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INSPETOR DE DUTOS TERRESTRES NÍVEL 1

DESENHO TÉCNICO

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DESENHO TÉCNICO

1.0 Introdução

Quando alguém quer transmitir um recado, pode-se utilizar a fala ou passar seus pensamentos
para o papel na forma de palavras escritas. Quem lê a mensagem fica conhecendo os pensamentos de
quem a escreveu. Quando alguém desenha, acontece o mesmo: passa seus pensamentos para o papel
na forma de desenho. A escrita, a fala e o desenho representam idéias e pensamentos. A representação
é o desenho que estudaremos a seguir.
As atuais técnicas de representação foram criadas com o passar do tempo, à medida que o
homem foi desenvolvendo seu modo de vida, sua cultura.
O desenho técnico deve transmitir com exatidão todas as características do objeto que representa.
Para conseguir isso, o desenhista deve seguir regras estabelecidas previamente chamadas de normas
técnicas. Assim, todos os elementos do desenho técnico obedecem a normas técnicas, ou seja, são
normalizados. Cada·área ocupacional tem seu próprio desenho técnico, de acordo com normas
específicas. Observe alguns exemplos, conforme figura 1.1.

Figura 1.1 – Exemplos de desenhos técnicos

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Os desenhos de engenharia devem obedecer às normas de desenho técnico, em particular a
Norma NBR-8, da ABNT, que regula esse assunto no Brasil, normalizando dimensões de papel,
disposição do desenho e da legenda, tipos e dimensões de letras, simbologia, etc.
Todos os elementos que aparecem no desenho técnico - linhas, símbolos, números e indicações
escritas - são normalizados pela ABNT, por meio da norma NBR 8 403, que determina quais tipos de
linhas devem ser usadas em desenhos técnicos, definindo sua largura e demais características.

2.0 Perspectiva Isométrica

Quando olhamos para um objeto, temos a sensação de profundidade e relevo. As partes que estão
mais próximas de nós parecem maiores e as partes mais distantes aparentam serem menores.
A fotografia mostra um objeto do mesmo modo como ele é visto pelo olho humano, pois transmite
a idéia de três dimensões: comprimento, largura e altura.
O desenho, para transmitir essa mesma idéia, precisa recorrer a um modo especial de
representação gráfica: a perspectiva. Ela representa graficamente as três dimensões de um objeto em
um único plano, de maneira a transmitir a idéia de profundidade e relevo.
Existem diferentes tipos de perspectiva. Veja como fica a representação de um cubo em três tipos
diferentes de perspectiva, conforme figura 2.1

Figura 2.1 – tipos de perspectivas

Cada tipo de perspectiva mostra o objeto de um jeito. Comparando as três formas de


representação, você pode notar que a perspectiva isométrica é a que dá·idéia menos deformada do
objeto.
Iso quer dizer mesma; métrica quer dizer medida. A perspectiva isométrica mantém as mesmas
proporções do comprimento, da largura e da altura do objeto representado.

2.1 Eixos Isométricos


O desenho da perspectiva isométrica é baseado num sistema de três semi-retas que têm o mesmo
ponto de origem e formam entre si três ângulos de 120°.

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2.2 Linha Isométrica

Outros elementos muito importantes para o traçado da perspectiva isométrica são as linhas
isométricas. Qualquer reta paralela a um eixo isométrico é chamada linha isométrica Observe a figura a
seguir:

3.0 Projeção Ortogonal

As formas de um objeto representado em perspectiva isométrica apresentam certa deformação,


isto é, não são mostradas em verdadeira grandeza, apesar de conservarem as mesmas proporções do
comprimento, da largura e da altura do objeto.
Além disso, a representação em perspectiva isométrica nem sempre mostra claramente os
detalhes internos da peça.
Na indústria, em geral, o profissional que vai produzir uma peça não recebe o desenho em
perspectiva, mas sim sua representação em projeção ortográfica.
A projeção ortográfica é uma forma de representar graficamente objetos tridimensionais em
superfícies planas, de modo a transmitir suas características com precisão e demonstrar sua verdadeira
grandeza.
Em projeção ortográfica deve-se imaginar o observador localizado a uma distância infinita do
objeto.

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3.1 Plano de Projeção

Em desenho técnico usamos dois planos básicos para representar as projeções de objetos: um
plano vertical e um plano horizontal que se cortam perpendicularmente.

As vistas representadas nos planos de projeção de acordo com a Norma NBR 10067/1995 da
ABNT são as representações no 1º diedro.

3.2 Posições relativas das “vistas” no 1ª Diedro

Fixando a Vista Frontal (A) conforme a figura 3.2.1, as posições relativas das outras vistas são:
- Vista Frontal (A) - Vista Lateral Direita (D)
- Vista Superior (B) - Vista Inferior (E)
- Vista Lateral Esquerda (C) - Vista Posterior (F)

Figura 3.2.1 – Vistas no 1° diedro (usual no Brasil)

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4.0 Desenhos de Tubulações

Em um projeto de tubulações industriais, fazem-se geralmente os seguintes tipos principais de desenhos


de tubulações:
a) Fluxogramas (flow-sheets), normalmente feitas em papel nos tamanhos A 1 e A0;
b) Plantas de tubulação (piping plants); normalmente nas dimensões A1 ou A0;
c) Desenhos isométricos, normalmente no tamanho de dimensões A3;
d) Desenhos de detalhes e de fabricação, desenhos de suportes, folhas de dados.

A Norma PETROBRAS N-2047 - APRESENTAÇÃO DE PROJETO DE DUTOS TERRESTRES, relaciona


os documentos e seu conteúdo constituintes dos projetos básicos e de detalhamento de dutos terrestres,
elaborados de acordo com a norma PETROBRAS N-1744 - PROJETO DE OLEODUTOS E
GASODUTOS TERRESTRES.

4.1 Fluxogramas

Os fluxogramas são desenhos esquemáticos, conforme figura 4.1.1, sem escala, que mostram
todo um sistema constituído por diversos vasos, equipamentos e instrumentos, e a respectiva rede de
tubulações a ele ligado. Têm apenas a finalidade de mostrar o seu funcionamento, não se destinando a
nenhum efeito de fabricação, construção ou montagem.
Em geral são feitos dois tipos de fluxogramas:
a) Fluxogramas de Processo (process flow – sheet) – preparados pela equipe de projeto de processo,
na fase inicial de um projeto e devem conter os itens abaixo e suas respectivas características
básicas.
• Natureza do fluido, sua vazão, pressão, temperatura, densidade e instrumentos indicadores destes;
• Lançador/ Recebedor de pig’s;
• Tubulações principais e conexões;
• Principais válvulas: bloqueio, regulagem, controle, segurança e alívio;
• Juntas de isolamento elétrico.

Os fluxogramas de processo devem conter, ainda, as exigências que possam existir quanto a
localização dos equipamentos para atender as necessidades dos serviços.

b) Fluxogramas mecânicos ou de detalhamento (engineering flow – sheets) – são um desenvolvimento


dos fluxogramas de processo e os desenhos básicos de onde serão detalhados os projetos
executivos.

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Figura 4.1.1 - Exemplo de um Fluxograma de Processo


Na elaboração dos fluxogramas lança-se mão da utilização de símbolos gráficos de forma a
simplificar a representação dos equipamentos. A seguir, na tabela 4.1.1, são mostrados alguns exemplos de
símbolos gráficos constantes da norma.

Tabela 4.1.1 – Símbolos Gráficos para fluxogramas de processo e de engenharia (Petrobrás N-58)

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4.2 Convenções de Plantas de Tubulação

Tabela 4.2.1 – Convenções de Plantas de Tubulação

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Tabela 4.2.1 – Convenções de Plantas de Tubulação

São desenhos em projeção horizontal, feitos em escala de 1:500 ou 1:1000, contendo o Norte de
projeto e todas as tubulações aéreas e terrestres e equipamentos de uma determinada área, numa dada
faixa de elevações.
Os projetos de dutos pouco usam plantas de tubulação, a exceção de suas interfaces com as
unidades na origem ("scrapers-trap" de lançamento e no destino "scrapers-trap" de recebimento) e das
plantas das áreas de válvulas intermediárias e das estações de controle e medição.

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Devem conter no mínimo, as seguintes informações:
• Quilometragem progressiva;
• Rodovias, avenidas, ferrovias, rios, canais, lagos.
• Outros dutos importantes cruzando a diretriz ou em interferência paralela;
• Linhas de transmissão de alta tensão;
• Grandes propriedades atravessadas pela diretriz;
• Válvulas intermediárias;
• Áreas de lançador e de recebedor.

Figura 4.2.1 - Exemplo de Planta de Tubulação

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4.3 Isométricos

• Os desenhos isométricos são elaborados em perspectiva axonométrica regular e não possuem escala,
conforme figura 4.3.1.
• Cada desenho isométrico deve conter uma linha ou um grupo de linhas próximas, que sejam
interligadas.
• O desenho isométrico não deve conter linhas de unidades diferentes.
• Em geral não são elaborados desenhos isométricos de tubulações subterrâneas e de tubulações de
grande extensão fora das áreas de processamento (interligações).
Os desenhos isométricos devem conter, no mínimo, as seguintes informações:
a) identificação de todas as tubulações e seu sentido de fluxo;
b) elevação de todos os tubos a partir da linha de centro; nos trechos em que se tornar
indispensável, indicar a elevação de fundo de tubo;
c) todas as cotas e dimensões necessárias para a fabricação e montagem das tubulações (de
trechos retos, angulares, raios de curvatura, acessórios, válvulas e outros acidentes);
d) representação de todas as válvulas e acessórios de tubulação, inclusive os secundários, como
drenos, respiros, conexões para instrumentação, tomadas de amostras, purgadores;
e) orientação (norte de projeto);
f) identificação, posição de linha de centro e bocais de interligação de equipamentos (vasos,
bombas, compressores);
g) lista dos materiais referentes ao isométrico;
h) plantas de tubulação de referência, com indicação das suas revisões;
i) relação das linhas detalhadas nos desenhos isométricos;
j) indicação se as linhas são isoladas ou aquecidas;
k) Os isométricos podem conter informações adicionais sobre quantitativos básicos, tais como: peso
e outras informações necessárias para os serviços de isolamento térmico, pintura e revestimentos
em geral.
l) As linhas verticais são representadas por traços verticais e as horizontais nas direções ortogonais
devem ser representadas por traços inclinados de 30° sobre a horizontal (para a direita ou para a
esquerda); linhas com direções diferentes das três direções ortogonais devem ser representadas
por traços inclinados com ângulos diferentes de 30° e devem ter indicados nos desenhos os
ângulos verdadeiros de suas inclinações com as três direções ortogonais básicas, bem como o
paralelogramo ou prisma, onde a direção inclinada seja uma diagonal (neste caso, usar linhas
finas para representar o paralelogramo ou o prisma). Sempre que facilitar a visualização, deve ser
hachurado o plano que contém a linha e sua projeção no plano horizontal.
m) Todos os tubos devem ser representados por traço único (independentemente do diâmetro) na
posição de sua linha de centro, utilizando-se linha grossa.
n) Devem ser indicados os raios de curvatura dos trechos de tubos curvados.

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o) Devem ser indicados com linhas tracejadas, os trechos dos tubos que continuam em outro
desenho isométrico, devendo ser também indicados os números dos desenhos isométricos ou
plantas de continuação.
Observação: para um melhor entendimento dos desenhos isométricos, a tabela 4.3.2, indica o significado
das abreviaturas de siglas utilizadas.

Tabela 4.3.1 – Simbologia de Isométricos

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Tabela 4.3.2 – Siglas de Instrumentação

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Figura 4.3.1 - Exemplo de desenho Isométrico


4.4 Desenho de Detalhes

Quando necessário, para maior clareza, deve ser elaborado desenho de detalhes de tubulação.
Os desenhos de detalhes de tubulação podem ser cortes (vistas e elevação), isométricos ou
plantas, em tamanho maior, dos trechos mais congestionados.
Para ilustrar, observe a figura 4.4.1.

Figura 4.4.1 – Desenho de Detalhes de um projeto de derivação para drenagem de oleoduto

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5.0 Desenho de Perfil e Gradiente Hidráulico

Deve ser elaborado, preferencialmente, em formulário no formato A1, devendo conter as seguintes
informações:
a) Perfil do terreno, com comprimento desenvolvido, obtido através de correção do perfil indicado
na planta de traçado;
b) Diâmetro, classe de locação, classe de pressão;
c) Grades horizontais representando o comprimento desenvolvido;
d) Grades verticais representando, no mínimo, as cotas múltiplas de 100m;
e) Representação da locação e identificação de válvulas intermediárias, lançadores e
recebedores;
f) Escalas gráficas e numéricas, representando as escalas horizontal e vertical do traçado do
duto;
g) Curvas dos gradientes hidráulicos dimensionantes do duto;
h) Linha de projeto do duto;
i) Perfil de resistência dos tubos para os produtos dimensionantes;
j) Espessuras e materiais de cada trecho do duto;
k) Perfil de resistência dos tubos para os produtos dimensionantes;
l) Pressões de teste hidrostático e cotas dos respectivos pontos.

Nota – A escala horizontal do desenho deve ser adequada à largura da área do desenho. A escala
horizontal deve ser múltipla de 5000, por exemplo: 1:5000, 1:10000, ou 1:30000. Quanto á escala vertical
deve ser selecionada considerando a altura disponível da área de desenho e os elementos a serem
inseridos nela (perfil do terreno, perfil de resistência, linha de projeto, gradientes hidráulicos etc) e deve
ser múltipla de 1000, por exemplo: 1:1000, 1:2000, 1:5000. A figura 5.1 mostra o exemplo de perfil
gradiente hidráulico, comumente utilizado em inspeções no campo e projeto de dutos.

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Figura 5.1 - Exemplo de Perfil com Gradiente Hidráulico – Sem Escala

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6.0 Levantamento Topográfico e “as built” (conforme
construído)

Os levantamentos topográficos devem estar baseados nas recomendações da Norma Petrobrás


N-47, sendo realizado pela executante com sua equipe de topografia na fase de implantação da faixa,
com cadastramento de imóveis vizinhos posteriormente em levantamento topográfico cadastral, conforme
recomenda a Norma PETROBRAS N-1041.
Utilizam na maioria dos casos as coordenadas UTM, que são coordenadas planas obtidas a partir
da projeção da superfície da terra sobre um cilindro orientado perpendicularmente ao eixo da terra
(projeção Universal Transverso de Mercator), hoje esse serviço se baseia nas coordenadas topográficas
levantadas pelo aparelho GPS (Global Positioning System).
Nestas plantas devem ser encontradas diversas informações da superfície cadastrada. Utilizam-se
legendas para identificar as informações relevantes ao cadastro.
Na fase após a construção, os desenhos do levantamento topográfico que serviram de base para a
elaboração de projetos, servem de base para a confecção das plantas “as built” (conforme construído)
onde estarão presentes todos os detalhes da construção executada, conforme exemplo da figura 6.1 a
seguir.
Ortofoto (foto de satélite real) que auxilia o “as built” e o perfil longitudinal de um duto.

Figura 6.1 - Exemplo de “as-built” – Sem escala

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