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13/08/2014

Bibliografia recomendada: Luis Régis Prado, tem disponível na íntegra no dropbox.

Ver textos no grupo. Texto do Masude (?), Ana Shideman (?), Cláudia Cruz Santos.

Colarinho Branco.

Crime cometido por pessoas “respeitáveis”, com elevado status social, no exercício da
profissão, com violação de confiança. Exemplos: homens de negócios e empresários;
profissionais técnicos como médicos e advogados; e políticos. Regra de confiança: aquela
profissão detém alguma regra que tutela algum risco inerente à profissão, baseada na
confiança, não há maior controle ou supervisão.

Crime de colarinho branco X crime econômico.

WHITE COLLARS BLUE COLLARS

COLARINHO BRANCO CRIMES ECONÔMICOS

WHITE COLLARS ZONA DE INTERSEÇÃO BLUE COLLARS – participam


da execução de algum crime
econômico mas não estão
em posição de comando.
Os Blue Collars não têm elevado status social, e têm maior vulnerabilidade.

Conceitos assemelhados:

a) Crime ocupacional: cometido no desempenho de uma função. Engloba situações que


não são nem econômicos e nem de colarinho branco, é mais abrangente que os dois.
b) Criminalidade da classe alta: classificação estritamente subjetiva. Categoria relevante
para testar se o sistema penal é democrático.
c) Crime de tinta: envolve, no modus operandi, uma manifestação de vontade externada
por um documento. Os crimes de colarinho branco quase sempre envolvem uma parte
documental e uma parte material.
d) Macrocriminalidade econômica: cometimento em escala, típica da atividade
econômica.

Duas características dos crimes de colarinho branco:

Alta danosidade: vítimas difusas. O crime é cometido em determinado espaço que concentra
algum tipo de poder que gera impacto na vida de muitas pessoas.

Impunidade: cifra obscura  fração de condutas que poderiam ser tidas como típicas e que
não são percebidas pelo sistema penal. Há um alto percentual de filtragem dentro do próprio
sistema.
Criminalização: processo por meio do qual se diz que uma pessoa e uma conduta são
criminosas. A criminalização primária é em nível abstrato – tipos penais. A secundária acontece
com a aplicação da pena, com a condenação. A terciária, com o cumprimento da pena.

Fatores de impunidade: complexidade do mundo organizacional e operacional; anonimato;


distanciamento entre autor e vítima; reação social débil por não haver um dano ostentivo (não
se aplica ao crime ambientla); imagem honorífica do autor; deficiente tipificação dos delitos;
defasagem das legislações penais; falta de estrutura especializada da administração da justiça
(quem mais conhece do assunto é o próprio réu); dificuldade da produção de provas.

20/08/2014

Texto do Tiedemann:

 Criminologia: crime do colarinho branco;


 Direito Administrativo Econômico: sancionamento administrativo, fiscalização (IBAMA,
CADE, etc.) que se comunicam com as agências penais.

Crime econômico: Foca a conduta.

Crime de colarinho branco: foca o agente.

Enfoques do direito penal econômico:

a) Direito penal do direito administrativo econômico: acoplado ao poder de polícia do


Estado, potencializa a defesa do d. adm.;
b) Proteção às transgressões dos bens coletivos transindividuais direito econômico;
c) Delitos patrimoniais clássicos quando as vítimas são coletivas;
d) Crimes especiais de profissões que intervêm na atividade econômica.

Conceito de direito penal econômico:

a) Sentido estrito: infrações à atividade interventora e reguladora do Estado na


economia.
b) Sentido amplo: delitos que violam bens supraindividuais econômicos relativos à
regulação jurídica da produção, distribuição do consumo de bens e serviços.

Luis Flávio Gomes: macrodelinquência econômica: delitos econômicos, financeiros,


previdenciários, corrupção política, ambientais.

Impactos da teoria do direito penal econômico no direito penal:

1. Tipos penais mais amplos:


a. Tipos abertos;
b. Norma penal em branco;
2. Abertura e flexibilização da teoria do delito;
3. Maior necessidade de especialização;
4. Criação de novos tipos (perigo abstrato, busca tutelar um perigo potencial,
antecipação da tutela penal);  incongruência com a ultima ratio e a
fragmentariedade do direito penal.

25/08/2014
Crimes que são tanto White quanto blue collars: lavagem de ativos, crimes financeiros,
corrupção.

O crime de lavagem exige ocultação ou dissimulação jurídica do dinheiro (a natureza, a origem


do dinheiro); não é ocultação do dinheiro físico, vivo. Na lavagem, muda-se a natureza do
dinheiro (de sujo para limpo).

Corrupção já é mais conceitual.

Combate à corrupção:

ENCCLA: estratégia nacional de combate à corrupção e à lavagem de ativos. É a articulação


entre vários órgãos que se encontram anualmente e definem metas e estratégias de combate
à corrupção.

Varas especializadas através do CJF (Conselho da Justiça Federal). As varas especializadas


julgam: crimes financeiros, lavagem e crime organizado.

27/08/2014

Tipos penais abertos

Ex.: art. 1°, II, da Lei 8137/90

Abuso do poder econômico

Abertura conceitual

Ex.2: Gestão temerária. Não há elementos intuitivos ou de fácil definição com conceitos
presentes na teoria geral do direito.

Tipos omissivos. Ex.: Lei 8018/90.

Crimes de perigo. Ex.: gestão fraudulenta e temerária. Não necessariamente a gestão deve
gerar a falência da instituição, não é exigido nem mesmo o prejuízo. O que se pune é o perigo
que advém dela. O crime pode ser de perigo concreto ou abstrato.

Crimes formais  nenhum resultado material. Ex.: art. 5º, inciso IV, da Lei 8.137..

Norma Penal em branco. Ex: art. 22, pu. Da Lei 7492/89.

CP:

 Art. 168-A e 337-A (previdência)


 Contra a Administração Pública
 359-A a 359-H (finanças públicas)
 Patrimoniais com vítimas coletivas
o Na prática do comércio e em sociedades

Lei dos crimes contra a economia popular; Lei 1521/51.

Lei 7492/86  Crimes financeiros.

8078/90 – crimes contra as relações de consumo

8137/90 – contra a ordem tributária; contra a ordem econômica e contra as relações de


consumo
8176/98 – meio ambiente

9613/98  lavagem de ativos

Lei 10303/2001 – contra o mercado de capitais

Início da criminalização secundária dos crimes contra a ordem econômica a partir de uma
atuação forte do Ministério Público.

01/09/2014

Lei 1521. A lei 8137 a alterou. Crimes contra a economia popular que têm vítimas coletivas.

Há condutas previstas nestas leis que se amoldariam ao estelionato e que têm como vítimas
maior número de pessoas. Por serem crimes mais específicos, devem ser aplicados, em vez de
se aplicar o crime de estelionato. Há, no entanto, grave incongruência porque esses crimes
têm penas menores.

Tipos penais previstos no art. 2º e 3º.

Os tipos previstos no art. 2º da Lei 1521 foram quase que totalmente derrogados por aqueles
previstos no art. 7° e incisos da 8137.

O inciso VIII, 2º, l.1521 continua em vigor para crimes menos sofisticados (ausência de dolo
específico de cartelizar).

Incisos IX, X e XI em vigor.

10/09/2014

Lei 7492/86 – crimes financeiros: não há crimes financeiros no CP. Os crimes financeiros
atentam contra o Sistema Financeiro Nacional. Instituição financeiras: captam e aplicam
recursos de terceiros. Algumas instituições só captam e outras só aplicam.

Art. 1º e incisos: definição das instituições financeiras (há crimes de mão própria e crimes
comuns, de forma que o inciso II é inócuo).

Art. 25: mão própria, competência da Justiça Federal.

Assistência: BACEN ou CVM.

Art. 31 sem valor porque hoje toda prisão preventiva ocorre por força do art. 312, do CPP.

Art. 30: entendimento do STF  não basta apenas a magnitude da lesão para justificar a prisão
preventiva por contrariar a presunção da inocência. Mas em crimes de sangue, só a magnitude
da prisão se justifica.

Outro requisito para prisão preventiva: gravidade concreta (hipótese jurisprudencial de


garantia da ordem pública). A gravidade concreta é a da conduta do indivíduo e se opõe à
gravidade abstrata (do tipo penal).

Art. 2º e 3º: crimes comuns. O art. 3º guarda relação com o art. 177, do CP, que, embora tenha
norma de subsidiariedade expressa, deve ser aplicado quando configurados os elementos do
tipo por conta do princípio da especialidade. O art. 3º é mais amplo e só se aplica ao SFN,
enquanto que o 177 se aplica tanto às condutas do SFN quanto àquelas que não são do SFN.
Ainda sobre o art. 3º: deve ser uma informação relevante e deter um potencial, ainda que
abstrato, de trazer prejuízo, se não, será um crime impossível.

Art. 4º: gestão fraudulenta. É crime próprio, sendo necessário o poder de gestão. Indica
habitualidade. Condutas previstas no crime de estelionato. Parágrafo único: gestão temerária
 conduta de desmedido risco.

A maior parte desses crimes não pode ser feita por omissão imprópria, por conta da forma
especial da prática do crime.

Na gestão temerária, deixar de avisar sobre determinado risco poderia ser uma forma
comissiva por omissão imprópria.

STJ: se o BACEN, a CVM ou o Conselhinho entenderem que não houve gestão temerária,
cumpre ao Judiciário reconhecer o mesmo.

Art. 5º: a apropriação deve ser de bem custodiado em razão de operações financeiras.

Art. 6º: sócio, investidor ou repartição pública (vítimas), não é um crime comum em absoluto.

Art. 11: crime de caixa 2. É delito especial próprio, requer habitualidade, não requer lesão
concreta.

Art. 16: não precisa ser instituição financeira legalizada.

17/09/2014

Lavagem de dinheiro: dissimular a origem do dinheiro.

Esconder simplesmente o dinheiro físico é lavagem? Não.

Três etapas da lavagem:

1) Colocação: numerário a ser lavado é colocado em algum negócio jurídico, mas não se
pode dispor dele ainda;
2) Dissimulação: alteração da natureza do dinheiro (emissão de notas frias, etc.);
3) Integração: não é tão clara no limite do tipo penal, integra-se o dinheiro ao patrimônio
do agente.

É necessário que se tenha a terceira etapa para que haja tipicidade material.

É possível a lavagem em uma hipótese que crime, mas de aparência de licitude, em que o
dinheiro vem da economia formal.

Dolo eventual na lavagem: essencialmente quanto ao crime antecedente. O agente sabia da


existência do crime antecedente?

22/09/2014

GAFI: órgão internacional de combate aos crimes financeiros.

UIFs: são unidades internas dos países de combate a esses crimes. O órgão brasileiro é o COAF.

O GAFI, até o 11/09, tinha um enfoque maior ao combate ao tráfico internacional de drogas.
Depois, o foco passou a ser o combate ao terrorismo.

Lei brasileira é de 98, e já pertence à segunda geração.


GERAÇÕES DE LEIS DE CRIMES DE LAVAGEM:

1ª Geração: o tráfico é o crime antecedente;

2ª Geração: rol de crimes antecedentes; só seria lavagem de dinheiro se o crime antecedente


estivesse listado no rol.

3ª Geração: qualquer infração penal (crime + contravenção). Deve ser um crime que gere
proveito ou produto que permita ser lavado. Principal contravenção que gera lavagem: jogo de
azar.

Paraíso fiscal: tributação + regras restritivas de sigilo bancário.

Empresas offshore: constituída para gerenciar algum fundo ou recurso.

Trust: instituto intermediário entre uma fundação e um mandato. Nele, pega-se um recurso X
para fundá-lo e nomeia-se alguém para administrá-lo (trustee). O fundo ganha personalidade
jurídica.

Tipicidade material: ofensa relevante ao bem jurídico.

Bem jurídico da lavagem:

1) Bem jurídico do crime antecedente;


2) A administração da justiça;
3) A ordem econômica. Quando se lava, há uma distorção na ordem econômica.

Deve haver intenção de ocultar ou dissimular, a mera intenção não configura crime. Sobre o
crime antecedente: deve haver um vínculo de origem com o crime, e ainda que esteja
exaurido, prevalece o crime de lavagem.

Não existe lavagem culposa, apenas a receptação culposa.

Classificação: dependendo da lavagem, será permanente (ex.: lavagem com posse de imóveis).

29/09/2014

L. 6385 – crimes contra o mercado de capitais

Dever de manter sigilo: 325, CP.

Lei dos crimes ambientais: 1.605.

Responsabilidade penal da PJ. A culpabilidade e a dosimetria são


diferentes (foge do conceito analítico de crime).

Art 6°  imposição da penalidade.

P/ PJ, pena: suspensão das atividades, multa restritiva de direitos, liquidação forçada (só no
caso de a empresa ter sido constituída para cometer crime ambiental), desconsideração da PJ,
prestação de serviços à comunidade.

06/10/2014

Investigação:

Nos crimes econômicos, há:


Pessoas (colhimento de testemunho, interrogatório do indiciado,
colaboração premiada, infiltração de agentes, proteção à testemunha);

Objetos;

Documentos e dados (públicos, privados, submetidos a algum


regime de sigilo);

Captação de sinais (óticos, acústicos; interceptação telefônica,


interceptação telemática, captação ambiental, captação em local público).

Dificuldade de crimes econômicos: são praticados de forma oculta inteligência, os documentos


não vão revelar a vontade real das pessoas.

A captação ambiental só pode ser deferida em caso de organização criminosa.

Exploração de local: entra na casa do investigado sem que ele saiba, e faz a captação
ambiental.

Denúncia anônima: informante.

A delação premiada só tem validade se estiver acompanhada de outros elementos de prova.

29/10/2014

Persecução de cartéis

10/11/2014

Dolo: vontade + conhecimento.

No dolo eventual, a vontade vira assentimento. Nos crimes econômicos, há um exercício de


limitar ao máximo a vontade, os atos de vontade acabam sendo externados entre quatro
paredes e permanecem fora do alcance da maior parte os mecanismos de investigação. Assim,
surgiram algumas teorias que buscam alcançar esse dolo.

Dolo e autoria se confundem em muitos casos. Nos crimes econômicos, para aferir a existência
de um autor mediato, pode não ser possível fazê-lo (isso é cometido entre quatro paredes).
Por conta disso, há teorias que tentam reduzir o dolo ao conhecimento somado ao
assentimento.

Em alguns casos, a lei confere a determinadas pessoas um dever jurídico de agir em relação à
ilegalidade  isso desloca o dolo para o conhecimento (altera a vontade).

Teoria da cegueira deliberada: o conhecimento pode ser substituído pela comprovação de que
o indivíduo “não quis saber” (criação de mecanismos, altera o conhecimento).

A soma desses dois aspectos cria um dolo presumido.

Razões que justificam um boom de legislações que combatem crimes econômicos do final da
década de 80 até o início dos anos 2000:

Pluralidade de centros de poder, maior proteção constitucional a bens jurídicos relacionados


ao direito econômico, maior pressão internacional para o combate ao terrorismo.

17/11/2014
Operação Caça-níqueis: ler o texto.

Questões importantes:

1. Flexibilização da interceptação telefônica


a. Houve mais de 10 mil horas de ligações. O tempo de interceptação foi muito
longo e abrangeu muitas pessoas, sendo que o STF já havia definido que não
poderia haver interceptação telefônica indefinida.
b. O STF não degravou todo o tempo de ligações e liberou todo o material para
os advogados. A operação vazou toda.
2. Flexibilização da inviolabilidade domiciliar/escritório de advocacia
a. Poderia haver a entrada em escritório de advocacia durante a noite porque
nesse período há menos intimidade.
3. Flexibilização da prova de recebimento da vantagem