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04/02/2009 - 21:00
Teóricos Jean Piaget, Vygotsky, Henri Wallon

Jean Piaget (1896 – 1980)

Jean Piaget nasceu nasceu em Neuchâtel, Suiça no dia 9 de agosto de 1896 e


faleceu em Genebra em 17 de setembro de 1980, com 83 anos. Estudou a
evolução do pensamento até a adolescência, procurando entender os
mecanismos mentais que o indivíduo utiliza para captar o mundo. Como
epistemólogo, investigou o processo de construção do conhecimento, sendo que
nos últimos anos de sua vida centrou seus estudos no pensamento lógico-
matemático.
Foi biólogo e psicólogo com enorme produção na área de Educação, professor de
Psicologia na Universidade de Genebra de 1929 a 1954, conhecido principalmente
por organizar o desenvolvimento cognitivo em uma série de estágios.
Desenvolveu trabalhos no Laboratório de Alfred Binet, em Paris, investigando o
desenvolvimento intelectual da criança a partir de testes elaborados por ele. É
este traballho que o motivou a desenvolver as suas pesquisas na área da
Psicologia do Desenvolvimento.
Com 27 anos, escreveu o seu primeiro livro de Psicologia: A Linguagem e o
Pensamento na Criança. Em 1925, ocupou o cargo de professor de Filosofia em
sua cidade natal. Na década de 50, fundou, congregando investigadores de vários
ramos do saber, o Centro Internacional de Epistemologia Genética da Faculdade
de Ciências da Universidade de Genebra, de onde saíram importantes obras de
Psicologia Cognitiva. Lecionou a disciplina de Psicologia da Criança, a partir de
1952, na Sorbonne, Paris. Durante esse período, cerca de onze anos,
desenvolveu trabalhos sobre a inteligência com o grupo de investigadores da
Escola de Binet e Simon, autores do primeiro teste de inteligência para crianças.
Piaget escreveu mais de 100 livros e artigos, alguns dos quais contaram com a
colaboração de Barbel Inhelder. Entre eles, destacam-se: Seis Estudos de
Psicologia; A construção do Real na Criança; A Epistemologia Genética; O
Desenvolvimento da Noção de Tempo na Criança; Da Lógica da Criança à Lógica
do Adolescente; A Equilibração das Estruturas Cognitivas.

SUA VIDA

Piaget foi um menino prodígio. Interessou-se por história natural ainda em sua
infância. Aos 11 anos de idade, publicou seu primeiro trabalho sobre a observação
de um pardal albino. Esse breve estudo é considerado o inicio de sua brilhante
carreira cientifica. Aos sábados, Piaget trabalhava gratuitamente no Museu de
História Natural. Piaget freqüentou a Universidade de Neuchâtel, onde estudou
biologia e filosofia. E recebeu seu doutorado em biologia em 1918, aos 22 anos de
idade. Após formar-se, Piaget foi para Zurich, onde trabalhou como psicólogo
experimental. Lá ele freqüentou aulas lecionadas por Jung e trabalhou como
psiquiatra em uma clinica. Essas experiências influenciaram-no em seu trabalho.
Ele passou a combinar a psicologia experimental – que é um estudo formal e
sistemático – com métodos informais de psicologia: entrevistas, conversas e
análises de pacientes.
Em 1919, Piaget mudou-se para a França onde foi convidado a trabalhar no
laboratório de Alfred Binet, um famoso psicólogo infantil que desenvolveu testes
de inteligência padronizados para crianças. Piaget notou que crianças
francesas da mesma faixa etária cometiam erros semelhantes nesses testes e
concluiu que o pensamento se desenvolve gradualmente. O ano de 1919 foi o
marco em sua vida. Piaget iniciou seus estudos experimentais sobre a mente
humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades
cognitivas. Seu conhecimento de biologia levou-o a enxergar o
desenvolvimento cognitivo de uma criança como sendo uma evolução gradativa.
Em 1921, Piaget voltou a Suíça e tornou-se diretor de estudos do Instituto J. J.
Rousseau da Universidade de Genebra.
Lá ele iniciou o maior trabalho de sua vida, ao observar crianças brincando e
registrar meticulosamente as palavras, ações e processos de raciocínio delas. Em
1923, Piaget casou-se com Valentine Châtenay com quem teve 3 filhos:
Jacqueline(1925), Lucienne(1927) e Laurent (1931). As teorias de Piaget foram,
em grande parte, baseadas em estudos e observações de seus filhos que ele
realizou ao lado de sua esposa. Enquanto prosseguia com suas pesquisas e
publicações de trabalhos, Piaget lecionou em diversas universidades européias.
Registros revelam que ele foi o único suíço a ser convidado a lecionar na
Universidade de Sorbonne (Paris, França), onde permaneceu de 1952 a 1963. Até
a data de seu falecimento, Piaget fundou e dirigiu o Centro Internacional para
Epistemologia Genética. Ao longo de sua brilhante carreira, Piaget escreveu mais
de 75 livros e centenas de trabalhos científicos.
Piaget, a partir da observação cuidadosa de seus próprios filhos e de muitas
outras crianças, concluiu que em muitas questões cruciais as crianças não
pensam como os adultos. Por ainda lhes faltarem certas habilidades, a maneira de
pensar é diferente, não somente em grau, como em classe.

TEORIA QUE DESENVOLVEU:

Epistemologia genética – epistemo= conhecimento e logia= estudo e genética do


ser humano
A teoria de Piaget do desenvolvimento cognitivo é uma teoria de etapas, uma
teoria que pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças
ordenadas e previsíveis.
A construção do conhecimento ocorre quando acontecem ações físicas ou
mentais sobre objetos que, provocando o desequilíbrio, resultam em assimilação
ou acomodação e assimilação dessas ações e, assim, em construção de
esquemas ou conhecimento. Isto é, uma vez que a criança não consegue
assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma acomodação e, após isso, uma
assimilação. Desta forma, o equilíbrio é, então, alcançado.
A forma de raciocinar e de aprender da criança passa por estágios. Por volta dos
dois anos, ela evolui do estágio sensório-motor – em que a ação envolve os
órgãos sensoriais e os reflexos neurológicos básicos, e o pensamento se dá
somente sobre as coisas presentes na ação que desenvolve – para o pré-
operatório. Uma nova progressão ocorre por volta dos sete anos, quando ela
passa para o estágio operacional-concreto e consegue refletir sobre o inverso das
coisas e dos fenômenos e, para concluir um raciocínio, leva em consideração as
relações entre os objetos. Por fim, por volta da adolescência, chega ao estágio
operacional-formal, em que pensa em coisas completamente abstratas, sem
necessitar da relação direta com o concreto.
Existem 2 aspectos principais nesta teoria:
1. O processo de conhecer e
2. Os estádios/ etapas pelos quais nós passamos à medida que adquirimos essa
habilidade.
O comportamento é controlado através de organizações mentais denominadas
“esquemas”, que o indivíduo utiliza para representar o mundo e para designar as
ações.
Essa adaptação é guiada por uma orientação biológica para obter o balanço entre
esses esquemas e o ambiente em que está. (equilibração). Assim, estabelecer um
desiquilíbrio é a motivação primária para alterar as estruturas mentais do
indivíduo.

CONCEITOS BASICOS

Desenvolvimento humano: série de mudanças ordenadas e previsíveis.


Interacionismo: Desenvolvimento -> relação do organismo e o meio.
Esta teoria valoriza igualmente o organismo e o meio

Assimilação
Acomodação
Equilibração
Desenvolvimento

COMO SE DÁ A APRENDIZAGEM? QUAIS SÃO OS PONTOS CHAVES PARA


QUE ELA OCORRA?

Piaget descreveu 2 processos utilizados pelo sujeito na sua tentativa de


adaptação:
• assimilação e acomodação.
A perspectiva de Piaget é frequentemente comparada com a de Lev Vygotsky
(1896-1934), que olhou mais para a interacção social como fonte primária da
cognição e do comportamento

Teoria de Piaget sobre o Desenvolvimento Cognitivo


Conceitos-chave
• Organização e adaptação
– Organização: à medida que aumenta a maturação da criança, elas organizam
padrões físicos ou esquemas mentais em sistemas mais complexos.
– Adaptação: capacidade de adaptar as suas estruturas mentais ou
comportamento para se adaptar às exigências do meio.
• Assimilação e acomodação
– Assimilação: moldar novas informações para encaixar nos esquemas existentes.
– Acomodação: mudança nos esquemas existentes pela alteração de antigas
formas de pensar ou agir.
• Processo desenvolvimental
– Equilibração: tendência para manter as estruturas cognitivas em equilíbrio.

CARACTERÍSTICAS DE CADA FASE:


• Estádio sensório-motor ( do nascimento aos 2/3 anos) – a criança desenvolve
um conjunto de “esquemas de ação” sobre o objeto, que lhe permitem construir
um conhecimento físico da realidade. Nesta etapa desenvolve o conceito de
permanência do objeto, constrói esquemas sensório-motores e é capaz de fazer
imitações, construindo representações mentais cada vez mais complexas
• Estádio pré-operatório (ou intuitivo) (dos 2/3 aos 6/7 anos) – a criança inicia a
construção da relação causa e efeito, bem como das simbolizações. É a chamada
idade dos porquês e do faz-de-conta.
•Estádio operatório-concreto (dos 6/7 aos 10/11 anos) – a criança começa a
construir conceitos, através de estruturas lógicas, consolida a conservação de
quantidade e constrói o conceito de número. Seu pensamento apesar de lógico,
ainda está preso aos conceitos concretos, não fazendo ainda abstrações.
• Estádio operatório-formal (dos 10/11 aos 15/16 anos) – fase em que o
adolescente constrói o pensamento abstrato, conceptual, conseguindo ter em
conta as hipóteses possíveis, os diferentes pontos de vista e sendo capaz de
pensar cientificamente.

VYGOTSKY (1896 – 1934)


“O processo de ensino-aprendizagem inclui sempre aquele que aprende, aquele
que ensina e a relação entre essas pessoas.”

FORMAÇÃO E ASPECTOS BIOGRÁFICOS:

Lev Semyonovitch Vigotsky nasceu na BIELO-RÚSSIA em 5 de novembro de


1896. Graduou-se em Direito pela Universidade de Moscou, dedicando-se,
posteriormente, à pesquisa literária. Entre 1917 e 1923 atuou como professor e
pesquisador no campo de Artes, Literatura e Psicologia.

A partir de 1924, em Moscou, aprofundou sua investigação no campo da


Psicologia, enveredando também para o da Educação de Deficientes. No período
de 1925 a 1934, desenvolveu, com outros cientistas, estudos nas áreas de
Psicologia e anormalidades físicas e mentais. Ao concluir outra formação, em
Medicina, foi convidado para dirigir o Departamento de Psicologia do Instituto
Soviética de Medicina Experimental. Faleceu em 11 de junho de 1934.
O contexto social vivido por Vigotsky e seus colaboradores, especialmente Luria e
Leontiev, influenciou decisivamente os seus estudos. Participando de um
momento conturbado da História, a Revolução Comunista, na Rússia, o foco de
suas preocupações foi o desenvolvimento do indivíduo e da espécie humana,
como resultado de um processo sócio-histórico. É interessante destacar que este
grupo utilizou, em suas pesquisas, uma abordagem interdisciplinar –
considerando-se as diferentes formações do próprio Vigotsky – o que para nós,
educadores, se reveste de grande importância, porque traz para o campo
educacional uma visão integrada de conhecimentos.

Para Vigotsky, as origens da vida consciente e do pensamento abstrato deveriam


ser procuradas na interação do organismo com as condições de vida social, e nas
formas histórico-sociais de vida da espécie humana e não, como muitos
acreditavam, no mundo espiritual e sensorial do homem. Deste modo, deve-se
procurar analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior dos indivíduos, a
partir da interação destes sujeitos com a realidade.

A origem das mudanças que ocorrem no homem, ao longo do seu


desenvolvimento, está, segundo seus princípios, na Sociedade, na Cultura e na
sua História.

TEORIA QUE DESENVOLVEU:

Teoria Histórico social.


Construiu sua teoria tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como
resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da
aprendizagem nesse desenvolvimento
Dedicou-se aos estudos das funções psicológicas superiores (processos mentais
superiores):
Mecanismo psicológicos mais complexos, típicos do ser humano;
Envolve o controle consciente do comportamento, ação intencional, a capacidade
de imaginar, de ver na ausência da coisa vista, de planejar.
Tais atividades são frutos das interações do meio físico e social.
Essas concepções fundamentam sua idéia de que as funções psicológicas
superiores (por exemplo, linguagem, memória, são construídas ao longo d história
social do homem, em sua relação com o mundo.

As funções psicológicas superiores (processos voluntários, ações conscientes,


mecanismos intencionais) dependem de processo de aprendizado. Esta se dá
através da interação ou cooperação social. A transmissão dessas funções passa
de um indivíduo para o outro por meio da interação social. Essa interação ocorre
através da mediação entre um sujeito e outro, denomina-se zona de
desenvolvimento proximal (Zona de desenvolvimento proximal ou zona de
desenvolvimento potencial)

Vygotsky abordou o desenvolvimento cognitivo por um processo de orientação.


Em vez de olhar para o final do processo de desenvolvimento, ele debruçou-se
sobre o processo em si e analisou a participação do sujeito nas atividades sociais.

Ele propôs que o desenvolvimento não precede a socialização. Ao invés, as


estruturas sociais e as relações sociais levam ao desenvolvimento das funções
mentais.
Ele acreditava que a aprendizagem na criança podia ocorrer através do jogo, da
brincadeira, da instrução formal ou do trabalho entre um aprendiz e um aprendiz
mais experiente.
O processo básico pelo qual isto ocorre é a mediação (a ligação entre duas
estruturas, uma social e uma pessoalmente construída, através de instrumentos
ou sinais). Quando os signos culturais vão sendo internalizados pelo sujeito é
quando os humanos adquirem a capacidade de uma ordem de pensamento mais
elevada.
Ao contrário da imagem de Piaget em que o indivíduo constrói a compreensão do
mundo, o conhecimento sozinho, Vygostky via o desenvolvimento cognitivo como
dependendo mais das interações com as pessoas e com os instrumentos do
mundo da criança.
Esses instrumentos são reais: canetas, papel, computadores; ou símbolos:
linguagem, sistemas matemáticos, signos.

CONCEITOS BASICOS

Um pressuposto básico de Vygotsky é a de que durante o curso do


desenvolvimento, tudo aparece duas vezes:
• 1º a criança entra em contacto com o ambiente social, o que ocorre ao nível
interpessoal.
• Depois a criança entra em contacto com ela própria, num nível intrapessoal.
Aspectos básicos para o desenvolvimento dos processos cognitivos:
- Mediação
- Linguagem
- Cultura
- Processo de internalização
- Função mental

Mediação
- Como sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos, mas
acesso mediado, através de recortes do real, operados pelos sistemas simbólicos
de que dispõe.
- Enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por várias
relações,
- O conhecimento não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a
realidade, Mas pela mediação feita por outros sujeitos = no construtivismo
- O outro social, pode apresentar-se por meio de objetos, da organização, do
ambiente, do mundo cultural que rodeia o indivíduo.

Linguagem
- Sistema simbólico dos grupos humanos
- Representa um salto qualitativo na evolução da espécie.
-Fornece os conceitos, as formas de organização do real, a mediação entre o
sujeito e o objeto do conhecimento.
- É por meio dela que as funções mentais superiores são socialmente formadas e
culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e culturas diferentes produzem
estruturas diferenciadas.
Cultura
- Fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade, ou
seja, o universo de significações que permite construir a interpretação do mundo
real.
- Ela dá o local de negociações no qual seus membros estão em constante
processo de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significações.
O processo de internalização

- A internalização envolve uma atividade externa que deve ser modificada para
tornar-se uma atividade interna
- É interpessoal e se torna intrapessoal
-Fundamental para o desenvolvimento do funcionamento psicológico humano

Função mental
- processos de: pensamento, memória, percepção e atenção.
- o pensamento tem origem na motivação, interesse, necessidade, impulso, afeto
e emoção.

COMO SE DÁ A APRENDIZAGEM? QUAIS SÃO OS PONTOS CHAVES PARA


QUE ELA OCORRA?

Aprendizagem é um aspecto necessário e universal do processo de


desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e
especificamente humanas.
Parte do desenvolvimento é definido pelo processo de maturação do organismo
(pertencente a espécie humana), mas é o aprendizado que possibilita o despertar
de processos internos de desenvolvimento que, não fosse o contato do indivíduo
com certo ambiente cultural, não ocorreriam.

CARACTERÍSTICAS DE CADA FASE:

Vygotsky, ao longo do desenvolvimento cognitivo a formação de conceitos passa


por três fases básicas: a primeira delas é o Sincretismo onde a criança não forma
classes entre os diferentes atributos dos objetos; ela apenas os agrupa de forma
desorganizada formando amontoados. Assim, uma criança que se encontra nesse
período, quando solicitada a formar grupos com diferentes objetos (plantas,
animais, objetos de cozinha etc.), poderá colocar juntos objetos que não possuem
relação entre si como por exemplo animais e objetos de cozinha. Nessa fase a
criança agrupará ao acaso ou por contiguidade no tempo ou no espaço; uma
segunda fase é o Pensamento por Complexos onde o agrupamento não é
formado por um pensamento lógico abstrato e sim por ligações concretas entre
seus componentes que podem ser os mais diferentes possíveis. Assim a criança
pode, por exemplo, agrupar por qualquer relação percebida entre os objetos, ou
por características complementares entre si. Num estágio mais evoluído dessa
mesma fase, a criança começa a se orientar por semelhanças concretas visíveis e
formar grupos de acordo com suas conexões perceptivas. Assim a criança nesse
estágio é capaz de agrupar os animais em um grupo e as plantas em outro. Esse
estágio é denominado de Pseudoconceito. Nele os resultados obtidos são
semelhantes aos obtidos no pensamento conceitual. No entanto, o processo
mental pelo qual são obtidos não é o mesmo que ocorre no pensamento
conceitual.
Os adolescentes não abandonam completamente as formas de pensamento mais
primitivas (sincréticas e por complexos). Seu uso diminui gradualmente e
começam a formar-se os verdadeiros conceitos

Henri Wallon (1879 – 1962)

“A afetividade refere-se à capacidade, à disposição do ser humano de ser afetado


pelo mundo externo/interno por sensações ligadas a tonalidades agradáveis e
desagradáveis.”

FORMAÇÃO E ASPECTOS BIOGRÁFICOS:

Wallon atuou como médico dedicando-se às crianças com deficiências


neurológicas e distúrbios de comportamento; estudou Filosofia e finalmente
encontrou na Psicologia seu campo de campo de maior interesse. Sua teoria é
intitulada: Psicogênese da pessoa completa e este nome se deve aos inúmeros
campos de conhecimentos os quais Wallon integra ao universo infantil, entre eles
pode-se destacara: Patologia, Neurologia e Antropologia.
Reside aqui a diferença entre a teoria de Wallon e a teoria de Piaget, já que este
pretendia realizar a psicogênese da inteligência. A teoria Walloniana aproxima-se
mais da teoria de Vygotski, ambos vêem no meio externo o fator chave pra o
desenvolvimento infantil.
Nasceu em 15 de junho de 1879. Tornou-se conhecido por seu trabalho científico
sobre Psicologiado Desenvolvimento e por sua atuação política e posicionamento
marxista. Devotado principalmente à infância, assume uma postura notadamente
interacionista.
Em 1902, com 23 anos, formou-se em filosofia pela Escola Normal Superior,
cursou também medicina, formando-se em 1908. Em 1914 atuou como médico do
exército francês, permanecendo vários meses no front de combate. O contato com
lesões cerebrais de ex-combatentes fez com que revisse posições neurológicas
que havia desenvolvido no trabalho com crianças deficientes. Até 1931 atuou
como médico de instituições psiquiátricas. Paralelamente à atuação de médico e
psiquiatra consolida-se seu interesse pela psicologia da criança. Em 1948 cria a
revista ‘Enfance”. Neste periódico, que ainda hoje tenta seguir a linha editorial
inicial, as publicações servem como instrumento de pesquisa para os
pesquisadores em psicologia e fonte de informação para os educadores. Faleceu
em 1962.

TEORIA QUE DESENVOLVEU:

A gênese da inteligência para Wallon é genética e organicamente social, ou seja,


“o ser humano é organicamente social e sua estrutura orgânica supõe a
intervenção da cultura para se atualizar” (Dantas, 1992). Nesse sentido, a teoria
do desenvolvimento cognitivo de Wallon é centrada na psicogênese da pessoa
completa.

A criança, para Wallon, é essencialmente emocional e gradualmente vai


constituindo-se em um ser sócio-cognitivo. O autor estudou a criança
contextualizada, como uma realidade viva e total no conjunto de seus
comportamentos, suas condições de existência.
Antes do surgimento da linguagem falada, as crianças comunicam-se e
constituem-se como sujeitos com significado, através da ação e interpretação do
meio entre humanos, construindo suas próprias emoções, que é seu primeiro
sistema de comunicação expressiva. Estes processos comunicativos-expressivos
acontecem em trocas sociais como a imitação. Imitando, a criança desdobra,
lentamente, a nova capacidade que está a construir (pela participação do outro ela
se diferenciará dos outros) formando sua subjetividade. Pela imitação, a criança
expressa seus desejos de participar e se diferenciar dos outros constituindo-se em
sujeito próprio.
A passagem dos estágios de desenvolvimento não se dá linearmente, por
ampliação, mas por reformulação, instalando-se no momento da passagem de
uma etapa a outra, crises que afetam a conduta da criança.
Psicogenética, essencialmente sociocultural e relativista, com forte lastro orgânico,
a teoria de Wallon considera o desenvolvimento da pessoa completa integrada ao
meio em que está imersa, com os seus aspectos afetivo, cognitivo e motor
também integrados.
A Teoria das Emoções é de grande importância na obra de Wallon. Segundo o
autor, a emoção é a exteriorização da afetividade, um fato fisiológico nos seus
componentes humorais e motores e, ao mesmo tempo, um comportamento social
na sua função de adaptação do ser humano ao seu meio
Henri Wallon reconstruiu o seu modelo de análise ao pensar no desenvolvimento
humano, estudando-o a partir do desenvolvimento psíquico da criança.
O desenvolvimento da criança aparece descontínuo, marcado por contradições e
conflitos, resultado da maturação e das condições ambientais, provocando
alterações qualitativas no seu comportamento em geral
A obra de Henri Wallon é perpassada pela idéia de que o processo de
aprendizagem é dialético: não é adequado postular verdades absolutas, mas, sim,
revitalizar direções e possibilidades.
Uma das consequências desta postura é a crítica às concepções reducionistas:
Wallon propõe o estudo da pessoa completa, tanto em relação a seu caráter
cognitivo quanto ao caráter afetivo e motor. Para Wallon, a cognição é importante,
mas não mais importante que a afetividade ou a motricidade

CONCEITOS BASICOS

Dois importantes conceitos na obra de Wallon são emoção e afetividade.


Emoções, para Wallon, são fenômenos psico-fisiológicos oriundos do sistema
nervoso central caracterizados pela reação postural de exteriorização da
afetividade.
A afetividade, por sua vez, seria o conjunto de processos psíquicos exteriorizados
através das emoções.
Em outras palavras, enquanto emoções seriam processos internos, a afetividade
seria o estado psicológico que viabiliza a comunicação das emoções.

COMO SE DÁ A APRENDIZAGEM? QUAIS SÃO OS PONTOS CHAVES PARA


QUE ELA OCORRA?

Processo de aprendizagem é dialético: não é adequado postular verdades


absolutas, mas, sim, revitalizar direções e possibilidades.
Wallon propõe o estudo da pessoa completa, tanto em relação a seu caráter
cognitivo quanto ao caráter afetivo e motor. Para Wallon, a cognição é importante,
mas não mais importante que a afetividade ou a motricidade.

CARACTERÍSTICAS DE CADA FASE:

Galvão (1995) utiliza a seguinte terminologia acerca das etapas do


Desenvolvimento Humano segundo Wallon:
1) Impulsivo-emocional;
2) Sensório-motor e projetivo;
3) Personalismo;
4) Categorial;
5) Predominância funcional

Impulsivo-emocional, que ocorre no primeiro ano de vida. A predominância da


afetividade orienta as primeiras reações do bebê às pessoas, às quais
intermedeiam sua relação com o mundo físico;
Sensório-motor e projetivo, que vai até os três anos.
A aquisição da marcha e da apreensão, dão à criança maior autonomia na
manipulação de objetos e na exploração dos espaços.
Também, nesse estágio, ocorre o desenvolvimento da função simbólica e da
linguagem.
O termo projetivo refere-se ao fato da ação do pensamento precisar dos gestos
para se exteriorizar.
O ato mental “projeta-se” em atos motores. Como diz Dantas (1992), para Wallon,
o ato mental se desenvolve a partir do ato motor;
Personalismo, ocorre dos três aos seis anos. Nesse estágio desenvolve-se a
construção da consciência de si mediante as interações sociais, reorientando o
interesse das crianças pelas pessoas ;
Categorial. Os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para as
coisas, para o conhecimento e conquista do mundo exterior;
Predominância funcional. Ocorre nova definição dos contornos da personalidade,
desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal.
Questões pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.

O ESTÁGIO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO EM WALLON

Estágio Sensório-Motor: até aos 02 anos de idade; período de Inteligência Prática.


Dos 02 aos 05 anos de idade: Período Síncrético . Aqui a fala/linguagem é um fato
real; iniciam-se os diálogos e as funções projetivas; mistura os conceitos.
Dos 2 aos 5 anos: Período Sincrético. Aqui fala/ linguagem é um fato real; iniciam-
se os diálogos e as funções projetivas; mistura os conceitos.
Dos 05 aos 09 anos de idade, aproximadamente: Período do Pensamento
Categorial.
Dos 09/10 anos de idade em diante: Período do Pensamento Conceitual

Trabalho realizado no curso de pós em psicopedagogia em 2008


Alessandra Lucchetti

Fonte Sites pesquisados: http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao…


Autor: adelue@superig.com.br - Categoria(s): Sem categoria