUALMENTE ESTÁ O CRENTE EM CRISTO
(2.6). Pela sua união com Cristo, o crente está numa posição espiritual de grande
privilégio, em Cristo e com Cristo. Já temos aprendido que o crente, aos olhos de
Deus, morreu com o Senhor Jesus e ressuscitou com Ele, mas agora aprendemos
mais uma verdade: que "NOS FEZ ASSENTAR NOS LUGARES CELESTIAIS EM
CRISTO JESUS". Nesta Escritura de Efésios 2.6 aprendemos a verdade maravilho-
sa que os crentes estão lá na pessoa de Jesus Cristo. Duas vezes, nos versículos 5 e
6, encontra-se a palavra "juntamente": "juntamente com Cristo nos deu vida" (v. 5)
e "juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em
Cristo Jesus" (v. 6).
A verdade aqui expressa não é que estaremos lá no futuro, mas que, as olhos
de Deus, já estamos lá, em Cristo, no lugar de favor, de poder e de bênção. É a po-
sição invariável e constante - "sentados nos lugares celestiais em Cristo Jesus".
Não é o que sentimos, mas o que somos em Cristo. Não depende do nosso esforço,
nem do nosso progresso, nem do nosso estado espiritual, mas depende do Senhor
Jesus e do que Ele fez na cruz. É pela sua união com Cristo que o crente já está
sentado nos lugares celestiais em Cristo Jesus. É a esfera de atividade espiritual do
crente.
4)- A MARAVILHA DA SABEDORIA DE DEUS MANIFESTADA NA IGREJA
EM CRISTO NESTE TEMPO PRESENTE É CONHECIDA PELOS SERES CELES-
TIAIS NOS LUGARES CELESTIAIS. "Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria
de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades NOS LUGARES
CELESTIAIS" (3.10).
5)- A BATALHA ESPIRITUAL É TRAVADA NOS LUGARES CELESTIAIS
CONTRA AS FORÇAS ESPIRITUAIS. "Porque a nossa luta não é contra o sangue e
a carne e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste
mundo tenebroso, contra as FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL; NAS REGIÕES CE-
LESTES" (6.12). É o lugar onde travamos a luta contra as forças infernais. Canaã é
a figura das regiões celestiais onde podemos, pela fé e obediência à Palavra de
-6-
Deus, ganhar vitórias espirituais.
• • • ••
Lição N* 3
A OBRA DA TRINDADE NA REDENÇÃO
Leitura: Efésios 1.3 a 6

As três Pessoas da Trindade estão unidas no mesmo propósito e na mesma


obra. Por exemplo, a Bíblia revela a atuação de cada Pessoa da Trindade na criação
do Universo (Génesis 1.1, 1.2 e Colossenses 1.16). Também as três Pessoas da
Trindade atuam na santificação do crente (12 Tessalonicenses 4.7.1- Corfntios 2.13
e 1 - Corfntios 6.11).
Em Efésios 1.13 e 14 encontra-se a obra das três Pessoas da Trindade no em-
penho da redenção do homem. Deus Pai é o assunto dos versículos 3 a 6; a obra do
Senhor Jesus se descreve nos versículos 7 a 12 e os versículos 13 e 14 ocupam-se
com a obra do Espírito Santo. São três divisões, cada uma terminando com o
mesmo tema de louvor. "Para louvor da Sua glória" (v. 6); "a fim de sermos para
louvor da Sua glória" (v. 12; "em louvor da Sua glória" {v. 14). As três Pessoas da
Trindade têm o mesmo objetivo e fazem tudo para o Louvor da Sua glória.

D- A PRIMEIRA PESSOA DA TRINDADE - DEUS PAI (w. 3 a 6).


Quatro verbos descrevem a obra de Deus Pai: abençoar, escolher, predestinar
e aceitar.
a) ELE ABENÇOOU. Ele "nos tem abençoado com toda sorte de bênção es-
piritual nas regiões celestiais em Cristo" (v. 3). Este assunto já foi tratado na lição
anterior.
b) ELE ESCOLHEU. "Assim como nos escolheu nEle [em Cristo] antes da
fundação do mundo" (v. 4). O plano da nossa salvação originou-se em Deus. Não
foi um plano inventado por Ele depois da entrada do pecado no mundo. Ao con-
trário, antes da fundação do mundo Deus já tinha este plano. Com Deus não ocor-
rem imprevistos, pois Ele já sabia tudo antes de acontecer e já conhecia os que
aceitariam a Cristo. Com Deus não há passado, presente ou futuro. Ele é infinito e
em Seu coração propôs o plano maravilhoso de demonstrar e derramar o Seu
amor para com o povo deste mundo, escolhendo e separando para Si um povo es-
pecial, que é a Igreja de Deus.
No Velho Testamento encontramos várias ilustrações da escolha de Deus. Ele
escolheu Abraão para ser o pai do povo terrestre de Deus, pelo qual havia de aben-
çoar o mundo. Em vez de escolher Esaú, Ele escolheu Jacó para ser o herdeiro da
promessa. Como está escrito: "Amei a Jacó, porém Me aborreci de Esaú" (Roma-
nos 9.13). Das doze tribos de Israel, Deus escolheu a tribo de Levi para ser a tribo
sacerdotal. Em 19 Reis 11.13, Deus disse: "Por amor de Davi, Meu servo, „. que es-
colhi". Deus escolheu Davi para ser a casa-real, de cuja linhagem nasceu o Messias.
Os crentes foram escolhidos em Cristo antes de existir o mundo.
QUAL É O PROPÓSITO DA ESCOLHA SOBERANA DE DEUS? "Para sermos
SANTOS E IRREPREENSÍVEIS perante Ele" (v. 4). O povo de Israel foi escolhido
para ser um povo santo, isto é, separado dos outros povos, para ser o povo terres-
tre de Deus. Deus escolheu pára serem santos e irrepreensíveis perante Ele os que
-7-
pertencem a Cristo, membros da Igreja de Deus; isto é, todos os crentes verdadei-
ros desde o dia de Pentecoste até ao arrebatamento da Igreja. Os israelitas são o
povo terrestre, porém a Igreja é o povo celeste, separado para Deus.
ESCOLHIDOS EM CR4STO. COMO FOMOS ESCOLHIDOS? Não como nós
escolhemos alguma coisa ou alguma pessoa por ter uma boa qualidade ou por ter
alguma virtude. Para Deus não havia nenhuma atração em nós. Pelo contrário, em
nós havia muita coisa desagradável a Ele. FOMOS ESCOLHIDOS EM CRISTO, por
causa dEle e em virtude dEle.
c) ELE "NOS PREDESTINOU para Ele" (v. 5). A Bíblia não ensina que Deus
predestinou alguns para a salvação e outros para a perdição. Deus não quer que
ninguém se perca, pois Ele não tem prazer na morte do ímpio. Existem pessoas
que lançam a culpa em Deus pelos que vão para a perdição, porém o mesmo ho-
mem é responsável pelo seu próprio destino. Ao descrente pregamos: "Quem qui-
ser receba de graça a água da vida" (Apocalipse 22.17). Portanto, ao crermos em
Cristo, descobrimos que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mun-
do. A responsabilidade do homem e a soberana vontade de Deus são como os tri-
lhos da estrada de ferro que devem estar sempre paralelos e não podem cruzar-se.
A palavra grega traduzida "predestinou" encontra-se 6 vezes em o Novo
Testamento e na Versão Atualizada 4 vezes é traduzida "predestinou" (Efésios 1.5 e
11; Romanos 8.29 e 30), uma vez é traduzida "preordenou" (19 Corfntios 2.7) e uma
vez "predeterminou" (Atos 4.28). Esta última refere-se a Cristo, enquanto que as
outras referem-se aos crentes. Nada tem a ver com os descrentes e perdidos. O
sentido da palavra grega é "predeterminar". Pelas duas referências em Romanos
8.28 e 29 notamos que há uma forte ligação entre a presciência de Deus e a predes-
tinação. "Aos que de antemão conheceu, também os predestinou". De antemão
Deus conhecia os que aceitariam a Cristo. Predestinação é a doutrina dos propósi-
tos pré-determinados de Deus.
Ao estudarmos os versículos onde a palavra "predestinado" refere-se aos
crentes, descobriremos que sempre há uma finalidade ou propósito predetermina-
do por Deus. Por exemplo, em Romanos8.29: "Também os predestinou PARA SE-
REM CONFORME A IMAGEM DE SEU FILHO". Em Romanos 8.30 e 1? Corlntios
2.7, o propósito predeterminado de Deus é a nossa glória. Em Efésios 1.5 lemos:
"Ele nos predestinou para Ele, PARA ADOÇÃO DE FILHOS". Em Efésios 1.11 le-
mos que fomos predestinados para "sermos feitos HERANÇA".
A palavra grega traduzida "predestinar" também se emprega referindo-se ao
Senhor Jesus e se encontra em Atos 4.28. É uma boa ilustração da doutrina da pre-
destinação. Os que crucificaram o Senhor Jesus foram culpados e responsáveis
pelo seu crime. Pilatos, Herodes, os romanos e os judeus crucificaram o Senhor Je-
sus. No relato de Atos 4.28, a igreja orou: "Para fazerem tudo o que a Tua mão e o
Teu propósito PREDETERMINARAM". Deus, de antemão, conhecendo tudo isto,
cumpriu o Seu eterno propósito efetuando a salvação. Deus, o conhecedor de todas
as coisas, usou a inimizade e o crime do homem para cumprir o Seu propósito.
Podemos aprender duas lições importantes dos propósitos eternos de Deus:
a) DÃO-NOS CERTEZA e dissipam toda dúvida. Deus faz todas as coisas
conforme o conselho da Sua vontade. Desde a eternidade, todos os detalhes do
plano da redenção já estavam na mente de Deus. Há certeza do cumprimento de
-8-
todos os pormenores porque não há possibilidade de falha e nem mudança de pro-
pósito. Temeis assim uma base firme para nossa confiança.
b) PRODUZEM HUMILDADE. Antes do homem pecar, Deus já tinha este
propósito. Todo o plano de salvação é de Deus. O homem nada contribuiu para
este plano, pois é segundo a graça e a misericórdia de Deus, o que deve produzir
humildade em nós.
QUAL É A FINALIDADE DA PREDESTINAÇÃO? "Nos predestinou para Ele,
PARA A ADOÇÃO DE FILHOS" (v. 5). Aprendemos em João 1.12 que o crente é
nascido filho de Deus ao crer em Cristo. Para quê, então, "a adoção de filhos"? A
palavra no grego significa "A POSIÇÃO DE FILHO". Nos tempos do Velho Testa-
mento, certos homens, além de ter filhos através da sua legítima esposa, também
tinham filhos com escravas. Estes filhos de escravas não tinham direitos e nem pri-
vilégios porque nasceram escravos. Porém o pai podia elevá-los à posição de filhos
e constituí-los em filhos adotivos, com todos os direitos e privilégios de filhos.
Em Génesis 22.2, Deus disse a Abraão: "Toma teu filho, teu ÚNICO filho,.Jsa-
que". Porém Abraão também era pai de Ismael, através de Hagar, a escrava. Mas
Ismael nunca foi elevado à posição de filho. Sara disse a Abraão: "Rejeita essa es-
crava e seu filho; porque o filho dessa escrava não será herdeiro com Isaque, meu
filho" (Génesis 21.10). Por esta ilustração podemos entender porque o crente é filho
nascido de Deus e, ao mesmo tempo, filho adotivo. Nasceu na família de Deus,
mas, ao mesmo tempo, é elevado à posição de filho com privilégios e direitos de
filho de Deus. Ismael foi expulso de casa e não gozou o amor e os cuidados de
Abraão, seu pai. Isaque, porém, foi amado pelo pai, assumiu a posição de filho e
herdou as riquezas do pai. O servo de Abraão, ao explicar a sua missão a Labão,
disse: "Sara, mulher de meu senhor, era já idosa quando lhe deu à luz um filho;
a este deu ele tudo quanto tem" {Génesis 24.36).
É uma maravilha que nós, crentes em Cristo, não somos somente da família
de Deus, mas também fomos elevados à posição de filhos de Deus. Ele "nos pre-
destinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o
beneplácito da Sua vontade" (v. 5).
d) ELE NOS ACEITOU no Amado (v. 6). Há diversas traduções deste versí-
culo. A Versão Corrigida traduz: "Pela qual nos fez agradáveis a Si no Amado". A
Atualizada diz: "De Sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado".
Uma versão inglesa diz: "A Sua graça, pela qual Ele nos fez aceitos no Amado". A
palavra é a mesma traduzida "agraciada" nas palavras dirigidas pelo anjo Gabriel à
virgem Maria: "Salve, agraciada" (Versão Corrigida - Lucas 1.28).
Assim, pois, o crente em Cristo é aceito, é agradável e é agraciado no Amado.

Lição N 2 4
A OBRA DO SENHOR JESUS CRISTO
Leitura: Efésios 1.7 a 12

A frase "para o louvor da Sua glória" não somente encerra a primeira seção
sobre a atuação de Deus Pai na obra de redenção do homem, como também inicia
a segunda seção, sobre a obra do Senhor Jesus.
-9-
O VERSÍCULO 6 É A INTRODUÇÃO À OBRA DO SENHOR JESUS
OS PROPÓSITOS DA GRAÇA DE DEUS SE CUMPREM MEDIANTE CRIS-
TO. "Para o louvor da glória da Sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no
Amado" (v. 6).

A GLÓRIA DE DEUS.
Para Deus a Sua glória é de suma importância. Mas o que é a glória de Deus?
A glória de Deus é Ele mesmo, os Seus atributos, as Suas perfeições e o Seu cará-
ter. Na descida de Deus sobre o M(oiMrSMt**«<fléftodo Senhor pousou sobre o
monte" e "o aspecto da glória do $«nrtor *W como um fogo consumidor no cimo
do monte, aos olhos dos filhos de Israel" (Êxodo 24.17).
Naquela ocasião, a glória manifestou-se como a justiça, a santidade e o jufzo
de Deus contra o pecado. Depois deste acontecimento, Moisés disse a Deus: "Ro-
go-Te que me mostres a Tua glória" (Êxodo 33.18). Moisés já tinha visto a glória do
Senhor sobre o Monte Sinai. Então por que ele queria ver mais uma vez a glória do
Senhor? Porque no Monte Sinai Moisés teve apenas uma visão parcial da glória de
Deus. Ainda faltou uma parte e, pela resposta de Deus, ficamos sabendo o que ti-
nha faltado. Deus respondeu: "Farei passar toda a Minha bondade diante de ti e te
proclamarei o nome do Senhor" (Êxodo 33.19). Há dois aspectos da glória de Deus,
que são a verdade e a bondade. Ao passar a glória de Deus diante de Moisés, este
clamou: "Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em
misericórdia e fidelidade" (Êxodo 34.6). Os dois aspectos encontram-se na pessoa
de Jesus Cristo. O apóstolo João escreveu: "E o Verbo se fez carne e habitou entre
nós, cheio de GRAÇA e de VERDADE, e vimos a Sua glória, glória como do unigé-
nito do Pai" (João 1.14).
Tanto Deus Pai quanto Deus Filho fizeram tudo para o louvor da glória da
Sua graça. O que vamos estudar nos versículos 7 a 12 expressa a glória da Sua gra-
ça e bondade para com os homens, mas, em primeiro lugar, vamos pensar na ex-
pressão: "NO AMADO" (v. 6).
As três traduções citadas na última lição são válidas: "agradável no Amado",
"agraciado no Amado" e "aceito no Amado". Esta última tradução é ilustrada na
carta de Paulo a Filemom. O escravo fugitivo de Filemom foi convertido em Roma
por meio da pregação do apóstolo Paulo. Depois da conversão de Onésimo, Paulo
o mandou a Filemom com a carta em que ele escreveu: "Se, portanto, me consi-
deras companheiro, RECEBE-O COMO SE FOSSE A MIM MESMO" (v. 17). Sabe-
mos que Filemom daria uma acolhida especial ao apóstolo porque foi convertido
pela pregação dele. Paulo pediu a Filemom que recebesse Onésimo, o escravo inú-
til e desonesto, como receberia o próprio apóstolo Paulo. Deus, no Seu infinito
amor, tem dispensado a Sua graça de uma maneira melhor do que Paulo fez com
Onésimo. O pecador arrependido que crê em Cristo é recebido e aceito por Deus no
Amado.
O trecho que estamos considerando começa com a redenção pela cruz e ter-
mina com o ponto culminante dos propósitos de Deus na história do mundo, quan-
do tudo será sujeito a Ele e Ele preeminente.

OS PROPÓSITOS DE DEUS CUMFREM-SE PELA CRUZ DE CRISTO.


-10-
A REDENÇÃO. "No qual [em Cristo] temos a redenção pelo Seu sangue"
(v. 7). Se a graça de Deus é a origem da salvação, então a redenção é a base. Os
versículos 3 a 6 apresentam o trono de Deus com os Seus propósitos soberanos,
mas nos versículos 7 a 9 o assunto é a cruz. Na Bíblia estes dois assuntos estão li-
gados. Em Isaías 6 o profeta teve a visão do trono de Deus no templo, onde havia
também o altar. O único meio pelo qual Deus podia sustentar o Seu trono e, a
mesmo tempo, cumprir o Seu propósito de amor é pela cruz.
Por dois fatos havia a necessidade de redenção:
a) Precisava satisfazer a justiça divina. "A alma que pecar, essa morrerá" é
a lei da justiça divina. Deus não pode sacrificar a Sua justiça para salvar o pecador.
b) Para redimir o Seu povo do poder do pecado. A redenção do julgamento e
da escravidão do povo de Israel no Egito é uma ilustração destes dois fatos.
Há três palavras gregas traduzidas por "redenção" em o Novo Testamento. A
primeira significa apenas "ir ao mercado e comprar um objeto", o qual passa a
pertencer ao comprador. O crente em Cristo foi comprado com o precioso sangue
de Cristo e, por isso. Lhe pertence. A segunda palavra significa "comprar para tirar
para fora do mercado". Isto quer dizer que aquele que é comprado nunca mais será
vendido. No mercado de escravos de tempos idos, os escravos que eram vendidos
somente trocavam de donos e continuavam sendo escravos, podendo ser vendidos
novamente. Assim, alguém, ao comprar um escravo, podia assinar um documento
declarando o escravo livre. Era redimido para nunca mais ser vendido. Este é o
sentido da palavra em 19 Pedro 1.18. A terceira palavra significa "livrar" e é esta
palavra que se encontra no versículo 7. "Redimido" quer dizer: "livre da condena-
ção, da maldição do pecado, da culpa e da morte".
O PREÇO DA REDENÇÃO. "Pelo Seu sangue". O valor do sangue de Jesus
Cristo é incalculável e tem valor para todos, mas muitos não aproveitam porque
rejeitam Cristo.
A REMISSÃO DOS PECADOS.ou seja, o perdão dos pecados (v. 7). Existem
pessoas que pregam que é necessário confessar todos os pecados para alcançar o
perdão. Se fosse assim, ninguém poderia ter a certeza de salvação porque não po-
demos lembrar nem de metade dos nossos pecados. Felizmente, esta não é a con-
dição para ser perdoado. O homem precisa vir a Cristo como pecador, confessando
que é um pecador e então será perdoado. Há quem diga: "Hoje estou perdoado,
mas não sei como ficarei quanto aos pecados que cometer no futuro". Quando
Deus perdoa o pecador arrependido que crê em Cristo, lhe dá um perdão eterno,
isto é, um perdão que não precisa ser repetido. Deus declara a pessoa que crê em
Cristo perdoada e justificada perante Deus. A relação entre Deus e a pessoa per-
doada muda por completo. Antes era inimiga de Deus, mas agora é filha de Deus.
Se o crente tropeçar ou chegar a pecar, não é tratado por Deus como um réu ou um
inimigo e sim, como um filho que pecou e ofendeu ao pai. Tal crente não perde a
salvação, mas perde o gozo da salvação, perde a comunhão com o Pai e o galardão
no porvir. Desta vez, ele não chega a Deus como um rebelde confessando que é pe-
cador, mas confessa o seu pecado, contando o que ele cometeu. Agora ele tem de
confessar o pecado que impediu a sua comunhão com Deus. "E o sangue de Jesus,
Seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1 - João 1.7). Quantas vezes temos ouvido
alguém orar: "Pai, perdoa-nos os nossos muitos pecados". Isto não passa de uma
-11-
formalidade e indica falta de conhecimento deste assunto.

A RIQUEZA DA SUA GRAÇA (v. 7).


A medida do perdão é a medida do amor de Deus para com o homem. É uma
riqueza que não se esgota e está ao inteiro dispor daquele que crê em Cristo. A gra-
ça de Deus é uma riqueza porque o perdão é apenas a primeira das bênçãos da
graça de Deus. Existem as bênçãos da justificação, da santificação e mais bênçãos,
ainda, que vamos gozá-las por toda a eternidade.
DEUS PROPORCIONA A SUA GRAÇA: a) COM ABUNDÂNCIA. "Que Deus
derramou abundantemente sobre nós"; b) COM SABEDORIA. "Em toda sabedo-
ria". Vemos a sabedoria de Deus no plano de salvação; c) COM PRUDÊNCIA. "Em
toda sabedoria e prudência". Deus demonstra a Sua sabedoria na concepção do
plano de salvação e a Sua prudência na execução deste plano.

A SUPREMACIA DO REDENTOR (v. 10).


No versículo 10, o apóstolo Paulo passa a escrever sobre o futuro daquele
que morreu na cruz para nos redimir.
SERÁ O PONTO CULMINANTE DOS PROPÓSITOS DE DEUS. Todos os
propósitos de Deus terão o seu cumprimento em Cristo. SERÁ O PONTO FINAL
PARA O GOVERNO HUMANO. "De fazer convergir nEle, na dispensação da ple-
nitude dos tempos, todas as cousas, tanto as do céu como as da terra". A palavra
"dispensação" descreve as épocas da administração de Deus na terra. "A dispensa-
ção da plenitude dos tempos" indica a conclusão da administração dos homens
para levar à fruição os propósitos de Deus.
A SUPREMACIA DE CRISTO SERÁ INDISPUTÁVEL. Todas as pessoas e to-
das as coisas vão tomar a sua devida posição em relação a Jesus Cristo. "Para que
ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e to-
da língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Filiponses
2.10 e 11).

A HERANÇA DE DEUS (v. 11).


Em Cristo nós temos uma herança de Deus, mas no versículo 11 aprendemos
que a Igreja é a herança de Deus. Deus tem tantas possessões porque é o dono de
tudo, mas a Igreja é de muito valor porque foi comprada com o precioso sangue de
Cristo.
• • • ••
Lição N? 5
A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA REDENÇÃO DO HOMEM
Leitura: Efésios 1.12 a 14

Notemos a perfeita ordem e a sequência na obra das três Pessoas da Trinda-


de, no primeiro capitulo da carta aos Efésios:
a) Escolhidos pelo Pai (w. 3 a 6);
b) Redimidos pelo Filho (w. 7 a 12);
c) Selados pelo Espírito (w. 12 a 14).
Já temos observado que a frase "o louvor da Sua glória" divide as três seções
-12-
do trecho e apresenta os três temas da obra da Trindade. A primeira ocorrência da
frase está no versículo 6, onde termina a exposição da atuação de Deus Pai e inicia
a descrição da obra do Filho de Deus, ambas "para o louvor da glória de Sua gra-
ça" (v. 6).
A segunda ocorrência da frase se encontra no versículo 12, onde termina o
assunto da obra da redenção e começa o assunto da atuação do Espírito Santo.
Esta agora não é o plano e nem a execução do plano por Jesus Cristo, mas é para
que os crentes em Cristo sejam para o louvor da Sua glória. "A fim de sermos para
o louvor da Sua glória" (v. 12).

COMO OS CRENTES EM CRISTO PODEM SER PARA LOUVOR DA GLÓRIA


DE DEUS?
Nesta altura, o apóstolo Paulo introduz o assunto do Espírito Santo. É por Ele
que a vida do crente pode ser transformada para louvor da glória de Deus.
No versículo 12, Paulo, falando como judeu, escreveu: "Nós, os que de ante-
mão esperamos em Cristo, em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da
verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nEle também crido, fostes selados
com o Santo Espírito da promessa".
No versículo 13, aprendemos como os efésios convertidos a Deus foram sal-
vos e como receberam o Espírito Santo.
a) OUVIRAM A PALAVRA DA VERDADE, a Bíblia, que é a verdade e que
expressa a verdade a respeito de Deus,e também do homem e o seu pecado. Os
efésios convertidos foram convictos do seu pecado pela Palavra da verdade no po-
der do Espírito Santo.
b) OUVIRAM O QUE PAULO CHAMOU "O EVANGELHO DA VOSSA
SALVAÇÃO". É pela Palavra da verdade que podemos chegar ao conhecimento
de Cristo como Salvador. "A fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de
Cristo". (Romanos 10.17).
c) CRERAM EM CRISTO. "Tendo nEle também crido". Foram salvos por
Cristo, mas, ao mesmo tempo, foi feita uma obra do Espírito Santo nos seus cora-
ções. Receberam o Espírito Santo e foram regenerados e selados por Ele.

COMO RECEBERAM O ESPÍRITO SANTO?


Pela fé, ao crerem em Cristo. Em Gaiatas 32, Paulo escreveu: "Quero apenas
saber isto de vós: recebestes o Espírito Santo pela obras da lei ou PELA PREGA-
ÇÃO DA FÉ?" É claro, pelo argumento do apóstolo, que é pela pregação da fé e no
versículo 14 ele escreveu: "Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em
Jesus Cristo, a fim de que RECEBÊSSEMOS PELA FÉ O ESPÍRITO PROMETIDO".
Nos versículos 13 e 14 vamos estudar a respeito do Espírito Santo como o selo e
como o penhor da nossa herança.

SELADOS PELO ESPÍRITO SANTO (v. 13).


"Tendo nEle crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa".
Chama-se "o Santo Espírito da promessa" porque Ele foi prometido pelo Pai
(Lucas 24.49) e pelo Filho (João 14.16). Alérn do versículo que estamos estudando a
respeito do selo, existem outras duas referências. Em 2- Corfntios 1.22, lemos:
-13-
"Que também NOS SELOU e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações" e
em Efésios 4.30: "Não entristeçais o Espírito de Deus, no qual FOSTES SELADOS
para o dia da redenção".

QUAL O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DE SERMOS SELADOS PELO ESPÍRITO


SANTO?
1} O SELO INDICA UM NEGÓCIO FEITO. Em Jeremias 32.10, o profeta
descreve como ele comprou um campo: "Assinei a escritura, FECHEI-A COM SE-
LO, chamei testemunhas e pesei-lhe o dinheiro numa balança". O crente é selado
porque a compra já foi feita com o precioso sangue de Cristo.
2)- O SELO INDICA PROPRIEDADE. Em muitos países há o costume de
selar ou marcar os rebanhos com ,as iniciais do dono, para que todo o mundo saiba
a quem pertencem. O Senhor Jesus disse: "Conheço as Minhas ovelhas" (João
10.14). Paulo escreveu: "O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo:
O Senhor conhece os que Lhe pertencem" (2- Timóteo 2.19). O apóstolo Paulo es-
creveu às igrejas em Éfeso e Corinto a respeito do selo do Espírito Santo.
Na cidade de Éfeso havia um grande comércio de madeira em toros. Ao che-
garem as balsas de toros do Mar Negro, o negociante escolhia e comprava a ma-
deira de que precisava e selava ou marcava com um sinal cada peça para poder re-
conhecer a madeira que tinha comprado. Assim a madeira podia ficar na água por
algum ttímpo antes de tirá-la. O crente é comprado com o precioso sangue de
Cristo e selado com o Espírito Santo da promessa, que indica Quem é o dono.
3)- O SELO INDICA SEGURANÇA. Há exemplos desta verdade na Bíblia.
Lemos em Ester 8.8 que o rei disse a Ester: "Escrevei, pois, aos judeus, como bem
vos parecer, em nome do rei e SELAI-O COM O ANEL DO REI; porque os decretos
feitos em nome do rei e que com O SEU ANEL SE SELAM não se podem revogar".
Quando o Senhor Jesus foi crucificado, os Seus inimigos queriam a máxima
segurança para o túmulo onde o corpo de Jesus foi colocado. "Indo eles, monta-
ram guarda ao sepulcro, SELANDO A PEDRA e deixando ali a escolta" (Mateus
27.66). Neste caso, sabemos que de nada adiantou porque Cristo ressuscitou e o
selo foi quebrado. Porém em Cristo nós temos segurança e fomos selados pelo Es-
pírito Santo. Quem é que sela? Deus Pai porque Ele é a origem de toda bênção. O
Pai dá, o Filho faz a obra e o Espírito Santo aplica a obra aos corações e â vida.

COMO SABEMOS QUE SOMOS SELADOS?


Da mesma maneira pela qual sabemos que somos salvos. Ao crermos em
Cristo sabemos pela Palavra de Deus que somos salvos.

O PENHOR DA NOSSA HERANÇA (v. 14).


"O Santo Espírito da promessa, o qual é O PENHOR DA NOSSA HERANÇA
até ao resgate da Sua propriedade, em louvor da Sua glória".
A palavra grega "arrabon", traduzida "penhor", é empregada três vezes por
Paulo; a saber, em 2? Coríntios 1.22, 25 Corfntios 5.5 e Efésios 1.14 e sempre se re-
fere ao Espírito Santo. Significa o depósito e o sinal do negócio, que é a garantia do
pagamento total que vai seguir. O Espírito Santo é o penhor da nossa herança, isto
é, a primeira parte, que já podemos aproveitar e gozar em antecipação da entrada
-14-
da nossa herança celestial.
No Velho Testamento encontramos algumas ilustrações desta verdade. Em
Génesis 24, encontra-se a história do servo de Abraão, em viagem, para buscar
uma noiva para Isaque. Foi guiado por Deus e, ao encontrar-se com Rebeca, con-
tou-lhe a glória e a riqueza do seu senhor e que Abraão tinha dado a Isaque tudo
quanto tinha. O servo de Abraão não somente contou a respeito das riquezas de
Isaque, mas também deu a Rebeca presentes de muito valor, um pendente de ouro,
duas pulseiras de ouro, jóias e vestidos. Para Rebeca tudo isto foi como uma mos-
tra, uma garantia, um penhor das riquezas que ela podia gozar em antecipação das
riquezas que iria gozar como esposa de Isaque.
Em Génesis 45 lemos que, depois da reconciliação de José com os seus ir-
mãos, estes foram enviados de volta para seu pai Jacó. José "enviou a seu pai dez
jumentos carregados do melhor do Egito e dez jumentos carregados de cereais e
pão para seu pai, para o caminho". Jacó não quis acreditar que José estava vivo e
que era governador do Egito, mas, quando viu tudo quanto José lhe enviara e os
carros para levá-lo ao Egito, ele disse: "Basta, ainda vive meu filho José". Quanto
às cousas "do melhor do Egito", Jacó recebeu a garantia e o penhor, uma pequena
parte apenas, de tudo o que ia gozar no Egito com o seu filho José.
O Espirito Santo é o penhor da nossa herança "ATÉ AO RESGATE DA SUA
PROPRIEDADE". Temos estudado a respeito do penhor da nossa herança, agora
vamos passar a considerar o resgate, que é a fase final e completa da nossa reden-
ção, não da nossa herança, mas sim, de nós, a propriedade de Deus.
Há três aspectos da redenção do crente, a saber: a redenção da alma, a reden-
ção da vida e a redenção do corpo de todos os crentes na vinda do Senhor Jesus.
Este é o resgate da Sua propriedade que nós esperamos, "em louvor da Sua gló-
ria".
• • •••
Lição N? 6
A ORAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO
Leitura: Efésios 1.15 a 20

Na maioria das suas cartas às igrejas, o apóstolo Paulo menciona as suas ora-
ções a favor dos crentes aos quais ele dirigia as cartas. Paulo, preso em Roma, dava
muito valor à oração; ele sabia da sua necessidade e do seu poder, tanto para a
evangelização como também na igreja.
A oração que vamos analisar ê profunda e espiritual, pois não se mencionam
bênçãos materiais ou físicas, mas somente o que é espiritual, para o bem- estar es-
piritual dos que estão em Cristo Jesus.

NA SUA ORAÇÃO PAULO DEU GRAÇAS A DEUS PELOS CRENTES EM


ÉFESO
Este era o costume de Paulo e, desta vez, realça duas virtudes neles. Ele es-
creveu: "Por isso também eu, tendo ouvido a fé que há entre vós no Senhor Jesus,
e o amor para com todos os santos" (v. 15). Fé em Cristo e amor ao povo de Deus
são evidências de uma vida espiritual; por isso ele orou para que essa vida se de-
senvolvesse e aumentasse. Foi constante nas suas orações, pois declarou: "Não
-15-
cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações".

HÁ UMA LIGAÇÃO ENTRE A ORAÇÃO DE PAULO E A DESCRIÇÃO DA


OBRA DA TRINDADE NOS VERSÍCULOS 3 A 14
As palavras "por isso" iniciam o nosso trecho e ligam a oração do apóstolo
com o ensino anterior. No trecho anterior descreve-se a obra das três Pessoas da
Trindade na redenção do homem, mas agora, na oração de Paulo, vamos contem-
plar a obra da Trindade na vida espiritual do crente. O PAI (v. 17) faz a Sua parte;
o ESPÍRITO SANTO, embora não seja mencionado Seu nome, tem Sua obra des-
crita nos versículos 18 e 19. Nos versículos 20 a 23 o FILHO é o assunto.

QUAIS FORAM AS PETIÇÕES NA ORAÇÃO DE PAULO?


E qual foi o seu desejo para os crentes em Éfeso? São três assuntos princi-
pais:
1)- O pleno conhecimento de Deus (v. 17);
2)- A iluminação pelo Espírito Santo (vv. 18 e 19);
3)- A exaltação do Senhor Jesus (vv. 20 a 23).

D- O PLENO CONHECIMENTO DE DEUS (v. 17). "Para que o Deus de nosso


Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revela-
ção no pleno conhecimento dEle". O título "o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo"
refere-se ao Senhor Jesus Cristo, por quem podemos conhecer a Deus, e o outro
título "Pai da glória" faz-nos lembrar da grandeza de Deus que precisamos conhe-
cer. O conhecimento de Deus no versículo 17 é o pleno conhecimento, mas nin-
guém jamais poderá dizer que já atingiu o pleno conhecimento de Deus. Há diver-
sos graus de conhecimento. Alguém pode afirmar que conhece o Brasil, mas não
conhece o Brasil todo. Existem lugares do Brasil que ele não conhece. O Brasil é
grande demais, mas Deus é infinito e, por isso, precisamos constantemente pro-
gredir no conhecimento de Deus. Há uma diferença entre saber alguns fatos de al-
guém e conhecer pessoal e intimamente aquela pessoa. Assim também, podemos
saber muito acerca de Deus sem ter o conhecimento pessoal e experimental dEle.
Esta é a preocupação de Paulo no versículo 17. Ele ora pelos efésios "que o Pai da
glória, vos conceda ESPÍRITO DE SABEDORIA E DE REVELAÇÃO no pleno co-
nhecimento dEle".
É um fato que alguns crentes conhecem a Deus melhor do que outros. E, então,
como podemos conhecer melhor a Deus? É pela comunhão com Ele através da
teftura da Bíblia e pela oração. É pela fé e obediência à Sua Palavra. Mesmo assim,
nem todos têm a mesma facilidade para entender a Palavra de Deus. Deus se revela
na Bíblia, mas precisamos de entendimento e da iluminação do Espírito Santo para
podermos aproveitar a Palavra. O salmista sentia esta necessidade e orou: "Des-
venda os meus olhos para que eu contemple as maravilhas da Tua lei" (Salmo
119.18). Este é o assunto de Efésios 1.18.
2)- A ILUMINAÇÃO PELO ESPÍRITO SANTO (w. 18 e 19).Quanto a este as-
sunto, Paulo fez três petições, cada uma apresentando um aspecto do conheci-
mento de Deus, que precisamos explorar. "Iluminados os olhos do vosso conheci-
mento para saberdes".
-16-
a) "Qual é a esperança do Seu chamamento". O chamamento refere-se à posição
de bênção em que nós nos achamos pela graça de Deus. Para que somos chama-
dos? "Para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele" (v. 4). Há uma mina de
verdade bem profunda que nós devemos explorar, para descobrir a posição de
bênção em que nos achamos. É a posição de filho, pois quem pode esgotar os re-
cursos de um filho de Deus? "Para adoção (posição) de filhos" (v. 5); "para louvor
da Sua glória" (v. 6). Esperança, segundo a Bíblia, não é uma cousa de dúvida, mas
sim, de certeza. Então, qual é a esperança do nosso chamamento? A resposta en-
contra-se no versículo 12: "Nós, os que de antemão esperamos em Cristo". A es-
perança se encontra "em Cristo", pois nEle há esperança e certeza. NEle há certeza:
a) das bênçãos do presente; b) da solução do nosso pecado no passado; c) da glória
do futuro em Cristo (2.6).
b) "Qual é a riqueza da glória da Sua herança nos santos". Este versículo não se
refere à nossa herança, mas sim, a nós como herança para Deus. E uma maravilha
que Deus, que é tão rico, adquiriu mais um tesouro, mais uma herança, que é o Seu
povo, a Igreja de Deus. Este assunto já foi apresentado por Paulo nesta epístola.
Paulo escreveu: "NEle [em Cristo) digo, no qual fomos também feitos herança" (v.
11). A riqueza da Sua herança também é a "riqueza da Sua graça" (v. 7). Pela graça
de Deus a Igreja é preciosa para Jesus Cristo. Ele é como aquele negociante de
pérolas da parábola que, "tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo
o que possuía e a comprou" (Mateus 13.46). Sabemos que a Igreja é mui preciosa
para Cristo, devido ao preço que Ele pagou para a redimir.
c) "Qual a suprema grandeza do Seu poder para com os que cremos" (v. 19). O
poder que estacão dispor do crente e que opera nele é a maior demonstração de
poder já vista. É o poder que ressuscitou o Senhor Jesus e que O assentou à direita
de Deus, nos lugares celestiais. Os grandes exemplos do poder de Deus no Velho
Testamento são o poder da criação do mundo e o poder da redenção dos israelitas
do Egito. Porém o poder que opera no crente é o poder da ressurreição. Em Efé-
sios 2.1, o apóstolo descreve o poder que opera no cristão como uma ressurreição
espiritual. "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos". Paulo orou
pelos crentes em Éfeso para que soubessem aproveitar a riqueza deste grande po-
der ao seu dispor. Muitos dos salvos não sabem aproveitar estes grandes recursos
espirituais; são como um fazendeiro que, apesar de possuir uma grande usina elé-
trica e um transformador perto de casa, e tudo de graça, não sabe aproveitar a
energia, continuando sem luz elétrica em casa.
Com o apóstolo Paulo, oremos para que o Espírito Santo nos ilumine quanto: a)
aos nossos privilégios espirituais; b) à preciosidade da Igreja para Deus; c) ao gran-
de poder ao nosso dispor.
• • • ••
Lição N? 7
O SENHOR JESUS CRISTO E A SUA IGREJA
Leitura: Efésios 1.20 a 23

A lição n° 6 terminou com o assunto do grande poder manifestado na res-


surreição de Cristo. Este poder está ao dispor dos que crêem (v. 19). No versículo
20, o apóstolo menciona.o assunto da ressurreição de Cristo e mostra-nos o seu
-17-
significado:
a) Jesus Cristo está vivo. A morte, que vence os seres humanos, foi vencida
por Ele e o túmulo está vazio; b) Ele foi alvo da maior demonstração de poder, na
Sua ressurreição. "A suprema grandeza do Seu poder" (v. 19); c) Deus O ressusci-
tou (v. 20), demonstrando a Sua aceitação e satisfação com a pessoa e a obra de
Jesus Cristo; d) Deus O fez "sentar à Sua direita nos lugares celestiais" (v. 20).

A EXALTAÇÃO DO SENHOR JESUS CRISTO (v. 20)


Ele, que foi humilhado e rejeitado pelo mundo, pela Sua subida aos céus
ocupou e ainda ocupa o lugar de maior poder, à direita da Majestade nas alturas.
Por que é tão importante o fato de Ele estar à direita da Majestade nas alturas? Ele
sempre foi onipotente e supremo, mesmo antes de vir ao mundo. Qual é, então, a
diferença? É diferente porque Ele entrou no céu como Deus-Homem. Ele assumiu a
nossa humanidade, passou pela morte e entrou no céu levando a nossa humanida-
de, assentando-se à direita da Majestade. Há Alguém à direita da Majestade que é
verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.
ELE ENTROU NOS CÉUS, NOS LUGARES CELESTIAIS, POR NÓS, COMO
NOSSO REPRESENTANTE. "Sentou-se à direita da Majestade nas alturas". Real-
mente, Deus O sentou à Sua direita.

QUAL É O SIGNIFICADO "DA DESTRA DE DEUS" OU "À DIREITA DE


DEUS"?
a) É O LUGAR DE FAVOR. Quando Bate-Seba, a mãe do rei Salomão, quis
fazer um pedido a seu filho Salomão, ele "se assentou no seu trono, mandou pôr
uma cadeira para sua mãe e ela se assentou à sua mão direita" (19 Reis 2.19), no lu-
gar de privilégio e de favor. É também o lugar do administrador a quem o rei en-
tregou a autoridade e a administração do país. Sobre tudo,
b) É O LUGAR DE PODER. No cântico de Moisés, duas vezes encontra-se
a frase "a Tua destra, ó Senhor". "A Tua destra, ó Senhor, é gloriosa em poder, a
Tua destra, ó Senhor, despedaça o inimigo" (Êxodo 15.6).
No Salmo 110 há duas profecias do Senhor Jesus à direita de Deus. A pri-
meira'é de Cristo como Rei: "Disse o Senhor ao Meu Senhor: Assenta-Te à Minha
direita, até que Eu ponha os Teus inimigos debaixo dos Teus pés" (Salmo 110.1). A
segunda é de Cristo como Sacerdote e Rei: "Tu és sacerdote para sempre, segundo
a ordem de Melquisedeque. O Senhor à Tua direita, no dia da Sua ira, esmagará os
reis" {w. 4 e 5).
Em Hebreus 1.3 e 13 achamos a mesma dupla apresentação do Senhor Jesus
Cristo, assentado à direita da Majestade, como Sacerdote e Rei.
Como Sacerdote: "Depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se
à direita da Majestade nas alturas" (v. 3). Na Epístola aos Hebreus há contraste en-
tre os sacerdotes do Velho Testamento e o Senhor Jesus. Os sacerdotes do Velho
Testamento não terminaram de oferecer os sacrifícios porque precisavam repeti-
los todos os dias; porém Cristo, fazendo um único sacrifício pelos pecados, assen-
tou-se porque a Sua obra de redenção foi completa e perfeita.
Como Rei: O escritor da Epístola aos Hebreus, citando a profecia-do Salmo
110, escreveu: "Ora, a qual dos anjos jamais disse: Assenta-Te à Minha direita, até
-18-
que Eu ponha os Teus inimigos por estrado dos Teus pés?" (v. 13). Ele está assen-
tado, esperando o que? Já ganhou a vitória, mas está à direita da Majestade espe-
rando o cumprimento dos planos e propósitos de Deus e esperando a sujeição a Ele
de todos os Seus inimigos.
Ainda assim, o Senhor Jesus à direita da Majestade está trabalhando, está
agindo a favor do Seu povo. Ao morrer, o mártir Estevão, com os olhos fitos nos
céus, disse: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem EM PÉ À DESTRA
DE DEUS" (Atos 7.56). Ele é o nosso sacerdote que intercede por nós e também é o
nosso advogado que defende a nossa causa (1- João 2.1).

A SUA SUPREMACIA (v. 21)


A linguagem positiva e clara deste versículo deixa bem patente a supremacia
de Cristo. Ele está acima de todos e de tudo que existe e, para não deixar dúvida
quanto a isto, Paulo indica especificamente os seres e poderes celestes e infernais:
"Acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio".
Em Efésios 3.10, Paulo mencionou "os principados e potestades nos lugares
celestiais" e em Efésios 6.12 disse: "Porque a nossa luta não é contra o sangue e a
carne e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste
mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes". A su-
premacia de Cristo é completa, pois inclui todos e é para todo o sempre: "E de todo
nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro"
(1.21).

A VITÓRIA COMPLETA DE CRISTO (v. 22)


"E pôs todas as cousas debaixo dos Seus pés". Isto, sem dúvida, refere-se
aos inimigos de Cristo. Josué chamou os capitães do seu exército para pôr os pés
sobre os pescoço dos cinco reis, os inimigos vencidos (Josué 10.24). Foi um ato
simbólico de vitória completa. O Senhor Jesus é vitorioso, mas está esperando o
dia quando todos os Seus inimigos Lhe estarão sujeitos (Hebreus 2.8 e Atos 2.35).

CRISTO E A SUA IGREJA (v. 22)


Em nosso estudo da Epístola aos Efésios, temos pensado na obra da Trinda-
de na redenção do indivíduo (1.3 a 14) e na vida espiritual do crente em Cristo (1.15
a 19), mas agora o assunto principal da Epístola é os crentes como uma coletivida-
de, a Igreja Universal, composta de todos os crentes desde o dia de Pentecoste até
a vinda do Senhor Jesus para buscar a Sua Igreja. Nas Epístolas de Paulo a Timó-
teo e a Tito, ele ensina a respeito das igrejas locais, isto é, os crentes que se reúnem
em certa localidade, mas na Epístola aos Efésios, Paulo tem em vista a Igreja Uni-
versal, composta de todos os crentes verdadeiros.
DEUS CONSTITUIU JESUS CRISTO COMO CABEÇADA IGREJA."E sobre
todas as coisas O constituiu como cabeça da igreja" (v. 22 - Versão Corrigida).

A UNIÃO ENTRE CRISTO E A SUA IGREJA


É comparada à relação entre a cabeça e o corpo humano. Paulo aprendeu
esta verdade na sua conversão, quando caiu por terra na estrada de Damasco, aon-
de ia para perseguir a igreja, quando ouviu a voz de Cristo dizer: "Saulo, Saulo, por
-19-
que Me persegues?" Saulo descobriu que quem persegue o corpo persegue tam-
bém a Cabeça. A cabeça sente os sofrimentos do corpo. Esta união da cabeça e do
corpo não é somente uma comparação. E a verdadeira união e completa identifica-
ção de Cristo com a Sua Igreja,

A NATUREZA DESTA UNIÃO


Não é uma organização controlada e organizada pelos homens, mas é uma
união espiritual e invisível. O nosso corpo não é uma organização, mas sim, um or-
ganismo unido pela vida. Da mesma maneira, a Igreja, o Corpo de Cristo, não é
uma organização, mas sim, um organismo unido pela vida e controlado pelo Se-
nhor Jesus. E a união de um corpo com a Cabeça. A Igreja foi formada pela subida
e exaltação do Senhor Jesus e pela descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste.

O CORPO É O COMPLEMENTO DA CABEÇA E A CABEÇA, DO CORPO


A Igreja fica incompleta sem o Senhor Jesus e não pode existir sem Ele. Co-
mo a cabeça dirige o corpo, Cristo dirige a Igreja. Ele é tudo para a Igreja. Ele é o
Senhor da seara e envia os obreiros à Sua seara (Mateus 9.38). Ele protege a Igreja:
"As portas do inferno não prevalecerão contra ela"(Mateus 16.18). Somente Ele
pode suprir as necessidades espirituais da Igreja. Está bem claro que a Igreja preci-
sa de Cristo, mas será que Cristo precisa da Igreja? Sim! Por causa do Seu propó-
sito de amor, Ele precisa da Igreja para representá-IO aqui no mundo, para testifi-
car e trabalhar por Ele. No versículo 23, o apóstolo afirma que a Igreja é a plenitude
de Cristo, "dAquele que a tudo enche em todas as cousas".

COMO CRISTO DIRIGE A SUA IGREJA?


Ele é invisível, mas fala pela Sua Palavra, no poder do Espírito Santo. É pela
Palavra de Deus que Ele dirige e sustenta a Igreja. Cada crente precisa reconhecer o
Senhor Jesus como o Senhor da sua vida, obedecendo-Lhe em tudo. Nas igrejas
locais os anciãos das igrejas governam, mas como? Pelo seu exemplo de seguir a
Cristo e pelo ensino e autoridade não deles, mas sim, da Palavra de Deus.
• ••••
Lição N? 8
"MASDEUS..."
Leitura: Efésios 2.1 a 5

A frase "mas Deus" (v. 4) indica a intervenção de Deus a favor^da humanida-


de perdida. O apóstolo Paulo fez lembrar aos crentes da igreja em Éfeso a grande
transformação e a intervenção que Deus fizera em suas vidas e os chama a consi-
derarem:
t) O QUE ERAM NO PASSADO (w. 1 a 3);
2) O QUE SÃO NO PRESENTE (w.4 a 6);
3) O QUE SERÃO NO FUTURO (v. 7).
Nesta lição vamos estudar somente o que eram no passado e a intervenção
de Deus.

A VIDA SEM CRISTO (w. 1 a 3)


-20-
De todos os nossos relacionamentos, a nossa relação com Deus é a mais im-
portante. O homem sem Cristo não tem contato nem relação com Deus, pois ele
está morto para com Deus. Escreveu Paulo: "Ele vos deu vida, estando vós mortos
em vossos delitos e pecados" (2.1). A morte significa a separação em todo o senti-
do: separação da alma do corpo, separação de amigos e entes queridos. A morte
espiritual significa a separação de Deus, que é a nossa vida. O pecador está banido
da presença de Deus. Ninguém tem prazer num morto e sempre temos de colocar
fora da vista o cadáver. Também Deus não tem prazer no pecador.

DEUS OFERECE A VIDA AO QUE ESTÁ MORTO EM PECADOS.


"Ele vos deu vida, estando vós mortos em vossos delitos e pecados" (Efésios
2.1).
O apóstolo Paulo menciona três forças e poderes que atuam na vida sem
Cristo:

1) ANDA "SEGUNDO O CURSO DESTE MUNDO"(v. 2). O mundo é inimi-


go de Deus e antes da conversão todos nós andávamos no CURSO deste mundo. A
palavra "curso" indica que todos nós íamos na mesma direção como o curso de um
rio. Qual é o curso ou direção deste mundo? O curso deste mundo começou no jar-
dim do Éden pela desobediência e revolta do homem contra Deus.
A história prova que o mundo é inimigo de Deus e quer viver independente
dEle. Todos nós andávamos neste curso, fazendo a nossa própria vontade em vez
da vontade de Deus. Até o povo de Israel, alvo dos ensinos e cuidados especiais de
Deus, revoltava-se constantemente contra Ele. A crucificação do Filho de Deus é
prova destes fatos.
QUAL É O FIM DO CURSO DO MUNDO? O Senhor Jesus empregou outra
figura para descrever a mesma verdade. Ele disse: "Larga é a porta e espaçoso o
caminho que conduz para a perdição e são muitos os que entram por ela" (Mateus
7.13).

2) "SEGUNDO O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR"(v. 2). É um dos tí-


tulos de Satanás, que mostra o seu controle do sistema organizado do mundo, do
qual ele é príncipe e deus (João 12.31 e 25 Corfntios 4.4), Satanás é invisível e. por
isso, o povo do mundo ignora a sua atividade, ainda que pode ver os resultados das
suas obras.
O apóstolo descreveu o estado do homem para com Deus como "morto",
mas a sua relação para com o mundo e Satanás se descreve como "andando", por-
que está de pleno acordo com o curso do mundo e seu procedimento é segundo o
desejo de Satanás.
Lemos no versículo 2: "Segundo o príncipe da potestade do ar, do ESPIRITO
QUE AGORA ATUA NOS FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA". No jardim do Éden,
Satanás conseguiu a desobediência dos nossos primeiros pais e até hoje existem os
seus filhos, conhecidos pela sua desobediência à Palavra de Deus.

3) "SEGUNDO AS INCLINAÇÕES DA NOSSA CARNE" (v. 3). A "carne"


é a nossa natureza pecaminosa que herdamos pelo nosso nascimento. É também
-21 -
inimiga de Deus e não pode agradar a Deus. As obras da carne se descrevem em
Gaiatas 5.19 a 21. Os crentes em Éfeso antes da sua conversão andavam segundo
os desejos carnais. Os que andam segundo a carne são chamados "filhos da ira".
De fato, o homem que anda segundo o curso deste mundo, segundo Satanás
e segundo os desejos da sua natureza decaída está numa situação terrível. Como
pode sair desta situação? Somente existe uma saída: É SOMENTE PELA INTER-
VENÇÃO DE DEUS A NOSSO FAVOR.
"MAS DEUS, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com
que nos amou..." (v. 4).

A INTERVENÇÃO DE DEUS
Foi pela misericórdia de Deus. A misericórdia não dá o que a pessoa merece.
Merecíamos a ira de Deus contra o nosso pecado e a perdição eterna; porém a mi-
sericórdia de Deus não quer dar-nos o que merecemos.Há necessidade de miseri-
córdia onde há ofensas e culpa. O revoltoso e o condenado à morte precisam de
misericórdia. O estado espiritual do homem como descrito nos três primeiros versí-
culos do capítulo 2 exige ou juízo ou misericórdia. Os homens estão em plena re-
volta contra o seu Criador, estando no curso do mundo que rejeitou Cristo e per-
tencendo ao reino de Satanás. Que seria de nós se Deus não tivesse misericórdia de
nós?!

A MEDIDA DA MISERICÓRDIA DE DEUS


"Mas Deus, SENDO RICO em misericórdia". Deus é rico em tudo e não po-
demos calcular a Sua riqueza. A misericórdia de Deus não é uma exceção. A culpa
do homem é enorme, mas a misericórdia de Deus é maior. Ele é rico em misericór-
dia.

O MOTIVO DA MISERICÓRDIA DE DEUS


"Mas Deus, sendo rico em misericórdia, POR CAUSA DO GRANDE AMOR
COM QUE NOS AMOU". Para nós isto é um grande mistério, porque não havia
nada em nós para atrair o amor de Deus.
A MISERICÓRDIA DE DEUS É CONDICIONAL Ela é oferecida a todos, mas
somente a alcançam os que se arrependem dos seus pecados e aceitam, pela fé em
Cristo, a salvação de Deus. A teoria que Deus perdoa a todos, mesmo aos que não
se arrependem e crêem em Cristo, não tem base na Bíblia e é uma esperança falsa.

AO ACEITARMOS A MISERICÓRDIA DE DEUS, A NOSSA RELAÇÃO COM


ELE MUDA
Então não somos mais revoltosos, mas tornamo-nos filhos de Deus. A VIDA
É DADA PELA NOVA RELAÇÃO COM O SENHOR JESUS CRISTO. "Estando nós
mortos em nossos delitos, NOS DEU VIDA JUNTAMENTE COM CRISTO" (v. 5). A
nova relação com Deus somente se torna possível por Jesus Cristo, por crer nEle,
salvos pela Sua morte na cruz.

A VIDA É A BÊNÇÃO PROVENIENTE DA MISERICÓRDIA DE DEUS PELA


MORTE DO SENHOR JESUS.
-22-
A comunicação desta nova vida chama-se o novo nascimento, que se torna
possível "juntamente com Cristo". Sem Ele não há misericórdia, sem Ele não há
comunicação de vida espiritual, sem Ele não há uma nova relação com Deus.

O PROPÓSITO DA MISERICÓRDIA DE DEUS É A SALVAÇÃO PELA SUA


GRAÇA
"Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo
- PELA GRAÇA SOIS SALVOS". A misericórdia de Deus é somente uma parte do
Evangelho, pois pode ser considerada como o aspecto negativo, isto é, que Deus
não dá ao homem o que ele merece. E a palavra "graça" apresenta o aspecto posi-
tivo. Deus nos oferece o que não merecemos e o que não podemos merecer. "Pela
graça sois salvos" (v. 5).
• •• ••
Lição N* 9
PELA GRAÇA SOIS SALVOS
Leitura: Efésios 2.5 a 10

O tftulo desta lição é um resumo do Evangelho porque as duas palavras "gra-


ça" e "salvação", juntas, expressam a verdadeira mensagem do Evangelho. A causa
é a graça de Deus e o efeito é a salvação.
A palavra "salvação" indica a necessidade espiritual do homem que está em
perigo espiritual e em apuros porque, de si mesmo, não tem saída e, por isso, o so-
corro tem de vir de Deus.
A GRAÇA DE DEUS é o amor, mas com ênfase no amor aos que nada me-
recem. Deus Pai ama Seu Filho, mas isto não é graça, porque Ele merece o amor
do Pai, mas o amor de Deus para com o pecador é graça, porque este não merece o
Seu amor.
Na Epístola de Paulo aos Romanos, o apóstolo Paulo descreve o amor de
Deus aos que nada merecemos: "Cristo, quando nós ainda éramos FRACOS, mor-
reu a Seu tempo pelos ÍMPIOS" (5.6). Pela graça de Deus, Cristo morreu pelos fra-
cos, pelos que não têm força e que ficam vencidos pelo poder do pecado na vida.
Cristo morreu também pelos ímpios. O ímpio não tem reverência e age ao contra;
rio das exigências e do caráter de Deus. Ainda assim. Cristo morreu pelo ímpio.
Deus também ama os pecadores, os que transgridem as Suas leis. "Deus prova o
Seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós
ainda PECADORES" (Romanos 5.8). Ainda mais: "Nós, quando INIMIGOS, fomos
reconciliados com Deus mediante a morte de Seu Filho" (Romanos 5.10). Ele ama
até os Seus inimigos, os que se revoltaram contra Ele. Esta é a verdadeira graça de
Deus, mostrando o Seu amor para com os que nada merecem. A graça é amor e
tudo o que se diz a respeito do amor pode também dizer-se a respeito da graça. É
compassiva, clemente, benigna, bondosa e misericordiosa.

A GRAÇA DE DEUS EFETUOU A SALVAÇÃO ETERNA


Quando Deus salva uma pessoa, Ele a salva da culpa e da pena do pecado
para todo o sempre. O Senhor Jesus disse: "Eu lhes dou.a vida eterna; jamais pere-
cerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da Minha mão" (João 10.28). O Novo
-23-
Testamento ensina que nem todos os que professam ser cristãos são salvos (Mateus
7.21 a 23). Existe o cristão verdadeiro (que está de posse da vida eterna) e existe o
professo (que é o crente apenas de nome). Pode ser que este seja até membro de
uma igreja e que até pregue, mas nunca se converteu a Deus. Quem abandona o
Evangelho ou vive em pecado é somente professo e não é salvo. O apóstolo João
escreveu: "Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado" (1?
João 3.9 - Versão Atualizada).

"EM CRISTO" {v. 6)


Quem é o salvo? Na Epístola aos Efésios ele é descrito pela frase "EM CRIS-
TO". Alguém, sentindo a sua culpa e arrependido, se abriga em Cristo, ao confiar
na Sua morte pelos seus pecados, recebe o perdão e é nascido de novo pelo Espí-
rito Sa.nto. "Em Cristo"! Que posição de bênção! Tudo que Cristo é e tem feito é
lançado na conta daquele que venha a confiar n E lê.

JUNTAMENTE COM CRISTO (v. 6)


E mais uma frase de bênção incalculável! "E juntamente com Ele [com Cris-
to] nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (v. 6).
Nos versículos 5 a 7 àpresehtam-se três quadros da graça de Deus:
D- NO PASSADO (v. 5). A graça de Deus salvou e levantou os crentes em
Éfeso do lugar perigoso de condenação e perdição onde eles se encontravam para
a posição de bênção "em Cristo".
2)- NO PRESENTE (v. 6). A graça de Deus exalta os salvos. A frase chave do
versículo 6 é "juntamente com Cristo". Ao ser salvo, o crente é unido a Cristo, e
desta maneira goza a posição de glória juntamente com Cristo ressurgido e exalta-
do. A exaltação de Cristo não é apenas para garantir a ressurreição e a exaltação
dos salvos, mas também (e aos olhos de Deus isto já aconteceu) é a posição dos
salvos no tempo presente. "E juntamente com Ele (com Cristo] nos ressuscitou e
nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (v. 6).
3)- NO FUTURO (v. 7). A graça de Deus não tem fim porque será demons-
trada em bondade para a Igreja nos séculos vindouros.

A SALVAÇÃO É MEDIANTE A FÉ
"Pela graça sois salvos, mediante a fé". A salvação originou-se no coração de
Deus e não teve nenhuma iniciativa da parte do homem. A única coisa que o ho-
mem pode fazer para a sua salvação é recebê-la pela fé. A salvação efetuada pela
morte do Senhor Jesus é oferecida gratuitamente a todos, mas relativamente pou-
cos são salvos porque não recebem pela fé a salvação oferecida.
O HOMEM NADA PODE CONTRIBUIR PARA A SUA SALVAÇÃO, POIS É
OBRA COMPLETADA E PERFEITAMENTE FEITA POR DEUS. "E isto não vem de
vós, é dom de Deus". A palavra "isto" não se refere ò fé, nem à graça, mas sim, à
salvação. É RECEBIDA COMO RECEBEMOS UM PRESENTE, SEM PAGAR NADA.
"É dom de Deus". É um insulto a Deus querer pagar o que Lhe custou a morte de
Seu Filho amado. Deus é rico e não vende nada, enquanto que o homem é pobre e
não pode comprar. Devemos sempre lembrar que a fé é simplesmente receber a
salvação oferecida por Deus.
-24-
A SALVAÇÃO NÃO É PELAS OBRAS. O pensamento que o homem tem que
fazer alguma coisa para a salvação da sua alma é um dos maiores empecilhos à
aceitação do Evangelho. Deus tem dito: "Não de obras, para que ninguém se glo-
rie" (v. 9). As religiões do mundo são inventadas pelos homens e têm por base a
salvação pelas obras. Portanto, o Evangelho é diferente porque é de Deus. Ele não
aceita as obras do pecador rebelde e não deixa ninguém se gloriar na Sua presença.
Ninguém vai chegar aos céus e dizer: "Eu cheguei aqui pela minha vida e pelas mi-
nhas obras".

SERÁ QUE BOAS OBRAS NÃO TÊM VALOR?


Boas obras têm valor, mas não para a salvação. Não adianta um condenado
fazer algumas obras boas, porque ele já é condenado pelos seus atos do passado.
A NOVA CRIATURA EM CRISTO TEM A CAPACIDADE DE FAZER BOAS
OBRAS AGRADÁVEIS A DEUS. O pecador que recebe o dom de Deus, recebe o
Espírito Santo, uma nova vida e uma nova natureza que podem produzir obras
aceitáveis a Deus.
Este é o objetivo de Deus: pela Sua graça, fazer do crente em Cristo uma nova
criatura. "As cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2? Corfntios
5.17). "Porque somos feitura dEhe, criados em Cristo Jesus para boas obras, as
quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2.10). Mes-
mo assim, as obras não podem contribuir para a nossa salvação porque é somente
depois de salva que a pessoa pode fazer boas obras e viver uma vida agradável a
Deus.
•••••
Lição N? 10
OUTRORA E AGORA
Leitura: Efésios 2.11 a 18

No Velho Testamento Deus tratava de modo diferente os dois povos princi-


pais do mundo - o judeu e os povos que não pertenciam à raça judaica, chamados
na Bíblia os gentios. Pelo versículo 11 sabemos que o apóstolo Paulo escreveu a
Epístola aos Efésios principalmente aos gentios que creram em Cristo. Ele os fez
lembrar do seu passado e disse-lhes: "Lembrai-vos de que outrora vós, gentios na
carne, chamados incircuncisâo por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne,
por mãos humanas" (v. 11).

A SITUAÇÃO ESPIRITUAL DOS GENTIOS SE DESCREVE PELAS PALA-


VRAS "LONGE DE DEUS"
Por meio de cinco frases descreve-se a situação espiritual dos gentios no pas-
sado.
D- "SEM CRISTO" (v. 12). A ênfase está nas palavras "naquele tempo" e
"outrora", referindo-se à época quando o Evangelho não era pregado aos gentios.
O Evangelho de Cristo foi pregado "primeiro ao judeu" (Romanos 1.16); O Senhor
Jesus mesmo disse à mulher cananéia: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas
da casa de Israel" (Mateus 15.24). Somente depois da rejeição de Cristo pelos ju-
-25-
deus é que os gentios foram convidados à festa do Evangelho (Mateus 22.1 a 10).
2)- "SEPARADOS DA COMUNIDADE DE ISRAEL". Não tinham direito
aos privilégios do povo terrestre de Deus. Israel foi uma comunidade separada das
nações, com o templo, símbolo da presença de Deus no seu meio, sendo o alvo do
poder e dos cuidados de Deus. Receberam da parte de Deus a revelação, por pro-
fetas, figuras, ritos e emblemas, os quais revelaram o justo ca rate r de Deus e a ne-
cessidade da expiação do pecado.
3)- "ESTRANHOS ÀS ALIANÇAS DA PROMESSA". As bênçãos e as
promessas das alianças foram feitas a Abraão e aos seus descendentes.
4J- "SEM ESPERANÇA". O apóstolo Paulo ainda está escrevendo a res-
peito da época anterior à graça de Deus ser manifestada, antes da cruz de Cristo,
mas também esta é a condição atual dos que rejeitam o Salvador, que é a única es-
perança da humanidade.
5)- "SEM DEUS NO MUNDO". Nos tempos do Velho Testamento as outras
nações não adoravam o Deus verdadeiro, pois eram idólatras. "Sem Deus no mun-
do" completa o quadro de destituição espiritual dos que estão sem Cristo.

"MAS AGORA..." PERTO


A mudança naqueles que se convertem do paganismo é muito grande. Eles,
que estavam tão longe, chegaram perto pelo sangue de Cristo. Em consequência da
rejeição de Cristo, os judeus, como nação, foram rejeitados por Deus por um tempo
determinado. Agora, pela morte do Senhor Jesus, a salvação se oferece a todos,
sem exceção.
A CAUSA DESTA MUDANÇA É A CRUZ DE CRISTO. Ele morreu por todos,
embora nem todos sejam salvos, porque nem todos aceitam o Evangelho. "Fostes
aproximados pelo sangue de Cristo" (v. 13). O resultado da aceitação do Evangelho
é que eles se encontraram numa posição de bênção espiritual em Cristo que nem
mesmo a nação judaica nos tempos do Velho Testamento gozava. Perante a cruz
de Cristo a raça humana está na mesma posição perante Deus. Tanto o judeu
quanto o gentio são culpados e afastados de Deus; porém para qualquer pessoa há
a possibilidade de aproximar-se de Deus pelo sangue de Cristo.

PELA CRUZ DE CRISTO HOUVE TAMBÉM UMA MUDANÇA PARA A NAÇÃO


DOS JUDEUS
Os sacrifícios, figuras e tipos como sombras do Velho Testamento dissipa-
ram-se perante a realidade da expiação do pecado pelo sangue do Senhor Jesus.
Quando Cristo morreu, o véu do templo se rasgou em duas partes, de alto a baixo,
significando o fim do sacerdócio de Arão e do serviço e da adoração no templo. O
que é de grande importância é que, pela morte de Cristo, foi aberto o caminho para
a presença de Deus.

"PORQUE ELE [CRISTO] É A NOSSA PAZ" (v. 14)


Muitos sabem que Deus é amor e luz, mas nem todos sabem que Cristo é a
nossa paz. Quando Deus apareceu a Gideão, este ficou atemorizado, mas o Senhor
lhe disse: "Paz seja contigo! Não temas! Não morrerás! Então Gideão edificou ali
um altar ao Senhor e lhe chamou: O SENHOR É PAZ". É o nome de Deus "Jeová-
-26-
Shalom", que significa: "O Senhor é paz". O Senhor é "o Príncipe da Paz" (Isaías
.9.6). Na ocasião do nascimento de Jesus Cristo, a multidão da milícia celestial
anunciou: "Paz na terra entre os homens, a quem Ele quer bem" (Lucas 2.14). Po-
rém não há paz na terra porque o mundo rejeitou o Príncipe da Paz. Pela Sua
morte, Ele fez a paz e nós, que temos aceitado Jesus Cristo como Salvador, temos
paz com Deus e podemos dizer: "Ele é a nossa paz".
Portanto, no versículo 14, Cristo como a nossa paz se apresenta primeira-
mente em relação à Igreja. A primeira referência a Cristo e à Sua Igreja na Epístola
aos Efésios (1.22) ensina que Ele é tudo que a Igreja precisa para seu sustento e
direção; porém esta, a segunda referência à Igreja na epístola (2.14), revela O QUE
CRISTO É NA FORMAÇÃO DA IGREJA, pois a Igreja não poderia existir sem
Aquele que "é a nossa paz".
A UNIÃO E COMPOSIÇÃO DA IGREJA. "De ambos fez um". Paulo está se
referindo aos judeus e ao resto do mundo (os gentios) que, pela cruz de Cristo e
pela fé, aceitam Cristo como Salvador. No Velho Testamento o povo do mundo era
dividido em judeu e gentio, mas, pela morte de Cristo na cruz, no dia de Pentecoste
foi acrescentado mais um povo, que é a Igreja de Deus (1? Corfntios 10.32), com-
posto dos salvos de todas as nações - judeus e gentios, sem distinção.
Por causa do preconceito de raça e de religião, para os judeus foi difícil aceitar
que pessoas de outras raças pudessem pertencer ao mesmo Corpo, a Igreja, pois
havia separação e inimizade entre eles. Pela cruz de Cristo, pessoas de qualquer ra-
ça podem ser salvas e pertencer à Igreja de Deus, pois todos estão no mesmo nível
e têm de chegar a Cristo como pecadores perdidos.
No templo em Jerusalém havia uma parede no pátio, da qual o gentio não
podia passar. Era a parede de separação, que simbolizava a inimizade entre judeu e
gentio. Porém, pela Sua cruz, o Senhor Jesus derribou a parede de separação que
estava no meio, a inimizade.

A CRUZ E "A LEI DOS MANDAMENTOS EM FORMA DE ORDENANÇAS"


Havia mais um impedimento à união do judeu e do gentio em Cristo: "a lei
dos mandamentos na forma de ordenanças", que são os decretos que governavam
a vida do judeu. O cumprimento desses decretos era obrigatório e a desobediência
seria, em alguns casos, punida com a morte. Podemos ler estes decretos ou orde-
nanças nos livros de Êxodo, Levftico, Números e Deuteronômio. Pelo cumprimento
dessas leis o povo de Israel era diferente das outras nações. O que faria, então, o
judeu crente? Ainda tinha a obrigação de cumprir estes mandamentos? E como os
gentios, que não tinham a obrigação de cumprir esses mandamentos, podiam unir-
se com os judeus, formando um só povo? Podemos encontrar a resposta na obra
de Cristo na cruz, pois Ele "aboliu na Sua carne a lei dos mandamentos na forma
de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo um novo homem, fazendo a
paz" (v. 15).
O novo homem não é mais judeu (para viver sob a as ordenanças do Velho
Testamento), nem gentio (para viver no paganismo), mas o cristão é um novo ho-
mem em Cristo, para viver segundo o ensino do Novo Testamento.

RECONCILIAÇÃO COM DEUS PELA CRUZ (v. 16)


-27-
Em primeiro lugar, foi feita a reconciliação com Deus, mas também foram
desfeitas todas as barreiras de raça, classe social e de religião, fazendo de todos os
salvos um em Cristo, unindo-os para formar um Corpo, que é a Igreja de Deus. "E
reconciliasse ambos [os judeus e os gentios] em um só corpo [a Igreja] com Deus,
por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade" (v. 16). A reconciliação com
Deus é a mais importante e é a base da reconciliação entre judeu e gentio.
O EVANGELHO DA PAZ (v. 17). A mensagem do Evangelho da paz é a mes-
ma, tanto para o judeu quanto para o gentio. Este versículo é uma citação do Velho
Testamento (Isaías 57.19) e mostra que a bênção para os gentios foi prevista no
Velho Testamento.
ACESSO AO PAI. É o mesmo tanto para o judeu quanto para o gentio e é
uma das bênçãos da cruz de Cristo, que os judeus no tempo do Velho Testamento
não tinham. Nós, os crentes, temos o grande privilégio de chegar à presença do
Pai.
• •• • • • •
Lição NS 11
FIGURAS DA IGREJA DE DEUS
Leitura: Efésios 2.19 a 22

Na última lição consideramos como a Igreja foi unida pelo Senhor Jesus
Cristo, por Sua morte na cruz. O tema da união da Igreja continua até o fim do ca-
pftulo 2, apresentando quatro figuras da Igreja.

1} CONCIDADÃOS DOS SANTOS


Todos os membros da Igreja Universal, o Corpo de Cristo, são cidadãos do
país celestial com direitos, privilégios e responsabilidades. O crente aqui é consi-
derado peregrino porque não pertence ao mundo. Está aqui somente de passagem,
em demanda do país celestial. Ele é também forasteiro, ou seja estrangeiro, porque
pertence a um país diferente. O apóstolo Pedro escreveu aos crentes: "Amados,
exorto-vos como peregrinos e forasteiros" (12 Pedro 2.11). Estas palavras descre-
vem a posição do crente quanto ao mundo, mas o apóstolo Paulo em Efésios 2.19
apresenta o aspecto positivo, mostrando que, quanto ao pafs celestial, o cristão não
é peregrino e estrangeiro, mas sim, um cidadão e concidadão com os santos. "As-
sim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e sois da
família de Deus" (v. 19).
O sentido da palavra grega traduzida "igreja" é "chamado para fora". O ob-
jetivo de Deus não é melhorar este mundo rebelde. Ele está é chamando do mundo
um povo para ser a Sua Igreja. As palavras "concidadãos dos santos" expressam a
mesma verdade. São chamados e separados para Deus e unidos como concidadãos
dos santos para ser um povo cujo pafs é celestial.

2) A FAMÍLIA DE DEUS
"E sois da família de Deus" (v. 19). A primeira figura da Igreja na Epístola aos
Efésios é de Cristo como Cabeça e a Igreja como Corpo, significando a união entre
Cristo e a Sua Igreja. Aprendemos que Ele é Senhor da Sua Igreja e quê a dirige. A
figura dos concidadãos dos santos é a figura de uma coletividade que não pertence
-28-
a este mundo, mas sim, ao país celestial. A terceira figura da Igreja na Eptstola aos
Efésios é a da família de Deus, onde os membros pertencem uns aos outros, unidos
no amor fraternal.
É a figura mais usada da Igreja em o Novo Testamento. As palavras "irmão",
"irmã" e "irmandade" se mencionam cerca de 150 vezes em o Novo Testamento.
Deus é o nosso Pai e nós somos Seus filhos. A Igreja Primitiva em Jerusalém vivia
como uma família, no amor fraternal. Os anciãos da igreja local têm que governar
bem a sua própria casa porque vão precisar das mesmas qualidades para cuidar da
igreja local. "Pois se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará
da igreja de Deus?" (1- Timóteo 3.5). A igreja é uma grande família e, o que é mais
importante, é a família de Deus.

3) A IGREJA COMO UM EDIFÍCIO (v. 20)


A Igreja, que começou no dia de Pentecoste, ainda está em construção e será
completada no arrebatamento, É composta não de pedras e de tijolos, mas sim, de
pessoas, de pedras vivas.
O FUNDAMENTO DA IGREJA (v. 20). "Edificados sobre o fundamento dos
apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular". Em 19 Co-
ríntios 3.11, o apóstolo escreveu: "Porque ninguém pôde lançar outro fundamento,
além do que já foi posta, o qual é Jesus Cristo". Quando Pedro confessou: "Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo", o Senhor Jesus disse: "Sobre esta pedra edificarei a
Minha Igreja" (Mateus 16.18), sendo Ele mesmo, o Cristo, o Filho do Deus vivo, a
pedra. Se Jesus Cristo é o fundamento da Igreja, qual é o fundamento dos apósto-
los e profetas?
É O FUNDAMENTO DO ENSINO DO NOVO TESTAMENTO. No dia de
Pentecoste não havia ainda o Novo Testamento e sem o ensino dele a Igreja não
podia existir. Deus preparou homens pelos quais o Espírito Santo podia transmitir
em toda a sua pureza e exatidão o ensino do Novo Testamento. Por algum tempo
depois do dia de Pentecoste, os apóstolos e profetas transmitiram esse ensino di-
retamente à igreja. Chama-se "a doutrina dos apóstolos" (Atos 2.42) porque os
apóstolos, escolhidos e ensinados pelo Senhor Jesus e controlados pelo Espírito
Santo, foram responsáveis por este ensino.
Pouco a pouco, os apóstolos e profetas, inspirados pelo Espírito Santo, escre-
veram o Novo Testamento, completando de uma vez para sempre o cânone das
Sagradas Escrituras. No fim da Bíblia (Apocalipse 22.18 e 19)/ há um aviso solene
aos que acrescentam ou tiram palavras da Bíblia. A revelação da parte de Deus aos
homens já é completa. Por isso, o Novo Testamento, o fundamento dos apóstolos e
profetas, é a autoridade, o ensino e a base das atividades e do procedimento da
Igreja.
Logo descobrimos que não há incoerência entre o fundamento dos apóstolos
e profetas e o fundamento que é Jesus Cristo. O Novo Testamento, que é a base do
ensino, apresenta Jesus Cristo como o único fundamento da Igreja, pois ela é edifi-
cada sobre a Pessoa e a obra redentora de Jesus Cristp. Nós confiamos e descan-
samos nEle e no que Ele fez por nós.
JESUS CRISTO COMO A PEDRA ANGULAR (v. 20). O assunto de Jesus
Cristo como a pedra angular se encontra nas profecias de Isaías (Isafas 28.16) e nos
-29-
Salmos (Salmo 118.22). As profecias de Jesus Cristo como a pedra angular foram
citadas pelo Senhor Jesus (Mateus 21.42) e pelo apóstolo Pedro (13 Pedro 2.6 e 7).
A pedra angular no Tempo de Salomão era enorme e servia de fundamento
e, ao mesmo tempo, era a pedra de esquina que marcava a linha da construção que
ligava as paredes.
JESUS CRISTO É TUDO PARA A IGREJA. Ele é o fundamento "no qual
todo edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor" (v. 21). Pe-
las Escrituras podemos aprender alguns fatos a respeito da Igreja corno edifício.
a) A Igreja é um edifício espiritual. É composta de todos os crentes verda-
deiros (1? Pedro 2.5).
b) A planta é o Novo Testamento. Um edifício precisa de uma planta e de
especificações para indicar o tamanho, as características e todos os detalhes da
construção. Tudo isto é indicado por uma frase nos versículos 21 e 22. A frase "em
Cristo" (ou nEle). Qual é o tamanho? Todos "em Cristo". As características são se-
gundo o caráter de Cristo, como se encontra na Palavra de Deus. Pela frase "em
Cristo" na Epístola aos Efésios podemos descobrir a descrição do edifício espiritual.
c) "É bem ajustado". Em Cristo o edifício espiritual é ligado e unido. A arte
de construir é ligar diversos materiais para ficar uma obra sem defeito, conforme a
planta. Quando nós olhamos para os materiais com que Deus está construindo a
Sua Igreja ficamos admirados. Os crentes em Efeso eram pagãos, idólatras e al-
guns praticavam artes mágicas, mas foram transformados e se tornaram santos.
Em Cristo somos unidos para formar um edifício.
d) "Cresce para santuário dedicado ao Senhor" (v. 21). Um edifício não é
feito num momento, mas pouco a pouco o construtor assenta os materiais. Deus
ainda está assentando pedras vivas na Sua Igreja, que está crescendo em tamanho
e também conforme o modelo de Cristo.

4) A IGREJA COMO UM SANTUÁRIO, TEMPLO E HABITAÇÃO DO SENHOR.


O privilégio da Igreja é muito maior do que o privilégio do povo de Israel. Os
israelitas tinham o santuário no meio deles, mas a Igreja é o templo de Deus e tam-
bém o sacerdócio (19 Pedro 2.5). "No qual também vós juntamente estais sendo
edificados para habitação de Deus no Espírito" (Efésios 2.22).
• • • ••
Lição N« 12
PAULO, O PRISIONEIRO DE CRISTO JESUS
Leitura: Efésios 3.1 a 6

Paulo, neste trecho, refere-se à sua prisão em Roma de uma maneira interes-
sante. Ele não escreveu: "Paulo, o prisioneiro de César", mas escreveu: "Paulo, o
prisioneiro de Cristo Jesus".

POR QUE O APÓSTOLO SE CHAMOU "PRISIONEIRO DE CRISTO JESUS"?


Por que sabia que Deus estava cumprindo a Sua vontade e o Seu propósito
pela prisão de Paulo, na sua casa alugada em Roma. Estava preso, mas, ao mesmo
tempo, tinha certa liberdade para fazer o serviço de Deus, protegido pelos soldados
romanos das ciladas e conspiratas dos judeus fanáticos. Foi pela permissão de Deus
- 30 -
que Paulo foi preso por César e só na eternidade vamos conhecer os resultados be-
néficos da prisão de Paulo em Roma. "Eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus".
Por estas palavras, Paulo indicou a disposição de sua vida e não apenas a sua posi-
ção física. Voluntariamente colocou-se ao inteiro dispor de Jesus Cristo e, no de-
sempenho da Sua missão, tornou-se prisioneiro.

A RAZÃO
"Por esta causa eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós,
gentios". Por causa de que? Por causa das verdades expressas nos versículos 14 a
22 do capítulo anterior, isto é, que a parede de separação entre o judeu e o gentio
foi derrubada e que agora, judeus e gentios, unidos pela fé em Cristo, estão sendo
edificados juntamente para habitação de Deus no Espírito. Paulo estava na prisão
por causa das verdades do Evangelho e da Igreja a respeito dos gentios. Por este
motivo, nas suas viagens missionárias, Paulo foi perseguido pelos judeus em An-
tioquia (Atos 13.45), em Icônio (14.2), em Listra (14.19), em Tessalônica (17.5) e em
Beréia (17.13). A sua viagem para a prisão em Roma começou no templo em Jeru-
salém, quando alguns judeus da Ásia alvoroçaram o povo, que procurou matá-lo,
mas o comandante e os seus soldados chegaram a tempo de salvar a vida de
Paulo. Ao entrar na fortaleza, o apóstolo pediu licença para falar aos judeus que o
perseguiam. Escutaram em silêncio enquanto relatou a sua vida e a sua conversão
a Cristo, mas quando falou as palavras que o Senhor Jesus lhe tinha dito: "Vai,
porque Eu te enviarei para longe aos gentios" (Atos 22.21), então começaram a
gritar: "Tira tal homem da terra porque não convém que ele viva". A perseguição
foi tão forte que, depois de descobrir uma conspiração para matar Paulo, o coman-
dante o enviou de noite com uma escolta de soldados para Cesaréia, onde apelou a
César e foi enviado a Roma como prisioneiro.
Ao escrever a carta aos Efésios, ele estava acorrentado a um soldado na sua
casa alugada, esperando a chegada dos acusadores enviados pelos judeus para
acusá-lo perante o tribunal de Nero.

O APÓSTOLO FOI PRESO POR CAUSA DA PROCLAMAÇÃO DAS VERDADES


DA ÉPOCA DA GRAÇA DE DEUS (v. 2)
Agora o apóstolo fala da sua responsabilidade como despenseiro da graça de
Deus: "Se é que tendes ouvido a respeito da DISPENSAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS
a mim confiada para vós outros". A palavra "dispensação" no grego significa "a
administração de uma casa" ou "a responsabilidade de um administrador". A
mesma palavra em Efésios 1.10 descreve um período especial da administração de
Deus do Universo e em Colossenses 1.25 é usada para descrever a responsabilidade
de Paulo como despenseiro de Deus. A fim de entender a dispensação da graça de
Deus confiada a Paulo, precisamos saber que, desde a criação do homem, Deus
tem administrado o mundo de diversas maneiras e, pela vinda de Cristo ao mundo,
iniciou-se a época em que nós estamos: a época da graça de Deus. Os característi-
cos do tempo da graça de Deus são os seguintes:
a) Em lugar da Lei para os judeus, Deus está oferecendo salvação em Cristo
ao mundo.
b) É a época da maior e mais perfeita revelação do Seu caráter, na Pessoa de
-31 -
Jesus Cristo. A revelação de Deus através dos séculos era parcial e progressiva,
mas agora, na Pessoa de Jesus Cristo, é perfeita e completa.
c) Está sendo anunciado o Evangelho da salvação pela graça de Deus a todos
os povos.
d) É o pertodo da atuação especial do Espírito Santo e diferente da do Velho
Testamento.
e) Em lugar de Israel, Deus agora tem outro povo (que é a Igreja), que é com-
posto de crentes de todas as nações. Devemos nos alegrar porque estamos vivendo
neste período de bênção e de privilégio sem paralelo na história do mundo.

A RESPONSABILIDADE DE PAULO NESTE PERÍODO DA GRAÇA DE DEUS


EM QUE NÓS VIVEMOS (v. 2)
Devemos lembrar que no Velho Testamento existem profecias das verdades
evangélicas e da bênção para os gentios. Antes da conversão de Paulo, os discípu-
los tinham aprendido muito a respeito da época da graça de Deus, pelos ensinos de
Cristo durante a Sua vida e também depois da Sua ressurreição, quando lhes ensi-
nou a respeito do reino de Deus (Atos 1.3). Na Igreja Primitiva havia apóstolos e
profetas para suprir a falta do Novo Testamento. Então, por que precisava Paulo
revelar a doutrina da graça de Deus? Pelas seguintes razões:
a) Havia muita incerteza pela mudança entre os períodos da Lei e da Graça e,
por isso, era necessário alguém que, com autoridade e com a direção do Espírito
Santo, dissipasse as dúvidas e definisse com clareza as doutrinas da graça de Deus.
b) Por falta de vontade, a igreja em Jerusalém não cumpriu a ordem do Mes-
tre de evangelizar todas as nações e, por isso, era necessário o apóstolo dos gen-
tios. O apóstolo Paulo administrou a graça de Deus, pondo em prática o ensino que
lhe foi confiado. Pregou o Evangelho aos gentios e formou igrejas sem preconceito
de raça, havendo nelas judeus e gentios convertidos, ambos tendo os mesmos pri-
vilégios e sendo todos unidos em Cristo.

O SEGREDO DIVINO (3.3 a 6)


"Mistério" é outra palavra que o apóstolo empregou para descrever as dou-
trinas da Graça de Deus. É o segredo que Deus guardou, como Paulo escreveu em
Romanos 16.25: "Segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, confor-
me a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos". Não foi um
produto da sua inteligência, pois recebeu o ensino diretamente de Deus, por revela-
ção (veja Gaiatas 1.15 a 2.2). "O mistério conforme escrevi há pouco, resumida-
mente" (v. 3). Ele se refere ao que já escreveu nesta carta. Pode ser que ele se refira
a Efésios 1.3 a 14; porém os capítulos 1 e 2 são um excelente resumo do segredo.
CHAMA-SE "O MISTÉRIO DE CRISTO" (v. 4). Na Epístola aos Efésios há
cinco referências ao mistério, cada uma apresentando um aspecto do segredo divi-
no.
' A ORIGEM (1.9) é a vontade de Deus: "Desvendando-nos o mistério da Sua
vontade".
O TEMA PRINCIPAL (3.4) é;Cristo: "Pelo qual, quando lerdes, podeis com-
preender o meu discernimento no mistério de Cristo".
A REVELAÇÃO DO PLANO: "Manifestar qual seja a dispensação do mistério,
-32-
desde os séculos oculto em Deus, que criou todas as cousas" (3.9).
O SEGREDO é a união de Cristo e a Igreja: "Grande é este mistério, mas eu
me refiro a Cristo e à igreja" (5.32).
A MENSAGEM É O EVANGELHO. Disse Paulo: "Para com intrepidez fazer
conhecido o mistério do evangelho" (6.19).

O MISTÉRIO REVELADO (v. 6)


Há certas verdades da época da graça de Deus que eram desconhecidas no
Velho Testamento, como, por exemplo, a Igreja. Outras verdades da Graça de
Deus, embora mencionadas no Velho Testamento, precisam da interpretação do
Novo. Aprendemos no versículo 5 que os santos apóstolos e profetas da Igreja re-
ceberam diretamente de Deus as verdades do Novo Testamento.

TRÊS PONTOS PRINCIPAIS DO SEGREDO (v. 6)


1) "Que os gentios são CO-HERDEIROS". Os israelitas receberam uma he-
rança material; porém a herança espiritual é de maior valor e depende não de ser
filho de Abraão, mas de ser filho de Deus.
2) "MEMBROS DO MESMO CORPO". Foi esta verdade que os judeus acha-
ram difícil, ou impossível, de aceitar.
3) "E CO-PARTICIPANTES DA PROMESSA EM CRISTO JESUS por meio
do evangelho". Pelo Evangelho, a promessa de Deus é oferecida a todas as pessoas
de qualquer nacionalidade que, aceitando Cristo, tornam-se participantes da pro-
messa em Cristo Jesus.
• ••••
Lição N? 13
O APÓSTOLO PAULO COMO MINISTRO DO EVANGELHO
Leitura: Efésios 3.7 a 13

Na última lição consideramos o apóstolo Paulo como prisioneiro de Cristo


Jesus e agora passamos a considerá-lo como.Seu ministro. Paulo alegrou-se no
privilégio de ser "constituído ministro". A palavra grega traduzida "ministro" no
versículo 7 é "diakonos", que significa "servo". Não é costume alguém se gabar de
ser servo e Paulo bem podia ter escolhido outra palavra do seu rico vocabulário.
Por que, então, ele achou o mais rico privilégio ser servo de Deus? Pelas seguintes
razões:

1} PELAS BÊNÇÃOS QUE O EVANGELHO PROPORCIONA


No versículo 6 o apóstolo menciona três grandes bênçãos:
a) A riqueza espiritual e celestial, de que os crentes de todas as raças são co-
herdeiros.
b) O privilégio de pertencer à Igreja, como membro do Corpo de Cristo.
c) Os crentes são co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do
Evangelho, do qual Paulo foi constituído ministro.. A promessa em Cristo Jesus é a
promessa de salvação, feita desde a entrada do pecado no mundo (Génesis 3.15).

2) PELOS GRANDES PRIVILÉGIOS ESPIRITUAIS QUE ELE RECEBEU


-33-
Nos capítulos 1 e 2 temos estudado a graça de Deus na salvação do homem e
a graça de Deus ainda é o assunto no capitulo 3, quando o apóstolo Paulo consi-
dera a graça de Deus em relação ao seu ministério, concedendo-lhe dois grandes
privilégios por ele imerecidos:
a) O privilégio de ter recebido de Deus a revelação das doutrinas da graça,
"da dispensação da graça de Deus a mim confiada para vós outros" (3.2).
b) O privilégio de ministrar esta revelação, levando a mensagem do amor de
Deus aos gentios: "Do qual fui constituído ministro conforme o dom da graça de
Deus, a mim concedida" (3.7). Em 1? Timóteo 1.12 a 14 ele ainda contempla os fa-
vores de Deus para ele, favores estes imerecidos por ele.

3) PELOS DOIS RECURSOS ESPIRITUAIS PARA A SUA MISSÃO


Os privilégios foram acompanhados pelos recursos espirituais para poder
cumprir a sua missão e ministério.
SÃO A GRAÇA DE DEUS E O PODER DE DEUS. "Do qual fui constituído
ministro conforme o dom da graça de Deus, a mim concedida, segundo a força
operante do Seu poder" (v. 7).
A GRAÇA DE DEUS não é apenas o conteúdo da mensagem, mas também é
o recurso e força no serviço de Deus. O amor imerecido não termina com a salva-
ção do homem, mas é um suprimento constante: "Graça sobre graça" (João 1.16),
suprindo todas as necessidades da vida espiritual e do serviço de Deus.
TUDO O QUE PAULO ERA E FAZIA ELE DEVIA Â GRAÇA DE DEUS. Ele
escreveu: "Pela graça de Deus, sou o que sou e a Sua graça, a mim concedida, não
se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a
graça de Deus comigo" (1? Coríntios 15.10).
A graça de Deus é uma frase que ocorre várias vezes e em diversos sentidos
no livro missionário de "Atos dos Apóstolos".
A GRAÇA DE DEUS TRANSFORMA VIDAS. O Evangelho aceito pelos judeus
transformou as suas vidas, mas será que podia produzir o mesmo resultado nos
pagãos? Em Antioquia muitos gentios foram convertidos a Deus e a igreja em Je-
rusalém enviou Barnabé para ver o resultado. Quando Barnabé viu a grande
transformação na vida dos pagãos, "vendo a graça de Deus, alegrou-se" (Atos
11.23).
PELA GRAÇA DE DEUS A OBRA MISSIONÁRIA FOI LEVADA A EFEITO.
Paulo e Barnabé, ao voltarem da viagem missionária, "navegaram para Antioquia,
onde tinham sido recomendados à graça de Deus, para a obra que haviam já cum-
prido" (Atos 14.26). Em toda a vida missionária do apóstolo Paulo e em toda a
emergência ele foi sustentado pela graça de Deus.
PAULO FEZ A OBRA MISSIONÁRIA PELO PODER DE DEUS, "segundo a
força operante do Seu poder" (v. 7).
a) O nosso Mestre é Todo-Poderoso. Ao entregar a comissão aos Seus discí-
pulos, o Senhor Jesus lhes disse: "Toda autoridade [poder] Me foi dada no céu e
na terra" (Mateus 2á.18).
b) O Evangelho é poderoso. O apóstolo escreveu: "Não me envergonho do
Evangelho porque é o PODER de Deus para a salvação de todo aquele que crê"
(Romanos 1.16).
-34-
c) O Espírito Santo é o poder de Deus no crente. Antes de subir ao céu, o
Senhor Jesus disse aos Seus discípulos: "Recebereis poder ao descer sobre vós o
Espírito Santo e sereis Minhas testemunhas" (Atos 1.8). Não é poder inoperante,
nem poder de longe, mas sim, o poder do Espírito Santo no crente.

A MENSAGEM DE PAULO ERA O EVANGELHO DAS INSONDÁVEIS RI-


QUEZAS DE CRISTO (v. 8)
A grandeza do Evangelho confiado a Paulo produziu nele humildade e não
orgulho. Com toda sinceridade, ele declarou: "A mim, o menor de todos os santos,
me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas
de Cristo" (v. 8). Aquele que sabia exercer a sua autoridade apostólica, ao pensar
no grande priviégio de pregar o Evangelho aos gentios, sentiu-se muito pequeno.
Parece que o apóstolo estava fazendo um jogo de palavras com o seu nome que
em latim é "Paulus" e que significa "pequeno".
Devemos notar como Paulo descreveu a mensagem do Evangelho. É "o
evangelho das insondáveis riquezas de Cristo", pois seu assunto é Cristo e nEle há
riquezas insondáveis. Paulo escreveu das riquezas da misericórdia (Efésios 2.4), da
riqueza da graça (Efésios 2.7) e da riqueza da glória de Deus (Efésios 3.16). Pela
palavra "insondável" não devemos entender que as riquezas de Cristo não possam
ser procuradas nem achadas. Ao contrário, podemos e devemos entrar na posse e
no gozo- destas riquezas, porém a palavra quer dizer que são inesgotáveis, não têm
fim e que não podemos calcular nem medir "as riquezas insondáveis de Cristo".

O DEVER DE PAULO ERA REVELAR AS VERDADES DA ÉPOCA DA GRAÇA


DE DEUS (w. 9a 12)
No versículo 9 o apóstolo volta ao assunto do mistério. No versículo anterior
ele expressou a sua apreciação da pessoa de Jesus Cristo e ao Evangelho que lhe
foi confiado. Agora ele volta a considerar as verdades da Igreja, o mistério ou se-
gredo "desde os séculos oculto em Deus, que criou todas as cousas" (v. 9). "Misté-
rio" é uma palavra-chave para a compreensão do pensamento de Paulo, porque a
palavra grega "mystérion" e a tradução portuguesa "mistério" não têm precisa-
mente o mesmo sentido. Em português, um mistério é algo oculto, secreto, incom-
preensível e até inexplicável. Assim pois, a palavra "mystérion" não dá este sentido.
Pelo contrário, "é um segredo que através dos séculos Deus cuidadosamente guar-
dou, mas que agora é revelado" e a nossa missão é compartilhar com outros esta
mensagem.
Era uma nova revelação de uma dupla união: primeiramente, a união de ju-
deus e gentios crentes com Cristo e também a união de judeu e gentio em Cristo.
Isto é o resultado da pregação do "evangelho das riquezas insondáveis de Cristo".
O segredo não é mais segredo porque as verdades pertencem à Igreja e estão ao
dispor de todos. Este é o sentido do versículo 9: "E MANIFESTAR qual seja a dis-
pensaçãó do mistério".
No versículo 10 descobrimos que o mistério não é somente um segredo re-
velado aos homens, mas que os seres angélicos, os "principados e potestades"
também tomam conhecimento da grande maravilha da Igreja. Portanto, eles con-
templam, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus, que se torna conhecida "a-
-35-
gora dos principados e potestades nos lugares celestiais" (v. 10). Nenhuma comu-
nidade humana se assemelha a ela porque foi "segundo o Seu eterno propósito
que estabeleceu em Cristo Jesus nosso Senhor".
O apóstolo Paulo termina esta seção (3.1 a 13) como a começou, isto é, com
uma referência às suas tribulações, como ele mesmo disse: "Pois nisso está a vossa
glória" (v. 13). Antes de terminar este trecho ele lembra do grande privilégio de to-
dos os membros da Igreja de Cristo de entrarem à presença de Deus por meio da
oração (v. 12).
• • • ••
Lição N e 14
A ORAÇÃO E ADORAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO
Leitura: Efésios 3.14 a 21

Este trecho encerra a seção doutrinária com uma oração de Paulo e com
adoração a Deus. Ao meditar nas grandes verdades que ele acabou de expressar,
Paulo escreve: "Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai" (v. 14). Pela po-
sição do seu corpo em oração, os judeus indicavam a sua atitude diante de Deus.
Alguns se prostravam, outros estando em pé levantavam as mãos, pois em pé era o
modo normal de orar. Porém em certas ocasiões especiais eles se ajoelhavam. Po-
demos citar alguns exemplos. O nosso Senhor ajoelhou-se no jardim do Getsêma-
ni, numa atitude de submissão à vontade do Pai, dizendo: "Não se faça a Minha
vontade e sim, a Tua" (Lucas 22.42); Estêvão, quando foi apedrejado, "ajoelhando-
se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado" (Atos 7.60); o
apóstolo Paulo, na sua despedida dos anciãos da igreja em Éfeso, "ajoelhando-se,
orou com todos eles" (Atos 20.36). São exemplos de sujeição à vontade de Deus.
Paulo escreveu: "Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai" (v. 14).
Pela soberana vontade de Deus, os Seus filhos foram abençoados com toda sorte
de bênção espiritual (Efésios 1.3). Com muita alegria Paulo se ajoelhou diante do -
Pai tão bondoso. No versículo 15 o assunto da Igreja como a família de Deus é
abordado mais uma vez (2.19). Agora o apóstolo escreveu: "O Pai, de quem toma o
nome toda famflia, tanto no céu como sobre a terra" (v. 15). Paulo está pensando
na Igreja toda como uma só família - os membros que já estão com o Senhor, os
que estão aqui na terra e os que virão ainda a se converter.

A ORAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO (w. 15 a 19)


Esta é a segunda oração na Epístola aos Efésios. Na primeira ele pediu que os
crentes conhecessem o grande poder ao seu dispor, porque é o poder que ressus-
citou o Senhor Jesus (1.19). Nesta segunda oração Paulo pede o poder espiritual
mediante o Espírito Santo no homem interior, isto é, na personalidade do cristão.
1) O PEDIDO POR FORÇA ESPIRITUAL. Os recursos da força são inesgo-
táveis porque são "segundo a riqueza da Sua glória". "Para que, segundo a riqueza
da Sua glória, vos conceda que SEJAIS FORTALECIDOS COM PODER, MEDIAN-
TE O SEU ESPÍRITO NO HOMEM INTERIOR" (v. 16).
Homens do mundo dão valor ao poder militar, político ou económico, mas o
poder que Paulo desejou para os crentes é de muito mais valor. É o poder espiri-
-36-
tua), mediante o Espírito Santo no homem interior, isto é, na personalidade do
cristão.
2) A HABITAÇÃO DE CRISTO NO CORAÇÃO PELA FÉ. O objetivo do po-
der mediante o Espírito Santo e o seu resultado será: "E assim habite Cristo em
vossos corações". A verdade é que Cristo, pelo Espírito Santo, já está no coração de
cada crente verdadeiro. Então por que Paulo escreveu: "E assim habite Cristo nos
vossos corações"? Porque ele escreveu a epístola aos crentes. Há duas palavras
gregas traduzidas "habitar" em o Novo Testamento. Uma significa apenas um "a-
lojamento", enquanto que a outra, que é traduzida "habite" no versículo 17 é mais
forte. Significa alguém que habita como dono e senhor, tendo todos os direitos e
liberdade. Esta é a obra do Espírito Santo no crente: fazer Cristo o Senhor do nosso
coração e da nossa vida.
Em 2° Reis 4.10 lemos que a sunamita fez um quarto para Eliseu, mas a ha-
bitação dele naquela casa foi limitada a um alojamento. Por outro lado, os discípu-
los, voltando para Emaús, convidaram o Senhor Jesus a entrar na sua casa. De-
ram-lhe liberdade para tomar o lugar de chefe da casa e "tomando Ele o pão,
abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu" (Lucas 24.30). O ensino não é somente
que Ele está no crente, mas como e de que maneira Ele está habitando em nosso
coração.
3) A COMPREENSÃO DO AMOR DE CRISTO (v. 18). "A fim de poderdes
compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e
a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento" (w.
18 e 19). O assunto ligado à habitação de Cristo no crente é o amor.

TRÊS ILUSTRAÇÕES DE AMOR


a) DA NATUREZA - UMA RAIZ: "Estando vós arraigados... em amor" (v.
17). O crente é como uma árvore que, à medida que cresce para cima, precisa de
descer e deve se aprofundar no amor de Cristo. A raiz dá estabilidade e firmeza à
árvore; da mesma maneira, o crente recebe estabilidade e firmeza no amor de
Cristo para poder suportar as tempestades da vida (Romanos 8.35 a 39). A função
da raiz é mais que segurar a árvore. As raízes se aprofundam, procurando alimento
para a árvore. Da mesma maneira, temos de nos aprofundar no amor de Cristo,
procurando receber este alimento para o crescimento na vida cristã e para produzir
fruto para a glória de Deus.
b) DA CONSTRUÇÃO - O FUNDAMENTO DE UM EDIFÍCIO: "Estando
vós... alicerçados em amor"(v. 17). Os assuntos do edifício e do fundamento já fo-
ram expostos em Efésios 2.20 a 22, onde o edifício representa a Igreja e o funda-
mento, a doutrina do Novo Testamento; porém no versículo 17 o edifício repre-
senta o crente e o fundamento, o amor de Cristo.
c) AS DIMENSÕES DO AMOR DE CRISTO. O apóstolo Paulo orou "afim
de poderdes compreender, COM TODOS OS SANTOS, qual é a largura, e o com-
primento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo". Mais uma vez
o apóstolo frisa a verdade da união da Igreja. A compreensão do amor de Cristo
não divide o povo de Deus, nem é exclusivo de certos indivíduos ou grupos, mas é
para a Igreja toda.
-37-
QUAL É O SIGNIFICADO DESSAS QUATRO DIMENSÕES?
Não era o costume de Paulo empregar palavras sem qualquer significado.
Elas representam verdades já ensinadas nesta Epfstola.
A LARGURA DO AMOR DE CRISTO. Paulo ensina em Efésios2.11 a 13 que
os gentios estavam muito longe de Deus, porém o amor de Cristo foi tão largo que
os alcançou e pelo sangue de Cristo chegaram perto. O apóstolo Paulo gostava de
meditar como, embora tivesse estado longe de Deus, o Seu amor o tinha alcançado
e abraçado.
O COMPRIMENTO DO AMOR DE CRISTO. Para saber qual o comprimento
de um objeto precisa-se saber onde ele começa e onde termina. Onde começou o
amor de Cristo? Em Efésios 1.4 descobrimos que fomos escolhidos, em Cristo, an-
tes da fundação do mundo. Onde terminará o amor de Cristo? Não tem começo,
nem tem fim; o amor de Cristo é eterno porque Deus vai nos "mostrar nos séculos
vindouros a suprema riqueza da Sua graça em bondade para conosco em Cristo
Jesus" (Efésios 2.7). O amor de Cristo é eterno.
A ALTURA DO AMOR DE CRISTO. Para saber qual a altura do amor de
Cristo precisa-se calcular a altitude a que Ele nos leva. "E juntamente com Cristo
nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo" (Efésios 2.6). A
que altitude estamos em Cristo!
A PROFUNDIDADE DO AMOR DE CRISTO. Para sondar a profundidade do
amor de Cristo precisa-se sondar a profundidade dos sofrimentos de Cristo na cruz.
A morte de Cristo na cruz é o assunto dos capítulos 1 e 2 de Efésios.
4) "E CONHECER O AMOR DE CRISTO que excede todo entendimento,
para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus" (v. 19). Esta petição de Paulo
parece-nos impossível, porém é o nosso alvo. Podemos entrar no conhecimento e
na experiência do amor de Cristo ainda que ele exceda todo entendimento. O poder
de Deus, mediante o Espírito Santo, efetua a presença dominante de Cristo e der-
rama o Seu amor em nosso coração. A plenitude é a superabundância de amor que
Deus nos outorga. Será que já existiu um homem "tomado de toda a plenitude de
Deus"? Sim, Jesus Cristo (Colossenses 1.19 e 2.9). Ele não quer apenas habitar em
nós, mas quer encher o nosso coração e a nossa vida. À medida que nós O deixa-
mos controlar a nossa vida e conhecemos o Seu amor, não somente na mente, mas
também na nossa experiência, o caráter de Cristo se forma em nós.

A CAPACIDADE DE DEUS DE ATENDER AS ORAÇÕES (v. 20)


Depois de fazer a sua oração, Paulo apresenta aos seus leitores a capacidade
de Deus de responder as orações e para cumprir os Seus propósitos revelados na
carta aos efésios. No versículo 20 apresenta-se uma sequência de seis fatos a res-
peito do poder de Deus.
a) Ele é poderoso. "Ora, Àquele que é PODEROSO". Sabemos que Ele é To-
do-Poderoso.
b) Ele "é poderoso PARA FAZER", pois Ele é ativo e o Seu poder não é ino-
perante, mas está em condições para operar a qualquer momento.
c) Ele "é poderoso para fazer... QUANTO PEDIMOS OU PENSAMOS". Ele
conhece os nossos pensamentos e responde orações do coração e da mente (1?
Samuel 1.13).
-38-
d) Ele "é poderoso para fazer. TUDO quanto pedimos ou pensamos". Ele
pode, sabe de tudo e tudo pode realizar.
e) Ele "é poderoso para fazer-. MAIS DO QUE TUDO quanto pedimos ou
pensamos".
f) Ele "é poderoso para fazer INFINITAMENTE MAIS do que tudo quanto
pedimos ou pensamos".
O apóstolo Paulo emprega todas estas palavras simplesmente para ressaltar
que não há limites àquilo que Deus pode fazer. Tudo isto "é conforme o Seu poder
que opera em nós". O apóstolo termina esta parte doutrinária no versículo 21 com
a adoração a Deus: "A Ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus".
• • • ••
Lição N? 15
A CONDUTA DIGNA DA VOCAÇÃO
Leitura: Efésios 4.1 a 6

A fim de chamar a atenção dos seus leitores à importância de praticar o ensi-


no da epístola, o apóstolo os exorta, pedindo com insistência: "Rogo-vos, pois, eu,
o prisioneiro no Senhor". Pela segunda vez nesta epístola, Paulo menciona o fato
de sua prisão ser da vontade do Senhor.
Deixando a parte doutrinária dos primeiros três capítulos, começamos aqui o
ensino prático da epístola. Isto não quer dizer que não há doutrina nos capítulos 4,
5 e 6, mas que a doutrina é a base para exortar quanto à vida prática. O verbo "an-
dar" é a palavra-chave dos últimos três capítulos e significa o procedimento.
No trecho para a nossa consideração (w. 1 a 6) há duas exortações:

1) A PRIMEIRA EXORTAÇÃO: "QUE ANDEIS DE MODO DIGNO DA


VOCAÇÃO a que fostes chamados" (v. 1). Quanto mais alta a vocação de alguém
neste mundo, mais dignamente a pessoa tem que proceder. Quanto à vocação do
crente em Cristo, não existe neste mundo uma vocação mais alta, nem mais exi-
gente. Por isso precisamos saber o que significa um "andar digno da vocação".
Qual é a nossa vocação? É descrita nos dois primeiros capítulos da Epístola aos
Efésios assim:
UMA VOCAÇÃO CELESTIAL. É uma chamada do trono de Deus, levando-
nos a uma posição elevada "nos lugares celestiais em Cristo Jesus" {Efésios 2.6).
Somos cidadãos dos céus e concidadãos dos santos (Efésios 2.19). Sendo assim,
devemos andar de um modo digno da vocação a que fomos chamados.
É UMA VOCAÇÃO SANTA. "Para sermos santos e irrepreensíveis perante
Ele" (Efésios 1.4). Fomos chamados para ser separados do pecado e do mundo e
para pertencermos completamente a Deus. Pela nossa vida devemos mostrar esta
verdade.
É A VOCAÇÃO PARA REPRESENTAR CRISTO NO MUNDO. A relação
entre Cristo e a Sua Igreja é comparada à relação entre a cabeça e o corpo humano.
O Senhor Jesus ressurgiu e subiu para o céu, não deixando Seu corpo físico na
terra, mas tendo aqui o Seu Corpo espiritual, a Sua Igreja. Desta maneira, cada
membro da Igreja tem a responsabilidade de representá-IO aqui no mundo, ser-
-39-
vindo e cumprindo as ordens do Cabeça, o Senhor ressurreto.
É A VOCAÇÃO DA NOVA CRIAÇÃO. "Somos feitura dEle, criados em
Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andás-
semos nelas" (Efésios 2.10). Segundo a nossa natureza decaída, não temos vocação
para fazer obras agradáveis a Deus, porém, pelo novo nascimento, temos recebido
uma nova natureza da parte de Deus, que não pode ser corrompida: "Criados em
Cristo Jesus para boas obras".
É UMA VOCAÇÃO PARA VIVER COMO MEMBROS DA IGREJA. O sen-
tido da palavra "igreja" no grego é "chamado para fora", isto é, chamado para fora
do mundo para Deus. Há também o aspecto positivo: a chamada para viver como
membro da família de Deus (2.19), mostrando o caráter do Pai e vivendo em har-
monia com os demais membros da família.
É UMA CHAMADA PARA SER A HABITAÇÃO E SANTUÁRIO DE DEUS
(Efésios 2.21 e 22). Admiramo-nos em ver o propósito de Deus ao fazer da Sua
Igreja uma habitação e santuário. Isto traz para nós uma grande responsabilidade.

COMO PODEMOS ANDAR DE MODO DIGNO DA VOCAÇÃO A QUE FOMOS


CHAMADOS?
O versículo 2 é a resposta: "Com toda humildade e mansidão, com longani-
midade, suportando-vos uns aos outros em amor".
COM TODA HUMILDADE. É o caráter do Senhor Jesus. Ele disse: "Sou
manso e humilde de coração" (Mateus 11.29). A Epístola aos Efésios ensina-nos
que devemos tudo à graça de Deus e, por isso, não há lugar para orgulho. A humil-
dade é essencial para fazer o serviço de Deus e também para viver em harmonia
com os demais.
MANSIDÃO. O Senhor Jesus é manso, porém esta é uma qualidade despre-
zada pelo mundo. O manso se conforma com a vontade de Deus em qualquer cir-
cunstância de sua vida. Não é revoltado, nem vingativo e, quando ofendido, em vez
de reagir, ele entrega o seu caso nas mãos de Deus e espera dEle a solução do pro-
blema. Moisés é o exemplo de mansidão no Velho Testamento. A Palavra de Deus
registra esta verdade: "Era o varão Moisés mui manso, mais do que todos os ho-
mens que havia sobre a terra" (Números 12.3). Quando falsamente acusado por
Arão e Miriã, em vez de disputar com seus irmãos, ele entregou o seu caso nas
mãos de Deus e Deus mesmo agiu.
LONGANIMIDADE. É o caráter de Deus e demonstra a paciência em face de
grande provocação e ofensa. Pode ser resumida pelas palavras: "tudo sofre" (\-
Corfntios 13.7).
SUPORTANDO-VOS UNS AOS OUTROS EM AMOR. Tolerância é mais
uma qualidade necessária para se viver na família de Deus.
Está bem patente que Paulo está pensando na coletividade ao escrever estas
palavras porque na família de Deus precisamos destas quatro qualidades.

2) A SEGUNDA EXORTAÇÃO: "ESFORÇANDO-VOS DILIGENTEMENTE


POR PRESERVAR A UNIDADE do Espírito no vínculo da paz" (v. 3).
A UNIDADE DO ESPÍRITO. O que é? É a obra do Espírito Santo na forma-
- 40 -
cão e na união da Igreja, unindo os salvos de diversas raças, classes sociais e tem-
peramentos, para formar a Igreja Universal, como lemos em 1? Corfntios 12.13:
"Pois, em um só Espírito, todos nós fomos balizados em um corpo, quer judeus,
quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Es-
pírito".
O corpo é a figura que nos ensina a respeito da unidade da Igreja. Tanto o
corpo quanto a Igreja são organismos e não organizações. São unidos pela vida . A
Igreja Universal, o Corpo de Cristo, é composta somente de redimidos e regenera-
dos. Esta união é invisível, espiritual e real e não é feita pelos homens. É obra uni-
camente de Deus, pelo Espírito Santo.
A unidade do Espírito não é a unificação das igrejas apóstatas, pois o fim de-
las é o juízo. Nem é uma confederação de igrejas evangélicas. Não é uma união
externa e visível, mas sim, a união espiritual de cada membro do Corpo de Cristo
com os demais membros. O nosso dever não é unificar a Igreja, o Corpo de Cristo,
porque esta é uma obra feita por Deus, porém devemos PRESERVAR A UNIDADE
do Espírito no vínculo da paz. Mas como?
Existe o elo que cada irmão em Cristo deve preservar. É o elo de cooperação
e de paz entre os irmãos. A linguagens do apóstolo Paulo indica que nem sempre é
fácil preservar a unidade do Espírito. É necessário esforço e diligência: "Esforçan-
do-vos diligentemente..." (v. 3). Uma das razões é que a união não depende só de
uma pessoa. Paulo escreve a respeito da falta desta união em Filipos (Filipenses 2.1
a 4) e em Corinto (1? Coríntios 1.10).
A UNIDADE DA IGREJA (w. 4 a 6). Este trecho é de grande valor porque
apresenta o que todos os crentes têm em comum. As diferenças entre nós são pe-
quenas e não devem nos separar, porque o que os crentes verdadeiros têm em co-
mum é realmente muito grande.

É UM QUADRO DAS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE EM RELAÇÃO À UNI-


DADE DA IGREJA (w. 4 a 6)
O ESPÍRITO SANTO (v. 4). Em cada versículo apresenta-se uma Pessoa da
Trindade. A obra do Espírito Santo não terminou com a formação da Igreja, pois
Ele ainda está atuando (v. 4).
O SENHOR JESUS (v. 5). "HÁ UM SÓ SENHOR". Jesus Cristo é o Senhor e
pela Sua Palavra a Sua Igreja é unida e dirigida por Ele. "UMA SÓ FÉ" é a crença e
base sólida. "UM SÓ BATISMO", mas Paulo não explica se é batismo na água ou o
batismo no Espírito. Alguns dizem que se refere ao batismo no Espírito Santo por-
que o assunto é a união da Igreja, mas outros acham que é o batismo na água por-
que segue o assunto da fé.
UM SÓ DEUS E PAI DE TODOS (v. 6). Mais uma vez nesta epístola apre-
senta-se a figura de Deus como o Pai da Sua família, que é a Igreja.
No versículo 6 notamos os seguintes fatos:
A SUA AUTORIDADE É SUPREMA. "Um só Deus e Pai de todos". A Sua
autoridade tem de ser reconhecida por todos os membros da Sua família.
A SUA MANEIRA DE TRABALHAR."Age por meio de todos". Dignando-se a
trabalhar por nós, vemos nisto a graça de Deus. As palavras "de todos" merecem a
nossa consideração. Não existe um membro, por mais insignificante que seja, que
-41-
Deus não possa usar no Seu serviço.
A SUA MORADA EM CADA CRENTE. "E está em todos". O Novo Testa-
mento ensina que Deus Pai está no crente. Também ensina que o Filho de Deus
está no crente: "Cristo em vós, a esperança da glória" (Colossenses 1.27}. E ainda
ensina que o Espfrito Santo veio para habitar no crente (João 14.16). É a união
perfeita da Trindade.
• •• ••
Lição N? 16
O FUNCIONAMENTO DA IGREJA
Leitura: Efésios 4.7 a 12

Nos capítulos anteriores apresentam-se diversas verdades a respeito da


Igreja, principalmente por figuras. A Igreja é o Corpo de Cristo; é edifício de Deus; é
santuário de Deus. Agora, ao chegar à parte prática da epístola, o apóstolo ensina
como funciona a Igreja.

CADA CRENTE TEM UMA FUNÇÃO NA IGREJA DE DEUS (v. 7)


"A cada um de nós". Assim como cada membro do corpo humano tem uma
função, da mesma maneira cada crente tem uma função a desempenhar como
membro do Corpo de Cristo.
"A GRAÇA FOI CONCEDIDA a cada um de nós" (v. 7). Qual é a graça conce-
dida a cada crente? Há diversos sentidos desta palavra nas Sagradas Escrituras.
Aqui parece que é usada no sentido de recursos divinos ou de sustento espiritual. O
Senhor disse a Paulo: "A Minha graça te basta" (2- Coríntios 12.9). Deus concedeu
a Sua graça "segundo a proporção do dom de Cristo". A medida da graça concedi-
da à Igreja é imensurável e adequada para qualquer necessidade e para cada mem-
bro em função do seu dom, pois é "segundo a proporção do dom de Cristo". Quem
poderá medir tal graça?

O SENHOR JESUS RESSURGIDO E ASSUNTO AO CÉU


O versículo 8 é uma citação de Salmo 68.18. A ascensão do Senhor Jesus foi
essencial para a formação da Igreja porque Ele é o Cabeça e controla e governa a
Sua Igreja. A Sua subida foi ocasião para dois grandes acontecimentos:
A) O SEU TRIUNFO SOBRE OS SEUS INIMIGOS. "Levou cativo o cati-
veiro". Em Hebreus 2.14 e 15 achamos o mesmo assunto: "Para que, por Sua
morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse a
todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida".
Também em Colossenses 2.15 Paulo descreveu o triunfo de Cristo sobre os pode-
res do mal: "Despojando os principados e potestades, publicamente os expôs ao
desprezo, triunfando deles na cruz".
A subida de Cristo ao céu demonstrou a Sua vitória sobre Satanás e as suas
hostes, as quais estão sujeitas a Cristo. Sem esta vitória a Igreja não podia funcio-
nar. O Senhor Jesus mesmo disse a Pedro: "Eu te digo que tu és Pedro e sobre
esta Pedra edificarei a Minha Igreja e AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALE-
CERÃO CONTRA ELA" (Mateus 16.18). Podemos trabalhar e combater, sabendo
que Satanás já está vencido.
-42-
O segundo acontecimento consequente à Sua subida ao céu é que
B) "CONCEDEU DONS AOS HOMENS". Concedeu dons à Sua Igreja para
poder crescer e desenvolver-se. Não são dons naturais, nem dons adquiridos, mas
são dons espirituais, concedidos pelo Senhor Jesus, vitorioso no céu.
No versículo 9 há uma referência à descida de Cristo. A expressão "até às re-
giões inferiores da terra" dá ênfase a que ponto o Senhor Jesus desceu para vir
aqui. "Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus,
para encher todas as cousas" (v. 10). Além de encher o Universo com o Seu poder e
a Sua presença. Ele quer encher o coração e a vida de cada membro da Igreja.

OS DONS CONCEDIDOS À SUA IGREJA PELO SENHOR JESUS (v. 11)


A lista de dons de Efésios 4.11 consiste de apenas cinco dons dados à Igreja.
Mencionam-se as pessoas a quem Cristo concedeu os dons, a saber, apóstolos,
profetas, evangelistas, pastores e mestres (ou ensinadores). Dos sete dons mencio-
nados em Romanos 12.6 a 8, seis estão presentes na Igreja hoje em dia. O outro,
que é o dom de profecia, ainda existia enquanto os apóstolos viviam. O que nos
impressiona nesta lista é a variedade dos dons. Em 1? Corfntios 12.10 a 28 há men-
ção dos dons que estavam em vigor no princípio da Igreja, incluindo os dons de si-
nais, como milagres, variedade de línguas, capacidade para interpretá-las e dons de
curar. Estes não se encontram na lista dos dons em Efésios 4.11. A razão disto é
porque a carta aos Efésios foi escrita alguns anos depois de 1- Cortntios, quando
estes dons já haviam cessado. No tempo atual, a falsificação dos dons de sinais tem
aparecido.

OS CINCO DONS MENCIONADOS EM EFÉSIOS 4.11 SÃO OS DONS PRIN-


CIPAIS DA IGREJA
O dom de apóstolo é de autoridade, especialmente no ensino; o de profeta é
para a revelação de Deus; o dom de evangelista é o de evangelizar; o de pastor é o
de cuidar do rebanho; enquanto que o dom de mestre é o de ensinar. Devemos
notar a sequência destes dons. Em 1- Corfntios 12,28 o apóstolo Paulo escreveu:
"Estabeleceu Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profe-
tas". Ele também se referiu ao fundamento: "Edificados sobre o fundamento dos
apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular" (Efésios
2.20).
"E ELE MESMO [CRISTO JESUS] CONCEDEU UNS PARA APÓSTOLOS".
Os apóstolos eram um grupo muito pequeno, composto dos doze apóstolos junta-
mente com Barnabé e Paulo (Atos 14.14). Foram pessoalmente escolhidos e autori-
zados pelo Senhor Jesus e tinham de ser testemunhas oculares do Senhor ressur-
reto (Atos 1.21 e 22; 1 - Corfntios 9.1 e 153). Receberam autoridade de Deus quanto
ao ensino do Novo Testamento (Atos 2.42). É o ensino e base para a Igreja poder
ficar firme e crescer. Os apóstolos e profetas não se encontram na Igreja hoje em
dia, porém a sua obra com toda autoridade está conosco em o Novo Testamento.
O cânone da Bfblia já foi completado e os únicos apóstolos e profetas que po-
dem existir hoje em dia são os falsos (2- Corfntios 11.13; 2- Pedro 2.1 e 1- João
4.1). O profeta era o porta-voz de Deus e era uma comunicação direta de Deus pelo
Espfrito Santo.
-43-
EVANGELISTAS, PASTORES E ENSINADORES
Tendo como base a obra dos apóstolos e profetas, os dons principais hoje
são:
a) O EVANGELISTA. A salvação de almas é o primeiro objetivo porque a
igreja somente pode crescer por meio de evangelismo. O evangelista tem o dom de
pregar o Evangelho com poder e ganhar almas para Cristo, não somente pela pre-
gação pública, mas também pelo evangelismo pessoal. Filipe, em Atos21.8, é cha-
mado de evangelista e em Atos 8 temos dois relatos do serviço dele. O primeiro é
como um pregador poderoso, pregando Cristo ao pevo de Samaria (Atoe 8^5 a 8).
O segundo é de Filipe trabalhando no evangelismo pessoal, indo ao deserto para
levar uma alma a Cristo (Atos 8.35 a 39). Em ambos os casos, a mensagem foi
Cristo, pois esta é a mensagem do evangelista.
b) O PASTOR. Quando almas são convertidas, o pastor entra em ação por-
que ele CUIDA delas e do rebanho de Cristo.
c) O MESTRE (ou o ensinador) tem o dom de expor a Palavra de Deus com
clareza. É claro que os que têm este dom têm de dedicar a sua vida ao estudo da
Palavra de Deus.

O EXERCÍCIO DOS DONS €SPIRtTUAIS RESULTA EM PROGRESSO


No versículo 12o apóstolo Paulo aponta três setores em que esse progresso
deve ser feito:
1) EM CADA CRENTE. "Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos". Como
os crentes são chamados "santos", precisam de uma vida condizente com o nome
"santo". Em que setor da nossa vida há necessidade de aperfeiçoamento? Na ora-
ção e comunhão com Deus? Na meditação da Palavra de Deus? No testemunho?
Será que não podemos aperfeiçoar a nossa dedicação ao Evangelho e ao nosso re-
lacionamento com os demais crentes?
2) NO SERVIÇO DE DEUS. "Para o desempenho do seu serviço". Cristo
colocou na Igreja evangelistas, pastores e ensinadores não para que fizessem todo
o serviço, mas para que, pelo seu ministério, todos os crentes trabalhassem, cada
um desempenhando a sua função. São como o pulmão, rins e coração, órgãos do
corpo, que funcionam para dar vigor ao corpo todo.
3) "PARA A EDIFICAÇÃO DO CORPO DE CRISTO"(v. 12). Por meio desta
frase, Paulo aborda os dois assuntos de funcionamento e crescimento da Igreja. A
palavra que se emprega para "construção" é "edificar" e, em vez de escrever: "Para
o crescimento do corpo de Cristo", o apóstolo escreveu: "Para a EDIFICAÇÃO do
corpo de Cristo". Assim, numa única frase encontram-se duas figuras da Igreja:
como edifício e como Corpo de Cristo.
A base do ministério do evangelista, do pastor e do ensinador é o funda-
mento dos apóstolos e profetas. É o Novo Testamento, do qual o tema central e
principal é o Senhor Jesus. O ministério com esta base é para a edificação do Cor-
po de Cristo.
• ••••
Lição N2 17
O CRESCIMENTO INDIVIDUAL E DA IGREJA
Leitura: Efésios 4.12 a 16
-44-
O crescimento espiritual de cada membro do Corpo de Cristo é essencial para
o crescimento da Igreja. Esta deve crescer em número, porém o crescimento espi-
ritual de cada membro é mais importante. No versículo 12, chama-se " o aperfei-
çoamento dos santos" e está em primeiro lugar. Em que sentido o santo deve se
aperfeiçoar? O próprio nome "santo" indica que a vida deve ser condizente com o
nome, isto é, deve estar separado do mal; porém o aperfeiçoamento é mais do que
isto. É o aperfeiçoamento do conhecimento, do caráter e da conduta.

OS DONS FORAM CONCEDIDOS À IGREJA, EM PRIMEIRO LUGAR, PARA O


APERFEIÇOAMENTO ESPIRITUAL DE CADA MEMBRO.
Deus começa com o aperfeiçoamento do crente porque é somente desta ma-
neira que pode ser feito o serviço segundo a vontade de Deus.
O CRESCIMENTO DA IGREJA É FEITO PELO SERVIÇO DOS SEUS
MEMBROS. "Para o desempenho do seu serviço". Deus, na Sua graça, nos convi-
da a participar com Ele no Seu serviço. O serviço da Igreja exige o exercício dos
dons espirituais e a dedicação de seus membros. O resultado será: "A edificação do
corpo de Cristo".
A alma convertida é como um nené espiritual e, assim, precisa de orientação
quanto ao viver como um cristão. Não é somente o crente novo que precisa do
aperfeiçoamento espiritual; até os crentes mais experientes precisam ser aperfei-
çoados constantemente na sua vida espiritual.
"ATÉ QUE TODOS CHEGUEMOS..." (v. 13). O verbo no grego é empregado
nove vezes, no livro de Atos dos Apóstolos, para descrever a chegada ao destino e
é bem traduzido em português: "Até que todos cheguemos". Refere-se ao dia
quando a Igreja será completa e perfeita na vinda do Senhor Jesus para arrebatar a
Sua Igreja nos ares.

NO VERSÍCULO 13, O APÓSTOLO PAULO CONTEMPLA A IGREJA COMO O


CORPO DE CRISTO, CRESCENDO PARA O IDEAL, O ALVO, E CHEGANDO À
PERFEIÇÃO E CONSUMAÇÃO.
"Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho
de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (v.
13).
O apóstolo não está mais falando da função individual, "de cada um de nós"
(v. 7), mas sim, da coletividade, da unidade da Igreja como um só Corpo: "Até que
TODOS cheguemos..." (v. 13). O assunto agora não é serviço, como no versículo
12. O crescimento não é de números sendo acrescentados à Igreja, mas sim, o cres-
cimento EM UNIDADE, PLENO CONHECIMENTO DE CRISTO, MATURIDADE,
CARÁTER E SEMELHANÇA DE CRISTO.
Para poder entender o versículo 13, devemos pensar na sequência do ensino
nos versículos 11 e 12. Deus deu apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e ensi-
nadores para aperfeiçoar cada membro do Corpo de Cristo e para prepará-los para
a sua função na Igreja e pára o serviço de Deus, com o objetivo de edificar o Corpo
de Cristo.

-45-
OS DONS ESPIRITUAIS TÊM EM VISTA QUATRO PROPÓSITOS, QUE TAM-
BÉM SÃO QUATRO ALVOS
1) A UNIDADE DA FÉ. O apóstolo Paulo está se referindo à crença e não ao
ato de fé. É "uma só fé" (v. 5) que se apresenta no Novo Testamento. E a base de
ensino lançada pelos apóstolos e profetas da Igreja Primitiva. É interessante notar
como os evangelistas, pastores e ensinadores dependem inteiramente da base de
ensino do Novo Testamento. O evangelista evangeliza baseado na Bíblia. O pastor
apascenta o rebanho com a Palavra de Deus e o ensinador tem o dever de expor a
Palavra de Deus.
Hoje em dia a fé não é bem compreendida por todos os membros do Corpo
de Cristo; É fato que os verdadeiros crentes crêem nas verdades fundamentais da
fé, mas há muita diferença de ensino entre os que professam o nome de Cristo. Há
falta de compreensão e também de desejo de largar os preconceitos que são con-
trários â Palavra de Deus. Apesar disto, a tarefa do ensinador é ensinar com pureza
a Palavra de Deus, tendo em vista a unidade da fé.
Na vinda do Senhor Jesus vamos alcançar este alvo. Paulo escreveu: "Agora
conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido" (\- Corfntios
13.12).
2) O PLENO CONHECIMENTO DO FILHO DE DEUS. Enquanto estamos
aqui no mundo, nunca podemos chegar ao PLENO conhecimento do Filho de
Deus, mas, mesmo assim, não é razão para desistirmos do nosso alvo. Pelo contrá-
rio, devemos procurar conhecer melhor o Senhor Jesus cada dia. O apóstolo Paulo
tinha um conhecimento grande do Senhor Jesus, mas ele não ficou satisfeito com o
seu conhecimento porque o que ele já conhecia da pessoa de Cristo foi o bastante
para ele chegar à conclusão que precisava prosseguir para o alvo e conhecer me-
lhor a Cristo. Ele somente podia ficar satisfeito com encontrar-se com Cristo face a
face naquele dia (Filipenses 3.10).
3) A MATURIDADE ESPIRITUAL. "A perfeita varonilidade". O recém con-
vertido é uma criança espiritual, mas há esperança de crescimento e de desenvol-
vimento. Quem não cresce espiritualmente, fica imaturo. Um crente imaturo fica
sem o conhecimento, sem discernimento, sem experiência e sem estabilidade.
No versículo seguinte (v. 14), Paulo descreve tal pessoa: "Para que não mais
sejamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por
todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem
ao erro". O crente imaturo é um perigo porque é inconstante e não sabe discernir
direito. Ele aceita qualquer doutrina e acarreta problemas para a igreja. O apóstolo
Paulo compara o crente imaturo a um barquinho numa tempestade, sem leme, le-
vado de um lado para outro, pelos ventos fortes. Representa os que não têm esta-
bilidade e são levados pelas doutrinas falsas. Eles não cresceram na fé, nem no co-
nhecimento do Filho de Deus e não chegaram à varonilidade espiritual.
(4) "A MEDIDA DA ESTATURA DA PLENITUDE DE CRISTO". Somente
podemos dizer que é tudo o que Cristo é. Com podemos chegar a este alvo? Nesta
vida não é possível, mas é o nosso alvo e podemos progredir neste sentido, na se-
melhança de Cristo. Os que crescem no conhecimento do Filho de Deus, crescem
também na Sua semelhança.
Paulo escreveu: "E todos nós com o rosto desvendado, contemplando, como
-46-
por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na Sua
própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" (2- Corfntios 3.18). Este processo
será completado quando da vinda do Senhor Jesus aos ares. O apóstolo João es-
creveu: "Sabemos que quando Ele se manifestar, seremos SEMELHANTES A ELE,
porque havemos de vê-IO como Ele é" d 9 João 3.2).

COMO PODEMOS CRESCER PARA ATINGIR OS QUATRO ALVOS?


Para atingirmos a unidade da fé, o pleno conhecimento de Cristo, a maturi-
dade e a semelhança de Cristo o versículo 15 é a resposta. "SEGUINDO A VERDA-
DE EM AMOR" (v. 15). Não se trata de somente crer na verdade, nem de pregar a
verdade, mas sim, de seguir a verdade em amor. É só desta maneira que a Igreja
pode crescer. Também é o caráter de Deus e do Senhor Jesus. "O Verbo se fez car-
ne e habitou entre nós, cheio de GRAÇA E DE VERDADE" (João 1.14). Ele veio
cheio de amor e de verdade.

"CRESÇAMOS EM TUDO NAQUELE QUE É O CABEÇA, CRISTO"


O resultado de seguir a verdade em amor é crescer no caráter e na semelhan-
ça de Cristo.
A IGREJA CRESCE PELA UNIÃO COM CRISTO. "Cresçamos em tudo
nAquele que é o CABEÇA, Cristo". Há duas frases que descrevem como este cres-
cimento é feito. São: "EM CRISTO", "nAquele que é o cabeça" (v. 15) e "DE CRIS-
TO", "de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado..." (v. 16). Ele é tudo
para a Igreja, que cresce pela união com Ele e pela direção dEle.
A IGREJA CRESCE PELA COOPERAÇÃO DE CADA MEMBRO DO COR-
PO DE CRISTO (w. 15 e 16). "Segundo a justa cooperação de cada parte, efetúá o
seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor" (v. 16). A Igreja é
unida por Ele e também dirigida por Ele, por meio da Palavra de Deus. Os dons
dados por Cristo devem ser usados para estimular cada membro para funcionar e
cooperar com os demais membros do Corpo de Cristo, "segundo a justa coopera-
ção de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em
amor" (v. 16).

Lição N? 18
A CONVERSÃO
Leitura: Efésios 4.17 a 24

O capítulo quatro começa com a exortação: "Que andeis de modo digno da


vocação a que fostes chamados". O nosso trecho continua com o assunto do "an-
dar", ou seja, o procedimento, e começa com a exortação: "Não mais andeis como
também andam os gentios" (v. 17). O andar de modo digno é também o andar di-
ferente do procedimento do mundo. Fomos chamados para ser um povo unido (4.1
a 3), um povo santo (4.12) e agora para ser um povo diferente do povo do mundo.

A MENSAGEM PRINCIPAL DO TRECHO É: "QUE NÃO MAIS ANDEIS COMO


TAMBÉM ANDAM OS GENTIOS" (v. 17)
-47-
O apóstolo introduziu o assunto com o aviso solene que ele ia entregar a
mensagem em nome do Senhor e com a autoridade dEle. "Isto, portanto, digo, e
no Senhor testifico" (v. 17). Os gentios eram os povos que não pertenciam à raça
judaica. Naquele tempo eram pagãos e viviam sem o conhecimento de Deus. Havia
duas classes de povo: o judeu e o gentio, porém, pela pregação do Evangelho, foi
acrescentada mais uma classe de pessoas - a Igreja, composta de cristãos verda-
deiros (1 - Coríntios 10.32).
Os membros da igreja em Éfeso, antes da sua conversão, eram pagãos, ig-
norando o Deus verdadeiro; mas, agora, como cristãos, eles se tinham tornado pes-
soas diferentes e, por isso, tinham o dever de comportar-se também de um modo
diferente.
Para saber viver uma vida diferente da que viviam como gentios, o apóstolo
descreve três aspectos da vida do povo sem Deus, fazendo um contraste com a vida
cristã.
O ESTADO MENTAL. "Como também andam os gentios, na vaidade dos
seus próprios pensamentos" (v. 17). O procedimento sempre começa na mente. O
homem é o que ele pensa e procede de igual modo. Ele se convence de que o seu
modo de viver está certo, sem referência alguma ao que Deus pensa a respeito (I-
saías 55.8 e 9). Não lhe faltam pensamentos, mas são fúteis e vazios, faltando a rea-
lidade quanto a esta vida, quanto a Deus e quanto a tudo que é espiritual, pois está
vagueando na incerteza e na futilidade.
A segunda frase, "obscurecidos de entendimento", refere-se à cegueira espi-
ritual. Eles não entendem os fatos e as realidades espirituais. Este estado é causado
por dois fatores: "POR CAUSA DA IGNORÂNCIA EM QUE VIVEM" (v. 18). O co-
nhecimento que os pagãos tinham de Deus era limitado à observação da Criação
maravilhosa de Deus e das notícias que receberam da maneira como Deus tratara
com Israel (Josué 2.10).
Mas nem por isso ficaram isentos da culpa, porque Paulo declarou: "VIVEM
PELA DUREZA DOS SEUS CORAÇÕES" (v. 18). Nós pensamos no coração como
sendo o lugar das emoções, mas na Bíblia ele é indicado como a sede da vontade e
do entendimento. São culpados porque é como o apóstolo escreveu: "Por haverem
desprezado o conhecimento de Deus" (Romanos 1.28).
A VIDA ESPIRITUAL. "Alheios à vida de Deus" (v. 18). Por esta frase, Paulo
descreve a condição espiritual dos pagãos. Viviam estranhos à vida de Deus. O Se-
nhor Jesus, falando ao Pai, esclarece o que é a "vida de Deus". "E a vida eterna é
esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem en-
viaste" (João 17.3).
O progresso da depravação dos gentios se descreve por três fatos: a) "Tendo-
se tornado insensíveis" (v. 19). Não sentiam o pecado e nem vergonha do que esta-
vam fazendo; b) "Se entregaram à dissolução" (v. 19). Voluntariamente se entre-
garam ao pecado. Paulo está retratando o terrível mal que começa com uma rejei-
ção obstinada da verdade de Deus. Tendo perdido toda a sensibilidade quanto ao
pecado, perderam todo auto-controle; e) O resultado é: "Para, com avidez, come-
terem toda sorte de impureza" (v. 19). Podemos ver os mesmos pj-incípios funcio-
nando no mundo hoje em dia.
É claro que os gentios que se tornaram cristãos não podiam proceder desta
-48-
forma e Paulo frisa este ponto com as palavras: "MAS NÃO FOI ASSIM QUE
APRENDESTES A CRISTO" ((v. 20).

A RELAÇÃO COM JESUS CRISTO EXIGE UMA MUDANÇA DE VIDA (w. 20 a


22)
Paulo emprega três expressões para indicar três fases de aprender a Cristo.
São: "Aprendestes a Cristo" (v. 20); "tendes ouvido" (v. 21); "nEle fostes instruí-
dos" (v. 21).
APRENDER A CRISTO. "Não foi assim que aprendestes a Cristo" (v. 20).
Para aprender a Cristo, o pecador tem que se arrepender do seu pecado e conhecê-
IO como Salvador. Deste modo, os que foram convertidos do paganismo haviam
de notar uma grande diferença entre o paganismo e a vida cristã. E uma experiên-
cia inesquecível a de aprender a Cristo, de crescer no conhecimento dEle e de gozar
a comunhão com Ele, mas, por esta experiência, os crentes em Éfeso foram enca-
minhados a uma nova vida com padrões novos no pensar e no agir.
OUVIR CRISTO. "Se é que de fato O tendes ouvido" (v. 21). Temos ouvido
Cristo pela Palavra de Deus e pelo ministério dos servos de Deus. A Sua voz convi-
da para a salvação, para a paz e para o descanso, mas, ao mesmo tempo, chama ao
arrependimento, à abnegação, à dedicação e ao discipulado. A Sua mensagem é
pura, pois Jesus Cristo, a quem os efésios tinham aprendido, chamava-os para pa-
drões e valores totalmente em desacordo com a sua vida pagã anterior.
"INSTRUÍDOS SEGUNDO É A VERDADE EM JESUS". "NEle fostes ins-
truídos segundo é a verdade em Jesus" (v. 21). Os efésios foram convertidos a
Deus pela mensagem de Jesus Cristo e "em Cristo" foram instruídos, de "acordo
com o ensino e o exemplo do Senhor Jesus Cristo, como se encontra em o Novo
Testamento.

POR TRÊS EXORTAÇÕES DESCREVE-SE A CONVERSÃO (vv. 22 a 24)


1) DESPOJAR-SE DO VELHO HOMEM. "No sentido de que, quanto ao trato
passado, vos despojeis do velho homem" (v. 22). O velho homem e o novo homem
mencionados neste trecho (vv. 22 a 24) não são sinónimos de carne e Espírito. O
velho homem é a nossa maneira de viver no passado, quando estávamos sem
Cristo. É o dever de todo crente em Cristo despojar-se do velho homem como al-
guém tira a sua roupa velha e suja. O apóstolo adverte os efésios que tudo que
pertence à vida velha pecaminosa tem de ser abandonado, pois "se corrompe se-
gundo as concupiscências do engano".
Em Romanos capítulo 6, o apóstolo Paulo, ao ensinar sobre o significado do
batismo, escreve: "Sabendo isto, foi crucificado com Ele (Cristo] o nosso velho
homem, para que o corpo do pecado seja destruído e não sirvamos o pecado como
escravos" (6.6).
Tudo que pertence à nossa natureza carnal decaída foi condenado e crucifica-
do com Cristo aos olhos de Deus. O batismo, no princípio da nossa carreira cristã,
ensina a verdade que, pela cruz de Cristo, o crente está morto para aquela vida an-
tiga e agora "andemos nós em novidade de vida'' (Romanos 6.4). Esta deve ser
sempre a nossa atitude (Romanos 6.11).
2) RENOVAÇÃO DA NOSSA MENTE. "E vos renoveis no espírito do vosso
-49-
entendimento" (v. 23). A mente controla o corpo e tem uma influência muito gran-
de na vida. Ao crer em Cristo, a pessoa muda de pensamento e começa a entender
a sua vida de uma maneira diferente. É o mesmo assunto de Romanos 12.2: "E não
vos conformeis com este século, mas transformai-vos PELA RENOVAÇÃO DA
VOSSA M ENTE".
Portanto, esta mudança de pensamento e de entendimento deve continuar,
pois deve ser uma mudança progressiva e constante. À medida que lemos e estu-
damos a Palavra de Deus, descobrimos certas cousas na nossa vida que não estão
de acordo com a Palavra de Deus e logo mudamos o nosso pensamento e a nossa
atitude para com a nossa velha maneira de viver. O resultado é que "nos despoja-
mos de nosso velho homem".
3) REVESTIR-SE DO NOVO HOMEM. "E vos revistais do novo homem,
criado segundo "Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade" (v. 24). Paulo
agora apresenta o aspecto positivo do assunto. Cada crente deve revestir-se do no-
vo homem, mas qual é o novo homem? Paulo mesmo explica: "Criado segundo
Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade"-. É uma vida produto da nova
natureza recebida pelo novo nascimento (2- Corfntios 5.17).
Em Romanos 13.14 Paulo escreveu: "Revesti-vos do SENHOR JESUS CRIS-
TO e nada disponhais para a carne, no tocante às concupiscências". Neste versículo
encontramos a exortação para revestir-se e também para despojar-se. Podemos
revestir-nos do Senhor Jesus por adquirir o Seu caráter e a Sua semelhança.
• • • ••
Lição N? 19
"ANDAI EM AMOR"
Leitura: Efésios 4.25 a 5.2

Este trecho pode ser dividido em duas partes:


a) O aspecto negativo de andar em amor (w. 25 a 29);
b) A nossa atitude para com a Trindade (4.30 a 5.2).

O ASPECTO NEGATIVO DE ANDAR EM AMOR


"Deixando A MENTIRA" {v. 25). Tudo que prejudica não é do amor. A men-
tira destrói a confiança entre pessoas e o mais prejudicado ê o próprio mentiroso,
pois, mais cedo ou mais tarde, ninguém vai acreditar no que ele fala. O mentiroso
também tem facilidade de difamar aos outros. Para vivermos em harmonia como
membros do Corpo de Cristo, precisamos ter confiança nas palavras dos outros
"porque somos membros uns dos outros" (v. 25).
A IRA (v. 26). A ira é uma emoção natural que surge como reação contra
ofensa e injustiça, mas deve ser controlada. Deve passar depressa e, por isso, Paulo
escreveu: "Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira". Deve-se
terminar o dia sem ira, não somente porque prejudica a saúde, mas também por-
que cria rancor e ódio, que são as raízes dos pecados mais feios.
No versículo 27 vemos mais um motivo para controlar a ira. "NEM DEIS
LUGAR AO DIABO". É uma boa oportunidade para Satanás trabalhar e ele fica
satisfeito em ver o crente guardar rancor no coração, pois cega o entendimento.
Não há lógica nem razão para alguém ficar com ira descontrolada. É uma boa
-50-
oportunidade para o diabo entrar em ação.
FURTO (v. 28). Este versículo apresenta tanto o aspecto positivo quanto o ne-
gativo de andar em amor. O amor não somente não prejudica, mas também ajuda
aos outros, "fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que
acudir ao necessitado" (v. 28).
A PALAVRA TORPE (v. 29). São dois aspectos - o negativo e o positivo.
"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe", nenhuma palavra indecente e
corrupta, que contamine aos outros, "e sim, unicamente a que for boa para edifica-
ção". Ele está se referindo à edificação espiritual, isto é, palavras que servem para o
crescimento e desenvolvimento espiritual do ouvinte. Paulo acrescenta:"Conforme
a necessidade". Mesmo não conhecendo a necessidade espiritual de outra pessoa,
as nossas palavras podem suprir a sua necessidade espiritual "e assim transmita
graça aos que ouvem". Quantas vezes temos sentido o benefício da conversa de
uma pessoa piedosa!

A NOSSA ATITUDE PARA COM AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE (v. 30)


1) PARA COM O ESPÍRITO SANTO, A TERCEIRA PESSOA. Ao crer no
Senhor Jesus, o crente é automaticamente selado com o Espírito Santo, como a
marca de propriedade, pertencendo somente a Deus. É a garantia da nossa reden-
ção completa. Todo o crente verdadeiro tem o Espírito Santo, porém nem sempre
o Espírito Santo tem liberdade para agir em nossa vida. É possível entristecer o Es-
pírito Santo. Mas como? Pelo pecado e pela oposição ao Seu domínio em nossa vi-
da. Somos nós sensíveis à presença do Espírito Santo em nós? Infelizmente, muitos
não estão cientes do fato que o Espírito Santo habita neles e outros entristecem o
Residente Celestial. Eles não se desenvolvem na vida espiritual e não têm gozo.
Lemos em Romanos 14.17: "O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justi-
ça, e paz, e alegria no Espírito Santo". Não podemos ter alegria no Espírito Santo
se O estamos entristecendo. Como podemos normalizar a nossa vida espiritual?
Somente largando e confessando a Deus aquilo que está entristecendo a Terceira
Pessoa da Trindade.
O versículo 31 é uma advertência que tem ligação com o assunto de entriste-
cer o Espírito Santo. "Longe de vós". Por que este aviso tão forte? Porque o que
segue no versículo 31 é uma lista dos pecados que entristecem o Espírito Santo.
Pelos pecados mencionados neste versículo logo percebemos que o apóstolo Paulo
está descrevendo o progressp de um pecado. AMARGURA é uma raiz de que o es-
critor da epístola aos Hebreus nos advertiu: "Nem haja alguma raiz de amargura
que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados" (12.15).
Começa de uma maneira inocente e justificável. Ficamos sentidos por causa da ati-
tude ou da ofensa de alguém. Não há mal nisto. Quantas vezes em nosso íntimo já
fomos feridos por alguém. Mas as feridas, mesmo sendo emocionais, devem sarar
depressa, caso contrário criam o espírito de amargura, de inimizade, de rancor e
uma raizinha do mal, da qual procedem a CÓLERA e a IRA. Qual é a diferença en-
tre cólera e ira? É difícil discernir a diferença. A palavra grega traduzida "cólera"
(thumós) indica uma agitação repentina de espírito, causada por indignação, mas,-
que logo passa. A outra palavra grega (orgue), traduzida "ira", é uma ira que d«£
mora em se expressar, mas dura mais. Isto resulta em "gritaria e blasfémias e bem
-51-
assim TODA A MALÍCIA". A que ponto chegou a amargura!
A TRÍADE DO BEM (v. 32). "Antes sede uns para com os outros benignos,
compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos
perdoou". Ao invés de alimentar a amargura com seus resultados maléficos, o
cristão deve ser benigno, compassivo e perdoador. É bom notar como devemos
perdoar. É "como também Deus em Cristo vos perdoou".

2) PARA COM DEUS PAI, A PRIMEIRA PESSOA. "Sede, pois, IMITADORES


DE DEUS, como filhos amados" (v. 1). Como filhos amados devemos imitar Deus
Pai na Tríade do bem.
a) BENIGNO. "Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem es-
perar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e SEREIS FILHOS DO ALTÍS-
SIMO. POIS ELE É BENIGNO até para com os ingratos e maus. Sede misericordio-
sos, COMO TAMBÉM É MISERICORDIOSO VOSSO PAI" (Lucas 6.35 e 36).
b) Deus disse a Moisés: "Senhor, Senhor Deus COMPASSIVO, clemente e longâ-
nirrio" (Êxodo 34.6). Quanto à compaixão devemos imitar o nosso Pai celestial.
c) PERDOADOR. "Perdoando-vos uns aos outros, COMO também DEUS EM
CRISTO VOS PERDOOU. SEDE, POIS, IMITADORES DE DEUS, como filhos ama-
dos". O povo de Deus sabe que deve perdoar, mas muitas vezes não sabe COMO
deve perdoar. O Senhor Jesus deixou bem claro que os que têm recebido o perdão
de Deus devem também perdoar os outros e devem fazê-lo na mesma medida. Pe-
dro, aproximando-se de Jesus Lhe perguntou: "Até quantas vezes meu irmão pe-
cará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te
digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete" (Mateus 18.21 e 22). Devemos
sempre meditar na bondade e compaixão de Deus reveladas em Cristo e, assim,
imitar o nosso Deus. Nunca nos esqueçamos como Ele nos perdoou porque é so-
mente na medida que apreciamos o perdão de Deus que ficamos dispostos a per-
doar aos outros.

3) PARA COM JESUS CRISTO, A SEGUNDA PESSOA. "ANDAI EM AMOR,


como também Cristo vos amou e se entregou a Si mesmo por nós, como oferta e
sacrifício a Deus em aroma suave" (5.2). Quanto à Pessoa de Jesus Cristo, devemos
seguir o Seu exemplo de amor. O apóstolo Paulo nos exorta: "Andai em amor",
mas precisamos saber como podemos andar em amor. É seguindo o exemplo de
Jesus" Cristo. "Como também Cristo vos amou". Foi o amor que levou o Senhor
Jesus à cruz, onde "se entregou a Si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a
Deus em aroma suave".
Ao escrever estas palavras, o apóstolo Paulo está pensando na oferta do ho-
locausto de Levítico capítulo 1. Havia diversos tipos de ofertas, cada um apresen-
tando certo aspecto da morte do Senhor Jesus, como por exemplo a oferta de
manjares e a oferta pelo pecado. No primeiro capítulo de Levítico, três vezes en-
contramos as palavras "é holocausto, oferta queimada, de aroma agradável ao Se-
nhor". No holocausto vemos Cristo na cruz, fazendo expiação segundo a SUA
PERFEITA RENDIÇÃO A DEUS. O holocausto era um sacrifício da mais elevada
ordem, porque representava Cristo oferecendo-se a Si mesmo a Deus."Cristo no
holocausto é exclusivamente para a vista e o coração de Deus. Só Deus podia apre-
-52-
ciar devidamente a Pessoa e a Obra de Cristo.
O ensino do holocausto não é de Cristo sobre a cruz levando o pecado, mas
sim, de Cristo sobre a cruz CUMPRINDO A VONTADE DE DEUS. Ele foi "obe-
diente até a morte e morte de cruz" (Filipenses 2.8). Ao contemplar Cristo na cruz,
vemos a profunda devoção do Filho para com o Pai e aprendemos como o Pai
apreciou o sacrifício de Seu Filho, que foi para Ele "como oferta e sacriffcio a Deus
EM AROMA SUAVE". Foi tudo para a glória de Deus. O Senhor Jesus podia dizer:
"Eu glorifiquei-Te na terra, tendo consumado a obra que Me deste a fazer" (João
17.4). Este exemplo é para nós, mas como podemos seguir este exemplo tão eleva-
do? Em Filipenses 4.18 o apóstolo comenta sobre a oferta que a igreja em Filipos
lhe enviara na prisão em Roma, por intermédio de Epafrodito. Ele escreveu: "Rece-
bi tudo tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me passou às mãos
o que veio da vossa parte COMO AROMA SUAVE, COMO SACRIFÍCIO ACEITÁ-
VEL E APRAZÍVEL A DEUS". Sim, é possível seguir o Senhor Jesus e oferecer as
nossas vidas como um aroma suave e como um sacrifício aceitável e aprazível a
Deus.
• • • ••
Lição N2 20
"ANDAI COMO FILHOS DA LUZ"
Leitura: Efésios 5.3 a 14

O apóstolo Paulo prossegue com o ensino do andar do crente e da exortação


do capítulo 5 e versículo 1: "Sede, pois, imitadores de Deus como filhos amados".
Como podemos ser imitadores de Deus como filhos amados? Existem dois aspec-
tos definidos do caráter de Deus: Deus é luz e Deus é amor. Como filhos e imita-
dores de Deus devemos mostrar estes dois aspectos do caráter de nosso Pai Celes-
tial: "andar em amor" e "andar como filhos da luz". No trecho de 4.25 a 5.2, Paulo
nos ensina como devemos andar em amor e agora, em 5.3 a 14, como devemos
andar como fiíhos da luz.
Como no trecho anterior, o apóstolo primeiramente apresenta o aspecto ne-
gativo:

ANDAR COMO FILHOS DA LUZ IMPORTA EM VIVER UMA VIDA MORAL


"Mas a impudicfcia e toda sorte de impurezas, ou cobiça, nem sequer se no-
meie entre vós, como convém a santos" (v. 3). Três palavras se empregam para
descrever a vida imoral que o filho da luz tem que evitar:
a) IMPUDICÍCIA. É uma tradução de uma palavra grega que também é tra-
duzida "prostituição" e "fornicação" e que indica o ato sexual, que é ilegal e imoral.
b) IMPUREZA. "Toda sorte de impureza". É uma frase que inclui tudo que é
indecente e impuro^e que demonstra a falta de pudor e vergonha.
c) COBIÇA. É o princípio da imoralidade. A cobiça é o desejo de possuir o
que é proibido. Quanto a estes males, o apóstolo exortou: "Nem sequer se nomeie
entre vós, como convém a santos" (v. 3). Estes males devem estar bem afastados
da igreja e do filho de Deus. Os que têm • satisfação em discutir os pecados alheios
contaminam as suas próprias mentes e as dos seus ouvintes. As duas lições princi-
pais da exortação são: a) Os assuntos imorais não devem ocupar a mente e a boca,
-53-
porque contaminam as pessoas; b) Eles náo são convenientes e nem condizentes
com a santidade. "Nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos".

ANDAR COMO FILHOS DA LUZ IMPORTA EM UMA CONVERSA MORAL


"Nem conversação torpe,*hem palavras vãs, ou chocarrices, cousas essas in-
convenientes, antes, pelo contrário, ações de graça" (v. 4). Mencionam-se três tipos
de conversas que são inconvenientes para os filhos da luz:
a) CONVERSAÇÃO TORPE é conversa sórdida, repugnante e imoral.
b) PALAVRAS VÃS são conversas de bobo, no pior sentido da palavra.
c) CHOCARRICES são gracejos indecentes e imorais.
A nossa conversa deve ser caracterizada por AÇÕES DE GRAÇA. "Antes,
pelo contrário, ações de graça". Esta expressão indica que a fonte da conversa é
saudável. Paulo não está referindo-se à formalidade de falar "graças a Deus", pois
tomar o nome de Deus em vão é pecado. A frase "ações de graça" expressa um
coração alegre e grato a Deus. É um contentamento por tudo que Deus é para a
pessoa. O coração que se ocupa com Cristo e está em plena comunhão com Deus
não expressa cousas imorais.

DUAS ADVERTÊNCIAS SOLENES (vv. 5 e 6)


1) "Sabei, pois, isto: nenhum incontinente [ou fornicador], ou impuro, ou
avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus" (v. 5). Três pe-
cadores são mencionados neste versículo: o fornicador, o impuro e o avarento. Eles
não têm herança no reino de Deus. Existem pessoas que presumem ser filhos de
Deus, mas, na realidade, pela sua conduta, são filhos da desobediência, pois há
uma grande diferença entre a presunção e a certeza da salvação. Quem vive em pe-
cado e presume ser salvo se engana.
"O IMPURO". A palavra grega aqui traduzida "impuro" aparece também em
2- Coríntios 6.17, onde descreve a idolatria, e em Apocalipse 17.4, onde se refere à
prostituição. "O AVARENTO" adora riquezas ou qualquer outra cousa. Parece es-
tranho colocar a avareza junto com a fornicação e a impureza, porém é um pecado
muito grave. Deus odeia tanto a avareza quanto a idolatria.
2) "Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas cousas vem
a ira de Deus sobre os filhos da desobediência" (v. 6). Os que se entregam à imora-
lidade são chamados "filhos da desobediência", enquanto que os crentes verda-
deiros são chamados "filhos da luz". Para os filhos da desobediência há julgamen-
to. O ensino dos versículos 3 a 6 leva-nos à conclusão de que devemos viver uma
vida separada do mundo. "Portanto, não sejais participantes com eles" (v. 7). A luz
e as trevas não se misturam e, quando a luz entra, as trevas têm que sair. Não pode
haver comunhão entre a luz e as trevas.
Nos versículos 8 a 12 apresentam-se

QUATRO RAZÕES PORQUE NÃO DEVEMOS SER PARTICIPANTES DAS


IMORALIDADES DOS FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA
1) POR CAUSA DA MUDANÇA ESPIRITUAL DO SALVO. É uma mudança
de ca rate r. "Outrora ÉREIS trevas, porém agora SOIS luz no Senhor" (v. 8). Note-
mo,s, bem as palavras. O apóstolo Paulo não escreveu: "Outrora ESTÁVEIS nas tre-
-54-
vás". Ele escreveu: "Outrora ÉREIS trevas". Fazíamos parte das trevas e este era
realmente o nosso verdadeiro caráter. "Porém agora SOIS luz no Senhor". O versí-
culo termina com a nossa responsabilidade como filhos da luz: "Andai como filhos
da luz" {v. 8). Por isso não podemos participar da vida imunda dos filhos da deso-
bediência.
2) "PORQUE O FRUTO DA LUZ CONSISTE EM TODA A BONDADE, E
JUSTIÇA, E VERDADE" (v. 9). Em alguns manuscritos encontra-se a frase "o
fruto do Espírito" em vez de "o fruto da luz", porém o mais correio é "o fruto da
luz", que é oposto às obras das trevas. Ao ler este versículo pela primeira vez pare-
ce que a expressão deve ser "raios de luz", mas a tradução está certa. Õ FRUTO da
luz é TODA A BONDADE que resulta em atos bondosos, em contraste com os ma-
les mencionados nos versículos 3 a 6. A JUSTIÇA deve descrever a nossa atitude e
o nosso trato para com os demais. A VERDADE é a base da vida que se expressa
em pureza.
3) POR CAUSA DA NOSSA EXPERIÊNCIA (v. 10): "PROVANDO SEM-
PRE O QUE É AGRADÁVEL AO SENHOR". Nos versículos 8 a 10 há uma se-
quência de ensino e um desenvolvimento do tema. Pela nossa conversão temos o
caráter que produz o fruto da luz, o qual, por sua vez, torna-se uma experiência do
que é agradável ao Senhor.
4) PORQUE A LUZ REPROVA AS TREVAS e entra em choque com elas.
"E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas, antes, porém, reprovai-
as" (v. 1 1 ). Paulo fala do fruto da luz, mas não do fruto das trevas, porque as "obras
infrutíferas das trevas" não produzem o que é bom. É claro que os filhos da luz não
podem ter comunhão com as obras das trevas e pelas suas vidas devem reprová-
las, como o próprio Senhor Jesus fez. Não devemos ser cúmplices delas "porque o
que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha" (v. 12).
No versículo 13 encontramos mais um contraste. As trevas escondem as cou-
sas, mas a luz as manifesta e revela.

UM QUADRO DO ENSINO DESTE TRECHO (v. 14)


"Pelo que diz: Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e
Cristo te iluminará" (v. 14). Não é uma citação do Velho Testamento, mas prova-
velmente seja um hino. A quem se refere o apóstolo neste versículo? É uma descri-
ção de um homem dormindo entre os mortos. Os descrentes estão neste quadro
porque são os mortos, mas quem será o vivo entre os mortos, dormindo no cemi-
tério? É um que confessa o nome de Cristo* mas está no lugar onde não deveria
estar e com gente com quem não deveria ter comunhão. Infelizmente, existem
crentes que não percebem o mal nem o perigo de pertencer às sociedades munda-
nas ou até a sociedades secretas. Sem dúvida, eles estão dormindo; sim, dormindo
entre os mortos. Estão dormindo porque não sabem como aquele ambiente está
corrompendo a sua vida.
A mensagem para com os que estão comprometidos com o mundo é: "Des-
perta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos.e Cristo te iluminará". Só as-
sim podefão, mais uma vez, "andar como filhos da luz".

-55-
Lição N? 21
"ANDAI COM PRUDÊNCIA"
Leitura: Efésios 5.15 a 21

O apóstolo Paulo continua exortando os crentes em Éfeso quanto à vida prá-


tica com as palavras: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como nés-
cios e sim, como sábios" (v. 15). De todos os movimentos do corpo, o andar foi es-
colhido pelo Espírito Santo para descrever a nossa vida e conduta e isto, provavel-
mente, porque indica o nosso caminho e a direção da nossa vida.

A PARTE PRÁTICA, NOS CAPÍTULOS 4, 5 E 6, ENSINA SOBRE PADRÕES


PARA ORIENTAR NOSSA VIDA CRISTÃ
São os seguintes: a) A nova vida, substituindo a velha vida (w. 17a 24); b) A
vida e o amor, tomando o lugar da mentira e da amargura (4.25 a 5.2); c) A luz que
dissipa as trevas (5.3 a 14); d) Agir com prudência, em vez de tolamente (5.15 a 21).
Também na parte prática da epístola, o "andar" é mencionado diversas vezes.
Por exemplo: andar de modo digno da nossa vocação (4.1 a 6); andar de um modo
diferente do povo do mundo (4.17 a 24); andar em amor (4.25 a 5.2); andar como
filhos da luz (5.3 a 14); andar prudentemente (5.15 a 21). No Velho Testamento, o
verbo "andar" também significa a conduta. Deus declarou, mediante os profetas, a
respeito dos reis: "Ele andou nos Meus caminhos" ou "ele não andou nos Meus
caminhos". Os grandes vultos do livro de Génesis, como Enoque, Noé e Abraão,
andaram com Deus (Génesis 5.24/6.9,17.1,24.40).
"VEDE PRUDENTEMENTE COMO ANDAIS" (v. 15). A palavra grega tradu-
zida "prudentemente" significa "exatidão, precisão, retidão". A vida cristã não deve
ser "mais ou menos", porque ela é muito importante. O cristão deve mostrar muito
cuidado quanto à sua vida e, ao invés de mostrar indiferença ou descuido, ele deve
andar com sabedoria. A exortação para nós é: "Não como néscios e sim, como sá-
bios".

COMO PODEMOS ANDAR PRUDENTEMENTE?


O apóstolo Paulo aponta os três fatores quanto ao procedimento sábio: São:
a) O correto uso do tempo; b) A busca da vontade do Senhor; c) O controle da vida
pelo Espírito Santo.
1) "REMINDO O TEMPO, PORQUE OS DIAS SÃO MAUS" (v. 16). "Andar
prudentemente" importa no uso sábio do tempo. Temos uma só vida, que depres-
sa passará, e somente o que é feito para Cristo durará para sempre. Somos des-
penseiros do nosso tempo e teremos de prestar contas a Deus pelo uso do mesmo,
corno também da vida que nos concedeu. O que estou fazendo com o meu tempo?
Vamos verificar porque Paulo empregou o verbo "remir" quanto ao tempo. O tem-
po está passando constantemente e nunca mais voltará. Se não for aproveitado, fi-
ca perdido. Porém remir o tempo tem um significado maior. Podemos aproveitá-lo
para qualquer finalidade e até os descrentes o aproveitam para fazer o que eles de-
sejam, porém este é tempo perdido, não tendo nenhum valor para Deus e para a
eternidade. A palavra "remir" sempre tem um propósito na Bíblia; nosso objetivo
deve ser remi-lo para Deus. Tempo remido é tempo utilizado para Cristo, para o
-56-
Evangelho, para a edificação da Igreja e para a glória de Deus. A palavra "remir"
também sugere a necessidade de pagar o preço, como sacrificar as ambições mun-
danas e carnais para não perdermos o tempo, que é tão precioso.
Há urgência em aproveitar as oportunidades, antes que elas passem e sejam
perdidas para sempre. Precisamos de prudência para aproveitar o tempo ao máxi-
mo para a glória de Deus e para o progresso do Evangelho. A razão de remir o
tempo é "porque os dias são maus". Na época em que Paulo vivia, era difícil remir
o tempo e o mesmo se dá no século mau em que vivemos, o qual é contra tudo que
é para a glória de Deus.
O versículo paralelo em Colossenses 4.5 apresenta outro motivo de aproveitar
as oportunidades: "Portai-vos com sabedoria para com os de fora: aproveitai as
oportunidades". A maneira como gastamos a nossa vida deve ser um testemunho
para o mundo.
2) "PROCURAI COMPREENDER QUAL A VONTADE DO SENHOR" (v.
16). O conhecimento e a prática da vontade de Deus é essencial para remir o tempo
e é tolice fazer a nossa própria vontade porque a verdadeira sabedoria somente
pode ser achada na vontade de Deus. Nada é mais importante na vida do que des-
cobrir e praticar a vontade de Deus. "Por esta razão, não vos torneis insensatos,
mas procurai compreender qual a vontade do Senhor". A vontade de Deus para o
povo de Deus já foi revelada na Palavra de Deus. Ninguém jamais poderá dizer com
sinceridade que certa decisão é a vontade de Deus se tal decisão é contra o ensino
da Bíblia. Achamos princípios gerais nas Escrituras para guiar-nos em nossas deci-
sões, mas, quanto à vida particular, existem situações diferentes para cada um de
nós.
Por exemplo, qual é a carreira que devo seguir ou com quem devo me casar?
A Bíblia dá princípios para nos guiar, mas, para resolver os problemas particulares,
devemos procurar a direção de Deus em oração e também devemos escutar os
conselhos de crentes maduros e experimentados.
Portanto, o assunto é remir o tempo e cada crente precisa saber como gastar
a sua vida e desenvolver o dom dado por Deus. Cada um precisa fazer muitas deci-
sões que influirão na sua vida e, por isso, é importante compreender qual a vontade
do Senhor. Para isto, são necesárias três qualidades: a) SINCERIDADE. O crente
sincero, mesmo que cometa erros de discernimento, descobre que Deus endireita o
seu caminho e procura levá-lo à compreensão mais perfeita da Sua vontade; b)
MANSIDÃO. Davi, que era reto e sincero para com Deus, escreveu no Salmo 25: "E
ensina aos mansos o seu caminho". O manso não faz prevalecer a sua própria
vontade, mas confia na vontade do Senhor; c) O DESEJO DE FAZER A VONTADE
DE DEUS. Muitos querem fazer a sua própria vontade. A exortação é para todos os
crentes: "Procurai compreender qual a vontade do Senhor".
3) "ENCHEI-VOS DO ESPÍRITO" (v. 18). Neste versículo apresentam-se
duas exortações bem diferentes: "E não vos embriagueis com vinho, no qual há
dissolução, mas enchei-vos do Espírito". Nestas duas exortações há contrastes e
comparações.
Primeiramente, nas comparações há uma semelhança superficial. O embria-
gado é conhecido pelo andar e pelo falar e, da mesma maneira, a plenitude do Es-
pírito é conhecida pelo andar e pelo falar, ou seja, pela conduta. O bêbedo é con-
-57-
trotado pelo álcool, enquanto que o crente cheio do Espirito Santo é controlado
pelo Espírito.
Há um contraste nas duas exortações. O embriagado entrega-se a ações de-
senfreadas, dissolutas e descontroladas. Alguns comportam-se pior do que ani-
mais. Os resultados de estar cheio do Espírito Santo são diferentes, pois, se o ex-
cesso de álcool desumaniza, a plenitude do Espírito nos torna mais humanos, pois
nos torna como Cristo.
É UMA ORDEM PARA SER OBEDECIDA. "Enchei-vos do Espírito". Em o
Novo Testamento a palavra "encher" é empregada para descrever o controle ou
domínio de uma pessoa. Em Atos 5.3 Pedro, dirigindo-se a Ananias, disse: "Ana-
nias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo".
Satanás controlou e dominou o coração de Ananias. A expressão "cheio de ira"
significa que a pessoa está dominada pela ira. Da mesma forma, "cheio do Espiri-
to" significa que a pessoa está sendo controlada pelo Espírito Santo. Não podemos
ter mais do Espírito Santo porque Ele é uma Pessoa (e não podemos ter pouco ou
muito de uma pessoa), porém Ele pode possuir-nos no sentido de domínio. Não
devemos pensar que, pela plenitude do Espírito, perdemos o controle de nós mes-
mos. Antes, consideremos que o domínio de si mesmo é o fruto do Espírito (Gaia-
tas 5.23). Sob a direçâo do Espírito ganhamos e não perdemos o controle.
No trecho paralelo, em Colossenses 3.16, a exortação é diferente: "Habite ri-
camente em vós A PALAVRA DE CRISTO". Disto advêm os mesmos resultados da
plenitude do Espírito Santo: "Instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda
sabedoria, louvando a Deus com salmos e cânticos espirituais, com gratidão, em
vossos corações". A habitação da Palavra de Cristo e a plenitude do Espírito Santo
estão intimamente ligados. Notemos que ê pela habitação da Palavra de Cristo que
o Espírito Santo alcança o domínio da vida do crente. A Palavra mexe,pelo Espírito,
com as desobediências e com tudo que não agrada a Deus.

OS RESULTADOS DA PLENITUDE DO ESPÍRITO SANTO (w. 19 a 21)


1) COMUNHÃO. "Falando ENTRE VÓS com salmos,... com hinos e cânticos
espirituais" (v. 19). Neste versículo, o apóstolo visa o cântico como um meio de
comunhão na reunião da igreja.
2) ADORAÇÃO. "Entoando e louvando DE CORAÇÃO AO SENHOR". Além
do gozo em cantar juntos em comunhão, deve haver adoração do coração e não
somente da boca. Além dos salmos que a Igreja Primitiva cantava, Paulo menciona
"hinos e cânticos espirituais", isto é, cânticos com uma mensagem espiritual.
3) GRATIDÃO. "DANDO GRAÇAS por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de
nosso Senhor Jesus Cristo" (v. 20). Este versículo tem sido mal entendido. Não po-
demos dar graças a Deus pelo pecado e nem pelas calamidades, mas, nos mo-
mentos de amargura e de sofrimento, podemos confiar nEle e dar-Lhe graças, não
pelo mal e sim, pela Sua amorosa providência, mediante a qual Ele pode fazer até o
mal servir aos Seus bons propósitos (Romanos 8.28). E isto é louvar a Deus por ser
Deus e não louvá-IO pelo mal. No versículo 20, mais uma vez nesta epístola a Trin-
dade ê mencionada. Quando estamos cheios do Espirito Santo, damos graças "a
nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo".
4) SUBMISSÃO. "SUJEITANDO-VOS uns aos outros no temor de Cristo"
-58-
(v. 21). A plenitude de Cristo não se revela num espirito agressivo e arrogante, mas
sim, num espírito humilde. Aqueles que estão verdadeiramente sujeitos a Jesus
Cristo não acham difícil submeter-se uns aos outros "NO TEMOR DE CRISTO".
• • • ••
Lição N2 22
O LAR E A IGREJA
Leitura: Efésios 5.22 a 33

Neste estudo, os temas do lar e da Igreja vêm intercalados, dando ensino so-
bre o relacionamento entre o marido e a esposa, segundo o propósito de Deus, e
também da união de Cristo e a Sua Igreja.
Desde o capítulo 4 e versículo 1 o apóstolo dá ensino prático a respeito de no-
vos padrões, da unidade da Igreja, da pureza e da conduta digna da vocação cristã.
Agora Paulo passa a considerar três relacionamentos humanos. O primeiro é de
marido e esposa (5.22 a 33); o segundo é de pais e filhos, enquanto que o terceiro é
de patrões e empregados {6.1 a 9). Portanto, a nossa lição ensina a respeito do ma-
rido e sua esposa.
Há uma ligação entre este assunto e o versículo 18, onde lemos: "Enchei-vos
do Espírito", porque a plenitude do Espírito se mostra pelo comportamento no lar.
Também no versículo 21 encontra-se um dos segredos da felicidade e da harmonia
no lar: "Sujeitando-vos uns aos outros NO TEMOR DE CRISTO". Este é o único
lugar da Escritura onde há referência ao "Temor de Cristo" em lugar de ao "Temor
de Deus".
Existem três palavras que é necessário observar quanto à vida no lar: Digni-
dade, Igualdade e Autoridade.
a) DIGNIDADE. O ser humano foi criado à semelhança de Deus, mas cada
pessoa tem uma personalidade distinta e, às vezes, sentimentos diferentes. Esta
personalidade deve ser respeitada porque no casamento é importante o respeito
mútuo entre a esposa e o seu marido. O apóstolo Pedro aconselha aos maridos:
"Tratai-a [à esposa] com dignidade, por isso que sois juntamente herdeiros da
mesma graça de vida" (19 Pedro 3.7). O apóstolo Paulo termina este assunto com
as palavras: "E a esposa respeite a seu marido" (Efésios 5.33).
b) IGUALDADE. Perante Deus, todos os seres humanos (mulheres e ho-
mens) são iguais, mas nem todos têm a mesma função no lar. Em toda a criação e
obra de Deus há ordem. O primeiro lar foi criado com ordem, cada pessoa ocupan-
do o seu devido lugar, conforme determinado por Deus. O assunto dos versículos
22 a 24 é a submissão da mulher ao marido, mas nem por isso ela é inferior ao ma-
rido; ela tem é uma posição e uma função diferentes da posição e da função do
marido no lar. Alguém já comentou: "Se o marido é a cabeça, a mulher deve ser o
coração". Muitas vezes é a mulher que dá firmeza no lar pelo seu amor e cuidado,
unindo os filhos numa só família.
c) AUTORIDADE. Esta' palavra não é simpática hoje em dia e é por isso que
existe tapta anarquja no mundo e também tanta desavença e conflitos nos lares.
O lar deve ser o lugar de amor, de ensino e de disciplina, pois é a base da socieda-
de. Percebemos a falta atual que faz o lar cristão, regido pelo temor de Cristo e pela
Palavra de Deus. Deus é o Deus de ordem e os governos e autoridades procedem
-59-
dEle e por Ele foram instituídos (Romanos 13.1). Deus também instituiu no lar um
governo e uma autoridade, porém tem havido dois erros em relação a esta autori-
dade. São: revolta contra a autoridade e abuso de autoridade. No paganismo pre-
valecia o abuso de autoridade por parte do homem, que explorava a mulher, a qual
ficou sem direitos e que era tratada sem respeito. Hoje em dia há uma revolta con-
tra a autoridade. A prática do ensino no trecho que estamos estudando conserta
estes dois males.
O ENSINO DO APÓSTOLO PAULO NO RELACIONAMENTO ENTRE O MARI-
DO E A ESPOSA É BASEADO NA DOUTRINA DE CRISTO E A SUA IGREJA.
Ensina-nos grandes verdades espirituais:
1) A SUBMISSÃO DA ESPOSA CRENTE AO MARIDO É CONSIDERADA
COMO DEVOÇÃO AO SENHOR JESUS, pois é "como ao Senhor" (v. 22).
2) ONDE O SENHOR É CHEFE E SENHOR, ELE DISPENSA BÊNÇÃOS
ESPIRITUAIS, sendo Cristo o "Salvador do corpo" (v. 23). A comparação entre o
marido como chefe do lar e o Senhor Jesus como o Cabeça da Igreja é limitada
porque o Senhor Jesus é muito mais para a Igreja do que o marido pode ser para a
sua esposa.
3) A SUBMISSÃO À AUTORIDADE NÃO É SOMENTE O DEVER DA ES-
POSA, MAS CADA MEMBRO DO CORPO DE CRISTO TAMBÉM DEVE ESTAR
SUJEITO A CRISTO. "Como a igreja está sujeita a Cristo" (v. 24).
4) O EXEMPLO PARÁ OS MARIDOS. "Maridos, amai vossas mulheres co-
mo também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela" (v. 25). O
exemplo para os maridos é muito elevado porque é o exemplo de Cristo e o marido
tem o dever sagrado de amar a esposa COMO Cristo amou a Igreja. O paganismo
degradou a mulher, fazendo dela uma escrava. A Bíblia, porém, eleva a mulher a
uma posição de privilégio, sendo o alvo do amor do marido. Para haver um lar
equilibrado, é preciso que seja obedecido o ensino tanto do versículo 25 quanto do
versículo 22.
O marido que exige a obediência de sua esposa sem mostrar provas de amor
não está seguindo o ensino do Novo Testamento e, portanto, está contribuindo
para o desequilíbrio do lar. A Igreja está sujeita a Cristo, mas, ao mesmo tempo, é
elevada a uma posição de privilégio e de glória, sendo o alvo do grande amor de
Cristo.
Antes de deixar o versículo 25, precisamos examinar o verbo "amar" empre-
gado na exortação: "Maridos, amai vossas mulheres". Há diversos verbos gregos
cuja tradução é "amar". Os filósofos gregos ensinavam que os maridos devem
amar as suas esposas e o verbo que eles usavam era "phileo", que era usado para
indicar amor ou afeição dentro da família. Mas em "amai vossas mulheres" não é
este o verbo usado. A palavra aqui empregada é "agapao", isto é, um amor que
é totalmente altruísta, que não busca a sua própria satisfação nem o bem-estar de
si mesmo, mas que está disposto a se sacrificar e fazer tudo para o bem-estar da
amada. A medida do amor do marido para com a sua esposa é o exemplo do amor -
do Senhor Jesus para com a Sua Igreja. "Maridos, amai vossas mulheres COMO
também Cristo amou a igreja".
-60-
NO RESTANTE DQ CAPÍTULO 5 PODEMOS VER ALGUNS RESULTADOS DO
AMOR DO SENHOR JESUS PARA COM A SUA IGREJA
1) A SANTIFICAÇÃO E PURIFICAÇÃO DA SUA IGREJA. Na Bíblia, san-
tificação é um ato de separar alguém ou alguma coisa exclusivamente para Deus.
Queremos saber porque a santificação entra no assunto do matrimónio? Pelo
matrimónio o noivo pertence à noiva e esta a ele. A noiva se separa dos outros para
ser somente do seu noivo. Este é o sentido da santificação. Ao crer em Cristo, o
crente é separado do mundo e do pecado para ser exclusivamente de Cristo. O No-
vo Testamento apresenta a santificação como um ato e como um processo e os
dois aspectos encontram-se no versículo 26. Pelo ato de Deus, o crente é separado
(ou santificado) para pertencer e servir a Cristo. A santificação também é um pro-
cesso de purificação pela Palavra de Deus. O Senhor Jesus quer que a Sua Igreja
seja exclusivamente d E lê.
2) A APRESENTAÇÃO DA IGREJA (v. 27). "Para a apresentar a Si mesmo
igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem
defeito". Este versículo faz-nos lembrar dos preparativos de uma noiva para o ca-
samento. Ela faz tudo quanto pode para apresentar-se bela perante o seu noivo. É
Cristo mesmo que vai fazer a Igreja bela, gloriosa e sem defeito, e é Ele que vai
apresentar a Igreja, a Sua noiva, a Si mesmo. O Senhor Jesus faz tudo para a Sua
Igreja. O embelezamento da Igreja não é feito por ela mesma; é obra do Senhor
Jesus, como resultado do Seu amor para com ela. É a obra perfeita e completa da
justificação, santificação e glorificação. "Para a apresentar a Si mesmo igreja glo-
riosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito".
Que perfeição de amor!
3) A UNIÃO DA IGREJA COM CRISTO (v. 28). Agora o apóstolo apresenta
o ensino de Génesis 2.24, mas é somente no versículo 31 que ele cita o versículo. A
verdade é que os dois, marido e esposa, são um. Mais uma vez o apóstolo exorta
aos maridos a amarem suas esposas. Parece uma repetição desnecessária do ensi-
no já dado no versículo 25, mas era necessária no passado e também na época
atual. A base da exortação é que marido e esposa são unidos e são um. Isto deve
acabar com diferença de atitudes ou de trato, pois "quem ama a sua esposa, a si
mesmo se ama" (v. 28).
4) A ALIMENTAÇÃO E O CUIDADO DA IGREJA (w. 29 a 30). Em virtude
da nossa união com o Senhor Jesus, entramos numa posição de grande privilégio e
bênção. "Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela
cuida COMO também Cristo o faz com a igreja". Em primeiro lugar, o ensino é para
os maridos, porém é também um exemplo preeminente de Cristo em relação à Sua
Igreja, Ele é exemplar no seu sustento e no cuidado para com a Sua amada. Desde
o versículo 28, Paulo está apresentando o ensino de Génesis 2.24, mas ê somente
no versículo 31 que ele cita esta Escritura, a qual é o ensino básico para o casa-
mento. Ela é citada pelo Senhor Jesus em Marcos 10.7, ensinando que o casamento
é uma união permanente até a morte de um dos cônjuges. Porém o alcance deste
ensino é muito mais amplo, pois é uma comparação de uma união maior e mais
significante - a união entre Cristo e a Sua Igreja. "Grande é este mistério, mas eu
me refiro a Cristo e à igreja" (v. 32).
No versículo 33, o último versículo do nosso trecho, Paulo termina o assunto
-61-
com uma exortação ao marido e à mulher: "NÃO OBSTANTE, vós, cada um de per
si, também ame a sua própria esposa e a esposa respeite a seu marido".
• • • ••
Lição N? 23
PAIS, FILHOS, PATRÕES E SERVOS
Leitura: Efésios 6.1 a 9

PAIS E FILHOS (6.1 a 4)


Continuamos o assunto da relações humanas no lar. O apóstolo Paulo, depois
de discorrer sobre a vida no lar entre marido e esposa (5.22 a 33), passa a indicar as
atitudes correias que devem existir entre pais e filhos e entre patrões e emprega-
dos. A obediência dos filhos aos pais é ensinada em todos os países e por todas as
religiões, porque é uma lei natural.
A PRÓPRIA NATUREZA DA PESSOA ENSINA QUE OS FILHOS DEVEM
OBEDECER AOS PAIS. Então por que o apóstolo Paulo tomou o cuidado de ensi-
nar que o filho deve obedecer aos pais se isto é do conhecimento geral? PORQUE
PAULO ESTAVA PENSANDO NO LAR CRISTÃO. O lar cristão tem uma norma
mais elevada e, por isso, deve ser bem diferente dos lares sem o temor de Deus.
COMO DEVEM OS FILHOS OBEDECER AOS PAIS "NO SENHOR'7A fra-
se "no Senhor" é empregada pelo apóstolo nas suas epístolas, mas mais frequen-
temente nas epístolas escritas na prisão onde se encontra, pelo menos, vinte e uma
vezes. Esta frase "no Senhor" indica que o lar cristão deve ser diferente dos demais
porque deve ser governado pela Palavra de Deus, onde se sente a presença de
Deus. A Palavra de Deus ensina o temor de Deus e o amor a Deus. O que é muito
importante é o exemplo dos pais e o desejo de levar os filhos a Cristo. O culto do-
méstico pode ajudar a encaminhar os filhos no temor de Deus.
A OBEDIÊNCIA DOS FILHOS É ATITUDE JUSTA. "Pois isto é justo" (v.
1). Os pais têm a responsabilidade dos filhos e da maneira de criá-los; por isso é
justo exigir obediência. Os filhos são inexperientes e precisam aprender com os
pais. Além disso, precisa haver ordem no lar. É interessante comparar o ensino de
Efésios 6.1 a 4 com o trecho paralelo de Colossenses 3.20 a 21. Ambos ensinam que
o dever do filho é obedecer aos pais, mas eles apresentam uma razão diferente. Em
Efésios 6.1 lemos: "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, POIS ISTO É JUS-
TO". Do ponto de vista tanto humano quanto divino, nada podia ser mais justo,
porém Colossenses 3.20 acrescenta mais um ponto de vista, que é divino: "Filhos,
em tudo obedecei a vossos pais, POIS FAZÊ-LO É GRATO DIANTE DO SENHOR".
A> obediência dos filhos aos pais é justa e agradável a Deus.
"HONRA A TEU PAI E A TUA MÃE" (v. 2). Honrar é mais do que obede-
cer. Não se pode honrar sem obedecer, mas pode-se obedecer sem honrar, pois al-
guns são obrigados a obedecer aos pais, mas não o fazem pelo senso de respeito
para com eles. Honrar é demonstrar respeito e amor filial. Notemos que a honra é
devida não somente a um dos pais, mas aos dois, porque não deve haver partidos
no lar. Para frisar a importância desse ensino o apóstolo cita o quinto .mandamento
do Decálogo, "que é o primeiro mandamento com promessa".
O QUINTO MANDAMENTO É O PRIMEIRO MANDAMENTO COM PRO-
MESSA. É o único com promessa nos dez mandamentos (o Decálogo), que são
-62-
a introdução na legislação do Pentatêuco (os livros de Moisés), onde há outros
mandamentos com promessa. Há uma objeção a esta referência à lei porque não
estamos debaixo da lei. Porém o ensino moral da lei é para todos os tempos. Os
dez mandamentos não pertencem ao Novo Testamento, mas nove dos dez encon-
tram-se em o Novo Testamento, não como mandamentos, mas sim como ensino.
A PROMESSA DE PROSPERIDADE E DE VIDA LONGA POR HONRAR
AOS PAIS FOI DADA AOS FILHOS DOS ISRAELITAS. "Para que te vá bem e
sejas de longa vida sobre a terra" (v. 3). Debaixo da lei, a penalidade a quem amal-
diçoasse a seu pai ou a sua mãe era a morte (Levftico 20.9), mas, honrando a seus
pais, o israelita ganhava esta promessa. Alguns comentaristas dizem que Paulo está
somente citando o mandamento, mas não o está aplicando aos crentes. Em todo
caso, há grandes bênçãos para o filho que honra seus pais. Entretanto, a longevi-
dade depende também de outros fatores na vida. As bênçãos que Deus prometeu
aos judeus eram bênçãos materiais, enquanto que as prometidas à Igreja são espi-
rituais, mas parece que Paulo não teria citado a promessa se ela não tivesse uma
aplicação aos crentes em Cristo. Uma cousa nós sabemos e é que há grandes bên-
çãos no lar onde os filhos respeitam e honram seus pais.
A RESPONSABILIDADE DOS PAIS (v. 4). Aos pais cabe uma grande res-
ponsabilidade. O primeiro aspecto aqui mencionado é negativo, isto é, o que não
devem fazer é provocar os filhos à ira. "E vós, pais, não provoqueis vossos filhos
à ira" (v. 4).
COMO PODEM OS PAIS PROVOCAR OS FILHOS Â IRA? Por diversas
maneiras, mas em geral é pelas injustiças. Por exemplo: a) Quando os pais exigem
a disciplina dos filhos e eles mesmos não se sujeitam à disciplina; b) Quando os
pais mostram preferência por um filho mais do que por outro, como no caso dos
pais de José (Génesis 39.3 e 4); c) Quando os pais não dão um bom exemplo no lar,
mas esperam que os filhos procedam bem.
O DEVER POSITIVO É: "MAS CRIAI-OS NA DISCIPLINA E NA AD-
MOESTAÇÃO DO SENHOR" (v. 4). O verbo "criar" expressa bem a maneira certa
de disciplinar os filhos. "Criai-os na disciplina". Isto faz parte da criação dos filhos e
deve começar bem cedo, na meninice, pois, deixar esta tarefa para a mocidade é
tarde demais. A palavra "disciplina" inclui tanto o ensino e a instrução como tam-
bém a correção do filho. "Admoestar" significa advertir e corrigir por meio da pala-
vra e se refere à aplicação do ensino da Bfblia aos filhos.

PATRÕES E EMPREGADOS (6.5 a 9)


Os servos aos quais se referem estes versículos são os escravos que trabalha-
vam nos lares. Ainda assim, o ensino é válido hoje em dia para todos os servos e
patrões cristãos. Em vez de fazer política contra a escravatura ou de condená-la, o
apóstolo, com estas palavras, deu o ensino que acaba com esse mal.
COMO DEVE O SERVO CRISTÃO SERVIR AO SEU PATRÃO?
a) Com obediência. "Quanto a vós outros, servos, obedecei a vossos senho-
res segundo a carne" (v. 5).
b) "Com temor e tremor". Precisamos saber a quem deve temer o servo.
Não é ao patrão, mas sim, a Deus. Esta frase encontra-se também em Filipenses
2.12: "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor" e, no trecho paralelo em
-63-
Colossenses 3.22, Paulo esclarece a quem os servos devem temer: ".- mas em sin-
geleza de coração, TEMENDO AO SENHOR". Também em Efésios 5.21 lemos:
"Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo".
c) Com sinceridade. "Na sinceridade do vosso coração, como a Cristo". Este
trecho (vv. 5 a 7} trata dos motivos de um coração sincero de um servo cristão. Não
há duplicidade, nem hipocrisia no coração sincero e o serviço mais difícil e ingrato é
feito "COMO A CRISTO". "Não servindo à vista, como para agradar a homens" ou,
como lemos em Colossenses 3.22: "Não servindo apenas sob vigilância, visando só
agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor". O servo
crente deve ter um alvo mais elevado no seu serviço prestado aos homens porque
por este serviço humilde ele está servindo a Cristo. "Como servos de Cristo, fazen-
do de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não
como a homens" (vv. 6 e 7).
OS SERVOS QUE FAZEM O QUE PAULO ENSINOU TERÃO UMA RE-
COMPENSA DE DEUS. O serviço para senhores humanos feito "como ao Se-
nhor" terá o seu galardão: "Certos de que cada um, se fizer alguma cousa boa, re-
ceberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre" (v. 8). Esta última frase
indica que o ensino não é somente para os escravos, mas para todos os servos.
OS SENHORES OU PATRÕES {v. 9). Somente um versículo é dirigido aos
patrões, mas pela primeira sentença fica patente que muito do ensino dirigido aos
servos também é para os senhores. "E vós, senhores, DE IGUAL MODO procedei
para com eles, deixando as ameaças". Era necessário acrescentar essa exortação
porque era comum abusar desta posição de autoridade e de poder. Os senhores
foram alertados para o fato de que eles também eram servos e que eles também ti-
nham o mesmo Senhor, que está nos céus "e que para com Ele não há acepção de
pessoas" (v. 9).

Lição N? 24
A GUERRA ESPIRITUAL
Leitura: Efésios 6.10 a 12

Ao terminar esta epístola, o apóstolo sentiu a necessidade de advertir seus


leitores que a vida cristã é uma guerra e que nela podemos sair vitoriosos, não por
nós mesmos, mas em Cristo e por Ele. Não é a primeira vez que Paulo ensina a
respeito da guerra espiritual, pois em algumas das suas cartas ele também mencio-
na este assunto. Por exemplo, ele exortou Timóteo a participar dos sofrimentos por
causa do Evangelho "como bom soldado de Jesus Cristo" (2- Timóteo 2.3 e tam-
bém 12 Timóteo 6.12 e 2- Timóteo 4.7). Em 19 Tessalonicenses 5.8 há uma referên-
cia à armadura do cristão. Paulo também esclarece que a vitória não é ganha por
por meios carnais: "Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim, pode-
rosas em Deus para destruir fortalezas" (2- Coríntios 10.4). No fim da sua vida
Paulo anunciou com triunfo: "Combati o bom combate, completei a carreira, guar-
dei a fé" (2a- Timóteo 4:7).

QUEM É O INIMIGO?
-64-
Não é o homem e nem se trata de um combate físico. A batalha é travada na
esfera espiritual contra "principados e potestades". Estas palavras podem descre-
ver todos os seres angélicos, mas, neste caso, o apóstolo está falando somente dos
anjos caldos e maus que, sob a liderança de Satanás, se revoltaram contra Deus. É
o inimigo invisível e infernal. Satanás não é onipresente, mas ele age em toda parte
através dos anjos caídos ou demónios, que fazem o seu serviço e cumprem as suas
ordens. Todos os principados e potestades foram criados por Cristo (Colossenses
2.10} e eles devem a sua existência a Cristo, que é o Cabeça de todos os principados
e potestades (Colossenses 2.10). Satanás tem poder, mas não tem todo o poder e
somente pode fazer aos santos o que lhe é permitido por Deus (Jó 1.12). A crucifi-
cação do Senhor Jesus foi o resultado da trama do maligno, porém, ao invés de ser
triunfo para Satanás e os seus demónios, foi uma derrota. Satanás e as suas hostes
infernais foram vencidos pela morte do Senhor Jesus e agora são um inimigo
derrotado.
SATANÁS E AS SUAS HOSTES SÃO CHAMADOS "OS DOMINADO-
RES DESTE MUNDO TENEBROSO"0 mundo, pela sua rebelião contra Deus e
pela sua rejeição de Cristo, está nas mãos do inimigo. Chama-se "este mundo te-
nebroso" porque as forças do mal, embora derrotadas por Cristo, podem exercer
domínio sobre os que não L,v.e..~iti a sua libertação pela morte do Senhor Jesus na
cruz. Somente em Cristo os homens podem ganhar a vitória sobre os dominadores
deste mundo tenebroso. Satanás é chamado "o príncipe deste mundo" (João
12.31) e "o deus deste século" (2- Coríntios 4.4). "Os principados e potestades"
também são chamados "as forças espirituais do mal". São as forças do mal que
operam no mundo.

COMO PODEMOS VENCER O INIMIGO?


Pela Bíblia e pela nossa experiência sabemos que, de nós mesmos, pela nossa
própria força, não o podemos vencer. É pelo poder de Deus que poderemos vencer.
O apóstolo Paulo exortou aos efésios: "Quanto ao mais, sede fortalecidos no Se-
nhor e na força do Seu poder" (v. 10). Três palavras, em vez de apenas uma, são
empregadas para descrever o poder de Deus ao nosso dispor, porém, o mais im-
portante, é que somos fortalecidos não somente por uma força, mas sim, por UMA
PESSOA e pela nossa união com Cristo. Paulo não escreveu: "Sede fortalecidos
PELO Senhor", o que também seria verdade, mas escreveu: "Sede fortalecidos NO
SENHOR". E por Ele e por nossa união com Ele. O nosso Senhor mesmo disse:
"Sem Mim nada podeis fazer" (João 15.5). A nossa defesa é uma Pessoa com o
máximo poder.
A RESPONSABILIDADE QUE NOS CABE. "Revesti-vos de TODA a arma-
dura de Deus". A ênfase está na palavra "toda", pois, se faltar uma única peça na
armadura, seremos alvo do inimigo. Além de nos revestir de toda a armadura de
Deus, a responsabilidade de cada crente é ficar firme contra as ciladas do inimigo.
"Para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo" (v. 11).
Temos aprendido na Epístola aos Efésios que, quanto à nossa posição espi-
ritual em Cristo, aos olhos de Deus, estamos assentados nos lugares celestiais em
Cristo (Efésios 2.6). A seção prática da epístola mostra-nos como devemos andar,
mas agora Paulo ensina que na guerra espiritual temos de ficar firmes, em pé, para
-65-
não cair.
AS CILADAS DO DIABO. "Para poderdes ficar firmes contra as ciladas do
diabo" {v. 11). Deus é onipotente e Satanás não pode vencê-IO, antes Satanás é
vencido pelo Senhor Jesus. Então, como ele age? A maneira do diabo combater é
pela mentira, lançando dúvidas sobre a Palavra de Deus e sobre a Pessoa de Jesus
Cristo. Ele engana e cega o entendimento .dos que não crêem em Cristo. As ciladas
do diabo são muitas, mas Deus, na Sua Palavra, mostra-nos como certas pessoas
venceram e porque outras ca f rã m.
A FALTA DE ESPÍRITO PERDOADOR torna-se uma cilada. O apóstolo Paulo
exortou os coríntios a perdoar e acrescentou: "Para que Satanás não alcance van-
tagem sobre vós, PORQUE NÃO LHE IGNORAMOS OS DESÍGNIOS" (2a- Coríntios
2.11).
Na Bíblia, desde o princípio da história do homem, encontram-se exemplos
da astúcia de Satanás e também encontra-se a razão de sua vitimas caírem nas
suas ciladas. Ele é o sedutor (Apocalipse 12.9), enganando e desencaminhando os
incautos. Os nossos primeiros pais, Adão e Eva, caíram na cilada pela DESCON-
FIANÇA DE DEUS e pela DESOBEDIÊNCIA À PALAVRA DE DEUS. A COBIÇA foi
a cilada em que caiu Acã (Josué 7.21). O rei Davi caju também pela cobiça, que o
levou a cometer crimes terríveis (2- Samuel 11). Davi também caiu em outra cilada,
pois "Satanás se levantou contra Israel e INCITOU a Davi a levantar o censo de Is-
rael" (1? Crónicas 21.1).
Em l ? Corfntios 10.6 a 13, o apóstolo Paulo relata como os israelitas, saindo
do Egito, caíram nas tentações de COBIÇA, IDOLATRIA, IMORALIDADE E DES-
CONTENTAMENTO. O livro de Jó (capítulos 1 e 2) revela como Satanás tenta por
provações e pelos lábios da mulher de Jó (Jó 2.9). Satanás se apresenta como acu-
sador do homem justo, atacando-o com a arma da CALÚNIA. As três tentações do
Senhor Jesus revelam como ele tenta pela concupiscência (o desejo) da carne, a
concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Pedro caiu na cilada de CONFIANÇA
EM SI MESMO. O Senhor Jesus avisou a Pedro: "Simão, Simão, eis que Satanás
nos reclamou para vos peneirar como trigo" (Lucas 22.31). Pedro confiou nas suas
próprias forças e caiu.
Também existe a cilada das RIQUEZAS. O apóstolo Paulo avisou: "Ora, os
que querem ficar ricos caem na tentação e cilada" (19 Timóteo 6.9).
A cilada do MUNDO apanha muitos. Ao tentar o Senhor Jesus pela terceira
vez. Satanás "mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e Lhe disse:
Tudo isto Te darei se prostrado me adorares" (Mateus 4.8 e 9). Porém é mentira e
engano. Hoje ele está oferecendo ao povo os prazeres e a glória deste mundo, mas
o que ele dá é miséria e morte.
Como perseguidor do povo de Deus, Satanás aparece como leão. O apóstolo
Pedro escreveu: "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em
derredor, como leão que ruge, procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes
na fé" (1J Pedro 5.8 e 9). Portanto, ele é como lobo disfarçado de ovelha e assim faz
mais estrago. Também como anjo de luz ele alcance bastante êxito. Escreveu Pau-
lo: "E não é de admirar; porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz"
(2? Coríntios 11.14). Pelas HERESIAS ele perverte o sentido das Sagradas Escritu-
ras e consegue desencaminhar muita gente.
-66-
O serviço de Satanás é feito por demónios, mas também é feito por seres
humanos. Ele é chamado "o acusador dos irmãos" (Apocalipse 12.10), mas neste
serviço ele aproveita as bocas de homens e de mulheres. Também ele usou os lá-
bios de Pedro para tentar desviar o Senhor Jesus do caminho para a cruz. Pedro
reprovou o Senhor Jesus, dizendo: "Tem compaixão de Ti, Senhor; isso de modo
algum Te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda! Satanás; tu és
para Mim pedra de tropeço, porque não cogitas das cousas de Deus e sim, das dos
homens" (Mateus 16.22 e 23). Isso não quer dizer que Pedro fosse Satanás, mas
que Satanás estava usando a língua de Pedro. Não podemos ter desculpas por ig-
norar as ciladas de Satanás porque a Bíblia nos adverte dos perigos.
A nossa luta é travada na esfera espiritual contras as forças do mal. A entrada
dos israelitas para possuir a terra prometida pode nos ensinar a respeito da nossa
luta contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes. As lutas dos israelitas
eram físicas e as nossas são espirituais, porém o livro de Josué nos fornece lições e
ilustrações para a nossa luta espiritual. Como ganharam as vitórias na terra de Ca-
naã? Em primeiro lugar, Josué encontrou-se com Deus como o Príncipe ou Capitão
do exército e Josué se rendeu a Ele e recebeu Suas ordens (Josué 5.13 a 15). A ci-
dade de Jericó foi vencida e tomada, não pela força militar, mas sim, pela fé e pela
obediência à Palavra de Deus.
• •• ••
Lição N? 25
A ARMADURA DE DEUS
Leitura: Efésios 6.13 a 16

O apóstolo, mais uma vez, volta ao assunto da armadura de Deus, que ele in-
troduziu no versículo 11. É a armadura de Deus porque Deus a fornece, mas tam-
bém porque é condizente com o Seu caráter. Em Isaías 59.17, o profeta apresenta
um quadro de Deus como um guerreiro que "vestiu-se de justiça, como de couraça,
e pôs o capacete da salvação na cabeça".
A NECESSIDADE DE NOS REVESTIR DA ARMADURA DE DEUS ESTÁ
BEM PATENTE, PORQUE O CONFLITO É ESPIRITUAL E É CONTRA SERES
SOBRENATURAIS NA REGIÃO INVISÍVEL, MAS REAL. Os crentes em Éfeso
acreditavam na existência de demónios, porque muitos deles foram libertados do
espiritismo (Atos 19.13 e 19). Nos evangelhos lemos dos encontros do Senhor Je-
sus com os demónios, que foram obrigados a obedecê-IO e teconhecê-IO como
Senhor.

A NATUREZA DA NOSSA DEFESA É ESPIRITUAL


Apresentam-se três razões justificando a necessidade do crente revestir-se
com a armadura de Deus: a) Para ficar firme contra as ciladas do diabo (v. 11); b)
Para poder resistir no dia mau (v. 13); c) Para, depois de ter vencido tudo, perma-
necer inabalável (v. 13).
A PROVISÃO PARA O CONFLITO É DE DEUS, MAS A RESPONSABI-
LIDADE DE NOS REVESTIR DA ARMADURA DE DEUS É NOSSA. Temos de
toma-la e aproveitá-la para a nossa defesa, porque não adianta possuir a armadura
se, de fato, não a usamos.
-67-
NÃO DEVE FALTAR NENHUMA PEÇA DA ARMADURA
"Tomai TODA a armadura de Deus". Paulo repete a mesma exortação do
versículo 11 para chamar a nossa atenção para o fato que a armadura, para servir
de defesa, tem de ser completa. Faltando uma única peça, o inimigo logo aprovei-
tará para atacar no ponto mais fraco da nossa defesa.

O CRISTÃO DEVE ESTAR REVESTIDO SEMPRE COM A ARMADURA DE


DEUS
Existe a possibilidade de um ataque repentino e inesperado. "Para que pos-
sais resistir NO DIA MAU". O inimigo espera uma situação favorável a ele para nos
atacar. É o dia mau. Os militares aproveitam o elemento surpresa para ganhar
vantagem. Encontramos exemplos disto mencionados diversas vezes no Velho
Testamento. Abraão, com seus trezentos e dezoito homens, atacou de noite os
exércitos dos quatro reis e os venceu (Génesis 14). Davi atacou os amalequitas de
surpresa quando estavam comendo, bebendo e fazendo festa (1? Samuel 30.16).
Paulo declarou em Efésios 5.16 que "os dias são maus" e sabemos que é a verdade
porque as forças do mal, embora vencidas por Cristo, ainda controlam o povo deste
mundo. Porém "o dia mau" do versículo 13 é diferente, pois refere-se à tentação e
ao golpe satânico.
Como verdadeiros soldados de Jesus Cristo, fiquemos sempre de sobreaviso,
revestidos da armadura, sem relaxar a nossa vigilância, porque, quando os santos
dormem, é hora do inimigo atacar. Sansão estava dormindo no colo de Dalila
quando o inimigo roubou-lhe a força (Juizes ,16.19). Saul estava dormindo no
acampamento quando a sua lança foi tirada por Davi (1? Samuel 26.12). No mo-
mento quando menos se espera, Satanás tenta.
A firmeza é essencial para a luta espiritual e o trecho que estamos estudando
dá ênfase à necessidade de ficar firme, resistir e ficar inabalável (w. 13 e 14). As
verdades que a armadura representa também têm em vista o fortalecimento e a
firmeza do cristão. Cristãos instáveis, que não têm firmeza em Cristo, são uma pre-
sa fácil para o diabo.

AS PEÇAS DA ARMADURA
Paulo conhecia bem a armadura dos soldados romanos. Nas suas viagens
para Roma e nas suas prisões ele teve oportunidade de examinar cada peça da ar-
madura. Também, ao ditar a Epístola aos Efésios, ele estava acorrentado pelo pulso
a um soldado. Há seis peças principais no equipamento do soldado. São o cinto, a
couraça, o calçado, o escudo, o capacete e a espada.
Ò CINTO DA VERDADE. "Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade"
(v. 14). O cinto era a primeira peça que o soldado vestia. Prendia a túnica e segura-
va a bainha com a espada; assim o soldado não sofreria impedimento ao marchar.
Alguns acham que o cinto não tem nenhum valor defensivo, porém é muito im-
portante porque segura a bainha com a espada, o que para o soldado significava
prontidão e desembaraço para a atividade da guerra. O apóstolo Paulo escreveu:
"Nenhum soldado em serviço se envolve com negócios desta vida porque o seu
objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou" (2- Timóteo 2.4).
Com o CINTO DA VERDADE podemos ficar livres dos embaraços porque nos
-68-
deixa prontos e desembaraçados para a guerra espiritual e pode nos guardar de
situações vergonhosas e embaraçosas. A verdade é a revelação de Deus em Cristo e
nas Escrituras. Somente a verdade pode dissipar as mentiras do diabo e nos liber-
tar. Portanto, creio que Paulo está referindo-se à verdade no sentido de sinceridade
e integridade. O cristão deve ser honesto e verdadeiro a todo custo. Ser enganador,
cair na hipocrisia e apelar para intrigas seria fazer o jogo do diabo e não podemos
vencê-lo com as suas próprias armas. O diabo gosta das trevas e abomina a verda-
de. Tanto para a saúde espiritual quanto para a mental, a honestidade é indispen-
sável.
A COURAÇA DA JUSTIÇA. "Vestindo-vos da couraça da justiça" (v. 14). A
couraça é a peça principal da armadura e protege alguns dos órgãos vitais do cor-
po. Na esfera espiritual também precisamos da proteção da couraça da justiça. Co-
mo pode a justiça de Deus nos proteger? A justiça de Deus que nos protege da in-
vestida do inimigo é a justiça de Deus imputada, pela qual o pecador é justificado
pela fé em Cristo. Não há uma proteção maior do que o relacionamento justo com
Deus. A justificação pela graça de Deus significa ser vestido de uma justiça que não
é própria, mas de Cristo, e, ao sermos aceitos por Deus, passamos a possuir uma
defesa contra uma consciência acusadora e contra os ataques caluniadores do ma-
ligno. Paulo declarou: "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão
em Cristo Jesus" (Romanos 8.1).
No capítulo 8 da Epístola aos Romanos, Paulo demonstra como a couraça da
justiça de Deus defende o crente em Cristo. Paulo escreveu: "Quem intentará acu-
sação contra os eleitos de Deus? É Deus que os justifica. Quem os condenará? É
Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de
Deus e também intercede por nós" (Romanos 8.33 e 34). O relacionamento correio
com Deus mediante Cristo é uma forte couraça para nos proteger contra as acusa-
ções satânicas.
OS CALÇADOS. "Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz" (v.
15). Isto significa prontidão para evangelizar. Como o soldado romano, bem calça-
do, avançava com passo firme, da mesma maneira o cristão, ao mesmo tempo que
fica firme para se defender, tem de avançar contra as fortalezas de Satanás com o
Evangelho da paz. Faz-nos lembrar das palavras do profeta Isaías: "Quão formosos
são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz" li-
sa Ias 52.7). O diabo odeia o Evangelho porque ele é derrotado cada vez que uma
alma é salva e livre das suas garras.
Também o evangelismo é essencial para o bem-estar espiritual daquele que é
salvo por Cristo, porque é a nossa missão e obrigação anunciar o Evangelho e, se
não cumprirmos a missão, seremos culpados do pecado de omissão. Também
aquele que somente quer ouvir ministério para ele mesmo, sem fazer esforço al-
gum para evangelizar, fica desequilibrado.
O ESCUDO DA FÉ. "Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podeis
apagar todos os dardos inflamados do maligno" (v. 16). O escudo do soldado ro-
mano não era um pequeno escudo redondo que deixava a maior parte do corpo
desprotegida, mas era um escudo comprido retangular, medindo 1,20 x 0,75 me-
tros, que cobria a pessoa inteira. Era especialmente construído para defender o sol-
dado das flechas e dos dardos incendiários. A fé é o nosso escudo que precisamos
-69-
usar, com todas as outras peças da armadura. Por que precisamos de um escudo,
quando já temos a couraça? Ao rei Acabe faltou o escudo quando um soldado ini-
migo "entesou o arco e, atirando ao acaso, feriu-o por entre as juntas da sua arma-
dura" (1? Reis 22.34).
A fé é indispensável para o uso da armadura e SEMPRE devemos embraçar o
escudo da fé, pois é a nossa defesa invencível que apaga "TODOS os dardos infla-
mados do maligno" (v. 16).
• ••••
Lição N? 26
O SOLDADO CRISTÃO
Leitura: Efésios 6.17 a 24

Na lição anterior estudamos as verdades representadas por quatro peças da


armadura do soldado romano. São o cinto da verdade, a couraça da justiça, os cal-
çados do Evangelho da paz e o escudo da fé. Restam mais duas peças para a nossa
consideração neste estudo. São o capacete da salvação e a espada do Espírito.

O CAPACETE DA SALVAÇÃO
"Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a pala-
vra de Deus" (v. 17). Na guerra espiritual o inimigo concentra o seu ataque contra a
mente, porque esta controla o corpo e dirige a vida e, por isso, precisa de uma
proteção especial. Mas como pode o capacete da salvação proteger a mente? A sal-
vação é mais do que o livramento da condenação e do castigo por causa do pecado.
É também a salvação do poder do pecado. Declarou o apóstolo Paulo: "O pecado
não terá domínio sobre vós" (Romanos 5.14). Por Cristo há libertação do poder do
pecado. Sem o capacete não teremos força para resistir o mal.
Os dardos inflamados são as tentações, as dúvidas e a nossa desconfiança de
Deus. Pela fé em Cristo podemos apagar todos os dardos do maligno, sabendo que
o Senhor Jesus, exaltado, intercede por nós e por isso pode nos salvar totalmente
(Hebreus 7.25). Em 1? Tessalonicenses o apóstolo Paulo esclarece o significado do
capacete da salvação: "Tomando como capacete, a ESPERANÇA DA SALVAÇÃO"
(5.8). A palavra "esperança" na Bíblia não indica algo duvidoso, mas indica certeza.
A esperança, ou seja a certeza da salvação, é como o capacete porque a certeza dis-
sipa a dúvida. A certeza da salvação é um ato de fé, a qual toma posse das promes-
sas de Deus na Sua Palavra e apaga os dardos inflamáveis de dúvidas e tentações.

A ESPADA
"E a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus" (v. 17). A espada do Espí-
rito é de dois gumes e pode ser usada tanto na defesa como para avançar e con-
quistar. Chama-se "a espada do Espírito" porque é a arma que o Espírito Santo usa
e, por esta arma, no poder do Espírito Santo podemos vencer.
O Senhor Jesus nos deu um exemplo de como devemos manejar a espada da
Palavra de Deus. Na tentação no deserto (Mateus 4), o Senhor Jesus não se defen-
deu contras as tentações pela Sua grande sabedoria, mas combateu Satanás com a
autoridade da Palavra de Deus. Três vezes o Senhor Jesus respondeu a Satanás
com as palavras: "Está escrito" e três vezes citou versículos do Velho Testamento.
-70-
O SENHOR JESUS DEMONSTROU SUA PLENA CONFIANÇA NO VE-
LHO TESTAMENTO. A Sua vitória sobre Satanás na tentação no deserto (Mateus
4} dependia da veracidade da Palavra de Deus. Ele demonstrou o Seu conheci-
mento do Velho Testamento, como também a Sua confiança nele. Para o cristão
saber manejar a Palavra de Deus precisa ter conhecimento dela, pois como pode o
Espírito Santo trazer à nossa memória versículos para vencermos a tentação se não
conhecemos tais escrituras? Também há necessidade de ter plena confiança em to-
da a Palavra de Deus. Satanás reconheceu a autoridade da Palavra de Deus e deu-
se por derrotado por ela. Se o Velho Testamento tivesse um erro qualquer, ele po-
deria ter declarado que a Bíblia não é de confiança e poderia ter ganho a vitória.
Porém, na presença de Cristo, ele não podia apontar erro nenhum na Bíblia e foi
obrigado a se encurvar diante da autoridade da Palavra de Deus.

O COMBATE (w. 18 e 19)


O cristão, vestido com a armadura de Deus, está pronto para combater na
batalha espiritual; porém um soldado, mesmo bem equipado, se não se movimen-
tar e entrar no conflito não pode avançar e derrotar o inimigo. A entrada na batalha
é o assunto do versículo 18. A utilidade da armadura é principalmente para a defe-
sa, porém a fé (o escudo da fé) que nos defende é essencial para o cristão que, cal-
çado com o Evangelho da paz, por esta mensagem pode demolir as fortalezas do
inimigo e libertar os cativos de Satanás.
Portanto, a arma principal contra o inimigo é a espada do Espírito, que é a
Palavra de Deus, mas há outro recurso que deve acompanhar a Palavra de Deus. É
a oração.

PELA PALAVRA DE DEUS E PELA ORAÇÃO NÓS PODEMOS COMBATER O


BOM COMBATE
"A espada do Espírito, que é a palavra de Deus; COM toda oração e súplica"
(vv. 17 e 18).
Em quatro expressões do versículo 18 encontra-se a palavra "todo", que nos
indica algumas verdades a respeito da oração.
1) "TODA ORAÇÃO E SÚPLICA". É fato que a oração pode mudar situa-
ções em todos os setores da vida e no mundo inteiro, porém muitas vezes nós não
aproveitamos as possibilidades da oração. Também pela frase "toda oração"
aprendemos que devemos depender de Deus em tudo, pois pela oração depende-
mos de Deus e esperamos a Sua resposta em oração. Devemos consultar a Deus
em tudo, mesmo nas decisões que achamos que são de pouca importância ou nos
problemas que achamos que podemos resolver sem a ajuda de Deus.
Pode acontecer que haja uma cousa duvidosa na vida do crente que ê contrá-
ria à vontade de Deus e por isso ele não pode orar quanto àquele assunto. A frase:
"toda oração" indica uma vida em comunhão com Deus e segundo a vontade de
Deus. A oração é a conversa com Deus, mas o que quer dizer: "toda oração e SÚ-
PLICA"? Súplica é um pedido feito com insistência. Temos nós o direito de insistir
em oração? Somente quando temos a certeza que é a vontade de Oeus e de que o
que pedimos está baseado nas promessas de Deus.
Pela oração e súplica entramos na batalha espiritual, a qual é ilustrada pela
-71-
luta entre Israel e Amaleque, descrita em Êxodo 17.8 a 16. Enquanto Josué e o seu
exército pelejavam no vale, Moisés, Arão e Hur estavam no monte. Quando Moisés
levantava a mão, Israel prevalecia; quando, porém, abaixava a mão, prevalecia
Amaleque. Eram pesadas,as mãos de Moisés, mas Arão e Hur, um de cada lado,
sustentavam as mãos de Moisés até qu£ Josué desbaratou a Amaleque ao fio da
espada. Da mesma maneira, por toda a oração e súplica ganhamos a vitória e sus-
tentamos os que estão lutando em prol do Evangelho.
2) "ORANDO EM TODO TEMPO NO ESPÍRITO". Embora devamos orar
"sem cessar", o sentido principal destas palavras é que devemos orar NO ESPIRI-
TO em todas as orações. Para orar no Espírito temos de ser controlados pelo Espí-
rito.
3) "VIGIANDO COM TODA PERSEVERANÇA". "Vigiai e orai" é uma
exortação necessária tanto hoje em dia quanto no tempo dos apóstolos. O Senhor
exortou os Seus discípulos: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o es-
pírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26.41). O soldado que
não persevera é derrotado. Não adianta vigiar só por algum tempo, porque a qual-
quer momento podemos ser apanhados de surpresa pelo inimigo.
4) "E SÚPLICA POR TODOS OS SANTOS" (v. 18). Além de exortar os
crentes a orarem com perseverança, Paulo acrescentou uma frase importante:
"POR TODOS OS SANTOS". Um exército é composto de muitos soldados e,
quando alguns estão sendo apertados pelo inimigo, são socorridos pelos compa-
nheiros. Como podemos fazer isto na batalha espiritual? É pela oração "por todos
os santos". Alguns estão passando por tentações e sempre existem os servos de
Deus que estão enfrentando a oposição do inimigo. O inimigo procura isolar o sol-
dado e grupos de soldados, cortando a sua linha de comunicação. Devemos notar
que o apóstolo escreveu: "Por TODOS os santos". Será que há um irmão ou um
grupo de irmãos pelos quais não podemos orar? Se é assim, não estamos vigiando
e o inimigo já achou um ponto fraco em nossa defesa.

O "EMBAIXADOR EM CADEIAS" (w. 19 e 20)


No versículo 19, Paulo escreveu: "E TAMBÉM POR MIM, para que me seja
dada, no abrir da minha boca, a palavra, para com intrepidez fazer conhecido o
mistério do evangelho". Paulo sentia a necessidade das orações do povo de Deus,
mas ele não pediu a sua libertação da prisão e sim, coragem para aproveitar a sua
prisão e fielmente pregar o Evangelho.
Paulo nunca se esqueceu da dignidade e responsabilidade de ser um embai-
xador e representante de Deus entre os homens. É uma grande honra para alguém
representar o seu país no estrangeiro, porém Paulo era ainda mais honrado por ser
o embaixador de Deus. Parece um pouco estranho ver o embaixador de Deus "em
cadeias". Pela vontade de Deus, ele estava em cadeias e as proveitou para anunciar
o Evangelho.
Nesta carta, Paulo menciona somente Tíquico, o portador da carta para a re-
gião onde ele trabalhava. Em Tíquico sobressaem duas grandes qualidades. Era
"um irmão amado e fiel ministro do Senhor" (v. 21). Ele conseguiu isto "seguindo a
verdade em amor" (Efésios 4.15).
Os destinatários da carta, sabendo da prisão do apóstolo, ficariam preocupa-
-72-
PROVAS DE
"EM CRISTO"

INSTRUÇÕES: Depois de ter estudado cuidadosamente a lição e as refe-


rências bíblicas, deve ler as perguntas da prova. Cada prova consiste de 10
perguntas. As cinco primeiras perguntas têm três possíveis respostas, mas
somente uma delas será a verdadeira. Leia as três respostas e escolha a me-
lhor. Se não tem certeza da resposta correia, leia a lição outra vez.

PROVA N2 1, REFERENTE ÀS* LIÇÕES 1 E 2


Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. O Evangelho foi propagado de Éfeso para "toda a Ásia". "Toda a Ásia" é:
A) Urna província da Ásia Menor.
b) A Ásia Menor.
C) O continente da Ásia.
2. As cidades do Vale do Rio Licus, onde havia igrejas, são:
A) Laodicéia, Éfeso e Hierápolis.
B) Filipos, Laodicéia e Colossos.
C) Laodicéia, Colossos e Hierápolis. -..—
3. As bênçãos em Cristo Jesus são:
A) As mesmas bênçãos prometidas a Israel.
B) Bênçãos espirituais.
C) Bênçãos materiais e espirituais. .......
4. A passagem do Rio Jordão pelos israelitas é figura:
A) Da nossa morte física.
B) Da identificação do crente com a morte e ressurreição de Cristo.
C) Da passagem do povo de Deus para o céu. -—••
5. O povo de Israel passou o Rio Jordão:
A) Pela fé.
B) Seguindo Josué.
C) Seguindo os sacerdotes.
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"f" se a afirmação for Falsa.
6. Em Éfeso, os que antes da sua conversão praticavam artes mágicas venderam
os seus livros por cinquenta mil denários. *..~
7. A pessoa que se abriga em Cristo encontra nEle tudo que precisa para a vida
espiritual. ~—~
8. O assunto da carta de Paulo aos Colossenses é a Igreja em relação a Cristo.
t......
9. A frase "as regiões celestiais" é característica da Epistola aos Efésios, mas se
encontra também na carta aos.Colossenses. ••»•-
10. "Sentado nos lugares celestiais em Cristo" é a posição espiritual e a esfera da
atividade espiritual do crente. —--
- 1 -
PROVA N? 2, REFERENTE ÀS LIÇÕES 3 E 4
Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. A obra de Deus Pai em Efésios 1.3 a 6 se descreve com os verbos:
A) Redimir, Escolher, Predestinar e Aceitar.
B) Escolher, Abençoar, Predestinar e Aceitar.
C) Predestinar, Abençoar, Justificar e Escolher.
2. A frase "adoçáo de filhos" significa:
A) A posição de filho.
B) Que a pessoa não é .nascida de novo.
C) A necessidade do novo nascimento.
3. O exemplo de como o inútil pode se tornar útil se encontra na conversão de:
A) E pairas.
B) Onésirno.
C) Timóteo.
4. O assunto do trono e do altar se encontra na profecia de:
A) Isafas.
B) Jeremias.
C) Ezequiel.
5. Em Efésios 1 .3 a 6, o propósito da escolha soberana de Deus é que sejamos:
A) Santos e irrepreensíveis.
B) Abençoados e bondosos.
C) Justificados e santos. .......
Coloque na linha à direita a letra "V se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. O único aspecto da glória de Deus é a Sua justiça. ^.m.
7. O homem não é responsável pelo seu destino. ..._
8. Há uma forte ligação entre a predestinação e a presciência de Deus.
9. A predestinação é a doutrina dos propósitos predeterminados de Deus.
10. Se o crente tropeçar é tratado por Deus como inimigo.

PROVA NS 3, REFERENTE ÀS LIÇÕES 5 E 6


Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. Os crentes em Éfeso receberam o Espírito Santo:
A) Pela imposição das mãos dos apóstolos.
B) Por ouvir o Evangelho e crer em Cristo.
C) Por pedirem o Espírito Santo. ~~~
2. Paulo escreveu a respeito do selo do Espírito Santo às igrejas em:
A) Éfeso e Tessalônica.
B) Éfeso e Filipos.
C) Corinto e Éfeso. .—~
3. As ilustrações do Espírito Santo como o penhor da nossa herança são tiradas
de:
-2-
A) A vida de Ester e a ressurreição do Senhor Jesus.
B) Do mercado de madeira em Éfeso e Corinto.
C) De Génesis capítulos 24 e 25.
4. As duas virtudes que Paulo viu nos crentes em Éfeso são:
A) A fé e as obras.
B) A fé e o amor.
C) A fé e a esperança. „.„..
5. O poder que está ao dispor do crente é:
A) Um dos grandes poderes.
B) O poder pelo qual o Senhor Jesus curou pessoas.
C) O máximo poder da ressurreição do Senhor Jesus.
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. Somente no porvir Deus conhecerá quem pertence a Ele.
7. Neste mundo não podemos gozar nenhuma parte da nossa herança espiritual.

8. Para entender as Escrituras, precisamos da iluminação do Espirito Santo. .......


9. O selo indica segurança. .„.„.
10. O Espírito Santo é o penhor da nossa herança.
• • • ••
PROVA N? 4, REFERENTE ÀS LIÇÕES 7 E 8
Escreva A, B ou C â direita da afirmação que você achar mais correta.
1. No Salmo 110.1,4 e 5 há duas profecias do Senhor Jesus como:
A) Criador e Redentor.
B) Rei e Sacerdote.
C) Sacerdote e Redentor.
2. A união entre Cristo e a Sua Igreja é comparada:
A) À união de uma família.
B) À união de um fundamento e o edifício.
C) À união entre a cabeça e o corpo.
3. Somente podemos ser salvos:
A) Pela graça e misericórdia de Deus.
B) Fazendo boas obras.
C) A e B estão correias. „_.
4. O estado espiritual do homem sem Cristo se descreve como:
A) Morto para Deus.
B) Seguindo as inclinações da sua natureza pecaminosa.
C) A e B estão correias. ..__.
5. A Igreja Universal é composta de:
A) Todos os crentes do Veího Testamento e também do Novo.
B) De todas as igrejas locais no tempo atual.
C) De todos os crentes em Cristo desde o dia de Pentecoste até o arreba-
tamento da Igreja.
_ 3-
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. Como pecadores, precisamos da intervenção de Deus a nosso favor. ......
7. A culpa do homem é enorme, mas a misericórdia de Deus é maior. .......
8. O Senhor Jesus precisa da Igreja para representá-IO neste mundo. .......
9. O Senhor Jesus ainda não é vitorioso porque alguns dos Seus inimigos ainda
não estão sujeitos a Ele. .~~.
10. A nossa atitude para com o nosso semelhante é mais importante do que
qualquer outra relação. .~~
• • • ••
PROVA N5 5, REFERENTE ÀS LIÇÕES 9 E 10
Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. A graça de Deus é:
A) A Sua tolerância para com o pecado.
B) O amor imerecido.
C) Auxílio para o fraco. .—.«
2. A salvação eterna pela graça de Deus é para aquele que:
A) Diz que é crente.
B) é membro de uma igreja.
C) Crê em Cristo. '
3. Efésios 2.6 a 10 ensina que uma pessoa é salva:
A) Somente pela graça de Deus.
B) Pela graça e pelas obras.
C) Se perseverar até o fim. ™~.
4. Agora, pela morte do Senhor Jesus, a salvação é oferecida:
A) Somente aos judeus.
B) A todos, sem exceção.
C) Somente aos escolhidos de Deus. «.._
5. O impedimento para a união entre o judeu e o gentio era:
A) Os fdolos.
B) As leis e ordenanças.
C) A diferença entre a cultura do judeu e a do gentio. .__
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado. ..__.
7. O pensamento de que é necessário fazer alguma cousa para conseguir a sal-
vação ajuda muito. ..—
8. A salvação originou-se no coração de Deus e não houve nenhuma iniciativa da
parte do homem. ......
9. O véu de separação no templo indicava a separação entre o judeu e o gentio
na adoração. .~~.
10. Em o Novo Testamento, as nações dos gentios também adoravam o Deus
verdadeiro.
- 4-
PROVA N* 6, REFERENTE ÀS LIÇÕES 11 E 12
Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. A figura da Igreja mais usada em o Novo Testamento é:
A) O edifício.
B) A família.
C) O santuário.
2. No dia de Pentecoste:
A) Não havia o Novo Testamento.
B) Faltavam somente as epístolas do apóstolo Paulo.
C) Havia o Novo Testamento completo.
3. O apóstolo Paulo encontrava-se na prisão:
A) Pelo seu amor aos gentios.
B) Pelo fanatismo dos judeus.
C) Pelo decreto de César.
4. A palavra grega "mysterion" traduzida "mistério" significa:
A) Um segredo divino.
B) Uma verdade incompreensível.
C) Algo oculto. „..„.
5. A dispensação da graça de Deus significa:
A) Que, uma vez salva, a pessoa pode fazer o que quiser.
B) Que Deus começou uma nova época de administração do mundo.
C) Que agora Deus age em amor, mas sem justiça. .......
Coloque na linha â direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. No período da graça de Deus, a atuaçáo do Espírito Santo é a mesma que no
Velho Testamento. .......
7. A época da graça de Deus é a da maior revelação de Deus, na Pessoa de Jesus
Cristo. .......
8. O apóstolo Paulo foi escolhido por Deus para definir e expor as doutrinas da
graça de Deus. ......
9. Há incoerência entre o fundamento do ensino dos apóstolos e profetas e o
único fundamento que é Jesus Cristo. ^.^
10. No fim da Bíblia (Apocalipse 22.19 e 20), há um aviso solene aos que acres-
centam ou tiram palavras da Bíblia.

PROVA N2 7, REFERENTE ÀS LIÇÕES 13 E 14


Escreva A, B ou C â direita da afirmação que você achar mais correta.
1. Para desempenhar a sua missão, o apóstolo Paulo recebeu:
AJA graça de Deus.
B) O poder e a graça de Deus.
C) Somente o poder de Deus.
2. Pela frase "as insondáveis riquezas de Cristo" devemos entender que:
-5-
A) São inesgotáveis.
B) Não devem ser procuradas.
C) Não podem ser achadas. ~~~.
3. Lemos que Barnabé alegrou-se quando:
A) Voltou à sua terra natal.
B) Viu a conversão dos gentios em Antioquia.
C) Quando Marcos resolveu acompanhá-lo na sua segunda viagem mis-
sionária. ».—•
4. Ajoelhar-se em oração, para os judeus, indicava a atitude de:
A) Abandono na presença de Deus.
8) Submissão à vontade de Deus.
C) Esperança da resposta de Deus. .......
5. A largura do amor de Cristo ensina que o amor de Cristo:
A) Pode alcançar qualquer pessoa.
B) É maior do que qualquer outro amor.
C) Não tem fim. .......
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. O apóstolo Paulo, ao pensar no grande privilégio de pregar o Evangelho de
Cristo, sentiu-se um grande homerrL .....~
7. É um grande privilégio ser membro do Corpo de Ci icto- .......
8. A frase "a graça de Deus" só tem um sentido. .......
9. Nenhuma comunidade humana se assemelha à Igreja de Cristo. .......
10. Há duas palavras que são traduzidas "habitar" em o Novo Testamento por-
tuguês.

PROVA N2 8, REFERENTE ÀS LIÇÕES 15 E 16


Escreva A, B ou C à direita da afirmação que -você achar mais correta.
1. A unidade do Espírito é:
A) Uma confederação de igrejas evangélicas.
B) Uma união externa e visível.
C) Uma união espiritual de cada membro do Corpo de Cristo. .......
2. O dever de cada membro é:
A) Preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
B) Esforçar-se para unir as igrejas.
C) Apoiar uma organização para controlar as igrejas. —....
3. O Novo Testamento ensina que:
A) O Pai, o Filho e o Espírito Santo habitam no crente em Cristo.
B) No crente habita somente o Espírito Santo.
C) Somente o Senhor Jesus e o Espírito Santo habitam no crente. ........
4. Os dons de sinais e de curas não se encontram na lista de dons de Efésios 4.1 1
porque:
A) Paulo esqueceu-se deles.
6) Não valia a pena fazer menção deles.
C) Tinham cessado quando Paulo escreveu a carta aos Efésios. -~«.
5. A vocação do cristão é:
A) Celestial.
B) Representar Cristo no mundo.
C) A e B estão certas. —~~
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. Os apóstolos e profetas não se encontram hoje na igreja porque a obra do
fundamento já foi feita. »».«
7. Estêvão, em o Novo Testamento, é chamado de evangelista. .......
8. O manso é considerado como forte pelo mundo. *^~
9. A obra do Espírito Santo terminou com a formação da Igreja. ^.^.
10. Não existe um membro da igreja, por mais insignificante que seja, que Deus
não possa usar no Seu serviço. .......

PROVA N2 9, REFERENTE ÀS LIÇÕES 17 E 18


Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você.achar mais correta.
1. Os que precisam de aperfeiçoamento espiritual são:
A) Todos os crentes.
B) Os recém convertidos.
C) Os imaturos. ...
2. O crente imaturo é comparado a:
A) Um nené dormindo.
. B) Um menino e um barquinho levado pelas ondas.
C) Um anão ou um homem de pouco crescimento. ..
3. Podemos crescer na vida espiritual:
A) Assistindo às reuniões.
B) Sempre procedendo bem.
C) Seguindo a verdade em amor. ....
4. Os dons foram concedidos à Igreja para:
A) Preparar homens para tomar conta da Igreja.
B) Para a Igreja poder crescer em número de membros.
C) O aperfeiçoamento espiritual de cada membro.
5. Quando Paulo falou do "velho homem" em Efésios 4, referiu-se a:
A) Um homem idoso.
B) A antiga maneira de viver antes da conversão.
C) A natureza humana. _««.
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.

-7-
6. O apóstolo Paulo, em virtude do seu grande conhecimento, não precisava
progredir mais no conhecimento de Cristo. ...™
7. O crente que não cresce na vida cristã fica sem discernimento, sem experiên-
cia e sem estabilidade. ...~~
8. O nome "gentio" inclui todos os povos do mundo menos os judeus. .......
9. Os pagãos sentiram vergonha quando se entregaram voluntariamente ao pe-
cado.
10. O novo homem é criado segundo Deus em justiça e retidão procedentes da
verdade. •••••••

PROVA N2 10, REFERENTE ÀS LIÇÕES 19 E 20


Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. O selo do Espírito Santo significa:
A) Que a pessoa selada não entristeceu o Espírito Santo.
B) Que é uma marca de propriedade, indicando segurança e é a garantia
que a pessoa selada pertence a Deus.
C) Que nem todos os crentes serão selados. .......
2. O que entristece o Espírito Santo é:
A) Amargura, cólera e ira.
B) Gritaria, blasfémias e toda malícia.
C) A e B estão correias. .......
3. Para poder andar em amor devemos:
A) Esforçar-nos para amar a todos.
B) Seguir o exemplo de Cristo.
C) Apreciar tudo que é bom. ........
4. Como filho da luz, o crente deve:
A) Revelar o amor de Deus.
B) Ter uma vida e uma conversa morais.
C) Andar em comunhão com os irmãos.
5. Andar na luz e em amor revela:
A) Que Deus procura o bem da humanidade.
B) Que são dois aspectos do caráter de Deus e devemos imitá-IO.
C) Que são dois caminhos diferentes. .......
Coloque na linha â direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. O avarento não pode ser comparado com uma pessoa imoral. .......
7. Andar como filho da luz importa em uma conversa e uma vida imorais. .......
8. Quando alguém nos ofende, é bom guardar rancor em nosso coração ........
9. O mentiroso não é de confiança. .......
10. A contaminação pode ser por doenças, mas não por conversas indecentes.

-8-
PROVA N? 11, REFERENTE AS LIÇÕES 21 E 22
Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. Andar prudentemente importa no uso sábio do tempo. Por que?
A) Temos uma só vida, que depressa passará. Somente o que é feito para
Cristo durará.
B) O tempo é dinheiro.
C) Temos de alcançar os nossos objetivos na vida. .......
2. A razão dada por Paulo porque devemos remir o tempo:
A) É tolice não aproveitar o tempo.
B) Os dias são maus.
C) Oportunidades perdidas não voltam. ......
3. O essencial para remir o tempo é:
A) Procurar melhorar a vida.
B) Procurar ajudar aos outros.
C) Conhecer a vontade do Senhor. „.._.
4. As três palavras que devemos observar na vida do lar são:
A) Superioridade, autoridade e desigualdade.
B) Autoridade, superioridade e dignidade.
C) Autoridade, igualdade e dignidade. .......
5. A Igreja que o Senhor Jesus apresentará a Si mesmo será:
A) Gloriosa, mas dividida.
B) Gloriosa e sem ruga.
C) Santa e com defeito. TO....

Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou


"F" se a afirmação for Falsa.
6. A maneira como gastamos a nossa vida é um testemunho para o mundo
7. Não era difícil no tempo de Paulo remir o tempo, mas hoje em dia é difícil.

8. Não temos de sacrificar nada para remir o tempo.


9. O Novo Testamento somente apresenta a santificação como um processo.

10. Os maridos devem seguir o exemplo de Cristo para com a Sua Igreja -.

PROVA N2 12, REFERENTE ÀS LIÇÕES 23 E 24


Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correta.
1. O apóstolo Paulo citou o quinto mandamento em o Novo Testamento porque:
A) Todos os seres humanos estão debaixo da Lei.
B) O ensino moral da Lei é para todos os tempos.
C) A Lei é nosso guia. .„„_
2. O quinto mandamento do Decálogo é:
A) O único mandamento com promessa no Velho Testamento.
B) O único mandamento com promessa no Decálogo.
C) O único mandamento com promessa. .......
- 9-
3. Provocar os filhos à ira:
A) Não há exemplo disto no Velho Testamento.
B) É melhor do que a "disciplina do Senhor".
C) A e B não estão certos. ........
4. A nossa luta espiritual é contra:
A) Satanás e os seus demónios.
B) Religiões falsas.
C) Homens maus e perversos. .......
5. Podemos vencer o inimigo espiritual:
A) Pelo poder de Deus.
B) Por nós mesmos.
C) Pelo poder de Deus e pela armadura de Deus. .......
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. Não podemos conhecer as ciladas do diabo porque ele é muito astuto ........
7. O espirito perdoador é uma cilada. .......
8. Os israelitas, saindo do Egito, caíram nas tentações da cobiça, imoralidade e
descontentamento. .......
9. A nossa luta espiritual é travada na esfera espiritual contra as forças do mal.
• ••••M

10. Satanás faz mais estrago quando ele aparece como leão do que quando
aparece como lobo disfarçado de ovelha. .......

PROVA N2 13, REFERENTE ÀS LIÇÕES 25 E 26


Escreva A, B ou C à direita da afirmação que você achar mais correia.
1. Lemos no Velho Testamento e em nossa lição que quem apanhou o inimigo
de surpresa foi:
A) Sansão.
B) Abraão.
C) Salomão. .......
2. Em Efésios 5.16, o "dia mau" se refere:
A) A uma tempestade em alto mar.
B) À tentação e ao golpe satânico.
C) A dias muito difíceis. .......
3. Para o crente, o que é essencial na luta espiritual é:
A) Coragem.
B) Ficar firme.
C) A vontade de lutar. ........
4. Para nos proteger contra as acusações de Satanás precisamos da couraça de:
A) Um relacionamento correto com Deus.
B) Uma vida sem embaraços.
C) Uma vida sem pecado. ------
- 10-
5. A peça da armadura que significa prontidão para evangelizar é:
A) O cinto.
BI Q calçado.
C) A espada.
Coloque na linha à direita a letra "V" se a afirmação for Verdadeira ou
"F" se a afirmação for Falsa.
6. O capacete da justiça também significa a esperança da salvação. .^..
7. A arma que o Senhor Jesus manejou contra Satanás na tentação no deserto
foi a couraça. __.
8. Outro recurso que deve acompanhar a espada do Espirito é o escudo. ~~~.
9. As duas qualidades de Tfquico eram fé e coragem. .^.«.
10. Satanás e as suas hostes são chamados "os dominadores deste mundo tene-
broso". _^.

POR FAVOR, ESCREVA SEU NOME E ENDEREÇO COM LETRAS DE FORMA:

NOME: i ,

ENDEREÇO:

REMETA AS PROVAS PARA:

Curso Bíblico
"Alfa e Ômecia"
C.P. 3033
06210-990 Ososco - SP
Fone: (011)869-3526

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