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SAL & CALDEIRA

Newsletter
Connosco o seu projecto atinge os objectivos que você pretende. Maio/Junho 2008 | N.º 19| Bimensal
We help take your project where you want it to go. Tiragem 500 exemplares | Distribuição Gratuita

Áreas de Intervenção Nota do Editor


⇒ Serviços Jurídico/Comerciais
M
ais uma edição, mais res por conta própria. Destaca- debate em todo o Mundo, e
um punhado de arti- remos neste artigo algumas estando Moçambique a ser
⇒ Contencioso gos sobre assuntos inovações em relação à legisla- palco de vultuosos investimen-
que julgamos actuais e de ção anterior, as quais implicam tos na prospecção e pesquisa
⇒ Reforma Legal e Governa- interesse para os nossos leito- uma responsabilidade e aten- de petróleo e gás, achamos
ção Democrática res. ção acrescida das entidades oportuno abrir uma janela
Uma boa nova para o panora- empregadoras. sobre o regime de aquisição de
⇒ Gestão Financeira ma económico e empresarial Na sequência da abordagem bens e serviços para este sec-
⇒ Planificação Estratégica, de Moçambique é a aprovação que temos vindo a efectuar tor de actividade.
do novo Regime de Licencia- sobre matérias jurídicas à luz Devido ao interesse da matéria
Formação Profissional e
mento Simplificado, através do do direito islâmico (Sharia), - Pagamento Especial por Con-
Sistemas de Informação qual se pretende conseguir tratamos nesta edição o modo ta do IRPC - abrimos a nossa
⇒ Desenvolvimento Social e num único dia o licenciamento como opera a dissolução de Newsletter à AMOJ -
de pequenos negócios, aca- contratos no âmbito deste direi- Associação Moçambicana dos
Comunitário bando-se assim com o proces- to. A dissolução contratual é Jovens Contabilistas, que apre-
so anterior demasiado burocra- designada por Inhilal Faskh senta no nosso Suplemento um
Escritórios | Contactos: tizado. que consiste na cessação de artigo muito interessante e de
Em Maputo: Atento às questões da segu- um contrato considerado válido sua inteira responsabilidade.
Av. do Zimbabwe, 1214 rança social, em Dezembro, o antes que o mesmo expire ou Estes e outros são os temas
Governo aprovou o Regula- antes do início da sua execu- abordados neste número.
Caixa Postal 2830 mento da Segurança Social ção. Bom proveito e escreva-nos
Tel: +258 21 241 400 Obrigatória, fixando o regime Sendo a crise com os preços fazendo-nos as suas críticas e
Fax: +258 21 494 710 para os trabalhadores por con- dos hidrocarbonetos motivo dando-nos as suas contribui-
ta de outrem e os trabalhado- actual de grande atenção e ções.
M: admin@salconsult.com
Na Beira: O Regime de Licenciamento Simplificado de Actividades Económicas
Av. Poder Popular,164, 5º

N
o exploração de pequenos negó- É importante referir que o
Caixa Postal 07
cios poderá ser obtida num decreto em apreço abrange
Tel: +258 23 32 59 97 único dia. apenas as actividades econó-
Fax: +258 23 32 59 97 Trata-se de um instrumento micas que pela sua natureza
âmbito da
email: salbeira@tdm.co.mz que visa imprimir uma maior não acarretam impactos negati-
Estratégia
para dinâmica e eficiência na admi- vos para o ambiente, saúde
a
nistração pública no que con- pública, segurança e para a
Índice Melhoria
António Bungallah - Jurista d cerne ao processo de licencia- economia em geral. Assim,
o
Nota do Editor 1
mento da actividade empresa- estão sujeitas ao licenciamento
Ambiente
abungallah@salconsult.com

rial, por forma a tornar o início simplificado as actividades


de Negó-
Regime de Licenciamento Simpli- 1,2 cios 2008/2012, foi publicado o desta mais flexível, contribuin- integradas nas áreas de agri-
ficado de Actividades Económi- Decreto n.º 2/2008, de 12 de do deste modo para a criação cultura, comércio e prestação
dum ambiente favorável ao de serviços, construção, des-
cas Março, versando sobre o regi-
Sociedades por Quotas Unipes- 2,3 me jurídico do “licenciamento investimento e desenvolvimen- porto, indústria, transporte e
soais simplificado”, através do qual a to do empresariado nacional.
(Continued on page 2)
autorização para o exercício e
O Regulamento da Segurança 3,4
Social Obrigatória

Gestão de Bacias Hidrográficas


Partilhadas
4,5
Visite-nos em www.salconsult.com
A Dissolução Contratual à Luz do 5,6
Ficha Técnica
Direito Islâmico Direcção & Edição: Mariam Bibi Umarji | Júlio Serafim Mutisse
Crescimento do Sector Petrolífero 6
Grafismo e Montagem: Sónia Sultuane
vs Regime de Aquisição de Bens e Produção: SAL & Caldeira - Advogados e Consultores, Lda.
Serviços
Av. do Zimbabwe, 1214 - Maputo
Análise da Sustentabilidade da 7,8
Dívida Pública Externa em
Dispensa de Registo/GABINFO-DE/2005
Colaboradores: Aly Lalá, António Bungallah, Júlio Mutisse, Raimundo Nefulane, Sadya
Obrigações Declarativas e Contri-
butivas - Calendário Fiscal - Ano
8
Makda, Sónia Sultuane, Soraia Issufo, Vânia Moreira, Xiluva Matavele.
2008 (Maio/Junho)
O Regime de Licenciamento Simplificado de Actividades Económicas- Continuação
(Continued from page 1) chimento de um formulário (Anexo 2 ao Com a introdução do regime de licenciamen-
decreto), e apresente o documento de identi- to simplificado é assinalável o avanço que o
comunicações e turismo. Para efeitos de ficação e o Número Único de Identificação mesmo representa para o empresariado
melhor compreensão e informação do públi- Tributária (NUIT). nacional, na medida que se vão removendo
co, consta em anexo ao referido decreto Diferentemente do preconizado no Regula- progressivamente barreiras administrativas
(Anexo 2) uma listagem das actividades mento do Licenciamento da Actividade ao investimento no país, e se aproxima cada
abrangidas por sector, bem como as respec- Comercial em vigor, os agentes económicos vez mais o cidadão ao exercício da activida-
tivas classes, nos casos aplicáveis. licenciados nos termos do regime de licen- de comercial, cujo início é tido como compli-
Segundo a definição dada pelo decreto em ciamento simplificado, podem iniciar imedia- cado e moroso, o que até o momento vinha
análise, o licenciamento simplificado consis- tamente a sua actividade, embora sujeitos a desmotivando grande parte dos potenciais
te na emissão presencial de uma licença (a uma verificação a posteriori pelas entidades agentes económicos de média e pequena
“Licença Simplificada”) para o exercício de de fiscalização competentes, para constata- escala. Nesta óptica, a adopção do regime
actividade económica. A mesma pode ser ção do cumprimento da legislação geral e de licenciamento simplificado é um exemplo
obtida nos Balcões de Atendimento Único específica da actividade licenciada, bem a ser seguido pelos diversos actores da
(“BAÙ”), onde existam, ou nas Administra- como da regulamentação relativa aos requi- administração pública, no que respeita, em
ções Distritais e nos Conselhos Municipais. sitos de higiene e segurança aplicáveis. Na particular, à flexibilização de procedimentos
prática, este procedimento irá permitir que o burocráticos indispensáveis à obtenção das
É de notar que, com o novo regime as a mais variadas autorizações, permissões e
competências sobre o licenciamento de interessado inicie a actividade antes da vis-
toria, cuja realização é morosa e entrava em licenças.
actividades económicas atribuídas ao
Governador da Província à luz do Regula- grande medida o arranque de vários Porém, os objectivos que se pretendem
mento do Licenciamento da Actividade empreendimentos um pouco por todo o país. alcançar com a aprovação do decreto sobre
Comercial, aprovado pelo Decreto n. º Contudo, com a passagem da fiscalização licenciamento simplificado, poderão ser
49/2004, de 17 de Novembro, e em particu- para a fase pós-início de actividade, são de postos em causa caso não haja o compro-
lar as que respeitam ao agenciamento, se esperar algumas dificuldades no cumpri- misso e a conjugação esforços das entida-
comércio a retalho, comércio geral, presta- mento dos requisitos por parte dos agentes des estatais que, para além do Ministério da
ção de serviços, e actividades realizadas em económicos, devendo as entidades compe- Indústria e Comércio, influem directa ou
lojas e bancas, entre outros, passarão a ser tentes para o licenciamento potenciar o seu indirectamente no processo de licenciamen-
exercidas pelas entidades referidas no pará- papel informativo e educativo junto dos to da actividade comercial, no sentido de
grafo anterior, o que poderá conferir maior requerentes durante a tramitação da licença, alinharem no mesmo diapasão com vista a
celeridade na tramitação dos processos de no que respeita não somente aos requisitos tornar a captação de investimentos, em
licenciamento. aplicáveis a cada caso, como também as particular, e o ambiente de negócios, em
Ainda, o alargamento das atribuições das consequências legais possam advir da inob- geral, mais atractivos no país.
Administrações Distritais neste domínio servância dos mesmos. A este respeito, o Qualquer postura tomada no sentido inver-
constitui um aspecto de grande importância, decreto estabelece que as infracções serão so, o que em vários casos se tem verificado
na medida em que, com o novo regime as sancionadas em conformidade com a legis- no âmbito da tramitação de autorizações de
atribuições destas transcendem o licencia- lação em vigor, interpretando-se este dispo- trabalho que envolva a contratação de mão-
mento do exercício de actividades económi- sitivo como uma remissão ao regime das de-obra estrangeira, para citar apenas um
cas realizadas em barracas, tendas ou ban- penalidades previsto no Regulamento do exemplo, atentaria de forma grave contra o
cas e o comércio ambulante, tal como pre- Licenciamento da Actividade Comercial, espírito de que se enforma o decreto objecto
visto no Regulamento do Licenciamento da bem como em demais legislação. do presente artigo, bem como contra os
Ainda na esteira das inovações trazidas pelo
Actividade Comercial em vigor, sendo possí- princípios da Estratégia para a Melhoria do
decreto em análise, é de destacar que as
vel, com esta inovação, conferir maior dinâ- Ambiente de Negócios 2008/2012, ao qual o
mica à vida económica dos distritos, e dasactividades abrangidas pelo licenciamento regime de licenciamento simplificado de
zonas rurais em particular. simplificado estão isentas do Estudo do actividades económicas deve a sua existên-
cia.
Para a obtenção da licença simplificada Impacto Ambiental, devido ao impacto
basta que o interessado proceda ao preen- ambiental nulo ou pouco significativo que
elas acarretam.

Sociedades por Quotas Unipessoais

O
d)Elemento teleológico: repartição dos lucros A sociedade unipessoal encontra-se regulada
artigo 980º
do resultantes dessa actividade.
Código pelos artigos 328º a 330º do Código Comer-
No campo comercial há ainda a ter em conta cial (o “CC”), como uma variante da socieda-
Civil precei-
outros dois elementos específicos do concei- de por quotas, sendo-lhe aplicável com as
tua que “o contrato
de sociedade é
to de sociedade comercial, nomeadamente: necessárias adaptações, as disposições apli-
aquele em que duas cáveis às sociedades por quotas.
e)Objecto comercial: prática de actos de
ou mais pessoas se
comércio – alínea a) do artigo 83º do Código A sociedade por quotas unipessoal também
obrigam a contribuir denominada por sociedade por quotas com
Soraia Issufo - Jurista
Comercial; e
sissufo@salconsult.com com bens e serviços, um único sócio, tanto pode ser originária,
f)Tipo comercial: adopção de um dos tipos quando ocorre no acto da constituição da
para o exercício de
certa actividade económica que não seja de societários configurados e disciplinados na lei sociedade, em que o capital é subscrito
mera fruição, a fim de repartirem os lucros comercial. – alínea b) do artigo 83º do Código somente por uma única pessoa, como pode
resultantes dessa actividade”. Comercial. ser superveniente, quando, no decurso da
Deparamos, com a definição legal de socie- Ora, no contexto das sociedades unipes- vida da sociedade, um único sócio acaba por
dade acima indicada, que desta decorrem 4 soais, um dos elementos acima indicados na concentrar a totalidade das quotas na sua
elementos, nomeadamente: noção de sociedade é retirado, nomeada- titularidade, decorridos que sejam noventa
mente o elemento pessoal, uma vez que a dias sem ter sido reconstituída a pluralidade
a)Elemento pessoal: duas ou mais pessoas;
mesma tem um único sócio. de sócios. – nº 2, do artigo 328º do CC.
b)Elemento patrimonial: obrigatoriedade dos
Assim, quando o elemento pessoal é retirado A firma das sociedades por quotas unipes-
sócios em contribuírem com bens e serviços;
da noção de sociedade, estamos perante soais deve conter o aditamento “Sociedade
c)Elemento finalístico: exercício em comum uma sociedade unipessoal, em que apenas Unipessoal Limitada” ou então, de forma
de uma certa actividade económica que não uma única pessoa singular é titular de uma abreviada “Sociedade Unipessoal Lda.” a fim
seja de mera fruição; e única quota.
(Continued on page 3)

SAL & Caldeira Newsletter Page 2/8 Maio/Junho 2008


Sociedades por Quotas Unipessoais - Continuação
(Continued from page 2) bem como ao empresário em nome indivi- as seguintes:
dual, nomeadamente: a)Complexidade na constituição da socieda-
de dar publicidade à sua espécie e natureza a)Inaplicabilidade do regime da responsabili- de, uma vez que esta deve obedecer aos
jurídica. – artigo 33º do CC. dade solidária no pagamento da quota do mesmos requisitos que qualquer sociedade
Tal como nos outros tipos societários, a sócio remisso, tal como acontece nas socie- comercial colectiva;
sociedade por quotas unipessoal pode ser dades por quotas, porque apenas existe um b)A constituição de sociedades unipessoais
constituída por documento particular, desde titular da quota; exige a realização, em dinheiro ou em bens
que não entrem bens imóveis. – nº 1 do arti- b)Incentivo e promoção de iniciativas empre- avaliáveis em dinheiro, do capital social, ain-
go 90º do CC. sariais individuais; da que essa realização possa ser diferida no
Burocraticamente, para a constituição deste c)Não é necessário envolver terceiros para tempo, já o empresário individual não está
tipo de sociedades é necessário: i) pedir o atingir o número mínimo de sócios conforme obrigado a realizar o capital social; e
nome da firma à Conservatória do Registo por vezes acontece na constituição de socie- c)A fim de evitar quaisquer presunções de
das Entidades Legais; ii) depositar o capital dades; não afectação exclusiva ao cumprimento das
social (mínimo vinte mil meticais); iii) celebrar obrigações no caso de declaração de falên-
o contrato de sociedade; iv) requerer o alvará d)O controlo sobre a actividade da empresa é cia, a sociedade unipessoal torna-se de for-
para exercício de actividades junto à Direc- igual ao da empresa individual, uma vez que ma sistemática obrigada a actualizar os livros
ção de Indústria e Comércio; v) declarar o também existe apenas um proprietário; da sociedade, documentos e registos contabi-
início de actividade nas Finanças; vi) fazer as e)Agilidade no exercício da gestão económi- lísticos no que concerne a lançamento das
comunicações se necessárias à Segurança ca da sociedade, visto não se encontrar operações da sociedade e situação patrimo-
Social e Direcção de Trabalho; vii) fazer o dependente de órgãos colegiais para a for- nial.
Registo na Conservatória do Registo das mação da vontade social; e
Entidades Legais; e viii) proceder à publica- Por último, resta advertir que, embora em
f)A responsabilidade do sócio resume-se ao ordenamentos jurídicos de outros países,
ção no Boletim da República. capital social, ou seja, o seu património pes- como por exemplo, em Portugal, tanto as
As decisões do único sócio que nas socieda- soal não responde pelas dívidas contraídas pessoas singulares como as pessoas colecti-
des por quotas sejam da competência da no exercício da actividade da empresa, vas podem constituir uma sociedade por
Assembleia Geral devem ser registadas em excepto no caso de declaração de falência, quotas unipessoal, no nosso ordenamento
acta e assinada pelo sócio único. – artigo se se provar que o património social não foi jurídico esta permissividade cabe apenas às
330º do CC. exclusivamente afectado ao cumprimento das pessoas singulares. – nº 1 do artigo 328º do
Este tipo de sociedade tem vantagens quan- respectivas obrigações. CC.
do comparada aos demais tipos societários, Quanto a desvantagens, podemos apresentar

O Regulamento da Segurança Social Obrigatória


1. Introdução dores. •os trabalhadores dos partidos políticos, sin-

A
O RSSO, no regime dos trabalhadores por dicatos, associações e organizações sociais
necessidade
de estabelecer conta de outrem, estabelece que são obriga- bem como os trabalhadores das organiza-
toriamente abrangidos os trabalhadores, ções não-governamentais.
um quadro
legal da protecção nacionais e estrangeiros, residentes em terri- Tirando a sazonalidade laboral nos sectores
social adequado à tório nacional, independentemente do sector referidos acima como merecedores de regu-
Júlio Mutisse - Jurista
jmutisse@salconsult.com realidade sócio eco- económico em que exerçam actividade, mes- lamentação posterior, qualquer outro sector
nómica do país ditou mo que o trabalho seja a tempo parcial, que empregue trabalhadores sazonais, deve-
a necessidade da reforma do regime da incluindo os períodos probatórios e de está- rá observar os requisitos da segurança social
segurança social até então vigente, e a adop- gio laboral remunerado. obrigatória, entendida a sazonalidade como
ção da Lei n.º 4/2007, de 7 de Fevereiro, que Esta formulação é bastante abrangente, emprego em sector de actividade que depen-
define as bases em que assenta a protecção cabendo nela uma multiplicidade de catego- da dos ritmos e estações do ano e com dura-
social e organiza o respectivo sistema rias de trabalhadores por conta de outrem, ção determinada.
(adiante “LPS”). pese embora se tenha ressalvado que a A necessidade de ser mais explícito quanto a
Nos termos do artigo 5 da LPS, a protecção abrangência dos empregados domésticos, abrangência pessoal do novo regime, fez
social foi estruturada em três níveis: (1) desportistas, artistas e trabalhadores do sec- com que o legislador incluísse “os profissio-
Segurança Social Básica, (2) Segurança tor agrícola e similar será feita por diploma nais ao serviço de transportadores”, de modo
Social Obrigatória e (3) Segurança Social ministerial, de forma gradual e por categorias, a tornar claro que o trabalho dependente
Complementar (mais detalhes sobre as ino- tendo em conta a capacidade da estrutura exercido, por exemplo, pelos motoristas e
vações da LPS podem ser lidas no artigo ” A administrativa do Instituto Nacional da Segu- cobradores dos vulgarmente denominados
Nova Lei da Protecção Social” publicado na rança Social (INSS). “chapa 100”, ajudantes e outros profissionais
nossa Newsletter número 13 de Maio/Junho São considerados trabalhadores por conta de do sector está abrangido pelas medidas pre-
de 2007. outrem e, obrigatoriamente abrangidos: conizadas pelo novo regime da protecção
social.
Através do Decreto 53/2007, de 3 de Dezem- •os administradores, gerentes e os membros
bro, o Conselho de Ministros aprovou o dos órgãos sociais das sociedades com con- Importante é a referência aos administrado-
Regulamento da Segurança Social Obrigató- trato de trabalho incluindo as sociedades res, gerentes e os membros dos órgãos
ria (adiante “RSSO”), fixando o regime para unipessoais; sociais das sociedades “com contrato de
os trabalhadores por conta de outrem e os trabalho”. Ao ressalvar os mandatários e
•os empresários em nome individual com
trabalhadores por conta própria. administradores nestes termos, é nosso
trabalhadores ao seu serviço ou com estabe-
lecimento estável; entender que o legislador quis dissipar qual-
2. Principais Alterações
quer confusão que resultaria da exclusão
2.1 Âmbito de aplicação pessoal •os estivadores contratados por uma empre- desta categoria em comparação com as
A Lei n.º 5/89, de 18 de Setembro, (adiante sa de estiva ou agência de emprego; situações em que a nomeação dos mandatá-
“Lei 5/89”) elencava como abrangidos pelo •os profissionais ao serviço de transportado- rios e/ou administradores resulta de acta da
sistema de segurança social os trabalhadores res; Assembleia-Geral, dos estatutos da socieda-
assalariados, nacionais e estrangeiros resi- •os trabalhadores de instituições do Estado de e ainda por procuração que, não sendo
dentes em território nacional, (excluindo os ou das autarquias locais e os trabalhadores trabalhadores dependentes e por conta de
domésticos, sazonais e os eventuais, transi- de empresas públicas que não estejam outrem, estão ou estariam excluídos das
toriamente excluídos conforme referido aci- abrangidos pelo Estatuto Geral dos Funcioná- disposições sobre a segurança social.
ma), os familiares a cargo dos trabalhadores rios do Estado; No regime dos trabalhadores por conta pró-
assalariados e outras categorias de trabalha-
•os trabalhadores sazonais; (Continued on page 4)

SAL & Caldeira Newsletter Page 3/8 Maio/Junho 2008


O Regulamento da Segurança Social Obrigatória - Continuação
(Continued from page 3) de mulheres de que estas se vinham quei- doença contagiosa, desde que expressamen-
xando. te indicada pelo médico nos respectivos ates-
pria, cuja abrangência será feita diploma tados; e
ministerial específico, estão abrangidos:
2.3Inscrição dos trabalhadores
No caso dos trabalhadores por conta de impedimento para o trabalho resultante de
•a pessoa física que explora uma actividade
outrem, mantém-se o princípio da obrigatorie- gravidez certificada pelo médico, que tenha
económica, com carácter permanente ou
dade de inscrição e a responsabilidade das início no decurso do período de atribuição do
temporário, sem colaboradores; e
entidades empregadoras de registarem os subsídio de maternidade, e ultrapassar o
•quem presta serviço de carácter individual a trabalhadores a seu cargo. Porém, o RSSO termo desse período.
uma ou mais empresas mediante contrato de avança soluções para o caso de o trabalha- 2.5Subsídio por Maternidade
prestação de serviços. dor não preencher o boletim de identificação
2.2Âmbito de aplicação material para a inscrição. Nestes casos, cabe à enti- O subsídio por maternidade corresponde ao
dade empregadora o preenchimento com os salário médio diário, calculado através de
A Lei 5/89 referia que o regime da segurança
elementos de que dispuser. Portanto, a recu- uma fórmula definida com base no total das
social, quanto ao âmbito da aplicação mate-
sa do trabalhador em preencher as fichas de remunerações registadas nos seis meses que
rial, compreendia os ramos de doença, das
inscrição para a segurança social não justifica precedem o segundo mês anterior ao do
pensões de velhice, invalidez e sobrevivên-
a sua não inscrição, nem exime o emprega- início da incapacidade divididos por 180.
cia, o ramo do subsídio por morte, bem como
dor das consequências (em caso de inspec- Exclui-se na determinação das remunerações
outras prestações a criar consoante a capaci- registadas as importâncias relativas aos sub-
ção por exemplo),
dade sócio-económica do sistema. A principal sídios de férias e outros análogos.
novidade introduzida pelo RSSO neste âmbi- 2.4Período de espera
to, tanto no regime dos trabalhadores por Nos casos de subsídio de doença, mantém- Neste artigo não esgotamos todos os assun-
conta de outrem, como no regime dos traba- se a regra de que o subsídio não é pago nos tos inovadores do novo regime da protecção
lhadores por conta própria, é a introdução do 3 primeiros dias em cada impedimento. social. Destacamos apenas algumas inova-
subsídio por maternidade que não estava Porém, o RSSO estabelece, ao contrário do ções. As questões que aqui trouxemos, impli-
previsto na legislação revogada. Portanto, anterior regulamento, algumas excepções, cam uma responsabilidade e atenção acresci-
claramente, o INSS passa a assumir o encar- como sejam: da das entidades empregadoras.
go outrora assumido pelas entidades empre- os casos de hospitalização do trabalhador;
gadoras, diminuindo o custo da contratação

Gestão de Bacias Hidrográficas Partilhadas

C
om o crescimento que nos organismos de cooperação que são do Curso de Água do Zambeze, -
da demanda pela sejam criados. Resolução nº 64/2004, de 31 de Dezembro
água, nomeada- Na sequência da Lei de Águas, o Governo (“Acordo sobre a Comissão do Zambeze”); e
mente pela sua importân- moçambicano aprovou em 1995 a Política ⇒Acordo entre as Repúblicas de Moçambi-

Xiluva Matavele - Jurista


cia para o desenvolvimen- Nacional de Águas através da Resolução nº que, de Botswana, da África do Sul e do Zim-
xmatavele@salconsult.com to económico dos Esta- 7/95, de 8 de Agosto, (“PNA”). A PNA deter- babwe sobre o Estabelecimento da Comissão
dos, a cooperação no minou como prioridade do Governo, a curto do Curso de Água do Limpopo, - Resolução
domínio da utilização e desenvolvimento dos prazo, a celebração de acordos internacio- nº 67/2004, de 31 de Dezembro (“Acordo
recursos hídricos de bacias hidrográficas nais de partilha sobre os rios Incomáti, Lim- sobre Comissão do Limpopo”).
partilhadas tornou-se numa das maiores popo, Punguè, Save e Zambeze. A PNA foi Protocolo sobre Cursos de Água Compar-
preocupações da actualidade. entretanto revogada pela nova Política de tilhados
Os países da África Austral partilham grande Águas, através da Resolução nº 46/2007, de
Este Protocolo tem como objectivo global
parte dos rios existentes nesta região. 30 de Outubro, (“Política de Águas”). No
desenvolver uma cooperação para a gestão,
Moçambique tem cerca de 104 bacias hidro- capítulo sobre a gestão da água, a Política de protecção e utilização judiciosas, sustentá-
gráficas, sendo 9 delas transfronteiriças. Águas reconhece a necessidade de planea-
veis e coordenadas dos cursos de água com-
Alguns destes países, conscientes da escas- mento das principais bacias hidrográficas de
partilhados, e promover a agenda da SADC
sez e do valor dos recursos hídricos, celebra- Moçambique, dando prioridade às bacias relativa à integração regional e ao alívio da
ram, através da Comunidade de Desenvolvi- partilhadas. Assim, o planeamento conjunto pobreza. Este objectivo será então alcançado
mento da África Austral (SADC), acordos de das bacias hidrográficas partilhadas e os
através do estabelecimento de acordos e
cooperação sobre a utilização e desenvolvi- acordos entre os países interessados repre-
instituições para a gestão de cursos de água
mento dos recursos hídricos comuns. sentam os instrumentos a utilizar para cum- compartilhados. Portanto, as disposições
Em termos de legislação aplicável a esta prir os princípios do Protocolo da SADC, no
deste Protocolo servem de base para a cele-
matéria, Moçambique deu o primeiro passo que respeita à integração regional e alívio da
bração de outros acordos de cooperação
em 1991, com a aprovação da Lei nº 16/91, pobreza, à unidade e coerência das bacias sobre bacias hidrográficas partilhadas.
de 3 de Agosto, (“Lei de Águas”). No âmbito partilhadas e da utilização da bacia por cada
Estado duma forma equitativa e razoável. A aplicação do Protocolo pauta-se, entre
da cooperação internacional, a Lei de Águas outros, pelos princípios do desenvolvimento
determina que a cooperação entre Moçambi- Na sequência do acima exposto, Moçambi-
sustentável; da cooperação; da utilização
que e outros países no domínio das águas, que celebrou, entre 2000 e 2004, 4 acordos
sustentável; da utilização e participação equi-
visa atingir, entre outros, os seguintes objecti- internacionais relacionados com a gestão de tativa e razoável dos recursos hídricos; da
vos: bacias hidrográficas partilhadas, nomeada-
prevenção de danos e da avaliação de
⇒adopção de medidas coordenadas de ges-
mente:
impactos transfronteiriços. O princípio da
tão dos cursos de água de uma mesma bacia ⇒Protocolo Revisto sobre Cursos de Água prevenção de danos determina que no uso de
hidrográfica, tendo em conta os interesses Compartilhados na Região da SADC, - um curso de água compartilhado, os Estados
dos Estados; e Resolução nº 31/2000, de 27 de Dezembro Parte tomarão todas as medidas apropriadas
⇒repartição e aproveitamento conjunto das
(“Protocolo sobre Cursos de Água Comparti- para prevenir a causa de danos significativos
águas de interesse comum. lhados” ou “Protocolo”); sobre os outros Estados do curso de água.
⇒Acordo Tripartido Interino entre as Repúbli- Neste âmbito, o Protocolo descreve quais os
A Lei de Águas atribuiu então ao Ministério
das Obras Públicas e Habitação a função de cas de Moçambique, África do Sul e Reino da procedimentos a seguir pelos Estados Parte
promover as necessárias acções de coopera- Suazilândia para a Cooperação sobre a Pro- na implementação de “Medidas Planeadas”,
ção internacional com os Estados da região, tecção e Utilização dos Recursos Hídricos nomeadamente a troca de informação e reali-
com vista a garantir a melhor gestão das dos Cursos de Água do Incomati e do Maputo zação de consultas mútuas, e a negociação
bacias hidrográficas de interesse comum e a - Resolução nº 53/2004 de 1 de Dezembro sobre os possíveis efeitos da aplicação de
salvaguardar os interesses nacionais bem (“Acordo sobre o Incomati e Maputo”); medidas planeadas sobre um Estado. O ter-
como assegurar a participação de Moçambi- ⇒Acordo sobre o Estabelecimento da Comis-
(Continued on page 5)

SAL & Caldeira Newsletter Page 4/8 Maio/Junho2008


Gestão de Bacias Hidrográficas Partilhadas - Continuação
(Continued from page 4) Na sequência da aplicação do princípio da de uma actividade determinada, cuja origem
utilização sustentável, o Acordo estabelece o se localiza, na totalidade ou em parte, numa
mo “Medidas Planeadas” não é definido pelo regime de caudais que deverá ser respeitado área de jurisdição de outra Parte”. Assim, a
Protocolo, mas sim pelo Acordo sobre o Inco- pelos Estados Parte na captação de água implementação de Medidas Planeadas, sen-
matí e Maputo, o qual descrevemos abaixo. dos cursos de água do Incomatí e do Maputo. do os Projectos de Referência, ou quaisquer
No que respeita à gestão dos cursos de água A definição do regime do caudal dos respecti- outras medidas programadas, que possa
partilhados, o Protocolo determina que os vos cursos de água teve, entre outros, os produzir um impacto transfronteiriço significa-
Estados Parte encetarão consultas sobre a seguintes critérios: tivo sobre o Incomatí ou Maputo não será
gestão de um curso de água partilhado, que −as características geográficas, hidrológicas, feita sem o cumprimento dos procedimentos
poderá incluir a criação de um mecanismo de climáticas de cada curso de água; estabelecidos no Protocolo, nomeadamente a
gestão conjunta. Consequentemente, o Pro- obrigação de troca de informação e realiza-
−a necessidade de assegurar um caudal de
tocolo prevê a possibilidade dos Estados ção de consultas mútuas, e a negociação
quantidade suficiente e com qualidade aceitá-
Parte poderem celebrar acordos para aplica- vel para manutenção dos cursos de água e sobre os possíveis efeitos da aplicação de
ção das disposições do mesmo às caracterís- determinadas medidas planeadas sobre um
dos ecossistemas associados; e
ticas e usos de um curso de água específico. Estado do curso de água.
−as infra-estruturas existentes com capacida-
Foi nesta sequência que Moçambique cele- A instituição responsável pela implementação
de de regularização do caudal.
brou com outros Estados os acordos supra do Acordo sobre o Incomatí e Maputo é o
referidos. Neste âmbito, foram determinadas as quanti- Comité Técnico Permanente Tripartido
dades de água a utilizar por cada um dos (TPTC).
No que refere ao quadro institucional para
Estados Parte, tendo sido dada prioridade ao
implementação do Protocolo, são indicadas Acordos sobre as Comissões do Limpopo
abastecimento de água para uso doméstico,
as seguintes instituições responsáveis: o e do Zambeze
agro-pecuária e industrial, assim como para
Comité dos Ministros das Águas; o Comité as necessidades ecológicas. Foram reconhe- O estabelecimento das Comissões do Limpo-
dos Altos funcionários das Águas; a Unidade po e do Zambeze surgiu no âmbito do expos-
cidas também as seguintes necessidades de
de Coordenação do Sector de Águas, o to no Protocolo, nomeadamente no que refe-
água, a curto e médio prazo, de cada um dos
Comité Técnico de Recursos Hídricos e Insti- Estados Parte: re à criação de um mecanismo de gestão
tuições de Cursos de Água Compartilhados. conjunta, e a celebração de acordos para
−importância estratégica para Moçambique do
Acordo sobre o Incomatí e Maputo aplicação das disposições daquele Protocolo
aumento do abastecimento de água à Cidade
Ao contrário dos restantes acordos, o presen- às características e usos de um curso de
de Maputo e sua área metropolitana, a partir
te Acordo foi celebrado por tempo determina- água específico.
de ambos os rios;
do, sendo válido até 2010, ou até que lhe Assim, a Comissão do Limpopo foi criada
−importância para Suazilândia do desenvolvi-
suceda um acordo abrangente sobre as mento do Projecto de Irrigação de Pequenos com o objectivo de aconselhar os Estados
águas do Incomatí e do Maputo. Os Estados Parte e providenciar recomendações quanto
Proprietários na bacia Usuthu, do Rio Mapu-
Parte deverão então celebrar o referido acor- aos usos do Limpopo, dos seus afluentes e
to; e
do abrangente, com fundamento em estudos das suas águas para propósitos e medidas
−Importância para a África do Sul do estabele-
sobre a utilização das águas, sobre o desen- de protecção, preservação e gestão do Lim-
volvimento dos recursos hídricos e a utiliza- cimento e desenvolvimento de agricultores popo. A Comissão do Zambeze foi criada
ção esperada dos mesmos, e sobre a conser- emergentes na bacia do Rio Incomati. com o objectivo de promover a utilização
vação dos cursos de água do Incomatí e do Como acima mencionamos, o Acordo sobre o equitativa e razoável dos recursos hídricos do
Maputo, respeitando o programa descrito no Incomatí e Maputo define o conceito de Medi- Zambeze, bem como a sua gestão eficiente e
Anexo V do presente Acordo. das Planeadas como sendo “qualquer activi- o seu desenvolvimento sustentável. Ambos
O objectivo do Acordo sobre o Incomatí e dade ou uma modificação fundamental de os Acordos determinam quais os órgãos
Maputo concentra-se na promoção da coope- uma actividade em curso, sujeita à decisão responsáveis das Comissões e quais as suas
ração entre os Estados Parte para assegurar de uma autoridade competente, de acordo funções e poderes.
a protecção e a utilização sustentável dos com os procedimentos nacionais aplicáveis”. A gestão destas bacias hidrográficas partilha-
recursos hídricos dos cursos de água do Neste contexto, o Anexo II do presente Acor- das será feita de acordo com os princípios
Incomatí e do Maputo. Os princípios gerais do descreve os projectos previamente identifi- gerais estabelecidos no Protocolo, nomeada-
descritos no Protocolo são também aplicáveis cados que cada um dos Estados Parte ten- mente os princípios do desenvolvimento sus-
ao presente Acordo. No que respeita ao prin- ciona implementar nos seus respectivos terri- tentável; o da prevenção de danos, da utiliza-
cípio da utilização sustentável, os Estados tórios até ao ano de 2010, ou no futuro (os ção equitativa e razoável e da avaliação de
Parte têm o direito, nos seus territórios, a Projectos de Referência”). impactos transfronteiriços. Isto implica que a
uma utilização óptima e sustentável e aos Na sequência do conceito de Medidas Pla- realização de qualquer actividade por parte
benefícios dos recursos do Incomatí e do neadas, e do princípio da prevenção, o Acor- dos Estados Parte sobre os cursos de água
Maputo, tendo em conta os interesses das do introduz o conceito de impacto transfron- do Limpopo e do Zambeze deverá ser prece-
outras Partes interessadas e a necessidade teiriço, definido como “qualquer efeito adver- dida pela aplicação dos procedimentos refe-
de uma protecção adequada dos cursos de so, causado por uma conduta humana, numa rentes às medidas planeadas.
água. área de jurisdição de uma Parte, resultante

A Dissolução Contratual à Luz do Direito Islâmico

O
presente artigo foi A Sharia estabelece o princípio da não disso- entendidas como sendo independentes umas
elaborado na sequên- lubilidade dos contratos pois um contrato das outras: o comprador de um bem está
cia da abordagem que representa um acordo que deverá ser cumpri- obrigado a pagar o preço do mesmo e o ven-
temos vindo a efectuar sobre do para que possam ser salvaguardadas a dedor encontra-se obrigado a entregar o bem
matérias jurídicas à luz do estabilidade das relações jurídicas e das objecto da venda e a transferir a sua proprie-
Aly Lalá - Jurista direito islâmico (Sharia), e relações comerciais, e ainda a boa-fé e a dade. No caso de incumprimento por qual-
alala@salconsult.com
pretende convidar o leitor a clareza jurídicas. O que se pretende com o quer uma das partes, a outra parte poderá
tomar conhecimento sobre o referido princípio é que os contratos não exigir o seu cumprimento, mas não poderá
modo como se opera a dissolução de contra- sejam dissolvidos por razões triviais preser- exigir a dissolução do contrato. Esta é a regra
tos no âmbito deste direito. vando-se, deste modo, a estabilidade dos geral. Existem, no entanto, excepções,
A dissolução contratual é designada por negócios e das transacções entre as pes- nomeadamente:
Inhilal Faskh e consiste na cessação de um soas, forçando-as a cumprir as obrigações I.Quando o objecto do contrato se torna ine-
contrato considerado válido antes que o mes- por si assumidas. xistente antes do cumprimento da obrigação;
mo expire ou antes do início da sua execu- Enquanto nos contratos unilaterais a dissolu- II.Quando em situação de incumprimento, a
ção. ção é inconcebível, nos contratos bilaterais parte queixosa tenha dado aviso prévio à
as obrigações de cada uma das partes são
(Continued on page 6)

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A Dissolução Contratual à Luz do Direito Islâmico - Continuação
(Continued from page 5) to. ção a terceiros. No caso de impossibilidade
Para se proceder à dissolução contratual é de retorno ao estado anterior à celebração do
parte faltosa, antes de requerer a dissolução; necessário que estejam verificadas as contrato, o juiz da causa poderá decretar que
III.Quando as partes assim tenham acordado, seguintes condições: seja paga uma compensação à parte que
havendo uma situação de incumprimento. I.O contrato deverá ser de natureza bilateral; tenha sofrido danos e, sempre que se venha
Esta modalidade exclui o recurso aos proce- II.A parte queixosa deverá possuir a capaci- a provar a impossibilidade de restituição, o
dimentos normais de dissolução contratual dade de cumprir ou já de ter cumprido a sua juiz da causa poderá decidir que sejam pagas
mas não exclui a obrigação de aviso prévio parte do contrato; compensações e indemnização por danos.
nem a declaração por via judicial da dissolu- III.O juiz da causa deverá sempre possuir a Entre nós, a lei estabelece que os contratos
ção; prerrogativa de conceder à parte faltosa um devem ser pontualmente cumpridos e só
IV.Por via da dissolução automática, ou seja, período de tempo determinado para que esta podem extinguir-se por mútuo consentimento
quando não tenha sido possível a uma das possa cumprir a sua obrigação contratual, dos contraentes ou nos casos legalmente
partes executar o contrato por um factor caso as circunstâncias assim o permitam. O admitidos. A Sharia vai ainda mais longe
alheio ao seu controle. Neste caso, o devedor juiz da causa poderá igualmente recusar-se a pois, independentemente do motivo subja-
da obrigação tem a responsabilidade de pro- declarar a dissolução do contrato caso consi- cente à dissolução, esta só é possível no
var a existência desse factor externo sob a dere que obrigação em falta não afecta signi- caso de contratos bilaterais e mediante inter-
pena de poder ser-lhe exigido o cumprimento ficativamente a relação contratual na íntegra. venção judicial, a qual nunca ocorre sem que
da sua obrigação ou o pagamento de indem- A dissolução contratual produz efeitos tenha havido aviso prévio à parte faltosa.
nizações ou compensações por incumprimen- retroactivos em relação às partes e em rela-

Crescimento do Sector Petrolífero vs Regime de Aquisição de Bens e Serviços

O
desenvolvimento – para concurso ou pré-qualificação – devem trativo à compra de substâncias explosivas,
verificado no sec- ser enviados a um número razoável de forne- desde a contratação de serviços de seguran-
tor dos recursos cedores potencialmente capazes de fornecer ça à contratação de serviços de alimentação.
petrolíferos e, bem assim, os bens e/ou prestar os serviços, (ii) as espe- Ou seja, partindo da legislação vigente, o
o actual estado da econo- cificações (iguais para todos os fornecedores) operador encontra-se sujeito à realização de
mia, conforme referido no e os prazos (razoáveis para a preparação dos um concurso para a compra de lápis e cane-
preâmbulo da Lei nº concorrentes) devem ser formulados por tas, assim como para a compra de uma plata-
3/2001, de 3 de Fevereiro forma a não excluir indevidamente fornecedo- forma petrolífera. Por outro lado, a interpreta-
Vânia Moreira - Jurista (Lei do Petróleo), teve res competitivos, (iii) uma lista dos concorren- ção da expressão “contratos principais” foi
vmoreira@salconsult.com como objectivo, entre tes pré-qualificados deve ser enviada ao deixada à descrição do operador que, por
outros, a atracção de Instituto Nacional de Petróleo (INP), e (iv) o livre iniciativa, cumprirá ou não os requisitos
investimento privado para a execução de INP deve ser informado das decisões do previstos no número 4 do artigo 38º, sujeito
operações petrolíferas na República de operador antes da adjudicação dos contratos. ao potencial veto do INP.
Moçambique. Adicionalmente, o crescente Acresce o direito do INP de solicitar ao opera- Conforme se pode aferir do acima exposto,
investimento no sector tem vindo a contribuir dor “que reconsidere a sua decisão sobre a para além das questões de ordem prática, o
para um incremento da aquisição de bens e adjudicação do contrato” caso conclua que regime vigente não regulamenta determina-
serviços. não foram cumpridos os procedimentos indi- das situações e as disposições legais exis-
Ao Estado compete criar um quadro legislati- cados. tentes não são claras. Assim, é, por exemplo,
vo e regulamentar adequado à aquisição de Perante o disposto no parágrafo anterior, imprescindível a existência de um quadro
bens e serviços, que respeite os princípios da refira-se que o diploma em análise não define legislativo que contemple o regime jurídico
legalidade, da imparcialidade, da transparên- “contratos principais”, não estabelecendo aplicável aos contratos em razão do valor
cia e da competitividade, bem como imple- uma distinção clara entre esses contratos, estimado dos bens e/ou serviços a adquirir,
mentar mecanismos que estimulem os inves- ditos “principais”, e os restantes contratos. isto é, a escolha, nos termos da lei, da moda-
tidores estrangeiros a adquirir bens e servi- Igualmente, não foram impostos procedimen- lidade de aquisição de bens e serviços
ços da indústria nacional, promovendo dessa tos em função de uma estimativa do valor dos (concurso limitado, ajuste directo ou outro), a
forma o crescimento da indústria existente, a bens e/ou serviços a adquirir ou estabeleci- ausência de aprovações e/ou notificações
criação de novas indústrias e, consequente- dos critérios de acordo com a natureza e a formais quando o montante dos bens e servi-
mente, o aumento de receitas e emprego. especificidade dos bens e serviços. Por ços a adquirir seja inferior a um montante
Nesse contexto, o artigo 38º do Decreto nº exemplo, existem bens e serviços que ape- determinado, a não aplicação de procedimen-
24/2004, de 20 de Agosto (Regulamento das nas podem ser fornecidos ou prestados por tos detalhados de adjudicação dos contratos,
Operações Petrolíferas) estabeleceu o proce- um único fornecedor ou prestador de servi- entre outros, por forma a que o operador
dimento de aquisição de bens e serviços para ços: (i) por motivos relacionados com a tec- possa criar autonomamente, sob estas instru-
a realização de operações petrolíferas nologia, patentes ou especialização do forne- ções e de acordo com as suas próprias exi-
mediante concurso, e ainda a “preferência cedor, (ii) por serem do mesmo padrão de gências, regulamentos internos sobre o pro-
aos produtos e serviços locais quando com- bens contratados anteriormente, garantindo cesso de aquisição de bens e serviços.
paráveis em termos de qualidade aos produ- compatibilidade e assistência técnica, (iii) Perante as insuficiências do regime jurídico
tos e serviços internacionais que estejam porque atentas as condições do mercado, estabelecido no Regulamento de Operações
disponíveis em tempo e nas quantidades apenas o fornecedor identificado se encontra Petrolíferas, limitado ao concurso e à ausên-
requeridas e o seu preço, incluindo impostos, em condições de os fornecer no local e na cia de procedimentos claros, urge criar condi-
não seja superior em mais de 10% aos pre- data definidos, (iv) atenta a sua especificida- ções para que o desenvolvimento da aquisi-
ços dos bens importados disponíveis.” de é recomendada a negociação com um ção de bens e serviços no sector dos recur-
único fornecedor, e (v) em situação de emer- sos petrolíferos seja uma realidade na Repú-
Note-se porém, que o ambiente legislativo
gência, à semelhança, aliás, do disposto no blica de Moçambique contribuindo, dessa
vigente apresenta algumas lacunas, sendo
artigo 104º do Decreto nº 54/2005, de 13 de forma, para a utilidade do regime jurídico
necessária a sua adaptação à evolução do
Setembro, o qual aprova o Regulamento de subjacente, para a competitividade das
mercado no contexto dos novos investimen-
Contratação de Empreitada de Obras Públi- empresas moçambicanas e para a abertura
tos na área petrolífera. Senão vejamos:
cas, Fornecimento de Bens e Prestação de de novas formas de cooperação entre empre-
Nos termos do número 1 do artigo 38º do Serviço ao Estado. sas.
Regulamento das Operações Petrolíferas,
Ora, no intuito de garantir o normal funciona- É importante clarificar o quadro jurídico da
regra geral, a aquisição de bens e serviços
mento das operações, os operadores petrolí- contratação e flexibilizar a resposta às trans-
deve ser efectuada por concurso. O número 4
feros necessitam de fazer aquisições de dife- formações do mercado, contribuindo dessa
do mesmo artigo estabelece os princípios aos
rentes tipos (obras, bens e serviços), desde a forma para uma redução da burocracia, dos
quais deve obedecer o referido concurso para
reabilitação de escritórios à construção de custos e das incertezas envolvidas nas
“contratos principais”, ou seja: (i) os convites
paióis, desde a compra de material adminis- aquisições de bens e serviços.

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Análise da Sustentabilidade da Dívida Pública Externa de Moçambique

E
m Moçambique, a dívida pública exter- Internacional de Desenvolvimento do Banco Mundial) e ao FAD
na começou a tornar-se preocupante (Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento), com vista ao cance-
na primeira metade da década de 80, lamento de 100% da dívida dos países que atingiram ou irão atingir o
altura em que o país foi afectado por uma
profunda crise decorrente dos seguintes facto- Gráfico 2 - Indicadores de Sustentabilidade da Dívida
res: endógenos (calamidades naturais e políti- Pública Externa Moçambicana (1996-2006)
cas económicas ineficientes) e exógenos
Sadya Makda - Economista
(dinâmica político-económica regional, Crise
smakda@salconsult.com de Petróleo dos anos 70, deterioração dos Limi-
termos de troca e aumento das taxas de juro Indicadores da te
internacionais). Dívida Pública 1996 1998 2000 2002 2004 2006
externa (em %) De
Face a esta situação, em que o país não mais conseguia cumprir
com o seu serviço da dívida sem comprometer o crescimento econó- Sust .
mico, Moçambique teve de aderir as Instituições de Bretton Woods VA da Dívida
em 1984 e adoptar o programa de reajustamento estrutural (PRE), externa/ Recei-
≤ 150
como condição não só para o fornecimento de novos créditos como tas das Expor-
também para que o país pudesse beneficiar dos mecanismos de tações 1.358% 549% 177% 92% 83% 30%
perdão ou reescalonamento da dívida. VA da Dívida
externa/ Recei- ≤ 250
Assim sendo, de 1984 - 1999, o país beneficiou de seis acordos de
reescalonamento e uma emenda com os países membros do Clube ta Fiscal Total 1070% 323% 146% 165% 194% 76%
de Paris. Dentre os pacotes de alívio da dívida que o país pôde-se Receita de
beneficiar, destacam-se a iniciativa HIPC e MDRI, tendo em conta Exportações/ ≤ 30
que estas não só incidem sobre o serviço como também sobre o PIB 7,7% 6,2% 10% 20% 26% 34%
stock da dívida.
Receita Fiscal ≤ 15
A iniciativa HIPC: esta foi promovida em 1996 pelas Instituições de Total / PIB 9,8% 11% 12% 11% 11% 13 %
Bretton Woods com o objectivo trazer o ónus da dívida para níveis
sustentáveis, de modo a assegurar que os esforços de ajustamento e Indicadores de carga de liquidez
de reforma de determinados países não fossem postos em risco pelo
elevado nível da dívida e seu serviço. Referir que Moçambique foi Serviço Total
seleccionado para esta iniciativa a 10 de Setembro de 1997 e que da dívida exter-
≤ 15
passando a ser denominada por HIPC I ou Termos de Lyon. Em na (STDE) /
1999, a iniciativa foi revista e reforçada no HIPC II ou Termos de receitas de
Colónia, tendo-se constatado que mesmo com os apoios na base do Exportações 58,1% 43% 5,0% 5,3% 3,8% 2.5%
pacote de alívio original, a dívida de muitos países, tal como Moçam-
bique, continuava insustentável. STDE/ receita ≤ 11
No âmbito desta iniciativa, o país beneficiou-se de um cancelamento Fiscal Total 45,8% 25% 4,1% 9,5% 8,9% 7,6%
na ordem de USD 4,3 biliões em termos nominais, sendo USD 3,7
referentes ao HIPC I e o remanescente ao HIPC II. Fonte: calculado com base nos dados do www.bancomoc.mz; Anuários esta-
tísticos (1995-2006); MPD em Coscione.S (2006: 51);
Há a frisar que no âmbito da iniciativa HIPC um quadro de indicado-
res de alto endividamento foi desenvolvido, segundo o qual, um país
ponto de conclusão no âmbito do HIPC reforçado, como forma de
seria considerado altamente endividado, quando o serviço da dívida e
ajudar os países a cumprirem gradualmente os objectivos de desen-
o valor actualizado (VA) da dívida externa fosse superior, respectiva-
volvimento do milénio. Referir que Moçambique foi eleito a mesma
mente, a 25% e 250% da receita das exportações, no âmbito da
em 21 de Dezembro de 2005. Como consequência, o stock da dívida
HIPC I, entretanto no HIPC II, os rácios de sustentabilidade da dívida
pública externa passou de USD 4,6 biliões em 2005, para cerca de
são alterados para 15% (serviço da dívida com relação ao total de
USD 3,3 biliões em 2006.
receitas de exportações) e 150%, (VA da dívida externa com relação
ao total de receitas de exportações), respectivamente, além do rácio
VA da dívida externa para as receitas fiscais ter reduzido de 280% Evolução: Estas incitativas, vêm justificar o crescimento médio anual
para 250%. (do stock da dívida externa) de -5% verificado no período de 1996-
2006.
A Iniciativa MDRI: Surgiu em Julho de 2005, na sequência da pro- Deve-se notar que em termos de reaparição do stock da dívida exter-
posta feita pelos G8 ao Fundo Monetário Internacional, IDA (Agência na por categorias de credores, cabe a dívida bilateral nos últimos
anos a maior proporção, apesar da maior parte da dívida bilateral ter
Gráfico 1 - Comportamento do Stock da dívida externa em sido contraída antes de 1984, já que a partir daquele ano, Moçambi-
Moçambique (1996-2006) que, começou a beneficiar de empréstimos do WB (sendo os da IDA,
os mais concessionais) e, de acordos de reescalonamento no âmbito
do Clube de Paris. Todavia, não obstante, os sucessivos alívios, o
250% 7,000 stock desta (da dívida bilateral) registou um acréscimo, fluxo justifica-
5,692
6,056 do significativamente pelos atrasados períodos que foram sendo
5,712 6,000 convertidos em novas dívidas, isto é, muitas das dívidas bilaterais
200%
5,480
4,941 tinham sido reescalonadas, no entanto, verifica-se que estas já come-
4,649 5,000
çam a vencer, e não havendo pagamento do seu serviço, vão se
milhões de USD

5,003
percentagem

3,939
150%
4,427 4,000 acumulando os juros.
3,606
No entanto, numa análise dinâmica, ao longo do período, a dívida
3,000
100% 3,330 com os organismos bilaterais tem crescido ao ano a taxas inferiores
2,000
relativamente ao crescimento da dívida verificado com as instituições
50%
multilaterais, pois a dívida multilateral apresenta frequentemente
1,000 tratamento preferencial na amortização dos empréstimos, oferece
condições mais acessíveis apresentando não só taxas de juro mais
0% 0
baixas como também períodos de graça e de pagamentos mais lon-
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
gos em comparação com a bilateral.
Anos
No que tange a repartição da divida bilateral, Moçambique apresenta
Stock Total da dívida externa/ PIB
Stock Nominal da Dívida pública externa (Continued on page 8)

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Análise da Sustentabilidade da Dívida Pública Externa de Moçambique - Continuação
(Continued from page 7)
Gráfico 3 - Análise Dinâmica da Dívida Pública Externa
maiores responsabilidades para com os países da OPEP, tendo em Moçambicana (1996-2006).
conta que Moçambique tem obtido muito pouco alívio da dívida dos
credores bilaterais não membros do Clube de Paris e no que
refere as negociações com Argélia, Líbia, Iraque (Países da
OPEP) estas, têm sido muito difíceis sendo que a Argélia e a
Líbia são responsáveis por cerca de metade de toda a dívida de
Moçambique no grupo dos países não membros do clube de
Paris.
Sustentabilidade: A Sustentabilidade da Dívida Pública Exter-
na é a “capacidade de um país cumprir com todas as responsa-
bilidades relativas ao seu serviço da dívida pública externa, de
longo e de curto prazo — sem pôr em causa os seus objectivos
de desenvolvimento económico e social. ”.[Raj Kumar citado por
Sylvestre e Navalha (2004: 10)]
Segundo as Instituições de Bretton Woods, estão disponíveis
dois critérios principais para os objectivos de determinação da
sustentabilidade da dívida de um país, nomeadamente: os crité- Fonte: Calculado com base nos dados do www.bancomoc.mz;
rios de exportação e o enquadramento fiscal. E, tanto num como Anuários estatísticos (1996-2006);
noutro critério, Moçambique se encontra abaixo do limite de
sustentabilidade.
para a iniciativa MDRI, que visa o cancelamento da dívida exter-
Entretanto, estes indicadores são considerados estáticos por- na com as instituições multilaterais, com vista a libertação de
que referem-se à situação da dívida num determinado período recursos adicionais para os sectores considerados prioritários
de tempo. Numa perspectiva dinâmica, a taxa de variação anual no âmbito da redução da pobreza.
do stock da dívida externa não só tem sido inferior a taxa de No entanto, Moçambique ainda tem vários desafios a enfrentar
crescimento das exportações como também do PIB nominal e nos próximos tempos, tendo em conta que alguns dos factores
em muitos dos anos, ela tem apresentado taxas de crescimento que causaram a “insustentabilidade” da dívida externa no pas-
negativas. Assim sendo, o nível de endividamento público exter- sado continuam patentes, tais como a vulnerabilidade a desas-
no tem aumentado numa proporção inferior ao aumento da tres naturais, subida nos preços de petróleo no mercado interna-
capacidade do país em fazer face ao serviço da dívida. No cional, factores estes exógenos à economia moçambicana e
entanto, é importante referir que a análise inclui as exportações consequentemente fora do controle das autoridades Governa-
da Mozal. mentais.
A justificação para tal, está ligada de um modo geral, aos vários Assim sendo, de modo que a dívida pública a médio e longo
mecanismos de alívio da dívida de que o país tem beneficiado, prazo se mantenha a níveis sustentáveis, devem ser tomadas
com destaque para a iniciativa HIPC em que o perdão da dívida diversas medidas, entre outros: (i) privilegiar a opção de finan-
pela primeira vez, passou a incidir sobre o stock da dívida, e ciamento através dos donativos e empréstimos concessionais;
(ii) Fazer uma avaliação e revisão do pacote de benefícios e
isenções fiscais; (iii) Aumentar a produção interna e as exporta-
ções que representa fonte primária de geração de divisas. Neste
“Em suma, a dívida pública externa âmbito o Estado deve servir como o impulsionador desse
moçambicana encontra-se a níveis aumento de actividade económica, estimulando a produção
interna e exportação através da criação de um bom ambiente de
sustentáveis, tendo em conta que obe- negócios, fornecimento de serviços complementares, com vista
a reduzir os custos de produção, aspectos esses atractivos a
dece aos critérios de sustentabilidade novos investimentos. No entanto referir, que isso não passa
das instituições de Bretton Woods e pela concessão por parte do Estado de benefícios fiscais
“exagerados”.
está a crescer a taxas inferiores relati-
vamente ao crescimento das receitas Este tema continuará a ser tratado na próxima edição da nossa
Newsletter. Caso necessite de assistência técnica em relação a
de exportação e do PIB.” estas e outras matérias de Gestão de Finanças Públicas
contacte: mbibi@salconsult.com.

Obrigações Declarativas e Contributivas - Calendário Fiscal 2008


Maio – Pagamento final do IRPC relativo aos 30 IVA entrega da declaração periódica do
10 INSS entre- rendimentos do ano anterior (art. 90 do IVA relativo ao mês anterior (Modelo A).
ga da folha de remu- CIRPC); 30 IRPC segunda pr estação do
nerações referente ao • Até ao final do mês Pagamento do Pagamento por Conta (Modelo 19).
mês anterior e o com- Imposto sobre Veículos. • Durante este mês e até ao fim de Maio -
provativo de depósito. • Até ao dia 10 – Entrega nas Direcções Pagamento final do IRPC relativo aos
Raimundo Nefulane -
Consultor Financeiro 20 IRPS entre- de Áreas Fiscais pelos Serviços Públi- rendimentos do ano anterior (art. 90 do
rnefulane@salconsult.com
ga do imposto retido cos das receitas por elas cobradas, no CIRPC);
no mês anterior (Modelo 19). (ART˚ 83 mês anterior. 30 IRPC Primeira prestação
do CIRPS); Junho do Pagamento Especial por Conta
20 IRPC entrega do imposto retido no mês 10 INSS entrega da folha de remunera- (Modelo 39).
anterior (Modelo 39). ções referente ao mês anterior e o • Até ao dia 10 – Entrega nas Direcções
31 IRPC entrega da 1ª prestação do Paga- comprovativo de depósito. de Áreas Fiscais pelos Serviços Públi-
mento por Conta (Modelo 39). 20 IRPS entrega do imposto retido no mês cos, das receitas por elas cobradas, no
IVA entrega da declaração periódica do IVA anterior (Modelo 19). mês anterior.
relativo ao mês anterior (Modelo A). 20 IRPC entrega do imposto retido no mês
• Durante este mês e até ao fim de Maio anterior (Modelo 39).

SAL & Caldeira Newsletter Page 8/8 Maio/Junho 2008

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