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Química Geral

Prof.ª Renata Joaquim Ferraz Bianco

2016
Copyright © UNIASSELVI 2016

Elaboração:
Prof.ª Renata Joaquim Ferraz Bianco

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

540
B578q Bianco; Renata Joaquim Ferraz
Química geral/ Renata Joaquim Ferraz Bianco: UNIASSELVI, 2016.

171 p. : il.

ISBN 978-85-7830-961-9

1. Química.
I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

Impresso por:
Apresentação
Caro(a) acadêmico(a), neste momento você está iniciando o estudo da
disciplina de Química Geral, que tem como objetivo construir conhecimentos
gerais teóricos e práticos de química em sua totalidade, bem como associar
sua importância e aplicação em outras áreas e disciplinas. Seja bem-vindo(a)!

Eu sou a professora Renata J. Ferraz Bianco, mestre em Química e


leciono há mais de dez anos esta disciplina em nível médio e superior. É com
grande satisfação que escrevo este Caderno de Estudos com o intuito de que
você, caro(a) acadêmico(a), aproxime-se desta disciplina e perceba o quanto
o seu estudo é indispensável na escolha de novos produtos, atualmente
chamados de produtos inteligentes, e de processos.

Minha meta, como professora de química, é através deste Caderno


de Estudos despertar seu interesse pela disciplina e pela pesquisa científica,
preparando-o(a) para uma formação profissional promissora e concreta.

A química é a ciência que estuda a composição, interação e


transformação da matéria. Desta forma, sua aplicação é muito vasta, não há
um segmento em que ela não se encontre. Podemos citar a química têxtil,
de alimentos, farmacêutica, metalúrgica, nanotecnologia, entre outras. Seu
conhecimento é de extrema importância para o desenvolvimento científico
e tecnológico da sociedade como um todo. Atualmente, um dos maiores
desafios da química é melhorar a qualidade de vida das pessoas com a síntese
de novos produtos de forma sustentável, ou seja, com o foco nos setores
econômico, social e ecológico. Assim, com o intuito de criar um conhecimento
básico sobre essa ciência tão fascinante, os estudos de Química Geral, neste
caderno, serão divididos em três unidades.

Na Unidade 1, estudaremos a estrutura atômica que aborda as


unidades fundamentais da matéria. Primeiramente, faremos um estudo sobre
a definição de matéria, do átomo e dos modelos atômicos. Estudaremos a
Tabela Periódica, que dispõe de forma organizada os elementos químicos
e suas propriedades periódicas e aperiódicas. Em seguida, conheceremos a
formação das moléculas através das ligações químicas. Com esses estudos,
você será capaz de identificar a química em seu cotidiano.

Na Unidade 2 iremos conhecer as funções inorgânicas da química. Essa


unidade mostrará as características químicas dos produtos que utilizamos em
nosso dia a dia, afinal as funções inorgânicas englobam os ácidos, as bases ou
hidróxidos, os sais e os óxidos.

III
A Unidade 3 contempla assuntos relacionados às quatro tipologias de
reações químicas, aos cálculos químicos e aos cálculos, e interpretações da
concentração das soluções químicas. Com o estudo dessa essa unidade, você
será capaz de planejar processos econômicos para uma produção industrial,
entender as informações que deverão estar impressas nos rótulos dos produtos
alimentícios vendidos em supermercados, por exemplo.

O conteúdo desse Caderno de Estudos servirá a você, acadêmico(a),


como ferramenta para a compreensão dos princípios que norteiam a Química,
contribuindo assim, para uma melhor qualidade de vida da humanidade. Ainda
com os conteúdos desse caderno, caro(a) acadêmico(a), você terá conhecimentos
básicos de química, suficientes para aplicá-los em dia a dia e no meio em
que vive. Forme-se um profissional consciente em relação aos produtos e às
atividades que desenvolve e que consome, sempre focado no futuro da do meio
ambiente e da humanidade.

Profª. Renata Joaquim Ferraz Bianco

UNI

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades
em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
UNI

Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos


materiais ofertados a você e dinamizar ainda
mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza
materiais que possuem o código QR Code, que
é um código que permite que você acesse um
conteúdo interativo relacionado ao tema que
você está estudando. Para utilizar essa ferramenta,
acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor
de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa
facilidade para aprimorar seus estudos!

V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – ESTRUTURA ATÔMICA ............................................................................................ 1

TÓPICO 1 – MODELOS ATÔMICOS ................................................................................................. 3


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 OS QUATRO MODELOS ATÔMICOS ........................................................................................... 4
2.1 O MODELO ATÔMICO DE JOHN DALTON . ........................................................................... 5
2.2 O MODELO ATÔMICO DE JOSEPH JOHN THOMSON ......................................................... 6
2.3 O MODELO ATÔMICO DE ERNEST RUTHERFORD .............................................................. 7
2.4 O MODELO ATÔMICO DE NIELS BOHR – TEORIA ATÔMICA ATUAL . .......................... 8
3 A MATÉRIA ........................................................................................................................................... 9
3.1 DEFINIÇÃO DE ELEMENTO QUÍMICO . .................................................................................. 10
3.2.1 Íons ............................................................................................................................................... 11
3.2 AS SEMELHANÇAS ATÔMICAS . ............................................................................................... 12
3.2.1 Isótopos . ...................................................................................................................................... 13
3.2.2 Isóbaros . ...................................................................................................................................... 14
3.2.3 Isótonos . ...................................................................................................................................... 14
3.2.4 Isoeletrônicos .............................................................................................................................. 14
3.3 O DIAGRAMA DE LINUS PAULING E A DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA ......................... 15
3.4 OS NÚMEROS QUÂNTICOS ........................................................................................................ 17
3.4.1 Número quântico principal (n) ................................................................................................ 17
3.4.2 Número quântico secundário (l) .............................................................................................. 17
3.4.3 Orbitais atômicos . ...................................................................................................................... 18
3.4.4 Número quântico magnético ou azimutal (ml) ..................................................................... 19
3.4.5 Número quântico de Spin (ms) ................................................................................................ 19
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 22
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 23

TÓPICO 2 – TABELA PERIÓDICA ...................................................................................................... 25


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 25
2 A ORGANIZAÇÃO DOS ELEMENTOS QUÍMICOS NA TABELA PERIÓDICA ................. 26
2.1 PERÍODOS DA TABELA PERIÓDICA . ....................................................................................... 27
2.2 FAMÍLIAS OU GRUPOS ................................................................................................................ 28
2.3 METAIS, SEMIMETAIS E NÃO METAIS . ................................................................................... 29
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 30
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 31

TÓPICO 3 – LIGAÇÕES QUÍMICAS .................................................................................................. 33


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 33
2 LIGAÇÕES QUÍMICAS ...................................................................................................................... 33
3 AS LIGAÇÕES IÔNICAS ................................................................................................................... 35
4 AS LIGAÇÕES COVALENTES OU MOLECULARES .................................................................. 37
5 A OCORRÊNCIA DAS LIGAÇÕES COVALENTES OU MOLECULARES ............................. 38
5.1 A LIGAÇÃO COVALENTE COORDENADA DATIVA ............................................................ 39
6 A LIGAÇÃO METÁLICA .................................................................................................................... 41

VII
6.1 AS LIGAS METÁLICAS . ................................................................................................................ 42
7 GEOMETRIA E POLARIDADE DAS MOLÉCULAS ................................................................... 43
7.1 POLARIDADE ................................................................................................................................. 45
7.1.1 Polaridade Molecular ................................................................................................................ 46
7.1.2 A polaridade e a solubilidade .................................................................................................. 47
8 FORÇAS INTERMOLECULARES .................................................................................................... 47
8.1 FORÇAS DE VAN DER WAALS ................................................................................................... 48
8.2 DIPOLO-DIPOLO OU DIPOLO INSTANTÂNEO ..................................................................... 48
8.3 PONTES DE HIDROGÊNIO OU LIGAÇÕES DE HIDROGÊNIO . ......................................... 49
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 50
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 52
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 54

UNIDADE 2 – FUNÇÕES INORGÂNICAS ....................................................................................... 55

TÓPICO 1 – ÁCIDOS .............................................................................................................................. 57


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 57
2 NÚMERO DE OXIDAÇÃO (NOX) – CARGA DOS ÍONS .......................................................... 57
2.1 DETERMINAÇÃO DO NOX (NÚMERO DE OXIDAÇÃO) ..................................................... 59
2.2 IONIZAÇÃO E DISSOCIAÇÃO . ................................................................................................. 61
2.3 GRAU DE IONIZAÇÃO ( a ) ......................................................................................................... 62
3 ÁCIDOS .................................................................................................................................................. 63
3.1 DEFINIÇÃO SEGUNDO ARRHENIUS ....................................................................................... 65
3.2 CLASSIFICAÇÃO . .......................................................................................................................... 66
3.2.1 Quanto ao número de elementos diferentes .......................................................................... 66
3.2.2 Quanto ao número de hidrogênios ionizáveis . ..................................................................... 67
3.2.3 Quanto à presença de oxigênio ................................................................................................ 67
3.2.4 Quanto à força ............................................................................................................................ 67
3.3 NOMENCLATURA DOS ÁCIDOS ............................................................................................... 69
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 74
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 75

TÓPICO 2 – BASES OU HIDRÓXIDOS ............................................................................................. 77


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 77
2 DEFINIÇÃO DAS BASES OU HIDRÓXIDOS SEGUNDO ARRHENIUS .............................. 78
2.1 CLASSIFICAÇÃO DAS BASES OU HIDRÓXIDOS ................................................................... 79
2.1.1 Quanto ao número de hidroxilas (oh-1) ................................................................................. 79
2.1.2 Quanto à solubilidade em água ............................................................................................... 79
2.1.3 Quanto à força ............................................................................................................................ 79
3 NOMENCLATURA DAS BASES OU HIDRÓXIDOS .................................................................. 82
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 84
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 85

TÓPICO 3 – SAIS ..................................................................................................................................... 87


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 87
2 DEFINIÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS SAIS .................................................................................... 87
3 REAÇÕES DE NEUTRALIZAÇÃO ................................................................................................... 88
3.1 REAÇÕES DE NEUTRALIZAÇÃO TOTAL E PARCIAL . ........................................................ 88
4 NOMENCLATURA DOS SAIS .......................................................................................................... 89
5 PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS DOS SAIS ....................................................................... 90
6 SAIS DUPLOS OU MISTOS .............................................................................................................. 91
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 93
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 94

VIII
TÓPICO 4 – ÓXIDOS .............................................................................................................................. 95
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 95
2 DEFINIÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS ÓXIDOS ............................................................................. 95
3 CLASSIFICAÇÃO ................................................................................................................................. 96
3.1 ÓXIDOS BÁSICOS . ......................................................................................................................... 96
3.1.1 Óxidos ácidos ou anidridos ...................................................................................................... 97
3.2 NOMENCLATURA DOS ÓXIDOS .............................................................................................. 98
3.3 ÓXIDOS ANFÓTEROS ................................................................................................................... 99
3.4 ÓXIDOS INDIFERENTES OU NEUTROS ................................................................................... 99
3.5 ÓXIDOS DUPLOS, MISTOS OU SALINOS . ............................................................................... 100
3.6 PERÓXIDOS ..................................................................................................................................... 100
3.7 POLIÓXIDOS OU SUPERÓXIDOS ............................................................................................... 101
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 102
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 104
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 105

UNIDADE 3 – FÍSICO-QUÍMICA ....................................................................................................... 107

TÓPICO 1 – REAÇÕES QUÍMICAS .................................................................................................... 109


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 109
2 CLASSIFICAÇÃO DAS REAÇÕES QUÍMICAS ........................................................................... 112
3 CONDIÇÕES PARA OCORRÊNCIA DE REAÇÕES DE SIMPLES TROCA
E DUPLA TROCA ................................................................................................................................. 113
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 116
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 120
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 121

TÓPICO 2 – GRANDEZAS QUÍMICAS ............................................................................................. 123


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 123
2 UNIDADE DE MASSA ATÔMICA .................................................................................................. 123
3 MASSA ATÔMICA DE UM ÁTOMO .............................................................................................. 124
3.1 MASSA ATÔMICA DE UM ELEMENTO QUÍMICO ................................................................ 124
4 MASSA MOLECULAR OU MASSA MOLAR (MM ou M) ......................................................... 125
5 MOL: QUANTIDADE DE MATÉRIA .............................................................................................. 126
6 NÚMERO DE AVOGADRO OU CONSTANTE DE AVOGADRO ............................................ 128
7 MASSA MOLAR OU MASSA MOLECULAR ................................................................................ 129
7.1 MASSA MOLAR OU MASSA MOLECULAR DE UMA SUBSTÂNCIA ................................ 129
8 VOLUME MOLAR ............................................................................................................................... 129
9 CÁLCULO ESTEQUIOMÉTRICO .................................................................................................... 130
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 133
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 134

TÓPICO 3 – DISPERSÕES ..................................................................................................................... 135


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 135
2 CLASSIFICAÇÃO DAS DISPERSÕES ............................................................................................ 135
3 ESTUDO DAS SOLUÇÕES ................................................................................................................ 135
3.1 MISTURAS HETEROGÊNEAS . .................................................................................................... 136
3.2 MISTURAS HOMOGÊNEAS . ....................................................................................................... 136
4 CLASSIFICAÇÃO DAS SOLUÇÕES ............................................................................................... 136
4.1 DE ACORDO COM O ESTADO FÍSICO DA SOLUÇÃO . ........................................................ 136
4.2 DE ACORDO COM A NATUREZA DO SOLUTO ..................................................................... 137
4.3 DE ACORDO COM A SOLUBILIDADE DO SOLUTO ............................................................. 137

IX
5 CONCENTRAÇÃO DAS SOLUÇÕES ............................................................................................. 138
5.1 TÍTULO EM MASSA (T) . ............................................................................................................... 141
5.2 RELAÇÃO ENTRE CONCENTRAÇÃO COMUM, DENSIDADE E TÍTULO ....................... 143
5.3 CONCENTRAÇÃO MOLAR ......................................................................................................... 144
5.4 RELAÇÃO ENTRE CONCENTRAÇÃO COMUM E CONCENTRAÇÃO MOLAR ............ 144
5.5 FRAÇÃO MOLAR ........................................................................................................................... 146
5.6 CONCENTRAÇÃO MOLAL (W) ................................................................................................. 148
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 150
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 151

TÓPICO 4 – DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES E MISTURA DE SOLUÇÕES ..................................... 153


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 153
2 MISTURA DE SOLUÇÕES ................................................................................................................. 155
2.1 MISTURA DE SOLUÇÕES QUE APRESENTAM O MESMO SOLUTO E O
MESMO SOLVENTE ....................................................................................................................... 155
2.2 ANÁLISE VOLUMÉTRICA: TITULOMETRIA OU TITULAÇÃO .......................................... 157
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 162
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 165
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 166
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 167

X
UNIDADE 1

ESTRUTURA ATÔMICA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:

• identificar os modelos atômicos e as unidades fundamentais da matéria;

• reconhecer a organização atual dos elementos químicos na tabela


periódica;

• utilizar o Diagrama de Linus Pauling; identificar o número de elétrons


da camada de valência dos elementos químicos e os quatro números
quânticos;

• estudar a estabilidade química dos elementos químicos através da Regra


do Octeto e de suas exceções;

• diferenciar e realizar as ligações iônicas, ligações covalentes ou moleculares


e as ligações metálicas.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. Em cada um deles você encontrará
atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.

TÓPICO 1 – MODELOS ATÔMICOS

TÓPICO 2 – TABELA PERIÓDICA

TÓPICO 3 – LIGAÇÕES QUÍMICAS

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

ESTRUTURA ATÔMICA

1 INTRODUÇÃO
Olá, caro acadêmico! Iremos iniciar o estudo da estrutura atômica, ou seja,
estudaremos a estrutura do átomo. Afinal, você já deve ter ouvido falar em átomo,
correto? E você sabe o que é um átomo? Então, convido-o a estudá-lo a partir de
agora.

Desde os primórdios o homem tentava entender a origem da vida, a relação


entre o homem e o seu meio e as transformações ocorridas na natureza. Povos da
antiguidade criaram mitos e lendas sobre deuses e figuras sobrenaturais. Com isso
explicavam a origem do mundo, do fogo, da água, dos alimentos etc.

Foi na Grécia, no século V a.C., que surgiram as primeiras tentativas de


se entender os fenômenos da natureza desvinculados de forças sobrenaturais ou
religiosas.

Empédocles, um filósofo grego, idealizou a explicação da constituição da


matéria. Para ele, a matéria era constituída por quatro elementos primários: o fogo,
o ar, a água e a terra. Tais elementos sofriam constantes mudanças, porém eram
indestrutíveis.

Em seguida, Aristóteles divulgou sua ideia de que esses quatro elementos


poderiam ser diferenciados através de suas propriedades:

• A terra seria fria e seca;


• A água seria fria e úmida;
• O fogo seria quente e seco;
• O ar seria quente e úmido.

3
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

FIGURA 1 – OS QUATRO ELEMENTOS VITAIS: TERRA, ÁGUA, AR E FOGO

FONTE: <https://lh4.googleusercontent.com/-B5LZph5Ghd0/TWj3BVoiTqI/AAAAAAAAB8Y/
nq0EDmroH7w/s1600/imagesCA2FH22G.jpg>. Acesso em: 21 jan. 2016.

Assim, uma substância poderia ser transformada em outra, apenas


alterando suas propriedades. Ex.: a chuva era resultado do resfriamento do ar
quente e úmido.

Porém, por volta de 400 a.C., os filósofos Leucipo e Demócrito divulgaram


que a matéria seria formada por pequenas partículas indivisíveis, que seriam: os
átomos.

A alquimia foi muito importante para o desenvolvimento da química.


Os alquimistas criaram equipamentos de laboratório e desenvolveram várias
metodologias para a obtenção de metais, na produção de papiros, sabões e de
funções inorgânicas, como: o ácido sulfúrico, o ácido nítrico, o hidróxido de sódio
e o hidróxido de potássio.

CHYMIA = fundir, moldar. Origem grega.


KHEMEIA = terra ou país. Origem egípcia.

Atualmente, com o avanço da tecnologia, podemos comparar os químicos


com os antigos alquimistas.

2 OS QUATRO MODELOS ATÔMICOS


Como vimos anteriormente, no século V a.C., Demócrito e Leucipo
acreditavam que a matéria era constituída por pequenas partículas indivisíveis,
os átomos. Porém, em 1808, John Dalton retomou essa ideia através de sua teoria
atômica, sugerindo que os átomos eram esferas maciças (rígidas) e indivisíveis.
No final do século passado, muitos cientistas desenvolveram vários experimentos

4
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

para demonstrar que os átomos são constituídos por partículas ainda menores,
subatômicas. (USBERCO; SALVADOR, 2006).

Modelo atômico é uma representação gráfica que procura explicar, de


maneira científica, os fenômenos relacionados à composição da matéria e suas
formas. Um modelo atômico tem como função explicar a estrutura microscópica
da matéria.

2.1 O MODELO ATÔMICO DE JOHN DALTON


O cientista inglês John Dalton (1766-1844) propôs, em meados de 1800, o
modelo conhecido como Teoria Atômica de Dalton:

• A matéria é constituída por pequenas partículas esféricas maciças e indivisíveis,


denominadas átomos;
• Elemento químico é a junção de átomos com a mesma massa, tamanho e as
mesmas propriedades;
• Elementos químicos diferentes possuem propriedades diferentes, tais como
tamanho e massa;
• A combinação de átomos de elementos diferentes forma substâncias diferentes;
• Durante uma reação química os átomos não são criados, nem destruídos, são
reorganizados, formando novas substâncias.

John Dalton ficou conhecido como o “Pai da Teoria Atômica” e o seu modelo
ficou conhecido conforme a Figura 2:

FIGURA 2 - MODELO ATÔMICO DE JOHN DALTON

Modelos Atômicos

• Baseado nas "Leis Ponderais" (1808)

→ Esfera maciça;
→ Indivisível;
→ Indestrutível;
→ Imperecível;
→ Sem carga elétrica.
"Bola de Bilhar" John Dalton

FONTE: <http://image.slidesharecdn.com/apresentaomodelosatmicos-elenice120323132857-
phpapp02/95/apresentao-modelos-atmicos-elenice-6-728.jpg?cb=1332509716.>. Acesso em: 21 jan. 2016.

5
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

2.2 O MODELO ATÔMICO DE JOSEPH JOHN THOMSON


Joseph John Thomson (1856-1940), no final de 1800, conseguiu demonstrar
que o átomo não era divisível, utilizando uma aparelhagem denominada tubo de
raios catódicos. Com base nas evidências deste experimento, Joseph John Thomson
concluiu que:

• Os raios eram partículas (corpúsculos) menores que os átomos;


• Os raios apresentavam carga elétrica negativa, denominadas elétrons;
• O átomo era uma esfera maciça, positiva, incrustada de elétrons (carga negativa),
de modo que a carga total fosse nula;
• Em sua totalidade, o átomo seria eletricamente neutro.

DICAS

Para obter maiores informações sobre o experimento de Joseph John Thomson


com o Tubo de Raios Catódicos, consulte a referência: USBERCO, João; SALVADOR, Edgar.
Química. 5. ed. vol. único. São Paulo: Saraiva, 2006.

O modelo atômico de Joseph John Thomson ficou conhecido conforme a


Figura 3 ou “Pudim de Passas”.

FIGURA 3 - MODELO ATÔMICO DE THOMSON

FONTE: <https://goo.gl/EoY21V>. Acesso em: 21 jan. 2016.

6
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

2.3 O MODELO ATÔMICO DE ERNEST RUTHERFORD


Ernest Rutherford (1871-1937), em 1904, ao realizar um experimento
com gás hidrogênio (H2), detectou a presença de partículas com cargas elétricas
positivas ainda menores, as quais ele denominou prótons (p).

Ele propôs que o átomo seria constituído no centro por um núcleo positivo
que continha a massa e os nêutrons do átomo. A região fora do núcleo, chamada
de eletrosfera, deveria ser ocupada pelos elétrons de carga negativa, orbitando ao
redor do núcleo.

Este modelo lembrava um sistema solar, conhecido como modelo planetário,


representado pela Figura 4.

FIGURA 4 - MODELO ATÔMICO DE RUTHERFORD

núcleo
eletrosfera
ou coroa

elétron

FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/wp-content/


uploads/2009/08/1 db74253cba.jpg.>. Acesso em: 21 jan. 2016.

DICAS

Saiba mais sobre a experiência de Ernest Rutherford utilizando material radioativo


e uma finíssima lâmina de ouro para verificar se os átomos eram maciços, em: REIS, Martha.
Completamente Química: Química Geral. São Paulo: FDT, 2001.

7
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

2.4 O MODELO ATÔMICO DE NIELS BOHR – TEORIA


ATÔMICA ATUAL
Niels Bohr (1885-1962) desenvolveu um modelo atômico partindo dos
seguintes postulados:

• Os elétrons movimentam-se em órbitas circulares ao redor do núcleo do átomo;


• Cada órbita possui energia constante, estacionária. Os elétrons que estiverem
nas órbitas mais afastadas do núcleo serão mais energéticos;
• Absorvendo certa quantidade de energia, o elétron salta para uma órbita mais
energética. Voltando à sua órbita original, perde a mesma quantidade de energia,
na forma de luz (ondas eletromagnéticas);
• O núcleo é positivo e as órbitas são regiões específicas disponíveis para acomodar
os elétrons, de carga negativa, as chamadas camadas eletrônicas ou níveis de
energia;
• Cada camada eletrônica ou nível de energia foi representado por uma letra: K,
L, M, N, O, P e Q, recebendo um número quântico principal (n): 1, 2, 3, 4, 5, 6 e
7, respectivamente;
• Cada camada eletrônica ou nível de energia comporta um número máximo de
elétrons, conforme a figura a seguir:

FIGURA 5 - NÚMERO MÁXIMO DE ELÉTRONS POR CAMADA ELETRÔNICA OU NÍVEL


DE ENERGIA

1 K 1s 2
2 L 2s 2p 8
3 M 3s 3p 3d 18
4 N 4s 4p 4d 4f 32
5 O 5s 5p 5d 5f 32
6 P 6s 6p 6d 18
7 Q 7s 7p 8v

FONTE: Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/upload/conteudo/images/


diagrama-de-pauling.jpg.>. Acesso em: 22 jan. 2016.

8
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

Obs.: A camada eletrônica ou nível de energia mais afastada do núcleo é a


mais energética e recebe o nome de Camada de Valência (CV), vide Figura 6.

FIGURA 6 - CRESCIMENTO DA ENERGIA NAS CAMADAS ELETRÔNICAS OU NÍVEIS DE


ENERGIA

FONTE: Disponível em: <http://crv.sistti.com.br/sistema_crv_dotnet/banco_objetos_


crv/%7B43F24AD0-8576-4F99-B6FE-FE558D94B194%7D_1306.gif.>. Acesso em: 22 jan. 2016.

3 A MATÉRIA
A matéria é definida como tudo o que possui massa, volume e ocupa
lugar no espaço. Se olharmos ao nosso redor, perceberemos que estamos cercados
de matéria, como árvores, carros, ar, alimentos, água etc. Porém, devemos ter o
cuidado para não confundir energia com matéria. Energia não pode ser considerada
como matéria, pois não ocupa lugar no espaço. Existem vários tipos de energia,
como solar, elétrica, cinética, sonora, mecânica etc. Sendo assim, energia é uma
transformação, realização de trabalho.

Toda matéria é formada por átomos, e estes são definidos como as menores
partículas que constituem a matéria. Ao se definir a composição de um material ou
substâncias, consegue-se identificar quais os átomos que a formam, ou seja, quais
os elementos químicos que estão presentes.

Exemplo: A água do mar é composta principalmente por sais como cloreto


de sódio (NaCl), gases dissolvidos como o nitrogênio (N2), oxigênio (O2) e dióxido
de carbono (CO2), macronutrientes como fósforo (P) e enxofre (S), íons de magnésio
(Mg+2), potássio (K+1), cálcio (Ca+2) e sulfato (SO4)-2.

A matéria é dividida em substâncias e misturas. Confira as subdivisões das


mesmas.

9
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

QUADRO 1 - SUBDIVISÕES DAS SUBSTÂNCIAS E MISTURAS

SUBSTÂNCIA É formada por um mesmo elemento


Ex.: He, Al, Fe, etc.
ELEMENTAR químico.
SUBSTÂNCIA Não pode ser separada, pois
Ex.: H2O, O2, CO2 etc.
PURA apresenta composição constante.
SUBSTÂNCIA É formada por átomos do mesmo
Ex.: O3, N2, Cl2, etc.
SIMPLES elemento químico.
SUBSTÂNCIA É formada por átomos de elementos Ex.: Ca(OH)2, SO3, Al2(SO4)3,
COMPOSTA químicos diferentes. etc.
É a junção de duas ou mais substâncias,
simples ou compostas. Podem Ex.: H2O + NaCl, H2O + CO2,
MISTURA
ser classificadas como misturas O2 + N2, etc.
homogêneas ou heterogêneas.
Apresenta apenas uma fase, um Ex.: H2O + açúcar, misturas
HOMOGÊNEA
aspecto visual. de gases, ligas metálicas, etc.
Apresenta duas ou mais fases, dois EX: H2O + óleo, EX: H2O +
HETEROGÊNEA
ou mais aspectos visuais. pedra + CO2, etc.
FONTE: A autora

Para finalizar este conteúdo veremos: As Partículas Fundamentais da


Matéria: Prótons, Elétrons e Nêutrons.

• Prótons: são partículas positivas. Representadas por: p+


• Elétrons: são partículas negativas. Representadas por: e-
• Nêutrons: são partículas neutras, ou seja, não apresentam carga positiva ou
negativa. São representadas por: n.

3.1 DEFINIÇÃO DE ELEMENTO QUÍMICO


A junção de vários átomos iguais, ou seja, que apresentam o mesmo número
atômico (Z), é chamada de Elemento químico.

O número atômico (Z) é a característica mais importante de um elemento


químico, pois ele indica o número de prótons (p) e o número de elétrons (e-) do
elemento.

Logo, em um elemento químico: Z = p = e-

Traduzindo, número atômico é igual ao número de prótons e número de


elétrons.

10
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

Os elementos químicos são representados por um símbolo, seguindo a


padronização da IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada), onde
a primeira letra do elemento químico deve ser maiúscula e a segunda letra, se
houver, deve ser minúscula. Em relação à nomenclatura dos elementos químicos,
esta origina do latim.

Todo elemento apresenta um número atômico (Z), um número de massa


atômica (A) e um número de nêutrons (n). Para verificar estas informações, basta
consultar uma Tabela Periódica, contudo o número de nêutrons deve ser calculado
através da fórmula a seguir:

n=A–Z

Lembrando:

n = número de nêutrons
A = número de massa atômica
Z = número atômico

Exemplo: 20
Ca 40 n = A – Z ------ n = 40 – 20 ------ n = 20

Assim, o valor de massa atômica é a soma do número atômico com o


número de nêutrons. A = Z + n

3.1.1 Íons
Os elementos químicos apresentam a tendência de perder ou ganhar
elétrons para se estabilizar quimicamente, ou seja, alcançar os oito elétrons na
camada de valência. Tal estabilidade é explicada pela regra do octeto. Quando
um elemento químico perde ou ganha elétrons, ele se torna uma espécie química
carregada eletricamente chamada de íon.

A REGRA DO OCTETO: Os gases nobres, elementos da família 8A ou grupo


zero da Tabela Periódica, são elementos estáveis, pois já apresentam a camada de
valência completa com oito elétrons, com exceção do gás hélio, que é estável com
dois elétrons na camada de valência, o que é explicado pela regra do dueto. Por
este motivo, os gases nobres não perdem ou ganham elétrons.

Os íons são espécies químicas carregadas eletricamente. Íons carregados


com carga positiva são chamados de cátions e íons carregados com carga negativa
são chamados de ânions.

OS CÁTIONS: são íons que doam (perdem) elétrons, desta forma adquirem
carga positiva. Ex.: Na+1, Ca+2, Al+3 etc.

OS ÂNIONS: são íons que ganham (recebem) elétrons, desta forma


adquirem carga negativa. Ex.: N-3, O-2, F-1 etc.
11
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

E
IMPORTANT

Certo cátion trivalente (+3) contém 10 elétrons e 14 nêutrons. Determine o seu


número atômico e o seu número de massa atômica.

Resolução:
O cátion trivalente pode ser representado por X3+, que contém: 10 elétrons e 14 nêutrons, logo,
por ser um cátion trivalente, significa que ele doou três elétrons e assim o seu número atômico
(Z) é igual a 13.

13
X3+ = 13 – 3 = 10.

Lembre-se: a perda ou ganho de elétrons ocorre sempre no número atômico da espécie


química.
Como a massa atômica (A) = Z + n: A = 13 + 14 = 27

3.2 AS SEMELHANÇAS ATÔMICAS


No início do século XX, experiências realizadas por Soddy e outros
cientistas com elementos radioativos mostraram evidências de que um elemento
químico pode ser constituído por uma mistura de vários átomos com o mesmo
número atômico, mas com diferentes números de massa. Esses átomos foram
chamados por Soddy de isótopos. A diferença no número de massa é produzida
pelas diferentes quantidades de nêutrons existentes em casa isótopo. (USBERCO;
SALVADOR, 2006)

Outros átomos com semelhanças atômicas também são estudados, como os


isóbaros, isótonos e isoeletrônicos.

E
IMPORTANT

Radioisótopo é um isótopo que emite radiação. Os radioisótopos podem ser


aplicados na medicina, no diagnóstico de muitas doenças e problemas fisiológicos, permitindo
sua identificação para um futuro tratamento. Confira no Quadro 2 alguns exemplos.

12
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

QUADRO 2 – APLICAÇÃO DE RADIOISÓTOPOS NA MEDICINA

RADIOISÓTOPOS APLICAÇÃO

F18 (Flúor) Mapeamento ósseo

Tc99 (Tecnécio) Mapeamento do coração, fígado, rins, cérebro

I131 (Iodo) Mapeamento da tireoide

Cr51 (Cromo) Mapeamento das hemácias


FONTE: A autora

3.2.1 Isótopos
São átomos de um mesmo elemento químico que apresentam o mesmo
número atômico (Z) e diferentes números de massa atômica (A). O magnésio, por
exemplo, é um elemento químico que ocorre na natureza na forma de três isótopos.

12
Mg24 12
Mg25 12
Mg26

A maioria dos elementos químicos é encontrada na natureza na forma de


mistura isotópica, ou seja, com um ou mais isótopos. Os isótopos apresentam-se
em porcentagens diferentes, os mais estáveis são aqueles que ocorrem com maior
frequência, que é representada por porcentagem.

Por exemplo, o hidrogênio é o único elemento químico que tem seus


isótopos apresentando nomes diferentes. Observe o quadro a seguir:

QUADRO 3 - ISÓTOPOS DO HIDROGÊNIO E SUA OCORRÊNCIA NA NATUREZA

ISÓTOPO NOMENCLATURA OCORRÊNCIA (aproximada)

H1 Prótio, hidrogênio comum,


1
99,985%
leve

H2
1
Deutério 0,015%

H3
1
Trítio, Tricédio, Tritério 10-7%

FONTE: A autora

13
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

3.2.2 Isóbaros
São átomos que apresentam o mesmo número de massa atômica (A) e
diferente número atômico (Z), logo, pertencem a elementos químicos diferentes.
Na tabela periódica encontram-se vários elementos químicos com o mesmo valor
de massa atômica.

Ex.: 18 Ar40 (Argônio) e 20


Ca40 (Cálcio)

3.2.3 Isótonos
São átomos de diferentes elementos químicos com números atômicos (Z)
e números de massas atômicas (A) diferentes, porém, com mesmo número de
nêutrons. Sendo: n = A – Z.

Ex.: 7
N14 14 – 7 = 7 nêutrons
6
C13 13 – 6 = 7 nêutrons

3.2.4 Isoeletrônicos
São espécies químicas diferentes que apresentam o mesmo número de
elétrons. Tais espécies englobam os íons, cátions e ânions, e também os elementos
químicos.

Ex: 13 Al+3 -> Z = 13, como é um cátion trivalente (+3) perde três elétrons e
finaliza com 10 elétrons.

O-2 -> Z = 8, como é um ânion bivalente (-2) ganha dois elétrons e finaliza
8
com 10 elétrons.

Portanto, o Al+3 e o O-2 são isoeletrônicos, pois no final apresentam o


mesmo número de elétrons. Lembre-se de que a perda ou o ganho de elétrons
sempre ocorre com número atômico (Z) da espécie química.

14
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

NOTA

Considere as representações:

3x + 32
R11x + 15 5x – 8
S12x – 2 4x + 10
T10x + 35

Sabendo que R e S são isótopos, determine os números atômicos (Z) e os números de massa
(A) de R, S e T.

Resolução:

Como sabemos que R e S são isótopos, temos:


3x + 32 = 5x – 8
40 = 2x
20 = x
Substituindo o x nas representações, teremos:

92
R235 92
S238 90
T 235

3.3 O DIAGRAMA DE LINUS PAULING E A DISTRIBUIÇÃO


ELETRÔNICA
Linus Pauling desenvolveu um diagrama para o preenchimento da
eletrosfera pelos elétrons de um átomo em ordem crescente de energia, definida
pelo diagrama em níveis e em subníveis de energia.

DICAS

Linus Carl Pauling foi um ilustríssimo químico norte-americano. Nasceu em 1901


e faleceu em 1994, com 93 anos de muita dedicação à pesquisa. Pauling foi um dos mais
reconhecidos cientistas do século XX, prova disso é que ele foi o único prestigiado com dois
Prêmios Nobel não compartilhados. Um deles foi em 1954, em decorrência de um de seus
trabalhos relacionados à Química (A natureza das ligações químicas - publicado em 1939). A
segunda premiação foi em 1962, na qual Pauling recebeu o Prêmio Nobel da Paz pelas suas
intervenções contra testes nucleares, o uso de bombas atômicas como armas de guerra e a
construção de usinas nucleares.

FONTE: Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/quimica/linus-pauling.htm.>. Acesso


em: 25 jan. 2016.

15
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

Cada camada eletrônica ou nível de energia apresenta um número quântico


principal (n), que é o valor numérico que se localiza antes do subnível de energia.
Confira no Quadro 4 abaixo:

QUADRO 4 - NÚMEROS QUÂNTICOS PRINCIPAIS

Camadas eletrônicas ou Níveis de energia K L M N O P Q


Número Quântico Principal (n) 1 2 3 4 5 6 7
FONTE: A autora

Ex.: 1s2: 1 = número quântico principal = camada eletrônica ou nível de


energia = K
s = subnível.

As camadas eletrônicas ou níveis de energia (K, L, M, N, O, P e Q) são


subdivididos em quatro subníveis de energia, s, p, d e f. Cada subnível de energia
comporta um número máximo de elétrons, que é representado sobre o subnível de
energia. Confira na Figura 7, a seguir, o Diagrama de Linus Pauling.

FIGURA 7 - DIAGRAMA DE LINUS PAULING

FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/7-nveisdeenergia


120411182505phpapp02/95/7-nveis-de-energia-9-728.jpg?cb=1334169472 25/01/16.>.
Acesso em: 16 fev.2016.

16
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

E
IMPORTANT

Caro acadêmico, caso seja necessário, volte ao assunto sobre o modelo atômico
de Niels Bohr para relembrar as camadas ou níveis de energia.

Para realizar uma distribuição eletrônica deve-se usar o número atômico


(Z) do átomo e respeitar a ordem do Diagrama de Linus Pauling. Para isso, basta
seguir as setas de cima para baixo na diagonal. A soma dos elétrons dos subníveis
deve ser igual ao valor do número atômico do átomo. No final deve-se indicar a
Camada de Valência, ou seja, a camada ou nível com o maior número quântico
principal. Veja o exemplo a seguir:

Ex.: Ba56 - 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s2

Neste caso a Camada de Valência é 6s2, pois apresenta o maior número


quântico principal, que neste caso é 6.

3.4 OS NÚMEROS QUÂNTICOS

3.4.1 Número quântico principal (n)


Como foi visto anteriormente, o número quântico principal indica a camada
eletrônica ou nível de energia. Confira no Quadro 5 o número máximo de elétrons
em cada camada eletrônica ou nível de energia.

QUADRO 5 – NÚMERO MÁXIMO DE ELÉTRONS EM CADA CAMADA ELETRÔNICA OU NÍVEL DE


ENERGIA

Camada eletrônica ou Nível de energia K L M N O P Q

Número quântico Principal (n) 1 2 3 4 5 6 7

Número máximo de elétrons nas camadas


2 8 18 32 32 18 8
eletrônicas ou níveis de energia

FONTE: A autora

3.4.2 Número quântico secundário (ℓ)


Conforme estudamos anteriormente, cada camada eletrônica ou nível
de energia é subdividido em subníveis de energia, s, p, d e f, e cada subnível é
17
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

representado por um número quântico secundário (ℓ), 0, 1, 2 e 3, respectivamente.

Logo, cada subnível de energia recebe um número quântico secundário (ℓ)


e, ainda, comporta um número máximo de elétrons.

QUADRO 6 - NÚMERO QUÂNTICO SECUNDÁRIO E NÚMERO MÁXIMO DE ELÉTRONS NOS


SUBNÍVEIS DE ENERGIA

Subníveis s p d f
N° máx. de
2 elétrons 6 elétrons 10 elétrons 14 elétrons
elétrons
N° quântico
0 1 2 3
secundário
FONTE: A autora.

3.4.3 Orbitais atômicos


Orbital atômico é o local mais provável de se encontrar os elétrons de um
átomo. O orbital atômico é representado por um “quadradinho”.

Cada subnível de energia possui um número de orbital, que será sempre a


metade do número de elétrons que o subnível comporta. Cada orbital possui um
número quântico magnético ou azimutal (ml) que se encontra abaixo do mesmo.
Veja na Figura 7 a quantidade de orbitais que cada subnível de energia comporta e
também a representação dos orbitais (“quadradinhos”).

FIGURA 8 - SUBNÍVEIS DE ENERGIA E QUANTIDADE DE ORBITAIS ATÔMICOS

FONTE: Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/upload/conteudo/images/numero-


quantico-magnetico.jpg>. Acesso em: 18 mar. 2016.

18
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

3.4.4 Número quântico magnético ou azimutal (mℓ)


O número quântico magnético ou azimutal está relacionado com a região
de maior probabilidade de se encontrar um elétron, chamada de orbital. Como
cada orbital comporta no máximo dois elétrons, estes são associados aos subníveis
de energia, e devido a isso apresentam valores variados, -mℓ, à esquerda do zero
e +mℓ, à direita do zero. Cada subnível de energia pode apresentar um ou mais
orbitais.

3.4.5 Número quântico de Spin (ms)


O número quântico de spin indica a rotação do elétron dentro do orbital.
Esse número quântico diferencia os elétrons de um mesmo orbital. Conforme o
princípio de exclusão de Pauli, cada orbital comporta no máximo dois elétrons de
rotações contrárias. Os elétrons são representados por Spins (setas).

Note na Figura 8 que o orbital do subnível s está preenchido com dois


elétrons, representados pelos spins.

Obs: Tanto o número quântico magnético ou azimutal quanto o número


de spin é definido através do elétron de diferenciação ou diferenciador, que é o
último elétron (spin) distribuído nos orbitais.

FIGURA 9 – SUBNÍVEIS DE ENERGIA E SEUS ORBITAIS ATÔMICOS

FONTE: Disponível em: <http://images.slideplayer.com.br/9/2571210/slides/slide_4.


jpg.>. Acesso em: 21jan. 2016.

19
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

Número quântico de spin (ms): para cima ↑ = +1/2


Número quântico de spin (ms) para baixo ↓ = -1/2

Regra de Hund: Os orbitais devem ser preenchidos primeiramente com


todos os spins para cima, e depois, se necessário, para baixo. Confira na Figura 9
que o elétron de diferenciação ou diferenciador se encontra no primeiro orbital,
que foi o último elétron (spin) distribuído.

FIGURA 10 - UTILIZAÇÃO DA REGRA DE HUND

FONTE: Disponível em: <http://images.slideplayer.com.br/3/1223908/slides/slide_12.


jpg.>. Acesso em: 21 jan. 2016.

E
IMPORTANT

Caro acadêmico, os orbitais completos com dois elétrons são chamados de


emparelhados ou completos, com um elétron é chamado de desemparelhado ou incompleto,
e sem elétron, vazio.
Para se definir os quatro números quânticos deve-se utilizar o subnível mais energético que
se encontra no final da distribuição eletrônica.
A Figura 10 demonstra a configuração completa dos quatro números quânticos que acabamos
de estudar.

20
TÓPICO 1 | MODELOS ATÔMICOS

FIGURA 11 - NÚMEROS QUÂNTICOS

21
RESUMO DO TÓPICO 1
Nesse tópico você aprendeu que:

• Os alquimistas criaram equipamentos de laboratório e desenvolveram várias


metodologias para a obtenção de metais, na produção de papiros, sabões e de
funções inorgânicas.

• Modelo atômico é uma representação gráfica que procura explicar, de maneira


científica, os fenômenos relacionados à composição da matéria e suas formas.

• Modelo de Dalton: a matéria é constituída por pequenas partículas esféricas


maciças e indivisíveis, denominadas átomos.

• Modelo de Thomson: o átomo era uma esfera maciça, positiva, incrustada de


elétrons (carga negativa), de modo que a carga total fosse nula.

• Modelo de Rutherford: o átomo seria constituído no centro por um núcleo


positivo que continha a massa e os nêutrons do átomo. A região fora do núcleo,
chamada de eletrosfera, deveria ser ocupada pelos elétrons de carga negativa,
orbitando ao redor do núcleo.

• Modelo de Bohr: O núcleo é positivo e as órbitas são regiões específicas


disponíveis para acomodar os elétrons, de carga negativa, as chamadas camadas
eletrônicas ou níveis de energia.

• A matéria é definida como tudo que possui massa, volume e ocupa lugar no
espaço.

• A junção de vários átomos iguais, ou seja, que apresentam o mesmo número


atômico (Z), é chamada de Elemento químico.

• O número atômico (Z) é a característica mais importante de um elemento


químico, pois ele indica o número de prótons (p) e o número de elétrons (e-) do
elemento.

• Quando um elemento químico perde ou ganha elétrons ele se torna uma espécie
química carregada eletricamente, chamada de íon.

• Átomos com semelhanças atômicas podem ser classificados em: isótopos,


isóbaros, isótonos e isoeletrônicos.

22
AUTOATIVIDADE

1 Quatro modelos atômicos foram estudados durante esta


unidade a fim de entender a estrutura do átomo. Com relação
ao modelo atômico que se refere à teoria atômica atual, assinale
a alternativa CORRETA:

a) ( ) John Dalton.
b) ( ) Ernest Rutherford.
c) ( ) Niels Bohr.
d) ( ) J. J. Thomson.

2 O titânio já foi conhecido como o “metal maravilha”, devido


às suas qualidades. É mais resistente à corrosão que o aço
inoxidável, suas ligas metálicas são empregadas na indústria
aeronáutica, em próteses e em implantes dentários. A produção
mundial anual de titânio é de cerca de 10 milhões de toneladas, e as principais
reservas estão no Canadá e na Austrália. Sobre o titânio (Z=22), determine a
configuração eletrônica dos elétrons:

23
24
UNIDADE 1
TÓPICO 2

A TABELA PERIÓDICA

1 INTRODUÇÃO
Sempre foi preocupação dos cientistas organizar os resultados obtidos
experimentalmente de tal maneira que semelhanças, diferenças e
tendências se tornassem mais evidentes. Isto facilitaria previsões a partir
de conhecimentos anteriores. Um dos recursos mais usados em Química
para atingir essa finalidade é a Tabela Periódica. As primeiras tabelas
foram propostas no início do século XIX; porém, apresentavam mais
erros do que acertos.Foi somente em 1869 que surgiu uma tabela que
atendia às necessidades dos químicos e que se tornou a base da Tabela
Periódica atual. Foi proposta por Dimitri Ivanovitch Mendeleev (1834-
1907) e organizava os elementos em linhas horizontais, os períodos ou
séries, e em linhas verticais, os grupos ou famílias. (S/A. Disponível em:
<http://slideplayer.com.br/slide/337072/>. Acesso em: 18 mar.2016).

À medida que percorremos um período, as propriedades físicas variam


regularmente, uniformemente. Num grupo, os elementos apresentam propriedades
químicas semelhantes. Esquematicamente:

Períodos – regularidade na variação das propriedades físicas.


Grupos: semelhanças das propriedades químicas.
FONTE: Usberco; Salvador (1998, p. 78.)

DICAS

Caro acadêmico, você conhece todas as informações que a Tabela Periódica


oferece sobre os elementos químicos? Aprofunde os conhecimentos sobre o histórico desta
ferramenta indispensável para o entendimento desta disciplina tão fascinante que é a química.

25
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

2 A ORGANIZAÇÃO DOS ELEMENTOS QUÍMICOS NA TABELA


PERIÓDICA
A Tabela Periódica atual é constituída por 18 famílias. Cada família
contém elementos com propriedades químicas semelhantes, devido ao fato de
apresentarem o mesmo número de elétrons na camada de valência. Na família 1A,
por exemplo, todos os elementos apresentam um elétron na camada de valência.
Atualmente, 118 elementos químicos estão organizados na Tabela Periódica em
ordem crescente de seus números atômicos (Z). Confira na Figura 12:

FIGURA 12 – FAMÍLIAS E PERÍODOS DA TABELA PERIÓDICA

FONTE: Disponível em: <www.maristas.org.br/colegios/assuncao/.../tabela_periodica.ppt>.


Acesso em: 18 mar. 2016.

E
IMPORTANT

Caro acadêmico, verifique na Figura 13 a representação de uma legenda presente


numa Tabela Periódica, onde estão as informações citadas anteriormente. Note que a massa
atômica ou peso atômico apresenta valor maior que o número atômico.

26
TÓPICO 2 | TABELA PERIÓDICA

FIGURA 13 - INFORMAÇÕES PERIÓDICAS DO ELEMENTO FERRO

FONTE: Disponível em: <http://rede.novaescolaclube.org.br/sites/default/files/


importadas/img/geral/tabela-periodica-legendada.jpg.> Acesso em: 22 jan. 2016.

Na Tabela Periódica os elementos foram classificados segundo suas


propriedades físicas e químicas, agrupando-se em metais, não metais, semimetais,
gases nobres ou grupo zero e hidrogênio.

E
IMPORTANT

A Tabela Periódica sofreu algumas alterações e por isso é necessário estarmos


atentos às atualizações. Acesse a leitura complementar no final desta unidade e fique por
dentro. Boa leitura!

Elementos artificiais - Os elementos químicos que apresentam número


atômico superior a 92 são artificiais, isto é, foram sintetizados em laboratório
químico através de pesquisas nucleares. Com exceção dos elementos promécio,
com número atômico igual a 43, e tecnécio, com número atômico igual a 61. Dos
118 elementos químicos reconhecidos, os elementos artificiais classificam-se em:

• Cisurânicos: recebem esse nome (cis = “aquém de”) porque apresentam número
atômico inferior a 92, o do elemento urânio. São os seguintes: tecnécio (Tc),
ástato (At), frâncio (Fr) e promécio (Pm).

• Transurânicos: recebem esse nome (trans = “além de”) porque apresentam


número atômico superior a 92, ou seja, que se encontram depois do urânio.

2.1 PERÍODOS DA TABELA PERIÓDICA


A Tabela Periódica possui sete períodos ou séries, que são as linhas
horizontais, numeradas de 1 a 7 através dos números quânticos principais, que
representam as sete camadas eletrônicas ou níveis de energia, K, L, M, N, O, P
e Q, respectivamente. Lembre-se de que as séries dos lantanídeos e actinídeos
pertencem ao sexto e sétimo período, respectivamente. Vide Figura 1. Após a

27
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

realização de uma distribuição eletrônica, define-se como camada de valência


aquela que apresentar o maior número quântico principal, e você pode utilizá-la
também para definir o período em que o elemento se encontra na Tabela Periódica.
Ex.: Camada de valência do K (potássio) = 4s1, o 4 indica que o potássio está no
quarto período da Tabela Periódica, ou seja, na quarta linha horizontal.

2.2 FAMÍLIAS OU GRUPOS


As 18 famílias estão dispostas em linhas verticais que são divididas em
dois grupos, o grupo A, que são as colunas verticais mais altas, e o grupo B, que
são as colunas verticais mais baixas e centrais da Tabela Periódica.

Os elementos químicos presentes nas famílias do grupo A são chamados


de elementos representativos, do grupo B são chamados metais de transição, e as
séries dos lantanídeos e actinídeos são chamados de metais de transição interna.
Todas as famílias recebem uma classificação diferenciada por cores, conforme
representado na Figura 14:

FIGURA 14 - A TABELA PERIÓDICA E A LEGENDA DE CORES

FONTE: Disponível em: <http://www.brdicas.com.br/wp-content/uploads/2014/01/tabela-


periodica-2014-imprimir.png.>. Acesso em: 22 jan. 2016.

28
TÓPICO 2 | TABELA PERIÓDICA

DICAS

Caro acadêmico, lembre-se de que a Tabela Periódica é uma ferramenta de apoio


para as aulas de Química, por isso não se preocupe em decorá-la, basta saber usá-la.
Adquira uma Tabela Periódica atualizada e aprenda a utilizá-la na prática. Livrarias e papelarias
comercializam esse material didático. Para um aprofundamento neste assunto consulte
a bibliografia: CHANG, Raymond. Química Geral: conceitos essenciais. 4. ed. Porto Alegre:
McGraw Hill – Artmed 2010.

2.3 METAIS, SEMIMETAIS E NÃO METAIS


METAIS – Ocupam cerca de 80% da Tabela Periódica. São sólidos em
temperatura ambiente, com exceção do mercúrio (Hg), que é o único metal líquido.
São bons condutores de calor e eletricidade, são maleáveis (capacidade de formar
lâminas), apresentam ductibilidade (capacidade de formar fios), tenacidade
(resistência à tração) e brilho metálico. São cátions, ou seja, possuem a capacidade
de doar elétrons e geralmente apresentam 1, 2 ou 3 elétrons na camada de valência
(última camada).

NÃO METAIS – Representam cerca de 10% da Tabela Periódica, porém


são os mais abundantes na natureza. Não há um estado físico definido. Não
apresentam brilho, não conduzem calor nem eletricidade e são utilizados na
produção de pólvora e pneus.

SEMIMETAIS – Estes elementos apresentam características intermediárias


entre os metais e os não metais.

DICAS

Para saber mais sobre os elementos químicos, acesse: http://educar.sc.usp.br/


quimica/tabela.html

29
RESUMO DO TÓPICO 2
• A Tabela Periódica atual é constituída por 18 famílias. Cada família contém
elementos com propriedades químicas semelhantes, devido ao fato de
apresentarem o mesmo número de elétrons na camada de valência.

• Atualmente, 118 elementos químicos estão organizados na Tabela Periódica, em


ordem crescente de seus números atômicos (Z).

• Na Tabela Periódica os elementos foram classificados segundo suas propriedades


físicas e químicas, agrupando-se em metais, não metais, semimetais, gases
nobres ou grupo zero e hidrogênio.

• Elementos artificiais - Os elementos químicos que apresentam número atômico


superior a 92 são artificiais, isto é, foram sintetizados em laboratório químico
através de pesquisas nucleares. Com exceção dos elementos promécio, com
número atômico igual a 43, e tecnécio, com número atômico igual a 61.

• Cisurânicos: recebem esse nome (cis = “aquém de”) porque apresentam número
atômico inferior a 92, o do elemento urânio. São os seguintes: tecnécio (Tc),
ástato (At), frâncio (Fr) e promécio (Pm).

• Transurânicos: recebem esse nome (trans = “além de”) porque apresentam


número atômico superior a 92, ou seja, que se encontram depois do urânio.

• A Tabela Periódica possui sete períodos ou séries, que são as linhas horizontais,
numeradas de 1 a 7 através dos números quânticos principais, que representam
as sete camadas eletrônicas ou níveis de energia, K, L, M, N, O, P e Q,
respectivamente.

• Os elementos químicos presentes nas famílias do grupo A são chamados de


elementos representativos, do grupo B são chamados metais de transição, e as
séries dos lantanídeos e actinídeos são chamados de metais de transição interna.

30
AUTOATIVIDADE

1 Identifique o elemento químico que se encontra na família 3A e


no 3° período.

2 Com relação à organização da Tabela Periódica, correlacione a 1°


coluna com a segunda:

a) metais alcalinos ( ) coluna 0


b) metais alcalinos-terrosos ( ) coluna 6A
c) calcogênios ( ) coluna 7A
d) halogênios ( ) coluna 2A
e) gases nobres ( ) coluna 1A

31
32
UNIDADE 1
TÓPICO 3

LIGAÇÕES QUÍMICAS

1 INTRODUÇÃO
Na natureza são raros os elementos químicos que se encontram de forma
isolada. Na verdade, os únicos elementos que formam substâncias elementares
são os elementos pertencentes à família 8A ou grupo zero da Tabela Periódica. Os
gases nobres (família 8A) são estáveis, pois apresentam oito elétrons na camada de
valência, com exceção do gás hélio (He), que é estável com dois elétrons na camada
de valência, e são pouco reativos, pois não necessitam realizar ligações químicas
com outros elementos.

Os demais elementos químicos tendem a se ligar uns com os outros em


busca da estabilidade química, ou seja, adquirir os oito elétrons na camada de
valência, semelhante aos gases nobres. As ligações químicas são responsáveis
pelas centenas de compostos presentes em nosso dia a dia.

Muitas vezes nos perguntamos: como funciona a atração eletromagnética


de um ímã? Como uma lagartixa consegue andar pelas paredes? Todos esses fatos
são explicados pelas forças de atração e, no contrário, as forças de repulsão.

2 LIGAÇÕES QUÍMICAS
Ligação química é o nome dado às formas de associação existentes entre
os átomos. (COVRE, Geraldo José, 2001, p. 109). Qualquer fenômeno químico
ocorre na eletrosfera (local onde se encontram os elétrons) do átomo. As ligações
químicas, por exemplo, acontecem devido às interações entre as eletrosferas dos
átomos ligantes. E por qual motivo isso acontece? Se observarmos os gases nobres,
que já são estáveis, perceberemos que esses elementos possuem uma característica
típica em relação às suas configurações eletrônicas e o número de elétrons na
camada de valência.

Resumindo, os gases nobres apresentam duas características fundamentais:


são estáveis quimicamente e apresentam a última camada completa com oito
elétrons (no caso do hélio, dois elétrons). Com exceção do grupo 8A, os outros
átomos apresentam a capacidade de se combinar.

Segundo Lewis: “Os átomos de diferentes elementos ligam-se entre si,


cedendo, recebendo ou compartilhando elétrons, na tentativa de adquirir uma

33
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

configuração eletrônica igual à de um gás nobre, ou seja, estável”.

Valência - É o que determina o número de ligações que o átomo necessita


fazer.

Eletrovalência - É o valor da valência (carga elétrica) seguida do respectivo


sinal. Os cátions, por perderem elétrons, apresentam eletrovalência positiva e os
ânions, por ganharem elétrons, apresentam eletrovalência negativa.

No Quadro 7, segue a tendência que os elementos químicos das famílias


dos elementos típicos ou representativos (grupo A) apresentam em ganhar ou
perder elétrons da camada de valência para se estabilizarem.

QUADRO 7 - FAMÍLIAS (GRUPO A), ELÉTRONS DA CAMADA DE VALÊNCIA E A ELETROVALÊNCIA

Famílias do Família Família Família Família Família Família Família


Grupo A 1A 2A 3A 4A 5A 6A 7A
Nº elétrons na
1 2 4 5 6 7
Camada de 3 elétrons
elétron elétrons elétrons elétrons elétrons elétrons
Valência
Eletrovalência +1 +2 +3 +4 / -4 -3 -2 -1

FONTE: A autora

Em relação aos elementos do grupo B, metais de transição e transição-


interna, devemos lembrar que todos apresentam carga positiva, pois são metais e
apresentam a tendência de perder elétrons para se estabilizar. Ainda, como citado
anteriormente, nem todos os elementos se estabilizam conforme a regra do octeto.
Existe a chamada Pseudoconfiguração-gás-nobre, a qual não possui nenhuma
semelhança com a configuração de um gás nobre. Contudo, o que temos de
semelhança é que todos os orbitais da camada de valência estão completos. Alguns
elementos de transição, após a ligação, não apresentam nem a configuração do
gás nobre nem a pseudoconfiguração. Como exemplo podemos citar as espécies
catiônicas Cu+1 e Cu+2.

DICAS

Caro acadêmico, confira na tabela de cátions esses dois íons. Aproveite para
realizar suas distribuições eletrônicas e verifique os números de elétrons nas respectivas
camadas de valência.

34
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

3 AS LIGAÇÕES IÔNICAS
“Ligação iônica ou eletrovalente é aquela que se estabelece por meio da
transferência definitiva de elétrons entre átomos”. (COVRE, Geraldo José, 2001,
p. 110). Este tipo de ligação ocorre entre um elemento metálico e um elemento não
metálico por transferência de elétrons. Os metais são catiônicos, por isso doam seus
elétrons da camada de valência para os não metais, que são aniônicos e por isso
recebem esses elétrons, ambos com o intuito de se estabilizar. Essa transferência de
elétrons pode ser representada através da notação de Lewis.

Notação de Lewis ou Fórmula eletrônica: é a representação dos elétrons


da camada de valência ao redor do átomo. Tais elétrons podem ser representados
por pontos (.) ou (x).

Fórmula molecular: é a representação final do número de elementos


utilizados na ligação. Coloca-se em primeiro lugar o cátion (metal) e em seguida o
ânion (não metal).

Note a seguir a junção entre a fórmula molecular, os íons formados e a


notação de Lewis.

Note que foram necessários dois íons Cℓ-1 para estabilizar o íon Ca+2 e
formar o composto CaCℓ2 e que as cargas dos íons desceram de forma invertida.

Observação:

1 - Quando as valências (cargas) apresentam valores diferentes, a valência de um


indica a quantidade do outro elemento.
K .................. + 1
1º)
K2O
O ...................... - 2

35
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

Ca................... +2

2º)
Ca3P2
P........................... - 3

1 - Ao montar a fórmula molecular, colocamos os elementos em ordem crescente


de eletronegatividade. No caso específico de ligação iônica, metal (cátion) à
esquerda, não metal (ânion) à direita.

2 - Os números colocados junto aos símbolos indicam a quantidade de átomos


(atomicidade) na referida fórmula molecular, são denominados índices e devem
permanecer na parte inferior dos elementos.

Ex. 1: Caro acadêmico, note que na figura a seguir os elétrons da camada de


valência estão ao redor dos átomos (Notação de Lewis), mostrando que o elétron
do cátion metálico é transferido para o ânion não metálico. Ou seja, o Na (sódio)
apresenta apenas um elétron na camada de valência (família 1A) para ser doado,
por isso é nomeado como cátion (carga positiva) monovalente. Já o cloro (Cl)
recebe a nomeação de ânion (carga negativa) monovalente, pois só precisa receber
um elétron para se estabilizar, afinal apresenta sete elétrons na camada de valência
(família 7A).

FIGURA 15 - NOTAÇÃO DE LEWIS OU FÓRMULA ELETRÔNICA DO NACL

FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com>. Acesso em: 18 mar. 2016.

A fórmula molecular é então: NaCl. Foi necessário apenas um átomo de


sódio (Na) para estabilizar um átomo de cloro (Cl). Note que o cátion permanece
à frente do ânion.

Ex. 2: Repare mais uma vez, na figura seguinte, que os elétrons da camada
de valência estão ao redor dos átomos (Notação de Lewis), mostrando que o elétron
do cátion metálico é transferido para o ânion não metálico. Ou seja, o Al (alumínio)
apresenta três elétrons na camada de valência (família 3A) para ser doado, por isso
é nomeado como cátion (carga positiva) trivalente. Já o flúor (F) recebe a nomeação
de ânion (carga negativa) monovalente, pois só precisa receber um elétron para se
estabilizar, afinal apresenta sete elétrons na camada de valência (família 7A).

36
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

FIGURA 16 - NOTAÇÃO DE LEWIS OU FÓRMULA ELETRÔNICA


DO ALF3

FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/k4jbkt>. Acesso em: 22


jan. 2016.

A fórmula molecular é então: AlF3. Foram necessários três átomos de Fluor


(F) para estabilizar um átomo de Alumínio (AI). Note que o cátion permanece à
frente do ânion.

Obs.: A ligação iônica ocorre entre um elemento metálico com outro


elemento não metálico, onde a diferença de eletronegatividade é igual ou superior
a 1,7.

4 AS LIGAÇÕES COVALENTES OU MOLECULARES


Os não metais e o hidrogênio (H) apresentam alta eletronegatividade
(capacidade de atrair elétrons). A ligação entre seus átomos, estabelecida para
alcançarem a estabilidade, é chamada de ligação covalente ou molecular (COVRE,
Geraldo José, 2001). Ligação covalente é aquela que envolve um par eletrônico
que é compartilhado pelos dois átomos.

A. xB A ----- B

Um elemento químico pode efetuar uma ou mais ligações covalentes,


dependendo do número de elétrons disponíveis em sua camada de valência para
formar outros pares de elétrons e do número de elétrons que deve compartilhar
para se tornar estável. Cada compartilhamento de elétrons – ou seja, cada ligação
covalente – realizada é representada por um traço (-----). Este tipo de ligação
apresentará a fórmula eletrônica ou notação de Lewis, a fórmula estrutural e,
finalmente, a fórmula molecular. No caso da fórmula estrutural, o número de
ligações realizadas (elétrons compartilhados) será representado por tantos traços,
ou seja, o número de traços equivale ao número de ligações efetivadas.

37
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

5 A OCORRÊNCIA DAS LIGAÇÕES COVALENTES OU


MOLECULARES
Este tipo de ligação ocorre entre um elemento não metálico com outro não
metálico, hidrogênio com hidrogênio e hidrogênio com um elemento não metálico
por compartilhamento de elétrons, com diferença de eletronegatividade inferior
a 1,7.

As ligações covalentes ou moleculares podem ser classificadas como:

• Simples: representada por um traço e chamada de sigma (σ);


• Dupla: representada por dois traços;
• Tripla: representada por três traços.

Confira na Figura 17 os tipos de ligações covalentes ou moleculares e


suas respectivas representações, lembrando que cada traço significa uma ligação
covalente ou molecular realizada.

FIGURA 17 - REPRESENTAÇÃO DAS LIGAÇÕES COVALENTES OU


MOLECULARES

FONTE: Disponível em: <http://www.laifi.com/usuario/10801/


laifi/30480537_10801_65142708_1067.jpg.>. Acesso em: 22 jan. 2016.

Resumindo:

• As ligações covalentes ou moleculares só são realizadas através dos elétrons da


camada de valência dos átomos (última camada);
• Um par de elétrons compartilhado é formado por um elétron de cada átomo e
assim respectivamente;
• Para atingir a estabilidade química conforme a regra do octeto, o átomo pode
formar até três pares de elétrons compartilhados.

38
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

Veja abaixo o exemplo de compartilhamento de um par de elétrons e suas


respectivas fórmulas:

Notação de Lewis ou Fórmula eletrônica: H. xH


Fórmula estrutural: H ------- H
Fórmula molecular: H2

Neste exemplo pode-se verificar o compartilhamento de apenas dois


elétrons, um elétron de cada átomo, formando-se assim uma ligação covalente
simples ou sigma (σ), representada por um traço. Em outros casos, pode-se verificar
o compartilhamento de quatro elétrons (dois elétrons de cada átomo), e assim há
formação de uma ligação dupla ou pi (π). Um exemplo é a formação da molécula
do gás oxigênio (O=O): como o oxigênio pertence à família 6A da Tabela Periódica,
apresenta seis elétrons na camada de valência e para se estabilizar necessita realizar
duas ligações covalentes.

Enfim, quando são compartilhados seis elétrons (três de cada átomo) há


formação de ligação tripla. Um exemplo é o que ocorre com a formação do gás
nitrogênio (N2). Como o nitrogênio pertence à família 5A da Tabela Periódica,
precisa realizar três ligações para se estabilizar, conforme a regra do octeto.

5.1 A LIGAÇÃO COVALENTE COORDENADA DATIVA


Existe outro tipo de ligação covalente entre átomos de elementos (iguais
ou diferentes) de alta eletronegatividade. Esse tipo de ligação recebe o nome de
ligação covalente coordenada dativa ou ligação covalente coordenada ou dativa,
que ocorre quando o par eletrônico compartilhado é formado por elétrons de
apenas um dos átomos participantes. A ligação coordenada dativa é representada
por uma flecha que parte do átomo que contribuiu com o par eletrônico para aquele
que o está utilizando. Na fórmula estrutural da substância existem tantas flechas
quantas ligações dativas forem realizadas (COVRE, Geraldo José, 2001).

Caro acadêmico, você sabe quando ocorre uma ligação coordenada


dativa?

Este é um caso especial de ligação covalente, onde só realizará a ligação


coordenada dativa o elemento que já tenha realizado suas ligações, ou seja, já
está estável (octeto completo, ou seja, oito elétrons na camada de valência), e que
apresente pelo menos um par de elétrons para compartilhar com o elemento que
ainda não realizou suas ligações.

Confira a Figura 18: este exemplo apresenta a fórmula estrutural do HClO3


(Ácido clórico) onde ocorrem duas ligações covalentes simples (entre o hidrogênio
e o oxigênio) e duas coordenadas dativas (entre o cloro e os outros dois oxigênios),
que são representadas por flechas. O cloro (família 7A da Tabela Periódica) se
estabilizou fazendo uma ligação covalente simples com o oxigênio. Como esse
elemento apresenta sete elétrons na camada de valência após sua estabilização,
39
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

ainda apresenta pares de elétrons sobrando, por isso pode realizar duas ligações
coordenadas dativas com os outros oxigênios que necessitam desses pares de
elétrons para se estabilizar.

FIGURA 18 - FÓRMULA ESTRUTURAL DO HCLO3

FONTE: Disponível em: <http://www.reocities.com/Area51/


Hollow/9495/es_HClO3.gif.>. Acesso em: 22 jan. 2016.

Já na Figura 19 podemos observar a formação do dióxido de enxofre (SO2).


Repare que o enxofre (S) realiza uma dupla ligação com o oxigênio da direita
(afinal, ambos são da família 6A da Tabela Periódica, apresentam seis elétrons
na camada de valência e necessitam realizar duas ligações para se estabilizar) e,
após sua estabilização com os pares de elétrons sobrantes, realiza uma ligação
coordenada dativa com oxigênio da esquerda.

FIGURA 19 - NOTAÇÃO DE LEWIS OU FÓRMULA ELETRÔNICA DO SO2

FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/wp-content/


uploads/2009/08/ligacao-covalente-dativa-so2.jpg.>. Acesso em: 22
jan. 2016.

Note que a figura anterior apresenta a Notação de Lewis (fórmula eletrônica)


do SO2.

FIGURA 20 - FÓRMULA ESTRUTURAL DO SO2

FONTE: Disponível em: <http://www.geocities.ws/Penna100/


estr_SO2.gif.>. Acesso em: 22 jan. 2016.

40
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

Note que a figura anterior apresenta a fórmula estrutural do SO2 finalizando


com uma ligação coordenada dativa (à esquerda) e uma dupla ligação.

6 A LIGAÇÃO METÁLICA
“Ligação metálica é aquela realizada entre átomos e cátions de metais cujos
elétrons mais externos migram do átomo para o cátion e vice-versa” (COVRE,
Geraldo José, 2001 p. 120).

Caro acadêmico, como o próprio nome diz, este tipo de ligação química
ocorre entre metais. Os metais apresentam várias características, como boa
condutividade de calor e eletricidade, maleabilidade (capacidade de formar
lâminas), ductibilidade (capacidade de formar fios), tenacidade (resistência à
tração), são sólidos à temperatura ambiente (25°C), com exceção do mercúrio (Hg),
que é o único metal líquido, e são doadores de elétrons, ou seja, são catiônicos.
Este tipo de ligação é conhecido como “mar de elétrons” ou “nuvem de elétrons”.
Veja a Figura 21:

FIGURA 21 - REPRESENTAÇÃO DA LIGAÇÃO METÁLICA

FONTE: Disponível em: <http://webeduc.mec.gov.br/portaldoprofessor/


quimica/cd1/conteudo/aulas/2_aula/imagens/md.0000000
489.jpg.>. Acesso em: 22 jan. 2016.

As ligações metálicas não apresentam fórmula eletrônica e fórmula


estrutural, dependem do conhecimento específico dos retículos cristalinos. Os
metais, em sua maioria, são representados por seus símbolos, sem valores de
atomicidade (quantidade de átomos), que é muito grande e indeterminada.

41
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

6.1 AS LIGAS METÁLICAS


Uma liga metálica é a junção de dois ou mais metais ou de metais com
ametais, cujo componente principal é um metal. Porém, raramente um metal
possui todas as qualidades necessárias para determinada aplicação.

Por isso o objetivo de uma liga metálica é de melhorar as propriedades


físico-químicas do material resultante e, se possível, diminuir o custo. As ligações
metálicas justificam a ocorrência das ligas metálicas, pois estão presentes nelas.

DICAS

Você sabia que usamos várias ligas metálicas em nosso dia a dia? O aço inoxidável
(ferro, carbono e cromo) e o bronze (cobre e estanho) são alguns exemplos. A seguir veremos
mais alguns no Quadro 8.

QUADRO 8 – EXEMPLOS DE LIGAS METÁLICAS E SUAS APLICAÇÕES

Nome comercial Composição Aplicação


Ouro 18 quilates Au (75%) e Ag, Cu (25%) Joias e ornamentos
Amálgama Hg (50%), Ag (35%) e Sn (15%) Obturações odontológicas
Solda comum Pb (67%) e Sn (33%) Solda elétrica
Níquel-crômio Ni (60%), Cr (15%) e Fe (25%) Fios de resistência elétrica
Duralumínio Aℓ (95%) e Cu, Mg, Mn (5%) Peças de automóveis e aviões
Latões, parafusos, válvulas e
Latão Cu (70%) e Zn (30%)
bijuterias
Aço comum Fe e C (0,1% a 1,5%) Peças, estruturas e fios
Ouro branco Au (90%) e Pd (10%) Joias e ornamentos
FONTE: A autora.

DICAS

Caro acadêmico, para aprofundar seu conhecimento sobre as ligações químicas,


pesquise a referência: CHANG, Raymond. Química Geral: conceitos essenciais. 4. ed. Porto
Alegre: McGraw Hill – Artmed 2010.

42
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

7 GEOMETRIA E POLARIDADE DAS MOLÉCULAS


Caro acadêmico, o termo geometria refere-se à maneira com que os átomos
que formam uma molécula estão dispostos no espaço. Em outras palavras, é o
“desenho geométrico” da molécula.

“Pelo estudo das ligações químicas e dos átomos presentes na estrutura,


pode-se identificar a forma geométrica das moléculas. Existe um especial interesse
em se conhecer a geometria das moléculas que têm entre dois e cinco átomos”.
(COVRE, 2001, p. 132).

• Geometria molecular

“É a forma como os átomos estão distribuídos espacialmente em uma


molécula. Podendo assumir várias formas geométricas, dependendo dos átomos
que a compõem. As geometrias moleculares mais estudadas são linear, angular,
trigonal plana, piramidal e tetraédrica.”

FONTE: Disponível em: <http://br.answers.yahoo.com/question


index?qid=20090914184824AAH9c4y>. Acesso em: 13 mar. 2012.

• Geometria linear: formada por dois elementos ou por três elementos sem sobra
de pares de elétrons no átomo central. Com ângulo de ligação igual a 180º.

FIGURA 22 – GEOMETRIA LINEAR DA MOLÉCULA DO CO2

FONTE: Disponível em: <http://desconversa.com.br/wp-


content/uploads/2015/03/co21.jpg.>. Acesso em: 26 jan.
2016.

• Geometria angular: formada por três elementos e há sobras de pares de elétrons


no átomo central, com ângulo de ligação igual a 104,5º.

FIGURA 23 – GEOMETRIA ANGULAR DA MOLÉCULA DA H2O

FONTE: Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/


upload/e/mol%20dois.jpg.>. Acesso em: 26 jan. 2016.

43
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

• Geometria Trigonal Plana: formada por quatro elementos e não há sobra de


pares de elétrons no átomo central, com ângulo de ligação igual a 120º.

FIGURA 24 – GEOMETRIA TRIGONAL PLANA DA MOLÉCULA


DO BH3

FONTE: Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/


upload/e/mol%20tres.jpg.>. Acesso em: 26 jan. 2016.

• Geometria Piramidal: formada por quatro elementos e há sobra de pares de


elétrons no átomo central, com ângulo de ligação igual a 107º.

FIGURA 25 - GEOMETRIA PIRAMIDAL DA MOLÉCULA DE NH3

FONTE: Disponível em: <http://zeus.qui.ufmg.br/~qgeral/wp-content/


uploads/2012/08/Piramidal-trigonal-NH3.jpg.>. Acesso em: 26 jan. 2016.

• Geometria Tetraédrica: formada por cinco elementos e não há sobra de pares de


elétrons no átomo central, com ângulo de ligação igual a 109,25º.

FIGURA 26 - GEOMETRIA TETRAÉDRICA DA MOLÉCULA


DO CH4

FONTE: Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/


upload/e/mol%20quatro(1).jpg.> Acesso em: 26 jan. 2016.

44
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

7.1 POLARIDADE
Caro acadêmico, você já ouviu falar em polaridade? E em polos contrários?
Polos positivos e negativos? Neste momento iremos estudar um assunto que irá
contemplar esses termos, e ainda nos ajudará a entender inúmeros fenômenos que
ocorrem em nosso cotidiano.

Lembrando do que foi estudado em ligações químicas, sabe-se que entre


dois átomos, A e B, que estabelecem ligação covalente ou molecular, o par eletrônico
pertencerá simultaneamente aos dois átomos ligantes; porém, dependendo da
eletronegatividade, um átomo poderá atraí-lo com maior intensidade que outro.
Neste sentido, podemos definir o termo polaridade.

“Polaridade da ligação é o resultado da diferença entre as eletronegatividades


dos átomos que estão ligados”. (COVRE, 2001, p. 135).

Lembre-se de que eletronegatividade é a capacidade que um átomo tem


de atrair elétrons de outro átomo, quando os dois realizam uma ligação química.

Ainda falando sobre as ligações covalentes ou moleculares, podemos


classificá-las segundo sua polaridade em:

• Ligação covalente polar: formada por elementos diferentes, ou seja, há


diferença de eletronegatividade e formação de cargas parciais d+ e d-, pois
podemos identificar polos elétricos opostos. Quanto maior a diferença de
eletronegatividade, maior a polaridade da ligação. Ex.: HCl

• Ligação covalente apolar: formada por elementos iguais, ou seja, não há


diferença de eletronegatividade, ou essa é muito pequena ou igual a zero. Se
os elementos são iguais, os valores de eletronegatividade também são, logo, a
ligação é apolar. Ex.: H2

NOTA

Não se esqueça de consultar os valores de eletronegatividade dos elementos


químicos em sua Tabela Periódica.

45
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

7.1.1 Polaridade Molecular


Para verificarmos se uma molécula é polar ou apolar, devemos utilizar o
vetor µ (momento dipolar), que apresenta as seguintes características:

• Sentido: do átomo menos eletronegativo para o mais eletronegativo.


• Módulo: é a diferença entre a eletronegatividade dos átomos.
• Quando os vetores forem para o mesmo sentido o µ= 0 e a molécula será polar.
• Quando os vetores forem para sentidos opostos o µ = 0 e a molécula será apolar.

Veja os exemplos na figura a seguir.

FIGURA 27 - LIGAÇÃO POLAR – LIGAÇÃO APOLAR

FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2012/03/


van-der-waals1.jpg.>. Acesso em: 26 jan. 2016.

E
IMPORTANT

“A polaridade de uma molécula depende da polaridade das ligações estabelecidas


entre os átomos constituintes e da sua geometria”. (COVRE, 2001, p. 138).

46
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

7.1.2 A polaridade e a solubilidade


A solubilidade de uma substância em outra depende diretamente da
polaridade de suas moléculas. Regra de solubilidade: “Semelhante dissolve
semelhante”, ou seja: Polar dissolve substância polar. Apolar dissolve substância
apolar.

Ex.: O KCl (polar) dissolve-se em H2O (polar), mas não se dissolve em C6H6
(apolar). O CH4 (apolar) dissolve-se em C6H6 (apolar), mas não se dissolve em H2O
(polar).

8 FORÇAS INTERMOLECULARES
“Força intermolecular é o nome dado à atração existente entre unidades
elementares”. (COVRE, 2001, p. 141). São forças de interações entre moléculas. As
forças intermoleculares justificam a presença dos estados físicos das substâncias:
estado sólido, estado líquido e estado gasoso, o que nos faz concluir que, entre
as moléculas, existem forças de atração de diferentes intensidades. As forças
intermoleculares interferem diretamente nas temperaturas de fusão (PF) e nas
temperaturas de ebulição (PE) de uma substância. Quanto mais intensa for a força
de atração entre as moléculas, mais difícil será separá-las, ou seja, será necessário
fornecer muita energia para que tal separação ocorra, o que justifica as altas
temperaturas de fusão e ebulição.

NOTA

Ligações intermoleculares fortes x altas temperaturas de fusão e ebulição.

Uma substância no estado sólido apresenta altas forças de atração entre


suas moléculas em relação ao estado líquido. No estado gasoso, as forças de atração
entre as moléculas são muito baixas, ou quase nulas. As forças intermoleculares
se dividem em dois tipos: Forças de Van der Waals e Ligação de hidrogênio, ou
Pontes de hidrogênio.

47
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

8.1 FORÇAS DE VAN DER WAALS


As Forças de Van der Waals ocorrem entre moléculas polares. A formação
do dipolo se dá através da diferença de eletronegatividade entre os ligantes: o polo
da extremidade negativa de uma molécula atrai o polo da extremidade positiva da
molécula vizinha.

FIGURA 28 - FORMAÇÃO DO DIPOLO NA MOLÉCULO DE ÁCIDO CLORÍDRICO (HCl)

FONTE: Disponível em: <http://webeduc.mec.gov.br/portaldoprofessor/quimica/cd1/


conteudo/aulas/1_aula/imagens/0000000539.jpg>. Acesso em: 26 jan. 2016.

Esse tipo de interação também ocorre nas ligações iônicas, porém com
uma intensidade bem menor. Na figura anterior temos o exemplo do HCl, a uma
temperatura de –84 ºC, onde já se consegue quebrar as ligações das moléculas do
ácido clorídrico no estado líquido e, assim, pode ocorrer a passagem para o estado
gasoso.

• FORÇAS DE VAN DER WAALS: São interações fracas e são classificadas em:
Dipolo-Dipolo e Dipolo-Instantâneo - Dipolo Induzido (ou Forças de London).

8.2 DIPOLO-DIPOLO OU DIPOLO INSTANTÂNEO


São forças de atração que ocorrem em moléculas apolares no estado sólido
ou líquido. A nuvem de elétrons nas moléculas apolares é contínua, não aparecendo
cargas elétricas. Essa nuvem pode ser deformada por alguma ação externa, como a
elevação da pressão e o abaixamento da temperatura, o que ocasiona uma distribuição
desigual de cargas e o aparecimento de um dipolo. O dipolo instantâneo induz a
polarização da molécula vizinha, resultando em uma fraca atração entre elas. Veja o
exemplo das moléculas de O2, na figura a seguir.

48
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

FIGURA 29 - DIPOLO INSTANTÂNEO DO O2 INDUZ A POLARIZAÇÃO DA MOLÉCULA VIZINHA

FONTE: Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/upload/conteudo/images/


polarizacao%20do%20oxigenio.jpg.>. Acesso em: 26 jan. 2016.

Com o oxigênio em estado líquido, as forças de atração entre as moléculas


de O2 são tão fracas que a –183 ºC já se consegue quebrar essas ligações, e o oxigênio
passa para o estado gasoso.

8.3 PONTES DE HIDROGÊNIO OU LIGAÇÕES DE HIDROGÊNIO


“Ponte de hidrogênio ou ligação de hidrogênio é o nome dado à força
de atração existente entre dipolos permanentes quando o hidrogênio está
ligado a átomos de alta eletronegatividade e pequenos, ou seja, flúor, oxigênio
e nitrogênio”. (COVRE, 2001, p. 142). As Pontes de hidrogênio ou ligações de
hidrogênio se encaixam a um caso particular de interação dipolo-dipolo, em que
o dipolo formado é muito intenso. Esse fenômeno ocorre quando a diferença de
eletronegatividade entre os elementos ligantes é muito alta. Esse tipo de interação
ocorre em moléculas polares. Exemplos: Moléculas de ácido fluorídrico, água,
amônia e metanol.

A intensidade das pontes de hidrogênio é muito maior que a força de Van


der Waals, pois para a água passar do estado líquido para o estado gasoso, ou seja,
evaporar, necessita-se de 100ºC, o que é uma temperatura muito elevada.

ATENCAO

Quanto mais intensa for a força intermolecular, maior será a energia necessária
para separar as moléculas, ou seja, maior serão as temperaturas de fusão e ebulição.

Veja a seguir a ordem de crescimento das forças intermoleculares:

49
UNIDADE 1 | ESTRUTURA ATÔMICA

Forças de Van der Waals -> Dipolo -Instantâneo -> Pontes de Hidrogênio

ATENCAO

Quanto maior o tamanho da molécula, mais fácil a ocorrência de distorções da


nuvem eletrônica; em consequência, mais fácil será a formação de polos. Logo, à medida
que o tamanho da molécula aumenta (aumento da massa molecular), aumenta também a
temperatura de ebulição. O tamanho da molécula e a temperatura de ebulição são diretamente
proporcionais.

LEITURA COMPLEMENTAR

Elementos químicos recentemente adicionados à Tabela Periódica

Desde a sua composição pelo químico e inventor Dimitri Mendeleev,


na segunda metade do século XIX, a Tabela Periódica ficou sujeita a constantes
atualizações. Algum tempo depois de sua ampla adoção, foram descobertos o gálio
e o germânio, cujas propriedades preenchiam satisfatoriamente as lacunas da tabela,
previstas anos antes por Mendeleev. O último elemento químico que se presumia
ocorresse espontaneamente na natureza, o frâncio, foi descoberto em 1939. Em 1971,
porém, cientistas identificaram pequenas partículas de plutônio que se formavam
naturalmente. Quase ao mesmo tempo em que os últimos elementos de formação
espontânea iam sendo adicionados à tabela, pesquisadores realizavam experiências
com o urânio e o plutônio, que, ao terem seus átomos bombardeados por outras
partículas (como, por exemplo, nêutrons ou partículas carregadas de movimento
rápido), dão origem a novos entes, os chamados elementos sintéticos. É esta a
principal vertente na qual a química atual investe, no que tange à descoberta de novos
elementos, todos artificiais em essência, ou seja, sintetizados em laboratório. Assim, os
elementos mais recentes da Tabela Periódica são ao mesmo tempo classificados como
transurânicos, por terem número atômico maior que 92, e sintéticos, pela fabricação
artificial. Como a Tabela Periódica conta, ao momento da composição deste artigo
(04/2012), com 118 elementos classificados, temos 26 elementos transurânicos e 20
elementos sintéticos. Nos últimos 20 anos nove foram os elementos adicionados à
Tabela Periódica:

110 - Darmstadtium (Ds) - 1994


111 - Roentgenium (Rg) - 1994
112 - Copernicium (Cn) - 1996
113 - Ununtrium (Uut) - 2003
114 - Ununquadium (Uuq) - 1999
115 - Ununpentium (Uup) - 2003
116 - Ununhexium (Uuh) - 2000

50
TÓPICO 3 | LIGAÇÕES QUÍMICAS

117 - Ununseptium (Uus) - 2010


118 - Ununoctium (Uuo) – 2012

As principais características de todos estes elementos, além de não terem na


prática um uso definido, é que são todos radioativos, têm uma vida média brevíssima,
em muitos casos, poucos segundos ou às vezes menos, e em consequência, sofrem
um processo chamado “decaimento”, que consiste na conversão, ao momento em
que sua vida média cessa, em elementos de massa atômica menor. Até o momento,
apenas três destes elementos listados possuem nome definido, que é selecionado
pelo IUPAC - em inglês, International Union of Pure and Applied Chemistry ou
União Internacional de Química Pura e Aplicada. O Darmstadium recebe o nome
da cidade onde foi pela primeira vez sintetizado - Darmstad, na Alemanha; o
Roentgenium, batizado em homenagem a Wilhelm Conrad Röntgen, o descobridor
do Raio-X; o Copernicium deve seu nome ao astrônomo polonês Nicolau Copérnico.
Os elementos seguintes não possuem nome definido. Seu nome provisório é apenas
o equivalente em latim para os numerais 113 a 118 (ununtrium é a forma latina
de 13, e assim por diante). Mas a qualquer momento a IUPAC pode atribuir uma
nomenclatura definitiva a estes elementos, que receberão, provavelmente, nomes
de personalidades, ou das cidades onde foram sintetizados pela primeira vez.
FONTE: Disponível em: <http://www.infoescola.com/quimica/elementos-quimicos-
recentemente-adicionados-a-tabela-periodica/>. Acesso em: 22 jan. 2016.

51
RESUMO DO TÓPICO 3
• Os átomos apresentam a tendência de perder ou ganhar elétrons para obter os
oito elétrons na camada de valência.

• Ligação iônica ocorre por transferência de elétrons, entre um metal e um não


metal.

• A ligação covalente ou molecular ocorre por compartilhamento de elétrons entre


não metal com não metal.

• A ligação coordenada dativa é um caso particular de ligação covalente.

• As ligações metálicas ocorrem entre metais e são conhecidas como “nuvem de


elétrons” ou “mar de elétrons”.

• As ligas metálicas são junções de dois ou mais metais, podendo conter um não
metal, com o intuito de melhorar suas propriedades.

• O termo geometria refere-se à maneira como os átomos que formam uma molécula
estão dispostos no espaço. Em outras palavras, é o “desenho geométrico” da
molécula.

• Geometria é a forma como os átomos estão distribuídos espacialmente em uma


molécula, podendo assumir várias formas geométricas, dependendo dos átomos
que a compõem.

• As geometrias moleculares mais estudadas são linear, angular, trigonal plana,


piramidal e tetraédrica.

• Polaridade da ligação é o resultado da diferença entre as eletronegatividades dos


átomos que estão ligados, e eletronegatividade é a capacidade que um átomo
tem de atrair elétrons de outro átomo, quando os dois realizam uma ligação
química.

• Ligação covalente polar: formada por elementos diferentes, ou seja, há


diferença de eletronegatividade e formação de cargas parciais d+ e d-, pois
podemos identificar polos elétricos opostos. Quanto maior a diferença de
eletronegatividade, maior a polaridade da ligação. Ex.: HCl.

• Ligação covalente apolar: formada por elementos iguais, ou seja, não há


diferença de eletronegatividade, ou essa é muito pequena ou igual a zero. Se
os elementos são iguais, os valores de eletronegatividade também são, logo, a
ligação é apolar. Ex.: H2.

52
• Para verificarmos se uma molécula é polar ou apolar, devemos utilizar o vetor
µ (momento dipolar), que apresenta as seguintes características:
a) Sentido: do átomo menos eletronegativo para o mais eletronegativo.
b) Módulo: é a diferença entre a eletronegatividade dos átomos.
c) Quando os vetores forem para o mesmo sentido o µ= 0 e a molécula será polar.
d) Quando os vetores forem para sentidos opostos o µ = 0 e a molécula será apolar.

• A solubilidade de uma substância em outra depende diretamente da polaridade


de suas moléculas. Regra de solubilidade: “Semelhante dissolve semelhante”,
ou seja: Polar dissolve substância polar, apolar dissolve substância apolar.

• Força intermolecular é o nome dado à atração existente entre unidades


elementares.

• As Forças de Van der Waals ocorrem entre moléculas polares. A formação do


dipolo se dá através da diferença de eletronegatividade entre os ligantes: o polo
da extremidade negativa de uma molécula atrai o polo da extremidade positiva
da molécula vizinha.

• Ponte de hidrogênio ou ligação de hidrogênio é o nome dado à força de atração


existente entre dipolos permanentes quando o hidrogênio está ligado a átomos
de alta eletronegatividade e pequenos, ou seja, flúor, oxigênio e nitrogênio.

• Tamanho da molécula: Quanto maior o tamanho da molécula, mais fácil a


ocorrência de distorções da nuvem eletrônica; em consequência, mais fácil será
a formação de polos.

53
AUTOATIVIDADE

1 Dois elementos, X e Y, apresentam valores de números atômicos


20 e 17, respectivamente. A fórmula molecular e o tipo de ligação
do composto formado são:

Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) XY2 ligação covalente.


b) ( ) X2Y ligação iônica.
c) ( ) XY2 ligação iônica.
d) ( ) X2Y ligação covalente.
e) ( ) X2Y2 ligação iônica.

2 Explique por que o íon cloreto (Cl-) é estável e o átomo de cloro


(Cl) não, ou seja, é instável.

3 Após os estudos realizados sobre polaridade, assinale a


alternativa CORRETA:

a) ( ) A polaridade é dependente da eletropositividade.


b) ( ) Ligações polares ocorrem entre elementos iguais.
c) ( ) Ligações apolares ocorrem entre elementos diferentes.
d) ( ) As moléculas polares são solúveis em água.

54
UNIDADE 2

FUNÇÕES INORGÂNICAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A partir desta unidade você será capaz de:

• identificar as principais funções inorgânicas;

• conhecer os grupos funcionais pertencentes à química inorgânica;

• nomear as funções inorgânicas conforme as regras da IUPAC;

• estudar as propriedades dos compostos inorgânicos.

PLANO DE ESTUDOS
A unidade de ensino a seguir contempla quatro tópicos e, ao final desses
tópicos, você encontrará atividades que irão contribuir para a compreensão e
fixação dos conteúdos estudados.

TÓPICO 1 – ÁCIDOS

TÓPICO 2 – BASES OU HIDRÓXIDOS

TÓPICO 3 – SAIS

TÓPICO 4 – ÓXIDOS

55
56
UNIDADE 2
TÓPICO 1

ÁCIDOS

1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, seja bem-vindo à Unidade 2 do nosso caderno de estudos.
Neste primeiro tópico iremos estudar as funções inorgânicas que contemplam
centenas de compostos que utilizamos em nosso dia a dia. Bom estudo!

Função química é um conjunto de substâncias com propriedades químicas


funcionais semelhantes. Iremos estudar quatro importantes funções inorgânicas:
Os Ácidos, As Bases ou Hidróxidos, Os Sais e Os Óxidos.

As funções inorgânicas são compostos com propriedades químicas


semelhantes, que pertencem à parte da química inorgânica, ou seja, dos compostos
minerais. Diferente da química orgânica, na qual as suas funções orgânicas
são compostos derivados do elemento carbono. Nas funções inorgânicas, as
substâncias apresentam grupos funcionais em comum. Por exemplo, os ácidos
apresentam um único cátion, o H+1, e as bases ou hidróxidos apresentam um
único ânion, a hidroxila OH-1. É através da presença destes grupos funcionais
que poderemos caracterizar as funções inorgânicas. É de suma importância, no
estudo de qualquer função inorgânica, conhecer a sua formulação, ou seja, a sua
composição molecular. O conhecimento do número de oxidação (nox) das espécies
químicas é indispensável para tal formação.

2 NÚMERO DE OXIDAÇÃO (NOX) – CARGA DOS ÍONS


O nox (número de oxidação) é a carga positiva ou negativa que um átomo
adquire ao realizar uma ligação química, iônica, por exemplo. No geral, nox é o
valor da carga de uma espécie química.

57
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

ATENCAO

Ao realizar uma ligação química e adquirir carga positiva ou negativa (nox) o


átomo torna-se um íon..

Exemplos:

1º) No composto NaCl.

O sódio (Na) está presente na família 1A da Tabela Periódica e por isso


se estabiliza formando um cátion monovalente, com nox = +1 (Na+), e o cloro que
pertence à família 7A se estabiliza formando um ânion monovalente, com nox = -1
(Cl-).

Assim a fórmula molecular é:


NaCl

Logo, as cargas ou nox (números de oxidação) desses íons se anulam, pois


possuem valores iguais e sinais contrários.

2º) Na molécula da água, H2O:

Neste caso, de uma fórmula molecular, devemos imaginar que o par de


elétrons da ligação covalente ou dativa será compartilhado com o átomo mais
eletronegativo:

H O H
“perde” o elétron “ganha” os pares de elétrons “perde” o elétron
+1 -2 +1

Em cada ligação covalente, o par de elétrons será compartilhado com o


oxigênio, que é mais eletronegativo que o hidrogênio.

Assim, cada hidrogênio “ficará” com carga (+ 1) e o oxigênio “ficará” com


carga (- 2).

Estas cargas (nox) teóricas, então, serão os números de oxidação de cada


átomo:

Cada hidrogênio NOX = + 1


Cada oxigênio NOX = -2

58
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

2.1 DETERMINAÇÃO DO NOX (NÚMERO DE OXIDAÇÃO)


Algumas regras podem ser utilizadas para facilitar a determinação do
número de oxidação.

1°- Toda substância simples apresenta número de oxidação (nox) igual a ZERO.

QUADRO 9 - EXEMPLOS DE NOX DE SUBSTÂNCIAS SIMPLES

Átomo Substância simples NOX


Hidrogênio H2 zero
Oxigênio O2, O3 zero
Cloro Cl2 zero
Ferro Fe zero
FONTE: A autora

2° - Em relação aos elementos do grupo A (elementos representativos) da Tabela


Periódica, podemos verificar os números de oxidação conforme o Quadro 10.

QUADRO 10: NOX DOS ELEMENTOS DO GRUPO A DA TABELA PERIÓDICA

Famílias grupo A 1A 2A 3A 4A 5A 6A 7A
+4
Nox +1 +2 +3 -3 -2 -1
-4
FONTE: A autora

Obs.: O nox do hidrogênio (H+) normalmente é +1, podendo em alguns


casos apresentar nox = -1.

Note no Quadro 10 que até a família 3A os números de oxidação são


positivos (cátions) e a partir da família 5A os números de oxidação são negativos
(ânions). Já na família 4A o número de oxidação pode ser positivo ou negativo,
isso depende da composição molecular da substância formada, porém geralmente
o nox usado é o positivo.

ATENCAO

Caro acadêmico, consulte em sua Tabela Periódica, na parte posterior, a tabela de


cátions e ânions, lá você encontrará íons com nox fixos e íons com nox variáveis.

59
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

3° - Nas fórmulas moleculares (moléculas), a soma dos números de oxidação de


todos os átomos deve ser igual a zero.

Exemplo: Determine o nox de todos os átomos formadores do ácido nítrico


(HNO3).

QUADRO 11 - NOX DOS ÁTOMOS QUE COMPÕEM O HNO3

Fórmula H N O3
Cada átomo +1 -2
+1 +5 -6
FONTE: A autora

Para que a soma de todos os nox seja igual a zero, o enxofre (S) apresentará
NOX= +7.

Observe que ao somarmos os valores de nox positivos tem-se +1 + +7 = +8.


Como tem-se quatro átomos de oxigênio, multiplicamos: 4 x -2 = -8. Assim, +8 - 8 =
0. Logo, na soma as cargas positivas e negativas devem se anular.

ATENCAO

Quando a fórmula molecular apresentar três elementos, teremos que encontrar


um valor de nox para o elemento central (do meio) de tal forma que as cargas (nox) positivas
sejam iguais à carga negativa, para que no final as cargas sejam zeradas.

4º - No caso de íons oxigenados, a soma das cargas (nox) deve ser igualada à carga
do íon, para que no final a soma total seja nula.

Exemplo: Cr2O7 -2

Neste caso, teremos que determinar o nox do cromo (Cr) para que a soma
total das cargas (nox) seja nula. Como o Cr2O7 -2 é um íon, a soma das cargas será
igual à sua carga, - 2.

Assim:

Cr2 x O7 -2 ------- 2x – 14 = -2
-------- 2x = - 2 + 14
-------- 2x = + 12 ------- x = 12/2 ----- x = +6.

60
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

Na química, uma das maiores preocupações é a de verificar todas


as características químicas e físicas das substâncias existentes na natureza.
Caracterizando quimicamente uma substância, conseguimos diferenciá-la. Como
exemplo, podemos citar as substâncias eletrolíticas, que conduzem corrente elétrica,
e as substâncias não eletrolíticas, que não conduzem corrente elétrica.

A verificação de condução elétrica de uma substância deve ser realizada em


soluções aquosas, ou seja, deve-se dissolver a substância em água.

2.2 IONIZAÇÃO E DISSOCIAÇÃO


A palavra ionização se refere aos íons, cátions e ânions, já a palavra
dissociação significa a separação, dissipação. Quando dissolvemos compostos iônicos
(formados por um metal (cátion) e um não metal (ânion)) em água, como o sal de
cozinha (NaCl), teremos uma solução eletrolítica, ou seja, que conduz corrente
elétrica devido às diferenças de cargas (polos contrários se atraem).

Exemplo: água do mar, rica em sais minerais, cátions como Na+1, K+1, Ca+2 e
ânions como Cl-1, NO3-1.

Já nos compostos moleculares, que não apresentam metais em sua


composição, ou seja, não apresentam íons, a condução de corrente elétrica é muito
baixa, ainda somente quando dissolvidos em água. A solução que não conduz
corrente elétrica é chamada de solução não eletrolítica.

Exemplo: açúcar em água.

Quando compostos iônicos são dissolvidos (misturados) em água, ocorre


um fenômeno chamado de dissociação iônica ou dissociação eletrolítica, onde o
cátion se dissocia (se separa) do ânion. Note no exemplo a seguir que o sal, cloreto
de potássio, se dissociou.

Exemplo:
água
K Cℓ
+ -
(s)
K+ (aq) + Cℓ-(aq)

Em relação às substâncias moleculares, não podemos garantir a ocorrência


da dissociação.

Os ácidos, por exemplo, são substâncias que quando dissolvidas em água


sofrem o processo da ionização gerando como único cátion o íon hidrônio ou
hidroxônio (H3O+).

Verifique a seguir como ocorre a ionização do ácido bromídrico, gerando


uma solução eletrolítica, ou seja, que conduz corrente elétrica:

61
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

HBr + H2O H3O+ + Br-


Cátion hidroxônio ânion brometo (ânion)

São esses íons formados através da dissociação os responsáveis pela


condução de corrente elétrica.

O cientista Svante August Arrhenius estabeleceu conceitos sobre os ácidos e


bases ou hidróxidos (funções inorgânicas) e também sobre o grau de ionização ( α ).

2.3 GRAU DE IONIZAÇÃO ( α )


O grau de ionização é calculado para medir a “força” da ionização ou
dissociação iônica. A força dos ácidos, por exemplo, pode ser determinada através
do grau de ionização.

O cálculo do grau de ionização é realizado através da relação entre


o número total de moléculas ionizadas (final) e o número total de moléculas
dissolvidas (inicial), no final multiplica-se o resultado por cem, para se ter a
relação em porcentagem, conforme representado abaixo:

QUADRO 12 - FÓRMULA PARA O CÁLCULO DO GRAU DE IONIZAÇÃO

Número total de moléculas ionizadas


α = ----------------------------------------------------------
Número total de moléculas dissolvidas

FONTE: A autora

Exemplo 1: 100 moléculas de ácido clorídrico (HCℓ) foram misturadas em


água, e 92 moléculas se ionizaram (H+ e Cℓ-).

Para medirmos o grau de ionização (ou grau de dissociação) faremos:

α = ⇒ 0,92 x 100 = 92% de ionização

Exemplo 2: 100 moléculas de ácido fluorídrico (HF) foram dissolvidas em


água e apenas 8 moléculas se ionizaram (H+ e F-).

Logo:

α= ⇒ 0,08 x 100 = 8%

62
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

Dependendo do grau de ionização, os eletrólitos podem ser classificados


em:

• Eletrólito forte: quando o α ≥ 50%


• Eletrólito moderado: quando o α variar de 5% ≤ α < 50%
• Eletrólito fraco: quando o α < 5%

3 ÁCIDOS
Caro acadêmico, todos nós, em algum momento da vida, já experimentamos
alguma substância ácida, seja uma fruta, um alimento ou uma substância química
que sentimos o odor. Neste momento iremos estudar exatamente o que são essas
substâncias ácidas, para que elas servem, quais seus benefícios e seus malefícios.

“Ácido é toda substância que, ao ser dissolvida em água, sofre ionização e


apresenta como único tipo de íon positivo o cátion hidrogênio (H+1)” (COVRE, Geraldo
José, 2011, pag. 151).

Exemplo: HNO3 ----------- H+1 e NO3-1

ATENCAO

Note que os ácidos apresentam como primeiro elemento na fórmula molecular


o único cátion o H+, seguido de um ânion qualquer. Para verificar a carga do ânion (nox)
consulte sua tabela de cátions e ânions.

Os ácidos são substâncias que no geral apresentam sabor azedo, como no


vinagre (ácido acético), na laranja, limão, abacaxi (ácido cítrico), na uva (ácido
tartárico), na vitamina C (ácido ascórbico). São corrosivos aos metais e apresentam
baixos valores de pH.

pH = Potencial hidrogeniônico, ou seja, é uma medida de acidez. Quanto menor o


valor do pH, mais ácida é a substância.

Na figura a seguir podemos notar a ordem crescente de pH. De zero a 6,9


temos valores pH ácidos. Acima de sete temos valores de pH básicos ou alcalinos.
Repare que, quanto menor o valor do pH, mais ácida será a substância, e quanto
maior o valor do pH, mais alcalina ou básica será a substância. No sete encontra-se
o valor de pH neutro.

63
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

FIGURA 30 - ESCALA DE PH

FONTE: Disponível em: <http://www.blog.mcientifica.com.br/wp content/uploads/2013/10/


escala-de-ph-01.jpg.>. Acesso em: 29 jan. 2016.

Exemplo: um refrigerante à base de cola apresenta pH = 2,5 - o que o torna


muito ácido e agressivo ao nosso estômago, que já produz o ácido clorídrico, o
qual auxilia na reação de digestão.

FIGURA 31 - EXEMPLOS DE ALGUMAS SUBSTÂNCIAS E VALORES DE PH

0 Springway

1 Ácido de Bateria
2 Suco de Limão
Aumento Chuva
de acidez 3 Vinagre Peixe adulto morre ácida
4 Reprodução dos
peixes afetada
5
Linha normal
6
Leite de chuva
Neutro 7 Linha normal
dos rios
8 Bicarbonato de sódio
9 água do mar

10 Leite de
Aumento de 11 Magnésia
alcalinidade
12 Amônia

13 Barrela
14
Escala de PH

FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/figuras/Oitava_quimica/pH.gif.>.


Acesso em: 29 jan.2016.

64
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

3.1 DEFINIÇÃO SEGUNDO ARRHENIUS


Os ácidos são compostos moleculares, que sofrem ionização quando
misturados em água, gerando como único íon positivo o H3O+ (íon hidrônio ou
hidroxônio).

“Ionização é o nome dado ao processo pelo qual a água forma íons que não
existiam” (COVRE, Geraldo José, 2011, pag. 151).

Exemplo: Reação de ionização do ácido clorídrico (HCl), repare que o


hidrogênio do ácido se separa do ânion Cl- e se liga aos dois hidrogênios da água,
formando assim o íon hidrônio ou hidroxônio H3O+.

HCl(l) + H2O(l) H3O+(aq) + Cl-(aq)

ESPÉCIE RESPONSÁVEL
PELO CARÁTER ÁCIDO:
ÍON HIDRÔNIO OU
HIDROXÔNIO.

A ionização ocorre em etapas, o que depende do número de hidrogênios


ionizáveis, ou seja, se o ácido apresenta um hidrogênio ionizável, a ionização ocorrerá
em uma única etapa, se apresentar três hidrogênios ionizáveis a ionização ocorrerá
em três etapas. E ainda, o número de hidrogênios ionizáveis indicará o número de
íons H3O+ formados.

Exemplo:

H2SO4 + H2O ------------- H3O+ + HSO4 1ª etapa – saída do 1º hidrogênio


HSO4 + H2O ------------- H3O + SO4
+
2ª etapa – saída do 2º hidrogênio
2 H3O+ + SO4 -2

Obs.: Ocorreu a formação de dois íons hidrônios ou hidroxônios (2 H3O+),


justamente porque o ácido sulfúrico (H2SO4) possui dois hidrogênios ionizáveis.

65
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Construção da fórmula molecular de um ácido

HxA
Formulação Geral = ONDE: H = H+
x = NOX de A

{

não oxigenado
A = ânion
oxigenado

Obs.: O número de hidrogênios do ácido deriva da carga (nox) do ânion.


Basta fazer a inversão de cargas de cima para baixo na diagonal.

Exemplos:

Ácido bromídrico: HBr H+ Br-

Ácido bórico: H3BO3 H+ (BO3)3-

Repare que no ácido bromídrico as cargas se anulam, pois têm o mesmo valor,
porém, com sinais contrários. Já no ácido bórico a carga do ânion (BO3)3- desceu na
diagonal, formando três hidrogênios.

3.2 CLASSIFICAÇÃO
Os ácidos podem ser classificados através de alguns critérios citados a
seguir:

3.2.1 Quanto ao número de elementos diferentes


• Binários: são ácidos que apresentam dois elementos diferentes. Exemplo: HI
(ácido iodídrico).

• Ternários: são ácidos que apresentam três elementos diferentes. Exemplo: HCN
(ácido cianídrico).

• Quaternários: são ácidos que apresentam quatro elementos diferentes. Exemplo:


HSCN (ácido tiocianídrico).

66
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

3.2.2 Quanto ao número de hidrogênios ionizáveis


• Monoácidos: são ácidos que apresentam apenas um hidrogênio ionizável.
Exemplo: HNO2 (ácido nitroso); H3PO2 (ácido hipofosforoso, este ácido é uma
exceção, pois só ioniza um hidrogênio em água).

• Diácidos: são ácidos que apresentam dois hidrogênios ionizáveis.


Exemplo: H2SO3 (ácido sulfuroso), H3PO3 (ácido fosforoso, este ácido é uma
exceção, pois só ioniza dois hidrogênios em água).

• Triácidos: são ácidos que apresentam três hidrogênios ionizáveis.


Exemplo: H3BO3 (ácido brômico); H3PO4 (ácido fosfórico).

• Tetrácidos: são ácidos que apresentam quatro hidrogênios ionizáveis.


Exemplo: H4SiO4 (ácido silícico)

3.2.3 Quanto à presença de oxigênio


• Hidrácidos: ácidos que não possuem oxigênio na molécula.
Exemplo: HF (ácido fluorídrico).

• Oxiácidos: ácidos que possuem oxigênio na molécula.


Exemplo: H2SO4 (ácido sulfúrico).

3.2.4 Quanto à força


A força dos ácidos está relacionada com o grau de ionização (α). Assunto
já visto anteriormente.

No geral, seguimos a regra descrita abaixo, porém a maneira de se determinar


a força dos hidrácidos difere dos oxiácidos:

• Ácidos Fortes – α > 50%


• Ácidos Moderados – 5% ≤ α ≤ 50%
• Ácidos Fracos – α < 5%

Força dos oxiácidos:

Para determinar a força dos oxiácidos usaremos a fórmula Y- X, onde:

Y = número de oxigênios e X = número de hidrogênios.

67
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Quando:

Y – X = 3 - oxiácido muito forte


Y – X = 2 – oxiácido forte
Y – X = 1 – oxiácido moderado
Y – X = 0 – oxiácido fraco

Exemplo: H3PO4 ----- Y – X ---- 4 – 3 = 1 ---- oxiácido moderado

E
IMPORTANT

Muitas vezes a força dos ácidos, quanto ao grau de ionização, não influencia
diretamente outras propriedades químicas, como, por exemplo, a corrosão, a toxicidade de
inalação etc.

Veja alguns exemplos:

• O ácido cianídrico (HCN) apresenta um α = 0,008%, que o classifica como fraco,


contudo, quando o seu gás é inalado, causa a morte em pouco tempo. É um
ácido muito usado nas câmaras de gás aplicadas à pena de morte.

• O ácido sulfúrico (H2SO4) apresenta um α = 61%, que o classifica como um ácido


forte, porém é extremamente corrosivo.

• O ácido sulfídrico (H2S) apresenta um α = 0,08%, que o classifica como fraco,


porém o seu gás libera um odor desagradável (“ovo podre”), que pode ser
sentido nos esgotos, pois é um produto formado a partir da decomposição da
matéria orgânica. A inalação do ácido sulfídrico na forma de gás pode levar à
morte de forma tão rápida quanto o ácido cianídrico.

Força dos hidrácidos:

Devido aos valores do grau de ionização (α) de cada hidrácido, a definição


das forças pode assim ser resumida:

a) Hidrácidos fortes: HCl, HBr e HI.


b) Hidrácido moderado: HF.
c) Hidrácidos fracos: os demais HCN, HSCN, H2S e etc.

68
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

3.3 NOMENCLATURA DOS ÁCIDOS


a) Nomenclatura dos Hidrácidos

Caro acadêmico, para nomear os hidrácidos basta seguir a regra abaixo:

Ácido + nome do ânion + a terminação: ídrico

Exemplos:

HBr – Ácido + brometo + terminação: ídrico =


Ácido bromídrico.

H2S - Ácido + sulfeto + terminação: ídrico =


Ácido Sulfídrico

ATENCAO

Note que na nomenclatura todos os hidrácidos apresentam a terminação ídrico.

b) Nomenclatura dos Oxiácidos

Caro acadêmico, para nomear os oxiácidos basta seguir a regra abaixo:

Ácido + nome do ânion + a terminação: ico para o maior ânion


+ a terminação: oso para o menor ânion

Exemplos:

H2SO4 – Ácido + sulfato + a terminação: ico =


Ácido sulfúrico

H2SO3 – Ácido + sulfito+ a terminação: oso =


Ácido sulfuroso

Para definir o maior e o menor ânion, deve-se observar o número de


oxigênios. O ânion que apresentar um número maior de oxigênio será o maior.
Assim como o ânion que apresentar um número menor de oxigênio será o menor.

69
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

NOTA

Caro acadêmico, consulte sua tabela de ânions para verificar os ânions e suas
variações quanto ao número de oxigênios.

Ainda em relação à nomenclatura, caso o nome do ânion iniciar com o prefixo


“Per” o sufixo será: ico. Caso iniciar com o prefixo “Hipo” o sufixo será: oso.

Exemplos:

HClO4 – Ácido perclorato – Ácido perclórico


HClO – Ácido hipoclorito – Ácido hipocloroso

Obs.: Quando o ânion for fixo, ou seja, não apresentar variação quanto ao
número de oxigênios, usa-se a terminação ico.

Exemplos:

H2CO3 - Ácido Carbônico


H3BO3 - Ácido Bórico

DICAS

Verifique a terminação dos nomes dos ânions em sua tabela e saiba qual a
terminação utilizar na nomenclatura do respectivo ácido.

Terminação nome Terminação nome


dos ânions: dos ácidos:

ato ............................................................. ico


ito .............................................................. oso
eto ............................................................. ídrico

Caro acadêmico, para complementar seu estudo sobre a aplicação do pH,


segue abaixo um experimento. Boa prática!

70
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

EXPERIMENTO: Indicador Ácido-Base de repolho roxo

Os indicadores ácido-base são substâncias que mudam de cor, informando


se o meio está ácido ou básico. Existem indicadores sintéticos, como a fenolftaleína,
o azul de bromotimol, o papel de tornassol e o alaranjado de metila. Porém,
existem também algumas substâncias presentes em vegetais que funcionam como
indicadores ácido-base naturais. Geralmente, essas substâncias estão presentes em
frutas, verduras, folhas e flores bem coloridas. Alguns exemplos são a beterraba,
a jabuticaba, a uva, amoras, folhas vermelhas, entre outras.

Aqui aprenderemos a fazer um indicador ácido-base com repolho roxo


e veremos como ele muda de cor à medida que alteramos o pH do meio através
de alguns produtos que usamos no dia a dia.

Materiais e reagentes:

• repolho roxo;
• água
• liquidificador;
• coador;
• 11 copos transparentes ou béqueres;
• caneta e etiquetas para enumerar os copos;
• limão;
• vinagre;
• bicarbonato de sódio;
• sabão em pó;
• água sanitária;
• detergente;
• açúcar;
• leite;
• sal amoníaco;
• soda cáustica (tome muito cuidado ao manipulá-la e sempre use luvas, pois
a soda cáustica é corrosiva, podendo causar queimaduras graves na pele).

Procedimento experimental:

• Bata 1 folha de repolho roxo com 1 litro de água no liquidificador;


• Coe esse suco, pois o filtrado será o nosso indicador ácido-base natural (se
não for usar o extrato de repolho roxo na hora, guarde-o na geladeira, pois
ele decompõe-se muito rápido);
• Enumere cada um dos copos;
• Coloque o extrato de repolho roxo nos 11 copos;

• Acrescente nos copos 2 a 11 as seguintes substâncias, na respectiva ordem:


soda cáustica, água sanitária, sabão em pó, bicarbonato de sódio, sal
amoníaco, açúcar, leite, detergente, vinagre e limão.
• Observe as cores das soluções.

71
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Resultados e Discussão:

As substâncias presentes nas folhas de repolho roxo que o fazem mudar


de cor em ácidos e bases são as antocianinas. Esse indicador está presente na
seiva de muitos vegetais, tais como uvas, jabuticabas, amoras, beterrabas, bem
como em folhas vermelhas e flores de pétalas coloridas, como as flores de azaleia
e quaresmeira. As antocianinas são responsáveis pela coloração rosa, laranja,
vermelha, violeta e azul da maioria das flores.

Em água (pH neutro = 7), esse indicador tem coloração roxa, mas conforme
a imagem a seguir mostra, ele muda de vermelho em solução ácida (pH < 7)
para púrpura e depois verde em solução básica (pH > 7). No caso da solução ser
fortemente básica, ele torna-se amarelo:

Soluções com extrato de repolho roxo funcionando como indicador de


pH*

Assim, no experimento realizado, as cores observadas devem ser


parecidas com as mostradas a seguir:

72
TÓPICO 1 | ÁCIDOS

Resultado de experimento com indicador de repolho roxo em soluções


ácidas e básicas

Observe que, geralmente, os produtos de limpeza são básicos. A soda


cáustica, por exemplo, é a base hidróxido de sódio (NaOH). Em contrapartida,
muitos alimentos possuem caráter ácido, como é o caso do vinagre, que é
composto pelo ácido acético, e o limão, que possui ácido cítrico e ácido ascórbico
(vitamina C), tendo um pH muito baixo (pH do limão = 2). Já o açúcar e o leite
possuem pH próximo ao básico.
FONTE: FOGAÇA, J. Disponível em: <http://manualdaquimica.uol.com.br/experimentos-quimica/
indicador-acido-base-com-repolho-roxo.htm.>. Acesso em: 29 jan. 2016.

73
RESUMO DO TÓPICO 1
Com este tópico você aprendeu que:

• Os ácidos são compostos moleculares que possuem um único cátion, H+.

• Os ácidos sofrem ionização em água, gerando um único íon positivo, o H3O+.

• Os ácidos são classificados, quanto ao número de elementos, em binários,


ternários e quaternários.

• Os ácidos são classificados quanto ao número de hidrogênios ionizáveis em:


monoácidos, diácidos, triácidos e tetrácidos.

• Os ácidos são classificados quanto à presença de oxigênio em: hidrácidos ou


oxiácidos.

• Os ácidos são classificados quanto à força, devido ao grau de ionização, em:


fracos, moderados ou fortes.

• Os hidrácidos recebem nomenclaturas distintas das dos oxiácidos.

74
AUTOATIVIDADE

Através desta autoatividade, coloque em prática e fixe tudo o que você


aprendeu sobre os ácidos.

1 Realize a nomenclatura dos ácidos a seguir:


a) HF:
b) HNO3 :

2 Monte a fórmula molecular dos seguintes ácidos:


a) ácido tiociânico:
b) ácido sulfuroso:

3 Com relação à força, classifique os ácidos abaixo:


a) HCl (α = 92%):
b) HCN ( α = 0,008%):

4 O sulfato de hidrogênio (H2SO4) é um líquido incolor, oleoso e


solúvel em água, formado da solução aquosa denominada de
ácido sulfúrico. Esse ácido é muito importante em todos os setores
da química e, por isso, é fabricado em grandes quantidades. Um
dos indicadores do desenvolvimento econômico de um país é o consumo desse
ácido.
Ele é usado, por exemplo, na fabricação de fertilizantes, velas, explosivos,
corantes e baterias de automóveis.
Quando concentrado é um poderoso oxidante e desidratante; açúcares,
algodão, papel, madeira e tecidos podem ser destruídos por sua ação
desidratante. Como esse ácido é classificado com relação ao número de
hidrogênios ionizáveis, quanto à presença de oxigênio e força?

75
76
UNIDADE 2 TÓPICO 2

BASES OU HIDRÓXIDOS

1 INTRODUÇÃO
As bases ou hidróxidos são funções inorgânicas que apresentam pH básico
ou alcalino, ou seja, na escala de pH possuem valores acima de oito, são corrosivas,
e apresentam sabor adstringente ou cáustico, como as bananas verdes, caqui, caju.
Ao tato, as bases ou hidróxidos são escorregadias, ensaboadas.

As bases são formadas por um cátion qualquer menos o H+, e o único ânion
monovalente, a hidroxila ou hidróxido (OH-).

Os metais alcalinos (1A), metais alcalinos terrosos (2A) e os outros metais da


Tabela Periódica, como os metais de transição (grupo B), aparecem como os cátions
das bases ou hidróxidos, ou seja, o primeiro elemento da fórmula molecular.

Para montar a fórmula molecular de uma base ou hidróxido basta colocar a


carga (nox) do cátion após a hidroxila (OH-). Obedecendo à mesma regra já utilizada
para os ácidos: a soma total das cargas deve ser nula.

Exemplo: Na+1 -----------NaOH,


Ca+2 ------------------Ca (OH)2,
Al+3 ------------ Al (OH)3 ,
Pb+4 ----------- Pb (OH)4 ,etc.

ATENCAO

Observe que quando a fórmula molecular terminar com OH-, o composto é uma
base ou hidróxido!

77
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Os indicadores ácido/base são substâncias que apresentam a propriedade


de mudar de cor em presença de meio ácido ou básico. A fenolftaleína, por exemplo,
é um indicador que em meio ácido permanece incolor e em meio básico ou alcalino
apresenta coloração vermelha, rósea ou violácea.

A maioria dos indicadores usados em laboratório é artificial; porém alguns


são encontrados na natureza, como o tornassol, que é extraído de certos líquens.
No nosso dia a dia encontramos esses indicadores presentes em várias espécies:
no repolho roxo, na beterraba, nas pétalas de rosas vermelhas, no chá-mate, nas
amoras etc., sendo que sua extração é bastante fácil. A maceração de uma folha
de repolho roxo, seguida de sua diluição com água, permite obter uma solução
roxa que mudará de cor tanto na presença de um ácido como na de uma base.
(USBERCO; SALVADOR, 1999)

QUADRO 13 - INDICADORES ÁCIDO/BASE MAIS UTILIZADOS EM EXPERIMENTOS


QUÍMICOS
Indicador Ácido Base
Tornassol Rosa Azul
Fenolftaleína Incolor Vermelho
Alaranjado de metila Vermelho Amarelo
Azul de bromotimol Amarelo Azul
FONTE: A autora

2 DEFINIÇÃO DAS BASES OU HIDRÓXIDOS SEGUNDO


ARRHENIUS
“Bases são compostos iônicos, que quando em água sofrem dissociação
iônica, gerando um único íon negativo, o OH- (hidroxila ou hidróxido)”.

• A dissociação iônica ocorre quando uma base ou hidróxido entra em contato com
a água e ocorre a separação dos íons, os cátions e os ânions.

Exemplo:

Ca (OH)2(s) + H2O(l) Ca+2(aq) + 2OH-

Dissociação do cátion
Ca+2 e do ânion 2 OH-.

78
TÓPICO 2 | BASES OU HIDRÓXIDOS

2.1 CLASSIFICAÇÃO DAS BASES OU HIDRÓXIDOS

2.1.1 Quanto ao número de hidroxilas (oh-1)


• Monobases: apresentam apenas uma hidroxila em sua fórmula molecular.
Exemplo: NaOH, LiOH, KOH.
• Dibases: apresentam duas hidroxilas em sua fórmula molecular. Exemplo:
Ca(OH)2,, Mg (OH)2, Fe(OH)2 .
• Tribases: apresentam três hidroxilas em sua fórmula molecular. Exemplo:
B(OH)3 , Al(OH)3.
• Tetrabases: apresentam quatro hidroxilas em sua fórmula molecular. Exemplo:
Pb(OH)4 .

2.1.2 Quanto à solubilidade em água


• Solúveis: O hidróxido de amônio (NH4OH), hidróxidos de metais alcalinos
(1A). Exemplo: RbOH.
• Pouco solúveis: Os hidróxidos dos metais alcalinos-terrosos (2A), com exceção
do Mg. Exemplo: Ba(OH)2.
• Insolúveis: Os hidróxidos de outros metais. Exemplo: Pb(OH)2.

2.1.3 Quanto à força


Caro acadêmico, a força das bases está relacionada ao grau de dissociação
iônica (α), que é a separação do cátion e ânion em água, porém utilizaremos uma
regra prática para definir essa classificação.

• Bases fortes: formadas por cátions das famílias dos metais alcalinos (1A) e
metais alcalinos terrosos (2A).
Exemplo: NaOH, KOH, Ca(OH)2 e Ba(OH)2.

• Bases fracas: as demais e o hidróxido de amônio.


Exemplo: Al (OH)3 Fe(OH)2 e NH4OH.

79
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

DICAS

Caro acadêmico, para que você possa aprofundar seus conhecimentos, seguem
abaixo algumas informações sobre as bases mais comuns em nosso cotidiano:

Hidróxido de sódio:

1. Fórmula: NaOH.

2. Fontes: ele é produzido por meio da eletrólise (passagem de corrente elétrica através da
solução com separação de seus íons) de uma solução de sal de cozinha (cloreto de sódio) e
água:

2 NaCl + 2 H2O → 2 NaOH + H2 + Cl2

3. Aplicações: é comercialmente conhecido como soda cáustica e é utilizado na purificação de


óleos vegetais, de derivados do petróleo, na fabricação de papel, celulose, tecidos, corantes e
produtos para desentupir pias. A sua aplicação mais importante é na fabricação de sabão, sendo
misturada com gorduras ou óleos, sob aquecimento:

Óleo ou gordura + NaOH → sabão + glicerina

FIGURA 32 - HIDRÓXIDO DE SÓDIO (SODA CÁUSTICA),


QUE MISTURADA COM ÓLEOS OU GORDURAS ORIGINA O
SABÃO

FONTE: Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/


quimica/bases-mais-comuns-no-cotidiano.html.>. Acesso
em: 03 fev. 2016.

Hidróxido de cálcio:

1. Fórmula: Ca(OH)2.

2. Fontes: é obtido por meio da hidratação da cal viva ou cal virgem, que é o óxido de cálcio
(CaO):

CaO +H2O → Ca(OH)2

3. Aplicações: conhecido comercialmente por vários nomes, como cal extinta, cal hidratada,
cal extinta ou cal apagada. Quando esse sólido branco é misturado com água, é denominado

80
TÓPICO 2 | BASES OU HIDRÓXIDOS

água de cal e é usado principalmente em pinturas do tipo caiação, na produção de argamassa


para construções, para diminuir a acidez do solo, em tratamentos odontológicos, como
inseticida, como fungicida e no tratamento de água e esgotos.

FIGURA 33 - CA(OH)2 SENDO UTILIZADA NA PRODUÇÃO DE


ARGAMASSA E CAL

FONTE: Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/quimica/


bases-mais-comuns-no-cotidiano.html.>. Acesso em: 03 fev. 2016.

Hidróxido de magnésio:

1. Fórmula: Mg(OH)2.

2. Fontes: pode ser encontrado naturalmente sob a forma do mineral brucita e também
pode ser obtido por meio da decomposição térmica da magnesita e reação com vapor de
água.

3. Aplicações: quando misturado com água, ele dá origem ao leite de magnésia, usado como
antiácido estomacal em pequenas quantidades. Em grandes quantidades, ele é utilizado
como laxante. Também pode ser usado como desodorante, pois ele torna o meio básico,
diminuindo a proliferação das bactérias responsáveis pelo cheiro desagradável do suor, que
se desenvolvem em meio ácido.

Hidróxido de amônio:

Fórmula: NH4OH (Observação: na verdade, essa solução não existe isolada, mas existem os
íons NH4+ e OH- em solução. Veja o próximo item.)

Fontes: na realidade, o que acontece é que quando se mistura a amônia (NH3) com a água
(H2O), suas moléculas reagem formando os íons NH4+ e OH-.

Portanto, para se obter essa solução, basta borbulhar a amônia, que é um gás, em água,
ocorrendo as seguintes reações:

NH3 + H2O → NH3 . H2O → NH4+ + OH-

Já a amônia é obtida pela síntese direta conhecida como processo de Haber-Bosch:

N2 + 3 H2 → 2 NH3

81
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

3. Aplicações: Usado para produzir ácido nítrico, fertilizantes agrícolas, explosivos, amaciantes
de roupas, tintas e alisantes de cabelos, desinfetantes, além de ser usado em limpeza
doméstica, na produção de compostos orgânicos e em sistemas de refrigeração.

FIGURA 34 - UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE FERTILIZANTES


AGRÍCOLAS

FONTE: Disponível em: <http://alunosonline.uol.com.br/quimica/bases-


mais-comuns-no-cotidiano.html.>. Acesso em: 03 fev. 2016.

3 NOMENCLATURA DAS BASES OU HIDRÓXIDOS


Quando o cátion, primeiro elemento, apresentar nox (carga) fixa, a regra de
nomenclatura é:

Hidróxido de ……………………………
Nome do cátion

Exemplos:

LiOH - Hidróxido de lítio


NaOH - Hidróxido de sódio
NH3OH - Hidróxido de amônia

Quando o cátion, primeiro elemento, apresentar nox (carga) variável, usa-se


a terminação ico para o maior (carga maior) e oso para o menor (carga menor). E
ainda, indica-se a numeração do nox (carga) em algarismos romanos.

Exemplos:

CuOH – Hidróxido Cuproso ou de Cu I


Cu (OH)2 – Hidróxido Cúprico ou de Cu II

82
TÓPICO 2 | BASES OU HIDRÓXIDOS

Obs.: em relação aos ácidos que possuem sabor azedo, a maior parte é solúvel
em água, são moleculares e só conduzem corrente elétrica em solução aquosa; as
bases apresentam sabor cáustico ou adstringente, a maior parte é insolúvel em
água, são iônicas ou moleculares e conduzem corrente elétrica em água e no estado
fundido. Ao juntarmos um ácido e uma base ocorrerá uma reação de neutralização,
também chamada de reação de salinificação, que irá gerar como produtos um sal
e água. Os sais são as próximas funções inorgânicas que iremos estudar.

83
RESUMO DO TÓPICO 2
Com este tópico você aprendeu que:

• As bases ou hidróxidos são compostos que, ao se dissociarem em água, fornecem


o único ânion hidroxila ou hidróxido (OH-).

• As bases podem ser classificadas quanto ao número de hidroxilas: em monobases,


dibases, tribases ou tetrabases.

• As bases podem ser solúveis em água, pouco solúveis ou insolúveis.

• As bases podem ser: fortes ou fracas.

• Os indicadores ácido-base são usados para identificar o pH ácido ou básico de


uma solução.

84
AUTOATIVIDADE

1 Dê a nomenclatura para as seguintes bases:


a) Ca(OH)2 :
b) Fe(HO)3 :

2 Monte as fórmulas moleculares das bases a seguir:


a) Hidróxido de alumínio:
b) Hidróxido de rubídio:

3 Usando os cátions a seguir, monte as fórmulas moleculares e


nomeie as respectivas bases:
a) Au+ :
b) Sn4+ :

85
86
UNIDADE 2
TÓPICO 3

SAIS

1 INTRODUÇÃO
Caro acadêmico, os sais são funções inorgânicas (compostos), muito
frequentes em nosso dia a dia. Eles podem ser encontrados nos alimentos, pela
função de realçar o sabor, como conservantes e, ainda, como um dos ingredientes
fundamentais de vários produtos, tais como em xampus, pastas dentais etc.
O bicarbonato de sódio (NaHCO3), por exemplo, é um sal muito utilizado em
limpezas dentárias.

DICAS

Os sais são higroscópicos, ou seja, absorvem a umidade do ambiente. Por esse


motivo, devem ser guardados em recipientes fechados, caso contrário eles se encontrarão
“molhados”.

2 DEFINIÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS SAIS


Os sais são compostos iônicos formados com um cátion qualquer, menos
o hidrogênio (H+), e por um ânion qualquer menos a hidroxila (OH-). Lembre-se,
para montar a fórmula molecular deve-se descer no sentido inverso às cargas do
cátion e do ânion.

Exemplos:

Na+1 + Cl-1  NaCl


Ca2+ + (NO3)-1  Ca(NO3)2
Ca2+ + (PO4)-3  Ca3(PO4)2

87
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

3 REAÇÕES DE NEUTRALIZAÇÃO
Os sais são gerados a partir da reação de neutralização entre um ácido e
uma base, que formará como produto um sal e água. As reações de neutralização
podem ser: neutralização total ou neutralização parcial.

ÁCIDO + BASE  SAL + ÁGUA

3.1 REAÇÕES DE NEUTRALIZAÇÃO TOTAL E PARCIAL


Quando o número de hidrogênio (H+) do ácido for igual ao número de
hidroxilas (OH-) da base tem-se um sal normal ou neutro, neste caso temos uma
reação de neutralização total. Quando o número de hidrogênio (H+) do ácido for
superior ao número de hidroxilas (OH-) da base, o sal será ácido ou hidrogenossal;
se o número de hidroxila (OH-) da base for superior ao número de hidrogênio (H+)
do ácido, o sal será básico ou alcalino, também chamado de hidróxissal, nesses
casos temos reações de neutralização parcial.

Veja na figura abaixo a reação de neutralização entre o ácido clorídrico e o


hidróxido de sódio. Como o número de hidrogênio do ácido é igual ao número de
hidroxila da base, temos uma reação de neutralização total, assim, forma-se um sal
normal ou neutro, nesse caso, o cloreto de sódio, conhecido como sal de cozinha,
e água.

FIGURA 35 - REAÇÃO DE NEUTRALIZAÇÃO DO HCL E NAOH GERANDO O


NACL E H2O

FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/


math/7/1/2/7121b5f34cfd59df566c8989a36c72dc.png.>. Acesso em: 1 fev.
2016.

Outros exemplos: Nas duas reações a seguir temos exemplos de reações de


neutralização parcial. Há formação de um sal ácido ou hidrogenossal, e de um sal
básico ou hidróxissal.

88
TÓPICO 3 | SAIS

FIGURA 36 - REAÇÕES DE NEUTRALIZAÇÕES PARCIAIS

FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/acidosbasessais-


130130105340-phpapp02/95/acidos-bases-sais-29-638.jpg?cb=1359543284.>.
Acesso em: 1 fev. 2016.

4 NOMENCLATURA DOS SAIS


Para realizarmos a nomenclatura dos sais normais ou neutros devemos
utilizar a seguinte regra:

Nome do ânion + Nome do cátion

Exemplos:

KCl – Cloreto de potássio


CaNO3 – Nitrato de cálcio
Na3PO4 – Fosfato de sódio

Obs.: Caso o cátion tenha carga (nox) variável, usa-se sufixo (terminação)
ico para o maior e o sufixo (terminação) oso para o menor. E ainda, indica-se o
valor do nox (carga) em algarismos romanos. Para verificar a variação do nox dos
cátions, basta consultar sua tabela de cátions e ânions.

Exemplos:

CuCl - Cloreto cuproso ou de Cu I


CuCl2 - Cloreto cúprico ou de Cu II

• Nomenclatura dos sais ácidos (hidrogenossais)

89
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Para realizar a nomenclatura dos sais ácidos (hidrogenossais) mantemos a


regra geral: nome do ânion + nome do cátion, porém adiciona-se o infixo ácido ou
hidrogeno à nomenclatura.

Exemplo: NaH2PO4 - Ortofosfato diácido de sódio ou


Di-hidrogeno-ortofosfato de sódio

Obs.: o prefixo “di” foi utilizado para indicar a quantidade de hidrogênios


na fórmula molecular do sal, que nesse caso são dois.

• Nomenclatura dos sais básicos ou alcalinos (hidróxissais)

Para realizar a nomenclatura dos sais básicos (hidróxissais) mantemos a


regra geral: nome do ânion + nome do cátion, porém adiciona-se o infixo básico ou
hidróxi à nomenclatura.

Exemplo: Al(OH)Cl2 - Cloreto monobásico de alumínio


Monohidróxi cloreto de alumínio.

Obs.: o prefixo “mono” foi utilizado para indicar a quantidade de hidroxilas


na fórmula molecular do sal, que nesse caso é apenas uma.

5 PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS DOS SAIS


Os sais em sua maioria são sólidos, cristalinos, com sabor “salgado” e
apresentam altos pontos de fusão e ebulição.

São compostos iônicos, ou seja, formados por íons, cátions e ânions, e, desta
forma, conduzem corrente elétrica quando em solução aquosa.

Os sais também podem ser classificados em solúveis ou insolúveis em


água, conforme sua composição molecular. Veja no quadro a solubilidade dos sais
em água, formados pelos cátions e ânions citados abaixo:

QUADRO 14 - SOLUBILIDADE DOS SAIS EM H2O

Ânions Solúveis Sais formados insolúveis


Nitratos (NO3-)
Acetatos (CH3 –COO-)
Cloretos (Cℓ-) AgCℓ, PbCℓ2, Hg2Cℓ2
Brometos (Br ) -
AgBr, PbBr2.Hg2Br2
Iodetos (I )
-
AgI, PbI2, Hg2I2, BiI2
Sulfatos (SO42-) CaSO4, SrSO4, BaSO4, PbSO4

90
TÓPICO 3 | SAIS

Sais de metais alcalinos e amônio

Cátions Solúveis
Sulfetos (S2-) Metais alcalinos, alcalinos-terrosos
e amônio
Hidróxidos (OH-) Metais alcalinos, alcalinos-terrosos
e amônio
Carbonatos (CO32-) Metais alcalinos e amônio
Fosfatos (PO43-) Metais alcalinos e amônio
Sais não citados Metais alcalinos e amônio
FONTE: A autora

• SAIS HIDRATADOS

Certos sais sofrem o processo de cristalização em presença de água, esta que


é definida como água de cristalização ou água de hidratação. Os sais que cristalizam
são chamados de sais hidratados ou hidratos.

Exemplo:

CuSO4. 5 H2O - Sulfato Cúprico ou de cobre II penta-hidratado

Obs.: repare que a nomenclatura do sal carrega a quantidade de moléculas


de água de hidratação, que neste caso são cinco.

6 SAIS DUPLOS OU MISTOS


São sais que apresentam em sua composição molecular dois cátions ou dois
ânions.

Exemplos:

KNaSO4 = Sulfato duplo de sódio e potássio ou sulfato de sódio e potássio.

Obs.: Neste caso temos um sal duplo ou misto quanto aos cátions, o sódio
e o potássio.

CaBrCl = Cloreto brometo de cálcio.

Obs.: Neste caso temos um sal duplo ou misto quanto aos ânions, o cloreto
e o brometo.

91
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Obs.: Neste caso temos um sal duplo ou misto quanto aos ânions, o cloreto
e o brometo.

DICAS

Você sabia que os sais minerais são elementos químicos únicos que estão
envolvidos em vários processos do organismo? Se você tem uma dieta variada, deverá obter
todos os sais minerais que precisa. Diferentemente das vitaminas, os sais minerais não se
deterioram durante o armazenamento ou preparo, portanto sua deficiência é rara, exceto em
indivíduos com alimentação intravenosa ou certas doenças. Uma exceção é a deficiência de
ferro, que normalmente é resultado de perda de sangue ou pode se desenvolver em vegetarianos
estritos. Seu corpo é capaz de se adaptar para utilizar o máximo de seus suprimentos de
sais minerais, por exemplo, a absorção de ferro aumenta se sua dieta for pobre em ferro.
Este é o motivo pelo qual tomar suplementos de sais minerais pode causar problemas: ao
sobrecarregar o corpo com um mineral pode-se diminuir a absorção de outro que é absorvido
no seu corpo pela mesma rota. O sódio, potássio e cromo também são referidos, em solução,
como eletrólitos. Eles são amplamente distribuídos pelo corpo e têm muitas funções, incluindo
a de manter seus nervos trabalhando adequadamente. As deficiências e altos níveis destes
químicos são usualmente causados por problemas no metabolismo da pessoa - por exemplo,
certas doenças ou a desidratação causada por excesso de vômito. Os eletrólitos estão prontos
em alimentos animais e vegetais. Outros sais minerais e marcadores utilizados pelo seu corpo
incluem alumínio, antimônio, boro, bromo, cádmio, lítio, níquel, enxofre e estrôncio. Eles estão
imediatamente disponíveis em sua dieta e são necessários apenas em pequenas quantidades.

FONTE: Disponível em: <http://vitaminasesaisminerais.webnode.com.br/vitaminas-e-sais-


minerais/>. Acesso em: 2 fev. 2016.

92
RESUMO DO TÓPICO 3
Este tópico permitiu a você aprender que:

• Sais são compostos iônicos formados por um cátion qualquer, menos o hidrogênio,
e por um ânion qualquer, menos a hidroxila.

• Os sais podem ser classificados em normais ou neutros, ácidos (hidrogenossais),


básicos (hiróxissais) e sais duplos.

• As reações de neutralização total dão origem a um sal normal ou neutro.

• Os sais normais ou neutros recebem nomenclatura específica.

• As reações de neutralização parcial dão origem a um sal ácido (hidrogenossal)


ou um sal básico ou alcalino (hidróxissal).

• Os sais ácidos (hidrogenossais) ou básicos (hidróxissais) recebem nomenclatura


específica.

• Os sais duplos podem ser classificados em: duplo pelo cátion ou duplo pelo ânion.

93
AUTOATIVIDADE

1 Dê a nomenclatura aos seguintes sais:


a) Na2CO3:
b) LiCl:

2 Escreva as estruturas dos seguintes sais:


a) Iodeto de potássio:
b) Nitrato de cálcio:

3 Monte as reações de neutralização abaixo:


a) LiOH + H2SO4 →
b) Ba(OH)2 + HCℓ →

4 Monte a fórmula molecular dos respectivos sais formados:


a) Cu2+ e BO33- :
b) Pb4+ e Cl- :

94
UNIDADE 2
TÓPICO 4

ÓXIDOS

1 INTRODUÇÃO
Os óxidos são compostos químicos (funções inorgânicas) que nos rodeiam
diariamente. Muitos dos gases poluentes, liberados pela queima de combustíveis
fósseis, são óxidos, como, por exemplo, o dióxido de carbono – CO2 (gás carbônico),
o monóxido de carbono – CO, o dióxido de enxofre – SO2 e etc. A composição de
muitos materiais também apresenta óxidos, como na areia a presença de óxido de
silício – SiO, na oxidação dos metais o óxido ferroso (ferrugem), assim como na
formação da crosta terrestre, das rochas e de outros planetas.

2 DEFINIÇÃO E COMPOSIÇÃO DOS ÓXIDOS


Óxidos

São compostos binários, ou seja, apresentam apenas dois elementos em sua


composição molecular, onde o oxigênio (O-2) é sempre o segundo elemento e o
mais eletronegativo.

Composição: 1° elemento com o valor de seu nox (carga) + o oxigênio O-2

A regra da “inversão de cargas” é a mesma para a montagem da fórmula


molecular de qualquer função inorgânica, como vimos nos capítulos anteriores.
A carga (nox) do primeiro elemento desce depois do segundo elemento, e a carga
(nox) do segundo elemento desce depois do primeiro elemento. Veja nos exemplos
a seguir:

Al+3 O-2  Al2O3

Na+1 O-2  Na2O

Quando os valores das cargas (nox) dos dois elementos forem iguais e de
sinais opostos, elas se anulam.

Exemplos:

Ca+2 O-2  CaO


Ba+2 O-2  BaO

95
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Quando os valores das cargas (nox) forem múltiplos, deve-se recorrer ao


método da “simplificação” para se obter os menores índices possíveis. Índices são os
valores que indicam a quantidade de átomos dos elementos na fórmula molecular,
o que também é chamado de atomicidade. Observe os exemplos abaixo:

C+4 O-2  C2O4  divide-se tudo por 2  CO2


Pb+4 O-2  Pb2O4  divide-se tudo por 2  PbO2

3 CLASSIFICAÇÃO
Os óxidos podem ser classificados por vários critérios, que veremos a seguir.
Inicialmente podemos classificá-los quanto ao número de oxigênios presentes em
sua composição molecular.

a) Monóxidos: apresentam apenas um oxigênio em sua composição molecular.


Exemplo: CO

b) Dióxidos: apresentam dois oxigênios em sua composição molecular.


Exemplo: CO2

c) Trióxidos: apresentam três oxigênios em sua composição molecular.


Exemplo: Al2O3

3.1 ÓXIDOS BÁSICOS


São óxidos que reagem com um ácido formando sal e água ou reagem com
água, produzindo uma base ou hidróxido.

Exemplos:

Li2O + H2O 2 LiOH


Li2O + 2HBr 2 LiBr + H2O

Os óxidos básicos são compostos por metais alcalinos (família 1A), metais
alcalinos terrosos (família 2A) e por elementos com número de oxidação (+1; +2 ou
+3). São compostos iônicos, sólidos que apresentam o único ânion, o oxigênio (O2-),
com elevados pontos de fusão e de ebulição. Os óxidos dos metais alcalinos (família
1ª e nox = +1) são solúveis em água, os demais são pouco solúveis.

96
TÓPICO 4 | ÓXIDOS

3.1.1 Óxidos ácidos ou anidridos


São óxidos que reagem com uma base ou hidróxido, produzindo sal e água
ou reagem com água, produzindo um ácido.

Exemplos:

SO3 + H2O H2SO4


SO3 + 2 KOH K2SO4 + H2O

Os óxidos ácidos são formados geralmente por gases, elementos não


metálicos ou por elementos metálicos com número de oxidação (carga) elevados.

Exemplos:

Cr2O3
Mn2O3
Mn2CrO4

DICAS

Caro acadêmico, veja no quadro abaixo algumas curiosidades para complementar


seu conhecimento sobre os óxidos.

QUADRO 15 - INFORMAÇÕES E APLICAÇÕES DE ALGUNS ÓXIDOS


Peróxidos: na indústria são usados como clarificadores (alvejantes) de tecidos, polpa
de celulose, etc. Para essas utilizações sua concentração é superior a 30% de peróxido
de hidrogênio. A solução aquosa com concentração de 3% de peróxido de hidrogênio,
popularmente conhecida como água oxigenada, é usada como antisséptico e algumas
pessoas a utilizam para a descoloração de pelos e cabelos.

Dióxido de silício: é o óxido mais abundante da crosta terrestre, ele é um dos componentes
dos cristais, das rochas e da areia.

Óxido de Cálcio (CaO): obtido a partir da decomposição do calcário, é usado na


agricultura para diminuir a acidez do solo e também na preparação de argamassa na
construção civil.
Óxido Nitroso (N2O): conhecido como gás hilariante, esse óxido inalado em pequena
quantidade provoca euforia, mas pode causar sérios problemas de saúde; é utilizado
como anestésico.
Dióxido de Enxofre (SO2): é usado para a obtenção de ácido sulfúrico e no branqueamento
de óleos alimentícios, entre outras aplicações. É um dos principais poluentes atmosféricos;
em dias úmidos, combina-se com o vapor de água da atmosfera e origina a chamada
chuva ácida.

97
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

Monóxido de Carbono (CO): usado para obter certos produtos químicos e na metalurgia
do aço. É normalmente o principal poluente da atmosfera das zonas urbanas; inalado
combina com a hemoglobina das hemácias do sangue, neutralizando-as para o transporte
de gás oxigênio no organismo.
FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Oitava_quimica/
funcaoquimica7.php>. Acesso em: 02 fev.2016.

3.2 NOMENCLATURA DOS ÓXIDOS


Para realizarmos a nomenclatura dos óxidos devemos ter em mãos a tabela
de cátions e ânions e seguir as regras citadas abaixo.

Óxido + nome do elemento (quando este apresentar carga (nox) fixa)

Exemplos:

CaO – Óxido de cálcio


Li2O – Óxido de lítio
CO - Óxido de carbono ou monóxido de carbono
Al2O3 – Óxido de alumínio ou trióxido de alumínio

Note que em alguns casos podemos usar a classificação quanto ao número


de oxigênios na própria nomenclatura.

Caso o elemento (que antecipa o oxigênio) apresentar carga (nox) variável,


usa-se a terminação ico para o maior e oso para o menor. E ainda, indica-se a
numeração da carga (nox) em algarismos romanos. Veja os exemplos abaixo:

Exemplos:

PbO – Óxido Plumboso ou de Pb II


PbO2 - Óxido Plúmbico ou de Pb IV

Fe2O3 - Óxido Férrico ou de Fe III


FeO - Óxido Ferroso ou de Fe II

CuO - Óxido Cúprico ou de Cu II


Cu2O - Óxido Cuproso ou de Cu I

98
TÓPICO 4 | ÓXIDOS

NOTA

Caro acadêmico, perceba que o número que está depois do oxigênio, ou seja, o
índice ou atomicidade, é exatamente o valor da carga (nox) do primeiro elemento.

3.3 ÓXIDOS ANFÓTEROS


São os óxidos que podem se comportar como óxidos básicos ou como óxidos
ácidos.

Os óxidos anfóteros geralmente apresentam-se na forma sólida, são


compostos moleculares e insolúveis em água.

Para identificar os óxidos anfóteros basta atentar em sua composição


molecular. Podem ser formados por:

• Metais de zinco, alumínio, estanho e chumbo, conforme os exemplos abaixo,


respectivamente:

ZnO, Al2O3 , SnO , SnO2 , PbO e PbO2

• Semimetais de arsênio e antimônio, conforme os exemplos abaixo, respectivamente:

As2O3 e As2O5 , Sb2O3 e Sb2O5

Exemplos:

ZnO + 2 HCl ZnCl2 + H2O


óxido básico
2 NaOH + ZnO Na2ZnO2 + H2O
óxido ácido

3.4 ÓXIDOS INDIFERENTES OU NEUTROS


São óxidos que não reagem com água, nem com ácidos e nem com bases. Não
apresentam caráter ácido, nem caráter básico. São compostos gasosos, moleculares
e são formados por não metais. São óxidos indiferentes ou neutros:

CO (monóxido de carbono), N2O (monóxido nitroso) e


NO (monóxido nítrico).

99
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

3.5 ÓXIDOS DUPLOS, MISTOS OU SALINOS


São óxidos formados a partir de dois outros óxidos, do mesmo elemento
químico.

Exemplos:

Fe3O4 = FeO + Fe2O3


Pb3O4 = 2 PbO + PbO2

São óxidos iônicos, metálicos e se apresentam no estado sólido.

3.6 PERÓXIDOS
São óxidos que reagem com a água ou com ácidos diluídos, produzindo o
peróxido de hidrogênio, conhecido como “água oxigenada” (H2O2).

Exemplos:

Na2O2 + 2 H2O 2 NaOH + H2O2


Na2O2 + H2SO4 Na2SO4 + H2O2

A nomenclatura segue as mesmas regras dos óxidos, porém utiliza-se como


primeiro substantivo a palavra PERÓXIDO.

Exemplos:

Na2O2 - Peróxido de sódio


H2O2 - Peróxido de hidrogênio

Os peróxidos mais encontrados são:

- Peróxido de hidrogênio: H2O2 (quando em solução aquosa chama-se “água


oxigenada”).
- Peróxidos dos metais alcalinos: Na2O2 , K2O2 (peróxido de potássio) etc.
- Peróxidos dos metais alcalinos terrosos: BaO2 (peróxido de bário).

O H2O2 é um composto líquido molecular (hidrogênio com o não metal


oxigênio); os demais peróxidos são compostos sólidos iônicos, onde encontramos o
ânion O22-, de fórmula estrutural - O - O - . O nox (carga) do oxigênio nos peróxidos
é -1, justamente para zerar a soma de todas as cargas da molécula, como estudamos
em unidades anteriores.

100
TÓPICO 4 | ÓXIDOS

3.7 POLIÓXIDOS OU SUPERÓXIDOS


São óxidos que reagem com a água ou com ácidos diluídos, produzindo
peróxido de hidrogênio, “água oxigenada” (H2O2) e oxigênio.

Exemplos:

K2O4 ou KO2 - Polióxido de potássio


K2O4 + 2 H2O 2 KOH + H2O2 + O2
K2O4 + H2SO4 K2SO4 + H2O2 + O2

Os polióxidos são compostos sólidos iônicos, formados pelos cátions de


metais alcalinos (família 1A) ou de metais alcalinos terrosos (2a) e pelo ânion
polióxido ( O42- ). O nox (carga) do oxigênio nos polióxidos é - ½, justamente
para zerar a soma de todas as cargas da molécula, como estudamos em unidades
anteriores.

NOTA

Caro acadêmico, repare que nos produtos das reações anteriormente


representadas há a ocorrência de setas para cima, e isso indica a liberação de gás, que neste
caso é o gás de oxigênio (O2).

E
IMPORTANT

Prezado acadêmico, para facilitar o entendimento de como nomear os ácidos,


bases, sais e óxidos, é fundamental que você saiba quais são os principais cátions e ânions.
Você encontrará estas informações na tabela anexa desse caderno de estudos (tabela de
cátions e ânions).

Caro acadêmico, segue uma reação química muito interessante, envolvendo


um superóxido, que pode ser realizada em laboratório industrial. Boa leitura!

101
UNIDADE 2 | FUNÇÕES INORGÂNICAS

LEITURA COMPLEMENTAR

Produção de oxigênio a partir de água e superóxido de potássio

Superóxido de potássio, KO2, é utilizado em equipamentos de respiração em sistemas


fechados para remover o dióxido de carbono e a água do ar exalado. A remoção de água
gera oxigênio para a respiração pela reação:

O hidróxido de potássio remove o dióxido de carbono do equipamento pela reação:

A massa de superóxido de potássio necessária para gerar 20 g de O2‚ será: (indique


o inteiro mais próximo)

Dados - Pesos Moleculares


 K (Potássio) = 39 g/mol
 H (Hidrogênio) = 1 g/mol
 O (Oxigênio) = 16 g/mol

Resolução

Por fim, vamos calcular a massa de KO2 necessária para produzir os 20g de O2, como
representado a seguir.

102
TÓPICO 4 | ÓXIDOS

Portanto, são necessárias 59g de KO2 para produzir os 20g de O2.

FONTE: Disponível em: <http://www.quimicalegal.com/producao-de-oxigenio-a-partir-de-agua-e-


superoxido-de-potassio/>. Acesso em: 2 fev.2016.

103
RESUMO DO TÓPICO 4
Este tópico permitiu a você aprender que:

• A química inorgânica é a parte da química que estuda os compostos do reino


mineral, ou seja, não são constituídos por compostos do carbono, salvo algumas
exceções.

• Função química é o conjunto dos compostos que apresentam propriedades


químicas semelhantes.

• Os ácidos, as bases ou hidróxidos, os sais e os óxidos são as funções da química


inorgânica.

• Óxidos são compostos binários que possuem o oxigênio como o elemento mais
eletronegativo.

• Os óxidos são classificados em: óxidos ácidos, óxidos básicos, óxidos indiferentes,
óxidos anfóteros, óxidos duplos, peróxidos e polióxidos.

104
AUTOATIVIDADE

1 Realize a nomenclatura dos óxidos a seguir:


a) Li2O:
b) Ag2O :
c) PbO:

2 Monte as fórmulas moleculares para os seguintes óxidos:


a) óxido plúmbico:
b) óxido auroso:

3 Relacione a primeira coluna de acordo com a segunda:


(1) sal ( ) Al2O3
(2) base ( ) H3PO4
(3) óxido ( ) K2SO4
(4) ácido ( ) NH3OH

4 Indique a função química a que pertence cada uma dessas


substâncias:
a) Hidróxido de potássio:
b) Monóxido de cálcio:

105
106
UNIDADE 3

FÍSICO-QUÍMICA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A partir desta unidade você será capaz de:

• reconhecer uma reação química;

• classificar as reações químicas;

• identificar as condições de ocorrência de uma reação química;

• reconhecer aplicações das reações químicas.

• definir uma grandeza a partir da comparação de um padrão preestabele-


cido;

• diferenciar o conceito de massa atômica de um átomo e de um elemento,


bem como o conceito de massa molecular e volume molar;

• entender o conceito de mol;

• resolver problemas envolvendo cálculos estequiométricos;

• diferenciar dispersões, coloides e soluções, e as principais diferenças entre


elas;

• classificar as soluções em diluídas, concentradas, saturadas, insaturadas e


supersaturadas.

• calcular as concentrações das soluções e interpretar suas unidades de me-


dida;

• relacionar os conhecimentos adquiridos com situações do seu cotidiano.

PLANO DE ESTUDOS
Essa unidade de ensino engloba quatro tópicos e, ao final desses tópicos,
você encontrará as autoatividades que irão contribuir para a compreensão e
fixação dos conteúdos estudados.

TÓPICO 1 – REAÇÕES QUÍMICAS

TÓPICO 2 – GRANDEZAS QUÍMICAS

TÓPICO 3 – DISPERSÕES

TÓPICO 4 – DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES E MISTURA DE SOLUÇÕES

107
108
UNIDADE 3
TÓPICO 1

REAÇÕES QUÍMICAS

1 INTRODUÇÃO

Olá, caro acadêmico, seja bem-vindo à Unidade 3 do nosso caderno de estudos


de Química Geral. Neste momento iremos estudar as reações químicas, um tema
sempre presente em nossas vidas e de extrema importância. Desde a concepção até
o nosso nascimento, milhares de reações químicas ocorrem, e elas permanecerão
ocorrendo até a nossa morte, ou melhor, após ela também. Interessante, não? Convido
você a iniciar este profundo estudo. Boa leitura!

O conceito de reação química está associado à ideia de transformação


química, ou seja, à produção de novas substâncias em decorrência do rearranjo
dos átomos que formavam as substâncias que deixaram de existir. Na vida diária
formam-se constantemente novas substâncias, dizemos que ocorreu um fenômeno
químico. (SARDELLA; FALCONE, 2005)

Neste sentido, é importante definirmos os fenômenos físicos e os fenômenos


químicos.

Fenômenos Físicos: são aqueles que não alteram a constituição íntima da


matéria, como as mudanças de estados físicos. Exemplo: fusão da água, cortar uma
folha de papel etc.

Fenômeno Químico: são aqueles que alteram a constituição íntima da


matéria, como as reações químicas. Exemplo: queima do papel, cozimento de
alimentos etc.

Todo fenômeno químico é representado por uma reação química e toda


reação química possui uma representação gráfica que é chamada de equação
química.

Logo: Reação Química ⇔ | Equação Química

Para se montar uma equação química basta substituir o nome das


substâncias pelas suas fórmulas químicas (fórmulas moleculares).

109
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

NOTA

A equação química deve conter a representação do estado físico das substâncias


presentes na reação química.

FÓRMULA MOLECULAR: é a representação gráfica dos elementos químicos


e de suas quantidades, que formam a molécula de uma determinada substância.

Exemplos: Substância Fórmula Molecular


água H2O
hidrogênio H2
oxigênio O2

1) Hidrogênio em contato com oxigênio produz água.

H2(g) O2(g ) H2O(L)

A equação é H2(g) + O2(g) H2O(L) , que é uma reação química

2) Nitrogênio em contato com hidrogênio produz amônia (gás amoníaco).

N2(g) H2(g) NH3(g)

A equação é N2(g) + 3 H2(g) 2 NH3(g) , que é uma reação química.

Numa equação química, o primeiro membro, chamado REAGENTE, localiza-


se à esquerda da reação, ou seja, antes da flecha, e o que estiver após a flecha,
localizado à direita da reação, constitui o segundo membro, chamado PRODUTO.
O reagente configura o início da reação química e o produto o final da reação
química. Toda equação química deve obedecer à Lei de Lavoisier:

“A quantidade de átomos de um mesmo elemento químico deve ser a


mesma no primeiro membro (reagente) e no segundo membro (produto) da reação
química”.

Coeficientes estequiométricos são os números que antecedem as fórmulas


moleculares dos reagentes e dos produtos, e que indicam as quantidades mínimas
de moléculas das substâncias que reagem e são consumidas no início da reação, e
que se formam ao final da reação química.

Entretanto, para se respeitar a Lei de Lavoisier, em alguns casos é necessário


determinar os coeficientes estequiométricos de uma equação química, ou seja, tornar
iguais as quantidades de átomos de cada elemento químico presente nos reagentes
e nos produtos, utilizando números inteiros ou fracionários sempre à frente das
substâncias.
110
TÓPICO 1 | REAÇÕES QUÍMICAS

Ao igualar as quantidades de átomos de cada elemento químico presente nos


reagentes e nos produtos, estamos realizando o balanceamento da reação química.

Há dois métodos para se realizar o balanceamento de uma reação química:


o método das tentativas e o método da oxirredução.

ATENCAO

Em toda reação química devem ser sempre observados os coeficientes


estequiométricos. Os coeficientes estequiométricos são os números inteiros ou fracionários
que devem ser colocados sempre à frente das substâncias ao se realizar um balanceamento.
O coeficiente estequiométrico é o fator que multiplica o índice (atomicidade) dos elementos
presentes nas substâncias envolvidas na reação.

Exemplo:

Determine os coeficientes estequiométricos da equação química abaixo, pelo


método das tentativas:

N2 + H2 NH3

Resolução:

Inicialmente, observe a quantidade de átomos de nitrogênio: no primeiro


membro existem dois (N2) e no segundo membro existe apenas um (NH3).

Então vamos multiplicar o NH3 por 2:

{
Dois átomos de nitrogênio no 1º membro: N2
N 2 + H2 2 NH3

Dois átomos de nitrogênio no 2º membro: 2 NH3

Agora, confira a quantidade de átomos de hidrogênio: no reagente existem


dois (H2) e no produto existem seis hidrogênios (2NH3).

Logo, devemos multiplicar o H2 por 3:

N2 + 3 H2 2 NH3

2 átomos de nitrogênio 2 átomos de nitrogênio


6 átomos de hidrogênio 6 átomos de hidrogênio
111
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

Os coeficientes dessa equação são: 1 (do N2), 3 (do H2) e 2 (do NH3):

1 N 2 + 3 H2 2 NH3

(SARDELLA, 1998).

ATENCAO

Caro acadêmico, aproveite para aprofundar seus estudos e complemente seu


conhecimento através das referências bibliográficas indicadas: KOTZ, John C. e TREICHEL,
Paul M. Jr. Química Geral e Reações Químicas. 2005; SARDELLA, Antônio e FALCONE, Marly.
Química - Série Brasil, 2004; FELTRE; Química Geral. vol. 1, 1998; USBERCO, João e SALVADOR,
Edgard. Química. vol. 1 e 2, 1999. Boa leitura!

2 CLASSIFICAÇÃO DAS REAÇÕES QUÍMICAS


I – Reações de análise ou decomposição: Reação em que uma
substância composta se decompõe em outras substâncias simples ou compostas.
Genericamente, temos:

AB → A + B

Exemplos:

a) 2 H2O 2 H2 + O 2
b) NH4NO2 N2 + 2 H2O

II – Reação de síntese, composição, adição ou combinação: Reação em que


duas ou mais substâncias simples ou compostas se associam, produzindo uma única
substância produto.

A + B → AB

Exemplos:

a) N2 + 3 H2 2 NH3
b) 2 CO + O2 2 CO2

112
TÓPICO 1 | REAÇÕES QUÍMICAS

III – Reação de deslocamento, simples troca ou substituição simples:


Reações em que uma substância simples reage com uma substância composta,
produzindo outra substância simples e outra composta. (USBERCO; SALVADOR,
1999, p. 13).

A + BC → AC + B

Exemplos:

a) Zn(s) + 2 HCℓ (aq) ZnCℓ2(aq) + H2(g)


Diz-se então que o zinco deslocou o hidrogênio.

b) Fe(s) + CuSO4(aq) FeSO4(aq) + Cu(s)


Diz-se então que o ferro deslocou o cobre.

IV – Reação de dupla troca ou dupla substituição: Reações entre duas


substâncias compostas, as quais, por permutação, produzem duas outras substâncias
compostas (USBERCO; SALVADOR, 1999, p. 13).

AB + XY → AY + XB

a) 2 NaOH(aq) + CuSO4 (aq) Na2SO4(aq) + Cu(OH)2(s)

precipitado

b) H2SO4(aq) + Na2S(aq) Na2SO4(aq) + H2S(g)

ácido fixo + ácido volátil

3 CONDIÇÕES PARA OCORRÊNCIA DE REAÇÕES DE SIMPLES


TROCA E DUPLA TROCA
• Reação de deslocamento, simples troca ou substituição simples:

Para que essas reações ocorram é necessário que as substâncias simples


sejam mais reativas do que o elemento da substância composta que será deslocado.

As reações de deslocamento obedecem à série de reatividade química dos


metais e dos não metais.

113
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

Exemplos:

a) Zn + H2SO4 ZnSO4 + H2
b) Cl2 + 2 NaI 2 NaCl + I2

Analisando os exemplos, temos como resposta:

a) A reação ocorre porque o zinco (metal) é mais reativo do que o hidrogênio.


b) A reação ocorre porque o cloro (ametal) é mais reativo do que o iodo.

O quadro a seguir mostra a série de reatividade dos metais:

QUADRO 16 - SÉRIE DE REATIVIDADE DOS METAIS

Reações de Deslocamento Envolvendo Metais


Condições de ocorrência
A partir de várias experiências desse tipo, temos uma fila de reativi-
dade dos metais, incluindo o hidrogênio (soluções ácidas).

Fila de Reatividade dos Metais

Reatividade aumenta

Li > K > Ca > Na > Mg > Al > Zn > Cr > Fe > Ni > Sn > Pb > H > Cu > Hg > Ag > Au

Alcalinos e Metais mais comuns


Metais nobres
alcalinos-terrosos no nosso cotidiano

Reagem com HCI Não reagem


com HCI
Aumenta a nobreza

FONTE: Disponível em: <http://essaseoutras.xpg.uol.com.br/wpcontent/uploads/2012/10/


reatividademetais.jpg.> Acesso em: 21 mar.2016.

O quadro a seguir mostra a série de reatividade dos não metais

QUADRO 17 - SÉRIE DE REATIVIDADE DOS NÃO METAIS

Reatividade decrescente

F O N Cℓ Br I S P C
FONTE: SARDELLA, Antônio. Química Geral, vol. 1, 1998, p. 269.

114
TÓPICO 1 | REAÇÕES QUÍMICAS

• Reação de dupla troca ou dupla substituição: Para que ocorra uma reação de
dupla troca é necessária a formação de:

• um produto insolúvel (ocorre formação de um precipitado, substância que se


deposita no fundo do frasco).
• um produto gasoso.
• um produto pouco ionizado.

• Formação de um produto insolúvel:

Este tipo de reação é constatado quando um dos produtos aparece com o


estado físico sólido indicado (s) ou quando se utiliza o símbolo clássico para indicar
a formação de um composto insolúvel, que é uma seta voltada para baixo (↓).

AgNO3(aq) + NaCl(aq) AgCl(s) + NaNO3(aq)

CuSO4 + 2 NaOH Cu(OH)2↓ + Na2SO4

• Formação de um produto gasoso:

Neste caso, a reação é constatada quando um dos produtos aparece com


o estado físico gasoso indicado (g) ou quando se utiliza o símbolo clássico para
indicar a formação de um composto gasoso que é uma seta voltada para cima (↑).

2 HCl(aq) + Na2S(aq) H2S(g) + 2 NaCl(aq)


H2SO4 + 2 NaCl Na2SO4 + 2 HCl↑

• Formação de um produto pouco ionizado

A constatação deste tipo de reação é feita analisando o grau de ionização


(α) dos participantes. O ácido acético (CH3COOH) é um ácido orgânico e, portanto,
possui grau de ionização muito pequeno.

A água, formada na segunda reação, é pouco ionizada.

HCl(aq) + NaCH3COO(aq) CH3COOH + NaCl(aq)

HCl(aq) + NaOH(aq) H2O + NaCl(aq)

115
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

TURO S
ESTUDOS FU

Caro acadêmico, para que possamos fixar ainda mais os conteúdos estudados
até agora, colocaremos a teoria em prática. Segue uma sugestão de experimento. Boa prática!

LEITURA COMPLEMENTAR

Experimento sobre balanceamento e tipos de reações químicas

Introdução:

Ao nosso redor vemos muitas reações químicas: um prego que enferruja,


um antiácido que entra em efervescência na água, a combustão de um palito de
fósforo, e assim por diante. Até mesmo dentro de nós, em nosso organismo, ocorrem
reações químicas que são responsáveis pela manutenção de nossas vidas. Essas e
outras reações químicas são representadas por equações químicas que devem estar
devidamente balanceadas, isto é, possuir o número total de átomos dos reagentes
iguais aos do produto. As reações químicas, no entanto, só ocorrem se determinadas
condições forem satisfeitas. Existem quatro tipos de reações inorgânicas:

• Reações de síntese ou adição;


• Reações de decomposição ou análise;
• Reações de metátese ou de dupla troca;
• Reações de oxirredução ou simples troca.

Alguns fatores que indicam a ocorrência de uma reação são:

• Liberação de gás;
• Mudança de coloração;
• Formação de precipitado, entre outros.

Para que os alunos vejam como é possível identificar a ocorrência de reações, o tipo de
cada uma e como escrever suas respectivas equações químicas balanceadas, o professor
pode utilizar experimentos rápidos e simples que irão enriquecer a exposição desse
conteúdo em sala de aula.

Objetivos:

Equacionar, balancear e classificar as equações químicas.

Material e reagentes utilizados:

116
TÓPICO 1 | REAÇÕES QUÍMICAS

• Água de cal;

• Batata;

• Água oxigenada (10 volumes);

• Solução aquosa de cloreto de ferro III;

• Solução aquosa de hidróxido de sódio;

• Palito de churrasco;

• Fósforos;

• Três tubos de ensaio;

• Canudo;

• Conta-gotas;

• Pinça metálica ou pregador de roupa.

Procedimento experimental:

Serão realizadas e analisadas três experiências separadamente, sendo que a


primeira deverá ser feita preferencialmente pelo professor:

1ª Experiência: coloque dentro de um tubo de ensaio um pouco da água oxigenada


e em seguida um pedaço da batata crua. Os alunos vão observar uma efervescência,
que é a liberação de oxigênio. Depois de observar o que ocorreu, acenda o fósforo
e coloque fogo no palito de churrasco, de modo que fique uma chama pequena;
introduzindo-o, posteriormente, na boca do tubo de ensaio, sem encostar na solução.

117
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

2ª Experiência: em outro tubo de ensaio, coloque um pouco de água de cal e peça aos
alunos que a assoprem, utilizando o canudo e observando a mudança de coloração;

3ª Experiência: misture o cloreto de ferro III com o hidróxido de sódio, em uma


proporção de 4:1. Por exemplo, é possível colocar 40 gotas do cloreto de ferro III
e 10 gotas do hidróxido de sódio. Tem-se a formação de um precipitado marrom.

Resultados e discussão:

Baseado nas observações dos alunos e em seus conhecimentos de química, o


professor pode pedir que eles escrevam as fórmulas dos reagentes utilizados (água
oxigenada (H2O2), água de cal (que é o hidróxido de cálcio (Ca(OH)2), cloreto de
ferro III (FeCl3) e do hidróxido de sódio (NaOH)).

118
TÓPICO 1 | REAÇÕES QUÍMICAS

Em seguida, o professor pode pedir que os alunos escrevam as reações que


ocorreram. Lembrando que o educador deve explicar cada reação, principalmente a
primeira, em que a água oxigenada reage com a presença de uma enzima catalisadora
da batata (a catalase). Assim, as reações serão as seguintes:

1ª Experiência: 2 H2O2 2 H2O + O2


2ª Experiência: Ca(OH)2 + CO2 → CaCO3 + H2O
3ª Experiência: 3 NaOH + FeCl3 → Fe (OH)3 + 3 NaCl

Por fim, peça que classifiquem cada reação presenciada.

1ª Experiência: decomposição;
2ª Experiência: dupla troca;
3ª Experiência: dupla troca.

FONTE: Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/experimento-


sobre-balanceamento-tipos-reacoes-quimicas.htm. Acesso em: 15 fev. 2016.

119
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico você pôde compreender que:

• Todo fenômeno químico é representado por uma reação química.

• Fenômenos físicos são reversíveis e fenômenos químicos são irreversíveis.

• Toda reação química é representada por uma equação química.

• Uma equação química é formada por reagente(s) e produto(s).

• Toda reação química deve obedecer à Lei de Lavoisier, ou seja, a quantidade de


átomos de um mesmo elemento químico deve ser sempre igual no primeiro e no
segundo membro da equação.

• Para igualar as quantidades de átomos de cada elemento nos reagentes (1º


membro) e nos produtos (2º membro) deve-se realizar o balanceamento das
equações químicas.

• Existem várias tipologias de reações químicas. A reação química de simples troca


só ocorre obedecendo à série de reatividade de metais e ametais.

• A reação de dupla troca só ocorre quando o produto formado for gasoso (um
gás), um produto pouco solúvel ou um produto pouco ionizado.

120
AUTOATIVIDADE

1 Determine, pelo método das tentativas, os coeficientes


estequiométricos das reações químicas a seguir:

a) H2 + O2 H 2O

b) H2 + Cl2 HCl

c) NH3 + O2 H2O + N2

2 Classifique as reações químicas, balanceadas, abaixo:

a) CaCO3 CaO + CO2

b) C + 2 H2 CH4

c) BaCl2 + Na2SO4 BaSO4 + 2 NaCl

d) Fe + 2 HCl FeCl2 + H2

121
122
UNIDADE 3
TÓPICO 2

GRANDEZAS QUÍMICAS

1 INTRODUÇÃO

Olá, caro acadêmico, seja bem-vindo ao Tópico 2 da Unidade 3 do nosso


caderno de estudos de Química Geral. Neste momento iremos conhecer e estudar
as grandezas químicas. Este é um assunto extremamente importante, interessante
e interdisciplinar, pois uniremos os conhecimentos da química com cálculos
matemáticos e, ainda, com as unidades do Sistema Universal. Bons estudos!

Quando desejamos medir uma grandeza, usamos um instrumento aferido


em uma unidade de medida adequada a essa grandeza. Assim, com o metro
articulado ou a trena mede-se o comprimento; com o termômetro, a temperatura;
com o manômetro, a pressão, e assim por diante.

Muitas vezes, para uma mesma grandeza, usam-se várias unidades de


medida. É o caso do comprimento, que é medido em metro, jarda, polegada, milha,
angströns etc., ou da temperatura, que é medida em graus Celsius, Reaumur,
Fahrenheit etc.

Com o intuito de uniformizar a medição, a General Conference of Weights and


Mesures (Conferência Geral de Pesos e Medidas – CGPM) recomenda que se usem
sempre unidades do Sistema Internacional (SI), que é baseado no sistema métrico.

Assim, antes de efetuar uma reação química, seja ela em laboratório ou na


indústria, é muito importante saber as quantidades de reagentes que devem ser
usadas para obter certa quantidade de produtos. Com esse procedimento, pode-se
planejar um processo econômico para a produção em larga escala.

Para a realização desse planejamento foi necessário definir padrões para


efetuar os cálculos químicos.

2 UNIDADE DE MASSA ATÔMICA


A unidade de massa atômica é uma unidade de medida aplicada para
expressar a massa de partículas atômicas (massas atômicas de elementos ou
compostos químicos). A unidade de massa atômica é definida como 1/12 (um doze
avos) da massa de um átomo do Carbono 12 (C12) em seu estado fundamental.
123
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

O símbolo da unidade de massa atômica é u, uma ou Da.

Apesar de não ser considerado uma unidade, é reconhecido pelo Sistema


Internacional de Unidades.

Obs.: “O Carbono 12 (C12) foi escolhido em 1962 e até hoje é utilizado,


em todos os países do mundo”. Disponível em: <http://www.profjoaoneto.com/
quimicag/massaat.htm>. Acesso em: 21 mar. 2016.

Na figura abaixo, a parte destacada representa 1/12 do átomo de Carbono 12,


ou seja, 1 u.

FIGURA 37 - REPRESENTAÇÃO DO CARBONO 12

FONTE: Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/upload/conteudo/images/unidade-


massa-atomica.jpg. Acesso em: 12 fev. 2016.

3 MASSA ATÔMICA DE UM ÁTOMO


“É um número que nos indica quantas vezes a massa desse átomo é maior
que 1/12 da massa do carbono-12” (SARDELLA; FALCONE, 2004, p.173).

Logo, quando dizemos que a massa atômica do átomo de sódio é 23 u,


significa que um átomo do elemento sódio tem sua massa 23 vezes maior que 1/12
da massa do átomo de Carbono-12.

3.1 MASSA ATÔMICA DE UM ELEMENTO QUÍMICO


A massa atômica de um elemento químico é um número que nos informa
quantas vezes a massa de cada átomo desse elemento é, em média, maior que 1/12
da massa do Carbono-12.

124
TÓPICO 2 | GRANDEZAS QUÍMICAS

No Tópico 1, da Unidade 1 desse caderno, você já viu o conceito de isótopos


de um elemento químico. Vamos analisar o elemento cloro, que é formado por dois
isótopos:

Cl35 ⇒ MA = 34,969 u
17 17
Cl37 ⇒ MA = 36,966 u
⇒ 75,40 % ⇒ 24,60 %

As Tabelas Periódicas fornecem a massa atômica dos elementos químicos,


e não a massa dos isótopos constituintes.

Na verdade, a massa atômica de um elemento químico presente na Tabela


Periódica é a média aritmética ponderada das massas atômicas de seus isótopos.

Então, para o elemento químico cloro (Cl) temos:

MA = 34,969 x 75,4 + 36,966 x 24,6 ⇒ MA = 35,46 ou MA ≈


100

35,5

4 MASSA MOLECULAR OU MASSA MOLAR (MM ou M)


A massa molecular ou massa molar de uma substância é determinada
pela soma das massas atômicas (MA) de todos os átomos que a
compõem. Portanto, Massa Molecular (MM) é o número que indica
quantas vezes a massa da molécula é maior que 1/12 da massa atômica
do carbono-12 (SARDELLA; FALCONE, 2005, p. 176).

Exemplos:

1) Determine a massa molecular da água (H2O):


Dado: H = 1, O = 16

Resolução

H = 1u x 2 = 2u
O = 16u x 1 = 16u
MM H2O = 18 u

2) Determine a massa molecular do ácido sulfúrico (H2SO4):


Dado: H = 1, O = 16 e S = 32

Resolução

H = 1u x 2 = 2u
O = 16u x 4 = 64u
S = 32u x 1 = 32u
MM H2SO4 = 98 u
125
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

Para os compostos iônicos, formados por íons-fórmula, usamos a expressão


“massa fórmula” (MF).

Exemplos:

1) Indique a massa fórmula do cloreto de sódio (NaCℓ). Massas atômicas: Na = 23 u;


Cℓ = 35,5 u.

Resolução:

Na = 23 u x 1 = 23 u
Cℓ = 35,5 u x 1 = 35,5 u
MF NaCℓ = 58,5 u

2) Indique a massa fórmula do fosfato de amônio [(NH4)3PO4]. Massas atômicas: N


= 14 u; H = 1 u, P = 31 u e O = 16 u).

Resolução:

N = 14 u x 3 = 52 u
H = 1 u x 12 = 12 u
P = 31 u x 1 = 31 u
O = 16 u x 4 = 48 u
MF (NH4)3PO4 = 149 u

5 MOL: QUANTIDADE DE MATÉRIA


Para a prática cotidiana da Química não há necessidade em se trabalhar com
a massa em unidade de massa atômica (u), com relação ao mundo microscópico
(átomos, moléculas ou íons). O profissional da área química prefere trabalhar com
um número bastante grande dessas unidades, cuja massa possa ser expressa em
gramas (g) ou quilograma (kg). Utiliza-se, então, uma grandeza chamada quantidade
de matéria, cuja unidade é o mol, assim definido:

O Mol é a quantidade de matéria de um sistema que contém tantas entidades


elementares (átomos, moléculas, íons elétrons, prótons etc.) quantos são os átomos
contidos em 0,012 Kg de Carbono-12.

Sabe-se que a massa de 1 g equivale à massa de 6,02 x 1023 unidades de massa


atômica.

Portanto: “Um mol é a quantidade de matéria de um sistema que contém


6,02 x 1023 entidades elementares”. (SARDELLA; FALCONE, 2005, p. 178).

126
TÓPICO 2 | GRANDEZAS QUÍMICAS

NOTA

Note que a unidade mol se refere à quantidade de matéria, e não à massa. Massa
e quantidade de matéria (SARDELLA; FALCONE, 2005, p. 17).

ATENCAO

E ainda, mol não é sigla de molécula.

Exemplo:

Admita uma amostra cuja quantidade de matéria é igual a 1 mol de entidades


elementares. Determine a massa desta amostra.

Para determinar a massa dessa amostra, vamos analisar dois casos:

1) A entidade elementar é o átomo.

Suponhamos que uma amostra de ferro contenha 1 mol de átomos desse


elemento:

1 átomo de ferro -------------------- 56 u (MAFe = 56)

6,02 x 1023 átomos de ferro ------ x

x = 6,02 x 1023 x 56 u = 6,02 x 1023 u x 56 = 56 g

1g

Assim, a massa de 1 mol de átomos de ferro (quantidade de matéria) é 56


g (massa).

2) A entidade elementar é a molécula

Consideremos uma amostra de água que contenha 1 mol de moléculas:

127
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

1 molécula de água ------------------------ 18 u (MMágua = 18 u)

6,02 x 10 23 moléculas de água --------- x

x = 6,02 x 1023 x 18 u = 6,02 x 1023 u x 18 = 18g

1g

Logo, a massa de 1 mol de moléculas de água (quantidade de matéria) é 18


g (massa).

6 NÚMERO DE AVOGADRO OU CONSTANTE DE AVOGADRO


Alíquotas de elementos diferentes, cujas massas são dadas pelas respectivas
massas atômicas expressas em gramas, possuem sempre o mesmo número de
átomos.

O primeiro cientista a demonstrar, através de cálculos matemáticos, que em


uma alíquota de qualquer elemento igual à sua massa atômica em gramas existe o
mesmo número de átomos, foi Lorenzo Amadeo Carlo Avogadro di Quaregna e
di Carreto (1776-1856). Contudo, Avogadro não conseguiu determinar qual o valor
desse número. Em sua homenagem, o valor 6,02 x 10 23 foi denominado de Número
ou Constante de Avogadro.

Número de Avogadro = 6,02 x 1023

Logo, a constante de Avogadro é o número de átomos de C12, contidos em


0,012 Kg de Carbono-12.

DICAS

Através da constante de Avogadro sabe-se que em 1 mol de qualquer


substância há 6,02 x 1023 átomos ou moléculas.

128
TÓPICO 2 | GRANDEZAS QUÍMICAS

7 MASSA MOLAR OU MASSA MOLECULAR


Massa molar ou Massa molecular é a massa que contém 6,02 x 1023 entidades
representadas pela respectiva fórmula. A unidade mais usada para a massa molar
é g/mol. (1 g equivale a 6,02 x 1023 u)

Exemplo: 1 mol do elemento Cloro, ou seja, 6,02 x 1023 átomos do elemento


Cℓ “pesam” 35,5 g.

7.1 MASSA MOLAR OU MASSA MOLECULAR DE UMA


SUBSTÂNCIA
Massa molar ou Massa molecular de uma substância é a massa de um mol
de entidades representada pela sua fórmula molecular. A massa molar de uma
substância é numericamente igual à sua massa molecular (ou fórmula-massa) no
caso de ser iônica.

Exemplos: 1 mol de molécula, ou seja, 6,02 x 1023 moléculas de água, pesa


18g.
1 mol de átomos de ferro, ou seja, 6,02 x 1023 átomos de ferro, pesa 56 g.

8 VOLUME MOLAR
Volume molar é o volume ocupado por um mol de moléculas de substância.
Experimentalmente, verificou-se que um mol de moléculas de qualquer substância
no estado gasoso ocupa o volume de 22,4 litros, nas Condições Normais de
Temperatura e Pressão (CNTP).

CNTP ⇒ p = 760 mmHg = 1,00 atm


T = 273 K = 0 oC.

Onde:

P = pressão
T = temperatura

129
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

E
IMPORTANT

Caro aluno, como esse assunto é bastante abstrato, é de grande importância


que você faça um estudo paralelo do conteúdo desse tópico para uma melhor compreensão.
Sugerimos que você leia pelo menos uma das referências bibliográficas indicadas: RUSSEL,
B. John. Química Geral. Vol. 1 e 2, 1994; SARDELLA, Antônio e FALCONE, Marly. Química -
Série Brasil, 2004; FELTRE; Química Geral vol. 1, 1998; SARDELLA, Antônio. Curso de Química
– Química Geral. vol. 1, 1998.

9 CÁLCULO ESTEQUIOMÉTRICO
Estequiometria é a parte da química que trata da relação quantitativa dos
constituintes de uma espécie química (átomo ou molécula) e da relação quantitativa
entre duas ou mais espécies químicas (átomos ou moléculas) presentes numa
transformação química.

Vale lembrar que a quantidade de reagente (s) disponível é responsável pela


quantidade de produto (s) que poderá ser formada, principalmente quando nos
referimos a produção em larga escala industrial. Afinal, no ramo químico o custo
está diretamente relacionado à quantidade de reagente (s) consumido, logo, quanto
maior a produtividade com menos reagentes mais sustentável é o processo tanto
em termos econômicos como em termos ambientais.

A partir da equação química, podemos calcular a massa, o volume, o número


de mols, o número de moléculas etc. de uma ou mais espécies químicas em função
de algum valor dado referente à outra espécie química participante de uma reação
química. Para isso, basta saber que os coeficientes estequiométricos informam a
relação em mols com que as espécies reagem e se formam.

Esse tipo de cálculo estequiométrico segue, normalmente, a seguinte ordem:

1ª) Montar a equação química mencionada no problema.


2ª) Ajustar os coeficientes estequiométricos da equação química.
3ª) Montar uma regra de três entre os dados e a pergunta do problema, obedecendo
aos coeficientes estequiométricos da equação, e que poderá ser escrita em massa,
em volume, em mols etc., conforme as conveniências do problema.

Solução Saturada – É aquela cuja quantidade de soluto dissolvida for


igual à especificada pela solubilidade. Uma solução que contenha 31,6 g de KNO3
dissolvidos em 100 g de água a 20 oC é classificada como saturada. (FELTRE, 1996,
p. 10)

130
TÓPICO 2 | GRANDEZAS QUÍMICAS

ATENCAO

O êxito na resolução dos problemas está diretamente relacionado com a


correta relação entre os dados a ser estabelecida.

E
IMPORTANT

Na resolução de problemas, é interessante estabelecer a seguinte relação:

1 mol da substância X → apresenta massa molar Xg → que contém 6,02 . 1023 átomos ou
moléculas → se for um gás, ocupa um volume de 22,4 litros nas CNTP.

Exercícios resolvidos:

1) Quantos mols estão presentes em 320 g de enxofre? (S = 32).


Resolução:

1 mol de enxofre → contém 32 g


X mols de enxofre → 320 g de enxofre

X = 1 mol . 320 g X = 10 mols


32 g

2) Determine a massa de 1 átomo de ferro (Fe = 56,0)

Resolução:

56 g de ferro → apresenta 6,02 . 1023 átomos


X g de ferro → 1 átomo de ferro

X = 56 g . 1 átomos X = 9,30 . 10-23 g


6,02 . 1023 átomos

3) Quantas moléculas estão presentes em 90,0 g de água?

131
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

Resolução:

18 g de água → contém 6,02 . 1023 moléculas


90 g de água → X moléculas

X = 90 g . 6,02 . 1023 moléculas X = 3,01 . 10 24 moléculas


18

4) Qual a massa presente em sete moles de moléculas de CH4? (C= 12; H = 1)

Resolução:

1 mol de CH4 → “pesa” 16 g


7 mols de CH4 → apresenta X g de massa

X = 7 mols de CH4 . 16 g X = 112 g


1 mol

5) O carbonato de cálcio (CaCO3) empregado, por exemplo, na fabricação de vidro,


cimento e pastas dentais, reage com ácido clorídrico (HCl) e se formam cloreto de
cálcio (CaCl2), água e gás carbônico (CO2). Determine a massa de água e o volume
de gás carbônico (CO2), nas CNTP, que se forma a partir de 40 g de carbonato de
cálcio. (Dados: C = 12; Ca = 40; O = 16 e Cl = 35,5)

Resolução:

1 CaCO3 + 2 HCl 1 CaCl2 + 1 H2O + 1 CO2


100 g 18 g 22,4 litros
40 g m V

m = 40 g de CaCO3 . 18 g de H2O m = 7,2 g


100 g de CaCO3

V = 40 g de CaCO3 . 22,4 litros de CO2 V = 8,96 litros


100 g de CaCO3

132
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico você aprendeu que:

• O Sistema Internacional de Medidas (SI) é indispensável para se determinar a


medida de qualquer grandeza, de forma confiável.

• Após definida a unidade padrão para determinar a massa atômica, foi possível
determinar a massa molecular.

• Mol é a quantidade de matéria que contém 6,02 x 1023 entidades elementares.

• O número 6,02 x 1023 é conhecido como o número de Avogadro.

• A Massa Molar é expressa em g/mol.

• A Massa Molar de uma substância é a massa de 1 mol de entidades representada


pela sua fórmula.

• O Volume Molar é o volume ocupado por 1 mol de moléculas de substância.

• Nas CNTP o Volume Molar de 1 mol de moléculas é de aproximadamente 22,4


litros.

• CNTP corresponde à pressão de 760 mmHg = 1 atm e temperatura de 273 K = 0


o
C.

• A estequiometria consiste na determinação das quantidades das substâncias


envolvidas numa reação química a partir da equação correspondente.

133
AUTOATIVIDADE

1 Determine a massa de sete moles de moléculas de CH4 (C= 12;


H = 1).

2 Uma gota de água contém 1,5 x 1023 moléculas. Qual é a massa


dessa gota? (H = 1; O = 16).

3 Calcule o número de moléculas existentes em 112 L de gás NH3,


nas CNTP (N = 14; H = 1)

134
UNIDADE 3
TÓPICO 3

DISPERSÕES

1 INTRODUÇÃO
As Dispersões são misturas, de dois ou mais componentes, nas quais uma
substância (disperso) está disseminada (espalhada) sob a forma de pequenas
partículas no interior de outra substância (dispersantes ou dispergentes).

Exemplos:

1 – A dispersão de açúcar comum (sacarose) em água.


2 – A dispersão de uma porção de gelatina sólida em água quente.
3 – A dispersão de uma porção de enxofre em água.

2 CLASSIFICAÇÃO DAS DISPERSÕES


As dispersões são classificadas de acordo com o tamanho médio das
partículas do disperso. Neste sentido, segue a ordem crescente: solução, coloide
e suspensão.

Dispersões

Açúcar em água 1 nm geleia 100 nm leite de magnésia


|------------------------------|--------------------------|------------------------------|
Solução Coloide Suspensão

1 nanômetro = 1 nm = 10 Å = 10-3μm = 10-7 cm


(SARDELLA; FALCONE. 2005, p. 221,)

3 ESTUDO DAS SOLUÇÕES


Uma Solução pode ser definida como uma mistura homogênea, entre dois
ou mais componentes.

Numa solução, o disperso é chamado de soluto e o dispersante é chamado


de solvente. Por exemplo, na solução de sal de cozinha dissolvido em água, o sal
de cozinha é o soluto e a água é o solvente.

135
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

Soluto + Solvente = Solução

ATENCAO

Geralmente o solvente está em maior quantidade que o soluto.

3.1 MISTURAS HETEROGÊNEAS


As misturas heterogêneas não apresentam as mesmas propriedades em
toda sua extensão, ou seja, apresentam porções com propriedades diferentes. São
constituídas de duas ou mais fases, dois ou mais aspectos visuais. Exemplo: água
e óleo, água e areia etc.

3.2 MISTURAS HOMOGÊNEAS


As misturas homogêneas apresentam as mesmas propriedades em todos
os seus pontos. São constituídas de uma única fase, um único aspecto visual. As
misturas homogêneas também são chamadas soluções. Exemplo: água e sal, água
e açúcar etc.

Geralmente, em termos de estudos, analisamos e aplicamos as soluções


aquosas onde o solvente é a água.

E
IMPORTANT

Devido ao frequente uso das soluções aquosas, a água ficou conhecida como
solvente universal.

4 CLASSIFICAÇÃO DAS SOLUÇÕES

4.1 DE ACORDO COM O ESTADO FÍSICO DA SOLUÇÃO


De acordo com o estado físico dos componentes formadores de uma solução
(soluto e solvente), a mesma pode ser classificada em solução sólida, solução líquida
ou solução gasosa. Veja a seguir alguns exemplos:

136
TÓPICO 3 | DISPERSÕES

• Solução sólida – Liga metálica formada por ouro (75%) e cobre (25%). Também
chamado ouro 18 quilates.

• Solução líquida – Solução aquosa de sacarose (água e açúcar).

• Solução gasosa - Ar atmosférico (mistura de vários gases) isento de partículas


sólidas.

4.2 DE ACORDO COM A NATUREZA DO SOLUTO


De acordo com a natureza do soluto, a solução pode ser classificada em
molecular, ou seja, quando a composição química do soluto é formada apenas por
não metais, ou solução iônica, quando a composição química do soluto é formada
por metal e não metal.

Solução molecular – As partículas do soluto são moléculas. Exemplo:


sacarose C6H12O6) em água.

Solução iônica – As partículas do soluto são íons. Exemplo: cloreto de


sódio (NaCl) em água.

4.3 DE ACORDO COM A SOLUBILIDADE DO SOLUTO


A solubilidade de um soluto é a quantidade máxima do soluto que pode ser
dissolvida em uma determinada quantidade de solvente a uma dada temperatura
e pressão, e tal fato é explicado pelo coeficiente de solubilidade.

NOTA

Todo soluto apresenta um coeficiente de solubilidade tabelado.

Exemplo: A solubilidade do KNO3 em água a 20 oC é de 31,6 g do sal em


100 g de água.

Representação: 31,6 g de KNO3/100 g de água a 20 oC.



Com base na solubilidade, uma solução pode ser classificada em:

Solução Saturada – É aquela cuja quantidade de soluto dissolvida for


igual à especificada pela solubilidade. Uma solução que contenha 31,6 g de KNO3

137
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

dissolvidos em 100 g de água a 20 oC é classificada como saturada. (FELTRE, 1996,


p. 10)

Solução insaturada – É aquela cuja quantidade de soluto dissolvida é inferior


àquela especificada pela solubilidade. Uma solução que contenha menos de 31,6
g de KNO3 dissolvidos em 100 g de água a 20 oC é classificada como insaturada.
(FELTRE,1996, p. 10)

Observação:

* Caso a quantidade de soluto esteja muito aquém da saturação, a solução


é dita diluída.
* Caso a quantidade de soluto esteja muito próxima da saturação, a solução
é dita concentrada.

Solução Supersaturada – É aquela cuja quantidade de soluto dissolvida é


superior àquela especificada pela solubilidade. Uma solução que contenha mais de
31,6 g de KNO3 em 100 g de água a 20 oC é classificada como supersaturada.

Para se conseguir incorporar esta quantidade superior de KNO3 devemos


nos valer de recursos auxiliares, ou seja, aquecer o sistema, fazer com que o sal se
incorpore ao solvente e, após, proceder o resfriamento até 20 oC, fazendo com que
esse “excesso” fique incorporado à solução. (FELTRE, 1996, pág. 10).

5 CONCENTRAÇÃO DAS SOLUÇÕES


Caro acadêmico, leia as informações nos quadros 18 e 19, adaptadas do
jornal São Paulo, nas datas de 20/01/2003 e 24/03/2003.

• Banana – fruta rica em potássio (elemento que colabora para o bom


funcionamento dos músculos, até mesmo do coração) e fonte de vitamina
B6 (importante para aliviar os problemas da menopausa e da tensão pré-
menstrual).

QUADRO 18 - CONCENTRAÇÕES EXISTENTES EM UMA BANANA

caloria carboidrato gordura proteína fibra potássio Vitamina C


105,0 Kcal 26,7 g 0,5 g 1,2 g 1,9 g 451,0 mg 10,3 mg

• Maçã – fruta cuja casca contém bons teores de betacaroteno, antioxidante


importante na reposição das células da pele; a polpa fornece bastante potássio.

138
TÓPICO 3 | DISPERSÕES

QUADRO 19 - CONCENTRAÇÕES EXISTENTES EM UMA MAÇÃ

Porção: uma maçã (140 g)

calorias carboidratos proteína gordura fibras

81,0 Kcal 21,1 g 0,3 g 0,5 g 3,0 g

FONTE: SARDELLA, Antônio e FALCONE, Marly. Química – Série Brasil – Editora Ática,
2005, p. 226.

Esses quadros mostram maneiras de expressar a quantidade dos constituintes


em certa porção do produto.

Essas relações são chamadas de Concentração. Por exemplo:

• A concentração de potássio na banana é 451,0 mg/banana;


• A concentração de gordura na maçã é 0,5g/140 g de maçã.
(SARDELLA; FALCONE, 2005, p. 226)

Geralmente, qualquer relação estabelecida entre a quantidade de soluto e
a quantidade da solução (ou de solvente) é denominada CONCENTRAÇÃO DE
UMA SOLUÇÃO. Como as quantidades dos componentes podem ser expressas de
maneiras diferentes (massa, volume, mols), a concentração de uma solução pode
ser expressa de maneiras diferentes.

Para descobrirmos a relação entre a quantidade de soluto presente em uma


solução, ou seja, a sua concentração, será necessário realizarmos alguns cálculos
matemáticos, e estes serão resolvidos através de algumas fórmulas. E para facilitar
a interpretação dos dados, segue uma Convenção:

Índice 1 – Refere-se ao soluto;


Índice 2 – Refere-se ao solvente;
Sem índice – Refere-se à solução.

ATENCAO

Para resolver corretamente os exercícios, você, acadêmico, deve observar com


muita atenção a convenção adotada e substituir corretamente nas fórmulas a convenção
sugerida.

139
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

a) CONCENTRAÇÃO COMUM (C)

Concentração Comum (C) de uma solução é razão (relação) estabelecida


entre a massa do soluto (m1) e o volume dessa solução.

m1
C = --------
V

Onde:
m1 = massa do soluto
V = volume da solução
C = concentração comum
Unidade: g/Litro ou g/mL ou g/cm3

Exemplos:

1) São dissolvidos 8 g de sacarose em água suficiente para 500 cm3 de solução. Qual é a
concentração comum dessa solução, em g/L?

Resolução
m1 = 8 g
V = 500 cm3 = 0,5 L
C=?

m1 8g
C = --------- C = --------- C = 16 g/L
V 0,5 L

2) Determine a massa ingerida por uma pessoa ao tomar um copo de 250 mL de


limonada, na qual o açúcar está presente na concentração de 96 g/L.

Resolução
m1 = ?
V = 250 cm3 = 0,25 L
C = 96 g/L

m1
C = ------ m1 = C . V m1 = 96 g/L . 0,25 L
V
m1 = 24 g

140
TÓPICO 3 | DISPERSÕES

b) DENSIDADE ABSOLUTA

Densidade absoluta (d) de uma solução é a razão (relação) estabelecida entre


a massa e o volume dessa solução:

Onde:
m = massa da solução;
V = volume da solução;
d = densidade absoluta da solução;
Unidade: g / litro; g/ml ou g/cm3

Exemplo: Calcular a densidade absoluta de uma solução que apresenta


massa de 50 g e volume de 200 cm3.

Resolução

m = 50 g m 50 g
V = 200 cm3 d = --------- d = ----------- d = 0,25 g/cm3
d=? V 200 cm3

5.1 TÍTULO EM MASSA (T)


Chamamos de título de uma solução a razão (relação) estabelecida entre
a massa do soluto (m1) e a massa dessa solução (m), ambas medidas na mesma
unidade. Assim:

m1 m1
T = ---------------- ou T = ----------
m 1 + m2 m

Onde:
m1 = massa do soluto;
m2 = massa do solvente;

141
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

m = m1 + m2 = massa da solução;
T = título (número puro, isto é, sem unidade).

Podemos conhecer a porcentagem em massa do soluto na solução fazendo:

p1 = 100 T

Assim, se o título de uma solução é 0,2, isso significa que p1 = 100 . 0,2 = 20%.
Isso quer dizer que a solução apresenta 20% em massa de soluto e, evidentemente, 80%
em massa do solvente.

Exemplos:

1) Uma solução é preparada dissolvendo-se 50 g de açúcar em 0,45 Kg de água.


Qual o título dessa solução e qual a porcentagem em massa do soluto?

Resolução

m1 = 50 g m1 50 g
m2 = 0,45 Kg = 450 g T = ----------- T = -------------- T = 0,1
T=? m1 + m2 50 g + 450 g
Pp = ?

Pp = 100 . T Pp = 100 . 0,1 Pp = 10%

2) O título de uma solução é 0,25. Calcule a massa do soluto, sabendo que a do


solvente é de 60 g.

Resolução

m1 = ? m1 m1
m2 = 60 g T = ----------- 0,25 = ----------- m1 = 0,25 (m1+ 60 g)
T = 0,25 m1 + m2 m1 + 60 g

15 g
m1 = 0,25 . m1+ 15 g) m1 – 0,25 m1 = 15 g m1 = ---------
0,75
m1 = 20 g

142
TÓPICO 3 | DISPERSÕES

5.2 RELAÇÃO ENTRE CONCENTRAÇÃO COMUM,


DENSIDADE E TÍTULO
Podemos estabelecer uma relação entre concentração comum, densidade
e título.

m1
Sabemos que: T = ---------- ⇒ m1 = mT
m

m1 mT
C = ----------- ⇒ C = ---------- ⇒ C = d.T
V V

Como título é um número puro e a densidade é dada, em geral, em gramas


por mililitro, resultará concentração comum também em gramas por mililitro. Se
quisermos obter a concentração comum nas unidades usuais (g/L), teremos que
multiplicar o resultado da fórmula anterior por 1000:

C = 1 000 . d. T

Exemplo: Uma solução de Na2CO3 apresenta densidade igual a 1,15 g/cm3.


Sabendo que 150 g dessa solução contêm 60 g de Na2CO3, calcular a concentração
comum dessa solução.

Resolução

C= ? m1 60 g
d = 1,15 g/cm3 T = ----------- T = -------- T = 0,4
m1 = 60 g m 150 g
m = 150

C = 1 000 . d. T C = 1 000 1,15 . 0,4 C = 460 g/L

143
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

5.3 CONCENTRAÇÃO MOLAR


Concentração molar (M) de uma solução é a razão (relação) estabelecida
entre o número de mols de moléculas do soluto e o volume, em litros, da solução.

n1
M = -----
V

Onde:
n1 = número de mols de moléculas do soluto;
V = volume, em litros, da solução;
M = concentração molar;
Unidades: mols/litro ou molar.

A concentração molar durante muito tempo foi denominada molaridade.


Contudo, atualmente o termo mais utilizado é Concentração Molar.

Assim, se uma solução é 0,5 molar (0,5 M ou 0,5 mol/L), isso significa que
cada litro da solução contém 0,5 mol de soluto.

Como o número de mols é dado pela razão massa por mol, podemos
estabelecer:

m1
m1 mol1 m1
n1 = ------- ⇒ M = ------------ ⇒ M = ----------------
mol1 V mol1 V(L)

mol = massa molecular ou massa molar

5.4 RELAÇÃO ENTRE CONCENTRAÇÃO COMUM E


CONCENTRAÇÃO MOLAR
Podemos ainda estabelecer uma relação importante entre a concentração
comum, em g/L, a concentração molar e a densidade, em g/L:

m1
C = -------- ⇒ m1 = CV
V

144
TÓPICO 3 | DISPERSÕES

m1 CV C
M = -------- = ----------- ⇒ M = -------- ou C = M . Mol1
Mol1 V Mol1 V Mol1

Exemplos:

1) São dissolvidos 19,6 g de H2SO4 em água suficiente para 800 cm3. Qual é a
molaridade dessa solução?

Resolução

m1 = 19,6 g m1 19,6 g
V = 800 cm3 = 0,8 L M = ------------- M = -----------------
Massa Molar do H2SO4 = 98 g/mol mol1 V(L) 98 g/mol . 0,8 L
M=?
M = 0,25 mol/L ou molar

2) Temos 400 mL de uma solução 0,15 M de NaOH. Determinar a massa de NaOH


nessa solução e a concentração comum.

Resolução
V = 400 mL = 0,4 L
M = 0,15 mol/L
m1 = ? m1
C=? M = ----------- m1 = M . mol1 . V(L)
Massa Molar do NaOH = 40 g/mol mol1 V(L)

m1 = 0,15 mol/L . 40 g/mol . 0,4 L

m1 = 2,4 g

C = M . mol1 C = 0,15 mol/L . 40 g/mol C = 6 g/L

145
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

5.5 FRAÇÃO MOLAR


Para uma solução, são consideradas duas frações molares: a fração molar do
soluto e a fração molar do solvente.

• Fração molar do soluto (x1) é a razão (relação) entre o número de mols de


moléculas do soluto e o número total de mols de moléculas da solução.

• Fração molar do soluto (x2) é a razão (relação) entre o número de mols de


moléculas do solvente e o número total de mols de moléculas da solução.

Assim:
n1 n2
x1 = ----------------- ou x2 = -------------
n1 + n2 n1 + n2


Onde:
n1 = número de mols do soluto;
n2 = número de mols do solvente;
x1 = fração molar do soluto;
x2 = fração molar do solvente.

Pode-se provar que para qualquer solução a soma das frações molares (soluto
e solvente) é sempre igual a 1.

X1 + X2 = 1

Exemplos:

1) Uma solução contém 5 mols de moléculas de soluto dissolvidos em 20 mols de


moléculas de solvente. Determinar as frações molares.

Resolução

n1 = 5 mols
n2 = 20 mols

n1 5 mols
x1 = ----------------
x1 = --------------------- x1 = 0,2
n 1 + n2 5 mols + 20 mols

146
TÓPICO 3 | DISPERSÕES

n2 20 mols
x2 = ------------- x2 = --------------------- x2 = 0,8
n1 + n2 5 mols + 20 mols

2) São dissolvidos 12,6 g de HNO3 em 23,4 g de água. Calcular as frações molares


do soluto e do solvente. (Dado: H = 1; N = 14; O = 16; H = 1)

Resolução

n1 n2
x1 =
---------- ou x2 = -------------
n1 + n2 n1 + n2

n1 = ? Como não temos definido o número de mols, devemos, inicialmente,


n2 = ? efetuar esses cálculos através da fórmula:
m1 = 12,6 g
m2 = 23,4 g m 12,6 g
n = -------, logo, n1 = ------------ n1 = 0,2 mols
mol 63 g/mol

23,4 g
n2 = ------------ n2 = 1,3 mols
18 g/mol

n1 0,2 mols
x1 = ----------------
x1 = ------------------------ x1 = 0,133
n1 + n2 0,2 mols + 1,3 mols

n2 1,3 mols
x2 = ------------- x2 = ------------------------ x2 = 0,866
n1 + n2 0,2 mols + 1,3 mols

147
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

5.6 CONCENTRAÇÃO MOLAL (W)


Concentração molal (W) de uma solução é a razão (relação) estabelecida
entre o número de mols do soluto e a massa do solvente, em quilogramas.

n1
W = ----------
m2(kg)

Onde:
n1 = número de mols de moléculas do soluto;
m2 = massa, em quilogramas, do solvente;
W = concentração molal.

A concentração molal foi denominada como molalidade, contudo o termo


utilizado atualmente é Concentração Molal.

m1
Sabemos que n1 = ----------. Então:
mol1

n1
n1 mol1 m1
W = ---------- = ----------- ⇒ W = -------------------
m2(kg) m2(kg) mol1 . m2 (kg)

Considerando a massa m2 em gramas, temos:

1 000 . m1
W = ----------------
mol1 . m2

Assim, se uma solução é 3 molal, isso significa que, para cada 1000 g (1 kg)
do solvente, existem 3 mols de soluto.

148
TÓPICO 3 | DISPERSÕES

Exemplo: Prepara-se uma solução dissolvendo-se 60,6 g de KNO3 em 2000 g


de água. Qual é a concentração molal dessa solução? (Dado: K = 39; N = 14; O = 16)

Resolução

m1 = 60,6 g
m2 = 2 000 g
mol1 = 101 g/mol

1 000 . m1 1 000 . 60,6 g


W = ---------------- W = ------------------------ W = 0,3 mol
mol1 . m2 101 g/mol . 2 000 g

149
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você aprendeu que:

• Dispersão é uma mistura de disperso com dispersante.

• As dispersões são classificadas em soluções, coloides e suspensão.

• Solução é definida como uma mistura homogênea.

• As soluções podem ser sólidas, líquidas, gasosas, iônicas ou moleculares.

• Existe solução saturada, insaturada e supersaturada.

• Existem várias maneiras de calcular a concentração de uma solução.

• Concentração comum é uma relação entre a massa de soluto e o volume da


solução.

• Densidade absoluta é uma relação entre a massa da solução e o volume da solução.

• Título em massa é uma relação entre a massa do soluto e a massa da solução.

• Título pode ser expresso na forma de porcentagem, constituindo a porcentagem


em massa do soluto.

• Existe uma relação entre a concentração comum, densidade e título.

• Concentração molar é uma relação entre o número de mols do soluto e o volume


da solução expresso em litros.

• Existe uma relação entre a concentração comum e a concentração molar.

• Fração molar é uma relação entre os números de mols de solutos e solventes.

• Molalidade é uma relação entre o número de mols do soluto e a massa do solvente.

150
AUTOATIVIDADE

1 Calcular a concentração comum (em g/L) de uma solução de KNO3


sabendo-se que ela encerra 60 g do sal em 300 cm3.

2 Dê o título de uma solução que foi constituída com 8 gramas de


gás clorídrico e 392 gramas de água.

3 Calcule a massa de soluto existente em 400 g de uma solução cujo


título é igual a 0,2.

4 Uma xícara contém 200 cm3 de leite adoçado com 6,84 g de açúcar
comum C12H22O11 (sacarose). Determine a concentração molar do
açúcar comum (Dado: Massa molar = 342 g/mol).

151
152
UNIDADE 3
TÓPICO 4

DILUIÇÃO E MISTURA DE SOLUÇÕES

1 INTRODUÇÃO
O processo da diluição é muito comum no nosso dia a dia. Xaropes de
groselha ou suco de frutas concentrados, por exemplo, não são consumidos da
maneira como são comercializados, ou seja, é necessário misturá-los com água.
Assim, essas soluções aquosas, para serem ingeridas, devem passar por uma
diluição, de acordo com instruções contidas nos rótulos das embalagens.

Outro exemplo em que se usa a diluição ocorre quando uma criança, depois
de usar xampu em excesso e para que a mãe não perceba isso, acrescenta água no
frasco com xampu. Lógico que as mães percebem facilmente o que foi feito, pois o
xampu adulterado apresenta uma viscosidade menor que a original, ou seja, ele é
mais “ralo”.

Note que, nesses exemplos de diluição mencionados, o procedimento foi o


mesmo, ou seja, adiciona-se certa quantidade de água (solvente) à solução inicial,
obtendo-se uma nova solução menos concentrada ou mais diluída. (USBERCO;
SALVADOR, 1999).

Então, a diluição é um processo que implica no decréscimo da concentração


de uma solução. Para conseguir esse decréscimo, podemos juntar solvente à solução
ou retirar uma parcela do soluto nela presente.

Na figura a seguir, vamos considerar o acréscimo de solvente:

FIGURA 38 - PROCESSO DE DILUIÇÃO

Solução A Solução B
FONTE: SARDELA, A. Curso de Química. Físico-Química, 1997, p. 36.

153
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

m1 m1
CA = ------ ou CB = -------
VA VB

Disso, concluímos que:

m1 = CA . VA
m1 = CB . VB CA . VA = CB . VB

n1 n1
MA = ----- ou MB = ------
VA VB


n1 = MA . VA
n1 = MB . VB MA . VA = MB . VB

Exercício resolvido

1) Considere 40 mL de uma solução 0,5 M de NaCl. Que volume de água deve ser
adicionado para que a sua concentração caia para 0,2 M?

Resolução

VA = 40 mL Como o volume de água adicionado é obtido da diferença


entre
MA = 0,5 molar o volume da solução final e da solução inicial, devemos em
Vágua = ? primeiro lugar determinar o volume da solução final (VB).
M2 = 0,2 molar
V2 = ?

MA . VA = MB . VB 0,5 molar . 40 mL = 0,2 molar . VB

0,5 molar . 40 mL
VB = ---------------------- VB = 100 mL
0,2 molar

Vágua = VB - VA


Vágua = 100 mL – 40 mL Vágua = 60 mL

154
TÓPICO 4 | DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES E MISTURA DE SOLUÇÕES

2) Calcule a concentração molar de uma solução obtida a partir de 1 L de solução


de KNO3 0,3 M, à qual são acrescentados 500 mL de água pura.

Resolução

VA = 1 L Como o volume da solução A está expresso em litros, devemos


MA = 0,3 molar transformar o volume da solução B também em litros.
M2 = ?
V2 = 500 mL = 0,5 L

MA . VA = MB . VB 0,3 molar . 1 L = MB . 1,5 L

0,3 molar . 1L
MB = ------------------ MB = 0,2 molar
1,5 L

2 MISTURA DE SOLUÇÕES

2.1 MISTURA DE SOLUÇÕES QUE APRESENTAM O MESMO


SOLUTO E O MESMO SOLVENTE
Observe na Figura 40, uma mistura de duas soluções contendo o mesmo
soluto e o mesmo solvente.

FIGURA 39 - MISTURA DE SOLUÇÕES

Solução A Solução B Solução resultante


FONTE: SARDELA, A. Curso de Química. Físico-Química, 1997, p. 37.

155
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

m1A m1B m1A + m1B


CA = ------ CB = ------- Cr = -------------
VA VB VA + VB

m1A = CA . VA

m1B = CB . VB e

m1A + m1B = Cr . (VA + VB) CA.VA + CB.VB = Cr . (VA + VB)

ou

n1A n1B n1A + n1B


MA = ------- MB = --------- Mr = --------------
VA VB VA + VB


n1A = MA . VA

n1B = MB . VB

n1A + n1B = Mr . (VA +


VB) MAVA + MBVB = Mr . (VA + VB)

Exercício resolvido:

Em 30 cm3 de solução de HNO3 0,1 M foram adicionados a 20 cm3 de solução


0,2 M do mesmo ácido. Calcular a molaridade da solução resultante.

Resolução

VA = 30 cm3 VB = 20 cm3 Mr = ?
MA = 0,1 molar MB = 0,2 molar VA + VB = 50 cm3

MAVA + MBVB = Mr . (VA + VB)

0,1 . 30 + 0,2 . 20 = Mr . 50

156
TÓPICO 4 | DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES E MISTURA DE SOLUÇÕES

0,1 . 30 + 0,2 . 20
Mr = ----------------------- Mr = 0,14 molar
50

2.2 ANÁLISE VOLUMÉTRICA: TITULOMETRIA OU TITULAÇÃO


Análise volumétrica é procedimento laboratorial para determinar a
concentração de uma solução. Nessa análise faz-se reagir um volume conhecido
de uma solução, chamada solução-problema, com outra solução conveniente,
chamada solução-padrão, e determina-se com o maior rigor possível o volume da
solução-padrão, que deve ser exatamente o necessário para reagir com o volume
conhecido da solução-problema. (SARDELLA; FALCONE, 2005, p. 239).

Para se determinar a concentração da solução-problema, é necessário


saber quando a reação termina (ponto final, ponto estequiométrico ou ponto de
equivalência da reação). Isto é possível pela adição de indicadores que determinam
o término da reação pela mudança de coloração. A mudança de cor do indicador
ocorre de forma rápida, o que torna fácil detectar o ponto estequiométrico da
reação.

Os principais indicadores utilizados em laboratórios, nesse processo, são a
fenolftaleína e metil orange.

Para que seja possível interpretar uma titulação é necessário que se tenha a
relação estequiométrica da equação química envolvida na reação.

Nesse caderno de estudos de Química Geral iremos estudar apenas o
processo de dosagem por volumetria (análise volumétrica). A figura a seguir
mostra a Titulação ácido-base.

157
UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

FIGURA 40 - ESQUEMA DA TITULAÇÃO ÁCIDO-BASE

Titulação ácido-base (volumetria ácido-base) - permite determinar a concentração


desconhecida de um ácido (uma base) numa solução - titulado - fazendo reagir essa
solução com uma base (um ácido) de concentração conhecida - titulante.

Bureta Suporte
universal

Titulante

Erlenmeyer

Titulado

FONTE: Disponível em: <http://image.slidesharecdn.com/11acidosbasestitulacao-


130515181826-phpapp02/95/cidos-bases-e-ph-11ano-fq-a-64-638.jpg?cb=1368642046>.
Acesso em: 17 fev. 2016.

Os processos volumétricos constituem a análise química quantitativa


denominada volumetria ou análise volumétrica.

Em laboratório, para determinar o volume da solução-problema e o volume


gasto da solução-padrão, são utilizados frascos especiais.

Nesta análise, deve reagir um volume conhecido da solução-problema


que é colocado no erlenmeyer juntamente com a substância indicadora, que é
responsável para detectar o ponto final da reação, e na bureta é colocada a solução-
padrão conveniente.

Em seguida, determina-se com o maior rigor possível o volume da solução-


padrão, o qual deve ser exatamente o necessário para reagir com o volume
conhecido da solução-problema.

O Ponto Final

Em uma reação ácido-base, um íon H+ da solução ácida reage com um íon


OH- da solução básica para formar uma molécula de água:

H+(aq) + OH-(aq) → H2O(L)

158
TÓPICO 4 | DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES E MISTURA DE SOLUÇÕES

Para que ocorra a neutralização completa entre a solução ácida e a solução


básica, é necessário que a quantidade de mols de H+ adicionados do ácido seja
igual à quantidade de mols de OH- presentes na base.

Quando, na reação, as quantidades de íons H+(aq) e OH-(aq) se igualam,


atingimos o ponto de equivalência (ponto estequiométrico) da titulação.

Observe o quadro a seguir:

QUADRO 20 – SOLUÇÃO-PROBLEMA E SOLUÇÃO-PADRÃO

Solução-problema:
V1 = volume escolhido (e, portanto, conhecido) para reagir com a
solução-padrão
M1 = concentração desconhecida

n1 = nº de mols desconhecido
Solução-padrão:
V2 = volume gasto na reação com o volume escolhido da solução-
problema
M2 = concentração conhecida
n2 = nº de mols conhecido
FONTE: SARDELLA, Antônio. Curso de Química – Físico-Química. vol. 2 (1997, pág. 47)

Após a reação, determinamos o número de mols de soluto na solução-padrão


e, a partir dos coeficientes da equação química balanceada, o número de mols de
soluto na solução-problema. Obtemos, desse modo, a concentração da solução-
problema.

Tipos de Volumetria

Conforme a natureza da reação que se desenvolve entre a solução-problema


e a solução-padrão, distinguem-se três tipos importantes de volumetria: por
neutralização, por precipitação e por oxirredução.

Neste caderno utilizaremos o processo de volumetria por neutralização

Exemplo 1: Na titulação de 10,0 mL de ácido clorídrico, existente em uma


amostra de suco gástrico, foram gastos 9,0 mL de uma solução 0,20 mol/ l de
hidróxido de sódio. Qual é a concentração em mol/L do ácido na amostra?

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UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

Resolução

Solução-Problema (HCl): V = 10,0 mL


n = número de mols presente na solução-
problema?
M = concentração molar da solução-problema?

Solução-padrão (NaOH): V = 9,0 mL = 0,009 L


n = número de mols presente na solução-problema?
M = 0,20 mols/L

Nesse procedimento ocorre reação de neutralização e a quantidade de mols
de HCl e a de NaOH reagem na proporção dos coeficientes da respectiva equação
química, temos que:

1 HCl(aq) + 1 NaOH(aq) 1 NaCl(aq) + 1 H2O(L)

proporção dos coeficientes → 1 mol reage 1 mol


no erlenmeyer → n(HCl) reage n(NaOH)

Como: n
M = --------- temos: n = M . V(L)
V(L)

Logo: n(NaOH) = 0,20 mols/L . 0,009 L n(NaOH) = 0,0018 mols

Sabemos que: n(HCl) reage n(NaOH), então:

0,0018 mols
M(HCl) = -------------- M(HCl) = 0,18 mols/L
0,01 L

Exemplo 2: 25,0 mL de uma solução de NaOH (hidróxido de sódio) foram


submetidos à titulação com uma solução de H2SO4 (ácido sulfúrico) de concentração
0,10 mol/L. Terminada a titulação, verificou-se que foram gastos 26,5 mL da solução
do ácido. Calcular a concentração molar da solução básica.

160
TÓPICO 4 | DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES E MISTURA DE SOLUÇÕES

Resolução

Solução-Problema (NaOH): V = 25,0 mL


n = número de mols presente na solução-problema?
M = concentração molar da solução-problema?

Solução-padrão (H2SO4): V = 26,5 mL = 0,0265 L


n = número de mols presente na solução-problema?
M = 0,10 mols/L

Nesse procedimento ocorre reação de neutralização e a quantidade de mols
de H2SO4 e a de NaOH reagem na proporção dos coeficientes da respectiva equação
química, temos que:

1 H2SO4(aq) + 2 NaOH(aq) 1 Na2SO4(aq) + 1 H2O(L)

proporção dos coeficientes → 1 mol reage 2 mol


no erlenmeyer → n(ácido) reage n(base)

Como: n
M = --------- temos: n = M . V(L)
V(L)

Logo: n(ácido) = 0,10 mols/L . 0,0265 L n(ácido) = 0,00265 mols

Da equação, temos:
2 mols de NaOH ------------------------- 1 mol de H2SO4
n 0,00265 mols

n = 0,0053 mols

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UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

Sabemos que: n(ácido) reage n(base), então:

0,0053 mols
M(base) = -------------- M(base) = 0, 212 mols/L
0,025 L

DICAS

Caro acadêmico, segue uma leitura complementar extremamente atual e


importante para a ciência, bem como para os próximos desenvolvimentos tecnológicos.
Boa leitura!

LEITURA COMPLEMENTAR

TEORIA DAS ONDAS GRAVITACIONAIS

Ciência confirma a teoria das ondas gravitacionais de Albert Einstein:


Experiência confirma a existência do ‘som do universo’, previsto por Albert Einstein
há 100 anos.

A última grande previsão de Albert Einstein sobre o universo acaba de ser


confirmada, um século depois de ser proposta: as ondas gravitacionais existem,
e uma experiência nos Estados Unidos as detectou pela primeira vez. Confirmar
a teoria das ondas gravitacionais de Einstein é o de menos. A descoberta abre a
possibilidade de usar essas ondas para estudar o universo de uma forma totalmente
nova. As ondas gravitacionais permitirão entender “como se formam os buracos
negros e quantos existem, e também conhecer com mais detalhes o ciclo vital das
estrelas e do universo”, ressalta Husa. Além disso, sinais cósmicos desse tipo
mostrarão se esses violentíssimos encontros ocorrem conforme prevê a Teoria da
Relatividade einsteiniana, ou se precisamos procurar outra explicação.

Segundo a Teoria Geral da Relatividade, há objetos que transformam parte da


sua massa em energia e a emitem em forma de ondas, que viajam à velocidade da luz
e deformam o espaço e o tempo à sua passagem. A origem das ondas gravitacionais
por excelência é a fusão de dois buracos negros supermaciços, um dos eventos mais
violentos depois do Big Bang. O gênio alemão as previu em 1916, mas também
advertiu que, se realmente existirem fusões desse tipo, elas acontecem em lugares
tão longínquos que suas vibrações seriam indetectáveis na Terra.

Os responsáveis pelo Observatório da Interferometria a Laser de Ondas


Gravitacionais (LIGO), patrocinado pela Fundação Nacional de Ciências dos EUA,
anunciaram nesta quinta-feira que seus cientistas captaram as ondas produzidas
162
TÓPICO 4 | DILUIÇÃO DE SOLUÇÕES E MISTURA DE SOLUÇÕES

pelo choque de dois buracos negros, a primeira detecção direta que confirma a teoria
de Albert Einstein. O anúncio ocorreu numa entrevista coletiva em Washington,
transmitida pela internet. Os resultados científicos foram aceitos para publicação
pela Physical Review Letters, segundo nota em Instituto Tecnológico da Califórnia
(Caltech), uma das instituições que operam o laboratório.

“É uma descoberta histórica, que abre uma nova era de compreensão do


cosmo”.

O primeiro sinal foi captado simultaneamente em 14 de setembro pelos


detectores dessa experiência, aparelhos idênticos situados a 3.000 quilômetros
um do outro. Esse sinal provinha de uma fusão que ocorreu há 1,3 bilhão de anos,
um violento abraço entre dois buracos negros com uma massa entre 29 e 36 vezes
maior que a do Sol. Em uma fração de segundo, uma massa equivalente ao triplo
do Sol foi liberada na forma de ondas gravitacionais, um processo perfeitamente
descrito na equação mais famosa do mundo: E=mc2 (energia é igual a massa vezes
velocidade da luz ao quadrado).

A descoberta da existência das ondas gravitacionais abre um novo caminho


na astronomia. Até agora, ela se centrava na luz em todas as suas variantes
conhecidas, mas estas ondas são comparáveis ao som e permitem estudar objetos
que antes eram totalmente invisíveis, especialmente os buracos negros.

Nas palavras de Alicia Sintes, física da Universidade das Ilhas Baleares (UIB)
e líder do único grupo espanhol envolvido na experiência, nossos ouvidos agora
começam a escutar “a sinfonia do universo”. “É uma descoberta histórica, que abre
uma nova era na compreensão do cosmo”, ressaltou.

Sua equipe realizou simulações com supercomputadores que reproduzem,


segundo a Lei da Relatividade, todos os fenômenos que essas ondas poderiam
produzir: duplas de estrelas de nêutrons, supernovas, buracos negros... Essas
simulações foram comparadas com a frequência do sinal real captado no LIGO, e
assim foi possível saber o que exatamente aconteceu, qual é a fonte das ondas, a
que distância se encontra etc.

“É parecido com esses aplicativos que escutam uma música num bar e dizem
o artista e o nome da canção, mesmo que haja muito ruído ao redor”, explica Sascha
Husa, pesquisador da UIB e desenvolvedor das simulações. “Exceto pelo Big Bang,
as fusões de buracos negros são os fatos mais luminosos do universo”, afirma.

Detector LIGO

Os objetos que produzem ondas gravitacionais estão a milhões de anos-luz, tão


longe da Terra que chegam aqui como ínfimas ondulações do espaço e do tempo. Para
captá-las foi preciso construir o LIGO avançado, liderado pelos institutos tecnológicos
da Califórnia (Caltech) e Massachusetts (MIT), mas com o qual colaboram também
cerca de 1.000 cientistas de 15 países.

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UNIDADE 3 | FÍSICO-QUÍMICA

O LIGO é o instrumento óptico mais preciso do mundo, com dois detectores


separados por 3.000 quilômetros – um na Louisiana, o outro no Estado de
Washington. Ambos estão compostos por dois feixes de laser com exatos quatro
quilômetros, um comprimento que seria alterado com a passagem de uma onda
gravitacional. Os instrumentos são capazes de detectar uma variação equivalente a
um décimo de milésimo do diâmetro de um núcleo atômico, a medida mais precisa
já obtida por qualquer ferramenta científica, segundo seus responsáveis.

A partir de agora, será preciso confirmar essa primeira detecção do LIGO e


captar sinais de eventos diferentes. A isso se dedicam muitas equipes científicas mundo
afora. Além do LIGO, neste ano começará a funcionar uma versão aprimorada de
outro grande observatório de ondas gravitacionais, o europeu VIRGO, e recentemente
foi lançada a missão LISA Pathfinder, com o objetivo de demonstrar a viabilidade de
um futuro observatório espacial para fenômenos desse tipo.

A descoberta abre a possibilidade de que essas ondas sejam usadas para


estudar o universo de uma forma totalmente nova.

FONTE: Disponível em: <http://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/11/ciencia/1455201194_750459.


html>. Acesso em: 15 fev. 2016.

164
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico você aprendeu que:

• Diluir significa diminuir a concentração de uma solução.

• Para se diluir uma solução, geralmente adiciona-se solvente puro.

• As misturas de soluções podem ser: do mesmo soluto e o mesmo solvente, mesmo


solvente com solutos diferentes e que não reagem entre si, e solutos diferentes
que reagem entre si e o mesmo solvente.

• Titulometria ou titulação é uma técnica aplicada na dosagem das soluções, ou


seja, determina a concentração de uma solução desconhecida estabelecendo uma
reação química entre uma solução de concentração conhecida.

• Solução-padrão é a solução de concentração conhecida e solução-problema é a


solução de concentração desconhecida.

• Indicadores são substâncias que, em contato com uma solução-problema,


apresentam uma mudança de cor. Quando a reação termina, essa coloração acha-
se alterada.

165
AUTOATIVIDADE

1 300 mL de água foram adicionados a 700 mL de uma solução 0,4


M de NaCl. Calcule a molaridade da solução resultante.

2 A 400 mL de solução de glicose de concentração 10 g/L foram


adicionados a 600 mL de água. Calcule a concentração em g/L
da solução obtida.

3 Qual a quantidade de água que se deve adicionar a 250 mL de


uma solução 2,0 M de NH4Cl, de modo que a concentração final
seja igual a 0,5 M?

166
REFERÊNCIAS
BIANCO, Renata Joaquim Ferraz. Química inorgânica e orgânica. São Paulo:
Pearson, 2014.

BIANCO, Renata Joaquim Ferraz. Química geral e orgânica. Indaial:


UNIASSELVI, 2012.

BRADY, James E. Química geral. Rio de Janeiro: LTC, 1986.

BUENO, Willie et al. Química geral. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1978.

CODATA. Unified atomic mass unit. Disponível em: <http://physics.nist.gov/cgi-


bin/cuu/Value?tukg|search_for=nonsi_in!>. Acesso em: 3 jul. 2007.

COVRE, Geraldo José. Química total. São Paulo: FTD, 2001.

EBBING, Darrell D. Química Geral. 2. v. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e


Científicos Editora S.A., 1996.

FELTRE, Ricardo. Química. 2 v. São Paulo: Moderna, 1996.

IUPAC. IUPAC Goldbook - Definição de unidade de massa atômica. Disponível


em: <http://goldbook.iupac.org/U06554.html>. Acesso em: 3 jul. 2007.

KOTZ, John C.; TREICHEL, Paul M. Jr. Química geral e reações químicas. Rio
de Janeiro: Pioneira Thomson Learning, 2005.

LEMBO, Antônio. Química: Realidade e Contexto. São Paulo: Ática, 2000.

MAHAN, Bruce M.; MYERS, Rollie J. Química um curso universitário. 4. ed. São
Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda., 1995.

NABUCO, João Roberto da Paciência; BARROS, Roberto Vizeu. Química geral e


inorgânica. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico S/A, 1985.

PERUZZO, Francisco Miragaia; CANTO, Eduardo Leite. Química na abordagem


do cotidiano. Volume Único. São Paulo: Moderna, 2002.

RUSSEL, B. John. Química Geral. 2 v. São Paulo: Makron Books, 1994.

SARDELLA, Antônio; MATEUS, Edegar. Curso de Química. São Paulo: Ática,


1998.

SARDELLA, Antônio. Curso de Química. 2 v. São Paulo: Ática, 1998.

167
SARDELLA, Antônio; FALCONE, Marly. Química – série Brasil. São Paulo: Ática,
2005.

USBERCO, João; SALVADOR, Edgard. Química geral. 2 v. São Paulo: Saraiva,


1995.

USBERCO, João; SALVADOR, Edgar. Química. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 1999.

USBERCO, João; SALVADOR, Edgard. Química. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

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ANOTAÇÕES

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