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FACULDADES UNIDAS DO VALE DO ARAGUAIA

PERSPECTIVAS DE APRENDIZAGEM POR MEIO DA


AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

LUCIENE ALVES DE SOUSA


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Barra do Garças, outubro de 2010.

FACULDADES UNIDAS DO VALE DO ARAGUAIA

PERSPECTIVAS DE APRENDIZAGEM POR MEIO DA


AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

LUCIENE ALVES DE SOUSA


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Trabalho apresentado pela acadêmica Luciene Alves


de Sousa das Faculdades Unidas do Vale do
Araguaia como requisito de aprovação parcial para
obtenção do título de Graduada- Licenciada em
Pedagogia, sob orientação metodológica da
Professora Mestranda Josiani Alves Moreira e
orientação conteudística da Professora Mestra Tânia
Mara Souza Moura.

Barra do Garças,-MT, outubro de 2010.

FACULDADES UNIDAS DO VALE DO ARAGUAIA

PERSPECTIVAS DE APRENDIZAGEM POR MEIO DA


AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

LUCIENE ALVES DE SOUSA

MEMBROS DA BANCA EXAMINADORA

Professora Mestra Tânia Mara Souza Moura.


Orientadora

_____________________________

Professora Mestre Tânia Mara Souza Moura


Coordenadora do Curso de Pedagogia
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_________________________

Professora Josiani Alves Moreira.


Orientadora Geral do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

_____________________________

Julgado em: ____ / ____ / _______


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Dedico este trabalho a Deus, que colocou em minha


vida acadêmica pessoas significativas, que
transformaram as difíceis situações em desafios para
serem superados com determinação e aprendizado.
Fazendo com que a verdadeira amizade demonstrada
seja de fato o diferencial na relação interpessoal.

AGRADECIMENTOS

AOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO:

Pelo trabalho de lapidação do ser humano que é árduo e exige dedicação, abnegação e
experiência.
Agradeço aqueles que compartilham e compartilharam comigo seus conhecimentos e
me auxiliou na busca da realização plena de minhas idéias profissionais e humanas.
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A escola dos sonhos dos sonhadores, da poesia dos


poetas, da maternidade, da luta dos lutadores começa
com a crença de que, em se falando de vida – e
como educação é vida -, a solução está no afeto.

(Gabriel Chalita)

RESUMO

O trabalho tem como objetivo abordar a formação da auto-estima do educando, sendo visto por alguns
profissionais da educação como procedimento em busca de bons resultados escolares e conseqüentemente na
vida de cada educando futuramente. São apontadas estratégicas utilizadas nas escolas, na companhia do
educador como: atitudes, que confia nas viáveis resoluções de problemas educacionais. Em outro momento,
sugestões para a relação do sujeito da prática educacional com o educando, contribuindo para o aprendizado e
para a conquista da auto-estima, por meio do relacionamento afetivo pautado em respeito, autonomia e
compreensão recíproco. Nesta pesquisa bibliográfica, reflete sobre a afetividade com um fator indispensável no
relacionamento entre educador e educando, desenvolvendo e analisando sobre a interligação entre a
aprendizagem e a afetividade, analisando as ações pedagógicas favorecendo a afetividade no trabalho e nas
dificuldades do educador, diante da postura como educado e educando. Por meio da pesquisa, observa-se que a
afetividade e a educação é um desafio à aprendizagem significativa consistente a vida futuramente, envolvendo
assim educando, educador, família e sociedade. Neste sentido, a afetividade perpassa o funcionamento
psíquico, assumindo papel organizativo nas ações e reações.

PALAVRAS-CHAVE: Afetividade, Aprendizagem, Educador e Educando.


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ABSTRACT

The work aims to discuss the formation of self-esteem of educating, being seen by some as education
professionals in search of good school results and consequently in the lives of each student in the future.
Strategic used are pointed in schools, in the company of the educator as: attitudes, which relies on feasible
resolutions of educational problems. In another moment, suggestions for the relationship of the subject of
educational practice with educating, learning and contributing to the conquest of self-esteem through affective
relationship based on respect, autonomy and mutual understanding. This bibliographic search, reflects on the
affection with an indispensable factor in the relationship between teacher and learner, developing and analyzing
on linking learning and affection, analyzing the pedagogical actions favoring affection at work and the
difficulties of educator, forward posture as polite and educating. Through research, affection and education is a
significant challenge to learning consistent future life, involving just educating, educator, family and society. In
this sense, the affection permeates the psychic functioning, assuming organizational role in actions and reactions.

KEYWORDS: Affection, Educator, Student and Learning.


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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 09

CAPÍTULO- I .................................................................................................................... 11
1. HISTÓRIAS DA QUALIDADE DE EDUCAÇÃO NO BRASIL ............................. 11
1.1 QUAIS AS IMPORTÂNCIAS DE INTEGRAR A AFETIVIDADE E A AUTO-
ESTIMA À PRÁTICA PEDAGÓGICA? ..................................................................... 12
1.2 APRENDIZAGENS POR AUTO-ESTIMA............................................................ 14
1.3 O VALOR DO SER HUMANO.............................................................................. 15
1.4 A ESCOLA NA FORMAÇÃO DO AUTO-CONCEITO....................................... 17

CAPÍTULO – II................................................................................................................ 21
2. AÇÕES PEDAGÓGICAS E AFETIVIDADE NO PROCESSO DE ENSINO E
APRENDIZAGEM ........................................................................................................... 21
2.1. RECIPROCABILIDADE INFANTIL E ADULTA.............................................. 22
2.2. PROCESSOS DE APRENDIZAGEM DE FORMA AFETIVA............................ 24
2.3. VYGOTSKY: AFETIVIDADE NO PROCESSO DE FORMAÇÃO
COGNITIVO................................................................................................................. 26
2.4. TEORIAS DA EMOÇÃO DE WALLON.............................................................. 27
2.5. MOTIVAÇÕES DESENROLAR DA PRÁTICA PEDAGÓGICA....................... 28
2.6. COTIDIANO ESCOLAR / AFETO....................................................................... 29
2.7. MOTIVOS PARA O FRACASSO ESCOLAR...................................................... 30

CAPÍTULO – III................................................................................................................ 33
3. RELAÇÕES PROFESSOR/ALUNO: PERSPECTIVAS E IMPASSES................. 33
3.1. FAMÍLIA E ESCOLA: IMPASSES E PERSPECTIVAS...................................... 34
3.2. CAUSAS DA INDISCIPLINADA E DA AGRESSIVIDADE.............................. 35
10

3.3. ESCOLA E FAMÍLIA COMO EVIDÊNCIAS NA AGRESSIVIDADE E


INDISCIPLINA............................................................................................................. 36
3.4. AÇÕES DOCENTES FRENTE AO EDUCANDO INDISCIPLINADO.............. 37

CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................... 39

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................41

INTRODUÇÃO

A afetividade no ambiente escolar contribui no processo ensino-aprendizagem, onde


ocorre uma relação de troca recíproca de conhecimentos. A afetividade vai além de trocas de
carinhos ou afetos, é saber ouvi-las, valorizando-as e acreditando-as. Sem afeto, não haveria
interesse, sem motivação é inevitável na construção da inteligência.
A criança traz consigo toda carga afetiva de sua família para o ambiente escolar, onde
reflete seu comportamento, cabendo ao educador saber acolher e da compreensão para que
essa criança possa está desenvolvendo suas potencialidades.
O afeto e a compreensão são indispensáveis para a construção e o sucesso da
aprendizagem do educando tornando-o indivíduo social e preparado para a vida.
Este trabalho está organizado em três capítulos.
No primeiro capítulo da pesquisa apresenta a história da qualidade da educação no
Brasil, onde relata que a educação e o ensino traduzem preocupações pedagógicas, como
tratar de um ensino qualificado trabalhando a auto-estima do educando com afeto, o valor do
ser humano.
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No segundo capítulo, ressalta as ações pedagógicas da afetividade para o crescimento


do processo ensino-aprendizagem, a interação de ambos, em busca de novas maneiras de bons
filhos e bons profissionais, diante de uma sociedade exigente, preocupada com o fracasso
tanto da criança quanto da família.
E por último, o terceiro capítulo, apresenta a relação do educador com o educando,
tentando torná-los pessoas disciplinadas, amadas e principalmente bem sucedidas,
independentemente dos obstáculos que terão que passar, enfrentando o mundo moderno.

Como relata Dell Agri e Breneli (2006).

A ação, seja ela qual for, necessita de instrumentos fornecidos pela


inteligência para alcançar um objetivo, uma meta, mas é necessário, o
desejo, ou seja, algo que mobilize o sujeito em direção a este objetivo e isso
correspondem à afetividade.
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CAPÍTULO - I

1. HISTÓRIA DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

As questões sobre educação e ensino, que traduzem preocupações


pedagógicas de melhor atender a nossa situação, meio, regiões, refletem,
entretanto, que falta ainda conhecimento fundamentado, objetivo de nossa
realidade, por quanto em lugar de encontramos em processo de
solucionamento, isto é, encaminhamento e sucessão, orgânica, unitária,
assumindo o que já somos e aplicando o que é devido a nossa situação, o que
vimos são soluções transplantadas de outros países, valiosas, porém,
enquanto suscitaram experiências que comprovaram que não tínhamos
teoria, nem política educacional defendida. (MIRANDA, 1975 P. 14,).
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Diante da qualidade de educação, surge o desejo do povo, pelo nosso próprio modelo,
baseado em nossas particularidades, em que este possa trazer bons resultados, e é isto o que
desafia os estudiosos que buscam, de fato, a chamada educação de qualidade para o Brasil.
Esta tarefa não se resume somente a escola, mas a sociedade como um todo, pois o
investimento na educação traz frutos que proporcionam retornos positivos para o exercício da
cidadania.

Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do
amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama. É abraçar, se
entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo. É desenvolver a arte de pensar e
proteger a emoção. Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a
própria existência e desvendar seus mistérios. ( CURY, 2003, p.38).

Um país para se desenvolver precisa de uma educação de qualidade como um dos


principais pontos de partida, fato esse considerado distante da realidade. Apesar disso, o
Governo Federal, com o objetivo de melhorar a educação no Brasil, criou o PDE (Plano de
Desenvolvimento da Educação), na década de 1988, a educação para todos, visto que
apresentam uma relação íntima, envolvendo um trabalho em conjunto, no qual pais,
educando, educadores, e gestores visem o sucesso e a permanência do educando na escola. A
própria LDB-9396/96 (Leis de Diretrizes e Base), sancionada pelo presidente Fernando
Henrique Cardoso juntamente com o Ministério da Educação, Paulo Renato, em 1996, foi
baseada no princípio do direito universal que rege a educação para todos, bem como uma
série de mudanças voltadas para a garantia da educação básica, valorizando a democracia, o
respeito, a pluralidade cultural e a formação do cidadão, dando mais vida e significado para os
sujeitos da aprendizagem. O PDE surgiu com várias intenções, uma delas foi à inclusão das
metas de qualidade para a educação básica, fazendo parte, no sentido de contribuir para as
escolas e secretaria de educação se organizem no atendimento aos educando e,
conseqüentemente, criem uma base sobre a qual as famílias possam se apoiar para exigir uma
educação melhor. O plano ainda prevê acompanhamento e assessoria aos municípios com
baixos indicadores de ensino, em busca de melhorar a educação no país. Vale ressaltar que a
evolução da educação requer a participação intensiva da sociedade e um plano de
desenvolvimento que deve ser mais que um projeto voltado para o nível de governo federal,
mas sim, de todos os cidadãos que fazem parte desta sociedade.
Para Cury (2005) “O maior líder é aquele que reconhece sua pequenez, extrai força de
sua humildade e experiência da sua fragilidade”.
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1.1 QUAIS AS IMPORTÂNCIAS DE INTEGRAR A AFETIVIDADE E A AUTO-ESTIMA


À PRÁTICA PEDAGÓGICA

Ferreira (2000, p. 56) relata que:

Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de


emoções, sentimentos e paixões, acompanhamentos sempre da impressão de
dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de
alegria ou tristeza”. Aos longos dos anos parece que a as discussões do
sujeito da prática educacional continua sempre a mesma “porque os
educando não querem mais aprender? O sistema de avaliação não está bom?
A qualidade profissional dos educadores ainda permanece insuficiente? Que
conteúdos devemos ensinar? O nível dos alunos baixou?

No que parece, esquecemos na escola de um momento para conhecer as pessoas que


ela tem: quem são seus alunos? De onde vêm? Em que trabalham? Quem são seus pais? Que
infância tem ou tiveram? Por que e para que estudam? Quais seus nomes? Seus endereços?
Seus passatempos? Reconheço que, na verdade, o tempo que temos não é tão disponível para
responder a essas perguntas sobre cada uma das centenas de alunos que temos.
Acreditamos, porém, que o educador não está pensando nesse “detalhes” quando
prepara o seu plano de aula. E isso precisa ser debatido e refletido. A relação afetiva
educador-educando reflete bons resultados na aprendizagem, pois o educando vê em seu
educador, um amigo, um companheiro, um colaborador, evita causar-lhe desgostos, quer ser
como ele, o tem como alguém da família e, assim, adota, quase que inconscientemente, uma
conduta de respeito, cooperação e atenção nas suas aulas, frutificando uma assimilação mais
rápida e consistente do conteúdo por ele dado. Com isso queremos dizer que, falta ao
educando um clima de camaradagem na escola, uma elevação do grau de afetividade entre
ambos, também o sujeito do processo ensino-aprendizagem, para um resultado positivo e
animador do trabalho que o profissional da área da educação realiza e que a escola oferece.
Não podemos, no entanto, desprezar os primeiros anos de vida da criança que são a base para
um desenvolvimento saudável de sua personalidade, observando sobre tudo a relação que a
criança tem com sua família, poderá entender a construção de um adulto com afetividade bem
ou mal construída, menos ainda, podemos depreciar os fatores sociais, culturais, religiosos,
genéticos e neurológicos que podem interferir significativamente na aprendizagem.
A educação no Brasil enfrenta crises: técnicas, teorias, metodologias, programas são
frequentemente implantados sem muitos resultados aparentes. A reprovação ainda é grande, a
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evasão é realidade, o vestibular ainda é o “bicho-papão”, os desempregos ainda existiram, as


multinacionais ainda estão aqui, e cada vez mais fortes. Os educando concluem os níveis de
ensino sem bagagem esperada e, diante dessa problemática, que não é só escolar, mas
cultural, social e depende do tempo em que se vive. A importância do desenvolvimento de um
bom relacionamento afetivo entre ambos, relevando o perfil profissional dos educadores,
averiguando o grau de conhecimento desses profissionais sobre as teorias que valorizam a
afetividade aliada à educação, buscando identificar as dificuldades encontradas pelos
professores no seu trabalho e, ao mesmo tempo, levando informações sobre a importância de
uma educação emocional oferecida à criança tanto pela família quanto pela escola,
valorizando o trabalho docente desenvolvido pelos profissionais da educação, evidenciando a
importância de uma equipe pedagógica, mais interdisciplinar nas escolas que valorize o
psicopedagogo, chamando a atenção dos pais, principalmente mães, para a sua
responsabilidade emocional, racional, cultural e cognitiva saudável de seus filhos.
Relata John Gottman “Ter inteligência emocional significa perceber os sentimentos
dos filhos e ser capaz de compreendê-los, tranqüiliza-los e guia-los.”
A inteligência é algo que mobiliza o sujeito para que tenha uma direção, para que
possa alcançar seu a objetivos, acreditar em uma educação com relevância social e, logo, em
uma escola construída a partir de respeito, compreensão e autonomia de idéias. Uma vez que
se pretende formar cidadãos honestos responsáveis, a formação da auto-estima é fundamental
para qualquer indivíduo. Portanto, é de importância fundamental abordar que ação pedagógica
deve nortear a relação afetiva que influenciará diretamente na auto-estima do educando, tendo
em vista diferenças individuais e comportamentais inerentes ao ser humano.
Tiba (1999) pressupõe-se que a auto-estima “É o sentimento que faz com que a pessoa
goste de si mesma. Aprecie o que faz e aprove suas atitudes. Trata-se de um dos mais
importantes ingredientes do nosso comportamento”.
No tema relatado no projeto a afetividade e a auto-estima é um grande desafio para o
educador que geralmente tem em sua formação profissional, orientações voltadas, muitas
vezes, para conceitos cognitivos ou convivência com pessoas “competentes”, desconsiderando
desta forma, os conceitos afetivos necessários para a valorização da auto-estima do educando.
Para Freire, (1988, p. 64) “É uma aventura criadora, algo, por isso mesmo, muito mais
rico do que meramente repetir a lição dada. Aprender para nós é construir, reconstruir,
constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”.
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1.2 APRENDIZAGENS POR AUTO-ESTIMA

Relata Cury (2005), “O maior líder é aquele que reconhece sua pequenez, extrai força
de sua humildade e experiência da sua fragilidade”.
Aprender o valor do autocontrole na infância não significa apenas ser passivo, ao
contrário, é ter capacidade de discriminar os contextos apropriados para falar, brincar, rir... É
preciso aproveitar as possibilidades quando pequenos nas diferentes situações, de maneira a
beneficiar-se, fazendo com que podem proporcionar ao seu desenvolvimento. Crianças não
aprendem sozinhas, precisam de apoio para manter seu comportamento direcionado a uma
meta, com aprendizagem consistente de valores que as guiem.
Relata Briggs (2000, p. 78), “A auto-estima das crianças não é formada unicamente
em uma fase, mas eternamente construída e sujeita a mudanças, por isso a base familiar e
escolar desta criança deve ser segura e confiante para que possa superar as dificuldades da
vida com mais facilidade”.
A escola, a todo o momento está em busca de mudanças para que possa melhorar a
qualidade de ensino. O educador em sua formação continuada, tendo contato com as novas
metodologias que sugerem o respeito pela produção do educando, valorizando e incentivando
o que pode vir a fazer. Neste relacionamento educando-educado, o vínculo afetivo será um
grande facilitador no processo de ensino-aprendizagem, pois a criança não se sentirá sozinha,
facilitando assim, seu aprendizado.

1.3 O VALOR DO SER HUMANO

Saber ouvir alguém, pensar a respeito do que foi falado por essa pessoa é uma forma
de valorizar que ela diz, é a melhor forma de iniciar um relacionamento, pois todas as pessoas
têm a necessidade de ser ouvidas.

Toda comunicação é comunicação de algo, feita de certa maneira em favor


ou na defesa, sutil ou explícita, de algum ideal contra algo ou contra alguém,
nem sempre claramente referido. Daí também o papel apurado que goza a
ideologia na comunicação, ocultando verdades, mas também a própria
ideologização no processo comunicativo. (FREIRE, 1988, p. 26).
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Assim, quando se age desta maneira, caminha-se no rumo de um diálogo aberto,


franco, tendo oportunidade de descobrir o que à outra pessoa realmente quer. Uma grande
dificuldade encontrada em sala de aula está relacionada à necessidade que os educando têm de
serem ouvidos, respeitados em suas idéias e como sujeitos construtores da história cultural.
Logo, apresentam comportamentos diferenciados para serem notados e assim,
conseguirem a atenção do outro, normalmente, do educador. Uma prática que está se tornando
comum em alguns estabelecimentos de ensino é de encaminhar a criança que apresenta este
comportamento ao SOE (Serviço de Orientação Educacional). Ele ao ouvir essa criança, sabe
que seu retorno à sala será com outra postura, porque conseguiu ser ouvida e ambos trocaram
idéias. Sabe-se que não se pode atribuir a todo tipo de inadequação em seu ambiente de
aprendizagem, porém, em sua grande maioria é a razão das dificuldades nos relacionamentos.
Desta forma, a necessidade de valorização pessoal de cada um, contribui para um bom
desempenho, quer na vida escolar como pessoal. Vale lembrar que sempre a criança apresenta
uma dificuldade em aprender é importante descobrir o motivo, cujas necessidades emocionais
insatisfatórias, têm menos probabilidade de conseguir êxito na escola. O homem com fome,
não tem motivação para aprender, primeiro ele tem que matar a sua fome para depois se
concentrar no a fazer. A criança que está convencida de ser um fracasso tem pouca motivação,
com um acúmulo de repressão, não tem muita energia para enfrentar os desafios da escola,
porém, os desafios tornam-se interessantes quando se pode enfrentá-los, e a autoconfiança é o
primeiro segredo do sucesso.
Briggs (2000, p. 45) afirma em suas observações e análises que, “A causa mais comum
do bloqueio ao aprendizado, particularmente em criança de famílias da classe média, vem da pressão
indevida que sofrem para atingir certas metas que estão além de sua capacidade”.
No entanto, o excesso de ambição é recebido pela criança como falta de aceitação,
expectativas muito altas significam decepções grandes, prejudicando a auto-estima, acabam
com a energia e a criança passa a ter menos interesse e curiosidade. Outro obstáculo ao
crescimento intelectual é uma disciplina tolerante, protetora e rígida. Os pais dominadores
aumentam a hostilidade, a dependência e a inadequação, sentimentos que bloqueiam o
funcionamento intelectual. Pais excessivamente ou aqueles que se recusem a estabelecer
limitações, fazem com que as sintam incapazes e não amadas. Essas atitudes são negativas
para a auto-estima, que por sua vez, afeta a motivação de aprender. A disciplina democrática:
a participação, o raciocínio, o pensamento crítico e a responsabilidade, a divisão desenvolve o
crescimento intelectual, estimulando o poder no estabelecimento de regras, tendo um papel
importante no estímulo à competência mental.
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O estudo de Goldman abordado por Briggs (2000, p. 29) mostra que o maior fator para
motivar a criança a aprender é a imagem que tem de si, é o sentimento de que: “Eu tenho
certo controle do meu destino”.
Verificou-se nesse estudo também que a criança que apresentavam facilidade em
aprender, tinha sua autoconfiança intensificada à medida que essa facilidade aumentava.
Tinham confiança de serem amadas, estavam â vontade com os outros, pensavam de maneira
mais original, desta forma apresentavam as características de uma elevada auto-estima.
Entretanto, eram dependentes, menos seguras, menos capazes de participar de projetos
próprios, e precisavam de muita atenção, apresentavam dificuldade em aprender. Diante do
estudo, analisou-se que uma auto-estima elevada, afeta o modo pela qual a criança utiliza as
habilidades de que dispõe. É concretizado que outro obstáculo ao aprendizado aparece quando
os meios de comunicação estão obstruídos, ou fechados. Elas se saem bem em suas atividades
escolares, vem geralmente de famílias onde há muita comunicação. Quando pais e filhos
interessam-se atenciosamente, carinhosamente pelas atividades mútuas e quando os filhos se
sentem seguros em partilhar suas idéias e seus sentimentos, o crescimento cognitivo e
emocional é estimulado. Ao examinar os obstáculos do aprendizado não se pode desconhecer
a importância das boas escolas, dos educadores influentes e dos currículos flexivos, ligados
aos interesses dos educando. As crianças educandas autoconfiantes e motivadas podem perder
o estímulo de aprender com uma sala super lotadas, com educadores incompetentes e que
usam estratégias ultrapassadas. Além disso, com metodologias inovadoras, participação se
torna ativa, deixando de ser tratadas como simples recipientes vazios, onde se despeja o
conhecimento velho dos manuais. A compreensão é atingida proporciona um instrumento
para verificar o clima que lhe é oferecido, detectar áreas que precisam ser mudadas, e o mais
importante, contribui para poupar os educadores e as crianças dos resultados de uma atitude
baseada na tentativa e erro, na experimentação.
Briggs (2000) afirma que a importância da afetividade na vida de uma criança é como:
“Ajudar as crianças a desenvolver sua auto-estima é a chave de uma aprendizagem bem
sucedida”.
Não se pode desconhecer, ou ignorar, a característica mais importante da criança, seu
grau de auto-respeito. Normalmente pais e educadores querem evitar o mau comportamento,
pois a vida de ambos se torna mais agradável. A disciplina é muito importante, pois o seu
comportamento corresponde â auto-imagem, e a causa do mau comportamento é um auto
conceito negativo. Geralmente, quando pior o comportamento da criança, mais ela é punida,
rejeitada ou censurada, e conseqüentemente mais profunda se torna a sua convicção íntima de
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que é “má”. O mau comportamento crônico pode basear-se numa visão deformada do ID,
embora uma auto-estima precária não seja a única causa da má conduta.

1.4 A ESCOLA NA FORMAÇÃO DO AUTOCONCEITO

O papel da escola, enquanto sujeito da prática educacional e sujeito do aprendizado é


de uma importância para que a formação da auto-estima seja pautada em segurança,
autonomias de idéias, conceitos que o próprio educando tenha de si e que contribuem para seu
desempenho escolar e de sua vida como um todo.
Para Soto (1993, p. 36), “Educador e educando são sujeitos no processo: o primeiro
aprende com a aprendizagem do segundo e este descobre o seu universo sobre a orientação
daquele – sem qualquer atitude paternalista”.
A afetividade e auto-estima é uma questão de preocupação mundial, todos os
segmentos da sociedade têm essas abordagens em seus discursos, e buscam práticas que
possam condizer com que verdadeiramente acreditam. A afetividade no trato com as pessoas é
um pressuposto do que autores referem-se como o resgate a humanos esquecidos por nós que
estamos envolvidos com a agitação do cotidiano.
Acreditando nisto, Antunes (1996, p. 18) relata que a relação educadora - educando
deve ser baseada em afetividade e sinceridade, pois:

Se um professor assume aulas para uma classe e crê que ela não aprenderá,
então está certo e ela terá imensas dificuldades. Se ao invés disso, ele crê no
desempenho da classe, ele conseguirá uma mudança, porque o cérebro
humano é muito sensível a essa expectativa sobre o desempenho.

Como se pode ver a escola, como parte integrante e fundamental em uma sociedade
como Wallon, Piaget e Vygotsky, para basear suas ações pedagógicas e transformar a relação
de ambos, em um momento mais rico no processo ensino-aprendizagem. Tais conhecimentos
perdem sua validade quando educadores e técnicos não estão comprometidos com mudanças
em suas idéias tradicionais ou posturas, que trazem traços de práticas escolares que apenas
depositam informações, desconsiderando assim, a afetividade no processo ensino-
aprendizagem.
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Aceitar o ponto de vista de Piaget, portanto, provocará turbulenta revolução


no processo escolar (o professor transforma-se numa espécie de ‘técnico do
time de futebol’, perdendo seu ar de ator no palco). (...) Quem quiser segui-
lo tem de modificar, fundamentalmente, comportamentos consagrados,
milenarmente (aliás, é assim que age a ciência e a pedagogia começa a
tornar-se uma arte apoiada, estritamente, nas ciências biológicas,
psicológicas e sociológicas). Onde houver um professor ‘ensinando’... aí não
está havendo uma escola piagetiana. (LIMA, 1980, p. 62).

Diante disso, é preocupante o número de casos que mostram educando envolvidos em


agressões entre colegas ou discussões com educadores, casos que em sua essência,
demonstram carência afetiva, demonstrando um conceito negativo do mesmo.
Sabe-se, que a escola não é a solução para todas as dificuldades existentes do ser
humano, porém, como órgão construtor do seu contexto histórico, onde pode e deve contribuir
para a transformação, na relação educador-educando ou educando e educando, pois além da
sala de aula que oferece conteúdos e provas, a afetividade está presente em cada ação e busca
seu espaço no espelho que a turma repassa aos técnicos quando dispõe no diário de notas,
conselhos de classes, conselho escolar e entre outros instrumentos e setores que tratam esta
relação.

Cuidar é mais que um ato, é uma atitude, portanto abrange mais que um
momento de atenção, de zelo e vigilância. Representa uma atitude de
ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo, por isto, é
preciso cuidar da terra antes e depois da semente ser lançada, para que a
planta possa crescer florescer e dar bons frutos. (TIBA p. 45 1999).

Para a construção da auto-estima é necessário buscar a responsabilidade e não a culpa,


obter um clima de confiança para que as pessoas possam se sentir aceita compreendidas e
respeitadas, sentimento que ajudam a trabalhar núcleos emocionais que bloqueiam as
condutas inadequadas. Os educadores sabem que os educando aprendem melhor quando estão
satisfeitos consigo mesmo e que bons sentimentos são importantes.
Segundo Freire (1983) “Tem caráter permanente. Não há seres educados e não
educados. Estamos todos nos educando. Existem graus de educação, mas estes não são
absolutos”.
No entanto, alguns educadores desconhecem seu papel de “espelho”, esquecendo que
seus educando os admiram e estão preocupados em ser iguais a eles, imitando-os em suas
atitudes e até pensamentos, por isso, deve sempre está policiando suas palavras e posturas.
21

As emoções, assim como os sentimentos e os desejos, são manifestações da


vida afetiva, linguagem comum costuma-se substituir emoção por
afetividade, tratando os termos como sinônimos. Todavia, não o são. A
afetividade é um conceito mais abrangente no qual se inserem várias
manifestações. (WALLON, 1999, p. 18).

Se ambos pudessem espelhar-se em fatos e pessoas positivas, seria excepcional, onde


emanassem confiança, autonomia e sinceridade.

Ao ser produzido, o conhecimento novo supera outro que antes foi novo s se
fez velho e se ‘’dispõe’’ a ser ultrapassado por outro amanhã. Dê que seja
tão fundamental conhecer o conhecimento existente quanto saber que
estamos abertas e aptas á produção do conhecimento ainda não existente.
( FREIRE, 2007, p. 95).

Esperam-se mudanças na educação a partir de conscientização d novas metodologias


que insiram cada vez mais o educando m uma vida escolar que retrata sua realidade, porém,
olhando-se por outro lado, a solução para a educação pode estar no afeto, onde inclua que
proporcione crescimento e valorização do ser humano e reconhecimento pessoal como sujeito
ativo na construção da história, onde o educando vai à busca do seu papel na sociedade,
considerando-a, como um grupo social que pode contribuir para sua formação, e muitas vezes,
os educandos não tem a preocupação em conhecer o seu educando, muito menos, em
estabelecer um vínculo afetivo nesta relação, favorecendo atitudes positivas que favoreçam na
formação da auto-estima.

A Zona de Desenvolvimento Proximal define aquelas funções que ainda não


amadureceram, mas que estão em processo de maturação, funções que
amadurecerão, mas que estão presentemente em estado embrionário. Essas
funções poderiam ser chamadas do 'brotos' ou 'flores' do desenvolvimento.
(VYGOTSKY, apud OLIVEIRA, 1993, p. 25).

Neste sentido, a emoção será compreendida dependendo da ativação ou redução da


afetividade, enquanto isso, o autocontrole não é uma habilidade que se desenvolve
“naturalmente” dada à maturação temporal da criança, todas precisam de uma aprendizagem
específica, pois uma relação é algo que constrói no cotidiano, no entendimento de si e do
outro, por isso, é preciso que se tenha cautela com as palavras escolhidas para a comunicação,
levando em consideração o nível de voz que deve ser firme e não acusador e padrões de
22

linguagem que encorajem a auto-avaliação e o auto monitoramento por parte da criança,


fazendo-s com que aprenda a amar-se, conhecendo seus limites pedindo ajuda quando
necessário.
Para Monroe, Paul (1983) “O ajustamento da criança ao seu ambiente físico e social
por meio da experiência de gerações passadas”.

CAPÍTULO II

2. AÇÕES PEDAGÓGICAS E AFETIVIDADE NO PROCESSO


DE ENSINO E APRENDIZAGEM

Para Mello, (2004) “Não dá para ensinar pensando apenas na cabeça do aluno, pois o
coração também é importante”.
Educação tem como objetivo a preparação do sujeito da aprendizagem para o
exercício da cidadania, diz-nos a atual lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDBEN 9394/96). Todavia, a maneira como vêm sendo conduzidas as relações interpessoais
no âmbito educacional, tem produzido indivíduos com auto-estima fragilizada, sem
consciência de si mesmas e de suas capacidades. Por isso, é necessário que se reconsiderem
23

algumas posturas adotadas pelo sujeito da prática educacional, bloqueadoras da aprendizagem


da educando.

O poder de um ser humano. Não está na sua musculatura, mas na sua


inteligência. Os fracos usam a força, os fortes suam a sabedoria... Uma
pessoa inteligente aprende com os erros, uma pessoa sábia vai além, aprende
com os erros dos outros, pois é uma grande observadora. (CURY, 2007, p.
54)

Numa perspectiva nova para que a escola possa cumprir seu papel social e educativo,
o educador deve contextualizar a prática pedagógica de forma a ensinar o seu educando a
compreender o significado do seu aprender, por meio de experiências inovadoras, entendendo
assim, como tirar das tantas informações o seu saber. Violar e mudar a visão da escola, dentro
de realidades socialmente determinadas, buscando despertar uma nova conquista pedagógica,
sem julgar desfavoravelmente ou tornar elementar as trocas aleatórias que a sala da aula
representa. Ao pensarmos na Educação Infantil, perde-se a importância de uma concepção
onde a criança possa ser percebida como um sujeito em plena construção pessoal e social, e
que precisa ser respeitada em cada época de sua existência.
Para Marchand (1985, p. 32) “O poder do professor é maior que o do livro, e a
qualidade do diálogo estabelecido entre professor e aluno são importantes para uni-los,
criando um laço especial, ou para separá-los, criando obstáculos intransponíveis”.
A relação de educador e educando que não abordam a afetividade, traz conseqüência
para a ação pedagógica, atingindo ambos. E se o sujeito educacional não souber lidar com
crises emocionais, poderá provocar desgastes físico e psicológico. A afetividade como
processo de ensino e aprendizagem, o educador desenvolverá ação adequada para as reais
necessidades dos seus educadores sobre o desenvolvimento da criança através da interação de
ambos.

Como professor... preciso estar aberto ao gosto de querer bem aos educando
e a prática educativa de que particípio. Esta abertura ao querer bem não
significa, na verdade, que, porque professor me obriga a querer bem a todos
os alunos de maneira igual. Significa, de fato, que a afetividade não me
assusta que tenho de autenticamente selar o meu compromisso com os
educando, numa prática específica do ser humano. “Na “verdade, preciso
descartar como falsa a separação radical entre “seriedade docente” e”
afetividade”. Não é certo, sobretudo do ponto de vista democrático, que serei
tão melhor professor quanto mais severo, mais frio mais distante e
24

“cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos, n trato dos objetos
cognoscíveis que devo ensinar. (FREIRE, 1999, p. 39).

2.1 RECIPROCABILIDADE INFANTIL E ADULTA

As pessoas passam por mudanças e é óbvia durante toda a vida desde a infância a vida
adulta. A fase da infância é tomada de perspectivas e de experiências vividas. Através de
novos vínculos sociais, passam a se interagir com novos paradigmas de comportamento,
conteúdos e valores sociais, o conhecimento do real para o mental.

O desenvolvimento inteligência, em grande parte é função do meio social.


Para que ele possa transportar o nível da experiência ou da invenção
imediata e concreta, tornam-se necessários os instrumentos de origem social,
como a linguagem e os diferentes sistemas de símbolos surgido desse meio.
Se essa interação for desestruturada, abalará o comportamento infantil.
(WALLON apud ALMEIDA, 1993, p. 25).

A maior preocupação não é como a criança se socializa, mas como a sociedade


socializa a criança. A concepção moderna de infância é contraditória, precisam ser protegidas
e também precisam ser domadas para serem úteis à sociedade. Por meio da educação familiar,
onde vive num mundo de verdades e mentiras, o seu potencial torna-se criativo e expressivo,
cria uma linguagem e atualiza culturalmente seus conhecimentos. A obtenção da linguagem é,
portanto um salto qualitativo na evolução do pensamento infantil.

A criança apropria-se dos bens culturais e, provavelmente, ingressa como


elemento do meio social na medida em que domina os instrumentos de
origem social, pois a linguagem e os diversos sistemas de símbolos
possibilitam ultrapassar o nível da experiência ou da invenção imediata e
concreta. (ALMEIDA, 1999, p. 36).

Adultos e crianças não se misturam, os pais com seus afazeres profissionais deixam-
nas, preenchendo-as com televisão, videogame para que não sinta a sua ausência. A falta de
diálogo faz com que elas, muitas vezes, cresçam rejeitadas, desobedientes e agressivas. Em
uma sociedade familiar, suas habilidades, capacidades de aprendizagem são limitadas, ou seja,
25

aprendem o necessário, não há oportunidade de participação no cotidiano dos adultos. Desta


forma, a exclusão reflete-a sua emoção na sala de aula, pois não há uma interação, um diálogo
do adulto e principalmente não sabe ouvi-los.
Segundo Tiba (2002, p. 31) afirma que, “Quando a criança poderá contar tudo aos pais
sente-se mais forte e participativa. Depois eles não devem deixar de ouvir o que ela quer
contar, é a maneira de estar presente mesmo estando ausente”.
A família tem como objetivo de oferecer cuidados e proteção, dar suporte à evolução,
contribuir para a socialização doa filhos, controla-las e ajuda-las no processo de escolarização
e instrução sociais, dar sustentação para serem pessoas emocionalmente equilibradas, capazes
de transmitir vínculos afetivos satisfatórios e respeitosos reciprocamente.

A criança não era preparada para a vida, cabendo aos pais a responsabilidade
pela formação moral e espiritual dos filhos, o que levou ao aparecimento de
sentimentos novos nas relações entre os membros familiares: o sentimento
moderno de família. Já escola deverá garantir a aprendizagem de certos
conteúdos essenciais como: leitura e escrita etc., fazendo com que desperte
aluno crítico, interessado e participativo dentro da sociedade. As funções da
escola são: facilitar a adaptação de características sociais, formarem
cidadãos reflexivos, críticos e participativos; cenário de criação-educação;
socialização e individualização. (MIRANDA, 1994, p. 85)

A escola tem a função de introduzir na criança competências, categorias mentais e


termos científicos. Porém, a criança dificulta em estabelecer clareza entre as funções familiar
e escolar, em especial quando os pais acham que a educação deve partir da escola.

A Pedagogia Tradicional que traz à educação ensino das normas e conteúdos


morais contrariando a sua natureza selvagem. Portanto o professor torna-se o
centro da aprendizagem, e a Pedagogia Nova que vê a criança como um ser
pleno para a auto-realização, ela valoriza, ensina bem, mesmo que a minoria,
trazendo credibilidade na escola. (MIRANDA, 1994, p. 62)

2.2 PROCESSOS DE APRENDIZAGEM DE FORMA AFETIVA

Segundo Codo e Gazzotti (2002), “É mediante o estabelecimento de vínculos afetivos


que ocorre o processo ensino - aprendizagem”.
26

As primeiras aprendizagens acontecem na primeira relação materna (primeiras


palavras, gestos...), construindo seu próprio estilo de aprendizagem, que sofrerá modificações
à medida que se relacionará com outras coisas.
Segundo Almeida (1999) diz que “Cada estágio da afetividade, quer dizer as emoções,
o sentimento e a paixão, pressupõem o desenvolvimento de certas capacidades, em que se
revelam um estado de maturação”.
Quando mais habilidade adquirida do raciocínio, maior o desenvolvimento da
afetividade. Portanto, as aprendizagens acontecem, inicialmente, no seio familiar e, depois, no
social e no escolar. Uma grande dificuldade quando acontece a separação da criança no meio
familiar para o meio escolar. Os obstáculos atrapalham a vida escolar, as que são
indisciplinadas, os pais que cobram fazendo ameaças, fazendo-as a perderem a concentração.
As dificuldades de aprendizagem como leitura e escrita é um processo educacional
evidenciado, sendo preciso um retrocesso do processo ensino-aprendizagem, deixando aos
educadores e aos pais incapazes de entender o problema.
Almeida (1999, p. 61) pressupõe a seguinte citação: “... é preciso que o professor
esteja muito atento aos movimentos das crianças, pois estes podem ser indicadores de estados
emocionais que devem ser levados em conta no contexto de sala de aula.”
Na aprendizagem existem dois fatores que a interfere, impossibilitando o fluxo normal
do aprender: primeiro os fatores internos de ordem orgânicos ou psicológicos (análise da
história da criança, estrutura familiar, para a identificação da aprendizagem), o segundo os
fatores externos (metodologia de ensino, às condições sócio-econômicas e aos recursos do
educador). Com isso, o afeto explica a aceleração (interesse e necessidade do educando) ou
retardamento (situação afetiva é obstáculo para o desenvolvimento intelectual). Cabe a escola
interligar seu convívio na sociedade, ajudar a família a resolver os problemas. Muitas vezes,
tendo a necessidade de encaminhamento a profissionais especializados (psicólogos ou
psicopedagogos). Profissionais preparados para a preservação, diagnósticos e o tratamento
dos problemas de aprendizagem. Este trabalho conclui-se as manifestações de afetividade, a
interligação entre afetividade e inteligência, razão e emoção no desenvolvimento do educando
e no contexto da educação. O desenvolvimento é um processo contínuo e a afetividade é
imprescindível, por isso, deve proporcionar relações afetivas entre pais e filhos, educadores e
educandos.
A ausência de uma educação que aborde a emoção escolar e familiar traz danos que
não poderão ser corrigidas pela ação pedagógica, obtendo dificuldade de aprendizagem de
educando.
27

Bossa (2000, p. 64) relata que: “Sabemos que o sentido das aprendizagens é único e
particular na vida de cada um, e que inúmeros são os fatores afetivos emocionais que podem
impedir o investimento energético necessário às aquisições escolares.”
Notas boas não significam que a aprendizagem aconteceu de maneira afetiva, quando
o educando é realmente afetado pela escola, leva-o à transformação pessoal, capaz de
participar e evoluir como ser humano. A inclusão ou exclusão do feto educativo definirá se a
sala de aula funcionará como espaço de aprendizagem ou passa tempo.
Tratar o educando com afeto, não significa tratá-lo com beijos, abraços ou agrados,
significa que devemos acordar e tomar atitudes que nos leve a sair da nossa indiferença, a
falta de afetividade educacional, capaz de sentir-nos seres sensíveis e capazes de transformar
os que nos rodeia. Numa sala onde o ponto referencial é a afetividade, formará indivíduos
com condições para lidar com seus sentimentos e que contribuirá para um mundo menos
violento, por essa razão, é preciso que haja uma relação de respeito e cumplicidade entre
ambos.
Como Strocchi (2003) afirma que, “A postura que cada pessoa tem em relação a si
mesma”.

2.3 VYGOTSKY: AFETIVIDADE NO PROCESSO DE FORMAÇÃO COGNITIVO

A relação entre as dimensões cognitiva e afetiva para o desenvolvimento


humano, pois demonstra a existência de um sistema dinâmico de
significados em que o afetivo e o intelectual se unem. Mostra que cada idéia
contém uma atitude afetiva transmutada com relação ao fragmento de
realidade ao que se refere. Permite-nos ainda seguir a trajetória que vai das
necessidades e impulsos de uma pessoa até à direção específica tomada por
seus pensamentos e a sua atividade. (VYGOTSKY, 1989, apud LA
TAILLE, 1992, p. 45).

As dimensões cognitiva e afetiva do funcionamento psicológico, uma anterioridade da


ação, isto é, da experiência direta (anseios, necessidades...) ao pensamento generalizante
superior (representações mentais, dadas culturalmente, do mundo real) que se desfaz ao
advertir sobre a existência do processo inverso, isto quer dizer, vê o afetivo como força
volitiva para o cognitivo. Neste processo definiu como funções mentais e consciência,
elemento mediador entre o individuo e influências do mundo exterior. Na construção de
28

significados Vygotsky o subdivide em três estágios: 1- o da formação de conjuntos sincréticos


(a criança associa objetos mundano a partir de nexos subjetivos baseada em fatores
perceptuais) 2 - o de pensamento por complexo (experiências por descoberta direta, conexões
concretas e factuais entre os objetos) 3 - o da formação de conceitos propriamente dito
(pensamento lógico-abstrato).
Ressalta Ratner (1995) que, “À medida que mudam as ideologias sociais e os sistemas
sociais, eles trazem consigo novas normas de emoções”.
A intervenção escolar do agir coletivo como alternativa pedagógica capaz de provocar
aprendizagem e, conseqüentemente, gerar o desenvolvimento dos educandos.
Ratner (1995, p. 28) ainda afirma que, “Atribuir emoções a hormônios por si sós cria
a falta impressão de que determinadas reações emocionais são produtos naturais, universais e
inevitáveis.”

2.4 TEORIAS DA EMOÇÃO DE WALLON

Vygotsky defende a tese da relação entre afetividade e desenvolvimento cognitivo, um


encontro de paradigmas, confronto teórico e aprofundamento analítico, mediante a teoria da
emoção de Wallon, onde seu grande eixo é a questão da motricidade, ato mental.
La Taille (1992) ressalta que, “A primeira correspondendo ao movimento visível, à
mudança de posição assumida (atitude) e à mímica”.
A afetividade na teoria walloniana é vista como instrumento de sobrevivência na qual
sua origem estar na função tônico-postural, compete à transição entre o estado orgânico do ser
e sua etapa cognitiva. Nesse sentido, o desenvolvimento cognitivo instaura vínculos com o
meio social, culturalmente elaborado e acumulado pela humanidade. Portanto, se
desenvolverá o aprimoramento intelectual estabelecidos pela consciência afetiva, transtornos
emocionais ao comportamento do pensar reflexivo.
Wallon defende a teoria de que o ser humano é um ser afetivo, da afetividade
diferenciou-se, a vida racional. Na existência, afetividade e inteligência são recíprocas. A
evolução afetiva está interligada ao desenvolvimento cognitivo, difere entre a criança e o
adulto, incorporação da construção de inteli8gência.
Carvalho (2000) ressalta que, “Tornar a aprendizagem interessante e útil uma das
formas de remover obstáculos”.
Com a chegada da puberdade, exigências racionais se impõem as relações afetivas. De
acordo com as etapas evolutivas da afetividade que estabeleceu a construção do eu se dá nos
29

momentos dominante afetivos do desenvolvimento, na interação com outros sujeitos,


enquanto no caráter cognitivo se dá a construção do objeto, a modalidade da realidade externa
cuja aquisição das técnicas de elaboração se deve a cultura da sociedade, até transcender essa
realidade atinge o apogeu e inicia sua etapa regressiva.

... cabe à educação, em cada um desses momentos, a satisfação das


necessidades orgânicas e afetivas, a oportunidade para a manipulação da
realidade e a estimulação da função simbólica, depois a construção de si
mesmo. Esta exige espaço para todo tipo de manifestação expressiva:
plástica, verbal, dramática, escrita, direta, ou indireta, através de personagens
susceptíveis de provocar identificação. (DANTAS, 2002, p. 26).

Piaget, Vygotsky e Wallon idêntica que a afetividade o seu caráter social, dinâmico e
construtor da personalidade humana, além de estabelecer o elo entre o individuo e a busca do
saber.

2.5 MOTIVAÇÕES DESENROLAR DA PRÁTICA PEDAGÓGICA

Ferreira (2001, p. 29) pressupõe que, “De uma forma de pensar assim simplificada
remonta esta visão da Escola como algo para além das fronteiras da vida. Um espaço
reservado aos que possa freqüentá-la e, sobretudo, aos que conseguem progredir em seu
interior”.
O aspecto afetivo construtor da natureza humana e responsável pela definição das
relações inter individuais, com base no desenvolvimento sócio-cognitivo. A motivação
também faz parte desse processo ensino-aprendizagem. No campo educativo, a motivação é
um elemento considerável e imprescindível, seja para aprender ou realizar algo. Vale ressaltar
que todo comportamento pressupõe o motivo em todas as ações da vida humana, daí dizer que
o comportamento configura-se em instrumento pelo qual a necessidade é satisfeita vinculada à
teoria da evolução.
Chalita (2004) afirma que, “O grande pilar da educação é a habilidade emocional.”
Vale afirma que tanto para ação de aprendizagem quanto de ensinar, faz-se necessário
uma força propulsora motivacional que determine ambas as situações, otimização para o
processo ensino-aprendizagem através da melhoria da motivação. Porém, é comum no
cotidiano de nossas escolas públicas, o incômodo de muitos educadores em compreender o
30

desinteresse dos educandos, o pouco que o educador ensina-lhes, em busca de condições


motivacionais favoráveis à aprendizagem. A falta de motivação, não se limita apenas ao
sujeito da prática educacional, mais em proporção maior, capaz de ir desde a direção do corpo
docente, por causa das condições precárias e desoladoras. Embora vítima dessa superestrutura
que requer mudanças significativas, o educador será o primeiro responsável pelo
desenvolvimento ócio-cognitivo de seus educandos, o encarregado de promover as
contingências reforçadoras que garantam a motivação e levem à aprendizagem.
O fator motivação no desenrolar da prática pedagógica é, nesse sentido, não importa as
estratégias que o educador disponha e, sim, o seu compromisso m envolver o educando
levando-o a perceber a aprendizagem adquirida como conquista pessoal.

Os paradigmas básicos do saber, que se sucederam interpenetrados e que


continuam em nossa cultura e em nossas cabeças, necessitam recompor-se
em um quadro teórico mais vasto e coerente. Sem percebê-los dialeticamente
atuantes, não poderemos reconstruir a educação de nossa responsabilidade
solidária. (MARQUES, 1993, p. 52)

2.6 COTIDIANO ESCOLAR / AFETO

As dificuldades de aprendizagem dos educandos originam-se da maneira como são


tratados em casa e na escola. O ato educativo deve estar a serviço do desenvolvimento do
bem-estar do educando, e a educação deve tomar para si esse problema, auxiliando-o desde a
sua infância, interação com o meio, mas conhecê-lo no sentido amplo.
Saltini (2002, p. 58) pressupõe que, “As escolas deveriam entender mais de seres
humanos e de amor do que de conteúdo e técnicas educativas. Elas têm contribuído em
demasia para a construção de neuróticos por entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de
símbolos e de dores”.
É necessário que o educador compreenda o educando enquanto sujeito do
conhecimento. Fernandes (1990) afirma que, “Se alguém não se investiu de amor, não poderá
dá-lo a outro”.
Educação e afeto juntos, uma tarefa de todo educador, de ser, de formar seres humanos
felizes e equilibrados.
31

A escola se estrutura como um espaço de permanente construção/


desconstrução/ reconstrução individual e coletiva de conhecimentos por
alunos/as e professores/as. A interrogação do processo ensino/aprendizagem
oferece ao/a professor/a informações necessárias para o planejamento do
ensino em consonância ao desenvolvimento de seus alunos e alunas, ao
contexto social e cultural onde a prática pedagógica ocorre e seus próprios
conhecimentos. (ESTEBAN, 2001, p. 92)

2.7 MOTIVOS PARA O FRACASSO ESCOLAR

Segundo Rosa (2008) “O fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso
sistema educacionais mais estudados e discutidos”.
O fracasso escolar é uma das faces da desigualdade social que penetra no cotidiano
escolar.

A escola não é simplesmente um espaço de reprodução do contexto social,


uma vez que nela são geradas práticas específicas através da qual a
desigualdade se constrói e, em alguns momentos, permite a construção da
prática alternativas que superam ou tentam superar as desigualdades iniciais.
(ESTEBAN 2001, p. 65).

Uma criança pode trazer em si o desejo de aprender, não necessitando de motivação


dos pais ou educadores, precisa sentir e sustentar seu desejo de conhecimento. Quando entra
na pré-escola, os pais preocupam-se com as performances intelectuais e as suas possibilidades
de sucesso. E para isso, precisa satisfazer-los, responder as expectativas com boas notas, até o
dia que confrontará com seu próprio desejo.
Cordié (1996) ressalta que há a pressão social, “que se exerce sobre todos e gera uma
angústia surda que a criança tem dificuldade de identificar”.
Torna-se natural o surgimento em todas as intuições educativas de crianças problemas,
fracassadas, disléxicas, hiper-ativas, agressivas, fazendo parte da identidade da criança,
tornando a ser sua dificuldade. Portanto, ao passar este rótulo à criança, se observa quais
circunstâncias apresenta tais dificuldades.
Para Rosa (2008) “Isso não é apenas uma diferença terminológica, ela revela uma
possibilidade de mudança”.
32

As teorias de aprendizagem, não-apredizagem, avaliação é apontada para o educando


como “fracassado” devido ao insucesso na aprendizagem.
Segundo Pain (1992) “O sujeito que não aprende não realiza nenhuma das funções
sociais da educação, causando sem dúvida, o fracasso da mesma, mas sucumbindo a esse
fracasso”.
O fracasso escolar gera evasão escolar. Carvalho (2000, p.65) afirma que, “O aluno
abandona a escola após repetir a mesma série por vários anos e, se retorna, além da distorção
idade/série, enfrenta como enorme obstáculo seu sentimento de auto-estima negativa”.
A criança de baixa renda que não teve um ensino d qualidade, não terá domínio de
aprendizagem, terá uma linguagem deformada, a coordenação motora será rudimentar,
decodifica os signos da leitura e escrita. Nesse caso, essa criança terá uma deficiência desde o
começo da alfabetização.

O tema das diferenças individue numa sociedade dividida em classes e,


consequentemente, a pesquisa das causas do fracasso escolar das classes
empobrecidas e os programas educacionais a elas especificamente
destinadas, movimenta-se num terreno minado de preconceitos e estereótipos
sociais... A defesa da tese da inferioridade congênita ou adquirida,
irreversível ou não dos integrantes das classes subalternas..., em cada ordem
social, são consideradas competentes para elaborar uma interpretação
legítima do mundo. (PATTO, 1993, p. 95)

A falta de afetividade é uma das causas do fracasso escolar. Todavia, as questões sobre
o fracasso não param por ai.

... explicar o fracasso escolar é explicar porque e, às vezes, como os alunos


são levados a ocupar essa ou aquela posição no espaço escolar... uma chave
disponível para interpretar o que está ocorrendo nas salas de aulas, nos
estabelecimentos de ensino, em certos Barrios, em certas situações sociais.
(CHALORT, 2000, p. 12).

Uma criança de um sociocultural desfavorecido tem desinteresse pelas atividades


escolares, os pais raramente aparecem a reuniões, por ignorância ou cansaço.
Para Cordié (1996) “Nunca há uma causa única pra o fracasso escolar, há sempre a
conjunção de várias causas que, agindo umas sobre as outras interferem”.
33

Causadora do fracasso escolar que impõe de forma alarmante e persistente na


sociedade seu diagnóstico é analisada pelo índice de repetência e pela evasão escolar.
Rosa (2008) questiona relatando o seguinte, “Existe mesmo um culpado para a não
aprendizagem. Se a aprendizagem acontece em um vínculo, se ela é um processo que ocorre
entre subjetividades, nunca uma única pessoa pode ser culpada”.
O desenvolvimento cognitivo, pessoal e social terá resultado dos fracassos anteriores,
afetando a auto-estima da criança e adulta onde refletirá no adulto futuramente.
No relato de Charlot (2000) “O fracasso escolar não existe, o que existe são alunos em
situação de fracasso”.
Nessa situação, a criança entrará no processo de exclusão e rejeição. Os desprezos, a
humilhação e a vergonha são devastadores, sente-se diferente e por essa razão surge à revolta
e pensa que ser má é melhor. A inibição, o medo do educando, ou a regressão torna-se uma
deficiência sensorial tendo uma auto-estima muito baixa tornando uma criança com
dificuldade de aprendizagem.

Os altos índices de fracasso escolar evidenciam a incapacidade de a escola


alcançar coletivamente resultados satisfatórios, porém a repetência pode
estar revelando que a escola é desejada pelos/as alunos/as e suas famílias,
pais apesar, de todas as dificuldades as crianças continuam tentando
aprender e enquanto podem voltar às aulas, mesmo permanecendo muito ano
na mesma série. Da mesma forma, as famílias continuam acreditando na
positivamente da escola, pois fazem esforço para manter seus filhos e filhas
estudando. (ESTEBAN, 2001, p. 58)
34

CAPÍTULO III

3. RELAÇÕES PROFESSOR/ALUNO: PERSPECTIVAS E IMPASSES

Ser educador não é uma tarefa fácil. Hoje, novas tecnologias vieram tornar o trabalho
docente ainda mais complicado. A disciplina tem se tornado uma situação ainda mais
problemática. As causas hoje, se debruçam nos que fazem parte da educação, que desejam um
ensino de qualidade. È óbvio que são inúmeros, os elementos que concorrem para a atual
situação educacional brasileira.
É essencial à educação saber estabelecer limites e valorizar a disciplina, e para isso, a
presença de uma autoridade saudável é imprescindível. O segredo que difere autoritarismo do
comportamento de autoridade adotado para que outra pessoa torne-se mais educada ou
disciplinada, está no respeito à auto-estima. A convicção de que os educandos vão sendo cada
vez mais indisciplinados e mal-educados, apresentando comportamentos que interrompem o
35

clima da escola, quando não protagonizam agressões verbais e físicas, furtos e destruição do
mobiliário entre outros comportamentos impróprios.

Inserir os alunos em ações e procedimentos que os coloquem mais


ativamente em seu processo de formação e construção do conhecimento
torna-se uma maneira mais eficiente de possibilitar o desenvolvimento da
criatividade, da liderança, do espírito de cooperação, da tranqüilidade em
aceitar desafios na resolução de problemas e de dezenas de outras
capacidades esperadas desses indivíduos, quando forem atuar mais
ativamente nos diferentes segmentos sociais. (NILDO, 2010, p. 20)

As crianças aprendem a comportar-se em sociedade, a conviver com outras pessoas,


necessariamente com os próprios pais, embora o comportamento infantil seja aprendida por
meio da imitação, da experimentação e da invenção. E a escola tem como objetivo a interação
dos educandos nas normas da sociedade.

Bons jovens têm sonhos ou disciplina. Jovens brilhantes têm sonhos e


disciplinas. Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, que
nunca transformam seus sonhos em realidade, e disciplina sem sonhos
produz servos, pessoas que executam ordens, que fazem tudo
automaticamente e sem pensar. (CURY, 2007, p. 71)

Quando o limite é apresentado com afeto, a criança o aceita com facilidade.


Certamente, não é um trabalho fácil, mas funciona. Além da família, cabe à escola este papel.
Afinal, os educadores também fazem parte consideravelmente da responsabilidade pela
formação da criança.

3.1 FAMÍLIA E ESCOLA: IMPASSES E PERSPECTIVAS

Hoje, família e escola parecem perder o poder e o espaço que tiveram na formação do
individuo. As crianças entram mais cedo na escola, favorecendo-as ou desfavorecendo-as,
dependendo assim, do acompanhamento escolar e familiar. Quando bem acompanhada, esse
ingresso prematuro pode ajudá-la a se desenvolver melhor em todos os aspectos: sociais,
cognitivos, etc. Porém, se a família coloca-a, mas não as acompanha, pode gerar um
36

sentimento de descaso fazendo com que se sintam rejeitadas tendo dificuldades em relação ao
seu desenvolvimento.
Segundo Içami Tiba (1996) afirma que, “O maior estímulo para ter disciplina é o
desejo de atingir um objetivo”.
O desenvolvimento da indisciplina depende do surgimento de um controle interno, isto
é, uma obediência às regras que não dependa mais exclusivamente do controle dos pais ou de
outras pessoas. Isso implica a assimilação racional das regras, o que faz surgir à
reciprocidade, o respeito mútuo que vem a ser a capacidade de respeitar o outro e por ele ser
respeitado.

Os professores não são valorizados socialmente como merecem, não estão


nos noticiários da TV, vivem no anonimato da sala de aula, mas são os
únicos que têm o poder de causar uma resolução social. Com uma das mãos
eles escrevem na losa, com a outra, movem o mundo, pois trabalham com a
maior riqueza da sociedade: a juventude. Cada aluno é um diamante que,
bem lapidado, brilhará para sempre. (CURY 2007, p. 89)

A renovação de conteúdos faz com que haja um desenrolar a renovação dos métodos e
das relações entre educador e educando, das obrigações e da disciplina. Com a inovação, os
conteúdos não serão inconscientes, pois proporciona condições de conduzir a satisfação. A
escola traz consigo o conceito de ordem, a necessidade de disciplina, utilizando-se de
punições a fim de obter a passividade e a obediência dos educandos, fazendo com que seja
uma escola livre de indisciplina e agressividade.

3.2 CAUSAS DA INDISCIPLINADA E DA AGRESSIVIDADE

Os problemas de disciplina, de convivência nas escolas, são reflexos de crise nos


valores que se rodeia em uma sociedade como um todo. Em um mundo cada vez mais
globalizado, a informação chega aos lares, mostrando um cenário de violência. Ao mesmo
tempo, a família como alicerce, esta demonstrando fortes mudanças, como a incorporação da
mulher ao trabalho, cada vez mais freqüente separação dos casais, a violência cada vez mais
próximo, a ausência dos pais fazendo com que se sentem à vontade para enfrentar a vida de
forma erronia.
37

Para Cury (2007, p. 44) “Bons jovens se preparam para o sucesso. Jovens brilhantes se
preparam para as derrotas. Eles sabem que a vida é um contrato de risco e que não há
caminhos sem acidentes. Portanto, têm consciência de que é digno do pódio se não usar suas
derrotas para conquistá-lo”.
Os problemas são multicausais e tem sua raiz não apenas no ambiente social, mas,
também nas mudanças socioeconômicas. Perante crianças que por sua vez, são mais
vulneráveis do que os outros, quanto as suas expectativas de futuro.
Segundo Içami Tiba (1996) “A educação escapou ao controle da família porque, desde
pequena a criança já recebe influências da escola, dos amigos, da televisão e da internet”.
Os pais por sua vez, nunca devem abrir mão de educar seus filhos, é importante que
sejam progressivos e se preparem para poder dar uma boa educação. São retrógrados, isto é,
ultrapassados, os pais que por encontrarem dificuldades, abandonam suas funções e passam a
cobrar dos outros as suas próprias falhas, gerando assim, indisciplina familiar. Assim, a
indisciplina pode surgir como não aceitação do absolutismo e autoritarismo excludente. A
repressão não educa, a diferença entre castigo e conseqüência é que este busca o educando
aprender com o erro. O educando aprende com o custo da conseqüência e não com a pena do
castigo.

3.3 ESCOLA E FAMÍLIA COMO EVIDÊNCIAS NA AGRESSIVIDADE E


INDISCIPLINA

Todos conhecem que a carência afetiva durante a infância, pode conduzir a uma
deterioração integral da personalidade, e consequentemente do comportamento. Quando o
relacionamento familiar é precário, certamente irá influenciar nos relacionamentos sociais de
seus membros, principalmente dos filhos.
Segundo Içami Tiba (1995) “Quando falha o grande controlador, que é a família,
representada na figura dos pais, os abusos começam a acontecer. E, quando um abuso é bem
sucedido, ele se estende para social, na delinqüência, na compulsão pelas drogas.”
Quando a família deixa o filho fazer suas vontades, este terá problemas futuros, essa
maneira de educá-los, baseado no amor incondicional, sem estabelecer restrições, com
explicações moderadas e objetivas levando as crianças a se tornarem jovens dependentes, sem
autocontrole e inseguros, incapazes de solucionar problemas que surgem na sua própria vida,
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sem perspectiva de uma vida futura progressiva, sem realizações enriquecedoras e positivas.
Içami Tiba (1995, p. 23) comenta que, “A disciplina é algo vivo, que confere satisfação nos
próprios atos de se organizar, de realizar e da colher. Cada etapa precisa ter a própria
satisfação para animar a pessoa a seguir em frente”.
A indisciplina e a agressividade em meio escolar é um fator de preocupação para
muitos pais, a maneira como é abordada, desligada dos fatos concretos e dos contextos reais
em que ocorrem, pode tender a dar das escolas uma imagem pouco realista, em muitos
problemas que efetivamente existem, mas que, na maior parte dos casos não serão
particularmente graves. Apesar da bagunça e do barulho não serem as únicas formas, são elas
as formas que mais se destacam na sala de aula.
De acordo com Içami Tiba (1996) o exemplo é muito importante na educação “Quem
sabe fazer, aprendeu fazendo”.
A ausência de disciplina e a falta de organização nos estudos, começam a aparecer
quando o educando começa a perder a vontade intrínseca de querer aprender, com o passar do
tempo, tornar-se um cansativo, ou seja, deixa de ser vontade e passa a se quase um sacrifício.
Com o desenvolvimento da capacidade cognitiva e com a experiência no grupo social é que o
adolescente começará a ser capaz de julgar o certo e o errado, considerando as circunstâncias.
Com intervenção da escola, da família e da sociedade, a agressividade e a indisciplina no
processo de ensino-aprendizagem serão mais bem trabalhadas e superadas com a união de
todos os responsáveis no processo, tendo como objetivo principal a formação integral do
indivíduo.

É impossível à permanência de coesão familiar sem alguém que exerça com


segurança e continuidade o princípio aglutinador da autoridade respeitosa, e
estimulando as dimensões das possibilidades se as crianças são capazes de
realizar, seus potenciais que estão escondidos e que com esforço
desabrocharão, tornando-se um ser maduro e fortificador. A satisfação
consegue mesmo, depende em última instância do bom uso da liberdade
aprendia desde a infância. (SOUZA, 2001, p. 65)

3.4 AÇÕES DOCENTES FRENTE AO EDUCANDO INDISCIPLINADO

Como diz Içami Tiba (1996) “Um desrespeito aos pais pode ser relevado, aos
professores já implica em advertência, e às autoridades sociais, há punição.”
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A indisciplina e a agressividade constituem-se em um desafio para os docentes,


representam um dos obstáculos ao trabalho pedagógico, demonstra a ausência de regras e
limites por parte da criança. Uma postura compartilhada em relação à indisciplina é a
prevenção. A escola deve funcionar através de espaços e tempos geridos com critérios
adequados à participação e ao diálogo entre os educando e os mesmos com os educadores,
onde o problema deve ser contextualizado, analisando as suas causas e favorecendo a
mobilização de ações alternativas. O problema é complexo e muitas vezes os educadores
buscam "receitas prontas" se revelam ineficazes quando aplicadas à situação concreta. Um
dos maiores problemas que o educador inexperiente enfrenta é a criação de um clima
favorável à aprendizagem, onde se integra à análise de situações indesejáveis e a gestão do
comportamento do educador.

[...] Para isso é preciso, sempre que possível, antecipar-se ao aparecimento


de problemas e só em último caso reparar os que inevitavelmente tiverem
surgido, seja por causa da própria situação de ensino seja por fatores alheio à
dinâmica escolar. (GOTZENS, 2003, p. 10).

A disciplina escolar não consiste em um receituário de propostas para enfrentar os


problemas de comportamentos dos educandos, mas em um enfoque global da organização e a
dinâmica do comportamento na escola e na sala de aula, coerente com os propósitos de
ensino. Precisam-se incentivar comportamentos de trocas, diálogos, estimulando a análise,
criticando os educandos sobre situações variadas. Podem-se evitar, desencadeando situações
de indisciplina. Para isso, é necessário, gerir adequadamente a turma, levando em
consideração que muitos vivem em contextos familiares desestruturados. É, portanto,
necessário incentivar as famílias a acompanhar a educação de seus filhos.
Segundo Juan Carlos Tedesco (Revista Nova Escola, edição nº156, out./02), “É a
escola que deve ser autônoma, não a sala de aula. Isso faz com que a responsabilidade diante
dos resultados seja mais coletiva.”.
O educador precisa desempenhar seu papel, o que inclui disposição para dialogar
sobre objetivos e limitações e para mostrar ao educando o que a escola e a sociedade esperam
dele. De acordo com a psicóloga e pesquisadora em educação Tânia Zagury (Revista Nova
Escola, edição nº149, jan./fev.02), “Quando há relacionamento de afeto e um professor
atencioso, qualquer caso pode ser revertido em pouco tempo.”
Na escola são vistos como educandos problemas, em casa como bagunceiras ou,
dependendo do caso, distraídas. Essa é a realidade de crianças com sintomas de inquietação,
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baixas rendimento escolar, dificuldade nos relacionamentos, ansiedade, agressividade e


resistência a receber ordens. O educador desempenha neste processo o papel de modelo, guia
referência; mas os educandos podem aprender a lidar com o conhecimento com os colegas.
Uma coisa é o conhecimento “pronto”, sistematizado, outro, bem diferente, é este
conhecimento em movimento, tencionado pelas questões da existência, sendo montado e
desmontado.
Para Vasconcellos (2001). “Aprende-se a pensar, ou, se quiserem, aprende-se a
aprender”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho refletiu-se sobre as perspectivas de aprendizagem por meio da


afetividade. A ausência de limites, intuídas na educação escolar e familiar, fecunda muitas
vezes conseqüências desastrosas, produzindo crianças indisciplinadas, agressivas, insolentes e
que vivem em conflitos consigo e com os outros.
Família e escola devem trabalhar juntas para ajudarem à criança a desenvolverem
todos os aspectos humanos, de modo a ser livre para aprender e criar. Permitindo à criança o
desenvolvimento da própria capacidade individual.
A criança precoce ou não, aproveitará o apoio e a conversa franca sobre o seu
crescimento. Elas que se desenvolvem mais devagar irão beneficiar muito com o
desenvolvimento de habilidades específicas. A competência compensa o “fracasso” d um
corpo franzino, ou de um crescimento lento.
Algumas escolas adotam práticas que valorizam o crescimento cognitivo dos
educandos desconsiderando o emocional, por isso, as crianças terão mais probabilidade de
efetuar o que prometem se participarem de um clima que lhes permitem crescer no momento
adequado. Vale ressaltar que a criança saudável é verdadeira consigo mesma, o que lhe
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assegura a integridade pessoal. Uma criança com auto-estima elevada baseia-se na convicção
de que tem que ser amada e valorizada, sabendo a importância porque existe.
É fundamental que os educadores saibam que toda criança tem o potencial de gostar de
si, e que aprende a ver a si tal quais as pessoas importantes que a cercam a vêem.
Diante dessa pesquisa bibliográfica, há muito a fazer como trabalho futuro, tendo em
vista as dificuldades de aprendizagem causadas por vários obstáculos tais como: a
indisciplina, a falta de interesse de ambas as partes, onde encarcera a significação do
conhecimento. E nenhuma aula tem significação, quando não existir busca para a consciência
da aprendizagem. O grane desafio da sociedade moderna é a educação.
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