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Trigonometria e Números

Complexos
Prof.ª Grazielle Jenske

2012
Copyright © UNIASSELVI 2012

Elaboração:
Prof.ª Grazielle Jenske

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

516.24
S237tJenske, Grazielle.
Trigonometria e números complexos / GrazielleJenske. Centro
Universitário Leonardo da Vinci – Indaial : Grupo
UNIASSELVI, 2012.x ;

242 p.: il

Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7830- 332-7

1. Trigonometria 2. Matemática 3. Números complexos


I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
II. Núcleo de Ensino a Distância III. Título

Impresso por:
Apresentação
Ao(à) acadêmico(a):

É com muito carinho que o(a) convido a entrar na nave trigonométrica,


que nos levará até o complexo mundo matemático.

Nesta viagem conheceremos as belezas da trigonometria, com seus


triângulos, suas razões (seno, cosseno e tangente), bem como toda a magia do
círculo trigonométrico. Posteriormente iremos até o conjunto dos números
complexos, onde descobriremos os segredos de um novo conjunto numérico,
muito diferente daqueles que você já conhece.

Espero que ao término deste Caderno de Estudos do curso de


Licenciatura em Matemática você esteja dominando os diversos conceitos
deste importante direcionamento da matemática, bem como possua criticidade
sobre os temas e tenha desenvolvido o olhar pedagógico necessário para o
ensino da Matemática.

Seja muito bem-vindo(a) à disciplina de Trigonometria e Números


Complexos e tenha um ótimo estudo.

Prof.a Grazielle Jenske

III
UNI

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades
em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o


material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.

Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.

Bons estudos!

UNI

Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos


materiais ofertados a você e dinamizar ainda
mais os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza
materiais que possuem o código QR Code, que
é um código que permite que você acesse um
conteúdo interativo relacionado ao tema que
você está estudando. Para utilizar essa ferramenta,
acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor
de QR Code. Depois, é só aproveitar mais essa
facilidade para aprimorar seus estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – TRIGONOMETRIA: PARTE I .................................................................................... 1

TÓPICO 1 – RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO ................................... 3


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 TRIÂNGULO RETÂNGULO E SEUS ELEMENTOS .................................................................... 4
3 RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO ........................................................ 7
4 O TRIÂNGULO RETÂNGULO E O TEOREMA DE PITÁGORAS ........................................... 13
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 18
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 19

TÓPICO 2 – RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO .................... 21


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 21
2 RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO ........................................ 21
2.1 SENO ................................................................................................................................................. 24
2.2 COSSENO ......................................................................................................................................... 28
2.3 TANGENTE ...................................................................................................................................... 31
3 ÂNGULOS NOTÁVEIS ...................................................................................................................... 35
4 TABELA TRIGONOMÉTRICA ......................................................................................................... 40
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 44
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 45

TÓPICO 3 – TRIGONOMETRIA EM UM TRIÂNGULO QUALQUER ...................................... 47


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 47
2 LEI DOS SENOS ................................................................................................................................... 47
3 LEI DOS COSSENOS .......................................................................................................................... 52
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 56
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 57

TÓPICO 4 – TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA ........................................................... 59


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 59
2 CONCEITOS BÁSICOS DA CIRCUNFERÊNCIA ........................................................................ 59
2.1 ARCOS E ÂNGULOS ...................................................................................................................... 59
2.1.1 Arcos ......................................................................................................................................... 59
2.1.2 Ângulo central . ....................................................................................................................... 61
2.2 GRAU E RADIANO ........................................................................................................................ 61
2.2.1 Grau .......................................................................................................................................... 61
2.2.2 Radiano .................................................................................................................................... 62
2.2.3 Notas históricas sobre o grau e o radiano ........................................................................... 65
3 CIRCUNFERÊNCIA TRIGONOMÉTRICA .................................................................................... 66
3.1 ARCOS CONGRUENTES . ............................................................................................................. 68
3.2 DETERMINAÇÃO PRINCIPAL DE UM ARCO ......................................................................... 70
3.3 SENO, COSSENO E TANGENTE NA CIRCUNFERÊNCIA TRIGONOMÉTRICA . ............ 71

VII
3.3.1 Seno . ......................................................................................................................................... 71
3.3.2 Cosseno .................................................................................................................................... 75
3.3.3 Tangente ................................................................................................................................... 79
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 83
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 86
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 88

UNIDADE 2 – TRIGONOMETRIA: PARTE II .................................................................................. 91

TÓPICO 1 – FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS ......................................... 93


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 93
2 ESTUDO DA FUNÇÃO SENO .......................................................................................................... 93
3 ESTUDO DA FUNÇÃO COSSENO .................................................................................................. 97
4 ESTUDO DA FUNÇÃO TANGENTE ............................................................................................... 101
5 OUTRAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ................................................................................. 105
5.1 ESTUDO DAS FUNÇÕES SECANTE E COSSECANTE ........................................................... 106
5.2 ESTUDO DA FUNÇÃO COTANGENTE . ................................................................................... 109
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 113
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 114

TÓPICO 2 – EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ............................................................................ 117


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 117
2 EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ................................................................................................ 117
2.1 PRIMEIRA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL: sen x = sen a, com a є [0, 2π] . ............................ 118
2.2 SEGUNDA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL: cos x = cos a, com a є [0, 2π] . ........................... 120
2.3 TERCEIRA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL: tg x = tg a, com a є [0, 2π] ................................. 121
3 INEQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ........................................................................................... 123
3.1 INEQUAÇÕES FUNDAMENTAIS ............................................................................................... 123
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 135
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 136

TÓPICO 3 – RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS ............................................................................. 137


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 137
2 RELAÇÕES FUNDAMENTAIS ......................................................................................................... 137
3 RELAÇÕES DERIVADAS ................................................................................................................... 138
4 IDENTIDADES TRIGONOMÉTRICAS .......................................................................................... 144
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 148
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 149

TÓPICO 4 – TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS .......................................................... 151


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 151
2 ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO DE ARCOS ............................................................................................ 151
3 ARCO DUPLO E ARCO METADE .................................................................................................... 157
4 FÓRMULA DA TRANSFORMAÇÃO EM PRODUTO ................................................................ 163
5 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ENSINO DE TRIGONOMETRIA .............................................. 166
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 172
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 173
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 175

UNIDADE 3 – NÚMEROS COMPLEXOS .......................................................................................... 177

TÓPICO 1: CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS ............................................................. 179


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 179

VIII
2 CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS ............................................................................... 180
2.1 A UNIDADE IMAGINÁRIA . ........................................................................................................ 182
3 FORMA ALGÉBRICA DOS NÚMEROS COMPLEXOS .............................................................. 182
4 IGUALDADE DE NÚMEROS COMPLEXOS ................................................................................. 185
5 OPOSTO DE UM NÚMERO COMPLEXO ...................................................................................... 186
6 CONJUGADO DE UM NÚMERO COMPLEXO ............................................................................ 186
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 187
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 188

TÓPICO 2 – OPERAÇÕES COM NÚMEROS COMPLEXOS NA FORMA


ALGÉBRICA ...................................................................................................................... 191
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 191
2 ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO DE NÚMEROS COMPLEXOS ........................................................... 191
3 MULTIPLICAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO .................................................................... 193
4 DIVISÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO ..................................................................................... 196
5 INVERSO DE UM NÚMERO COMPLEXO .................................................................................... 198
6 POTENCIAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO COM EXPOENTES INTEIROS .............. 199
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 203
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 204

TÓPICO 3 – REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO ................. 207


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 207
2 PLANO DE ARGAND-GAUSS ......................................................................................................... 208
3 MÓDULO DE UM NÚMERO COMPLEXO .................................................................................... 209
4 ARGUMENTO DE UM NÚMERO COMPLEXO ........................................................................... 211
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 216
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 217

TÓPICO 4 – FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO .......................... 219


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 219
2 FORMA TRIGONOMÉTRICA OU POLAR DOS NÚMEROS COMPLEXOS ........................ 219
3 MULTIPLICAÇÃO E DIVISÃO DE NÚMEROS COMPLEXOS NA
FORMA TRIGONOMÉTRICA .......................................................................................................... 221
4 POTENCIAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO NA FORMA
TRIGONOMÉTRICA ........................................................................................................................... 224
5 RADICIAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO NA FORMA TRIGONOMÉTRICA .......... 227
6 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ENSINO DE NÚMEROS COMPLEXOS ................................... 231
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 234
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 237
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 238
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 241

IX
SÍMBOLOS MATEMÁTICOS UTILIZADOS NESTE CADERNO DE ESTUDOS

SÍMBOLO SIGNIFICADO
> Maior
< Menor
≥ Maior ou igual
≤ Menor ou igual
≠ Diferente de
≅ Aproximadamente igual a

⇔ Se, e somente se

⇒ Se... então...

∀ Para todo e qualquer

∞ Infinito
π Número pi
є Pertence

∉ Não pertence

∃ Existe

 Não existe

| Tal que
∆ Triângulo

AB Segmento de A até B


A Ângulo formado no ponto A

∧ ∧
O ângulo A é congruente ao ângulo D
A≡D
∆ABC ~ ∆DEF O triângulo ABC é semelhante ao triângulo DEF

f :x → y Função de X para Y

N Conjunto dos números naturais


Z Conjunto dos números inteiros
Q Conjunto dos números racionais
R Conjunto dos números reais
C Conjunto dos números complexos

X
UNIDADE 1

TRIGONOMETRIA: PARTE I

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:

• identificar, calcular e aplicar razões trigonométricas em um triângulo re-


tângulo e em um triângulo qualquer;

• identificar as medidas de arcos, a relação entre as unidades de medidas


(graus e radianos) e o comprimento do arco;

• reconhecer a ampliação dos conceitos da trigonometria aplicada no triân-


gulo retângulo para trigonometria aplicada no círculo.

PLANO DE ESTUDOS
Nesta unidade de ensino, a abordagem da trigonometria está dividida
em quatro tópicos, nos quais se apresentam a trigonometria no triângulo
retângulo, sua extensão para um triângulo qualquer e a ampliação desses
conceitos à circunferência. Cada tópico oferecerá subsídios que o(a) auxiliarão
na interiorização dos conteúdos e na resolução das autoavaliações solicitadas.

TÓPICO 1 – RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

TÓPICO 2 – RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO


RETÂNGULO

TÓPICO 3 – TRIGONOMETRIA EM UM TRIÂNGULO QUALQUER

TÓPICO 4 – TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

RELAÇÕES MÉTRICAS NO
TRIÂNGULO RETÂNGULO

1 INTRODUÇÃO
A trigonometria se originou antes da era cristã, quando os astrônomos
queriam calcular distâncias que não se podiam medir, como, por exemplo, a
medida do raio da Terra, a distância da Terra à Lua e da Terra ao Sol.

Inicialmente usou-se valer das propriedades de triângulos semelhantes


para o cálculo dessas distâncias. Por isso, a trigonometria foi considerada uma
extensão natural da geometria. Daí vem o seu significado: medida dos triângulos,
sendo trigonometria uma palavra de origem grega formada por três radicais: tri =
três, gonos = ângulos e metron = medir.

Apesar de os egípcios e de os babilônios terem já utilizado, de forma


rudimentar, as relações existentes entre lados e ângulos dos triângulos para
resolver problemas relacionados com agrimensura, navegação e astronomia,
muitos historiadores presumem que o astrônomo grego Hiparco (190 a.C.–125
a.C.) tenha sido o iniciador da trigonometria, por ter empregado pela primeira
vez relações entre os lados e os ângulos de um triângulo retângulo e por ter
construído a primeira Tabela Trigonométrica. Por seus feitos, ele é considerado
o “Pai da Trigonometria”.

Durante muito tempo, Ptolomeu (125 a.C.) influenciou o desenvolvimento


da trigonometria. Sua mais importante contribuição foi o documento Almagesto,
baseado nos trabalhos de Hiparco e que contém uma tabela de cordas
correspondentes a diversos ângulos, por ordem crescente e em função da metade
do ângulo, que é equivalente a uma tabela de senos, bem como uma série de
proposições da atual disciplina.

Posteriormente, com o acesso ao manuscrito de Ptolomeu e aos trabalhos


dos hindus, que eram um povo bastante familiarizado com esse ramo da
Matemática, os árabes fizeram notáveis avanços e disseminaram os conhecimentos
da trigonometria pela Europa.

Atualmente, a Matemática Moderna ampliou o uso da trigonometria e a


tornou indispensável em outras áreas do conhecimento, como na eletricidade,
mecânica, acústica, música, engenharia, arquitetura, medicina, eletrônica,
navegação marítima e aérea, cartografia, entre outros campos.

3
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Neste tópico vamos iniciar o estudo da trigonometria lembrando o


essencial sobre as relações no triângulo retângulo para, nos tópicos seguintes,
explanarmos sobre as razões trigonométricas, bem como a ampliação destes
conceitos para a circunferência.

2 TRIÂNGULO RETÂNGULO E SEUS ELEMENTOS


A trigonometria, desde o início dos seus estudos, é embasada no triângulo
retângulo. Por isso é importante estudar tanto as suas características, como os seus
elementos e as suas relações.

O triângulo retângulo é uma figura geométrica plana, composta por três


lados e três ângulos internos (é formado por dois lados do triângulo). É assim
definido por possuir um ângulo interno de 90° (ângulo reto).

Os lados de um triângulo retângulo recebem nomes específicos: o lado


que for oposto ao ângulo reto é denominado hipotenusa, e os demais lados, que
formam o ângulo reto, serão chamados de catetos.

NOTA

Hipotenusa é uma palavra de origem grega que significa “se estende debaixo” (dos
ângulos agudos) e designa o lado mais longo de um triângulo retângulo, oposto ao ângulo
reto. A palavra cateto, também de origem grega, indica perpendicularidade ou ângulo reto, ou
seja, designa os dois lados menores de um triângulo retângulo.

4
TÓPICO 1 | RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Se analisarmos os catetos em relação ao ângulo, eles recebem um


complemento em sua denominação. Por exemplo, na figura a seguir.

O cateto que forma o ângulo de 30°, juntamente com a hipotenusa, é


denominado cateto adjacente, e o outro, que é o segmento oposto ao ângulo, é
chamado de cateto oposto.

No triângulo retângulo destacamos:

• BC é a hipotenusa e a, a sua medida;


• AB e AC são catetos e c e b, respectivamente, suas medidas.

Se nesse mesmo triângulo retângulo traçarmos uma reta (h), conforme a


figura a seguir, que parte do vértice A e que seja perpendicular ao lado BC no
ponto H, teremos a altura AH do triângulo retângulo, que divide o lado BC em
dois segmentos, HB e HC, medindo, respectivamente, m e n.

5
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

• AH é a altura relativa à hipotenusa e h, a sua medida;


• HB é a projeção do cateto AB sobre a hipotenusa e m, sua medida;
• HC é a projeção do cateto AC sobre a hipotenusa e n, sua medida;
^ ^ ^ ^ ^ ^
• A, B e C são os ângulos internos e med(BAC), med(ABC) e med(ACB),
respectivamente, suas medidas.

E
IMPORTANT

Recordando tópicos da geometria.


Vértice é um ponto comum a dois lados de um ângulo. No caso acima, o vértice A é o ponto
onde os segmentos AB e AC se encontram.
Duas retas são perpendiculares quando se interceptam formando um ângulo de 90°.
• Segundo o Microdicionário de Matemática Imenes & Lellis, num triângulo retângulo os
segmentos que a altura determina sobre a hipotenusa são chamados de projeções (sob ângulo
de 90°) dos catetos sobre a hipotenusa.

Exemplo:
Examinando o triângulo ABC, determine qual é a medida:

a) de cada cateto;

Resposta: No triângulo retângulo ABC podemos perceber que o ângulo reto


^
é o ângulo C. Portanto, os catetos são AC e BC e medem, respectivamente, 5 cm e
5,8 cm.

b) da hipotenusa;

6
TÓPICO 1 | RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

^
Resposta: A hipotenusa é o lado do triângulo oposto ao ângulo reto C, e,
portanto, mede 9 cm (4 cm + 5 cm).

c) da altura relativa à hipotenusa;

Resposta: A altura desse triângulo é dada pelo segmento HC que mede 3 cm.

d) da projeção do cateto maior sobre a hipotenusa;

Resposta: O cateto maior é o lado BC, portanto sua projeção é HB que


mede 5 cm.

e) da projeção do cateto menor sobre a hipotenusa;

Resposta: O cateto menor é o lado AC, portanto sua projeção é HA que


mede 4 cm.

DICAS

Uma leitura interessante é a do livro “A Geometria na sua vida”, com consultoria


de Nílson José Machado. Não perca o capítulo “A medição da doçura”, que discorre sobre
Hipotenusa, filha do rei de Euclideia, Metrônio. Obcecado pela geometria, o soberano só aceita
entregar a mão da filha a alguém mais inteligente do que ela.

3 RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO


A partir dos elementos de um triângulo retângulo, podemos estabelecer
relações entre essas medidas e demonstrá-las a partir da semelhança de triângulos.

UNI

Semelhança de triângulos:
Em qualquer triângulo retângulo, a altura relativa à hipotenusa divide o triângulo em dois outros
triângulos retângulos, semelhantes ao triângulo dado e semelhantes entre si.

7
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

∆ABH ~ ∆ABC
(lê-se: o triângulo com vértices em A, B e H é semelhante ao triângulo com vértices em
A, B e C).

∆ACH ~ ∆ABC
(lê-se: o triângulo com vértices em A, C e H é semelhante ao triângulo com vértices em
A, B e C).

∆ABH ~ ∆ACH
(lê-se: o triângulo com vértices em A, B e H é semelhante ao triângulo com vértices em
A, C e H).

Vamos explorar algumas relações juntos:

1ª Relação: Considere os triângulos ABH e ABC.

^ ^
H ≡ A, pois ambos são ângulos retos.
^ ^
B ≡ B, pois são os mesmos ângulos.
Pela propriedade da semelhança de triângulos, temos: ∆ABH ~ ∆ABC.
Daí, c = m . Dessa proporção podemos escrever:
a c
c • c = a • m → c² = a • m

O mesmo ocorre com os triângulos ACH e ABC:

8
TÓPICO 1 | RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

n C

^ ^
H ≡ A, pois ambos são ângulos retos.
^ ^
C ≡ C, pois são os mesmos ângulos.
Pela propriedade da semelhança de triângulos, temos: ∆ACH ~ ∆ABC.
Daí, b = n . Dessa proporção podemos escrever:
a b
b • b = a • n → b² = a • n

QUADRO 1- RELAÇÃO MÉTRICA DO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Em qualquer triângulo retângulo, o quadrado da medida de um cateto é igual ao


produto da medida da hipotenusa pela medida da projeção do cateto considerado sobre
a hipotenusa, ou seja, b² = a • n ou c² = a • m.

FONTE: A autora

Exemplo:

Neste triângulo retângulo, vamos calcular a medida da hipotenusa. As


medidas estão indicadas em centímetros.

9
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Resolução:
Sabemos que:

c2 = am
152 = a . 9
225 = 9a
9a = 225
225
a=
9
a = 25

Portanto, a hipotenusa desse triângulo mede 25 cm.

2ª Relação: Considere os triângulos ABH e ACH.

m n

^ ^
H ≡ H , pois ambos são ângulos retos e o mesmo ângulo.
^ ^
A₁ ≡ C
Pela propriedade da semelhança de triângulos, temos: ∆ABH ~ ∆ACH.
Daí, h = n . Dessa proporção podemos escrever:
m h
h • h = m • n → h² = mn

Em qualquer triângulo retângulo, o quadrado da medida da altura relativa à hipotenusa


é igual ao produto das medidas dos segmentos que ela determina sobre a hipotenusa,
ou seja, h² = mn.

Exemplo 1:

Vamos calcular o valor de x nessa figura.

10
TÓPICO 1 | RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Resolução:
Em qualquer triângulo retângulo, tem-se: h² = mn.
Neste caso, h = 12, n = 8 e m = x. Portanto:

12² = 8 . x
144 = 8x
8x = 144
144
x=
8
x = 18

Assim, a medida de x é 18.

Exemplo 2:

Vamos determinar as medidas a, c, h e m indicadas na figura a seguir.

B C

Resoluções:

b2 = an m + n = a h2 = mn c2 = am
62 = a . 4 m + 4 = 9 h2 = 5 . 4 c2 = 9 . 5
36 = 4a m = 9 - 4 h2 = 20 c2 = 45
36 m=5 h = √20 c = √45
a=

4 h = 2√5 c = 3√5
a=9

11
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

3ª Relação: Partindo das relações, onde b² = an e c² = am. Vamos multiplicar membro


a membro as igualdades e obteremos:

b² • c² = an • am
b² • c² = a • a • n • m
b² • c² = a² • nm

E usando a relação h² = mn, temos:

b² • c² = a² • h²
(bc)² = (ah)²

Ou, extraindo a raiz quadrada de ambos os membros (já que as medidas


são sempre números positivos), temos:

bc = ah

QUADRO 2 – O PRODUTO DAS MEDIDAS DOS CATETOS

Em qualquer triângulo retângulo, o produto das medidas dos catetos é igual ao produto
da medida da hipotenusa pela medida da altura relativa à hipotenusa, ou seja, bc = ah.

FONTE: A autora

Exemplo:

Vamos determinar a altura do triângulo a seguir.

Resolução:

bc = ah
4.3=5.h
5h = 12 A altura h é 12 de unidade de medida.
12 5
h=
5

12
TÓPICO 1 | RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

NOTA

A quarta propriedade das relações métricas é um dos mais importantes


teoremas da matemática, conhecido como Teorema de Pitágoras, no qual daremos maior
enfoque a seguir.

4 O TRIÂNGULO RETÂNGULO E O TEOREMA DE PITÁGORAS


O Egito recebeu a dádiva de ter todo o seu território cortado pelo segundo
maior rio do mundo em extensão, o rio Nilo (o primeiro é o rio Amazonas).
Aproveitando com sabedoria o rico húmus que as águas formavam ao longo das
margens, os egípcios desenvolveram toda a sua agricultura. Porém, a dificuldade
era que as cheias anuais destruíam toda a demarcação das propriedades agrícolas.
O apagamento das demarcações do Nilo tornou necessária a existência dos
mensuradores, conhecidos pelos egípcios por “esticadores de cordas”.

Para obter ângulos retos, os “esticadores de cordas” usavam uma corda


com 12 nós, a igual distância um do outro, e com ela construíam um triângulo com
vértices em três desses nós. O triângulo assim obtido possui lados que medem três,
quatro e cinco unidades de comprimento e é um triângulo retângulo.

Esse método é baseado na relação enunciada por:

QUADRO 3 - O TRIÂNGULO RETÂNGULO E O TEOREMA DE PITÁGORAS

O quadrado da medida da hipotenusa é igual


à soma dos quadrados das medidas dos catetos.

2
a= b2 + c 2

FONTE: A autora

Apesar de terem sido os egípcios os primeiros a utilizarem essa relação


para resolver problemas de medições de terras, foi Pitágoras de Samos (por volta
de 570 a.C.), filósofo e matemático grego, quem provou que ela é válida para todo
triângulo retângulo.

13
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Demonstração do Teorema de Pitágoras

Na história da matemática muitas foram as demonstrações do Teorema


de Pitágoras. Vejamos uma delas a partir de duas relações métricas do triângulo
retângulo, demonstradas anteriormente.

b² = a • n
c² = a • m

Somando essas igualdades membro a membro, obtemos:


b² + c² = am + an
b² + c² = a(m + n)

Observando que m + n = a, temos:


b² + c² = a • a

E assim

b2 + c2 = a2

Vejamos outra maneira de exemplificar a validade do Teorema de Pitágoras,


através da geometria:

4x4=42

3x3=32

3 4
5
= 1 unidade de
comprimento

= 1 unidade de
área

5x5=52

14
TÓPICO 1 | RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Considerando que cada quadradinho corresponde a uma unidade de área,


verificamos que nos três quadrados existem 25, 16 e 9 unidades de área; notando
que 25 = 16 + 9 ou 5² = 4² + 3², confirma-se a relação: a área do quadrado construído
sobre o maior lado do triângulo retângulo é igual à soma das áreas dos quadrados
construídos sobre os dois menores lados.

Exemplo 1:

Vamos calcular a medida da hipotenusa do triângulo a seguir,.

Resolução:
Considerando a = x, b = 4 e c = 7, temos:
b² + c² = a²
4² + 7² = x²
49 + 16 = x²
65 = x²
x = √65
x ≅ 8,06

Assim, a hipotenusa mede, aproximadamente, 8,06 unidades de comprimento.

NOTA

Sempre que conhecemos dois dos seis valores a, b, c, h, m, e n indicados na figura,


podemos descobrir os outros quatro empregando as relações métricas do triângulo retângulo.

15
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Exemplo 2:

Vamos encontrar as medidas desconhecidas da figura seguinte.

m n

Resolução:

Observe que os valores desconhecidos desta figura ocupam lugares


diferentes da demonstração. Portanto, é necessário substituí-los.

Comparando com a figura utilizada na demonstração, temos:


c = 13
b=b
m=m
n=n
a=a
altura (h) = 12.

Do triângulo menor, temos:


m² + 12² = 13² (4ª propriedade)
­m² = 169 – 144
m² = 25
m = √25
m=5

Pela 1ª propriedade:
c2 = am
13² = a • 5
169 = 5a
169
a=
5
a = 33,8

16
TÓPICO 1 | RELAÇÕES MÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Pela 2ª propriedade, temos:


h² = mn
12² = 5 • n
144= 5n
144
n=
5
n = 28,8

Pela 3ª propriedade, podemos escrever:


bc = ah
b • 13 = 33,8 • 12
13b = 405,6
405,6
b=
13
b = 31,2

17
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você fez o estudo do triângulo retângulo, partindo dos seus
elementos até as suas relações.

b² = an
c² = am
} ● O quadrado da medida de cada cateto (b e c) é igual ao produto
da medida de sua projeção (n e m, respectivamente) sobre a
hipotenusa pela medida da hipotenusa (a).

h² = mn
} ● O quadrado da medida da altura (h) relativa à hipotenusa é
igual ao produto das medidas das projeções dos catetos sobre a
hipotenusa (m e n).

bc = ah
} ● O produto das medidas dos catetos (b e c) é igual ao produto
da medida da hipotenusa (a) pela medida da altura relativa à
hipotenusa (h).

a=m+n
} ● A medida da hipotenusa (a) é igual à soma das medidas das
projeções dos catetos (m e n) sobre ela.

a² = b² + c²
} ● O quadrado da medida da hipotenusa (a) é igual à soma dos
quadrados das medidas dos catetos (b e c).

18
AUTOATIVIDADE

Lembra do seu manual, “Não basta saber, é preciso saber fazer”? Agora chegou
a sua vez de colocar em prática as relações métricas do triângulo retângulo que
você acabou de estudar.

1 Escreva o que representam as letras a, b, c, h, s e t no triângulo retângulo


abaixo.

2 Calcule a medida da hipotenusa de um triângulo retângulo isósceles (possui


dois lados de mesma medida), com catetos de 1 cm.

3 A área de um terreno quadrangular é igual a 128 m². Quanto mede a diagonal


desse terreno? (Lembre que a área de uma região quadrangular é dada por:
Área do Quadrado = (medida do lado)²).

4 As raízes da equação x² - 10x + 24 = 0 expressam, em cm, as medidas dos


catetos de um triângulo retângulo. Determine a medida da hipotenusa desse
triângulo.
^
5 Um triângulo STU, retângulo em S, tem catetos com medidas iguais a 5 cm
e 12 cm. Calcule:

a) a medida da hipotenusa;
b) a medida da altura relativa à hipotenusa;
c) as medidas das projeções dos catetos sobre a hipotenusa.

6 Determine num triângulo retângulo ABC, de catetos com medidas iguais a 3


e 4, a medida da hipotenusa e a altura relativa à hipotenusa.

7 Calcule, em cada figura, a medida de y.

19
a) b)

c) d)

8 Dois navios partem de um mesmo ponto, no mesmo instante, e viajam em


direções que formam um ângulo reto. Depois de uma hora de viagem, a
distância entre os dois navios é de 13 milhas. Se um deles é 7 milhas mais
rápido que o outro, determine a velocidade de cada navio.

9 No triângulo retângulo da figura a seguir temos que m = x + 5,6, n = x e a = 20.


Sabendo que as medidas são dadas em centímetros, determine as medidas b,
c e h indicadas.

10 Em um triângulo retângulo, a hipotenusa mede 15 cm e a área é de 54 cm².


Calcule a medida da altura relativa à hipotenusa.

20
UNIDADE 1
TÓPICO 2

RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO
TRIÂNGULO RETÂNGULO

1 INTRODUÇÃO
No estudo anterior estabelecemos as bases necessárias para a compreensão
da Trigonometria, visto que esta é considerada uma extensão da Geometria.

Neste tópico daremos início ao estudo da Trigonometria, focando as


relações trigonométricas no triângulo retângulo, que relaciona as medidas dos
lados de um triângulo com as medidas de seus ângulos e é de grande utilidade na
medição de distâncias inacessíveis ao ser humano, como, por exemplo, a altura de
torres e árvores, de montanhas ou a largura de rios e lagos.

2 RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO


Considere estes dois triângulos retângulos:

Sabemos que se dois triângulos têm dois ângulos correspondentes


congruentes, então os triângulos são semelhantes. Logo, podemos escrever:

a b
=
x y

Dessa proporção deduzimos outra:

b y
=
a x

21
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Ou seja, nos dois triângulos, a razão entre o cateto oposto ao ângulo de 30°
e a hipotenusa é o mesmo número.

Vamos fazer o cálculo para descobrir que valor é esse.

● No triângulo menor:

cateto oposto a 30° x 2,3


= = = 0,5
hipotenusa y 4,6

● No triângulo maior:

cateto oposto a 30° x 3,7


= = = 0,5
hipotenusa y 7,4

NOTA

cateto oposto a 30°


Em qualquer triângulo retângulo com ângulo de 30°, a razão
hipotenusa

tem o mesmo valor, pois todos os triângulos nessas condições são semelhantes.

Vejamos outros exemplos:

1)

• No triângulo menor:

cateto oposto a 45° x 1


= =
hipotenusa y √2

22
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Como o denominador desta fração é um número irracional, precisamos


fazer o processo de racionalização do denominador.

A racionalização de denominadores consiste na obtenção de uma fração


com denominador racional, equivalente a anterior, que possua um ou mais radicais
em seu denominador.

Para racionalizar o denominador de uma fração devemos multiplicar os


termos desta fração por uma expressão com radical, denominado fator racionalizante,
de modo a obter uma nova fração equivalente com denominador sem radical.

Neste caso, vamos multiplicar o numerador e o denominador desta fração


por √2. Observe:

1 2 2 2
⋅ = =
2 2 2⋅2 2

Assim,

cateto oposto a 45° x 1


= =
hipotenusa y √2

● No triângulo maior:

cateto oposto a 45° x 2√2 √2


= = =
hipotenusa y 4 2

Igualmente ao exemplo anterior, podemos observar que em qualquer triângulo


cateto oposto a 45°
retângulo com ângulo de 45°, a razão tem o mesmo valor √2 , pois
hipotenusa 2
todos os triângulos nessas condições são semelhantes.

23
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

• No triângulo menor:

cateto oposto a 60° b 3


= = = 3√3 = √3
hipotenusa a 2√3 2√9 2

● No triângulo maior:

cateto oposto a 60° b 6√3 √3


= = =
hipotenusa a 12 2

Mais uma vez, podemos observar que em qualquer triângulo retângulo


cateto oposto a 60°
com ângulo de 60°, a razão tem o mesmo valor, pois todos os
hipotenusa
triângulos nessas condições são semelhantes.

ATENCAO

Teste você mesmo(a)! Construa outros triângulos retângulos, de mesmo ângulo,


cateto oposto ao ângulo
mas com medidas variadas, veja se a razão é a mesma para todos
hipotenusa
eles. Depois, faça o mesmo com outros ângulos. Experimente estabelecer outras razões.

Se você realizou a atividade acima, deve ter percebido que a razão entre
cateto oposto e cateto adjacente e a razão entre cateto adjacente e hipotenusa
também é a mesma para triângulos retângulos semelhantes.

Veja, a seguir, como isto é possível.

2.1 SENO
Uma das constantes obtidas ao relacionar as medidas dos lados em
triângulos retângulos é conhecida por seno.

Num triângulo retângulo qualquer, o seno de um ângulo agudo (menor


que 90°) é a razão entre a medida do cateto oposto a ele e a medida da hipotenusa,
conforme observamos nos exemplos anteriores.

24
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Considerando, inicialmente, o ângulo de medida a₁ da figura a seguir, de


vértice V e lados VA e VB.

No lado VB consideremos pontos quaisquer B1, B2, B3, B4, ... e os segmentos
A₁B₁, A₂B₂, A₃B₃, A₄B₄,...,perpendiculares a VB.

Os triângulos VA1B1, VA2B2, VA3B3, VA4B4,... são todos semelhantes. Logo:

A₁B₁ A₂B₂ A₃B₃ A₄B₄


= = = = ... = K₁
VA₁ VA₂ VA₃ VA₄

Dessas igualdades podemos deduzir que o valor de k1 não depende do


triângulo retângulo escolhido. Ele é o mesmo para qualquer triângulo semelhante
ao ∆AVB.

Consideremos, agora, o ângulo de medida a2 (a2 ≠ a1) da figura seguinte,


de vértice O e lados OC e OD , e os triângulos OC1D1, OC2D2, OC3D3, OC4D4, ...
retângulos em D1, D2, D3, D4, ... todos semelhantes.

25
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Novamente, podemos escrever:

C₁D₁ C₂D₂ C₃D₃ C₄D₄


= = = = ... = K₂
OC₁ OC₂ OC₃ OC₄

Embora tenhamos usado o mesmo processo para calcular os valores de k1 e


k2, encontramos k1 ≠ k2. Isso ocorre, pois a diferença entre as duas figuras está em
que a1 ≠ a2. Portanto, podemos concluir que o valor da constante k – razão entre a
medida do cateto oposto e a medida da hipotenusa de cada triângulo retângulo –
depende da medida do ângulo considerado.

A razão k é uma característica de cada ângulo a e seu valor é chamado de


seno do ângulo a (sen a). Assim:

QUADRO 4 - SENO DO ÂNGULO a (SEN a)

sen α = AC = b
BC a

ou

sen α = medida do cateto oposto a α


medida da hipotenusa

FONTE: A autora

Exemplo 1:

Na figura dada, calculemos o valor de sen a:

26
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Resolução:
Inicialmente precisamos calcular a hipotenusa do triângulo.
a² = 8² + 15²
a² = 289
a = √289
a = 17

Então, temos:

sen α = cateto oposto ao ângulo α


hipotenusa

sen α = 8
17
sen α ≅ 0,47

Resposta: sen a ≅ 0,47.

Exemplo 2:

Vamos calcular o valor de x, sabendo que sen a = 0,8.

Resolução:
Aplicando a razão seno, temos:

sen a = cateto oposto ao ângulo a


hipotenusa
0,8 = x
20
0,8 . 20 = x
x = 16

Resposta: O valor de x é 16 unidades de medida.

27
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

UNI

A palavra seno é derivada do latim sinus, que significa “baía” ou “dobra”. O termo
originalmente utilizado foi ardha-jiva (“meia-corda”), que foi abreviado para jiva e então
transliterada pelos árabes como jiba. Tradutores europeus do século XII confundiram jiba com
jaib, que significa “baía”, provavelmente porque jiba e jaib são escritas da mesma forma na
escrita arábica.

2.2 COSSENO

Com um procedimento semelhante ao apresentado anteriormente, podemos


definir outras razões entre as medidas de lados de um triângulo retângulo cujos
valores dependam apenas da medida do ângulo considerado. Portanto, outra
constante obtida ao relacionar essas medidas é conhecida por cosseno.

Considere um ângulo de medida a1 conforme a figura a seguir, de vértice


V e lados VA e .

No lado , consideremos pontos quaisquer B1, B2, B3, B4, ... e os segmentos
VB₁, VB₂, VB₃, VB₄,...
Os triângulos VA1B1, VA2B2, VA3B3, VA4B4,.. são todos semelhantes. Logo:

VB₁ VB₂ VB₃ VB₄


= = = = ... = K₁
VA₁ VA₂ VA₃ VA₄

Dessas igualdades podemos deduzir que o valor k1 não depende do


triângulo retângulo escolhido. Ele é o mesmo para qualquer triângulo semelhante
ao ∆AVB.

28
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Consideremos, agora, o ângulo de medida a2 (a2 ≠ a1) da figura seguinte,


de vértice O e lados OC e OD, e os triângulos OC1D1, OC2D2, OC3D3, OC4D4, ...,
retângulos em D1, D2, D3, D4, ... todos semelhantes.

Novamente, podemos escrever:


OD₁ OD₂ OD₃ OD₄
= = = = ... = K₂
OC₁ OC₂ OC₃ OC₄

Embora tenhamos usado o mesmo processo para calcular os valores de


k1 e k2, encontramos k1≠ k2. A diferença entre as duas figuras está em que a1 ≠ a2.
Portanto, podemos concluir que o valor da constante k – razão entre a medida do
cateto adjacente e a medida da hipotenusa de cada triângulo retângulo – depende
da medida do ângulo considerado.

A razão k é uma característica de cada ângulo a e seu valor é chamado de


cosseno do ângulo a (cos a). Assim:

QUADRO 5 - COSSENO DO ÂNGULO a (COS a)

c
cos α = AB =
BC a

ou

cos α = medida do cateto adjacente a α


medida da hipotenusa

FONTE: A autora

29
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Exemplo 1:

Determine cos Ĉ no triângulo retângulo a seguir:

Resolução:
Temos que

cos a = medida do cateto adjacente a a


medida da hipotenusa
cos Ĉ = 5
10
cos Ĉ = 0,5

Resposta: O cosseno do ângulo C é igual a 0,5.

Exemplo 2:

No triângulo retângulo ABC abaixo, calcule os valores de a e c, sabendo


que b = 5 cm e cos 60°= 0,5.

30
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Resolução:

cos a = medida do cateto adjacente a a


medida da hipotenusa
b
cos 60° =
a
0,5 = 5
a
0,5 ∙ a = 5
5
a=
0,5
a = 10

Aplicando o teorema de Pitágoras ao ∆ABC, temos:

a² = b² + c²
10² = 5² + c²
100 = 25 + c²
100 – 25 = c²
c² = 75
c = √75
c = 5√3

Resposta: A medida de a é 10 cm e de c é 5 √ 3 cm.

2.3 TANGENTE
Num triângulo retângulo qualquer, a tangente de um ângulo agudo
(menor do que 90°) é a razão entre a medida do cateto oposto a ele e a medida
do cateto adjacente.

Considere, novamente, um ângulo de medida a1, de vértice V e lados


VA e VB.

31
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

No lado VB consideremos pontos quaisquer B1, B2, B3, B4, ... e os segmentos
A₁B₁, A₂B₂, A₃B₃, A₄B₄,...,perpendiculares a VB.

Os triângulos VA1B1, VA2B2, VA3B3, VA4B4, ... são todos semelhantes. Logo:

A₁B₁ A₂B₂ A₃B₃ A₄B₄


= = = = ... = K₁
VB₁ VB₂ VB₃ VB₄

Dessas igualdades podemos deduzir que o valor k1 não depende do


triângulo retângulo escolhido. Ele é o mesmo para qualquer triângulo semelhante
ao ∆AVB.

Consideremos, agora, o ângulo de medida a2 (a2 ≠ a1) da figura seguinte,


de vértice O e lados OC e OD, e os triângulos OC1D1, OC2D2, OC3D3, OC4D4, ...
retângulos em D1, D2, D3, D4, ... todos semelhantes.

Novamente, podemos escrever:

C₁D₁ C₂D₂ C₃D₃ C₃D₃


= = = = ... = K₂
OD₁ OD₂ OD₃ OD₃

Embora tenhamos usado o mesmo processo para calcular os valores de k1 e


k2, encontramos k1 ≠ k2. A diferença entre as duas figuras está em que a1 ≠ a2. Logo,
podemos concluir que o valor da constante k – razão entre a medida do cateto
oposto e a medida do cateto adjacente de cada triângulo retângulo – depende da
medida do ângulo considerado.

A razão k é uma característica de cada ângulo a e seu valor é chamado de


tangente do ângulo a (tg a). Assim:

32
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

QUADRO 6 – FÓRMULA TANGENTE DO ÂNGULO a (TG a)

tg α = AC = b
AB c

ou
medida do cateto oposto ao ângulo α
tg α =
medida do cateto adjacente ao ângulo α

FONTE: A autora

Exemplo 1:

No triângulo retângulo ABC, a tangente de Ĉ pode ser calculada da


seguinte maneira:

tg a = medida do cateto oposto ao ângulo a


medida do cateto adjacente ao ângulo a

tg Ĉ = 4
6
2
tg Ĉ =
3

Logo, a tangente do ângulo C é 2 .


3

33
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Exemplo 2:

Num triângulo retângulo, as medidas dos lados são expressas por (x -


5), x e (x + 5).

Vamos determinar a tangente do ângulo agudo a, oposto ao menor cateto


do triângulo.

Resolução:
Primeiramente, vamos fazer um esboço da figura.

Agora, utilizando o teorema de Pitágoras, com a = x + 5, b = x e c = x – 5, temos

a² = b² + c²
(x + 5)² = x² + (x - 5)²
x² + 10x + 25 = x² + x² - 10x + 25
-x² + 20x = 0
-x(x - 20) = 0
x' = 0
x" = 20

Substituindo o valor de x, temos que o cateto adjacente ao ângulo a é b = 20


e o cateto oposto ao ângulo a é c = 20 – 5 = 15. Então, utilizando a razão da tangente:

tg a = medida do cateto oposto ao ângulo a


medida do cateto adjacente ao ângulo a

tg a = 15
20
3
tg a =
4

Assim, a tangente de a é 3 .
4

34
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

UNI

É comum confundirmos o nome de um ângulo com a sua medida. Quando estamos


falando num ângulo a, estamos nos referindo ao próprio ângulo, mas usando sua medida em
lugar de seu nome. É um “abuso” frequente e aceitável, que busca simplificar a linguagem.

3 ÂNGULOS NOTÁVEIS
Os ângulos de 30°, 45° e 60° aparecem com frequência nos cálculos e, por
isso, são chamados notáveis. Veja como calcular o seno, o cosseno e a tangente
desses ângulos.

Seno, cosseno e tangente do ângulo de 45°

Para calcular as razões trigonométricas para o ângulo de 45°, vamos


considerar o quadrado ABCD da figura seguinte.

^
● Como o ∆ABC é retângulo em B, temos:

d² = ℓ² + ℓ²
d² = 2ℓ²
d = √2ℓ²
d = √2 ∙ √ℓ²
d = ℓ√2

Assim,

sen45°= cos45°= tg45°=


d d
l tg45°=
sen45°= cos45°=
2 2
2 2
sen45°= ⋅ cos45°= ⋅
2 2 2 2
2 2
sen45°= cos45°=
2 2

35
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Seno, cosseno e tangente dos ângulos de 30° e 60°

Consideremos o triângulo equilátero ABC da figura seguinte.

Nesse triângulo observamos que:

• cada ângulo interno mede 60°;


• AH é bissetriz de BÂC;
• AH é mediana relativa ao lado BC; portanto, H é o ponto médio de BC;

• a medida da altura é h = ℓ√3 .


2
Então, para o ângulo de 30°, podemos escrever:

h
cos30°=
sen30°= 2 tg30°= 2
3 h
1
sen30°= ⋅ cos30° = 2
2 2
1 3 1 3
sen30°= tg30° =
2 cos30°
= ⋅ 2
2
2
3 tg30°= ⋅
cos30° = 2 3
2
1 3
tg30°
= ⋅
3 3
3
tg30° =
3

36
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

E, para o ângulo de 60°, temos:

h h
sen60°=
cos60°= 2 tg60°=
3 2
2 1 3
sen60°= cos60°= ⋅
2 2
3 1 1
cos60° = tg60° =
sen60°
= ⋅ 2 2
2
3 2
3 tg60°
= ⋅
sen60° = 2
2
tg60°= 3

Colocando os valores calculados no Quadro 7, temos:

QUADRO 7- TABELA TRIGONOMÉTRICA DOS ÂNGULOS NOTÁVEIS

Tabela Trigonométrica dos Ângulos Notáveis

X 30° 45° 60°

1 2 3
sen x
2 2 2

3 2 1
cos x
2 2 2

3
tg x 1 3
3

FONTE: A autora

Exemplo 1:

Determine a medida x do triângulo a seguir:

37
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Resolução:
Ao observarmos a imagem, temos:
A medida do cateto adjacente ao ângulo de 45° é 10.
A medida da hipotenusa do ângulo de 45° é x.

Deste modo:

medida do cateto adjacente a a


cos a =
medida da hipotenusa
10
cos 45° =
x
2 10
=
2 x
x 2 = 10 . 2
20 2
x= .
2 2
20 2
x=
2
x = 10 2

Assim, a medida x do triângulo é 10√2.

Exemplo 2:

A partir de um ponto, observa-se o topo de uma construção sob o ângulo de


30°. Caminhando 12 metros em direção a essa construção, atingimos outro ponto,
de onde se vê o topo da construção sob o ângulo de 60°. Desprezando a altura do
observador, calcule, em metros, a altura da construção.

38
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

Resolução:
Se considerarmos o triângulo retângulo ABC, temos:
x = medida do cateto adjacente ao ângulo de 60°.
y = medida do cateto oposto do ângulo 60°.

medida do cateto oposto ao ângulo a


tg a =
medida do cateto adjacente ao ângulo a
y
tg60° =
x
y
3=
x
y=x 3

E ao considerarmos o triângulo ABD, temos:


y = medida do cateto oposto ao ângulo de 30°.
x + 12 = medida do cateto adjacente ao ângulo de 30°.

medida do cateto oposto ao ângulo a


tg a =
medida do cateto adjacente ao ângulo a
y
tg30° =
x + 12
3 y
=
3 x + 12

y=
( x + 12 ) 3
3
x 3 + 12 3
y=
3

Comparando as igualdade:

x 3 + 12 3
x 3=
3
3x=3 x 3 + 12 3
3x 3 - x 3 =
12 3
( 3x - x ) 3=
12 3
2x 3 = 12 3
12 3
2x =
2 3
x=6

39
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Portanto, a altura da construção é de 6 3 , aproximadamente 10,39 metros.

4 TABELA TRIGONOMÉTRICA
Como já descrito no Tópico 1, Hiparco de Niceia ganhou o direito de ser
chamado “o pai da trigonometria”, pois, no século II a.C., fez um tratado em 12
livros, onde se ocupa da construção de uma tábua de cordas, que utilizou na
Astronomia. Mas foi Ptolomeu que construiu a primeira tabela de cordas que
fornece o seno dos ângulos de 0° a 90°, que se assemelha à tabela trigonométrica
(no quadro 7) que conhecemos hoje.

Visto que para cada ângulo agudo está associado um único valor para o
seno, para o cosseno e para a tangente, em situações que envolvem ângulos não
notáveis, não precisamos calculá-los sempre, para isso foi construída uma tabela
trigonométrica (no quadro 8), que nos fornece esses valores.

QUADRO 8 – TABELA TRIGONOMÉTRICA

Ângulo Seno cosseno tangente Ângulo Seno cosseno tangente

1° 0,017 1,000 0,017 46° 0,719 0,695 1,036

2° 0,035 0,999 0,035 47° 0,731 0,682 1,072

3° 0,052 0,999 0,052 48° 0,743 0,669 1,111

4° 0,070 0,998 0,070 49° 0,755 0,656 1,150

5° 0,087 0,996 0,087 50° 0,766 0,643 1,192

6° 0,105 0,995 0,105 51° 0,777 0,629 1,235

7° 0,122 0,993 0,123 52° 0,788 0,616 1,280


8° 0,139 0,990 0,141 53° 0,799 0,602 1,327
9° 0,156 0,988 0,158 54° 0,809 0,588 1,376

10° 0,174 0,985 0,176 55° 0,819 0,574 1,428

11° 0,191 0,982 0,194 56° 0,829 0,559 1,483

12° 0,208 0,978 0,213 57° 0,839 0,545 1,540

13° 0,225 0,974 0,231 58° 0,848 0,530 1,600

14° 0,242 0,970 0,249 59° 0,857 0,515 1,664

15° 0,259 0,966 0,268 60° 0,866 0,500 1,732

16° 0,276 0,961 0,287 61° 0,875 0,485 1,804

17° 0,292 0,956 0,306 62° 0,883 0,469 1,881

18° 0,309 0,951 0,325 63° 0,891 0,454 1,963

40
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

19° 0,326 0,946 0,344 64° 0,899 0,438 2,050

20° 0,342 0,940 0,364 65° 0,906 0,423 2,145

21° 0,358 0,934 0,384 66° 0,914 0,407 2,246

22° 0,375 0,927 0,404 67° 0,921 0,391 2,356

23° 0,391 0,921 0,424 68° 0,927 0,375 2,475

24° 0,407 0,914 0,445 69° 0,934 0,358 2,605

25° 0,423 0,906 0,466 70° 0,940 0,342 2,747

26 0,438 0,899 0,488 71° 0,946 0,326 2,904

27° 0,454 0,891 0,510 72° 0,951 0,309 3,078

28° 0,469 0,883 0,532 73° 0,956 0,292 3,271

29° 0,485 0,875 0,554 74° 0,961 0,276 3,487

30° 0,500 0,866 0,577 75° 0,966 0,259 3,732

31° 0,515 0,857 0,601 76° 0,970 0,242 4,011

32° 0,530 0,848 0,625 77° 0,974 0,225 4,332

33° 0,545 0,839 0,649 78° 0,978 0,208 4,705

34° 0,559 0,829 0,675 79° 0,982 0,191 5,145

35° 0,574 0,819 0,700 80° 0,985 0,174 5,671

36° 0,588 0,809 0,727 81° 0,988 0,156 6,314

37° 0,602 0,799 0,754 82° 0,990 0,139 7,115

38° 0,616 0,788 0,781 83° 0,993 0,122 8,144

39° 0,629 0,777 0,810 84° 0,995 0,105 9,514

40° 0,643 0,766 0,839 85° 0,996 0,087 11,430

41° 0,656 0,755 0,869 86° 0,998 0,070 14,301

42° 0,669 0,743 0,900 87° 0,999 0,052 19,081

43° 0,682 0,731 0,933 88° 0,999 0,035 28,636

44° 0,695 0,719 0,966 89° 1,000 0,017 57,290

45° 0,707 0,707 1,000

FONTE: A autora

Outra opção para encontrar os valores trigonométricos é através do uso


de uma calculadora científica, que dispõe das teclas sin (seno), cos (cosseno) e
tan (tangente).

41
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Exemplo 1:

Considere o triângulo ABC isósceles. Sabendo que a base mede 50 cm e que


cada ângulo da base mede 72°, determine a medida h da altura relativa à base.

Resolução:
Se considerarmos o triângulo retângulo AHC, temos:
h = cateto oposto ao ângulo de 72°.
25 = cateto adjacente ao ângulo de 72°.

Dessa maneira, temos:

medida do cateto oposto ao ângulo a


tg a =
medida do cateto adjacente ao ângulo a
h
tg72° =
25
h
3,078 =
25
h = 25 . 3,078
h= 76,95

Logo, a altura do triângulo é de 76,95 cm.

Exemplo 2:

Observando a figura e utilizando a Tabela Trigonométrica calcule os valores


solicitados a seguir:

42
TÓPICO 2 | RAZÕES TRIGONOMÉTRICAS NO TRIÂNGULO RETÂNGULO

a) a medida do ângulo α
b) cos α
c) tg α

Resolução:
a)
Considerando o triângulo retângulo, temos:
4,1 = cateto oposto ao ângulo α.
5,6 = hipotenusa.

A relação trigonométrica que utiliza as medidas do cateto oposto e da


hipotenusa é o seno, assim:

medida do cateto oposto ao ângulo a


sen a =
hipotenusa
4,1
sena =
5,6
sena =0,732

Consultando a Tabela Trigonométrica (no Quadro 8), podemos observar


que o valor 0,732 na coluna dos senos corresponde, aproximadamente, ao seno do
ângulo de 47°. Assim, α = 47°.

b) Portanto, o cosseno do ângulo de 47° é 0,682.

c) E a tangente do ângulo de 47° é 1,072.

43
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você fez o estudo das razões trigonométricas (seno, cosseno
e tangente) no triângulo retângulo, bem como aprendeu a utilizar a tabela
trigonométrica na resolução de problemas.

É importante saber as razões até aqui estabelecidas:

medida do cateto oposto ao ângulo a


sena =
hipotenusa

medida do cateto adjacente ao ângulo a


cos a =
hipotenusa

medida do cateto oposto ao ângulo a


tga =
medida do cateto adjacente ao ângulo a

O uso da tabela de ângulos notáveis é bastante requerida em vestibulares e


também são os ângulos que mais aparecem em questões do cotidiano.

Tabela Trigonométrica dos Ângulos Notáveis

X 30° 45° 60°

1 2 3
sen x
2 2 2

3 2 1
cos x
2 2 2

3
tg x 1 3
3

44
AUTOATIVIDADE

Caro(a) acadêmico(a), chegou a hora de você testar seus conhecimentos sobre


razões trigonométricas em um triângulo retângulo. Boa atividade!

1 Um barco encontra-se a 200 m de um farol. Sabendo que o farol é visto do


barco sob um ângulo de 10°, calcule sua altura.

2 Uma tábua está apoiada numa árvore, formando um ângulo de 60°. Determine
o comprimento da tábua, sabendo que ela se apoia na árvore a uma distância
de 1,5 m do chão.

3 Para alcançarmos o primeiro pavimento de um prédio, subimos uma rampa


de 5 m que forma com o solo um ângulo de 25°. Qual é a distância do solo ao
primeiro pavimento?

4 Uma pipa se encontra empinada a 18 m de altura do solo. Sabendo que


o ângulo formado pela linha esticada com a horizontal é de 60°, calcule o
comprimento da linha.

5 Determine a sombra projetada por um poste de 3,75 m quando os raios de sol


que incidem sobre ele formam, com a rua, um ângulo de 77°.

6 (CASTRUCCI, GIOVANNI JR., 2009, p. 279) Deseja-se construir uma estrada


ligando as cidades A e B, separadas por um rio de margens paralelas, como
nos mostra o esquema abaixo.

FIGURA 1 – ESTRADA LIGANDO AS CIDADES A E B, SEPARADAS


POR UM RIO DE MARGENS PARALELAS

FONTE: Castrucci; Giovanni Jr. (2009, p. 279)

Sabe-se que a cidade A está distante 30 km da margem do rio, a cidade B está a


18 km da margem o rio, e a ponte tem 3 km de extensão. Qual a distância de A
até B, pela estrada, em quilômetros? (Desconsidere a largura da estrada.)

45
7 Uma escada rolante de 11.000 cm de comprimento liga dois andares de um
shopping e tem inclinação de 45°. Qual é, em metros, a altura h entre um
andar e outro desse shopping?

8 Calcule o valor de x em cada triângulo retângulo:

a) b) c)

9 (FACCHINI. 1996, p. 285) Quando o Sol se encontra a 54° acima da linha do


horizonte, a sombra de uma árvore, projetada no chão, mede 12 m. Qual é a
altura dessa árvore?

10 (CASTRUCCI, GIOVANNI Jr., 2009 p. 280) A escada de um carro de


bombeiros pode estender-se a um comprimento de 30 m, quando levantada
a um ângulo de 70°. Sabe-se que a base da escada está sobre um caminhão,
a uma altura de 2 m do solo. Qual é a maior altura que essa escada poderá
alcançar em relação ao solo?

FIGURA 2 - A ESCADA DE UM CARRO DE BOMBEIROS

FONTE: Castrucci; Giovanni Jr., (2009, p. 280)

46
UNIDADE 1
TÓPICO 3

TRIGONOMETRIA EM UM
TRIÂNGULO QUALQUER

1 INTRODUÇÃO
Nos tópicos anteriores vimos que os problemas envolvendo trigonometria
são resolvidos através da comparação com triângulos retângulos. Mas no cotidiano,
nem sempre encontramos tamanha facilidade. Algumas situações podem envolver
outros tipos de triângulo, como o triângulo acutângulo ou o triângulo obtusângulo.

Para esses casos recorremos à lei dos senos e à lei dos cossenos, que
veremos a seguir.

NOTA

Para lembrar:
• Em um triângulo acutângulo, os três ângulos são agudos, ou seja, menores do que 90°.
• Um triângulo obtusângulo possui um ângulo obtuso e dois ângulos agudos, ou seja, um
ângulo maior do que 90° e dois ângulos menores do que 90°.

2 LEI DOS SENOS


Vamos considerar o triângulo acutângulo ABC, conforme figura a seguir:

47
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Onde:

• a, b e c são as medidas dos lados;


• h1 é a medida da altura AH₁;
• h2 é a medida da altura CH₂ .

Agora, consideremos os triângulos retângulos ABH1 e ACH1.

No triângulo retângulo ABH1, temos:

medida do cateto oposto ao ângulo a


sena =
hipotenusa
^ h1
senB =
c
^
h₁ = c ∙ senB

A mesma relação podemos estabelecer no triângulo retângulo ACH1:

medida do cateto oposto ao ângulo a


sena =
hipotenusa
^ h1
senC =
b
^
h₁ = b ∙ senC

Comparando, podemos escrever:

^ ^
c ∙ senB = b ∙ senC
ou,

1)
c b
^
= ^
senC senB

48
TÓPICO 3 | TRIGONOMETRIA EM UM TRIÂNGULO QUALQUER

A seguir, consideremos os triângulos retângulos BCH2 e ACH2:

No triângulo retângulo BCH2, temos:

medida do cateto oposto ao ângulo a


sena =
hipotenusa
^ h2
senB =
a
^
h₂ = a ∙ senB

A mesma relação podemos estabelecer no triângulo retângulo ACH2:

medida do cateto oposto ao ângulo a


sena =
hipotenusa
^ h2
senA =
b
^
h₂ = b ∙ senA
Comparando, podemos escrever:

^ ^
a․senB = b․senA
ou,

2)
a b
^
= ^
senA senB

Comparando 1 e 2, temos a seguinte igualdade:

a b c
^
= ^
= ^
senA senB senC

49
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Essa igualdade é denominada Lei dos Senos.

QUADRO 9 – LEI DOS SENOS

Num triângulo qualquer, as medidas dos lados são


proporcionais aos senos dos ângulos opostos.

a b c
^
= ^
= ^
senA senB senC
FONTE: A autora

Exemplo 1

Determine a medida x indicada no triângulo acutângulo a seguir:

Resolução:

No triângulo, identificamos
a=x
 = 45°
c = 11 cm
Ĉ = 30°

Usando a lei dos senos, temos:

50
TÓPICO 3 | TRIGONOMETRIA EM UM TRIÂNGULO QUALQUER

a c
=
sen senĈ

x 11
=
sen45° sen30°

x = 11
√2 1
2 2

11 . √2
x = 2
1
2
2 2
x = 11 . .
2 1
x ₌ 11√2

Portanto, a medida x encontrada é 11√2 cm.

Exemplo 2:

Em um triângulo isósceles, a base mede 9 cm e o ângulo oposto à base


mede 120°. Determine a medida dos lados congruentes do triângulo.

Resolução:

No triângulo, identificamos
a = 9 cm
 = 120° (O seno do ângulo de 120° pode ser encontrado através de calculadoras.)
b=c=x
^ ^
B = C = 30°

51
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Usando a lei dos senos, temos:

a c
=
sen senĈ

9 x
=
sen120° sen30°
9 . sen30°
x=
sen120°
1
9.
x= 2
3
2
1 2
x=9 . .
2 3
9 3
x= .
3 3
9 3
x=
3
x=3 3

Cada um dos lados congruentes mede 3√3cm.

3 LEI DOS COSSENOS


Consideremos o triângulo acutângulo ABC:

Temos:
• a,b e c são as medidas dos lados do triângulo;
• h é a medida da altura relativa ao lado BC do triângulo;
• BH é a projeção do cateto AB sobre a hipotenusa e m, sua medida;
• HC é a projeção do cateto AC sobre a hipotenusa e n, sua medida;

52
TÓPICO 3 | TRIGONOMETRIA EM UM TRIÂNGULO QUALQUER

No triângulo retângulo ABH, aplicando o Teorema de Pitágoras, obtemos:


c² = h² + m²
h² = c² – m²

Aplicando o Teorema de Pitágoras no triângulo retângulo ACH, obtemos:


b² = h² + n²
h² = b² – n²

Comparando as igualdades, temos:


b² - n² = c² - m²
b² = c² – m² + n²

Sabendo que a = m + n, podemos substituir n por a - m:


b² = c² – m² + (a – m)²
b² = c² – m² + a² - 2am + m²
b² = a² + c² – 2am

Do triângulo retângulo ABH, temos:

medida do cateto oposto ao ângulo a


cos a =
hipotenusa
^ m
cosB =
c
^
m = c ∙ cosB

Então
^
b² = a² + c² – 2a(c ∙ cosB )

E assim:

^
b² = a² + c² – 2 ∙ a ∙ c ∙ cosB

A demonstração é análoga para a² = b² + c² – 2 ∙ b ∙ c ∙ cos e para


c² = a² + b² – 2 ∙ a ∙ b ∙ cosĈ.

Obtemos, então, a lei dos cossenos:

53
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

QUADRO 10 – LEI DOS COSSENOS

Em todo triângulo, o quadrado da medida de um dos lados é igual à soma dos


quadrados das medidas dos outros dois lados menos duas vezes o produto das
medidas desses dois lados pelo cosseno do ângulo oposto ao primeiro lado.

a² = b² + c² – 2 ∙ b ∙ c ∙ cosÂ
^
b² = a² + c² – 2 ∙ a ∙ c ∙ cosB
c² = a² + b² – 2 ∙ a ∙ b ∙ cosĈ

FONTE: A autora

Exemplo 1:

Calcule a medida y indicada no triângulo a seguir:

Resolução:
^
Aplicando a lei dos cossenos, usando a = 12, b = y, c = 8 e B = 60°, temos:

^
b² = a² + c² – 2 ∙ a ∙ c ∙ cosB
y² = 12² + 8² – 2 ∙ 12 ∙ 8 ∙ cos60°
y² = 144 + 64 – 192 ∙ 1
2
y² = 208 – 96
y² = 112
y = √112
y = 4√7

Logo, a medida y encontrada é 4√7 cm.

54
TÓPICO 3 | TRIGONOMETRIA EM UM TRIÂNGULO QUALQUER

Exemplo 2:

Determine a medida x da diagonal maior do paralelogramo a seguir:

Resolução:
^
Aplicando a lei dos cossenos, usando a = 12, b = x, c = 16 e B = 120°, no
triângulo obtusângulo ABC da figura, temos:

^
b² = a² + c² – 2 ∙ a ∙ c ∙ cosB
y² = 12² + 16² – 2 ∙ 12 ∙ 16 ∙ cos120°
y² = 144 + 256 – 384 ∙  - 1 
 2
y 2 400 + 192
=
y 2 = 592
y = 592
y = 4 37

Resposta: A medida x da diagonal maior é 4√37cm.

55
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico ampliamos os conceitos utilizados inicialmente no triângulo
retângulo para os demais triângulos: acutângulo e obtusângulo.

É importante lembrar-se das relações aqui estabelecidas:

● Lei dos Senos

a b c
^
= ^
= ^
senA senB senC

● Lei dos Cossenos

a² = b² + c² – 2 ∙ b ∙ c ∙ cosÂ
^
b² = a² + c² – 2 ∙ a ∙ c ∙ cosB
c² = a² + b² – 2 ∙ a ∙ b ∙ cosĈ

56
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), seguem algumas autoatividades que se destinam à


averiguação da aprendizagem deste tópico de estudos. Bom trabalho!

1 (CASTRUCCI, GIOVANNI JR., 2009, p. 286) São cada vez mais frequentes
construções de praças cujos brinquedos são montados com materiais rústicos.
A figura abaixo mostra um brinquedo simples que proporciona à criançada
excelente atividade física.

FIGURA 3 - BRINQUEDO SIMPLES QUE PROPORCIONA À


CRIANÇADA EXCELENTE ATIVIDADE FÍSICA

FONTE: Castrucci; Giovanni Jr. (2009, p. 286)

Sabendo que as distâncias AB e AC são iguais a 2 m e o ângulo BÂC corresponde


a 120°, calcule a distância BC.

2 Use os dados da Tabela Trigonométrica (no Quadro 8) e calcule os valores


aproximados de x.

a) b)

c)

57
3 (GIOVANNI, BONJORNO, GIOVANNI JR., 2002, p. 55) Um barco de
pescadores A emite um sinal de socorro que é recebido por dois radioamadores,
^
B e C, distantes entre si 70 km. Sabendo que os ângulos AB C e AĈB medem,
respectivamente, 64° e 50°, determine qual radioamador se encontra mais
próximo do barco. A que distância ele está do barco?

4 O ângulo agudo de um losango mede 20° e seus lados medem 6 cm. Calcule
as medidas das diagonais (maior e menor) do losango.

5 Num triângulo ABC, são dados A = 45°, B = 30° e a + b = √2 + 1. Determine o


valor de a.

6 (CASTRUCCI, GIOVANNI JR., 2009, p. 286) Numa fazenda o galpão fica 50 m


distante da casa. Considerando que x e y são, respectivamente, as distâncias
da casa e do galpão ao transformador de energia, conforme mostra a figura a
seguir, calcule as medidas x e y indicadas.

FIGURA 4 – CALCULANDO AS MEDIDAS X E Y DA FIGURA

FONTE: Castrucci; Giovanni Jr., (2009, p. 286)

7 No triângulo ABC abaixo, sabe-se que cos  = 1_ . Nessas condições, calcule o


valor de x. 5

58
UNIDADE 1
TÓPICO 4

TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

1 INTRODUÇÃO
Nos tópicos anteriores estudamos algumas razões trigonométricas
definidas para ângulo agudo no triângulo retângulo, tal qual ela surgiu há
milhares de anos, com o objetivo de resolver triângulos. Agora, vamos fazer um
estudo mais abrangente de seno, cosseno e tangente, que é uma necessidade
mais recente da matemática.

Nesse novo contexto, o triângulo retângulo é insuficiente para as definições


necessárias e temos a necessidade de ampliar os conceitos da Trigonometria para
um novo “ambiente”, denominado de circunferência trigonométrica ou ciclo
trigonométrico.

Portanto, neste tópico veremos conceitos necessários para este novo estudo,
que, por sua vez, servirá de base para a nossa próxima unidade.

2 CONCEITOS BÁSICOS DA CIRCUNFERÊNCIA


Primeiramente, vamos elucidar alguns conceitos básicos da geometria
necessários para a compreensão da Circunferência Trigonométrica.

2.1 ARCOS E ÂNGULOS

2.1.1 Arcos
Consideremos uma circunferência qualquer de centro O e raio r e dois
pontos distintos sobre ela, A e B. Note que os pontos A e B, que são extremidades
dos arcos, dividem a circunferência em duas partes, sendo que cada uma delas
chama-se arco da circunferência.

Para diferenciar esses arcos, convencionamos percorrer a circunferência no


sentido anti-horário.

59
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Quando as extremidades A e B coincidem, temos um arco de uma volta ou


um arco nulo.

Se A e B são extremidades de um mesmo diâmetro, temos um arco de


meia-volta.

Portanto, definimos:

QUADRO 11 – DEFINIÇÃO DE ARCO DE UMA CIRCUNFERÊNCIA

Arco de uma circunferência é cada uma das partes em que uma circunferência
fica dividida por dois de seus pontos.
FONTE: A autora

60
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

2.1.2 Ângulo central


Consideremos, novamente, uma circunferência de centro O e os pontos A
→ →
e B pertencentes a ela. Traçando as semirretas OA e OB , determinamos o ângulo

(
central AÔB e o arco AB.

(
A medida do arco AB corresponde à medida do ângulo central AÔB e
vice-versa.

2.2 GRAU E RADIANO


Grau e radiano são unidades de medida de arcos e ângulos.

2.2.1 Grau
Se dividirmos uma circunferência em 360 partes iguais, teremos 360 arcos
congruentes e cada um desses arcos é chamado de arco de um grau (1°).

Portanto, a circunferência é um arco de 360°.

Os submúltiplos do Grau

Quando dividimos um arco de 1° em 60 arcos congruentes, cada um desses


novos arcos é denominado de arco de um minuto (1´).

61
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Da mesma maneira, quando dividimos um arco de 1´ em 60 arcos


congruentes, cada um desses novos arcos é denominado de arco de um segundo
(1´´).

Portanto, 1° = 60´ e 1´= 60´´.

NOTA

Se um arco tiver x graus, y minutos e z segundos, escrevemos:

x° y´z´´

2.2.2 Radiano
Tomamos, inicialmente, uma circunferência de centro O e raio r e; nessa
circunferência, um arco de comprimento p, sendo α a medida do ângulo central
correspondente a esse arco.

Dizemos que o arco mede 1 radiano (1 rad) se seu comprimento p foi igual
ao comprimento r do raio. O ângulo central correspondente será, também, um
ângulo de 1 radiano.

p = r <=> { pa == 11 rad
rad

Então, para sabermos a medida de um arco em radianos, basta calcular


quantas vezes o raio de medida r “cabe” nesse arco de comprimento p. Isso pode
ser obtido quando dividimos p por r.

Simbolicamente,

p
a₌
r

Quando o arco p é um arco de uma volta, então p é o comprimento C da


circunferência. Como C = 2πr, temos:

a ₌ p ₌ 2πr ₌ 2π
r r
62
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Portanto, a circunferência é um arco de 2π rad. E, como o ângulo de uma


volta tem 360°, então:

2π rad = 360° ⇔ π rad = 180°

Exemplo 1:

Expressar 22° 30’ em radianos.

Resolução:
Vamos transformar 22° 30’ em minutos:
22° 30’ = 22 • 60’ + 30 = 1320’ + 30’ = 1350’

Vamos transformar 180° em minutos:


180° = 180 • 60 = 10800’

Estabeleçamos, portanto, a seguinte proporção:

10800' π rad
1350' x
10800 π
=
1350 x
8x = π
π
x=
8

Logo, 22° 30’ correspondem a π radianos.


8
Exemplo 2:

Um ciclista fez 6 voltas em torno de uma pista circular, com o raio medindo
18 m. Determine a distância percorrida pela bicicleta. (Use π = 3,14).

Resolução:

O comprimento da circunferência é dado por:


C = 2πr
C = 2 • 3,14 • 18
C = 113,04 m

Em 6 voltas, temos:
d = 6C
d = 6 • 113, 04
d = 678,24 m

Logo, a distância percorrida pela bicicleta foi de 678,24 m.

63
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Exemplo 3:

Determine a medida do menor ângulo formado pelos ponteiros de um


relógio às 8h20min. (GIOVANNI; BONJORNO; GIOVANNI JR., 2002, p. 249).

Resolução:

Vamos considerar:
α = medida do ângulo solicitado.
x = medida do ângulo descrito pelo ponteiro das horas em 20 minutos, a
partir das 8h.

O mostrador do relógio é dividido em 12 partes iguais. Por isso, o arco


compreendido entre dois números consecutivos mede
360°
= 30° .
12
Assim, α = x + 120°.
Como a cada 60 minutos de tempo o ponteiro das horas percorre 30°:
60 min → 30°
20 min → x
60 30°
=
20 x
30°. 20
x=
60
x= 10°

E assim,
α = x + 120°
α = 10° + 120°
α = 130°
Que a medida do menor ângulo formado pelos ponteiros.

64
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

ATENCAO

Existe outra unidade de medida de ângulos além das que abordamos. O Grado
π
é uma unidade de medida de ângulos equivalente a 200 radianos ou 0,9 grau. O símbolo
internacional para esta unidade é “gon”, mas outros símbolos já foram usados no passado: “gr”,
“grd” e “g”. O termo “grado” tem origem no francês, grade, e embora utilizado por alguns países,
ele não faz parte do sistema internacional de unidades.

2.2.3 Notas históricas sobre o grau e o radiano


Acerca de elementos geométricos relacionados com a Astronomia pouco
se conhece. Sabe-se que Aristarco propôs um sistema que tinha o Sol como centro
pelo menos 1500 antes de Copérnico, no entanto este material histórico se perdeu
na noite do tempo. O que ficou, do ponto de vista histórico, foi um tratado escrito
por volta de 260 a.C. envolvendo tamanhos e distância do Sol e da Lua.

A divisão do círculo em 360 partes iguais aparece mais tarde e não existe
qualquer razão científica. Talvez exista uma razão histórica que justifique a
existência de tal número no contexto de estudos do povo babilônio, que viveu
entre 4000 a.C. e 3000 a.C. Este povo realizava muitos estudos no trato de
terrenos pantanosos e construções de cidades e tinha interesse pela Astronomia,
assim como pela sua relação com conceitos religiosos (eram politeístas) e, para
viabilizar tais procedimentos, criaram um sistema de numeração com base 60
(sistema sexagesimal).

Não se sabe ao certo quais as razões pelas quais foi escolhido o número
360 para se dividir a circunferência, sabe-se apenas que o número 60 é um dos
números menores do que 100 que possui uma grande quantidade de divisores
distintos, a saber: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20, 30, 60, razão forte pela qual este
número tenha sido adotado.

O primeiro astrônomo grego a dividir o círculo em 360 partes foi Hipsicles


(180 a. C.), seguido pelos caldeus. Por volta de 150 a. C. encontramos uma
generalização de Hiparco para este procedimento.

Dividir um círculo em 6 partes iguais era algo muito simples para os


especialistas daquela época e é possível que se tenha usado o número 60 para
representar 1/6 do total, que passou a ser 360.

Outro fato que pode ter influenciado na escolha do número 360 é que o
movimento de translação da Terra em volta do Sol se realizava em um período
de aproximadamente 360 dias, o que era uma estimativa razoável para a época.

65
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Hiparco mediu a duração do ano com grande exatidão ao obter 365,2467 dias,
sendo que atualmente esta medida corresponde a 365,2222 dias.

Nosso entendimento é que o sistema sexagesimal (base 60) tenha


influenciado a escolha da divisão do círculo em 360 partes iguais, assim como a
divisão de cada uma dessas partes em 60 partes menores e também na divisão
de cada uma dessas subpartes em 60 partes menores. Uma garantia para isto é
que os babilônios usavam frações com potências de 60 no denominador. As
frações sexagesimais babilônicas, usadas em traduções árabes de Ptolomeu, eram
traduzidas como:

“primeiras menores partes” = sexagésimos


“segundas menores partes” = sexagésimos de sexagésimos

Quando tais palavras foram traduzidas para o Latim, que foi a língua
internacional dos intelectuais por muito tempo, passamos a ter:

“primeiras menores partes” = partes minutae primae.


“segundas menores partes” = partes minutae secundae.

De onde apareceram as palavras minuto e segundo. De um modo popular,


usamos a unidade de medida de ângulo com graus, minutos e segundos.

Na verdade, a unidade de medida de ângulo do Sistema Internacional é o


radiano, que foi uma unidade alternativa criada pelo matemático Thomas Muir e o
físico James T. Thomson, de uma forma independente. Na verdade, o termo radian
apareceu pela primeira vez num trabalho de Thomson em 1873.

Em 1884, muitos cientistas ainda não usavam este termo. Outros termos
para o radiano eram: Pi-medida, circular ou medida arcual, o que mostra a forma
lenta como uma unidade é implementada ao longo do tempo.( VIANA; TOFFOLI;
SODRE, 2010).

3 CIRCUNFERÊNCIA TRIGONOMÉTRICA
Denomina-se circunferência trigonométrica (ou circunferência unitária) a
circunferência orientada cujo raio é 1 unidade de comprimento e na qual o sentido
positivo é o anti-horário.

Vamos associar à circunferência unitária de centro na origem O(0,0)


um sistema de coordenadas cartesianas ortogonais, fixando o ponto A, com
coordenadas em (0,1), como origem dos arcos, conforme a figura a seguir.

66
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Os eixos do sistema cartesiano dividem o ciclo em quatro partes


(quadrantes), numerados de 1 a 4 a partir de OA, no sentido positivo.

Dizemos que um ponto do ciclo pertence ao primeiro quadrante se estiver


entre A e B; ao segundo se estiver entre B e A’; ao terceiro se estiver entre A’ e B’;
e ao quarto se estiver entre B’ e A.

Portanto, um arco AP do ciclo trigonométrico, de medida x, com 0° ≤ x ≤


360° ou 0 rad ≤ x ≤ 2π rad, tem a extremidade P pertencente a um dos quadrantes
segundo as desigualdades:

67
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

P є 1º Quadrante se 0° < x < 90° ou 0 rad < x < π rad


2
P є 2º Quadrante se 90° < x < 180° ou π rad < x < π rad
2
P є 3º Quadrante se 180° < x < 270° ou π rad < x < 3π rad
2
P є 4º Quadrante se 270° < x < 360° ou 3π rad < x < 2π rad
2

Como no ciclo trigonométrico o raio é unitário, então α = p, ou seja, a medida


α do arco ou do ângulo central corresponde, em radianos, ao comprimento p do arco.

(
Assim, podemos associar a cada número real α um único arco AP, de
origem A e extremidade P, e vice-versa.

NOTA

• Os pontos A, B, A’ e B’ são pontos dos eixos e por isso não são considerados
pontos dos quadrantes.
• Para todo ponto (x, y) pertencente à circunferência unitária, temos:

-1 ≤ x ≤ 1 e -1 ≤ y ≤ 1.

3.1 ARCOS CONGRUENTES


Dois arcos são congruentes ou côngruos quando possuem a mesma
extremidade e se diferem apenas pelo número de voltas inteiras, ou seja, em
múltiplos de 2π, que corresponde ao comprimento de cada volta.

Como exemplo, vamos representar os arcos de 45°, 405°, 765°, -315° e -675°
no ciclo trigonométrico:

68
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Note, pelas figuras, que todos têm a mesma origem e a mesma extremidade,
ou seja, são côngruos. Perceba, também, que eles se diferem apenas pelo número
de voltas completas, pois

• 45° + 360° = 405°;


• 45° + 2 • 360° = 765°;
• 45° - 360° = -315°;
• 45° - 2 • 360° = -675°.

Podemos representar o arco de 45°, bem como todos seus arcos côngruos,
pela expressão 45° + k • 360°, com k є Z, sendo k o número de voltas completas.

Pelo exposto, podemos definir:

QUADRO 12 - DEFINIÇÃO DE ARCOS CÔNGRUOS OU CONGRUENTES

Dois arcos são côngruos ou congruentes quando têm a mesma extremidade e


diferem apenas pelo número de voltas inteiras.

FONTE: A autora

Assim:

• Se
um arco mede α graus, podemos expressar todos os arcos côngruos a ele pela
expressão α + k • 360°, onde k є Z.

• Seum arco mede α radianos, podemos escrever todos os arcos côngruos a ele
pela expressão α + k • 2πrad, onde k є Z.

69
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Exemplo 1:

Determine em qual quadrante situam-se as extremidades dos seguintes


arcos:

a) 72°
Resposta: 1º quadrante, pois 0° < 72° < 90°.

b) 1280°
Resolução: 1280° = 200° + 3 • 360°
Resposta: 3º quadrante, pois 180° < 200° < 270°.

c) - 300°
Resolução: Como este arco está na primeira volta negativa, basta fazer - 300° + 360° = 60°.
Resposta: 1º quadrante, pois 0° < 60° < 90°.

3.2 DETERMINAÇÃO PRINCIPAL DE UM ARCO


Se um arco mede α graus, então um arco β é chamado de determinação
principal de α ou de 1ª determinação positiva de α se:

• 0° ≤ β < 360° ou 0 rad ≤ β < 2π


• β é côngruo a α.

Exemplo 1:
Calcule a 1ª determinação positiva e escreva a expressão geral dos arcos côngruos
ao arco de 1690°.

Resolução:
1690° = 250° + 4 • 360°

Onde:
250° = 1ª determinação positiva
4 = número de voltas completas
Portanto, a 1ª determinação positiva é 250° e a expressão geral é α = 250° + k • 360°, k є Z.

Exemplo 2:
Calcular a determinação principal e escrever a expressão geral dos arcos côngruos
a 25π rad.
4
Resolução:
Basta dividirmos 25π rad por 2π rad. Assim:
4

70
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

25π
4 ₌ 25π . 1 ₌ 25π ₌ 25 ₌ 3 + 1
2π 4 2π 8π 8 8

Portanto,

25π  1
=  3 +  . 2π
4  8
25π 1
= 3 ⋅ 2π + ⋅ 2π
4 8
25π π
=3 ⋅ 2π +
4 4

Onde:

π rad = 1ª determinação positiva


4
3 = número de voltas completas

Portanto, a 1ª determinação positiva é π rad e a expressão geral é α = π rad +


k • 2π, k є Z. 4 4

3.3 SENO, COSSENO E TANGENTE NA CIRCUNFERÊNCIA


TRIGONOMÉTRICA
Até agora, operamos com os valores de sen x, cos x e tg x no triângulo
retângulo, onde x representa a medida de um ângulo agudo. Mas o que acontece
se x for a medida de um ângulo superior a 90°?

Para responder a esta questão, é preciso ampliar os conceitos estudados no


triângulo retângulo, levando-os à circunferência trigonométrica.

3.3.1 Seno
(

Vamos considerar na circunferência trigonométrica, o arco AP cuja medida


corresponde ao ângulo central x e o segmento OP', que é a projeção do raio OP
sobre o eixo das ordenadas (eixo vertical), conforme a figura a seguir:

71
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

O eixo vertical, suporte de OP', é denominado eixo dos senos.


(
Definimos como seno do arco AP ou sen x a medida de OP' e indicamos:

senx = OP'

Note que esta definição coincide com a que demonstramos anteriormente


para o triângulo retângulo.

OP' ₌ sen x

De fato, se considerarmos o triângulo OPP' da figura acima, veremos


^ ^ ← → ← →
que med(OPP') ₌ x, pois OPP' e AÔP são ângulos alternos internos, e PP' // OA.
Aplicando a definição anterior, temos:

medida do cateto oposto ao ângulo a


sena =
hipotenusa
OP'
senx =
OP
OP'
sen =
1
senx = OP'

72
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Esta definição é importante, pois nos permite encontrar valores de seno


em ângulos maiores que 90° ou que 360° e até de ângulos com medidas negativas.

Valores importante de sen x

Marcando os pontos P, imagens dos números reais 0 rad, π rad, π rad, 3π


rad e 2π rad, temos: 2 2

QUADRO 13 - VALORES IMPORTANTES DE SEN X

FONTE: A autora

1 2 3
sen30°
Vimos, anteriormente, que= , sen45°= e sen60°= , e que esses
2 2 2
valores são chamados de notáveis, devido à sua frequente utilização nos cálculos.

Utilizando esses valores e traçando a simetria das extremidades dos arcos


em relação aos eixos e ao centro da circunferência trigonométrica, obtemos os
valores de outros ângulos, também muito utilizados.

73
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

2
-
2

3
2

3
-
2

Desta forma, podemos relacionar o seno de um arco de qualquer quadrante


com valores do primeiro quadrante, isto é, estaremos fazendo uma Redução ao 1º
Quadrante.

Do exposto, podemos dizer que:

• reduçãodo segundo quadrante para o primeiro quadrante: dois arcos


suplementares x e 180° - x têm senos iguais, ou seja,

sen (180° – x) = sen x ou sen (π– x) = sen x;

• reduçãodo terceiro quadrante para o primeiro quadrante: os arcos x e 180° + x


têm senos simétricos, ou seja,

sen (180° + x) = -sen x ou sen (π + x) = -sen x;

• redução do quarto quadrante para o primeiro quadrante: os arcos x e 360° - x têm


senos simétricos, ou seja,

sen (360° – x) = -sen x ou sen (2π – x) = -sen x.

74
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Vale observar que 360° – x e -x são côngruos, portanto, podemos escrever:

sen (360° – x) = sen (-x) = -sen x.

Exemplo 1:
Calcule sen 1830°.

Resolução:
Calculando a 1ª determinação positiva, temos:
1830° = 30° + 5 • 360°

Onde:
30° corresponde ao valor que falta para atingir a meia-volta;
5 é o número de voltas completas;
1
Então, sen 1830° = sen 30° e portanto, sen 1830° = _ .
2
Exemplo 2:
Calcule sen 5π.

5π = π + 2 • 2π

Onde:
π corresponde ao valor que falta para atingir a meia-volta;
2 é o número de voltas completas;
Assim, sen 5π = sen π e, portanto, sen 5π = 0.

3.3.2 Cosseno
(

Vamos considerar na circunferência trigonométrica, o arco AP cuja medida


corresponde ao ângulo central x e o segmento OP", que é a projeção do raio OP
sobre o eixo das abscissas (eixo horizontal).

75
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

O eixo horizontal, suporte de OP", é denominado eixo dos cossenos.

(
Definimos como cosseno do arco AP ou cos x a medida de OP e indicamos:

cos x = OP"

Note que esta definição coincide com a que demonstramos anteriormente


para o triângulo retângulo.

OP" ₌ cos x

De fato, se considerarmos o triângulo OPP" da figura acima, veremos que


med(OPP") = x e, aplicando a definição anterior, temos:

medida do cateto adjacente ao ângulo a


cos a =
hipotenusa
OP''
cos x =
OP

OP''
cos x =
1

cos x = OP''

Esta definição é importante, pois nos permite encontrar valores de cosseno


em ângulos maiores que 90° ou que 360° e até de ângulos com medidas negativas.

Valores importantes de cos x

Marcando os pontos P, imagens dos números reais 0 rad, π rad, π rad,


3π rad e 2π rad, temos: 2
2

76
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

QUADRO 14 - VALORES IMPORTANTES DE COS X

FONTE: A autora

3 2 1
Vimos, anteriormente, que
= cos 30° , cos45°= e cos60°= , e que esses
2 2 2
valores são chamados de notáveis, devido à sua frequente utilização nos cálculos.

Utilizando esses valores e traçando a simetria das extremidades dos arcos


em relação aos eixos e ao centro da circunferência trigonométrica, obtemos os
valores de outros ângulos, também muito utilizados.

3 3
-
2 2

2 2
-
2 2

77
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

1 1
-
2 2

Desta forma, podemos relacionar o cosseno de um arco de qualquer


quadrante com valores do primeiro quadrante, isto é, estaremos fazendo uma
Redução ao 1º Quadrante.

Do exposto, podemos dizer que:

• reduçãodo segundo quadrante para o primeiro quadrante: dois arcos


suplementares x e 180° - x têm cossenos simétricos, ou seja,

cos (180° – x) = -cos x ou cos (π – x) = -cos x;

• reduçãodo terceiro quadrante para o primeiro quadrante: os arcos x e 180° + x


têm cossenos simétricos, ou seja,

cos (180° + x) = -cos x ou cos (π + x) = -cos x;

• redução do quarto quadrante para o primeiro quadrante: os arcos x e 360° - x têm


cossenos iguais, ou seja,

cos (360° – x) = cos x ou cos (2π – x) = cos x.

Vale observar que 360° – x e -x são côngruos, portanto, podemos escrever:

cos (360° – x) = cos (-x) = cos x.

Exemplo 1:
Calcule cos 13π.

Resolução:
13π = π + 6 • 2π
A 1ª determinação do ângulo é π. Portanto, cos 13π = cos π e cos 13π = -1.

Exemplo 2:
Calcule cos 120°.

78
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Resolução:

Como a extremidade de um arco de 120° pertence ao segundo quadrante,


usamos a redução do segundo quadrante para o primeiro:
cos x = -cos (180° – x)
cos 120° = -cos (180° - 120°)
cos 120° = -cos 60°
cos 120° = _ 1
2
Exemplo 3:
Simplifique a expressão B = sen (900° – α) + cos (1980° + α) + sen (1440° – α).

Resolução:
Sabemos que:
900° = 180° + 2 • 360°
1980° = 180° + 5 • 360°
1440° = 4 • 360° = 0° + 4 • 360°

Logo:
sen (900° – α) = sen (180° – α) = sen α
cos (1980° + α) = cos (180° + α) = -cos α
sen (1440° – α) = sen (360° – α) = -sen α

Substituindo na expressão, temos:


B = sen α – cos α - sen α
B = -cos α

Assim, pode-se simplificar a expressão escrevendo B = -cos α.

3.3.3 Tangente
(

Consideremos, na circunferência trigonométrica, o arco AP cuja medida é


x, sendo o eixo com origem no ponto A, vertical e orientado para cima, e o ponto
T, que é a intersecção deste eixo com a reta suporte do raio OP.

79
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

O eixo vertical, suporte de AT, é denominado eixo das tangentes.

(
Definimos como tangente do arco AP ou tg x a medida de AT e indicamos:

tgx = AT

Perceba que o ponto T só existe se P ≡ B e P ≡ B'. Como B e B’ são


extremidades de arcos da forma π + k . π , k є Z, então a tangente de x só é definida
se x є R e x ≠ π + k . π , k є Z. 2
2
Veja que esta definição coincide com a que demonstramos anteriormente
para o triângulo retângulo.

De fato, se considerarmos o triângulo OAT da figura acima, veremos que


med (AÔT) = x e, aplicando a definição anterior, temos:

medida do cateto oposto ao ângulo a


tga =
medida do cateto adjacente ao ângulo a
AT
tgx =
OA
AT
tgx =
1
tgx = AT

Esta definição é importante, pois nos permite encontrar valores da tangente


em ângulos maiores que 90° ou que 360° e até de ângulos com medidas negativas.

Valores importantes de tg x

80
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Marcando os pontos P, imagens dos números reais 0 rad, π rad, π rad, 3π


rad e 2π rad, temos: 2 2

QUADRO 15 - VALORES IMPORTANTES DE TG X

FONTE: A autora

3
tg30°
Vimos, anteriormente, que= , tg45°=1 e tg60°= 3 , e que esses
2
valores são chamados de notáveis, devido à sua frequente utilização nos cálculos.

Utilizando esses valores e traçando a simetria das extremidades dos arcos


em relação aos eixos e ao centro da circunferência trigonométrica, obtemos os
valores de outros ângulos, também muito utilizados.

81
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Desta forma, podemos relacionar a tangente de um arco de qualquer


quadrante com valores do primeiro quadrante, isto é, estaremos efetuando uma
Redução ao 1º Quadrante.

Do exposto, podemos dizer que:

• redução do segundo quadrante para o primeiro quadrante:

tg (180° – x) = -tg x ou tg (π – x) = -tg x;

• redução do terceiro quadrante para o primeiro quadrante:

tg (180° + x) = tg x ou tg (π + x) = tg x;

• redução do quarto quadrante para o primeiro quadrante:

tg (360° – x) = -tg x ou tg (2π – x) = -tg x.

Exemplo 1:
Determine o valor da tangente de um arco de 120°.

Resolução:
Fazendo a redução ao 1º Quadrante:
tg x = -tg (180° – x)
tg 120° = -tg (180° – 120°)
tg 120° = -tg 60°
tg 120° = – √3

82
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Exemplo 2:
Determine o valor da tangente de um arco de 25π rad.
3
Resolução:
Calculando a 1ª determinação,

25π
3 = 25π . 1 = 25= 1 + 24= 1 + 4
2π 3 2π 6 6 6
Assim,
25π 1 
=  + 4  . 2π
3 6 
25π 1
= ⋅ 2π + 4 ⋅ 2π
3 6
25π π
= + 4 ⋅ 2π
3 3
25π π
Logo, tg = tg= 3.
3 3

LEITURA COMPLEMENTAR

COMO MEDIR DISTÂNCIAS NO ESPAÇO

José Roberto V. Costa

Hiparco e a distância da Lua

Para medir a distância da Terra à Lua, Hiparco (190-120 a.C.) não precisou
nem mesmo do diâmetro da Terra. Ele imaginou uma geometria com a qual,
durante um eclipse lunar, isto é, quando a Terra fica exatamente entre o Sol e a
Lua, seria possível calcular a distância da Terra à Lua.

Hiparco foi um dos maiores astrônomos gregos e entre suas muitas


contribuições estão os fundamentos da trigonometria. Aliás, sua construção
geométrica baseia-se justamente na medida de ângulos.

Acompanhe o diagrama a seguir. Hiparco imaginou dois triângulos


retângulos, cujas hipotenusas ligariam o centro da Terra às bordas do disco solar e
lunares, por ocasião de um eclipse da Lua.

83
UNIDADE 1 | TRIGONOMETRIA: PARTE I

Sol, Terra e Lua não estão em escala

Podemos notar que a duração de um eclipse lunar é equivalente a duas


vezes o ângulo d. Vamos escrever nossa primeira equação: 2 • d = T1. O período
orbital da Lua, ou seja, o tempo que ela gasta para completar uma volta (360°) em
torno da Terra já era conhecido.

Vamos representá-lo como T2 e escrever a segunda equação: 360 = T2. Como


podemos medir o tempo T1, a única variável é d, obtida com as duas equações
numa regra de três simples e direta.

O ângulo c é chamado semidiâmetro do Sol, ou seja, a metade do ângulo


pelo qual vemos o disco solar. O ângulo a é tão pequeno que pode ser desprezado,
ele representa a metade do ângulo pelo qual um observador no Sol veria a Terra.

Dos estudos de trigonometria básica extraímos a propriedade pela qual a +


b = c + d. Como a é muito pequeno, basta-nos escrever b = c + d.

A engenhosa geometria que Hiparco utilizou para medir a distância


Terra-Lua é trivial para qualquer bom aluno do Ensino Médio.

Mas o que Hiparco queria mesmo era X, você concorda? Note que o seno
de b será R . Se ele calculasse b obteria o seu seno, consultando as velhas tábuas
X
trigonométricas.

84
TÓPICO 4 | TRIGONOMETRIA NA CIRCUNFERÊNCIA

Sobraria R, o raio da Terra. Hiparco também poderia expressar o resultado


como uma função de R, isto é, quantos raios da Terra existem até a Lua – o que já
seria um excelente resultado.

O resultado de Hiparco foi um valor de X entre 62 e 74 vezes R. O valor real


fica entre 57 e 64, mas seu erro é justificável face à precisão requerida nas medidas
angulares. Acima de tudo, que método elegante, que conclusão arrebatadora!

COSTA, J. R. V. Hiparco e a distância da Lua. Disponível em: <http://www.zenite.nu/>. Acesso em:


26 maio 2010.

85
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico revemos alguns conceitos da geometria na circunferência,
que auxiliaram na compreensão dos conceitos de seno, cosseno e tangente,
quando ampliados à circunferência unitária.

1 O grau e seus submúltiplos (minutos e segundos):

1° = 60’
1´= 60’’
1° = 3600’’

2 Grau e radiano:

2π rad = 360° ⇔ π rad = 180°

3 Ciclo trigonométrico (raio = 1):

4 Dois arcos são côngruos ou congruentes quando têm a mesma extremidade e se


diferem apenas pelo número de voltas inteiras. Podemos expressar por: α + k •
360°, onde k є Z, ou por α + k • 2π, onde k є Z.

5 Valores notáveis de seno, cosseno e tangente:

86
QUADRO 16 – VALORES NOTÁVEIS DE SENO, COSSENO E TANGENTE

x sen x cos x tg x x sen x cos x tg x

π Não é
0 0 1 0 = 90° 1 0
2 definida

π 1 √3 √3
= 30° π = 180° 0 -1 0
6 2 2 3

π √2 √2 3π Não é
= 45° 1 -1 0
4 2 2 2 definida

π √3 1
= 60° √3 2π = 360° 0 1 0
3 2 2

FONTE: A autora

87
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), seguem algumas autoatividades que se destinam à


averiguação da aprendizagem deste tópico de estudos. Bom trabalho!

1 Converta em radianos:
a) 1040°
b) 156°
c) 210°
d) 15° 52’

2 Determine a medida, em graus, equivalente a:

π
a) rad
2

11π
b) rad
6


c) rad
4


d) rad
3

3 Calcule, em graus, o menor ângulo formado pelos ponteiros de um relógio,


nos seguintes casos:

a) 2h 15min
b) 9h 10min

4 Determine, em radianos, a medida de um arco de circunferência cujo


comprimento mede 60 m e o diâmetro dessa circunferência, 40 m.

5 Determine os quadrantes a que pertencem as extremidades dos seguintes arcos:

a) 20°
b) 1430°
c) – 550°
d) 25π rad
4
11π
e) - rad
4

88
6 Identifique se os seguintes arcos são congruentes:

a) 19π e 55π
b) 3645° e 5445°

7 Calcule a determinação principal dos arcos de medida:

a) 4120°
b) – 4550°
47 π
c) rad
6
67 π
d) rad
6

8 Dê os valores de seno e cosseno dos seguintes arcos:

a) 390°
b) 10305°
c) 3π rad
15π
d) rad
2

9 Simplifique a expressão , E = sen(180° - x) + cos(180° + x) com sen(360° - x) ≠


0. sen(360° - x)

10 Determine o valor da tangente dos seguintes arcos:

a) tg 135°
b) tg 210°

c) tg rad
6

d) tg rad
3

89
90
UNIDADE 2

TRIGONOMETRIA: PARTE II

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Nessa unidade vamos:

• construir conhecimentos sobre os conceitos algébrico e gráfico das funções


trigonométricas e suas relações;

• resolver equações e inequações trigonométricas;

• efetuar operações e verificar identidades trigonométricas;

• aplicar as fórmulas da adição, multiplicação e divisão de arcos.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade de ensino está dividida em quatro tópicos. Ao término de cada
um deles você encontrará atividades que o (a) auxiliarão na interiorização
dos conteúdos e na resolução das autoavaliações solicitadas.

TÓPICO 1 – FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

TÓPICO 2 – EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

TÓPICO 3 – RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

TÓPICO 4 – TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

91
92
UNIDADE 2
TÓPICO 1

FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
E SUAS INVERSAS

1 INTRODUÇÃO
Na unidade anterior aprendemos como obter valores de senos, cossenos e
tangentes para números reais. Agora, iremos defini-los em um plano cartesiano,
desta forma recebem o nome de funções trigonométricas. Portanto, neste tópico
estudaremos as funções seno, cosseno e tangente, bem como suas recíprocas:
cotangente, secante e cossecante.

O primeiro indício da utilização de funções na trigonometria foi em 1635,


quando Gilles Personne de Roberval (1602-1675) traçou o esboço da curva de seno.
Mas foi apenas no século XIX, com os estudos de Jean Baptiste Joseph Fourier
(1768-1830), que os estudos nesta área avançaram.

2 ESTUDO DA FUNÇÃO SENO


Como vimos em tópicos anteriores, todo número real x pode ser considerado
(

(
como a medida, em radianos, de um certo arco AP. Portanto, para cada arco AP
podemos associar um único número real y, que é o valor do seno desse arco.

Assim, definimos a função seno como a função real de variáveis reais que
associa a cada número real x o valor real sen x, ou seja,

f:R→R
x → f(x) = sen x

93
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Gráfico da função seno

Para construir o gráfico da função seno, primeiramente, vamos fazer um


quadro com valores de sen x no período de [0, 2π].

QUADRO 17– PRINCIPAIS VALORES DA FUNÇÃO SEN X

x x
sen x sen x
(em radianos) (em radianos)

0 0 - 0,5
6
π 5π
0,5 - 0,7
6 4
π 4π
0,7 - 0,9
4 3
π 3π
0,9 -1
3 2

π 5π
1 - 0,9
2 3

2π 7π
0,9 - 0,7
3 4

3π 11π
0,7 - 0,5
4 6


0,5 2π 0
6

π 0

FONTE: A autora

Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da função


seno, chamada de senoide.

94
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

A partir do quadro, podemos observar:

QUADRO 18 – QUADRO RESUMO - FUNÇÃO SENO

Quadrante I II III IV

Arco x 0→ π π
→π π→
3π 3π → 2π
2 2 2 2

Sinal f(x) + + - -
0 → +1 +1 → 0 0 → -1 -1 → 0
Crescente Decrescente Decrescente Crescente

Variação f(x)

FONTE: A autora

Portanto, podemos concluir:

• O domínio da função f(x) = sen x é o conjunto dos números reais, D(f) = R.

• Oconjunto imagem da função f(x) = sen x é o intervalo [-1, +1], ou seja, Im(F) = {y
є R | -1 ≤ y ≤ 1}.

• Operíodo da função seno é o número 2π, pois o valor de f(x) da função seno se
repete a cada intervalo de amplitude 2π, ou seja, sen x = sen (x + k • 2π), k є Z.

Observe:

95
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Exemplo:

Esboçar o gráfico da função f(x) = 2sen x.

Resolução: Para o esboço do gráfico, basta atribuirmos ao arco x os valores 0,


π rad, π rad, 3π rad e 2π e calcularmos os correspondentes valores de y, conforme
2 2
o quadro a seguir:

QUADRO 19 – VALORES DE X E Y

x
y
(em radianos)
0 0
π
2
2
π 0

-2
2
2π 0

FONTE: A autora

Marcando no plano cartesiano os pontos (0,0),  π ,2  , (π ,0 ) ,  3π , -2  e


(2π, 0), temos: 2   2 

Domínio: D(f) = R
Conjunto Imagem: Im(f) = {y є R | -2 ≤ y ≤ 2}
Período: p = 2π

96
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

ATENCAO

Visite o site <http://www.apm.pt/apm/software/soft.htm>, lá você encontra


diversos softwares pedagógicos, entre eles alguns sobre funções, que irão auxiliá-lo na
construção dos gráficos aqui solicitados.
Outro site que possui programas interessantes é o baixaki. Vale a pena fazer o download do
winplot, <http://www.baixaki.com.br/download/winplot.htm>, ele resolve equações, funções e
gera gráficos. Mas, lembre-se de que alguns deles podem estar em inglês e, portanto, deve-se
usar: sen x = sin x; cos x = cos x e tg x = tan x.

3 ESTUDO DA FUNÇÃO COSSENO


Dado um número real x, podemos associar a ele o valor do cosseno de um
ângulo de x radianos.

Definimos a função cosseno como a função real de variáveis reais que


associa a cada número real x um único valor real cosseno x, ou seja,

f(x) : R → R
x → f(x) = cos x

Gráfico da função cosseno

Para construir o gráfico da função cosseno, primeiramente, vamos fazer um


quadro com valores de cos x no período de [0, 2π].

97
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

QUADRO 20 – VALORES DE COS X


x x
cos x cos x
(em radianos) (em radianos)

0 1 - 0,9
6
π 5π
0,9 - 0,7
6 4
π 4π
0,7 - 0,5
4 3
π 3π
0,5 0
3 2
π 5π
0 0,5
2 3
2π 7π
-0,5 0,7
3 4
3π 11π
- 0,7 0,9
4 6

- 0,9 2π 1
6
π -1

FONTE: A autora

Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da função


cosseno, chamada de cossenoide.

A partir do gráfico, podemos observar no quadro a seguir:

98
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

QUADRO 21 – QUADRO RESUMO DA FUNÇÃO COSSENO

Quadrante I II III IV

Arco x 0→ π π
→π π→
3π 3π → 2π
2 2 2 2

Sinal f(x) + - - +
+1 → 0 0 → -1 -1 → 0 0 → +1
Decrescente Decrescente Crescente Crescente

Variação f(x)

FONTE: A autora

Portanto, podemos concluir:

• O domínio da função f(x) = cos x é o conjunto dos números reais, D(f) = R.


• O conjunto imagem da função f(x) = cos x é o intervalo [-1, +1], ou seja, Im(f) = {y
є R | -1 ≤ y ≤ 1}.
• O período da função cosseno é o número 2π, pois o valor de f(x) da função
cosseno se repete a cada intervalo de amplitude 2π para valores de x, ou seja, cos
x = cos (x + k • 2π), k є Z.

Observe:

99
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Exemplo:
Dê o domínio, a imagem, o período e construa o gráfico de um período
completo da função f(x) = cos  x+ π  .
 3

 π
Resolução: Para o esboço do gráfico, basta atribuirmos ao arco  x+  os
 3
valores 0, π rad, π rad, 3π rad e 2π e calcularmos os respectivos valores de x e y,
2 2
conforme o quadro a seguir:

QUADRO 22 – CALCULAR VALORES DE X E Y

 π
 x+  x
 3 (em radianos)
y

(em radianos)

0 1
3
π π
0
2 6

π -1
3
3π 7π
0
2 6

2π 1
3

FONTE: A autora

A partir do gráfico, deduzimos que


Domínio: D(f) = R
Conjunto Imagem: Im(f) = {y є R | -1 ≤ y ≤ 1}
Período: p = 2π

100
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

4 ESTUDO DA FUNÇÃO TANGENTE


Dado um número real x, podemos associar a ele o valor da tangente de um
ângulo de x radianos.

Definimos a função tangente como a função real de variáveis reais que


associa a cada número real x um único valor real tangente x, ou seja,

f:R→R
x → f(x) = tgx

Gráfico da função tangente

Para construir o gráfico da função tangente, primeiramente, vamos fazer


um quadro com valores de tg x no período de [0, 2π].

101
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

QUADRO 23 – VALORES DE TG X
x x
tg x tg x
(em radianos) (em radianos)

0 0 0,58
6
π 5π
0,58 1
6 4
π 4π
1 1,73
4 3
π 3π
3
1,73
2
∃⁄

π 5π
2
∃⁄ 3
-1,73

2π 7π
-1,73 -1
3 4
3π 11π
-1 -0,58
4 6

- 0,58 2π 0
6
π 0

FONTE: A autora

Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da função


tangente, chamada de tangentoide.

102
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

A partir do gráfico, podemos observar no quadro a seguir:

QUADRO 24 – QUADRO RESUMO - FUNÇÃO TANGENTE

Quadrante I II III IV

Arco x 0→ π π
→π π→
3π 3π → 2π
2 2 2 2

Sinal f(x) + - + -
0 → +∞ -∞ → 0 0 → +∞ -∞ → 0
Variação f(x) Crescente Crescente Crescente Crescente

FONTE: A autora

Portanto, podemos concluir:

• O domínio da função f(x) = tg x é D(f) = {x є R | x ≠ π + k • π, k є Z};


2
• O conjunto imagem da função f(x) = tg x é o intervalo [-∞, +∞], ou seja, Im(f) = R;

• O período da função tangente é p = π, pois o valor de f(x) da função tangente


se repete a cada intervalo de amplitude π para valores de x, ou seja, tg x = tg
(x + k • π, k є Z).

Observe:

103
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Exemplo 1:

Determine o domínio, a imagem, o período e esboce o gráfico da função


f(x) = tg  x+ π  .
 
 6
 π
Resolução: Vamos construir um quadro, atribuindo a  x+  os valores 0,
 6
π rad, π rad, 3π rad e 2π e calcularmos os respectivos valores de x e y.
2 2

QUADRO 25 – CALCULAR VALORES DE X E Y

 π
 x+  x
 6 (em radianos)
y

(em radianos)

0 0
6
π π
2 3
∃⁄


π 0
6
3π 4π
2 3
∃⁄

11π
2π 0
6

FONTE: A autora

Colocando esses valores no plano cartesiano, obtemos o seguinte gráfico:

A partir do gráfico, deduzimos que


Domínio: D(f) = {x є R | x ≠ π + k . π, k є Z}
3
104
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

Conjunto Imagem: Im(f) = R


Período: p = π

Exemplo 2:

 π
Qual o período da função f(x) = tg  2x -  ?
 2
Resolução: Como o período da função tangente é π radianos, devemos
verificar o que ocorre com o arco  2x - π  , quando varia de 0 a π.
 2
Quando f(x) = 0, temos:

π
2x - 0
=
2
π
2x=
2
π
x=
4

Quando f(x) = π, temos:

π
2x - = π
2
π
2x= π+
2
2π π
2x
= +
2 2

2x=
2

x=
4

Assim, quando  2x - π  varia de 0 a π, x varia de π a 3π. Então, o período é


 2 4 4
p= 3π - π π
, ou melhor, p = .
4 4 2

5 OUTRAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS


Além das três relações que acabamos de estudar, existem outras três
(secante, cossecante e cotangente), que mostram sua importância na trigonometria.
Sempre que forem exigidas, podem ser substituídas por expressões envolvendo as
funções seno, cosseno ou tangente. Assunto que veremos nos próximos tópicos.

105
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

5.1 ESTUDO DAS FUNÇÕES SECANTE E COSSECANTE


Primeiramente, consideremos o ciclo trigonométrico a seguir.

Traçando uma reta tangente à circunferência pelo ponto P, interceptamos o


eixo das abscissas (eixo dos cossenos) no ponto A e o eixo das ordenadas (eixo dos
senos) no ponto B.

Definimos sec x = OA e cossec x = OB .

Através da semelhança de triângulos, podemos obter:

1
OA = secx = , com cos x ≠ 0
cosx

1
OB = cos secx = , com sen x ≠ 0
senx

Observando a figura anterior e de acordo com essas fórmulas, podemos


constatar as seguintes propriedades:

• como os pontos A e B sempre estão no exterior do ciclo trigonométrico, as suas


distâncias até o centro da circunferência são sempre maiores ou iguais à medida
do raio unitário. Portanto:

106
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

sec x ≤ -1 ou sec x ≥ 1
e
cossec x ≤ -1 ou cossec x ≥ 1

• o
sinal da secante varia nos quadrantes como o sinal do cosseno: positivo no 1º e
no 4º quadrantes e negativo no 2º e no 3º quadrantes;

• o
sinal da cossecante varia nos quadrantes como o sinal do seno: positivo no 1º e
no 2º quadrantes e negativo no 3º e no 4º quadrantes;

• nãoexiste a secante de ângulos da forma a ₌ π + k . π, k є Z, pois nesses ângulos


o cosseno é zero; 2

• não existe a cossecante de ângulos da forma α = k . π, k є Z, pois são ângulos cujo


seno é zero.

Exemplo 1:

Calcule a secante do arco de 150°.

Resolução:

1
sec x =
cos x
1
sec150° =
cos150°
1
sec150° =
3
-
2
2
sec150° = 1 ⋅
- 3
2 3
sec150° = -
3

Assim, a secante do arco de 150° é – 2√3 .


3
Exemplo 2:

Calcule a cossecante do arco de 330°.

Resolução:

107
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

1
cos sec x =
senx
1
cos sec 330° =
sen330°
1
cos sec 330° =
1
-
2
cos sec 330° = 1 ⋅ ( -2)
cos sec 330° = -2

Portanto, a cossecante do arco de 330° é -2.

O Gráfico das funções secante e cossecante:

Conforme acabamos de estudar, a função secante, indicada por y = sec x ou


1
f(x) = sec x, é definida por f(x) = para todo x real tal que cos x ≠ 0.
cos x
A função cossecante, indicada por y = cossec x ou f(x) = cossec x, é definida
1
por f(x) = para todo x real tal que sen x ≠ 0.
senx
A partir disto, podemos estabelecer alguns valores notáveis da secante e da
cossecante. Observe no quadro a seguir:

QUADRO 26 – PRINCIPAIS VALORES DAS FUNÇÕES SEC X E COSSEC


x cossec x
sec x sec x cossec x
(em radianos) x (em radianos)

0 1 ∃⁄ 6
-1,15 -2

π 5π
1,15 2 -1,4 -1,4
6 4
π 4π
1,4 1,4 -2 -1,15
4 3

π 3π
3
2 1,15
2
∃⁄ -1

π 5π
2
∃⁄ 1
3
2 -1,15

2π 7π
-2 1,15 1,4 -1,4
3 4
3π 11π
-1,4 1,4 1,15 -2
4 6

6
-1,15 2 2π 1 ∃⁄

π -1 ∃⁄
FONTE: A autora

108
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos os gráficos das


funções secante e cossecante.

5.2 ESTUDO DA FUNÇÃO COTANGENTE (


Consideremos o ciclo trigonométrico a seguir e o arco AP de medida x. Seja
← →
C o ponto de intersecção da reta OP com o eixo das cotangentes.

109
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

(
Definimos como cotangente do arco AP a medida do segmento BC, e
indicamos cotg x = BC, ou seja, a cotg x é a abscissa do ponto C.

Através da semelhança de triângulos, podemos obter:

cosx
cotgx = , sendo sen x ≠ 0
senx

Podemos ainda escrever:

1 kπ
cotgx = ,x≠
tgx 2

Exemplo:

Calcule a cotangente do arco de 30°.

Resolução:

cos x
cot gx =
senx
cos 30°
cot g30° =
sen30°
3
cot g30° = 2
1
2
3
cot g30=
° ⋅2
2
cot g30° = 3

Deste modo, a cotangente do arco de 30° é √3.

110
TÓPICO 1 | FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E SUAS INVERSAS

O Gráfico da função cotangente

Partindo da definição, podemos estabelecer alguns valores notáveis da


cotangente. Observe:

QUADRO 27 – PRINCIPAIS VALORES DA FUNÇÃO COTG X


x x
cotg x cotg x
(em radianos) (em radianos)

0 ∃⁄ 6
1,73

π 5π
1,73 1
6 4
π 4π
1 0,58
4 3
π 3π
0,58 0
3 2
π 5π
0 -0,58
2 3
2π 7π
-0,58 -1
3 4
3π 11π
-1 -1,73
4 6

6
-1,73 2π ∃⁄

π ∃⁄
FONTE: A autora

Observe que a tangente é positiva para os arcos com extremidades no 1º


ou 3º quadrante e negativa para os arcos com extremidades no 2º ou 4º quadrante.

Colocando estes valores no plano cartesiano, obtemos o gráfico da


função cotangente.

111
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

A partir do gráfico, podemos concluir:

• O domínio da função f(x) = cotg x é D(f) = {x є R | x ≠ kπ, k є Z};


• O Conjunto imagem da função f(x) = cotg x é o intervalo [-∞, +∞], ou seja, Im(f) = R;
• f(x) = cotg x é uma função periódica com p = π.

112
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico ampliamos o conhecimento das razões seno, cosseno e
tangente, já conhecidas desde o triângulo retângulo, para o plano cartesiano, ou
seja, na forma de função.

● Também avançamos no estudo da trigonometria, conhecendo outras razões


importantes: a secante, a cossecante e a cotangente.

Disto é válido lembrar:

1
sec x =
cos x
1
cos sec x =
senx
cos x 1
cot gx = ou cotgx=
senx tgx

● Quanto ao gráfico das funções trigonométricas (no quadro 28), podemos destacar:

QUADRO 28 – QUADRO RESUMO DAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Função Domínio Imagem Período Sinais


f(x) D(f) Im(f) P Positivo Negativo
sen x xєR { y є R | -1 ≤ y ≤ 1 } 2π 1º e 2º Q 3º e 4º Q
cos x xєR { y є R | -1 ≤ y ≤ 1 } 2π 1º e 4º Q 2º e 3º Q

tg x { x є R | x ≠ π + kπ, k є Z} yєR π 1º e 3º Q 2º e 4º Q
2

sec x { x є R | x ≠ π + kπ, k є Z} { y є R | -1 ≥ y ≥ 1 } 2π 1º e 4º Q 2º e 3º Q
2
cossec x { x є R | x ≠ kπ, k є Z } { y є R | -1 ≥ y ≥ 1 } 2π 1º e 2º Q 3º e 4º Q
cotg x { x є R | x ≠ kπ, k є Z } yєR π 1º e 3º Q 2º e 4º Q

FONTE: A autora

113
AUTOATIVIDADE

1 Indique o valor de:


a) cotg 60° b) sec 180° c) cossec 30°
d) cotg 225° e) sec 210° f) cossec 27°
g) cotg 330° h) sec 120° i) cossec 225°

2 Calcule o valor das expressões (FACHINI, 1996):

cos x + cos 2x
a) 2 , para x ₌ π
cos 3x – cos 4x
2

cos x . cos 3x
b) , para x ₌ π
1 + √2 . cos x 4

3 Verifique se são verdadeiras ou falsas as igualdades:

a) tg 60° ₌ tg 210° b) cotg π ₌ cotg 3π


2 2
c) cossec 0° ₌ cossec 2π d) tg 3π ₌ tg 5π
4 4
e) tg π ₌ tg 7π f) sec 45° ₌ sec 765°
3 3
g) sec π ₌ sec 5π h) cotg 0° ₌ cotg 180°
4
i) sec 90° ₌ sec 270° j) cossec π ₌ cossec 3π
4 2

4 Determine o domínio das seguintes funções:

a) f(x) ₌ cotg (2x + 30°)

 π
b) f(x) ₌ cossec  x+ 
 6

 π
c) f(x) ₌ sec  x+ 
 3

5 Para que valores reais de m a equação sen x = 2m + 1 admite solução?

114
6 Calcule B = sen 2x + cos 4x – tg 3x, para x = π .
3
7 Que número é maior: sen 70° ou sen 760°?

8 Determine x є R, tal que tg β = x + 1 e cotg β = 4.


2
9 Construa o gráfico, dê o domínio, a imagem e o período das funções:

 π
a) f(x) ₌ cos  x - 
 4
x
b) f(x) ₌ 4sen
3
c) f(x) ₌ -tg 2x

115
116
UNIDADE 2 TÓPICO 2

EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

1 INTRODUÇÃO
Dando continuidade ao estudo da trigonometria, abordaremos as técnicas
de resolução de equações e inequações que envolvem as funções que vimos
anteriormente.

Logicamente, os conteúdos de equações e inequações não são novidade


para você, mas quando estes se unem aos conceitos da trigonometria, precisamos
fazer algumas observações quanto à posição do arco da função na circunferência
trigonométrica. Estes olhares serão nosso foco de estudo neste tópico.

2 EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
Para que uma sentença matemática seja denominada uma equação é
necessário que se tenha uma igualdade e pelo menos uma incógnita. Resolver a
equação é encontrar os valores desconhecidos das incógnitas.

Agora, para uma equação ser chamada de equação trigonométrica é


necessário que, além dessas características gerais, a incógnita esteja envolvida em
pelo menos uma razão trigonométrica. Assim, resolver uma equação trigonométrica
significa encontrar os valores dos ângulos que a satisfazem.

A seguir, temos alguns exemplos de equações trigonométricas:

sen x = cos 2x
2sen2 x – 5sen x + 3 = 0
cos2 x = -cos x
sen 2x – cos 4x = 0
4sen 3x = 3sen x

Agora, veja exemplos de equações que não são consideradas trigonométricas,


pois a incógnita não pertence à razão trigonométrica.

x2 + sen 30° • (x + 1) = 15
x + (tg 30°) • x2 = 0
√3
cos 60° – x =
2

117
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Grande parte das equações trigonométricas pode ser reduzida na forma de


equações trigonométricas elementares ou equações trigonométricas fundamentais,
representadas da seguinte forma:

1) sen x = sen a 2) cos x = cos a 3) tg x = tg a

Com a є [0, 2π]

Cada uma dessas equações acima possui um tipo de solução, ou seja, possui
um conjunto de valores que a incógnita deverá assumir em cada equação.

Vejamos, a seguir, cada uma delas:

2.1 PRIMEIRA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL:


sen x = sen a, com a є [0, 2π]
Quando fizemos o estudo de seno, vimos que se dois arcos têm o mesmo
seno, então eles são côngruos ou suplementares, ou seja, possuem a mesma imagem
no eixo dos senos. Veja no ciclo trigonométrico a seguir:

Portanto, podemos concluir que:

sen x ₌ sen a ⇔
} x ₌ a + k . 2π
ou
x ₌ π – a + k . 2π

118
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

E, como conjunto solução desta equação, temos:


S = {x є R | x = a + k • 2π ou x = π - a + k • 2π, k є Z}

Exemplo:
Determinar o conjunto solução das equações:

a) sen x = √3
2
Resolução:

π
Consultando as tabelas trigonométricas, descobre-se que sen = √3 , ou seja,
3 2
π . Mas, x pode ser ainda qualquer ângulo congruente a π , então, a solução da
x=
3 3 3
equação sen x = é dada por
2
S = {x є R | x = π + k • 2π ou x = 2π + k • 2π, k є Z}
3 3
b) 2sen 2x – 1 = 0

Resolução:

Podemos reescrever a equação como:

2sen2x - 1 =0
2sen2x=1
1
sen2x=
2
Através das tabelas trigonométricas verificamos que sen π ₌ 1 , ou seja, 2x = π .
6 2 6
E, portanto, as duas possibilidades de respostas são desenvolvidas a partir de:

π π k ⋅ 2π π
x = a + k ⋅ 2 π ⇒ x2x = + k ⋅ 2π ⇒ x = + ⇒x= + k⋅π
6 6⋅2 2 12

π π π k ⋅ 2π 5π
x =π - a + k ⋅ 2 π ⇒ 2x =π - + k ⋅ 2π ⇒ x = - + ⇒ x = + k⋅π
6 2 6⋅2 2 12

π
S = {x є R | x = + k • π ou x = 5π + k • π, k є Z}
12 12

119
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

2.2 SEGUNDA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL:


cos x = cos a, com a є [0, 2π]
Com base nos estudos de cosseno, se dois arcos têm o mesmo cosseno,
então eles são côngruos, ou seja, possuem extremidades simétricas em relação ao
eixo dos cossenos. Observe:

Portanto, podemos concluir que:

cos x = cos a ⇔ x = ±a + k • 2π, k є Z

E, como conjunto solução desta equação, temos:


S = {x є R | x = ±a + k • 2π, k є Z}

Exemplo 1:
Determinar o conjunto solução da equação cos x = 1 .
2
Resolução:
As extremidades dos arcos no ciclo trigonométrico para o qual x = 1 , são os
pontos P e P’, simétricos em relação ao eixo dos cossenos. 2

120
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

1
Então, consultando as tabelas trigonométricas, verificamos que cos x =
2
quando x = π . Assim,
3
S = {x є R | x = ± π + k • 2π, k є Z}
3
Exemplo 2:
Determinar o conjunto solução da equação cos (2x – π) = – √3 .
2
Resolução:
Consultando as tabelas trigonométricas, verificamos que – √3 é o
2
equivalente a – cos π , que, por sua vez, é equivalente a cos 5π . Assim,
6 6

5π -5π
2x - =
π + k ⋅ 2π 2x -=
π + k ⋅ 2π
6 6
5π -5π
2x
= + k ⋅ 2π + π 2x
= + k ⋅ 2π + π
6 ou 6
5π 6 π -5π 6 π
2x= + + k ⋅ 2π 2x
= + + k ⋅ 2π
6 6 6 6
11π π
x
= + k⋅π x
= + k⋅π
12 12

S ₌ {x є R | x ₌ 11π + k . π ou x ₌ π + k . π, k є Z}
12 12

2.3 TERCEIRA EQUAÇÃO FUNDAMENTAL:


tg x = tg a, com a ∈ [0, 2π]
Assim como nas equações fundamentais anteriores, ela baseia-se no fato de
que, se dois arcos têm a mesma tangente, então eles são côngruos, ou seja, possuem
suas extremidades simétricas em relação ao centro do ciclo trigonométrico.

121
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Portanto, podemos concluir que:

tg x = tg a ⇔ a + k • π
com a ≠ π + k • π e k є Z
2
E, como conjunto solução desta equação, temos:
S = {x є R | x = a + k • π, k є Z}

Exemplo 1:
Determinar o conjunto verdade da equação tg x = √3.

Resolução:
As extremidades dos arcos no ciclo trigonométrico, para o qual tg x = √3 são
os pontos P e P’, simétricos em relação à origem.

Então, escrevemos:

tgx ₌ √3

tg π ₌ √3
3
E assim, x = π + k • π.
3
S = {x є R | x = π + k • π, k є Z}
3
Exemplo 2:
Determinar o conjunto verdade da equação tg 2x – 1 = 0.
Resolução:

122
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Podemos reescrever a equação como:

tg2x – 1 ₌ 0
tg2x ₌ 1

E consultando as tabelas trigonométricas das tangentes temos que tg 2x =


1 quando 2x = π .
4
π
E assim, 2x = + k • π, ou melhor, x = π + k . π .
4 8 2
π
Logo, S = {x є R | x = + k . π , k є Z}.
8 2

3 INEQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS
Uma sentença matemática é denominada de inequação quando é uma
desigualdade e possui pelo menos uma incógnita.

Chamamos de inequação trigonométrica a inequação cuja incógnita


está envolvida em pelo menos uma razão trigonométrica. Resolver a inequação
trigonométrica significa obter, caso exista, o conjunto solução S, de valores que
satisfaçam a inequação.

A maioria das inequações trigonométricas pode ser reduzida a inequações


de um dos seguintes tipos:

1) sen x > a 2) sen x < a

3) cos x > a 4) cos x < a

5) tg x > a 6) tg x < a

onde a é um número real. Estas são denominadas inequações trigonométricas


fundamentais.

3.1 INEQUAÇÕES FUNDAMENTAIS


Quando aprendemos a resolver as inequações fundamentais, sabemos
resolver outras inequações trigonométricas. Por este motivo, dedicaremos este
item ao estudo delas.

123
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

1º Caso: sen x > a ou sen x ≥ a

Sobre o eixo dos senos, marcamos o ponto P, tal que OP = a. Traçamos por
P a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que sen x > a estão na
interseção do ciclo com o semiplano situado acima de r.

Assim, descrevemos os intervalos aos quais x pode pertencer, tomando


cuidado de partir do ponto A e percorrer o ciclo trigonométrico no sentido anti-
horário até completar uma volta.

ATENCAO

Neste tópico é imprescindível recordar os conceitos de Intervalos Reais.

Intervalo aberto em a e b, {x є R | a < x < b} = ]a,b[

Intervalo aberto em a e fechado em b, {x є R | a < x ≤ b} = ]a,b

Intervalo fechado em a e aberto em b, {x є R | a ≤ x < b} = [a,b[

Intervalo fechado em a e b, {x є R | a ≤ x ≤ b} = [a,b]

124
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Exemplo:
Vamos resolver a inequação sen x > √2 .
2
Resolução:

Percorrendo o ciclo no sentido anti-horário, temos:

Para a primeira volta:

}
S = x є R | π < x < 3π
4 4 }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

}
S = x є R | π + k . 2π < x < 3π + k . 2π, k є Z
4 4 }
2º Caso: sen x < a ou sen x ≤ a

Sobre o eixo dos senos, marcamos o ponto P, tal que OP = a. Traçamos por
P a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que sen x < a estão na
interseção do ciclo com o semiplano situado abaixo de r.

125
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Assim, descrevemos os intervalos aos quais x pode pertencer, partindo do


ponto A e percorrendo o ciclo trigonométrico no sentido anti-horário até completar
uma volta.

Exemplo 1:
Vamos resolver a inequação sen x < √2 .
2
Resolução:

Percorrendo o ciclo a partir do zero, no sentido anti-horário, encontramos


dois intervalos para a primeira volta:

}
S = x є R | 0 ≤ x < π ou 3π < x ≤ 2π
4 4 }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

126
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

}
S = x є R | 0 + k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 3π + k . 2π < x ≤ 2π + k . 2π
4 4 }
E simplificando, temos

} }
S = x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 3π + k . 2π < x ≤ (1 + k) . 2π, k є Z
4 4
Exemplo 2:

Resolva a inequação 0 ≤ senx < √3 , para x ∈ R.


2
Resolução:

A imagem de x deve ficar na interseção do ciclo com a faixa do plano


compreendida entre r e s.

Então, para a primeira volta:

}
S = x є R | 0 ≤ x < π ou 2π < x ≤ π
3 3 }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

127
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

}
S = x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 2π + k . 2π < x ≤ π + k . 2π, k є Z
3 3
}
3º Caso: cos x > a ou cos x ≥ a

Sobre o eixo dos cossenos, marcamos o ponto Q, tal que OQ = a. Traçamos


por Q a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que cos x > a estão
na interseção do ciclo com o semiplano situado à direita de r.

Por fim, descrevemos os intervalos aos quais x pode pertencer, tomando


cuidado de partir do ponto Q, percorrendo o ciclo trigonométrico no sentido anti-
horário até completar uma volta.

Exemplo:

Vamos resolver a seguinte inequação trigonométrica: cos x > √3 .


2
Resolução:

Consultando as tabelas trigonométricas verifica-se que cos x = √3 quando


2
π 11π
x = ou x= .
6 6

128
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Percorrendo o ciclo a partir do zero, no sentido anti-horário, encontramos


dois intervalos para a primeira volta:

}
S = x є R | 0 ≤ x < π ou 11π < x ≤ 2π
6 6 }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

}
S = x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou 11π + k . 2π < x ≤ (1 + k) . 2π, k є Z
6 6
}
4º Caso: cos x < a ou cos x ≤ a

Sobre o eixo dos cossenos, marcamos o ponto Q, tal que OQ = a . Traçamos


por Q a reta r perpendicular ao eixo. As imagens dos reais x tais que cos x < a estão
na interseção do ciclo com o semiplano situado à esquerda de r.

Para completar, descrevemos os intervalos que convêm ao problema.

Exemplo 1:

Vamos resolver a seguinte inequação trigonométrica: cos x < √3 .


2
Resolução:

Consultando as tabelas trigonométrica verifica-se que cos x = √3 quando x =


π ou x = 1π. 2
6 6

129
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Percorrendo o ciclo a partir do zero, no sentido anti-horário, temos:

Primeira volta:

}
S = x є R | π < x < 11π
6 6 }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

}
S = x є R | π + k . 2π < x < 11π + k . 2π, k є Z
6 6 }
Exemplo 2:

Vamos resolver a seguinte inequação trigonométrica: - 3 ≤ cosx ≤ 0, para


x є R. 2

Resolução:

130
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

A imagem de x deve ficar na interseção do ciclo com a faixa do plano


compreendida entre r e s.

Primeira volta:

}
S = x є R | π ≤ x ≤ 3π
2 2 }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

}
S = x є R | π + k . 2π ≤ x ≤ 3π + k . 2π, k є Z
2 2 }
5º Caso: tg x > a ou tg x ≥ a

Sobre o eixo das tangentes, marcamos o ponto T, tal que AT = a. Traçamos a reta
← →
r = OT. As imagens dos reais x tais que tg x > a estão na interseção do ciclo com o
ângulo rÔv.

131
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Por fim, descrevemos os intervalos que convêm ao problema.

Exemplo:

Resolva a inequação tg x > √3.

Resolução:

Consultando as tabelas trigonométricas verifica-se quais ângulos


apresentam √3 como tangente.

Primeira volta:

}
3 2 3
}
S = x є R | π < x < π ou 4π < x < 3π
2
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

132
TÓPICO 2 | EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Acrescentando k • 2π, com k є Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

}
S = x є R | π + k . 2π < x < π + k . 2π ou 4π + k . 2π < x < 3π + k . 2π, k є Z
3 2 3 2 }
6º Caso: tg x < a ou tg x ≤ a

Sobre o eixo das tangentes, marcamos o ponto T, tal que AT = a. Traçamos


← →
a reta r = OT . As imagens dos reais x tais que tg x < a estão na interseção do ciclo
com o ângulo rÔv.

Finalmente, descrevemos os intervalos que convêm ao problema.

Exemplo:

Resolva a inequação tg x < √3.

Resolução:

Consultando as tabelas trigonométricas verifica-se quais ângulos apresentam


√3 como tangente.

133
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Primeira volta:

}
S = x є R | 0 ≤ x < π ou π < x < 4π ou 3π < x ≤ 2π
3 2 3 2 }
Que é uma solução particular para o intervalo [0, 2π].

Acrescentando k • 2π, com k ∈ Z, às extremidades do intervalo encontrado,


temos a solução geral em R.

Solução geral:

}
}
S = x є R | k . 2π ≤ x < π + k . 2π ou π + k2π < x < 4π + k2π ou 3π + k2π < x ≤ (1+k)2π, k є Z
3 2 3 2

134
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico fizemos o estudo das equações e inequações trigonométricas.

● Vimos que, conhecendo as equações trigonométricas fundamentais, podemos


resolver a maioria das equações trigonométricas, visto que podemos, quando
convenientemente, tratá-las e transformá-las, reduzindo-as em equações
fundamentais. Por este motivo, é de grande serventia memorizá-las.

1) sen x = sen a, a є [0, 2π] ⇒ x = a + k • 2π, k є Z.


2) cos x = cos a, a є [0, 2π] ⇒ x = a + k • 2π, k є Z.
3) tg x = tg a, a є [0, 2π] ⇒ x = a + k • π, k є Z.

● O mesmo ocorre com as inequações trigonométricas. É necessário compreender


as inequações fundamentais, para facilmente resolver as demais.

1) sen > a
2) sen < a
3) cos x > a
4) cos x < a
5) tg x > a
6) tg x < a
com a ∈ R.

135
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), as autoatividades que seguem se destinam à


averiguação da aprendizagem deste tópico de estudos. Bom trabalho!

1 Encontre o valor do número real y, tal que sen²y – 3 sen y = – 2, para 0 ≤ y ≤ π.

2 Resolva as equações trigonométricas abaixo:

a) sen3x = 1
 π
b) cos  x+  = -1
 6
c) tg 5x = 0

d) 2sen 2x – 1 = 0

e) cos (2x – π) = – √3
2
f) tg (2x – π) – √3 = 0

3 Sabendo que x є R, calcule as seguintes inequações:

a) tg x ≤ 1

b) cos x ≥ – 1
2
c) sen x > 0

d) sen x ≥ – √3
2
e) - √3 < tg x ≤ √3
3

136
UNIDADE 2
TÓPICO 3

RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

1 INTRODUÇÃO
Nos tópicos anteriores estudamos as funções trigonométricas e analisamos
as características e propriedades de cada uma delas, bem como algumas equações.

Entretanto, o assunto não está esgotado, ainda há algumas relações que


podemos fazer entre os valores das funções trigonométricas de um mesmo arco,
chamadas de relações trigonométricas.

2 RELAÇÕES FUNDAMENTAIS
Das demonstrações anteriores, temos:

cosx
(I) cotgx= , com x ≠ kπ e k ∈ Z.
senx

1 π
(II) secx= , com x ≠ + kπ e k ∈ Z.
cos x 2

1
(III) cossecx= , com x ≠ kπ e k ∈ Z.
senx

Agora, consideremos o ciclo trigonométrico a seguir:

137
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Observe que os triângulos retângulos OAB e OP”P são semelhantes,


portanto:

= "P
AB P
OA OP"

Sendo esta uma circunferência unitária, temos


OA = 1, AB = tgx, P"P = OP' = senx e OP" = cos x, então:

senx π
(IV) tgx= , com x ≠ + kπ e k ∈ Z.
cos x 2

Observando, novamente o triângulo retângulo OP”P e aplicando o teorema


de Pitágoras, obtemos:

OP² = OP" ² + P"P²

Como a circunferência é unitária, temos que P"P = sen x, OP" = cos x e OP =


1, logo:

(V) sen²x + cos²x = 1, x є R

Estas cinco relações são conhecidas como relações fundamentais da


trigonometria.

3 RELAÇÕES DERIVADAS
São relações que podem ser deduzidas das relações fundamentais.

cos x
(I) A partir de cot gx = , com x ≠ kπ e k є Z, podemos escrever:
senx

1 kπ
cot
= gx , x≠ + kπ , k ∈ Z.
tgx 2

(II) Se dividirmos a igualdade sen²x + cos²x = 1, por cos²x ≠ 0, obteremos:

sen²x cos²x 1
+ =
cos²x cos²x cos²x
2 2
 senx   1 
  +1= 
 cos x   cos x 

138
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

E com isso,

tg²x + 1 = sec² x, com x ≠ kπ + kπ, k є Z


2
(III) Dividindo agora a igualdade sen²x + cos²x = 1, por sen²x ≠ 0, obteremos:

sen²x cos²x 1
=
+
sen²x sen²x sen²x
2 2
 cosx   1 
1+   =
 
 senx   senx 

E com isso,

1+ cot g2 x = cos sec2 x, com x ≠ kπ, k є Z

Exemplo 1:

Sabendo que tg x = – √3 e π < x < π, calcule:


2
a) sec²x

Resolução:
sec2x = 1 + tg2x
sec2x = 1 + (– √3)2
sec2x = 1 + 3
sec2x = 4
sec x = – √4
sec x = -2

No IIQ a secante é negativa, logo tem o mesmo sinal do cosseno.


Pelo exposto, a secante de x é –2.

b) cotg x

Resolução:

1
cot gx =
tgx
1
cot gx =
- 3
1 3
cot=
gx ⋅
- 3 3
- 3
cot gx =
3
139
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Deste modo, a cotangente de x é - √3 .


3
c) cos x

Resolução:

1
sec x =
co x
1
cos x =
sec x
1
cos x =
-2
-1
cos x =
2

Assim, o cosseno de x é – 1 .
2
d) cossec x

Resolução:

cos sec 2 x= 1 + cot g 2 x


2
2
- 3
cos sec x= 1 +  
 3 
 

(- 3 )
2

cos sec 2 x= 1+
32
3
cos sec 2 x= 1 +
9
1
cos sec 2 = 1 +
3
4
cos sec 2 x =
3
4
cos sec x =
3
2
cos sec x =
3
2 3
cos sec x =
3

140
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

No IIQ a cossecante é positiva, logo tem o mesmo sinal do seno.

Desse modo, a cossecante de x é 2√3 .


3

e) sen x

Resolução:

1
senx =
cos sec x
1
senx =
2 3
3
3
senx= 1 ⋅
2 3
3 3
senx
= ⋅
2 3 3
3 3
senx =
2⋅3
3
senx =
2

E assim, o seno de x é √3
2
Exemplo 2:
2 sec 2 x - 1
Sabendo-se que senx = , calcule o valor da expressão y = .
2 tg 2 x + 1
Resolução:
Vamos, inicialmente, escrever a expressão em função de sen x e cos x:

141
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

sec 2 x - 1
y=
tg 2 x + 1
2
 1 
 cosx  - 1
y=  
2
 senx 
 cosx  + 1
 
1 cos 2 x
2
- 2
y= cos2 cos 2x
sen x cos x
+
cos 2 x cos 2 x
1 - cos 2 x
y= cos 2 x
sen 2 x + cos 2 x
cos 2 x
1 - cos 2 x cos 2 x
y= ⋅
cos 2 x sen 2 x + cos 2 x

Como sen²x + cos²x = 1 e assim, 1 – cos²x = sen²x , temos:

1 - cos² x . cos² x
y=
cos² x sen² x + cos² x
sen 2 x cos 2 x
=y ⋅
cos 2 x 1
2
y = sen x

Substituindo senx = √2 , temos:


2
2 2
 2 2 2 1
y=  = = =
 2  2 2
4 2
 

Desta forma, o valor numérico de y é 1 .


2

Exemplo 3:
Sabendo que senx = 3 e x pertence ao 2º quadrante, calcular:
a) cos x 5
b) tg x
c) sec x

142
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Resolução:

a) Para o cálculo do cos x, aplicamos a primeira relação fundamental:

sen² x + cos² x = 1

cos² x = 1 - sen² x
2
3
cos² x = 1 -  
5
cos² x = 1 - 9
25
cosx = 16
25
4
cos x =
5

4
Como o arco está no 2º quadrante, o cosseno é negativo, logo - .
5
b) tg x

senx
tgx =
cos x
3
tgx = 5
4
-
5
3
tgx = -
4

3
Deste modo, tangente de x corresponde a - .
4
c) sec x

1
sec x =
cos
1
sec x =
4
-
5
5
sec x = -
4

5
Assim, secante de x é igual a -
4

143
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

4 IDENTIDADES TRIGONOMÉTRICAS
Uma igualdade em uma variável x, f(x) = g(x), é uma identidade num
conjunto universo U se, e somente se, a sentença f(α) = g(α) é verdadeira para
qualquer valor de α, tal que α є U.

Quando uma igualdade que envolve funções trigonométricas se verifica


para todos os valores do domínio de tais funções, chamamos essa igualdade de
identidade trigonométrica. Para afirmar que uma igualdade é uma identidade,
precisamos demonstrar sua validade, utilizando para isso as relações fundamentais
e suas derivadas.

NOTA

As relações fundamentais, bem como suas derivadas, são identidades


trigonométricas.

Por exemplo, considerando o domínio das funções, a igualdade sen x • sec


x = tg x é uma identidade trigonométrica, pois, independentemente do valor de x,
ela se verifica. Para x ≠ π + kπ, k є Z, temos:
2
senx · sec x ₌ senx · 1 ₌ senx ₌ tgx
cosx cosx

Já a igualdade sen x + cos x = 1, para x є R, não é uma identidade, pois ela


não é verdadeira para todos os valores reais de x. Dizemos que sen x + cos x = 1 é
uma equação trigonométrica.

Para demonstrar que uma igualdade é uma identidade, há vários processos.


Vejamos dois deles nos exemplos a seguir.

1º) Escolhemos um dos membros da igualdade f(x), geralmente o mais


complicado, e a partir dele, obtemos o outro membro g(x), provando que f(x) =
g(x).

Exemplo:

Vamos demonstrar que (1 – cos²x) • (cotg²x + 1) = 1, para x ≠ kπ, com k є Z,


é uma identidade trigonométrica.

144
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Resolução:

Considerando f(x) = (1 – cos²x) • (cotg²x + 1) e g(x) = 1, vamos expressar f(x)


em função de sen x e cos x:

  cos x  2 
f (x) = (
1 - cos x ⋅  
2
)
  senx 
+ 1 

 
 cos x sen 2 x 
2
f (x) = (
1 - cos 2 x ⋅  ) 2
+ 2 
 sen x sen x 
 cos 2 x + sen 2 x 
( )
f ( x ) = 1 - cos 2 x ⋅ 
sen 2 x

 
 1 
( )
f ( x ) = 1 - cos 2 x ⋅  2 
 sen x 
1 - cos 2 x
f (x) =
sen 2 x

Lembrando que 1 – cos²x = sen²x , temos

sen 2 x
f(x) =
sen 2 x
f(x) = 1

E assim, f(x) = g(x) e, portanto, (1 – cos²x) • (cotg²x + 1) = 1

2º) Partimos do primeiro membro da igualdade e procuramos transformá-


lo numa função h(x), por exemplo. Seguidamente, fazemos transformações no
segundo membro a fim de torná-lo idêntico à função h(x).

Exemplo 1:

tgx senx
Vamos demonstrar que = é uma identidade para
1 + tg x sec x
2
π
x ≠ + kπ ,k ∈ Z.
2

Resolução:

tgx
Definimos f(x) = e simplificamos essa expressão.
1 + tg 2 x

145
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

tgx
f (x) =
1 + tg 2 x
senx
f ( x ) = cosx
sec 2 x
senx
f(x)= cosx
1
cos 2 x
senx cos 2 x
f(x)
= ⋅
cos x 1
f(x)
= senx ⋅ cos x

E desse modo, definimos h(x) = senx . cos x.

senx
Agora, vamos trabalhar com a expressão g(x) = até obter h(x).
sec x
senx
g(x) =
sec x
senx
g(x) =
1
cos x
cos x
g(x)
= senx ⋅
1
g(x)
= senx ⋅ cos x

Partindo separadamente de f(x) e g(x), chegamos à mesma função h(x).


Logo, h(x) = f(x) = g(x) e, portanto, tgx = senx .
1 + tg 2 x sec x
Exemplo 2:

Vamos demonstrar a identidade sec²x – sen²x = tg²x + cos²x.

Resolução:

Primeiramente:

146
TÓPICO 3 | RELAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

f ( x ) = sec 2 x - sen 2 x
2
 1 
f (x) =   - sen x
2

 cosx 
1 cos 2 x
=f (x) - sen 2
x ⋅
cos 2 x cos 2 x
2 2
1 - sen x . cos x
f (x) =
cos 2 x
sen 2 x + cos 2 x - sen 2 x . cos 2 x
f (x) =
cos 2 x

f (x) =
(
sen 2 x + 1- sen 2 x . cos 2 x )
cos 2 x
sen x + cos 2 x. cos 2 x
2
f (x) =
cos 2 x
sen 2 x + cos 4 x
f (x) =
cos 2 x

sen 2 x + cos 4 x
Definimos h(x) = .
cos 2 x
Agora,

g(x) = tg²x + cos² x


2
 senx  2
g(x) 
=  + cos x
 cos x 
sen 2 x 2 cos 2 x
g(x) = + cos x ⋅
cos 2 x cos 2 x
sen 2 x cos 4 x
g(x)
= +
cos 2 x cos 2 x
sen 2 x + cos 4 x
g(x) =
cos 2 x

Como h(x) = f(x) = g(x) e, portanto, sec²x – sen²x = tg²x + cos²x.

Há também outra maneira de demonstrar esta identidade. Observe:

f(x) – g(x) = (sec2x – sen2x) – (tg2x + cos2x) = sec2x – sen2x – tg2x – cos2x =
= (sec2x – tg2x) – (sen2x + cos2x) = 1 – 1 = 0

Assim, se f(x) – g(x) = 0, então f(x) = g(x), ou seja, sec²x – sen²x = tg²x + cos²x.

147
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico exploramos as relações que podemos fazer quando temos
funções de mesmo arco, pois elas são o suporte para demonstrar as identidades
trigonométricas.

Por este motivo, tenha as relações abaixo discriminadas quando for realizar
as autoatividades, com k є Z.

cos x
cot gx
I) = , x ≠ kπ
senx

1 π
II) =sec x , x≠ + kπ
cos x 2
1
III) cos sec x
= , x ≠ kπ
senx
senx π
=
IV) tgx , x≠ + kπ
cos x 2

V) sen 2 x + cos 2 x =
1

1 π
cot gx
VI) = , x≠ + kπ
tgx 2
π
VII) sec 2 x = 1 + tg 2 x, x≠ + kπ
2

VIII) cos sec 2x = 1 + cot g 2 x, x ≠ kπ

148
AUTOATIVIDADE

Caro(a) acadêmico(a)! Chegou o momento de praticar seus conhecimentos


adquiridos neste tópico.

Caso surgirem dúvidas, utilize os serviços disponibilizados pelo NEAD. Boa


atividade!

1 Dado sen x = 3 , com 0 < x < π , calcule cos x.


4 2

π
2 Dado cos x = - √3 , com < x < π, calcule tg x.
3 2

3 Sabendo que cot gx = √3 e π < x < 3π , calcule:


2
a) cossec x
b) sen x
c) tg x
d) cos x
e) sec x

4 + 2senx 3 3π
4 Qual o valor numérico da expressão M = , para cot gx
= e π<x< .
2
cos x 4 2
π
5 Quais são os valores de sen x e cos x, sendo senx = –2 cos x e < x < π?
2
6 Essa questão pode ser vista como um ótimo quebra-cabeça trigonométrico!
Demonstre que as seguintes igualdades são identidades:

a) tg²x • sen²x = tg²x – sen²x


b) (1 + cotg x)² + (1 – cotg x)² = 2cossec²x
c) cos x • tg x • cossec x = 1
d) (tg x + 1) • (1 – tg x) = 2 – sec²x

149
150
UNIDADE 2
TÓPICO 4

TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

1 INTRODUÇÃO
É intuitivo pensar que as expressões sen(60° + 30°) e sen60° + sen30°
possuem o mesmo valor, mas isso não é verdade.

Vamos verificar:

sen(60° + 30°) = sen90° = 1

sen60° + sen30° = √3 + 1 = 1 + √3
2 2 2
Assim, verificamos que sen(60° + 30°) ≠ sen60° + sen30°. Logo, de modo
geral, podemos afirmar que:

sen (a + b) ≠ sen a + sen b


sen (a – b) ≠ sen a – sen b
cos (a + b) ≠ cos a + cos b
cos (a – b) ≠ cos a – cos b
tg (a + b) ≠ tg a + tg b
tg (a – b) ≠ tg a – tg b

Neste tópico estudaremos o modo correto de calcular sen (a + b) e sen (a – b),


bem como outras fórmulas importantes de transformações trigonométricas.

2 ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO DE ARCOS

Dados dois arcos trigonométricos de medida a e b, podemos calcular o


seno, o cosseno e a tangente da soma ou da diferença desses arcos através das
identidades conhecidas por fórmulas de adição de arcos.

As fórmulas que estudaremos a seguir nos permitem calcular as funções


trigonométricas do tipo soma (a + b) ou diferença (a – b) de arcos, representados
por números reais.

151
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

QUADRO 29 – FÓRMULAS DA SOMA E DA DIFERENÇA DE DOIS ARCOS

I) sen (a + b) = sen a . cos b + sen b . cos a


II) sen ( a - b) = sen a . cos b - sen b . cos a
III) cos (a + b) = cos a .cos b - sen a . sen b
IV) cos (a - b) = cos a . cos b + sen a .sen b
tg a + tg b
V) tg (a + b) = (obedecidas as condições de existência)
1 - tg a . tg b

tg a - tg b
VI) tg (a - b) = (obedecidas as condições de existência)
1 + tg a . tg b

FONTE: A autora

(I) Seno da soma


)
)

Dados dois arcos trigonométricos, AM e AN de medidas a e a + b,


respectivamente, tracemos as perpendiculares auxiliares, como na figura a seguir:

Da figura, podemos observar:

152
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

ˆ ≡ SRT,
POT ˆ pois SR // OP;

ˆ ≡ TOP,
TNR ˆ pois os triângulos TNR e TOP são semelhantes;

ΔONR ⇒
} sen b ₌
OR
ON
OR
⇒ NR ₌ sen b

cos b ₌ ⇒ OR ₌ cos b
ON

OU
ΔRUO ⇒ sen a ₌ OU ₌ ⇒ OU ₌ sen a . cos b
OR cos b

NS NS
ΔRSN ⇒ cos a ₌ ₌ ⇒ NS ₌ cos a . sen b
NR senb

Sendo sen ( a+ b) ₌ OV ₌ OU + UV e UV ₌ NS, então:

sen (a + b) = sen a • cos b + sen b • cos a

Observação: Essa demonstração pode ser repetida para os demais


quadrantes, observando as correções de sinais.

(II) Seno da diferença

Esta identidade pode ser demonstrada a partir da identidade (I). Basta fazer

sen (a – b) = sen [a + (-b)]

e aplicar a fórmula do sen (a + b).

(III) Cosseno da soma

A partir da identidade II, podemos demonstrar a identidade III, fazendo

cos (a + b) = sen [90° – (a+b)] = sen [(90° – a) – b].

(IV) Cosseno da diferença

Demonstra-se a identidade (IV) a partir da identidade (III), fazendo

cos (a – b) = cos [a + (-b)].

153
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

(V) Tangente da soma

Supondo que estejam satisfeitas as condições de existência, podemos


escrever:

sen (a + b)
tg (a + b) =
cos (a + b)

Aplicando a fórmula do sen (a + b) e cos (a + b), temos:

sena.cosb + senb.cosa
tg (a + b) =
cosa.cosb - sena.senb

Dividindo o numerador e o denominador por cos a • cos b, temos:

sen a . cos b + sen b . cos a


cos a . cos b
tg(a + b) ₌
cos a . cos b - sen a . sen b
cos a . cos b

sen a . cos b sen b . cos a


+
cos a . cos b cos a . cos b
tg(a + b) ₌
cos a . cos b sen a . sen b
-
cos a . cos b cos a . cos b

sen a sen b
+
cos a cos b
tg(a + b) ₌
sen a sen b
1- ·
cos a cos b

tg a + tg b
tg(a + b) ₌
1 - tg a · tg b

Portanto:

tg a + tg b
tg(a + b) ₌
1 - tg a · tg b

154
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

(VI) Tangente da diferença

A demonstração é análoga à identidade V.

Exemplo 1:

Calcule o valor de sen 105°.

Resolução:

sen 105° = sen (45° + 60°)

Aplicando a fórmula do seno de uma soma:

sen (45° + 60°) = sen 45° • cos 60° + sen 60° • cos 45°

2 1 3 2
sen(45° + 60°) = ⋅ + ⋅
2 2 2 2

2 6
sen(45° + 60°) = +
4 4

2+ 6
Assim, o seno de 105° é
4

Exemplo 2:

Encontre o valor de cos 75°.

Resolução:

cos 75° = cos (45° + 30°)

Aplicando a fórmula do cosseno de uma soma:

cos (45° + 30°) = cos 45° • cos 30° – sen 45° • sen 30°

2 3 2 1
cos(45° + 30°) = ⋅ - ⋅
2 2 2 2

6 2
cos(45° + 30°) = -
4 4
6- 2
Desse modo, o cosseno de 75° é .
4

155
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Exemplo 3:

Sabendo que tg a = 1 e tg b = 1 , calcule tg (a – b).


5 10
Resolução:

Usando a fórmula da tangente da diferença de dois arcos:

tg a - tg b
tg (a - b) =
1 + tg a ⋅ tg b

1 - 1
5 10
tg (a - b) ₌
1+ 1 · 1
5 10

2 - 1
10 10
tg(a - b) =
50 + 1
50 50

1
tg(a - b) ₌ 10
51
50
1 50
tg(a - b) = ⋅
10 51

5
tg(a - b) =
51

Assim, a tangente de a – b é 5 .
51
Exemplo 4:

Calcule sec 285°.

Resolução:

156
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

sec285° = sec75°

1
sec285° =
cos(45° + 30°)

1
sec285° =
6- 2
4

4
sec285° =
6- 2

sec285° = 6 + 2

Portanto, o valor da secante de 285° é √6 + √2 .

3 ARCO DUPLO E ARCO METADE


Arco duplo

As fórmulas de duplicação de arcos decorrem das fórmulas de adição, sua


utilização permite simplificar cálculos.

Seno do arco duplo

Podemos escrever sen 2a como sen (a + a) e aplicar a fórmula de adição:


sen (a + a) = sen a • cos a + sen a • cos a, logo:

sen 2a = 2 sen a • cos a

Cosseno do arco duplo

Podemos escrever cos 2a como cos (a + a) e aplicar a fórmula de adição:


cos (a + a) = cos a • cos a – sen a • sen a, logo:

cos 2a = cos2 a – sen2 a

157
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Tangente do arco duplo

Escrevendo tg 2a como tg (a + a), considerando as condições de existência e


aplicando a fórmula de adição, temos:

tg a + tg a
tg(a + a) ₌
1 - tg a · tg a

Ou seja:

2tg a
tg(2a) =
1 - tg 2 a

Exemplo:
Calcule os valores de sen 2x, cos 2x e tg 2x, tendo conhecimento de que cos
4
x = e que 0 < x < π .
5 2
Resolução:

Primeiramente, vamos encontrar o valor de sen x.

sen 2 x + cos 2 x =
1
sen 2 x= 1 - cos 2 x
2
2 4
sen x= 1 -  
5
16
sen 2 x= 1 -
25
9
sen 2 x =
25
3
sen 2 x =
5

Lembre-se de que o seno é positivo no 1º quadrante.

Como sen 2x = 2sen x • cos x, então:

sen2x ₌ 2 . 3 . 4
5 5
24
sen2x =
25

E cos 2x = cos2x – sen2x, então:

158
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

2 2
4 3
cos
= 2x   -  
5 5
16 9
cos 2x
= -
25 25
7
cos 2x =
25

Por fim,
2tgx
tg ( 2x ) =
1- tg 2 x
2tgx
tg ( 2x ) =
12-senx tg 2 x
tg2x= cosx
senx
2 senx  2
tg2x= 1 -  cosx  2
cosx 
 senx
1- 3 
 cosx 
53
2. 5 4
tg2x= 5
2. 43  2
tg2x= 5
 5 2
 3 
1 -  45 
5
1- 4 
5
 
 
 
6
tg2x ₌ 4
1- 9
16
6 16
tg2x= ⋅
4 7
24
tg2x =
7

Arco metade

O arco metade nos possibilita associar um arco a com um arco a e sua


utilização permite simplificar outros cálculos. 2

Vejamos as demonstrações das fórmulas que nos permitem calcular sen a ,


cos a e tg a , sendo a um número real. 2
2 2

159
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Arco metade de cosseno

a a
Sabendo que a = + , podemos escrever:
2 2
a a
cosa = cos  + 
2 2
a a
cosa = cos 2 - sen 2
2 2

a a
Como sen 2 = 1 - cos 2
2 2

a  2 a
cosa
= cos 2 -  1 - cos 
2  2

a
cosa 2 cos 2
= -1
2

E assim,

a 1 + cos a
cos =±
2 2

Arco metade de seno

a a
Sabemos que =
cos a cos 2 - sen 2 .
2 2
a a
Como cos 2 = 1 - sen 2
2 2
Temos
 2 a 2 a
cos a =
 1 - sen  - sen
 2 2

a
cos a= 1 - 2sen 2
2

E com isso

a 1 - cos a
sen =±
2 2

160
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Arco metade da tangente

Sabemos que:

senx
tgx =
cosx

a
sen
a 2
tg =
2 a
cos
2

1 - cosa
±
a 2
tg =
2 1 + cosa
±
2

Portanto, podemos escrever:

a 1 - cosa
tg = ±
2 1 + cosa

ATENCAO

Podemos obter o arco metade de senos e cossenos sem ter que memorizar
novas fórmulas. Basta usar adequadamente as fórmulas alternativas de cos 2a, lembrando que,
se 2a é o arco duplo de a, então a é o arco metade de 2a. O arco metade de tangentes é obtido
a partir da própria fórmula da tangente.

Exemplo:

3
Dado cos 30° = , encontre os valores de:
2
a) sen 15°

Resolução:

161
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

a 1 - cos a
sen = ±
2 2

30° 1 - cos 30°


sen =
2 2

3
1-
sen15° = 2
2

2- 3 1
sen15° = .
2 2

2- 3
sen15° =
4

2- 3
sen15° =
2

Portanto, o valor do sen de 15° é 2- 3 .


2
b) cos 15°

Resolução:

a 1 + cos a
cos = ±
2 2

30° 1 + cos 30°


cos =
2 2

3
1+
cos15° = 2
2

2+ 3
cos 15° =
2

Desta maneira, o valor do cosseno de 15° é 2+ 3 .


2

162
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

c) tg 15°

Resolução:

a 1 - cosa
tg = ±
2 1 + cosa

30° 1 - cos 30°


tg =
2 1 + cos 30°

3
1-
tg 15° = 2
3
1+
2

2- 3
tg 15° = 2
2+ 3
2

2- 3
tg 15° = .
2+ 3

2- 3
.
Assim, o valor da tangente de 15° é 2+ 3

4 FÓRMULA DA TRANSFORMAÇÃO EM PRODUTO


Fazendo algumas transformações de somas e diferenças de funções
trigonométricas, podemos escrevê-las em forma de produto, isso é útil para poder
realizar simplificações na resolução de equações trigonométricas.

Já vimos que:

(I) sen (a + b) = sen a • cos b + sen b • cos a


(II) sen (a – b) = sen a • cos b – sen b • cos a
(III) cos (a + b) = cos a • cos b – sen a • sen b
(IV) cos (a – b) = cos a • cos b + sen a • sen b

Se calcularmos (I) + (II), (I) – (II), (III) + (IV) e (III) – (IV) vamos obter as
fórmulas de Werner, que são:

163
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

sen (a + b) + sen (a – b) = 2 • sen a • cos b


sen (a + b) – sen (a – b) = 2 • cos a • sen b
cos (a + b) + cos (a – b) = 2 • cos a • cos b
cos (a + b) – cos (a – b) = - 2 • sen a • sen b

Se aceitarmos que a + b = x e a – b = y, podemos resolver o sistema:


a + b = x x+y x-y
 ⇒ a= e b=
a - b = y 2 2

Substituindo esses valores nas fórmulas de Werner, encontramos as


fórmulas de transformação em produto, ou prostaférese, no quadro a seguir:

QUADRO 30 – FÓRMULAS DE TRANSFORMAÇÃO EM PRODUTO, OU


PROSTAFÉRESE

x+y x-y
senx + seny =
2.sen   .cos  
 2   2 

x+y  x-y
senx - seny =
2.cos   . sen  
 2   2 

x+y x-y
cos x + cos y =
2 .cos   . cos  
 2   2 

x+y x-y
cos x - cos y =
- 2 .sen   . sen  
 2   2 

FONTE: A autora

sen x sen y sen x.cos y + sen y .cos x


tg x + tg y= + =
cos x cos y cos x.cos y

ou

sen ( x + y )
tg x + tg y =
cosx . cosy

164
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

E,

sen x sen y sen x.cos y - sen y .cos x


tg x - tg y = - =
cos x cos y cos x.cos y

ou

sen ( x - y )
tg - tg y =
cosx . cosy

Exemplo:

Transforme em produto:

a) sen 60° + sen 30°

Resolução:

 60° + 30°   60° - 30° 


sen 60° + sen 30° = 2 . sen   .cos  
 2   2 
sen 60° + sen
= 30° 2 . sen 45° . cos15°
2 2+ 3
sen 60° + sen 30° = 2 . .
2 2
2 . 2+ 3
sen60° + sen30° =
2

b) cos 70° – cos 10°

Resolução:

 70° + 10°   70° - 10° 


cos 70° - cos10° = -2 . sen   . sen  
 2   2 
cos 70° - cos10° = -2 . sen 40° . sen60°
1
cos 70° - cos10° = -2 . sen 40° .
2
cos 70° - cos10° = -sen 40°

165
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

c) sen 3x – sen x

Resolução:

 3x - x   3x + x 
sen 3x - senx =
2sen   cos  
 2   2 
sen3x - senx = 2senx cos 2x

5 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ENSINO DE TRIGONOMETRIA


Poderíamos fazer outro Caderno de Estudos só discutindo este tema,
pois, como já foi visto na introdução da Unidade I, este conteúdo matemático é
utilizado em muitos outros campos, como na eletricidade, mecânica, acústica,
música, engenharia, arquitetura, medicina, eletrônica, navegação marítima e aérea,
cartografia, entre outros.

Este fato nos permite criar várias estratégias de ensino. Como exemplo,
apresento um plano de aula sobre as Razões Trigonométricas no Triângulo
Retângulo, que tem a possibilidade de ser trabalhado tanto com a 8ª série (9º ano) do
Ensino Fundamental como com o 1º ano do Ensino Médio, de forma mais reduzida.

PLANO DE AULA

Assunto: Razões Trigonométricas no Triângulo Retângulo.


Conteúdo: Seno
Série: 8ª série ou 9º ano do Ensino Fundamental/1º ano do Ensino Médio.
Cronologia: 90 minutos (duas aulas).
Objetivos:

- compreender o que é seno;


- aplicar essa definição na resolução de exercícios e situações-problemas no
triângulo retângulo;
- encontrar o valor do seno de um ângulo, mediante o uso de uma tabela/
calculadora e vice-versa.

Recursos: Régua, compasso, transferidor, calculadora, tabela trigonométrica,


retroprojetor ou data-show, lousa e giz.
Metodologia:
Questionar quem já viu a construção de uma casa e, partindo da questão inicial,
abrir para outras questões:

• Por que a estrutura do telhado é triangular? (“conforto ambiental”: absorção


da energia solar minimiza a ação da chuva, do vento, dos raios solares).
• Como o carpinteiro sabe qual deve ser a inclinação do telhado?
• A inclinação do telhado depende do tipo de telha?

166
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

A seguir temos os tipos mais comuns. As informações foram retiradas


de um encarte especial da revista Arquitetura & Construção (reproduzir em
retroprojetor ou data-show).

FIGURA 5 – EXEMPLOS DE TELHAS E SUAS INCLINAÇÕES

FONTE: TELHADOS sem segredos. Arquitetura & Construção, São Paulo, p. 28- 29, ago. 2002.
Encarte especial.

Observar com os alunos que aqui a inclinação é dada em porcentagem.

Na prática fica mais fácil para o pedreiro/carpinteiro, que usa o seguinte


critério:

Ex.: Na telha americana – 36%


36% de um metro, que significa utilizar para cada metro de largura 0,36
metro ou 36 centímetros de altura.

Alguns exemplos de telhados e suas inclinações:

167
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

FIGURA 6 – EXEMPLOS DE TELHADOS

FONTE: TELHADOS sem segredos. Arquitetura & Construção, São Paulo, p. 30, ago. 2002.
Encarte especial.

A partir disso, propor uma situação-problema que necessite da razão seno


para sua resolução.

Exemplo: Para construir uma casa com telhado tipo colonial, o carpinteiro
utiliza o seguinte critério: a cada metro linear ele sobe 25 centímetros. Sabendo
que a casa mede 6 metros de largura mais 40 centímetros de beiral em cada lado,
calcule a inclinação do telhado.

168
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Criado o interesse do aluno, introduzir a definição da razão seno.

Consideremos a figura acima um triângulo retângulo ABC, no qual vamos


destacar a hipotenusa BC e os catetos AB e AC .

Se tomarmos como referência o ângulo B, podemos escrever:

- AC é o cateto oposto ao ângulo B


- AB é o cateto adjacente ao ângulo B

Agora, sobre um dos lados da rampa marcamos os pontos M e N e por


esses pontos traçamos perpendiculares sobre o outro lado.

Por semelhança de triângulos podemos notar que:


ΔBOM ~ ΔBPN ~ ΔBAC

Podemos, então, estabelecer as seguintes razões:

OM PN AC
= = =k
MB NB BC
Essa constante k é chamada de seno do ângulo agudo B e representa a
razão entre a medida do cateto oposto ao ângulo B e a medida da hipotenusa em
qualquer triângulo retângulo.

169
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

Assim temos:


medida do cateto oposto ao ângulo B
Sen B =
medida da hipotenusa

Voltando ao problema:

Vimos que para encontrar o ângulo de inclinação, precisamos da medida


do cateto oposto e a medida da hipotenusa. Como não temos essas informações,
precisamos encontrá-las.

A largura do telhado:
6 m + 2 • 40 cm ou
6 m + 2 • 0,40 m = 6 + 0,80 = 6,8 m

A altura do telhado:
1 metro linear – 25 centímetros de altura ou
1 metro linear – 0,25 metros de altura

Utilizando a regra de três, obtemos a altura do telhado.

1 0, 25
=
6, 8 x
x = 6, 8 . 0, 25
x = 1,7

A altura do telhado é o cateto oposto: AC = 1,7 metros

Para calcular o ângulo B, precisamos encontrar também a hipotenusa, que


podemos encontrar através do teorema de Pitágoras, já estudado.

2 2 2
BC = AB + AC

Um dos catetos será a altura e o outro a metade da largura do telhado


(3,4 metros):

170
TÓPICO 4 | TRANSFORMAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

2 2 2
BC = AB + AC
2
BC = 3, 4 3 + 1,7 2
2
BC = 11, 56 + 2, 89
2
BC = 14, 45
BC = 14, 45
BC ≅ 3, 8

Então a hipotenusa mede aproximadamente 3,8 metros.

Agora aplicamos na razão antes demonstrada.


AC
senB =
BC
1,7

senB ≅
3, 8

sen B ≅ 0, 45

Para encontrar o ângulo correspondente a essa razão recorremos às tabelas


trigonométricas (no quadro 8) ou a uma calculadora científica. Procuramos na
tabela o valor de seno encontrado e obtemos o ângulo de inclinação do telhado,
que nesse caso é de aproximadamente 27°.

Atividade:

Utilizando os conceitos que você acabou de aprender, encontre o grau de


inclinação dos telhados para os seguintes tipos de telhas:

a) Francesa, para uma casa de 9 metros de largura mais 50 centímetros de beiral.


b) Italiana, para um telhado de 8 metros de largura.
c) Romana, para um prédio de 15 metros de largura mais 0,5 metro de beiral.
d) Japonesa, para uma residência com 12 metros de largura mais 1 metro de beiral.

171
UNIDADE 2 | TRIGONOMETRIA: PARTE II

LEITURA COMPLEMENTAR

JEAN BAPTISTE JOSEPH FOURIER (1768-1830)

Matemático e físico francês que


desenvolveu trabalhos matemáticos, como a
teoria para calcular raízes irracionais das equações
algébricas que fora iniciada por Newton. Esse
e tantos outros trabalhos fizeram de Fourier um
matemático de destaque do século XIX.

Em 1822, Fourier lançou sua obra mais


notável, a Théorie Analytique de la Chaleur, cujos
estudos haviam sido iniciados em 1807. Em seu
livro, ele dedica toda uma seção à solução do
problema do desenvolvimento de uma função
qualquer em série de senos e cossenos de arcos
múltiplos. Generalizou o procedimento, partindo
de um caso específico para empregá-lo em qualquer caso.

Fourier deu um passo decisivo, ao usar indiferentemente os símbolos de


integração e o de somatória infinita, que conduziu às chamadas séries de Fourier.

Coube a Fourier o mérito de haver criado esse instrumento matemático,


de extraordinária fecundidade, com o qual as funções periódicas descontínuas
pudessem ser apresentadas através de funções contínuas.

FONTE: E-cálculo. Mapa da história: Gauss. Disponível em: <http://ecalculo.if.usp.br/historia/


fourier.htm>. Acesso em: 10 jul. 2010.

172
RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico estudamos como podemos realizar transformações nas


funções trigonométricas, para poder simplificar os cálculos. São elas:

1) Adição e Subtração de Arcos:

• sen (a + b) = sen a • cos b + sen b • cos a

• sen (a – b) = sen a • cos b – sen b • cos a

• cos (a + b) = cos a • cos b – sen a • sen b

• cos (a – b) = cos a • cos b + sen a • sen b


tg a + tg b
• tg (a + b) = (obedecidas as condições de existência)
1 - tg a . tg b
tg a - tg b
• tg (a – b) = (obedecidas as condições de existência)
1 + tg a . tg b

2) Fórmula de arco duplo:

• sen 2a = 2 sen a • cos a

• cos 2a = cos2 a – sen2 a


2 . tg a
• tg 2ª
1 - tg 2 a

3) Fórmula do arco metade:

a 1 - cos a
• sen = ±
2 2

a 1 + cos a
• cos = ±
2 2

a 1 - cos a
• tg = ±
2 1 + cos a

173
4) Fórmula da transformação em produto:

x+y x-y
• senx + seny = 2 . sen   . cos  
 2   2 

x+y x-y
• senx - seny = 2 . cos   . sen  
 2   2 

x+y x-y
• cosx + cosy = 2 . cos   . cos  
 2   2 

x+y x-y
• cosx - cosy = - 2 . sen   . sen  
 2   2 

sen ( x + y )
• tgx + tgy =
cosx . cosy

sen ( x - y )
• tg - tg y =
cosx . cosy

174
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a)! Agora chegou a sua vez de colocar em prática os


conceitos e definições estudadas neste tópico.

1 Utilizando as fórmulas de adição ou subtração de arcos, calcule:

a) sen 135°
b) cos 15°
c) tg 75°
d) cos 225°
e) sen 195°
f) tg 105°

1
2 Sabendo que cos x = e x є 1º quadrante, calcule:
5
a) sen 2x
b) cos 2x
c) tg 2x

4
3 Sabendo que senx = - e x є 3º quadrante, determine:
5
a) sen 2x
b) cos 2x
c) tg 2x

1 π
_ a
_
4 Dado cos a = , com 0 < a < , calcule cos .
2 2 5
1 π
_ 1_
5 Sabendo que sen a = , com 0 < a < , determine sen .
2 2 2
6 Transforme em produto:

a) sen 90° + sen 30°


b) sen 80° – sen 40°
c) cos 35° – cos 25°
d) 1 + cos 40°

175
176
UNIDADE 3

NÚMEROS COMPLEXOS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A partir desta unidade você será capaz de:

• compreender as necessidades que, matematicamente, conduziram à ideia


de números complexos, utilizando-os na elaboração de argumentos con-
sistentes nas mais variadas situações;

• identificar as diferentes representações dos números complexos, ou seja,


algébrica, gráfica e trigonométrica;

• efetuar operações algébricas com números complexos e interpretá-las ge-


ometricamente.

PLANO DE ESTUDOS
Nesta unidade de ensino, a abordagem dos números complexos está dividi-
da em quatro tópicos, nos quais se apresentam a história do surgimento deste
conjunto numérico, suas características, suas diferentes representações, bem
como a resolução das operações básicas. Ao término de cada unidade você
encontrará atividades que o(a) auxiliarão na interiorização dos conteúdos e
na resolução das autoavaliações solicitadas.

TÓPICO 1 – CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS

TÓPICO 2 – OPERAÇÕES COM NÚMEROS COMPLEXOS NA FORMA


ALGÉBRICA

TÓPICO 3 – REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DE UM NÚMERO
COMPLEXO

TÓPICO 4 – FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

177
178
UNIDADE 3
TÓPICO 1

CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS

1 INTRODUÇÃO
A história dos números complexos reforça a ideia de que a matemática não
é obra de um só homem. Apesar de Gauss e Argand receberem os créditos por
terem sido os que conseguiram expor uma interpretação geométrica dos números
complexos, vários matemáticos contribuíram para esta descoberta. Veja quão
fascinante é esta história.

Desde a Antiguidade, os matemáticos indianos e árabes, quando se


deparavam com a raiz quadrada de um número negativo, consideravam o
problema completamente sem sentido. Quando, no século XVI, essa mesma
questão começou a aparecer em textos algébricos, os matemáticos continuavam
frisando que essas expressões não possuíam significado e utilizavam termos como
“fictícias”, “impossíveis”, “sofisticadas”, para mencioná-las.

Até mesmo o importante matemático alemão Leibniz, um dos inventores


do cálculo diferencial, atribuía à raiz quadrada de –1 um certo caráter metafísico,
interpretando-a como uma manifestação do “Espírito Divino”. O mesmo incidiu
com o matemático suíço Lenhard Euler.

Atualmente, muitos livros relacionam a descoberta dos números complexos


à necessidade de resolver um problema com que nos deparamos quando, ao
buscarmos uma solução para uma equação do 2º grau, encontramos um valor
negativo de Delta (Δ = b2 – 4ac).

Porém, investigações apontam que este estudo se iniciou quando Cardano,


no século XVI, ao tentar resolver a equação cúbica x3 = 4 + 15x, a qual ele sabia ter raiz
verdadeira x = 4, constatou que no processo de resolução obtinha a seguinte expressão:

x = 3 2 + -121 + 3 2 - -121

Foi quando encontrou o termo -121 , que o impediu de dar continuidade


ao cálculo, de modo a fazer a regra chegar ao esperado x = 4.

Foram necessários mais de 25 anos para que o matemático Bombelli


encontrasse uma forma de resolver o impasse. Esse disse ter tido a “ideia louca”
de operar com as quantidades da forma a + b i sob as mesmas regras que se

179
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

( )
2
vusa com os números reais, mais a propriedade -1 = - 1 , para assim conseguir
resolver a expressão de Cardano, fazendo-a produzir o desejado x = 4.

Mas, os complexos não foram aceitos naturalmente como números, pois


não havia significado geométrico em uma raiz quadrada de um número negativo.
O próprio Bombelli não estava bem seguro do que havia criado.

Após muito estudar as leis algébricas que regem o cálculo com as quantidades
a + b i , Bombelli divulgou na sua obra L’Algebra que as quatro operações
aritméticas sobre números complexos produzem números complexos e que a soma
de um real e um imaginário puro não pode se reduzir a um só nome.

Partindo do estudo de Bombelli, outros matemáticos colaboraram para a


aceitação dos complexos que conhecemos hoje, entre eles:

• Lambert e Euler - estudaram o fechamento dos números complexos sob


operações algébricas e transcendentes;
• Wessel - introduziu representação geométrica dos números complexos;
• Argand e Gauss - divulgaram e modernizaram a representação de Wessel e
Gauss provou que os números complexos são necessários e suficientes para a
Álgebra através do Teorema Fundamental da Álgebra;
• Ohm e Cauchy - elucidaram a multivocidade das operações algébricas e
transcendentes sobre os complexos.

Portanto, por necessidades intrínsecas da investigação matemática, o


universo dos números naturais foi expandido amplamente e a terminologia inicial
(números sofísticos em 1570 e números imaginários em 1650) acabou cedendo
lugar à denominação atual: números complexos, em 1830.

Os números complexos representam uma das estruturas mais importantes


de inúmeros campos da Ciência e Tecnologia. Atualmente, é impossível imaginar
a engenharia elétrica, a aerodinâmica, a dinâmica dos fluidos, a mecânica quântica
e a teoria da relatividade sem os números complexos.

2 CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS


Vamos recordar os conjuntos numéricos que já conhecemos. Inicialmente,
temos o Conjunto dos Números Naturais (N), que surgiu com a necessidade da
contagem.

N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, ...}

Para atender a todas as subtrações, tornando-as sempre possíveis, esse


conjunto foi ampliado e obtivemos o Conjunto dos Números Inteiros.

Z = {..., -5, -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, ...}

180
TÓPICO 1 | CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS

Da mesma forma, para atender à divisão, esse último conjunto foi ampliado
e obtivemos o Conjunto dos Números Racionais, que podem ser escritos em fração
com o numerador e denominador inteiros.

 a 
Q =x = , com a ∈  ,b ∈  e b ≠ 0 
 b 

Mesmo com todas estas ampliações, alguns problemas não possuem


solução nestes conjuntos numéricos. Por exemplo, a diagonal de um quadrado de
lado medindo 1 cm.

Pelo Teorema de Pitágoras, encontramos que a diagonal é igual à 2 cm,


a_
que é um número decimal que não pode ser escrito na forma , com a є Z, b є Z e
b
b ≠ 0. Logo, esse novo tipo de número é chamado de Número Irracional (Ir).

Da união dos Conjuntos dos Números Racionais e dos Irracionais surgem


os Números Reais (R).

R = Q ∪ Ir

Porém, sabemos que ainda existem problemas que não encontramos solução
no Conjunto dos Números Reais. Um exemplo disto é a equação x2 + 3 = 0, pois:

x2 + 3 =0
x 2 = -3
x = ± -3

e não existe um número que elevado ao quadrado resulte em -3. Com o intuito
de responder a questões que em sua resolução apresentam raízes quadradas de
números negativos, é que o Conjunto dos Números Reais foi estendido para obter
um novo conjunto, chamado de Conjunto dos Números Complexos.

O Conjunto dos Números Complexos é representado pelo símbolo C,


cujos elementos – os números complexos – podem ser somados, multiplicados e
possibilitam a extração da raiz quadrada de um número negativo. Esse conjunto
pode ser assim definido:

C = {z | z = a + bi, com a ∈ R, b ∈ R e i² = -1}

onde z é o número complexo, a é a parte real de z e b é a parte imaginária de z.

181
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

2.1 A UNIDADE IMAGINÁRIA


Para ampliar o conceito de números, de modo que a radiciação seja
sempre possível, definimos o número não real i, chamado unidade imaginária,
que satisfaz a condição:

i2 = i • i = -1

UNI

A denominação “imaginário” pode ser entendida como um recurso imaginativo


da mente humana, visto que não existe um número “real” que elevado ao quadrado resulte
em um número negativo.

3 FORMA ALGÉBRICA DOS NÚMEROS COMPLEXOS


Um número complexo é atualmente definido como um par ordenado (a, b),
com a,b є R, que satisfaz as seguintes condições:

(a,b) = (c, d) ⇔ a = c e b = d
(a, b) + (c, d) = (a + c, b + d)
(a, b) • (c, d) = (ac – bd, ad +bc)

Porém, um número complexo também pode ser escrito na forma a + bi, que é
chamada de forma algébrica, que é a mais utilizada no cálculo, por ser a mais prática.

Um número complexo costuma ser indicado por z e, sendo z = a + bi, o número


a é chamado de parte real de z, b é a parte imaginária de z e i é a unidade imaginária.
Por exemplo, no número complexo z = 3 – 7i, a parte real é 3 e a parte imaginária é – 7.

182
TÓPICO 1 | CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS

Exemplo:

Nos números complexos (z) a seguir, determine qual é a parte real (a) e
qual é a parte imaginária (b).

a) z = 1 + 3i, onde a = 1 e b = 3
b) z = -4 – i, onde a = -4 e b = -1
c) z = 6i, onde a = 0 e b = 6
d) z = 11, onde z = 11 e b = 0
e) z = 3 + 0,8i, onde a = 3 e b = 0,8

NOTA

Observações:
• quando a ≠ 0 e b ≠ 0, temos z = a + bi e o número complexo é chamado de imaginário.
• quando a = 0 e b ≠ 0, temos z = 0 + bi = bi e o número complexo é chamado de
imaginário puro.
• quando b = 0, temos z = a + 0i = a e o número complexo, neste caso, identifica-se com o
número real a. Portanto, podemos considerar o complexo para qual b = 0 como um número
real, o que nos permite afirmar que  ⊂  ( leia-se: o conjunto dos reais é um subconjunto
dos complexos).

Outros exemplos que envolvem Números Complexos:

1) No conjunto dos números complexos, resolva as equações:

a) x² + 144 = 0

Resolução:

x 2 + 144 = 0
x 2 = -144
x = ± -144
x = ± 144 . ( -1)
x = ± 144 . -1
x = ±12 . i

183
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

Assim, o conjunto solução da equação é S = {-12i, +12i}.

b) x² – 6x + 13 = 0

Resolução:

Aplicando a fórmula para equações de 2º grau com a = 1, b = -6 e c = 13, temos

∆ = b 2 - 4ac Então
-b± ∆
x=
∆ = (- 6)2 - 4 . 1 . 13 2a 6 + 4i
x' = = 3 + 2i
∆ = 36 - 52 - (-6) ± -16 2
x=
∆ = - 16 2.1
6 ± 16 . (-1) 6 - 4i
x" = = 3 - 2i
x= 2
2
6 ± 4 -1
x=
2
6 ± 4i
x=
2

Assim, o conjunto solução da equação é S = {3 – 2i, 3 + 2i}.

2) Calcule o valor de m para que z = 3m – 6 + (m + 2)i seja:

a) imaginário;
b) imaginário puro;
c) real.

Resolução:

a) Para que z seja imaginário devemos ter:

3m - 6 ≠ 0
3m ≠ 6 e m+2 ≠ 0
m ≠ 2 m ≠ -2

Assim, z é imaginário se m for diferente de -2 e de 2.

b) Para que z seja imaginário puro devemos ter:

3m - 6 = 0
3m = 6 e m+2 ≠ 0
m=2 m ≠ -2

184
TÓPICO 1 | CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS

Assim, z é imaginário puro se m for igual a 2 e diferente de -2.

c) Para que z seja real devemos ter:

m+2= 0
m = -2

Assim, z é real se m = -2.

4 IGUALDADE DE NÚMEROS COMPLEXOS


Dois números complexos, z 1 = a + bi e z 2 = c + di, são iguais se, e
somente se, a = c e b = d. Em símbolos:

a + bi = c + di ⇔ a = c e b = d

Em particular: Se a + bi = 0, então, a = 0 e b = 0.

NOTA

Não é definida a relação de ordem para os elementos dos complexos, ou seja, não
se define que um número complexo é maior ou menor que outro.

Exemplo:

Se z1= 8 + 10i e z2 = 2x – 5yi e z1 = z2, determine o valor de x e y.

Resolução:

z1= 8 + 10i, então a = 8 e b = 10.


z2 = 2x – 5yi, então c = 2x e d = -5y.

Como z1 = z2, então a = c e b = d.

Portanto, podemos escrever:

2x = 8 e - 5y = 10
x=4 y = -2

185
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

5 OPOSTO DE UM NÚMERO COMPLEXO


O oposto de um número complexo z = a + bi é o número complexo -z = -a –
bi. Vale lembrar que um número complexo adicionado ao seu oposto é igual a zero,
isto é, z + (– z) = 0.

z = a + bi ⇒ -z = -a – bi

Exemplos:

1) O oposto de z = -2 + 5i é o número complexo -z = 2 – 5i.


2) O oposto de z = 3 – 7i é o número complexo -z = -3 + 7i.
3) O oposto de -z = -1 – 4i é o número complexo z = 1 + 4i.

6 CONJUGADO DE UM NÚMERO COMPLEXO


Dado um número complexo z = a + bi, define-se como complexo conjugado
de z o complexo z = a – bi

z =a + bi ⇒ z =a - bi

Exemplos:

1) z = 4 + 5i ⇒ z = 4 – 5i
2) z = -3 – 2i ⇒ z = -3 + 2i
3) z = 8i ⇒ z = -8i
4) z = 10 ⇒ z = 10

NOTA

Observe que dois números conjugados têm, respectivamente, partes reais iguais
e partes imaginárias opostas.

186
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico você estudou as características de um “novo” conjunto


numérico, o conjunto dos números complexos.

Sobre o conjunto dos números complexos, é importante destacar:

• O conjunto dos números complexos é representado pelo símbolo .

• A unidade imaginária i obedece à condição: i2 = i • i = -1.

• O número complexo é expresso algebricamente na forma z = a + bi, onde a é


chamado de parte real de z, b é a parte imaginária de z e i é a unidade imaginária.

• Quando a e b forem diferentes de zero, o número complexo é chamado de


imaginário, apresentando a forma algébrica z = a + bi.

• Quando a for zero e b for diferente de zero, o número complexo é chamado de


imaginário puro, apresentando a forma z = bi.

• Quando b for zero, o número complexo será um número real, apresentando a


forma z = a.

• Para que dois números complexos sejam denominados iguais, eles precisam
obedecer à condição: a + bi = c + di ⇔ a = c e b = d.

• Se z = a + bi é um número complexo, então seu oposto é -z = -a – bi.

• O conjugado de um número complexo z = a + bi é o complexo z = a – bi.

187
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), seguem algumas autoatividades referentes aos


conceitos de números complexos, estudados neste tópico. Mãos à obra!

1 Para cada número complexo a seguir, qual o valor da parte real e da parte
imaginária?

a) z= 7 - 5i
1
b) z = - + 3i
4
c)=z 3 - 5i
d) z = 0

2 Resolva as seguintes equações, sabendo que U = C.

a) x² - 4x + 8 = 0
b) x² - 2x + 5 = 0

3 Determine o valor de x e y nas igualdades:

a) 3 + 5yi = x – 10i
b) (1 – x) + (3 – y)i = 4 + 6i

4 Dados os números complexos z1= 3 + 4i e z2 = a + bi, sendo que z1 = z2, defina


o valor de a e b.

5 Escreva o conjugado dos seguintes números complexos:

a) z = -i – 3
b) z = 5i + 8
c) z = -12i
d) z = 6i – 4

6 Qual o oposto do conjugado do número complexo z = 3 + 10i?

188
7 Considerando o número complexo z = (a – 5) + (b2 – 36)i, determinar os
números reais a e b de modo que z seja:

a) um número real;
b) um número imaginário puro.

8 Seja z = a + bi, com {a, b} ⊂ R, demonstre que z = z, ∀z є C.

189
190
UNIDADE 3
TÓPICO 2

OPERAÇÕES COM NÚMEROS


COMPLEXOS NA FORMA ALGÉBRICA

1 INTRODUÇÃO
Você já deve ter estudado sobre a origem dos números e os tipos de
marcações (dedos, pedras, nós em cordas, marcas em ossos) que nossos
ancestrais utilizavam para contar. Levou algum tempo e muitas modificações
até obtermos a forma de números que conhecemos hoje, compostos pelos
algarismos indo-arábicos.

Essa “evolução” dos números ocorreu para facilitar o cálculo das atividades
cotidianas, ou seja, para operar os números com mais agilidade.

Com os números complexos não poderia ser diferente. Portanto, neste tópico
iremos aprender as quatro operações básicas: adição, subtração, multiplicação e
divisão, bem como a potenciação desse conjunto numérico.

2 ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO DE NÚMEROS COMPLEXOS


Dados dois números complexos, z1 = a + bi e z2 = c + di, definimos:

• Adição: z1 + z2 = a + bi + c + di

E assim
z1 + z2 = (a + c) + (b + d)i

• Subtração: z1 – z2 = z1 + (-z2) = a + bi + (-c – di) = a + bi – c – di

z1 - z2 = (a - c) + (b - d)i

191
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

NOTA

Cuide com os sinais quando a, b, c ou d forem negativos.


Por exemplo, se z1 = -1 + 5i e z2 = 3 – 4i.
Adição: (-1 + 3) + (5 + (-4))i = 2 + (5 – 4)i = 2 + i.
Subtração: (-1 – 3) + (5 – (-4))i = -4 + (5 + 4)i = -4 + 9i.

Exemplo:

Vamos efetuar as seguintes adições e subtrações com números complexos:

a) (2 + 3i) + (-5 + i)
(2 – 5) + (3 + 1)i = -3 + 4i

b) (6 – 7i) + (9 – 3i)
(6 + 9) + (-7 – 3)i = 15 – 10i

c) (4 + 5i) + (2 – 5i)
(4 + 2) + (5 – 5)i = 6

d) (4 + 9i) – (3 – i)
(4 – 3) + (9 + 1)i = 1 + 10i

e) 13 – (5 + 6i) – 2i – (8 + 4i)
(13 – 5 – 8) + (-6 – 2 – 4)i = 0 + (-12)i = -12i

ATENCAO

O Conjunto dos Números Complexos, conforme já exposto, é uma extensão do


Conjunto dos Números Reais. Portanto, ao definir a adição em C, as propriedades associativa,
comutativa, elemento neutro e elemento oposto são preservadas.

As seguintes propriedades são válidas para ∀z1,z2,z3 ∈ C:

Propriedade Associativa:

(z1 + z2) + z3 = z1 + (z2 + z3)

192
TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM NÚMEROS COMPLEXOS NA FORMA ALGÉBRICA

Propriedade Comutativa:

z1 + z2 = z2 + z1

Propriedade do Elemento Neutro:

z+e=e+z=z

Denominamos o número complexo e = 0 + 0i de elemento neutro da adição


de números complexos.

Propriedade do Elemento Oposto:

z + (-z) = (-z) + z = e

Para cada número complexo z existe um número complexo -z, que é oposto
de z, cuja soma com z resulta no elemento neutro e = 0 + 0i.

3 MULTIPLICAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO


A multiplicação de números complexos segue a mesma regra de multiplicação
de polinômios, considerando a condição da unidade imaginária, i2 = -1.

Vejamos o produto de dois números complexos, z1 = a + bi e z2 = c + d:

z1 . z 2 = (a + bi) . (c + di)
z1 • z2 = ac + adi + bci + bdi2
z1 • z2 = ac + (ad + bc)i + bd • (-1)
z1 • z2 = ac – bd + (ad + bc)i
z1 • z2 = (ac – bd) + (ad + bc)i

Portanto, podemos afirmar que a multiplicação de dois números complexos


é dada por:

z1 • z2 = (ac – bd) + (ad + bc)i

ATENCAO

Sentindo dificuldades para aplicar a fórmula da multiplicação de números


complexos, pode-se simplesmente desenvolver a propriedade distributiva, conforme realizado
na dedução da fórmula.

193
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

Exemplo 1:

Resolva as multiplicações que envolvem números complexos:

a) (2 + 4i) • (3 + 2i)
b) (3 + 2i)²
1  1 
c)  + i  .  - 2i 
3  2 
Resolução:

a) Pela propriedade distributiva:


(2 + 4i) • (3 + 2i) = 6 + 4i + 12i + 8i² = 6 + 16i + 8 • (-1) = -2 + 16i

Utilizando a fórmula de multiplicação de complexos:


(2 + 4i) • (3 + 2i) = (2 • 3 – 4 • 2) + (2 • 2 + 4 • 3)i = -2 + 16i

b) Pela propriedade distributiva:


(3 + 2i)² = (3 + 2i) • (3 + 2i) = 9 + 6i + 6i + 4i² = 9 + 12i + 4 • (-1) = 5 + 12i

Utilizando a fórmula de multiplicação de complexos:


(3 + 2i)² = (3 + 2i) • (3 + 2i) = (3 • 3 – 2 • 2) + (3 • 2 + 2 • 3)i = 5 + 12i

c) Pela propriedade distributiva:


1  1  1 2i i 1 4i 3i 1 i 12 13 i
2
 + i  .  - 2i  = - + - 2i = - + - 2 . ( -1) = - + = -
3  2  6 3 2 6 6 6 6 6 6 6 6

Utilizando a fórmula de multiplicação de complexos:


1  1  1 1  1 1 1   2 1 13 i
 + i  .  -=
2i   . - 1. ( -2)  +  . (-2) + 1 .  i =  + 2  +  - +  i = -
3  2  3 2  3 2 6   3 2 6 6

Exemplo 2:

Escreva o conjugado do número complexo z = (2 + 5i) • (2 – 5i) – (9 + i).

Resolução:

z = (2 + 5i) • (2 – 5i) – (9 + i)
z = 2 • 2 + 2 • (-5)i + 5i • 2 – 25i² – 9 – i
z = 4 – 10i + 10i – 25 • (-1) – 9 – i
z = 4 + 0i + 25 – 9 – i
z = 20 – i
E seu conjugado é z = 20 + i.

194
TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM NÚMEROS COMPLEXOS NA FORMA ALGÉBRICA

Exemplo 3:

Efetue ( )(
2 + 3i 1 - 2i .)
( )( ) ( ) ( )
2
2 + 3i 1 - 2 i = 2 - 4i + 3i - 6i = 2 - 2i + 3i - 6.( -1)= 2 + 6 + -2 + 3

ATENCAO

Assim como ocorre na adição, na multiplicação de números complexos pretende-


se que esta seja extensão dos conceitos de multiplicação dos Reais. Em consequência, as
propriedades associativa, comutativa, elemento neutro e elemento inverso e distributiva
devem ser preservadas.

As seguintes propriedades são válidas para ∀z1,z2,z3 ∈ C:

Propriedade Associativa:

(z1 • z2) • z3 = z1 • (z2 • z3)

Propriedade Comutativa:

z1 • z2 = z2 • z1

Propriedade do Elemento Neutro:

z • u = u • z= z

Denominamos o número complexo u = 1 + 0i de elemento neutro da


multiplicação de números complexos.

Propriedade do Elemento Inverso:

z • v = v • z= u

Para cada número complexo z ≠ 0 + 0i, existe um número complexo v, que é


inverso de z, cuja multiplicação com z resulta no elemento neutro u = 1 + 0i.

195
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

TURO S
ESTUDOS FU

No item 5 deste tópico, veremos com mais atenção o que são números inversos.

Propriedade Distributiva:

z1 • (z2 + z3) = z1 • z2 + z1 • z3
e
(z2 + z3) • z1 = z1 • z2 + z1 • z3

4 DIVISÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO


O quociente de dois números complexos z1 = a + bi e z2 = c + di é definido por:

z1 z1 . z 2
=
z2 z2 . z2

Exemplos:

2+i
a) Calcule
5 - 3i
Resolução:

Multiplicar numerador e denominador da fração, pelo conjugado do


denominador e aplicar a propriedade distributiva.

Z2 =
5 - 3i, logo z 2 =
5 + 3i

Assim,

2 + i ( 2 + 1 ) . ( 5 + 3i ) 10 + 6i + 5i + 3i 2
= =
5 - 3i ( 5 - 3i ) . ( 5 + 3i ) 25 + 15i - 15i - 9i 2

Como i 2 = -1, temos

2 + 1 10 + 11i - 3 7 + 11i 7 11i


= = = +
5 - 3i 25 + 0i + 9 34 34 34

196
TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM NÚMEROS COMPLEXOS NA FORMA ALGÉBRICA

b) Calcule

Resolução:

Multiplicar numerador e denominador da fração, pelo conjugado do


denominador e aplicar a propriedade distributiva.

z 2 = i, logo z 2 = -i

Assim,

5 + i ( 5 + i ) . ( -i ) - 5i - i 2
. =
i i . ( -i ) -i 2

Como i 2 = - 1, temos

5 + i - 5i - ( -1 ) - 5i + 1
= = = 1 - 5i
i - ( -1 ) -1

Exemplo 2:

8
Qual o conjugado do número complexo z = ?
2 - 2i
Resolução:

Primeiramente, resolvemos a divisão assumindo z2 = 2 – 2i, cujo


conjugado é z2 = 2 + 2i.

z=
8
=
8. ( 2 + 2i ) =
8 2 + 16i
=
8 2 + 16i
2 - 2i ( 2 - 2i . )( 2 + 2i ) 4 + 2i 2 - 2i 2 - 4i 2 2 - 4i 2

Como i 2 = - 1, e colocando 2 em evidência, temos

8 2 + 16i 8 2 + 16i 8 2 + 16i 8 2 16i 4 2 8i


z= = = = + = +
2 - 4 . ( -1 ) 2+4 6 6 6 3 3

197
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

O conjugado, portanto, será :

4 2 8i
z= -
3 3

5 INVERSO DE UM NÚMERO COMPLEXO


Dado o número complexo não nulo z = a + bi, denominamos de inverso do
número z o número 1 . E, indicamos:
z
1 1
z-1 = =
z a + bi

1
Multiplicando a expressão pelo seu conjugado, também podemos
escrever: a + bi

 1  a - bi  a - bi a - bi
z-1 =   = 2 2 2 = 2
 a + bi  a - bi  a - b . i a + b2

Exemplo:

Calcule o inverso do complexo z = 3 + 7i.

Resolução:

Pela propriedade distributiva: Aplicando a fórmula:


1 a - bi
z -1 = z -1 = 2 2
z a +b
1 3 - 7i
z -1 = -1
z = 2
3 + 7i 3 + 72
 1  3 - 7i  3 - 7i
z -1 =    z -1 =
 3 + 7i  3 - 7i  9 + 49
3 - 7i 3 - 7i
z -1 = z -1 =
9 - 21i + 21i - 49i 2 58
3 - 7i 3 7i
z -1 = z -1 = -
9 49 . ( -1)
- 58 58
3 - 7i
z1 =
9 + 49
-1 3 7i
z= -
58 58

198
TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM NÚMEROS COMPLEXOS NA FORMA ALGÉBRICA

6 POTENCIAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO COM


EXPOENTES INTEIROS
Sendo z um número complexo qualquer, define-se de modo análogo ao das
potências de base real:

I) z0 = 1
II) z1 = z
III) zn = z • z • z • ... • z, com n є Z e n ≥ 2.
1
IV) z –n = n , com z ≠ 0 e n є Z
z
Partindo da definição, vamos calcular algumas potências de i:

i0 = 1 i4 = i3 • i = (-i) • i = -i2 = -(-1) = 1


i1 = i i5 = i4 • i = 1 • i = i
i2 = -1 i6 = i5 • i = i2 = -1
i3 = i2 • i = -1 • i = -i i7 = i6 • i = -1 • i = -i

Observe que os resultados repetem-se de 4 em 4, com os resultados 1, i,


-1 e -i. Portanto, para calcular potências do tipo in, basta dividir o expoente n por
4 e analisar:

• se o resto for 0, então in = 1;


• se o resto for 1, então in = i;
• se o resto for 2, então in = -1;
• se o resto for 3, então in = -i.

Exemplo 1:

Calcule as seguintes potências de i:

a) 5i3
b) (3i)-4
c) i137
d) i -57
e) i5 + 5i10 + 2i3 – i4
i 25 + i18
f)
i 22
Resoluções:

a) 5i3 = 5 • (-i) = -5i

1 1 1 1
( )
-4
b) 3i= = = =
( 3i ) 3 i 81 . 1 81
4 4 4

199
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

c) Fazendo a divisão 137 : 4 obtemos resto 1 e, portanto, i137 = i1 = i

1
d) i -57 =
i 57
Fazendo a divisão 57 : 4 obtemos resto 1 e, portanto,

1 1 1 1 . ( -i ) -i -i
i -57 = = 1 = = = 2 = =-i
i 57
i i i . ( -i ) -i - ( -1 )

e) Resolvendo cada potência de i separadamente:

Fazendo 5 : 4, o resto é 1 e temos i5 = i1 = i;


Fazendo 10 : 4, o resto é 2 e temos 5i10 = 5i2 = 5 . (-1) = -5;
Para 2i3, temos 2 . (-i) = -2i;
E finalmente, i4 = 1.
Assim,
i5 + 5i10 + 2i3 – i4 = i + (-5) + (-2i) – 1) = i – 5 – 2i – 1 = -6 – i.

f) Resolvendo cada potência de i separadamente:

Fazendo 25 : 4, o resto é 1 e temos i25 = i1 = i;


Fazendo 18 : 4, o resto é 2 e temos i18 = i2 = -1;
E fazendo 22 : 4, o resto é 2 e temos i22 = i2 = -1;

Assim, i + i = i + ( -1 ) = 1 - i
25 18

i 22 -1

Exemplo 2:

i 15 + i 16
Simplifique a expressão .
i 17 - i 18
Resolução:

Resolvendo cada potência de i separadamente:


Fazendo 15 : 4, o resto é 3 e temos i15 = i3 = -i;
Fazendo 16 : 4, o resto é 0 e temos i16 = i0 = 1;
Fazendo 17 : 4, o resto é 1 e temos i17 = i1 = i;
Fazendo 18 : 4, o resto é 2 e temos i18 = i2 = -1;

200
TÓPICO 2 | OPERAÇÕES COM NÚMEROS COMPLEXOS NA FORMA ALGÉBRICA

i15 + i16 - i + 1 1 - i
Assim, = =
i17 - i18 i - (-1) 1 + i

Aplicando o conjugado de 1 + i, temos:

i15 + i16
=
(1 - i ) . (1-=i) 1 - i - i + i 2 1 - 2i + ( -1) - 2i
= = = -i
i17 - i18 (1 + i ) . (1- i ) 1 - i + i - i2 1 - ( -1) 2

ATENCAO

Da mesma forma que ocorre na adição e na multiplicação de números complexos,


na potenciação de números complexos também se mantêm as propriedades válidas na
potenciação dos números reais.

Propriedades das potências de números complexos:

Sendo z e w dois complexos quaisquer e m e n є Z, temos que:

I. zm • zn = zm+n;

m
II. z = z m-n , com z não nulo;
zn
( )
n
III. z m = z m.n ;

IV. ( z . w ) = z m . w m ;
m

m m
V.  z  = z , com w não nulo.
w wm
Veja outros exemplos:

Calcule:

a) (1 + i)250

8
1 + i
b)  
1-i

201
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

Resoluções:

a) Usando a propriedade III podemos escrever:

))
((1 + i=
125

(1 + 2i + =
i ) (1 + 2i + ( -1=
) ) (=
125
(1 +=
i) (1 + i ) 2i )
250 2 . 215 2 125 125
2
= 2125 . i125

Fazendo 125 : 4, o resto é 1, então i125= i1= i, e assim

+ i)250 2=
(1= 125
. i125 2125 i

b) Usando a propriedade III podemos escrever:

4
8
1 + i 1 + i
2.4
  1 + i 2 
=
  =   
1-i 1-i   1 - i  
 

E usando a propriedade II temos:

 1 + i   ( 1 + 2 )   1 + 2i + i 2   1 + 2i + ( -1)   2i 
8 2 4 4 4

(=
-1)
4
=
  =  = 2 
 =   =  1
 1 - i   ( 1 - i )   1 - 2i + i   1 - 2i + ( -1)   -2i 
2

202
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico você viu que:

Como os números complexos são uma extensão dos reais, as propriedades


das operações em R continuam valendo em C.

Dados dois números complexos, z1 = a + bi e z2 = c + di, definimos:

• Adição:
z1 + z2 = (a + c) + (b + d)i

• Subtração:
z1 - z2 = (a - c) + (b – d)i

• Multiplicação:
z1 • z2 = (ac – bd) + (ad + bc)i

• Divisão:
z1 z1 . z 2
=
z2 z2 . z2

• Potenciação:
z0 = 1
z1 = z
zn = z • z • z • ... • z, com n є Z e n ≥ 2.
1
z –n = n , com z ≠ 0 e n є Z
z
• Potências de in: de período 1, i, -1 e -i. Para resolvê-las basta dividir o expoente
por 4 e verificar se o resto:

− for 0, então in = 1;
− for 1, então in = i;
− for 2, então in = -1;
− for 3, então in = -i.

203
AUTOATIVIDADE

Lembra do seu manual, “Não basta saber, é preciso saber fazer”? Agora, chegou
a sua vez de colocar em prática os conceitos estudados neste tópico.

1 Realize as seguintes operações e calcule o inverso em cada uma delas:

a) (4 + 3i) + (3 – i)
b) (-2 + 12i) – (6 + 11i)
c) (9 – 7i) + (14 – 8i) – (-2 – 10i) + (-15 + 4i)

2 Considerando os complexos z1 = a + bi e z2 = c + di, prove as seguintes


propriedades do conjugado:

a) 1ª propriedade: o conjugado da soma é igual à soma dos conjugados:


z1 + z 2 = z1 + z 2

b) 2ª propriedade: o conjugado do produto é igual ao produto dos conjugados:


z1 ⋅ z 2 = z1 ⋅ z 2

c) 3ª propriedade: o produto de um número complexo pelo seu conjugado é


um número real não negativo: z1 . z 2 = x , com x є R. (Dica: x = a² + b²).

3 Efetue as multiplicações com números complexos:

a) ( 4 + i )( 2 - i ) c) ( -5 + 2i )
2

 1  1 
b)  + i  - i  d) ( 2 +i )( )
2 - i ( 3 + 2i )
 4  4 

4 Calcule os seguintes quocientes:

2+i 5 4i
a) b) c)
3 - 4i 1+ i 6+i

204
5 Sendo z1 = 3 + 2i, z2 = 1 – i e z3 = 5 + 4i, calcule:

a) 2z1 – 3 z 2 + z3
b) z1 • z2 • z 3

z12 + 2z 3
c)
z22

6 Resolva as potências de i:

a) i5 + 5i10 + 2i3 – i4
b) -3i383 + i281 – (3i)3 + 5i180
i 32 + i 98 - 3i 57
c)
i 92 - i 310

7 Efetue:

a) (2 + 5i)²
b) (4 – i)³

8 Sendo i a unidade imaginária, calcule (1 – i)44.

205
206
UNIDADE 3
TÓPICO 3

REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DE
UM NÚMERO COMPLEXO

1 INTRODUÇÃO
O impasse surgido com a descoberta da solução da equação cúbica
permaneceu sem solução durante mais de dois séculos.

Não houve nenhum progresso nesse assunto, muito embora, nesse


intervalo, grandes gênios da Matemática, como Newton e Leibniz, tivessem
feito extraordinárias descobertas no campo da matemática dos números reais,
relativas ao cálculo infinitesimal e integral.

A sistematização da teoria dos números imaginários só começou a ocorrer


a partir do final do século XVIII, portanto, cerca de 250 anos depois da época
em que surgiram os problemas que obrigaram os matemáticos a considerar a
existência de uma nova categoria de números.

Essa sistematização teve seu principal impulso com a representação


gráfica dos números imaginários, introduzida inicialmente por Caspar Wessel
(1745-1818), que a publicou na Academia Dinamarquesa de Ciências e Letras.
Entretanto, sua obra permaneceu quase que totalmente desconhecida, e só cem
anos depois é que veio a surgir para o mundo científico.

Em 1806, Jean Robert Argand (1768-1822) também publicou um ensaio


sobre a representação geométrica dos imaginários. Finalmente, o grande
matemático alemão Carl F. Gauss (1777-1855), em 1831, formulou com precisão
a “equivalência matemática da Geometria plana ao domínio do número
complexo”, ou seja, introduziu também a representação gráfica dos números
complexos, essencialmente a mesma de Wessel e Argand.

Embora Wessel tenha sido o primeiro a descobrir essa representação, o


mérito da descoberta ficou associado aos nomes de Gauss e Argand, de modo
que o plano dos números complexos é usualmente chamado de Plano de
Argand-Gauss.
FONTE: CAVALCANTI, J, C. A representação geométrica dos novos números. Disponível em:
<http://www.desenredo.com.br/Matematica/NumerosComplexos4.htm>.Acesso em: 22. Jul. 2010.

207
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

2 PLANO DE ARGAND-GAUSS
O plano de Argand-Gauss, também chamado de plano complexo, é um
plano cartesiano usado para representar números complexos geometricamente.
Nele, a parte imaginária de um número complexo é representada pela ordenada e
a parte real pela abcissa.

Convencionou-se, então, associar o número complexo z = a + bi ao ponto


P(a, b). Desta forma, um número complexo z = 4 + 3i pode ser representado através
do ponto afixo P(4, 3) no plano de Argand-Gauss.

Exemplo:

Representar no plano de Argand-Gauss as imagens dos seguintes números


complexos:

z1 = 2 + 3i
z2 = -3 + i
z3 =-1 – 2i
z4 = 3 – i
z5 = 2i
z6 = 4

208
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

Resolução:

Aos números z₁, z₂, z₃, z₄, z₅ e z₆ associamos os pontos determinados


pelos pares ordenados de números reais (2,3), (-3,1), (-1,-2), (3,-1), (0,2) e (4,0),
respectivamente.

Assim, temos:

3 MÓDULO DE UM NÚMERO COMPLEXO


Consideremos o número complexo, não nulo, z = a + bi e o ponto P(a, b)
que o representa.

Calculemos, agora, a distância р (letra grega: rô) entre os pontos O e P.

Aplicando o teorema de Pitágoras ao triângulo retângulo destacado na


figura, temos:

209
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

p = a 2 + b2

A grandeza р é chamada de módulo de z e também pode ser indicada por


|z|. Logo

z = a + bi = p = a 2 + b2

Exemplo:

Determine o módulo dos seguintes números complexos:

a) z= 3 - 4i b)=
z 3 -i

Resolução: Resolução:
Temos a = 3 e b = - 4, então
Temos a = 3 e b = -1, então
z
= a 2 + b2
z
= a 2 + b2
32 + ( -4 )
2
z=
( 3)
2
+ ( -1)
2
=z
z
= 9 + 16
z
= 3+1
z = 25
z= 4
z =5
z =2
E assim, p = 5.
E assim, p = 2.

c) z = -6i

Resolução:
Temos a = 0 e b = -6, então
z
= a 2 + b2

0 2 + ( -6 )
2
z=
z
= 0 + 36
z = 36
z =6
E assim, p = 6

210
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

d) z=
1 i
+
e) z =(1 - i )( 2 + 3i )
2 3
Resolução:
Resolução:
Primeiro simplificamos a expressão:
1 1
Temos a = e b = , então z = 2 + 3i - 2i -3i 2= 2 + i - 3 . ( -1)= 5 + i
2 3
E assim, z = 5 + i.
z
= a 2 + b2
Temos a = 5 e b = 1, então
2 2
1 1 z
= a 2 + b2
=z   + 
2 3
z
= 52 + 12
1 1
z
= + z
= 25 + 1
4 9
9 4 z = 26
z= +
36 36 E assim, p = 26.
13
z=
36
13
z=
36
13
z=
6
13
E assim, p =
6

4 ARGUMENTO DE UM NÚMERO COMPLEXO


Consideremos ainda o número complexo, não nulo, z = a + bi e o ponto P(a,
b) que o representa.

211
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

Denomina-se argumento do número complexo z, não nulo, a medida do


ângulo θ (letra grega: teta), formado pelo eixo real e a reta-suporte do segmento
OP , no sentido anti-horário, conforme indicado na figura.

Todo número complexo não nulo tem uma infinidade de argumentos, dois
quaisquer deles diferindo entre si por um múltiplo de 2π. Entretanto, o argumento
que pertence ao intervalo [0, 2π[ é chamado de Argumento Principal e é indicado por:

θ = Arg(z)

Observe na figura que:

a b
cosθ = e senθ =
p p

ATENCAO

Em geral, quando pedimos o argumento de um número complexo estamos nos


referindo ao argumento principal desse número.

Exemplo:

Determine o argumento dos seguintes números complexos:

a) z = 3 + 3i

Resolução:

Primeiramente, calculamos o módulo de z:

Temos, a = 3 e b = 3, então

z
= a 2 + b2
z
= 32 + 32
z = 9+9
z= 9.2
z =3 2

212
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

E assim, р = 3 2 .

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

a b
cosθ = senθ =
p p
3 3
cosθ = senθ =
3 2 e 3 2
1 1
cosθ = senθ =
2 2
2 2
cosθ = senθ =
2 2

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores do


π
seno ou do cosseno. Desta forma, θ = 45°, ou seja, θ = _ rad.
4
b) z = 1 – 3i

Resolução:

Primeiramente, calculamos o módulo de z:

Temos, a = 1 e b = – 3 , então

z
= a 2 + b2

( )
2
z= 12 + - 3

z
= 1+ 3
z= 4
z =2

E assim, р = 2.

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

213
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

a a
cosθ = senθ =
p p
e
1 - 3
cosθ = senθ =
2 2

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores


do seno ou do cosseno. Observe que o valor do cosseno do argumento é positivo,
enquanto que o seno do argumento é negativo, logo, o argumento encontra-se no
4º quadrante.


Desta forma, θ = 300°, ou seja, θ = __ rad.
6
c) z = 1 + i
Resolução:

Primeiramente, calculamos o módulo de z:

Temos, a = 1 e b = 1, então

z
= a 2 + b2
z
= 12 + 12
z
= 1+1
z= 2

E assim, р = 2.

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

a b
cosθ = senθ =
p p
1 e 1
cosθ = senθ =
2 2
cosθ = 2 senθ =
2
2 2

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores do


π
seno ou do cosseno. Desta forma, θ = 45°, ou seja, θ = rad .
4

214
TÓPICO 3 | REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

d) z = -3i

Resolução:

Primeiramente, calculamos o módulo de z:

Temos, a = 0 e b = -3, então

z
= a 2 + b2

0 2 + ( -3 )
2
z=
z= 9
z =3

E assim, р = 3.

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

a b
cosθ = senθ =
p p
0 e -3
cosθ = senθ =
3 3
cosθ = 0
senθ = -1

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores do


seno ou do cosseno. Observe que, como o valor do cosseno é zero, o argumento
encontra-se sobre o eixo dos senos. E como o valor do seno é -1, podemos dizer que
o argumento é θ = 270°, ou seja, θ = 3π
__ rad.
2

215
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você estudou que:

• O plano de Argand-Gauss é um plano cartesiano usado para representar


números complexos geometricamente. Nele, a parte imaginária de um número
complexo é representada pela ordenada e a parte real pela abcissa.

• Um número complexo z = a + bi é representado geometricamente pelo afixo P(a, b).

• A grandeza р é chamada de módulo de z e pode ser indicada por |z| = |a + bi| =


a 2 + b2 .

• O argumento de um número complexo z, não nulo e que pertence ao intervalo


[0, 2π[, é chamado de Argumento Principal e é indicado por

θ = Arg(z).

a b
Lembre-se que: cosθ = e senθ = .
p p

216
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), seguem algumas autoatividades que se destinam à


averiguação da aprendizagem deste tópico de estudos. Bom trabalho!

1 Determine os números complexos correspondentes aos afixos A, B, C, D, E, F


e G no plano de Argand-Gauss a seguir:

a _________________

b _________________

c _________________

d _________________

e _________________

f _________________

g _________________

2 Determine o módulo e o argumento dos seguintes números complexos:

a) z = 3 + 4i
b) z = -1 – 3 i
c) z = 2 + i
d) z = 4i
e) z = (1 – i)(2 + 3i)

3 Represente graficamente os afixos dos seguintes números complexos:

a) z1 = -3 + 2i
b) z2 = 5 +6i
c) z3 = -1 + 4i
d) z4 = 5 – i
e) z5 = -3i
f) z6 = 4

217
2 + 2i
4 Determine o módulo de z = .
3 + 2i
1
5 Encontre o valor de z, sabendo que _ e 1 - z possuem o mesmo módulo.
z
6 Calcule o módulo, o argumento e faça a representação geométrica do
complexo z = 3 + i.

218
UNIDADE 3
TÓPICO 4

FORMA TRIGONOMÉTRICA
DE UM NÚMERO COMPLEXO

1 INTRODUÇÃO
Sabemos que um número complexo possui forma geométrica igual a z = a +
bi, onde a recebe a denominação de parte real e b parte imaginária de z e que este
número pode ser representado geometricamente pelo afixo P(a, b).

Neste tópico veremos que os números complexos também possuem uma


forma trigonométrica, ou forma polar, que é um caso particular da utilização das
coordenadas polares. Essa forma trigonométrica é de grande utilidade nos cálculos
envolvendo potenciações e radiciações.

2 FORMA TRIGONOMÉTRICA OU POLAR DOS NÚMEROS


COMPLEXOS
Dado o número complexo z = a + bi, de modo que z ≠ 0.

Das expressões
a b
cosθ = e senθ = podemos escrever a = p.cosθ e b = p.senθ.
p p
Substituindo em z = a + bi, temos z = р cosθ + р senθ • i, ou então

z = р • (cosθ + i • senθ)

Esta é a chamada forma trigonométrica ou polar do número complexo z.

Exemplo 1:

Escreva na forma trigonométrica o número complexo z = 1 + 3 i.

Resolução:

Temos a = 1 e b = 3 , então:

219
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

z
= a 2 + b2

( 3)
2
z
= 12 +

z
= 1+ 3
z =2

E assim, р = 2.

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

a b
cosθ = senθ =
p p
e
1 3
cosθ = senθ =
2 2

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores do


π
seno ou do cosseno. Desta forma, o argumento é θ = 60°, ou seja, θ = _ rad.
3
Escrevemos a forma trigonométrica do número complexo através da
expressão:

z = р • (cos θ + i • senθ)
z = 2 • (cos 60° + i • sen60°)
ou
 π π
= z 2  cos + i . sen 
 3 3
Exemplo 2:

 π π
Escreva o número complexo z = 4  cos + i . sen  na forma algébrica.
 3 3
Resolução:

Basta resolver a expressão:

220
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

 π π
= z 4  cos + i . sen 
 3 3
1 3
=z 4 + i . 
2 2 

4 4 3i
z= +
2 2
z= 2 + 2 3i

Assim, a forma algébrica de z é dada por 2 + 2 3i .

3 MULTIPLICAÇÃO E DIVISÃO DE NÚMEROS COMPLEXOS


NA FORMA TRIGONOMÉTRICA
Dados os números complexos não nulos z1 = р1 • (cos θ1 + i • senθ1)
e z2 = р2 • (cos θ2 + i • senθ2), temos:

• Produto z1 • z2

z1 • z2 = (р1(cos θ1 + i senθ1)) • (р2 • (cos θ2 + i • senθ2))


z1 • z2 = р1(cos θ1 + i senθ1) • р2(cos θ2 + i • senθ2)
z1 • z2 = р1р2(cos θ1 + i senθ1) • (cos θ2 + i • senθ2)
z1 • z2 = р1р2(cos θ1 cos θ2 + cos θ1 • i senθ2 + i senθ1 cos θ2 + i² • senθ1 senθ2)
z1 • z2 = р1р2(cos θ1 cos θ2 + cos θ1 • i senθ2 + i senθ1 cos θ2 – senθ1 senθ2)
z1 • z2 = р1р2(cos θ1 cos θ2 – senθ1 senθ2 + i cos θ1 senθ2 + i senθ1 cos θ2)

Lembrando que :

(cos θ1 cos θ2 – senθ1 senр2) = cos (θ1 + θ2) e (cos θ1 senθ2 + senθ1 cos θ2) = sen
(θ1 + θ2)

Temos:

z1 • z2 = р1р2 • (cos (θ1 + θ2) + i(sen (θ1 + θ2))

221
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

NOTA

Veja que o produto z1 • z2 é um número complexo cujo módulo é o produto dos


módulos e cujo argumento é a soma dos argumentos dos fatores.
A fórmula obtida também tem validade para n fatores:

z1 • z2 • z3 • ... • zn = р1 • р2 •... • рn • (cos (θ1 + θ2 + ... + θn) + i(sen (θ1 + θ2 + ... + θn))

z1
Quociente __ , sendo z1 ≠ z2 e z2 ≠ 0.
z2
que z 2 p2 ( cosθ 2 - isenθ 2 )
Lembrando=

z1 p1 ( cosθ1 + isenθ )1
=
z 2 p2 ( cosθ 2 + isenθ 2 )

z1 p1 ( cosθ1 + isenθ1 ) p2 ( cosθ 2 - isenθ 2 )


=
z 2 p2 ( cosθ 2 + isenθ 2 ) p2 ( cosθ 2 - isenθ 2 )

z1 p1 p2 ( cosθ1 + isenθ )1 ( cosθ 2 - isenθ 2 )


=
z 2 p2 p2 ( cosθ 2 + isenθ 2 )( cosθ 2 - isenθ 2 )

= 2
(
z1 p1 p2 cosθ 2 cosθ 2 - icosθ1senθ 2 + isenθ1 cosθ 2 - i senθ1senθ
2
) 2

z2 (
p2 cosθ 2 cosθ 2 - icosθ 2 senθ 2 + isenθ 2 cosθ 2 - i 2 senθ 2 senθ 2 )
(
z1 p1 p2 cosθ 2 cosθ 2 - icosθ1senθ 2 + isenθ1 cosθ 2 - ( -1) senθ1senθ 2
=
)
z2 (
p22 cos 2 θ 2 - ( -1) sen 2θ 2 )
z1 p1 p2 ( cosθ 2 cosθ 2 - icosθ1senθ 2 + isenθ1 cosθ 2 + senθ1senθ 2 )
=
z2 (
p22 cos 2 θ 2 + sen 2θ 2 )
(
z1 p1 p2 cosθ1 cosθ 2 + senθ1senθ 2 + i ( senθ1 cosθ 2 - cosθ1senθ 2 )
=
)
z2 (
p22 cos 2 θ 2 + sen 2θ 2 )

222
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

Como

cos (θ1 - θ 2 )
cosθ1 cosθ 2 + senθ1 senθ 2 =
sen (θ1 - θ 2 )
senθ1 cosθ 2 - cosθ1senθ 2 =
cos 2 θ 2 + sen 2θ 2 =
1

Temos:

z1 p1
(
= ⋅ cos (θ1 - θ 2 ) + isen (θ1 - θ 2 )
z 2 p2
)

ATENCAO

z
Veja que o quociente __1 é um número complexo cujo módulo é o quociente dos
z2
módulos e cujo argumento é a diferença dos argumentos do dividendo e do divisor.

Exemplo:

 3π 3π   π π
Dados z1 =
6  cos + i . sen 2  cos + i . sen  , calcule:
 e z2 =
 2 2   2 2

a) z1 • z2

Resolução:

(
z1 . z 2 p1 p2 cos (θ1 + θ 2 ) + isen (θ1 + θ 2 )
= )
  3π π   3π π  
=z1 . z 2 6 . 2.  cos  +  + isen  + 
  2 2  2 2 
  4π   4π  
=z1 . z 2 12.  cos   + isen  
  2   2 
(
z1 . z 2 12. cos ( 2π ) + isen ( 2π )
= )

223
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

z1
b) __
z2
Resolução:

z1 p1
(
= ⋅ cos (θ1 - θ 2 ) + isen (θ1 - θ 2 )
z 2 p2
)
z1 6   3π π   3π π  
= ⋅  cos  -  + isen  - 
z2 2   2 2  2 2 
z1   2π   2π  
= 3.  cos   + isen  
z2   2   2 
z1
=
z2
(
3. cos (π ) + isen (π ) )

4 POTENCIAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO NA FORMA


TRIGONOMÉTRICA
Sendo z um número complexo não nulo, z = р • (cos θ + i • senθ) sua forma
trigonométrica e n um número inteiro maior que 1, temos:

    
z n = z ⋅ z ⋅ z ⋅ ... ⋅ z ⇒ z n = p ⋅ p ⋅ p ⋅ ... ⋅ p ⋅  cos  θ + θ + θ + ... + θ  + isen  θ + θ + θ + ... + θ  
    
n fatores n fatores   n parcelas   n parcelas 

Que pode ser reescrito como

zn = рn(cos(nθ) + i sen(nθ))

DICAS

Esta fórmula é conhecida como a 1ª Fórmula de Moivre (1667-1754), que foi um


importante matemático francês.
Leia mais sobre ele em <http://ecalculo.if.usp.br/historia/demoivre.htm>.

224
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

Exemplo 1:

1 3 
Dado =z  + i  , calcule z10.
2 2 
 
Resolução:

1 3
Temos a = eb= , então:
2 2

z
= a 2 + b2
2 2
1  3 
=z   +  
 2   2 
1 3
z
= +
4 4
4
z=
4
z= 1
z =1

E assim, р = 1.

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

a b
cosθ = senθ =
p p

1
3
cosθ = 2 e
1 senθ = 2
1

1
cosθ = 3
2 senθ =
2

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores do


π
seno ou do cosseno. Desta forma, o argumento é θ = 60°, ou seja, θ = _ rad.
3
Escrevemos a forma trigonométrica do número complexo através da
expressão z = р • (cos θ + i • senθ)

225
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

z = 1 • (cos 60° + i • sen60°)


ou
 π π
z =  cos + i ⋅ sen 
 3 3
Para calcular z10, basta aplicar a 1ª fórmula de Moivre:
zn = рn(cos(nθ) + i sen(nθ))

  π  π 
=z10 110  cos  10 ⋅  + i sen  10 ⋅  
  3  3 

  10π   10π  
=z10 1  cos   + i sen  
  3   3 

 10π   10π 
E assim, na forma trigonométrica,
= z10 cos   + isen  .
 3   3 
 10π  1  10π  3
E, verificando que cos  = - e que sen  = - , podemos
 3  2  3  2
1 3
escrever a forma algébrica z10 =- - i.
2 2
Exemplo 2:

  7π   7π  
Sendo z 2  cos 
=  + i sen    , calcule z .
-9

  3   3  
Resolução:

1
Sabemos que z -9 = __9 e que zn = рn(cos(nθ) + i sen(nθ)), então:
z

  7π   7π  
z 9 = 2 9  cos  9.  + isen  9. 
  3   3 
  63π   63π  
=z 9 512  cos   + isen  
  3   3 
= (
z 9 512 cos ( 21π ) + isen ( 21π ) )

E assim, na forma trigonométrica,


= ( )
z 9 512 cos ( 21π ) + isen ( 21π ) .

E, verificando que cos ( 21π ) =


-1 e que sen ( 21π ) =
0 , podemos escrever a
forma algébrica

226
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

= (
z 9 512 cos ( 21π ) + isen ( 21π ) )
z= 512 ( -1 + i . 0 )
9

z 9 = -512

Assim:

1
z9 =
z9
1
z9 =
-512
1
z9 =
-512

5 RADICIAÇÃO DE UM NÚMERO COMPLEXO NA FORMA


TRIGONOMÉTRICA
Chamamos de raiz enésima do número complexo z = р(cosθ + i senθ) a
todo complexo w, tal que wn = z, com n є N e n ≥ 2.

Exemplos:

• o número i é uma raiz quadrada de -1, pois i2 = -1;


• o número -2i é uma raiz quarta de 16, pois (-2i)4 = 16;
• o número 3i é uma raiz cúbica de -27i, pois (3i)3 = -27i;

Dado um número complexo z, onde z = р(cosθ + i senθ) é sua forma


trigonométrica e zw = рw (cosθw + i senθw) uma de suas raízes enésimas.

Pela definição dada, podemos escrever znw = z e, aplicando a 1ª Fórmula de


Moivre, temos:

znw = z

( ) (
pnw cos ( nθ w ) + isen ( nθ w ) =p cos (θ ) + isen (θ ) )
Desta igualdade, podemos concluir:

(1) pnw =p ⇒ pw =n p

cos ( nθ w ) = cosθ  θ + k . 2π
(2)  ⇒ nθ w =+
θ k . 2π ⇒ θ w =
sen ( nθ w ) = sen θ  n

227
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

Substituindo (1) e (2) em zw = рw (cosθw + i senθw), temos:

  θ + k ⋅ 2π   θ + k ⋅ 2π 
=zw n p.  cos   + isen  
  n   n 

Esta é a 2ª Fórmula de Moivre. Nela, θ + k ⋅ 2π deve pertencer ao intervalo


[0, 2π[, pois é o argumento de zw. n

Como k є Z, vejamos os possíveis valores de k:

θ
k =0 ⇒ θ 0 =
n
θ + 2π
θ 2π
k =1 ⇒ θ1 = = +
n n n
θ + 4π θ 4π
k =2 ⇒ θ 2 = = +
n n n

Generalizando:

θ + 2 ( n - 1) π θ 2 ( n - 1) π
k = n - 1 ⇒ θ n -1 = = +
n n n

Estes n valores de θw não são côngruos, pois a diferença entre dois quaisquer
deles é inferior a 2π e, por isso, estão todos no intervalo [0, 2π[ originando a n
valores distintos para zw.

Se k = n, temos:

θ + 2nπ θ 2nπ θ
k = n ⇒ θ2 = = + = + 2π
n n n n

θ
Este valor é importante por ser côngruo a _ , que é o valor obtido quando k = 0.
n
O mesmo ocorre se k = -1, -2, -3, ... ou k = n + 1, n + 2, n + 3, ..., portanto, k
deve variar de 0 a n – 1, dando origem às enésimas raízes distintas de z.

Exemplo 1:

Determine as raízes quadradas do complexo z = 2 3 + 2i.

228
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

Resolução:

Inicialmente, vamos calcular o valor o módulo de z:

Temos a = 2 3 e b = 2, então

z
= a 2 + b2

(2 3 )
2
+ (2)
2
=z
2
=z 22 3 + 4
z= 4⋅3+ 4
z = 16
z =4

E assim р = 4.

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

a b
cosθ = senθ =
p p
2 3 e 2
cosθ = senθ =
4 4
3 1
cosθ = senθ =
2 2

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores do


π
seno ou do cosseno. Desta forma, o argumento é _ rad.
6
As raízes quadradas (n = 2) são obtidas por:

  θ + k ⋅ 2π   θ + k ⋅ 2π 
=zw n p .  cos   + isen  
  n   n 

 π  π 
  6 + k ⋅ 2π   6 + k ⋅ 2π 
=zw 2
4  cos   + isen  
  2   2  
 
    

229
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

Como k deve variar de 0 à n – 1, calculamos as raízes quadradas com k


= 0 e k = 1:

 π   π 
k =⇒
0 w0 =2  cos   + isen    ⇒ w 0 =2 ( cos15° + isen15° )
  12   12  

  13π  13π 
k =⇒
1 w1 =2  cos   + isen  ⇒ w1 =2 ( - cos15° - isen15° )
  12  12 

Assim, as raízes quadradas de 2 3 + 2i são


2 ( cos15° + isen15° ) e 2 ( - cos15° - isen15° )
.

Exemplo 2:

Determine as raízes cúbicas de 8.

Resolução:

Inicialmente, vamos calcular o valor o módulo de z:

Temos a = 8 e b = 0, então

z
= a 2 + b2
z
= 82 + 02
z = 64
z =8

E assim р = 8.

Usamos as expressões (seno e cosseno) para determinar o argumento:

a b
cosθ = senθ =
p p
8 e 0
cosθ = senθ =
8 8
cosθ = 1 senθ = 0

230
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

Para obtermos θ, basta buscarmos o ângulo correspondente aos valores do


seno ou do cosseno. Desta forma, o argumento é 0° ou 0 rad.

As raízes cúbicas (n = 3) são obtidas por:

  θ + k ⋅ 2π   θ + k ⋅ 2π 
zw =n p ⋅ cos
   + isen  
  n   n 
 0 + k ⋅ 2π   0 + k ⋅ 2π 
=z w 3 8 cos   + isen  
 3   3 
  k ⋅ 2π   k ⋅ 2π 
=z w 2  cos   + isen  
  3   3 

Como k deve variar de 0 à n – 1, calculamos as raízes quadradas com k = 0,


k = 1 e k = 2:

k =⇒
0 w0 = ( )
2 cos ( 0 ) + isen ( 0 ) ⇒ w 0 =2 (1 + i ⋅ 0 ) ⇒ w0 =2
  2π   2π  1 3 
k=
1 ⇒ w1 =
2  cos   + isen    ⇒ w1 =-2 + i  ⇒ w1 =
-1 + 3i
  3   3   2 2 

  4π   4π    1 3 
k=
2 ⇒ w2 =
2  cos   + isen    ⇒ w 2 =-
2 - i  ⇒ w2 =
-1 - 3i
  3   3   2 2 

Assim, as raízes cúbicas de 8 são os números 2, – 1 + 3 e–1– 3

6 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ENSINO DE NÚMEROS


COMPLEXOS
A escola, no decorrer dos séculos, se transformou na instituição responsável
por garantir às gerações mais jovens os conhecimentos e os valores legitimados
pelas gerações mais antigas, que os produziram e os consolidaram. Portanto, a
função social da escola vem sendo a de ensinar às novas gerações a lógica sob a
qual esta mesma sociedade foi estruturada.

A matemática originou-se a partir da necessidade humana material.


Neste contexto cabe à escola buscar estratégias para que o aluno abstraia estas
ideias a fim de transformá-las em conceitos. É nesta etapa do processo de ensino-
aprendizagem que a Matemática passou a ser, para muitos, difícil e chata, pois a
linguagem matemática tornou-se formal, precisa e rigorosa.

Atualmente, o “ensino mecânico” já não supre as necessidades básicas para


a formação de um cidadão ativo na sociedade, visto que vivemos num mundo

231
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

moderno, com um fantástico avanço tecnológico, que se move com o auxílio de


pessoas dinâmicas, criativas, sociáveis, coerentes e que saibam buscar informações.

Este panorama exige uma nova postura frente ao ensino que se ministra.
É necessário renovar constantemente a prática docente para poder acompanhar as
mudanças que ocorrem rapidamente à nossa volta. Como mediador e não apenas
transmissor de conhecimentos, é importante fazer com que o aluno possa também
participar de seu aprendizado, se tornando um ser ativo, pensante e agente.

À medida que vamos nos integrando ao que se denomina uma sociedade


da informação crescentemente globalizada, é importante que a Educação
se volte para o desenvolvimento das capacidades de comunicação, de
resolver problemas, de tomar decisões, de fazer inferências, de criar, de
aperfeiçoar conhecimentos e valores, de trabalhar cooperativamente.
(PCN´S, 2000, p.40)

Nesse sentido, é necessário lembrar que a apropriação do conhecimento


matemático se dá por um trabalho gradativo, interativo e reflexivo. Portanto, o
professor deve perceber a forma de raciocinar, elaborar e resolver determinados
problemas e assim ser o mediador entre o conhecimento historicamente produzido
e sistematizado e aquele adquirido socialmente pelo aluno.

Assim, a introdução de novos métodos de ensino é oportunidade de


desenvolvimento, pois desta forma o aluno experimenta, descobre, inventa,
aprende e confere habilidades. Este espaço é importante para que haja o exercício
da relação afetiva do aluno com o mundo, com as pessoas e com os objetos, pois
proporciona um ensino significativo para o aluno, de acordo com sua realidade.

Logo, para que o ato de aprender seja significativo para o aluno, o ato de
ensinar deve estar diretamente ligado com sua realidade e, acima de tudo, deve ter
informações e ensinamentos importantes no meio onde vive.

Considerando esse contexto, é importante que o ensino dos números


complexos no Ensino Médio seja contemplado, primeiramente, com a história do
surgimento deste conjunto numérico.

É fundamental inserir os fatos abordados (descobertas matemáticas) no


momento histórico em que aconteceram, tornando a disciplina mais atraente e concreta
ao aluno. Esse trabalho pedagógico pode ser um bom instrumento de motivação da
aprendizagem, tão necessária e tão difícil de ser atingida em nossa prática escolar.

A motivação refere-se à carga energética colocada no ato de conhecer. [...]


A aprendizagem significativa depende, além do nível de representação,
da carga afetiva envolvida. Tal colocação nos leva a pensar sobre o
papel do aluno como corresponsável pela motivação, como um dos
agentes de um bom clima durante as aulas, como alguém que, também,
é um provocador. Querendo conhecer sempre mais, instiga o professor
a produzir mais. Nesse ponto é fundamental fazer da sala de aula
um ambiente de boas relações interpessoais para que se descubra a
melhor maneira de trabalhar o assunto a ser tratado. Mais uma vez, a

232
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

Matemática nas mãos de um bom contador de histórias para facilitar a


interação professor-aluno. Um trabalho que será uma conquista diária,
propiciada não pela vontade de querer agradar uma classe, mas pela
clareza de objetivos. (MAESTRI, 1999, p. 11).

Cada novo conteúdo fundamenta-se em conceitos básicos, que foram


desenvolvidos durante séculos. Um exemplo disto é a abordagem histórica
realizada neste Caderno de Estudos.

Na matemática, a utilização de desafios pode ser um elemento significativo


na compreensão dos conteúdos, pois é uma forma lúdica de aprender que conquista
facilmente o interesse do aluno.

A prática dos desafios matemáticos estimula que o aluno passe por todos
os processos de formação do pensamento matemático.

Um exemplo de desafio para o estudo dos números complexos é um exercício


de vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Veja:

Um quadrado mágico é um quadriculado com n2 quadrados menores que


contém números de forma que a soma desses números em cada linha, em cada
coluna, e nas duas diagonais é a mesma.

i i2 i3 i4

i5 i6 i7 i8

i9 i10 i11 i12

i13 i14 i15 i16

Para responder às solicitações propostas, considere o número complexo i2


= -1 e o quadrado acima.

a) Calcule i2, i3, i4, ... i16.


b) Verifique se o quadrado acima é um quadrado mágico.
c) Calcule a soma de todos os números que compõem o quadrado.

Os desafios matemáticos apresentam-se como estratégias de ensino que têm


como efeito incrementar, orientar, consolidar a motivação do aluno, em oposição a
outras estratégias que a prejudicam.

Lembre-se de que o segredo para obter sucesso na relação de ensino-


aprendizagem também está na motivação. Se existe motivação, as coisas são feitas
com empenho e prazer, resultando em trabalhos bons e úteis.

233
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

LEITURA COMPLEMENTAR

CARL FRIDRICH GAUSS (1777-1855)

Gauss nasceu em Brunswick, norte


da Alemanha, no dia 30 de abril de 1777.
Sua família era humilde e não possuía
estudo. Seu pai não apoiava a ideia de que
Gauss estudasse, mas sua mãe, ao contrário,
o incentivava. Gauss casou-se duas vezes.
Dentre seus variados interesses estavam a
História, a Literatura, a Política internacional
e as finanças públicas.

Sua educação secundária e superior


foi assegurada pelo duque de Brunswick,
que se impressionava com as habilidades
matemáticas de Gauss. Seus estudos se
iniciaram na Escola Carolino, em sua cidade
natal, onde completou os estudos em línguas
clássicas e familiarizou-se com os trabalhos
de Newton, Euler e Lagrange. Em 1795 Gauss deixou Brunswick para estudar na
Universidade de Göttingen, formando-se em 1798.

O menino precoce Gauss, aos 12 anos, criticava os Fundamentos da Geometria;


com 13 anos, projetava uma Geometria não euclidiana; por volta dos 15 ou 16 anos
de idade descobriu o Teorema do Número Primo e concebeu a Lei Gaussiana - ou
da Distribuição Normal - da Teoria das Probabilidades. Com 18 anos, inventou o
método dos mínimos quadrados e, aos 22 anos, determinou as funções elípticas.

Gostava muito de estudar, mas estava indeciso entre tornar-se um filólogo


ou um matemático. No dia 30 de março de 1796, ao que parece, essa decisão foi
tomada, quando optou pela Matemática. Conseguira construir, segundo as regras
euclidianas, o polígono regular de dezessete lados. Nota-se que já eram conhecidas
as construções, com régua e compasso, do triângulo equilátero e do pentágono
regular, além de outros polígonos regulares, cujo número de lados fosse múltiplo
de 2, 3 e 5, mas de nenhum outro com número primo de lados. A descoberta de
Gauss foi publicamente anunciada numa revista literária.

Nesse mesmo dia, Gauss começou a escrever um diário composto por


19 páginas que talvez seja o documento mais importante de toda a História da
Matemática. Nele encontram-se 146 breves enunciados de diversos resultados. O
último enunciado tem data de 9 de julho de 1814. O conteúdo do diário só foi
publicado em 1901, pelo matemático Felix Klein.

234
TÓPICO 4 | FORMA TRIGONOMÉTRICA DE UM NÚMERO COMPLEXO

Uma das obras mais importantes de Gauss é a Disquisitiones Arithmeticae,


publicada em 1801, considerada o marco inicial da moderna Teoria dos Números,
além de ser importantíssimo por trazer uma abordagem rigorosa e moderna da
Matemática. Salvo alguns poucos resultados matemáticos antigos, o trabalho
é inteiramente original. Na parte inicial se encontra a primeira demonstração
do Teorema Fundamental da Aritmética, segundo o qual todo inteiro n>1 pode
ser escrito de forma única como um produto de primos. Na parte central fala-
se da congruência quadrática, formas e resíduos, e na última seção encontra-se a
teoria do polinômio ciclotômico, com suas aplicações para a construtibilidade de
polígonos regulares.

Em sua tese de doutorado, publicada em 1799 em Helmstädt, encontra-


se uma demonstração do Teorema Fundamental da Álgebra. Esse teorema
garante que toda equação polinomial de grau n admite n raízes complexas e, em
sua demonstração, Gauss utilizou números complexos e a geometria do plano
complexo com total segurança, além de inaugurar a era das demonstrações de
existência, importantes para a Matemática pura. A demonstração apresentada
em sua tese baseia-se em parte em considerações geométricas. Em 1816, Gauss
publicou duas demonstrações e, em 1850, publicou uma terceira, esforçando-se
para encontrar uma prova inteiramente algébrica.

Outras publicações de Gauss: Theoria Motus Corporum Coelestium (1809),


considerada a bíblia dos astrônomos por mais de um século; Disquisitiones generales
circa superficies curvae (1827), onde ele criou a Geometria Diferencial intrínseca
das superfícies curvas, introduziu as coordenadas curvilíneas u e v numa
superfície e obteve a forma diferencial quadrática ds2=Edu2+2Fdudv+Gdv2 para
o elemento de comprimento de arco ds, que tornou possível determinar curvas
geodésicas; formulando também os conceitos de curvatura gaussiana e curvatura
integral. Outro grande trabalho foi um artigo publicado em 1830 sobre resíduos
biquadráticos, cujas ideias inauguraram a Teoria Algébrica dos Números. A partir
de 1830, Gauss se ocupou com a Física, realizando estudos em diversos ramos,
como a Óptica, onde introduziu o conceito de comprimento focal de um sistema de
lentes e inventou as lentes grandes angulares de Gauss para telescópios e objetivas.

Embora tenha publicado muito, vários de seus estudos não o foram, pois
Gauss preferia mergulhar em um novo estudo em lugar de escrever sobre as
descobertas feitas.

Gauss passou os anos de 1845 a 1851 atualizando os fundos monetários da


Universidade de Göttingen. Esse trabalho lhe deu uma experiência em práticas
financeiras e, com isso, fez sua fortuna através de investimentos astutos em
companhias privadas.

235
UNIDADE 3 | NÚMEROS COMPLEXOS

Gauss morreu em Göttingen no dia 23 de fevereiro de 1855, coincidindo


com o incremento da Revolução Industrial. A crença oficial no progresso pacífico
começava a ser substituída pela realidade de uma época de crises. Daí em diante,
a figura do cientista integral, interessado em todos os aspectos do conhecimento
humano, se tornou praticamente uma raridade. Por isso, o desaparecimento de
Gauss marcou o fim de uma era.

FONTE: E-CÁLCULO. Mapa da história: Gauss. Disponível em: <http://ecalculo.if.usp.br/historia/


gauss.htm>. Acesso em: 10 jul. 2010.

236
RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico você estudou outra forma de representar os números


complexos, denominada forma trigonométrica ou polar. Também aprendeu a
realizar operações com os números complexos nesta forma.

É importante lembrar que:

• Um número complexo não nulo z = a + bi tem sua forma trigonométrica ou polar:

z = р(cosθ + isenθ).

• O produto de dois números complexos na forma trigonométrica é expresso pela


fórmula:

z1 • z2 = р1р2 (cos(θ1 + θ2) + isen(θ1 + θ2)).

• O quociente de dois números complexos na forma trigonométrica é dado por:

z1 p1
=
z 2 p2
(
cos (θ1 - θ 2 ) + isen (θ1 - θ 2 ) . )
• A potenciação de números complexos na forma trigonométrica é dada pela 1ª
Fórmula de Moivre:

zn = рn(cos(nθ) + isen(nθ)).

• A radiciação de números complexos na forma trigonométrica é dada pela 2ª


Fórmula de Moivre:

  θ + k ⋅ 2π   θ + k ⋅ 2π 
=zw n p  cos   + isen  
  n   n  .

237
AUTOATIVIDADE

Prezado(a) acadêmico(a), seguem algumas autoatividades referentes aos


conceitos e definições estudadas neste tópico.

1 Escreva na forma trigonométrica os seguintes números complexos:

a) z = 3 + 3i
b) z = 3 - i
c) - 5
d) 8i

2 Represente na forma algébrica os complexos:

 π π
a) z 4  cos + isen 
=
 4 4

 5π 5π 
b) z 6  cos
= + isen 
 4 4 

 π π
c) z 3  cos + isen 
=
 2 2

 11π 11π 
=d) z 2  cos + isen 
 6 6 

 π π 
que z1 5 ( cos π + isen π=
3 Sabendo = ) e z2 3=
 cos isen  , obtenha z1 • z2.
 3 3 

 π π  6π 6π 
4 Dados os complexos = z1 3  cos + isen  , z 2 = 4  cos + isen  e
 5 5  4 3 
 7π 7π  , calcule:
z 3 = 2  cos + isen 
 3 3 

z2
a)
z3
z1 ⋅ z 2
b)
z3

238
5 Calcule, na forma trigonométrica, o produto z1 • z2, sabendo que
 5π 5π   π π
z1 =6  cos + isen  e z2 =
3  cos + isen 
 6 6   4 4 .

 π π
6 Dado o número
= z 3  cos + isen  , determine z5.
 4 4
z1  2π 2π 
7 Determine o produto z1 • z2 e o quociente __=para z1 2=
 cos isen e
z2  3 3 
 π π 
= z 2 3  cos + isen 
 4 4 .

8 Usando a fórmula de Moivre, calcule as potências:

a) ( 1 - i )
3

6
1 3 
b)  + i
2 2 
 

 π π
9 Calcule as raízes quadradas de 4  cos + isen  .
 6 6
10 Calcule as raízes cúbicas de 27.

239
240
REFERÊNCIAS
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Edgard Blücher, 1996.

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: matemática. Secretaria de Educação


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CASTRUCCI, Benedicto; GIOVANNI Jr., José Ruy. A conquista da matemática.


São Paulo: FTD, 2009.

FACCHINI, Walter. Matemática: volume único. São Paulo: Saraiva, 1996.

GIOVANNI, José Ruy; BONJORNO, José Roberto; GIOVANNI JR., José Ruy.
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GUELLI, Oscar. Dando corda na trigonometria. São Paulo: Ática, 2000.

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MAESTRI, Mário. Por que Paulo Coelho teve sucesso. Porto Alegre: AGE, 1999.

MOYER, Robert E.; AYRES, Frank. Trigonometria. São Paulo: Bookmann


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241
ANOTAÇÕES

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______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
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______________________________________________________________
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